Expectativas
 
Em vista de alguns comentários que andei lendo, julgo necessário conter algumas expectativas meio exageradas sobre o que provavelmente deverá ocorrer em frente à Folha no próximo dia 15.
 
Posso estar enganado, mas, para começar, acho que quem estiver no prédio do jornal vai fazer de conta que nos ignora. Evidentemente não será tão fácil. Haverá um número reduzido de manifestantes, mas acho que o suficiente para ser muito bem notado.
 
Pelo que sei, pouco mais de uma centena de pessoas iria. Digo isso baseado no que tenho de confirmações para aqueles que aqui se manifestaram e convidei para o ato da semana que vem.
 
Claro que cada uma dessas pessoas poderá levar alguém e isso poderia aumentar o número de manifestantes, mas sei também que, na hora H, muita gente desistirá.
 
Ninguém de bom senso pode imaginar que um blog de um desconhecido conseguiria levar milhares para uma manifestação. Mas, claro, estou no terreno das hipóteses. Surpresas acontecem...
 
E tem mais: nosso Movimento não conta com financiamentos de empresas transnacionais, de milionários e de artistas famosos. Tevê e jornais sequer deram bola para o que estamos fazendo. Aliás, a maioria acho que nem está sabendo.
 
Talvez a Folha tenha tomado conhecimento do e-mail que enviei comunicando o ato do dia 15. Talvez... E avisei, também, o Observatório da Imprensa. Também sei que há gente na Folha que lê o Azenha.
 
Então, meus amigos, fé em Deus e pé na tábua. Vamos, os que estamos juntos, transformar nossas queixas por escrito em palavras ditas em alto e bom som.


 Escrito por Eduardo Guimarães às 20h07
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Por elas
 
 
 
 
Estou tão agradecido pelo apoio que recebi, que, para retribuir, decidi dividir com vocês uma parte do tesouro que é minha família.
 
Essas, acima, são minhas filhas adoradas Carla e Gabriela.
 
Ainda tenho o André e a Victoria, e minha neta, Letícia Maria. E, claro, minha amada mulher, Cristina. Mas essa parte da família é mais tímida, ainda que as meninas não tenham propriamente autorizado o uso de suas imagens.
 
Digam-me a verdade: não dá, no sujeito, uma vontade danada de viver e de lutar por um país melhor sendo pai de umas coisas lindas dessas?
 
Elas são minhas companheiras, minha amigas e, tanto quanto eu, almejam um país melhor, uma sociedade mais justa, mais generosa, em que ninguém seja discriminado de maneira alguma.
 
Aliás, uma dessas moças, a da esquerda, minha primogênita Carla, prometeu-me que estará com seu marido na Manifestação.
 
Em breve, volto com mais providências para o sábado que vem. Valeu.
 


 Escrito por Eduardo Guimarães às 15h29
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Devolva a Folha

 

Alguém fez uma sugestão nos comentários do post anterior (Manifesto – 3ª versão) que achei interessante, apesar de discordar de um comentário do autor. Vejam o que escreveu um leitor do Rio de Janeiro que se identifica como Augusto:

 

“(...) o alvo tem que ser atingir a credibilidade do jornal [Folha]. Depois da entrega do manifesto, após um tempinho, poderíamos fazer uma cerimônia de devolução do jornal. Quem tiver algum exemplar da Folha, pode levar e entregar na portaria”

 

Discordo do Augusto em que "o alvo tem que ser atingir a credibilidade” da Folha: o jornal já teve sua credibilidade atingida. Não é nosso papel “atingir” ninguém. Não estamos lutando contra ninguém, estamos lutando a favor da seriedade jornalística.

 

Mas a idéia da devolução de um exemplar da Folha me parece válida.

 

É o seguinte, gente, para não complicar: quem quiser levar um exemplar da Folha e empilhá-lo junto com quantos pudermos levar na hora em que entregarmos o Manifesto, estará fazendo o mesmo que farei.

 

É uma questão de foro íntimo. Se você gostou da idéia, devolva a Folha que você comprar no dia 15 de setembro para seu “fabricante”, a empresa  Folha da Manhã. Assim como se faz quando se compra qualquer produto e ele tem... defeito.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 13h29
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Classe média progressista
 
É impressionante a solidariedade que tenho recebido. Já tenho a colaboração para a confecção de parte das faixas e para as medidas legais para viabilizar a manifestação. De minha parte, farei outras faixas e adotarei parte das providências legais.
 
Agora só precisamos de nós mesmos. Um megafone e umas faixas e mostraremos que somos cidadãos que não recebem Bolsa Família, que não são "desinformados" ou "ignorantes", que não são filiados a partidos, mas que, assim mesmo, não concordam com o golpismo da direita midiática.
 
Pouco importa o que digam de nós, se é que não esconderão que uma manifestação aconteceu diante do maior jornal do país em protesto contra o golpismo e o partidarismo da imprensa. Diremos nossas razões civilizadamente, e elas só poderão ser derrotadas se forem escondidas. Se nos derem voz, provaremos, por A mais B, a justiça de nossas queixas.
 
Difícil a situação "deles"...
 
Eu quero dizer a vocês que estou surpreso, até aqui. Jamais me passou pela cabeça que seria possível mobilizar tanta gente a partir de um bloguinho como este, mas, repito, até aqui parece que está sendo possível. E isso é um fato sociológico. Está acontecendo algo aqui que pode suplantar nossos devaneios mais otimistas.
 
Depois de séculos, finalmente um dos setores mais silenciosos da sociedade está mostrando sua face independentemente de partidos ou de corporações. A classe média só foi de esquerda e de centro-esquerda, assumidamente, durante o regime militar. Quantos seremos os que reprovamos essa barbaridade que a mídia está fazendo com o país?
 
Dizem que a classe média, no Brasil, está, majoritariamente, com a direita. Começo a duvidar disso.
 


 Escrito por Eduardo Guimarães às 20h25
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Faixas
 
Neste fim de semana, compilarei vossas sugestões para as faixas e divulgarei os textos.
 
Acredito que não precisaremos de muitas. Em minha opinião, umas quatro ou cinco estariam de bom tamanho.
 
Será que alguém se encarregaria de mandar fazê-las na semana que vem? Algumas pessoas haviam dito que estariam dispostas a se encarregar do assunto.
 
Também quero lhes recomendar que, a partir de amanhã, visitem o blog todos os dias, porque passarei a divulgar informações importantes. Falta pouco tempo.
 
Conto com vocês que estão em São Paulo ou que acham que podem vir até aqui.
 
Vejam só os "cansados". Apesar de tudo, mobilizaram-se. Dizem que, nas sociedades, ganha quem tem capacidade de mobilização. Esse é o problema do povão: jamais se mobiliza.
 
Coragem, gente! Se não nos mexermos, depois não adianta reclamar. Conto com vocês e aguardo vossos comentários.
 


 Escrito por Eduardo Guimarães às 16h06
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Por que a Folha


Se alguém precisava de motivos para a Manifestação em frente da Folha de São Paulo no próximo dia 15, depois deste post não precisará mais.

Todos os dias, aquele jornal, que se tornou um apêndice da Veja, publica uma enxurrada de críticas partidarizadas que poderiam, muito bem, ser de autoria do PSDB. Mas, na coluna de Clóvis Rossi de ontem (quarta), uma teoria anti-Lula, de tão cara-de-pau, me tirou o bom humor, se é que ainda tenho algum.

Vejam o texto sem-vergonha desse sujeito e, depois, vejam a carta que enviei ao jornal. E entendam por que propus que começássemos por esse veículo.
*

"Folha de São Paulo - 6/9/07 - Opinião - página A2

CLÓVIS ROSSI

Absolvição, imagem e conteúdo

SÃO PAULO - Ao editorial "Dimensão paralela", em que a Folha disseca o mundo da fantasia em que vive o presidente Lula, faltou acrescentar um elemento: é falsa como nota de R$ 3 a tese presidencial de que ele foi absolvido do escândalo do mensalão pelo simples fato de ter sido reeleito.

Aliás, coube ao próprio PT destruir a tese ao aprovar proposta de investigação da privatização da Vale, operada no governo Fernando Henrique Cardoso. Como todo mundo sabe, a privatização se deu no primeiro mandato de FHC. Como ele obteve um segundo mandato, foi absolvido, segundo a teoria "lulista".

Aliás, até mais absolvido do que o próprio Lula se acha, na medida em que se reelegeu no primeiro turno, contra um peso-pesado (o próprio Lula), ao passo que o atual presidente teve que submeter-se a um segundo turno, contra um peso-leve como era Geraldo Alckmin.

Nada contra investigar a privatização da Vale (ou todas). Tudo contra teorias fraudulentas. Por falar em investigações, é complicada a tese do novo diretor-geral da Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa, de que vai doravante priorizar o conteúdo em vez da imagem. Por mais que Corrêa negue, o fato é que sua frase detona o período de Paulo Lacerda, seu antecessor, durante o qual foram feitas 412 ações de grande repercussão e presas 6.411 pessoas.

Em um país mais ou menos civilizado, Lacerda teria a obrigação de demonstrar que sua ação não foi apenas imagem. Teria que dizer quantos dos mais de 6.000 presos foram condenados ou em que estágio está o processo, se há processo, se estão soltos ou não.

Levantamento recente da revista 'Veja' mostrou que quase ninguém ficou na cadeia, passado o espalhafato das operações.

A PF deve pois ao público a demonstração de que imagem não é nada, conteúdo é tudo."

Minha carta
 

"Clóvis Rossi, em sua coluna de quarta-feira (5/9), deixa ver por que chegou tão longe no jornalismo. É muito esperto para alguém que lida com um publico como o leitorado da imprensa paulista, em grande parte robotizado e teleguiado por ter delegado à mídia a própria capacidade de pensar.

Rossi diz ser falsa a tese de Lula de que foi absolvido do escândalo do mensalão pelo povo por ter sido reeleito. Pela ótica do colunista, se a reeleição de um político que sofreu acusações (sem provas) de corrupção pode ser considerada absolvição popular, então FHC também foi absolvido pelo povo da acusação de ter privatizado a Vale do Rio Doce por preço subfaturado.

Para o leitor sem conexões neurais ativas, a teoria rossiana faz todo sentido do mundo. Para quem não terceirizou o ato de pensar, porém, surge uma pequena dúvida: quão consciente está o povo hoje das acusações da imprensa e da oposição a Lula de que ele seria o mentor intelectual do mensalão e quão consciente esse povo estava das acusações de venda do patrimônio público "no limite da irresponsabilidade" tucana?

Se a privataria foi denunciada à sociedade pela mídia como foi o suposto mensalão, ocupando as páginas dos jornais  (freqüentemente, as primeiras páginas) todos os dias, os telejornais todos os dias, as revistas semanais todas as semanas, os portais da grande imprensa na internet ininterruptamente, assinarei embaixo da tese de Rossi.
 
Eduardo Guimarães"


 Escrito por Eduardo Guimarães às 12h18
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Legalizar a Manifestação
 
Comunico a vocês que, para legalizar a Manifestação de 15/09, tomarei, no próximo sábado, as seguintes providências
 
  1. Avisar a delegacia de polícia da área onde ocorrerá a manifestação
  2. Avisar o batalhão da PM  da área onde ocorrerá a manifestação
  3. Avisar o departamento de trânsito.
Se eu não conseguir fazer tudo no sábado e alguém de São Paulo tiver como tomar alguma dessas providências no decorrer da semana que vem, seria ótimo porque, como vocês sabem, entre segunda e sexta-feira trabalho no interior de São Paulo. O ideal seria alguém avisar o Detran.
 
De qualquer maneira, se ninguém tiver condições, terei que dar um jeito.
 
 
 
 


 Escrito por Eduardo Guimarães às 10h31
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De vocês vem a força
 
Foi com respeito, consideração e gratidão que recebi vossas sugestões sobre o Manifesto que escrevi hoje. Todas as sugestões estão sendo analisadas e irei atualizando o post daquele texto conforme for fazendo as alterações.
 
No próximo fim de semana, dedicar-me-ei a esculpir melhor o texto, pois é disso que se trata escrever. Um bom e velho amigo, lingüista de uma universidade federal, enquanto ministrava-me sua arte de manusear as palavras, fazia-me entender que escrever equivale ao ofício de escultor: você apara aqui, apara ali, emenda lá e vai produzindo aquilo que, à sua mente e coração, parece mais próximo da inatingível perfeição.
 
Para facilitar o vosso acompanhamento do processo de formularmos o Manifesto mais eloqüente que consigamos com nossas dezenas de "mãos", adotei o seguinte procedimento. Sob o título do Manifesto figurará, até a versão final, o número por extenso da versão mais atual. Neste momento, no post anterior ao anterior a este, figura a segunda versão.
 
Como o texto é longo, achei melhor assim para não ficar reproduzindo trabalho tão extenso várias vezes.
 
Porém, inevitavelmente, partes do manifesto - e, logo, o texto inteiro - começarão a desaparecer no fim da página. Quando se chegar a esse ponto, ter-se-á que clicar no link [ver mensagens anteriores] para acessá-lo todo ou a qualquer de suas partes. O mesmo vale para qualquer outro post.
 
Quero confessar a vocês que sinto uma enorme responsabilidade para com vosso apoio, para com vossa fé, para com vosso desprendimento de se engajarem numa atitude que todos ansiávamos por dar, mas que não sabíamos como. Os leitores mais antigos se lembram de como "testei hipóteses" aqui. Certa vez, propus que nos cotizássemos para publicar matéria paga em jornais. E se lembram de como desisti miseravelmente.
 
Faz meses que toquei no assunto dinheiro aqui pela primeira vez. Logo, apareceu alguém dizendo que "estava demorando" para eu "pedir dinheiro". O fato é que caí na armadilha dos que não querem que tomemos uma atitude. Cedendo ao constrangimento, aos pudores, não tomei aquela atitude, ainda que fosse mesmo muito idiota.
 
De uma maneira ou de outra, estamos caminhando para essa utopia que temos de uma mídia justa, plural, honesta, que seja usada para promover o interesse de todos e não, tão somente, o dos estratos superiores da pirâmide social. E, como perguntou o monumental uruguaio Eduardo Galeano, para que servem as utopias se quanto mais nos aproximamos delas, mais elas se afastam no horizonte? A resposta, é a de que as utopias servem para nos fazer... caminhar.
 
Boa noite a todos. Volto a postar assim que descansar um pouco este cérebro já não tão jovem, talvez progressivamente menos eficiente, mas, certamente, cada vez mais experiente.


 Escrito por Eduardo Guimarães às 21h30
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Novos passos
 
Quero agradecer a todos o apoio ao Movimento dos Sem-Mídia e pedir desculpas por não estar tendo condições de responder a cada um dos muitos comentários e e-mails que estão sendo enviados. É que estou no trabalho e são dezenas e dezenas de mensagens chegando por hora.
 
No post anterior, vocês encontrarão o protótipo do Manifesto. Quem quiser fazer sugestões, tem até dois dias antes da manifestação para fazê-las. Levarei apenas um manifesto e uma cópia que servirá de protocolo da entrega à Folha. 
 
Já recebi a informação de que terei que fazer comunicação da Manifestação à Polícia Militar 48 horas antes de que aconteça. Entrarei em contato com a pessoa que me forneceu a informação para obter maiores detalhes e me encarregarei de fazer a comunicação.
 
Os depósitos das contribuições para a compra do megafone estão chegando e creio que logo teremos o suficiente. Depois disso, não haverá mais nada em que gastar. Somente peço a alguém que leve faixas, porque para confeccioná-las não terei tempo. Publicarei os textos das faixas aqui, com base nas sugestões que foram feitas.
 
Na noite desta quarta-feira tentarei responder as mensagens mais urgentes. Quem não receber resposta, peço que compreenda a dificuldade em responder a tanta gente. Mas não faltará oportunidade...
 
Estamos caminhando. É emocionante. Muito, muito obrigado pela fé, pelo apoio e pela coragem de todos. Finalmente alguém tomará alguma atitude. E o melhor é que seremos nós.
 
PS: por favor, peço que os comentários sobre o manifesto sejam postados no último segmento, para facilitar minha vida na leitura e eventuais respostas.


 Escrito por Eduardo Guimarães às 12h53
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Comentários do Manifesto

(1ª e 2ª versões) 

 

 



 Escrito por Eduardo Guimarães às 10h55
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Entraves iniciais
 
 
Pessoal, hoje foi um caos. Devido à queima do roteador que distribui a internet para a rede do escritório, fiquei um dia inteiro sem poder acessar este blog, os comentários e meus e-mails. O post anterior, comunicando o problema, foi publicado por minha filha de lá do trabalho dela. Resultado: quase uma centena de comentários retidos, que tive que ler um por um antes de escrever isto. E, depois, mais de duzentos e-mails.
 
É o seguinte: preciso da ajuda de vocês. Como sabem, eu trabalho a cem quilômetros de minha casa e durante a semana não tenho tempo. No próximo sábado, vou comprar o megafone. Hoje, terça-feira, quando terminar de escrever isto, escreverei a todos os que se dispuseram a colaborar para que enviem algum valor, que não lhes faça falta, para a compra do aparelho. Se todos os que se propuseram a colaborar efetivamente colaborarem, sairá uma bagatela para cada um, coisa do preço de um sanduíche. Mas precisa ser antes de sábado.
 
Quanto às faixas, não sei se conseguiremos coordenar a tempo. Assim, sugiro que cada um faça o que puder. Não precisaremos de muitas, porque, até agora, estamos por volta de cento e poucas confirmações de presença. Só peço que tomem cuidado com o português e que evitem insultos e frases muito longas. Vou postar algumas sugestões aqui, levando em conta as sugestões que já foram feitas.
 
Fora isso, não precisaremos de mais nada além de nós mesmos.
 
Algumas pessoas disseram que a manifestação precisa de autorização da Prefeitura e da Polícia Militar, e outros disseram que não precisa, que é preciso apenas avisar a Prefeitura. Não concordo. Um grupo de cidadãos irá se reunir pacificamente numa rua e acho que não podem nos impedir. Além disso, não terei como dar esse aviso à Prefeitura. Se alguém de São Paulo puder checar isso direito, seria uma grande ajuda.
 
Depois da manifestação, precisaremos conversar. Conheço o lugar perfeito para isso. Daí, pessoalmente, poderemos nos entender melhor sobre os próximos passos. Estamos desordenados conversando aqui pelo blog, porque cada um acessa numa hora diferente e não temos como dar passos rápidos assim. E quero lembrar que temos apenas mais dez dias. Assim, não há como ficarmos sofisticando muito.
 
Também peço a compreensão de vocês quanto aos e-mails que estão me enviando. Não tenho condições de responder particularmente. É muita gente. Só responderei ao que for indispensável. Peço que todos entendam que cada um tem uma idéia na cabeça, mas não há condições de debatermos ponto por ponto. Há quem queira mudar o panfleto, o manifesto, alterar termos, propor nomes para o movimento, propor uso de camisetas etc. Não temos como fazer isso. Ninguém aqui se conhece. E se não dermos esse primeiro passo, jamais nos conheceremos. Peço, pois, que conversemos detalhes quando estivermos juntos.
 
Há gente vindo aqui querendo nos demover do nosso objetivo, querendo nos assustar, querendo que não vingue nossa reação. É sempre assim. Para fazermos o que pretendemos, será preciso um pouco de peito. Não podemos recuar a cada empecilho que for colocado. Eu lhes digo: vou para a frente da Folha no dia 15 de setembro nem que seja a última coisa que eu faça na minha vida. Não recuarei, e conto com vocês para que não recuem. Só não temos como, humanamente, cuidar de cada detalhezinho nesta etapa.
 
Um abraço a todos e, os que já confirmaram presença, aguardem meu e-mail tratando da compra do megafone.
 


 Escrito por Eduardo Guimarães às 20h00
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Comentários

 

Devido a problema com meu computador, os comentários só serão publicados no fim da tarde de hoje.

 



 Escrito por Eduardo Guimarães às 10h18
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Agora é conosco
 
Para ser sincero com vocês, não imaginei que minha proposta de criarmos um movimento dos sem-mídia prosperaria, mas está prosperando. Agora, com as adesões formais e informais desta segunda-feira, já temos um número de pessoas que ainda é pequeno, mas que já passa de uma centena - fora aqueles que não me comunicaram nada, mas que poderão aparecer no dia.
 
Claro que algumas dessas pessoas possivelmente não poderão comparecer, mas continua a divulgação do movimento. Agora, o Luiz Carlos Azenha também está divulgando nosso movimento.
 
Não tenho a ilusão de conseguirmos juntar um número expressivo de pessoas. Se os "cansados", contando com artistas famosos, patrocínio de multinacionais, cobertura de grandes meios de comunicação, enfim, com dinheiro a rodo, na primeira manifestação não conseguiram juntar nem dez vezes mais do que já conseguimos sem recurso nenhum, acho que o que já foi conseguido até agora está de muito bom tamanho. E ainda pode aumentar...
 
Agora, portanto, é conosco. Cabe-nos raciocinar, planejar, pensar na materialização desse que pode ser o embrião do tão ansiado levante da sociedade contra a histórica ditadura da informação que a imprensa impõe a este país há mais de um século.
 
O mais importante é termos consciência de que, para essa manifestação, temos que levar, primeiro, serenidade. Não faltará quem queira sabotar ou distorcer nossa iniciativa e nossas condutas.
 
Uma das precauções que foram abordadas nos comentários, penso que vale colocarmos em primeiríssimo plano: precisaremos filmar a manifestação de todos os ângulos possíveis. Assim, sugiro que todos os que puderem tragam câmeras, celulares, tudo o que puderem para registrarmos o que acontecer.
 
Tenho várias idéias para algumas faixas, mas temo monopolizar o que pertence a todos. Assim, peço que exponham vossas idéias e, sobre elas, farei minhas sugestões.
 
Também precisamos pensar em duas opções que foram apresentadas para propagação do som. Eu havia pensado num megafone, mas sugeriram um carro de som porque o megafone não reproduziria com clareza - e em volume suficiente - nossas palavras. Contudo, dada a escassez, ou melhor, a inexistência de dinheiro, ao menos até o momento, e a incerteza sobre o número de manifestantes, talvez fosse melhor começarmos de forma mais modesta. Afinal, o que faremos no dia 15 será apenas um teste para novas manifestações que tenho fé que, com o tempo, se espalharão pelo país.
 
Apesar de, num primeiro momento, eu ter me posicionado contra a idéia de darmos nome ao movimento, o nome Movimento dos Sem-Mídia (MSM) parece-me tão adequado que acredito que tenha se tornado irresistível.
 
Penso que precisaremos de alguns trocados para comprar o megafone, pelo menos, e para mandarmos confeccionar faixas. Assim, vou contatar por e-mail as pessoas, para que enviem alguma coisa, bem pouco, para essas despesas. Não vejo onde mais poderemos ter que gastar. Talvez, mais adiante, se as coisas andarem bem, poderemos eleger um grupo para cuidar disso. Mas não acho que dinheiro seja o problema. Penso que cada um de nós, por seus meios, pode começar custeando suas despesas de locomoção.
 
O que precisamos mesmo é de disposição. E, nesse aspecto, quero manifestar minha admiração por essas pessoas que estão prometendo vir de longe, algumas do Nordeste, para exercitarem sua cidadania. Há o caso da professora Vera, que gostaria de particularizar. Uma senhora que empreenderá uma viagem do Rio até aqui, gente!
 
Por enquanto, é o que tenho a lhes dizer além do meu muito, muito obrigado por tanta fé neste simples cidadão que não agüenta mais tanta malandragem, tanta arrogância, tanta falta de compaixão dos magnatas da mídia, que, para fazerem valer seus caprichos, estão prejudicando tanto o nosso Brasil. Muito obrigado mesmo, meus amigos. Vocês são pessoas maravilhosas. Que Deus os abençoe.

*
 
Vejam que maravilha este comentário do bancário de Belo Horizonte José Orair Silva, postado numa daquelas notas repugnantes de Alberto Dines defendendo a mídia de seus críticos no Observatório da Imprensa. Certamente vou levar para a Manifestação.

"Critique o legislativo, o executivo e até o judiciário. Critique o alto salário do político salafrário. Critique o padre e o prefeito, critique quem não cumpre direito com a sua obrigação. Critique o papa, a igreja evangélica, o pastor da televisão, mas a imprensa não critique não. A imprensa está acima de tudo e não tem nenhum defeito. Não é instituição humana. Tudo que faz é perfeito e pode a todos criticar, pois é o guia da nação. Criticar a imprensa é pecado, é crime de opinião. Eu a sigo, reverente, e ela marcha à minha frente como um farol na escuridão. Me diz o que é certo e errado e eu reconheço embasbacado, que ela sempre tem razão. Dizem que sou alienado e que eu não paro pra pensar, e eu digo: pra que pensar se a imprensa pensa por mim e eu sou tão feliz assim?"
 


 Escrito por Eduardo Guimarães às 20h43
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Panfleto
 
Por sugestão de vocês, elaborei um panfleto sobre a manifestação do próximo dia 15 para quem vai e quiser tentar levar outras pessoas e, sobretudo, para quem não pode ir e poderia ajudar a arregimentar manifestantes que possam ir.
 
*
 
Movimento dos Sem-Mídia
 
O direito à informação correta, fidedigna, imparcial e honesta é um direito humano. Trágico é, portanto, que o Brasil deste início de milênio não disponha de uma instituição tão importante para a democracia quanto é uma grande imprensa que se paute por esses valores, pois a grande imprensa brasileira, desde a aurora da República, sempre foi um grande feudo instrumentalizado pela aristocracia para manter este país como um dos mais socialmente injustos do mundo.  
 
Não foram poucas as vezes, na história da República, em que a imprensa brasileira, conservadora e elitista, derrubou - ou tentou derrubar - governos que não atendiam aos ditames da aristocracia. Foi assim com Getúlio Vargas, com Juscelino Kubitschek e com Jango Goulart. A grande imprensa, controlada por meia dúzia de famílias "tradicionais", atirou este país numa ditadura de 21 anos, colaborando com um regime criminoso que censurou, estuprou, torturou e assassinou tantos brasileiros por conta de suas idéias.
 
A imprensa de São Paulo, controlada pelas famílias Frias, Mesquita e Civita, e a do Rio, controlada pela família Marinho, mandam e desmandam neste país há décadas incontáveis. Sempre elegeram e derrubaram os governantes que quiseram. São, portanto, responsáveis, em grande parte, pelos problemas terríveis que assolam este país.
 
Mais uma vez, esses portadores de tanta dor, de tanto sofrimento deste povo engajaram-se na mesma tentativa de controlar corações e mentes dos brasileiros. Porém, de 2002 para cá, fracassaram duas vezes ao menos no que tange a Presidência da República. Inconformados, os barões da mídia persistem e persistem na tentativa desesperada de controlarem a vontade política dos brasileiros. Desta vez, seus "protegidos" são o PSDB e o PFL (agora travestido de DEM), e seu inimigo, o PT.
 
Não importa que dia for, pode-se comprar jornais ou assistir a telejornais que a opinião dos barões da mídia estará lá sobrepondo-se a qualquer outra, calando o contraditório e tentando manipular consciências. Quem diverge, é tratado como se não existisse.
 
Este é um país continental. Quem não tem acesso aos grandes meios de comunicação, é como se não existisse. Os jornais, revistas, telejornais são abertos só a quem concorda com eles. Quando muito, concedem um espaço de mentira, diminuto, àqueles que discordam, para que possam usar isso como álibi quando acusados de calar divergências. Essa prática da grande imprensa criou um gigantesco setor da sociedade que já está sendo chamado de Sem-Mídia.
 
Se você é um sem-mídia, se não consegue ver seus pontos de vista contemplados nos meios de comunicação e está farto de engolir a opinião monocórdica dos barões da mídia paulista e carioca, compareça no dia 15 de setembro (sábado) ao prédio da Folha de São Paulo às 10:00 hs. Por iniciativa do blog Cidadania.com (http://edu.guim.blog.uol.com.br), haverá uma manifestação pacífica na qual sem-mídia da capital paulista e de várias partes do país farão as queixas que os meios de comunicação fingem que não escutam na porta de um dos maiores entre eles. No fim do ato, será lido e assinado um manifesto e entregue na portaria do jornal.
 
O endereço da Folha é :Alameda Barão de Limeira nº 425 - São Paulo - SP.
 
Chega de reclamar e ser ignorado. É preciso mostrar que existimos. Compareça e traga quem você puder. Se quiser mais informações, acesse o blog Cidadania.


 Escrito por Eduardo Guimarães às 08h43
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Movimento dos Sem-Mídia
 
 
Enviei o texto abaixo ao Observatório da Imprensa
 
 
* 
 
Creio eu que é assunto para o Observatório da Imprensa.

Como vocês, observadores, e a parte do público desse espaço que eventualmente me lê sabem, tenho um blog com uma audiência surpreendentemente significativa para alguém que não é jornalista. Em razão de meu crescente inconformismo com o que a mídia está fazendo com o país ao atuar como partido político ou até como órgão de repressão, calando pessoas que divergem (como este que escreve), debochando de autoridades, inventando crises, protegendo corruptos de ontem e acuando supostos corruptos de hoje, tomei uma decisão muito séria.

Valendo-me da audiência que construí em meu blog, estou convocando leitores de todas as partes do país para reagirmos, como cidadãos, ao que meia dúzia de famílias multimilionárias estão fazendo por meio das empresas de mídia que controlam. Eu e mais uma centena e meia de pessoas decidimos que, já que essas empresas midiáticas nos ignoram, fazem de conta que nossas reclamações de seu partidarismo não existem, aliás, fazem de conta que nós mesmos não existimos, iremos dizer o contrário diante delas. E quando digo "diante delas", estou dizendo de forma literal.

No próximo dia 15 de setembro, sábado, eu e tantos quantos conseguir arregimentar iremos para a frente do prédio da Folha de São Paulo e faremos ali uma manifestação: leremos, por meio de megafone, nossas queixas, assinaremos um manifesto e o entregaremos na portaria do jornal.

Tenho a esperança de que meu gesto desperte milhões de brasileiros que estão fartos das manipulações da mídia, mas que ainda não se deram conta de que lhes compete tomar uma atitude.

Antes que me acusem - eu, um cidadão sem posses, sem partido e sem qualquer poder - de pretender "censurar" impérios de mídia detentores de faturamentos da ordem de centenas de milhões de reais, quero dizer que eu e todos os que estão comigo não pretendemos isso de forma nenhuma. O que enorme parte da sociedade exige é que os donos desses veículos não usem suas empresas para protegerem certas facções políticas e desmoralizarem outras.

O direito à informação correta, fidedigna, limpa é um direito humano. Assim, poder-se-ia dizer que Folhas, Globos, Vejas, Estadões etc., que tanto contribuiram para violações de direitos humanos pelo regime militar que ajudaram a implementar neste país, continuam violando esses direitos tentando ludibriar a sociedade, tentando induzí-la a votar como querem meia dúzia de magnatas da comunicação. E isso eu, e muitos como eu, não aceitaremos mais.

René Descartes (1596 - 1650), filósofo e matemático francês, cunhou a máxima "penso, logo existo". Ela reproduz o que sentem aqueles que, diferentemente da parcela da sociedade (minoritária) que vibra com o partidarismo da mídia, não têm mídia para verem contempladas suas opiniões e seus inconformismos contra atos de corrupção de governantes do PSDB e do PFL, que essa mídia acoberta em detrimento da superexposição de suspeitas contra políticos do PT e seus aliados.
 
Assim sendo, envidarei todos os esforços para criar um movimento apartidário, formado por cidadãos sem qualquer vinculação com partidos, o Movimento dos Sem-Mídia, que irá gritar suas razões e seu inconformismo em frente a Folhas, Vejas, Estadões, Globos e congêneres até que passem a escutar o que temos a dizer.  
 
*
 
Quero agradecer às muitas ofertas de dinheiro para o MSM que estou recebendo, mas acho que, ao menos por enquanto, não é de dinheiro que precisamos. O que precisamos agora, já, para ontem, é de disposição. Sei que muitos têm, mas não a podem nos emprestar, aos que estão se dispondo a tomar uma atitude, por razões geográficas e outras tão válidas quanto. Mas quem sabe possam conseguir que pessoas os representem. O MSM precisa de gente que queira comparecer à manifestação do próximo dia 15 em frente à Folha de São Paulo.


 Escrito por Eduardo Guimarães às 18h31
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O direito de reclamar
 
Surgiram dúvidas de duas leitoras sobre o sentido da manifestação que propus. São pessoas que respeito pela participação sempre brilhante que têm tido neste blog. O que disseram, acho que pode ter passado pela cabeça de outras pessoas. Inclusive, por conta do que escreveu nos comentários do post abaixo um dos que vêm aqui me acusar dia sim, no outro também.
 
Vejam a mais nova acusação que recebi:
 
"Mas afinal qual é o objetivo da tal manifestação? Intimidar a imprensa? Forçá-la a adotar um tom mais governista? Vocês deveriam ir manifestar é em frente ao Palácio do Governo, da Assembléia Legislativa, do Supremo Tribunal (se é que adianta alguma coisa). Francamente, tais manifestações "espontâneas" são factóides. Tal como o "Cansei", vai virar motivo de escárnio. Servirá somente ao narcisismo do dono do blog, que adora dizer que é conhecido dos repórteres da Folha. Quem sabe não sai uma foto dele em primeira página - ele poderá postá-la bem grande aqui no blog. Depois orgulhosamente dirá que está pautando a imprensa. Silvio Mascarenhas | Juiz de Fora - MG | TRF |  01/09/2007 18:45"
 
Não foi isso o que as duas leitoras manifestaram em termos de preocupação. Uma delas disse-me, via e-mail, que não dá crédito para a acusação que o tal senhor Silvio Mascarenhas me fez, mas que uma pergunta que ele fez a tocou. A pergunta é sobre qual seria o objetivo da manifestação que propus.
 
Geeente... Qual seria o objetivo? Todos os dias, centenas, às vezes milhares de pessoas vêm a este e a outros blogs expor suas razões, reclamar do partidarismo da mídia. Gastamos horas e horas por dia remoendo nossas frustrações diante de uma mídia que atua como partido político, que só noticia escândalos (potencializados) contra o governo Lula e contra governos estaduais e municipais ligados ao PT, e que esconde tudo que possa prejudicar o PSDB, como o desastre com a linha 4 do metrô, em São Paulo, que sumiu do noticiário umas duas semanas depois da tragédia e nunca mais a mídia noticiou nada, enquanto fica martelando os chiliques de madames nos aeroportos porque seus vôos atrasaram...
 
O objetivo da manifestação é mostrar ao país que se tantos estão insatisfeitos com a mídia, têm que fazê-la nos dar uma satisfação. Se ela não nos dá essa satisfação quando lhe enviamos nossos incontáveis e-mails ou quando escrevemos nossa indignação contra ela em blogs, e ainda faz de conta que as reclamações não existem, aliás, quando faz de conta que nós mesmos não existimos, o que pode ser mais lógico do que irmos à sua porta gritar essas reclamações para todos ouvirem? Como é que uma Folha, por exemplo, vai ignorar que uma multidão foi à sua porta acusá-la de partidarismo citando fatos concretos que demonstram tal partidarismo?
 
Haverá distorção? Claro que sim. Se não tomarmos certos cuidados, a mídia tentará dizer que um "grupo de petistas" foi à porta do jornal tal ou da emissora qual pedir que a imprensa seja mais "governista" ou "chapa-branca" e outras baboseiras, quando, na verdade, o que eu já disse mil vezes é que não me oponho a que a mídia fiscalize e critique governos, mas me oponho a que ela fiscalize e critique só os governos dos políticos e dos partidos de que não gosta. No entanto, vejam, de novo, o que o sujeito acima escreveu:
 
"Qual é o objetivo da tal manifestação? Intimidar a imprensa? Forçá-la a adotar um tom mais governista?"
 
Não é incrível? Apesar de eu ter escrito várias vezes que não pretendemos isso, o sujeito insiste na acusação de que queremos calar a mídia ou fazê-la elogiar o governo. Ele finge que não leu o que eu escrevi nos posts anteriores...
 
E ainda me acusa de ser "narcisista" e de querer me promover. Ora, se eu quero me promover na mídia, será que acusá-la de ser partidária é o melhor caminho? Diz ainda meu acusador que eu "adoro" relatar que sou conhecido dos "repórteres" da Folha. Que bobagem, meu Deus. Eu nunca conheci um repórter da Folha. Conheci alguns colunistas em eventos para os quais o jornal me convidava antes de Lula se eleger. Eu trocava e-mails com eles e também com alguns articulistas do Estadão. Por que eu "adoraria" dizer isso? Não compreendo...
 
Meu contato com a imprensa foi interrompido quando Lula chegou ao poder e começou a campanha da mídia para derrubá-lo. Eu não pensei um minuto antes de me rebelar contra o que essa mídia passou a fazer e, por conta disso, passei a acusar Folha, Estadão, Veja etc., bem como seus donos, de razões escusas para o que estavam fazendo.
 
Alguém tem idéia do trabalho que me dá este blog? Sabem o que eu ganho materialmente com este espaço? Nada vezes nada. A publicidade que pus aqui está me rendendo centavos por dia, porque as pessoas não vão ficar clicando nela toda hora, claro, e nem eu peço isso. E quanto à dificuldade de arrumar tempo para a manifestação que propus, imaginem que eu vou viajar a trabalho para o exterior no dia seguinte. Vou ter que me virar para coordenar tudo, mas considero da mais pura lógica eu me esforçar para dar vazão à indignação que me toma.
 
Alguém quer motivos para a nossa manifestação? Leiam a Folha de hoje, por exemplo. Pau puro no Lula e no PT, para variar. A colunista Danusa Leão chama Lula de "Ali Babá" e os outros petistas acusados pelo STF de "quarenta ladrões". As cartas de leitores, como sempre, todas acusando Lula e o PT. Valerioduto tucano-mineiro? Lista de Furnas? Compra de votos? Febem? PCC? CDHU? Buraco do metrô? Privataria? Não existem para a mídia. Só o PT, só o PT, só o PT...
 
Quero deixar bem claro que respeito a decisão de quem não pode ir à manifestação que propus em frente dos órgãos de imprensa partidarizados. Alguns não querem se envolver e têm todo direito. Muitos desses inclusive nem comentam aqui no blog. Mas, se vêm aqui, na maior parte não devem apoiar o que a mídia faz. Essas pessoas têm todo direito de não quererem se envolver. É uma decisão de foro íntimo de cada um. Inclusive, nem escrevem para reclamar. São pessoas que devem ter problemas pessoais de vários tipos ou que não acham que adianta espernear. É um direito, ora. Ninguém é obrigado a fazer aquilo que não se sente compelido a fazer.
 
Há, também, aqueles que reclamam, mas que não podem ir pela razão óbvia de que estão muito longe ou de que têm compromissos na data que propus. Há aqueles que reclamam, poderiam ir, mas não concordam com a forma ou a data que propus. Há aqueles que reclamam, mas não acham que adiantará fazer o que propus. E há os que reclamam, querem ir e até disseram que irão, mas que ainda não confirmaram que irão.
 
Enviei um e-mail a umas 150 pessoas que escreveram aqui no blog que estavam dispostas a participar da manifestação, mas só parte dessas pessoas retornou esse e-mail. Nos fins de semana, a audiência neste blog cai quase pela metade. Muita gente só acessa seus e-mails ou a internet do trabalho. Isso pode explicar o fato de que, até agora, nem trinta pessoas responderam o e-mail que lhes enviei pedindo confirmação da participação na manifestação, mas acho o número muito pequeno vinte e quatro horas depois do meu e-mail pedindo adesões formais. Porém, enquanto escrevo, já chegaram mais umas cinco adesões. Não sei, vamos ver no que vai dar...
 
Não é fácil para ninguém se engajar num movimento como esse que propus. Inclusive para mim. Como eu lhes disse anteriormente, trabalho numa empresa que fica a cem quilômetros e a nove estações de metrô de minha casa. Eu trabalho no interior de São Paulo e moro na capital. Todos os dias úteis tenho que despertar às 5 da manhã e só retorno às 9 da noite. Passo 15 dias no exterior e 15 no Brasil. Tenho pouco tempo com minha família, e boa parte desse tempo gasto aqui neste blog em prol de uma causa que julgo importante - de coração, sem interesse, pois eu tenho 48 anos e sempre vivi do meu trabalho, sem nunca me meter com políticos.
 
Mas para que eu sinta que tenho o direito de reclamar do que a mídia está fazendo com este país, tenho que me dispor a tirar meu traseiro da cadeira e a tomar uma atitude. Aprendi isso com os chilenos, com os argentinos, com os bolivianos, com os venezuelanos, enfim, com povos latino-americanos que estão mudando suas realidades dispondo-se a deixarem o conforto de seus lares e as queixas on line e estão indo às ruas defender aquilo em que acreditam e denunciar a mídia partidarizada latino-americana, que é igual em toda América Latina. Tenho certeza de que nós, brasileiros, não somos menos do que eles.
 
Por favor, aqui não vai nenhuma crítica a quem não quer se envolver. Eu acho que cada um faz o que pode na medida que pode. Só não posso entender quem se diz disposto a tomar uma atitude e depois retrocede. Essa pessoa, agindo assim, perde o direito de reclamar.


 Escrito por Eduardo Guimarães às 10h54
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