Quando surgiram as acusações de uso indevido do cartão corporativo pelo governo Lula, o colunista da Folha de São Paulo Fernando de Barros e Silva caiu matando em cima do presidente e do PT. Condenou a todos, sem apelação.
"Matilde Ribeiro caiu (...) Lula, desta vez, agiu rápido, o que parece suspeito (...) há evidências (...) de que o desvio envolve (...) sobretudo o Planalto. (...) Criou-se um meio fácil para patrocinar mordomias privadas (...) com o dinheiro público (...) Já conhecíamos a Lei de Gérson (...) O PT vem consagrar a Lei de Vavá: - Arruma dois pau pra eu!"
Quando blogs independentes, como o meu - que não recebe dinheiro de político nenhum nem tem ligações políticas -, mostram, uma semana antes desse jornal, que os tucanos tem os mesmos "problemas" que o colunista critica nos petistas, ele reage assim:
"(...) Em termos de degradação moral e miséria intelectual, nada supera hoje certos blogs politicamente aparelhados (...) Não direi seus nomes, assim como não jogo lixo na rua. (...) no caldeirão fervilhante desse parajornalismo rebaixado, é impossível discernir o que é engajamento, o que é negócio e o que é só lobby de si mesmo (...)"
Barros e Silva ficou bravo. A mídia foi obrigada a noticiar o que demorou uma semana para fazê-lo apesar de estar de posse das informações e de não ter tido ímpeto de investigar por moto próprio. Noticiou porque foi obrigada, porque os "blogs aparelhados" a furaram e divulgaram antes os cartões tucanos.
Sonho de consumo
O meu é, um dia, frente a frente, olhos nos olhos, debater política com um dos colunistas ou blogueiros do PIG. Contudo, eles se escondem por trás de suas notoriedades, alcançadas não por mérito próprio, mas por "opinarem" o que seus patrões mandam.
Mas este mundo dá voltas, pessoal. Um dia, talvez tenham que terçar argumentos com aqueles de quem fogem como o diabo foge da cruz. Nesse dia, serão desmascarados.
No último grande combate contra a mídia (o dos cartões corporativos), quem não aceita mau jornalismo e quer ver os fatos reportados pelos meios de comunicação com isenção e seriedade, e que se dedica a escrever em blogs, sites, a mandar e-mails e a informar desinformados, dizendo que jornalismo sério é aquele que não toma partido e que não aumenta nem diminui fatos de acordo com interesses não-jornalísticos, foi recompensado.
A recompensa começou a ser paga logo pela manhã. Apesar de continuar sendo mau jornalismo o que fizeram Folha de São Paulo e O Estado de São Paulo, porque o primeiro, apesar de ter noticiado que o governo Serra também tem muito a explicar, deu a ele muito mais espaço para se defender do que deu ao governo Lula, e porque o segundo relegou às suas páginas internas notícia que, como na Folha, deveria estar na primeira página, em destaque, apesar de tudo isso esses veículos tiveram que se render à verdade que pessoas como nós vinham dizendo.
Mas o grande prêmio estava guardado para a noite, mais especificamente para o "horário nobre" da maior emissora de tevê do Brasil, a Globo, e, ainda por cima, foi em, nada mais, nada menos do que no Jornal Nacional que se viu jornalismo de verdade, sem os defeitos do meio jornalismo que Folha e Estadão fizeram logo pela manhã em nossas portas ou nas esquinas de nossas casas.
A matéria do Jornal Nacional de oito de fevereiro de 2008 foi correta. Abordou todos os assuntos, mostrou diferenças entre o pagamento de despesas pelo governo de São Paulo e do país e até relacionou outros governos, de outros Estados, que usam cartões de forma que pode ser questionada. Mostrou diferenças que favorecem as duas esferas de governo, a estadual e a federal. Deu exemplos de gastos aparentemente estranhos, falou da mesa de bilhar do governo Serra e da lixeira de mil reais do governo Lula, mostrou que em São Paulo também se gasta altas somas em restaurantes e mimos tanto quanto no governo federal e, mais importante do que tudo, mostrou que o governo federal é mais transparente do que o de São Paulo.
O fato, minha gente, é que é isso o que se quer, não que se culpe a todos da mesma forma, mas que se noticie uma forma de aplicar os gastos do dia a dia das administrações públicas que é comum ao Estado brasileiro (em todos os níveis) e que precisa ser controlada, pois é muito difícil que abusos não estejam ocorrendo. É inadmissível, por exemplo, que o reitor da Universidade de Brasília compre mobílias milionárias e que o governo do Estado financie o lazer de funcionários públicos com o dinheiro tão suado dos nossos impostos.
Coloquemos o partidarismo de lado agora que as coisas estão equilibradas, ainda que momentaneamente. Aproveitemos essa chance de ouro para explicar que é isso o que queremos, que a fiscalização da imprensa seja apartidária e não-ideológica. Fazendo isso, o país melhora, porque não se pressiona por transparência e probidade apenas alguns dos que manipulam dinheiro público, mas a todos.
É só isso que pedimos à mídia, os que temos reclamado dela. Será que estamos pedindo muito? O Jornal Nacional da noite de hoje provou que não, mostrou que é possível fazer o jornalismo de que o Brasil precisa - quando se quer.
Proposta do Azenha
Na correria da última sexta-feira, apurado para tirar o visto para viajar e, ainda por cima, preocupado em atualizar o blog, não dei a devida atenção a uma sugestão refletida, bem-intencionada e inteligente do meu amigo Luiz Carlos Azenha.
Este post não é apenas uma reparação à displicência com que tratei a sugestão de alguém que tanto tem contribuído para que o jornalismo no Brasil - e não só no Brasil - torne-se digno de confiança. É, também, o aproveitamento devido de uma idéia que pode, sim, vir a dar frutos se se colocar de lado a amargura e o passionalismo - até naturais, na conjuntura - ante os malfeitos midiáticos.
Diante da sugestão do Azenha de o Movimento dos Sem-Mídia trilhar o mesmo caminho da americana Janet Murguía, presidente do National Council of La Raza, um grupo que defende os direitos dos imigrantes nos Estados Unidos e que entrou em contato com a produção do programa do apresentador Lou Dobbs, da rede CNN, pedindo que Janet fosse entrevistada, eu disse que achava que Azenha estava brincando, porque seria mais fácil o MSM conseguir espaço na tevê americana do que na brasileira para criticar a mídia.
O ceticismo é tudo que combato, portanto não poderia ter abdicado de sequer considerar a sugestão do Azenha só porque me pareceu difícil materializá-la. Fui contra meus próprios princípios de dividir cada bola que me apareça na frente e, ainda por cima, acho que fui indelicado com meu amigo.
Esse foi um erro que será corrigido com atitudes, como a de discutir sua sugestão no âmbito do MSM. Conversei hoje com outro amigo, que é jornalista da editora Abril, e ele me informou de que há uma legislação sobre direitos de resposta. Há, portanto, algum caminho para tentarmos conseguir espaço numa tevê.
Quero concluir manifestando minha admiração por esse altruísta, por esse idealista que é Luiz Carlos Azenha, que deixou o conforto de um bom emprego numa das maiores emissoras de tevê do mundo para seguir sua consciência.
Avisaram-me de que o Reinaldo Azevedo foi à loucura com as manchetes que Folha e Estadão deram depois de terem tomado um "furo" entre as pernas. Vale ressaltar, porém, que se tomaram esse furo (do Paulo Henrique Amorim) foi porque quiseram, porque ao menos a Folha tinha a matéria dos gastos do governo Serra na mão e, segundo o PH, segurou-a.
O curioso - e surpreendente - é que Azevedo, doente de raiva, teve que reconhecer não só que blogs e sites tiveram mérito (ou demérito, na visão dele) na publicação pelos jornalões da denúncia contra o governo do Estado de São Paulo como cita, de forma cifrada, um blogueiro que seria "mascate" e "negociante". Vocês conhecem algum blogueiro "mascate" e que, nas palavras de azevedo, "mobiliza a Al Qaeda eletrônica, que passa a fazer, então, um trabalho de patrulha"?
Leiam, abaixo, a "crisis de nervios" do Azevedo e, depois, eu comento mais um pouco
Cartões corporativos – Tudo igual, exceto as diferenças...
Volta e meia, os petralhas enviam para cá seus desafios: “Prove que você é sério e noticie tal coisa”. A “tal coisa” quase sempre foi veiculada nos blogs ou colunas de mascates, anões e tocadores de tuba. Invariavelmente, o propósito é evidenciar que, se há alguma bandalheira petista em curso, ela não é nova: apenas repetiria procedimentos antes adotados pelos adversários do partido. Freqüentemente, trata-se de uma mentira verossímil. O que é uma mentira verossímil? É aquela que precisa de alguma base de realidade para prosperar — realidade que tem de ser torcida para que, então, a fraude ganhe terreno.
O PT é especialista nesse tipo de operação — e, infelizmente, quase sempre tem a grande imprensa como aliada. Não foi assim com o mensalão? Lembrem-se: “Isso começou no PSDB de Minas”. Em seguida, o tucano Eduardo Azeredo foi pego nas malhas do valerioduto. Naquele caso, de fato, tratava-se de caixa dois: sim, era ilegal — e defendi que Azeredo renunciasse à sua vaga no Senado —, mas era outra coisa. Agora, no caso dos cartões, repete-se o procedimento. Só que, desta feita, com um agravante: não há qualquer evidência de irregularidade em São Paulo. Até o líder petista na Assembléia admite isso.
Esses ou aqueles negociantes e ex-jornalistas têm importância? Em si, não. Mas sua militância paga e sua pistolagem não são inteiramente inócuas: mobilizam a Al Qaeda eletrônica, que passa a fazer, então, um trabalho de patrulha. Às vezes, como hoje, funciona. E, então, se escrevem textos e manchetes afirmando que eventos distintos são iguais — ressalvadas, claro, todas as diferenças..."
Só quero comentar uma coisa: quem é pago por partidos políticos para defendê-los e atacar seus adversários são, que eu saiba, os cônjuges dos colunistas da Folha e o próprio Azevedo, pois a Veja o paga e ele usa o espaço que tem no portal da revista para atacar petistas e defender tucanos. Já eu, quem me paga é meu trabalho de "mascate" e de "negociante". E já que, segundo Azevedo, mobilizar a "Al Qaeda eletrônica" terminou por "funcionar", isto é, por desmascarar Serra, ganhei o dia.
Mas o Azenha continua lúcido
E está me fazendo uma sugestão. Leiam, abaixo, o que ele publicou em seu site que depois comento.
EDUARDO GUIMARÃES, LEIA ISSO: UM MOMENTO EXTRAORDINÁRIO NA TV AMERICANA
WASHINGTON - Já faz dias que aconteceu mas só hoje tive tempo de escrever a respeito. Foi um momento extraordinário na TV americana. Janet Murquía é presidente do National Council of La Raza, um grupo que defende os direitos dos imigrantes nos Estados Unidos. O grupo entrou em contato com a produção do programa do apresentador Lou Dobbs, da rede CNN, pedindo que Janet fosse entrevistada. Lou Dobbs diz representar os eleitores independentes e a classe média americana. Ele dedica grande parte de seu programa noturno a atacar os imigrantes ilegais.
O pedido de Murqía foi atendido. Achei que o debate entre o apresentador e ela seria quente. Mas ela simplesmente nocauteou Lou Dobbs ao vivo, no ar. Como? Ela demonstrou, com gráficos, quantas vezes nos últimos anos Lou Dobbs havia dado voz a representantes de grupos extremistas, que propõem a "caça" dos ilegais como se fossem animais. Ela foi didática e dizia continuamente: "Temos tudo documentado". Deu nomes, datas e estatísticas. Disse que tinha audiência marcada com o presidente da CNN. E que estava denunciando as emissoras MSNBC e Fox News pelo mesmo motivo: dar voz a grupos que pregam o ódio, que demonizam e desumanizam os imigrantes. Esta foi a conclusão de um estudo sobre o discurso dos grupos aos quais Lou Dobbs dá voz, criando um caldo de cultura que pode resultar em violência:
Descrevem imigrantes como "invasores do terceiro mundo", que vem para os Estados Unidos para destruir nossa herança cultural, "colonizar o país e atacar nossa forma de viver. Essa acusação é usada contra hispânicos, asiáticos e negros;
Usam terminologia que descreve imigrantes como parte de "hordas" ou "enxames". Essa linguagem desumanizadora agora é comum;
Descrevem imigrantes como vetores de doenças como a lepra, tuberculose, doença de Chagas, dengue, poliomielite e malária;
Descrevem imigrantes como criminosos, assassinos, estupradores, terroristas e um perigo para crianças e famílias;
Propagam teorias conspiratórias sobre um suposto plano de "Reconquista" de imigrantes mexicanos com o objetivo de criar um "Grande México" para tomar sete estados do sudoeste americano que já pertenceram ao México.
Pedi ao Eduardo Guimarães que leia isso porque acho que esse pode ser um caminho para o trabalho do Movimento dos Sem Média. Pedir direito de resposta em programas da TV brasileira, que são concessões públicas. Pedir reuniões com a direção de emissoras de rádio e TV para manifestar preocupação com Jornalismo parcial, que não represente a diversidade brasileira e que não tenha compromisso com o tratamento igual para iguais. E fazer o mesmo com os patrocinadores que, afinal, são aqueles que pagam as contas. Mas fazer isso em cima de casos pontuais e irrefutáveis, como o tal "perigo amarelo".
O Azenha, além do magnífico jornalista que é, também é um grande comediante. É mais fácil eu conseguir espaço para criticar a mídia na tevê americana. Aliás, seria um caminho: se a tevê americana der alguma notícia, a nossa dá na hora. Nem que seja a foto de um Frias, um Mesquita ou um Civita fazendo suas necessidades fisiológicas.
*
Ah, aquela coisa do mascate do Reinaldo é ironia, tá? Lógico que, se ele acha o Nassif desimportante, deve me considerar um micróbio. Ou melhor: um vírus. Só que às vezes os vírus podem ser bem poderosos.
Claro que a matéria da Folha sobre os gastos de representação do governo Serra não seria equânime e isenta. A diferença é flagrante e chega a ser escandalosa.
Enquanto que o jornal tratou os gastos do governo federal com malícia, fazendo suposições sobre cada um deles e dando espaço mínimo para as explicações do governo federal, e inclusive mentindo sobre o ministro dos esportes, Orlando Silva, conforme inclusive denunciou o ombudsman da mesma Folha, a matéria sobre os gastos diretos do governo paulista é isenta e o "outro lado" tem espaço enorme para dar suas explicações.
O pior é que a matéria da Folha busca estabelecer uma diferenciação entre os cartões federais e estaduais. Mas, de leve, mostra gastos do governo paulista absolutamente idênticos aos do governo federal. E também "de leve" mostra que a transparência do governo Lula é bem maior do que a do governo Serra, pois no caso do segundo governo não há como qualquer cidadão fiscalizar seus gastos como pode fazer em relação ao primeiro.
A matéria mostra, en pasant, gastos do governo do Estado de São Paulo numa churrascaria e num outro estabelecimento que em nada diferem dos gastos do governo federal que foram divulgados com muito mais detalhes. Mas a matéria da Folha evita se aprofundar no assunto.
É uma bobagem essa história de cartão ou não-cartão. O que importa são os gastos em si, e não se foram feitos com cartão, dinheiro ou cheque. São gastos justificáveis? A esfera pública que gasta oferece meios eficientes para que sejam investigados? A Folha, ainda en pasant, reconhece que o governo federal é muito mais transparente.
Mas por que parar no governo do Estado? E o governo da capital paulista? Como são feitos seus gastos diretos? Aliás, qual é a regra para os municípios paulistas?
Esse é um assunto para o Estado de São Paulo na imprensa paulista, mas deveria ser abraçado pelas imprensas de todos os entes federativos. Dever-se-ia sair atrás dos gastos diretos (sem licitação ou aprovação prévia) de toda administração pública, de todos aqueles que lidam com dinheiro público. E sem essa história de se o cartão é corporativo ou meio corporativo ou nada corporativo. O dinheiro está sendo gasto, por esse e por outros meios.
Percebe-se, claramente, que os cartões oferecem mais eficiência no controle dos gastos e que, nesse quesito, o governo federal é o mais transparente dos governos do país. Para quem tem cérebro, fica claro que, o que tentaram apresentar como demérito do governo Lula, na verdade é mérito. E isso precisa ser divulgado, bem como a exigência de se estender a transparência federal às outras esferas do Estado.
Temos muito trabalho pela frente no sentido de colocar as coisas em seus devidos lugares. Mãos à obra, então
Blogs e sites políticos conseguiram uma vitória sobre o PIG da qual, a esta altura, vocês já devem estar sabendo: a Folha de São Paulo foi obrigada a romper o silêncio sobre a obscuridade das "aplicações diretas" da administração de José Serra e a admitir que o governo federal é mais transparente que o governo paulista.
Acompanhem, abaixo, um cronograma resumido das ações dos blogs e sites na internet que terminaram por obrigar o maior jornal do país a publicar a manchete de hoje.
1º de fevereiro - Em reação à reportagem do jornal o Estado de São Paulo que provocou, no fim de semana passado, a queda da ministra da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro, por conta do uso irregular de seu cartão corporativo, e à conseqüente adesão da mídia ao assunto, este blog chamou a atenção de outros blogs e sites para a "Caixa-preta paulista", mostrando a disparidade de transparência que havia entre o Portal da Transparência do governo Lula e o site da Secretaria da Fazenda de São Paulo, que não detalhava as "aplicações diretas" do governo do Estado.
3 de fevereiro - Alertada por este blog sobre os gastos opacos do governo paulista e sobre a riqueza de informações do Portal da Transparência, a blogosfera começa uma série de ações que permitiram pressionar a mídia e motivar o governo Lula a reagir. O Blog Onipresente foi então pesquisar no Portal da Transparência e descobriu gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso com o cartão corporativo, mostrando que o vice-líder da oposição, que é o ex-presidente, fazia uso "pouco ortodoxo" do que seus pares condenavam.
5 de fevereiro - É publicado no Observatório da Imprensa, site lido pela nata da imprensa brasileira e por políticos, um único artigo denunciando a "caixa-preta paulista". O texto, de minha autoria, é uma coletânea de textos publicados neste blog no fim de semana, e o site Vermelho, do PC do B, dá como sua manchete principal o post deste blog do dia 4, intitulado "O nome do Jogo", que exorta o governo Lula a reagir à nova ofensiva midiática contra si.
6 de fevereiro - Paulo Henrique Amorim também cobra reação do governo Lula e, no mesmo dia, esse governo sai do imobilismo e, atropelando a oposição, protocola ele mesmo o pedido de CPI dos Cartões corporativos. Além disso, o site Vermelho sai com matéria intitulada "Blogs reagem à nova ofensiva midiática contra o governo Lula", em que cita este e outros blogs que se levantaram contra a mídia e pediram reação do governo Lula.
7 de Fevereiro - Em matéria antológica, Paulo Henrique Amorim divulga investigação da "Caixa-preta paulista" e dá detalhes sobre as "aplicações diretas" do governo Serra, que, além de muito próximas em tamanho das do governo federal, como este blog havia antecipado uma semana antes não são disponibilizadas para fiscalização como acontece com as do governo Lula.
8 de fevereiro - Folha de São Paulo noticia a descoberta de Paulo Henrique Amorim, em resposta inclusive à acusação dele de que o jornal já estava de posse das mesmas informações que ele levantou, mas as estava retendo.
A reação eletrônica contra a recente ofensiva midiática obrigará a mídia e a oposição a irem mais devagar com o andor na questão dos cartões corporativos e permitirá aos paulistas saberem como é gasto o dinheiro de seus impostos pelo governador José Serra, que até então vinha sendo poupado de qualquer fiscalização da imprensa.
Diante de tudo isso, quero cumprimentar nossos companheiros de luta na internet e, junto deles, comemorar uma vitória da cidadania que mostra que cidadãos comuns podem fazer muito mais do que simplesmente reclamar contra os poderes constituídos da República, dos quais a mídia faz parte.
O ombudsman da Folha, Mario Magalhães, voltou a cobrar de seu jornal o que ele (o jornal) acha que pessoas como eu cobram por serem "petistas". Provavelmente, o jornalão deve pensar o mesmo de seu ouvidor, pessoa séria que tem ganhado meu respeito, mas que, claro, é funcionário do jornal e, portanto, tem que dar uma no cravo e outra na ferradura.
Vejam o "petismo" do ombudsman:
"De novo, editorializado
A Folha repete uma informação editorializada sobre a decisão do ministro dos Esportes, Orlando Silva, de devolver R$ 30 mil. Chamada da primeira página diz que "abusos com os cartões" o levaram devolver a quantia. Não é o que o ministro afirmou em coletiva. Ele disse aguardar a devolução do dinheiro após análise das prestações de contas por organismo de controle.
Ou o jornal prova o que afirma ou manterá um relato enviesado.
Pensamento único
O Painel do Leitor tem quatro cartas sobre cartões. Todas no mesmo tom. Seria muito mais interessante se contemplasse opiniões diversas, mantendo-se como espaço plural de idéias.
Cartões paulistas?
Leitores indagam se a Folha não publicará reportagem sobre o uso de cartões corporativos no governo de SP.
Esses cartões existem? Se existem, evidentemente que há interesse público, portanto jornalístico, em saber sobre eles.
Folha: é de São Paulo
A propósito, há dias, como hoje, que a Folha simplesmente ignora o Executivo paulista. É um desserviço aos leitores."
Alguns comentários (meus):
1º - Sobre o primeiro tópico do trecho do texto do ombudsman que reproduzi, vale explicar que matéria jornalística "editorializada" significa que misturaram reportagem com editorial, ou seja, fatos com opiniões, exatamente como "os petistas" dizem que a mídia faz
2º - No segundo tópico, o ombudsman comentou o assunto objeto de comentário que lhe enviei, sobre as cartas de leitores todas no mesmo tom. Gosto de pensar que ele me deu uma atenção que seu jornal não dá a quem o critica, inclusive ao próprio Magalhães. Contudo, um comentário mais preciso teria ressaltado que, desde que surgiu o assunto dos cartões, a quase totalidade da grande imprensa escrita - e não só a Folha - não publicou nenhuma discordância de leitor.
3º - No terceiro tópico, Magalhães pergunta se existem cartões corporativos paulistas e afirma que, se existem, o jornal deveria tratar deles, e no quarto tópico explica que é porque a Folha é de São Paulo, como seu nome diz. Contudo, a questão são os gastos diretos dos governos e não se foram feitos ou não com cartão. A opacidade dos gastos do governo Serra, por exemplo, contrasta com a transparência do governo Lula e isso é notícia. Ao menos para jornais paulistas.
O ouvidor da Folha é a maior prova de que a mídia está massacrando o jornalismo, e de que faz isso porque se transformou num partido político, linha auxiliar da oposição tucano-pefelê. E como vive tentando abalar o governo por meio de estratagemas como os denunciados pelo ombudsman, não creio que seja injusto chamá-la de Partido da Imprensa Golpista (PIG).
Os espertinhos do PIG e seus paus-mandados que comentam em blogs e sites corporativos criaram uma "pérola" para venderem à opinião pública a seguinte tese: não importa que o governo FHC gastava muito mais do que o governo Lula com cartões corporativos e despesas de representação e não importa que os governos estaduais e municipais gastem descontroladamente, quem precisa ser investigado é o governo Lula e só o governo Lula.
Quando se diz aos estafetas do PIG que este só está conseguindo fazer o auê que está fazendo porque o governo Lula, inovando em relação a qualquer outro governo de qualquer esfera (federal, estadual ou municipal), teve coragem de divulgar seus gastos diretos e indiretos de forma que qualquer um que tenha computador possa fiscalizar cada um deles, fingem-se de surdos, mudam de assunto. E mais ainda quando se argumenta que quem está investigando gastos "suspeitos", muito antes de a mídia tocar no assunto, é o próprio governo.
A mídia tenta criar escândalos artificiais e, para isso, precisa criar consensos virtuais. Como em tantos outros escândalos virtuais que criou, portanto, tem que impedir qualquer manifestação que chame as pessoas ao bom senso. Tudo se baseia na censura a quem discorda dela, uma tarefa difícil de ser realizada completamente na era da internet, mas que pode funcionar para impedir que a contra-informação se espalhe com a mesma velocidade que suas mentiras.
Quem freqüenta páginas políticas na internet sabe que, na melhor das hipóteses, as pessoas que se informam sobre o assunto e sobre ele se manifestam estão divididas em governistas e antigovernistas. Porém, quando se lê os grandes jornais do PIG, por exemplo, a sensação que se tem é a de que a sociedade está pronta para ir às ruas pedir a cabeça do presidente da República.
Desde que começou o escândalo fabricado dos cartões corporativos, as colunas de leitores dos jornais, que deveriam servir como termômetro da opinião pública, vêm se dedicando a "provar" que todos têm a mesma opinião, a de que o governo Lula, além de roubar escandalosamente, ainda publica as provas do roubo na internet, e que gastos de representação, que obviamente envolvem presentes, almoços e jantares, ou que gastos comezinhos como os de pequenas reformas ou aluguel de veículos que permitam funcionar a administração pública, seriam "abusos" do dinheiro público.
Dentro de alguns dias viajarei à África. A empresa para a qual viajarei optou por me dar um cartão para fazer os gastos de representação, tais como comer com clientes em restaurantes, alugar carros etc. Obviamente que não levarei os clientes para um almoço num boteco. E o mesmo acontece quando, por exemplo, o reitor de uma universidade pública ou um chefe militar recebe emissários de outros países. Uma caixa de bombons para a mulher do embaixador tal, ou um almoço para uma equipe de dez, quinze seguranças do presidente, se analisados como estão sendo induzem a pessoa a perguntar: por que o segurança fulano de tal gastou 500 paus no cartão num restaurante? Você sabe a resposta?
A própria classe jornalística cunhou a expressão "opinião publicada". O que seja, a opinião que os meios de comunicação publicam em detrimento daquela que, tomados de inspiração ditatorial, julgam "impublicável". É o caso de quem discorda de que os cartões corporativos sejam um retrocesso ou de que o governo esteja tentando esconder alguma coisa.
Vejam que a opinião que a mídia censura é tão fundamentada que o ombudsman do maior jornal do país se rebelou contra casos escandalosos, como meios de comunicação mentirem deliberadamente dizendo que o ministro dos Esportes, Orlando Silva, devolveu aos cofres públicos 30 mil reais gastos no cartão corporativo por serem irregulares. Vejam o que disse Mario Magalhães, ombudsman da Folha de São Paulo, em três tópicos de sua crítica interna de ontem.
"Sua Excelência
OK, a fonte das informações [sobre os gastos do governo com cartão corporativo] é o Portal da Transparência, da Controladoria Geral da União. Custa informar aos leitores como acessar o site?
Editorialização [mistura de reportagem com editorial]
Trecho da boa reportagem "Segurança da filha de Lula gastou R$ 55 mil em cartão": "O ministro Orlando Silva (Esportes) também anunciou que devolverá cerca de R$ 30 mil por gastos indevidos em seu cartão". Pelo que eu li, o ministro não afirmou que os R$ 30 mil representam "gastos indevidos".
Memória
O jornal informa que "os cartões foram criados em 2001, na gestão FHC". É possível rastrear o uso dos cartões desde aquele ano?"
Alguém já prestou atenção a quantas pessoas disseram o mesmo que o ombudsman em milhares de comentários em sites e blogs nos últimos dias? Alguém acha que essas pessoas enviaram e-mails de suas opiniões aos jornais? Muita gente, não é? Bem, mas o PIG não publicou uma única manifestação dessas. Os três maiores jornais do país só estão publicando cartas de leitores malhando o governo e considerando o governo Lula o mais corrupto de todos os tempos.
O teor das cartas é escandaloso. Mostra como essas pessoas - as que são sinceras, não as que estão a serviço da oposição e do PIG - não têm a menor capacidade de pensar por si mesmas. Vejam algumas cartas de leitores do PIG que copiei da Folha - as dos outros jornais são idênticas.
Cartões corporativos
"Eu gostaria de obter respostas: por que o Planalto afirma que as informações sobre os cartões corporativos são confidenciais? Por que seguranças da família Lula têm os cartões se estes são para o alto escalão? Por que é permitido comprar materiais de construção e aparelhos de ginástica com eles? Cadê a relação dos saques de R$ 58 milhões em dinheiro nos caixas eletrônicos? Eu, como cidadão que paga os impostos que patrocinam mais essa farra do governo Lula, quero saber." LUIS FERNANDO P. SANTOS (São Paulo, SP)
"Não é que eu recebi o meu jornal nesta segunda-feira de Carnaval e me assustei ao ler a notícia de que o segurança da filha do presidente tem um cartão corporativo? Veja só, ninguém mais precisa estudar neste país. É só se filiar e ser cabo eleitoral do PT que estará com a vida -a própria e a de toda a família- garantida. Aliás, esse cartão deveria se chamar "incorporativo"." ADEMIR FRANCO DA CUNHA (São José dos Campos, SP)
"A série de trambiques armados com esse tal cartão corporativo com certeza vai ser um dia confirmada como a maior dos últimos anos. Esse é o papo que rola solto em cada uma das nossas esquinas. O trabalhador ficou estático ao saber que os seguranças da filha do presidente usaram o cartão em locais onde não deveriam usar e esbanjaram dos cofres públicos mais de cem salários mínimos. E o povo ficou indignado ao saber que o general Jorge Félix (do Gabinete de Segurança Institucional) e Franklin Martins (ministro da Comunicação Social) são contrários à divulgação das despesas com esses cartões. Mas o mais decepcionante de tudo é ver que Lula poderá tentar barrar a abertura de uma CPI liberando as diretorias da Eletrobrás, da Eletronorte e da Eletrosul para partidos que só sabem legislar na base dos conchavos." LEÔNIDAS MARQUES (Volta Redonda, RJ)
"Waldomiro Diniz, sanguessugas, mensalão, dinheiro na cueca e agora os cartões corporativos. Milhões de reais de dinheiro público desviados de forma desonesta e com corrupção. Um escândalo atrás do outro, e o governo Lula continua firme e forte. Depois que o PT assumiu o poder, parece que os políticos do Brasil aboliram a palavra "oposição" do dicionário. E pensar que Collor foi cassado por causa de uma merreca de uma Elba -na época em que o PT fazia uma oposição ferrenha e séria a todos os governos." GILBERTO DE CAMARGOS CUNHA (Uberlândia, MG)
Não parece que a sociedade pensa toda da mesma forma? Esses pobres coitados usam os mesmos bordões, implantados em seus subconscientes pelo PIG durante os últimos anos. E nem ontem, nem anteontem nem na semana passada os comentários dos leitores dos jornalões sobre o assunto fugiram da linha "oficial" dos veículos onde foram publicados.
Essa gente é maioria? Não é. Faz alguns dias publiquei aqui análise da última pesquisa Datafolha que mostra que entre as pessoas com instrução superior, que são as que mais lêem jornais, as que acham o governo Lula bom e ótimo são 40%, enquanto que as que acham ruim e péssimo são 20%.
Os jornais devem ter recebido centenas e centenas de cartas de leitores com teor diametralmente oposto do que você viu nas cartas acima, mas o PIG censurou todas. Isso é jornalismo? Onde está o debate de idéias e opiniões que deveria caracterizar uma imprensa séria? Que diferença há entre os Frias, Mesquitas, Marinhos e Civitas e os censores da ditadura militar? Se tivessem o poder, certamente nem em blogs como este poder-se-ia escrever opinião de que não gostam.
"Jornalismo" ioiô
Notícia da folha de São Paulo, edição de 7 de fevereiro:
"Após escândalos envolvendo o uso irregular dos cartões corporativos, o governo anunciou ontem que os ministros de Estado não poderão usar mais esse mecanismo para pagar suas despesas."
Notícia no portal UOL, do mesmo jornal, no mesmo dia:
"Nenhum ministro será obrigado a devolver o cartão de crédito corporativo."
Cumpre-me a dolorosa tarefa de lhes dar uma notícia trágica: o jornalismo brasileiro, até então um zumbi, nem isso é mais. Morreu de vez.
O passamento ocorreu por conta de um golpe de misericórdia. E o assassino tem nome: Carmem Munari. Ela assina "reportagem" publicada no UOL na noite desta fatídica quarta-feira (6/2), sob o título "Governo formaliza CPI dos cartões que também atinge FHC".
Tradução: o governo Lula, que queria esconder alguma coisa na história dos cartões, pediu ele mesmo a CPI que diziam que temia.
Tenho visto muitos textos ditos "noticiosos" que são apenas insultantes à inteligência do leitor, mas esse ganhou de todos. Não é uma reportagem, é um editorial. A "jornalista" infesta o texto com suas opiniões, ou melhor, com a opinião política do patrão. Faz exercícios de adivinhação, de leitura de mentes.
Leiam essa barbaridade e, ao fim, se não tiverem ido vomitar, continuem lendo o que mais tenho a dizer.
"UOL - Últimas Notícias
06/02/2008 - 19h58 hs.
Governo formaliza CPI dos cartões que também atinge FHC
Carmen Munari Em Brasília
Com o objetivo de neutralizar a CPI mista que pretende investigar os gastos com seus cartões corporativos, o governo decidiu apoiar uma CPI restrita ao Senado para apurar irregularidades com cartões desde 1998, atingindo também o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
O requerimento para a instalação da CPI, apresentado pelo líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), foi protocolado na quarta-feira e conta com 32 assinaturas, cinco a mais que o mínimo necessário, informou a assessoria do senador.
'Não se trata de manobra nem cortina de fumaça. A oposição não quer investigar? Então investiguemos', disse Jucá a jornalistas.
A oposição vê manobra na tática do governo. 'Que se trata de uma manobra clara isso não há a menor dúvida. É a tática do adesismo: vendo que ficaria feio impedir a investigação, o governo agora faz uma CPI genérica para terminar em pizza', afirmou o senador Demóstenes Torres (DEM-GO).
O deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP), autor do requerimento da CPI mista, disse que a nova comissão não invalida a primeira. 'Vamos continuar com a coleta de assinaturas da outra CPI. Se for o caso teremos as duas, uma do governo no Senado e outra, da verdade, no Congresso Nacional', disse Sampaio.
Gastos irregulares com o cartão corporativo do governo federal derrubaram a ministra da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro, na sexta-feira passada.
Denúncias de uso indevido do cartão corporativo atingiram também os ministros Orlando Silva (Esporte), que devolveu à União os valores gastos nos últimos dois anos, e Altemir Gregolin (Pesca), além de seguranças da Presidência."
Quando você tiver lido a tragédia acima, que tem gente formada em jornalismo que chama de "jornalismo", já será quinta-feira, os jornalões já estarão nas bancas, o Bom Dia Brasil já terá ido ao ar com Miriam Leitão e Alexandre Garcia e tudo e, portanto, certamente haverá cadáveres jornalísticos muito mais putrefatos para serem velados, mas vamos ficar com esse aqui mesmo no momento.
Como a tal "jornalista" Carmem Munari pode afirmar que o governo Lula pediu uma CPI que engloba o período de 10 anos, período que pega boa parte do governo FHC, com o objetivo de neutralizar a CPI? Isso é notícia ou opinião?
Que a oposição não queira investigar a época de FHC, que foi quem implantou os cartões corporativos, pode-se entender perfeitamente. Como foi amplamente divulgado na blogosfera e amplamente omitido na mídia, no tempo do tucano gastava-se muito mais com os cartões do que hoje.
Mas, digam-me se estou errado: alguém que se diz "jornalista" querer restringir uma investigação em vez de ampliá-la, isso é jornalismo? Não deveria ser o contrário, isto é, um jornalista não deveria querer que o maior volume de dados viesse à tona?
Mas eles começam a se enrolar. O governo reagiu, enfim.
Ao investigar também o período FHC, a CPI revelará muito mais do que o PIG conseguiu extrair do Portal na internet criado pelo governo. Daí, tentarão esconder o que compromete os tucanos e noticiar só o que tentarão fazer com que comprometa o governo.
Só que falta combinarem com "os russos". Nessa, poderão aparecer gastos dos tucanos com cartão corporativo que a vovó diria "do arco da velha". De repente, o absurdo é tão grande que o PIG não terá como esconder. Não foi à tôa que os governistas deram entrada eles mesmos na CPI...
Postscriptum
Esqueci de perguntar uma coisa a vocês, que devo estar ficando velho e desmemoriado: não era no Senado que o governo era mais fraco? Então por que a oposição diz que o governo tem intenções ocultas ao pedir CPI numa Casa em que sofreu uma fragorosa derrota (CPMF) faz tão pouco tempo?
Manchetismo ioiô
06/02 - 10:18 hs. - Agência Estado Lula libera cargos para barrar CPI dos cartões
06/02 - 20:03 hs. - IG
Governo pede CPI dos cartões corporativos no Senado
Semana passada, o Luiz Carlos Azenha me procurou com um pedido: a jornalista Conceição Lemes, leitora deste blog e com quem conversei por telefone há alguns dias sobre a questão da febre amarela e o alarmismo da mídia, enviou ao jornalista um material que ele repassaria a blogs determinados para, em corrente, contribuirmos para o esclarecimento da opinião pública, que acaba de ser vítima dos grandes meios de comunicação por conta da disseminação de notícias falsas sobre o Brasil estar sob uma epidemia de febre amarela.
Conceição Lemes atua como jornalista especializada em saúde há 25 anos. Já ganhou 22 prêmios por reportagens nessa área. Entre eles, o Esso de Informação Científica e José Reis de Jornalismo Científico, concedido pelo CNPq. Conquistou também vários prêmios Abril de Jornalismo, a maioria por matérias publicadas na revista Saúde!, da qual foi repórter, editora-assistente, editora e redatora-chefe. Em 1995, foi com a reportagem “Aids — A Distância entre Intenção e Gesto”, publicada pela revista Playboy. O projeto que desenvolveu para essa matéria foi selecionado para apresentação oral na 10ª Conferência Internacional de Aids, realizada em 1994 no Japão. Pela primeira vez um jornalista brasileiro teve o seu trabalho aprovado para esse congresso. Concorreu com cerca de 5 mil trabalhos enviados por pesquisadores de todo o mundo. Aproximadamente 300 foram escolhidos para apresentação oral, sendo apenas dez de investigadores brasileiros. Em conseqüência, foi ao Japão como consultora da Organização Mundial de Saúde.
Reproduzo, abaixo, esse que é um verdadeiro tratado sobre a febre amarela.
Febre amarela
por Conceição Lemes
Fim de dezembro de 2007. Surge o primeiro caso suspeito de febre amarela deste verão. Rapidamente, o assunto domina o noticiário. A mídia, por conta própria, decreta: a febre amarela voltou. O auge foi conclamar a população a se vacinar em massa. “Um verdadeiro crime contra a saúde pública brasileira”, condena o médico epidemiologista Euclides Castilho, professor titular do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da USP.
A primeira vez que se cogitou vacinar toda a população foi no final de 1999 e início de 2000. Em Goiás, na Chapada dos Veadeiros, ocorria um grande surto de febre amarela. Ao mesmo tempo, havia alta infestação do mosquito Aedes aegypti em boa parte das cidades brasileiras. O aedes, além de transmitir o vírus da dengue, é o transmissor do vírus da febre amarela urbana.
Após intenso debate com especialistas das nossas principais instituições de pesquisa, o governo optou, como agora, não vacinar os moradores de áreas sem risco. A vacina é eficaz e segura. Porém, ela pode produzir efeitos colaterais, alguns graves; em raros casos, óbitos. No Brasil, há quatro mortes associadas à vacina a partir de 2000. Há fortes indícios de que já exista mais uma. Ocorreu quinta-feira, dia 31 de janeiro, em São Paulo: uma mulher que não precisava se vacinar – ela não pretendia viajar para região de risco – e, ainda, tinha contra-indicações. De 1999 a 2007, foram aplicadas no país cerca de 79,5 milhões de doses. Em janeiro de 2008, aproximadamente 6,3 milhões. Estão disponíveis somente na rede pública de saúde.
“Como a vacina é barata e o Brasil o maior produtor mundial, seria, em tese, mais fácil o Ministério da Saúde ceder à pressão da mídia e determinar a vacinação em massa”, observa o médico epidemiologista e pesquisador Cláudio Struchiner, da Escola Nacional de Saúde Pública da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). “Felizmente, prevaleceram os critérios científicos e tecnológicos.”
“Deus me livre, vacinar todo mundo sem necessidade”, reforça o infectologista Celso Granato, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). “Vacina não é como um comprimido de vitamina C, que você toma e elimina o excesso na urina.” O infectologista Celso Ferreira Ramos-Filho, professor da URFJ e presidente da Sociedade de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro, é categórico: “O Brasil sempre seguiu à risca as recomendações internacionais para controle e prevenção da febre amarela. O problema é que a mídia fez uma mixórdia tremenda, a começar por confundir a forma urbana com a silvestre.”
Ambas são doenças infecciosas, causadas pelo mesmo vírus. A última epidemia de febre amarela urbana aconteceu no Acre em 1942. Já a febre amarela silvestre não voltou por uma simples razão: ela nunca foi embora. É de 1692 o primeiro relato da doença no Brasil; foi um surto na Bahia. “Nem irá nos abandonar”, antecipa Castilho. “A menos que se exterminem todos os macacos, o Haemagogus e o Sabethes. Algo totalmente irreal. Afinal, são seres silvestres e fazem parte da natureza.”
O Haemagogus e o Sabethes (apenas durante a estação seca) são os mosquitos que transmitem o vírus da febre amarela silvestre ao homem. No país, de 1996 a novembro de 2007, há 349 casos confirmados, com 161 óbitos. O ano de maior incidência foi 2000: 85 casos confirmados, 40 óbitos. De dezembro de 2007 a dia 4 de fevereiro de 2008, há 25 casos confirmados e 13 óbitos. Os dados são da Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS), do Ministério da Saúde (MS).
“Não há epidemia de febre amarela – nem urbana nem silvestre”, informa o médico epidemiologista Eduardo Hage Carmo, coordenador de Vigilância Epidemiológica do MS. “Existe uma situação de emergência: temos casos, mas não temos surto.” A Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) e a Organização Mundial de Saúde (OMS) assinam embaixo. “O Brasil está no caminho certo”, sustenta o médico epidemiologista Jarbas Barbosa da Silva Jr., gerente da área de Vigilância em Saúde e Manejo de Doenças da OPAS/OMS. “O governo tem que continuar adotando as medidas de controle e prevenção, como já tem feito.”
Isso significa:
1) Vacinação de quem realmente precisa vacinar-se. “Incluem-se, aqui, as crianças que residam ou viajam para as áreas de risco”, alerta o pediatra Gabriel Oselka, professor do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da USP e membro do Comitê Técnico de Imunizações do MS. Atualmente, a vacina faz parte do calendário infantil de vários estados brasileiros (veja mais adiante).
2) Vigilância de morte de macacos, para monitorar a circulação do vírus da febre amarela. Como eles são o “prato” predileto do mosquito transmissor da forma silvestre, funcionam como sentinela. A morte deles é um sinal de alerta, que exige investigação, para evitar casos humanos. Desde 2003, todos os estados têm equipes treinadas para fazer essa vigilância. “É um sistema bastante sensível que tem permitido detectar epizootias (morte de macacos pelo vírus da febre amarela silvestre) e intervir antes que o vírus chegue ao homem, prevenindo epidemias”, salienta Ramos. Vigilância dos sintomas.
3) Nas regiões de risco de febre amarela, é obrigatória a notificação como suspeitos dos casos de pessoas com febre alta e icterícia (pele e olhos amarelados) ou febre alta e alguma hemorragia. E, em seguida, investigados, pois há muitas doenças com sintomas semelhantes.
4) Detecção precoce e tratamento dos casos suspeitos.
5) Combate ao Aedes aegypti. “A erradicação ou, pelo menos, a sua diminuição drástica só será possível com a ajuda de toda a população”, adverte Struchiner. “Além de lutar contra a dengue, você estará ajudando a evitar a urbanização da febre amarela.”
Grande parte da mídia, porém, ignorou essas e outras informações. Gerou a sua “epidemia”, provocando desinformação, pânico, filas, vacinações desnecessárias, erradas, entre outros “efeitos colaterais”. Por isso, juntamos, aqui, os doutores Euclides Castilho, Jarbas Barbosa da Silva Jr., Celso Ferreira Ramos-Filho, Cláudio Struchiner, Celso Granato, Eduardo Hage Carmo e Gabriel Oselka. Esses sete especialistas nos ajudaram a elaborar este guia para você se proteger – de verdade! -- da febre amarela.
Brasil só tem a forma silvestre
Doença infecciosa aguda, de curta duração (no máximo, 10 dias), gravidade variável, causada pelo vírus da febre amarela. Continua a ser importante problema de saúde pública nas Américas e África tropical. Tem dois tipos de transmissão: a silvestre e a urbana. No Brasil, a que existe é a febre amarela silvestre, restrita principalmente às áreas de matas e florestas.
Dos animais para o ser humano
Começando pelo tipo silvestre. O Haemagogus prefere o macaco. Aí, o mosquito, caso esteja contaminado, transmite o vírus ao primata, que então se infecta. Assim, um passa o vírus para o outro, sucessivamente. É um ciclo mosquito-macaco-mosquito.
Já o ciclo de transmissão da febre amarela urbana é diferente. Primeiro, o ser humano infectado pelo vírus da febre amarela precisa ser picado pelo Aedes aegypti. Depois, se o mosquito realmente se contaminar, o vírus se desenvolve. Mas, só numa picada posterior, a transmissão se completa. Desde que, é claro, essa pessoa nunca tenha entrado em contato com o vírus -- seja naturalmente ou pela vacina. A transmissão pelo Aedes é que a caracteriza. “Febre amarela urbana não significa caso de pessoa que reside na cidade, como muitos pensam”, avisa Hage. “No momento, é muito remoto o risco desse tipo no Brasil.”
Onde “mora” o perigo
A fonte deste mapa é a Secretaria de Vigilância em Saúde, do Ministério da Saúde. Nele, é possível visualizar todas as áreas de risco de febre amarela silvestre no Brasil. Cada cor corresponde a um tipo de risco:
* Verde significa região endêmica. São os estados onde a circulação do vírus é constante e o risco, permanente; em geral, tem poucos casos, devido à maior vacinação da população. No ambiente silvestre, porém, a reprodução dos mosquitos está mais ligada a um ciclo natural, sazonal. Assim, a cada cinco a oito anos, tem um pico. Foi o que aconteceu em Goiás, em 2000. É o que acontece agora nos estados com casos humanos e mortes de macacos.
* Em vermelho, a área intermediária, ou de transição. Nela, o vírus circula em baixa intensidade, esporadicamente. É uma área de risco médio. Entretanto, ocasionalmente, também pode ter picos, como os observados, em 2001, no Rio Grande do Sul (em macacos), e, em 2001 e 2003, em Minas Gerais (em macacos e humanos).
* Em amarelo, a área de risco potencial. Até o momento, não apresenta circulação de vírus da febre amarela. No entanto, é vulnerável, pois: 1) apresenta características ecológicas semelhantes àquela onde, em 2003, ocorreu o surto em Minas Gerais; 2) é uma região muito próxima da zona de transição. Tanto que, nela, há uma busca sistemática de macacos doentes ou mortos.
* Em azul, a área indene, isto é, sem risco de febre amarela. Além de não haver circulação do vírus, não tem contigüidade com áreas onde ele circula.
O vírus da febre amarela não se "pega" como o vírus da gripe, por exemplo. A transmissão não é ser humano a ser humano. É preciso um agente intermediário. No caso, os mosquitos transmissores do vírus da febre amarela, principalmente o Haemagogus, o mais freqüente: "O Haemagogus só nos pica quando entramos de bicão no pedaço dele, e ele não tem outro alimento mais apetitoso por perto", fala sério Ramos-Filho. "Aí, o ser humano acidentalmente se infecta, caso não esteja imune." Portanto, tem risco de se infectar quem:
* Reside nas zonas verde, vermelha e amarela do mapa da SVS/MS e não tomou a vacina.
*Viaja para essas mesmas zonas, em qualquer época do ano e não se vacinou.
Sintomas: três a seis dias após a infecção
Nem todas as pessoas infectadas pelo vírus da febre amarela têm sintomas. Nas que apresentam, eles geralmente aparecem três a seis dias após a pessoa ser picada: febre, calafrios, vômitos; dores de cabeça, nas costas e musculares; fadiga e fraqueza. Essa fase pode ser seguida por ligeira melhora, que dura, em média, 24 horas. Porém, nos casos graves, a febre alta e demais sintomas reaparecem acompanhados de hemorragia de gengiva, nariz, estômago, intestino e pele (manchas vermelhas no corpo). Icterícia (pele e olhos ficam amarelados) e presença de proteínas na urina freqüentemente ocorrem nos casos graves. Nos estágios mais avançados, a pessoa pode ter hipotensão, necrose do rim, arritmia cardíaca. Também entrar em coma.
“Não há tratamento específico para a febre amarela”, adverte Euclides Castilho. “Os tratamentos são apenas para os sintomas.”
Fatal em cerca de 50% dos casos
Entre as pessoas infectadas pelo vírus da febre amarela e que têm sintomas, cerca de 50% morrem. No Brasil, dos 349 casos confirmados de 1996 a novembro de 2007, 161 foram a óbito. Atente à situação, ano a ano.
Vacina, a única prevenção eficaz
Só há uma forma segura de prevenir a febre amarela: vacina. É fabricada com vírus vivo da doença, atenuado, em oito países: Brasil, França, Estados Unidos, Inglaterra, Índia, Rússia, Colômbia e Senegal. São oitos laboratórios, todos pré-qualificados pela OMS. Apenas três produzem para o mercado global, entre eles: Instituto Bio-Manguinhos, da Fiocruz – o maior produtor mundial; e o Instituto Pasteur, na França. A vacina é a mesma. De 1999 a janeiro de 2008, foram aplicadas aproximadamente 85,8 milhões de doses no Brasil. Tem validade de dez anos.
“É uma vacina eficaz e segura”, garante Jarbas Barbosa, da OPAS/OMS. Gabriel Oselka frisa: “A eficácia é praticamente de 100%”.
Descubra quem deve se vacinar e por quê
Deve ser vacinado quem:
* Ainda não se vacinou e reside em: todos os estados das regiões Norte e Centro-Oeste; todos os municípios do Maranhão e Minas Gerais; municípios do sul do Piauí, oeste e sul da Bahia, norte do Espírito Santo, noroeste de São Paulo e oeste de Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
* Vai viajar para esses mesmos lugares por qualquer motivo – negócios, visita a familiares, trabalho, ecoturismo. Importante: a vacina deve ser tomada dez dias antes da viagem, independentemente da época do ano.
* Vai viajar ou procede de países com alto risco de febre amarela, estabelecidos pela OMS.
“Além de estar na agenda de vacinação internacional, a vacina faz parte, desde a década de 1990, do calendário de imunização infantil da região endêmica”, informa Eduardo Hage. “A partir de 2004, tornou-se também sistemática para adultos dessa região, assim como para crianças e adultos da área de transição.”
Na certa, a esta altura, tem gente objetando: “Se a pessoa reside ou pretende viajar para a área vermelha ou amarela por que se vacinar?”
“Primeiro, você deve se vacinar, sim”, rebate Cláudio Struchiner. Por várias razões: 1) Tem risco potencial; 2) Proteger a si próprio de eventual picada por mosquito contaminado; 3) Ajudar a impedir a urbanização da febre amarela. Uma vez vacinadas, as populações das áreas de transição e de risco potencial funcionam como barreiras de proteção entre a população urbana e a região silvestre, onde a transmissão está se dando. Quanto menos pessoas infectadas pelo vírus da febre amarela nas cidades, menor a probabilidade de os mosquitos urbanos – leia-se Aedes aegypti – se contaminarem e passarem a transmitir a doença. Aí, sim, pode ocorrer a febre amarela urbana.
“Mas eu moro em Brasília, onde o risco é zero. Por que me vacinar?”, mais gente deve replicar. “Em Manaus, o risco de febre amarela também é zero. E aí?”
“Realmente, nas cidades citadas o risco é zero. Mas que certeza vocês têm de que nunca irãoaos seus arredores, como Pirinópolis, próximo a Brasília?”, devolve o desafio Celso Ramos. “Muitas vezes um simples churrasco rural pode ser uma fonte insuspeitada de risco.” Não à toa Jarbas Barbosa é taxativo: “Moradores de áreas de risco devem se vacinar, mesmo que vivam em cidades. Muito provavelmente vocês têm eventualmente contato com ambientes silvestres próximos, como chácaras, cachoeiras, rios e áreas de camping”.
Atenção às contra-indicações
Como qualquer vacina composta de vírus vivos (mesmo que atenuados) e cultivados em embriões de ovos de galinha, a da febre amarela tem contra-indicações:
* Bebês com menos de seis meses; há risco de encefalite (inflamação do cérebro).
* Pessoas alérgicas, especialmente a ovo; têm risco de reação grave.
* Pessoas com baixa imunidade devido a doenças ou ao tratamento delas. Por exemplo, câncer, transplante de órgãos ou lupus, que exigem remédios imunossupressores, como corticosteróides em altas doses.
* Gestante ou mulher que pretende engravidar; há risco teórico de o vírus da vacina atravessar a placenta e causar encefalite no feto.
“Quanto a pacientes HIV-positivos, não existem dados que permitam uma posição inconteste”, informa Ramos. Há relato de um caso de reação indesejada na Tailândia. É preciso, portanto, avaliar caso a caso, pesando risco e benefício.
Reações adversas: leves, as mais comuns
Também como toda vacina fabricada com vírus vivos atenuados, a da febre amarela tem efeitos colaterais. Os mais comuns: dor no local da injeção – é imediata; febre baixa, dor de cabeça e mal-estar – três a oito dias após a vacinação. Atingem 5% a 15% dos vacinados. “As reações mais comuns, portanto, são leves, em sua intensidade”, enfatiza Celso Granato.
A vacina pode, ainda, eventualmente causar:
* Asma, urticária e até choque anafilático em pessoas alérgicas a ovo ou outro componente utilizado na preparação da vacina. Ocorre menos de 1 caso por um milhão de vacinados.
* Encefalite. É uma reação grave, temida, mas muito rara. Surge cerca de 12 dias após a aplicação da vacina, e se manifesta por febre, dor de cabeça, irritabilidade, sonolência/torpor/coma e convulsões. É mais comum em bebês com menos de seis meses, daí a contra-indicação para eles. Depende da cepa viral usada. Especificamente a cepa francesa, utilizada na vacina manufaturada no Senegal.
* Simulação de febre amarela. Casos esporádicos têm sido verificados ultimamente, com graves danos aos rins e fígado. Esses casos ocorreram em pessoas com doença do timo (glândula situada em frente à traquéia, muito importante para a produção de substâncias de defesa do organismo) e em indivíduos acima de 65 anos.
“Temos em investigação 47 casos suspeitos de reação à vacina; 21 foram hospitalizados com reações moderadas a graves”, informa Eduardo Hage. Qualquer pessoa que toma a vacina e, em dez dias, apresente febre, manchas avermelhadas no corpo ou reações mais graves, como icterícia ou hemorragia, deve ser considerada como caso suspeito de reação adversa. E, aí, só uma investigação laboratorial confirmará, pois os sintomas de reação à vacina podem se confundir com os de várias doenças.
1 óbito para cada 1 milhão de vacinados
O risco de óbito é uma possibilidade remota. Não é exclusividade da vacina contra a febre amarela. Também não é um problema da vacina brasileira. Aconteceu igualmente com a fabricada nos Estados Unidos.
“Num estudo que realizamos em Minas Gerais e Rio Grande do Sul, estimamos a possibilidade de 1 óbito para cada 12 milhões de doses aplicadas”, revela Cláudio Struchiner. Já o Ministério da Saúde trabalha com uma probabilidade maior: 1 óbito para cada um milhão de vacinados. “É que levamos em conta o total de doses aplicadas no país e o total de efeitos colaterais relatados à SVS”, explica Hage.
Conclusão: só tem sentido vacinar uma população quando o risco de ela se infectar pelo vírus da febre amarela é maior do que o risco de reações adversas graves da vacina. No caso da região indene (em azul, no mapa), seguramente o risco da vacina é maior.
Uma dose a cada dez anos
A vacina contra a febre amarela protege você por dez anos. Portanto, só a cada dez anos, você tem que se revacinar.
“É errado tomar duas, três doses seguidas”, adverte Gabriel Oselka. A vacina não é um remédio qualquer. É um produto imunobiológico que contém vírus vivo atenuado. Como o posto de saúde não pode negar a ninguém a vacina, o controle está em suas mãos. Uma dose só, a cada dez anos!
Todos podem ajudar. Faça a sua parte!
Portanto, esta é a realidade hoje:
1) Se você mora ou vai viajar para região de risco de febre amarela, vacine-se se ainda não o fez.
2) Se tem alguma das contra-indicações citadas ou outro problema de saúde, consulte o seu médico ou uma Unidade Básica de Saúde antes de se vacinar. Nesses casos, é preciso colocar na balança o risco e o benefício de cada situação.
3) Se mora em área sem risco, melhor para você. Está livre da vacina. Não caia na armadilha do “se bem não faz, mal também não vai fazer”. Em se tratando da vacina contra a febre amarela, isso é uma roubada.
4) Não deixe a água se acumular nos vasinhos de plantas, tampe a caixa d’água, não jogue pneus nem garrafas de refrigerante ou latinhas de cerveja nas ruas. Isso – você sabe muito bem – combate a proliferação do mosquito Aedes aegypti. O benefício é duplo. Você ajuda a diminuir a dengue e a prevenir a urbanização da febre amarela. Faça a sua parte. Proteja-se de verdade!
Há pelo menos um mérito na crise do governo da semana: ficou provado que controladorias-gerais, cartões corporativos e portais da transparência são o que há de mais eficaz em termos de controle do uso do dinheiro público por governos.
Para quem não concordar comigo, quero lembrar que quem está endossando minha teoria é a mídia, pois ela está levantando todos esses "podres" das Aplicações Diretas do governo federal graças a esses meios supra mencionados.
Eureka!, surgiu a fórmula para o Brasil dar um golpe mortal na corrupção - e, agora, estou falando sério, sem ironia.
Faço uma pausa em minha linha de raciocínio para me dirigir especificamente aos indignados de festim, àqueles que só condenam a corrupção - sobretudo as suposições de corrupção - do PT: vocês sabem quantos governos estaduais e municipais - de todos os partidos - fazem a festa com esses gastos emergenciais?
Se se obrigasse todos os níveis de governo, e não só o federal, a fazerem suas "Aplicações Diretas" com cartão corporativo, porém criando, nos Estados e municípios, controladorias-gerais estaduais e municipais e portais da transparência estaduais e municipais, não seria o máximo?
Qual é a dificuldade para se implantar esses instrumentos em qualquer administração pública do país? É zero. Custo baixíssimo, que, ainda por cima, seria integralmente coberto pela diminuição da corrupção, nem que ela viesse através do aumento dos flagrantes de roubalheira.
Então, que tal algum deputado ou senador ou até mesmo o Executivo propor uma Lei da Transparência que obrigue todas as administrações públicas a criarem uma controladoria-geral, a implantarem cartões corporativos e a criarem uma página na internet para divulgar o uso detalhado do dinheiro dos impostos?
Já imaginaram como a nossa imparcialíssima mídia vai trabalhar, tendo material à farta para divulgar os escândalos que levantará de tantos outros níveis de governo, inclusive dos governos dos partidos de oposição ao governo federal?
O quê? Não, não, eu não estou louco, não. Apenas fui irônico de novo. Só esqueci de avisar a vocês... Ou será que já tinham captado minha ironia amargurada?
Licença para roubar
O problema é que os tucanos e demos têm uma espécie de licença da mídia para roubar sem questionamento.
Querem um exemplo? Lembram-se de como era na época que Marta Suplicy governava São Paulo? Era uma acusação por mês. Além disso, sua vida privada era devassada. Colunas de leitores dos jornais viviam fazendo ilações sobre seu segundo marido e sua separação de Eduardo Suplicy foi uma espécie de Big Brother, acompanhada e noticiada em detalhes pelos meios de comunicação.
Agora, o que é que se sabe da vida privada de Gilberto Kassab? E acusações da oposição a ele, você já tomou conhecimento de alguma pela grande mídia? E sobre o governo Serra? Há dezenas de pedidos de CPI na Assembléia Legislativa, mas nenhum anda e a mídia não noticia uma única acusação da oposição ao governo paulista.
Faz algum tempo, conversei com um assessor de um vereador paulistano do PT e perguntei a ele se saberia me explicar por que não se tem conhecimento na grande mídia de nenhum escândalo, de nenhuma acusação contra o prefeito paulistano e o governador paulista, e ele me explicou que como a mídia não toma conhecimento das denúncias contra eles como faz em relação aos governos petistas, nenhuma investigação prospera.
Claro que sempre haverá os caras-de-pau que dirão que não se conhece escândalos envolvendo administrações de direitistas graúdos como Kassab ou Serra porque seus governos são honestíssimos e seus gastos transparentes e inquestionáveis como eles só, mas só alguém muito sem-vergonha ou muito estúpido para acreditar numa coisa dessas.
São os governos James Bond da direita. Tais quais a personagem de Iam Fleming, que tinha licença para matar, os tucanos e pefelês têm licença da mídia para roubar.
Por que os cartões
Como vocês sabem, a Folha de São Paulo, entre todos os meios de comunicação, é o que, no jargão do PIG, mais está "cavoucando" a questão dos cartões corporativos. A leitura de dois colunistas daquele veículo, no espaço de dois dias, explica por que o Partido da Imprensa acredita que há um "filão" a explorar nessa questão.
Na segunda-feira, na página A2 do jornal, o colunista Fernando de Barros e Silva comentou assim a queda da ministra que acabara de ocorrer:
"Matilde Ribeiro caiu de forma humilhante e vexatória, incapaz de justificar os abusos com o cartão de crédito corporativo. Lula, desta vez, agiu rápido, o que parece suspeito. (...)"
Dois dias depois (hoje), naquela mesma página do jornalão paulista, o colunista Melchiades Filho bate na mesma tecla, só que se aprofunda mais na tese do jornal:
"(...) a ministra da Igualdade Racial acabou rifada tão rápido - em menos de três semanas. Este governo não costuma se abater com os pecados dos seus, dar bola para a oposição/mídia ou temer o confronto com a opinião pública. E, no entanto, antes mesmo que a imprensa destrinchasse as contas, o Planalto vazou, pela ordem, que: a auditoria das despesas já tinha sido pedida, as conclusões iniciais eram comprometedoras, os colegas de gabinete estavam indignados, novas regras seriam adotadas para os cartões e a cabeça de Matilde cairia. Falou-se, logo, que Lula teria aprendido com o mensalão. Mas as revelações, durante o feriado, dando conta de que assessores do próprio presidente (e de sua família) também fizeram a festa com os cartões indicam outra razão para tanta diligência: evitar que se cavoucasse mais fundo nas compras que, por lei, requereriam licitação (...)".
Entenderam? Eles acham que o governo acusou e "rifou rápido" Matilde por que tem medo que a mídia pesquise na internet os gastos com cartão da Presidência da República" e encontre indícios de que o presidente permitiu - ou tirou proveito de - gastos ilegais com os cartões corporativos, o que permitiria o tão almejado impeachment.
O mundo é (?) dos espertos
A imprensa noticiou que o ministro dos Esportes, Orlando Silva, devolveu aos cofres públicos 30 mil reais gastos no cartão de crédito corporativo. Da forma como foi noticiado, fica parecendo que ele reconheceu que os gastos estavam incorretos e simplesmente devolveu o que havia gastado irregularmente. A verdade é bem outra, e o vídeo abaixo explica por que.
Site do PC do B
O site Vermelho.org, do PC do B, às 15:55 hs de 6 de fevereiro de 2008 noticia, em destaque, que este e outros blogs "reagem à nova ofensiva midiática contra o governo Lula". Abaixo, reproduzo a manchete principal do site.
Como estava previsto, a oposição e a mídia já avisaram que a CPI da Tapioca é "irreversível". E dão um conselho ao governo: ajude a fazer uma CPI mista usando seus votos na Câmara, porque, do contrário, faremos no Senado, onde só precisaremos de 27 votos. Ora, para quem conseguiu derrotar a CPMF naquela casa certamente será fácil aprovar a criação de mais uma CPI, mais uma que lhes servirá para imobilizar o Congresso.
A mídia está animada. Obteve importantes vitórias recentemente. E, por mais duro que pareça a realidade, a principal foi a da disseminação do pânico por conta da epidemia imaginária de febre amarela. Já tem colunista do PIG prevendo até que a CPI da Tapioca será a verdadeira "CPI do Fim do Mundo", que é o Santo Graal da mídia golpista e da oposição.
Vale explicar o que esse pessoal acha que seria a "CPI do Fim do Mundo". Trata-se daquela que levantaria algum dado comprometedor que envolvesse o presidente da República e o obrigasse a renunciar ou que fizesse com que sofresse impeachment.
O silêncio do governo colabora com esses ataques. Porém, o Congresso só poderá dar fôlego à mídia e à oposição se achar que a opinião pública se voltou contra Lula. E, nesse aspecto, o caso da febre amarela foi decisivo para encher de esperança os corações golpistas. Vejam que a mídia matou gente, colocou dezenas no hospital e nem o governo nem o Ministério Público disseram um A. Além disso, a mídia ainda acusou o governo por pessoas terem passado mal e até morrido ao se vacinarem desnecessariamente.
É muito bom que vários blogs e jornalistas que apóiam o governo estejam aproveitando a dica deste blog sobre a "Caixa-preta paulista", do Serra, conforme postagem que fiz aqui na semana passada, e até usando exemplos de outras "caixas-pretas" em outras administrações tucanas. Mas, pessoal, infelizmente temos que cair na real: a mídia dirá sempre que "os petistas" estão tentando "justificar" a corrupção "deles" falando que outros também fazem o mesmo.
Ora, dirá você, mas a mídia que diga o que quiser, não podemos ficar nos pautando por ela. Não é bem assim... Quem é que pode subestimar um poder capaz de criar uma verdadeira hecatombe na Saúde pública via malucos que se envenenaram com o vírus atenuado da febre amarela tomando até duas, três ou mais doses de vacina só porque a mídia mandou?
Os cartões corporativos, a CGU e o Portal da Transparência constituem uma fonte inesgotável de "matéria-prima" para a mídia acusar o governo. Cada compra feita e devidamente registrada será tratada como se fosse gasto pessoal do membro do governo que utilizou o cartão. E cada compra até de alimentos para os Palácios do Planalto e da Alvorada será usada para "provar" à sociedade que o Poder come do bom e do melhor. Não importa se era assim, se é assim em qualquer parte e se continuará sendo assim. O que importa é dizer ao povo: "enquanto você come pescoço de frango, o Lula come picanha argentina".
Um bom exemplo disso é uma compra que um segurança da filha de Lula fez numa casa de material de construção. Descobriram que a casa dele está em reforma e, daí, supuseram que o material de construção foi comprado para esse fim. A teoria é de que a farra com dinheiro público no governo Lula é tanta que do presidente aos seguranças todos pagam despesas pessoais com o dinheiro do contribuinte. E Lula ainda publica os dados das compras irregulares na internet porque não têm medo das leis, das CPIs, de nada.
Fica difícil para nós, cidadãos comuns, fazermos alguma coisa sozinhos. Eu, por exemplo, tudo que posso fazer é pedir aos integrantes do Movimento dos Sem-Mídia que se mobilizem e aceitem fazermos manifestação pública que denuncie, por exemplo, que as contas do governo Serra são uma caixa-preta que ele, ao contrário de Lula, não tem coragem de expor e que aqueles que estão acusando Lula ajudam a acobertar Serra. Mas o MSM é uma organização que não tem nem quatro meses e, agora, estamos falando de briga de cachorro grande.
Vem aí uma tentativa de derrubar Lula. Está escrito nos jornais. Repito: querem transformar a CPI da Tapioca na "CPI do Fim do Mundo", ou seja, naquela que derrubará Lula. O "fim do mundo" é para a esquerda, entenderam?
Diante disso, acho que todo aquele que está disposto a tomar uma atitude contra o golpismo tucano-pefelê-midiático deve se unir. Não se pode mais querer "despartidarizar" ações da sociedade civil numa guerra político-partidária, ideológica e institucional. Por isso, acredito que partidos, sindicatos, movimentos sociais - como o movimento negro, tão atingido pelos ataques da mídia - devem se unir já, para começarmos a discutir atos públicos de protesto. Não devemos esperar pelo governo, temos que ir às ruas.
PT, PC do B, CUT, MST e todos quantos queiram reagir contra a mídia, devem se comunicar. E, em minha opinião - e quero ouvir a de vocês -, o Movimento dos Sem-Mídia, agora, deve se unir a todos. A situação mudou. Estão querendo derrubar mais um governo usando o mesmo estratagema que usaram contra Getúlio Vargas, Jango Goulart, Juscelino Kubitcheck e tantos outros: acusações de corrupção. Na América Latina, isso é mais velho do que andar para frente.
Assim sendo, coloco-me à disposição de todos os que queiram me ajudar a tomarmos uma atitude. Estou fora do purismo do apartidarismo. Não tenho a menor intenção de me filiar a partido algum. Garanto a todos que não disputarei eleição nenhuma nem assinarei nenhuma ficha de filiação. Mas, para protestar publicamente contra essa safadeza, contra o golpismo que infecta este país há tanto tempo, aliar-me-ei a partidos, sindicatos, movimentos sociais sem pestanejar, porém sem me filiar. Quem quiser, que me siga.
*
E o P. H. Amorim senta a pua
O PIG GOVERNA O GOVERNO LULA
Paulo Henrique Amorim Máximas e Mínimas 917
"Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PIG, Partido da Imprensa Golpista"
. Amanhã, enquanto se confirma que o Salgueiro venceu, se instala a “CPI da Tapioca” (clique aqui para ler “Salgueiro: já ganhou!”). . Já caiu um ministro. . Outro devolveu o que gastou no cartão corporativo. . Agora, a “CPI da Tapioca” vai investigar os gastos de um segurança. . E o Governo Lula tremerá nas bases. . O PIG fez a fusão da “BrOi”, sob as barbas do Ministério das Comunicações, da CVM e do BNDES. . O “Sistema Dantas de Comunicação” (*) teve que adiar por alguns dias a celebração da fusão, mas voltará à carga amanhã. . Tem que estar tudo pronto até que o Congresso se instale e alguém pergunte “como é que é isso, mesmo ?” . Já se sabe que o senador Heráclito Fortes e os deputados José Eduardo Cardozo e ACM Neto - da “Bancada Dantas pelo Progresso do Capitalismo com o Dinheiro Público” - não darão um pio contra a fusão. . Mas, há sempre um perigo. . O PIG vai transferir o controle da Vale para Zug, na Suíça. (Clique aqui para ler por que o PIG gosta tanto do presidente da Vale) . O Governo foi para as cordas com a iminência do apagão elétrico que o PIG decretou. . Sob a liderança do Farol de Alexandria, o PIG acabou com a CPMF. . O PIG inventou a crise do “causaéreo”. (Clique aqui para ler Marilena Chauí e o papel dos colonistas do PIG). Note que Chauí dá sugestões ao Governo Lula para enfrentar o PIG ... (E clique aqui para ler o verbete “causaéreo”, inspirado pela colonista Eliane Catanhêde, da Folha) . O PIG desmatou a Amazônia, uma crise “criada” pela Ministra do Desmatamento. . O PIG disseminou o pânico com a epidemia da febre amarela e levou brasileiros a se vacinar duas vezes e correr o risco de morrer – enquanto o Governo Lula assistia a tudo como se fosse tudo na Bolívia. . O Estadão, por exemplo, nas páginas de hoje, 05 de fevereiro, DEFENDE OS INTERESSES NACIONAIS AMERICANOS CONTRA OS INTERESSES NACIONAIS BRASILEIROS. . O que já é um hábito – a elite branca do Estadão sempre preferiu a Metrópole. . Diz o Estadão na primeira página e na capa da Economia: “Produto brasileiro dribla embargo da ONU e chega ao Irã via Dubai”. . A reportagem é assinada por Jamil Chade, que se especializou em defender interesses não-brasileiros. . Vender por triangulação a países sob embargo é mais velho do que andar para frente. . Perguntem à França, à Suíça, Japão, Inglaterra como se faz isso. . Pergunte a empresas americanas como é que se faz isso. . Como faziam no Iraque, no tempo de Saddam Hussein ... . E a China ? . Será que a China não vende nenhum relógio “suíço” ao Irã ? . E a Rússia ? . Que só falta vender bomba atômica ao Irã ... . O Brasil vende a Dubai carne a açúcar e o comércio bilateral é de US$ 2 bi, diz o Estadão. . O que o Estadão quer ? . O Estadão dá razão à Irlanda, o país que liderou o boicote à carne brasileira na União Européia. (Clique aqui para ler “Pecuária brasileira vai arrasar a européia”) . Dizem o Estadão e o mesmo colonista: “Na Irlanda, total rejeição à carne do Brasil”. . E o subtítulo: “Falta de reação do Governo brasileiro ao embargo fortaleceu imagem ruim do produto”. . Imagem ruim do produto ? . Quer dizer que a carne brasileira não presta ? . Isso é uma revelação muito importante. . Suspeita-se que todas as churrascarias do Brasil serão contaminadas pela “imagem ruim” do produto e agora, aos domingos, os brasileiros tomarão cerveja com BRIOCHE ! . Enquanto isso, o Governo Lula pensa que está numa democracia e deixa o PIG, um partido político, governar o Brasil.
Comentário aqui no blog é responsável por manter o Reinaldo Azevedo em pauta. O leitor "Marcos", vendedor de São Paulo, disse o seguinte:
"Por falar em Reinaldo Azevedo, a última dele foi a de querer comparar a audiência entre o seu blog (RA) e o do Nassif usando a ferramenta Google trends. Só que ele comparou Reinaldo Azevedo e Luis Nassif. Não precisa ser estatístico para saber onde está o erro. O Google trends é uma ferramenta que mede a busca por palavras em um determinado período. Ninguém escreve Luis Nassif no campo de busca do google. As pessoas escrevem somente Nassif. Fiz o teste, substituí Luis Nassif por Nassif e aconteceu o que eu esperava: a audiência do Nassif subiu as nuvens, passando, inclusive, a audiência do Reinaldo Azevedo e do Noblat. O que isto que dizer? Nada. Muita gente pode ser referir ao Reinaldo Azevedo como RA, como eu fiz algumas vezes neste comentário. Só para mostrar que esse pessoal bota sempre a carroça antes dos burros."
Fiquei curioso e fui conferir no blog do RA do que se tratava. Ele parece não estar aceitando muito bem o resultado do Ibest, que o coloca alguns pontos atrás do Luis Nassif. Assim, na tentativa de desqualificar a votação recorreu à ferramenta "Google trends" para mostrar que há mais buscas na internet a textos que levam o seu nome do que a textos que levam o nome do Nassif, como se isso tivesse alguma relação com popularidade do blog, que é o que mede o Ibest.
Vejam o que disse Reinaldo Azevedo:
"Quer saber quem é quem entre os blogs de política? Por que acreditar em autopropaganda, não é mesmo? Já existe uma ferramenta técnica, fornecida pelo Google – o Google Trends. Um leitor fez uma pesquisa comparativa. Copie o endereço abaixo. Acho que parte do ódio se explica assim:
Em seguida, Azevedo descobre a argumentação do leitor supra mencionado, o vendedor Marcos, e diz um argumento realmente correto:
"Há espertinhos escrevendo na área de procura “Reinaldo Azevedo” e, quando se trata do titular de outros blogs, põem apenas o sobrenome. Rá, rá, rá. Então, para mim, só coloquem “Azevedo”. Quando for para o Olavo, só “Carvalho”. Vamos ver. Ou, melhor ainda, só “Silva”, um dos meus sobrenomes. Aí não tem pra ninguém: privatizarei todos os “Silvas” e os “Azevedos” do Google. Ser safado deve ser bom. Ou não haveria tantos."
É, Azevedo teria razão nesse ponto se não fosse um pequeno detalhe: quem disse que a ferramenta Google trends mede audiência de blogs ou popularidade deles? Vejam a malandragem: ele escreve para o Globo (segundo maior jornal do país), para o Estadão (terceiro maior jornal) e para a Veja (maior revista, com ditos um milhão de assinantes). Esses veículos têm páginas na internet, claro. Assim, a quantidade de textos que remetem a Reinaldo Azevedo é muito maior do que a de textos que remetem a Nassif, que está fora da grande imprensa desde que se insurgiu contra ela. Mas não são todos os acessos a textos assinados por Azevedo que levam ao seu blog. É lógico que a maioria leva às páginas da Veja, do Estadão, do Globo etc. em que ele escreve.
O blogueiro da Veja socorreu-se do fato de escrever as coisas "certas", na visão do PIG, o que lhe permite ter destaque em portais da internet de alta audiência. Mas se essa comparação fosse feita à época anterior ao prêmio de consolação que o PIG deu a Azevedo quando sua revista, Primeira Leitura, naufragou, o resultado seria muito diferente, pois ele era um ilustre desconhecido a serviço do tucano Mendonça de Barros.
O Ibest é outra coisa. Dá um trabalho danado para votar e a pessoa precisa estar mesmo disposta a manifestar sua preferência por este ou por aquele blog para se submeter ao complicado processo de votação.
Ah, e tem mais uma coisa: se você incluir o nome de Lula na comparação do Google trends, verá o Azevedo sendo esmagado. Só que Lula não tem blog, mas aparece muito mais em textos na internet do que o Azevedo, claro.
Esse cara tem sérios problemas, pessoal. Não dá nem vontade de xingar mais. Está doente das faculdades mentais, também. A possibilidade de ser derrotado o transtorna. E que ser humano pode conviver com a impossibilidade de aceitar a derrota? Coitado...
Como os mais atentos poderão notar, as postagens neste blog estão assumindo uma dinâmica própria, na qual um assunto sucede e interconecta-se com o anterior. Isso se deve ao fato de que hoje quem decide o que será tratado aqui não sou eu ou vocês; estamos sendo pautados pela mídia tanto quanto o governo, e isso acontece porque, apesar de muitos de nós continuarem se contentando com as pesquisas que mostram invulnerabilidade do presidente da República diante da difamação midiática, a mídia vem obtendo sucessivas vitórias.
Que vitórias? Só para ficarmos nas mais recentes, são as seguintes:
1ª - a mídia conseguiu, numa tacada só, tirar recursos preciosos da Saúde e dos programas sociais e dificultar o combate à sonegação ao mobilizar a classe média contra a CPMF, que foi o que levou até senadores governistas a votarem contra o dito "imposto do cheque";
2ª - a mídia conseguiu fazer com que milhões de pessoas demonstrassem que não confiavam no governo ao fazê-las vacinarem-se desnecessariamente contra a febre amarela, apesar dos pedidos governamentais para que não o fizessem, e, com isso, criou uma catástrofe no sistema de Saúde público, via mortes e dezenas de internações de pessoas portadoras de incompatibilidade com a vacina;
3ª - a mídia conseguiu derrubar uma ministra de Estado por uma questão que deveria provocar apenas uma repreensão e uma cobrança de despesas irregulares, e conseguiu, de quebra, esconder que a ministra foi flagrada e cobrada pelo governo e não pela mídia e pela oposição, como estão dizendo;
4ª - a mídia está criando um novo escândalo, agora com base em meras suposições e não em fatos como os gastos da ministra (falarei disso mais adiante).
Entendo que houve uma mudança de tática. O bombardeio permanente - e em várias frentes - pretende desorientar o governo. Em vez de longas campanhas difamatórias como a do mensalão, adotou-se a tática de guerrilha, que consiste em bombardear o governo em várias frentes e praticamente extinguir qualquer espaço para o contraditório na imprensa escrita, que é onde ele tem um pouco mais de fôlego. Nesse caso dos cartões corporativos, os jornais continuam bloqueando qualquer opinião que não se coadune com a "certa". Foi o que fizeram no caso da febre amarela, quando impediram qualquer acusação à mídia por disseminar pânico e ainda acusaram o governo de ser o responsável pelas mortes por uma vacinação imotivada desencadeada por essa mesma mídia.
Hoje, a Folha de São Paulo sai com uma reportagem maliciosa que apresenta gastos da segurança da filha de Lula como se fossem absurdos e sem que o governo fosse ao menos ouvido sobre o assunto. Ora, a simples análise dos gastos diretos de outras esferas de governo mostra que estão tentando transformar em escândalo o que é prática comum na administração pública. Em nenhum país do mundo se questionaria gastos de 50 mil reais EM NOVE MESES com a segurança da filha do primeiro mandatário da nação.
A mesma reportagem ainda mente deliberadamente ao dizer que "O ministro Orlando Silva (Esportes) também anunciou que devolverá cerca de R$ 30 mil por gastos indevidos em seu cartão". Na verdade, a mentira está na omissão da informação de que o ministro devolverá o total que gastou no cartão em protesto contra a celeuma por ter gastado R$ 8,30 numa tapioca, e de que depois que seus gastos com o cartão corporativo forem auditados pedirá que a soma lhe seja reembolsada.
Acredito, diante de tudo isso, que está chegando um momento em que só restará ao governo e à sociedade reagirem contra a mídia e a oposição. Lamentavelmente, se Lula não optar pelo enfrentamento da mídia, se não exortar movimentos sociais, sindicatos e cidadãos comuns como nós a irem às ruas em prol do fim da sabotagem do país, essa sabotagem prosseguirá cada vez mais ousada, cada vez mais prejudicial, eventualmente gerando mais mortes, certamente impedindo que milhões deixem a miséria, fatalmente prejudicando o crescimento econômico.
Lula e seus aliados precisam saber o nome do jogo em que a mídia e a oposição meteram o país. Não se trata mais de processo democrático há muito tempo. Não se trata, muito menos, de fiscalização do Estado pela sociedade. Até porque, só uma parte desse Estado é fiscalizada pela mídia, ou seja, a parte controlada pela esquerda do espectro político. Enquanto isso, dezenas e dezenas de denúncias contra o pretenso "presidente eleito" José Serra são escondidas dos paulistas e do resto do país que ele pretende governar a partir de 2010.
O nome do jogo, meus amigos, é guerra. E se Lula não entender isso, mesmo que deixe o poder coberto de glórias, irá nos legar um país comandado pelos mafiosos do PSDB, do PFL e da mídia, que tratarão de doar aos seus comparsas endinheirados o que não conseguiram doar do patrimônio público quando estavam no poder. Além disso, interromperão a distribuição de renda, o acesso dos pobres ao ensino superior, realinharão o país comercial e politicamente a Washington, em suma, saquearão o Estado brasileiro como fizeram entre 1994 e 2002.
Lula precisa tomar coragem e não pensar só em si mesmo. Ele tem que reagir, não por si mesmo ou por seu governo, mas pelas milhões de vítimas da iniqüidade social brasileira, mais uma vez ameaçadas por seus algozes seculares.
*
Mensagem para Reinaldo Azevedo
Sei que muitos não entenderão o que vou expor agora, mas outros tantos entenderão perfeitamente.
É o seguinte: eu pretendia escrever um adendo a este post comentando sobre a infestação de clones do Reinaldo Azevedo que há entre os direitistas da blogosfera. Para isso, decidi fazer uma visita ao blog do próprio. Li umas coisas terríveis e, em vez de ódio, senti uma profunda piedade.
Sem controlar minhas ações, escrevi o texto abaixo e postei no blog do Reinaldo. Não sei se fiz bem ou mal, mas meu coração mandou fazer e eu fiz. Julguem vocês mesmos o que é que se passou nesta mente febril.
"Reinaldo,
antigamente, na época da PL, você não era assim, esse poço de ódio. Dava para dialogar com você. Lembro-me de que travamos debates civilizados. Lembra-se de quando você até me ofereceu espaço no site da PL?
Vou lhe dizer, meu caro: você fala, freqüentemente, como se fosse cristão. Se for assim, um homem doente como você - e, apesar de divergir de você, repugna-me que o ataquem usando sua doença -, que está exposto ao risco que há para todo todo ser vivente, mas que por sua doença pode estar mais próximo, deveria pensar menos no dinheiro que a Veja lhe paga para exercer esse papel lamentável e mais em sua alma imortal.
Não sei como um homem inteligente pode dividir assim as pessoas, entre petistas malvados e tucanos angelicais. Todo aquele que tem visão esquerdista, para você, é um bandido, um canalha e um estúpido - e o que mais você quiser.
Use melhor esse dom que Deus lhe deu. Não peço que abra mão das críticas que tem ao PT ou à esquerda. Nada disso. Aliás, que mundo monótono seria este se todos pensassem da mesma forma. Mas humanize-se, homem. Debata em nível mais alto. E não venha dizer que faz o que faz porque todos os que divergem de você agem da mesma forma - ou de forma pior, como você quiser. Não é verdade.
Freqüentemente refiro-me à você da mesma forma que você se refere aos que pensam como eu, mas, sei lá por que, curioso com o que anda rolando em seu blog, vim dar uma conferida e fiquei horrorizado. É pior do que andam dizendo. O ódio emana de cada letra, de cada vírgula.
E essa coisa de achar que deprecia seus inimigos referindo-se à sexualidade deles. A questão não é nem se é verdade ou mentira. A questão é que é nojento, cara. Você viu esse senador americano moralista, homofóbico, e que depois se descobriu que era pedófilo e homossexual? Pois é, não digo que seja o seu caso, mas esteja certo de que há muitos homossexuais enrustidos que exercem a homofobia com tanta ênfase quanto você.
Estou certo de que a Veja exige de você essa conduta. O Civita usa você. Um dia, quando seu estilo virulento não for mais necessário - se é que ele abrirá mão disso algum dia -, ele o descartará como a um papel de bala.
Pare com isso, homem. Use sua erudição para o bem. Faça críticas inteligentes ao PT - há tantas que podem ser feitas... Limpe seu estilo. Torne-se um debatedor digno. Abra-se ao contraditório.
Você provavelmente fará piada com meu gesto, mas em seu íntimo sabe que tenho razão.
Olhe, tenho uns dramas pessoais terríveis. Minha quarta filha tem uma paralisia cerebral de último grau, como acontece com o filho do Diogo Mainardi. Por isso, tento ter atitudes cristãs, à espera de que Ele me ajude a ficar neste mundo até que ela não precise mais de mim.
Não vim agredi-lo, cara. Não rejeite um gesto de humanidade.
Só peço que reflita. E só peço isso porque você é um cara inteligente. Mesmo que, após refletir, ache que deve continuar no mesmo rumo, ao menos reflita. Você merece isso. É seu direito refletir sobre como tem levado sua vida.
A quem precisar formar uma opinião racional, fundamentada e honesta sobre esse caso doloroso envolvendo a já ex-ministra da promoção da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro, quero oferecer os três posts deste blog anteriores a este para que essa pessoa saiba exatamente como tudo foi cruel, fria, desonesta, mentirosa e debochadamente distorcido pela imprensa.
No caso recente - e ainda vivo - do trote midiático fatal da "febre amarela", este blog foi um dos primeiros, se não o primeiro, a denunciá-lo. Não dava para ficar impassível vendo pessoas sendo induzidas - sistemática e indiscriminadamente - pela mídia a tomarem uma vacina que pode ser mortal para determinadas pessoas.
Agora, nesse caso do uso irregular do cartão de crédito do governo federal pela negra alçada a ministra de Estado, o assunto foi abordado aqui em profundidade e com seriedade. Não fiz suposições, não omiti fatos, não isentei dona Matilde Ribeiro de suas inegáveis responsabilidades por um uso "estranho" que fez da fé pública, mas nem por isso deixei de mostrar que o assunto foi tratado pela mídia, não como se fosse o que foi, ou seja, como um processo em que se viu que o governo federal está atento ao comportamento de seus membros, mas como se fosse "mais uma prova de que o governo Lula é corrupto".
O problema não é acusarem o governo Lula de "corrupto" ou de "incompetente". O problema é que, simplesmente, não é verdade. Se fosse, podem ter certeza de que eu estaria na primeira fila dos que se opõem a ele, pois sou um cidadão como qualquer outro, tenho família, problemas, luto para sobreviver e, portanto, não poderia me dar ao luxo de apoiar um governo como esse que a mídia tenta pintar. E como nunca, jamais me filiei a partidos ou corporações de qualquer espécie, e como não tenho interesses pessoais envolvidos no embate político, pois ganho a vida viajando ao exterior para fechar contratos de exportação para fabricantes nacionais de autopeças, não me importo com suposições sobre minhas motivações políticas enquanto a mídia tenta vender ao país uma enorme trapaça como essa que é a imagem que pinta do governo Lula.
Dito tudo o que era preciso preliminarmente, é hora de entendermos o que está por trás desses casos de catarse midiática que mencionei em detrimento de muitos outros. É hora de detectarmos que resultado foi obtido com a criação e a inserção dessas mentiras no inconsciente coletivo.
Quem se informou adequadamente, sabe que não há nem houve epidemia alguma de febre amarela e que a corrida para vacinação contra a moléstia decorreu de indução da mídia a que as pessoas se vacinassem aleatoriamente, mas tenho visto muita gente com acesso à informação alheia ao fato de que pessoas estão morrendo por terem se vacinado à tôa. Enquanto isso, a mídia continua, aqui e ali, inserindo suas mentiras nas mentes frágeis de seu público cativo e essas pessoas, em conseqüência, tornam-se difusoras de mais mentiras.
Quando o caso é muito escandaloso, a mídia faz ataques de guerrilha, em que um texto absurdo é plantado inesperadamente, quando se acha que pararam de atirar. Para dar um exemplo desse tipo de ataque, eu poderia recorrer a qualquer grande jornal ou revista. São cartas de leitores, artigos, editoriais e falsas reportagens que vão sendo plantados de forma esparsa nos meios de comunicação. Dou esta explicação porque, apesar de todos os grandes jornais - entre outros meios - serem basicamente iguais, tenho mais facilidade de acesso à Folha por ser assinante do UOL - eu não compro essas porcarias em banca ou as assino. Por isso eu cito tanto a Folha. Contudo, leio, esporadicamente, outros jornais (como Globo e Estadão) pela internet. Mas como são todos iguais usarei texto de um sujeito chamado Melchiades Filho que foi publicado na Folha do último sábado, em sua página A2, sob o título "Temporão e o vento".
"MELCHIADES FILHO (Folha de São Paulo, 2 de fevereiro de 2008)
Temporão e o vento
BRASÍLIA - "Enorme especulação", "exagero midiático", "histeria coletiva" e expressões similares pipocaram nas declarações da cúpula da Saúde sobre o surto de febre amarela enquanto o governo corria para imunizar os ministros e fumegar a Granja do Torto -e não para cuidar das internações, distribuir a vacina e fazer os esclarecimentos necessários à população.
Os casos de dengue também explodiram, de 345 mil para 560 mil em um ano. O ministério de novo sugeriu culpa do brasileiro: pobre, desinformado e pouco cidadão.
Até agora não houve explicação convincente para a arrancada da rubéola, de 1,6 mil a 6,9 mil casos entre 2006 e 2007, que arruinou os avanços do primeiro mandato.
Os engasgos do SUS? O doente que sofre no leito -e para conseguir deitar num? Tampouco encabeçam as atenções dessa administração. (...)"
Viram que beleza? Nenhuma menção sequer às mortes e internações por vacinação desnecessária, sobretudo em grandes centros urbanos nos quais o risco de contágio por febre amarela é zero, e muito menos qualquer menção ao papel da mídia no processo que causou a corrida desesperada aos postos de saúde de pessoas levadas à histeria completa por ela quando as aconselhou a se vacinarem fossem de onde fossem e antes que fosse "tarde".
O tal Melchiades, então, diante da impossibilidade de se aprofundar no assunto, evoca os seculares problemas na Saúde pública brasileira para "provar" que "a culpa é do governo" pelo desastre da disseminação falsa da existência de uma epidemia de febre amarela no Brasil.
No caso dos cartões corporativos, apesar de terem surgido outros envolvidos, vocês viram que o noticiário se concentrou muito mais na ministra Matilde Ribeiro, apesar de outros gastos questionáveis terem surgido na investigação do governo federal sobre seus ministros. E isso porque a ministra era um "prato apetitoso" para a mídia. Todos devem se lembrar da polêmica em que ela se meteu quando afirmou que era compreensível que negros tivessem comportamentos arredios em relação aos brancos devido à opressão que estes sempre impuseram àqueles. E todos sabem que a ministra é uma defensora feroz das cotas nas universidades públicas.
Recentemente, reportei aqui o caso daquela novela da Globo em que a questão dos militantes do movimento negro e das cotas nas universidades vem sendo abordada de forma manipuladora. Na trama global, um universitário negro que vive falando em cotas e em opressão racial é apresentado como um mau-caráter, manipulador e mentiroso, enquanto que os dirigentes da universidade, todos brancos do soçaite carioca, são apresentados como heróis. E, como se não bastasse, a encenação socialóide da Globo ainda mostra uma classe média alta e branca tolerante com os negros, que freqüenta favelas, vai a festas de favelados e os trata como iguais.
Por mais que mandemos e-mails e que produzamos blogs e sites de contra-informação, não dá para lutar só por esses meios contra o poder de uma emissora de tevê que entra em mais de 90% dos lares brasileiros e que cria essas "realidades" virtuais que formam o inconsciente coletivo. Claro que qualquer favelado sabe que não existe aquela situação da novela, mas o setor politicamente consciente das camadas inferiores ainda é muito pequeno. Apesar de este ser um país essencialmente de pobres, a parcela deles que compra informação de uma Globo sem questionamento, é muito grande. E nos estratos superiores, acaba sempre pesando o esprit d 'corps (corporativismo), haja vista no fato de que muita gente politicamente consciente e de esquerda é contra cotas no ensino público superior apesar de serem elas a única esperança da atual geração de jovens negros e pobres de se formar.
É por isso que, para os que estão chegando agora a este blog e não sabem, criei uma Organização Não Governamental junto com nossos leitores a partir de outubro do ano passado. Essa ONG se chama Movimento dos Sem-Mídia (MSM) e já fez vários atos públicos nos últimos quatro meses, desde sua criação. Fizemos manifestações nas portas das sedes da Folha de São Paulo e da Globo e uma plenária em São Paulo e outra no Rio de janeiro. Além disso, em nome do MSM dei palestras e debati em mesas como a de fórum na sede da CUT em São Paulo e fui debatedor no Fórum Mídia Poder e Democracia que aconteceu em novembro em Salvador, e que contou com importantes debatedores como Emir Sader, Ignacio Ramonet, Teresa Cruvinel, Marilena Chaui e outros. Finalmente, este blog foi indicado ao Prêmio Ibest de melhor blog político e está em sexto lugar na disputa.
Agora em 2008, passado o período de catarses festivas de fim e de começo de ano, estou certo de que chegou a hora de darmos novos passos nesse projeto, nesse sonho que é o MSM.
Em 13 de outubro do ano passado, fui eleito presidente do Movimento na plenária em que foi constituído legalmente. Assim sendo, informo aos leitores antigos e novos deste blog que, quando eu voltar da viagem de duas semanas à África que empreenderei a partir do próximo dia 16, começarei a manter contatos com os filiados de todo país via telefone e e-mail, de forma a tratarmos dos próximos passos dessa reação da sociedade civil em que se constitui o Movimento dos Sem-Mídia.
Por isso, peço a todos os filiados que ainda não estão com suas situações junto à ONG regularizadas, que o façam, porque eu, pelo menos, não ficarei inerte diante dos absurdos que estão sendo praticados neste país.
Logo, logo o assessor jurídico da ONG voltará de férias e vou consultá-lo sobre as responsabilidades de jornalistas e de meios de comunicação nessa questão da febre amarela. Será discutida uma denúncia ao Ministério Público. E pretendo discutir com os filiados duas manifestações iniciais neste ano, em São Paulo e no Rio, que serão feitas diante de sedes de meios de comunicação. Nessas manifestações, diremos, no espaço público que é a rua as nossas razões e o nosso inconformismo. Tudo farei para criar fatos políticos que demonstrem ao público sem acesso à internet que esse consenso político que a mídia tenta formar é falso como uma nota de três reais.
*
O Esgoto (vocês sabem a quem me refiro, não sabem?) andou nos respondendo. Mas sem, obviamente, citar nominalmente a quem responde. Ele acha, como já disse várias vezes, que ao responder "a qualquer um" dará "notoriedade a quem não tem". Mas vejam só, ele que se considera acima de debater com mortais comuns, respondendo a "anônimos". Deve estar com o olho pregado no Ibest, apesar de dizer que "não se importa" com sua votação cadente diante da surra que o Nassif está lhe dando. Por isso fica fazendo insinuações sujas contra ele.
E agora, vejam só, o malandrão está dizendo que o governo Lula rouba e, ignorando leis que podem inclusive derrubá-lo, tratou de tornar pública a sua suposta "roubalheira". O Esgotão acha que ao governo divulgar detalhes de seus gastos e investigar como foram feitos para depois, por moto próprio, expor as contradições eventualmente encontradas à sociedade, pretende, com isso, reformar todo arcabouço jurídico brasileiro e "institucionalizar a corrupção". Palhaço.
Quem é suficientemente idiota para cair na esparrela de que quem rouba trata de criar, por iniciativa autônoma, um site na internet para dar meios aos seus inimigos (já deixaram de ser adversários há muito tempo) de acusá-lo? E, o que é pior, o Esgotão ainda afirma que só 25% dos gastos estão registrados, porque o resto seriam saques na boca do caixa-eletrônico...
Ha, ha, ha... Que palhaçada. Ao menos, com o Portal da Transparência, dá para saber detalhes sobre como o governo federal gasta. Tente você saber onde os secretários do Serra gastam o dinheiro dos paulistas. Tente você saber quanto foi sacado por eles em dinheiro vivo. Tente saber qualquer coisa sobre como São Paulo é governado. Mas só se você for adepto da perda de tempo como passatempo.
Esse Esgotão não tem argumentos. Sua forma de debater é lançando "acusações" veladas de que seus inimigos são homossexuais, como se, em caso de ser verdade e não apenas uma manifestação dos devaneios eróticos dele, isso fosse crime. Esse cara não resiste a dez minutos de debate sério.