Quem é "terrorista"?
 
 
 
 
 
 
Como eu havia previsto que ela faria, a mídia corporativa conservadora de direita, alinhada automaticamente a Washington, está tentando transformar num limão a limonada da intermediação de Hugo Chávez que permitiu a libertação de reféns da guerrilha colombiana (as Farc).
 
Chávez, que não retrocede um milímetro em suas idéias nem que seja para faturar politicamente, abandonou o confortável silêncio em que poderia ter-se encerrado depois da vitória política que conseguiu com a libertação das reféns e pediu ao mundo que deixe de qualificar as Farc como grupos terroristas.
 
Prato cheio para a mídia. Logo começaram a pulular considerações de penas-pagas (em dólares?) da imprensa lembrando dos maus tratos e dos seqüestros praticados pela guerrilha colombiana dizendo que Chávez estaria defendendo "delinqüentes".
 
Nada a favor das Farc. Estive na Colômbia em outubro do ano passado e passei um aperto durante uma inadvertida viagem de ônibus que fiz entre Bogotá e Bucaramanga. O veículo foi parado pela guerrilha no meio do caminho para ser "inspecionado". Não sei o que os guerrilheiros buscavam, mas disseram-me - e eu acreditei - que eram estrangeiros, que "apeteceriam" à guerrilha porque podem ser usados para negociar com o governo colombiano.
 
Contudo, se querem considerar as Farc um grupo terrorista porque seqüestra e mantém os seqüestrados em condições "desumanas" - ainda que as cativas libertadas na semana passada não parecessem maltratadas -, por que não qualificar o governo americano de "grupo terrorista"?
 
Não faltam relatos de atrocidades cometidas pelos americanos ao redor do mundo. Mas são nas ações de seqüestro e tratamento desumano, de que acusam as Farc, que os americanos têm se mostrado hors-concours, sem prejuízo das ações de terrorismo, como matar centenas e centenas de milhares de mulheres e crianças no Iraque, no Afeganistão etc.
 
Nas fotos acima, pode-se ver alguns dos atos do terrorismo americano. São fotos das torturas nas masmorras de Abu Ghraib (à esquerda), no Iraque, e em Guantánamo (à direita), em Cuba. Sobre Guantánamo, vale lembrar que os penas-pagas acusaram as Farc de manterem os cativos militares em condições desumanas porque os fazem dormir acorrentados. Acredito que os prisioneiros dos americanos em Guantánamo trocariam com prazer suas jaulinhas por correntes...
 
Assim é quando a imprensa se dedica à política em vez de a fazer jornalismo. Passa a olhar a realidade com uma lente enviesada. Usa pesos e medidas estabelecidos fora das redações. Desinforma, mente. E gera essa montanha de energúmenos que lemos todos os dias nas colunas de leitores e nos comentários de blogs e sites.
 
Chávez está certíssimo. Se querem chamar as Farc de terroristas, não podem deixar de usar a mesmíssima classificação para o governo americano e para toda a parcela do povo americano que apoiou e apóia aquele governo a despeito das atrocidades que comete ao redor do mundo.


 Escrito por Eduardo Guimarães às 11h17
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Medo
 
 
 
 
Um dos aspectos de nossas vidas sobre o qual evitamos pensar, é a razão de viver. Para que servimos? Viemos a este mundo por alguma razão ou estamos aqui somente para cuidar de nossos micro universos, de nossos respectivos umbigos?
 
Todos os dias em que vivi conscientemente, no decorrer das 48 primaveras que vi passar, meditei sobre isso: que sentido há em atravessarmos a vida preocupados apenas com aquilo que nos afeta diretamente? Que importância teremos para a humanidade se vivermos nossas vidas querendo que ela se lixe?
 
Hoje, sexta-feira, o calendário pôs fim a mais um ciclo. Tomei o metrô ao fim da tarde. Ao redor de mim, todos encerrados em si mesmos, com olhares perdidos no nada, preocupados ou indiferentes a qualquer coisa que não os afetasse diretamente. No vagão ou nos corredores do metrô, centenas, milhares de semelhantes, e todos tão solitários.
 
A vida, assim, é um martírio, um exercício diário de egoísmo, de indiferença, de culto ao medo. Medo de tudo e de todos. Medo do amanhã. Medo de falhar. Medo de amar. Medo de nos relacionar para além do círculo restrito de semelhantes que permitimos que nos envolva.
 
Pautamos nossas vidas pelo medo. Ele nos impede de tudo. Se pudéssemos reunir num painel todas as atitudes, todas as decisões, todos os desejos, todos os sonhos perdidos por força do medo, esse painel encobriria o céu.
 
Então entendo que a luta maior do homem não é pela sobrevivência, pelo ganha-pão, pelo amor de um homem ou de uma mulher, pelos bens materiais, mas contra o medo. E não é contra o medo consciente, diante do perigo imediato, real, que tem causa e mostra o que de mal nos pode causar; a luta maior do homem é contra o medo inexplicável, o medo de tentar, o medo de arriscar.
 
Poucos são os que se atrevem contra o medo. Mas sem esses não teríamos dominado o mundo. Viveríamos em cavernas, apavorados com o desconhecido, com as possibilidades de perigo que tentar realizar alguma coisa contém.
 
Enquanto deixamos a infância, adentramos a consciência, mergulhamos na experiência, é aí que nasce a permissão que damos ao medo para que nos escravize. É o que determina o que refletiremos na undécima hora de nossas vidas.
 
Dizem que, frente a frente com a morte, tudo o que fizemos neste mundo desfila diante de nossos olhos. É nesse momento que descobriremos quão pouco ousamos, e nos arrependeremos ante a constatação de quão covardes fomos.
 
Muitas vezes, em minha vida, ousei além do que a "prudência" recomendava. Colhi bons e maus frutos da pouca ousadia que me permiti, mas nunca paro de tentar desafiar a poderosa mãe do medo, a prudência. Nunca a ignorei, porque é impossível. Mas simplesmente por tentar desafiá-la, arrepender-me-ei menos quando chegar minha hora de partir.


 Escrito por Eduardo Guimarães às 19h53
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Algozes da mídia
 
 
 
 
Depois do grande estardalhaço feito pela mídia em torno do pseudo "fracasso" das negociações entre Hugo Chávez e as Farc para libertação de reféns colombianos, entre os quais figurava o menino filho de uma refém com um guerrilheiro, posteriormente encontrado em um orfanato em vez de estar em poder da guerrilha colombiana, na tarde de quinta-feira o mundo aplaudiu a intermediação do presidente da Venezuela que possibilitou a libertação das cativas Clara Rojas e Consuelo González, que foram resgatadas da selva na Colômbia por helicópteros que ostentavam o símbolo da Cruz Vermelha.
 
O governo americano, através do porta-voz do Departamento de Estado Tom Casey, "agradeceu" a Chávez as gestões que fez que produziram um momento inédito e de alívio nas relações entre a guerrilha colombiana e o governo Alvaro Uribe. Este, por sua vez, saiu desgastado do episódio devido ao fato de que vem se negando a negociar com a guerrilha, assumindo uma postura intransigente. Uribe, inclusive, fez tudo que podia para retardar o desfecho das negociações, apesar de que desde de dezembro a libertação das reféns já era dada como inevitável.
 
No Brasil, a mídia, se mantiver a postura que vigeu até aqui - e não poderá mudar de postura sem cair no descrédito entre os mais atentos - irá minimizar e subnoticiar o feito do presidente da Venezuela, apesar de que o mundo inteiro está comemorando e avaliando uma nova possibilidade que pode abrir portas para se equacionar o conflito colombiano. Se assim agir, tentará ser mais realista do que o rei, ou seja, que o governo Bush, que teve que se render à validade de uma ação que, inclusive, envolveu o governo brasileiro, igualmente acusado por essa mídia de ter tentado produzir um factóide ao se engajar no processo de libertação das reféns.
 
O fato é que a mídia brasileira não precisa de nossas críticas. Ela mesma atira no próprio pé ao se afobar em tentar desqualificar toda e qualquer iniciativa governamental, sobretudo quando se trata da exitosa diplomacia do país, considerada o calcanhar de Aquiles dos defensores midiáticos da era tucana no poder federal. Os êxitos da diplomacia brasileira nos últimos anos estão entre os feitos do atual governo que mais irritam a tropa de choque tucana na mídia. Por conta disso, a participação do assessor especial da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, no resgate das reféns, foi ridicularizada.
 
O curioso é que as duas reféns libertadas estão entre os muitos algozes involuntários dos meios de comunicação brasileiros. Por isso, deve haver muito dono de jornal, tevê etc. maldizendo as mulheres da foto acima.
 


 Escrito por Eduardo Guimarães às 21h09
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Eleições 2008 e MSM
 
 
 
 
No decorrer das próximas semanas, o país irá retornando à normalidade, emergindo da catarse festiva em que mergulhou ao fim de 2007. Foi um fim de ano em que as pessoas quiseram esquecer da vida. Por conta disso, a temperatura política diminuiu, apesar da batalha da CPMF.
 
O mais interessante em tudo isso, é que o país impôs à mídia essa calmaria política extra-bastidores. Mas essa calmaria é apenas aparente, porque naqueles bastidores políticos as armas estão sendo lubrificadas para a grande batalha que se avizinha.
 
As eleições municipais prometem alguns embates em que a mídia terá papel crucial. E, nesse contexto, a eleição na capital paulista promete ser a mais controvertida e acirrada do país, devido ao fato de que a eleição presidencial de 2010 passará, necessariamente, por São Paulo.
 
José Serra, o dito "presidente eleito" da República - que, pelo tom da mídia, só estaria esperando terminar o mandato de Lula para assumir o cargo - depende muito do resultado da eleição paulistana. A maior e mais importante cidade brasileira está sendo governada por um títere de Serra, Gilberto Kassab, que certamente se candidatará à reeleição. De outro lado, há Geraldo Alckmin, que pretende disputar com Kassab a prefeitura paulistana.
 
Para Serra, apesar de Alckmin ser de seu partido, a derrota de Kassab representaria uma perda política expressiva. Tendo o atual prefeito paulistano sido vice de Serra na eleição municipal de 2004 e assumido o cargo por conta do rompimento da promessa do governador de São Paulo de permanecer no cargo de prefeito até o fim do mandato, se os paulistanos não reelegerem o prefeito isso significará uma reprovação do maior eleitorado municipal do país a uma atitude de Serra.
 
Kassab é um prefeito mal avaliado e no qual dificilmente a maioria dos paulistanos votará. Contudo, o eleitorado paulistano é extremamente despolitizado e suscetível às armações midiáticas. É na capital paulista e, sobretudo, na mente do paulistano que a mídia deita e rola. E é nesse contexto que Marta Suplicy irrompe como a única força política capaz de se contrapor à hegemonia tucana no Estado mais rico da federação.
 
Marta dispõe de um enorme arsenal para usar numa campanha eleitoral em que enfrente Kassab e Alckmin. O rompimento da promessa de Serra legou aos paulistanos um governo que fez piorar sobremaneira o transporte público, por exemplo, que a petista, durante sua gestão, transformou num exemplo para o país. O bilhete único e os corredores de ônibus melhoraram sobremaneira a vida na periferia, mas a qualidade e o custo do transporte pioraram na gestão Serra-Kassab.
 
É aí que entra a mídia. Para se contrapor ao discurso forte de que Marta dispõe, a mídia certamente terá que reavivar velhos preconceitos contra a petista e a famosa frase que ela, incompreensivelmente, proferiu no auge do "caos aéreo", o tal "relaxa e goza". São factóides que em nada diminuem a magnífica gestão de Marta, que promoveu uma enorme melhora da qualidade de vida dos paulistanos mais pobres, mas a mídia vive de factóides e saberá usá-los numa cidade de tantos ignorantes políticos.
 
É por isso que Marta resiste a se candidatar. Novamente terá que se expor a ataques da mídia à sua vida privada, aos insultos, ao exercício infame do preconceito machista. Ela não precisa disso. Se for candidata, será para ajudar o partido e correrá grande risco de uma derrota eleitoral.
 
Nesse ponto é que o Movimento dos Sem-Mídia pode surgir como um forte obstáculo ao exercício da canalhice midiática. Nascido em São Paulo, o MSM pode infernizar a mídia quando ela tentar destruir a candidatura petista que estiver posta, levantando dúvidas, no seio da população paulistana, sobre os motivos de Folhas, Estadões e Vejas para atacarem Marta ou quem vier a disputar a prefeitura paulistana pelo PT.
 
O momento certo para mobilizar os sem-mídia paulistanos ainda não chegou. A eleição municipal deste ano ainda está em banho-maria. Porém, para cada um de nós que constituímos a ONG Movimento dos Sem-Mídia, chega um momento de reflexão de que podemos, sim, influir decisivamente num processo político que terá desdobramentos em 2010. É por isso que, como presidente da Organização, pretendo convocar uma oportuna assembléia dos filiados para que discutamos o processo eleitoral deste ano e nos preparemos para reagir.
 
Por enquanto, proponho apenas uma reflexão sobre o tema que levantei. A mobilização da parte politizada e consciente da sociedade civil paulistana dependerá do início da manipulação midiática. Infelizmente, ainda somos movidos a indignação. Quando a mídia tira o pé do acelerador, nós também tiramos. Aí está o nosso erro. Por isso, precisamos começar os debates intra-MSM, a fim de que quando os ataques começarem estejamos preparados.
 
Por enquanto, é isso. Por enquanto...
 
*
 

Aprovação a ônibus segue baixa sob Kassab

ALENCAR IZIDORO
da Folha de S.Paulo

A aprovação dos usuários aos ônibus municipais de São Paulo atingiu sob a administração Gilberto Kassab (PFL) seu patamar mais baixo desta década --e antes mesmo de a tarifa ser reajustada acima da inflação.

Uma pesquisa da ANTP (Associação Nacional de Transportes Públicos) realizada entre agosto e setembro indica pequena queda de satisfação com esse transporte --de 52%, em 2005, para 48%, em 2006.

No ano anterior, com José Serra (PSDB) no comando da prefeitura, a proporção de passageiros satisfeitos já havia despencado nove pontos percentuais em relação aos 61% alcançados em 2004, ano de implantação do bilhete único pela ex-prefeita Marta Suplicy (PT).

Os indicadores de aprovação dos ônibus em 2005 e em 2006 são os mais baixos dentre todas as modalidades de transporte. Na semana passada, a passagem subiu 15%, de R$ 2 para R$ 2,30, ficando igual à do Metrô, que tem 93% de aprovação (...).
 
 
*
 
Cresce a reprovação ao governo Kassab

Índice de paulistanos que consideram a gestão ruim ou péssima passou de 23% em agosto para 31% em novembro, segundo Datafolha
Levantamento do instituto mostra que aprovação ao prefeito passou de 31% para 33%, variação dentro da margem de erro

 
EVANDRO SPINELLI
Da Folha de São Paulo

O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), provável candidato à reeleição em 2008, viu a reprovação ao seu governo crescer oito pontos percentuais entre o início de agosto e o final de novembro, de acordo com pesquisa do instituto Datafolha.

O levantamento feito entre os dias 26 e 29 de novembro com 1.089 moradores da capital paulista mostra que 31% consideram ruim ou péssima a gestão de Kassab.

Em 9 de agosto, quando foi feita a pesquisa anterior, eram 23%.

Já a aprovação passou de 31% para 33%, uma variação dentro da margem de erro da pesquisa, de três pontos percentuais para mais ou para menos.

O Datafolha identificou que o crescimento da reprovação ao governo Kassab reflete a queda no percentual de paulistanos que consideram a gestão regular: 33% contra 41% de agosto.


 Escrito por Eduardo Guimarães às 10h51
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Mídia hibernando
 
 
 
Diminuiu sobremaneira o ICM. Mas não comemore, esta sigla não é a do antigo imposto estadual brasileiro sobre o consumo (antes de ganhar o S no final). O ICM a que me refiro significa Índice de Canalhice Midiática. E mais: diminuiu no que diz respeito à política, mas continua inalterado em tudo mais sobre o que incide.
 
Talvez você não concorde, porque continuam os pitacos partidarizados da mídia. Os colunistas dos jornais, das revistas semanais, os "analistas políticos" dos telejornais, enfim, toda tropa de choque político-partidária da mídia continua recitando o discurso político da oposição tucano-pefelê. Mas a indignação contra isso vem diminuindo, porque as tentativas de convulsionar o país entraram em hibernação.
 
A mídia e a oposição perderam a batalha contra Lula na opinião pública, e só contra ele. E entenderam isso. A menos que aconteça uma catástrofe, é praticamente impossível que consigam desmoralizar esse político que já entrou para a história - e pela porta da frente, ao contrário de outros que só serão lembrados como causadores de grandes males para o país, como são os casos de FHC e de Collor, que deixaram o poder com o país contorcendo-se em agonia.
 
Isso não significa, porém, que não haverá outros ataques ao país. Se o Brasil continuar melhorando nos próximos anos, é praticamente impossível que a indicação eleitoral de Lula seja ignorada pela sociedade.
 
Imaginem que estamos em 2010 e a economia continua crescendo continuamente. A pobreza e a miséria despencaram de uma forma como nunca aconteceu. A violência e a criminalidade, diante disso, arrefeceram drasticamente. O desemprego diminuiu a uma taxa que está permitindo aos jovens chegarem ao mercado de trabalho com esperança de crescerem na vida. Acreditem: não haverá teoria midiática sobre tudo isso ser mérito de FHC, dos tucanos e pefelês, que convença o país a não acatar a indicação eleitoral de Lula sobre em quem o país deve votar para Presidente.
 
Mídia e oposição só têm uma esperança de retomar o poder em 2010: precisam sabotar o país. A CPMF, portanto, foi só um aperitivo. Algum ataque mortal à economia precisa ser empreendido. Mesmo que Serra herde um país em caos, a mídia poderá passar os anos seguintes atribuindo a culpa a Lula, invertendo o que faz hoje, quando atribui os méritos do que está acontecendo a FHC.
 
A hibernação midiática tem prazo para terminar. O processo eleitoral deste ano nem é o mais importante para a mídia e para a oposição. O prêmio que ambicionam é o governo federal e não lograrão recuperá-lo com o país indo bem. Vaticino, pois, que algum grande golpe está sendo tramado. Essa calmaria precede uma tempestade terrível que as forças oposicionistas pretendem desencadear. Terão força para isso? Onde podem atacar? Escândalos políticos poderão, agora, conseguir o que não conseguiram em 2005, 2006 e 2007? Parece-me difícil...
 
E o empresariado, os ricos, dificilmente cometerão suicídio financeiro. Ajudaram a derrubar a CPMF porque seu fim os ajuda a sonegar. Mas daí a colaborarem com a construção de uma derrocada econômica do país que os empobrecerá - mas não à mídia e à oposição, que controlam governos municipais e estaduais e, portanto, mamam nos cofres públicos -, vai uma grande distância.
 
Não se pode acreditar que Serra, FHC, Frias, Marinho, Civitas etc assistirão impassíveis a uma melhora do país inédita na história, que permitirá a Lula eleger presidente até um poste em 2010. A missão dos lesa-pátrias é praticamente impossível. Mas notem que eu disse "praticamente", não totalmente. Cabe-nos descobrir como podem impedir que o país melhore, ou até fazer que piore. Subestimá-los não é prudente. Eles têm muitos recursos. Sua hibernação, portanto, é temporária. Eles planejam algo grande, avassalador. O que será?


 Escrito por Eduardo Guimarães às 10h13
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Desafio à mídia
 
 

Sobre esse discurso da oposição contra o "aumento" de impostos que o governo Lula tinha "prometido que não faria", comecei a pesquisar na internet e cheguei a uma conclusão impressionante: em cinco anos de governo Lula, a grande imprensa, nos debates entre governo e oposição, adotou, nada mais, nada menos do que TODAS, absolutamente todas as teses da oposição tucano-pefelê.
 
Não consegui encontrar uma só questão polêmica, que dividisse governo e oposição, na qual algum grande veículo de comunicação tenha encampado as teses governistas. Economia, Saúde, Educação, Diplomacia... Seja qual for a questão, basta comparar o discurso oposicionista com o discurso midiático e se verá que a mídia, no governo Lula, tornou-se mera divulgadora das teses oposicionistas.
 
Até em teses e políticas governamentais que eram caras à oposição, a parte da mídia que era cem por cento alinhada ao governo FHC adotou o discurso oposicionista. Superávit primário? Política cambial? Política monetária? Tudo, absolutamente tudo que a oposição diz hoje, com cinismo atroz, é repetido pela mídia.
 
Desafio, pois, qualquer meio de comunicação a dizer em que assunto, durante os últimos cinco anos, ele ficou ao lado do governo, em que assunto fez campanhas, por meio de editoriais, artigos e notícias, a favor de alguma coisa que o governo fez e do que a oposição discordou. Todas as vezes em que a mídia deu de barato que alguma medida do atual governo era coerente, é porque essa medida foi tomada pela oposição quando estava no poder.
 
E depois os penas-pagas da mídia não querem que se diga que escrevem por encomenda.


 Escrito por Eduardo Guimarães às 12h47
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Estrangeirismos 2
 
 
 
 
O companheiro semidiano (integrante do Movimento dos Sem-Mídia, para esses que estou detectando que estão chegando a este blog agora) Waldir Fiorini enviou-me um e-mail extremamente oportuno, que corrobora a afirmação que fiz no post anterior e que mostra a posição subserviente e colonizada de um outro leitor atento e inteligente deste blog, mas que, vez por outra, permite que sua ideologia conservadora o cegue. Trata-se de Rodrigo Leme - entre outros que vêm aqui no blog Cidadania -, que acha ótimo macaquearmos os americanos e transformarmos nosso comércio varejista numa imitação pobre do comércio americano.
 
Vejam o que escreveu Rodrigo Leme nos comentários deste blog:
 
" [Rodrigo Leme] [São Paulo/SP] [An. de Marketing]

Acho gozado como, volta e meia, os políticos dão demonstração de que não gostam do nosso livre arbítrio. Acham-nos incapazes de sermos responsáveis com nossos veículos, então inventam o rodízio; acham-nos incapazes de preservar nossa cultura, então criam proibições, restrições ao que podemos ver ou não.
 
Ora, os anglicismos fazem parte de um mundo que, por questões econômicas, foi forçado a saber inglês. Do jeito que a China cresce, amanhã nossos filhos talvez terão que ser fluentes em chinês para entrar no mercado de trabalho. Séculos atrás, um jovem bem educado tinha que saber francês.
 
Fica aquela discussão onanista de esquerda xenofóbica, que acha lindo o galego apreciar o samba, mas se enoja se saudamos uma cultura diferente.
 
Quanto provincianismo... A cultura de qualquer país é resultado da convergência de diferentes culturas. Não podemos nem nos achar originais (visto que nossa herança cultural é africana e européia, e a desses países vêm de outras civilzações), nem exigir que todos toquemos o mesmo bumbo."
 
Agora leiam o que me enviou o Valdir Fiorini. A notícia mostra outros "provincianismos", de um povo que tem orgulho de sua cultura e que construiu a nação com os conceitos de cidadania e com uma das melhores distribuições de renda do planeta, a França. A notícia é de quando o presidente francês ainda era Jacques Chirac.

"Chirac deixa reunião por causa de discurso em inglês

O presidente da França, Jacques Chirac, deixou uma reunião da União Européia (...) em protesto contra o discurso em inglês de um líder empresarial francês.
 
Um integrante da delegação francesa disse que Ernest-Antoine Seilliere foi interrompido por Chirac, que perguntou por que o empresário estava falando em inglês.

Seilliere respondeu ter escolhido o inglês "porque o idioma é a língua aceita para os negócios na Europa de hoje". Chirac, então, deixou a sala, seguido pelo ministro das Relações Exteriores, Philippe Douste-Blazy, e das Finanças, Thierry Breton.

Decadência

 
Ele [Chirac] voltou para ouvir o discurso do presidente do Banco Central Europeu, o francês Jean-Claude Trichet, que falou em sua língua natal.

 
O presidente [da França] é considerado um defensor ferrenho do francês, que já foi o idioma mais usado para tratar de negócios no continente. (...)"
 
Chirac, como sabem os mais informados, está longe de pertencer à "esquerda xenofóbica". E a França está longe de ser uma Cuba. É uma das nações mais avançadas do mundo e um dos berços da cultura ocidental.
 
Quem, como eu, já esteve na França, sabe muito bem que não verá, naquele país, um comércio em que nomes e expressões em inglês superam, na proporção de cem para um, os nomes e expressões na língua-pátria. E isso porque algum "Aldo Rebelo" francês criou uma lei que proíbe o estrangeirismo, pois é ridículo, produto de mentalidade colonizada, um país usar mais uma língua estrangeira do que a própria, sobretudo se nesse país a grande maioria da população convive com essa situação por décadas e jamais conseguiu decifrar o que querem dizer aquelas palavras estrangeiras.
 
Outra lei francesa pune com pesadas multas eventuais erros de ortografia ou gramática em placas e anúncios. Aqui, já vi erros crassos de português até em placas de avisos de grandes bancos.
 
A argumentação a la Nelson Motta do leitor Rodrigo Leme explica bem por que o Brasil macaqueia os EUA. Essas pessoas acham-se a vanguarda dos "globalizados", mas não passam de basbaques (deslumbrados) que acham que o inglês é mais "chique" que o português.
 
Além da França, eu, que, como vocês sabem, viajo muito ao exterior e, portanto, conheço a América do Sul de ponta a ponta, relato a vocês que nos outros países deste subcontinente jamais se lerá tantos estrangeirismos. Por exemplo: a sigla Aids (Acquired immune deficiency syndrome ) não é usada. Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai, Peru, Uruguai, Venezuela e tantos outros países em que se fala espanhol - inclusive a própria espanha - usam SIDA, que é a sigla em espanhol e em português para a Síndrome da Imuno Deficiência Adquirida. Até as siglas preferimos as em inglês. É ridículo. Por isso, dificilmente você encontrará alguém do povo que saiba o que significa a sigla Aids. É o culto à burrice e à desinformação promovido pelos Mottas e Lemes deste país.
 
O Brasil tem a pior e mais deslumbrada elite do Terceiro Mundo. É gente que mantém o país culturalmente atrasado porque não se conforma de ser brasileira. E o pior é que, em vez de irem viver onde gostam, querem trazer onde gostam para cá.
 
 
 
*


O leitor Rodrigo Leme ficou bravo porque usei seu discurso como exemplo da mentalidade basbaque e colonizada que quer um país em que, quando se sai à rua de uma grande cidade, vê-se, no mínimo, quantidade de textos em inglês equivalente à quantidade de textos em português e, no limite - em shoppings, por exemplo -, quantidade de palavras e frases em inglês muito superior à que se vê em nosso idioma.

Vejam o comentário irado e despropositado do leitor e sua incapacidade de avaliar o que diz sobre quem pensa diferente dele pelo mesmo critério com que avalia o que diz sobre ele quem dele diverge:

" [Rodrigo Leme] [An. de Marketing]

Primeiro de tudo, ressinto de meus comentários servirem de escada para você me ofender nos seus textos. Segundo, eu iria embora de uma palestra ou conferência em inglês feita por alguém do meu país. É desnecessário e ridículo. Assim como é desnecessário e ridículo querer controlar como as pessoas se expressam ou não no mundo de hoje, como se isso fosse determinante para valorizarmos nossa cultura ou não. Ridículo.
 
Vou me abster de mais comentários para não ser usado de forma baixa e suja para ofensas em artigos seus. Por fim, a "avançada e vanguardista" França é aquela que trata estrangeiros com violência e agressão nas ruas. A conveniência é mãe da coerência: quando lhe convém, a França é um exemplo. Na hora de apoiar a candidata socialista para a presidência francesa, você coloca o país como a dianteira do atraso.
 
Este, provavelmente, é meu último comentário aqui, pois você não tem caráter para tratá-los como deve. Adeus."
 
Meu comentário:
 
Magoou. E sem razão. Por que esse rapaz acha que quando qualifica quem pensa como eu de "esquerdista xenofóbico"  ou de "provinciano", isso é pior do que dizer que quem pensa como ele é deslumbrado?
 
E sobre a França, eu jamais disse que ela é a "dianteira do atraso". Quem encontrar onde eu disse isso, por favor coloque o comentário aqui que eu reproduzo. O que eu disse, quando a França optou por Sarkozy, é que a sociedade francesa estava caminhando equivocadamente justamente para a política repressora de imigrantes que tem aprofundado a desigualdade em um país em que a igualdade sempre foi a tônica, ao menos na era contemporânea.
 
E o mais interessante é que o leitor em questão acha que Chirac agiu certo ao se levantar e sair de uma reunião em que um francês discursou em inglês (como FHC gostava de fazer), mas não comenta a lei francesa igual à que propõe Aldo Rebelo. Quanta coerência...


 Escrito por Eduardo Guimarães às 11h31
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