Viajo hoje para Angola. Meu vôo deixa o aeroporto do Galeão, no Rio, às 19 horas, mas tenho que estar no Aeroporto de Congonhas às 11 horas.
Quem não for caixeiro-viajante - como eu -, não entenderá por que passei a noite de sexta para sábado fazendo as malas. Ainda assim, adio um pouco o sono reparador e preparador (da viagem) para lhes oferecer um interessante artigo que recebi de um amigo angolano. Trata-se de N'gouabi Salvador, jornalista e jurista, que, inclusive, estará me esperando no aeroporto 4 de fevereiro, em Luanda.
O texto enviado por N'gouabi, porém, não foi escrito no país dele e, sim, no nosso. É de autoria de uma jornalista chamada Fernanda Tambelini e versa sobre o ambiente de negócios para empresas brasileiras em Angola. Além disso, o texto revela como - e em que níveis - se processa o soerguimento de uma nação flagelada por décadas a fio de guerra.
Na próxima vez em que postar algo aqui - ou seja, amanhã -, estarei na África.
*
Após três décadas de guerra civil, Angola transforma-se em um canteiro de obras com espaço para as empresas brasileiras
Por Fernanda Tambelini
As revistas e jornais de negócios falam o tempo todo do crescimento e das oportunidades existentes na China. Mas, crescendo a taxas até mesmo maiores, a efervescente e pouco lembrada Angola representa um mundo de oportunidades para empresas brasileiras, com a vantagem de estar mais próxima e de falar a mesma língua portuguesa.
A ligação entre o Brasil e o país africano foi traçada ainda no período colonial, quando milhares de angolanos foram trazidos ao país na condição de escravos. Agora, são os brasileiros que percorrem os 6.000 quilômetros que separam os dois países para fazer negócios em Angola. O país conquistou a paz depois de trinta anos de guerra civil e está trabalhando em ritmo acelerado para a reconstrução da nação. Novas estradas, prédios públicos, sistemas de saneamento básico, escolas e casas transformam Luanda, a capital, em um grande canteiro de obras e alimentam um mercado em expansão.
Segundo o Banco Mundial, o Produto Interno Bruto (PIB) angolano cresceu 20,6% em 2005 e o Banco Nacional de Angola indica crescimento de 19,5% em 2006. O ritmo é dos mais intensos do mundo, estimulado principalmente pela abundante indústria de petróleo e de diamantes. A reconstrução do país, entretanto, depende de empresas estrangeiras e a proximidade cultural coloca o Brasil em posição privilegiada, apesar de a queda na cotação do dólar dificultar nossas exportações. "Em Angola, tudo necessita ser refeito e, devido à guerra, precisamos comprar tudo de fora. Por isso, há demanda reprimida em todas as áreas", diz John Quibemba, representante oficial da Embaixada de Angola no Brasil. De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, as exportações do Brasil para Angola atingiram US$ 836 milhões em 2006, 60% a mais em relação a 2005.
Apesar de as prioridades do governo local estarem nas áreas de infra-estrutura (rodovias, redes de esgotos e água, escolas e hospitais, por exemplo), geralmente dominadas por grandes companhias, há espaço para pequenos e médios empreendimentos. É o que afirma Ronaldo Chaer, presidente da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Angola, que tem 90% de seus atendimentos voltados a negócios desse porte. "As oportunidades para as pequenas estão principalmente nos ramos da construção civil, móveis, utensílios e ferramentas industriais e agrícolas, eletrodomésticos, alimentos, vestuário e serviços de informática e telecomunicações". Em 2005, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, as micro e pequenas empresas brasileiras exportaram US$ 32,5 milhões para Angola e as médias empresas exportaram outros US$ 90,4 milhões.
Exemplo de quem conquistou espaço no mercado angolano é a escola de negócios Brazilian Busíness School (BBS). No ano passado, a BBS montou uma filial em Luanda para ministrar cursos de MBA. A turma africana da BBS, com 19 alunos, ganhará diploma em novembro próximo e a segunda sala já está montada, com 25 estudantes. "Abriremos nova turma no segundo semestre e faremos cursos in company em pelo menos três empresas. Em pouco tempo, Angola vai representar parte importante no nosso faturamento, já que o MBA aqui no Brasil custa R$ 25.000 e, lá, custa o equivalente a R$ 36.000", diz John Schulz, diretor da BBS.
Outro ramo em que o Brasil pode exportar know-how é o de televendas. Em 2003, o carioca Norton Vieira Fritzsche lançou com um grupo de sócios dos dois países a Shop TV de Angola. Na época, o sistema de telefonia angolano não funcionava bem, os celulares estavam apenas chegando e não havia cartões de crédito nem mesmo código de endereçamento postal. "Tivemos que adotar um modelo híbrido, com oito horas de programação na televisão e pontos-de-venda terceirizados em locais de grande circulação, porque era impossível entregar produtos pelo correio." Hoje, a empresa tem 50 quiosques em várias cidades, iniciou o atendimento por telemarketing e a entrega em domicílio em 2007. Também começou a aceitar cartões de crédito - o país já emitiu 100.000 cartões, segundo Fritzsche. A Shop TV vende uma média mensal de 10.000 itens de saúde, beleza e equipamentos de ginástica e cresce a taxas de 25% ao ano.
Embora não se saiba quantas empresas brasileiras estão fazendo negócios em Angola, Chaer diz que o movimento rumo às terras africanas é tendência seguida por número cada vez maior de empresários. Um dos indícios desta tendência é o pavilhão brasileiro na maior feira de negócios de Angola, a Feira Internacional de Luanda (Filda), que acontece todos os anos em julho e reúne mais de 400 empresas de todo o mundo. Marco Audra, responsável pela organização do setor brasileiro na feira, diz que a primeira participação estruturada aconteceu em 2003 e que desde 2006 o pavilhão conta com 800 m- e 80 expositores, sendo 90% de pequeno e médio portes. "A cultura africana exige proximidade, o empresário quer conhecer o parceiro e seu produto pessoalmente. Isso beneficia as pequenas, que já têm esse hábito", diz.
Segundo Audra, as empresas brasileiras na Filda expõem de alimentos e confecções a utilidades domésticas e maquinários. A última edição do evento gerou US$ 9 milhões em negócios ral coloca o Brasil em posição privilegiada, apesar de a queda na cotação do dólar dificultar nossas exportações. "Em Angola, tudo necessita ser refeito e, devido à guerra, precisamos comprar tudo de fora. Por isso, há demanda reprimida em todas as áreas", diz John Quibemba, representante oficial da Embaixada de Angola no Brasil. De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, as exportações do Brasil para Angola atingiram US$ 836 milhões em 2006, 60% a mais em relação a 2005.
Apesar de as prioridades do governo local estarem nas áreas de infra-estrutura (rodovias, redes de esgotos e água, escolas e hospitais, por exemplo), geralmente dominadas por grandes companhias, há espaço para pequenos e médios empreendimentos. É o que afirma Ronaldo Chaer, presidente da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Angola, que tem 90% de seus atendimentos voltados a negócios desse porte. "As oportunidades para as pequenas estão principalmente nos ramos da construção civil, móveis, utensílios e ferramentas industriais e agrícolas, eletrodomésticos, alimentos, vestuário e serviços de informática e telecomunicações". Em 2005, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, as micro e pequenas empresas brasileiras exportaram US$ 32,5 milhões para Angola e as médias empresas exportaram outros US$ 90,4 milhões.
Exemplo de quem conquistou espaço no mercado angolano é a escola de negócios Brazilian Business School (BBS). No ano passado, a BBS montou uma filial em Luanda para ministrar cursos de MBA. A turma africana da BBS, com 19 alunos, ganhará diploma em novembro próximo e a segunda sala já está montada, com 25 estudantes. "Abriremos nova turma no segundo semestre e faremos cursos in company em pelo menos três empresas. Em pouco tempo, Angola vai representar parte importante no nosso faturamento, já que o MBA aqui no Brasil custa R$ 25.000 e, lá, custa o equivalente a R$ 36.000", diz John Schulz, diretor da BBS.
Outro ramo em que o Brasil pode exportar know-how é o de televendas. Em 2003, o carioca Norton Vieira Fritzsche lançou com um grupo de sócios dos dois países a Shop TV de Angola. Na época, o sistema de telefonia angolano não funcionava bem, os celulares estavam apenas chegando e não havia cartões de crédito nem mesmo código de endereçamento postal. "Tivemos que adotar um modelo híbrido, com oito horas de programação na televisão e pontos-de-venda terceirizados em locais de grande circulação, porque era impossível entregar produtos pelo correio." Hoje, a empresa tem 50 quiosques em várias cidades, iniciou o atendimento por telemarketing e a entrega em domicílio em 2007. Também começou a aceitar cartões de crédito - o país já emitiu 100.000 cartões, segundo Fritzsche. A Shop TV vende uma média mensal de 10.000 itens de saúde, beleza e equipamentos de ginástica e cresce a taxas de 25% ao ano.
Embora não se saiba quantas empresas brasileiras estão fazendo negócios em Angola, Chaer diz que o movimento rumo às terras africanas é tendência seguida por número cada vez maior de empresários. Um dos indícios desta tendência é o pavilhão brasileiro na maior feira de negócios de Angola, a Feira Internacional de Luanda (Filda), que acontece todos os anos em julho e reúne mais de 400 empresas de todo o mundo. Marco Audra, responsável pela organização do setor brasileiro na feira, diz que a primeira participação estruturada aconteceu em 2003 e que desde 2006 o pavilhão conta com 800 m- e 80 expositores, sendo 90% de pequeno e médio portes. "A cultura africana exige proximidade, o empresário quer conhecer o parceiro e seu produto pessoalmente. Isso beneficia as pequenas, que já têm esse hábito", diz.
Segundo Audra, as empresas brasileiras na Filda expõem de alimentos e confecções a utilidades domésticas e maquinários. A última edição do evento gerou US$ 9 milhões em negócios para o Brasil. "A feira é fundamental para analisar a concorrência, traçar o perfil dos compradores e apresentar produtos. Mas é preciso ir preparado, com informações sobre Angola e sobre procedimentos e custos aduaneiros. Além disso, sempre aconselho a não fechar acordo no primeiro momento, antes de conhecer as instalações do comprador", declara.
No mercado nacional desde 1940, a Zilda, produtora carioca de cosméticos voltados para o público negro, participou da feira em 2006 e pretende repetir a dose em 2007. A empresa tem seis funcionários e faturamento médio mensal de R$ 50.000. "No evento, conseguimos uma base de interessados para distribuir nossos produtos. Fechamos dois pedidos de US$ 5.000 cada e as exportações mais regulares devem começar no segundo semestre deste ano, com pedidos mínimos de US$ 5.000 a US$ 10.000", afirma o sócio Henrique Parente.
Outra participante da Filda 2006 foi a Fibromar, de Pinheiral (RJ), fabricante de caixas dágua, bancadas de pia e telhas de fibra. Fornecedora da Odebrecht em Angola, a empresa vende em média 2.000 bancadas de pia para a construtora por ano e, após o evento, fechou parceria com a Casacom - uma loja de materiais de construção local - para a distribuição de bancadas e telhas. "Este primeiro lote foi de US$ 11.000 e acredito que Angola possa render 20% do meu faturamento dentro de dois anos", diz Álvaro Rocha, proprietário da Fibromar.
A Agência de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) do governo federal também marca presença na Filda há três anos e, para a próxima edição, em julho, espera levar 30 empresários, 75% dos quais, pequenos. "Identificamos em Angola um campo aberto para o empreendedorismo, principalmente para negócios que gerem outros pequenos negócios, como a venda de máquinas para fabricação de fraldas, por exemplo", afirma Juarez Leal, coordenador da Unidade de Eventos Internacionais da Apex.
Junto com a Apex, estará a Associação Brasileira de Franchising (ABF), que já tem três associados em Luanda - Bobs, Mundo Verde e Livraria Nobel - e acredita no potencial do país para receber outras redes de franquias brasileiras. "Como falamos a mesma língua, as escolas de idiomas e profissionalizantes terão facilidade para ganhar mercado. As áreas de calçados, roupas e acessórios, alimentos e informática também são promissoras", declara Ricardo Camargo, diretor-executivo da ABF.
A última rede de franquias a desembarcar por lá foi a Livraria Nobel, cuja primeira unidade abre as portas este mês. Outros dez pontos estão previstos para os próximos cinco anos. "Este é um dos únicos países do mundo com crescimento superior ao da China. A expansão foi natural para nós, já que Angola fala português e não tem indústria editorial", diz Sérgio Milano, diretor de expansão da rede. Milano revela que a master-franqueada local investiu cerca de US$ 500.000 na primeira unidade.
Apesar das boas perspectivas, exportar ou estabelecer uma operação em Angola tem suas dificuldades. Consultores e empresários são unânimes ao dizer que não é possível vender para o país sem encontrar um parceiro local e que estabelecer as parcerias corretas é o principal fator de sucesso. "A lei deles exige que qualquer empresa estrangeira tenha um sócio angolano e há também burocracia e corrupção portuária. Por isso, é essencial fazer contato com quem já trabalha e conhece o mercado”, diz Marco Audra. Devido à ainda precária infra-estrutura local, aluguéis, restaurantes e hotéis costumam ser mais caros, se comparados ao Brasil.
Driblando os obstáculos, o mercado angolano caminha a passos largos e empreendedores brasileiros aproveitam o momento. Bobs, Mundo Verde e Livraria Nobel escolheram o primeiro shopping center de Luanda, o Belas Shopping, para abrir as portas ao lado de outras 95 lojas. Inaugurado em março passado, o shopping foi desenvolvido e é administrado pela empresa baiana Enashop, responsável pela administração de outros quatro empreendimentos em Salvador (BA) e Natal (RN). Edison Rezende, sócio da Enashop, diz que o projeto tem seis fases programadas e a primeira expansão, com 40 novas lojas, começa a ser feita ainda este ano. "A primeira fase foi totalmente comercializada em três meses e já temos um público de 10.000 pessoas por dia. A classe média angolana ainda é pequena, mas está em formação acelerada, devido à criação de postos de trabalho: afirma Rezende. Além das franquias, outras marcas brasileiras ocupam espaços no Belas Shopping, como Ellus, Green, Sapataria do Futuro, Richards, Mr. Sheik e o salão de beleza Werner.
Segundo Rezende, o grupo africano HO Gestão de Investimentos e o braço da Odebrecht em Angola - proprietários do empreendimento - investiram nada menos que US$ 35 milhões, que devem ser recuperados em até oito anos. A própria Enashop destinou US$ 150.000 para montar uma operação em Luanda e espera que a filial represente 30% do faturamento da empresa em dois anos. "90% dos nossos funcionários são angolanos, porque queremos transmitir conhecimento, profissionalizá-los. O pequeno empresário brasileiro deve traçar seu caminho em Angola, mas precisa investir no país e não apenas tirar lucro e voltar sem deixar nada", diz Rezende.
Um dos participantes do fatídico Big Brother Brasil, que se abate sobre nós todo começo de ano e sem dó nem piedade, fez o que se convencionou chamar de "sair do armário": confessou, em rede nacional, que é homossexual.
Sobre "sair do armário", sempre achei que, em qualquer situação na vida, é sempre o melhor caminho. Se você tem alguma conduta ou visão do mundo, digamos, heterodoxa, defender e assumir aquilo que você prefere, seja no sexo, na política ou no que for, eleva sua auto-estima, pois deve ser deprimente alguém ter vergonha do que faz, pensa ou gosta.
Eu, por exemplo, acho que o governo Lula está sendo bom para o Brasil, apesar de eventuais descontentamentos, menores do que minhas satisfações com esse governo. E nem vou defender por que penso assim. Estou só assumindo o que defendo.
Eu jamais seria um petista, tucano, homossexual ou bissexual enrustido. Mas tem gente que não se assume. E é disso que se trata este post, de quem não assume quem é.
Não conheço casos de homossexuais enrustidos, até porque quem tem essa preferência sexual e não assume guarda o segredo muito bem e faz questão de disfarçar. Não se imagina um homossexual enrustido que seja metido a machão suspirando por um par de bíceps masculino enquanto arrota sua masculinidade fajuta, mas conheço vários casos de tucanos enrustidos na imprensa que, enquanto arrotam a própria isenção, suspiram pela careca do Serra ou pela "boca de sovaco" do FHC.
A Folha de São Paulo, por exemplo, nesse aspecto do partidarismo enrustido tem se mostrado hors-concours. Sua página A2, a página "nobre" de opinião do jornal, é enrustida, ou melhor, mal-enrustida. Apesar da constante e gutural alegação de "isenção" por parte dos principais colunistas daquela página, os dois têm interesses muito bem definidos no bem-estar tucano, pois são casados com gente que lucra com o PSDB e tem posição destacada naquele partido.
Mas fazem questão de dissimular. Vejam, abaixo, como Clóvis Rossi, por exemplo, que antecipei aqui faz algum tempo que é casado com uma importante dirigente tucana, suspira pelo ideário tucano enquanto tenta se mostrar "isento". E, depois, fiquem com meu comentário final.
"(...) nos 23 anos decorridos até chegar ao poder, o PT fazia questão de vociferar que todos os demais partidos eram farinha do mesmo saco e que só ele era impoluto como a Virgem Maria. Agora que a suposta virgem virou "organização criminosa", no dizer do procurador-geral da República, referendado em princípio pelo STF, é Maluf, a antiga Geni da política tupiniquim, quem fica injuriado ao ser posto no mesmo saco do lulopetismo. Já os lulopetistas nem mandam cartas para fingir que são inocentes. Apenas esmolam para que os jornalistas digamos que os outros também não são. Pedido, aliás, que apenas revela a cara-de-pau e má-fé da "quadrilha" e de sua matilha de hidrófobos-debilóides, posto que TODOS os escândalos dos anteriores governos, TODOS, foram expostos exatamente pela mídia hoje dita "golpista", da Ferrovia Norte-Sul, no governo Sarney, à privataria, passando pela compra de votos para a reeleição, no governo FHC, para nem mencionar todos os trambiques do governo Collor, aliás hoje aliado de Lula. Como Maluf. Como Sarney."
Por que o colunista não sai do armário de uma vez? Ele dorme com o PSDB enquanto ataca o PT. Parece o homossexual que vai passear de mãos dadas com seu namorado e depois alardeia para os amigos como é machão.
Matéria da jornalista Conceição Lemes publicada na noite de quinta-feira no site do Luiz Carlos Azenha revela que uma das duas pessoas que morreram sob suspeita de a causa mortis ter sido vacinação desnecessária contra a febre amarela, morreu realmente por causa da vacina.
Para quem não sabe, esse é um furo jornalístico. Dos grandes. A notícia foi dada "em off" à Conceição por fonte sigilosa e não chegou (ainda) à grande mídia. A causa de não estar sendo veiculada por ela decorre de que, até o momento em que escrevo, ela ainda não tem essa notícia, porque o Ministério da Saúde ainda não a confirmou formalmente.
Claro que, assim como a Conceição investigou e descobriu essa notícia, a mídia poderia tê-la conseguido e evitado o furo do Azenha. Será que a mídia não tinha interesse em descobrir se o alarmismo que causou está fazendo vítimas?
À parte do fato de que a mídia, além do furo que tomou do Paulo Henrique Amorim no caso da Caixa-preta paulista acaba de tomar outro (grande) do Azenha, está o significado dessa notícia no que diz respeito à denúncia que será feita ao Ministério Público exatamente por isso, porque gente estaria adoecendo e morrendo porque, alarmada pela mídia, correu para se vacinar sem necessidade.
Para entender a responsabilidade da mídia na morte de uma mulher paulistana de 79 anos, que se vacinou contra a febre amarela apesar de seu organismo ser incompatível com o medicamento, façamo-nos uma pergunta: por que é que nenhum governo jamais convocou uma campanha de vacinação contra a febre amarela como faz periodicamente contra a paralisia infantil, por exemplo?
Não se pode vacinar todos contra a febre amarela, como se faz em relação a outras doenças, porque a vacina representa algum risco para a saúde humana, só devendo ser tomada por quem realmente precise tomá-la por ter que ir a regiões onde há risco de se contrair a doença.
Para colocar de forma simples, a vacina contra a febre amarela provoca a doença na pessoa, mas numa intensidade que permite a organismos sadios produzirem anticorpos que sofrem mutações em contato com o vírus enfraquecido, de forma que, quando eventualmente em contato com o vírus sadio, agora transformados e mais fortes esses anticorpos conseguem destruí-lo. Porém, se a pessoa tiver um organismo frágil, o vírus, mesmo atenuado, torna-se mais perigoso e, de acordo com a fragilidade específica do organismo daquela pessoa, há risco de morte se ela se vacinar.
Nos primeiros dias do alarmismo da mídia por conta de um aumento do número de casos suspeitos de febre amarela, não foi noticiado pelos meios de comunicação de massa que só deveria se vacinar quem fosse viajar a zonas de risco. Dessa maneira, legiões de brasileiros de todas as partes do país acorreram desesperados aos postos de vacinação para se imunizarem contra uma doença que não os ameaçava e, assim, intoxicaram-se com um medicamento perigoso e controlado.
A mídia só começou a repercutir o perigo da vacinação desnecessária muitos dias depois do alarma social que provocou filas intermináveis nos postos de vacinação, fazendo faltar vacina no país que é o maior produtor do medicamento e que até o exporta a outros países.
Repeti tudo isso que vocês já sabiam para dizer que, com a morte dessa senhora de 79 anos, a mídia se complicou. Esse é o primeiro caso confirmado de adoecimento e morte por causa de vacinação desnecessária.
Como esse alarmismo foi eminentemente político, batido e rebatido nos jornais, telejornais e programas de rádio diariamente - o que faz suspeitar de que o objetivo desses veículos de comunicação era justamente provocar falta de vacina e uma previsível indignação social contra o governo federal, responsável pela distribuição da vacina -, a confirmação de ao menos um caso decorrente do medo causado pelo noticiário materializa o crime que se está dizendo que foi cometido.
Já se pode dizer, com todas as letras, que alguém morreu porque se assustou com o noticiário e tomou um medicamento controlado e perigoso pensando que havia risco se não se vacinasse, e não havia. E, ao menos para a mulher que morreu, esse risco nunca existiu, pois ela não pretendia viajar a alguma zona de risco. Trocando em miúdos: a situação da mídia se complicou. Bastante.
Quanto tempo será que vai demorar para o PIG repercutir o furo que tomou? E será que vai repercutir? Se não o fizer, estará agravando seu crime e aumentando a necessidade de denunciá-lo à Justiça. Contudo, noticiando ou não a denúncia tem que ser feita, porque as mortes por vacinação desnecessária já começaram a ocorrer.
Atualizado às 12:58 hs. de 14 de fevereiro de 2008
Foram dignas de nota as reações à enquete de Luiz Carlos Azenha sobre o que seus leitores acham da iniciativa do Movimento dos Sem Mídia de apresentar ao Ministério Público uma denúncia de atentado à Saúde Pública pelos meios de comunicação ao fazerem uma campanha alarmista incitando os cidadãos a se vacinarem contra a febre amarela "fossem de onde fossem" e "antes que fosse tarde".
Não li, entre a provável centena de comentários no blog do Azenha relativos à enquete que ele promoveu, um único comentário contrário à iniciativa.
Neste momento, começa a ficar mais claro, para aqueles que têm acompanhado mais de perto esta jornada de luta para consolidar o MSM, a razão pela qual propus a criação do Movimento no ano passado.
Muita água ainda passará por baixo da ponte até que a dimensão da Organização seja totalmente conhecida. Por enquanto, basta entendermos que a mera existência de um instrumento como um Movimento que questione o poder discricionário da mídia já representa um notável avanço, uma vitória que é de todos aqueles homens e mulheres que continuaram apoiando o MSM desde o sucesso da manifestação diante da Folha até no momento em que a maledicência (como a de que eu havia proposto fundar a ONG porque tinha planos eleitorais) e o ceticismo afastaram pessoas de um ideal que pode ajudar a transformar a realidade dos meios de comunicação no Brasil.
Mas o que as pessoas devem querer saber agora é quando protocolaremos o documento que será gerado pelo inconformismo e pela indignação dos que entenderam o risco a que está exposto o país por ter meios de comunicação poderosos sendo usados como arma político-ideológica independentemente do risco de massacrarem pessoas pelo caminho.
A denúncia que propus que o MSM apresente ao MP, sob minha responsabilidade pessoal, tem que ser responsável e fundamentada. Particularmente, minhas dúvidas sobre se a mídia fez aquilo que eu acho que fez são extremamente tênues. Todavia, não se pode fazer uma acusação desse jaez sem uma boa dose de segurança de que se tem argumentos e fatos para sustentar o que se afirma.
É por essas e por outras que, durante minha viagem, pessoas ligadas ao MSM - ou não - trabalharão para documentar e preparar o passo concreto, sério e sereno que será dado.
Não se pretende banalizar esse instrumento. O recurso à Justiça é legítimo e característico ao Estado Democrático de Direito, mas deve ser usado com responsabilidade e lucidez. Não se pode bater à porta da Justiça por impulso. Assim, eu e os que estão me ajudando trabalharemos com seriedade para ter pronto o documento que pretendemos entregar ao Ministério Público no menor prazo possível.
Mas o nosso tempo não será o midiático ou o das paixões, será o tempo da Justiça. Que nos seja breve.
Dados oficiais sobre a febre amarela no Brasil
Segundo o último boletim do Ministério da Saúde, encerrado dia 12/02/2008, às 18 horas, os números atualizados de febre amarela silvestre no Brasil são os seguintes: 30 casos confirmados, 15 óbitos; 21 descartados; seis permanecem em investigação.
Eventos adversos à vacina:
Até o dia 29/01, o Sistema de Vigilância de Eventos Adversos Pós-Vacina contra febre amarela registrou 47 ocorrências de casos suspeitos, todos em processo de investigação. Destes, 21 pacientes foram hospitalizados. Os dois (2) possíveis óbitos estão incluídos entre os 47 casos suspeitos.
Este coração peregrino está em expectativa. Em dois dias, atravessarei o oceano Atlântico rumo à ancestral Angola, terra natal dos antepassados de tantos dos nossos, uma terra donde tantos foram arrancados e arrastados ao Novo Mundo por gente que se dizia "civilizada".
São sentimentos conflitantes os que formam esta expectativa que me ensopa a alma tanto quando estou desperto quanto nos sonhos das últimas noites.
Por um lado, a alegria de poder ver de perto mais uma parte do mundo em que vivo. E a de poder dizer que deste blog, por incrível que pareça, resultou uma amizade que se forma como se fosse uma ponte ligando este lado do Atlântico ao outro, ligando a América à África.
Há um programa de contagem de acessos instalado neste blog que me permite ver de que partes do mundo vêm as centenas e centenas de leitores que lêem diariamente o Cidadania. Venho constatando acessos das três Américas e da Europa central. Até no Japão temos leitores. Mas surpreendia-me sempre um ponto do Mapa Mundi de onde alguém me lia, que era em Angola.
Já faz um bom tempo, o leitor angolano se manifestou neste blog via comentário. Seu nome é Raimundo Salvador e é jurista no país irmão. Quando anunciei minha viagem à África aqui pela primeira vez, ele se dispôs a ir me buscar no aeroporto 4 de fevereiro, em Luanda. Depois disso, tem se mobilizado para me auxiliar de todas as formas, inclusive buscando-me acomodações durante minha estadia em seu país.
A Embaixada brasileira em Angola também se mostra muito prestativa.
E há os amigos, como Conceição Lemes, a notória jornalista que publicou aquele verdadeiro tratado sobre a febre amarela neste site, no do Azenha e no Vermelho.org, e que me conseguiu hoje uma consulta telefônica com o doutor Jessé Alves, do Departamento de Saúde do Viajante do hospital Emilio Ribas.
É curioso que estamos entretidos aqui no Brasil com um falso alarme de febre amarela e acabamos descobrindo que aqui está se conseguindo um êxito monumental na saúde pública, e não é só neste governo. Os êxitos do Brasil no combate às endemias e às demais ameaças naturais à Saúde Pública, bem como no que diz respeito à defesa do consumidor, ao saneamento básico e a tantas outras facilidades da vida moderna que temos e às quais não damos valor, são enormes. Garanto.
Claro que há deficiências nos rincões do país e até nas grandes metrópoles, mas comparadas às deficiências que envolvem o continente africano, não são nada.
O infectologista com quem conversei graças aos préstimos da Conceição me fez vários alertas, pois para o sofrido povo africano, o que tem em sua realidade é rotina, mas para os estrangeiros aquela realidade pode ser mortal.
São precisos cuidados para se evitar as dores que afligem Mama África, terra que gerou nossos compatriotas descendentes dos seqüestrados, seviciados, humilhados africanos, de um povo que tem direito, mais do que qualquer outro, a uma reparação sobretudo de paises como o nosso, pelo mal que lhe fizemos e que dura até os dias de hoje.
Vejam que as recomendações do cientista com quem conversei hoje vão de vacinação, além de contra a prosaica febre amarela, contra hepatite A. Outros cuidados, o médico disse que não adiantaria me dizer porque recorri a ele muito "em cima" da hora da viagem e que, assim sendo, não valeria a pena "me assustar". Recomendou-me que o procurasse tão logo voltasse ao Brasil.
Mas há problemas de água potável, de alimentação, de locomoção, de hospedagem, enfim, uma miríade de problemas estranhos para quem vive numa parte do mundo que, de alguma forma - ou de todas as formas -, tirou proveitos, absolutamente sempre injustos, dos nobres povos do continente africano.
A dor de Mama África, no entanto, talvez esteja começando a ser reparada por seus algozes. Há notícias, a confirmar, de que o mundo está finalmente se voltando para a África. Claro que em busca de mais lucros... Mas, desta vez, parece que lhe estão permitindo ficar com uma parte do butim. Claro que são apenas versões. Os fatos relatarei aqui neste blog de lá do outro lado do Atlântico. Espero que me façam companhia com vossas leituras e comentários, pois me farão sentir mais perto de casa.
Não é uma gracinha a "ética" do PSDB e do DEM? Exigem, aos brados, investigação de gastos estranhos com cartão corporativo, mas desde que a investigação apresente os seguintes requisitos:
1 - Que não investigue outros níveis de governo, mesmo que seus gastos apresentem, como apresentam os do governo paulista, indícios fortíssimos de mau uso do dinheiro público, como quase duas dezenas de saques em dinheiro vivo de somas maiores que 200 mil reais, compras de bebidas, mimos de todo tipo, altíssimas despesas com aluguéis de carro, com restaurantes, com bebidas caras etc.; e tampouco se poderá investigar os sessenta e tantos milhões de reais de um único município (São Paulo), um valor quase igual ao dos gastos do governo do país inteiro
2 - Que investigue os gastos secretos da Presidência da República, mas só a de Lula, porque Lula é que teria sido "acusado" e não FHC, e que não investigue gastos do prefeito Gilberto Kassab, o prefeito de uma única cidade, que são próximos dos gastos do presidente da República e não têm contas prestadas a ninguém.
Lula é que tem que ser investigado porque ELE é que foi acusado? Como assim? Lula foi "acusado" por quem? Pela imprensa? Ora, mas FHC também foi... Lula foi acusado por alguns jornalistas e FHC, por outros. Não falo nem de mim, porque não sou jornalista mesmo, apesar de que faço jornalismo aqui. Porém, se notoriedade e espaço na grande mídia for o requisito para se acusar homens públicos, Paulo Henrique Amorim ou Mino Carta ou Luiz Carlos Azenha também são jornalistas eminentes e acusaram o tucano.
Ah, mas esses que eu citei são jornalistas "petistas", na sua opinião? Bem, os jornalistas que acusaram Lula, eu e muito mais gente dizemos que são tucanos, e daí? Acusações só valem se forem contra Lula, então?
E não se pode elogiar mesmo o PIG, não é? Foi só eu dizer que uma edição do Jornal Nacional tratou de forma correta a relação entre os gastos do governo federal e os do governo paulista para o mesmo JN se converter em porta-voz de Serra, enumerando seus argumentos para provar que o uso questionável de dinheiro público à vista, pode, mas se for a prazo, não pode.
Grande imprensa e PSDB tentam vender a teoria estapafúrdia de que não tem problema gastar em mesa de bilhar e em vinhos finos ou cachaça com cartão de débito porque o dinheiro já está na conta do Estado de São Paulo e houve autorização para gastá-lo. Autorização para gastá-lo em que, cavalheiros? No que der na telha do portador dos tais cartões "de débito" do governo Serra, como ficou demonstrado no detalhamento desses gastos.
Agora, interessante mesmo é dizerem que os gastos do governo Serra com cartão de débito estão autorizados e os gastos do governo Lula com cartão de crédito não estão. A única diferença entre eles é a de que, num caso, o Estado paga o gasto na hora, e no outro, ganha-se prazo para fazer o pagamento, e sem juros, se a fatura do cartão de crédito for quitada no vencimento. Ou seja: mais uma vez, o que deveria ser mérito do sistema federal transforma-se em demérito.
O eventual mérito da transparência do governo Lula, claro, não impede que seus gastos sejam investigados. Deveria, inclusive, haver um processo rotineiro de investigações em toda administração pública, sobre todos que manipulam dinheiro dos impostos, mas em qualquer esfera e não só naquela que um dos lados a ser fiscalizado escolha, que obviamente será o dos adversários.
Querem investigar? Acho que têm que investigar. Mas quero saber se os políticos que governam o país gastam direito e se aqueles que querem ocupar o lugar deles gastam direito ou não o dinheiro público onde são governo. Ao se fiscalizar o governo maior do país e não fiscalizar o governo de esfera inferior que pretende ocupar a esfera mais alta, deixa-se de saber se quem critica faz o que prega. As notícias que se tem até agora insinuam que não faz. Certo?
Entendemos, eu e o Azenha, em mais uma das várias comunhões opinativas que nos unem, que, mesmo que o MSM possa fazer as denúncias ao Ministério Público por iniciativa sua, sem depender de abaixo-assinados e congêneres, que tornariam moroso o processo de início do questionamento judicial da mídia na difusão de notícias sobre uma jamais comprovada - e agora abandonada - teoria sobre epidemia de febre amarela urbana, que a adesão do público é vital para pressionar o MP a investigar o assunto com maior empenho e celeridade.
A mera avaliação pelo leitor, que o Azenha propõe, sobre a questão da iniciativa de denunciarmos a mídia por responsabilidade em vários casos graves de prejuízo à Saúde Pública, não compromete ninguém. Ninguém se tornará signatário da denúncia ao MP só por comentá-la. Em última instância, quem assinará o documento do Movimento dos Sem-Mídia que será entregue à instituição, serei eu. Assim, dizer se apóia ou não a atitude que o MSM irá tomar não comprometerá ninguém e servirá de termômetro da opinião pública.
Sugiro que você, que entende que uma manipulação da sociedade como essa que a mídia fez não ameaça "somente" aos pobres e miseráveis, que apóie o passo que a Organização nascida neste blog irá dar. Quero lhes afiançar que, no decorrer do processo que iniciaremos de cobrança dos meios de comunicação pelo crime de lesa-pátria que acredito que cometeram no caso do "perigo amarelo", ficará demonstrado que todos os cidadãos, de qualquer classe social, de qualquer etnia, de todas as partes do país foram expostos a risco de morte, em última instância.
Adoecer por ter se intoxicado com o vírus da febre amarela sem necessidade poderia ter acontecido com você ou com alguém que você ama. Sei de pessoas de classe média alta que não deveriam tomar a vacina e tomaram. Meu "genro", namorado de minha segunda filha, é diabético. Tomou a vacina à toa e passou mal. Um amigo meu está com câncer na garganta e convive com um buraco aberto no pescoço pelos médicos há anos. Tem imunidade fisiológica extremamente baixa. Só não tomou a vacina porque o induzi a consultar seu médico antes de se vacinar. Seguiu minha sugestão e o médico o proibiu de tomar a vacina.
Você pode comentar aqui, mas é importante que o faça também lá no blog do Azenha. Queremos - ele, eu e muitos mais - saber sua opinião. Clique sobre a pergunta do Azenha, acima, para ir ao texto que ele publicou em seu site sobre o próximo passo do Movimento dos Sem-Mídia.
Atualizado às 23:19 hs. de 12 de fevereiro de 2008
Finalmente chegou o dia pelo qual eu tanto esperava, da volta do dr. Antonio Donizeti, diretor jurídico do Movimento dos Sem-Mídia.
Queria esperar a reunião que temos nesta terça-feira para dizer-lhes alguma coisa, mas não resisto. Até porque, pela conversa que tivemos, acho que posso lhes antecipar alguns fatos.
Fato 1 - o consultor jurídico da Organização acompanhou o caso da difusão de alarmismo pela mídia referente a uma epidemia inventada de febre amarela e o estímulo dado por ela para que pessoas, "fossem de onde fossem" e "antes que fosse tarde", vacinassem-se contra a enfermidade.
Fato 2 - ele me disse que cabe, mais do que a jornalistas, reponsabilizar meios de comunicação que tornaram possível a difusão do alarmismo, com exceção do caso de certa colunista bem conhecida de todos, que teria extrapolado o exercício da profissão, tendo chamado para si a responsabilidade de exortar as pessoas a se vacinarem indiscriminadamente contra a febre amarela.
Fato 3 - há possibilidade de apresentação ao Ministério Público Federal da denúncia contra aqueles que disseminaram a notícia falsa sobre epidemia, evitando assim as instâncias estaduais do MP.
Fato 4 - luta-se por um conceito novo de respeito à rigidez das leis, que no caso de figurões geralmente tornam-se mais brandas. Portanto, como as possibilidades de sucesso dependem exclusivamente do respeito às leis e da igualdade de todos perante elas, e sabendo-se que isso não existe suficientemente - mas existe - no Brasil, as possibilidades de sucesso são questionáveis.
Fato 5 - talvez precisemos contar com o apoio explícito de um grande número de pessoas à denúncia que queremos fazer de que a mídia, ao menos nessa questão da febre amarela, cometeu um crime.
Fato 6 - a disseminação do alarmismo pelos meios de comunicação matou 4, 5 pessoas, que eu saiba, e levou dezenas e dezenas de outras a adoecerem. E, como se não bastasse, esses meios colocaram talvez milhões de vidas em risco, pois não se sabe quantos incompatíveis com a vacina vacinaram-se sem necessidade.
Esses seis fatos nos levam a duas situações concretas, das quais teremos que escolher apenas uma.
Centenas e centenas de pessoas - e talvez sejam até milhares - ficaram indignadas com o que a mídia fez e se manifestaram em centenas de blogs, sites, em conversas de bar, com suas famílias, com amigos, nas escolas, no trabalho, enfim, um setor amplo da sociedade revoltou-se contra a disseminação de pânico que a mídia fez.
A escolha é entre tomarem uma atitude contra o que as indignou ou deixarem por isso mesmo, expondo o país a outro capricho midiático que eventualmente seja decidido pelos meios de comunicação e termine por matar mais gente, mesmo sendo como efeito colateral.
Não sei se será feito por abaixo-assinado ou se podemos fazer por moto próprio, mas, como eu disse antes que faria, tentaremos fazer.
Não é possível que os inocentes que acreditaram na mídia e morreram ou adoeceram porque correram para se vacinar e tinham incompatibilidade com o medicamento, e até os que se expuseram a risco por tomarem a vacina sem razão, tornem-se vítimas, além daquilo que os vitimou, da impunidade de QUEM os vitimou.
Queremos justiça. Por isso, enquanto eu estiver fora será estudado por outras pessoas qual o melhor caminho para se impedir que esse crime que foi cometido neste país fique impune. Se tudo der certo, quando eu voltar tomaremos uma atitude.
Retificação
Recebi um telefonema da jornalista especializada em Saúde Conceição Lemes, de quem vocês leram o verdadeiro tratado sobre febre amarela. Ela me deu uma informação que preciso tornar pública a fim de não incorrer em erros. Por enquanto, só há uma morte comprovada por vacinação imotivada contra febre amarela. Porém, já há notícia, a confirmar, de uma segunda morte. Até o fim do dia terei a informação correta sobre as mortes confirmadas por vacinação desnecessária contra febre amarela.
Era FHC
Lembram-se daquela historinha que lhes contei aqui no começo do mês sobre a chef de couisine de FHC, Roberta Sudbrack? Lembram-se de que eu não consegui lhes dizer, naquele post, quanto ela ganhava? Pois o Paulo Henrique Amorim conseguiu descobrir quanto eu, você, todos nós, contribuintes otários, pagávamos pelas mordomias do tucano: 12 mil DÓLARES por mês.
Aí fíca fácil entender por que a oposição, tão ética, resolveu compor com os governistas em troca de não fazerem a comparação entre os gastos de Lula e de FHC. A comparação mataria o PSDB.
Leitor do Azenha
No site do Azenha, que, como sempre, está apoiando a próxima iniciativa dos sem-mídia, um comentário de um leitor à chamada que Azenha fez sobre o passo que pretendemos dar na questão da febre amarela, vale a pena ser lido.
"Prezados, sugiro uma observação atenta ao "SBT Brasil", comandado por Carlos Nascimento, a esse respeito. No auge da 'crise' da febre amarela (em uma edição entre os dias 07 e 11 de janeiro), tal telejornal apresentou uma reportagem em que uma mulher, no Rio de Janeiro (área que até mesmo o PIG dizia inexistir qualquer risco de contágio), bradava numa fila por ter acabado o estoque da vacina naquele dia. Dizia a senhora que era "um absurdo ela, enquanto contribuinte, não ter acesso à vacina". A reportagem era concluída com a repórter afirmando que o Ministério da Saúde alegava que havia vacina em número suficiente, mas que - dado o alarme do momento - pessoas já vacinadas estavam se "re-vacinando", por desorientação ou por terem se esquecido de que já estavam prevenidas. Pois bem. Terminada a reportagem, surge Carlos Nascimento, em close, dizendo mais ou menos o seguinte: "o cidadão não tem obrigação de se lembrar ou não se tomou a vacina. O governo que diz que tem vacina pra todos que tem a obrigação de garantir vacina pra todos". Questão 1: quando somos vacinados, recebemos um cartão de vacinação. Somos obrigados a guardá-lo e, portanto, nos lembrarmos se tomamos ou não a vacina; questão 2: o governo não tem obrigação de, ele, lembrar por nós se fomos ou não vacinados; questão 3: o governo não poderia condescender com uma "re-vacinação", justamente para não incentivar uma prática que, ao cabo, representava risco de saúde pública (conforme, aliás, se confirmou com o adoecimento e até a morte de pessoas que tomaram a vacina mais de uma vez); questão 4: o comentário de Nascimento, irresponsável por sugerir que o governo deveria vacinar a todos indiscriminadamente, também foi leviano na medida em que não checou a informação sobre as contra-indicações e os efeitos colaterais da vacina. Sugiro, portanto, que o jornalista Carlos Nascimento e o SBT também sejam processados. Daniel"
Informar com seriedade
O que de principal pessoas como eu cobram da mídia é a qualidade da informação. Assim, cumpre-me passar a vocês qual é a situação real das vítimas da vacinação desnecessária contra a febre amarela, segundo informações da jornalista Conceição Lemes.
Até o momento, tem-se confirmação de 2 óbitos ainda apenas suspeitos de terem sido causados por vacinação desnecessária. Contudo, essas pessoas passaram mal e adoeceram ou morreram logo depois de terem se vacinado. O prazo estimado para confirmação ou eliminação das suspeitas (de mortes e de pessoas que adoeceram) será de uns20 dias. Relatórios oficiais falam de casos "fortemente suspeitos". Finalmente, os que adoeceram depois da vacinaçção somam 46 pessoas. Ainda não temos informação de quantos permanecem internados, e todos os casos ainda são só suspeitos, ainda que, segundo relatórios disponíveis, "fortemente suspeitos".
Para os que estão chegando agora a este blog e não sabem muito sobre mim, devo explicar que, para viver, viajo a outros países para fechar contratos de exportação para indústrias brasileiras.
Faço isso há mais ou menos uns quinze anos, mas sempre restringi minha área de atuação à América Latina. Ano passado, por exemplo, com exceção das Guianas e do Suriname, visitei todos os países sul-americanos e o Panamá.
Agora, descobrimos que, por conta das viagens deste governo e sobretudo de Lula à África a partir de 2003, o Brasil está vendendo muito a Angola, um país que está sendo reconstruído e, inclusive, que está crescendo a taxas estratosféricas, que já chegaram próximas aos dois dígitos.
Por conta disso, farei uma que espero ser a primeira de várias viagens ao continente africano, ao continente esquecido pela humanidade, no qual, à diferença de todas as outras partes do mundo, certos indicadores sociais pioram ano a ano.
Embarco para Angola no dia 16 e devo ficar por lá cerca de duas semanas. Não será uma viagem fácil. Há questões de infra-estrutura, os preços de acomodações, por exemplo, são exorbitantes num país em que ainda falta de tudo. Um hotel três estrelas pediu-me mais de 200 dólares pela diária.
Estou driblando uma dificuldade com visto para entrar no país. O agente de viagens fez o favor de não me avisar de que era necessário e só descobri em cima da hora, mas acho que dará tudo certo.
Por outro lado, alguns contatos que já mantive com o país revelaram-me um povo amistoso, cheio de ligações culturais conosco e que precisamos conhecer melhor. Assim, relatos e imagens de Angola é o que vos prometo para o futuro próximo, sem falar na visão "de fora" do Brasil, que a transmitirei pelas próximas duas semanas.
Espero que tenham gostado do vídeo sobre o próximo país que visitarei. Angola, o pais ancestral de tantos dos nossos, encrustado no continente esquecido que todos, num país como este, temos a obrigação de lembrar.
Domingão, fim de tarde, a família todinha reunida na sala, até a filha casada, a neta, o genro e um amigo dele...
Estão também, além de mim, de minha mulher, meu filho (mas já saindo para ir namorar... Ou seria noivar?) e minha segunda filha e o namorado. E, claro, meu eterno bebê, a Victoria, de 9 anos.
Até a poodle branca dela está junto, criaturinha que se aconchega junto ao corpo (a qualquer parte do corpo) de qualquer um que seja da família ou amigo habitual da família. Porém, a cadelinha, às vezes, acha que é um pitbull e começa a ameaçar, rosnando, todo aquele que lhe estiver na frente e que ela já não tenha visto, pelo menos, umas dez vezes.
Pensando bem, acho que a Kimie (a poodle branca) tem razão, de certa forma. Ela procura, primeiro, certificar-se de que aquele que se aproxima de sua família não é uma ameaça a ela. Só que, infelizmente, se formos depender dessa pequena e adorável criação de Deus, estaremos fritos, pois ela deve ter nem 5 quilos e não mede nem 50 cm da ponta do rabo até o focinho...
Vocês devem estar se perguntando: "o que é que deu no Eduardo?" Falta de assunto? Olhe, pessoal, será que nós da blogosfera não deveríamos nos dar ao menos "Um dia sem política" na semana?
Dizem que Bob Marley, uma vez, depois de ter sido atingido a tiros, dois dias depois já estava fazendo um show e pregando a paz. Perguntado sobre por que fazia aquilo se mal se recuperara do atentado que sofrera, explicou, não exatamente com estas palavras, o seguinte: "Os que querem fazer do mundo um lugar pior, não descansam um minuto. Então, quem prega um mundo melhor não pode fazer por menos".
Contei essa história para fazer uma comparação reversa: não acho que alguém aqui ou lá esteja salvando o mundo ao lutar contra "o mal" - que, obviamente, é o outro - ao ponto de não poder relaxar de vez em quando. Só que num dia comum a todos, para ninguém ser surpreendido por briga política.
Será possível que quem está na disputa política, seja no lado que for, não pode aceitar ao menos um dia sem dizer tucanalha, petralha, PIG, esquerdopata, direitopata ou seja lá mais o que for? Afinal de contas, somos pessoas civilizadas ou bárbaros que desconhecem o quartel necessário até na mais ferrenha das guerras?
Aonde será que nos leva tudo isso?
Há, sim, alguma coisa de positivo nessa luta política toda. Ao menos nunca antes neste país cobrou-se tanto a ética de todos, desde da sociedade até do Estado, passando pela imprensa, pela igreja e até por outros países.
Mas, convenhamos, vocês às vezes também não ficam de saco cheio da política?
Tomei conhecimento de alguns casos relativos ao Ibest que os organizadores da premiação deveriam investigar.
Na categoria Saúde, por exemplo, li relato de um comentarista do blog de Luis Nassif que me caiu mal. Segundo o comentarista, uma clínica de beleza estaria inflando a própria votação ao vinculá-la a um sorteio de tratamento de beleza. Enquanto isso, um site sério como o do dr. Drausio Varella, que chega a ser de utilidade pública, está perdendo desse site da tal clínica.
Nas categorias correlatas à política, algumas pessoas têm confessado abertamente, aqui neste blog e em outros, que estão votando em determinados blogs usando dois, três e-mails diferentes e mudando seus nomes. Por favor, que ninguém faça isso em favor deste blog.
O Ibest é uma grande idéia e pode servir de referência aos internautas sobre que páginas na internet são realmente mais populares, o que não significa que tenham mais ou menos acessos. Há blogueiros da mídia corporativa que têm milhares de leitores por dia e que, assim mesmo, estão mal na votação, simplesmente porque seus leitores não são necessariamente seus admiradores.
O Ibest deveria promover uma auditoria paralela ao andamento das votações a fim de evitar que alguém aumente sua pontuação às custas de artificialismos e de expedientes desonestos. E, em caso de detectar fraude, o Ibest deveria apresentar o resultado da investigação dizendo quem foi beneficiado por expediente desonesto, ainda que seja possível que o beneficiado não tenha culpa.
Claro que minha recomendação não deve servir para que quem esteja insatisfeito com a própria colocação na disputa use sua posição política - ou coisa do gênero - para dizer que está sendo "roubado", pois fraudes podem ser cometidas por quem é de direita, de esquerda, de centro ou sei lá mais o que. A atenção deve ficar sobre os interesses individuais que podem estar gerando tentativas pontuais de fraude.
De resto, aconselho os concorrentes a não soltarem foguetes ou a não ficarem decepcionados antes do término da votação, que só ocorrerá daqui a meses. Até lá, muita água vai passar por baixo da ponte...
A falta de seriedade no trato dos assuntos de interesse público pelo jornalismo politicamente engajado gera factóides que sucedem-se e desaparecem no espaço de semanas.
Só para ficarmos em exemplos recentes, assuntos que provocaram catarse na opinião pública - e que chegaram a influir perniciosamente na vida das pessoas - viraram pó, tomaram chá-de-sumiço, escafederam-se do noticiário, porque não passavam daquilo que já disse, factóides.
Há poucos dias, inflaram movimentos episódicos da Bovespa que geraram queda nas cotações por conta do alarmismo midiático, que produziu (poucos) ganhadores e (montes de) perdedores por conta da crise econômica americana. A oposição e a mídia esfregaram as mãos, antevendo menor crescimento da economia e do emprego, o que lhes permitiria, oxalá, chegarem a 2010 com discurso para enfrentar a sucessão presidencial.
Apesar dos reiterados desmentidos das autoridades federais, fabricou-se um "apagão" de energia elétrica que viria no futuro próximo. Diante do aprofundamento posterior e tardio da mídia num assunto técnico que ela tratou com viés político, o tal "apagão" deixou de ser "noticiado".
Mas o que mais evidencia a irresponsabilidade desvairada da mídia é a epidemia imaginária de febre amarela vendida ao país como sendo real, o que fez dezenas de pessoas serem internadas por overdose de vacina contra a doença e chegou a matar algumas. Cadê a contagem das vítimas fatais? Cadê a contagem de pessoas com suspeita de terem contraído a moléstia?
No último golpe do vigário midiático, o dos cartões corporativos, mídia e oposição deram com os burros n'água. A persistência no assunto e as comissões parlamentares de inquérito já assustam mídia e oposição, pois a investigação profunda do assunto rebaterá nos gastos nababescos da era FHC, na era dos Romaneé-Conti, da chef de cuisine do ex-presidente tucano, Roberta Sudbrack, e em poucos dias também esse caso irá para as calendas.
Então, que tal nos anteciparmos em relação ao próximo golpe?
Um passarinho, que trabalha na editora Abril, telefonou-me para avisar que o próximo passo da mídia oposicionista e de seus mentores tucanos e pefelistas será a polêmica das ONGs.
Essa banalização do jornalismo investigativo é o que de pior pode acontecer ao país, no que concerne à necessária fiscalização da imprensa sobre os governos. Esse tipo de jornalismo é necessário em qualquer democracia digna do nome, mas, no Brasil, está se equiparando à fábula de Pedro e o Lobo, na qual um garoto que dava alarmes falsos sobre a fera, quando ela apareceu de verdade ninguém acreditou nele.
O dicionário define o substantivo feminino fobia, na rubrica psicopatologia, como um "estado de angústia impossível de ser dominado, que se traduz por violenta reação de evitamento e que sobrevém de modo relativamente persistente, quando certos objetos, tipos de objeto ou situações se fazem presentes, imaginados ou mencionados"
As páginas de opinião da Folha voltaram a atacar os blogs. Para variar, como em tudo em que aquele e outros veículos "fecham questão", sem permitir contraponto.
Um leitor conseguiu a façanha de comentar a coluna de Fernando de Barros e Silva de sábado, reproduzida parcialmente no post abaixo e que atacou os blogs políticos, sendo que a Folha fecha suas edições do fim de semana na sexta-feira. Mas acontece que o leitor fez um comentário de alto interesse para o jornal e, portanto, deram um "jeitinho" de incluí-lo, em cima da hora, na edição dominical:
"Gostaria de parabenizar o jornalista Fernando de Barros e Silva pela sua postura íntegra, isenta e profissional como colunista da Folha. Infelizmente vivemos um momento de rebuliço quanto ao que seja jornalismo diante da explosão dos blogs ditos jornalísticos, mas que em sua essência são puro mimetismo da militância A ou B. É péssimo para o verdadeiro jornalismo qualquer aproximação com o que possa ser chamado de blog, principalmente os que de alguma forma estão ideologicamente alinhados aos principais partidos, PT e PSDB." JAIRO SANTOS AQUINO (Vitória, ES)
Mas interessante mesmo foi a coluna dominical dela, da musa do "perigo amarelo", Eliane Cantanhêde, mulher do marqueteiro do PSDB. Conseguem adivinhar do que ela tratou? Não adivinham? Eu conto: de (falta de) responsabilidade. Justo aquela que exortou as pessoas, fossem de onde fossem, a se vacinarem contra a febre amarela "antes que fosse tarde". Só que, desta vez, ela vem tratar de assunto pernicioso não à saúde das pessoas, mas à liberdade de expressão:
"(...) Os petistas e tucanos de internet, essas novas categorias do cenário político, irresponsáveis e agressivas, ficariam surpresíssimos se ouvissem a troca de elogios que Serra e ilustres lulistas trocam fora dos holofotes (...)".
É bem interessante que alguém que tem interesses diretos na luta político-partidária por ser casada com alguém pago pelo PSDB para engendrar formas de promovê-lo e de desmoralizar seus adversários, e que, portanto, tem interesses particulares nas questões políticas, tenha coragem de acusar gente como eu, que jamais, em 48 anos de vida, nem sequer me aproximei de político nenhum.
Mas o importante não é a cara-dura do PIG ou dos leitores providenciais que escrevem o que a Folha quer na hora e medida certas para sua nova campanha, agora contra os blogs que fizeram a grande mídia ter que noticiar o cinismo dos tucanos, que acusaram os petistas por causa dos cartões apesar de que usam mais esse instrumento do que eles e, pior, que não prestam contas com a mesma transparência.
O importante - e o que é motivo de júbilo para nós - é que a mídia sentiu o golpe. Não se chuta cachorro morto nem amarrado, turma.
Eles querem a exclusividade para transmitir informações e opiniões. Querem escolher quem deve opinar e o que deve ser opinado. Querem impor limites à opinião de que não gostam e liberar geral aquela de que gostam. Eles que vão se ferrar. Não conseguirão. Mais uma vez.
Agora, digna de comentário é a burrice dos leões-de-chácara do PIG. Aliada à arrogância, impede essa gente de entender que ao criticar os blogs "tucanos e petistas" sem dizer por que, fazem as pessoas pensarem. E pior ainda é que fazem isso num momento no qual quem lhes criou "problemas" foram os blogs que julgam "petistas", como este aqui, não os blogs tucanos. Mas eles acreditam piamente na burrice do leitor. Por isso estão perdendo tanta credibilidade.
Eu venho escrevendo isso e enviando às redações dos jornais faz quase uma década e meia: quando se quer enfrentar alguém intelectualmente, a melhor forma é em campo aberto. Calar o contraditório, como a mídia sempre tenta fazer em todas as questões em que "fecha questão", é despertar naquele que busca formar a própria opinião curiosidade para saber o que o outro lado tem a dizer. Quando se tenta debater sozinho, aos poucos as pessoas vão percebendo que esse que faz isso teme o debate.
A nova campanha da mídia, agora contra os blogs, vai pelo mesmo caminho da tentativa de vender o uso dos cartões corporativos como prática corrupta petista - cairá logo por terra. E isso irá acontecer porque a mídia quer demonizar blogs sem dizer por que e sem dar aos signatários desses veículos a chance de se defenderem. Quem tiver cérebro vai perceber, e depois irá desconfiar. E o PIG, cedo ou tarde, colherá outra derrota, que ora semeia inadvertidamente.
Mas o ombudsman discorda do PIG
De Fernando de Barros e Silva, de Eliane Cantanhêde e do tal leitor blogofóbico. Vejam, abaixo, a última coluna dominical de Mario Magalhães.
"Uma falha da cobertura evidenciou-se anteontem, com a primeira informação sobre o uso de cartões pelo governo do Estado de SP. Por que o jornal passou semanas fiscalizando só um nível da administração, descuidando-se de outros dois (incluo o governo da capital)?
A pedido de leitores, indaguei à Redação se ela tinha a notícia havia mais tempo.
Resposta:
'A reportagem do jornal recebeu uma lista de uma fonte do PT na sexta-feira véspera do feriado. Apenas com o papel, não havia como comprovar nem a autenticidade nem a veracidade dos números. Fizemos desde o primeiro instante o trabalho de apuração necessário, seguindo os procedimentos de checagem que constam do "Manual da Redação". O feriado infelizmente dificultou e atrasou esse trabalho, já que nem o governo de São Paulo nem a Assembléia Legislativa trabalharam até quarta-feira'.
'Quando conseguimos fechar a apuração, publicamos o resultado com o destaque que o jornal considerou devido.'
Em minha opinião, o problema não é pontual. Por que a Folha esperou a denúncia partidária para investigar os cartões "paulistas"? Cabe ao jornalismo monitorar o poder, todos os poderes, sem exceção nem seleção.
E com sobriedade."
Minha última pergunta: A Folha checou o quê ao acusar o governo federal no caso dos cartões? Ela simplesmente repetiu as ilações dos tucanos e pefelês. Mas quando a acusação é contra Serra, precisa checar detalhe por detalhe. Caras-de-pau.
Agora, pessoal, vamos falar sério: esse ombudsman da Folha, o Mario Magalhães, é um sujeito sério mesmo, hein. Eu o respeito cada vez mais.