Serei rápido porque estou de partida para o interior do Paraná, onde ficarei nos próximos dois dias a negócios.
Anotem aí: a imprensa golpista agora irá transformar qualquer queda de energia em “apagão”. Já contabilizei ao menos 6 notícias de queda de energia que foram estampadas em portais de internet com o nome-fantasia “apagão”.
Na falta de um problema real de falta de energia para contrapor ao que ocorreu no estertor do governo FHC, Globo, Folha, Veja, Estadão e tentáculos inventarão um problema.
A aposta continua sendo na burrice e na desinformação. Esses veículos enfiaram na cabeça que o povo brasileiro é uma besta quadrada que pode ser manipulada com um estalar de dedos.
Agora, porém, estou mais confiante do que nunca. Acho que se afundam a cada vez que tentam fazer a população de idiota.
Quanto ao blog, nos próximos dois dias a liberação de comentários e as postagens serão feitas na medida do possível, mas serão feitas.
Se a mídia fosse um cirurgião plástico e o governador de São Paulo, José Serra, um seu paciente, ao fim da fracassada operação de embelezamento político o médico teria que dizer o seguinte ao operado:
-- Fiz o que pude, mas milagre não faço.
Convenhamos, “eles” fizeram tudo o que estava ao alcance de suas faculdades. Inventaram um “apagão”, mantiveram-no em evidência e total preponderância no noticiário por mais de uma semana, sacrificaram os fatos e a verdade até o limite do bizarro, mas ainda não foi desta vez que tiveram sucesso.
Onde está a queda de popularidade que disseram que Lula sofreria por causa do “apagão”? Onde está a morte política de Dilma Rousseff que prognosticaram? Por que Serra cai de forma tão lenta, gradual e segura e Dilma faz o caminho inverso, se ela é uma candidata tão ruim e Lula não transfere votos?
Sim, são boas perguntas, que levam os mentalmente sadios à conclusão de que a posição de favoritismo do governador paulista nas pesquisas é frágil como a primeira casa dos três porquinhos, a de palha. Está caindo antes de o “Lobo Mau” sequer começar a soprar.
Todavia, quero chamar atenção para o fato mais espantoso da pesquisa CNT-Sensus divulgada ontem, o qual, inexplicavelmente, parece ter chamado pouca – ou nenhuma? – atenção. Refiro-me a Marina Silva ter construído, em tão pouco tempo, a maior rejeição entre todos os candidatos, superior até à de Dilma, que tem a segunda rejeição mais alta.
Quietinha, quietinha, com aquela carinha de tímida, sem comprar briga com ninguém, dando apenas umas estocadinhas no governo que integrou por tantos anos, Marina aparece na pesquisa com 38% de rejeição (!?). E o pior é que eu disse aqui que isso aconteceria, e que, depois de ter acontecido, os que a cooptaram dariam um tempinho e, depois, um belo de um chute nela. Esperem e verão.
Mas o que este texto quer declarar mesmo é que, mais uma vez, o povo disse um enorme NÃO à mídia. Havia dito em 2002 e em 2006, além de em todas as vezes que teimou em responder positivamente sobre Lula nas pesquisas feitas após cada novo “escândalo” inventado.
O que a mídia parece não entender é que, quando o povo diz não, quer dizer não mesmo, e não sim. Eu é que não consigo entender qual é a parte do advérbio de negação que o povo lhe diz que a imprensa golpista não está entendendo...
Faça um teste, leitor: pergunte aleatoriamente, por aí – ao taxista, ao garçom, ao gerente do banco, ao vizinho, ao médico e a quem mais quiser –, o que é a Confecom. Você descobrirá que mesmo pessoas que se consideram bem informadas desconhecem completamente o assunto.
Divido a casa em que fica meu escritório com amigos de juventude que têm, no mesmo imóvel, um escritório de contabilidade. Eles lêem, diariamente, vários jornais – Jornal da Tarde, Agora e até, vez por outra, o Valor Econômico, que chega até nós de forma misteriosa e gratuita com alguma freqüência, sendo atirado em nosso quintal pela manhã dentro de um envelope plástico. Sem falar da Globo News e da Veja no fim de semana.
Meus amigos não sabiam do que eu falava quando lhes contei que serei delegado por São Paulo na Conferência Nacional de Comunicação, que acontecerá de 14 a 17 de dezembro em Brasília, sendo que o presidente Lula abrirá pessoalmente os trabalhos dessa Conferência devido à importância do evento.
Como esses meus amigos, os meus vizinhos, o porteiro do meu prédio, enfim, praticamente todos os conhecidos com os quais falei sobre o assunto nos últimos dois dias, não tinham a menor idéia do que seria essa tal de “Confecom”.
A dúvida que surge normalmente entre as pessoas às quais informo que acontecerá uma Conferência de Comunicação no Brasil é sobre por que a imprensa, que poderá ser a grande afetada pelas deliberações dessa Conferência, não informa e nem discute o assunto.
Para entender por que, usarei dois raros textos sobre o assunto Confecom, os quais foram publicados só no fim da semana passada e, surpreendentemente, pelo jornal O Estado de São Paulo, ainda que tais textos tenham levantado suspeitas sobre os objetivos da Conferência.
No dia 19, o Estadão publicou artigo de Eugênio Bucci, que, de janeiro de 2003 a abril de 2007, dirigiu a Radiobrás (Empresa Brasileira de Comunicação S.A). E que, depois, passou a escrever naquele jornal.
O texto é denso, um pouco longo e, apesar de fazer coro com os novos “patrões” de Bucci no mercado, tem o mérito de fazer também as pessoas entenderem o que, pela baixa repercussão que tem tido o assunto Confecom na blogosfera, ainda não se preocuparam em entender, ou seja, a importância da última das muitas conferências convocadas pelo atual governo.
Se quiser se informar bem sobre o assunto Confecom, portanto, leia o artigo de Bucci clicando aqui. E, em seguida, editorial do Estadão, publicado três dias depois (22 de novembro), clicando aqui. O editorial apenas confirma as preocupações midiáticas elencadas pelo ex-manda-chuva da Radiobrás no primeiro texto do jornal sobre o assunto.
Mas, se não tiver tempo de ler tudo, passo agora a resumir para você a preocupação de parte da mídia e a importância da Conferência de Comunicação.
Primeiro, vamos entender o seguinte: a Confecom, como já disse aqui, não terá, obviamente, caráter deliberativo ou legislador. Mas terá peso político devido à representatividade da delegação que irá discutir a Comunicação em Brasília no mês que vem.
Apesar de entidades patronais como a Abert (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão), que representa Globo, SBT, Record e outros, ou a ANJ (Associação Nacional de Jornais), que representa veículos como Folha, Estadão, Globo etc., terem abandonado as pré-conferências sob a desculpa de que os movimentos sociais, que debatiam pelo setor sociedade civil, estariam querendo “censurar” a imprensa a mando do governo Lula, veículos como a tevê Bandeirantes e a Rede TV! criaram e encabeçaram a Abra, associação de radiodifusores dissidente da Abert que participará da Conferência de Comunicação.
Além disso, as operadoras de telefonia participaram – e continuarão participando – da Conferência através da Telebrasil, entidade que reúne operadoras de telefonia como a Tim, a Telefônica, a Vivo, a Claro, a OI etc.
Essas “teles” pretendem produzir conteúdo midiático, o que está deixando o PIG de cabelos em pé, pois enquanto este movimenta coisa de 10 bilhões de reais, as “teles” movimentam dez vezes mais do que isso, no mínimo, tendo dinheiro de sobra para competir com Folhas, Vejas, Estadões e Globos.
Como a Confecom foi convocada e será bancada pelo governo Lula, os mesmos Folhas, Globos, Vejas e Estadões acham que o governo estaria manipulando os movimentos sociais que irão à conferência pelo setor sociedade civil – como se sabe, a Confecom reunirá cerca de 1.500 delegados, de todas as unidades federativas, que se subdividirão em setor público, setor empresarial e sociedade civil, na respectiva proporção de 20%, 40% e 40% dos delegados.
São bobagens a que os dois textos do Estadão, linkados acima, dão asas. Ninguém quer censurar a mídia, mas fazer com que não só a mídia possa falar para as massas no Brasil.
A Confecom, pois, trabalhará com princípios universalmente consagrados de liberdade de expressão para todos através, por exemplo, da discussão dos critérios de concessões de rádio, que, na grande maioria, são concedidas aos grandes meios e sonegadas à sociedade civil.
Além disso, na etapa estadual da Confecom paulista, de que participei no último fim de semana na Assembléia Legislativa do meu Estado, pude ver claramente ativistas de movimentos sociais que disputavam vaga na Confecom falando contra “esquerdismo atrasado” etc. É mentira, portanto, que o governo tenta manipular alguma coisa. Não conseguiria nem que quisesse, dada a enorme diversidade de interesses e corporações sociais, empresariais e até do poder público, que terá delegados dos três níveis de governo.
Unidos mesmo estão os empresários, que serão 40% dos delegados em Brasília no mês que vem e que optaram por não ignorar, da forma suicida como fizeram Globos, Folhas, Vejas e Estadões, um evento dessa importância.
Esses maiores veículos de comunicação que ignoraram e continuarão ignorando a Confecom, mostraram sua estratégia literalmente criminosa no último sábado, quando, ao irem à Assembléia Legislativa de São Paulo cobrir o velório do ex-prefeito Celso Pitta, ignoraram um evento enorme que tomou aquela Casa em todos os seus auditórios, por onde se distribuíram empresários, movimentos sociais, governo e os diversos grupos de trabalho.
Apesar de ter trocado em miúdos o embate surdo que ocorre neste momento no Brasil no âmbito das Comunicações, recomendo a leitura dos dois textos do Estadão linkados acima.
Exorto você, leitor, a que busque essas informações que aqueles que deveriam informá-lo lhe sonegam, conduta antidemocrática, antiética e que comprova, de maneira cabal, a necessidade extrema desse grande debate que o Brasil irá travar no mês que vem em Brasília.
Por que Serra despenca
A esta altura, vocês já devem saber da pesquisa CNT-Sensus que mostra expressiva queda das intenções de voto para presidente da República do governador José Serra. Alguns portais da grande mídia reconhecem que a verborragia de FHC, nos últimos dias, afetou Serra. No entanto, para mim ficou claro que a tentativa da mídia e da oposição de inventarem um "apagão" para o governo Lula é a grande responsável pela crescente desmoralização do governador paulista.
O signatário deste blog se inscreveu para participar como delegado por São Paulo da Conferência Nacional de Comunicação(Confecom), que acontecerá em Brasília de 14 a 17 de dezembro deste ano.
Disputei, na etapa paulista da Confecom, que ocorreu na Assembléia Legislativa paulista nos dias 20, 21 e 22 do corrente mês, processo de escolha dos delegados por São Paulo. Foi uma eleição disputadíssima. Mais de trezentos candidatos disputaram vagas no setor sociedade civil. Detalhe: só havia 84 vagas.
A comissão organizadora da etapa paulista da Conferência entendeu que quem deveria participar seria o “Blog Cidadania”, na pessoa de seu autor, e me aconselhou a me inscrever dessa maneira.
Explicaram-me por que este blog deveria disputar a indicação no lugar do Movimento dos Sem Mídia. Naquele vídeo do Intervozes “Levante a Sua Voz”, que publiquei aqui há pouco, a página da internet que mais teve exibições do vídeo foi este blog, com cerca de cinco mil exibições. Seria mais fácil conseguir a indicação para delegado em nome do Cidadania.
Neste domingo, 22 de novembro, portanto, o Blog Cidadania passou a ter seu signatário entre a delegação paulista na etapa final da Confecom, que, repito, acontecerá em Brasília de 14 a 17 de dezembro de 2009.
Também quero agradecer às pessoas abaixo por me me incentivaram a me inscrever como delegado da Confecom.
Altamiro Borges (Portal Vermelho)
Bia Barbosa (Intervozes)
João Brant (Intervozes)
Joaquim Palhares (Agência Carta Maior)
Renato Rovai (Revista Fórum)
Rodrigo Vianna (TV Record)
Organizadores da Confecom Grande ABC
Organizadores da Confecom Alto Tietê
E, finalmente, comunico que levarei à Confecom a proposta do Selo Democrático, que, inclusive, foi incluída no exemplar do Diário Oficial da Assembléia Legislativa no caderno que versou sobre o regimento e as propostas dos movimentos sociais, dos empresários e do Poder Público.
O Selo Democrático seria concedido por uma Comissão de Notáveis, escolhidos sob o aval da sociedade civil, da grande mídia, da classe política, do Judiciário, do Legislativo e do Executivo.
Essa Comissão concederia o Selo aos veículos que praticassem o contraditório, o debate de idéias, a pluralidade de opiniões. E o Selo também seria condicionante para recebimento de verbas públicas, pois não se pode dar verbas públicas a veículos que cerceiam o debate democrático de idéias.
Espero estar à altura dos anseios dos democratas paulistas e, acima de tudo, do leitorado deste blog, com o qual faço questão de dividir esta vitória por tudo o que temos construído neste espaço de debates livre, honesto e, acima de tudo, bem-intencionado. Parabéns a todos nós, leitores do Cidadania.
Entranhas da Confecom São Paulo
O jornalista Rodrigo Vianna escreveu sobre as entranhas da etapa paulista da Confecom, que terminou ontem. Pretendia escrever sobre o assunto, mas Rodrigo escreveu antes - e, provavelmente, melhor. Leiam-no, pois, clicando aqui
O dicionário Houaiss define a palavra conferência, na acepção mais condizente do termo, da seguinte maneira:
“Encontro formal de especialistas em que se discutem questões consideradas importantes, com eventual confronto de opiniões e tomada de resoluções”
Por óbvio que possa parecer, o dicionário nos lembra a razão primeira dos debates que estão ocorrendo na Assembléia Legislativa de São Paulo, na etapa paulista da Conferência de Comunicação: a busca das resoluções que o tema exige dos conferencistas.
Verifica-se um verdadeiro tsunami de propostas e um turbilhão de interesses, muitas vezes antagônicos, disputando precedência. E talvez o ponto mais nevrálgico desses debates seja a eleição dos delegados que representarão São Paulo na Conferência Nacional de comunicação, em meados do mês que vem em Brasília.
O que deveria ser colocado acima das paixões e dos interesses, no entanto, é um objetivo que se supõe que seja comum a todos os conferencistas, pois se trata de uma reunião de insatisfeitos – os satisfeitos com o atual estado de coisas, digamos que “roeram a corda” justamente porque não querem que algo mude.
É neste momento que o êxito da Confecom se vê ameaçado. E quando falo em Confecom, refiro-me à Conferência nacional, embate duro que requererá os contendores mais preparados que pudermos levar a Brasília.
Contudo, quem define quem é o melhor preparado? E como lidar com a frustração dos preteridos?
Há um meio, se entendermos que, como numa peça de teatro, por exemplo, nem todos podem ocupar a ribalta. Que seria do Teatro sem os figurinistas, os roteiristas e até os que limpam a casa em que ocorre a função? Alguém tem que decidir, portanto. E, como reza o velho dito popular, “A maior certeza de fracasso é tentar agradar a todos”.
Quem escreve é um candidato a delegado. Todavia, de nada adiantará irmos a essa “guerra” divididos e fragilizados por processo desgastante que, ao fim, não seja aceito por todos, de maneira que nos cumpre, pelo êxito da Confecom, refletirmos até que ponto nossas demandas sectárias não ameaçam o processo inteiro.
O acatamento sereno da decisão final sobre os ungidos e o mínimo de desgaste no processo constitutivo da delegação paulista são imperativos àqueles que, estes meses todos, vimos debatendo cada proposta a ser levada à Conferência nacional, àqueles que vimos lutando contra a falta de democracia na comunicação do Brasil.
É preciso haver critérios de escolha quando há mais candidatos do que vagas. E no grito não se ganha nada que valha a pena. Pode-se eventualmente ganhar uma vaga de delegado ou a inclusão de uma proposta, mas tudo isso para morrer na praia com o saldo pífio de uns poucos egos satisfeitos contra o fracasso de iniciativa dessa monta.
A responsabilidade pelo sucesso ou pelo fracasso da Confecom é de cada um que trabalhou por ela. Tanto um quanto outro resultados terão que ser assumidos por todos de forma idêntica. E não haverá grito que mude tal realidade.
Muito (pouco) tem se falado da Confecom, a última conferência do governo Lula, que acontecerá de 14 a 17 de dezembro em Brasília. Mas é muito ou é pouco que o país vem tratando do assunto?, perguntará você.
Penso que o envolvimento da sociedade poderia ter sido maior, mas o governo entendeu que não era assunto para discussão pelo conjunto da sociedade, devendo ser discutido só por segmentos ligados à comunicação e, por isso, não fez uma campanha publicitária. Quem me disse isso foi Ottoni Fernandes Jr., secretário-executivo da Secom, ontem (sexta, 20), na abertura da etapa estadual da Confecom paulista.
Discordo dessa visão do governo, mas ela não vem ao caso. Escrevo para comunicar que, como fiz durante todo o processo de pré-conferências regionais e municipais, neste sábado e domingo participarei, na Assembléia Legislativa de São Paulo, da etapa estadual da Confecom, visando eleger-me delegado pelo meu Estado, de forma a participar da Conferência de fato em Brasília.
Tenho algumas propostas para levar à Confecom, entre as quais a do “Selo Democrático”, sobre a qual já tratei aqui. Espero passar pela seleção dos organizadores da Confecom para ser um dos representantes paulistas em Brasília em meados de dezembro, pois há mais candidatos a delegado por São Paulo do que vagas para sê-lo.
Mas a razão deste post é outra. Escrevo para explicar o que já percebi que muitos não estão entendendo, sobretudo por falta de divulgação adequada da Confecom pelo governo que a convocou.
Primeiro, vamos entender como será formada a Conferência. Serão 40% de representantes da sociedade civil (movimentos sociais e pessoas físicas), 40% de representantes dos empresários de comunicação e 20% de representantes do governo.
Todas as pré-conferências que ocorreram até aqui pelos quatro cantos do país, serviram para definir as regras do jogo, que será jogado de fato em Brasília no mês que vem. Algumas pré-conferências foram mais profícuas que outras, porque foram organizadas pelos governos estaduais, o que, no Brasil inteiro, só não aconteceu, se não me engano, em São Paulo e no Rio Grande do Sul, Estados nos quais os governos Serra e Yeda Crusius boicotaram a Confecom.
Como a Confecom paulista foi convocada na última hora pela Assembléia Legislativa, apesar do empenho de toda essa gente boa de São Paulo que está organizando a etapa estadual da conferência, com destaque para o papel do Intervozes no processo, sinto que a ausência de envolvimento do governo Serra prejudicou São Paulo.
Também devo explicar que a Confecom não terá caráter, digamos, deliberativo, ou melhor, legislador. A Conferência Nacional de Comunicação votará propostas que serão levadas aos poderes Executivo e Legislativo, que poderão ou não adotá-las. Todavia, tais propostas virão legitimadas, apesar do boicote dos grandes meios de comunicação e instituições patronais.
Não sei se conseguirei ser delegado por São Paulo. Todavia, de qualquer forma passarei este sábado e este domingo na Assembléia Legislativa paulista acompanhando os trabalhos, devidamente inscrito como candidato a ir a Brasília ajudar a votar as propostas que serão discutidas.
Os comentários serão liberados no período da tarde.
Já li, escutei e vi toda sorte de manifestações de preconceito contra Lula, mas um texto que li hoje supera tudo que já foi dito contra o presidente. É de Fernando de Barros e Silva, um mauricinho engomadinho da Folha de São Paulo, um moleque que se acha a quinta-essência da intelectualidade.
O meninão da Folha escreveu seu milésimo texto contra o filme sobre a vida de Lula que estréia em 1º de janeiro nos cinemas. Com esse sujeitinho, todos os outros grandes jornais e revistas – Globo, Estadão, Veja etc.
O filme seria “horroroso”, na opinião do editor de “Brasil” da Folha. Para variar, toda a grande imprensa faz coro com uma oposição desesperada com um filme que revela por que Lula chegou aonde chegou – por sua sinceridade, por sua tenacidade, por sua capacidade de superação e pela serenidade com que conduziu sua carreira política.
Mas o diferencial do anátema anti-Lula escrito pelo mauricinho é que contém a teoria de que o presidente da República teria chegado à Presidência da República apenas por ter sido favorecido pela “sorte”.
Será que Barros e Silva se refere à sorte de Lula de ter nascido de uma família paupérrima numa região miserável do então (1945) miserável Nordeste brasileiro? Ou será que o bonecão da Folha se refere à sorte de Lula ter tido um pai alcoólotra e violento? Talvez por ter começado engraxando sapatos pelas ruas de Santos numa idade em que o playboyzinho brincava com seu Atari.
Barros e Silva também costumava dizer que Lula tinha sorte em sua administração por não ter enfrentado, até então, nenhuma das “terríveis” crises que FHC enfrentou, e que, se uma crise viesse, aí, sim, seria revelada a incompetência do presidente. Depois que o Brasil enfrentou a pior de todas as crises e a superou com louvor, a explicação do colunista foi a de que o mérito era de FHC.
Não tem jeito, trata-se do trabalho de um exemplar de uma juventude de classe média alta favorecida, agora sim, pela sorte, pela cor da pele, pelo sobrenome, pela classe social, e que, por tudo isso, conseguiu cargos em órgãos de imprensa sob a condição de se dispor a tentar assassinar biografias.
O “filmografia” de Lula enlouqueceu a oposição e, claro, a Folha, o Estadão, o Globo, a Veja e todo o resto. Tentam fazer crer que há alguma ilegalidade no filme, apesar de ter sido feito inteiramente com recursos da iniciativa privada. No entanto, não conseguem apontar um só favorecimento ilícito do governo Lula para as empresas que financiaram o filme. Por isso ficam nas insinuações, na tentativa de fazer colar a tese no imaginário popular.
Esses pistoleiros da honra alheia dizem que Lula não transferirá votos a Dilma Rousseff no ano que vem, mas, por via das dúvidas, não param de tentar desmoralizá-lo. Mas qual é a novidade? Tentam desde 1989. Até conseguiram, por um tempo, mas, nos últimos sete anos, vêm colhendo um fracasso depois do outro.
Leiam o textinho teleguiado do robozinho da Folha.
FERNANDO DE BARROS E SILVA
Filme C
SÃO PAULO - Como "2 Filhos de Francisco", "Lula, o Filho do Brasil" é um filme sobre a superação. Ambos os enredos têm origem em histórias verídicas de brasileiros que, nascidos na miséria e sem perspectivas pela frente, conseguem contornar as adversidades para ascender socialmente, até atingir os píncaros da glória individual e o ápice do reconhecimento público.
A trajetória que vai da miséria ao estrelato é parecida, mas, no primeiro caso, os personagens são uma dupla sertaneja e, no segundo, o presidente da República, o que muda as coisas de figura. O pai deste Lula da Silva não é "Francisco", mas "o Brasil".
Se a expressão "filme B" designa as produções rudimentares, o cinema menor destinado ao consumo ligeiro, parece que agora estamos diante de um novo fenômeno: o "filme C". Com "Lula, o Filho do Brasil", o melodrama épico da vitória pessoal sobre a pobreza se converte em ideologia de uma época.
Esse gênero de entretenimento com mensagem social e intenção edificante já está presente em "2 Filhos de Francisco", mas ganhou agora sua versão oficial com o carimbo do Planalto. A oportunidade vislumbrada pelo clã Barreto para lavar a égua e o estímulo de Lula a tudo o que possa resultar no culto à sua personalidade estão associados numa obra que vai alimentar a confusão entre a sorte de um indivíduo e o destino de um povo.
Em 1982, em sua primeira campanha eleitoral, quando disputou o governo de São Paulo, Lula dizia ser "um brasileiro igualzinho a você". Anos depois, diria, em tom de ironia: "Ninguém queria ser um brasileiro igual a mim".
Hoje as coisas mudaram. É provável que a classe C emergente, a quem o filme parece ser didaticamente dirigido, se reconheça e se emocione diante da tela.
O Brasil continua a ser o país em que a desigualdade ainda imensa convive com infinitas formas de mobilidade social. Mas estamos avançando. Quem nos diz é esse filme simplesmente horroroso.
Que tal, leitor, você enviar sua mensagem ao “golden boy” da Folha? Escreva para leitor@grupofolha.com.br
Consciência Negra
Só quero dizer uma coisa, no Dia da Consciência Negra:
O que os negros – e os descendentes de negro com traços exteriores de negritude - têm que entender, para desenvolverem a “consciência negra”, é que a discriminação tem que ser denunciada.
E não é preciso muito para provar como há discriminação racial no Brasil. Basta assistir televisão. Os negros e descendentes de negros não aparecem na propaganda ou na teledramaturgia em proporção minimamente coerente com o perfil étnico da sociedade brasileira.
Os negros estão nos programas de auditório etc., onde julgam que é o lugar deles. Mas as empresas anunciantes e as emissoras de televisão tentam construir um povo brasileiro no qual os negros emestiços são minoria da minoria, quando basta sair à rua para ver que são maioria.
É como se na tevê sueca aparecesse um branco para cada nove negros. O povo que aparece nas novelas e na propaganda brasileiras não é o nosso povo. Essa é a maior afronta à consciência negra.
Representantes das companhias Telefônica, TIM e Oi, filiados à Telebrasil, em conjunto com o grupo Bandeirantes, que tem representado a Associação Brasileira de Radiodifusores (ABRA) na Confecom estão impedindo que o setor das pequenas empresas de comunicação de São Paulo participe democraticamente da Conferência Nacional da Comunicação.
Este grupo havia formalizado um acordo com representantes da Associação dos Jornais do Interior de São Paulo (Adjori-SP), Agência Carta Maior e revistas Fórum, Caros Amigos e Retratos do Brasil onde se acertou que as eleições de delegados no estado se daria por segmentos e respeitaria a proporcionalidade das posições presentes.
O acordo foi encaminhado para a Comissão de Transporte e Comunicação da Assembléia Legislativa pelo próprio representante da Telebrasil na comissão e foi publicado no Diário Oficial de hoje.
No entanto, quando perceberam que o movimento das pequenas empresas de comunicação de São Paulo havia inscrito aproximadamente 40% dos delegados, os empresários da Telefônica, Oi e TIM, em conjunto com o grupo Bandeirantes, decidiram que não respeitariam o acordo e passaram a ameaçar impo sua suposta maioria de delegados para derrubá-lo na primeira votação do segmento na etapa paulista. Como solução propuseram “ceder” apenas 10 das 84 vagas reservadas para São Paulo aos pequenos empresários.
O golpe contra a democratização das comunicações tem data e hora para acontecer. Começa na sexta-feira às 17h na Quadra dos Bancários de São Paulo (rua Tabatinguera, 192, Centro de São Paulo). Continua no sábado e domingo na Assembléia Legislativa de São Paulo.
O movimento das pequenas empresas de comunicação solicita a todos os blogueiros, tuiteiros e militantes de todos os segmentos da luta progressista que não aceitam mais que os grandes conglomerados midiáticos, a partir de métodos antidemocráticos, continue a impor suas posições sem negociar de forma correta e limpa a divulgar essa ação e a protestar.
Também solicita que esses midialivristas compareçam a Quadra dos Bancários para filmar, tuitar, fotografar e postar notas denunciando essa ação antidemocrática.
Em reunião com o médico responsável pela internação de minha filha Victoria na UTI do hospital Santa Catarina desde o dia 15 de setembro, fui comunicado de que, até o último sábado de novembro (dia 28), ela terá alta.
Devo contextualizar a notícia para os amigos que tanto apoiaram a mim e à minha família durante estes 74 dias que se completarão quando Victoria deixar a UTI na semana que vem. A alta é positiva porque a menina terá a chance de retomar a rotina. Espera-se que, até lá, ela não volte a apresentar problemas.
Por conta das cirurgias que minha filha sofreu a fim de eliminar a sucção de saliva, água e alimentos pelo pulmão, ela não deverá ter mais aquela alimentação periódica da pneumonia por elementos estranhos ao órgão, o que, em tese, seria o que a manteve internada todo este tempo.
Agora, Victoria receberá alimentação parenteral, ou seja, diretamente por um tubo acoplado ao seu estômago, por onde alimentação pastosa já está sendo injetada desde a semana passada. O processo requererá treino dos familiares durante alguns dias no hospital a fim de não ser necessária uma “home care” (UTI caseira).
De qualquer forma, a alimentação mais eficiente está fazendo Victoria engordar e, o que de certa forma é o mais importante, voltar a sorrir. Dessa maneira, julgo que, em breve, poderei pagar a promessa que lhes fiz, de postar aqui uma foto do melhor sorriso de minha filha.