Questões de família
por Eduardo Guimarães
Ricardo contemplava hipnotizado o crepitar derradeiro dos últimos pedaços de carvão em brasa na churrasqueira de tijolos do apartamento de cobertura de sua cunhada Elisângela quando as vozes das irmãs de sua mulher e da própria o resgataram do torpor em que alguns litros de cerveja e numerosas fatias de picanha o haviam mergulhado.
-- Essa menina não sabe mais o que fazer para perturbar minha vida -- dizia Marta, a irmã mais velha da mulher de Ricardo, Regina, e mãe de Susana, de 16 anos -- Agora me aparece com esse pé-de-chinelo aqui toda hora.
Dos olhos azuis-celestes da jovem Susana, que até então ouvira calada o desabafo da mãe, desataram a escorrer dois filetes líquidos e cristalinos que se somaram à sua voz distorcida por um misto de tristeza e revolta.
-- Pé-de-chinelo por que? Só porque ele é preto?
-- E se for por isso? Será que você não vê que fica chato você ficar andando por aí com aquele maloqueiro? Tanto menino bom aqui no bairro, na escola, e você tinha que arranjar justo esse traste! Tem o filho da Marilda, por exemplo. Ele te adora. Por que você não dá bola pra ele? Só porque eu gosto dele. Só pode ser por isso.
-- A senhora gosta dele, mamãe, porque ele é branco, ruivo e porque o pai dele é cheio da grana...
-- Olha que eu te arrebento a cara, sua mal-educada!
-- Quem me educou foi a senhora...
Marta levantou da espreguiçadeira de plástico branco com uma agilidade surpreendente para alguém tão farta de tecido adiposo, denotando que sua tão propalada "canseira" desaparecia com a mesma facilidade com que aparecia. Deu dois passos em direção à filha, fazendo menção de cumprir a promessa de "quebrar" seu rostinho. A mulher de Ricardo se interpôs entre a irmã e a menina protagonizando uma cena clássica de "deixa-disso".
Enquanto Regina continha o ímpeto agressivo de Marta, Susana foi levada do terraço por Elisângela. Ricardo esperou a temperatura baixar durante quase uma hora para tentar ponderar com Marta. Queria interceder pela sobrinha porque tinha "horror" aos preconceitos da mãe dela, mas principalmente porque algum demônio interior o fazia querer ardentemente atirar certos fatos no rosto da cunhada.
-- Marta, sabe o que eu não entendo? Sua aversão a gente de cor...
A volumosa mulher levantou os olhos num gesto eloqüente que dispensou palavras. Não entende por quê?, perguntou com os olhos. Como se a pergunta tivesse sido feita de fato, Ricardo, adotando a tática de bater e assoprar, tentou dissimular suas intenções ferinas com um simulacro de elogio.
-- Você não é uma pessoa sem cultura, Marta. Lê muito. Sabe muito bem que preconceito racial, num país como o Brasil, é ridículo. Todos nós temos alguma ascendência negra em algum ponto de nossas árvores genealógicas.
-- Como você, por exemplo, né? Sua mãe era mu-la-ti-nha.
Marta disse aquilo com um protótipo de sorriso nos lábios, demonstrando ter percebido a intenção do cunhado e sabido retaliá-lo à altura. Ricardo, por sua vez, acusou o golpe.
-- Mulatinha? Minha mãe? Minha mãe era branca que nem marfim!
-- Aaah, tá. Muuuito branca, com aquela boca de preto e cabelo armado...
-- Meu avô era árabe, mas minha avó era francesa nascida na França - revelou, redundante, um Ricardo acuado, mas que passou ao ataque - E, além disso, você não pode falar da minha mãe porque a sua, sim, é que era "mulatinha". Além da "boca de preto" e "cabelo armado", a sua tinha pele escura.
-- Ooopa! Alto lá! - desta vez foi a mulher, Regina, quem sentiu a "agressão" -- Minha mãe era mo-re-na, não mulata.
Ricardo sorriu interiormente, pois tinha "provas" da etnia da sogra falecida havia alguns poucos anos. E agora que fora "agredido", não titubearia em usá-las.
-- Era mulata, Regina, porque seu avô era preto que nem carvão, apesar de sua mãe ser filha de italianos. Assim, vocês não são brancas puras. E por isso é ridículo serem racistas e serem contra o namoro da Su com o moreninho. Acho isso um absurdo.
Um silêncio denso se esparramou pelo amplo terraço da cobertura de Elisângela, igualmente abalada pela recordação de suas origens, mas que não dera um pio. Ricardo ficou satisfeito. Calou as cunhadas e as atirou numa reflexão indesejada. E ainda foi politicamente correto. Falou contra o racismo, pô! E ainda fez aquelas ignorantes entenderem que não tinha ascendência negra e sim árabe, que considerava muito "melhor".
Escrito por Eduardo Guimarães às 12h55
[]
[envie esta mensagem]
|
A estratégia de Garotinho
Na última sexta-feira, o ex-governador do Rio Anthony Garotinho chamou o presidente Lula de "covarde". O ataque aconteceu em Recife durante solenidade em sua homenagem na Assembléia Legislativa do Estado. Garotinho fez o ataque enquanto se defendia das acusações que surgiram contra ele na mídia depois que despontou ameaçando tomar o lugar de Geraldo Alckmin num eventual segundo turno.
Você haverá de se perguntar: mas se as denúncias contra Garotinho surgiram na mídia tucana, por que não atacar o candidato tucano à Presidência? Por que o ex-governador do Rio elege Lula como seu alvo?
Na tentativa de jogar luz sobre a escuridão gerada por aqueles que deveriam informar e não fazer política para um dos que pleiteiam o mais alto cargo publico do país, ofereço minha análise sobre o que move o nosso (?) Garotinho.
Primeiro precisamos nos lembrar de que Anthony Garotinho pode ser tudo, menos bobo. Que ninguém duvide de que ele sabe muito bem quem são seus algozes neste momento. Mas então por que ataca justamente aquele a quem interessa uma eventual subida sua nas pesquisas em lugar de atacar quem não quer que suba?
Garotinho não assumirá o segundo lugar nas pesquisas roubando votos de Alckmin. O eleitorado do peemedebista, em boa parte, é também o eleitorado de Lula. Assim, para ultrapassar o tucano precisa apenas tomar alguns votos do petista e arrebanhar os de alguns indecisos. Por isso ataca o presidente, para quem ceder uns pontinhos para ele e disputar com ele um eventual segundo turno certamente seria muito melhor do que disputar com Alckmin.
Lula preferiria mil vezes disputar uma eleição em segundo turno contra mil Garotinhos do que contra meio Alckmin. Apesar da debilidade eleitoral do tucano, ele conta com o apoio da mídia, do empresariado e dos mercados em peso. Garotinho não. Mesmo disputando pelo PMDB, arrepia os cabelos da mídia, dos empresários, dos mercados e até de boa parte de seu próprio partido. Afirmo ser impossível ele derrotar o presidente.
O quadro político-eleitoral gira, gira e teima em conspirar a favor de Lula. É notável que isso ocorra dessa forma depois do cerco que ele vem sofrendo há três anos Os que pareciam dispor de armas tão poderosas contra o presidente vão se convertendo em aleijões políticos. O fenômeno Lula, pois, ainda não foi entendido pelos, digamos, entendidos de política deste país.
Escrito por Eduardo Guimarães às 23h08
[]
[envie esta mensagem]
|
Cotas para negros
Escolha o veículo de comunicação que quiser e depois verifique como é tratado por ele o tema de cotas para negros nas universidades e fatalmente descobrirá que não só esse veículo já se manifestou reiteradas vezes contra a política afirmativa do governo Lula como também que dificilmente dá espaço a opiniões favoráveis a ela. E, quando dá, geralmente só permite que membros do governo federal se manifestem. Na imprensa escrita, leitores ou articulistas independentes não têm espaço para defender as cotas. Na imprensa eletrônica, também. Qualquer pesquisa sobre o tratamento que a mídia dá à questão revelará que o material contrário às cotas supera em várias vezes o favorável. Na verdade, revelará um massacre opinativo.
Quero lhe fazer uma pergunta: você já se perguntou por que um tema tão polêmico quanto o das cotas nas universidades públicas nunca foi objeto de uma pesquisa de opinião que revelasse o que pensa a sociedade? Eu explico por que: essa pesquisa nunca foi feita porque revelaria o que não quer a diminuta elite branca e rica; revelaria que neste país infeliz a maioria rejeita o privilégio de só essa elite ter universidades gratuitas para seus filhos estudarem. E o que é pior : às custas dos impostos da maioria pobre da população. A pesquisa revelaria que a maioria dos brasileiros quer as cotas pelo simples motivo de que para essa quase totalidade dos brasileiros estudar em universidades públicas e gratuitas não passa de um sonho.
Ante estas considerações, alguns virão dizer que as cotas deveriam ser para pobres e não exclusivamente para negros e pardos. Discordo. Qualquer estatística demonstrará que os afrodescendentes brasileiros são os pobres entre os pobres. Se instituirmos cotas econômicas, certamente os pobres brancos, que são minoria entre os pobres, mais uma vez ocuparão o lugar dos negros e pardos, pois as estatísticas mais uma vez demonstrarão que são eles os que ganham menos, os que ocupam os piores empregos, os que sofrem mais com o desemprego, os que sofrem mais com a violência e com a criminalidade, os que predominam nas prisões e, finalmente, os que proporcionalmente estão menos representados no ensino público superior.
Esse discurso hipócrita de que "As cotas são racistas porque inventam uma discriminação racial que não existe no Brasil", é o que mais me enoja. Não contente em tentar impedir que seja feita justiça àqueles que escravizamos, segregamos e discriminamos por séculos - e que por isso vivem hoje numa situação imoral e inaceitável para qualquer espírito minimamente sensível e ético -, a mídia ainda tripudia sobre os injustiçados. É um escárnio dizer que é discriminação contra os afrodescendentes levar às universidades esses que são os mais prejudicados por um sistema educacional em que os brancos ricos podem pagar escolas que treinam seus filhos para vencerem vestibulares valendo-se de recursos impensáveis para a quase totalidade de nosso povo.
A discurseira de que em lugar de cotas deveríamos melhorar o ensino público de base é uma afronta. Qualquer um sabe que uma melhora no ensino público que colocasse brancos ricos, de um lado, e negros e pardos pobres, de outro, em igualdade de condições, não ocorreria por décadas a fio mesmo que o falido Estado brasileiro começasse a investir furiosamente em Educação desde já. A prevalecer essa proposta mal-intencionada da elite beneficiária do estudo superior gratuito bancado pela maioria pobre dos brasileiros, gerações de negros e pardos pobres continuariam impedidas de ascender socialmente da forma que a decência humana exige que tenham como ascender a fim de serem compensados pelos efeitos deletérios da escravidão que os brancos lhes impusemos.
Há, ainda, o argumento falacioso de que o ingresso de alunos cotistas nas universidades públicas geraria prejuízo à qualidade acadêmica dessas instituições. Mentira! As várias experiências com cotas raciais espalhadas pelo Brasil demonstram cabalmente que não só os cotistas estão apresentando desempenho tão bom quanto o dos não-cotistas como, em muitos casos, os estão superando. E isso ocorre pelo simples fato de que um filhinho de papai que sempre teve todas as facilidades na vida não se empenha como esses filhos da pobreza, da injustiça e da opressão da elite racista brasileira.
Não defendo a política de cotas nas universidades públicas por interesse próprio. Eu e minha família somos todos brancos e descendentes de paulistas paulistanos de várias gerações, que somam mais de um século. Meus filhos, além disso, sempre estudaram em escolas particulares. Jamais seriam beneficiados por cotas para negros. Meus motivos decorrem do pensamento magistral de Montesquieu, de que "A injustiça que se faz a um é a ameaça que se faz a todos". Não me sinto seguro numa sociedade injusta. Enquanto nossa sociedade for tão hipócrita e injusta, todos nós - mesmo os brancos ricos ou de classe média - estaremos ameaçados, porque a injustiça é tão cega quanto a justiça.
Escrito por Eduardo Guimarães às 12h17
[]
[envie esta mensagem]
|
Globo incentiva racismo
O que são racismo e discriminação por classe social, para você? Para mim esses crimes são praticados por quem atribui qualidades negativas a pessoas por conta de etnia ou classe social. Se você concorda comigo - e a lei, pelo menos, concorda -, posso afirmar que o jornal O Globo praticou crimes de racismo e de discriminação por classe social ao publicar, nesta quinta-feira 27, carta de um leitor em que ele atribui falta de educação a pessoas negras e pobres. Vejam a carta:
"O Globo, 27 de abril de 2004
CARTAS DOS LEITORES
Cotas e conflitos
Vergonhosa a atitude dos estudantes pró-cotas raciais durante o seminário em Brasília, onde professores, mestres e doutores iriam discutir a aplicação das cotas raciais. Mostraram com isto que não estão à altura de uma universidade. Ficou claro que o principal motivo de negros e pobres não entrarem na universidade é a falta de educação.
EDUARDO COUTO CHUERI
(por e-mail, 26/4), Rio "
Em minha opinião, o leitor de O Globo cometeu crimes de racismo e de discriminação por classe social. Acho, portanto, que o Ministério Público deveria questioná-lo, no mínimo, bem como ao jornal que lhe publicou as palavras criminosas.
No caso de nada acontecer em alguns dias, acredito que, na pior das hipóteses de passividade social, os movimentos sociais que combatem esse tipo de crime deveriam provocar o MP. Alguém tem que fazer alguma coisa. Eu até faria se soubesse o quê. Se alguém tiver alguma sugestão ou quiser me ajudar, agradeceria muito.
Escrito por Eduardo Guimarães às 18h05
[]
[envie esta mensagem]
|
Tiro da mídia sairá pela culatra
Muita gente já percebeu que o Garotinho, depois que começou a ameaçar Alckmin nas pesquisas, virou a bola da vez na mídia. O objetivo dos meios de comunicação é claramente o de impedi-lo de ultrapassar o tucano, ameaçando a coalizão tucano-pefelista-midiática de ficar fora de um eventual segundo turno da eleição presidencial. Pode até colar, mas se a coalizão oposicionista pensa que desmoralizar Garotinho irá fatalmente beneficiar Alckmin, corre o risco de tomar um tombo do cavalo que lhe poderá ser fatal. O grupo peemedebista que apóia o ex-governador do Rio, bem como o próprio, se ficarem revoltados com um ataque tucano-pefelista-midiático que diminua drasticamente a viabilidade eleitoral do pré-candidato, poderão migrar para a facção peemedebista pró-aliança com Lula. Essa seria a pá de cal na candidatura própria do PMDB e o carimbo no passaporte do presidente da República para vencer a eleição em primeiro turno.
Escrito por Eduardo Guimarães às 12h00
[]
[envie esta mensagem]
|
Derrotar não é vencer
O que mais me preocupa nos embates políticos exasperados que vejo se espalharem por meu país são os contendores que fatalmente serão derrotados no pleito que se avizinha. As expectativas, as paixões e a intolerância que cercam esses antagonistas me fazem antever um clima de insanidade ainda maior do que o que vige neste momento, por mais que isso pareça impossível. Não consigo, pelo menos neste momento, vislumbrar a hipótese de algum dos lados vir a se conformar com a derrota.
Neste nível de reflexão, o que menos me importa é o resultado da eleição. O que ocupa meus pensamentos neste momento é saber como poderia contribuir para impedir que a guerra político-ideológica que este país vive se perpetue nos corações de vitoriosos e derrotados. Não podemos mais continuar do jeito que estamos. Não se pode conceber que uma sociedade se mantenha neste nível de tensão, trocando xingamentos e acusações sem limite e, o que é pior, sem vontade aparente de interromper essa situação.
Derrotar não é vencer. Ninguém ganha derrotando. A verdadeira vitória consiste em ser reconhecida e aceita por vencedores e vencidos. Mas como lograr tal feito quando a disputa, de tão exaltada, promete humilhação dos que forem derrotados?
Não é esse o espírito da democracia. O que está em jogo neste país não é um campeonato de futebol e sim que elejamos um governo que receba ao menos o benefício da dúvida dos que desejam outro resultado para a disputa. Sem isso, os vencedores não terão o mínimo de sossego para implementar propostas aprovadas pela maioria. E, com efeito, a aceitação do desejo da maioria é a matéria-prima de que é feita a democracia.
Se você é brasileiro, se a situação deste país te afeta seja ela qual for, nem cogite pisar nos que de você divergem, se os derrotar, ou em hostilizá-los, se por eles for derrotado. Preocupe-se em como aceitar ou fazer com que aceitem o desfecho dessa que será uma das eleições mais difíceis da história deste país.
Escrito por Eduardo Guimarães às 23h51
[]
[envie esta mensagem]
|
Combate ao fanatismo
arte de Eduardo Guimarães
A Revolução Francesa poderia ter ensinado à humanidade que sob o manto das causas nobres muitas vezes esconde-se o fanatismo, uma das drogas mais poderosas conhecidas pelo homem. Robespierre, líder dos jacobinos, o incorruptível, comandou um dos espetáculos mais dantescos da história, o Terror, durante o qual milhares foram guilhotinados. Nesse contexto, uma voz de sensatez se ergue em meio à histeria moralista e hipócrita que se apossou do país, a voz do ministro do Supremo Eros Grau em entrevista que concedeu ao site Consultor Jurídico e que pode ser acessada na íntegra clicando aqui. Sugiro a leitura para todos os que, como eu, temem o vírus mortal do fanatismo, responsável por tantas desgraças no curso da história humana.
Escrito por Eduardo Guimarães às 21h44
[]
[envie esta mensagem]
|
Sobre "factóides"

O uso do cachimbo dizem que faz a boca torta. No caso da direita subdesenvolvida terceiro-mundista, o adágio é totalmente correto. Todas as vezes em que a síndrome de abstinência do poder ataca a direita, ela quer virar a mesa, melar o jogo e retomar na marra o controle do Estado.
A direita tucano-pefelê não consegue se conformar com o fracasso de seu projeto de retomada do poder através da criminalização do governo Lula. Estressada ao impensável por conta das pesquisas de intenção de voto que dão ao presidente da República majoritária aprovação popular, a oposição cooptou a direção conservadora da OAB como sua laranja a fim de propor ao Congresso nacional o impeachment do presidente da República, apesar de que em quase um ano de investigações furiosas que ele sofreu por parte do próprio Congresso, do Ministério Público e da Polícia Federal, nada que pudesse comprometê-lo foi apurado.
Como se não bastassem tantos motivos a desautorizarem esse surreal pedido de impeachment, a proximidade das eleições faria com que um processo dessa natureza ultrapassasse a data do pleito tanto em primeiro quanto em segundo turnos. Disso se conclui que não há interesse real da oposição e de seus laranjas da OAB de impedirem de fato o presidente constitucional da República. O que desejam mesmo é, como diria o patético prefeito do Rio, Cesar Maia, criar um "factóide" para constranger o primeiro mandatário durante a campanha eleitoral.
Não acho que o governo Lula correspondeu plenamente às expectativas de grande parte dos que o elegeram. Contudo, as alternativas a ele são totalmente inaceitáveis para quem tem um mínimo de conhecimento da história recente deste país. Estou disposto, pois, a aderir às manifestações que os movimentos sociais pretendem desencadear em defesa do direito dos brasileiros de julgarem este governo nas urnas. Em vista disso, declaro que participarei de qualquer ato público dessa natureza e que levarei comigo quantos puder.
A oposição quer um factóide para usar na campanha eleitoral. Quer poder arrotar que o presidente Lula disputa a reeleição sob pedido de impedimento ou, o que é mais provável, que "abafou" esse pedido. Nós, brasileiros desvinculados de partidos e de movimentos sociais também temos obrigação de não ficar impassíveis diante dessa vergonha. Convoco, pois, a todos os que me lêem e comungam de minhas opiniões a se mobilizarem para que um eventual pedido de impeachment do presidente seja respondido com intensas manifestações populares. A oposição quer um factóide? Pois conseguirá dois.
Escrito por Eduardo Guimarães às 11h26
[]
[envie esta mensagem]
|
Rir é o que te resta

Chega de sofrer revolvendo o fedorento monturo político verde-amarelo. Quero vê-lo sorrir com uma cena hilariante : estamos em meados de outubro de 2006. A eleição presidencial caminha para o segundo turno. Você chega à banca de jornal e vê um exemplar da Veja. Na capa da revista, letras garrafais vermelhas sob uma foto em que Lula aparece com os olhos postos no nada, com olhar de estadista, formam uma frase que te faz estourar de rir...
Marque com o mouse o espaço entre as aspas abaixo para ler a manchete da revista:
"10 razões para votar em Lula e não em Garotinho"
Escrito por Eduardo Guimarães às 16h14
[]
[envie esta mensagem]
|
Minha posição política
Meus amados - e escassos - leitores. Quero declarar meu apreço insuperável por vossa atenção, mesmo a dos que me xingam. Sem vocês, acho que eu piraria por não ter quem se desse o trabalho de "escutar" minhas lamentações sobre este país. Lamento, entretanto, que minha posição política dificilmente irá agradar a gregos e troianos. Tenho uma posição um tanto quanto cética da política em meu país. Infelizmente.
Há alguns anos não era assim. Em Lula, por exemplo, eu depositava esperanças concretas de melhora efetiva deste país por meio da política. Hoje, estou quase desistindo. Meu herói, ou melhor, meu ex-herói, Lula, um homem que tem uma história de vida linda, emocionante, edificante, enfim, um exemplo para tantos que chafurdam na pobreza, na miséria e na ignorância desesperançados de tudo, esse homem revelou-se vaidoso, ainda que muito menos do que os FHCs, Serras e Alckmins da vida. Não consegue perceber a urgência de nossos pleitos. Agora que pode esperar, acha que também podemos.
Aí terminam minhas queixas contra Lula.
Mas, então, por que pretendo votar nele? Pretendo contribuir para reeleger Lula porque dos males que representam as alternativas, certamente ele é o menor.
Os adversários de Lula - sobretudo o mais forte, que é o tucano (argh!) Geraldo Alckmin - são muito piores. São totalmente insensíveis aos anseios do Brasil real, não daquele que não depende do Estado para nada e que acha que bandido bom é bandido morto e que lugar de pobres - em geral pretos ou mestiços - é esfregando o chão por falta da educação formal que lhe será negada para financiar os estudos da elite em universidades gratuitas e de excelência que montaram para ela ao custo dos impostos da ralé. Falo do Brasil que sofre.
E tenho mais uma razão para votar em Lula: a mídia quer controlar o voto dos brasileiros. Eu, no entanto, não aceito isso. Acho que se esse poder for dado às famílias Marinho, Civita, Mesquita, Ermírios de Moraes, Antônios Carlos Magalhães, Fernandos Henriques Cardosos etc, este país pode até piorar. Assim, não hesito: vou votar em Lula e defender que outros façam o mesmo para impedir a volta dessa gente ao poder.
Escrito por Eduardo Guimarães às 11h58
[]
[envie esta mensagem]
|
A porcaria social de Lula
A elite e o povo não se entendem. Apesar de viverem sob o mesmo firmamento e de caminharem sobre o mesmo território, falam línguas diferentes. É por isso que a primeira não entende por que o segundo insiste em apoiar Lula apesar da desqualificação que o petista sofre diariamente por meio dos discursos empolados sobre "ética" na política que infestam os meios de comunicação há quase um ano.
Sinto uma gana incontrolável de pegar um desses jornalistas gabolas pelo braço e arrastá-lo para o meio do povo a fim de fazê-lo entender do que é feito o apoio popular ao presidente da República. E que ninguém pense que estou afirmando que esse apoio se deve ao governo do PT estar fazendo tudo aquilo que seu titular pensa que está. Na verdade, o que mantém Lula popular é a total falta de alternativas.
Tentemos pôr nossas paixões políticas de lado um só instante. Será que você consegue? Quem não conseguir, azar o dele - ou dela. Mas quem ainda conserva um mínimo de lucidez em meio à histeria política que se abateu sobre este país pode tentar se colocar no lugar do brasileiro comum que só vibra com seu time de futebol e nunca com embates políticos.
Se você não interrompeu a leitura deste texto no parágrafo anterior é porque se julga capaz de olhar a cena com um mínimo de distanciamento. Então vamos em frente.
Você tem procurado emprego ou conhece alguém que procura? Se tem esse conhecimento da realidade brasileira e se não for um dos tarados que afirmam que a dificuldade de arrumar emprego ou simplesmente de sobreviver com os salários de merda que pagam no Brasil é obra deste governo, já tem o instrumento necessário para entender por que a maioria do eleitorado se mostra disposta a manter Lula no poder.
Desde o início dos anos 1980 este país foi sendo emparedado numa armadilha econômica que com o passar dos anos só aumentou de eficiência, sobretudo durante a octaetéride tucana (1995 + 2002). O Brasil não pode crescer economicamente porque senão a inflação reaparece. Assim, estamos condenados a taxas de crescimento que mal dão conta de arrumar vagas no mercado de trabalho para os jovens que ascendem à idade de começar a trabalhar.
Só um pervertido político-ideológico é capaz de afirmar que os que se apresentam como alternativa a Lula demonstram minimamente como é que pretendem tirar o país desse círculo vicioso. Ainda mais quando se sabe que são os mesmos que nos atiraram na armadilha econômica a que me referi.
No caso do candidato Geraldo Alckmin, por exemplo, é de matar de rir vê-lo prometendo fazer tudo o que seu grupo político não conseguiu em oito anos de governo - ou seriam oitenta anos? Dopados pela bajulação da imprensa, os tucanos e pefelistas acham que basta saírem por aí afirmando que são mais éticos e desenvolvimentistas que arrebanharão legiões de apoiadores entre aqueles que não chegaram ao Brasil em 2003 e que portanto ainda têm nas carnes as marcas da Era FHC.
Afirmo que qualquer cidadão brasileiro que for perguntado sobre se acredita que um político que chega prometendo crescimento econômico acelerado e "banho de ética" na política pode ser levado a sério, dará gargalhadas. Portanto, porcaria por porcaria a maioria certamente optará pela porcaria social de Lula, que ao menos dá esmolas mais gordas para os que se encontram em pior situação, ou seja, para essa mesma maioria.
Escrito por Eduardo Guimarães às 10h26
[]
[envie esta mensagem]
|
Alckmin na Band

Opositor declarado da candidatura Alckmin, não tenho pretensões de ser ouvido por militantes ou simpatizantes oposicionistas do governo Lula. As considerações que farei a seguir, portanto, destinam-se exclusivamente a militantes e simpatizantes petistas.
Quero considerar que vejo a candidatura de Geraldo Alckmin à Presidência da República com chances cada vez menores de sucesso. Na noite do último domingo, assisti ao desempenho do ex-governador paulista no programa "Canal Livre", da TV Bandeirantes, e pude constatar um político sem discurso e de carisma questionável. Empolado e arrogante, para o espectador que votaria até num poste mas jamais votaria em Lula certamente que Alckmin parecerá ter tido um bom desempenho, porque, para quem nem sonha em questioná-lo, parecerá que deu um passeio nos que o argüiram. É verdade, inclusive, que até houve algum esforço do entrevistador Fernando Mitre - porém quase nenhum do entrevistador Joelmir Beting - em questionar o entrevistado o mínimo que fosse. Aliás, achei essa iniciativa denotativa de que a mídia sente-se pressionada pelas crescentes acusações de partidarismo que vem sofrendo. Porém, para o espectador atento que busca a verdade mesmo sendo oposicionista de alma ou por ofício tenho certeza de que ficou claro o tratamento praticamente acrítico dos estrevistadores de Alckmin e uma fragilidade enorme deste diante dos previsíveis questionamentos muito mais duros que sofrerá durante a campanha eleitoral.
A fragilidade discursiva que vejo em Alckmin prende-se à sua postura eminentemente cínica e desrespeitosa da inteligência alheia diante das acusações de corrupção que tem sofrido, diante das questões referentes ao seu desempenho no governo de São Paulo e diante de sua falta de discurso propositivo na condição de candidato a presidente da República.
Na questão "ética", não estou nem condenando o ex-governador apesar de achar que suas explicações não constituem esclarecimento cabal para o que tem sido apontado contra ele tanto quanto as explicações do presidente Lula tampouco têm constituído. O que "pega" com Alckmin na questão ética, entretanto, é o seguinte: ele dá as mesmíssimas explicações que dá Lula para as acusações que sofre. O tucano repete o petista tanto diante das vantagens de que desfrutam seus parentes (mulher, filha, filho...) em negócios que fizeram quanto nas acusações de gestão fraudulenta que sofre na área de publicidade de seu governo. Ora, sendo um dos acusadores mais veementes do PT em questões "éticas", o ex-governador e seu grupo político fragilizam-se de forma dramática ao adotarem a mesma estratégia de defesa daqueles que acusam.
Nas questões administrativas e de relacionamento com o Legislativo, enquanto Alckmin acusa o presidente Lula de ter barrado investigações contra si no Congresso nega na cara dura o abafamento de 69 CPIs na Assembléia Legislativa paulista dizendo que aquele é um poder "autônomo". Em resumo: afirma que seu adversário tentou abafar as CPIs que estão em curso no Congresso mas se contradiz afirmando que um chefe de poder Executivo não tem poder para fazê-lo. Depois, procura convencer as pessoas de que não é o responsável pelo descalabro da Segurança Pública e da Febem e, num verdadeiro acinte à inteligência das pessoas, tenta transferir para o governo federal sua responsabilidade nessas questões. Seu discurso é o de que não recebeu verbas federais que a qualquer instante qualquer um poderá constatar se foram ou não repassadas e que não há nenhuma acusação de não terem sido que possa ser comprovada cabalmente.
Finalmente, na questão propositiva, ou seja, no que tange seu discurso sobre o que oferece aos brasileiros ao se propor a governá-los todos, Alckmin simplesmente divaga e repete chavões sobre pretender promover crescimento acelerado e blablablá, blablablá. Contudo, não especifica nada do que fará e nem ao menos responde quando lhe perguntam sobre que papel terá Fernando Henrique Cardoso em sua campanha.
Apesar de o jornalista da Band Fernando Mitre ter feito algum esboço de questionamento de tudo isso, ficou flagrantemente passivo diante de respostas do ex-governador que considerei absolutamente insatisfatórias. E acho que esse é o calcanhar de Aquiles de Alckmin. Desacostumado a sofrer questionamentos mais duros, quando, além de Lula, seus outros adversários o questionarem dessa maneira durante a campanha, certamente irá desmoronar. Alckmin é mimado pela imprensa há anos e visivelmente não tem "anticorpos" políticos para enfrentar questionamentos de toda ordem que surgirão. E isso num quadro em que um Anthony Garotinho, por exemplo, fará dele seu alvo preferencial no primeiro turno da eleição para presidente, porque tentará tomar-lhe o lugar num hipotético segundo turno contra Lula.
Em vista das considerações em tela, creio ter elementos para afirmar que a candidatura tucana à Presidência da República vai se enredando numa teia da qual me parece que será cada vez mais difícil sair. E digo mais: acho que essa situação da principal candidatura oposicionista se deve, em grande parte, à tentativa da mídia de inflá-la.
Escrito por Eduardo Guimarães às 11h15
[]
[envie esta mensagem]
|
Troca de Alckmin por Serra
Em atenção aos caros amigos leitores, dou minha interpretação para essa teoria de que Alckmin teria sido escolhido como "boi-de-piranha" para apanhar no lugar de Serra e ceder lugar a ele antes de esgotar o prazo para o PSDB mudar de candidato: não acredito. Apesar da insistência burra da oposição e da mídia na estratégia de atacarem Lula com a questão "ética", admitirem que não conseguiram emplacar uma candidatura e, assim, substituirem-na por outra supostamente "mais forte" às vésperas da eleição, a meu juízo é uma fantasia. Vejam que a diferença de intenções de voto de Alckmin para Serra nem era tão grande assim. Duvido e faço pouco de que Serra trocaria uma eleição quase certa para governador por uma aventura dessas. Acho, portanto, que a oposição e a mídia irão com Alckmin até o final. E o máximo de ousadia oposicionista-midiática que acho que poderemos ver até outubro será retomarem a falsificação de pesquisas. Mas, por outro lado, acho que mesmo isso a mídia poderá não concordar em fazer pelos tucanos. Posso afirmar que os meios de comunicação estão preocupadíssimos com o desgaste que estão sofrendo. Vocês acham que essas denunciazinhas que eles estão soltando contra os tucanos vez por outra se devem a que? Acreditem, se Lula não começar a cair em no máximo uns dois meses, acho que a mídia irá desembarcar em peso da candidatura tucana.
Escrito por Eduardo Guimarães às 22h15
[]
[envie esta mensagem]
|
O clima no Q. G. tucano
Entre a Veja e o Estadão, qual dos dois veículos você acha que é o mais tucano? Muitos dirão que é a Veja, porque não dá uma só notícia ou acusação contra o PSDB enquanto que o Estadão, mesmo dando de forma truncada, ao menos dá. Realmente a pergunta é tola, porque não há maior ou menor gravidez. Os dois veículos são braços "jornalísticos" do PSDB, que, por sua vez, é o braço político da elite paulista, responsável pela parte do leão da indecente concentração de renda brasileira. Contudo, acredito que o Estadão ainda detém o troféu de tucanismo, porque assume sua tucanidade.
Nesse contexto, a principal manchete de primeira página do Estadão deste domingo (23/4) dá bem a medida do clima que impera no quartel-general tucano. Vejam só a manchete e um trecho do texto que ela encima: "Sob pressão, PSDB decide mudar campanha de Alckmin - (...) Para o deputado Alberto Goldman (SP), vice-presidente do PSDB, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (...) está consolidando uma disputa em que se coloca como candidato dos pobres e Alckmin, como candidato dos ricos".
Muito mais por ser inimigo feroz da prática imoral de veículos ditos "jornalísticos" atuarem como panfletos de facções políticas e procuradores de estratos sociais de elite, regozijo-me ao ver o desalento tucano-pefelê-midiático que vai ganhando corpo ante a anemia da candidatura Alckmin. Porém, muito mais do que satisfação o que me toma é uma torturante curiosidade. Aliás, é ela que me leva a escrever, porque quero apelar aos meus dois ou três leitores para que me ajudem a entender o que levou a oposição e a mídia a persistirem numa estratégia que provou ser um fracasso já no início deste ano, a de tentarem desmoralizar Lula por meio de acusações de corrupção.
Insondáveis são os mistérios das mentes embotadas pelo sectarismo. Que tipo de reação química se produz em cérebros sectários que os impede de enxergar a realidade à sua volta? Será que após três anos e meio de ataques incessantes da mídia partidarizada a Lula - sobretudo por questões "éticas" - não ficou claro que essa estratégia é ineficaz? Não pode ser tão difícil de entender que o brasileiro está mais preocupado com sua qualidade de vida e não com acusações de corrupção vociferadas por gente tão eticamente questionável quanto um Antonio Carlos Magalhães ou um Fernando Henrique Cardoso.
Diante de mistério tão denso reitero meu apelo a você, leitor, para que me dê sua opinião sobre as razões que levam a coalizão tucano-pefelê-midiática a insistir numa estratégia notoriamente ineficaz. Cheguei a pensar que, na verdade, Vejas, Folhas, Estadões, Globos etc estariam trabalhando de forma dissimulada para reelegerem Lula. Só isso explicaria investirem numa estratégia que vem elevando a popularidade dele de forma tão consistente. Claro, claro, eu sei que aí já é viajar demais na maionese. Mas que outra explicação pode haver para comportamento tão estúpido da mídia?
Confesso que, além de curioso, estou desorientado. Será que essas duas ou três boa almas que me fazem a caridade de ler o que escrevo não poderiam tentar iluminar a cena para mim? Aguardo vossas piedosas manifestações.
Escrito por Eduardo Guimarães às 14h48
[]
[envie esta mensagem]
|
"V for vendetta"
A obra perturbadora de Alan Moore
No dia 5 de Novembro de 1605, o "traidor" Guy Fawkes planejou matar o rei de Inglaterra fazendo explodir o Parlamento inglês. Contudo, foi descoberto e enforcado. Essa personagem histórica britânica inspirou o escritor, cartunista e quadrinista inglês Alan Moore a produzir, em meados dos anos 1980, uma das mais instigantes obras dessa que já foi chamada, para desespero de alguns, de a nona arte, ou seja, os quadrinhos. A obra de Moore foi transposta para a película cinematográfica pelos irmãos Wachowski e agora chega aos cinemas brasileiros num momento muito apropriado, a meu ver.
O texto de Moore retrata uma Inglaterra de um futuro não tão distante em que, após uma imaginária debacle dos Estados Unidos por conta de uma guerra civil, recupera a hegemonia que perdeu para eles durante o século XX. O Reino Unido, no entanto, transforma-se num Estado totalitário governado por uma coalizão política que tem um lunático à frente que se vale sobretudo da mídia para desinformar e oprimir o povo inglês.
As implicações políticas e ideológicas do filme são perturbadoras principalmente para países como o Brasil, pois a obra mostra como os meios de comunicação podem ser usados para desinformar, enganar e oprimir uma sociedade. Sua relação com a realidade que este país vive hoje, tendo uma imprensa ditatorial que censura, desinforma, engana e busca manipular nossa sociedade de todas as formas, chega a ser espantosa.
Não é à tôa que "V de vingança" tem sido considerado um filme "de esquerda". Recomendo aos que se sentem perturbados pela atuação política da mídia tupiniquim que não deixem de assisti-lo. Fui no último sábado e garanto que lhes constituirá uma experiência única. Apesar de perturbador, o filme é obrigatório para uma sociedade tão ameaçada pelos ímpetos políticos, ideológicos e, por que não dizer?, tirânicos de nossos meios de comunicação.
Escrito por Eduardo Guimarães às 03h07
[]
[envie esta mensagem]
|
[ ver mensagens anteriores ]
|
|
 |
|