CGU
Atualizado às 12:10 hs de 2 de fevereiro de 2008
Jorge Hage Sobrinho, ministro-chefe
da Controladoria-Geral da União
Por conta do caso envolvendo a já ex-ministra Matilde Ribeiro, quero cumprimentar o presidente Lula pela total liberdade que tem dado à Controladoria-Geral da União (CGU) para investigar seu governo, e também por ter criado o Portal da Transparência na internet, no qual se pode saber quanto, quando, onde e por quem foi feito cada gasto do governo federal.
Os mal-intencionados quererão ver na demissão da ministra a prova de que o governo Lula é o "mais corrupto da história". Esquecem de dizer que quem investigou e divulgou gastos irregulares dela foi um órgão vinculado à Presidência da República, a CGU, e que o cargo de ministro-chefe da Controladoria é de livre provimento pelo presidente da República.
Muitos não sabem disso, no entanto. Assim sendo, reproduzo, abaixo, a caracterização da CGU que consta em sua página na internet (www.cgu.gov.br/).
"A Controladoria-Geral da União (CGU) é o órgão do Governo Federal responsável por assistir direta e imediatamente ao Presidente da República quanto aos assuntos que, no âmbito do Poder Executivo, sejam relativos à defesa do patrimônio público e ao incremento da transparência da gestão, por meio das atividades de controle interno, auditoria pública, correição, prevenção e combate à corrupção e ouvidoria. A CGU também deve exercer, como órgão central, a supervisão técnica dos órgãos que compõem o Sistema de Controle Interno e o Sistema de Correição e das unidades de ouvidoria do Poder Executivo Federal, prestando a orientação normativa necessária"
O presidente Lula mostrou que está atento ao uso que seu governo faz do dinheiro público e que o Portal da Transparência se tornou importante instrumento da sociedade para fiscalizar o governo federal. A transparência do governo Lula é tanta que permite à oposição e à mídia faturarem políticamente sobre o controle que esse governo exerce sobre si mesmo.
Aliás, para quem não quiser acreditar em minha afirmação de que a ex-ministra Matilde Ribeiro só caiu porque o governo Lula investiga a si mesmo, reproduzo, novamente, o depoimento que deu aqui neste blog ontem o insuspeito editor do caderno Ilustrada do jornal Folha de São Paulo, Marcos Augusto Machado Gonçalves:
"Foi a Controladoria Geral da União quem questionou os gastos da ex-ministra com cartão, não foi uma investigação da mídia golpista (...)"
Gênese da CGU
A Controladoria-Geral da União (CGU) foi criada em 2001, penúltimo dos oito anos do governo FHC, pela Medida Provisória n° 2.143-31. Inicialmente, o órgão foi chamado de Corregedoria-Geral da União. Foi criado em resposta ao clamor da opinião pública diante do engavetamento da CPI da corrupção, contra a qual o governo tucano mobilizou-se de forma aberta até conseguir impedir que fosse instalada.
Em 1° de janeiro de 2003, um dos primeiros atos de Lula foi o de, através da Medida Provisória n° 103, posteriormente convertida na Lei n° 10.683, alterar a denominação do órgão de Corregedoria para Controladoria-Geral da União. A medida, além de dar status de ministro ao titular daquele órgão, vinculou-o diretamente à Presidência da República, o que hoje permite que investigue e denuncie até ministros de Estado.
Pesos e medidas
Segundo dados pesquisados pela Controladoria-Geral da União, em 2001 e 2002 (portanto, nos dois últimos anos do governo FHC) os gastos do governo federal com o pagamento de cartões corporativos foram, respectivamente, de R$ 213,6 milhões e R$ 233,2. Contudo, desde o primeiro ano do governo Lula os gastos com cartões caíram para a média anual de R$ 143,5 milhões.
Pergunta: alguém, alguma vez, soube de algum questionamento na mídia ao uso de cartões pelo governo tucano? Não? E por que? Será porque aquele era um governo de anjos? Ou será que a mídia, naquele tempo, não tinha esse ímpeto investigativo todo?
Chef de cuisine X picanha argentina
Alguns blogs de esgoto estão dizendo que agora o próximo passo da mídia será questionar os gastos do Palácio da Alvorada com a alimentação de Lula. E a mídia logo, logo vai começar a bater bumbo sobre esse assunto. Provavelmente vão falar da "picanha argentina" servida ao presidente da República.
Isso me remeteu ao tempo de FHC, quando ele mantinha, cozinhando para ele e para a mulher, uma gaúcha de 31 anos, chef de cuisine por profissão. Seu nome? Roberta Sudbrack.
Tudo começou num jantar na casa do então ministro da Justiça, José Gregori. Fernando Henrique e Ruth Cardoso estavam presentes. FHC, notório apreciador da boa mesa, não parou de elogiar o cardápio. Roberta ganhara o estômago presidencial.
Costelas de cordeiro malpassadas viraram o paradigma da nova e elogiada fase.
E Roberta gostava de filosofar sobre o seu papel na diplomacia e nas articulações políticas na condição de manda-chuva da cozinha presidencial. "A cozinha pode agregar ou desagregar, ajudar ou atrapalhar a diplomacia.", ensinava. Vejam só, além de chef de cuisine, a moça era "diplomata".
Roberta não era funcionária pública. Ela prestava serviços ao Alvorada, cobrando por jantar e consultoria. Ela não conta quanto ganhava para si e para sua equipe de quatro cozinheiros e dois confeiteiros. A chef presidencial começou sua carreira em Brasília, após estágio em Paris.
Mas Lula não pode comer picanha argentina ou servi-la aos chefes de Estado, por exemplo, que visitam a residência presidencial.
Escrito por Eduardo Guimarães às 07h57
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Caixa-preta paulista
Atualizado às 22:42 hs. de 1º de fevereiro de 2008
Quero corrigir uma informação incompleta que dei no post anterior. Informei que no site do governo do Estado de São Paulo não existe forma de se conferir as "Aplicações diretas" do dinheiro dos impostos dos paulistas. Não é bem assim. Há, claro, um site que alude aos gastos do Serra. A divulgação é feita através do portal da Secretaria da Fazenda paulista (www.fazenda.sp.gov.br).
O acesso a esse portal demonstra bem a diferença entre as formas como os governos federal e estadual informam à sociedade para onde vai o dinheiro dos impostos. No caso do governo Lula, com os cartões corporativos é possível conferir razão social e CNPJ das pessoas jurídicas ou nomes e CPFs das pessoas físicas que receberam dinheiro público de cada membro da administração federal. E dá para saber até a data da despesa. Abaixo, a cascata de informações que se pode obter sobre os gastos diretos de cada membro do governo federal autorizado a fazer pagamentos.
Pagamentos efetuados com Cartões de Pagamentos do Governo Federal em 2007 Unidade Gestor SEC. ESPEC.DE POLIT. DE PROM.DA IGUALD.RACIAL: R$ 182.120,94 Portador 023.257.548-71 MATILDE RIBEIRO : R$ 171.556,09 Dezembro/2007
----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- VISA-REAL-APRES 16.670.085/0010-46 LOCALIZA RENT A CAR 28/11/2007 R$ 749,74
-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Agora, apresento-lhes a forma como o governo paulista divulga seus dados. Para tanto, reproduzo, abaixo, a informação divulgada pelo governo do Estado sobre seus gastos com despesas de locomoção de seu pessoal. Os dados estão no portal da Secretaria da Fazenda paulista, como já disse.
Relatório da execução orçamentária
Aplicações diretas ---------------------------------------------------------------------------------------------
PASSAGENS E DESPESAS COM LOCOMOCAO - R$ 1.238.459,62
---------------------------------------------------------------------------------------------
Se o governo paulista fosse tão transparente quanto o federal, eu poderia fiscalizar como, onde, quando e por quem foi gasto esse mais de um milhão de reais em locomoção, por exemplo, que envolve aluguel de carros. Há gastos com alimentação etc., mas não dá para saber detalhes. Só se encontra totais e, portanto, a parte da sociedade que quer todos os governos - e não só o federal - fiscalizados não tem como fazer o mesmo que faz a mídia, só que em relação ao governo paulista.
A comparação acima é boa para as pessoas entenderem que nem os ministros de Lula nem os secretários de Serra andam de ônibus ou comem sanduíches de mortadela em botecos quando se locomovem a serviço do Estado. E para quem vier com aquela história sobre a ministra Matilde ter feito gastos durante suas férias, informo que nada garante que o mesmo não aconteça no governo Serra, mas não há como ter informações sobre esse governo como se tem sobre o governo Lula porque ambos divulgam seus gastos de forma totalmente diferente.
No frigir dos ovos, o que se depreende é o seguinte: o governo Lula funciona com tanta transparência que permite aos seus inimigos (declarados e enrustidos) fazerem suposições sobre seus gastos, enquanto que o governo Serra é uma caixa-preta que nós não temos meios - e a mídia não tem a menor vontade - de abrir. Aliás, ela tem vontade mesmo é de vê-la muito bem trancada.
*
Folha também lê o Cidadania
O texto abaixo está publicado nos comentários deste post, mas resolvi colocá-lo aqui fora a fim de que um meu interlocutor freqüente na Folha de São Paulo pudesse ter seus argumentos expostos de uma forma que o jornal dele não me permite.
"Foi a Controladoria Geral da União quem questionou os gastos da ex-ministra com cartão, não foi uma investigação da mídia golpista, que , aliás, divulgou que os dados constam do site, em noticiários de jornal, rádio e TV. A companheira gastou mais de 15 mil por mês no cartãozinho dela - o que o Eduardo acha normal. Adoraria ter alguém como o Eduardo zelando por meu dinheiro!" Marcos Augusto | Sao Paulo, SP, Brasil | jornalista | 01/02/2008 17:09
Resposta:
Marcos Augusto Machado Gonçalves, editor do caderno Ilustrada da Folha, que bom que ultimamente você decidiu debater comigo aqui no blog em vez de por e-mail, naquelas longas trocas de argumentação que já travamos. Provavelmente você está zangado pelo e-mail de ontem. Mas deveria ir mais devagar com o andor. Não me faça acusações. Seu jornal está cheio de colunistas casados com gente importante do PSDB. E tem mais: você e seu jornal se negam a cobrir criticamente o governo Serra e pegam no pé do governo Lula a cada 15 dias com uma nova denúncia, enquanto o governo Serra nem diz onde gasta o dinheiro dos paulistas. E se vocês puderam fazer esse estardalhaço todo foi justamente porque o governo Lula - pois a CGU é do governo Lula - investigou seus ministros, detectou um mau uso de dinheiro público por ao menos um deles e, inclusive, expôs esse dado para que vocês da mídia tucana fizessem a festa.
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Leitores, nosso patrimônio
"Acho que, diante dos sinais de malversação do erário, haja vista o uso indecoroso dos cartões corporativos, devemos propor tolerância zero em toda a esfera pública. Por exemplo, hoje, por volta das 13:00hs (portanto horário de expediente), na Rua Costa Carvalho, em um dos imóveis ocupados pela SABESP, um veículo da companhia deixava o local carregado de fantasias de carnaval. Como no carro deve estar escrito "uso exclusivo em serviço", perguntei a um dos funcionários que carregava os adereços se, por um acaso, aquele era o novo uniforme da empresa. O fulano riu, constrangido, o que demonstrava que ele estava seguindo ordens. Pois é, outro caso, não muito distante, mas já esquecido, foi o desfile da ala de funcionários da Nossa Caixa de SP, que, ano passado, fez a maior folia com $$ público. E nenhuma denunciazinha do MP. E, duas linhas na FSP. E a FSP diz que é ética. O que é ética, então ?" André Gruber| SP/SP/BR | Avaliador |
Escrito por Eduardo Guimarães às 16h18
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Jornalismo "investigativo"
Assim até todos
Fiquei deveras curioso com esse caso dos cartões corporativos do governo federal, com os gastos da ministra da promoção da igualdade racial, Matilde Ribeiro, em padarias, rotisserias e em outros locais suspeitos (sem aspas) para se gastar dinheiro público, como o free shop de algum aeroporto.
Vejam só o que é o "jornalismo investigativo" (agora, com aspas). Quanto trabalho a mídia deve ter tido para descobrir essas "falcatruas" (novamente, com aspas), não? É, não! Não mesmo. A mídia, no máximo, teve que fazer o mesmo que eu.
Acompanhem comigo o penoso caminho para se saber como o governo federal gasta o dinheiro dos nossos impostos.
1 - Em primeiro lugar, você precisa de um computador, coisa rara hoje em dia.
2 - Se você tiver uma dessas máquinas miraculosas, terá que digitar o complicadíssimo endereço do Portal da Transparência do governo federal (www.portaltransparencia.gov.br/)
3 - Depois, após exaustiva busca pela tela de 15 polegadas do computador, localizei o link "Consulta a gastos públicos"
4 - Daí, apareceu o grande dilema. Eu teria que escolher uma entre duas opções para conseguir encontrar os gastos do governo federal com cartão corporativo. Uma, era "Aplicações Diretas", e a outra, "Transferência de Recursos". Após muito pensar, descobri que gastos com cartões de crédito certamente se enquadrariam na primeira opção.
5 - Aí a coisa se complicou mesmo. Olhem só o que me apareceu na tela:
Cartões de Pagamentos do Governo Federal Selecione o ÓRGÃO SUPERIOR de seu interesse para obter o detalhamento do Valor pago Total de pagamentos efetuados com Cartões do Governo Federal em 2007 :R$ 75.656.353,91
Código Órgão Superior Valor 20113 MIN.PLAN.ORC.GESTAO 34.446.016,08 22000 MINIST. DA AGRIc.,PEC E ABASTECIMENTO 2.470.239,99 24000 MINISTERIO DA CIENCIA E TECNOLOGIA 723.334,63 42000 MINISTERIO DA CULTURA 117.443,61 52000 MINISTERIO DA DEFESA 939.210,37 26000 MINISTERIO DA EDUCACAO 5.020.390,42 25000 MINISTERIO DA FAZENDA 2.941.573,22 53000 MINISTERIO DA INTEGRACAO NACIONAL 309.595,45 30000 MINISTERIO DA JUSTICA 1.107.921,22 33000 MINISTERIO DA PREVIDENCIA SOCIAL 1.282.094,54 36000 MINISTERIO DA SAUDE 3.561.342,96 56000 MINISTERIO DAS CIDADES 125.757,41 41000 MINISTERIO DAS COMUNICACOES 287.892,77 35000 MINISTERIO DAS RELACOES EXTERIORES 5.164,90 32000 MINISTERIO DE MINAS E ENERGIA 375.510,98 49000 MINISTERIO DO DESENV. AGRARIO 4.166.350,10 28000 MINISTERIO DO DESENV, IND.E COM 744.897,04 51000 MINISTERIO DO ESPORTE 36.794,23 44000 MINISTERIO DO MEIO AMBIENTE 68.205,24 38000 MINISTERIO DO TRABALHO E EMPREGO 454.088,54 54000 MINISTERIO DO TURISMO 2.779,80 39000 MINISTERIO DOS TRANSPORTES 393.826,32 20000 PRESIDENCIA DA REPUBLICA 16.075.924,09
Barbaridade, tché! Mas como eu tinha ouvido falar que a Secretaria Especial da Promoção da Igualdade Racial era vinculada à Presidência da República, decidi arriscar e, voila!, achei a pasta da ministra Matilde Ribeiro. Cliquei no nome dela e apareceu uma das 18 páginas nas quais se pode consultar seus gastos "nebulosos" (mais aspas) com cartão de crédito.
Total de pagamentos efetuados com Cartões de Pagamentos do Governo Federal
Em 2007 :R$ 75.656.353,91 Órgão PRESIDENCIA DA REPUBLICA :R$ 16.075.924,09 Órgão/Entidade Vinculada PRESIDENCIA DA REPUBLICA :R$ 15.901.996,12 Unidade Gestora SEC. ESPEC.DE POLIT. DE PROM.DA IGUALD.RACIAL:R$ 182.120,94 Portador 023.257.548-71 MATILDE RIBEIRO : R$ 171.556,09
Estabelecimento Comercial Data Valor LOCALIZA RENT A CAR SA 28/11/2007 749,74 CIA IND DE GRANDES HOTEIS 28/11/2007 558,50 PRAIA DO MARCENEIRO PARTIC 26/11/2007 141,00 LOCALIZA RENT A CAR SA 26/11/2007 1.212,99 CIA IND DE GRANDES HOTEIS 26/11/2007 477,90 BAR BELO JARDIM LTDA 26/11/2007 71,50 HOTEIS OTHON S A 23/11/2007 377,75 EMPORIO SANTA FE RESTAURAN 23/11/2007 119,57 COMERCIAL XAPURI LTDA 22/11/2007 61,82 VM LOCADORA DE VEICULOS LT 21/11/2007 1.473,01 PRAIA DO MARCENEIRO PARTIC 20/11/2007 633,75 LOCALIZA RENT A CAR SA 20/11/2007 625,68 LOCALIZA RENT A CAR SA 20/11/2007 2.126,70 RESTAURANTE VERANO LTDA 20/11/2007 43,23 LOCALIZA RENT A CAR SA 19/11/2007 768,35
Esses ministros do Lula... Aliás, esse Lula, viu... Ele pensou que tinha escondido bem seus gastos fraudulentos, e seus ministros, idem. Não contavam com a inteligência do Chapolim Colorad... ops!, quer dizer, com a "inteligência" da mídia.
Mas tudo isso serviu ao menos para uma coisa: descobri por que a mídia não fala nada sobre como Serra gasta o dinheiro público. Fui ao portal do governo do Estado de São Paulo e não encontrei forma de conferir detalhes de suas "Aplicações Diretas".
Escrito por Eduardo Guimarães às 22h44
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Conseguirão derrubar Lula?
O Luiz Carlos Azenha faz uma provocação interessantíssima hoje em seu site. Ele pergunta:
"O governo Lula vem sendo 'desconstruído' pela mídia, que encurrala e pauta o governo de acordo com seus próprios interesses. A oposição perdeu, mas age como se tivesse vencido. Age e obtém vitórias, como a derrubada da CPMF. Nesse ritmo, você acha que Lula governa de fato até 2010 ou só ficará de bombeiro até lá?"
Acho importantíssima essa pergunta. Por isso, quero comentá-la aqui. Eu não só acho que Lula governa até 2010 como acho que tem enormes chances de fazer seu sucessor. A capacidade da mídia e da oposição de criar crises, apesar das "vitórias" que têm obtido no Congresso e no Judiciário, não tem tido qualquer influência no ânimo da população.
Senão vejamos: o período do auge da crise do mensalão foi aquele em que o consórcio oposicionista-midiático mais teve chance de derrubar Lula. Não conseguiu, mesmo que a economia, naquele momento, não estivesse tão bem. A sociedade deu uma banana para a mídia e para a oposição.
O governo foi bombardeado por mais de dois anos, todo dia, sem trégua e, ao fim e ao cabo do processo, reelegeu-se com mais de 60% dos votos. Esse é o dado fundamental: a mídia e a oposição conseguem criar crises institucionais, mas em contrapartida a sociedade, que é quem manda, envia um recado aos que se opõem a Lula:
"Estamos satisfeitos. Vimos melhoras concretas e achamos que tudo isso que está sendo noticiado é politicagem, é tentativa da oposição de retomar o poder, e não queremos isso porque o Brasil do tempo do PSDB era pior. E também achamos que a mídia tem conchavo com a oposição".
Isso é o que diz a maioria dos brasileiros. E, como demonstrei recentemente neste blog ao analisar a última pesquisa Datafolha, não são só os desinformados e incultos que pensam assim. O percentual de pessoas com instrução superior que acha o governo Lula bom e ótimo é de 40%, e o de pessoas com esse nível de instrução - que é o único que a mídia diz que habilita alguém a votar conscientemente - que acha esse governo ruim e péssimo, é de 20%.
Ora, se toda essa gente, supostamente bem informada pela mídia sobre o mensalão etc., não acreditou no que ela disse, é porque acha que ela mente.
Acho até, também, que está sendo superestimada a capacidade tucano-midiática de sabotar o país para ele piorar e o povo ficar descontente com o governo. Subestima-se o poder do Estado. Temos um estoque impressionante de dólares em caixa. A inflação está controlada. Apesar da "crise americana", há tantas divisas no país que a cotação do dólar continua baixa e ameaçando cair.
O que pode fazer a oposição? Obrigar o governo a editar medidas provisórias e fazer subir a temperatura política...
Mas as políticas macroeconômicas e sociais podem ser mantidas por muito tempo e até ser ampliadas. A situação econômica do país é o que sustentará Lula. Vê-se, no fim de tudo, que, governando direito, o político se fortalece e pode enfrentar campanhas monumentais de desmoralização como essa da oposição tucano-midiática.
Escrito por Eduardo Guimarães às 10h28
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A Suíça é aqui, certo?
Um rápido comentário, pessoal, sobre um assunto que está sendo tratado com descompromissada ligeireza - e esta, segundo o Pai dos Burros, equivale, no sentido figurado, a falta de seriedade, leviandade, esperteza, superficialidade.
Falo da tapioca de R$ 8,30 ou dos quinhentos paus no cartão da ministra da Igualdade Racial, enfim, falo do cartão corporativo do governo federal.
Ah, gente, eu me sinto vivendo vivendo na Suíça ao ver o país ser mobilizado por um gastinho de um ministro com dinheiro público. Afinal, só nos países altamente civilizados é que cada centavo que um funcionário público (por mais graduado que seja) gasta é controlado e cobrado em caso de suspeita sobre a legalidade da despesa.
Mas acordo logo do sonho. Afinal, esse tipo de rigor só existe no que diz respeito aos políticos ligados ao governo Lula ou ao PT.
Se a imprensa fosse à Assembléia Legislativa de São Paulo, por exemplo, saberia que o PSDB e o PFL paulistas têm montanhas de denúncias muito mais graves contra si e a mídia não noticia nenhuma, pois não cobre governos tucanos. Deixa-os à vontade, livres, leves, soltos.
Que Suíça que nada... Estamos mais para Burundi.
Escrito por Eduardo Guimarães às 01h05
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Ibest esquenta
E o prêmio Ibest acaba de esquentar. Os concorrentes pularam de 47 para 54. Abaixo, o novo ranking do prêmio Ibest de melhor blog político.

Melhor blog político
clique no selo acima p/ votar
O ranking de blogs indicados ao prêmio Ibest de melhor blog de política, em 31 de janeiro, às 08:00 hs., era o seguinte:
1 Blog do Luis Nassif
2 Blog do Reinaldo Azevedo
3 Blog do Mino Carta
4 Blog do José Dirceu
5 Blog do Azenha
6 Blog Cidadania
7 Blog do Alon
8 Blog do Democratas (DEM)
9 Blog Pérolas Políticas
11 Blog do Mello
12 Blog do Noblat
14 Blog Xô CPMF
15 Blog Entrelinhas
16 Blog do dep. Fernando Gabeira
17 Blog do Roberto Jefferson (Bob Jeff)
18 Blog Traduzindo o Juridiquês
19 Blog do Tucano Jovem
20 Blog de Política do Jornal O Povo
21 Blog Amigos do Presidente Lula
22 Blog TucanUsp
23 Blog Desabafo País
24 Blog Nariz Gelado
25 Blog Serjão (Sergio Motta) comenta do céu
26 Blog do Josias de Souza
27 Blog do Patrick Gleber
29 Blog do ET
30 Blog da Cristiana Lobo
32 Blog do Alan Galleazzo
33 Blog do Rovai
34 Blog do Jofe
35 Blog E-Agora
36 Blog Rádio do Moreno
38 Blog Coturno Noturno
39 Blog Minuto Político
41 Blog Ser de ultradireita é uma maravilha
42 Blog Pitacos Políticos
43 Blog do Guto
44 Blog Burajiru
45 Blog Prosa e Política
46 Blog do Daniel Ravena
47 Blog Crônicas e Críticas da América Latina
48 Blog Política com Pimenta
49 Blog do Callado
50 Blog do Wanfil
51 Blog Alerta Total
52 Blog Resistência
53 Blog do Paulo André
54 Blog Cleber Toledo
Escrito por Eduardo Guimarães às 22h16
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Bônus e ônus da fama
Depois de muito pensar, decidi publicar uma informação que recebi de uma fonte que se manifestou sob a condição de permanecer no anonimato. Só que teve um problema ético que inicialmente me afligiu e impediu de publicá-la imediatamente. A informação de que um dos maiores e mais virulentos críticos do governo Lula na mídia é casado com uma senhora que tem um cargo de relevo no PSDB me fez considerar se deveria divulgar uma informação que acho que é praticamente desconhecida do grande público. Hesitei porque acho que as famílias das pessoas devem ser poupadas dos embates políticos.
Mas então pensei no caso do filho do Lula, por exemplo. Ele é filho de um alto chefe do Poder Executivo e teve negócios com empresa que poderia - ou não - ser beneficiada ou prejudicada por esse Poder. Há provas de que o filho de Lula lucrou por ser filho de quem é? Não, mas a imprensa, sobretudo a imprensa para a qual a pessoa sobre quem vou falar presta serviços, viu nessa relação familiar a possibilidade de haver alguma ilegalidade.
A pessoa sobre a qual vou falar trabalha num grande jornal, que por sua vez recebe dinheiro público de governos, via publicidade oficial, e entre esses governos estão os do PSDB, como o governo de São Paulo, por exemplo, que é extremamente bem tratado por esse meio de comunicação.
Vejam o que me foi informado, e que cada um de vocês decida se essa relação familiar do jornalista em questão com o PSDB tem probabilidade de influir no que ele diz sobre política. E se tem, se da forma como esse jornalista se manifesta é possível fazer a mesma ilação que o veículo para o qual ele trabalha fez sobre o filho de Lula, ou seja, a ilação de que a relação familiar em pauta implicaria em ilegalidades como recebimento de dinheiro público pago por políticos beneficiados pela relação familiar dos tucanos com o jornalista.
A informação é a seguinte: "A mulher do Clovis Rossi, Catarina Clotilde Ferraz Rossi, é presidente do PSDB mulher".
Eu, pelo menos, não sabia disso. O que sei é que o principal colunista da Folha de São Paulo disse, algumas vezes, mas faz muito tempo, que a mulher dele era "tucana de carteirinha", mas foi ainda na época em que Lula estava na oposição.
Não posso negar, por honestidade intelectual, que Clóvis Rossi foi um grande crítico dos tucanos quando eles estavam no poder. Contudo, naquela época ele também criticava Lula, quando era preciso. E eram críticas honestas. Lula, então, era, como continua sendo, a maior liderança do PT. No entanto, a maior liderança com potencial eleitoral do PSDB hoje é José Serra, a quem Clóvis Rossi não faz uma só crítica como fazia àquele que era o coração da oposição ao governo FHC e a maior aposta eleitoral dessa oposição.
Para não ficar no disse-me-disse, fiz uma busca na internet e descobri uma página que relaciona essa senhora supra mencionada como candidata ao "CONSELHO POLÍTICO DO SECRETARIADO ESTADUAL DE MULHERES PARA ELEIÇÃO DE 2007". O link para a página mencionada, é o seguinte:
"Clóvis Rossi é paulistano, nascido no mesmo dia da Fundação da cidade (25/01) no ano de 1943. Formado em Jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero, a única da época no ramo, trabalhou na sucursal de São Paulo do Jornal carioca "Correio da Manhã", em "O Estado de São Paulo", entre 1965 e 1977, do qual foi editor-chefe; na sucursal de Brasília; na revista "Isto É"; no efêmero "Jornal da República", e está na "Folha de São Paulo" desde 1980. 'Tenho quase tanto tempo de profissão (35 anos) como de casamento e, por incrível que pareça, com a mesma mulher, a Caty (Catarina Rossi)', diz ele."
Em minha opinião, acho que é direito do leitor da Folha e leitor de Clóvis Rossi decidir se esse jornalista, que critica tão virulentamente o presidente Lula e se omite totalmente de qualquer crítica ao principal adversário dele, que no caso é José Serra, tem ou não por obrigação informar que é casado com alguém que tem cargo de relevo no partido que se beneficia fortemente do jornalismo que o mesmo Clóvis Rossi faz atualmente.
Não vai, aqui, acusação nenhuma. Não tenho elementos para provar que todas essas relações entre os colunistas da Folha que mais batem em Lula e o PSDB (há também o caso da colunista Eliane Cantanhêde, casada com o marqueteiro dos tucanos) interferem no trabalho deles e, o que seria pior, que possam lhes ser rentáveis. Mas a informação que dei, acho que eu tinha o direito - e Clóvis Rossi tem o dever - de dar ao público.
Escrito por Eduardo Guimarães às 15h21
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Crise americana
A ameaça americana de frear o crescimento mundial, segundo vários jornalistas políticos estão dizendo, está enchendo de esperanças corações e mentes oposicionistas, ou seja, dos tucanos, dos pefelês e da mídia corporativa e partidarizada.
Essa aposta nefanda do PSDB, do PFL e do braço midiático deles, é verossímil. E nem serei cínico negando que qualquer corrente política que estivesse na oposição e tivesse perspectiva de chegar ao poder também estaria salivando diante da possibilidade de ver naufragar um projeto de país daqueles aos quais se opõe. Um projeto de país que, se der certo, reduzirá drasticamente a perspectiva da oposição a Lula de voltar ao poder.
Agora, aceitar essa realidade inegável não significa que preciso gostar dela ou deixar de me enojar com ela. Num país como este, crescimento econômico salva vidas de recém-nascidos, dá trabalho a pais de família, alimenta famintos, resgata seres humanos da miséria abjeta que martiriza a tantos e tantos de nossos compatriotas... Torcer para que o próprio país não melhore - ou até para que piore - em benefício proprio é o sentimento mais infame que um ser humano pode nutrir.
Mas deixemos a filosofia para lá e sejamos frios a fim de analisar melhor o que é que há de concreto nos anseios sombrios da oposição tucano-pefelê-midiática.
Ontem, os principais jornais e telejornais divulgaram dados sobre um fator que determinará o que acontecerá com um país endividado e sem poupança interna suficiente para financiar o próprio crescimento, como são todos os países terceiro-mundistas e como é este em que temos a graça divina de viver: o fluxo internacional de dinheiro para dentro e para fora do Brasil.
Sejamos didáticos. Nada de economês. Jornalismo, mesmo o jornalismo amador como este que faço aqui, tem por objetivo informar, explicar e não complicar a vida das pessoas. Não que eu seja economista, mas no decorrer das 48 primaveras em que freqüento este vale de lágrimas a luta pela sobrevivência - ou seja, o exercíco da minha profissão - obrigou-me a saber me virar minimamente nos meandros turvos da economia.
Então, é o seguinte: o Brasil, para crescer, precisa financiar projetos de crescimento de empresas, obras públicas, pesquisas etc. Como a poupança interna é insuficiente, precisamos captar investimentos estrangeiros.
Até alguns anos atrás, esses "investimentos" vinham, mas não eram investimentos e tampouco financiavam o crescimento do país. Como na era das crises na Cochinchina, isto é, como nos governos anteriores a atração de investimentos do exterior se dava através de altas taxas de juro que visavam atrair dólares para pagarmos dívidas em dólares, esses recursos eram voláteis e poderiam sair daqui tão rapidamente como entravam.
O que o atual governo fez para mudar essa situação foi tornar o país menos interessante na ciranda financeira e mais interessante nas possibilidades de se explorar o monumental mercado interno brasileiro. Assim, ao diminuir, gradativamente, a taxa de juros básicos da economia, que remunera as aplicações no mercado financeiro, e ao investir em infra-estrutura do país, no cumprimento de contratos e na diversificação de parceiros no exterior, o Brasil tornou-se interessante não para os especuladores internacionais, mas para os investidores em negócios extra-mercado financeiro.
Nesse ponto é que entra a crise mundial que a frenagem na economia americana poderá provocar. E também é nesse ponto que entram o tal fluxo internacional de entrada e saída de dólares do país e a torcida contra midiático-oposicionista.
Vamos começar pelo quesito do meio, ou seja, pelo fluxo internacional de divisas. A mídia noticiou algumas desgraças que não passam do próprio desejo de contemplá-las. É importante analisar isso corretamente para que se tenha um quadro cada vez mais claro do que está acontecendo.
Os meios de comunicação fizeram alarde nas manchetes sobre o aumento das remessas de lucros das empresas transnacionais, mas no conteúdo das matérias explica-se que esse fluxo mais alto se deve ao aumento da lucratividade dos negócios no país e ao maior valor do real, que estaria permitindo comprar mais moeda americana para ser remetida ao exterior.
Na outra ponta dos dados, sabe-se do aumento exponencial da entrada de investimentos em projetos - em vez de no mercado financeiro - que vem acontecendo ano a ano durante o governo Lula. Para que se tenha uma idéia, em meio à ameaça econômica americana que ganha vulto neste mês de janeiro, os investimentos estrangeiros no país cresceram de US$ 2,422 bilhões em janeiro de 2007 para US$ 4 bilhões. Isso sem dizer que, ao longo de 2007, os investimentos estrangeiros diretos somaram US$ 34 bilhões, o maior número de todos os tempos.
Claro que não se pode subestimar o poder de causar estragos no mundo que teria uma recessão mais profunda nos EUA. Afinal, não seria apenas a diminuição das exportações para os Estados Unidos o que nos afetaria. Os investimentos americanos também seriam reduzidos.
Por outro lado, no entanto, não podemos deixar de relevar um fato: hoje o Brasil é muito menos dependente da economia americana. Comerciamos com muito mais países e deles recebemos investimentos como "nunca antes" aconteceu.
Ficaram contentes? Não tão rápido, meus caros, não tão rápido... O fato é que os outros países para os quais o Brasil se voltou podem vir a ser afetados pelo esfriamento da economia dos EUA e, daí, também reduzirão suas compras de nós e os investimentos que fazem aqui.
Nessa equação toda há uma variável muito importante, porém, que se chama China. Se o gigante oriental, diante dos problemas no seu maior concorrente, em vez de ser afetado negativamente for beneficiado - e há fortes possibilidades de que isso ocorra -, o fato de na era Lula os negócios com os chineses terem aumentado em progressão geométrica compensará a redução de velocidade da locomotiva ianque e ainda sobrará algum para o cafezinho.
Diante dos fatos verdadeiros, uma recomendação: não se deixe impressionar pelo catastrofismo midiático-oposicionista. Não passa de aposta contra você, contra sua família, contra seu país e em prol dos interesses político-eleitorais dessa gente. Contudo, se eu tivesse que comprar um carro novo agora certamente esperaria um pouco mais.
Escrito por Eduardo Guimarães às 23h41
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Crie seu blog
Vocês já deram uma olhada nos blogs menos votados do Ibest? Que dá para levar a sério, do blog Entrelinhas (15ª colocação) para baixo, não me lembro de nenhum. Ah, e ainda é preciso excluir o "Xô CPMF" (14ª colocação) - que, além de extemporâneo, é uma droga - e incluir o do Gabeira (16ª colocação) e o do Roberto Jefferson (17ª colocação), que, por razões óbvias, têm o que dizer sobre política, por mais que se discorde deles. Ah, e o do Josias de Souza, claro. Não gosto dele, mas ele tem o que dizer, até por obrigação.
Agora, não me xinguem, mas cadê o blog da outra "Menina do Jô"? Uma está lá, mas cadê as outras? A Lúcia Hipólito (é assim que se escreve?), por exemplo, tem um blog e aparece até na tevê toda hora...
Se não me falha a memória, inclusive, os menos votados são todos de direita. Mas não são daquela direita mais intelectualizada, como o blog do Josias ou do Noblat, que se pode lê-los e ter alguma reação além do desprezo. Esses blogs que mencionei são de uns aspirantes a reacionário e papagaios de telejornal, como diz o Max Gonzaga, autor da Balada da Mídia Golpista.
Por isso, sugiro que alguém inscreva o blog do Miguel do Rosário ou o Bué de Bocas, por exemplo. Não faço isso porque estou na competição e qualquer coisa que eu fizer em relação a ela pode ser interpretado como tentativa de influir em seu resultado. Só faço esta sugestão porque estão faltando blogs de esquerda ou independentes no Ibest, apesar de os mais votados serem de esquerda ou independentes - com as devidas exceções do blog do Reinaldão doidão, o do Pefelão e um de direita lá.
Aliás, seria interessante que mais gente de esquerda criasse blogs. Então, gostaria de passar meu ponto de vista sobre o tipo de blog que me desperta o interesse. Claro que é apenas a minha visão, uma visão de alguém de fora do meio jornalístico e político, de um "outsider", mas que pode servir, de alguma maneira, para que você crie o seu blog.
1 - O ponto principal no qual acredito que um blog deve se apoiar é no uso do Idioma. Não tem nada mais desagradável do que ler um texto mal escrito. Assim, é melhor demorar dois dias para publicar um texto do que publicá-lo sem a devida revisão. Se você não domina bem o português, não pague mico. Adie a criação do blog e, nesse intervalo, estude português e leia. Muito.
2 - Em minha opinião - e é polêmica, porque muitos blogs bons são diferentes -, o visual de qualquer página de internet ou mesmo impressa deve ser "limpo". Excesso de links, de informações, confunde o leitor.
3 - A argumentação sólida é fundamental. Nesses blogs menos votados que mencionei, atacam o governo com frases feitas, com suposições, nada de concreto. Ora, fazer críticas fundamentadas a um governo, a qualquer governo, é a coisa mais fácil do mundo. Quem não consegue fazer uma só crítica apoiada em mais do que ilações e opinionismo não pode mesmo ser levado a sério.
4 - Não adianta criar um blog e não alimentá-lo diariamente. Ele morre de inanição. Por isso, se você não tiver tempo ou tiver crises de inspiração, não crie blog nenhum.
5 - Não opine sem se informar. Não apóie ou rejeite tese nenhuma sem conhecê-la bem. Se não puder tratar de um assunto como quer, porque os fatos brigam com você, coloque esse assunto de lado se não quiser admitir que está errado, o que não é vergonha nenhuma, é sempre bom lembrar.
6 - Não encha lingüiça. Você só tem alguma coisa a dizer sobre um assunto se ele realmente ocupar suas reflexões. Quem reflete, tem o que dizer. Tratar de um assunto só porque todo mundo está tratando dele fatalmente redundará em conversa jogada fora.
7 - Evite os chavões. Não copie expressões, termos, estilos. Seja original. Todos temos nossas formas particulares de nos expressar e todas elas são eficientes, pois do contrário você não se comunicaria com o mundo.
No momento, é isso o que tenho a sugerir. O que eu tinha na cabeça sobre o que me atrai num espaço informativo, está tudo aí em cima. E lembre-se: o que atrai o leitor é o que ele não encontra em outro lugar. E o que ele não encontra em outro lugar não é o fato em si, mas a forma de tratá-lo. Trate os fatos de uma forma que acrescente algo a eles e terá leitores.
É importante que mais pessoas criem blogs, sites, escrevam para jornais, enfim, que participem das grandes questões contemporâneas. O que falta neste país é participação dos cidadãos. Ao criar um meio de comunicação, você começa a se tornar parte do debate público e, dai em diante, a vontade de sair do imobilismo aumenta.
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Diretor do MSM
Prezados, gostaria de fazer uma posposta séria sobre este tema. Estou pensando já faz um tempo em fazer um levantamento das notícias dos jornais. A idéia e construir um banco de dados para que depois pesquisadores pudessem utilizar estes dados para defender teses sobre como a mídia se comporta e suas influências na sociedade. O projeto seria - guardadas as devidas proporções - ao que foi feito na América Latina no projeto "Nunca Mais", que no Brasil teve um importante livro/reportagem publicado, o "Brasil:nunca mais"organizado pela Arquidiocese de São Paulo. Precisaríamos discutir os parâmetros de nosso levantamento e dividir as funções, com várias pessoas espalhadas pelo Brasil, cada uma responsável pelo levantamento de um meio de comunicação. Depois, seria o trabalho de construir um banco de dados central e público(talvez totalmente on-line para facilitar o acesso), onde pesquisadores e demais interessados pudessem recolher dados para suas pesquisas. Para facilitar os contatos sobre o projeto, disponibilizo o seguinte e-mail: levantamento.br@gmail.comAntonio Arles | tonyarlesjr@gmail.com | São Paulo/SP/Brasil | Estudante de História | 29/01/2008 15:15
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Azenha denuncia
O Luiz Carlos Azenha está antecipando o próximo passo da mídia na questão da febre amarela, ou melhor, da não-febre amarela. Ele acha que se tentará pôr a culpa na vacina brasileira para justificar as reações adversas surgidas nas pessoas que se vacinaram sem necessidade estimuladas pelos meios de comunicação. É bom ler e responder à seguinte questão: apesar de o jornalista ter antecipado o passo, ele será dado?
Escrito por Eduardo Guimarães às 15h38
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Passado que condena
Como não sou egoísta, vou tornar público um segredo que pode permitir a quem usá-lo fazer a festa em relação à mídia.
Você viram o post anterior, não é? Notaram como uma simples pesquisa num arquivo de jornal pode causar impacto? E sabem por que? É porque o maior inimigo da imprensa é o seu passado. Trocando em miúdos: quem fizer uma ampla pesquisa nos arquivos do PIG (Partido da Imprensa Golpista) pode levantar uma bomba atômica de fatos que a comprometam.
Compare-se cada uma das previsões, dos chutes, das acusações, das posições sobre esta ou aquela questão com o presente e se terá o retrato pronto e acabado de uma instituição apodrecida, envolvida com políticos, metida em conchavos e que usa a mentira como matéria-prima.
Lembram-se de quando o PIG pedia o impeachment de Lula e argumentava que o PT pediu o mesmo para FHC quando ficou comprovado que ele praticou estelionato eleitoral ao dizer que se Lula se elegesse presidente em 1998 seria ele que desvalorizaria o real e depois foi o próprio FHC que fez o que disse que Lula faria? Pois está aí, no post anterior, a prova de que o tucano enganou os brasileiros. Enquanto o país afundava, ele escondia a verdade do eleitorado, rezando para a economia agüentar até 4 de outubro, dia do primeiro turno da eleição presidencial de 1998.
E o PT não pediu impeachment nenhum. Foi o então prefeito de Porto Alegre, Tarso Genro, que pediu a antecipação da eleição presidencial de 2002 e Lula e o PT rechaçaram a proposta, mas o PIG afirmou, nos últimos anos, que o PT havia pedido o impedimento de FHC.
Ontem à noite levantei mais notícias daquele período da história. Vocês sabiam que durante o primeiro mandato de FHC, que foi considerado "o melhor" de seus dois mandatos, o desemprego aumentou 38%? E as notícias sobre o fechamento de empresas e, conseqüentemente, de postos de trabalho em 1999? E o endividamento do país a cada vez que FHC recorria a empréstimos internacionais para manter a política cambial que o reelegeu?
Como pode um presidente que prejudicou tanto o país ser considerado o responsável por sua atual situação econômica ser tão boa?
Levante-se o noticiário do segundo mandato de FHC e constatar-se-á a quantidade de tragédias geradas por aquele governo demagogo, irresponsável, que administrou o país pensando em seus interesses eleitorais. E poder-se-á verificar quanta coisa certa a oposição petista dizia, como que o país não estava mais agüentando o congelamento do câmbio e que mantê-lo, para FHC se manter no poder, redundaria na catástrofe em que redundou.
O PIG conta com a memória frágil do brasileiro. Os tucanos e pefelês, idem. E têm razão. Vejam que aqui neste blog reacionários vêm contar suas mentiras sobre o passado e muitas vezes não são contestados na essência dessas mentiras porque as pessoas não se lembram dos fatos. Comigo eles caem do cavalo, porque tenho uma memória "elefantina".
Tenho um projeto que se ninguém aproveitar a dica que estou dando, um dia vou consolidar. Quero me dedicar a um levantamento das edições dos principais jornais e revistas do país desde a redemocratização, para mostrar que a "Nova República" foi sabotada pelo PIG. Mostrarei quanto mal a mídia fez ao país para preservar interesses da elite, do capital transnacional e, sobretudo, dos americanos. Mostrarei quem são os políticos responsáveis por segurar o desenvolvimento do país.
E alguém precisa fazer isso. Vejam que um país com tantas desgraças continua sendo manietado por uma oposição que quer impedi-lo de melhorar para obter chance de retomar o poder, apesar de que nas vezes em que o ocupou só fez besteiras.
É impossível mensurar quanto este país poderia ter avançado se não fosse a guerra política desencadeada pelo consórcio midiático-oposicionista no primeiro mandato de Lula, que visava retomar o poder na eleição presidencial de 2006. Mortalidade infantil, desemprego, violência, criminalidade, baixo crescimento... Todos esses problemas poderiam ter sido minorados se o PIG e a oposição não vivessem tentando sabotar o país. E fazem isso porque não têm projeto para substituir o de Lula. Querem retomar o poder apenas pelos cargos, pelo poder e para brecar a distribuição de renda.
Pode-se dizer que a mídia, o PSDB e o PFL são o maior problema do país. Se lhes tirarmos o poder de gerar crises, o Brasil irá se desenvolver a passos largos e num período extremamente curto. E a única forma de livrar o país dessa praga é desmoralizando a mídia. Trabalhar pelo Brasil hoje é ajudar a difundir que os meios de comunicação, o PSDB, o PFL e o setor da sociedade que os apóia são sabotadores que querem impedir este país de melhorar. E que se voltarem ao poder, o farão retroceder.
É por isso que gasto tanto tempo e, com isso, perco dinheiro ao deixar de cuidar dos meus interesses particulares para alimentar este blog. É por isso que peço a quem tenha tempo disponível para que levante os arquivos dos jornais e tevês, pois eles contêm a prova de como a mídia prejudica o Brasil. Nem penso na notoriedade ou em algum lucro pessoal que fazer esse levantamento pode trazer. É mais importante que alguém faça logo, pois quanto antes desmoralizarmos definitivamente a mídia e a oposição, antes o Brasil começará a melhorar com maior velocidade.
Escrito por Eduardo Guimarães às 10h51
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Recordar é viver
Folha de São Paulo, 25 de junho de 1998
SUCESSÃO
Lula quer desvalorizar o real, insinua FHC
EMANUEL NERI da Reportagem Local
Mesmo sem citar o nome de Luiz Inácio Lula da Silva - seu principal adversário na disputa presidencial -, Fernando Henrique Cardoso insinuou ontem que o candidato petista pretende desvalorizar o real, caso seja eleito.
"Quem fica cacarejando aí o que não sabe, que precisa desvalorizar (o real), é porque não tem apreço pelo trabalho", afirmou o presidente, ao inaugurar conjunto habitacional em Osasco (SP).
Seu discurso foi repleto de referências indiretas a Lula. Disse não compreender o motivo de pessoas que "pretendem dirigir o país, aparentemente competentes", criticarem medidas adotadas por ele em 97, no início da crise asiática.
Folha de São Paulo, 12 de dezembro de 1998
NOVO GOVERNO
FHC recebe hoje diploma do 2º mandato da Sucursal de Brasília
O Palácio do Planalto fez exigências protocolares ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) para a sessão solene, às 10h de hoje, de entrega do diploma de "presidente reeleito" a Fernando Henrique Cardoso.
Folha de São Paulo, 14 de janeiro de 1999
Governo muda política cambial; mercado reage com ceticismo
da Redação
O governo cedeu ontem às intensas pressões do mercado e deu uma guinada na política cambial, permitindo uma desvalorização imediata de 8,26% do real.
Mantida a política anterior -que era o principal pilar de sustentação do Plano Real-, essa desvalorização só seria atingida em mais de um ano.
A principal mudança, anunciada pelo futuro presidente do Banco Central, Francisco Lopes, que substitui o demissionário Gustavo Franco, foi o alargamento da faixa de flutuação do câmbio e a eliminação das chamadas minibandas.
O piso subiu de R$ 1,12 para R$ 1,20 e o teto, de R$ 1,22 para R$ 1,32 (com valorização de 9% da dólar). O governo atuou no mercado, por meio de leilões, empurrando a cotação para o maior patamar.
A primeira reação do mercado foi de pânico, refletido no comportamento da Bolsa de Valores de São Paulo, que caiu mais de 10% em poucos minutos, logo após o pronunciamento de Lopes.
A Bovespa acabou fechando em baixa de 5,04%, depois que o nervosismo inicial dissipou-se em ceticismo generalizado.
A grande dúvida é se a medida será suficiente para contornar a crise ou se o governo será levado a permitir nova desvalorização.
A resposta será dada pela evasão de divisas nos próximos dias. Se for controlada, as chances de sucesso crescem. Ontem, saíram cerca de US$ 1 bilhão até as 20h00 (o mercado funciona até 21h30).
A intranquilidade no Brasil provocou quedas nas principais Bolsas de Valores. Em Nova York, a baixa foi de 1,32%. Na Espanha, a Bolsa de Madri, sensível aos recentes investimentos no Brasil, desvalorizou 6,9%.
Folha de São Paulo, 15 de janeiro de 1999
FHC viaja para fazenda em Minas Gerais
da Sucursal de Brasília
O presidente Fernando Henrique Cardoso viajou ontem à tarde para sua fazenda, localizada no município de Buritis (MG), a 180 km de Brasília, retomando período de descanso suspenso por causa da demissão do ex-presidente do Banco Central Gustavo Franco.
Segundo o porta-voz da Presidência, Sergio Amaral, não há motivos para o presidente não retornar ao descanso iniciado na terça-feira passada na praia do Saco, a 70 km de Aracaju (SE). FHC ficará na fazenda até domingo.
Folha de São Paulo, 15 de janeiro de 1999
Brasil perde US$ 2,8 bi desde o anúncio da desvalorização
Forte evasão de divisas é sinal de descrédito na eficiência da medida
Bolsa de SP despenca outra vez e acumula perda de 31% neste mês
Juro dispara no mercado futuro; projeção para janeiro vai a 47,95%
da Redação
O país perdeu cerca de US$ 2,8 bilhões desde o anúncio da desvalorização do real. Ontem, a evasão era de US$ 1,717 bilhão até as 20h15 (o mercado fecha às 21h30). Na véspera, a saída foi a US$ 1,093 bilhão.
Essa primeira reação demonstra que os investidores não estão apostando no sucesso da mudança na política cambial. Analistas internacionais acham que o "Plano Lopes" acabará levando a uma maior desvalorização da moeda.
Desde o início do ano, a sangria foi superior a US$ 4,8 bilhões, o que jogou as reservas internacionais para cerca de US$ 31 bilhões, menos da metade do que era antes da crise.
A Bolsa de Valores de São Paulo refletiu o desalento do mercado financeiro e chegou a cair mais de 10%, acionando pelo segundo dia consecutivo o sistema anticrash. A Bovespa fechou em queda de 9,96%, acumulando perda de 31,01% no mês. Com esse resultado, o índice da Bolsa chegou ao nível mais baixo desde meados de setembro, quando foi afetada pela moratória da Rússia.
A reação dos mercados no Brasil ajudou a derrubar a Bolsa de Nova York. Wall Street fechou em baixa de 2,45%, influenciada também pelo início do julgamento do presidente Bill Clinton no Senado.
Os títulos da dívida externa -que refletem o grau de confiança dos investidores estrangeiros- sofreram desvalorização. O C-Bond, considerado o mais importante deles, foi negociado a 48,875% do valor de face (no dia anterior era negociado a 50%). Os juros dispararam outra vez. No mercado futuro, a projeção para janeiro passaram de 38,70% ao ano para 47,95%.
Folha de São Paulo, 16 de janeiro de 1999
Real sofre recusa na fronteira
LEO GERCHMANN da Agência Folha, em Porto Alegre
FERNANDO MENDONÇA da Agência Folha, em Curitiba
Algumas casas comerciais na fronteira do Brasil com a Argentina (Paso de Los Libres), com o Uruguai (Chuí e Rivera) e com o Paraguai (Ciudad del Este) começaram ontem a evitar vender produtos por reais ou, em uma medida menos drástica, a cotar a moeda norte-americana com um valor bastante superior ao utilizado no câmbio do Brasil.
Especialmente na fronteira entre Brasil e Argentina, o real começou a ser recusado em algumas casas comerciais. O peso argentino vale o mesmo que o dólar, devido à lei da "convertibilidade" (que vincula uma moeda à outra).
A maior parte das casas comerciais, tanto na Argentina quanto no Uruguai, ainda aceita o real, mas já começa a haver algum tipo de resistência. Os comerciantes evitam falar sobre o assunto.
"O normal para nós é o dólar a R$ 1,45. No comércio informal, eu não posso dizer se está ocorrendo algo diferente", disse, de Rivera (cidade que faz divisa com Livramento), o secretário-geral da Associação dos Free Shops, Washington Cavallero.
Algumas casas de câmbio em Ciudad del Este (fronteira do Brasil com o Paraguai) chegaram a pedir ontem R$ 1,80 por dólar.
Folha de São Paulo, 28 de janeiro de 1999
PT
Antecipação de eleição não resolve, diz Lula
PATRÍCIA ANDRADE da Reportagem Local
O presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, classificou de "prematura" e "precipitada" a proposta do ex-prefeito de Porto Alegre Tarso Genro (PT) de convocar novas eleições presidenciais em outubro. Genro defendeu também a renúncia do presidente Fernando Henrique Cardoso.
"Eu não acho que o problema do Brasil será resolvido com a antecipação do processo eleitoral. O problema poderia ter sido resolvido em 4 de outubro. Não foi. A população fez uma opção, certa ou errada, foi uma opção da maioria do povo", declarou Lula.
Folha de São Paulo, 30 de janeiro de 1999
MERCADO TENSO
Dólar sobe e rompe a barreira dos R$ 2
VANESSA ADACHI da Reportagem Local
O dólar continuou disparando ontem e quebrou a barreira dos R$ 2,00.
A moeda norte-americana abriu a R$ 1,95, o mesmo valor do fechamento da quinta-feira, e chegou a bater em R$ 2,15 durante o dia.
O dólar comercial fechou a R$ 2,10, com alta de 7,69% em relação ao fechamento do dia anterior. Com isso, a valorização acumulada desde a véspera da primeira alteração na política cambial -12 de janeiro- já chega a 73,41%.
Escrito por Eduardo Guimarães às 19h49
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No branco dos olhos
Já desmontamos aqui a falácia de que quem apóia o governo Lula são os "desinformados" e "incultos". Debruçamo-nos sobre uma das últimas pesquisas de opinião consideradas "confiáveis" (Datafolha) e descobrimos que até nas classes A e B (alta e média-alta) o apoio ao presidente da República é fortemente majoritário. Agora, que tal verificarmos se é verdade que o governo de Lula é mera continuação do de FHC?
Você lê isso todo santo dia nos jornais, mas nunca lhe explicam por que é que dizem isso. Você, que é antipetista e pró-tucanos, que acha que o Brasil está indo bem por mérito de FHC e não de Lula, sabe dizer por que é que o governo petista seria igual ao tucano?
Ficou em dúvida, não é? Sabe por que? Porque você não pede explicações à mídia quando ela implanta essas teses prontas em seu cérebro. Então, vamos analisar a questão mais profundamente. Eu sei que você, viciado em grande mídia, não está muito acostumado a pensar sozinho, mas fazê-lo lhe fará bem. Você vai ver.
O que é igual nas políticas econômicas do PT e do PSDB? Os juros, por exemplo? Não é verdade. A taxa Selic, depois do crítico primeiro ano do governo Lula (2003), veio caindo mês a mês. Só parou de cair nas três últimas reuniões do Copom (Comitê de Política Monetária) por causa da crise americana. Na época de FHC, quando havia uma crise de liquidez de algum paiseco de qualquer parte, os juros explodiam. Agora, apenas param de cair.
Ah, o Brasil continua produzindo superávit primário? Sim, continua, porque essa não é uma decisão de Estado que pode ser revertida. A menos que se coloque um tarado na Presidência - como a Heloísa Helena, por exemplo, que disse que resolveria todos os problemas do país por decreto se chegasse ao poder.
Quando FHC governou, havia espaço para políticas mais autônomas. Ele pegou um país com as dívidas interna e externa baixas. A primeira, porque Collor deu o calote com o confisco da poupança e, assim, fez a dívida interna chegar ao nível mais baixo em décadas, e a segunda, porque o endividamento externo ficou paralisado desde a crise do México, no início dos anos 1980. Mas como o presidente tucano, além de ter vendido mais de cem bilhões de dólares de patrimônio público, para manter o câmbio fixo que o elegera em 1994 - e que pretendia que o reelegesse em 1998 - ainda contraiu vultosos empréstimos internacionais (só em 1999, pediu 40 bilhões de dólares aos EUA, ao FMI e ao Clube de Paris), a dívida externa quase que dobrou durante seus oito anos de governo, e a dívida interna cresceu uns mil por cento.
Como é que o governo Lula é igual ao de FHC, então? O tucano aumentava os juros (durante o governo FHC, a Selic subiu a mais de 40%) e o petista diminui. Um endividava o país e o outro paga as dívidas do antecessor, além de não pedir um centavo emprestado. Um fez o país recorrer duas vezes ao FMI, o outro tirou o país do FMI.
A imprensa diz que tudo que Lula tem conseguido na economia é mérito de FHC. Lula só teria o mérito de ter "continuado" o que fez o tucano. Só que nunca lhe dizem o que é que Lula continuou do que FHC fazia.
O país está indo bem. A inflação está controlada (apesar de a mídia divulgar só os preços que sobem e nunca os que caem) e, apesar disso, o PIB cresce com um vigor que não apresentava desde os anos 1970. E o mérito é de FHC.... Por que? A vítima da lavanderia de cérebros midiática não pergunta nada. Só acata. A mídia não diz o que foi que FHC fez que agora está permitindo a Lula governar tão bem. Dizem apenas que Lula "continua" o que FHC fez.
Lula não continua nada. O câmbio flutuante e o superávit primário são políticas públicas da era FHC, só que o câmbio flutuante era uma reivindicação do PT quando era oposição ao governo FHC e este o adotou na marra quando o mercado o obrigou a desvalorizar o real no início de 1999. Até a eleição presidencial de 1998, quando FHC se reelegeu, ele dizia que não era necessário deixar o câmbio flutuar ou sequer desvalorizar o real. Já no caso do superávit primário, um país endividado que não aceitar essa poupança compulsória que garante o pagamento das dívidas do país, será boicotado pelos investidores estrangeiros e terá dificuldades até para financiar seu comércio exterior. O Brasil já tentou enfrentar o sistema financeiro internacional nos anos 1980, com a moratória decretada pelo ex-ministro Dilson Funaro, e o resultado foi um desastre pelo qual estamos pagando até hoje.
Mas como resumir todo um governo apenas por conta de dois vértices de sua política econômica? Ah, temos os programas sociais também, não é? Não dizem que o Bolsa Família é criação de FHC? Essa é a maior das mentiras. Aproveitam-se do fato de que FHC copiou um programa de transferência de renda, baseado em experiências de outros países. Só que fez para inglês ver. Investia nele uma miséria. Porém, tentam fazer você crer que o Bolsa Escola ou o Vale-gás têm alguma coisa que ver com o maior programa de transferência de renda do mundo. Não tem. O que importa não é a natureza do programa e sim como ele é implementado. O atual governo gasta uma quantidade de recursos com a transferência de renda que nunca governo nenhum cogitou gastar. E isso incomoda, porque setores mais bem aquinhoados da sociedade perderam recursos para os setores beneficiados pelo Bolsa Família.
Outro cavalo de batalha da mídia é o lucro dos bancos. Freqüentemente você vê nos jornais que este ou aquele banco teve lucro recorde. No dia em que escrevo isto, os três maiores jornais do país tocam bumbo sobre o lucro do Bradesco, como se quisessem dizer que o governo diz que é pelo social mas está beneficiando mesmo os ricos. É uma tese malandra que faz acreditar que é ruim a solidez do sistema bancário. Na época de FHC, eles não eram sólidos e eu, você, todos nós tivemos que doar dinheiro aos bancos (via PROER), porque nenhuma economia é sólida se seu sistema bancário não for também. E hoje os bancos estão lucrando com o dinheiro de suas operações, sem precisarem ser socorridos com dinheiro público.
Temos outras diferenças fundamentais entre o governo do PSDB e o do PT. Vocês sabem por que a crise americana - que é muito pior do que as crises de paisecos da era tucana - não está nos afetando e, de acordo com todos os economistas de todas as tendências, não deverá nos afetar significativamente ? É porque hoje o Brasil depende muito menos do comércio exterior com os americanos e europeus do que na época de FHC. Eu mesmo viajarei à África em pouco mais de duas semanas para fazer negócios com um dos muitos países daquele continente que passaram a importar fortemente do Brasil. A diversificação dos mercados-alvos das nossas exportações tornou o Brasil menos dependente dos países ricos. Hoje comerciamos com as três Américas, com a Europa, com a Ásia, com a África... Não dependemos mais unicamente de americanos e europeus.
A herança tucana foi realmente maldita. Entregaram o Brasil estagnado economicamente, com o desemprego nas alturas, com um dólar valendo quatro reais, com a inflação próxima dos dois dígitos e dizem que tudo isso se deveu ao "risco Lula". Mentira. O Brasil começou a decair em janeiro de 1999, com a maxidesvalorização forçada do real, que dois meses antes FHC garantira que não ocorreria. Lula teve que tirar o pais do buraco e fez isso simplesmente fomentando o mercado de consumo de massas que hoje vemos crescendo a todo vapor e que sempre foi a pregação do PT.
O Brasil está bem porque muita gente foi incluída como consumidora. Também há o decidido combate à sonegação fiscal, que hoje se vale inclusive de Polícia Federal, o que permitiu ao Estado ter mais recursos para implementar projetos de desenvolvimento como o PAC, do qual a mídia e a oposição desdenham, mas que, aqui e ali, confessam que será o grande ativo eleitoral petista em 2010, porque fará o país crescer, nos próximos três anos, como jamais cresceu.
A similaridade que há entre os governos Lula e FHC é a mesma que há entre eu e qualquer um de vocês, ou seja, a do branco de nossos olhos, que todos temos. O que há de igual neste governo e no governo anterior é o que não teria como ser diferente em nenhum governo. E as diferenças são enormes, decisivas e benéficas para a maioria, mas ruins para a minoria que reclama, que sempre foi preferencialmente beneficiada pelo Estado brasileiro e agora deixou de ser.
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O ranking de blogs indicados ao prêmio Ibest de melhor blog de política, em 28 de janeiro, às 15:33 hs., era o seguinte:
1 Blog do Luis Nassif
2 Blog do Reinaldo Azevedo
3 Blog do Mino Carta
4 Blog do José Dirceu
5 Blog do Azenha
6 Blog Cidadania
7 Blog do Alon
8 Blog do Democratas (DEM)
9 Blog Pérolas Políticas
11 Blog do Noblat
14 Blog Xô CPMF
15 Blog Entrelinhas
16 Blog do dep. Fernando Gabeira
17 Blog do Roberto Jefferson (Bob Jeff)
18 Blog Traduzindo o Juridiquês
19 Blog do Tucano Jovem
20 Blog TucanUsp
21 Blog Nariz Gelado
22 Blog Serjão (Sergio Motta) comenta do céu
23 Blog do Josias de Souza
24 Blog do Patrick Gleber
25 Blog de Política do Jornal O Povo
26 Blog Visão Panorâmica
28 Blog da Cristiana Lobo
29 Blog do Alan Galleazzo
30 Blog do Jofe
31 Blog E-Agora
33 Blog Rádio do Moreno
35 Blog Coturno Noturno
36 Blog Minuto Político
38 Blog Pitacos Políticos
40 Blog Ser de ultradireita é uma maravilha
41 Blog do Guto
42 Blog Burajiru
42 Blog Prosa e Política
43 Blog do Daniel Ravena
44 Blog Política com Pimenta
45 Blog do Callado
46 Blog do Wanfil
47 Blog Alerta Total
Escrito por Eduardo Guimarães às 15h43
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EUA podem mudar PIG
Tenho uma teoria sobre o mal de que padece o PIG (Partido da Imprensa Golpista): o vírus que fez a grande imprensa adoecer das faculdades mentais chama-se George W. Bush. Sim, meus amigos, eu acho que os "falcões" ianques têm tudo que ver com o macartismo dos meios de comunicação tupiniquins.
Vocês vejam bem que a imprensa local mostra-se adepta de grande parcela das idéias bushianas-neoconservadoras-estadunidenses. A mídia tem sido parte determinante da difusão do descontentamento de Washington com a ascensão da esquerda na América Latina durante os últimos anos. E não falo só de Hugo Chávez. Evo Morales, Rafael Correa, Daniel Ortega, Néstor Kirschner e outros são motivo de preocupação para os sempre esquizofrênicos norte-americanos, mas os necons são demais.
Não se acha, claro, que estarem democratas ou republicanos no poder faça toda a diferença no que concerne ao imperialismo dos EUA aqui e em toda parte, mas pode-se ter certeza de que quando um poder como o do Império Americano é ocupado por energúmenos como Bush, os reacionários de toda parte ganham alento, força e recursos intermináveis para verterem sua baba reacionária - que é "corrosiva", acreditem-me.
Então, vamos combinar: a ocupação do Trono Americano por candidatos mais, digamos, humanos como uma Hillary Clinton ou um Barack Obama, constitui uma possível distensão dos EUA em relação aos atuais governos da grande maioria populacional da América Latina, atualmente sob a batuta da esquerda.
E entre os candidatos Clinton e Obama não se pode deixar de dizer que não há escolha tão fácil. Quem entre os dois viesse a governar os EUA, para o resto do mundo seria lucro. Hillary é uma mulher dessas de colocar qualquer homem no chinelo. Inteligente, íntegra (os escândalos em que foi acusada mostraram-se armações) e, ainda por cima, tem sua condição de mulher a apoiá-la.
Obama é um humanista. Defensor dos direitos das minorias americanas, representaria outra quebra de paradigma na presidência da maior das nações da contemporaneidade: seria ocupada por um membro da etnia mais humilhada, espoliada e maltratada em toda história.
Hillary e Barack, no governo dos EUA, seriam uma vitória da humanidade.
Explico: poucos se deram conta da importância da possibilidade de se apear os falcões de Washington do controle do maior poder do mundo. O único perigo é o de o lunático George Walker Bush e sua horda de bárbaros sabotarem o planeta antes de serem mandados para o esquecimento da lata de lixo da história.
O lado bom de tudo isso, é que um governo dos EUA menos fanático tornará menos hidrófobos os aliados de plantão desse governo que infestam - e que controlam - a mídia latino-americana. Então, que venha Barack, que venha Hillary, mas que venha um dos dois. Se os democratas retomarem o controle dos EUA, o mundo irá melhorar.
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Escrito por Eduardo Guimarães às 15h22
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Ombudsman acusa:
Imprensa gerou pânico
Mario Magalhães, atual ombudsman da Folha de São Paulo, acaba de colocar mais um tijolo no monumento que seus dois últimos antecessores começaram a er
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