Serra e a 'perseguição' da TV Brasil

Serra e a perseguição da TV Brasil

 

Atualizado às 11h14m de 10 de fevereiro de 2010


 

 


Em novembro do ano passado, o governador José Serra, que ontem acusou a TV Brasil de "perseguição", parecia ter outra opinião sobre a emissora pública, como se poderá constatar nos cinco vídeos abaixo, nos quais está dividida a entrevista que o tucano deu à tevê naquela oportunidade

 

Parte 1

 

Parte 2

 

Parte 3

 

Parte 4

 

Parte 5

 


 

Se o Brasil tivesse imprensa

 

 

Este país está às portas daquela que talvez seja a mais importante campanha eleitoral de sua história. O governo que emergirá das urnas ao fim de outubro próximo estará incumbido de pilotar um país comparável a um bólido de fórmula 1, transbordante de riquezas e centro das atenções do mundo como jamais aconteceu em sua história.

Se o Brasil tivesse imprensa, TODOS os candidatos a presidente da República estariam sendo inquiridos e investigados, questionados por todos os seus atos e palavras e tendo seus desempenhos em cargos públicos devassados em cada detalhe.

Infelizmente, isso não acontece. Entre Dilma Rousseff e José Serra, apenas a ministra-chefe da Casa Civil é questionada e cobrada e investigada. E nem direi que, em sendo candidata – ou pré-candidata – à Presidência, Dilma esteja sendo mais cobrada e fiscalizada do que deveria. Não. O único problema é que seu principal adversário não está recebendo o mesmo tratamento.

Expoente de um governo exitoso, fato internacional e nacionalmente reconhecido por uma maioria massacrante, a ministra tem cada um de seus atos perscrutados com lente de aumento em todos os jornais, telejornais, rádios e programas de televisão possíveis e imagináveis. Todos os dias é acusada de tudo. Todos os dias é desmerecida. Todos os dias tem sua capacidade questionada.

Seu principal adversário, porém, recebe tratamento diametralmente diferente, a ponto de qualquer notícia negativa sobre ele na imprensa ser recebida com surpresa. Isso ocorre devido à total inapetência da imprensa brasileira em dispensar ao governador de São Paulo o mesmo tratamento que à sua provável principal adversária nas próximas eleições.

O Brasil precisa ser informado sobre os problemas da administração do Estado de São Paulo e da capital paulista tanto quanto é informado sobre os problemas do PAC, por exemplo. E não digo que não existam problemas nos dois lados. Seria impossível. No entanto, o governo de São Paulo que aparece nas tevês e nos jornais é quase que exclusivamente o da propaganda do governador.

E problemas não faltam. O Estado está submergindo em água misturada com excrementos; bairros inteiros estão alagados ininterruptamente há quase dois meses; no centro da capital, centenas de zumbis fumam crack à luz do dia e à vista de quem quiser ver; o metrô e o resto do transporte público estão colapsados; centenas de milhares de paulistanos estão sem água há quatro dias; quando chove, enorme parte da capital fica sem luz, às vezes por um dia inteiro...

Os problemas acima mencionados são apenas os mais dramáticos. Nem falei ainda do espancamento de vítimas dos alagamentos que foram para diante da prefeitura do indicado pelo governador paulista para sucedê-lo na administração da capital para pedirem providências por já não agüentaram mais continuar vivendo em casas inundadas por água suja e fezes, uma situação que já vai completando dois meses.

Se o Brasil tivesse imprensa em vez dessa máfia composta dos piores tipos de escroque travestidos de “jornalistas”, o governador José Serra certamente não se elegeria nem para síndico de prédio, pois sua administração é um desastre.

Enquanto isso, a imprensa se ocupa de criticar e difamar ininterruptamente programas e obras do governo federal mundialmente reconhecidos e que inclusive ajudaram o país a sair mais rapidamente da crise, mas só quando essa  imprensa não está a repercutir os insultos desesperados dos aliados de Serra ao presidente da República e à sua pré-candidata a ocupar seu cargo a partir do ano que vem.

E quando um único veículo ousa fazer o que nenhum outro fez, quando a TV Brasil pergunta a Serra quando as setecentas mil pessoas que estão há três dias sem água voltarão a poder tomar banho, o governador, o responsável por resolver essa situação, eleito para tanto, pago para tanto pelos cofres públicos, escandaliza-se e se diz vítima de perseguição.

Desacostumado a prestar contas de seus atos publicamente, Serra não pode conviver com o jornalismo e seus questionamentos naturais a ocupantes de cargos públicos. Para ele, para esse déspota dissimulado, quando o assunto é São Paulo jornalismo é não fazer perguntas e não pedir respostas.

O que é mais assustador é que há risco de alguém como Serra pôr as mãos no governo do país sem que reste ninguém para incomodá-lo. Sua eleição se constituiria no mesmo desastre que foi o governo FHC simplesmente porque o Brasil, como naquela época, continua sem imprensa e, assim, não terá como lhe pedir explicações, que se tivessem sido pedidas ao ex-presidente tucano poderiam ter evitado muito sofrimento.

Se o Brasil tivesse imprensa, toda ela estaria ao lado da TV Brasil e contra a atitude antidemocrática e arrogante do governador paulista contra a emissora pública. Infelizmente, o Brasil é um país onde a comunicação é controlada por bandidos.

 



 Escrito por Eduardo Guimarães às 00h02
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Todos contra FHC

Todos contra FHC

 

 

 

 

 

 

Talvez por solidariedade humana, por não apreciar ver a degradação de ser humano nenhum, chego a me condoer pela situação patética em que o ex-presidente FHC se viu de domingo para cá, só que por obra e graça de si mesmo, que, vaidoso, tinha que escrever aquele artigo no jornal (?) em que tem espaço cativo juntamente com boa parte de seu ministério.

Aliás, esse é um capítulo à parte. O governo FHC, do qual Serra e o PSDB fogem como o diabo foge da cruz apesar de um ser o outro e de o outro ser um, escreve várias vezes por semana no Estadão. O próprio FHC, Pedro Malan, Paulo Renato, Celso Lafer, Gustavo Franco etc. É o jornal do PSDB mais assumido, o que lhe confere o mérito de uma coragem que falta uma Folha de São Paulo, por exemplo.

Na inauguração de biblioteca pública instalada no ex-presídio do Carandiru, na capital paulista, FHC chegou e saiu antes de Serra, o qual, por sua vez, ficou mudo vendo o embate entre seu ex-chefe direto no período 1995-2002 e a ministra Dilma Rousseff, esquivando-se de apoiar e defender o governo que integrou como um dos mais importantes e influentes membros.

O mesmo se diz do PSDB como um todo. Onde estão as notas oficiais de Sergio Gerra, presidente do PSDB, a defender o governo de seu partido contra o governo do partido de Dilma?

O partido de FHC e seu candidato a candidato à Presidência estão bem escondidos porque em dezembro passado uma pesquisa CNT-Sensus revelou que 76% dos brasileiros dizem que o governo Lula é melhor do que o de FHC, que só teve a preferência de 10% dos pesquisados, o que constitui prova de que o governo federal tucano foi desastroso a ponto de provocar hesitação de seus membros e entusiastas de defendê-lo publicamente.

Até a grande mídia, velha tucana de quatro costados, já sofre defecções como a da Folha de São Paulo, que publica hoje análise que reproduzo a seguir, onde admite tudo o que venho escrevendo há anos. O texto, aliás, ainda revela que certos comentaristas deste blog tentam ser mais realistas do que o rei, ou seja, mais tucanos do que a mídia tucana, do que o PSDB e do que seu pretenso candidato a presidente.

Vale a pena ler a matéria. É a primeira admissão real de um setor da grande mídia de que o governo FHC teve mais erros do que acertos. Ei-la, pois.

 

FOLHA DE SÃO PAULO

 9 de fevereiro de 2010

ANÁLISE

FHC cita méritos e omite erros

Tucano propõe comparação bizantina entre o seu programa de obras e o PAC 

GUSTAVO PATU

DA SUCURSAL DE BRASÍLIA 

Não é difícil, para FHC, listar corretamente méritos de seu governo negados pela retórica palanqueira de Lula. Mais complicado é revisitar o período sem provocar a lembrança de erros e deficiências, também reais, que contribuíram para afastar os tucanos do Planalto.

"Sem medo do passado" é o título do artigo que o ex-presidente escreveu em defesa de seus dois mandatos. Se não há mesmo medo, as entrelinhas deixam transparecer que persiste, pelo menos, desconforto. Omissões e meias verdades contrastam com a defesa, alardeada no texto, de uma "política mais consciente e benéfica para todos".

Em exatas 998 palavras e cifras que descem a minúcias, não há uma única menção, no exemplo mais flagrante, ao crescimento econômico -goste-se ou não, o indicador mais universalmente utilizado para mensurar o sucesso das administrações nacionais.

No mais perto que chega do tema, FHC propõe uma comparação bizantina entre o seu programa de obras Avança Brasil e o PAC petista, ambos conhecidos pela discrepância entre metas e realizações. E, claro, sem falar na crise de abastecimento de energia elétrica.

A renda nacional cresceu à média de 2,2% ao ano sob FHC e deve encerrar o período lulista com taxa anual de 3,7%, se confirmadas as expectativas dos analistas. Mais importante politicamente, o primeiro começou seu governo com expansão acelerada e terminou em estagnação, enquanto o segundo obteve o resultado inverso.

Nos últimos anos, os tucanos, com boa dose de razão, vinham atribuindo a vantagem de Lula à sorte de governar em um período de rara prosperidade internacional, livre das turbulências financeiras da década passada. Essa argumentação perdeu charme, no entanto, com o colapso global do final de 2008, do qual o Brasil saiu com perspectivas de rápida recuperação.

No artigo do ex-presidente, a única razão apresentada para a crise herdada por Lula é o temor provocado nos credores e investidores "por anos de "bravata" do PT e dele próprio" -nada se diz sobre a escalada das dívidas interna e externa nos anos anteriores, consequência de políticas do primeiro mandato tucano, corrigidas tardiamente no segundo.

Dólar barato e gasto público sem amarras sustentaram a popularidade inicial de FHC e garantiram sua reeleição no primeiro turno, mas levaram o endividamento público de menos de 30% para quase 50% do Produto Interno Bruto.

Câmbio e superávit

As medidas de ajuste adotadas a partir de 1999 -câmbio flutuante e metas de superavit fiscal- foram mantidas pelos petistas, como gostam de lembrar os tucanos. Mas tampouco o crédito, nesse caso, cabe à gestão FHC: tratou-se de uma imposição do FMI (Fundo Monetário Internacional).

Não por acaso, os indicadores mais palpáveis de melhora social do texto do ex-presidente estão circunscritos a seu primeiro governo. É o caso da queda aguda da pobreza, do aumento do rendimento médio mensal dos trabalhadores, do reajuste mais generoso do salário mínimo.

O artigo dribla o inconveniente com saltos nas datas. Recorda-se, por exemplo, que, "com o Real, a população pobre diminuiu de 35% para 28% do total" e depois menciona-se a taxa de 18% registrada em 2007, já sob o governo Lula. Não se menciona que, após a queda brusca do primeiro ano, a pobreza permaneceu nos mesmos patamares no restante do governo tucano.

Iniciativas celebradas do segundo mandato geraram mais frutos sociais, econômicos e políticos para Lula que para FHC. Além das correções da política econômica, o exemplo clássico é a criação do Bolsa Escola, depois ampliado e rebatizado como Bolsa Família

 



 Escrito por Eduardo Guimarães às 10h45
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'Choque de gestão' tucano

‘Choque de gestão’ tucano

 

Atualizado às 22h23m de 8 de fevereiro de 2010

 

 


Estação Sé do Metrô de São Paulo, dia 3 de fevereiro de 2010

 

 

 

Entenda por que a situação chegou a esse ponto:

 

Metrô da Cidade do México

 

A primeira linha do metrô da Cidade do México servia 16 estações e foi aberta ao público em 1969. Desde então, foram efetuadas várias expansões sucessivas à rede; atualmente é composta por 11 linhas, 175 estações e 177 km de linhas. A Cidade do México tem 8 milhões de habitantes (2005)

 

Metrô de Santiago do Chile

 

O metrô de Santiago foi inaugurado em 15 de setembro de 1975. Atualmente, possui uma rede composta de 85 estações,distribuídas por 4 linhas ao longo de 84,4 quilômetros. O metrô de Santiago do Chile é considerado o mais moderno da América Latina. Santiago tem 5,4 milhões de habitantes (2007)

 

Metrô de SãoPaulo

 

O Metrô de São Paulo foi inaugurado em 1974 e possui hoje 62,2 km de extensão em cinco linhas e 56 estações. São Paulo tem 10 milhões de habitantes (2006)

 

Ranking de extensão das linhas de metrô pelo mundo

 

posição    cidade              país           inauguração    km nº   estações

1              Londres        Reino  Unido        1863         408,00     268

2              New York    Estados Unidos    1904         368,00     468

3              Tokyo           Japão                  1927          304,50    290

4               Moscou        Russia                 1935          292,90    177

5               Seoul            Coreia do Sul      1974          286,90    348

6               Madrid          Espanha              1919          284,00    281

7               Shanghai        China                  1995          232,40    163

8               Paris              França                1900          213,00    380

9               C. Mexico     Mexico               1969          201,70    175

10             Beijing           China                  1969          198,95    123

11             Hong Kong    China                  1979          174,00     94

12             Washington    Estados Unidos   1976          171,20     90

13              Mumbai         India Ásia           1905          171,00     73

14              S. Francisco  Estados Unidos   1972          166,90     43

15              Chicago         Estados Unidos  1892           166,00   151

16              Berlim           Alemanha            1902           144,10   192

17              Osaka           Japão                  1933           137,80   133

18              Guangzhou    China                  1999            116,00     62

19              Singapura      Singapura            1987            113,20     71

20              Barcelona      Espanha              1924            106,60   147

21              Estocolmo     Suécia                 1950            105,70   104

22              S. Petersburg Russia                 1955            105,50     60

23              Hamburgo     Alemanha            1912            100,70     97

24              Busan            Coreia do Sul      1985              95,00     92

25              Munique       Alemanha              1971             92,50   100

26              Nagoya         Japão                   1957              89,00     93

27              Santiago        Chile                     1975             83,00     92

28              Atlanta           Estados Unidos    1979              79,20    39

29             Newcastle       Reino Unido         1980              76,50    61

30             Nova Delhi      India                    2002              76,50    68

31             Taipei              Taiwan                1996               75,80    73

32             Milão               Itália                    1964               74,60   88

33             Saint Louis       Estados Unidos    1993               73,40   37

34             Tianjin              China                   1974               71,98   37

35             Toronto           Canada                 1954               71,30   74

36              Viena              Austria                 1978                69,80   96

37              Montreal        Canada                 1966                69,20   73

38              Bucareste       Romania               1979                67,70   50

39             Cairo               Egito                    1987                65,50   55

40             Kuala Lumpur Malásia                 1996                64,00   60

41             São Paulo        Brasil                    1974                62,20   56

 

Observação 1 : São Paulo é a sexta cidade mais populosa do mundo

Observação 2 : O PSDB governa São Paulo há 15 anos. 



Dos leitores



Olá, Eduardo. Não precisa ir tão longe. O metro do Recife,  em Pernambuco, tem 71 Kms de extensão, sem a ampliação para copa do mundo de 2014.

Abraço.

Fernando Vaz | Recife PE | Pesquisador |

 

*


Eduardo, uma correção: os seus dados sobre o metrô de Santiago estão defasados. Já são 94 estações e 101 km de linhas (dados de dezembro 2009).

Lá, eles são um pouco mais rápidos do que os nossos queridos administradores tucanos.

| Mario Siqueira | São Paulo SP | engenheiro aposentado |



 Escrito por Eduardo Guimarães às 16h42
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Por que FHC não se cala

 

Por que FHC não se cala

 

 

 

Mais uma vez ele veio a público e trouxe de volta as lembranças daqueles anos de penúria que ainda fazem os brasileiros estremecerem. FHC, em artigo publicado no Estadão deste domingo, diz que não tem medo de comparar sua gestão com a de Lula.

O que importa ao país, no entanto, não é a versão dele dos fatos, mas por que o ex-presidente continua se fazendo lembrar por essa maioria avassaladora da sociedade que discorda dele e que comprovadamente acha que o atual governo é muito melhor do que o seu.

Pesquisa CNT/Sensus divulgada em 23 de dezembro do ano passado revelou que 76% dos brasileiros acham que os sete anos do governo Lula são melhores do que os oito anos do governo FHC. A pesquisa ocorreu entre os dias 16 e 20 de novembro e entrevistou 2 mil pessoas, com margem de erro de 3%.

Já FHC, em seu artigo, elenca supostos êxitos de sua administração dos quais a sociedade desdenha de forma tão decidida em pesquisa de opinião e em duas eleições presidenciais.

Surge, assim, uma questão: por que o ex-presidente não se cala e pendura as chuteiras? A cada vez que se manifesta, joga seu governo desastroso sobre os ombros de seu sucessor não só como ideólogo, mas como ídolo de ricaços, de artistas, de acadêmicos e de empresários (sobretudo de mídia) do Sul e do Sudeste.

Esse herdeiro de FHC é o governador José Serra. Ele e o ex-chefe (de quem foi ministro em dois ministérios distintos, o do Planejamento e o da Saúde) continuam sendo a antítese de Lula, e para sorte do governador muitos não se lembram disso.

Aliás, sobre a imagem de Serra no imaginário popular boa parte dos que dizem que poderão votar nele para presidente acham que é o candidato de Lula, conforme detectou pesquisa Vox Populi divulgada no fim de janeiro.

Em quadro tão adverso, FHC não se cala por que?

Vaidade, por exemplo. Acredito que o ex-presidente, que carregou durante a vida de acadêmico um orgulho intelectual imenso e uma visão meio Bóris “escala do trabalho” Casoy da realidade, preferiria a morte a reconhecer que um operário sem curso superior pudesse suplantar a nata da sociedade.

Deve-se entender também, nesse contexto, a fidelidade de Serra ao ex-chefe. Ele tampouco pode aceitar que um governo do qual foi ministro em duas pastas distintas, e por ter sido um dos seus principais artífices, seja considerado tão inferior ao governo do operário.

No caso de Serra, não se trata nem de orgulho. Tendo integrado um governo que a sociedade considera em tão larga escala que fracassou, fica difícil pedir que o povo o escolha presidente em lugar de uma integrante de um governo que quase todos consideram que está sendo muito melhor.

FHC não se cala sobretudo porque ainda não se deu conta de quão duro foi o período da história em que governou o Brasil. E Serra, mesmo rezando para o ex-chefe se calar, acha que tevês, rádios, jornais e revistas poderão fazer com que  seja esquecido o sofrimento de parcela tão expressiva da sociedade naquela época.

 



 Escrito por Eduardo Guimarães às 17h35
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Karl versus Adam

Karl versus Adam

 

 

 

 

 

 

Alguém já parou para pensar no que PT e PSDB têm a exibir em seus currículos? Não me refiro a escândalos, porque cada lado faz acusações mais escabrosas ao outro. Refiro-me a currículo, e currículo é o que um candidato a qualquer coisa tem a apresentar como pretensa prova de experiência e desempenho.

Quando se fala em disputa política nacional, ao menos nos últimos quinze anos fala-se em PT e PSDB. No entanto, fala-se pouco, porque, no Brasil e no resto do Terceiro Mundo, os povos ainda se prendem a nomes em vez de atentarem às siglas partidárias, o que torna os partidos fracos e os projetos políticos voluntaristas e com um quê de aventureiros.

Cada um que pense o que quiser, mas quem vem ler o que escrevo está em busca da opinião de quem escreve, seja para analisar de verdade ou para concordar ou discordar sistematicamente. Desta maneira, vou lhes dizer, com honestidade, o que acho que o Brasil enxerga quando pensa em PT e PSDB. Mas só quando pensa, porque não costuma pensar no assunto.

Note-se, porém, que não dá para tratar de situações regionais. Indo ao Sudeste, encontraremos a balança pendendo para os tucanos. Se formos ao Nordeste, a encontraremos pendendo para os petistas. Em todo o Brasil, porém, a maioria pende é para nomes de pessoas, sem atentar para o que representa a sigla partidária a que pertence aquele nome.

No Primeiro Mundo é diferente, ainda que a situação econômica deste, atualmente, seja sinônimo de incompetência e de irresponsabilidade. Mas não podemos nos esquecer de que, antes de mergulhar na utopia neoliberal, os países industrializados, com exceção dos Estados Unidos, produziram o Estado do Bem Estar Social, o dito Welfare State.

Uma filha está estudando inglês na Austrália e trabalhando para pagar seus estudos. Ganha mais do que um engenheiro no Brasil trabalhando como baby-sitter (babá) e housekeeper (empregada doméstica que trabalha por hora). A tia do noivo de minha Gabriela é housekeeper no Texas e ganha mais do que muito executivo de multinacional.

Sempre digo que o Primeiro Mundo atingiu esse estágio de bem-estar social (menor nos EUA, que copiamos, e maior na Europa, que fazemos questão de não copiar) porque esses povos aprenderam a manter os políticos sob rédea curta exigindo deles programas claros, que são debatidos à exaustão nas campanhas eleitorais.

Direita e esquerda têm propostas bem definidas até nos EUA. Barack Obama propôs e começa a implantar um sistema de saúde pública que os republicanos não queriam dar. Na Europa, direita e esquerda se enfrentam com propostas de “realismo” político e econômico, de um lado, e de aumento do Welfare State de outro.

No Brasil, os currículos partidários dos representantes da direita e da esquerda são muito claros. O PT pode dizer que em seu governo o país cresceu e se desenvolveu, que as camadas mais humildes da população melhoraram muito de vida e que no governo do PSDB sofremos com quebradeiras, estagnação, desemprego e até inflação.

São Paulo, com seu caos social e urbano, ou o Rio Grande do Sul, com seus escândalos e visível piora no padrão de vida de um Estado que, até então, tinha a melhor qualidade de vida do país, em uma sociedade atenta estes fatos constituir-se-iam – ou constituir-se-ão? – em uma barreira intransponível para um candidato a presidente do PSDB.

Já no caso do governo Lula, sua obra social e econômica é conhecida no mundo inteiro. Obra que se contrapõe ao governo FHC, que começou e terminou com recessão, inflação e desemprego, entre outros problemas trágicos.

Em 2002, o país desafiou o discurso do medo, então dito por Regina Duarte, e, pela primeira vez, elegeu um presidente da República de origem popular. Em 2006, em meio à maior campanha difamatória da história recente, votou contra a mídia e o PSDB.

Apesar do discurso da mídia e do próprio PSDB de que o que foi feito de bom por este governo não foi mais do que continuar fazendo o que fazia o governo anterior e de que o que continua ruim pertence só ao presente, os arquivos dos jornais estão coalhados de divergências dos partidos quanto à política econômica e ao social, e mostram quanto foi feito à revelia da mentalidade tucana nos últimos sete anos e tanto.

Neste ano, o Brasil fará a mais importante das suas entrevistas de emprego. O maior contingente de eleitores da história contratará um funcionário público – ou uma funcionária – para conduzir o magnífico processo desenvolvimentista que ora vivemos, e o instrumento para definir essa contratação (o currículo) favorece o PT.

Está se desenhando, pois, a escolha política que será imposta à sociedade neste ano, entre um Estado forte e um mercado libertino. De um lado, o PSDB oferecerá o “livre mercado” e bradará sobre “o fim do socialismo”, e, de outro, o PT mostrará no que foi que o neoliberalismo deu e o que o Estado pode fazer quando está a serviço da maioria.

Creiam-me, esse será o mote da eleição presidencial deste ano. A direita pode não gostar, mas, depois de tanto tempo, Karl Marx e Adam Smith, dentro das circunstâncias contemporâneas, voltarão a se enfrentar no Brasil. Agora, como nunca, pela Presidência da República, por mais que Adam mostre que lutará mascarado.  

Finalmente, quero poupar trabalho aos que virão dar exemplos de que o governo Lula seria tão neoliberal quanto o PSDB. É a ideologia Heloísa Helena, que diz que resolveria todos os problemas sociais brasileiros com uma canetada no primeiro dia de um seu eventual governo – acreditem, ela chegou ao ponto de dizer isso de verdade, ouvi num programa de rádio uma vez.

Há anos que digo que há um processo em curso no Brasil. Um processo lento, no qual foi preciso aceitar imposições do mercado que, se não fossem aceitas, levariam a investidas do capital transnacional que nos quebrariam. Tivemos que jogar o jogo, até aqui, dentro das regras dos países ricos.

Dilma Rousseff e o PT significam mais Estado e menos libertinagem do “mercado”; Serra e o PSDB, pode-se mensurar o que representam olhando-se o que fizeram no governo do Brasil e em São Paulo.

Alguém consegue dizer alguma obra social de relevo do governo paulista? A principal obra do governo Serra, nos últimos tempos, foi a lei de alcagüetagem dos fumantes, e de um governo Yeda Crusius, contenção de gastos e afasia do Estado – a corrupção é outro assunto. Já nos governos Lula e Marta Suplicy, por exemplo, há um Bolsa Família ou os CEUs e o bilhete único.

Durante a crise econômica, cujo auge foi entre o fim de 2008 e meados de 2009, ficou claro quem é quem (Karl ou Adam) na política brasileira. Enquanto Lula pôs o Estado para funcionar, Serra e Kassab fizeram-no se retrair, parar de gastar, o que está rendendo muita dor de cabeça aos paulistas, como se está vendo.

Aliás, o embate entre Estado e mercado já começou. Os tucanos se posicionaram abertamente contra o protagonismo do primeiro e a favor da supremacia do segundo, em consonância com o que fizeram durante a década de 1990, o que mostra que eles não mudaram. Sobretudo por continuarem chamando programas sociais de “esmolas”.

Os tucanos querem que as multinacionais estrangeiras do petróleo abocanhem o pré-sal, querem redirecionar os negócios externos para os países ricos e acalentam, em privado, inclinações privatizantes, ainda que hesitem em sair do armário. A eleição de Serra seria uma farra do mercado, uma nuvem de gafanhotos que, mais uma vez, roubaria o país.

No Brasil contemporâneo, Karl é nosso melhor amigo e Adam, uma ameaça. E são eles que disputarão a Presidência da República, queiram a direita e a ultra-esquerda ou não. 



 Escrito por Eduardo Guimarães às 13h55
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Cuidemos da saúde, homens

Cuidemos da saúde, homens

 

 

 

Acabo de voltar de um hospital e, coerente com o objetivo deste blog de prestar serviços à sociedade, achei por bem vir fazer um breve relato e um alerta ao meu gênero, aos homens, para que não sejam como Eduardo Guimarães, para que tenham juízo.

Dirijo-me a vocês em caráter informal, até por conta de que estive até há pouco preso a agulhas, tomando soro com medicamentos, fazendo exames desagradáveis e, o que foi mais triste, vendo gente sofrendo.

Vamos ao ponto: pesquisas recentes, amplamente divulgadas, revelaram que nós, homens, morremos mais cedo do que as mulheres porque não cuidamos da saúde. Abusamos na alimentação, fumamos mais e dificilmente vamos ao médico.

Resultado: estado de atenção quanto à próstata, ao aparelho digestivo, à capacidade respiratória, à coluna vertebral... Enfim, fui obrigado a me avaliar, porque me senti mal, e apareceu um monte de “senões”. Trocando em miúdos: estou precisando de uma bela lanternagem.

A boa notícia para os amigos – e má para os inimigos –, porém, é a de que, ao menos até o momento, não apareceu nada irreversível. Só preciso me cuidar e abandonar o maldito tabagismo e a vida sedentária. A máquina cardíaca, por exemplo, está se arriscando a “abrir o bico”.

Sempre fui forte como um touro. Durante a vida, quase não peguei resfriados ou viroses em geral, meu intestino sempre foi um relógio, minha cicatrização sempre foi excelente etc. Mas isso foi durante a vida. Agora estou com cinqüenta anos e isso não tem nada de engraçado. 

Essa história de que aos cinqüenta ainda se é jovem, é balela. O ser humano atinge o auge do vigor no limiar da terceira década de vida. Depois é ladeira abaixo, meus caros, porque depois do topo vem a descida. Inevitável, inexorável, tão certa quanto a alvorada.

Escutem meu conselho e façam como as mulheres: vão ao médico periodicamente e façam seus exames. Não sejam burros como eu, que agora tenho que ficar aqui pensando se haverá tempo de fazer o que posterguei além do que o bom senso recomendaria.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 01h01
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A doutrina zumbi

A doutrina zumbi

 

 

 

 

 

 

A “acusação” que José Serra e seus jornais, tevês, revistas, rádios e portais de internet estão difundindo contra a versão preliminar do programa de governo do PT a ser apresentado na próxima campanha eleitoral à Presidência da República deixa ver como o mundo mudou nos últimos anos, mas, sobretudo, do ano passado para cá.

Segundo nota do jornal do PSDB “O Estado de São Paulo” publicada na internet, “No documento intitulado ‘A grande transformação’ – a ser apresentado no 4.º Congresso do PT, de 18 a 20 deste mês, em Brasília – , o partido prega maior presença do Estado na economia e o fortalecimento das estatais e dos bancos públicos para fornecimento de crédito ao setor produtivo”.

Para que se possa dimensionar a amplitude do claro processo de mudança de paradigmas políticos e ideológicos que o mundo vive, basta lembrar o que aconteceu durante a campanha eleitoral de 2002, quando o então candidato Luiz Inácio Lula da Silva teve que apresentar uma “carta ao povo brasileiro”, documento que continha virtual profissão de fé no neoliberalismo.

Seria impensável, àquela época, um partido ou um candidato pregarem “maior presença do Estado na economia”. Por mera suspeita do “Mercado” de que Lula pretenderia colocar o país nos trilhos do “comunismo”, houve fuga de capitais estrangeiros, o dólar foi a quatro reais e o risco-país subiu a mais de 2.400 pontos, sendo que hoje não chega dez por cento disso.

Não é de estranhar, porém, que o partido da pré-candidata Dilma Rousseff ouse tanto agora. Devido ao cataclismo econômico que eclodiu no fim de 2008, e devido ao sucesso do governo Lula na economia em meio a essa crise descomunal, agora todo mundo quer ser de esquerda.

O documento petista recém-divulgado serviu para desmascarar os porta-vozes do governador José Serra na mídia, que têm tentado vender a teoria maluca de que o tucano também seria “de esquerda”. Eles estão tendo um surto por conta desse documento, bem como a oposição tucano-pefelista.

Abaixo, algumas manifestações da direita sobre o pré-programa de governo do PT:

 

"O velho PT está tomando fôlego, está se rearticulando com todos os seus ranços e propostas"

João Almeida ( PSDB - BA)

 

"É um programa jurássico, que compromete o Brasil para o futuro. O que a Dilma propõe no Brasil nem na China existe"

Paulo Bornhausen (PSDB-SC)

 

Do ponto de vista eleitoral, esse programa do PT se parece com o da Venezuela"

 Arthur Virgílio (PSDB-AM).

 

"Onde a presença do Estado é muito forte, o capital se inibe. O PT está na contramão do mundo desenvolvido"

 José Agripino Maia (DEM-RN).

 

A direita mordeu a isca. Nos últimos tempos, o PSDB passou a alegar que ele próprio e Serra seriam mais de esquerda do que Lula, Dilma e o PT. De fato, atualmente ser de esquerda virou in, sobretudo depois que o neoliberalismo mostrou quanto mal é capaz de causar e depois que os países-sede dessa doutrina tiveram que chamar o Estado para consertar as burradas do mercado.

Finalmente, o Terceiro Mundo – onde um Estado forte é questão de sobrevivência para centenas de milhões de seres humanos – poderá adotar nova doutrina econômica, uma doutrina humanista, oposta à da direita, ao neoliberalismo, que aprofundou a miséria, a desigualdade e a injustiça sobretudo nos países mais pobres.

O PT demonstra que pretende marcar bem as diferenças entre a sua ideologia e a do PSDB, revelando assim à sociedade que a doutrina econômica da direita não passa de uma doutrina-zumbi, que, apesar de morta, recusa-se a ser enterrada, teimando em vagar por jornais decrépitos em busca de que a ressuscitem.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 12h00
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Dilma no "Superpop"

Dilma no “Superpop”

 

 

 


Na última quinta-feira, a ministra Dilma Rousseff foi entrevistada pelo programa Superpop, da Rede TV, cerca de dois meses depois de o programa ter recebido o governador José Serra. Quem não assistiu, perdeu a chance de ver como se apresentará na campanha eleitoral a candidata do presidente Lula à Presidência da República.

Antes de começar a escrever este texto, dei-me ao trabalho de assistir, via You Tube, a entrevista de Serra concedida àquele programa em novembro do ano passado. Quis saber se ele também foi alvo de questionamento de falhas que seus adversários apontam em sua gestão, tais como na Saúde, na Educação ou na Segurança, pois àquela época ainda não havia as enchentes para questionar.

No caso de Dilma, o questionamento foi quanto ao “apagão”. O Superpop colocou um jornalista desconhecido do Estadão para questionar a ministra usando essa terminologia (“apagão”) para o blecaute de 5 horas que começou na noite do dia 10 de novembro último e terminou na madrugada do dia seguinte.

No caso de Serra, só houve exaltação dele. A apresentadora Luciana Gimenez passou todo o programa inflando a bola do tucano, tecendo loas à lei antifumo e a supostas medidas em favor de deficientes físicos.

A diferença era esperada, claro. Não é novidade para ninguém que a mídia é partidarizada e é por isso que não gostei da entrevista de Dilma. Por ser mulher e por ser do PT, a pré-candidata à Presidência da República tem que entender que das mulheres, neste país, exige-se sempre o dobro do que dos homens.

Comportamentos aceitos como característicos de força e liderança em homens, nas mulheres são vistos como “arrogância”. Homens fortes são “corajosos”; mulheres fortes são “megeras”. É complicado.

Voltando, pois, à entrevista de Dilma ao Superpop. Em duas palavras: não gostei. E digo isso com tranqüilidade porque pretendo votar nela – menos por ela mesma do que por quem a indica e pelo que ela representa ao encarnar a continuidade do governo Lula. E sem esquecer que seu principal adversário é um dos políticos que mais repudio.

Dilma foi hesitante. Gaguejou e se perdeu em uma explicação técnica para aquilo que simplesmente não houve, o tal do “apagão”. E explicou muito mal a diferença entre o blecaute de novembro, causado por uma eventualidade, e a falta de capacidade de gerar energia que paralisou o país no fim do governo FHC.

Se eu fosse Dilma, diria que a pergunta fora boa porque oferecia a oportunidade de desmontar uma farsa. Diria que não se pode equiparar um acidente com uma situação vivida no governo anterior em que o Brasil não tinha capacidade de geração de energia, o que nos obrigou a racioná-la, a subir abusivamente seu preço e a punir quem não se enquadrasse num racionamento que durou quase um ano.

As frases de Dilma eram mal pontuadas, ela gaguejava. Davam aflição, pois parecia que a ministra não sabia o que iria dizer, ainda que o que dizia fizesse sentido. Mas, em política, o que se diz é muito menos importante do que a forma como se diz.

Ora, em um debate com uma raposa como Serra, se Dilma ficar tensa e se perder naquela prolixidade toda, ficará difícil. Quem se der ao trabalho de assistir à entrevista dele ao Superpop verá como ficou muito mais à vontade e como se comunicou muito melhor.

Vejam que Luciana Gimenez, tanto com Dilma quanto com Serra, foi a doçura e a complacência em pessoa. Deixou os entrevistados muito à vontade, de forma a poderem se comunicar com a mais absoluta desenvoltura. Apesar de ter havido um questionamento a Dilma que não houve a Serra, foi um questionamento gravado e o espaço concedido à resposta da ministra lhe teria permitido “detoná-lo”.

Devo explicar o seguinte: aqui não se faz torcida. Até porque, torcida não ganha eleição. Aqui se discute política e se oferece uma opinião clara e honesta, daquele tipo que não tenta se passar por “isenta”. Mas torcida, não. Sobretudo em política, torcida é uma droga que esconde o que deve ser corrigido em uma candidatura.

Estou absolutamente seguro de que o voto em Dilma é a melhor opção, pois significa a continuidade do processo benigno que o país empreende. Todavia, Dilma precisa entender que ou ela se comunica de forma mais eficiente ou poderá perder uma eleição relativamente fácil de ser vencida devido a seu adversário ser um desastre como administrador.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 16h58
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Cidadania não tem sexo

Cidadania não tem sexo

 

 

 

Julgo ser obrigação moral de todo cidadão responsável não deixar de tomar posição em relação a certas atitudes com poder de gerar preconceito contra grupos sociais. Um desses casos acaba de ser protagonizado por um militar, um general candidato a ocupar uma vaga no Superior Tribunal Militar.

Trata-se do general Raymundo Nonato de Cerqueira Filho. Ele pregou contra a integração de homossexuais às Forças Armadas brasileiras sob a alegação no mínimo duvidosa de que seria fato que as tropas se recusariam a obedecer a um homossexual, decretando aí um limite para ascensão de soldados gays na carreira militar.

É uma alegação absurda e que está sendo combatida. Alguns portais de internet divulgaram a lista de países que admitem abertamente homossexuais em suas Forças Armadas. O que chama atenção é que são os países mais desenvolvidos socialmente, sobretudo da Europa.

Mas a questão nem é essa. É de cair o queixo que um funcionário público insulte abertamente milhões – eu disse milhões! – de cidadãos que pagam seus impostos e que, apesar de alguns quererem lhes tirar direitos, não são dispensados de nenhuma obrigação cidadã.

Vou mais longe: a Constituição brasileira veda e até criminaliza discursos como o do tal general homofóbico. Em minha opinião, ele cometeu um crime.

Um dos fatores que mais denotam o atraso social persistente no Brasil é a crença que alguns mantêm de que têm o direito de tomar decisões e de verter considerações sobre o que o outro faz com seu próprio corpo em privado.

Entre os mais jovens, sobretudo, uma declaração como a desse general desperta ódio ao diferente, àquele que optou por viver sua própria vida fora de convenções, mas que com sua diferença não causa prejuízo a terceiros.

A prerrogativa que se dá aos militares de dizerem qualquer barbaridade que lhes venha à mente, é inaceitável. São funcionários públicos e não donos do país. Não são menos nem mais do que ninguém. Isso já foi longe demais. O Judiciário, o Legislativo e o Executivo têm que agir.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 14h44
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Twitter

Twitter

 

 

 

Clique na imagem acima para acessar a página de @eduguim

 

 

 

Pelo que entendi até agora do Twitter, penso que é uma ferramenta que sobretudo é ainda de jovens, criada para eles se inteirarem superficialmente sobre muita coisa ao mesmo tempo, mas, sobretudo, das migalhas dos humores das celebridades.

Os políticos, em seguida, viram aí a possibilidade de dizerem o que lhes interessa e de ignorarem o que não interessa valendo-se de um simulacro de linha direta com a sociedade, pois, como em geral eles têm dezenas de milhares de “seguidores”, as mensagens destes se perdem no turbilhão de informações que uma página do Twitter gera a quem se disponha a entrar no jogo.

Dá trabalho se entrosar direito com o Twitter. Há que “seguir” um monte de gente e “tuitar” direto e reto.

“Seguir”, explico que significa receber em sua página do microblog cada pensamento de centenas ou milhares de pessoas que também têm que ser seguidas, pois vige uma espécie de “reciprocidade” nesse universo, ou seja, quem não segue a muitos por muitos não será seguido.

Tenho dificuldade de fazer isso – seguir legiões de pessoas. Sigo só algumas dezenas – e vários são veículos de comunicação – porque leio os que sigo. Ninguém me convencerá de que quem recebe dezenas de milhares de mensagens em sua página do Twitter consegue ler alguma coisa ali sem ser por acidente.

Para quem não conhece a ferramenta, os “tuiteiros”, em esmagadora maioria, respondiam à seguinte pergunta (que embasou a criação do Twitter): “O que você está fazendo agora?”. Depois, a pergunta mudou para “O que está acontecendo?”.

Imagine-se, agora, andando por algum centro de cidade bem populoso perguntando a cada transeunte que passa o que ele está fazendo naquele momento. Agora imagine que boa parte deles responda.

Apesar disso, o desafio de escrever uma idéia completa e inteligível em 140 caracteres é estimulante, sobretudo se for complexa. Penso que, em boa medida, tenho conseguido.

O problema é que, como no Orkut, surgiu uma linguagem própria do Twitter, umas corruptelas de palavras e expressões, bem como gírias recém-criadas. Não gosto da informalidade do uso do idioma nessas redes sociais. Acho que difunde ignorância.

Tenho usado essa tecnologia dentro do que minha paciência e interesse permitem. Quase um milhar de seguidores recebem as poucas frases que lá escrevo durante o pouco tempo que ali permaneço.

Contudo, já consegui usar bem o Twitter para fazer “coberturas” de programa de televisão de que participei (Roda Viva) ou da tentativa fracassada de Manuel Zelaya de retornar a Honduras, bem como algumas outras das quais não me lembro agora. Foi nesses momentos que aumentei um pouco mais meus seguidores.

A maioria dos que me seguem é composta de jovens. Daqui do blog, porém, vieram poucos seguidores no Twitter, o que sugere que se trata de uma moda característica de regiões, de faixas etárias e de classes sociais mais específicas.

O Sudeste é, de longe, o campeão do Twitter, e a faixa etária, ao menos do meu rol de seguidores, em grande maioria parece estar entre vinte e trinta e tantos anos.

Tenho vontade de passar a seguir bastante gente, de adentrar mais nesse “universo” tecnológico, mas não tenho condições devido ao meu trabalho remunerado. O que estou tentando fazer, agora, é dar rápidas passadas diárias pelo microblog e por lá deixar alguns pensamentos.

Eventualmente a ferramenta pode ser útil, sobretudo para transmitir informações que se esteja acompanhando in loco. Acho que quem não a tem está perdendo. Recomendo a todos que façam o seu Twitter. Não faltará quem os oriente sobre como fazer.

Aos interessados, informo que meu endereço no Twitter é @eduguim



 Escrito por Eduardo Guimarães às 12h42
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