Acidentes "acontecem"
 
 aumente o som
 
Um canteiro de obras do Metrô (linha 4-amarela) desabou por volta das 15h de 12 de janeiro deste ano, abrindo uma cratera que engoliu ao menos cinco caminhões e interditou três ruas no bairro de Pinheiros, na zona oeste de São Paulo - uma delas rachou. Um prédio e cerca de 80 casas tiveram de ser esvaziados. Sete pessoas morreram soterradas.
 
Na véspera de a tragédia completar sete meses, a sociedade ainda não recebeu informação nenhuma. Apesar de que desastres com obras de engenharia só acontecem por ação de fenômenos da natureza - tais como terremotos, furacões, tsunamis ou coisa que o valha - ou, então, por erro de projeto dessas obras, mesmo sabendo-se que não houve nenhuma catástrofe natural jamais a mídia alardeou que o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin havia matado 7 pessoas, desabrigado centenas e causado prejuízo de centenas de milhões de reais ao Erário. Até hoje, é como se tudo não tivesse passado de uma fatalidade.
 
Pouco depois da tragédia, a mídia passou a escondê-la. A sociedade não recebe satisfação nenhuma. Nem o recente desabamento de mais uma parte de uma rua que passa por cima do túnel da Linha quatro do Metrô fez o caso voltar ao noticiário. Para a mídia, se o governante for tucano, sobretudo se for José Serra, que continua a "obra" de Alckmin, acidentes "acontecem".


 Escrito por Eduardo Guimarães às 08h54
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No blog Cidadania
 
Às vezes me pergunto se o melhor que posso fazer por meu país é ficar me metendo em politicagem, na eterna luta entre governo e oposição. Não seria melhor escrever contra tudo o que está socialmente errado nesta terra, mas ignorando a política? Não seria melhor escrever mais decididamente contra, por exemplo, a desigualdade monstruosa que violenta este país de norte a sul, de leste a oeste?
 
Então me dou conta de que é exatamente isso o que estou fazendo ao não aceitar que imobilizem ou até derrubem o governo Lula. Vá lá que não é exatamente este o governo que finalmente começou a fazer tudo o que os humilhados, espoliados, defraudados de todas as formas por um proporcionalmente pequeno contingente de brasileiros, precisam. Mas é o governo que mais se aproximou do ideal que já vi em toda minha vida.
 
Posso estar errado. Certezas absolutas sobre qualquer coisa são incompatíveis com um mínimo de bom senso. Mas ao menos estou fazendo o que eu acho sinceramente que devo. E enquanto não me convencerem do contrário, continuarei na mesma linha de exercício de minha cidadania. E levarei quantos puder comigo.


 Escrito por Eduardo Guimarães às 01h03
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Idiotia sem reverso
 
Na falta da pista de Congonhas como cavalo-de-batalha, agora são as normas de segurança que preconizam que o avião da Presidência da República não voe com um dos reversos pinado que tentam usar para, de alguma forma, responsabilizar Lula pela tragédia de Congonhas.
 
A teoria é a seguinte: Lula assumiu a Presidência do Brasil e liberou o uso de aviões comerciais com um ou mais reversos inoperantes, mas tratou de se resguardar do risco a que expôs os cidadãos comuns determinando que o avião que usaria não se submetesse a tal risco. Como é um presidente homicida, mudou as normas da aviação brasileira só para prejudicar as classes sociais mais altas, provavelmente na esperança de que todos os ricos morressem em desastres aéreos.
 
Esse é o sentido do auê que a mídia está fazendo sobre as medidas de segurança adicionais que têm os chefes de Estado de toda parte. Mas será que alguém acredita que foi Lula que, depois que chegou ao poder, permitiu que os aviões de carreira pudessem voar por algum tempo com reversos defeituosos ou que determinou que as aeronaves que usasse não pudessem voar dessa forma? Sim, acho que há alguém que compra uma barbaridade dessas. Aliás, vários "alguéns"
 
Mas que coisa, meu Deus! Este país deve ter a maior taxa do mundo de idiotas por cada cem habitantes. Mesmo que não sejam maioria - pelo menos isso - os que compram qualquer acusação que se faça ao presidente, ainda assim, sendo mais do que duas ou três pessoas, é demasiado o número de brasileiros incapazes de usar mais do que um neurônio simultaneamente.


 Escrito por Eduardo Guimarães às 21h01
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Ninguém é inocente
 
Estou certo de que você, leitor, é pessoa da mais alta honorabilidade e jamais cometeria algum ato de improbidade. Todavia, só como exercício mental, convido-o a excursionar comigo pelo sítio itinerante das suposições, no qual você assumirá o papel de culpado.
 
Suponhamos que você pertencesse a alguma organização qualquer e nela ocupasse um alto cargo de confiança. De repente, você é acusado de ter usado esse cargo para se locupletar. Então, sabendo-se culpado, tendo certeza de que o malfeito de que o acusam foi por você cometido - talvez num momento de fraqueza -, o que faria? Antes de lhe apresentar as hipóteses, quero que tenha em mente uma situação em que as provas abundam contra você. Contudo, você pode se livrar de maiores prejuízos legais e morais simplesmente abdicando do cargo que ocupa.
 
Vamos às hipóteses:
 
Hipótese A: você se recusa a deixar o cargo de confiança em que está mesmo sabendo que as provas de seus atos de improbidade, cedo ou tarde, não só provocarão sua demissão como lhe acarretarão problemas legais.
 
Hipótese B: você sai de fininho do cargo e dos holofotes e busca reduzir ao mínimo os danos. E de forma nenhuma enfrenta seus acusadores, que, como se sabe, estão cheios de provas contra você.
 
À esta altura, vocês já perceberam que falo de Renan Calheiros.
 
Não tenho elementos para julgar o presidente do Senado com seriedade. Nunca simpatizei com ele desde a época de Collor, sobretudo por ter servido ao ex-presidente, pessoa que abomino. E minha antipatia por Renan aumentou quando ele virou ministro de FHC, que consigo abominar mais do que Collor. E nem as boas relações de Renan com o governo que apóio me tiraram a impressão de que é uma figura complicada, da qual guardar distância constitui mero ato de prudência. Contudo, sua atitude de se recusar a se esconder do bombardeio da mídia, em sendo ele culpado, não bate com essa probabilidade.
 
Claro que esta é apenas a percepção de alguém que nem está bem informado sobre o caso. Mal leio ou assisto às acusações contra Renan. São muito complicadas. Toda vez que a mídia faz longos preâmbulos, dá montes de explicações para chegar às suas teorias acusatórias, eu desconfio. Principalmente num caso como esse do presidente do Senado, pois, naquela casa, muito pouca gente escapa de culpas que devem ser gêmeas das que imputam a Renan. Então, percebo que tudo não passa de jogo político.
 
A explicação para o enigma que construí acima que me parece mais lógica é a de que Renan está longe de ser inocente. Aliás, lembremo-nos da frase do anarquista francês François Ravachol (1859-1892), de que "ninguém é inocente". Só que uns são mais culpados do que outros. Renan, entretanto, pode estar se aferrando assim ao cargo e enfrentando poderes como o de uma Globo ou de uma Veja porque sabe que, no que concerne à casa que preside, essa história de uns serem mais culpados do que outros é pura balela. Assim, Renan parece disposto a levar muita gente com ele para o exílio no país da desmoralização.
 
A mídia e a oposição talvez estejam querendo morder mais do que lhes cabe nas bocas. Renan "encardido" Calheiros pode vir a ser-lhes um prato bem indigesto.


 Escrito por Eduardo Guimarães às 08h42
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A benção de Serra
 
Certos fatos imploram para serem notados. Ficam lá acenando para as pessoas. Pulam, gesticulam, fazem caretas, põem a língua para fora, mas são ignorados. Um fato tão importante quanto o poder de José Serra para imunizar ou demonizar na mídia quem ele quer deveria ser comentado exaustivamente, a fim de que sejam esclarecidas as razões que fazem a mídia obedecer  - ou seria temer? - tanto esse homem.
 
Há quem diga que Lula escolher um amigão do peito de Serra como Nelson Jobim para substituir Waldir Pires no ministério da Defesa, foi genial. Outros dizem que o presidente da República apenas capitulou ante o poder que o tucano tem sobre os meios de comunicação.
 
Escolha sua teoria. Eu prefiro, em vez de externar a minha, chamar a atenção das pessoas para a forma quase terna com que a mídia vem tratando Jobim. Depois de ele ter ido beijar a mão de Serra logo depois de assumir o cargo no governo Lula, a tendência da mídia vem sendo a de até levantar sua bola. É gritante a disparidade do tratamento dado a esse ministro e do que é dado a qualquer outro membro do governo federal.
 
Já que Lula não quer enfrentar a mídia e os tucanos, poderia seguir os passos de Jobim. O presidente poderia ir beijar logo a mão de Serra. E não estou sendo (muito) irônico, não. O presidente teria três anos e meio de sossego para governar. O país avançaria muito. Já imaginaram quanto o Brasil lucraria com o Congresso funcionando três anos e meio sem parar? Tudo de importante seria votado, a chuva de CPIs cessaria... Talvez até valesse a pena devolver o poder aos tucanos em 2010 a fim de que eles e sua mídia parassem com a sabotagem.
 
Com a benção de Serra, Lula evitaria a continuidade da venezuelização. E a interrupção desse processo pode ser até que compense o que teria que ser tirado daqueles que este governo está ajudando, ou seja, aqueles que a mídia diz que são menos cidadãos, os tais "menos instruídos e informados" que teimam em apoiar Lula.
 
Ah, eu disse lá em cima que não estava sendo muito irônico, não é? Bem... Eu menti.
 
*
 
Ah, a propósito da venezuelização, nem saí do Brasil e já descobri muita coisa sobre a situação da Venezuela. Foi através dos contatos telefônicos que mantive com aquele país nos últimos dias. Mas vocês terão que esperar até o fim de semana para eu escrever com calma. A sexta me será um inferno. Minha mesa, lá no escritório, da medo só de olhar. Assim, temas complexos terão que esperar até o fim de semana. Contudo, encontrarei assuntos relevantes para os posts que compuser até lá. Afinal, o que não falta nesta parte do mundo, é assunto. Infelizmente. Difícil deve ser a vida dos blogueiros da Suíça ou da Bélgica. Os do Brasil têm matéria-prima que lhes cai na cabeça minuto a minuto.


 Escrito por Eduardo Guimarães às 21h59
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Viagem à Venezuela
 
Estou nos preparativos de minha viagem à Venezuela, no próximo domingo, e tais preparativos estão me tomando muito tempo. Só para conseguir hotel em Caracas, foi uma tragédia. Os preços são exorbitantes e não encontrava vaga. Perdi três dias vasculhando a internet atrás de hotel. 
 
Hoje, vou deixá-los na mão, mas à noite volto a postar.


 Escrito por Eduardo Guimarães às 13h53
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O Globo sentiu o golpe
 
Luis Nassif, talvez o melhor jornalista da atualidade, em meu conceito, postou um comentário em seu blog (link ao lado) que fiz questão de comentar.

Leiam o post do Nassif e meu comentário.
 
*

A notícia órfã
 
Luis Nassif
 
Ontem o Ali Kamel publicou uma coluna na página de Opinião do “Globo”, “A grande imprensa”.
 
Sobre a cobertura do acidente da TAM, Kamel se defende: “A grande imprensa se portou como devia. Como não é pitonisa, como não é adivinha, desde o primeiro instante foi, honestamente, testando hipóteses, montando um quebra-cabeça que está longe do fim”.
 
“Testando hipóteses” é outro nome para falta de discernimento. Em qualquer cobertura competente, enquanto o quadro não está claro montam-se cenários de investigação, análise de probabilidade, linhas de investigação. Evitam-se afirmações peremptórias, e apela-se para a criatividade para produzir manchetes de impacto sem recorrer conclusões taxativas.
 
De cara, se poderiam alinhavar várias possibilidades para o acidente da TAM, que seriam o ponto de partida. Toda a cobertura seguiria esse roteiro, procurando checar a probabilidade de ocorrência de cada possibilidade ou delas combinadas. A partir daí, o Sr Fato se incumbiria de descartar algumas hipóteses e reforçar outras.
 
O “testando hipóteses” do Kamel consistia em bancar aposta total na Hipótese A. Dias depois, esquecer a Hipótese A e bancar toda a aposta na Hipótese B. Depois, na Hipótese C, até acertar. Mas não houve acerto. A resposta final – a degravação dos diálogos na cabine – eliminou todas as hipóteses anteriores.
 
E aí se entra no modelo de gestão da notícia adotado pelas Organizações Globo. De alguns anos para cá resolveu-se homogeneizar o entendimentos dos jornalistas em relação aos temas de cobertura. Esse papel doutrinário coube a Kamel.
 
Não sei qual é a experiência de Kamel no front da reportagem. Mas foram dois os resultados. Primeiro, acabou-se com a diversidade de enfoques, marca de jornalismo plural. Segundo, perdeu-se o sentimento da rua, o sentido da reportagem. Os repórteres passaram a subordinar a cobertura aos desígnios do “aquário”. Houve um divórcio dos pais – o “pai” “aquário” e a mãe reportagem – e o resultado deixou a notícia órfã.
 
Nem vale a pena comentar as acusações generalizantes e conspiratórias de Kamel, na seqüencia do artigo, contra os críticos da cobertura. Ele não está escrevendo para os leitores. Apenas se justificando para os donos da empresa.
*

enviado por: Eduardo Guimarães
Site: http://edu.guim.blog.uol.com.br

Nassif, discordo. Por que Kamel iria se desculpar para os Marinho se ele nada mais fez do que fizeram Folha, Estado, Veja, JB e todo o resto da grande imprensa? Nada disso. Kamel, impressionado com o sonoro não que uma maioria esmagadora dos brasileiros deu ao pedido da mídia para crucificarem Lula pelo acidente com o avião da TAM, um enorme não refletido pelas pesquisas, tentou justificar o injustificável. Mas a satisfação de Kamel é significativa. Mostra que a imprensa acusou o golpe que desferiu em si mesma.


 Escrito por Eduardo Guimarães às 20h50
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Dizem que Lula é burro...
 
Mas, nesta quarta-feira, em Manágua, na Nicarágua, perguntado por repórteres brasileiros sobre o lucro recorde dos bancos Bradesco e Itaú, o presidente respondeu de bate-pronto: "Enquanto [os bancos] estiverem dando lucro, não será nada. Pior seria termos que criar um Proer para ajudá-los. Aí, o prejuízo seria total..."
 


 Escrito por Eduardo Guimarães às 19h25
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Depois de Renan
 
Que tal nos anteciparmos ao PGMT (Partido Golpista da Mídia Tucana) prevendo seus próximos passos?
 
O crédito por este post é do leitor que se intitula simplesmente como Marcos, de São Paulo. Ele bem observou, em comentário ao post anterior, uma das razões principais pela qual Renan Calheiros - que, quando foi ministro de FHC, jamais foi incomodado pela imprensa - vem sendo pressionado a deixar a Presidência do Senado. 
 
O que acontece é que o cargo de presidente do Senado é estratégico. Colocá-lo em disputa, depois da queda de Renan, poderia resultar na eleição-surpresa de um sucessor menos alinhado com o governo, como supostamente seria o ex-deputado Severino Cavalcanti, eleito presidente da Câmara dos deputados em 2005 graças à oposição tucano-pefelista. A mídia e a oposição só não contavam com o fato de que Cavalcanti se mostraria mais governista do que qualquer petista. Então, derrubaram-no, pois sabiam quantos podres havia contra ele quando o ajudaram a ganhar a Presidência da Câmara.
 
Se a mídia e a oposição tivessem que escolher um alvo no Congresso para tentarem fragilizar a sustentação parlamentar do governo e impedirem a tramitação de projetos, certamente que o alvo não seria Renan. Por dois motivos: apesar da importância da Presidência do Senado, o terceiro na linha sucessória, em caso de impedimento do presidente da República, é o presidente da Câmara dos Deputados. O outro motivo é o de que é do presidente da Câmara a prerrogativa de aceitar ou não propositura de processo de impeachment do presidente da República.
 
Por que, então, Renan entrou na roda antes de Arlindo Chinaglia, presidente da Câmara? Ora, simplesmente porque as denúncias contra ele caíram no colo da mídia. Certa de que Renan cederia à pressão, ela e a oposição já tinham preparado o ataque a Chinaglia. Renan, entretanto, resolveu dificultar a vida midiático-oposicionista e está atrasando o ataque ao presidente da Câmara. Contudo, esse ataque sucederá o atual. Podem escrever.


 Escrito por Eduardo Guimarães às 14h47
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Como enfrentar a mídia
 
A observação crítica da mídia, a contestação à utilização dessa importante instituição contemporânea como arma política por facções político-ideológicas, precisa mudar de estágio. As pessoas que se recusam a ser política e ideologicamente manipuladas por jornais, rádios, tevês etc. precisam parar de se escandalizar, para o bem de seus fígados, corações e pressões arteriais.
 
Para quem ainda não entendeu por que nem bem a mídia constata que fracassou em desmoralizar o governo Lula e já se lança a nova tentativa - e, o que é pior, valendo-se dos mesmos artifícios que acabam de se mostrar inócuos -, é preciso explicar que, na impossibilidade de causar prejuízo maior ao governo petista, os meios de comunicação se contentam em manter o ânimo  antigovernista de seu público influenciável, dos setores da classe média que se dispõem ao papel de defensores dos interesses das castas "superiores" e de seus braços políticos, o PSDB e o PFL.
 
Além disso, a questão é, também, a de a mídia tentar preservar parte de seu poder de influir na organização político-institucional da sociedade. A mídia vende "proteção" ou serviço de jagunço a políticos, empresas, segmentos variados da sociedade. Precisa, pois, mostrar que tem poder de beneficiar ou de causar danos, conforme a necessidade do freguês.
 
O pensamento midiático funciona assim: "Se não conseguimos derrubar a popularidade de Lula, vamos derrubar Renan Calheiros da Presidência do Senado; se não conseguimos desmoralizar Lula nem derrubar Calheiros, vamos alimentar o discurso dos anti-Lula, dos 'anticomunistas', divulgando, por exemplo, que o governo 'stalinista' do PT deportou os boxeadores cubanos, enviando-os para a morte nas mãos sanguinolentas de Fidel Castro. E pouco importa que os próprios 'deportados' neguem isso. O que importa é martelarmos essa tese, impedindo contestações, de maneira que nossos propagandistas poderão ficar entoando nosso mantra".
 
Alguns me perguntam por que a mídia insiste em teorias como a de que o governo Lula matou 199 pessoas por não ter colocado "grooving" na pista de Congonhas ou a de que matou as 154 pessoas do acidente com o avião da Gol quando se sabe que é tudo mentira. A resposta é simples: ao se manter as acusações no ar, mesmo que não convençam os mais informados ou os mais sensatos, essa difusão insistente de mentiras põe combustível no discurso daquelas pessoas comuns que atuam como papagaios da mídia, que lhe repetem as frases mentirosas exatamente nos mesmos termos em que foram engendradas.
 
A crítica dos observadores da mídia a essa conduta deplorável dela, a denúncia incansável que tem sido feita desses estratagemas espúrios, tem funcionado: não estão conseguindo nem desmoralizar Lula nem derrubar Renan - que, talvez, mereça mesmo ser derrubado, mas não por esses métodos que têm sido empregados. Entretanto, estou cada vez mais seguro de que a veemência, os xingamentos, a indignação expressa em frases agressivas e na criação de epítetos como "imprensalão" - termo que vocês nunca me viram usar -, iguala os críticos da mídia a ela e aos seus bate-paus.
 
Nesse ponto, devo dar o braço a torcer ao presidente Lula. Aos ataques destemperados que recebe, mesmo quando reagiu estimulado pela cobrança de pessoas como eu de que reagisse, ele o fez com serenidade, elegância e até com bom humor. É por isso, também, que Lula se mantém tão popular.
 
Em qualquer disputa, mesmo numa simples briga, aquele capaz de se manter frio, de raciocinar em meio ao embate, leva uma grande vantagem sobre seu oponente logo de saída. Apesar de a denúncia da mídia vir sendo eficiente, se for feita de forma mais serena, menos emocional, é bem provável que venha a ser mais eficiente ainda. Vocês concordam?


 Escrito por Eduardo Guimarães às 13h16
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Comentários bizarros
 
Vocês devem estar notando que passei a publicar comentários que, no mínimo, podem ser qualificados como bizarros - além de insultuosos. São comentários do tipo que outros blogs não publicam.
 
Refleti muito e cheguei à conclusão que, enquanto o atingido for eu, passarei a publicar esse tipo de coisa, a fim de que fique claro o nível a que chegou o debate político neste país. E, além disso, as mentalidades doentias dessas pessoas constituem uma curiosidade que acredito que poderá constituir, algum dia no futuro, um importante elemento sociológico para estudos sobre o que passou neste início de século XXI num país chamado Brasil.
 
Não publicarei, no entanto, agressões e insultos aos meus leitores, ou seja, tudo aquilo que possa constituir crime de acordo com a legislação vigente. No meu caso é diferente. Estou no direito de admitir - ou não - insultos a mim, sem que esteja incorrendo em crime de responsabilidade. Além do quê, em determinado momento as agressões poderão me servir para ingressar com queixa-crime contra o agressor, se assim entender que deva ser feito.
 


 Escrito por Eduardo Guimarães às 08h41
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Meditar para melhorar
 
Hesitei antes de escrever tudo o que escrevi sobre minha vida. Expor assim meus dramas pessoais, meus sentimentos, oferecer-me à sanha de contrários possuídos pelo ódio...
 
Vários entre os mais de oitenta comentários (até o momento em que escrevo este post) sobre o que escrevi foram contrários a eu me expor dessa forma, a dar satisfação a questionamentos sobre quem, na verdade, é Eduardo Guimarães.
 
Tive que ler alguém chamando minha filha doente, uma criança inocente que padece de grave doença degenerativa, de "petralhinha". Tive que ler interpretações de que eu teria tido algum objetivo obscuro ao expor minha alma. Tive que ler alguém dizendo que tudo o que escrevi de íntimo ao impensável sobre alguém que não deve satisfações a ninguém (eu), era insuficiente.
 
Senti dor na alma. Não pelas agressões, mas diante da constatação de quão maus podem ser alguns membros de nossa espécie. Mas tudo isso foi contrabalançado, não só pelas palavras doces, carinhosas, humanas e solidárias da maioria de vocês, mas pelo bom senso que vários dos que discordam de mim tiveram ante o que escrevi. Ao menos não debocharam.
 
Aprendi muito ao fazer o que fiz. Percebi que não são a ideologia, as posições políticas que tornam alguém melhor ou pior, mas uma espécie de loucura temporária que flagela todos nós. Os que tiveram frieza suficiente para darem golpes baixos como os que vocês viram aqui, não são representativos da esquerda, da direita, do centro ou seja lá de que ideologia, posição política ou classe social for. As vilanias que foram cometidas são manifestações do lado escuro da alma humana.
 
Não, não se pode dizer que os que participam dessa militância direitista são todos capazes de baixezas como as que vocês viram aqui. Aliás, não estou certo nem de que essas manifestações de ódio e intolerância são culpa de seus autores. Essas pessoas talvez tenham sido levadas a esse tipo de comportamento por um ímpeto maligno de vencer o contrário a qualquer preço. E esse ímpeto não tem ideologia, partido político ou classe social, eu acho.
 
Fico me questionando sobre como tocar esses corações embrutecidos. Deve haver uma forma. E essa forma passa por nenhum de nós alimentar o ódio. Esse sentimento vampiresco, alimenta-se de si mesmo. O ódio alimenta o ódio.
 
Ninguém é totalmente mau. Será que não temos todos alguma culpa por esse estado de coisas? Será que se um Reinaldo Azevedo abrisse seus dramas pessoais, os que se opõem a ele não fariam a mesma coisa que certas pessoas fizeram aqui?
 
Penso que fariam. Vocês sabem que o Reinaldo está com um câncer? E houve quem fosse capaz de tripudiar sobre o mal que o acomete. É chocante.
 
Vejam, eu ou um Reinaldo Azevedo talvez sejamos culpados. A falta de equilíbrio que toma conta dele ou de mim às vezes, desperta essa maldade nas pessoas. Se ele ou eu tivéssemos capacidade de nos opormos àquilo de que discordamos com maior comedimento, talvez não fizéssemos alguns agirem como feras humanas.
 
Bem, já filosofei o suficiente. Estou cansado. Cansado mentalmente. Ler as boas e as más palavras, uma por uma, exigiu muito de mim. Agradeço de coração as boas e perdôo da mesma forma as más. E que Deus nos proteja... de nós mesmos.


 Escrito por Eduardo Guimarães às 21h59
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Isto é
Eduardo Guimarães
 
Tem gente curiosa sobre minha vida. Eles vêm aqui em busca de subsídios para me atacar. E, assim, tudo que eu disser sobre minha vida será fatalmente usado para esse fim. Se eu disser que sou empresário, dirão que tenho negócios com o governo Lula. Provavelmente deverei estar vencendo algumas licitações superfaturadas. Se eu disser que sou funcionário público, serei transformado, imediatamente, num "petista que aparelha o Estado".
 
Haverá alguma coisa que possa dizer sobre mim que não resulte em suposições condenatórias de minha pessoa? Poderei eu declarar alguma atividade que não coloquem sob suspeita? Esqueçam. Isso não acontecerá.
 
No entanto, falta meu currículo neste blog. E vocês têm direito de saber mais sobre aquele que lêem todos os dias. Os leitores mais antigos, já sabem da minha vida. Escrevi minha trajetória várias vezes. Mas, até que eu providencie um currículo fixo, que esteja sempre em evidência - o que só poderei fazer com a ajuda de meu consultor gratuito sobre informática, que é meu genro -, resumirei quem sou, de onde vim e o que faço para pagar minhas contas.
 
Nasci em São Paulo em 4 de dezembro de 1959, no mês e ano em que Fidel Castro ascendeu ao poder. Sou descendente de portugueses, franceses, árabes e índios. Fui criado por minha mãe e seus pais. Meu pai abandonou minha mãe ainda quando eu era um bebê, porque meu avô materno era um homem de algumas posses - era executivo da Mercedes Benz - e não colaborou com o golpe do baú que o homem que foi meu pai biológico tentou dar.
 
Tive a sorte de estudar nas melhores escolas de São Paulo - Dante Aligheri, São Luis, São Bento e Liceu Coração de Jesus. Mas, depois que meu avô faleceu, a situação financeira da família foi se deteriorando. Por isso e por uma outra razão, não cheguei a me formar. É que abandonei os estudos quando minha mulher, então minha namorada, engravidou. Tive, então, que começar a trabalhar. Com efeito, fui trabalhar como estoquista numa distribuidora de autopeças. Porém, continuei estudando por conta própria. Li tudo que podia. Passei noites, madrugadas, intervalos para o almoço, sábados, domingos, feriados estudando por conta própria. Mas sempre me dediquei, mais do que tudo, ao estudo dos Idiomas português e espanhol, minhas paixões.
 
Fui progredindo no trabalho. Mudei de emprego e tornei-me gerente de compras e de desenvolvimento de produtos de um grande atacadista de autopeças de São Paulo. Então, um dia, já proeminente no segmento de mercado em que atuava,  fui convidado por investidores para ser sócio deles numa empresa atacadista que fundaríamos. A empresa foi um sucesso. Contudo, eu almejava ser único dono de meu negócio. Como na empresa da qual era sócio - uma empresa que chegou a ter 40 funcionários - mantinha contato com importadores de toda América Latina, vendi minhas cotas para meus sócios e fundei, com minha mulher, uma comercial exportadora.
 
À essa altura, eu já tinha três filhos com a Cristina. Tinha duas meninas e um menino: Carla, Gabriela e André Luis, que nasceram, respectivamente, em 1982, 1986 e 1988.
 
- continua abaixo -


 Escrito por Eduardo Guimarães às 00h40
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- continuação -
 
A vida, então, me sorria. Finalmente era dono do meu nariz e estava financeiramente estabilizado, pois tinha uma empresa rentável que exportava para vários países e tinha uma estrutura enxutíssima. Comecei a viajar pela América Latina e pela Europa. Eu tinha muito mais do que um homem simples como eu poderia querer. E, para completar nossa felicidade, Deus nos Abençoou com uma quarta filha, Victória. Ela nasceu em 1998. Pela primeira vez assisti a um parto de minha mulher. Foi a experiência mais linda, mais tocante, mais sublime de minha vida.
 
Em 2000, minha primogênita engravidou do namorado e eles se casaram. No ano seguinte, nasceria minha neta adorada, Letícia Maria.
 
Passaram-se três anos. Minha Victória, minha quarta filha, nascida dez anos depois do terceiro filho, até então uma criança linda, gorda, com a pele mais branca que eu já vira - mais do que a da mãe -, com seus olhos enormes, cabelos castanho-claros todos cacheados, de repente parou de falar e foi parando de andar. E começou a ter convulsões epilépticas. O resumo da ópera é que descobrimos que ela tinha paralisia cerebral - ou, se quiserem o nome científico do mal com que ela nasceu, tinha Síndrome de Rett, uma doença que só afeta meninas.
 
Naquele mesmo ano, a Argentina mergulhou numa crise trágica. Eu vendia muito aos argentinos e, por conta da crise, perdi todo meu capital de giro, pois meus clientes no país com o qual mais fazia negócios, quebraram quase todos. 
 
Tudo isso aconteceu no mesmo fatídico ano, 2001.
 
Tentei manter o negócio ativo até o ano passado, mas não havia mais como. Atolado em dívidas, mal conseguia sustentar o básico em minha casa. Nem as terapias da Victoria estava podendo pagar. Então tive que conseguir um emprego. Hoje sou gerente de exportação de uma indústria no interior de São Paulo. Porém, meu salário não cobre nossas despesas, pois a manutenção das terapias de minha Victoria nos custa muito caro.
 
Atualmente, estou tendo que passar apenas quatro dias por mês com minha família. O resto do tempo, ou estou no interior, trabalhando na fábrica, ou estou no exterior, percorrendo esta América Latina de veias abertas para tentar custear o básico para minha família, ainda que meus filhos solteiros, Gabriela e André, tentem ajudar, como lhes é possível, com o trabalho deles.
 
Esse que descrevi é Eduardo Guimarães, o "petista" que jamais chegou a quilômetros de um partido político, o homem que jamais teve qualquer espécie de ajuda do Estado brasileiro, nem para pagar estudo dos filhos, nem para tratar sua filha gravemente doente, e que se dedica a tentar prestar um serviço à sociedade com este blog, pelo menos no seu entendimento.
 
Agora ficarei aqui esperando as ilações daqueles que passam por cima da verdade e da justiça para tentarem fazer prevalecer a mentira e a injustiça, que, à revelia de meus dramas pessoais, combaterei com cada célula deste corpo que os anos e a dor de pai de uma inocente que tanto sofre já começam a debilitar. Divirtam-se, caluniadores. Mas lembrem-se de que, acima de vocês, há um poder maior.


 Escrito por Eduardo Guimarães às 00h39
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De Serra para Sampa
 


 Escrito por Eduardo Guimarães às 13h32
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Mérito de vocês
 
Folha de São Paulo - 6 de agosto de 2007 - Opinião - página A2
 
Ecos da Popularidade
 
Fernando Rodrigues
 
BRASÍLIA - Os petistas estão impossíveis. Ontem, até o início da tarde, já havia recebido 33 e-mails citando a pesquisa Datafolha sobre popularidade de Lula -48% de aprovação, sem abalo pela crise aérea. Todos os leitores criticavam a mídia. Fonetizavam com gosto o gesto obsceno de Marco Aurélio Garcia -o "top, top, top".
Em Brasília, o ato contra o apagão aéreo reuniu 50 gatos-pingados no sábado. Queriam gritar "fora Lula". Pela exigüidade de adesões, o efeito final resultou em um "fica Lula".
Faltam ainda cerca de três anos e meio para o petista encerrar sua passagem pelo Palácio do Planalto.
Impossível prever como será essa parte final de sua administração.
Ou, como poderiam dizer os tucanos, o problema do vaticínio é que depende do futuro. Ainda assim, por enquanto, Lula tem destruído a tese segundo a qual "o segundo mandato é sempre pior do que o primeiro". Essa máxima se transformou numa lenda urbana sem conexões com a realidade lulista.
Os números preliminares da economia têm uma tendência de superar com folga os do primeiro mandato. Como se sabe, política e economia andam de mãos dadas.
O apagão aéreo lulista pega 8% da população (os usuários declarados de avião), contra 100% dos brasileiros atingidos no blecaute energético de FHC em 1999 e 2000.
Dois fatores podem atrapalhar Lula daqui até 2010, quando o petista tentará fazer seu sucessor. Primeiro, a maldição da falta de energia, repetida quase diariamente pela oposição e até por parte dos governistas. O outro ponto fora da curva seria uma desaceleração além do esperado na economia mundial, afetando assim também o Brasil.
Tudo imprevisível. A se reproduzir o cenário atual na sucessão, Lula terá amplas condições de manter o lulismo no Planalto. Não se sabe ainda com quem.
Ou, mais importante, para quê.


 Escrito por Eduardo Guimarães às 08h54
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Sou classe média

 

por Max Gonzaga e banda Marginal


Sou classe média
Papagaio de todo telejornal
Eu acredito
Na imparcialidade da revista semanal
Sou classe média,compro roupa e gasolina no cartão
Odeio "coletivos" e vou de carro que comprei a prestação
Só pago impostos,
Estou sempre no limite do meu cheque especial
Eu viajo pouco, no máximo um
Pacote CVC tri-anual
Mas eu "tô nem aí"
Se o traficante é quem manda na favela
Eu não "tô nem aqui"
Se morre gente ou tem enchente em Itaquera
Eu
quero é que se exploda a periferia toda
Mas fico indignado com o Estado
Quando sou incomodado
Pelo pedinte esfomeado
Que me estende a mão
O pára-brisa ensaboado
É camelô, biju com bala
E as peripécias do artista
Malabarista do farol
Mas se o assalto é em "Moema"
O assassinato é no "Jardins"
E a filha do executivo
É estuprada até o fim
Aí a mídia manifesta
A sua opinião regressa
De implantar pena de morte
Ou reduzir a idade penal
E eu que sou bem informado
Concordo e faço passeata
Enquanto aumento a audiência
E a tiragem do jornal
Porque eu não "tô nem aí"
Se o traficante é quem manda na favela
Eu não "tô nem aqui"
Se morre gente ou tem enchente em Itaquera
Eu
quero é que se exploda a periferia toda
Toda tragédia só me importa
Quando bate em minha porta
Porque é mais fácil condenar
Quem já cumpre pena de vida
Sou classe média



 Escrito por Eduardo Guimarães às 13h21
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Top top top para todos
 
A semana passada terminou nefasta para a mídia. Uma sucessão de fatos colaborou para colocar, talvez, o último prego no caixão da credibilidade dos meios de comunicação. E esse fato é trágico para qualquer sociedade que pretenda civilizar-se, pois uma mídia crível é instrumento de balizamento do debate político, ideológico e institucional de qualquer sociedade moderna. Contudo, se o Brasil está perdendo esse instrumento tão imprescindível, a culpa é do preconceito, da arrogância e da ganância de um grupo social que mantém o Brasil como o campeão mundial da desigualdade em países em nosso estágio de desenvolvimento. Refiro-me a uma elite diminuta, cruel, egoísta e hegemônica nos meios de comunicação, que vive perguntando a quem pessoas como eu se referem quando usam o termo "elite".
 
Os fatos que desmoralizaram a mídia de forma contundente na semana que passou, são os seguintes:
 
1º - Ficou provado que houve tentativa da oposição de lucrar com a tragédia que foi o desastre do dia 17 de julho com o avião da TAM. As acusações da mídia ao governo Lula que começaram a ser feitas minutos após o desastre, no sentido de que esse governo teria assassinado as vítimas por não ter mandado pôr "grooving" na pista do aeroporto de Congonhas, cairam por terra quando se descobriu que a tragédia deveu-se a defeito do avião ou a falha dos pilotos. E para aumentar a desmoralização midiática, contribuiu o fato de que jornais, telejornais, rádios, editoriais, colunistas, cartas de leitores e um punhado de manifestantes de classe média alta continuaram insistindo na tese de que Lula havia matado 199 pessoas mesmo a despeito de os fatos estarem mostrando que aquilo não era verdade.
 
2º - As vaias que o presidente Lula recebeu na cerimônia de abertura dos Jogos Panamericanos no Maracanã foram apresentadas como indícios de que sua popularidade estaria se esvaindo de forma generalizada na sociedade brasileira. Nem as ponderações de pessoas como eu, de que o público que pagou por ingressos que iam de R$ 100 a R$ 250  era um público de classe média alta que de forma alguma representava o conjunto da sociedade, sensibilizaram a mídia. E muito menos os fortes indícios de que aquelas vaias haviam sido orquestradas pelo prefeito pefelista Cesar Maia fizeram a mídia refletir que tentar faturar politicamente aquele caso seria um tiro no pé.
 
3º - O gesto de indignação do assessor especial da Presidência da República para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia, o tal "top top top", feito por ele dentro do Palácio do Planalto quando a Globo noticiou os primeiros indícios de que eram no mínimo imprecisas as acusações de que Lula havia assassinado 199 pessoas por não ter mandado colocar "grooving" na pista de Congonhas, pois o reversor de uma das turbinas do Airbus A-320 da TAM estava inoperante, se contrapôs ao escândalo do vídeo do You Tube que está se disseminando pela internet, no qual o diretor da Globo Boninho, alguém responsável por decidir o que milhões de brasileiros assistirão, confessa que "a-do-ra" atirar ovos podres em "vagabundas" em São Paulo. Essa contraposição tornou-se mais escandalosa diante da constatação de que o moralismo da Globo de reproduzir incessantemente o "gesto obsceno" de Garcia nos telejornais da emissora não funciona quando a obscenidade é praticada por alguém "da casa". Aliás, quem quiser assistir o vídeo poderá fazê-lo acessando o seguinte endereço:
 
 
4º - A greve dos controladores de vôo infernizou os aeroportos brasileiros e a classe média e foi tratada pela mídia como resultado de incompetência do governo Lula, mas a greve dos metroviários de São Paulo foi tratada por essa mesma mídia de forma a culpar a oposição petista ao governador de São Paulo, José Serra, responsável pelo metrô paulistano.
 
- continua abaixo -
(por favor, comente no post abaixo)


 Escrito por Eduardo Guimarães às 11h36
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- continuação -
 
No último domingo (5/8), a Folha de São Paulo noticiou em sua primeira página pesquisa Datafolha que revelou o que pesquisa do instituto Vox Populi, publicada muitos dias antes pela revista Carta Capital, já havia mostrado, que a crise aérea e acidente com o avião da TAM não afetaram a aprovação de Lula.
 
Além do fato de só os cegos não perceberem que a cada novo ataque da mídia a Lula sobrevem uma pesquisa para verificar se o objetivo do ataque foi alcançado, a má-fé do texto sob a manchete supra mencionada mostra que a mídia continua não entendendo que atuar como sua congênere venezuelana faz em relação a Hugo Chávez produzirá por aqui a mesma situação de divisão da sociedade que há na Venezuela. O texto sob a manchete da Folha diz o seguinte:
 
"O maior acidente aéreo do país e a crise na aviação que se estende há mais de dez meses não afetaram a popularidade do presidente Lula. Pesquisa do Datafolha feita duas semanas após o desastre com o Airbus da TAM, que matou 199 pessoas, mostra que 48% dos brasileiros consideram que o governo Lula continua ótimo ou bom"
 
Ou seja: para a Folha - e para o resto da grande imprensa -, apesar de Lula ter assassinado 199 pessoas os tarados que compõem a maioria dos brasileiros não se sensibilizaram e não passaram a desaprovar o presidente e seu governo. A mídia continua derramando essa versão sobre o país independentemente de todos os fatos virem mostrando que ela é mentirosa. A mídia considera que este é um país de idiotas, retardados, incapazes de somar dois mais dois. Vejam só que, em relação ao desastre com o avião da Gol no ano passado, os meios de comunicação, os colunistas, os editorialistas, enfim, os temíveis formadores de opinião continuam afirmando, sem ruborizar, que Lula também matou as 154 vítimas daquela tragédia. Isso apesar de ser público e notório que os americanos que pilotavam o jatinho que se chcou com o Boeing da Gol haviam desligado equipamento vital para segurança da aeronave, o transponder, que, se ligado, teria evitado o desastre.
 
Já escrevi isso dezenas de vezes: a elite brasileira, tão bem retratada nas passeatas dos "cansados" e no vídeo do You Tube que mencionei neste artigo, valendo-se do controle que exerce sobre a mídia está venezuelizando o país. Já começamos a ter as passeatas de dondocas e dondocos "cansados" exatamente como aconteceu na Venezuela até que a maioria real do país, os que sofrem com a desigualdade, decidiu sair às ruas para um confronto do qual correu sangue inocente. E tudo à tôa, porque a elite venezuelana não conseguiu seu intento (depor Hugo Chávez). Por tudo que relatei, imploro à imprensa e à elite que aceite a decisão do povo brasileiro e espere até 2010 para tentar voltar ao poder. Do contrário, o gesto "obsceno" de Marco Aurélio Garcia, o "top top top", valerá para todos nós.
 


 Escrito por Eduardo Guimarães às 11h36
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Datafolha
 
Minha explicação para a pesquisa Datafolha ter revelado que popularidade do governo Lula permaneceu incólume a despeito das acusações de que esse governo teria assassinado as 200 vítimas do desastre com o avião da TAM por não ter mandado pôr "grooving" na pista do aeroporto de Congonhas é a de que a maioria dos brasileiros não viu verossimilhança nessa teoria.
 
Entendo que a ampla maioria dos brasileiros percebeu que houve tentativa da oposição de lucrar com a tragédia. E essa percepção solidificou-se depois que veio à tona que a tragédia deveu-se a defeito do avião ou a falha dos pilotos, o que desnudou a tentativa dos adversários do presidente Lula de obterem lucro político às custas dos cadáveres de Congonhas.
 
Houve, sim, um recuo (modesto) da aprovação do governo no topo da pirâmide social, pois esse estrato está mais exposto à mídia, que reverberou furiosamente a teoria de que Lula matara 200 pessoas. Contudo, esse setor da sociedade, apesar de barulhento - por dispor de hegemonia na mídia -,  pouco influi na contabilidade da opinião majoritária dos brasileiros.
 
Também contribuem para a popularidade do governo os seguintes fatores: criação recorde de empregos formais; maior redução da pobreza e da desigualdade nos anos Lula, conforme o Ipea; forte combate à corrupção pelo atual governo através da Polícia Federal, o que contraria as acusações da oposição e da mídia de que este seria "o governo mais corrupto da história".
 


 Escrito por Eduardo Guimarães às 09h41
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