Nasce o MSM
Como vocês se lembram, eu havia dito aqui que, se necessário, iria sozinho para diante do prédio da Folha de São Paulo dizer minhas queixas sobre a partidarização desbragada da grande mídia. Não foi preciso: pelo menos 191 pessoas compareceram à Manifestação, pois foi esse o número de assinaturas que foram postas nos exemplares do Manifesto que entreguei à Folha e no que ficou comigo como protocolo. Só que, devido a uma certa falta de organização nossa, alguns assinaram o exemplar da Folha e outros, o exemplar que ficou comigo e recebeu o protocolo do jornal.
Cheguei ao local da Manifestação às 9:20 hs. e já havia, pelo menos, umas 30 pessoas diante de um bar que fica em frente à Folha. Dali em diante, as pessoas vieram chegando, chegando até que, às 10:00 hs., horário em que previ começar o Ato, o grupo que encontrei inicialmente já havia triplicado de tamanho. Nos 20 ou 30 minutos seguintes, chegou o grosso dos manifestantes.

Minha primeira preocupação foi a de lembrar aos presentes os princípios e a natureza pacífica e civilizada da Manifestação, ainda que, devido ao alto nível daquelas pessoas, parecesse desnecessário.

E as pessoas vinham chegando, chegando...

Infelizmente, não houve tempo nem organização prévia para anotar os nomes de todos os que compareceram. Mas várias pessoas também ocuparam o megafone para dizer as razões de seu inconformismo. Professores universitários, líderes de movimentos sociais, publicitários, advogados, aposentados... E todos souberam dizer seus pontos de vista de forma civilizada e com grande eloqüência.

Não resisti a fazer perguntas aos presentes sobre se, por acaso, alguém ali recebia Bolsa Família, ou se era “ignorante”, “desinformado”, “idiota de plantão” ou “descerebrado”, como gostam de dizer certos colunistas da Folha sobre quem critica a mídia.

O site Conversa Afiada, de Paulo Henrique Amorim, enviou a repórter Daniela Paixão e um cinegrafista para cobrirem o Ato. Quem quiser ler a reportagem e assistir o vídeo feito pelos jornalistas, vá ao endereço:
http://conversa-afiada.ig.com.br/materias/455001-455500/455221/455221_1.html

Do lado direito, a reporter do C.A. Daniela Paixão
A Folha também cobriu a Manifestação através da jornalista Cátia Seabra e de um fotógrafo, que registrou um bom número de flagrantes significativos, como minha leitura do Manifesto ou quando os manifestantes atiraram na sarjeta exemplares da Folha e da Veja.

No canto esquerdo, a jornalista da Folha

Fotógrafo da Folha registra leitura do Manifesto
Outro momento tenso com a jornalista da Folha aconteceu quando, ao fim da leitura e da aposição de assinaturas ao Manifesto, fomos entregar o documento na portaria da Folha e os funcionários não quiseram recebê-lo e me sugeriram que o entregasse à jornalista Cátia Seabra. Dei meia volta, então, e me aproximei dela pedindo que, por favor, entregasse o documento à Redação do seu jornal. O que ela me disse, por outras palavras, me fez entender que havia o risco de o documento - subscrito por aquela multidão - extraviar. Confrontada com meus argumentos de que se isso acontecesse seria melhor fechar o jornal, pois um veículo diante do qual uma multidão comparece para fazer-lhe questionamentos tão sérios e ignora o documento em que constam tais acusações, é um veículo semimorto. Diante de meus argumentos, Cátia conseguiu convencer os funcionários da portaria do jornal a receberem o Manifesto e protocolarem sua “segunda-via”. (continua abaixo)
Escrito por Eduardo Guimarães às 20h24
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(continuação)


Ao fim do ato, uma faixa de papel em branco de uns 5 metros de largura por, mais ou menos, 1,5 metro de altura foi afixada na parede externa do prédio da Folha e, nela, os manifestantes escreveram seus desabafos.

Ao fim do Ato, fomos quase todos a uma praça próxima para combinarmos detalhes das próximas ações do MSM. Os sem-mídia do Rio, liderados pela professora Vera e pelo professor Eduardo, prometem organizar o próximo ato, ao qual, sem dúvida, comparecerei.
Quero encerrar agradecendo o esforço de todos, mas, em particular, de meu amigo Lula Miranda, da Agência Carta Maior, por comparecerem ao Ato, e a presença do leitor deste blog Rodrigo Leme, leitor bastante atuante e que discorda de mim - e da grande maioria dos leitores - em muita coisa, mas que assinou o manifesto porque, apesar de não gostar do governo Lula e de achar que a mídia não é tão ruim quanto digo, ela pode melhorar.

Lula, no canto esquerdo, de camiseta branca e óculos escuros
Tampouco posso deixar de registrar o apoio de Luiz Carlos Azenha - sem o qual, o movimento não teria conseguido a notoriedade que conseguiu -; da doutora Thais Barbour e de seu pai, sr. Régis, da revista Caros Amigos, da Revista Fórum, do IG e, em particular, de Paulo Henrique Amorim e sua equipe, e a todos quantos tenham contribuído para o que considero sucesso do primeiro ato do MSM.
Escrito por Eduardo Guimarães às 20h10
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Breve, a “reportagem”
Depois de uma manhã extenuante, durante a qual os sem-mídia se manifestaram por mais de duas horas sob um sol inclemente, finalmente começarei a escrever e a selecionar as fotos da Manifestação.
Quero adiantar que temos contabilizadas 191 assinaturas ao Manifesto. Contudo, por falta de organização da nossa parte, alguma assinaturas foram colocadas no documento entregue à Folha e outras na cópia que foi protocolada na portaria do jornal.
Peço paciência aos amigos, porque meu genro e fotógrafo oficial tirou mais de mil fotos e terei que selecioná-las de forma sucinta, a fim de que a Manifestação seja reproduzida corretamente Além disso, quero relatar vários fatos.
Escrito por Eduardo Guimarães às 14h54
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Manifesto dos Sem-Mídia
Vivemos um tempo em que a informação se tornou tão vital para o homem que passou a integrar o arcabouço de seus direitos fundamentais. Defender a boa qualidade da informação, pois, é defender um dos mais importantes direitos fundamentais do homem. É por isso que estamos aqui hoje. No transcurso do século XX, novas tecnologias geraram o que se convencionou chamar de mídia, isto é, o conjunto de meios de comunicação em suas variadas manifestações, tais como a secular imprensa escrita, o rádio, o cinema, a televisão e, mais recentemente, a internet. Essa mídia, por suas características intrínsecas e por suas ações extrínsecas, tornou-se componente fundamental da estrutura social, formada que é por meios de comunicação de massa. Em todas as partes do mundo - mas, sobretudo, em países continentais como o nosso -, quem tem como falar para as massas controla um poder que, vigendo a democracia, equipara-se aos Poderes constituídos da República. E, vez por outra, até os suplanta. Essa realidade pode ser constatada pela simples análise da história de regiões como a América Latina, em que o poder dos meios de comunicação logrou eleger e derrubar governos, aprovar leis ou impedir sua aprovação, bem como moldar costumes e valores das sociedades. Contudo, há fartura de provas de que, freqüentemente, esse descomunal poder não foi usado em benefício da maioria.
- continua abaixo -
por favor, assine o manifesto no último post
Escrito por Eduardo Guimarães às 21h41
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- continuação -
Não se nega, de maneira alguma, que as mídias, sobretudo a imprensa escrita, foram bem usadas em momentos-chave da história, como nos estertores da ditadura militar brasileira, quando a pressão (tardia) de parte dessa imprensa ajudou a pôr fim à opressão de nossa sociedade pelo regime dos generais. Todavia, é impossível ignorar que a ditadura foi imposta ao país graças, também, à mesma imprensa que hoje vocifera seus neo pendores democráticos, nascidos depois que sua recusa pretérita de aceitar governos eleitos legitimamente atirou o país naquela ditadura de mais de vinte anos. O lado perverso da mídia também se deve, por contraditório que possa parecer, à sua natureza privada, uma natureza que também é - ou deveria ser - uma de suas virtudes. Nas mãos do Estado, a mídia seria uma aberração, mas quando é pautada exclusivamente por interesses privados, seu lado obscuro emerge tanto quanto ocorreria na primeira hipótese, pois um poder dessa magnitude acaba sendo usado por diminutos grupos de interesse. Nas duas situações, quem sai perdendo é a coletividade, pois o interesse de poucos acaba se sobrepondo ao de todos.
A submissão da mídia ao poder do dinheiro é um fato, não uma suposição. Os meios de comunicação privados nada mais são do que empresas que visam lucro e, como tais, sujeitam-se a interesses que, em grande parte das vezes, não são os da coletividade, mas os de grandes e poderosos grupos econômicos. Estes, pelo poder que têm de remunerar o “idealismo” que lhes convêm, cada vez mais vão fazendo surgir jornalistas dispostos a produzir o que os patrões requerem, e o que requerem, via de regra, é o mesmo que aqueles grupos econômicos, o que deixa a sociedade desprotegida diante da voracidade daqueles que podem (?) esmagar divergências simplesmente ignorando-as. É nesse ponto que jornalistas e seus patrões contraem uma união estável com facções políticas e ideológicas que não passam de braços dos interesses da iniciativa privada, dos grandes capitais nacionais e transnacionais, do topo da pirâmide social. E a maioria da sociedade fica órfã, indefesa diante do poder dos de cima de alardearem seus pontos de vista como se falassem em nome de todos. Agora mesmo, na crise que vive o Senado Federal, vemos os meios de comunicação alardearem uma suposta "indignação nacional" com o presidente daquela Casa. Esses meios dizem que essa indignação é "da opinião pública", apesar de que a maioria dos brasileiros certamente está pouco se lixando para a queda de braço entre o presidente do Congresso e a mídia. Nesse processo, a "indignação" de meia dúzia de barões da mídia é apresentada como se fosse a "da opinião pública". O poder que a mídia tem - ou pensa que tem - é tão grande, que ela ousa insultar a ampla maioria dos brasileiros, maioria que elegeu o atual governo. A mídia insulta a maioria dizendo que esta tomou a decisão eleitoral que tomou porque é composta por "ignorantes" que se vendem por "bolsas-esmola". Retoma, assim, os fundamentos do voto censitário, que vigeu no alvorecer da República, quando, para votar, o cidadão precisava ter um determinado nível de renda e de instrução. E o pior, é que a teoria midiática para explicar por que a maioria da sociedade não acompanhou a decisão eleitoral dos barões da mídia, esconde a existência de cidadãos como estes que aqui estão, que não pertencem a partidos, não recebem "bolsas-esmola" e que, assim mesmo, não aceitam que a mídia tente paralisar um governo eleito por maioria tão expressiva criando crises depois de crises.
É óbvio que a mídia sempre dirá que suas tendências e pontos de vista coincidem com o melhor interesse do conjunto da sociedade. Dirá isso através da confortável premissa (para os beneficiários preferenciais do status quo vigente) de que as dores que a prevalência dos interesses dos estratos superiores da pirâmide social causa aos estratos inferiores, permitirão a estes, algum dia, ingressarem no jardim das delícias daqueles. É a boa e velha teoria do “bolo” que precisa primeiro crescer para depois ser dividido.
- continua abaixo -
por favor, assine o manifesto no último post
Escrito por Eduardo Guimarães às 21h39
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- continuação -
Os meios de comunicação sempre tomaram partido nos embates políticos. Demonizam políticos e partidos que grupos de interesses políticos e econômicos desaprovam e, quando não endeusam, protegem os políticos que aqueles grupos aprovam. Isso está acontecendo hoje em relação ao governo federal e à sua base de apoio parlamentar, por um lado, e em relação à oposição a esse governo e a seus governos estaduais e municipais, por outro. Resumindo: a mídia ataca o governo central em benefício de seus opositores.
Os meios de comunicação se defendem dizendo que atacam o governo central também porque ele nada faz de diferente - ou de melhor - do que fazia a facção política que governava antes, e diz, ainda por cima, que o atual governo produz "mais corrupção". Alguns veículos, mais ousados, acrescentam que os que hoje governam favorecem mais o capital do que seus antecessores. Outros veículos, mais dissimulados, ainda adotam um discurso quase socialista ao criticarem os lucros dos bancos e o cumprimento dos contratos que o governo garante. A mídia chega a fazer crer que apoiaria esse governo se ele fizesse despencar a lucratividade do sistema bancário e se rompesse contratos. Faz isso em contraposição ao que dizia dos políticos que agora estão no poder, porém no tempo em que estavam na oposição, ou seja, dizia que não poderiam chegar ao poder porque, lá chegando, descumpririam contratos e prejudicariam o sistema bancário...
A mídia brasileira garante que é “isenta”, que não é pautada por ideologias ou por interesses privados, e que trata os atuais governantes do país como tratou os anteriores. Não é verdade. Bastaria que nos debruçássemos sobre os jornais da época em que os que hoje se opõem ao governo federal estavam no poder e comparássemos aqueles jornais com os de hoje. Veríamos, então, como é enorme a diferença de tratamento. Nunca a oposição ao governo federal foi tão criticada pela mídia quanto na época em que os que hoje estão no governo, estavam na oposição; nunca o governo foi tão defendido pela mídia quanto era na época em que os que hoje estão na oposição, estavam no governo. Não é preciso recorrer a registros históricos para comprovar como os pesos e medidas da mídia diferem de acordo com a facção política que ocupa o poder. Basta, por exemplo, comparar a forma como os jornais paulistas cobrem o governo do Estado de São Paulo com a forma como cobrem o governo do país. A mesma facção política governa São Paulo há mais de uma década. Nesse período, o Estado foi tomado pelo crime organizado. A Saúde pública permanece - ou se consolida - como um verdadeiro caos, apesar das novas tecnologias e da enorme quantidade de recursos que transitam por São Paulo. A Educação pública permanece como uma das piores do país a despeito da pujança econômica paulista. Assim, começaram a eclodir desastres nunca vistos na locomotiva do Brasil que é São Paulo. Ano passado, uma organização criminosa aterrorizou este Estado. Essa organização nasceu e se fortaleceu dentro dos presídios controlados pelo governo paulista. A Febem, destinada a recuperar jovens criminosos, consolidou-se como escola de crimes, e as prisões para adultos alcançaram o status de faculdades do crime. No início deste ano, uma rua inteira ruiu por causa de uma obra da linha quatro do metrô paulistano, administrado pelo governo paulista. Várias pessoas morreram. Foi apenas mais um entre muitos outros acidentes que ocorreram nas obras do metrô de São Paulo e a mídia não noticia nada disso, o que lhe deixa escandalosamente óbvio o intuito de proteger o grupo político que governa o Estado mais rico da Federação e que se opõe ferozmente ao governo federal. A mídia exige CPIs para cada suspeita que a oposição levanta sobre o governo federal, mas não diz uma palavra de todos os escândalos envolvendo o governo de São Paulo. Omite-se quanto à violação dos direitos das minorias parlamentares na Assembléia Legislativa paulista, violação perpetrada pelas maiorias governistas, maiorias que nos últimos anos enterraram dezenas de pedidos de investigação do governo paulista, controlado por políticos que estão entre os que mais exigem investigações sobre o governo federal.
- continua abaixo -
por favor, assine o manifesto no último post
Escrito por Eduardo Guimarães às 21h37
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- continuação -
Seria possível passar dias escrevendo sobre tudo o que a imprensa paulista deveria cobrar do governo do Estado de São Paulo, mas não cobra. Ler um jornal impresso em São Paulo ou assistir a um telejornal produzido aqui só serve para tomar conhecimento do que faz de ruim - ou do que a mídia diz que faz de ruim - o governo federal. Dificilmente se encontra informações sobre o governo paulista, e críticas, muito menos. O desastre causado pela obra da linha quatro do metrô paulistano, por exemplo, foi coberto pela mídia, mas por pouco tempo - questão de dias. Depois, o assunto desapareceu do noticiário e nunca mais voltou. Dali em diante, a mídia passou a esconder e a impedir qualquer aprofundamento no caso, fazendo com que a sociedade permaneça sem satisfação quase nove meses depois da tragédia. Mas o "caos aéreo" não sai da mídia um só dia já há quase um ano. Assim é com tudo que diga respeito a políticos e partidos dos quais a imprensa paulista gosta. E o mesmo se reproduz pelo país inteiro. A mídia carioca, a mídia baiana, a mídia gaúcha, as mídias de todas as partes do país fazem o mesmo que a paulista, pois todas são uma só, obedecem aos mesmos interesses, controladas que são por um número ridiculamente pequeno de famílias "tradicionais", por uma oligarquia que domina a comunicação no Brasil desde sempre. O lado mais perverso desse processo é o de a mídia calar divergências. Cidadãos como estes que assinam este manifesto são tratados pelos grandes meios de comunicação como se não existissem. São os sem-mídia, somos nós que ora manifestamos nosso inconformismo. Muito dificilmente é dado espaço pela mídia para que quem pensa como nós possa criticar o seletivo moralismo midiático ou as facções políticas amigas dos barões da mídia. A quase totalidade dos espaços midiáticos é reservada àqueles que concordam com os grandes meios de comunicação. Jornalistas que ousam discordar, são postos na "geladeira". A mídia impõe uma censura branca ao país. Isso tem que parar.
Claro precisa ficar que os cidadãos que assinam este manifesto não pretendem, de forma alguma, calar a mídia. Os que qualificam qualquer crítica a ela como tentativa de calá-la, agem com má-fé. É o contrário, o que nos move. O que pedimos é que a mídia fale ou escreva muito mais, pois queremos que fale ou escreva tudo o que interessa a todos e não só aquilo que lhe interessa particularmente e àqueles que estão ao seu lado, pois a mídia tem lado, sim, apesar de dizer que não tem, e esse lado não é o de todos e nem, muito menos, o da maioria. Mais do que um direito, fiscalizar governos, difundir idéias e ideologias, é obrigação da mídia. Assim sendo, os signatários deste manifesto em nada se opõem a que essa mesma mídia critique governo nenhum, facção política nenhuma, ideologia de qualquer espécie. O que nos indigna, o que nos causa engulhos, o que nos afronta a consciência, o que nos usurpa o direito de cidadãos, é a seletividade do moralismo político midiático, é o sufocamento da divergência, é o soterramento ideológico de corações e mentes. Por tudo isso, os signatários deste manifesto, fartos de uma conduta dos meios de comunicação que viola o próprio Estado de Direito, vieram até a frente desse jornal dizer o que ele e seus congêneres teimam em ignorar. Viemos dizer que existimos, que todos têm direito de ter espaço para seus pontos de vista, pois a mídia privada também se alimenta de recursos públicos, da publicidade oficial, e, assim sendo, tem obrigação de não usar os amplos espaços de que dispõe como se deles proprietária fosse. Seu papel, seu dever é o de reproduzir os diversos matizes políticos e ideológicos, de forma que o conjunto da sociedade possa tomar suas decisões de posse de todos os fatos e matizes opinativos. Em prol desse objetivo, hoje está sendo fundado o Movimento dos Sem-Mídia. Trata-se de um movimento que não está cansado de nada, pois mal começou a lutar pelo direito humano à informação correta, fiel, honesta e plural. Aqui, hoje, começamos a lutar pelo direito de todos os segmentos da sociedade de terem como expor suas razões, opiniões e anseios e de receberem informações em lugar desse monstrengo híbrido - gerado pela promiscuidade entre a notícia e a opinião - que a mídia afirma ser "jornalismo". São Paulo, 15 de setembro de 2007
Escrito por Eduardo Guimarães às 21h36
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Apoio inestimável
Comunico a todos que recebi, agora à noite, informação da equipe de Paulo Henrique Amorim, do Conversa Afiada, de que o veículo cobrirá a Manifestação de amanhã.
A propósito: o integrante da equipe do Conversa Afiada que manteve contato comigo, levou-me ao riso ao me transmitir um recado de Paulo Henrique Amorim, de que o Movimento dos Sem-Mídia poderia ter sido batizado de Cansei... da mídia.
E vamos que vamos...
Escrito por Eduardo Guimarães às 19h13
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Assinaturas no Manifesto
Em virtude do grande número de pessoas de fora de São Paulo que manifestaram vontade de "assinar" o Manifesto dos Sem-Mídia, por sugestão do jornalista e poeta Lula Miranda, da Agência Carta Maior, que é meu amigo virtual de anos, amanhã, dia da manifestação, colocarei aqui novamente, em primeiro plano, o Manifesto, para que quem assim desejar possa postar comentário "assinando-o". Do contrário, eu teria que fazer uma varredura nas centenas de comentários dos posts dos últimos quinze dias para levantar quem foram as pessoas que "assinaram" virtualmente o texto.
Ao fim do dia, depois da Manifestação, publicarei as assinaturas virtuais postadas nos comentários deste blog. Peço a todos, pois, que postem comentário só com seu nome, cidade, Estado e profissão, e, como neste blog do UOL sou forçado a dividir textos grandes em diversos posts, peço que "assinem" o Manifesto exclusivamente no post em que estiver o fim do texto. As assinaturas de outras cidades aqui neste blog serão aceitas apenas no dia da manifestação. E essa possibilidade de assinar virtualmente o Manifesto estará disponível só para quem não residir na cidade de São Paulo. A quem reside na capital paulista, exorto a que compareça à Manifestação e assine pessoalmente.
Para as assinaturas no Manifesto físico, levarei uma prancheta em que estarão duas cópias do texto, nas quais os que aderirem colocarão seus nomes por extenso, cidade e Estado em que vivem. Contudo, na cópia que ficará comigo, peço que coloquem os mesmos dados e, também, seus e-mails, para que tenhamos um documento histórico assinado por todos e para que, depois, eu possa compor um cadastro dos presentes ao Ato.
Ao terminar de escrever este texto, imprimirei as duas cópias de um documento no qual coloquei todas as minhas esperanças, tudo o que consegui aprimorar em termos de discurso a fim de tornar claras minhas idéias e, assim, conseguir contribuir de alguma forma com o interesse público. E confesso que este momento me emociona. Enquanto escrevo, sinto os olhos úmidos e o coração aquecido.
A adesão, o apoio, a entrega de tantas pessoas, algumas já idosas que asseguraram que virão de outras cidades e até de outros Estados, isso está me devolvendo a fé neste país e em seu povo. É lindo o que vocês estão fazendo. Estou muito emocionado. Só me lembro de ter sido tomado por semelhante sentimento quando me casei e em todas as vezes em que me nasceram filhos.
Escrito por Eduardo Guimarães às 11h04
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Manifestação legalizada
Escrevo para informá-los de que as providências legais para a Manifestação estão concluídas e, também, em agradecimento à advogada de São Paulo Thais Barbour, que abraçou nossa causa com decisão, destemor e abnegação.
Cumpre-me, pois, compartilhar com essa moça algum eventual mérito que possa haver em mobilizar essa parte da sociedade que vinha se contorcendo de indignação ante o que a grande mídia está fazendo com o país.
Ontem à noite, a doutora Thais me recebeu em sua residência e me entregou os ofícios que encaminhou às autoridades comunicando o Ato que faremos no próximo sábado diante da Folha de São Paulo. Nessa oportunidade, tive o grato prazer de conhecer a família dela - seu pai, sua mãe, seu irmão e sua filha, que me receberam como se eu fosse um velho amigo.
Devido à complicação dos procedimentos que devem ser seguidos para legalizar a manifestação, se não fosse a doutora Thais eu não teria como adotá-los, pois, como já expliquei, trabalho fora de São Paulo, saio daqui muito cedo e volto tarde.
Tivemos que comunicar o Ato aos seguintes órgãos públicos:
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Subprefeitura da Regional da Sé - São Paulo - SP
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1ª Delegacia Seccional de Polícia da Capital - São Paulo - SP
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13º Batalhão da Polícia Militar da Capital - São Paulo - SP
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Detran
Segundo relato da doutora Thais, inicialmente havia lhe sido informado que seria desnecessário pedir "autorização" para o Ato. Contudo, essa diretriz mudou de repente e a doutora foi obrigada a assinar um "termo de compromisso" para que não fosse necessário esperarmos 20 dias até que a "autorização" fosse concedida.
Abaixo, reproduzo os ofícios encaminhados à subprefeitura, à 1ª Delegacia de Polícia e ao 13º Batalhão da Polícia Militar. O protocolo da documentação entregue ao Detran ficou com a doutora Thais, que ainda precisava enviá-lo por fax à Polícia Militar.
Escrito por Eduardo Guimarães às 08h11
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A mídia nos dá razão
O Movimento cresceu. Por incrível que pareça, aquele impulso que me acometeu na sexta-feira retrasada está se transformando em fato, apesar de ignorado pelos grandes meios de comunicação. Essa tentativa de fingir que não existimos nos dá razão, na medida em que as grandes mídias, ao sonegarem ao público a informação de que sofrerão questionamento tão sério, arrogam para si o direito de decidir o que esse público deve ou não saber.
Essa conduta da mídia nos dá ou não nos dá motivos para protestarmos diante de seus quartéis-generais? Que direito tem a Folha de esconder de seus leitores que haverá uma manifestação diante de sua sede daqui a dois dias?
Assim é com tudo. A mídia acha que informação deve ser "controlada". Seria interessantíssimo ouvir - ou ler - os argumentos da turma da Folha para justificar a ocultação do Ato do próximo sábado. Certamente, os áulicos do sr. Frias devem estar dizendo que somos um grupelho inexpressivo querendo chamar atenção e que, por isso, não devemos ser levados a sério. Não duvidem de que é exatamente isso o que estão dizendo entre eles.
Somos ou não somos sem-mídia? Nem quando somos notícia, somos noticiados. Se derrubarmos as torres gêmeas do Congresso, talvez atribuam o atentado à Al Qaeda.
É por essas e por outras que o MSM está atraindo adesões e sendo informado à sociedade. As pessoas estão cansadas de submeterem seu direito à informação ao crivo de meia dúzia de barões da mídia.
*
Vários leitores estão chegando agora e pedindo informações sobre o Ato do próximo sábado, pois pretendem comparecer. Assim, reproduzo, abaixo, algumas recomendações para a manifestação que fiz em post anterior e, em seguida, recoloco o Manifesto que será lido, para que quem está chegando agora possa dele tomar conhecimento.
Dizeres das faixas
Para não complicar, sugiro aqui algumas frases que acho serem as mais importantes dentro dos princípios que nos movem:
1- "Quero que a mídia fale, mas não me cale"
2 - "Não somos contra ninguém, mas a favor do jornalismo sério"
3 - "Liberdade de imprensa ou liberdade de empresa?"
4 - "Chega de moralismo seletivo"
5 - "Imprensa plural, país igual"
Princípios
Em minha opinião, isso chega. Sou contra "Imprensalão", "vendida", "canalha" e qualquer outro tipo de insulto. Nossa manifestação é pacífica e civilizada, pelo menos como a vejo. Um grupo de cidadãos de classe média - não há um só muito pobre entre nós - que está cansado do jornalismo "jurisprudenciado" que vige aqui. Esse neologismo nasceu do conceito do jornalista Luis Nassif de que hoje vige uma "jurisprudência" (norma jurídica impositiva) no jornalismo, que produz todo ele o mesmo conteúdo.
Megafone
Já tenho o megafone e o monte de pilhas que requer, com estoque para não ficarmos sem "voz" no dia da manifestação. É um aparelho "profissional", o modelo mais potente do mercado, e toca até sirene - alto, bem alto.
Cronograma
Peço encarecidamente a todos os que pretendem comparecer ao ato do sábado que vem que sejam pontuais. Não podemos ficar perdendo muito tempo no local da manifestação para não atrapalharmos o trânsito e o fluxo de pedestres por um segundo além do estritamente necessário.
Minha proposta é a seguinte:
10:00 hs. - Reunião em frente ao prédio da Folha de São Paulo, situado na Alameda Barão de Limeira nº 425, no bairro de Campos Elíseos - a estação de metrô mais próxima é a estação República. De lá, qualquer um informa onde fica a Barão de Limeira. Dá uns dez minutos de caminhada.
11:00 hs. - Se todos concordarem, direi algumas palavras e abrirei os "microfones" para cinco pessoas fazerem breves pronunciamentos. O teor dos pronunciamentos terão que ser informados antecipadamente para o e-mail edu.guim@ig.com.br
12:00 hs. - Lerei o manifesto e pedirei a assinatura dos presentes que quiserem assiná-lo. Junto com o documento, serão entregues à portaria da Folha exemplares do jornal que vocês eventualmente levarem à manifestação.
Ao fim desse último ato, a manifestação será dissolvida. Convidarei quem quiser para uma conversa num lugar mais calmo, ao ar livre, mas não será no centro e, portanto, quem estiver interessado em ir terá que tomar o metrô e caminhar um pouco para chegar ao local.
Conduta
Por desnecessário que seja dizer, quero lembrar o quão importante será que todos nos mantenhamos dentro dos parâmetros da boa educação e da civilidade. Não causar danos ao patrimônio público, não ser agressivo, não insultar, saber colocar eventuais provocações no lugar de onde vêm, ou seja, do desejo de tumultuar. Reagir a provocações é colaborar com o objetivo dos provocadores, se é que haverá quem faça isso.
O que levar
Faixas, celulares, gravadores, filmadoras, câmeras fotográficas, panfletos, água, remédios e objetos de uso estritamente indispensável.
O que NÃO levar
Qualquer tipo de texto, imagem ou objeto que insulte ou agrida alguém de qualquer forma. Reitera-se a natureza PACÍFICA e CIVILIZADA da manifestação.
Pontualidade
Mais uma vez, peço a quem pretende comparecer, que seja pontual. Será vital para o sucesso da Manifestação.
Identificação
Sugiro a todos que, ao se aproximarem do local da manifestação, que preguem, com um alfinete, um pedaço de papel branco (do mais espesso que puderem encontrar) na altura da lapela, mesmo que estejam usando camisetas, blusas etc. No papel, escrevam, em letra negra e grande, a sigla " MSM ".
Manifesto
Lembro, finalmente, que, nos posts anteriores a este, está a versão final do Manifesto que será lido, assinado e entregue à Folha no sábado que vem, dia 15, às 10 da manhã. O prédio da Folha fica no centro de São Paulo, na Alameda Barão de Limeira nº 425. A estação de metrô mais próxima de lá, é a estação república.
Escrito por Eduardo Guimarães às 11h00
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Como votou Azeredo?
Segundo a mídia, um grupo de senadores "éticos" lutou bravamente, porém em desvantagem numérica, contra o vilão Renan Calheiros. Um desses heróicos oposicionistas que não compactuam com nenhum tipo de imoralidade, no entanto, é ninguém mais, ninguém menos do que o ex-presidente do PSDB Eduardo Azeredo, contra quem pesam provas materiais de ter se embriagado no "valerioduto" muito antes de o PT chegar ao poder. O voto "ético" de Azeredo resume toda a empulhação encenada pela mídia, ininterruptamente, nos últimos meses.
Escrito por Eduardo Guimarães às 21h45
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Grão de areia desmiolado
O nosso Luiz Carlos Azenha conseguiu uma definição, para mim, que me caiu como uma luva. Ele escreveu:
"O que o leitor Eduardo Guimarães pretende fazer (...) diante do prédio da Folha de S. Paulo (...) pode parecer desmiolado. Talvez seja, levando em conta que, no Brasil, os problemas são sempre 'dos outros'. Porém (...), a campanha contra a manipulação da mídia corporativa é um fenômeno mundial (...) Visto aí de São Paulo, talvez o Eduardo Guimarães pareça um grão de areia. Mas aqui de longe dá para perceber que uma ventania empurra uma duna para cima dos que estão transformando o Jornalismo em uma palavra de baixo calão"
O Azenha disse bem, ainda que não com estas palavras: num tempo em que a maioria acaba tendo reservas em se envolver, é "desmiolado" fazer o que fiz. Afinal, quem sou eu? Ninguém, para dizer o máximo. Sou apenas um cidadão comum, de classe média-média, que, agora, trabalha de empregado, que tem montes de problemas - como todos - e tem coisas muito mais importantes - referentes à própria vida - para se preocupar do que com um assunto distante do cotidiano de pessoas comuns como as questões de interesse público que me despertaram da minha confortável letargia de homem da multidão.
Por isso sou "desmiolado" e um "grão de areia" mesmo. Mas, como bem notou o Azenha, toda tempestade de areia começa com o primeiro grão levantado. Seu eu tiver sido esse grão, já poderei deixar esta vida consciente de que não a desperdicei toda preocupado só com minhas questiúnculas pessoais.
Escrito por Eduardo Guimarães às 19h52
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Sobre a entrevista
Alguns estão vendo manipulação de minha entrevista ao Portal Imprensa. Sinto-me na obrigação de dizer que a jornalista que me entrevistou fez uma matéria bem honesta. Aliás, achei até que haveria algum tipo de manipulação, porque o veículo em questão parece-me que tem alguma proximidade com a grande imprensa. Mas não aconteceu nada disso. A entrevista foi bem reproduzida. Eu é que não fui tão claro em alguns pontos, como quando respondi à questão sobre que veículo, a meu ver, seria melhor na imprensa. Eu estava no meio do expediente e não consegui me concentrar nas respostas como deveria. Se houvesse má-fé, a jornalista poderia ter explorado minha desatenção para dar conotação diferente às minhas palavras.
Escrito por Eduardo Guimarães às 14h38
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Entrevista ao Portal Imprensa
Publicado no Portal / Revista Imprensa em: 11/09/2007 17:08
Manifestação pelo "pluralismo na imprensa" acontece no próximo sábado
Por Cristiane Prizibisczki/Redação Portal IMPRENSA
Na manhã do próximo sábado (15), um grupo denominado "Movimento dos Sem Mídia" (MSM) pretende se reunir em frente do jornal Folha de S.Paulo para manifestação em favor da "pluralização da mídia".
Durante o ato, com início previsto para as 10h, será lido manifesto de quase sete laudas (cerca de 14 mil toques) pelo "direito de todos os segmentos da sociedade de receber informações em lugar desse monstrengo híbrido - gerado pela promiscuidade entre a notícia e a opinião - que a mídia afirma ser jornalismo".
O "Movimento dos Sem Mídia" foi criado pelo ex-comerciante Eduardo Guimarães, que se diz "irritado" com o comportamento da imprensa, principalmente nas últimas semanas, quando notícias sobre a influência da mídia nas decisões do STF no julgamento dos envolvidos com o mensalão foram divulgadas.
"Faz muito tempo que venho querendo tomar uma atitude. Sei que uma ação como esta nunca foi tentada por quem não é engajado em nenhum movimento. Mas, no momento em que fica claro que existe um processo de desmoralização dos poderes, em que os rumos do país são decididos com base no que querem meia dúzia de famílias, é necessário fazer alguma coisa", disse Guimarães, em entrevista ao Portal IMPRENSA.
Eduardo Guimarães, 48 anos, é morador de um bairro de classe média de São Paulo, atua como gerente de exportação de uma fábrica no interior do estado e já foi leitor assíduo dos jornais O Estado de S.Paulo e Folha de S.Paulo, mas hoje se diz contra ao que chamou de trabalho alicerçado em "critérios morais e políticos seletivos".
"Aquilo da repórter da Folha [referindo-se à matéria em que as informações foram registradas por uma repórter que presenciou conversa telefônica entre o ministro Lewandowski e seu irmão, em um restaurante de Brasília], ninguém vai me convencer que ela foi lá por acaso. Os políticos estão sendo monitorados, perseguidos", disse.
Segundo ele, o "Movimento dos Sem Mídia", que deve ser formalizado durante a manifestação de sábado, luta por uma mídia que dê voz a todo tipo de opinião e espaço para que o "outro lado" seja trabalhado sem distorções.
"No caso do Renan [Renan Calheiros, presidente do Senado], não que eu ache que ele seja inocente, mas só lemos notícias que falam contra ele. Essa unanimidade não existe. Deve haver alguém em algum lugar do país que seja a favor. Eu quero ouvir esse outro lado para formar minhas opiniões", afirma.
O local em que se dará a manifestação, de acordo com Guimarães, não foi escolhido por acaso. Segundo ele, apesar de a capital paulista ser sede de vários veículos - como TV Globo, jornal O Estado de S.Paulo e Editora Abril -, a rua Barão de Limeira tem posição "estratégica" e abriga um dos veículos mais "perigosos" do país.
"Diferentemente de outros veículos que deixam clara sua posição ideológica, a Folha tem uma capa, ela dissimula o que realmente defende. Por isso, ela faz um jornalismo perigoso", disse. Quando perguntado se existe alguma exceção na imprensa brasileira, Guimarães reluta em responder: Não sei. A Carta Capital é uma revista que critica o governo, mas ela já assumiu que ia defender o Lula. Para mim, isso é pluralismo".
Apesar de "cerca de 100 pessoas" já terem confirmado presença na manifestação, Guimarães disse acreditar que o número de participantes é imprevisível, mas, mesmo que esteja sozinho, ele garante que ela irá acontecer. "O país não avança porque ninguém se propõe a fazer nada pelo benefício comum. Precisamos fazer alguma coisa contra esse jornalismo lavador de cérebros", conclui.
A ação inaugural do "Movimento dos Sem Mídia" está sendo divulgada - e organizada - pelo blog de Guimarães, página que conta com visita diária de cerca de 700 pessoas. Para acessá-la, clique aqui.
Escrito por Eduardo Guimarães às 13h39
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Álibi da Folha
No momento em que se aproxima manifestação diante do prédio da Folha que pedirá jornalismo plural e apartidário, o jornal interrompeu o jornalismo laudatório e protocolar que vem dedicando ao prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, divulgando matérias que denunciam que a Prefeitura paulistana atendeu pedido de empresas que fornecem a alimentação dos alunos da rede municipal de ensino para que fosse permitido a essas empresas diminuírem a quantidade das refeições.
A mim parece óbvia a tentativa da Folha de enganar as pessoas com um factóide que, como tudo o que o jornal publica que possa incomodar tucanos e pefelês, desaparecerá, no máximo, depois da segunda ou terceira abordagem. E, para provar que não estou mentindo, apesar de a Folha ter mutilado absurdamente o sistema de busca em seus arquivos na internet - a meu ver, com a finalidade de dificultar que levantem posições e condutas passadas do jornal -, consegui pesquisar o que ela noticiou sobre Kassab desde o mês de abril.
Fiz uma relação de matérias da Folha vinculadas ao nome Kassab nos últimos cinco meses e pouco. Vocês notarão não só a benevolência extremada em relação ao prefeito, mas, também, como os esboços de denúncias contra ele jamais prosperam. E se eu fizer a mesma pesquisa com o nome de Serra, aí será muito pior. A ausência do jornalismo crítico tão ao gosto da Folha, no caso de Serra é escandalosa.
Também é bom explicar que colocar um político sob saraivada de denúncias é fácil, seja ele inocente ou culpado. Basta ouvir seus adversários que denúncias brotarão como mato em terreno baldio. Políticos com mandatos eletivos têm muita possibilidade de se corromper e qualquer acusação que se lhes faça ganha sentido automaticamente. Se a decisão da mídia for acuar Kassab, Serra ou qualquer outro, basta querer, pois denúncias, acusações e indícios jamais faltarão contra políticos, até contra os honestos.
Vejam, abaixo, como as matérias de ontem e de hoje da Folha destoam do tratamento que o jornal dá costumeiramente a Kassab e me digam se não parece que a publicação dessa matéria pretende construir um álibi para as acusações que estamos fazendo ao jornal.
04 abril - Kassab já fala em aliança externa com PSDB. 06 abril - Para fortalecer Kassab, Serra investe mais em prefeitura 14 abril - Kassab recua e libera gritos nas feiras 15 abril - Beijando kassab - artigo elogiando o prefeito 17 abril - Kassab deve se abster de decisão [de vetar lei] sobre benesses [a vereadores] 18 abril - Escolas de Kassab estão sem 2º professor 27 abril - Kassab e Serra recuam de pedagiar a Marginal 07 maio - Acaba prazo de Kassab para avaliar benesses a vereadores 08 maio - Kassab se omite, e benesse a vereador vai virar lei em SP 09 maio - Não me omiti, devolvi projeto, diz Kassab 11 maio - A virada e seu avesso [artigo de Kassab sobre evento promovido pela prefeitura] 12 maio - Kassab participa de encontro em Nova York 16 maio - Plano da prefeitura prevê pedágio, mas Kassab diz ser contra 20 maio - Kassab monopoliza tempo do DEM na TV para viabilizar [sua] candidatura 23 maio - Juiz suspende audiência e manda Kassab explicar plano diretor 25 maio - Kassab cria "juiz" para normatizar SP 01 junho - Kassab [em sabatina na Folha] afirma que a sua administração merece [nota] 10 01 junho - Prefeitura afirma que vai pagar inspeção de veículos 02 junho - Kassab é criticado por dar [nota] dez à sua administração 07 junho - Placa na Aclimação elogiosa a Kassab e a Dalton Silvano desrespeita Lei Cidade Limpa 09 junho - Kassab brinca com cachimbo de crack 10 junho - Verde que te quero verde [artigo de Kassab] 14 junho - Conselho quer que Kassab adie projeto de Plano Diretor 16 junho - Kassab proíbe anúncio em ônibus 19 junho - Marta volta à Prefeitura de SP para discutir projetos com Kassab e elogia prefeito 27 junho - TCM aprova as contas do 1º ano de Kassab 04 julho - Kassab já fala em suspender rodízio até o final de julho 07 julho - Kassab decide terça se rodízio volta na quarta 08 julho - Kassab diz que rodízio deve voltar na quarta-feira 12 julho - Kassab vai proibir estacionamento no centro 19 julho - Presidente Lula não telefonou para Serra e Kassab 20 julho - Serra e Kassab cobram medidas da Anac e de Lula 22 julho - Com 30%, Kassab dobra sua aprovação entre os paulistanos 23 julho - Canditura Kassab não tem volta, afirma Rodrigo Maia Kassab anuncia memorial no local do acidente 24 julho - Dividido, PSDB já cogita enfrentar Kassab [na eleição do ano que vem] 04 agosto - Kassab põe segurança particular em escolas 12 agosto - Reprovação a Kassab cai para 23%, menor índice desde a posse 15 agosto - Prefeito Gilberto Kassab altera cúpula do transporte - Amigo de irmão de Kassab assume diretoria da SPTrans 16 agosto - Kassab deve avaliação positiva e negativa ao projeto Cidade Limpa 20 agosto - Kassab diz que área de escape [em Congonhas] é necessária 21 agosto - Kassab limita a publicidade em teatros e cinemas 24 agosto - Kassab quer 5 novos corredores de ônibus 25 agosto - Kassab vai refazer projeto de lei que altera Conpresp 28 agosto - Marta busca se aproximar de Kassab 29 agosto - Kassab diz que não esvaziará o conselho do patrimônio 30 agosto - Obra do Iguatemi em frente à casa de Kassab é embargada 01 setembro - Kassab negocia anexar área de alunos de direito a parque 05 setembro - Kassab visita favela incendiada e é vaiado Kassab pede que Câmara dê trégua na disputa 07 setembro - Kassab vai distribuir sopa para 1,1 milhão de alunos em SP 08 setembro - Kassab quer remover 19 favelas das marginais 10 setembro - Projeto de Kassab reduz especialização de chefes 11 setembro - Sob pressão, Kassab anuncia hoje saída da secretária da Saúde
Escrito por Eduardo Guimarães às 12h41
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Não ir, será compactuar
Nestes dias, está sendo difícil conter a erupção de pensamentos que vem ocorrendo em minha mente. Preciso externar o que sinto, na esperança de dormir melhor esta noite.
Perdoem-me a insistência, mas preciso re-convocar pessoas de São Paulo que têm vindo aqui emprestar-nos sua solidariedade, mas que já vão dizendo que não poderão comparecer à Manifestação.
Entendo que as pessoas têm problemas ou afazeres e que para ninguém é fácil se organizar para participar de um Ato como o que propus há cerca de dez dias, mas preciso lembrar que também sou uma pessoa igual a qualquer outra, que tem problemas e afazeres como qualquer um.
Não vou explicar de novo os muitos afazeres que tenho que me dificultam a organização de uma Manifestação como essa. Quem quiser saber mais sobre o assunto, pode procurar no arquivo do blog ou até em posts recentes. Quero falar, só, em defesa de você mesmo(a).
Vejo pessoas tão indignadas neste e em tantos outros espaços da internet. É gente que não tem voz na mídia. Que é tratada como beneficiária do Bolsa Família, ignorante e desinformada. Ora, e você vai desperdiçar a chance de dizer em alto e bom som tudo o que diz por escrito na internet enquanto se contorce em sentimento de impotência?
Sei que você apóia o Movimento, que quer estar conosco "em pensamento", que terá dificuldade para ir à Manifestação, mas, como eu, se você quiser se respeitar na próxima vez que se indignar, não deixe de fazer o possível e o impossível para vir dar sentido ao que prega.
Não ir à Manifestação, tendo a menor possibilidade de ir, será compactuar com tudo que o afronta, insulta e, até, humilha todos os dias. Essa, infelizmente, é a verdade. Agora é com você.
Escrito por Eduardo Guimarães às 20h10
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Quem elegeu a mídia?
Sabem como eu vejo o Senado? Fechando os olhos e tentando idealizar o aspecto dos "habitantes" daquela Casa, a imagem que me vem à mente é a de 81 Renans Calheiros, todos vestidos da mesma forma, com a mesma postura física.
Sabem por que está sendo tão difícil cassar Renan? É porque favorezinhos de lobistas e negócios obscuros pesam contra a grande maioria dos senadores.
Dificilmente algum eventual sucessor de Renan estará acima de acusações. Aliás, se a mídia quisesse mesmo ética no Senado, deveria fazer campanha para Eduardo Suplicy ser conduzido ao cargo de presidente da Casa.
Ninguém quer Suplicy porque ele, além de indubitavelmente honesto, é apartidário, o que não deixa de ser um absurdo, na medida em que integra um partido. Mas todos se lembram de como a mídia deitou e rolou em cima das frases do senador à época do mensalão.
O problema não é o Renan original nem os muitos outros "Renans" do Senado, o problema é que não dá para acreditar num país em que a mídia tenha que chantagear parlamentares para obrigá-los a votar "certo".
E muito menos dá para a mídia fazer a mesma coisa em relação à Suprema Corte.
Avisado por um leitor, fui ler artigo de Alberto Dines no Observatório da imprensa, em que ele diz que a mídia "não quer acuar o Senado", mas deveria porque sem pressão os políticos não votam direito.
O problema do raciocínio de Dines não é grave, é escandaloso. Se o político que elegi tomar decisões que me desagradam, eu não voto mais nele. Mas e quando a mídia toma uma decisão com a qual não concordo, o que é que eu faço?
Durante os anos 1980 e 1990, a mídia foi invadida pelos fundamentos do Consenso de Washington. Foram milhares de artigos, editoriais e colunas de "especialistas" que ocuparam cada espaço informativo para defenderem privatizações e Estado mínimo como panacéia para nossos problemas econômicos e sociais.
Deu no que deu.
Eu cobro de quem o desastre que as receitas dos governos Collor e FHC causaram? De Collor e de FHC, só? Negativo, pois eles não teriam tido sucesso em chegar ao poder e implementarem suas tragédias se não fosse a mídia.
Quem defendeu a eleição de Collor contra Lula? Quem defendeu, duas vezes, a eleição de FHC contra Lula? Eu respondo: Folha, Estadão, Veja, Globo e todos os outros que continuam do mesmo lado em que estavam antes.
Não há eleição para meio de comunicação. Esses meios, porém, mantêm-se grandes e fortes muito às custas de dinheiro público. E recebem muito dinheiro público porque são grandes e fortes. Porém, ninguém votou neles e dizer que o público pode não ver mais a Globo se ela não for honesta, é piada.
Como é que eu faço para refrescar a memória dos 90% dos brasileiros que assistem à Globo no que tange o que ela difundiu no passado em defesa, por exemplo, do câmbio fixo tucano que resultou no desastre cambial de 1999? A Globo me dará espaço para reclamar?
Eu posso não gostar dos políticos, mas daí a deixar que jornais e revistas representem meus interesses de cidadão? Eu não dei voto nenhum à imprensa. É um absurdo o que escreveu Dines. Isso já não é nem mais corporativismo, é um randevu corporativo.
Por isso, repito que vou para diante da Folha, no sábado, ler o Manifesto que escrevi junto com vocês. Deixar claro que não dou meu aval àquele veículo - e a nenhum outro - para que me represente de maneira nenhuma.
Escrito por Eduardo Guimarães às 15h48
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Nós no Portal Imprensa
Uma jornalista do Portal e Revista Imprensa me ligou agora à tarde para me entrevistar sobre a Manifestação de sábado. Pode ser que não consigamos juntar muitos manifestantes diante da Folha, mas estamos conseguindo provocar algum rebuliço nós bastidores da mídia. Será uma pena se todo esse esforço não se traduzir num ato que chame a atenção da sociedade para a necessidade de uma imprensa plural e apartidária.
www.portalimprensa.com.br
Escrito por Eduardo Guimarães às 14h15
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Nós no Blue Bus
Para quem se interessa pelos sites mais influentes da mídia, o Blue Bus é referência. Como se autodefine aquele espaço:
"Blue Bus, fundado em 1995, não tem outra pretensão intelectual ou prática do que, como um ônibus, 'levar as pessoas aos lugares' através de notas curtas e links, como um 'guia' diário instalado basicamente sobre o assunto 'mídia', mas, também, colecionando informações 'relacionadas' nas áreas de negócios, comportamento, etc."
Um de nossos pares reportou que o Blue Bus acaba de repercutir a manifestação do próximo sábado. Abaixo, reproduzo a notícia do site.
"Movimento pelo jornalismo plural vai fazer manifestação em frente da Folha 10:28
Um movimento que surgiu nos blogs posicionados à esquerda pretende levar para a frente do prédio da Folha no dia 15, sábado, as 10:00 hs., 'o maior número possível de pessoas' que queiram protestar em favor de um jornalismo plural, 'que dê tratamento e oportunidades iguais às várias tendências, idéias, grupos e classes'. A recomendação dos organizadores é a de que seja uma manifestação civilizada, pacífica e sem palavras ou faixas ofensivas. Haverá leitura de um manifesto assinado pelo autodenominado Movimento dos Sem Mídia.
Controlada com cuidadoso rigor por meia dúzia de famílias, a mídia brasileira talvez nunca tenha imaginado ver uma reação dessas diante das suas portas - atitude impensável até bem pouco tempo atrás. O esforço começa no sábado diante do prédio da Folha, mas deve se estender à frente de outras sedes de jornais e TVs. Só não se sabe ainda o tamanho da massa ou quanta repercussão irá causar nas midias internacionais."
http://www.bluebus.com.br/show.php?p=1&id=79250
Escrito por Eduardo Guimarães às 13h25
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Quem é louco?
Há pouco conversei por telefone com uma moça que tem sido vital para os preparativos da Manifestação. Seu nome é Thais Barbour, advogada daqui de São Paulo, que hoje enviou os ofícios às autoridades paulistanas comunicando nossa ida para a frente da Folha de São Paulo no próximo sábado. Não bastando, Thais se prontificou a providenciar faixas com os dizeres que postei aqui no domingo. Querem mais? Ela já escalou o que deve ser uns 80% de sua família para comparecer ao Ato que propus.
Todos nos importamos, cada um à sua maneira, com o que está acontecendo no Brasil. Vou dizer, contudo, por que me importo em tirar um sábado que antecede uma longa viagem de trabalho para ir a um "programa" tão pouco... cômodo. Por que deixarei de estar no conforto do meu lar? Por que irei me expor ao manifestar opinião política tão polêmica?
É que eu acredito que a injustiça praticada por alguns, quando afeta a todos, se entre esses todos ninguém decidir tomar uma atitude, todos, fatalmente, sofrerão os efeitos daninhos de um processo assustador que está ocorrendo no Brasil. É um processo em que meia dúzia de famílias decidem o que sente e o que não sente a "opinião pública" e, independentemente de qualquer pesquisa, de qualquer sondagem, transforma esse sentimento no de todos por arbitrária vontade de uns poucos.
Preocupa-me quando homens que galgaram por suas próprias pernas os degraus da magistratura passam a julgar como querem jornais, revistas e tevês. Preocupa-me quando o Senado da República recebe, em colunas e editoriais, o aviso de que será desmoralizado se não votar como querem os donos dos veículos que acusaram, julgaram e condenaram o presidente daquela Casa independentemente do processo legal.
Como podem os donos da Globo, da Folha, do Estadão ou da Veja - sendo esta de um grupo empresarial acusado de violação da lei -, entre outros, ameaçarem abertamente juízes e senadores de desmoralização na mídia se não acatarem as opiniões políticas desses veículos? Em que país civilizado do mundo a mídia tem tal poder? Em que tratado sociológico encontra-se o fundamento justificador de uma sociedade que se conduz pelos caprichos dos donos da imprensa?
Eu não posso entender é como não tomar uma atitude. Claro que todos tememos o fracasso... Vocês pensam que eu não sei que poderei chegar diante da Folha de São Paulo e ali não aparecer ninguém ou só aparecerem uns dois gatos-pingados? Sim, eu penso nisso e, como disse à doutora Thais hoje por telefone, essa possibilidade, para mim, já está "precificada". Estou disposto a ir sozinho à Folha e depois ter que esperar minha família ir me buscar no hospício, que é para onde vão mandar alguém que vai sozinho com um megafone gritar diante do maior jornal do país.
Disseram-me que estou louco. E eu achando que louco seria quem, sem tomar atitude nenhuma, deixasse meia dúzia de empresários do ramo das comunicações tentar governar o país na marra .
Escrito por Eduardo Guimarães às 21h35
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República da chantagem
Ninguém, nem Paulo Maluf, nem Collor, nem Bush, nem Saddan Hussein, nem Osama Bin Laden tiveram contra si uma unanimidade tão grande quanto a que se vê nos jornais contra Renan Calheiros. Talvez Hitler...
O fato é que a famosa expressão "faca no pescoço", de triste memória, ganha nova dimensão com a cobertura da mídia sobre o caso Renan Calheiros. A faca, de novo, é a imprensa, mas o pescoço, desta vez, é o do Senado.
A imprensa ameaça o Senado com o fogo dos infernos caso não casse Renan. Quem, entretanto, for capaz de pensar além de suas idiossincrasias políticas, certamente se dará conta de que a imprensa tenta condenar Renan no grito intimidando os senadores com uma cobertura desfavorável de seus supostos votos.
Todos sabem que hoje não é mais preciso provar nada contra ninguém para culpá-lo - se for petista ou ligado, de alguma forma, ao PT - ou para inocentá-lo - se for tucano ou ligado, de alguma forma, ao PSDB.
Assim, não será necessário provar qual senador votou a favor ou contra Renan. Bastará pôr nos jornais afirmações de fontes "secretas" dizendo que este ou aquele senador votou desta ou daquela forma.
O uso desse tipo de jornalismo criou um sistema de intimidação de autoridades incompatível com a democracia.
O sistema funciona assim: a mídia, em uníssono, "fecha questão" sobre algum assunto. Divulga uma avalanche de matérias mostrando porque sua opinião é a certa e, depois, expõe à execração pública quem discordar.
Se você não quer compactuar com essa ditadura de meia dúzia de magnatas donos da mídia, compareça, dia 15 de setembro próximo, diante do prédio da Folha de São Paulo, às 10 da manhã, à manifestação de protesto contra esse tipo de "jornalismo".
Escrito por Eduardo Guimarães às 16h47
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Detalhes finais
Este post, tentarei fazê-lo sucinto para que deixemos as discussões semânticas e conceituais de lado e partamos para o que agora mais nos interessa, que é manifestação em si e como levarmos o maior número de pessoas a participar. Quem é de outros Estados, ajudará mais se conseguir manter contato aqui em São Paulo com quem possa comparecer diante da Folha no próximo dia 15 de setembro às dez da manhã.
Faixas e burocracia
Resta-nos fazer as faixas. Uma das leitoras, a advogada Thais Barbour, de São Paulo, propôs cuidar do encaminhamento de minha comunicação às polícias civil e militar e ao Detran e mandar fazer algumas faixas.
Estou de partida para a Colômbia a trabalho na semana seguinte à da manifestação. A partir desta segunda-feira, saio de casa às 5:30 da manhã para retornar às nove da noite. Assim, não poderei fazer muito mais do que colocar alguns posts aqui no blog, como faço sempre.
Dizeres das faixas
Para não complicar, sugiro aqui algumas frases que acho serem as mais importantes dentro dos princípios que nos movem:
1- "Quero que a mídia fale, mas não me cale"
2 - "Não somos contra ninguém, mas a favor do jornalismo sério"
3 - "Liberdade de imprensa ou liberdade de empresa?"
4 - "Chega de moralismo seletivo"
5 - "Imprensa plural, país igual"
Princípios
Em minha opinião, isso chega. Sou contra "Imprensalão", "vendida", "canalha" e qualquer outro tipo de insulto. Nossa manifestação é pacífica e civilizada, pelo menos como a vejo. Um grupo de cidadãos de classe média - não há um só muito pobre entre nós - que está cansado do jornalismo "jurisprudenciado" que vige aqui. Esse neologismo nasceu do conceito do jornalista Luis Nassif de que hoje vige uma "jurisprudência" (norma jurídica impositiva) no jornalismo, que produz todo ele o mesmo conteúdo.
Megafone
Já tenho o megafone e o monte de pilhas que requer, com estoque para não ficarmos sem "voz" no dia da manifestação. É um aparelho "profissional", o modelo mais potente do mercado, e toca até sirene - alto, bem alto.
Cronograma
Peço encarecidamente a todos os que pretendem comparecer ao ato do sábado que vem que sejam pontuais. Não podemos ficar perdendo muito tempo no local da manifestação para não atrapalharmos o trânsito e o fluxo de pedestres por um segundo além do estritamente necessário.
Minha proposta é a seguinte:
10:00 hs. - reunião em frente ao prédio da Folha de São Paulo, situado na Alameda Barão de Limeira nº 425, no bairro de Campos Elíseos - a estação de metrô mais próxima é a estação República. De lá, qualquer um informa onde fica a Barão de Limeira. Dá uns dez minutos de caminhada.
11:00 hs. - Serão escolhidos 5 manifestantes para lerem seus textos. A quem quiser participar da escolha para ler uma manifestação própria, peço que envie texto de uma lauda (um lado de uma folha de papel A4) para o e-mail edu.guim@ig.com.br. Publicarei, aqui, os textos escolhidos.
12:00 hs. - Leitura do manifesto, assinatura pelos presentes que quiserem assiná-lo e entrega do documento à portaria da Folha junto com todos os exemplares do jornal que forem levados para a manifestação.
Ao fim desse Ato, a manifestação será dissolvida. Convidarei quem quiser para uma conversa num lugar mais calmo, ao ar livre, mas não será no centro e, portanto, quem estiver interessado em ir terá que tomar o metrô e caminhar um pouco para chegar ao local.
Conduta
Por desnecessário que seja dizer, quero lembrar o quão importante é que todos nos mantenhamos dentro dos parâmetros da boa educação e da civilidade. Não causar danos ao patrimônio público, não ser agressivo, não insultar, saber colocar eventuais provocações no lugar de onde vêm, ou seja, do desejo de tumultuar. Reagir a provocações é colaborar com o objetivo dos provocadores, se é que haverá quem faça isso.
O que levar
Faixas, celulares, gravadores, filmadoras, câmeras fotográficas, panfletos, água, remédios e objetos de uso estritamente indispensável.
O que NÃO levar
Qualquer tipo de texto, imagem ou objeto que insulte ou agrida alguém de qualquer forma. Reitera-se a natureza PACÍFICA e CIVILIZADA da manifestação.
Pontualidade
Mais uma vez, peço a quem pretende comparecer, que seja pontual. Será vital para o sucesso da Manifestação, pois não será às 10:05 hs., às 10:10 hs. ou às 10:15 hs; será às 10:00 hs. que nos encontremos em frente à Folha de São Paulo no próximo sábado.
Identificação
Sugiro a todos que, ao se aproximarem do local da manifestação, que preguem com um alfinete um pedaço de papel branco (do mais espesso que puderem encontrar) na altura em que fica a lapela de uma camisa, mesmo que estejam usando camisetas, blusas etc. No papel, escrevam, em letra negra e grande (caixa 36, se escreverem no computador), a sigla " MSM ".
A sorte está lançada
Durante a semana, conforme tiver tempo, irei publicando posts e enviando e-mails a todos os que manifestaram disposição de ir ou que acham que podem conseguir quem vá. Reitero, também, que seria de uma ajuda inestimável que quem não possa ir consiga alguém daqui de São Paulo que concorde em comparecer à Manifestação.
Manifesto
Lembro, finalmente, que, no post anterior a este, está a versão final do Manifesto que será lido, assinado e entregue à Folha no sábado que vem.
Escrito por Eduardo Guimarães às 10h43
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Manifesto - versão final
Como o tempo já se faz curto e temos que partir para outras medidas, apresento-lhes a versão final do documento.
Foram feitas mudanças mais sutis, de forma a tornarem mais clara a compreensão de alguns pontos.
Agora, vamos tratar dos dizeres das faixas e do cronograma da Manifestação.
Começo a trabalhar nesse cronograma hoje e, ao fim, enviarei um e-mail para os que já confirmaram presença no ato que promoveremos.
Quem não pôde confirmar presença ou que irá independentemente deste blog, espera-se que atente para os princípios e condutas que peço que norteiem o ato que promoveremos.
Peço que, na semana que entra, acompanhem com mais atenção e com maior freqüência o que aqui será publicado, para que aumentemos a coesão do nosso grupo.
Agora o Manifesto.
Manifesto dos Sem-mídia
Vivemos um tempo em que a informação se tornou tão vital para o homem que passou a integrar o arcabouço de seus direitos fundamentais. Defender a boa qualidade da informação, pois, é defender um dos mais importantes direitos fundamentais do homem. É por isso que estamos aqui hoje. No transcurso do século XX, novas tecnologias geraram o que se convencionou chamar de mídia, isto é, o conjunto de meios de comunicação em suas variadas manifestações, tais como a secular imprensa escrita, o rádio, o cinema, a televisão e, mais recentemente, a internet. Essa mídia, por suas características intrínsecas e por suas ações extrínsecas, tornou-se componente fundamental da estrutura social, formada que é por meios de comunicação de massa. Em todas as partes do mundo - mas, sobretudo, em países continentais como o nosso -, quem tem como falar para as massas controla um poder que, vigendo a democracia, equipara-se aos Poderes constituídos da República. E, vez por outra, até os suplanta. Essa realidade pode ser constatada pela simples análise da história de regiões como a América Latina, em que o poder dos meios de comunicação logrou eleger e derrubar governos, aprovar leis ou impedir sua aprovação, bem como moldar costumes e valores das sociedades. Contudo, há fartura de provas de que, freqüentemente, esse descomunal poder não foi usado em benefício da maioria.
- continua abaixo -
Escrito por Eduardo Guimarães às 08h53
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- continuação -
Não se nega, de maneira alguma, que as mídias, sobretudo a imprensa escrita, foram bem usadas em momentos-chave da história, como nos estertores da ditadura militar brasileira, quando a pressão (tardia) de parte dessa imprensa ajudou a pôr fim à opressão de nossa sociedade pelo regime dos generais. Todavia, é impossível ignorar que a ditadura foi imposta ao país graças, também, à mesma imprensa que hoje vocifera seus neo pendores democráticos, nascidos depois que sua recusa pretérita de aceitar governos eleitos legitimamente atirou o país naquela ditadura de mais de vinte anos. O lado perverso da mídia também se deve, por contraditório que possa parecer, à sua natureza privada, uma natureza que também é - ou deveria ser - uma de suas virtudes. Nas mãos do Estado, a mídia seria uma aberração, mas quando é pautada exclusivamente por interesses privados, seu lado obscuro emerge tanto quanto ocorreria na primeira hipótese, pois um poder dessa magnitude acaba sendo usado por diminutos grupos de interesse. Nas duas situações, quem sai perdendo é a coletividade, pois o interesse de poucos acaba se sobrepondo ao de todos.
A submissão da mídia ao poder do dinheiro é um fato, não uma suposição. Os meios de comunicação privados nada mais são do que empresas que visam lucro e, como tais, sujeitam-se a interesses que, em grande parte das vezes, não são os da coletividade, mas os de grandes e poderosos grupos econômicos. Estes, pelo poder que têm de remunerar o “idealismo” que lhes convêm, cada vez mais vão fazendo surgir jornalistas dispostos a produzir o que os patrões requerem, e o que requerem, via de regra, é o mesmo que aqueles grupos econômicos, o que deixa a sociedade desprotegida diante da voracidade daqueles que podem (?) esmagar divergências simplesmente ignorando-as. É nesse ponto que jornalistas e seus patrões contraem uma união estável com facções políticas e ideológicas que não passam de braços dos interesses da iniciativa privada, dos grandes capitais nacionais e transnacionais, do topo da pirâmide social. E a maioria da sociedade fica órfã, indefesa diante do poder dos de cima de alardearem seus pontos de vista como se falassem em nome de todos. Agora mesmo, na crise que vive o Senado Federal, vemos os meios de comunicação alardearem uma suposta "indignação nacional" com o presidente daquela Casa. Esses meios dizem que essa indignação é "da opinião pública", apesar de que a maioria dos brasileiros certamente está pouco se lixando para a queda de braço entre o presidente do Congresso e a mídia. Nesse processo, a "indignação" de meia dúzia de barões da mídia é apresentada como se fosse a "da opinião pública". O poder que a mídia tem - ou pensa que tem - é tão grande, que ela ousa insultar a ampla maioria dos brasileiros, maioria que elegeu o atual governo. A mídia insulta a maioria dizendo que esta tomou a decisão eleitoral que tomou porque é composta por "ignorantes" que se vendem por "bolsas-esmola". Retoma, assim, os fundamentos do voto censitário, que vigeu no alvorecer da República, quando, para votar, o cidadão precisava ter um determinado nível de renda e de instrução. E o pior, é que a teoria midiática para explicar por que a maioria da sociedade não acompanhou a decisão eleitoral dos barões da mídia, esconde a existência de cidadãos como estes que aqui estão, que não pertencem a partidos, não recebem "bolsas-esmola" e que, assim mesmo, não aceitam que a mídia tente paralisar um governo eleito por maioria tão expressiva criando crises depois de crises.
É óbvio que a mídia sempre dirá que suas tendências e pontos de vista coincidem com o melhor interesse do conjunto da sociedade. Dirá isso através da confortável premissa (para os beneficiários preferenciais do status quo vigente) de que as dores que a prevalência dos interesses dos estratos superiores da pirâmide social causa aos estratos inferiores, permitirão a estes, algum dia, ingressarem no jardim das delícias daqueles. É a boa e velha teoria do “bolo” que precisa primeiro crescer para depois ser dividido.
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Escrito por Eduardo Guimarães às 08h52
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Os meios de comunicação sempre tomaram partido nos embates políticos. Demonizam políticos e partidos que grupos de interesses políticos e econômicos desaprovam e, quando não endeusam, protegem os políticos que aqueles grupos aprovam. Isso está acontecendo hoje em relação ao governo federal e à sua base de apoio parlamentar, por um lado, e em relação à oposição a esse governo e a seus governos estaduais e municipais, por outro. Resumindo: a mídia ataca o governo central em benefício de seus opositores.
Os meios de comunicação se defendem dizendo que atacam o governo central também porque ele nada faz de diferente - ou de melhor - do que fazia a facção política que governava antes, e diz, ainda por cima, que o atual governo produz "mais corrupção". Alguns veículos, mais ousados, acrescentam que os que hoje governam favorecem mais o capital do que seus antecessores. Outros veículos, mais dissimulados, ainda adotam um discurso quase socialista ao criticarem os lucros dos bancos e o cumprimento dos contratos que o governo garante. A mídia chega a fazer crer que apoiaria esse governo se ele fizesse despencar a lucratividade do sistema bancário e se rompesse contratos. Faz isso em contraposição ao que dizia dos políticos que agora estão no poder, porém no tempo em que estavam na oposição, ou seja, dizia que não poderiam chegar ao poder porque, lá chegando, descumpririam contratos e prejudicariam o sistema bancário...
A mídia brasileira garante que é “isenta”, que não é pautada por ideologias ou por interesses privados, e que trata os atuais governantes do país como tratou os anteriores. Não é verdade. Bastaria que nos debruçássemos sobre os jornais da época em que os que hoje se opõem ao governo federal estavam no poder e comparássemos aqueles jornais com os de hoje. Veríamos, então, como é enorme a diferença de tratamento. Nunca a oposição ao governo federal foi tão criticada pela mídia quanto na época em que os que hoje estão no governo, estavam na oposição; nunca o governo foi tão defendido pela mídia quanto era na época em que os que hoje estão na oposição, estavam no governo. Não é preciso recorrer a registros históricos para comprovar como os pesos e medidas da mídia diferem de acordo com a facção política que ocupa o poder. Basta, por exemplo, comparar a forma como os jornais paulistas cobrem o governo do Estado de São Paulo com a forma como cobrem o governo do país. A mesma facção política governa São Paulo há mais de uma década. Nesse período, o Estado foi tomado pelo crime organizado. A Saúde pública permanece - ou se consolida - como um verdadeiro caos, apesar das novas tecnologias e da enorme quantidade de recursos que transitam por São Paulo. A Educação pública permanece como uma das piores do país a despeito da pujança econômica paulista. Assim, começaram a eclodir desastres nunca vistos na locomotiva do Brasil que é São Paulo. Ano passado, uma organização criminosa aterrorizou este Estado. Essa organização nasceu e se fortaleceu dentro dos presídios controlados pelo governo paulista. A Febem, destinada a recuperar jovens criminosos, consolidou-se como escola de crimes, e as prisões para adultos alcançaram o status de faculdades do crime. No início deste ano, uma rua inteira ruiu por causa de uma obra da linha quatro do metrô paulistano, administrado pelo governo paulista. Várias pessoas morreram. Foi apenas mais um entre muitos outros acidentes que ocorreram nas obras do metrô de São Paulo e a mídia não noticia nada disso, o que lhe deixa escandalosamente óbvio o intuito de proteger o grupo político que governa o Estado mais rico da Federação e que se opõe ferozmente ao governo federal. A mídia exige CPIs para cada suspeita que a oposição levanta sobre o governo federal, mas não diz uma palavra de todos os escândalos envolvendo o governo de São Paulo. Omite-se quanto à violação dos direitos das minorias parlamentares na Assembléia Legislativa paulista, violação perpetrada pelas maiorias governistas, maiorias que nos últimos anos enterraram dezenas de pedidos de investigação do governo paulista, controlado por políticos que estão entre os que mais exigem investigações sobre o governo federal.
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Escrito por Eduardo Guimarães às 08h51
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Seria possível passar dias escrevendo sobre tudo o que a imprensa paulista deveria cobrar do governo do Estado de São Paulo, mas não cobra. Ler um jornal impresso em São Paulo ou assistir a um telejornal produzido aqui só serve para tomar conhecimento do que faz de ruim - ou do que a mídia diz que faz de ruim - o governo federal. Dificilmente se encontra informações sobre o governo paulista, e críticas, muito menos. O desastre causado pela obra da linha quatro do metrô paulistano, por exemplo, foi coberto pela mídia, mas por pouco tempo - questão de dias. Depois, o assunto desapareceu do noticiário e nunca mais voltou. Dali em diante, a mídia passou a esconder e a impedir qualquer aprofundamento no caso, fazendo com que a sociedade permaneça sem satisfação quase nove meses depois da tragédia. Mas o "caos aéreo" não sai da mídia um só dia já há quase um ano. Assim é com tudo que diga respeito a políticos e partidos dos quais a imprensa paulista gosta. E o mesmo se reproduz pelo país inteiro. A mídia carioca, a mídia baiana, a mídia gaúcha, as mídias de todas as partes do país fazem o mesmo que a paulista, pois todas são uma só, obedecem aos mesmos interesses, controladas que são por um número ridiculamente pequeno de famílias "tradicionais", por uma oligarquia que domina a comunicação no Brasil desde sempre. O lado mais perverso desse processo é o de a mídia calar divergências. Cidadãos como estes que assinam este manifesto são tratados pelos grandes meios de comunicação como se não existissem. São os sem-mídia, somos nós que ora manifestamos nosso inconformismo. Muito dificilmente é dado espaço pela mídia para que quem pensa como nós possa criticar o seletivo moralismo midiático ou as facções políticas amigas dos barões da mídia. A quase totalidade dos espaços midiáticos é reservada àqueles que concordam com os grandes meios de comunicação. Jornalistas que ousam discordar, são postos na "geladeira". A mídia impõe uma censura branca ao país. Isso tem que parar.
Claro precisa ficar que os cidadãos que assinam este manifesto não pretendem, de forma alguma, calar a mídia. Os que qualificam qualquer crítica a ela como tentativa de calá-la, agem com má-fé. É o contrário, o que nos move. O que pedimos é que a mídia fale ou escreva muito mais, pois queremos que fale ou escreva tudo o que interessa a todos e não só aquilo que lhe interessa particularmente e àqueles que estão ao seu lado, pois a mídia tem lado, sim, apesar de dizer que não tem, e esse lado não é o de todos e nem, muito menos, o da maioria. Mais do que um direito, fiscalizar governos, difundir idéias e ideologias, é obrigação da mídia. Assim sendo, os signatários deste manifesto em nada se opõem a que essa mesma mídia critique governo nenhum, facção política nenhuma, ideologia de qualquer espécie. O que nos indigna, o que nos causa engulhos, o que nos afronta a consciência, o que nos usurpa o direito de cidadãos, é a seletividade do moralismo político midiático, é o sufocamento da divergência, é o soterramento ideológico de corações e mentes. Por tudo isso, os signatários deste manifesto, fartos de uma conduta dos meios de comunicação que viola o próprio Estado de Direito, vieram até a frente desse jornal dizer o que ele e seus congêneres teimam em ignorar. Viemos dizer que existimos, que todos têm direito de ter espaço para seus pontos de vista, pois a mídia privada também se alimenta de recursos públicos, da publicidade oficial, e, assim sendo, tem obrigação de não usar os amplos espaços de que dispõe como se deles proprietária fosse. Seu papel, seu dever é o de reproduzir os diversos matizes políticos e ideológicos, de forma que o conjunto da sociedade possa tomar suas decisões de posse de todos os fatos e matizes opinativos. Em prol desse objetivo, hoje está sendo fundado o Movimento dos Sem-Mídia. Trata-se de um movimento que não está cansado de nada, pois mal começou a lutar pelo direito humano à informação correta, fiel, honesta e plural. Aqui, hoje, começamos a lutar pelo direito de todos os segmentos da sociedade de terem como expor suas razões, opiniões e anseios e de receberem informações em lugar desse monstrengo híbrido - gerado pela promiscuidade entre a notícia e a opinião - que a mídia afirma ser "jornalismo". São Paulo, 15 de setembro de 2007
Signatários:
1º____Eduardo Guimarães______
Escrito por Eduardo Guimarães às 08h50
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