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 Escrito por Eduardo Guimarães às 14h01
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O plano B da direita

O plano B da direita

 

 Atualizado às 13h54m de 23 de maio de 2010


 

 

 

 

 

Foi sintomática a preocupação dos leitores com matéria de pregação golpista publicada no sábado no blog do Josias de Souza – aquele que publicou foto de Marta Suplicy e Dilma Rousseff sob legenda contendo as palavras “vadias” e “vagabundas”. O post contém “entrevista” com Marco Aurélio Mello, primo de Fernando Collor de Mello, indicado por este para a Suprema Corte. Mello, em 2000, soltou o banqueiro Salvatore Cacciola, que fugiu do Brasil no mesmo dia em que recebeu o habeas-corpus.

Em síntese, esse juiz, ao melhor estilo Gilmar Mendes de ser, costuma antecipar, em “entrevistas”, decisões que pode tomar. Como Mendes, tornou-se uma espécie de “conselheiro jurídico” dos partidos de direita ora na oposição. Neste caso, sugeriu a eles que representem contra Dilma na Justiça Eleitoral pedindo a cassação de sua candidatura por conta do programa do PT no último dia 13 de maio, em que o partido fez campanha para ela.

Desde então, Globo, Folha, Estadão e Veja vêm batendo nesta tecla, sobretudo desde que saíram as pesquisas Vox Populi e Sensus. Mas a idéia desse plano B para a direita colocar novamente um despachante no governo do país ganhou força com a divulgação da pesquisa Datafolha, que, sob o olhar da Polícia Federal, teve que se render aos institutos de pesquisa que a Folha de São Paulo tentou desmoralizar quando mostraram a força da candidata petista.

Não tenho a menor dúvida de que, conforme for caindo a ficha da direita brasileira de que um governo tão bem avaliado quanto o de Lula dificilmente deixará de fazer seu sucessor, essa idéia para tentar eleger José Serra sem ser pela via eleitoral ganhará força. Contudo, há alguns entraves a tal idéia os quais, obviamente, serão desprezados quando o desespero eleitoral tucano-midiático aumentar diante da perspectiva de mais quatro anos fora do poder.

São vários os entraves ao plano B destro. Pesa contra Serra, por exemplo, praticamente o mesmo que contra Dilma. Além de campanha eleitoral antecipada e abuso de poder que o candidato conservador praticou ao aparecer em programas de outros partidos em outros Estados e até em São Paulo, ele também usou a companhia de saneamento básico paulista, a Sabesp, para fazer propaganda de seu governo por todo Brasil.

Enquanto a direita serrista não decide se embarca ou não nessa imprevisível aventura, a mídia fica batendo na tecla de que Lula e Dilma estariam cometendo “crime” ao fazerem proselitismo político “antecipado”. Como se vê, Globo e companhia já pensam em imprimir na memória popular uma justificativa para uma eventual medida judicial pedindo a cassação da candidata à qual se opõem.

No sábado, na Globo News, a jornalista Cristiana Lobo falava abertamente nisso, mas considerando que a chance de sucesso de tal medida (tentar cassar Dilma caso ela se eleja, ou até mesmo antes) seria pequena porque Lula, com sua popularidade imensa, “jogaria o país contra o Judiciário”. Não foi dita uma só palavra sobre a campanha antecipada de Serra, claro.

Mas os principais entraves a uma medida desesperada como essa ainda não foram mencionados. São eles a repercussão de um discurso desses – sobre cassar a candidata de Lula – entre o eleitorado e o medo do empresariado, que financia os partidos de direita, dos prejuízos que teria com a onda de greves que sobreviria e com o repúdio da comunidade internacional, que pode descambar até para pesadas sanções comerciais e econômicas contra o Brasil se sua direita tentar eleger seu candidato por via não-eleitoral.

E é entre o eleitorado que talvez esteja o principal problema desse recurso ao terceiro turno.  Pegaria muito mal. Denotaria que Serra acha que não terá votos e que, por isso, tenta ganhar no tapetão. E como não dá para ter certeza de que a Justiça Eleitoral seria capaz de contrariar a vontade da maioria dos brasileiros, ficar falando em cassação de candidatura por conta de uma infração que todos estão cometendo só servirá para aumentar a percepção de inevitabilidade da vitória de Dilma.

Contudo, não podemos nos esquecer de que a paranóica direita brasileira está perdendo o sono ante a possibilidade de ser eleita presidente uma mulher que essa facção política prendeu e torturou por três anos, de forma que os preparativos de movimentos sociais, de sindicatos, enfim, da sociedade civil devem ir sendo feitos, pois, de uma vez que fique materializada a inevitabilidade da eleição de Dilma, tenho poucas dúvidas de que Serra tentará o tapetão.


 

UOL faz enquete sobre impugnação de candidatura



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 Escrito por Eduardo Guimarães às 08h15
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Datafolha deve explicações

Datafolha deve explicações

 

 

 

 

 

 

A nova sondagem de intenções de voto do instituto de pesquisas do jornal Folha de São Paulo, o Datafolha, prova várias coisas e gera a necessidade de este instituto se explicar, bem como o jornal, pois a pesquisa mostra que Datafolha e Ibope sempre estiveram errados ao tentarem várias vezes, desde o início do ano, “abrir a boca do jacaré”.

Os reiterados “erros” de Ibope e Datafolha neste ano ficam claros no gráfico abaixo.

 

 

 

Notem que os distúrbios na linha de tempo formada pelas datas das pesquisas dos quatro institutos objetos da representação do Movimento dos Sem Mídia à Justiça Eleitoral aconteceram sempre por ação do Datafolha e do Ibope, que acabam sempre tendo que se ajustar ao Vox Populi e ao Sensus.

Desta maneira, torna-se hilária a explicação previsível que a Folha de São Paulo deu para a pesquisa que publica neste sábado, que mostra empate literal de Dilma e Serra (ambos com 37%).Dizer que tal resultado se deve ao programa eleitoral do PT, à luz do gráfico acima se torna completamente sem sentido.

Todas as suspeições que a Folha, o resto da grande mídia, os “espertíssimos” analistas midiáticos e esse bando de lunáticos que freqüenta blogs de Esgoto e da mídia corporativa levantaram sobre o Vox Populi e o Sensus, e agora fica claro quem tinha razão.

Ou alguém acha que um único programa eleitoral rendeu a Dilma superação de uma diferença de 12 pontos que a separava de Serra no último Datafolha ? Ou alguém nega que Datafolha e Ibope sempre têm que ir ajustando as margens do tucano e da petista para baixo e para cima, respectivamente, acompanhando os institutos concorrentes?

Fica cada vez mais claro o indício de que as pesquisas Datafolha e Ibope podem ter sofrido manipulações antes e que, inclusive, podem estar sofrendo manipulação agora, porque os outros institutos mostram que Dilma já passou Serra, de maneira que o Datafolha pode estar “errando” de novo, através da providencial “margem de erro”.

O pais, a Justiça Eleitoral e a Polícia Federal aguardam, ansiosamente, as explicações do Datafolha, que terão que ser dadas cedo ou tarde.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 07h35
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Incrível internet

Incrível internet

 

 

 

 

Peço a vossa compreensão para o fato de que não estou ainda no ponto para analisar assuntos de interesse público. O dia vai terminando e estou cansadíssimo depois de 36 horas ininterruptas ao lado de minha filha no hospital, praticamente sem dormir.

Mas quero agradecer a todos e difundir um fato maravilhoso que o post anterior me permitiu descobrir sobre a internet.

Para se ter a dimensão do que de fato a internet é hoje, só tendo uma experiência como a que relatarei. Precisava de outras opiniões médicas sobre o caso de minha filha e, em poucas horas, consegui treze opiniões, quatro delas de profissionais da área de que a Victoria precisa.

É inacreditável. Nem que eu fosse rico conseguiria tantas opiniões de médicos em tão pouco tempo. E o melhor: essas opiniões já me permitem tomar uma decisão fundamentada sobre a proposta dos atuais médicos da criança de retirarem a gastrostomia dela e adotarem, provisoriamente, a alimentação por sonda nasal.

Diante disso, pensei no seguinte: e se passássemos a prestar esse serviço à coletividade? Ou seja, poderíamos fazer o mesmo aqui para outras pessoas que possam estar precisando de informações ou seja lá do que for que esteja ao alcance da blogosfera.

Não se pode banalizar o instrumento, mas gostaria que ajudasse a outros como me ajudou. Seria uma forma de eu devolver todas as manifestações de solidariedade e a ajuda efetiva que me foram dadas.

Enfim, gostaria de abraçar a cada uma das pessoas que me deixaram suas boas palavras, opiniões e sugestões. Não sei como agradecer. Talvez da forma que pensei... Acredito que seja possível, além de tudo o que temos feito aqui, prestar mais esse serviço público.

Que Deus os abençoe.

 

PS: espero retomar o ritmo normal neste blog no sábado.  Peço vossa compreensão. Desta vez essa questão da minha filha me pegou de jeito. Mas a gente cai, levanta e segue em frente, até por falta de opção.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 00h02
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Ajudem-me a decidir

 

Ajudem-me a decidir

 

 

 

 

Perdoem-me, mas ainda não recuperei a vontade de tratar de política. Julgo importante escrever sobre ela, claro, ainda mais em um país como este, em que é bem menos discutida do que deveria. Mas esta recaída da filha Victoria, sua hospitalização e as perspectivas desanimadoras me pesaram um pouco, desta vez.

Apesar de não estar afeito a discutir, analisar ou debater política, sinto vontade de escrever. E o que sinto vontade de escrever é o melhor que posso dar ao leitor que vem em busca do meu texto, de maneira que relatarei uma espécie de “escolha de Sofia” que o hospital em que a filha está põe à minha frente e da minha família.

É daquelas escolhas entre a cruz e a caldeirinha, entre o péssimo e o horroroso. Para explicar, discorrerei um pouco sobre o problema da menina. Quem sabe algum médico tem alguma opinião mais fundamentada para me dar, ainda que estejamos consultando outras opiniões por outros meios além deste blog.

Minha filha de onze anos é portadora de paralisia cerebral bastante severa e sofreu uma gastrostomia no fim do ano passado, quando passou três meses internada em uma UTI por estar “broncoaspirando” alimentos e saliva, ou seja, por estes elementos estarem passando para o seu pulmão enquanto se alimentava ou até quando salivava.

Apesar de este post estar buscando opiniões de médicos, explico aos leigos que gastrostomia consiste em perfurar o abdome do paciente e introduzir por ali uma sonda plástica que fica, então, conectada diretamente ao estômago, que é por onde ele passa a se alimentar, a beber e até a ser medicado. Chama-se alimentação enteral.

Ocorre que a incisão no abdome da filha não pára de infeccionar por mais higiene que se adote – e como ela tem serviço de home-care (atendimento médico e de enfermagem a domicílio), a assepsia de seus ambientes é bem acima da média. Além disso, a alimentação injetada no seu estômago está voltando por onde entrou, através da mesma incisão, e ela está perdendo peso por não estar se alimentando direito.

Vem o médico-cirurgião, depois de ter refeito a cirurgia por três vezes, dizer-nos, ao contrário do que dissera há cerca de seis meses, que minha filha “não se adaptou” à gastrostomia e que, assim, será melhor usar uma sonda nasal para ela se alimentar, procedimento que minha mulher, que tem a maior experiência no dia a dia da menina, considera desastrosa.

De fato, antes de minha filha receber a gastrostomia, durante a internação de três meses no fim do ano passado, estava usando a sonda nasal e, então, não paravam de nos dizer que a gastro seria melhor porque a sonda nasal expõe o paciente a infecções. Contudo, também é inegável que a alimentação enteral não está funcionando em Victoria...

O resumo da ópera é que a decisão da família é compulsória. Assim, estamos buscando outras opiniões para nos fundamentarmos. E se forem de médicos, melhor ainda. Este texto, pois, é uma tentativa de aumentar as chances de tomarmos melhor essa decisão que o hospital nos cobra. A quem puder ajudar com sua opinião, agradeço. 

 



 Escrito por Eduardo Guimarães às 14h13
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Hoje não deu

Hoje não deu

 

 

 

 

Aqui deveria haver um post novo sobre algum dos assuntos de que trata este blog. Faz tempo que não falho um só dia, mas hoje não deu.

Eis que lá vamos eu e a minha família embarcarmos em mais uma temporada ao lado da Victoria neste hospital.

Virou rotina. Essa cirurgia que ela fez não pára de dar problema...

Enfim, há que tocar o barco. Mas não dá pra discorrer seriamente sobre alguma coisa com isto na cabeça.

Na madrugada de hoje, primeiro dia da internação, devo velar por Victoria que a minha mulher está desmontada depois de passar a última noite insone.

Provavelmente, na tarde de hoje volto a postar. 



 Escrito por Eduardo Guimarães às 02h01
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Irã, TSE e pesquisas

Irã, TSE e pesquisas

 

 

 

 

 

 

Ainda haverá que esperar algumas décadas, mas a consolidação da decadência das superpotências do norte é inevitável em razão das crises econômicas em que tais potências se contorcem enquanto que emergentes como Brasil, China e Índia aproveitam o momento para se consolidarem como atores globais progressivamente influentes.

A base dessa decadência dos ricos é a irracionalidade e a arrogância de nações que se acostumaram a impor ao mundo suas vontades sem dar explicações e sem negociar com ninguém. A teologia imperial do mundo “desenvolvido” o colocou de um lado e o resto da humanidade, do outro.

No caso do acordo logrado pelo Brasil com o Irã e com a co-participação da Turquia, acordo esse que a própria Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) havia proposto ao regime dos Aiatolás, a recusa dos países ricos do norte a suspender sanções pelo menos até que se possa ter razões concretas para afirmar que aquele regime não cumprirá o acordo revela intenção deles de darem uma desnecessária demonstração de força.

Enquanto Israel ignora abertamente determinações da ONU e vai se consolidando como a maior ameaça à paz e à segurança no Oriente, a comunidade internacional percebe que o discurso dos ricos é tão falso quanto uma nota de três dólares – ou euros –, pois o Irã deu uma demonstração de que é possível negociar consigo, mas desde que em bases de igualdade e respeito.

Imediatamente, não se pode impedir que as potências decadentes façam valer a ameaça de sancionar o Irã com ou sem acordo, mas essa é uma batalha política e não econômica ou bélica. Os EUA já cometeram esse erro de desdenharem do prejuízo político de suas ações, como, por exemplo, ao invadirem o Iraque sob razões falsas. E os fatos mostraram o erro que a potência hegemônica cometeu.

O custo da guerra no Iraque terminou de minar a economia americana e de desmoralizar o partido republicano ao barrar a eleição do candidato conservador na sucessão do alucinado George Walker Bush, que deixou o governo dos EUA pela porta dos fundos e entrou para a história como uma das maiores bestas quadradas que já caminharam sobre a Terra.

Até mesmo o previsível apoio quinta-coluna da grande imprensa brasileira aos interesses hegemônicos do mundo rico tem se materializado com cautela, pois fica evidente que a sociedade brasileira parece perceber que, seja qual for a questão, essa imprensa partidarizada e ideologizada ao extremo fica sempre contra o governo Lula.

Mesmo a comemoração que se viu na Globo, nos olhos faiscantes de felicidade de uma Miriam Leitão ou de um Alexandre Garcia ao anunciarem a destemperada reação das potências decadentes à possibilidade de paz no Oriente, tal conduta resultará em mais um fator de constrangimento para a mídia conservadora, pois ela não está conseguindo antever a reação do resto do mundo.

Claro que as potências decadentes poderão, ao exemplo de Bush quando decidiu invadir o Iraque a qualquer preço, ignorar a reação política do dito “Terceiro Mundo”, mas será por não entenderem como está ficando claro que só não aderem ao acordo entre Brasil e Irã para que a potência emergente sul-americana não triunfe por meio da mesma diplomacia que elas desprezaram em favor do confronto.

Cedo ou tarde, as potências decadentes perceberão por que estão decaindo.

 

 

Oposição recorre ao TSE por falta de votos

 

 

Apesar de a mídia do PSDB alardear suas vitórias sobre o PT no TSE como se significassem alguma coisa relevante do ponto de vista político, tais vitórias decorrem dessa sangria de intenções de votos em José Serra que as pesquisas vêm mostrando. Ou alguém acredita que o PSDB estaria esperneando no TSE contra Lula na TV se Serra não estivesse perdendo votos por conta disso?

 

 

O que interessa é a tendência das pesquisas

 

 

No sábado sai a nova pesquisa Datafolha. Serra já insinua que ela o fará “reagir” ao crescimento de Dilma no Vox Populi, no Sensus e na pesquisa Ibope interna do PSDB (que não foi divulgada por falta de registro no TSE) anunciada na coluna de Mônica Bergamo na Folha de São Paulo da última terça-feira.

É bobagem de Serra e da Folha acharem que mesmo que o tucano apareça na frente de Dilma no Datafolha de sábado isso revelará “reação” do tucano. Será bobagem porque o Datafolha, apresente o número que apresentar, não poderá fugir da tendência de subida de Dilma.

Na última pesquisa Datafolha, no cenário sem Ciro Gomes Serra apareceu com 42% e Dilma, com 30%. Uma diferença de doze pontos. Que ninguém tenha dúvida de que a Folha não terá como manter essa distância. Terá que cair, ainda mais com a Polícia Federal de olho nos quatro institutos de pesquisa por conta da Representação do Movimento dos Sem Mídia ao TSE.

Assim, a tendência de subida de Dilma terá que se confirmar no Datafolha mesmo que ela apareça atrás de Serra, pois uma diferença muito grande das outras pesquisas, uma diferença que recuse pelo menos o empate técnico, só servirá para demonstrar à Justiça Eleitoral que alguém está realmente mentindo, como diz o MSM.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 11h36
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A mão que detém o poder

A mão que detém o poder

 

 

 

 

 

 

No último domingo, tive uma visão. Era 2001 e ele tinha acabado de assumir a presidência. Seu país tinha sido atacado. Quem atacou, foi porque, antes do novo presidente assumir, seus antecessores impuseram, por décadas e mais décadas, o mais legítimo terror sobre a humanidade ao atacarem populações indefesas com suas armas terríveis e poderosas e com seus exércitos ferozes e armados até os dentes.

O país do novo presidente, também o maior império da Terra, assassinara, a sangue frio, centenas, milhares, dezenas de milhares, centenas de milhares de homens, de mulheres, de crianças e de velhos indefesos, de civis que jamais haviam feito mal a outro ser vivo, muitos deles nem a uma mísera galinha. Morreriam todos como animais. E seria o país do novo presidente que mataria gente inocente daquela forma falando em “democracia”, em “liberdade” e em “terrorismo”

Contudo, esse homem não matou ninguém. Nem mandou matar. Nem permitiu que matassem. Ele tinha as mãos limpas, como ser humano. Podia escolher, e escolheu: não iria matar seus agressores, os agressores do povo que ele deveria comandar pelos próximos quatro anos.

Ergueram-se os clamores de setores da sociedade. Pediam reação, pediam sangue, e não o de seus agressores, exatamente, mas até o de compatriotas deles na falta do sangue dos culpados, mesmo que tais compatriotas fossem inocentes da agressão que o império sofreu.

Mas a nação do novo presidente ardia por vingança, alegando que inocentes, entre os seus, haviam sido mortos em ataque não menos insidioso do que aqueles todos que aquele império mesmo também perpetrara, ainda que, do alto das próprias arrogância e desfaçatez, negasse até a morte.

Todavia, o novo presidente, enquanto recebia as pressões, dizia a si: “Por que tenho que continuar com essa insanidade? Isso não pode continuar assim. Todos continuarão perdendo”. Ele e o seu grande e poderoso país perderiam muito, inclusive, pois nunca saberiam quando inimigos, ainda que mais fracos em confrontos diretos, os atacariam de surpresa de novo, e, assim, viveriam com medo, enquanto durasse o desentendimento.

Mas, por outro lado, o novo presidente do império sabia que, para não ir à guerra, teria que negociar a paz.

Mas como negociar com quem queria matá-lo? E se fizessem exigências inaceitáveis, se exigissem barbaridades que prejudicassem a outros seres humanos e até ao seu povo? E não eram seus agressores aqueles que, além de agredi-lo e ao país que agora governava, agrediam ao seu próprio povo? E as pressões, como não terminar sendo apeado do poder por elas, por aqueles que almejavam o sangue daqueles que os agrediram?

No entanto, ele teria uma cartada para arriscar. Acabara de assumir a presidência da República. Tinha o apoio de seu povo e o mundo ouviria as suas palavras. No entanto, se não dissesse o que um dos lados queria ouvir, seria estraçalhado. Certamente acabaria fora do poder. Seria chamado de demagogo, de traidor, de covarde...

Contudo, e se tivesse sucesso? Em vez de uma boa guerra faria um relativo acordo, mas que, pelo menos, salvaria milhares e milhares de vida, talvez até mais.

Interrompo a narrativa, neste momento, para expor ao leitor que, dependendo da mão que detivesse o poder após os ataques de onze de setembro de 2001, se tal poder estivesse na mão de um homem como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva talvez este tivesse optado por uma cartada desesperada em benefício do diálogo e da paz, salvando, assim, uma miríade incontável de vidas.

Retomo a narrativa.

Ele foi aos meios de comunicação para um pronunciamento ao mundo. Sim, ao mundo. Porque ele detinha poder suficiente para que o mundo o ouvisse. Era o presidente dos Estados Unidos da América e queria que o mundo o ouvisse sobre o que faria depois de sua nação ter sido atacada, de compatriotas seus terem sido mortos de uma forma covarde, desumana, bestial, enfim.

Faria isso pelos filhos daquela nação, para que não passassem a viver sob o signo do medo e para que efetivamente alguns tantos entre eles não voltassem a ser chacinados, ou pelos filhos inocentes das nações que agrediram a sua, os quais não poderiam pagar pelos crimes de alguns poucos entre os seus.

Assim sendo, o novo presidente discursou à humanidade:

-- Estou aqui para dizer o que posso e o que não posso fazer, o que quero e o que não quero fazer e para pedir que o mundo escolha o que farei.

-- Posso pisotear centenas de milhares e até milhões incontáveis entre o povo dos que me agrediram e aos meus. Tenho esse poder. Posso eliminar as vidas de muitos dos filhos das nações que agrediram a América, mas não posso ter certeza, ou dar garantias, de que matarei os culpados pelo ataque que meu país sofreu.

-- Por isso, o que quero fazer é não atacar, é negociar, é ver até onde meu país pode ceder. E, se não puder ceder, renunciarei ao cargo para o qual meu povo me elegeu, porque não mancharei esta mão que detém o poder com o sangue de inocentes. Mas devo dizer que tampouco poderei impedir que o meu povo, atacado, ferido e insultado, escolha, para o meu lugar, alguém que faça o que não quero fazer.

-- Esta decisão está nas mãos de agressores e agredidos dos dois lados, portanto, e não na minha. Se quiserem me ouvir, e se quiserem se falar, e se quiserem negociar, eu, em nome dos votos que recebi, negociarei. A humanidade deve decidir, pois a decisão opcional à que propus não pode ser tomada por um só homem.

Em minha visão, “Lula” se reuniu com os afegãos, com os iraquianos, com todos aqueles com os quais tinha que se reunir para negociar concessões de ambos os lados. E deu certo, porque houve uma tentativa, porque agredidos e agressores dos dois lados entenderam que a alternativa seria muito pior, e todos já haviam perpetrado suas vinganças, e todos teriam, assim, muito o que perder se acordo não houvesse, e por isso acordaram, e por isso houve paz.

Como se vê, tudo depende da mão que detém o poder.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 19h58
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Datafolha reforçará petição do MSM

Datafolha reforçará petição do MSM

 

 

 

 

O instituto Datafolha tomou uma excelente decisão: vai a campo sondar as intenções de voto do eleitorado para presidente da República. Desta maneira, três dos quatro maiores institutos de pesquisa de opinião do país fornecerão maiores subsídios para que a Polícia Federal possa melhor investigar o objeto da representação do Movimento dos Sem Mídia à Procuradoria Geral Eleitoral pedindo investigação desses institutos por conta das flagrantes divergências entre os números deles, as quais geraram denúncias da Folha de São Paulo contra os institutos concorrentes do seu, encampadas por vários outros jornais, revistas, sites e blogs, e da mídia dita alternativa contra o instituto do jornal paulista.

Essa medida foi repercutida no blog do jornalista Luis Nassif por um seu leitor e a manifestação deste foi transformada em post pelo blogueiro, post esse que reproduzo abaixo. Em seguida, continuo comentando.

 

A sinuca do Datafolha

Por H. C. Paes

Bom, o Datafolha comprou a briga e acaba de aviar pesquisa junto ao TSE.

Protocolo 12044/2010.

As entrevistas serão feitas quinta e sexta, e a divulgação está autorizada a partir de sábado. Pode ser coincidência, mas me parece uma reação às enquetes dos outros dois institutos, já que foi aviada esta segunda-feira.

É um belo questionário, interessante, com perguntas sobre posicionamento à esquerda e à direita do eleitor e do candidato, e sobre quem estaria mais preparado para lidar com tais e tais problemas, ou é mais simpático, etc.. Também afere o alcance das inserções partidárias (quantos eleitores as assistiram, qual foi a impressão que tiveram delas, etc.).

Nada que ative a rede neural.

Para relembrar, Dilma tinha 28 pontos na última Datafolha e Serra, 38. Para ficar mais próximo dos outros dois institutos – digamos, ambos empatados em 35, a petista teria de subir sete pontos e o tucano, cair três, no espaço de um mês. Não é difícil, ou seja, se aquela pesquisa foi manipulada, será fácil cobrir os rastros.

É curioso que, se a fonte da suposta manipulação tiver sido mesmo um peso maior dado ao Sul, será difícil usar essa desculpa novamente, pois a Vox confirmou que Serra tem mesmo vantagem ampla naquela região, mas que é mais do que anulada por igual vantagem de Dilma no Nordeste. Seria necessário dar um jeito de atenuar o voto dos nordestinos ou acentuar a vantagem de Serra no Sudeste, ou uma combinação sutil das duas coisas.

Reparem que estou trabalhando com a hipótese de a manipulação ter sido do Datafolha, pois acho menos provável que Vox e Sensus tenham manipulado em sentido contrário, ao mesmo tempo, a não ser que se considere a possibilidade de uma conspiração.

O engraçado é que, se o Datafolha sustentar uma vantagem considerável para Serra, o fiel da balança será o IBOPE, que no passado, já confirmou e já contradisse o Datafolha em ocasiões diferentes, em março e em abril. Se o instituto de Montenegro concordar com o Datafolha, o placar fica dois a dois e cada um acreditará no instituto que quiser; se concordar com Vox e Sensus, o placar de três a um vai pegar mal para Mauro Paulino.

Lembrando, claro, que o MPE deu provimento à representação do MSM – mesmo que eu tenha ressalvas quanto à necessidade dessa medida – e a PF ficará bafejando no cangote dos institutos daqui para a frente.

Vamos ver. Minha aposta é que o Datafolha confirmará o empate técnico dos dois candidatos, mas com ligeira vantagem numérica para Serra.

 

Antes de mais nada, quero fazer um apelo ao caro H. C. Paes, que também é leitor deste blog, o qual já fiz em comentário no blog do Nassif: como o leitor alude a “ressalvas” que tem quanto à necessidade da representação do MSM, deveria explicitar que ressalvas são essas, pois mais de dois mil cidadãos brasileiros dos quatro cantos do país e até do exterior (incluindo América do Sul, do Norte, Europa e Ásia), de todas as classes sociais e de todas as idades e profissões podem ter se engajado em uma medida desnecessária e, assim, toda essa gente deve ter ficado tão curiosa quanto eu mesmo fiquei.

Agora, a questão em si.

O leitor H. C. Paes, que também é leitor do Cidadania, quando citou os números da última pesquisa Datafolha, que foi a campo em 15 e 16 de abril – portanto, há cerca de 30 dias –, citou 38% das intenções de voto para Serra e 28% para Dilma, mas esse é o cenário que incluía Ciro Gomes, em que havia uma diferença de 10 pontos percentuais entre os candidatos do PT e do PSDB, enquanto que, àquela época, Vox Populi e Sensus encontraram situação de virtual empate técnico. Contudo, no cenário sem Ciro, que é o que melhor se pode comparar com os resultados recentes destes dois institutos, a diferença era maior, de 12 pontos percentuais (42% para Serra e 30% para Dilma).

Desta maneira, para o Datafolha apurar um resultado igual ao do Vox Populi de sexta-feira passada e do Sensus desta última segunda-feira, que são praticamente os mesmos, terá que superar uma diferença gigantesca em cerca de 30 dias, o que me parece muito difícil de acontecer pois não haveria explicação para tanto. Assim sendo, acredito que Serra continuará com uma excelente dianteira sobre Dilma no instituto da Folha e com uma grande diferença para os outros institutos, tornando ainda mais necessária a investigação da Polícia Federal e da Justiça Eleitoral. 



 Escrito por Eduardo Guimarães às 22h33
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PSDB também atacou Sensus em 2006

PSDB também atacou Sensus em 2006

 

 


 

 

 

O Brasil já viu esse filme de pesquisas manipuladas que, ao serem desmascaradas por pesquisas sérias, levam os desfavorecidos a tentarem desqualificar a verdade.

Apesar de Geraldo Alckmin ter sido o candidato da oposição a presidente em 2006, em fevereiro daquele ano as apostas eram todas em Serra.

Em dezembro de 2005, pesquisa Datafolha realizada entre os dias 13 e 14 dava Serra com 36% e Lula, com 29%; e o Ibope, em pesquisa realizada entre os dias 3 e 7 daquele mês, dava Serra com 37% e Lula, com 31%.

Em 14 de fevereiro, porém, o instituto Sensus provoca rebuliço no cenário político ao, do nada, mostrar Lula dez pontos à frente de Serra (47,6% a 37,6%).

Foi o que bastou para o PSDB e boa parte da mídia fazerem contra o instituto o mesmo que fizeram recentemente.

Veja, abaixo, matéria da Folha de São Paulo de 15 de fevereiro de 2006 informando que o PSDB também representou ao TSE contra o instituto Sensus exatamente como no mês passado, tendo a representação igualmente rejeitada.

 

 

 

O resultado todos conhecem. Serra desistiu de ser candidato a presidente e Alckmin perdeu a eleição. E tudo isso aconteceu simplesmente porque o Sensus estava mais do que certo, tendo obrigado Datafolha e Ibope, pouco depois, a convergirem para os seus resultados.

Pelo visto, a oposição tucano-pefelê-midiática não aprendeu nada com aquela eleição e continua cometendo os mesmos erros, que fatalmente produzirão o mesmo resultado eleitoral para si.

 



 Escrito por Eduardo Guimarães às 14h47
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