Rumos do MSM
 
 
 
 
Há três meses e meio, num daqueles momentos em que a mídia ultrapassa todos os limites, escrevi aqui um post intitulado "Isso tem que parar", no qual propus que fizéssemos em São Paulo um ato público de repúdio contra as ações orquestradas dessa mídia. Para minha surpresa, centenas de leitores deste blog se disseram dispostos a me acompanhar nesse ato. Tratavam-se de pessoas integrantes de uma parte da sociedade que não consegue mais ficar de braços cruzados diante dos abusos que as famílias Marinho, Civita, Mesquita, Frias e assemelhadas praticam contra o país cotidianamente, numa tentativa de fazerem prevalecer seus interesses e opiniões, sobretudo seus interesses e opiniões políticos e ideológicos.
 
Esse ato, amadurecemos aqui neste blog a conclusão de que teria que ter visibilidade. Para tanto, escolhemos nos manifestar diante da sede do maior jornal do país, de um jornal que, coincidentemente, naquele momento estava na vanguarda dos veículos manipuladores que, havia pouco, tinham conseguido pautar uma decisão da Suprema Corte do país através da intimidação dos juízes, ameaçados pelos meios de comunicação de desmoralização pública, o que fez um dos juízes daquela Corte declarar publicamente que a instituição que integrava tinha tomado uma decisão "com a faca no pescoço", ou seja, pressionada pela mídia.
 
Ao ato diante da Folha de São Paulo acorreram quase duas centenas de pessoas, algumas de outras cidades e até de outros Estados. Os que apoiaram aquela reação da sociedade civil aceitaram se intitular "sem-mídia". Concomitantemente, quase mil pessoas, na contabilidade final dos apoios que recebemos desde a convocação daquele ato até sua realização efetiva, deixaram comentários aqui neste blog apoiando o protesto que fizemos, e muitas dessas pessoas opinaram que não deveríamos nos dispersar.
 
Diante daquelas manifestações de apoio e do desejo de transformarmos uma mobilização, até então inédita na sociedade, em um instrumento de reação contra os poderes discricionários da mídia, mergulhei num profundo processo de reflexão sobre como poderia manter aquela mobilização, pois entendia que a desmobilização, depois de um ato gerado por um momento de indignação exacerbada, seria inevitável.
 
A inevitabilidade da dispersão daqueles apoios se devia ao fato de que o que movia toda aquela gente não eram interesses particulares. Assim, quando a indignação se acomodasse as pessoas fariam o mesmo, pois, sem instrumentos, como lutar? Mas os que se uniram a mim naquele momento, não estavam indignados por razões egoístas. Eram oriundos da classe média, pessoas politizadas e informadas que, na verdade, não têm razões próprias para quererem meios de comunicação confiáveis, plurais e responsáveis. Querem porque uma mídia séria seria boa para o país. Só por isso.
 
Confesso a vocês que aquele foi um momento de sonho para mim. Nunca imaginei que houvesse tanta gente imbuída de sentimentos tão nobres, e capaz de ver as coisas com tanta clareza. E mais: nunca imaginei que seriam tantos os que viam na mídia os mesmos defeitos intrínsecos que eu via. Muito menos imaginei que considerável fração daquele grupo social indignado seria capaz de atender à convocação que lhe fiz.
 
Vejam, a seguir, o que escrevi quando convoquei os sem-mídia a me acompanharem para diante da Folha. Notem, porém, que naquele post de 1º de setembro de 2007 - que obteve o número, até então recorde, de 173 comentários - eu disse cada uma das propostas que mantenho até hoje. E disse de forma muito clara, antes de nem sequer cogitarmos criar o MSM ou que iríamos mesmo para diante da Folha. Nada do que eu disse depois diferiu daquele post. Leiam, então, abaixo, o texto que deu origem ao Movimento dos Sem-Mídia.
 
1º de setembro de 2007
 
Isso tem que parar
 
Dia após dia nos vejo aqui reclamando, escrevendo nossa indignação, impotentes, vendo um país que atravessa um de seus melhores momentos na história perdendo tempo precioso com politicagem. Um tempo vital para milhões de brasileiros que, heroicamente, tentam sobreviver, apesar de doentes, famintos, habitando buracos fétidos, mergulhados na ignorância, cercados pela violência.
 
O país está parado devido à picuinha de meia dúzia de veículos de comunicação e de algumas dezenas de parlamentares  oposicionistas que, por meio desses veículos, conseguem impedir a tramitação de projetos no Congresso que poderiam melhorar a vida de milhões.
 
Autoridades dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário passaram a viver sob vigilância, sob a espionagem de mercenários pagos por donos de impérios midiáticos para constranger e/ou espionar qualquer gesto ou palavra menos formais que, como seres humanos, alguma dessas autoridades cometa em sua intimidade.
 
Enquanto isso, os pistoleiros de aluguel dos barões da mídia debocham dos indignados com a paralisação do país por querelas políticas.
 
Até quando aceitaremos isso passivamente? Até quando continuaremos em pequenos espaços como este para lamentar, lamentar e lamentar indefinidamente?
 
Precisamos fazer alguma coisa. Neste blog somos algumas centenas, entre os que vêm sempre, o que não é nada. Mas se juntarmos todos os blogs, todas as correntes de e-mail em reuniões pelo país, talvez pudéssemos passar das lamúrias à ação.
 
Faríamos isso independentemente de sindicatos, de partidos, desses que, quando se juntam, não são levados a sério por pertencerem a corporações partidarizadas. Nós, não. Somos cidadãos comuns, trabalhadores, profissionais liberais, pessoas comuns que poderiam sair da frente de seus computadores e tomar uma atitude.
 
Quantos de vocês são de São Paulo? Poderíamos nos reunir e marchar diante da sede da Globo, da Folha, do Estadão denunciando, distribuindo panfletos a todos os que passassem na frente desses veículos. Se meia dúzia de gatos pingados do tal Cansei podem sair à rua para gritarem suas razões, por que é que nós não podemos fazer o mesmo?
 
Não precisamos de dinheiro. Vamos marcar hora e lugar. Quem puder trazer um megafone, que traga. Do contrário gritaremos. Se não pudermos fazer grandes faixas, escreveremos em cartolinas. O importante é tomamos uma atitude. Quem for de outros Estados e puder vir a São Paulo, ao quartel-general do reacionarismo brasileiro, que venha.
 
Mas precisamos de pessoas dispostas a tirar seus traseiros da cadeira, suas testas do computador. E sei que vocês estão loucos para isso. Eu estou disposto. Podemos marcar uma data e, até lá, arregimentaremos quantos pudermos. Escolhemos um meio de comunicação e vamos nos postar diante dele para protestar. Eu estou disposto.
 
Aguardo vossas manifestações. Se formos cem, seremos cem a protestar. Mas na frente, bem na frente de uma Folha, de uma Globo, de um Estadão, de uma Veja. Nada de bandeiras ou camisetas. Seremos cidadãos comuns, apartidários, dizendo que não aceitamos mais que continuem a prejudicar o país. A cada um que passar diante dos jornais, tevês que escolhermos, faremos nossa denúncia.
 
Nunca ninguém fez isso. Vocês já souberam de manifestação diante de uma Folha, de um Estadão, de uma Veja?
 
Quem está disposto? Sei que muita gente vive longe de São Paulo, desta terra de preconceito, de arrogância dos barões da mídia, mas é daqui que emanam as ondas de reacionarismo, de deboche, de preconceito, de racismo, de tudo que nos afronta. É aqui, na terra de FHC e de Serra, que temos que lutar.
 
Poderíamos marcar um encontro nacional num fim de semana. Quem estiver mais perto, em Minas, no Rio, no Rio Grande, no Paraná, pode vir e tentar trazer quem puder. Uma viagem num fim de semana para pararmos de só reclamar. Que vocês acham?
 
Esperarei o máximo de manifestações sobre o assunto para depois dar continuidade aos planos. Vou deixar este post aqui o dia todo para mensurarmos quantos seremos, em princípio. Depois, enviarei e-mails a cada um e vamos em frente. Dessa vez, vai. Chega de ficar olhando e lamentando.

 Escrito por Eduardo Guimarães às 22h15
[
(173) Opiniões - clique aqui para opinar]
 
 
*
 
Após a manifestação diante da Folha, a forma que encontrei para manter a mobilização do MSM - construída em dias, noites e mais noites de meditação - foi a de convocar novamente os mobilizados, agora para que assumíssemos uma identidade jurídica, pois isso tornaria oficial o questionamento que setor tão insuspeitadamente amplo da sociedade fazia aos grandes meios de comunicação. A mera existência de um movimento apoiado por tantos, de tantas partes do Brasil, e que julga que aqueles meios comportam-se de forma danosa ao país, já seria muito. Estaria oficialmente materializada uma queixa solene da sociedade contra um setor que se beneficia de verbas públicas destinadas à publicidade oficial do Estado brasileiro.
 
 - CONTINUA ABAIXO -  


 Escrito por Eduardo Guimarães às 17h07
[] [envie esta mensagem]



 - CONTINUAÇÃO -  
 
 
Haveria, entretanto, que contar com um apoio mínimo das pessoas, para que pudéssemos arcar com o processo de legalização de uma organização juridicamente constituída. Para tanto, pediu-se aos que apoiavam esse movimento que se dispusessem a financiá-lo, de forma que pudéssemos pagar pelos custos legais e estruturais de uma pessoa jurídica. Fomos apoiados por cerca de três centenas de pessoas, até o momento, entre as que prometeram contribuir como filiados. Já aqueles que realmente estão contribuindo são cerca de metade daquele número. É pouco, mas é porque nem todos que nos apóiam têm recursos para colaborar, ainda que o valor da colaboração seja pequeno, mas tampouco são tantas nossas necessidades financeiras, pois consegui para nós uma sede com endereço fixo, computador, telefone etc., a fim de viabilizar o projeto. Assim, o número de semidianos que está podendo contribuir já permite à ONG funcionar minimamente.
 
A criação jurídica do Movimento dos Sem-Mídia, na forma de Organização Não Governamental, já começa a chegar ao fim. O MSM está registrado em cartório e, repito, já tem uma sede, endereço, CEP, telefone, arquivos, documentos, computador e fax. No meu escritório, cedido para a constituição jurídica da ONG, temos até uma sala de reuniões que poderemos utilizar. Havia algumas exigências legais a cumprir, como a identificação plena dos filiados. Essa identificação já foi feita e os nomes dos que se filiaram formalmente à ONG estão registrados em cartório. O fato é que, em breve, o MSM já terá condições de propor ações oficiais em nome próprio. E todos podem telefonar ou visitar sua sede quando quiserem que serão atendidos por mim.
 
O que caracteriza o Movimento dos Sem-Mídia é o cumprimento de suas promessas. Prometemos um ato diante da Folha de São Paulo, e fizemos; prometemos a realização de uma Assembléia constitutiva da ONG, e fizemos; prometemos o registro dessa organização em cartório, e fizemos; prometemos um ato diante da sede das Organizações Globo em São Paulo, e fizemos; prometemos uma plenária no Rio de Janeiro para constituição de um núcleo naquele Estado, em cumprimento à promessa de estabelecer esses núcleos em todo país, e fizemos.
 
Simultaneamente a todas essas ações, como não poderia deixar de ser em relação a um movimento de natureza política - ainda que não político-partidária, como eu disse que seria desde o primeiro momento que convoquei o MSM -, surgiram descontentamentos internos e ataques daqueles que questionamos.
 
Eram reações previsíveis. Da parte da mídia, surgiram distorções como a de que éramos conduzidos por políticos. Chegaram a espalhar que quem encabeçava o MSM era o ex-ministro José Dirceu. Isso ocorreu porque aceitei um convite de sua assessoria para publicar um artigo em seu site falando sobre o movimento social que propus. Anônimos também passaram a postar em sites e blogs várias acusações a mim e ao Movimento. Dentro de nossas fileiras, visões diferentes sobre como deveríamos conduzir nossas ações geraram descontentamentos, apesar de eu nunca ter mudado o que disse depois da primeira ação pública do MSM, como mostram o post "Isso tem que parar", o Manifesto dos Sem-Mídia, que lemos diante da Folha (um texto com sete laudas), e como o próprio Estatuto do Movimento, agora registrado em cartório.
 
O fato é que não conseguiremos jamais agradar aos nossos adversários e nem mesmo àqueles que pensam como nós, mas que têm seus projetos próprios e que não querem se submeter a outro projeto que não aquele que acalentam. É um direito de cada um. Nossos adversários têm o direito de divergirem de nós e os que compartilham nossas opiniões sobre a mídia também têm o direito de aceitarem ou não se submeterem ao projeto que propus.
 
Diante de tudo isso, os rumos que se apresentam diante dos sem-mídia que aceitam se submeter ao projeto proposto, são vários. Contudo, teremos que escolher um desses caminhos. E, tendo recebido delegação da representação de fundadores do Movimento em Assembléia constitutiva realizada em 13 de outubro deste ano, cabe-me tomar medidas no sentido de adotar planos de ação macro como o de definir um desses rumos. Com efeito, toda organização tem que ter cabeça, tronco e membros, mas se todos quiserem ser cabeça, o corpo não tem pernas para avançar ou braços para lutar. Os membros são o que permite a qualquer ente vivo, como é o MSM, movimentar-se.
 
A estrada que o MSM irá trilhar não será a mais curta nem a mais bem calçada. Portanto, será a menos confortável. Contudo, essa estrada irá nos levar a destino mais certo e seguro. Mas que destino é esse?
 
O destino do MSM é se transformar num instrumento da sociedade civil para questionar o que a mídia fará nos próximos anos. Esse movimento não foi pensado para o presente, mas para o futuro. Sua mera existência gera uma possibilidade. Qual seja, a de toda essa gente que não se conforma com as ações atuais da mídia ter como questioná-la quando suas ações futuras começarem a se intensificar exponencialmente em relação ao que são hoje. E isso acontecerá, já com intensidade considerável, no ano que vem. As eleições municipais de 2008 deverão gerar uma das ações mais afrontosas da grande mídia nos últimos anos. É possível até que tal ação suplante a tentativa da mídia, no ano passado, de reconduzir o PSDB ao poder.
 
Eleições municipais são o alicerce das eleições estaduais e federais. No ano que vem, será traçado o mapa político do Brasil de 2011. As tentativas de desgastar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se devem ao fato de que ele, se terminar seu governo gozando de grande aprovação popular, terá poder para eleger o próximo presidente da República. A mídia, aliada do PSDB, não pode permitir isso. E nós não podemos permitir que meia dúzia de grandes empresários do setor de comunicações decidam quem irá governar um país no qual não representam nem um grão de areia no universo total de sua população.
 
O Movimento dos Sem-Mídia não tem pressa. Já existe oficialmente e a ele todos poderão acorrer a qualquer tempo. Se a sociedade, lá na frente, vier a entender que precisa do instrumento que criamos, ele existirá. Até lá, iremos nos organizando nos Estados, fazendo atos públicos, proferindo palestras, dando entrevistas, escrevendo textos, produzindo um site para veicular notícias, opiniões e as decisões da organização do MSM e, acima de tudo, iremos atraindo adesões.
 
O MSM tem dois meses desde sua fundação. Não podemos achar que em tão pouco tempo já teríamos condições de convocar ações semanais. Nesse período exíguo de tempo, já fizemos várias aparições no cenário nacional. Tornamo-nos conhecidos. Atraímos adesões. Mas, agora, cabe aos membros desse corpo que é o MSM procurarem crescer, espalharem-se, enraizarem-se na sociedade.
 
Cada filiado ou simpatizante pode ajudar muito se se transformar em um agente convocador de apoios e filiações. Esse é o papel do militante, do filiado e do simpatizante. Em menos de dois anos terminará meu mandato de presidente. Se na próxima eleição eu não me reeleger, por não querer ou por vocês não quererem, tornar-me-ei um militante que cumprirá o Estatuto e trabalhará para fazer o que ora peço que façam. Apoiarei o presidente eleito e seguirei as deliberações de sua competência. Se eu não concordar com alguma coisa e for voto vencido, aceitarei a decisão da maioria. É assim que funciona qualquer organização.
 
Quero concluir agradecendo a cada um dos semidianos que têm apoiado com lucidez e determinação o projeto transparente que propus aqui no dia 1º de setembro deste ano. Você que teve fé nos nossos propósitos e tem nos ajudado com seu apoio incondicional num momento decisivo de consolidação do importante instrumento da sociedade civil que é - e que será muito mais - o MSM, quero dizer que me sinto honrado de tê-lo ao meu lado. Espero um dia poder apertar a mão de cada homem e mulher que tem permitido que este sonho de cidadania se materialize.
 
Muito obrigado a todos.


 Escrito por Eduardo Guimarães às 17h06
[] [envie esta mensagem]



Frias explica
 
 
 


Você quer saber por que a oposição precisava derrubar a CPMF de qualquer jeito? O jornal da família Frias, em editorial, explica tudo.

O título do texto é "Depois da queda" (14/12). Já sugere a "grande derrota" de Lula que a Folha "explicará", pois "queda" e derrota são irmãs. Além disso, o texto tripudiará sobre o "derrotado".

Há, entretanto, que ler as entrelinhas. Não tem jeito. Eu gostaria de pegar um jornal, abrí-lo e lê-lo com uma certa dose de confiança de que seu conteúdo me traria rapidamente as informações de que necessito. Porém, quando um meio de comunicação, pretensamente "isento", publica textos que suscitam mais perguntas do que respostas - se forem lidos atentamente -, alguma coisa está errada.
 
Assim sendo, adoto, a seguir, uma prática que está sendo cada vez mais comum nos EUA, por exemplo. O que seja, a prática de se fazer o contraponto sistemático de notícias de meios de comunicação autocráticos como a Folha de São Paulo e outros até piores do eixo Rio-São Paulo, que são os mais perigosos hoje em dia por conta de sua capacidade de gerar crises e de interferir (modificando) na governança do país e no funcionamento das instituições.
 
Para fazer esse contraponto, optei por comentar em negrito depois de cada parágrafo do editorial, materializando a leitura "nas entrelinhas" à qual me referi acima.

Folha de São Paulo, 14 de dezembro de 2007 - editorial

Depois da queda
 
Fim da CPMF requer corte emergencial no gasto público e retomada de negociação para mudar a estrutura tributária.
 
Já começo pelo subtítulo: li ontem na mesma Folha, e assisti no jornal da Globo e no Bom Dia Brasil, que o país está crescendo aceleradamente ao mesmo tempo em que a inflação vem caindo. Os veículos disseram também que este país conta hoje com a maior taxa de investimentos (internos e externos) privados dos últimos onze anos. Ora, nada contra "mudar a estrutura tributária", contanto que se saiba que "mudança" é essa que a Folha propõe, mas eu me apego mesmo é ao "corte emergencial de gasto público". Essa afirmação, genericamente como foi feita, esconde que gasto o jornal quer que o governo interrompa. Mais adiante, porém, descobre-se o que pretende a Folha - e em favor de quem.
 
O FIM abrupto da cobrança da CPMF não foi o melhor desfecho. Retirar de chofre R$ 40 bilhões do Orçamento, sem programa negociado de corte de despesas, não é o modo indicado para obrigar o setor público a gastar melhor o dinheiro dos impostos. De positivo, a sessão encerrada na madrugada de ontem mostrou que o Executivo nem sempre pode tudo no Congresso.
 
"O fim abrupto da CPMF não foi o melhor desfecho"? Bem, então, como foi a aposição tucano-pefelista que propôs - e conseguiu - esse "fim abrupto da CPMF", por que raios a Folha - e o resto da mídia - não fez uma daquelas monumentais campanhas que sempre faz quando está contra o governo? Se tirar "de chofre" 40 bilhões de reais do Orçamento da União foi ruim, isso foi ruim para quem? É claro que foi para o país. Assim, a oposição agiu contra o país. Pergunta: cadê a crítica à oposição?

Todo o processo de negociação conduzido pelo Planalto foi de um amadorismo espantoso. A soberba de quem julgava a renovação do tributo um evento de fim de ano tão certo como os fogos em Copacabana deu lugar, nos últimos dias, ao pasmo diante da derrota possível. A chegada de uma carta do presidente Lula que prometia 100% da CPMF para a saúde, quando a sessão no Senado rumava para o final, fechou a novela em cena patética.
 
Aí está: em vez de críticas a quem fez acontecer alguma coisa que a Folha considera, no parágrafo anterior, que não foi boa para o país, o jornal prefere criticar o governo por seu "amadorismo espantoso". Mas... "amadorismo" em quê? São as perguntas que vão surgindo, pessoal. O amadorismo é em enfrentar um ataque contra os interesses do país. Amadorismo, aliás, é o contrário de profissionalismo. Haveria que ser "profissa", como diz a juventude. Em política. O governo Lula, tão acusado de fazer da política um balcão de negócios, é amador e patético. E sobre os que criaram essa situação inoportuna num momento em que o país passa pelo único bom momento econômico desde o fim dos anos 1970, não será dito nada? Não, não será.
 
Controle de gastos públicos, destinação total da CPMF à saúde, baixa gradual da alíquota do imposto, redução de outros tributos, abatimento no Imposto de Renda, isenção para a baixa renda... A dispersão de "propostas" que circularam nas últimas semanas indica que nem governo nem oposição entraram nesse jogo para confrontar visões de Orçamento, tributação, gasto público e política econômica.
 
Mais uma vez, aparece o tal "controle de gastos públicos" sem que se diga que gastos querem que se corte. Mas vamos em frente, que, mais adiante, Frias explica isso.
 
Essa tal "destinação total da CPMF à Saúde" nunca ocorreu, até porque dinheiro, como diz a Miriam Leitão, não tem "carimbo". O dinheiro entra nos cofres do governo e destiná-lo totalmente à Saúde poderia até configurar redução nos gastos com essa rubrica do Orçamento, pois poder-se-ia fazê-lo inclusive retirando dinheiro proveniente de outros impostos. 
 
Já propor "redução de outros tributos" (que tributos?) num momento em que o Estado está investindo - com excelentes resultados - para fazer o país crescer, e inclusive fazendo acontecer o crescimento que a mídia vem cobrando incessantemente, é demagogia pura. Em nenhum país desenvolvido toma-se medida de corte de impostos dessa forma, mudando o orçamento nacional em cima da hora. As sociedades desenvolvidas cobram responsabilidade da oposição para que não atrapalhe o funcionamento dos países.
 
Mas o que é escandaloso é que a Folha afirma a enormidade de que "nem governo nem oposição entraram nesse jogo para confrontar visões de Orçamento, tributação, gasto público e política econômica". Ah, é? Entraram para quê, então? O editorial não diz por que a oposição entrou "nesse jogo", mas, dizendo por que os Frias acham que o governo entrou, o texto deixa saber os motivos oposicionistas. Vejam só o próximo parágrafo.

O único interesse do Planalto era manter os cofres cheios por mais três anos. A oposição no Senado fixou-se no objetivo tático de impor uma derrota ao governo, contra a vontade explícita, no caso dos tucanos, de cinco governadores de Estado do PSDB. Não havia ninguém disposto a conciliar o imperativo de baixar os impostos e os gastos públicos com a necessidade de fazê-lo de forma ordenada e paulatina.
 
O que sugere a Folha, quando diz que "o único interesse do Planalto era manter os cofres cheios por mais três anos", é que o governo Lula pretendia ter dinheiro para gastança no período que antecede a eleição presidencial de 2010. Só que insinua-se gastança, mas o governo está gastando de forma que o país está crescendo aceleradamente, progressivamente, e isso, para a oposição, é péssimo eleitoralmente, pois com o país crescendo de forma sustentada - e até os "especialistas" da Globo dizem que esse crescimento é sustentado - o poder do presidente da República de influir na própria sucessão será arrasador, pois as pessoas quererão continuar com o grupo político com o qual o país está se desenvolvendo de forma tão consistente, por mais que a mídia tente atribuir todos os méritos aos tucanos, que governaram antes de Lula e entregaram o país em frangalhos, e todos os deméritos ao PT.

É importante que o governo Lula demonstre, após a derrota, a maturidade que lhe faltou ao longo do processo. Optar pela vingança e pela manipulação atabalhoada de outros impostos e de rubricas orçamentárias seria piorar as coisas. Agiu bem o ministro da Fazenda, Guido Mantega, ao assegurar as metas de superávit primário -a poupança para abater dívida pública.
 
Tradução: o governo deve arcar com a redução de suas despesas, mas não deve se vingar de quem é dos partidos que lhe retiraram receita, ou melhor, dos governadores da oposição ao governo federal que têm projetos para 2010, que, como todos sabem, são Aécio Neves e José Serra. E o governo também não deve aumentar impostos para substituir a CPMF a fim de ter como dar curso a um crescimento acelerado da economia que pode favorecê-lo eleitoralmente.

A adaptação emergencial à falta da CPMF deveria começar pela suspensão de gastos novos previstos para 2008, tais como aumentos reais para servidores e salário mínimo. Um pente fino nas emendas parlamentares se justifica. Na regulamentação da emenda 29, que tramita no Senado, pode-se trocar o indexador de gastos para a saúde: em vez do PIB nominal, um índice de inflação. A economia está crescendo com força, o que facilita a diluição dos custos do ajuste.
 
É aí, pessoal, que a Folha finalmente abre o jogo. E desprezemos os tais "aumentos reais para servidores" públicos. O que a oposição teme são aumentos anuais fortes no salário mínimo como os que o governo vem dando nos últimos anos. Esses aumentos estão distribuindo renda fortemente. Melhorarão a posição do Brasil no índice de Gini e farão dezenas e dezenas de milhões de pessoas ficarem satisfeitas com o governo Lula e com medo de trazer de volta ao poder políticos que quando estiveram no poder achataram o salário mínimo e mantiveram intocada a concentração de renda. É esse o sentido de "controle de gastos públicos" que você leu lá em cima. E não nos esqueçamos do PAC, que será fortemente prejudicado com o fim da CPMF. E trata-se de um programa que está funcionando, logrando acelerar o crescimento, como se está vendo pelos números recentemente divulgados.

Mas é preciso, sobretudo, que governo e oposição voltem logo às negociações com espíritos desarmados e ambições mais elevadas. A maneira de solucionar esse impasse de modo duradouro é reformar a estrutura da tributação e do gasto público no Brasil. Nesse diálogo o governo poderia recuperar parte do que perdeu na CPMF. O imposto do cheque poderia ganhar status permanente, no lugar de tributos mais perversos. E poderia ser costurado um pacto suprapartidário a fim de conter as despesas de custeio, mediante um programa para aumentar a qualidade e a produtividade dos serviços que o Estado presta à população"
 
Finalmente, a Folha dá o recado de Serra e Aécio ao governo federal: "Conceda-nos meios de também produzirmos benesses ao eleitorado e deixaremos vocês implementarem parte do vosso projeto de forma calculada, de forma que um de nós não herde um país em dificuldades e nos atribuam a derrocada do país depois dos anos de ouro de Lula".
 
Os tucanos acham que podem calcular como fazer o país chegar "morno" a 2010. O problema é que a experiência que tivemos com eles no poder mostra que eles são ruins de cálculo. A fórmula que usaram para calcular o câmbio fixo custou o sangue dos brasileiros.
 
E tem mais uma coisinha que muita gente talvez não tenha percebido: diante da pregação de que o governo não aumente o salário mínimo, quem pagará a conta, como sempre, serão os mais pobres. A menos que Lula tenha peito e faça exatamente o contrário do que recomenda o jornal.
 
*
 
Leiam, logo abaixo, o excelente comentário da profa. Vera Pereira, vice-presidente do MSM, sobre o assunto deste post. Um texto curto, divertido, inteligente, que diz tudo e mais um pouco. Parabéns, Vera.
 
"Tô pasma: O Globo online tem uma enquete mostrando que "artistas, celebridades e leitores" aprovam o fim da CPMF. O Faustão, a Xuxa, a Ana Maria "Brega", que devem ganhar aí uns 100 milhões ou mais por ano, certamente pagam uma baba! Segundo um site de tributaristas, uma conta bancária que movimenta 100 mil por ano, sem a CPMF, deixará de recolher tão somente 380 reais por ano. Se movimentar um milhão, poupará R$ 3.800 anuais; 10 milhões produzirão uma folga de 38 mil ao ano. Fiz minhas contas e concluí que no mês passado paguei justos R$ 19,25. E foi um mês excepcional. Por ano, dá quanto? Uns duzentos e poucos. Procurei uma sandália numa boutique de Ipanema e custava mais do que isso. Desisti da sandália. Daquela.Comprei outra pela metade do preço. Taí, graças ao PSDB/DEM vou poder comprar uma sandália chique no fim do ano que vem. E graças a eles vou ter de continuar pagando mais de mil (MIL) reais por MÊS de Unimed. E são esses cínicos que querem eleger o presidente em 2010 ! "


 Escrito por Eduardo Guimarães às 13h31
[] [envie esta mensagem]



39 anos do AI-5
 
por Marcelo Salles

 
"Dia 13 de dezembro de 1968, uma sexta-feira. Foi nesse dia que a ditadura empresarial-militar decretou o infame AI-5, suspendendo as garantias individuais mais básicas e legalizando a opressão do Estado. A tortura foi efetivada como sistema de controle. Ser comunista era sinônimo de bandido.

Não sejamos inocentes. O golpe não veio para acabar com o "socialismo" de Jango. Ele veio, como demonstra René Dreifuss em seu clássico "1964: A Conquista do Estado", para facilitar a implantação das multinacionais no país. As medidas socialistas de Jango eram: aumento do salário mínimo, reforma agrária, controle sobre as remessas de lucros, etc. Nada que os países capitalistas não fazem/fizeram. Os militares foram apenas os testas-de-ferro, que toparam fazer o serviço sujo para que certos empresários ganhassem muito dinheiro, ontem e hoje.

Vale lembrar que as corporações de mídia apoiaram o golpe e a ditadura que sequestrou, torturou e matou milhares de brasileiros. Notícias eram omitidas ou distorcidas conforme os interesses dos políticos e empresários que se beneficiavam com o controle do Estado. Enquanto isso, setores estratégicos foram abandonados, como Educação e Saúde. Outros, foram perigosamente submetidos aos interesses estadunidenses, como Energia, Comunicações e Transportes, além das próprias Forças Armadas.

O Brasil de hoje é resultado direto do autoritarismo decretado pelo AI-5. Trinta e nove anos depois, pouco mudou. O modelo continua concentrador de renda, exportador e extremamente violento em relação às classes subalternizadas.
 
A disputa pela CPMF deixa isso bastante claro, seja por aquilo que explicita, seja pelas implicações omitidas. O PT, que antes era contra a tarifa, agora é a favor. Diz que o povo não pode ficar sem os 40 bilhões da arrecadação. É o caso de perguntar: e antes, podia? Já PFL e PSDB, criadores do imposto, agora votam contra. Ou seja, as grandes iniciativas de que o país precisa são substituídas por essa pequeneza política tão hipócrita quanto infame.
 
Objetivamente falando, o que dizer de um presidente que envia carta ao presidente do Congresso garantindo que a CPMF seria usada na Saúde, como se esta já não fosse sua destinação legal? Por que não inverter a problemática e jogar com a sinceridade, presidente? É preciso ser um estadista para afirmar, e cumprir, que, em nome da Constituição, temos que abandonar o superávit primário porque o povo não pode morrer nas filas dos hospitais. Os especuladores podem esperar, eles já possuem muitos milhões de dólares.
 
Na verdade, o AI-5 nunca foi revogado. Enquanto existirem 72 milhões de brasileiros em situação de "insegurança alimentar", conforme divulgou o IBGE no ano passado, a memória daquela sexta-feira 13 voltará a assombrar o povo brasileiro. Enquanto o salário mínimo for a quarta parte do mínimo necessário para sobreviver, não se pode dizer que o trabalhador brasileiro tem suas garantias individuais preservadas. Enquanto míseros 26% compreenderem aquilo que lêem, os golpistas de 64 estarão no comando do país.

Para começar a reverter esse estado de coisas, é preciso democratizar a mídia no Brasil. Os avanços serão sempre tímidos e insuficientes enquanto a esquerda não encarar a disputa das representações. É preciso entender que a mídia, hoje, é a instituição com maior poder de produção de subjetividades.
 
Há outras, como a escola, a universidade, a família e etc., mas a mídia é a instituição mais poderosa porque atravessa todas as outras. E produzir subjetividades significa nada menos do que determinar formas de sentir, agir e viver. E votar.
 
Enquanto o país for dominado por uma mídia de direita, brutalmente concentrada e a serviço da exploração do povo, estaremos sempre em desvantagem. Por outro lado, se conseguirmos viabilizar novas formas de comunicar, fiscalizar a destinação das verbas públicas de publicidade e exigir que elas sejam igualmente distribuídas e garantir acesso à produção e divulgação a todos os setores da sociedade, conseguiremos avançar exponencialmente em todas as nossas batalhas.

Ou a esquerda entra de cabeça na luta pela democratização da mídia, ou será esmagada pelas forças do capital."
*
 
Considero um imperativo a pluralidade de opiniões. Assim, apesar de discordar de alguns pontos do texto que acabo de reproduzir, ele foi escrito com seriedade e por alguém que respeito. Além disso, o texto é oportuno. Por isso, a pedido do Marcelo Salles, do site Fazendo Media, publiquei o que ele escreveu.


 Escrito por Eduardo Guimarães às 00h31
[] [envie esta mensagem]



Por entre as pernas
 
 
 
 
 
Oxalá houvesse no Brasil físico uma grande maioria de cidadãos com vontade de discutir a questão da CPMF como há na internet. Se assim fosse, sendo contra ou sendo a favor o fato é que a sociedade chegaria a entender o que significa o fim de uma receita para o Estado de ditos 40 bilhões de reais, sobretudo num momento em que até a Globo reconhece que o país entrou num processo sustentado e "impressionante" de crescimento econômico.
 
Finalmente concordo com a Miriam Leitão: como dinheiro não tem carimbo, o fim da CPMF afeta, mais do que tudo, o PAC. Foi por isso que o governo, na última hora, ofereceu ao PSDB, até com garantia do presidente da República em carta que enviou ao presidente do Senado, que toda a receita do imposto sobre movimentação financeira fosse aplicada na Saúde. Afinal, o Tesouro é um só. Bastaria que a CPMF continuasse entrando nos cofres do governo. O que mudaria seria apenas a vinculação das despesas a esta ou àquela receita proveniente deste ou daquele imposto, mas essas são meras questões técnicas que não mudam o fato de que o "bolso" é um só e dele subtraiu-se uma gorda quantia que dificultará a construção de um projeto para o país como uma forte redução dos lucros dificultaria, por exemplo, a capacidade de investimento de uma grande empresa em franco processo de crescimento.
 
E o crescimento do país está sendo impressionante. No acumulado dos últimos 12 meses, o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro cresceu 5,7%. É uma das maiores taxas das duas últimas décadas. E, para não ficarmos só nisso, a taxa de investimentos privados foi a maior dos últimos 11 anos. Ou seja: os empresários estão acreditando como nunca no crescimento do país. Até os temíveis "especialistas" da mídia tiveram que reconhecer que esse crescimento acelerado é um crescimento "sustentado", que não se trata daqueles famosos "vôos de galinha" do passado recente.
 
Os resultados econômicos de agora contrastam com o que a oposição e a mídia fizeram na questão da CPMF. A oposição, por ter atacado a economia justamente no ponto que poderia atrapalhar o processo de crescimento em curso, e a mídia, por não denunciar que o ataque oposicionista visou dificultar a melhora do país por motivos meramente político-eleitorais, ou seja, pelo motivo de que crescimento econômico expressivo gera mais empregos, gera melhora das condições de vida da população, e tal melhora é proporcionalmente igual ao crescimento do apoio daquela população ao governo.
 
Antes de avançar mais nessa questão, quero lembrar que acaba de ser fragorosamente derrubada a teoria da mídia tucana-pefelista de que o país estaria "desperdiçando" um processo mundial de euforia econômica. Aliás, um processo que está em xeque, pois enquanto o Brasil desfila sua exuberância econômica, nos EUA há uma severa crise de confiança e de liquidez que, no passado, teria provocado fuga automática de capitais nos mercados "emergentes". E, como vocês sabem, somos considerados "emergentes". Porém, aqui, em vez de saírem os investimentos, eles estão entrando, e não é mais exclusivamente no mercado financeiro, não senhor. São investimentos produtivos.
 
Isso tudo está acontecendo no Brasil paralelamente ao PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), que já começa a produzir resultados na economia à revelia das previsões da oposição e da mídia de que seria um programa fictício que não daria em nada. Lembro-me bem de que, há alguns meses, uma colunista da Folha de São Paulo ("aquela" colunista da Folha de São Paulo) escreveu um alerta à oposição de que enquanto ela desqualificava o PAC, este ameaçava se tornar o grande ativo eleitoral de Lula em 2010, ano ao qual a economia do país chegaria "bombando", o que permitiria a Lula "eleger até um poste".
 
Então, como bem disse a Miriam Leitão - porém, claro, sem dizer que isso seria ruim para o país -, a supressão da CPMF na receita do governo prejudicará diretamente o PAC, um programa que diminui consideravelmente as chances do PSDB e do PFL (DEM) de retomarem o poder em 2010.
 
O que fará o governo? Continuo com a Miriam leitão. Pode-se aumentar impostos como a Cofins ou o ISS, ou se pode diminuir o superávit primário, dinheiro que o governo economiza de suas despesas para um fundo destinado a pagar dívidas como a externa e a interna. Alguns dirão que é preciso mesmo reduzir o superávit primário, sempre demonizado pela esquerda e, agora que o presidente é o Lula, pela mídia, que ataca hoje o que defendia quando os tucanos estavam no poder. Mas o fato é que o superávit primário influi na percepção de confiança dos investidores internos e externos sobre o Brasil. E um dos pilares do crescimento sustentado e acelerado que o país experimenta é justamente a confiança nele, na forma como está sendo administrado. Mas essa confiança poderá - e apenas poderá - cair se o governo, para manter acelerado o ritmo de crescimento, decidir reduzir uma garantia extra que dá aos investidores de que honrará suas dívidas.
 
O país ficou numa sinuca de bico. A mídia, seguindo instruções de FHC, já começou a pregar a mentira de que o governo tem que "reduzir gastos", pois estariam "aumentando muito". Conversa. O governo está gastando mais porque o Estado está sendo indutor do crescimento econômico que até o mais neoliberal considera "sustentado". O governo está gastando mais justamente porque criou o PAC, e foi isso que a Miriam Leitão omitiu e que toda a grande mídia simplesmente omitirá.
 
E o pior de tudo isso é que será praticamente impossível explicar ao conjunto da sociedade que o fim da CPMF foi um tiro no pé do país. Pode representar diminuição do crescimento econômico e do ritmo de geração de empregos. Além disso, aumentará a desconfiança externa na capacidade do Brasil de honrar seus compromissos e do governo de implementar sua política. O investidor não quer saber se o governo tem culpa ou não de não ter feito o que era preciso, e sim se esse governo tem força para fazer o que é preciso. E o governo não tem força justamente por causa da mídia, que omite da sociedade o mal que a oposição está fazendo a ela, o que impede essa sociedade de se mobilizar para repudiar a conduta oposicionista.
 
Não haverá internet que impeça a mídia de bloquear a explicação ao conjunto da sociedade, àqueles que não entendem de economia, sobre o quanto as bancadas do PSDB e do PFL no Senado atrapalharam o Brasil. A única alternativa seria pessoas como nós organizarmos protestos, ações públicas, físicas, visíveis de contestação e conscientização da sociedade sobre as práticas sabotadoras da mídia e da oposição.
 
Posso dizer que estou fazendo o que posso para acordar a parte consciente da sociedade dessa letargia em que se encontra, pois assiste inerte à verdadeira sabotagem que gente como Fernando Henrique Cardoso e as famílias Marinho, Frias, Mesquita, Civita e congêneres está praticando contra o país. Podemos enviar quantos e-mails quisermos. Não recuperaremos a CPMF. Mas se conseguirmos, mais lá na frente, mobilizar a sociedade, se conseguirmos ir às ruas explicar o que está acontecendo, que o país tem diante de si uma chance maravilhosa de crescer como nunca e essa chance está sendo ameaçada por interesses eleitorais, talvez possamos impedir novas sabotagens. Essa não conseguimos impedir. O Brasil tomou essa bola por entre as pernas por puro comodismo.
 


 Escrito por Eduardo Guimarães às 11h02
[] [envie esta mensagem]



Angola
 
 
 
Luanda
 
 
Vocês querem mesmo saber por que não troco meu trabalho pela política? É porque, agora que voltei a ser autônomo, ou melhor, semi-autônomo, começo a redescobrir que adoro, que amo o que faço - que, para quem não sabe, é viajar a outros países para vender autopeças de indústrias brasileiras. 
 
E não é pelo simples ato de comerciar, pelo desafio de vencer uma disputa de argumentos - e vender, antes de mais nada, é uma disputa de argumentos pró e contra o objeto sob negociação.
 
Mas quem, que como eu tiver sido tomado pelo vírus que obriga a relatar e relatar por meio da palavra escrita, recusaria que lhe financiassem viagens a toda parte e, ainda por cima, pagando-o por isso?
 
Hoje (quarta), no fim da tarde, recebi chamada de empresa que represento avisando-me de que irá me financiar viagem a um país que está comprando muito do Brasil. Um país que comprava muito pouco de nós. Um país que Lula visitou durante seu primeiro mandato com a missão de abrir portas para que gente como eu fosse até lá para fazer negócios.
 
Sim, fui comunicado de que meu próximo destino, em janeiro do ano que vem, será Angola. E ainda dizem que eu trocaria isso tudo por um gordo salário de vereador, que faria meu traseiro engordar numa cadeira sendo que esse mundo está aí para ser visitado, explorado e admirado.
 
Essa é boa...


 Escrito por Eduardo Guimarães às 23h00
[] [envie esta mensagem]



Tropa da elite
 
 
 
 
 
O Luiz Carlos Azenha e leitores deste blog ficaram chocados com o aperitivo que lhes dei do que tem que ler um blogueiro que não quer impor restrições ao menos à postagem de comentários - se serão publicados ou não, é outra história. Mas o jornalista publicou em seu site reprodução parcial de comentário que fiz aqui ontem sobre ataques à minha família por conta da defesa que fiz do padre Júlio Lancelotti. O tom do comentário do Azenha sobre o que relatei, é de nojo.
 
Mas alguém ainda mais famoso do que o Azenha também comentou o caso. Se vocês adivinharem quem foi, dou uma bala, mas não a do homem da foto acima, pois as balas do Capitão Nascimento, que foi quem colocou um comentário aqui sobre o caso supra mencionado, são meio amargas.
 
Vejam como estou ficando famoso:
 
"tadinha dela....num guenta bebe leite!!! Pede pra sair muleque!!! Vá ver o que o Diogo Mainardi, o Reinaldo Azevedo e o Olavo de Carvalho recebem de ameaças de esquerdopatas imbecis!
Cap. Nascimento | xxx@bope.br | SP | Vivo de Bolsa Esmola |  12/12/2007 00:32
"
 
Pois é...
 
Mas, pensem comigo, o que leva um homem adulto (?) a assumir o nome de um personagem de filme para dar vazão à sua fúria diante de pontos de vista com os quais não concorda? E o que é "esquerdopatia"? E, aliás, se atacar Diogo Mainardi ou Reinaldo Azevedo é "esquerdopatia", atacar quem pensa como eu não seria "direitopatia"?
 
Não existem "esquerdopatia" ou "direitopatia" nenhumas. Idiotas e/ou dementes há em todas as correntes de pensamento, seja lá sobre o que for. Pode aparecer um "Che Guevara" molestando a família do Reinaldo Azevedo? Pode. Aliás, acho que já deve ter aparecido. Pelo menos ele vive dizendo em seu blog que é atacado de formas que, se forem verdadeiras, são as mais vis que se possa imaginar. Mas existem "direitopatas" que vêm aqui fazer a mesma coisa comigo...
 
Então pergunto: e daí?
 
O Azenha disse uma coisa importante no texto em que comentou o ataque à minha família. Leiam:
 
"Vocês acham que o mundo é podre? O submundo da internet pode ser mais podre ainda, dado que as pessoas, sem se identificar, dão vazão a toda a sua bestialidade. Censura? Não: LUZ NELES. O Eduardo Guimarães escreveu(...)"
 
Pois é, "luz neles". É preciso denunciar esse tipo de conduta. Esse tipo de patologia mental freqüentemente não se limita ao mundo virtual. Vai que esse cara que se travestiu intelectualmente de "Capitão Nascimento" decide copiar, além da forma de insultar do fictício policial psicopata, a sua forma de agir.


 Escrito por Eduardo Guimarães às 11h12
[] [envie esta mensagem]



Política e democracia
 
 
Surgiu um assunto interessante para comentarmos aqui. Ao relatar que me contaram que andam espalhando por aí que eu propus a vocês a criação do MSM porque pretenderia me candidatar a vereador nas eleições municipais do ano que vem, apareceram companheiros nossos dizendo que achavam boa idéia eu me candidatar.
 
Vejam bem: que não me entendam mal aqueles que são filiados a partidos, mas nem cogito essa hipótese de entrar para a política partidária. Eu gosto do que faço. Adoro viajar, conversar com novas pessoas, conhecer outras culturas, enfim, encarar o desafio de convencer gente que mal me conhece a importar do Brasil, dos que me contrataram para vender seus produtos no exterior.
 
No próximo semestre, começo a fazer a América Central. Guatemala, Costa Rica, Honduras, República Dominicana, Cuba... Vou até o México, inclusive. E talvez arrisque até Miami.
 
Não é que eu não queira dar meu tempo para o serviço público. Até porque, o salário de um vereador paulistano deve deixar o meu vermelho de vergonha. Porém, há coisas que o dinheiro não paga e acho que já estou dando minha cota de contribuição para o serviço público com o MSM. Tenho trabalhado duro pela ONG e pretendo continuar. Serenamente, sem pressa, simultaneamente àquilo que gosto de fazer.
 
Mas a política precisa ser feita. Isso precisa ficar claro. Não se pode demonizar partidos e políticos. Eles são parte da democracia. Só não são legítimos nas ditaduras - não me canso de dizer isso.
 
Aliás, isso que acabo de escrever foi dito aqui por comentaristas do post anterior. Bem como foi dito, com propriedade, que quem quer desacreditar a política são os antidemocratas. E é verdade. Se ser político é mau, é crime, denota fraqueza de caráter, quem é que essa gente que diz isso quer que governe? Que tipo de regime teríamos sem os partidos? Por acaso seria a ditadura, que tanto agradou a esses que se dedicam a me difamar?
 
Política e democracia andam juntas. Uma não existe sem a outra. Contudo, um homem pode optar por fazer política sem se filiar a partidos. E, como bem disse o leitor Zé Arlindo, de BH, acho que tenho mostrado como se pode fazer isso.


 Escrito por Eduardo Guimarães às 17h39
[] [envie esta mensagem]



Por que não desisto
 
 
Muitos podem achar que o MSM tem sido uma mar de rosas para mim, mas poucos sabem dos insultos, das acusações, das chacotas, dos ataques e das provocações que chegam a doer na alma pela crueza, pela falta de respeito pelo ser humano.
 
Recebo alguns elogios, sou requisitado para entrevistas, meu nome andou exposto como nunca imaginei que seria e uma grande quantidade de pessoas fez o que sempre desejei que muitos fizessem, ou seja, leu alguma coisa que escrevi. Mas a contrapartida a tudo isso vem suplantando seu lado bom.
 
Lembram-se do caso do padre Júlio Lancelotti? Lembram-se de que relatei que ele batizou meu filho e catequizou minha filha primogênita quando ela tinha 10 anos? Pois um sujeito que vem aqui quase todo dia me acusar de tudo que vocês possam imaginar disse que o padre provavelmente havia praticado sexo com meu filho e com minha filha.
 
Ficaram chocados? Ora, esse foi só um dos exemplos mais "publicáveis" dos ataques. Há um circo de horrores na alma humana, meus amigos.
 
Dói. Alguns parecem se esmerar no ato de agredir. Calculam, como cirurgiões, onde podem atingir a pessoa para ferí-la mais profundamente. Não sei qual é a lógica disso. À primeira vista, imagino que possa ser para desestruturar alguém e fazê-lo cometer erros, não sei...
 
Prefiro não dizer mais das acusações, insultos e insinuações. E até das ameaças veladas. São coisas nas quais evito pensar, porque às vezes sinto um pouco de medo mesmo. Mas, então, por que não desisto? Nenhum elogio, nenhuma notoriedade vale ser alvo de tanta maledicência, de tanto ódio, de tanto desprezo pelo semelhante.
 
A contrapartida a todo esse ódio é a de a luta com o MSM fazer eu me sentir um cidadão na plenitude da palavra. Mas há uma outra fonte de força para não desistir. E é, talvez, até maior do que o exercício da cidadania.
 
Hoje, por exemplo, foi um dia daqueles em que me dá vontade de chutar tudo para o alto. Andaram dizendo que vou me candidatar a vereador no ano que vem. É assustador. Como podem fazer isso? Então, aparece-me um dos abnegados que vêm aqui todos os dias porque acreditam em mim, porque apóiam o que faço e manifestam esse apoio. Leiam, abaixo, um deles.
 
"[Jose Arlindo] [Belo Horizonte - MG] [AS]
Eduardo, Continuo com você e com o MSM. Sem que isso transforme o MSM em partido político nem que você se candidate a nada, mesmo porque as pessoas precisam aprender (e você está sendo um ótimo exemplo) que se pode fazer política sem ser político profissional. Pode-se incentivar o debate político de alto nível e, daí, até influenciar a política partidária. Quem me dera que em cada esquina deste país tivesse um cidadão pregando participação como você faz".
 
Que dizer? Bem, eu gostaria de ter podido apertar a mão do José depois de ouvir essas palavras da boca dele. Mas, na falta disso, dou graças a Deus por essa fantástica internet, por essa mágica que o homem inventou e que pode ser tão bem usada quanto foi pelo Zé, mas que pode ser usada para o mal, como fazem os que atacam tão baixo as pessoas por discordarem de suas idéias. 
 
Mas o Zé Arlindo, ah, o Zé Arlindo... E todos os outros Zés Arlindos deste blog, meus irmãos e irmãs, esses não me deixam desistir. São homens e mulheres, jovens e maduros de todas as partes deste maravilhoso país que eu amo e que nenhum ato vil irá me fazer deixar de amar, pois é minha pátria e a ela devo tudo que sou. Por isso não desisto.


 Escrito por Eduardo Guimarães às 00h04
[] [envie esta mensagem]



Solução parlamentarista
 
 
 
 
A América Latina padece de um mal social gravíssimo, causado por estar na área de influência financeira, política, ideológica e cultural da potência hegemônica do mundo contemporâneo. A grande maioria dos países da América, do Rio Grande para baixo, copia o sistema político e a estrutura social norte-americanos.
 
Claro que copiamos só a parte ruim do modus vivendi ianque. O racismo subcutâneo, o preconceito de classe social, o culto ao dinheiro... Mas não copiamos a insuperável reverência americana à pátria, o senso coletivo de responsabilidade, o apreço pela educação, pela leitura, pelas ciências, pela cultura.
 
Não é à tôa que cerca de 60 países adotaram o parlamentarismo. Entre eles, com exceção dos Estados Unidos, estão praticamente todos os outros mais desenvolvidos social e economicamente.
 
Os números do IDH, da ONU, mostram como o parlamentarismo propicia melhor padrão de vida para as sociedades em que está implantado. O Canadá, parlamentarista, é o país de mais alto IDH da América, suplantando os Estados Unidos, que, no último ranking do desenvolvimento humano, ficou num vergonhoso 12º lugar, o que fez o país mergulhar em autocríticas por ter deixado o grupo dos "dez mais" do IDH.
 
No continente americano, os países parlamentaristas, à exceção do Canadá, estão na América Central. São territórios ultramarinos e pequenos países que vivem basicamente do turismo caribenho, com exceção da Guiana Francesa, que é território do país europeu e fica na América do Sul. O resto dos países latino-americanos são todos repúblicas presidencialistas.  
 
No gráfico abaixo, pode-se constatar que o desenvolvimento humano mais baixo das Américas encontra-se nos países presidencialistas das Américas Central e do Sul.
 
 
 (vide o mapa acima)
IDH alto
 

██ 0.950 ..........

██ 0.900–0.949

██ 0.850–0.899

██ 0.800–0.849

 

IDH médio

 

██ 0.750–0.799

██ 0.700–0.749

██ 0.650–0.699

██ 0.600–0.649

██ 0.550–0.599

██ 0.500–0.549

 

IDH baixo

 

██ 0.450–0.499

██ 0.400–0.449

██ 0.350–0.399

██ 0.300–0.349

██ 0.300..........

 

 

A influência americana, sobretudo a cultural, veio moldando a América Latina à sua imagem e semelhança durante o século passado e continua moldando neste século. Essa influência impõe um sistema bem pior para países num estágio civilizatório pouco mais do que rudimentar.

 

Vejam esse caso da CPMF. Por que é que os partidos políticos fazem demagogia com uma receita dessa importância e tão estratégica para o Estado brasileiro de acordo com a conjuntura, ou seja, de acordo com estarem no governo ou na oposição? É porque não têm responsabilidade de governar. Assim, podem fazer como fez o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ontem (domingo) à noite, quando, no programa do apresentador tucano João Dória Jr., explicou sua resistência à CPMF exatamente como eu fiz naquela entrevista "imaginária" com ele que publiquei aqui, e ainda pediu que se extinga o imposto e se aumente os gastos na saúde.

 

No Parlamentarismo, as atenções da sociedade passam a se concentrar diretamente nos parlamentares. Pára essa história de esses parlamentares praticarem sabotagens, pois tornam-se os protagonistas da cena política como é hoje o presidente.

 

A parte parlamentarista do mundo supera em muito o bem estar social da parte presidencialista. Infelizmente, a invasão cultural norte-americana nos impõe seu modo de vida e tudo que vem com ele, entre o que está o sistema de governo. Penso, portanto, que o principal avanço que países como o nosso precisam obter é o avanço cultural e educacional, de forma que seja possível fazer até pessoas das classes mais favorecidas serem capazes de entender um conceito simples como o IDH, por exemplo.

 

Vejam que, devido à desinformação midiática, grande parte da classe média ficou pasmada com a informação de que o Brasil havia ingressado no grupo de países de alto desenvolvimento humano. Em nenhum momento essas pessoas pararam para pensar numa aparente contradição que seria muito mais estranha do que a de um país com tanta pobreza e misérias quanto este passar a ser considerado de alto IDH. Pelo tipo de mentalidade forjado por uma mídia emburrecedora, seria um absurdo os EUA, que são o país mais rico do mundo, terem ficado no 12º lugar no ranking do desenvolvimento humano.

 

Só em países culturalmente sofríveis é que permaneceria como "contradição" a posição brasileira no IDH, uma contradição forjada por ação de empresas de comunicação partidarizadas, que pouco se importam com o estupro cultural de uma sociedade ao tentarem fazer prevalecer as tantas bobagens que foram ditas sobre o ranking do desenvolvimento humano.

 

Parlamentarismo, tragicamente, não é para quem quer, mas para quem pode. Só no momento em que se conseguir elevar consideravelmente o padrão cultural de sociedades como a nossa é que se poderá propor um sistema de governo muito mais inteligente e que impede a demagogia parlamentar que tantos danos causa ao país ao dificultar a governabilidade.

 

*
 
O MSM está sendo bombardeado de todos os lados (inclusive de onde não se imagina que poderia ser bombardeado) desde pouco depois que começou a atuar. Agora, a última calúnia é a de que pretendo me lançar candidato a vereador no ano que vem. Isso é loucura. Nem filiado a partido eu sou. E não tenho dinheiro para custear campanha política nem vontade de ser político. Vivo do meu trabalho e não da política ou do MSM ou seja lá do que for que andam dizendo. É sabotagem, pessoal. Quem ouvir falar disso, por favor desminta. Eu não me candidatarei a nada. Sou candidato, só, a cumprir com meus deveres de cidadão.


 Escrito por Eduardo Guimarães às 12h28
[] [envie esta mensagem]



Demagogia anti-CPMF
 
 
A resistência da oposição no Senado em aprovar a CPMF pode vir a se mostrar mero jogo de cena. Os governadores tucanos não querem nem ouvir falar em perder a parte dos Estados na receita do imposto. Aliás, como o PSDB acredita que já elegeu José Serra presidente da República, é bem possível que na hora agá os tucanos votem com o governo.
 
Esse teatro todo só está sendo levado a sério pelo PFL. Lula disse a maior das verdades quando acusou o partido de lutar contra o imposto do cheque porque não tem perspectiva de chegar ao poder. Já o PSDB, esse, em parte, poderá trair os que querem realmente acabar com  a CPMF.
 
Aliás, todos sabemos como o Senado anda contrariando os desejos da mídia. Vejam só o caso Renan: foi absolvido duas vezes.
 
Não aprovar a prorrogação da CPMF seria danoso ao país. É um imposto que não pesa no bolso de ninguém e que quem paga é só quem tem como pagar. Serve para o governo ter como fiscalizar movimentações financeiras atípicas. É um imposto socialmente justo e acabar com ele é sabotagem contra o governo. É para dificultar a situação do país a fim de as pessoas ficarem descontentes com o governo na próxima eleição.
 
Cortes de gastos públicos são sempre bons, mas extinguir impostos é assunto delicado em qualquer parte. Quando vejo políticos que estão na oposição votarem matérias dessa importância com os olhos postos na próxima eleição, apenas, percebo como ainda estamos longe de civilizar o Brasil. Certos golpes baixos não são mais aplicados entre os adversários políticos nos países mais desenvolvidos.
 
Mas o impressionante mesmo é que até agora não vi ser usada a palavra demagogia para descrever o comportamento da oposição. Nem a prima pobre dessa palavra, a palavra populismo, mais em moda.
 


 Escrito por Eduardo Guimarães às 22h44
[] [envie esta mensagem]



E-mail aos semidianos
 
Neste domingo foram enviadas algumas centenas de e-mails aos semidianos de todo país, a fim regularizar várias situações diversas dos processos de filiação. Quem não tem nenhum dos problema mencionados no e-mail, peço desconsiderar a mensagem
 
Esse trabalho me impediu de atualizar o blog hoje.
 


 Escrito por Eduardo Guimarães às 22h20
[] [envie esta mensagem]



[ ver mensagens anteriores ]


Este blog já foi acessado

vezes


Contador único p/ IP
free webpage hit counter


Outros sites
Agência Carta Maior
Altamiro Borges
André Lux
Azenha
Blog do Planalto
Caros Amigos
Carta Capital
Celso Lungaretti
Clipping jornais
Confecon
Doxa / Iuperj
Estatuto MSM
Fazendo Media
Fórum Cultura Digital
Idelber Avelar
Jornalirismo
Leandro Fortes
Le Monde - BR
Mello
Nassif
Nas Retinas
Observatório da Imprensa
Observatório de Mídia
Óleo do Diabo
Onipresente
Paulo Henrique Amorim
Petrobrás (blog)
PNUD - ONU
Portal da Transparência
Primeiro Filme
Professor Hariovaldo
Protógenes Queiróz
Publicidade MSM
Quanto Tempo Dura?
Revista Fórum
Ricardo Kotscho
Renato Rovai
Rodrigo Vianna
Sivuca
TV Brasil
TWITTER
Vermelho.org



Banner
120x60 fundo branco