Manifesto

A vocês, hipócritas!




Geni E O Zepelim

Chico Buarque

Composição: Chico Buarque


De tudo que é nego torto

Do mangue e do cais do porto

Ela já foi namorada

O seu corpo é dos errantes

Dos cegos, dos retirantes

É de quem não tem mais nada

Dá-se assim desde menina

Na garagem, na cantina

Atrás do tanque, no mato

É a rainha dos detentos

Das loucas, dos lazarentos

Dos moleques do internato

E também vai amiúde

Com os velhinhos sem saúde

E as viúvas sem porvir

Ela é um poço de bondade

E é por isso que a cidade

Vive sempre a repetir

Joga pedra na Geni

Joga pedra na Geni

Ela é feita pra apanhar

Ela é boa de cuspir

Ela dá pra qualquer um

Maldita Geni

Um dia surgiu, brilhante

Entre as nuvens, flutuante

Um enorme zepelim 

Pairou sobre os edifícios

Abriu dois mil orifícios

Com dois mil canhões assim

A cidade apavorada

Se quedou paralisada

Pronta pra virar geléia

Mas do zepelim gigante

Desceu o seu comandante

Dizendo

- Mudei de idéia

- Quando vi nesta cidade

- Tanto horror e iniqüidade

- Resolvi tudo explodir

- Mas posso evitar o drama

- Se aquela formosa dama

- Esta noite me servir

Essa dama era Geni

Mas não pode ser Geni

Ela é feita pra apanhar

Ela é boa de cuspir

Ela dá pra qualquer um

Maldita Geni

Mas de fato, logo ela

Tão coitada e tão singela

Cativara o forasteiro

O guerreiro tão vistoso

Tão temido e poderoso

Era dela, prisioneiro

Acontece que a donzela

- e isso era segredo dela

Também tinha seus caprichos

E a deitar com homem tão nobre

Tão cheirando a brilho e a cobre

Preferia amar com os bichos

Ao ouvir tal heresia

A cidade em romaria

Foi beijar a sua mão

O prefeito de joelhos

O bispo de olhos vermelhos

E o banqueiro com um milhão

Vai com ele, vai Geni

Vai com ele, vai Geni

Você pode nos salvar

Você vai nos redimir

Você dá pra qualquer um

Bendita Geni

Foram tantos os pedidos

Tão sinceros, tão sentidos

Que ela dominou seu asco

Nessa noite lancinante

Entregou-se a tal amante

Como quem dá-se ao carrasco

Ele fez tanta sujeira

Lambuzou-se a noite inteira

Até ficar saciado

E nem bem amanhecia

Partiu numa nuvem fria

Com seu zepelim prateado

Num suspiro aliviado

Ela se virou de lado

E tentou até sorrir

Mas logo raiou o dia

E a cidade em cantoria

Não deixou ela dormir

Joga pedra na Geni

Joga bosta na Geni

Ela é feita pra apanhar

Ela é boa de cuspir

Ela dá pra qualquer um

Maldita Geni



 Escrito por Eduardo Guimarães às 14h54
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Análise política

Mauricinho da Folha afirma

que Lula venceu por ‘sorte’ 

 

Atualizado às 13h16m de 20 de novembro de 2009 

 

 

 

 

 

Já li, escutei e vi toda sorte de manifestações de preconceito contra Lula, mas um texto que li hoje supera tudo que já foi dito contra o presidente. É de Fernando de Barros e Silva, um mauricinho engomadinho da Folha de São Paulo, um moleque que se acha a quinta-essência da intelectualidade.

O meninão da Folha escreveu seu milésimo texto contra o filme sobre a vida de Lula que estréia em 1º de janeiro nos cinemas. Com esse sujeitinho, todos os outros grandes jornais e revistas – Globo, Estadão, Veja etc.

O filme seria “horroroso”, na opinião do editor de “Brasil” da Folha. Para variar, toda a grande imprensa faz coro com uma oposição desesperada com um filme que revela por que Lula chegou aonde chegou – por sua sinceridade, por sua tenacidade, por sua capacidade de superação e pela serenidade com que conduziu sua carreira política.

Mas o diferencial do anátema anti-Lula escrito pelo mauricinho é que contém a teoria de que o presidente da República teria chegado à Presidência da República apenas por ter sido favorecido pela “sorte”.

Será que Barros e Silva se refere à sorte de Lula de ter nascido de uma família paupérrima numa região miserável do então (1945) miserável Nordeste brasileiro? Ou será que o bonecão da Folha se refere à sorte de Lula ter tido um pai alcoólotra e violento? Talvez por ter começado engraxando sapatos pelas ruas de Santos numa idade em que o playboyzinho brincava com seu Atari.

Barros e Silva também costumava dizer que Lula tinha sorte em sua administração por não ter enfrentado, até então, nenhuma das “terríveis” crises que FHC enfrentou, e que, se uma crise viesse, aí, sim, seria revelada a incompetência do presidente. Depois que o Brasil enfrentou a pior de todas as crises e a superou com louvor, a explicação do colunista foi a de que o mérito era de FHC.

Não tem jeito, trata-se do trabalho de um exemplar de uma juventude de classe média alta favorecida, agora sim, pela sorte, pela cor da pele, pelo sobrenome, pela classe social, e que, por tudo isso, conseguiu cargos em órgãos de imprensa sob a condição de se dispor a tentar assassinar biografias.

O “filmografia” de Lula enlouqueceu a oposição e, claro, a Folha, o Estadão, o Globo, a Veja e todo o resto. Tentam fazer crer que há alguma ilegalidade no filme, apesar de ter sido feito inteiramente com recursos da iniciativa privada. No entanto, não conseguem apontar um só favorecimento ilícito do governo Lula para as empresas que financiaram o filme. Por isso ficam nas insinuações, na tentativa de fazer colar a tese no imaginário popular.

Esses pistoleiros da honra alheia dizem que Lula não transferirá votos a Dilma Rousseff no ano que vem, mas, por via das dúvidas, não param de tentar desmoralizá-lo. Mas qual é a novidade? Tentam desde 1989. Até conseguiram, por um tempo, mas, nos últimos sete anos, vêm colhendo um fracasso depois do outro.

Leiam o textinho teleguiado do robozinho da Folha.

 

FERNANDO DE BARROS E SILVA


Filme C

SÃO PAULO - Como "2 Filhos de Francisco", "Lula, o Filho do Brasil" é um filme sobre a superação. Ambos os enredos têm origem em histórias verídicas de brasileiros que, nascidos na miséria e sem perspectivas pela frente, conseguem contornar as adversidades para ascender socialmente, até atingir os píncaros da glória individual e o ápice do reconhecimento público.

A trajetória que vai da miséria ao estrelato é parecida, mas, no primeiro caso, os personagens são uma dupla sertaneja e, no segundo, o presidente da República, o que muda as coisas de figura. O pai deste Lula da Silva não é "Francisco", mas "o Brasil".

Se a expressão "filme B" designa as produções rudimentares, o cinema menor destinado ao consumo ligeiro, parece que agora estamos diante de um novo fenômeno: o "filme C". Com "Lula, o Filho do Brasil", o melodrama épico da vitória pessoal sobre a pobreza se converte em ideologia de uma época.

Esse gênero de entretenimento com mensagem social e intenção edificante já está presente em "2 Filhos de Francisco", mas ganhou agora sua versão oficial com o carimbo do Planalto. A oportunidade vislumbrada pelo clã Barreto para lavar a égua e o estímulo de Lula a tudo o que possa resultar no culto à sua personalidade estão associados numa obra que vai alimentar a confusão entre a sorte de um indivíduo e o destino de um povo.

Em 1982, em sua primeira campanha eleitoral, quando disputou o governo de São Paulo, Lula dizia ser "um brasileiro igualzinho a você". Anos depois, diria, em tom de ironia: "Ninguém queria ser um brasileiro igual a mim".

Hoje as coisas mudaram. É provável que a classe C emergente, a quem o filme parece ser didaticamente dirigido, se reconheça e se emocione diante da tela.

O Brasil continua a ser o país em que a desigualdade ainda imensa convive com infinitas formas de mobilidade social. Mas estamos avançando. Quem nos diz é esse filme simplesmente horroroso.

 

Que tal, leitor, você enviar sua mensagem ao “golden boy” da Folha? Escreva para leitor@grupofolha.com.br

 

 

Consciência Negra

 

 

Só quero dizer uma coisa, no Dia da Consciência Negra:

O que os negros – e os descendentes de negro com traços exteriores de negritude -  têm que entender, para desenvolverem a “consciência negra”, é que a discriminação tem que ser denunciada.

E não é preciso muito para provar como há discriminação racial no Brasil. Basta assistir televisão. Os negros e descendentes de negros não aparecem na propaganda ou na teledramaturgia em proporção minimamente coerente com o perfil étnico da sociedade brasileira.

Os negros estão nos programas de auditório etc., onde julgam que é o lugar deles. Mas as empresas anunciantes e as emissoras de televisão tentam construir um povo brasileiro no qual os negros e mestiços são minoria da minoria, quando basta sair à rua para ver que são maioria.

É como se na tevê sueca aparecesse um branco para cada nove negros. O povo que aparece nas novelas e na propaganda brasileiras não é o nosso povo. Essa é a maior afronta à consciência negra.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 12h32
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Denúncia

O golpe das ‘teles’ e da

Band na Confecom-SP

 

 

Do blog de Renato Rovai

 

Representantes das companhias Telefônica, TIM e Oi, filiados à Telebrasil, em conjunto com o grupo Bandeirantes, que tem representado a Associação Brasileira de Radiodifusores (ABRA) na Confecom estão impedindo que o setor das pequenas empresas de comunicação de São Paulo participe democraticamente da Conferência Nacional da Comunicação.

Este grupo havia formalizado um acordo com representantes da Associação dos Jornais do Interior de São Paulo (Adjori-SP), Agência Carta Maior e revistas Fórum, Caros Amigos e Retratos do Brasil onde se acertou que as eleições de delegados no estado se daria por segmentos e respeitaria a proporcionalidade das posições presentes.

O acordo foi encaminhado para a Comissão de Transporte e Comunicação da Assembléia Legislativa pelo próprio representante da Telebrasil na comissão e foi publicado no Diário Oficial de hoje.

No entanto, quando perceberam que o movimento das pequenas empresas de comunicação de São Paulo havia inscrito aproximadamente 40% dos delegados, os empresários da Telefônica, Oi e TIM, em conjunto com o grupo Bandeirantes, decidiram que não respeitariam o acordo e passaram a ameaçar impo sua suposta maioria de delegados para derrubá-lo na primeira votação do segmento na etapa paulista. Como solução propuseram “ceder” apenas 10 das 84 vagas reservadas para São Paulo aos pequenos empresários.

O golpe contra a democratização das comunicações tem data e hora para acontecer. Começa na sexta-feira às 17h na Quadra dos Bancários de São Paulo (rua Tabatinguera, 192, Centro de São Paulo). Continua no sábado e domingo na Assembléia Legislativa de São Paulo.

O movimento das pequenas empresas de comunicação solicita a todos os blogueiros, tuiteiros e militantes de todos os segmentos da luta progressista que não aceitam mais que os grandes conglomerados midiáticos, a partir de métodos antidemocráticos, continue a impor suas posições sem negociar de forma correta e limpa a divulgar essa ação e a protestar.

Também solicita que esses midialivristas compareçam a Quadra dos Bancários para filmar, tuitar, fotografar e postar notas denunciando essa ação antidemocrática.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 11h25
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Boletim médico

Victoria terá alta no dia 28

 

 

 

Em reunião com o médico responsável pela internação de minha filha Victoria na UTI do hospital Santa Catarina desde o dia 15 de setembro, fui comunicado de que, até o último sábado de novembro (dia 28), ela terá alta.

Devo contextualizar a notícia para os amigos que tanto apoiaram a mim e à minha família durante estes 74 dias que se completarão quando Victoria deixar a UTI na semana que vem. A alta é positiva porque a menina terá a chance de retomar a rotina. Espera-se que, até lá, ela não volte a apresentar problemas.

Por conta das cirurgias que minha filha sofreu a fim de eliminar a sucção de saliva, água e alimentos pelo pulmão, ela não deverá ter mais aquela alimentação periódica da pneumonia por elementos estranhos ao órgão, o que, em tese, seria o que a manteve internada todo este tempo.

Agora, Victoria receberá alimentação parenteral, ou seja, diretamente por um tubo acoplado ao seu estômago, por onde alimentação pastosa já está sendo injetada desde a semana passada. O processo requererá treino dos familiares durante alguns dias no hospital a fim de não ser necessária uma “home care” (UTI caseira).

De qualquer forma, a alimentação mais eficiente está fazendo Victoria engordar e, o que de certa forma é o mais importante, voltar a sorrir. Dessa maneira, julgo que, em breve, poderei pagar a promessa que lhes fiz, de postar aqui uma foto do melhor sorriso de minha filha.

 



 Escrito por Eduardo Guimarães às 17h44
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Manifesto

Em defesa de FHC

 

 

 

Ano passado, durante o processo eleitoral paulistano, pouco antes de o comando da campanha de Marta Suplicy veicular aquela propaganda no rádio e na tevê que fazia insinuações de que Gilberto Kassab seria homossexual, escrevi que, se Marta persistisse naquela rota, perderia feio a eleição, quando poderia, pelo menos, perder bonito.

Marta, defensora histórica dos homossexuais, tentou usar o preconceito contra eles para obter vitória eleitoral. É sempre assim: em época de eleição, políticos de todas as ideologias acham que o fim justifica o meio, pois aquele político seria o bem e seu adversário, o mal.

Em 1989, durante a campanha eleitoral à Presidência da República, Fernando Collor de Mello, em conluio com a Globo, subornou Miriam Cordeiro, ex-namorada de Lula que tivera uma filha dele – a qual teve a paternidade reconhecida pelo pai desde que nasceu –, para que dissesse, no horário eleitoral na tevê, que ele tentara obrigá-la a abortar.

Provavelmente a tramóia collorida funcionou, em parte, e ajudou Collor a derrotar Lula. Por conta disso, o grupo político do então “caçador de marajás” passou os anos seguintes sustentando uma vida nababesca, em um luxuoso flat, para a ex-namorada do petista.

Por uma questão de princípios, sou visceralmente contra o uso desse tipo de aspecto particular da vida dos políticos para combatê-los. Por isso, denúncia do ex-porta-voz de Collor Cláudio Humberto de que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso teria sido acusado por uma ex-empregada doméstica de ser pai de seu filho sem jamais ter assumido a paternidade, preocupa-me.

Primeiro, porque a direita é a campeã nesse tipo de ataque degradante. Depois, porque é antiético sair espalhando por aí essa história sobre mais um filho ilegítimo de FHC sem que se tenha um mínimo de segurança de que é verdade.

Se for verdade, se houver segurança absoluta de que o ex-presidente engravidou uma funcionária, talvez usando seu poder de pressão de patrão e político poderoso para seduzi-la, acho que o assunto seria, sim, de interesse público. Contudo, alardear isso por meio de boato, sem maiores provas, acho imoral.

Sei que virão alguns dizer que estou querendo ser “santo”, como se agir com responsabilidade e ser um adversário digno equivalesse a pretender a santificação. Não é. Trata-se, apenas, de um mínimo de senso ético e da mais pura coerência com meus ideais de cidadania.

Por tudo que acabo de explicar, sugiro aos que estão difundindo essa história que pensem duas vezes. Insuspeito como sou sobre qual é meu lado em questões políticas, não compactuo com o uso indiscriminado de uma acusação dessas.

Quero deixar uma coisa bem clara: se eu tiver que me transformar naqueles que combato para combatê-los, prefiro entregar os pontos. Até porque, acho desnecessário usar esses métodos quando há outros tão mais eficientes como, por exemplo, usar a verdade, que considero uma força da natureza.

 



 Escrito por Eduardo Guimarães às 18h02
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Denúncia

Imprensa pede “explicações”

a diretor de filme sobre Lula 

 

 

 

 

 

O vídeo acima mostra jornalistas de diversos veículos interrogando o público que compareceu à pré-estréia do filme sobre a vida de Lula. Repórteres se amontoaram sobre os presentes ao evento para discutir se a história de Lula pode render dividendos eleitorais ao próprio e à sua candidata à própria sucessão, a ministra Dilma Rousseff.

A impressão que se tem de matéria tão "peculiar", na qual o diretor do filme tem que explicar por que escolheu o tema, é a de que voltamos ao tempo da ditadura, quando a classe artística tinha que "explicar" conteúdo político em obras culturais. Só que, desta vez, não são os militares que pedem explicações, mas supostos "jornalistas".



 Escrito por Eduardo Guimarães às 12h44
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Crônica política

Fauna da ‘Serrolândia’

 

 

 

 

 

 

No Sudeste sul-americano há um pretenso “país” de fantasia que, na verdade, não passa de uma província brasileira, ainda que seja a mais abastada. A população autóctone, porém, dócil ao desígnios da aristocracia dirigente, vive com a sanidade mental ameaçada por uma “fauna” midiática na qual daremos uma espiada.

Para que se possa entender o que se passa nessa terra em transe, há uma piada local dos paulistas que diz que em São Paulo traficantes usam a droga que vendem, prostitutas chegam ao orgasmo com seus clientes e pobres votam nos candidatos dos ricos.

Por isso, porque gostei tanto de escrever um primeiro texto sobre a fauna da “Serrolândia” é que decidi catalogar algumas das barbaridades que esses espécimes da cadeia alimentar paulista praticam contra a lógica e contra a paciência das pessoas.

Vamos, assim, a outro exemplar dessa intrigante fauna serrolandense o qual também é blogueiro, só que não da Veja, mas de outro veículo oligopolista da comunicação de massas, do maior deles, da Globo.

Hoje, por exemplo, Ricardo Noblat escreve seu putilionézimo post atacando o filme sobre a vida de Lula. Ele quer desmoralizar a obra, mas não sabe como. Então vai dizer alguma coisa e não diz, achando que deixa insinuações no ar.

Basta tentar formular tais insinuações, porém, e elas perdem o sentido. Quem quiser, repita para si mesmo a premissa sobre cada insinuação e veja se tal premissa faz sentido. Farei minha parte a seguir, mas quero sugerir que cada um tente sozinho.

Abaixo, pois, uma tentativa do blogueiro da Globo de atacar a biografia do presidente Lula, só que da forma mais difícil, ou seja, sem argumentos, apelando para a subjetividade contra um dos mais importantes líderes políticos do mundo.

E, claro, continuo comentando depois do drama retórico que vocês lerão a seguir.

 

Lula, o filho perfeito do Brasil

Por Ricardo Noblat

Um Lula sem nenhum defeito é o que emerge do filho "Lula, O Filho do Brasil", a mais cara produção do cinema nacional, que abriu ontem à noite o Festival de Cinema de Brasília.

O Lula da tela tirou nove em português quando era menino, morador de uma área miserável da periferia de São Paulo. Ainda menino, evitou que o pai batesse na mãe ao adverti-lo: "Homem não bate em mulher".

Líder sindical, quase não agrediu o português ao discursar para a peãozada do ABC paulista. Foi um fumante compulsivo, mas em compensação bebeu pouco.

Testemunhou à distância a chacina de um pequeno empresário praticada por companheiros dele do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo. Ficou chocado com ela e reclamou.

Foi um namorador moderado. Uma vez viúvo, cortejou e se casou com dona Marisa.

Como líder político não foi de direita nem de esquerda. Preocupou-se apenas em melhorar a vida dos seus companheiros.

O filme acaba quando ele sai da prisão para ir ao enterro da mãe. Dali, salta para a festa da posse de Lula na presidência da República.

O PT se perdeu no meio do salto. Nem foi referido antes porque não existia nem depois porque não era o caso.

Quem sabe não fará uma ponta no filme "Lula, o Filho do Brasil - Parte 2"?

A história é contada de forma linear e sem dar margem a diferentes interpretações.

Só cabe uma: Lula enfrentou e venceu, orientado pela mãe, todos os desafios que a vida oferece a um brasileiro nascido na miséria.

Admirável, pois, sua saga.

Em resumo: o filme foi feito sob medida para reforçar o mito Lula. Atinge seu objetivo com louvor.

É razoável imaginar que com isso ajudará de alguma forma a candidatura de Dima Rousseff à presidência da República. Ajudaria qualquer candidatura apoiada por Lula.

 

Darei um exemplo do que propus que fizessem – formular claramente as insinuações do texto que acabam de ler.

Diz Noblat: “A história [da vida de Lula] é contada de forma linear e sem dar margem a diferentes interpretações”. Ora, mas que margem de interpretação o homem quer sobre uma história de um garoto pobre que acaba se tornando um dos maiores líderes políticos do mundo? Isso não aconteceu? Há dúvidas?

Críticas que não passam de insinuações ou que não resistem à contestação do criticado é tudo que essa gente tem contra Lula depois de sete anos de seu governo. Essa fauna parajornalística não sobreviverá dez minutos fora da “Serrolândia”, no ano que vem. Podem escrever aí. 

 



 Escrito por Eduardo Guimarães às 10h16
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Crônica política

Viagem à “Serrolândia”

 

 

 

 

 

 

A foto acima deveria envergonhar as duas pessoas que mostra. É o retrato da promiscuidade entre a política e a imprensa, que, no máximo, deveriam se cumprimentar com um leve menear de cabeças, o que torna um grande escândalo a conjunção carnal a que se entregaram.

Mas não me aprofundarei nessas relações perigosas entre jornalistas e políticos porque meu objetivo é demonstrar o espírito antidemocrático e ameaçador de um político que tem chances reais – não discuto se são muito boas, boas ou apenas razoáveis – de vir a governar o país a partir de 2011.

Por isso coloquei essa foto aí em cima. Esses dois, cada vez mais, confundem-se. Para quem não conhece o indivíduo que está ao lado do governador de São Paulo, informo que seu nome é Reinaldo Azevedo. Ele é funcionário da revista Veja, contribuindo para a edição impressa e para o portal da publicação na internet.

Azevedo tornou-se a bíblia do serrismo, se é que um movimento político restrito a meia dúzia de empresários de comunicação pode ser considerado assim. O blogueiro e colunista da Veja tornou-se o porta-voz oficioso do governador paulista. O que um pensa, o outro divulga.

Nesse contexto, vale a leitura de post do blogueiro serrista, publicado nesta terça, que versa sobre a possível convocação de Dilma Rousseff pelo Senado para “explicar o apagão”.

Leiam que depois comento.

 

DILMA NO SENADO? PRA QUÊ?

Segunda-feira, 16 de novembro de 2009 | 18h00min

O governo está negociando, por intermédio do aliado Fernando Collor (PTB), que preside a Comissão de Infra-Estrutura do Senado, a convocação dos ministros Dilma Rousseff (Casa Civil) e Edison Lobão (Minas e Energia) para que falem sobre o apagão. Já há requerimentos de oposicionistas cobrando que ambos se expliquem.

O governo considera que o melhor é falar e fazer do limão uma limonada, usando a comissão, que certamente atrairia a atenção da imprensa, como palanque. Será que esse tipo de convocação é a melhor estratégia para as oposições?

Deixem-me ver se antevejo o título de alto de página de alguns jornais: “Dilma diz que blecaute não é barbeiragem tucana”. Vamos combinar: ninguém está interessando no que pensa Lobão, e se tem a justa desconfiança de que ele não distinga uma tomada de uma fatia de presunto.

Tenho para mim que a oposição deveria dar publicidade aos dados de que dispõe sobre o setor elétrico sem ficar preparando o palanque para a petista, que quer aparecer, com sua “autoridade”. Ademais, já se sabe que essa gente não se constrange em falar o que lhe dá na telha.

 

Se Azevedo for mesmo o boneco de ventríloquo de Serra, imaginem o que será da democracia no Brasil se o político tucano se eleger presidente da República...

Vejam bem, o principal acusado pela mídia e pela oposição de negligência pelo blecaute de terça-feira passada é a ministra Dilma Rousseff, mas Azevedo (Serra?) não quer dar a ela o direito de se explicar, numa Casa parlamentar que cobra dela explicações, porque sabe que ela dirá o quê? Nada mais, nada menos do que a versão DELA dos fatos.

Envolvida nos problemas de uma pasta que não é a sua, Dilma deve ser acusada e não pode se manifestar sob o pretexto de não lhe darem “palanque”, que ficaria restrito aos seus acusadores para que falem à vontade contra si.

Com essa mentalidade e essa “clareza de visão” do ventríloquo que puxa os cordéis e faz a voz por trás dos movimentos da boca azevediana, não duvido de que proponha a supressão do tempo de Dilma no horário eleitoral “gratuito” no rádio e na tevê sob o argumento de que a Justiça Eleitoral estará dando “palanque” à adversária.

Vejam, eles constroem toda essa pantomima e, na hora de usarem, descobrem que seu discurso só funciona se o outro lado não puder se manifestar. É mole ou vocês querem mais?



 Escrito por Eduardo Guimarães às 17h22
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Documento histórico

‘Levante sua voz’

 

- INTERVOZES - 

 

 

  


Sensacional. Assista e difunda. 



 Escrito por Eduardo Guimarães às 13h46
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Análise política

A obra final de Lula

 

 

 

Na entrevista que concedeu no domingo ao programa “É Notícia”, da “Rede TV!”, ao experiente Kennedy Alencar, um dos jornalistas brasileiros que acompanharam mais de perto sua trajetória, o presidente da República, em minha opinião, pretendeu dar um recado aos seus adversários.

Com seu lugar na história devidamente garantido, Lula tem duas obras a apresentar à posteridade, uma administrativa e outra política.

A obra administrativa é a mais evidente e cada vez menos gente se atreve a negá-la devido aos resultados inegáveis que dela o país vem colhendo, o que obriga adversários a tentarem assumir sua paternidade, de tão boa que vai se mostrando.

Mas a obra mais importante de Lula talvez seja a política. A real alternância de poder e o sucesso que o país colheu desse experimento certamente enterrou de vez a idéia de que governar seria só para as elites étnicas, financeiras, sociais, regionais e intelectuais brasileiras.

Só pelo que diz o parágrafo anterior, a passagem de Lula pela Presidência já teria valido a pena, mesmo sem a inegavelmente profícua obra administrativa. Mas a obra política, apesar de importante, está incompleta.

Voltando ao primeiro parágrafo, sobre o recado que o presidente teria mandado aos adversários, creio que é o de que é chegada a hora de o país julgar a opção que fez em 2002 e decidir se valerá a pena manter o mesmo rumo.

Reconhecido até pelos adversários como verdadeiro gênio político, Lula deixou para travar o debate ao fim de seu mandato. E travará esse debate abordando inclusive o golpismo que se apoderou da imprensa e da oposição, que se amancebaram visando inviabilizar o atual governo e sem jamais se importarem com os prejuízos que poderiam causar ao país.

Lula disse claramente ao jornalista Kennedy Alencar, no domingo, que "tentaram dar um golpe de Estado" no âmbito do escândalo do mensalão. Não é pouca coisa para um presidente em exercício do mandato dizer a um jornalista em plena tevê.

Apesar de dizer que só falará tudo o que tem vontade quando não for mais presidente, pode-se intuir que, na campanha do ano que vem, Lula e seu grupo político partirão para o enfrentamento político desabrido, que não poupará os meios de comunicação de serem trazidos à arena como os adversários que são.

A obra final do presidente da República, portanto, será política, quando ele disser claramente à sociedade como está estruturada a máquina que sustenta a iniqüidade ímpar que vige neste país. E que essa máquina depende da mídia para se manter.

O confronto final será entre o modelo neoliberal, até aqui aceito em boa parte também pelo atual governo, e o anúncio da chegada da hora de guinar à esquerda, o que condiz com o discurso que começa a ensaiar o PT.

Meu prognóstico é o de que a campanha eleitoral do ano que vem surpreenderá muita gente. E de que essa campanha envolverá a grande obra final de Lula, que será exclusivamente política, assegurando ao país a permanência no caminho que ele escolheu em 2002.

Os adversários de Lula na imprensa e na classe política em si continuam não acreditando na capacidade dele, também, como estrategista político. Não teria sido o responsável pelas vitórias eleitorais que colheu. Elegeu-se por ser bonitinho e simpático, pensam eles.

Desdenham da escolha de Dilma Rousseff. Autodidata como Lula, porém, gosto de pensar que sei o que ele pensou quando a escolheu para disputar a sucessão presidencial. Deve ter se dito que se tivesse os conhecimentos técnicos dela e falasse tão bem, não teria demorado tanto a chegar à Presidência.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 17h37
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