Por que o MP não age?
 
 
 
Apesar de ter subido para 10 o número de mortos por febre amarela, a mídia tirou o pé do acelerador do alarmismo. O noticiário sobre o assunto já está dentro do razoável. Pararam de insinuar que as mortes por F. A. silvestre e as suspeitas de se estar com a doença indicariam uma epidemia urbana.

Isso se deve ao duro processo de esclarecimento da população que o governo e fontes independentes (como este blog) tiveram que empreender para difundir os verdadeiros fatos sobre a febre amarela, em combate ao alarmismo midiático.

Um dos responsáveis pelo combate ao alarmismo foi o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, na cruzada que empreendeu para desfazer o estrago causado pelos meios de comunicação, que fizeram a população acorrer desesperada aos postos de Saúde em busca de vacinação contra febre amarela. Ele explicou que há um número maior de casos neste ano devido ao ciclo dessa febre, que é associado ao fim do período em que os macacos estão com os anticorpos da mãe ainda protegendo-os. O ciclo, segundo o ministro, duraria cerca de seis anos.

Antes de levantar suspeitas sobre uma "epidemia" imaginária, será que a mídia não poderia ter pesquisado? Jornalistas como aquela da Folha que citei várias vezes, ao tomarem conhecimento do aumento de suspeitas, de meras suspeitas de casos de febre amarela e de uma única morte, não checaram nada, não se informaram e já saíram por aí (nos vastos espaços de que dispõem na imprensa) causando pânico.

A significativa redução do noticiário sobre a F. A. no noticiário dos últimos dias explica-se pelo fato de que os objetivos da disseminação do pânico foram alcançados e agora a mídia tem que fugir da responsabilidade pelas mortes e internações hospitalares causadas pela vacinação imotivada que desencadeou.

A visão de que a mídia teria cometido crime de alarma social, um crime previsto no código penal, foi encampada recentemente pelo jornalista Paulo Henrique Amorim, que relatou casos de alarmismo difundido pelos jornais O Globo e Correio Brasiliense, que se somam ao que fez a colunista da Folha Eliane Cantanhêde na Folha Online, quando conclamou as pessoas a se vacinarem fossem de onde fossem, mesmo não sendo das áreas de risco.  

Vejam o que disse o PH:

"MP deve processar Globo e Correio Brasiliense

. Quatro brasileiros podem ter morrido por causa de efeitos adversos da vacina contra a febre amarela em dose dupla.

. Um deles, em Goiânia, já morreu por causa disso.

. Chegou ao hospital com suspeita de dengue, tomou de novo a vacina contra a febre amarela e morreu.

. 42 brasileiros estão no hospital com efeitos colaterais causados pela vacina contra febre amarela em dose dupla.

. O primeiro responsável por esse crime pode ser o jornal Correio Brasiliense, que tratou de uma infecção em Brasília, perto do Palácio da Alvorada, como se fosse uma epidemia.

. O segundo responsável por esse crime pode ser o jornal O Globo, que disse que depois de 42 anos tinha voltado a epidemia de febre amarela.

. Todo ano, nessa época do ano, é assim.

. Um dos picos de incidência de febre amarela, nessa época do ano, foi em 2000, na gestão de José Serra no Ministério da Saúde.

. Houve ali 40 mortes por febre amarela.

. Até agora, este ano, morreram nove pessoas."

Certamente há muitos outros casos de alarmismo, pois o que se sabe é que pequenos e médios veículos de comunicação regionais limitam-se a reproduzir notícias das principais agências de notícias. Assim, o poder que esses grandes grupos de comunicação têm de difundirem o que quiserem, é enorme. Podem cobrir o país com qualquer maluquice que lhes passe pela cabeça. E se não tiverem medo de assumir responsabilidade pela difusão de qualquer barbaridade, não terão cuidado com o que divulgam.

Preocupa-me que, sobretudo, os Poderes Legislativo e Judiciário não estejam atuando no sentido de fazer com que um poder dessa magnitude seja usado com responsabilidade. E a explicação para essa falta de atuação desses Poderes reside no fato de que eles são afetados pelos humores da opinião pública, sobre a qual os tais grandes meios de comunicação têm influência decisiva.

Só o poder político da mídia explica por que o Ministério Público não se manifesta sobre o claro crime de alarma social praticado por grandes meios de comunicação. É óbvio que teme o poder de uma Globo, por exemplo, de arrumar algum escândalo envolvendo o eventual membro do MP que resolvesse denunciar o crime que o grupo empresarial praticou.
 
Estamos na República da Chantagem Midiática, pessoal. Este é o Brasil, um país em que a Justiça é diferenciada de acordo com a classe social, a cor da pele e, sobretudo, de acordo com a conta bancária do cidadão. E nem adianta ficarmos dizendo que nosso país é uma merda. Temos que mudá-lo e tentarei ajudar a fazer isso, obviamente que dentro de minhas grandes limitações. Aguardem-me, pois.
 
 
 
 
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O ranking de blogs indicados ao prêmio Ibest de melhor blog de política, em 26 de janeiro, às 16:52 hs., era o seguinte:
 
1   Blog do Luis Nassif
2   Blog do Reinaldo Azevedo
3   Blog do Mino Carta
4   Blog do José Dirceu
5   Blog do Azenha
6   Blog Cidadania
7   Blog do Alon
8   Blog do Democratas (DEM)
9   Blog Pérolas Políticas
10 Blog do Pedro Doria
11 Blog do Noblat
12 Blog do Mello
13 Blog do Tas
14 Blog Xô CPMF
15 Blog Entrelinhas
16 Blog do dep. Fernando Gabeira
17 Blog do Roberto Jefferson (Bob Jeff)
18 Blog Traduzindo o Juridiquês
19 Blog do Tucano Jovem
20 Blog TucanUsp
21 Blog Serjão (Sergio Motta) comenta do céu
22 Blog Nariz Gelado
23 Blog do Josias de Souza
24 Blog do Patrick Gleber
25 Blog de Política do Jornal O Povo
26 Blog Visão Panorâmica
27 Blog da Cristiana Lobo
28 Blog do ET
29 Blog do Alan Galleazzo
30 Blog do Jofe
31 Blog E-Agora
32 Blog Rádio do Moreno
33 Blog do Edson Lima
34 Blog Minuto Político
35 Blog Coturno Noturno 
36 Blog da Luciana Pombo
37 Blog Ângelo da Cia
38 Blog Pitacos Políticos
40 Blog Ser de ultradireita é uma maravilha
41 Blog do Guto
42 Blog Burajiru
42 Blog Prosa e Política
43 Blog do Daniel Ravena
44 Blog Política com Pimenta
45 Blog do Callado
46 Blog do Wanfil
47 Blog Alerta Total


 Escrito por Eduardo Guimarães às 14h20
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Votação do Ibest
 
 
 
 
O Ibest criou um sistema engenhoso de votação nos concursos de melhores da internet. Ao permitir votação em vários blogs e sites, chega-se a uma preferência do público internauta sobre que tipo de jornalismo eletrônico agrada mais. Além disso, a colocação dos blogs e sites políticos representa, em si, um fato político.
 
Descobre-se que um Reinaldo Azevedo tem mesmo muitos leitores, mas que é um fenômeno fabricado, não-natural. A hospedagem do seu blog no site da Veja infla seu potencial. Até porque, se tirarmos as frases de efeito, os chavões de ultradireita, os ataques, as suposições (chutes), as ilações, sobra pouco em termos de conteúdo.
 
No caso de Luis Nassif, sua liderança da disputa é consistente. Seu blog constitui um espaço de difusão de cultura, de compreensão de economia, de história e de analise serena de questões polêmicas. O motivo da liderança do Nassif é seu distanciamento das paixões políticas e do maniqueísmo.
 
Lamento, somente, que o Azenha não esteja ocupando ao menos um terceiro lugar, apesar de que ainda resta muito tempo para o fim das votações. Seu blog, atualmente, representa o que há de mais inovador, sem falar num jornalismo diferenciado, transmissor de aspectos da notícia pouco explorados e até desconhecidos por aqui.
 
E há todos os outros mais de quarenta blogs, alguns muito bons, outros patéticos. E sem querer ser maniqueísta, os blogs de direita estão muito mal representados, provavelmente por falta de algo melhor para representá-los.
 
Os blogs do Noblat ou do Josias, por exemplo, são burocráticos, atrelados a grandes meios de comunicação, o que lhes tira o "charme" de um blog autêntico, meio que artesanal e marcado pela interatividade do blogueiro com seus leitores. Por isso estão mal colocados.
 
Resta este blog. Tenho umas dúvidas sobre se terá como se sustentar na posição em que está. E outras dúvidas sobre se é merecido que esteja onde está. De qualquer forma, o que vier, para mim que não passo de um outsider, será lucro.  
 
 
 
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 Escrito por Eduardo Guimarães às 01h25
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São Paulo, o vício
 
 
 
 
 
 
Como paulista, paulistano, nascido na avenida Paulista, na maternidade Pro Matre Paulista, e sendo filho, neto e bisneto de paulistanos, não posso deixar passar a data em que São Paulo cumpre 454 anos sem dizer algumas palavras sobre o assunto.
 
Uma característica do paulistano que poucos sabem, fora daqui, e da qual pouco se fala, é a de dizer que "não agüenta mais" viver nesta cidade. Em seguida, comenta-se o trânsito caótico, as ruas esburacadas, a violência e a criminalidade, a sujeira, a poluição, os altos preços...
 
Ouvir um paulistano falar da cidade em que vive tornaria incompreensível o crescimento populacional do centro urbano mais rico e industrializado do país se não fosse justamente esse dado, a riqueza que há por aqui. Os habitantes de São Paulo alegam, para justificar seu vício nela, que "precisam" viver aqui, mas quem vive nesta cidade há tanto tempo quanto eu sabe que não é bem assim.
 
Ano passado, trabalhei no interior de São Paulo em 10 dos 15 dias em que permaneci no Brasil em cada mês entre fevereiro e outubro, apesar de minha família continuar morando na capital. Eu vinha para casa em apenas dois fins de semana por mês durante 10 meses. E, querem saber? Eu não agüentava mais não ter um cinema, um teatro, restaurantes ou qualquer outro local de lazer em que pudesse ir a qualquer hora do dia ou da noite.
 
O pior é a calma interiorana. Ruas estreitas, vazias, as parcas avenidas quase que às moscas, aquela calma e aquele silêncio enlouquecedores. Sobretudo à noite. Seis horas da tarde fechava tudo. 
 
Muito provavelmente, se você é do interior ou de cidades menos populosas, não entenderá nada. São Paulo é barulhenta, poluída, perigosa, suja e, mesmo assim, quando um paulistano fica muito tempo longe dela, em meio ao silêncio, ao ar puro, em mais segurança e limpeza, começa a ficar inquieto. Numas férias, num fim de semana prolongado, louvamos a natureza, o silêncio e a falta de infra-estrutura. Deliciamo-nos com a ausência de facilidades da vida moderna que só as grandes urbes podem oferecer, mas com o tempo, privados dos ônus e bônus do paulistano, começamos a sentir que não estamos em casa.
 
É que o paulistano, sobretudo aquele legítimo, nascido aqui, é meio máquina e meio homem. Dificuldade de permanecer em repouso por muito tempo é compatível com homens e mulheres acostumados a viajar quatro, seis horas por dia para irem e voltarem do trabalho, que dura jornadas de, muitas vezes, dez, doze horas. O paulistano é uma máquina de trabalhar.
 
E não é só nas fábricas, nos escritórios, no comércio, nos grandes magazines, nos restaurantes, nos museus, nos cinemas e teatros ou na constelação de shoppings centers que há por aqui que se trabalha tanto; é nas ruas de São Paulo que provavelmente se trabalha mais. Garis, policiais, vendedores ambulantes, taxistas, motoristas de ônibus, caminhoneiros, motoboys, office-boys, todos, em massa, caminhando a passo rápido, esbaforidos, consultando relógios de pulso ou celulares para saberem se estão "no horário", ainda que ser pontual, em São Paulo, seja praticamente impossível. E, assim mesmo, muitos de nós conseguem - eu, por exemplo.
 
Em certos pontos da capital paulista, o ar cosmopolita é inevitável. Freqüentemente fria e chuvosa, esta "Terra da Garoa" obriga aos ternos, aos sobretudos, aos casacos bem cortados das mulheres, às gravatas finas e aos colarinhos brancos dos homens, aos "terninhos" das mulheres de negócios tanto quanto aos costumes informais dos homens que saem de casa diariamente portando bolsas nas quais levam suas marmitas, artigos de higiene e até uma camiseta limpa, pois passarão o dia no chão das fábricas.
 
Numa viagem de metrô, por exemplo, pode-se ouvir do português ao chinês. Estrangeiros de todas as partes do mundo aventuram-se por São Paulo por motivos como negócios, intercâmbios culturais, esportivos, científicos etc. Temos aqui as sedes das principais instituições financeiras nacionais e estrangeiras, das principais empresas transnacionais, temos as principais universidades etc.
 
O viciado em São Paulo não tem expectativa de ter uma melhor qualidade de vida. Fatalmente sabe que o crescimento desordenado desta cidade a tornará cada vez mais desumana. O paulistano, no fundo, está sempre se preparando para conviver com uma cidade pior. Muito se ouve dizer de tudo que é ruim por aqui; dizemos que "vai piorar".
 
Devido às governanças ruins (para a maioria) e boas (para uma ínfima minoria), a cidade ficou ruim para todos. A minoria que vive nos bairros ditos "nobres" teve que vê-los sendo invadidos pela pobreza, pela miséria, pela violência e pela criminalidade. Então, os ricos trancaram-se em bunkers, mas não há como prender, mesmo em gaiolas de ouro, os jovens. Não há como deter o ímpeto que leva os filhos da riqueza a uma exposição constante aos efeitos da iniqüidade paulista-paulistana, que mantém insones pais de todas as classes sociais enquanto seus filhos aventuram-se pela vida, pela juventude, pela descoberta do mundo.
 
São 454 anos de luta, de enfrentamento de desafios cada dia maiores que marcam São Paulo hoje. As "soluções" propostas para o caos urbano desta "megalópole" não passam de paliativas. Nunca são feitos planos definitivos para a solução dos dramas paulistanos. E a falta de dinheiro nem é tão determinante para a provisoriedade de tudo o que se faz aqui para minorar os problemas que o crescimento desordenado nos causa. O fato é que prefeitos e governadores parecem nem saber como lidar direito com esses problemas, de tão grandes e complexos que são por conta do gigantismo paulistano.
 
Tudo que descrevi é o que torna mais impressionante o vício do paulistano por sua cidade. Um vício que vai contaminando cada vez mais gente de todas as partes do Brasil e do mundo, atraída por uma cidade sombriamente mágica.


 Escrito por Eduardo Guimarães às 11h22
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Prêmio Ibest
 Atualizado às 09:50 hs. de 25 de janeiro de 2008
 
 
 
 
 
 
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 Escrito por Eduardo Guimarães às 15h09
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O poder de Lula
 
 
 
 
Uma discussão antiga e sempre inconclusa é sobre por que Lula não enfrenta a mídia. Eu mesmo confesso que, vira e mexe, estou cobrando do governo reações mais firmes em relação à mídia. Claro que o que peço não são medidas de retaliação usando o poder do Estado, porque considero que o governante de plantão, seja ele quem for, jamais terá o direito de usar o Estado para retaliar seus inimigos. Se Lula fizesse isso - e muitos pedem que faça -, ao seu sucessor, sendo ou não seu aliado, teria que ser dado o mesmo direito. Contudo, isso não significa que qualquer governo não possa responder os ataques que sofra.
 
Como se sabe, a visão de Lula é conciliadora nesse ponto. O presidente sabe que, com algumas palavras, pode levantar massas em seu favor, e não estou falando só de movimentos sociais, de partidos e de sindicatos.
 
Tomados pela paixão, muitas vezes não nos perguntamos quantos são os cidadãos independentes de partidos, corporações, sindicatos etc. que apóiam o governo de Lula de forma desorganizada, apenas por considerá-lo bom. E quantos são, por outro lado, os cidadãos que reprovam o presidente. Para responder a essa pergunta, decidi dar uma olhada na última pesquisa de avaliação do presidente. É uma dessas pesquisas consideradas "confiáveis". Analisemos, então, a última pesquisa do instituto Datafolha sobre a avaliação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
 
A seguinte pergunta foi respondida pelos pesquisados pelo Datafolha entre os dias 26 e 29 de novembro, em 390 municípios do país. Foram ouvidos 11.741 brasileiros e a margem de erro máxima, para os resultados que se referem ao total de entrevistados, é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.
 
A pergunta é a seguinte:
 
"O presidente Lula vai completar 4 anos e 11 meses de governo. Na sua opinião, o presidente Lula está fazendo um bom governo?"
 
As respostas foram as seguintes:
 
                Sexo               Escolaridade                   Renda familiar
 
                              %                                   %                                                         %
 
Avaliação         | masc/fem | fundamental Médio Superior | 5 S.M.  5 a 10 S.M.  +10 S. M.
 
Bom/ótimo         52  / 49          57             45         40               52             43             39   
 
Regular                36  / 34          29             40         40                34            37             35 
 
Ruim/péssimo    12  / 16          13             14         20                12            19             25
 
Agora, então, temos que fazer contas. E, para fazê-las, vamos dar como válida a teoria que a mídia difunde de que quem tem curso superior é quem está preferencialmente mais habilitado para fazer escolhas políticas. Essas pessoas, segundo a mídia, são as mais informadas. Assim, sugiro que nos concentremos em saber quantos são os brasileiros com escolaridade universitária que apóiam ou rejeitam Lula.
 
Segundo a última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD 2006), do IBGE, apenas 10,7% dos brasileiros têm nível superior de escolaridade. Isso numa população de mais de 180 milhões. Pode-se extrair desse dado o número aproximado de 18 milhões de brasileiros habilitados pela mídia a fazer escolhas políticas coerentes. Desses 18 milhões, os números acima mostram que aproximadamente 7 milhões acham Lula um bom ou ótimo presidente e mais de 3 milhões o consideram um presidente ruim ou péssimo.
 
Por outro lado, se somarmos o público pagante dos grandes jornais e revistas que se dedicam intensamente à política, chegar-se-á a um número menor do que 1 milhão de pessoas. No caso da tevê, sabendo-se que ela deve atingir a quase totalidade dos brasileiros com nível universitário, e sabendo-se que a Globo detém a parte do leão dessa audiência, vamos dar como barato que pelo menos uns 3 milhões de brasileiros são visceralmente contrários a Lula. Se usarmos o mesmo critério para os que pensam exatamente o contrário, constataremos que a tal a opinião pública (a tal "mais escolarizada e informada") apóia o atual presidente em maioria esmagadora.
 
A simples leitura dos grandes jornais do sul-sudeste, que são os grandes detentores da parte do leão do leitorado de jornais no Brasil, mostra que esses veículos apresentam uma realidade muito diferente. Por que é que essa maioria esmagadora de pessoas avalizadas pela mídia para terem opiniões políticas corretas não se reproduz na imprensa escrita? As cartas de leitores dos três maiores jornais do país (Folha, Globo e Estadão) insinuam que o leitorado "de luxe" desses veículos é anti-Lula até a alma. Isso sem falar das opiniões desses veículos, que são contra Lula até a raiz dos cabelos.
 
Esses veículos sustentam-se num setor amplamente minoritário da sociedade, é o que se depreende da análise que fiz aqui. E têm contra si um público imenso, informado e, conforme dizem, totalmente capacitado para interpretar a cena política. Essa consistente maioria de pessoas instruídas e informadas não acredita numa só palavra do que a mídia diz sobre política, pois continua considerando o presidente bom ou ótimo apesar de a mídia pintá-lo como um ignorante, alcoólatra, demagogo, incompetente e corrupto.
 
Essa é a razão da tranqüilidade de Lula diante dos ataques renitentes que recebe da grande mídia. Nem nos setores superiores da pirâmide social há apoio para a campanha midiática anti-Lula. E nos estratos inferiores, o apoio ao presidente é monumental.
 
Aliás, recentemente a mídia apoiou-se nos menos instruídos e informados para causar pânico. Sabendo-se, como se sabe agora, que a vacinação aleatória contra a febre amarela por pessoas que não iriam viajar a áreas de risco representou risco até de morte, e dando credibilidade à teoria sobre a superioridade intelectual de quem tem instrução superior, pode-se concordar com o que afirmo.
 
A tranquilidade do presidente diante dos ataques da mídia está explicada. E mostra que nosso inconformismo, apesar de ter razão de ser em razão do absurdo de manipulação do viés político da opinião pública pela mídia, poderia ser levado menos a sério. Contudo, há um fator que precisamos considerar. A mídia continua apostando na teoria tucana do "sangramento de Lula". Desde 2005 que essa estratégia vem sendo usada - porém, sem sucesso. Contudo, os grandes meios de comunicação, que de estúpidos não têm nada, continuam apostando no mesmo "cavalo". Por que?
 
Uma resposta simples: estão cumprindo a parte deles no "contrato" que têm com a oposição tucano-pefelista. O fato de suas ações não estarem sendo vitoriosas não exclui o de que sem os ataques midiáticos a popularidade do presidente Lula poderia ser próxima da unanimidade. Assim, não faz sentido, ao menos para a mídia, parar de atacar o presidente, mesmo que esses ataques visem apenas preservar a mobilização do setor anti-Lula da sociedade. E se considerarmos que os anti-Lula, apesar de amplamente minoritários, são um público fiel e disposto a financiar o golpismo midiático comprando seus produtos, fecharemos a equação.


 Escrito por Eduardo Guimarães às 12h27
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A
impotência
e a
Síndrome de Estocolmo
 
 
 
 
 
Por conta do post de ontem tratando de novas manifestações do MSM, conversei por telefone e por e-mail com várias pessoas ligadas ao Movimento. São formas de comunicação com vocês que, ainda que não possam ser rotineiras, são muito ricas.
 
Depois de falar, falar, escrever e escrever, fiquei pensando: acho que todo jornalista, todo blogueiro, todo aquele que escreve para muitas pessoas lerem deveria conversar com seus leitores.
 
A experiência que este blog e, depois e mais do que ele, o MSM vêm me proporcionando em termos de conhecimento da alma humana, é insuperável e extremamente didática. Comportamentos dos mais díspares podem ser vistos. Formas totalmente antagônicas de ver o mundo. Sabedoria, generosidade e humildade se contrapõem à ignorância, ao egoísmo e ao pior de todos os sentimentos, o ódio, muitas vezes gratuito.
 
Mas há um sentimento que noto na maioria dos que compartilham meus pontos de vista políticos e ideológicos: a impotência.
 
Vou lhes dizer, fico verdadeiramente consternado ao constatar pessoas de todos os níveis sociais, de todas as faixas etárias, de todas as partes do país que não cabem mais em si de indignação com a mídia. Mas o sentimento de impotência dessas pessoas, por saberem que têm que ler e assistir mentiras e mais mentiras se sobrepondo nos meios de comunicação sem poderem contestar, é o que predomina.
 
O sentimento de impotência é demolidor do espírito humano. O pior de seus efeitos colaterais é similar à eminente Síndrome de Estocolmo, em que o cativo acaba estabelecendo uma submissão amistosa com seu carcereiro. As pessoas, sob determinadas condições de inferioridade, tendem a se submeter à "inevitabilidade" do cativeiro. Isso se reproduz na situação de impotência da sociedade diante do que faz a mídia.
 
Ontem li um artigo excelente no Observatório da Imprensa que trata da novela das oito da Globo. Eu já havia assistido alguns capítulos, pois me interessa muito o uso que a emissora faz das telenovelas para vender suas teorias político-ideológicas. Na trama, um jovem universitário negro que reclama de racismo é apresentado como um agitador irresponsável e mau-caráter, enquanto a reitora endinheirada da universidade é apresentada como uma heroína. E mais: ricos brancos cariocas vivem freqüentando uma favela. Negros pobres e brancos ricos convivem em perfeita harmonia. Estudam juntos, freqüentam os mesmos lugares e quem fala de racismo é apresentado como vilão.
 
Demorou muito para alguém escrever sobre esse absurdo - e eu mesmo, que já tinha idéia de escrever sobre o assunto, acomodei-me.. O fato é que as pessoas estão aprendendo a conviver com o que a mídia faz. Tirando algumas milhares de pessoas que vêm à internet para desabafar e buscam acreditar que estão conseguindo influir em alguma coisa, a maioria absoluta já se entregou faz tempo à mídia.
 
A ilusão que o apoio a Lula gera é a de que a mídia está sendo derrotada. E, na verdade, está. Mas não é por Lula ou pela esquerda, mas pela boa administração do país pelo governo do ex-operário. Não canso de dizer que Lula só se mantém forte politicamente porque seu governo é bom - e só por isso. O brasileiro não quer mais promessas, quer ver acontecer a realização dessas promessas.
 
Temo que, se até 2010 não conseguirmos acordar a sociedade para o perigo da mídia, esta conseguirá colocar quem quiser no poder, ou seja, José Serra, o PSDB e o PFL, que tratarão de interromper o processo redistributivo de renda que está em curso no país. No médio prazo, um novo governo tucano poderá gerar, aí sim, um grave conflito social, uma luta de classes exacerbada, que primeiro se traduzirá por nova onda de aumento da violência e da criminalidade como a que houve durante a era FHC.
 
Mas o que alenta é um núcleo de pessoas sempre dispostas a ir à luta e que percebem tudo isso que estou dizendo. O que temos que fazer, agora, é transformar esse núcleo em disseminador da contrariedade com a acomodação e com o imobilismo. Se cada um de vocês engajados se incumbir de convencer mais dois, mais três a tomarem atitudes, em vez de crescermos em progressão aritmética cresceremos em progressão geométrica.
 
Não temos pressa. Temos tempo até 2010. Vamos caminhando, e sempre combatendo a Síndrome de Estocolmo.


 Escrito por Eduardo Guimarães às 10h42
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Vamos reagir?
 
 
Quero consultar os paulistas e paulistanos - e quem mais, de qualquer parte do país, se interessar pelo que vou propor - sobre a possibilidade de, além das medidas legais que propus que tomássemos em relação à disseminação do pânico pela mídia na questão da febre amarela, tomarmos outras atitudes, como a de fazermos uma nova manifestação pública.
 
Antes de prosseguir, quero que leiam carta que enviei por e-mail e por fax para o ombudsman da Folha de São Paulo. O que gerou essa carta foi uma nova atitude vil da colunista daquele jornal Eliane Cantanhêde em sua coluna de hoje naquele veículo. Ao ler a carta abaixo, vocês verão a que me refiro. Leiam o que escrevi ao ombudsman e depois continuo a explicar o que pretendo.
 
"Prezado Mario Magalhães,
 
quero me dirigir a você sobre uma prática da Folha incompatível com os princípios que o jornal alardeia, como o de pluralidade e transparência.
 
Todos sabem que existe um setor da sociedade que imputa alarmismo à mídia no caso da pseudo epidemia de febre amarela. Esse mesmo jornal, em seu editorial "Não-epidemia", de 15 de janeiro deste ano, reconhece que "não parece exagero qualificar a atual 'epidemia' [de febre amarela] como uma manifestação de temor coletivo magnificada pela mídia (...)".
 
Nesse contexto, apesar da polêmica extremada que se formou em torno do assunto comportamento da mídia no trato da questão febre amarela, nota-se que esse jornal tem impedido manifestações de leitores questionando seu comportamento e o dos demais meios de comunicação. 
 
A Folha também tem impedido o questionamento da colunista Eliane Cantanhêde, que tem tido um comportamento alarmista ao exortar as pessoas a se vacinarem contra a febre amarela indiscriminadamente, apesar de se saber que a vacinação desnecessária tem gerado vários problemas, como superdosagem e reações da vacina em pessoas que, por questões de saúde, têm organismo incompatível com o medicamento.
 
Por isso, choca e revolta que na coluna de Cantanhêde desta data (22/1) ela minta deliberadamente dizendo que viu o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, "num dia mandando vacinar, no outro dizendo para não vacinar, no terceiro culpando a vítima por não ter se vacinado e, no quarto, acusando a imprensa pelos erros de vacinação da rede pública".
 
Não existe nenhum erro de vacinação da rede pública. O que existiu foi que os que leram jornalistas como Cantanhêde, que exortou as pessoas a se vacinarem "o quanto antes", "antes que seja tarde" e esteja a pessoa onde estiver, acorreram desesperadas aos postos de Saúde e muitas acabaram adoecendo, pois, diante do alarmismo da imprensa, essas pessoas ou tomaram superdosagens de vacina ou tinham organismos incompatíveis com o medicamento.
 
Acredito que a sociedade não pode ficar impassível diante deste abuso. Recorro ao ombudsman da Folha, portanto, na esperança de que este consiga espaço para que se questione um comportamento da mídia que esse mesmo jornal reconheceu como incorreto no editorial supra mencionado, ainda que não tenha reconhecido que suas práticas foram tão incorretas como as de outros veículos.
 
Quero garantir à Folha e a você que a sociedade civil não irá aceitar censura. Esse assunto do alarmismo da mídia será tratado como deve ser de uma forma ou de outra.
 
Aguardo sua resposta.
 
Eduardo Guimarães, São Paulo"
 
Vejam vocês, primeiro o Estadão e agora a Folha querem fazer prevalecer a idéia de que quem gerou a vacinação descontrolada contra a febre amarela, foi o governo. E nós, faremos o quê?
 
Eu propus - e continuo propondo - que se faça uma denúncia ao Ministério Público referente ao papel dos meios de comunicação nessa questão da febre amarela, mas acho pouco e posso garantir que irá demorar para que tal medida seja tomada. Primeiro, porque o diretor jurídico do Movimento dos Sem-Mídia está de férias e só volta no fim deste mês. Segundo, porque os trâmites legais farão demorar meses para que algum resultado prático surja. Até lá, a mídia terá feito prevalecer sua teoria malandra de que foi o governo que provocou o pânico na população.
 
Eu, como cidadão, como pai de família, como pessoa digna, não posso aceitar que gente como Eliane Cantanhêde saia vitoriosa depois de ter causado prejuízos tão grandes ao país. Acho que, sem prejuízo das medidas legais, deveríamos fazer mais. Penso até numa nova manifestação diante da sede da Folha em São Paulo, pois esse, por conta da tal Cantanhêde, tem sido o veículo que mais contribuiu para o pânico que tantos prejuízos está causando.
 
Porém, é preciso que mais gente apóie essa iniciativa. E quero deixar claro que para participar de uma manifestação você não precisa ser filiado ao Movimento dos Sem-Mídia. Se você acha que é uma bofetada no rosto da sociedade essa tentativa da mídia de inverter os fatos e culpar o governo pelo que ela fez, e se é de São Paulo ou tem condição de vir até aqui para se manifestar, coloque um comentário aqui dizendo-se disposto a fazê-lo.
 
Se conseguirmos que um número razoável de pessoas se comprometa a se manifestar, levando pelo menos mais uma pessoa consigo à manifestação, seria fantástico. Levaríamos às ruas o inconformismo que a mídia está conseguindo esconder. Vejam como a tal Cantanhêde continua zombando dos indignados com seus crimes. Ela - e outros como ela - estão esbofeteando a todos nós. Por isso, peço seu apoio, para mostrarmos a esses meliantes que tem gente com sangue nas veias neste país disposta a se colocar no caminho deles.
 
Por outro lado, podemos continuar mandando e-mails e escrevendo posts em blogs. Enquanto isso, "eles" vão arrumando formas mais repulsivas de nos esbofetearem e de nos dizerem o que de fato é verdade, ou seja, que a internet não tem como fazer frente aos grandes meios de comunicação. Contudo, não posso dar murro em ponta de faca. Se esse sentimento de repulsa for só meu, ou só for forte em mim e em outros poucos, teremos que engolir mais essa. Por outro lado, se você resolver agir junto conosco, essa gente refletirá sobre a relação custo-benefício desse tipo de safadeza.
 
Aguardo vossas manifestações para decidir o que fazer. Mas lembrem-se: se for para aderir, tem que ser com determinação e responsabilidade. Não adianta chegar na hora H e aparecer casamento, batizado, aniversário do cão ou do gato. Temos que agir com decisão e coragem. Esses atributos são para poucos? Espero que não...
 
PS: a principal manchete do UOL na manhã desta terça-feira é "Mais de 6,6 milhões de pessoas vivem sob risco de febre amarela".


 Escrito por Eduardo Guimarães às 11h11
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Morte sobre duas rodas
 
 
 
Segunda-feira, 21 de janeiro, 08:30 hs. da manhã. Avenida 23 de maio, em São Paulo. O trânsito sentido bairro-centro da via expressa que liga a zona Norte à zona Sul da maior cidade do país, está literalmente parado. Até chegar ao ponto em que o tráfego parou, ando algumas centenas de metros, até ver a aglomeração de motoqueiros em volta de um congênere caído, estirado em plena pista, e cinco filas paralelas de carros todos parados devido aos motoristas dos veículos mais próximos à área do acidente terem saído deles para verem a tragédia de mais uma vítima do trânsito paulistano.
 
As motocicletas, em cidades como São Paulo ou Rio de Janeiro, tornaram-se verdadeiras armas. E, como se sabe, armas também servem ao suicídio.
 
O prefeito paulistano, Gilberto Kassab, teve uma daquelas idéias ditas "de jerico". Reservou, das 10:00 hs às 16:00 hs, as pistas paralelas ao canteiro central da 23 de Maio para o tráfego de motocicletas. O trânsito ficará infernal. A medida praticamente anulará o Rodízio de carros naquele trecho da 23 (como chamamos a avenida por aqui), que vai do viaduto Tutóia ao viaduto Pedroso.
 
A medida foi tomada em caráter "experimental". Reduzirá o trânsito congestionadíssimo da 23 a quatro pistas, em vez de cinco. Antes, os motoqueiros viajavam pelo vão entre as filas de carros parados. Agora, correrão numa via exclusiva, que apertará ainda mais o congestionamento. Além disso, quando as motos precisarem pegar alguma das saídas, terão que se deslocar da extrema esquerda da pista para a extrema direita. Se o trânsito estiver "andando", motoqueiros começarão a ir parar debaixo das rodas dos veículos de quatro rodas. Se estiver lento, os violentos motoqueiros paulistanos sairão chutando ainda mais retrovisores e portas, gesticulando obscenamente para quem acabou de ter o veículo danificado por eles.
 
A forma que os motoqueiros paulistanos encontraram para impor "respeito" - leia-se medo - aos motoristas dos veículos de quatro rodas, foi a violência e a depredação impune do patrimônio alheio. Como se sabe, o motorista de carros, caminhões e ônibus (sempre mais lentos que as motos) que ousar violar a via virtual que os motoqueiros acreditam que há entre esses veículos, a fim de que passem com seus bólidos de duas rodas, pode até terminar sendo linchado por grupos desses motoqueiros, pois quando vêem um deles envolvido em qualquer confusão no trânsito, param e já vão agredindo (verbal e até fisicamente) os motoristas.
 
Hoje, nem cabe mais dizer que os motoqueiros também são vítimas dos motoristas dos veículos de quatro ou mais rodas. Faz tempo que estes aprenderam a pelo menos temer os pilotos de motos, pois estas, freqüentemente, transportam meliantes perigosos.
 
Não se trata de maniqueísmo, como dirão alguns. As motos, como são liberadas para rodar em São Paulo, são perigos ambulantes. Os motoqueiros tornaram-se uma categoria organizada e com poder de pressão sobre as autoridades, até porque prestam serviços para empresas que fazem vistas grossas para o que custa poderem contar com as entregas rápidas que as motos lhes oferecem. Ou seja, o terror, a morte sobre duas rodas interessa aos negócios, por isso não põem um fim à permissão para que motoqueiros as conduzam como loucos pelo meio dos carros parados ou semiparados.
 
Numa cidade como São Paulo, por exemplo, em que o trânsito é uma verdadeira guerra e na qual a velocidade média dos veículos de quatro rodas assemelha-se à de uma carroça movida a tração animal, se tanto, permitir que bólidos como as motos passem a 60, 80 km/h por entre veículos que se arrastam a 10, 20 km/h, é um crime. São Paulo e as outras grandes cidades brasileiras têm que optar entre o serviço de entregas rápidas e a possibilidade de alguns andarem mais rápido do que que outros e a segurança e a civilidade no trânsito.
 
A única solução para o problema das motos, que tantas desgraças vem causando há tanto tempo, é proibir as motos de trafegarem pelo meio dos carros. Vivo em São Paulo há 48 anos e tenho certeza disso. O resto é balela.


 Escrito por Eduardo Guimarães às 15h38
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África
 
 
 
 
 
O assunto de hoje é mais ameno, mas de interesse geral. Como eu lhes havia dito em dezembro, neste ano, dependendo de uma viagem que farei em meados do mês que vem, pode ser que eu abandone minhas incursões comerciais pela América Latina e me volte para a África.
 
Dia 16 de fevereiro embarco para Angola em missão comercial. Inicialmente, devo me restringir à capital do país, Luanda. Permanecerei por lá durante duas semanas, como faço em todas as minhas viagens. É o período mínimo para se fechar negócios numa viagem inicial.
 
Como vocês sabem, no ano passado visitei cada um dos países sul-americanos - alguns deles, mais de uma vez. Este ano, eu deveria começar a explorar comercialmente a América Central, com perspectiva de terminar o ano em Miami. A explicação para essa súbita mudança de planos é a de que eu e a empresa para a qual presto serviços detectamos o filão de negócios africano.
 
No fim de 2003, o presidente Lula iniciou uma série de viagens pela África que continuaram nos anos seguintes. Vejam as missões comerciais do presidente no continente africano desde o primeiro ano de seu primeiro mandato até o ano passado.
 
Novembro de 2003: São Tomé e Príncipe, Angola, Moçambique, Namíbia e África do Sul

- Dezembro de 2003: Egito e Líbia (escalas da visita de Lula a países árabes)

- Julho de 2004: São Tomé e Príncipe, Gabão e Cabo Verde

- Abril de 2005: Camarões, Nigéria, Gana, Guiné-Bissau e Senegal

- Fevereiro de 2006: Argélia, Benin, Botsuana e África do Sul
 
- Outubro de 2007: Burkina Faso, Congo, África do Sul, República Democrática do Congo e Angola.
 
As viagens do presidente tiveram o objetivo de restabelecer laços comerciais e culturais com o continente africano. Foram 19 países visitados e variados convênios firmados que geraram o intenso comércio com os países africanos que está ocorrendo e que chegou ao meu conhecimento e da indústria para a qual presto serviços autônomos de representação internacional.
 
Aliás, a diversificação dos parceiros comerciais do Brasil pelo mundo é a responsável pelo aumento considerável das exportações brasileiras. Por conta de Lula ter posto fim à forte dependência que havia do nosso comércio exterior com os países ricos, os prepostos desses países na mídia desencadearam uma enxurrada de críticas ao presidente por se voltar à África. Contudo, graças a Lula o comércio com aquela parte do mundo tornou-se um filão precioso para os exportadores brasileiros e nos vem permitindo enfrentar a crise mundial do dólar.
 
Já estou com a passagem comprada para Angola e tenho menos de um mês para estabelecer os contatos e planejar a primeira viagem que farei à África em minha vida. Se tudo der certo nessa viagem, este será um ano duro, de viagens longas (ao menos na minha percepção) a países distantes. Estou me preparando psicologicamente para períodos solitários nesses países tão subdesenvolvidos, mas tais viagens ampliarão meus horizontes, irão me permitir conhecer muito mais sobre o mundo em que vivemos.
 
Sei que a realidade africana é dolorosa. A África é o único continente em que os indicadores sociais vêm piorando. Contudo, a presença brasileira naquela parte do mundo tem ajudado a região e gerado um grande movimento comercial que vem preenchendo as lacunas em nosso comércio exterior.
 
A criatividade e a independência diplomática do Estado brasileiro na era Lula mostram por que o Brasil vai bem. O rompimento com paradigmas como o de que o melhor era priorizar o comércio exterior com os países ricos gerou lucros e alternativas para o país. É por isso que, menos dependentes do mundo rico, num momento de crise como esse nos EUA o Brasil não deverá sofrer abalos como acontecia no passado, à época da subserviência incondicional do país ao Primeiro Mundo 
 
Então, pessoal, neste ano este blog oferecerá aos seus leitores fatos e imagens de realidades pouco conhecidas por nós devido aos séculos de deslumbramento nosso com a parte rica do mundo, com uma parte do planeta que sempre desprezou os latino-americanos, o Terceiro Mundo ao qual pertencemos. Acompanhem-me, pois, em 2008 em minhas viagens. Escrever para vocês me fará sentir mais próximo de casa.


 Escrito por Eduardo Guimarães às 11h00
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Bofetadas dos canalhas
 
 
Quem acredita muito no poder da internet, deveria prestar atenção em duas matérias publicadas hoje (domingo) pela Folha e pelo Estadão. Elas mostram que a imprensa, além de não moderar o golpismo, a desfaçatez, as mentiras, as distorções e a sabotagem ao país, ainda dá um jeito de tirar um "sarrinho" da cara da gente.
 
Gente sem escrúpulos, sem responsabilidade, sem ética. Falo de Eliane Cantanhêde e de uma repórter do Estadão, uma criatura chamada Fabiane Leite, que certamente busca os favores dos patrões fazendo o que faz. Essas duas esbofetearam a sociedade, cuspiram em nossos rostos.
 
Eliane Cantanhêde aprontou mais uma em sua última coluna dominical. Valendo-se de uma irresponsabilidade criminosa, por já estar consciente dos graves problemas gerados pela vacinação inútil,  e movida por óbvios interesses políticos, ela escreveu o seguinte:
 
"As pessoas devem ou não se vacinar contra a febre amarela, que já fez pelo menos 11 vítimas, com sete mortes, em menos de um mês? Ou é melhor se trancarem em casa nas férias de janeiro e fevereiro, no Carnaval e na Semana Santa, para fugir do risco? E por que a turma do Planalto se vacinou?"
 
Novamente, a colunista estimula a vacinação em massa sem alertar para quem deve ou não tomar vacina. Diz, de forma criminosa, que quem não tomar a vacina deve "se trancar em casa" e faz uma afirmação que chegaria ser surreal se não fosse igualmente criminosa, de que "a turma do Planalto se vacinou" contra a febre amarela.
 
Quem é a "turma do Planalto"? Lula viaja o país inteiro, inclusive a áreas de risco de se contrair febre amarela, que existem em qualquer parte do mundo. Os ministros de Lula, também. Mas para que alguém que viajará à praia, por exemplo, ou que nem viajará, deveria se vacinar ?
 
Já a estagiária em safadeza Fabiane Leite, revela a usina de safadeza que produzirá as sucessoras das Cantanhêdes da vida. A tal encontrou alguém da laia dela, um "especialista" chamado Luiz Hildebrando Pereira da Silva, que disse o seguinte:
 
"O governo pode ter exagerado ao estender a recomendação de vacinação contra a febre amarela para além de áreas de matas, conforme instrução divulgada pelo Ministério da Saúde brasileiro. A recomendação do governo abrange também áreas urbanas. A vacina traz riscos, destaca, e deve ser administrada com cuidado".
 
Bobagem dizer que quem convocou a população a se vacinar indiscriminadamente contra a febre amarela não foi o governo e sim a Folha, o Estadão, a Globo e outros meliantes como esses. Bobagem dizer que ao governo cumpriu o papel de tentar acalmar a população e pedir para parar de infestar os postos de saúde sem necessidade. E o Estadão sabe disso. Mas o Estadão é um jornal de sem-vergonhas. Tanto o jornal como seu leitorado senil.
 
É melhor as pessoas enviarem ao Estadão um e-mail como o que sugeri que enviássemos à Folha, no qual se mudará apenas um trecho. Vejam a sugestão. E lembrem-se que uma torrente de e-mails iguais é muito mais efetiva do que uma torrente de e-mails cada um com um teor.
 
Assunto: Abaixo o PIG
 
A imprensa brasileira se transformou num partido político. Cunharam até uma sigla para ela: PIG (Partido da Imprensa Golpista).
 
Essa imprensa está toda a serviço de José Serra e Fernando Henrique Cardoso.
 
A reportagem de Fabiane Leite "Especialista vê exagero em vacinação contra febre amarela"  (20/1) é malandra por debitar ao governo o alarmismo desencadeado pela mídia.
 
Os endereços eletrônicos do Estadão são:
 
 
 
 
Como eu lhes disse, essa coisa de "guerra" pela internet jamais fará a mídia repensar seus malfeitos. Mas a internet nos ajuda a desabafar, pelo menos. Então vamos encher de e-mails as caixas postais eletrônicas desses vermes. Não resolve, mas pelo menos enchemos o saco deles. E se você quiser contar a todos nós como ajudou a fazer isso, coloque aqui um comentário dizendo "enviado".
 
Quase 200 pessoas encheram o saco da Folha. Veja os comentários do email abaixo. Agora vamos fazer o mesmo com o Estadão. E quem não mandou e-mail para a Folha e está lendo isto, mande o e-mail preconizado no post anterior e o preconizado neste. Eles merecem.
 
 
*
 
 
Assunto que não tem nada que ver, mas é virtualmente importante. Está havendo um concurso do Ibest de melhor blog e na ponta estão, em primeiro, o gárgula Reinaldo Azevedo, e em segundo, o excelente Luis Nassif. Ocorre que o blog do gárgula da Veja está concorrendo com um mês de vantagem.
 
Recomendo, a quem tiver saco de se cadastrar no Ibest, receber o e-mail de confirmação do cadastro, responder esse e-mail, depois responder outro até poder "logar" no site e votar, que vote no blog do Nassif. Para acessar a página do Ibest, clique aqui. Vamos apoiar o Nassif.
 
 
*
 
 
E para relaxarmos um pouco, para nos sentirmos um pouco menos impotentes diante de tanta safadeza, terminemos o domingo com a deliciosa balada de Max Gonzaga, "Sou classe média".
 



 Escrito por Eduardo Guimarães às 17h59
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