Comentários

 

 

Percebo que alguns de vocês têm até desanimado de postar comentários devido à demora que tem havido para liberar vossas considerações sobre os posts. O que acontece é que há muita dificuldade para conseguir usar Internet.

 

Mas peço que, apesar da demora na liberação, continuem fazendo essas considerações. Lê-las me faz sentir mais perto do meu país, do qual a saudade já começa a apertar.

 

Pretendia escrever e postar fotos, mas amigos angolanos vieram me buscar para um jantar e, lamentavelmente, só amanhã (domingo) é que poderei escrever, porque não terei conexão com a Internet disponível quando retornar, tarde da noite.

 

É lamentável que não esteja podendo escrever tanto quanto gostaria, devido ao trabalho e à dificuldade de acesso à Internet, mas levo muita informação sobre esta viagem ao Brasil.

 

Peço que insistam nos comentários. Cada um deles tem sido uma preciosidade para mim. A solidão começa a me incomodar.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 14h33
[] [envie esta mensagem]



 

Pecado original

 

 

 

 

A metáfora bíblica sobre a expulsão dos pais da humanidade do Paraíso, alude ao fruto proibido, ou seja, ao sexo, mas ela tem um sentido mais profundo, o de o homem ter posto seus desejos, ambições e vaidades acima do sagrado.

 

 

O pecado original da humanidade foi metaforizado como sendo o ato sexual. Mas seria o sexo, em qualquer de suas manifestações, uma violação do sacrossanto, ou o que viola o bem é fazer o mal – e sexo não é mau, é bom - ou permitir que ele prevaleça?

 

 

A foto acima – e as outras deste post -, colhi durante viagem de três horas que tive que fazer para visitar uma empresa no paupérrimo bairro luandense que leva o nome irônico de “Golfe 2”, de um esporte de elite, de ricos, referindo-se a um lugar em que o esgoto corre a céu aberto por toda parte, as casas mal param em pé, as ruas são oceanos de poeira e lixo.

 

 

Essa criança que mal transparece da foto que principia este post, que se confunde com lixo como se dele parte fosse, coberta de mosquitos, portadores da famigerada malária e de tantas outras doenças terríveis, suja, abandonada, carente de carinho, de cuidados, de preparação para a vida, é responsabilidade minha – e vossa.

 

 

Esse é o pecado original da humanidade, é essa miséria com a qual esbofeteamos uns aos outros e ao Criador. 

 

A miséria abjeta que vocês vêem, que constrasta com os carros luxuosos, gerando uma cena bizarra, na qual o símbolo do consumismo navega pelo inferno da iniquidade e da carestia sem par que afetam mais o continente africano, é verdade, mas que se fazem presentes até num país tão rico e industrializado como o Brasil.

 

Pelo menos a África tem desculpa para os sofrimentos que a afligem. E Angola, tem muitas, flagelada por décadas de guerra. Mas e o Brasil, com sua indústria pujante, suas riquezas inesgotáveis, que desculpa tem?

 

 

Portugal volta a Angola

 

 

Em todas as empresas que visitei em Angola, do segmento de autopeças, os portugueses são seus donos ou estão nos postos comando – portugueses brancos.

 

 

Não quero promover nenhuma crucificação extemporânea de Portugal por conta de seu colonialismo, que flagelou Brasil ou Angola, entre outros, por centenas de anos, mas esperava encontrar mais angolanos gerindo as empresas que tenho visitado.

 

Aliás, muito provavelmente minha próxima viagem será a Portugal, por força de as centrais de compras das empresas serem lá e de eu ter descoberto que há um enorme mercado para meus produtos naquele país.

 

Mas esse fenômeno da predominância estrangeira nas empresas que exploram Angola provavelmente se trata de um fenômeno do segmento em que atuo (será?), mas a notícia aqui é sobre a enorme presença de Portugal em Angola, ainda que Brasil e tantos outros países estejam vindo cada vez mais para cá.

 

Espera-se que o povo angolano fique atento para que não volte a ocorrer em sua pátria uma espécie de neocolonialismo, no qual os donos do país participem como coadjuvantes do verdadeiro “espetáculo do crescimento” que está em cartaz.

 

A invasão estrangeira, claro, em princípio é benigna, mas o que tenho escutado de estrangeiros que estão explorando as riquezas angolanas, deixou-me preocupado.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 16h45
[] [envie esta mensagem]



Eldorado africano 2
 
 
Hoje não ilustrarei a matéria com fotos porque, por falta de profissionalismo, esqueci a câmera nos meus aposentos e estou longe de lá.
 
Ontem, acabei não explicando muito bem o por que de eu ter classificado Angola como Eldorado. Então, explico agora : não há lugar na face da terra em que se pode lucrar mais do que no país em que me encontro.
 
Por força da demanda maior do que a oferta, o que caracteriza os negócios no mundo contemporâneo, que é a necessidade de preços cada vez mais baixos, em Angola é um fator totalmente secundário. A lucratividade possível de se obter neste país é, sem sombra de dúvida, a maior do mundo.
 
Mas o assunto de hoje é o processo de evolução cultural desse povo.
 
Enquanto esperava a chamada para meu vôo na área de embarque do aeroporto do Galeão, um brasileiro, em meio aos tantos angolanos que esperavam para embarcar, percebeu que eu era seu compatriota e puxou conversa.
 
A segunda e óbvia pergunta que nos fizemos, depois de um perguntar ao outro se éramos brasileiros, foi sobre o que cada um iria fazer naquele país.
 
Eu, vocês já sabem, mas meu interlocutor me informou que estava viajando àquele país para ministrar um curso de liderança de equipes. Fiquei surpreso, obviamente, por conta do estereótipo que há sobre os países africanos. Era muita sofisticação para um país tão pobre...
 
Conversando com interlocutores variados, vou descobrindo os cursos universitários, a paixão pela informação, pela leitura, gente querendo importar livros, ler blogs e sites de outros países... Angola se aprimora intelectualmente, mesmo que em setores ainda restritos da sociedade.
 
 
Honestidade impensável
 
 
Não terei muito tempo para escrever hoje, por conta de um problema sério que tive, mas que me revelou que há uma ética intrínseca neste povo que pode fazer corar muitos brasileiros.
 
O que me ocorreu foi o seguinte: vocês se lembram de que eu lhes disse que por falta de transporte público e táxis tive que alugar um carro com motorista. Mas o preço que eu disse que me cobraram (100 dólares), pensando bem, não é alto. Mas eu me enganei. Não era esse o preço.
 
Eu perguntei à moça da locadora quanto me custaria o aluguel do carro com motorista até sexta. Ela me disse 350 dólares (da metade da terça até sexta). Bem, ela me informou mal.
 
Como ontem me pediram pagamento dos primeiros dias, enviei metade dos 350 dólares. Então, surpresos com o valor (por razão que explicarei a seguir), pediram que no fim do dia eu fosse à locadora conversar.
 
O resumo da ópera é que a moça da empresa me informou mal, pois os 350 dólares eram por dia. Tomei um susto enorme. Eu não tenho fundos para pagar tudo isso. Então, fiquei com medo. Não teria como pagar mais de mil dólares pelos 3 dias e meio de uso do carro com motorista. Logo pensei no que iriam fazer para receber a diferença...
 
Acredite quem quiser, mas a moça que me deu a informação equivocada reconheceu que não me informou direito e a empresa arcou com o prejuízo.
 
Juro a vocês que fiquei emocionado com a atitude dela. Viajo por este mundão de Deus há muito tempo, mas nunca vi uma atitude tão correta na minha vida.


 Escrito por Eduardo Guimarães às 13h35
[] [envie esta mensagem]



Folha e IURD

 

 

Tenho tido muito pouco tempo para me informar sobre o Brasil, mas essa polêmica entre a Folha e a Igreja Universal é muito divertida. Pensem bem: como tomar partido numa desinteligência entre duas instituições sobre as quais pesa tanta polêmica?

 

A Folha, para variar, errou. Foi preconceituosa e irresponsável ao fazer suposições sobre a IURD, de que a Igreja usaria o dinheiro dos dízimos para  “esquentar” dinheiro obtido de forma ilegal.

 

O jornal não faria tais suposições sobre a Igreja Católica nem tendo motivos melhores do que aqueles que apresentou contra a IURD, ou melhor, que não apresentou.

 

Além disso, “seita” por que? Eu sou católico (não-praticante), mas, se alguém viesse chamar de “seita” a igreja em que fui batizado, crismado e na qual me casei, eu não iria gostar.

 

Claro que há vários aspectos da operação da Igreja Universal que são questionáveis, para dizer o mínimo. Mas como se trata da fé alheia, de uma fé que muita gente séria e instruída acalenta, é preciso respeitá-la. E mesmo que só gente humilde e sem instrução acalentasse, teria que acontecer o mesmo.

 

Fé, antes de tudo, é um sentimento. Não se pode ferir os sentimentos das pessoas de forma tão contundente sem uma boa razão, e a reportagem da Folha que a IURD questionou não oferece provas de nada, razão nenhuma.

 

Esse jornalismo de “teste de hipóteses” que infesta o Brasil, já passou dos limites há muito tempo. Por isso, a Igreja Universal, mesmo com todos os questionamentos sérios que pesam sobre si, está prestando um serviço público ao processar a Folha. Tomara que ganhe a causa.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 09h25
[] [envie esta mensagem]



Eldorado africano I

 

 

Centro de Luanda

 

Por força da escassez de tempo que tenho tido para escrever, devido às incessantes reuniões de negócios aqui em Angola, dividirei em capítulos a reportagem que estou escrevendo sobre este país. 

 

Na noite da quinta-feira, jantei com um importante empresário angolano,  que me foi apresentado por meu amigo Raimundo Salvador, que tem sido um grande companheiro aqui nesta terra. O empresário me contou uma história que ilustra bem a espantosa peculiaridade da economia do país que ora visito.

 

 Luanda se vê

 

Contou-me que houve época em que se podia comprar uma caixa de cerveja no exterior, vendê-la em seu país e, com o lucro da venda, viajar para qualquer parte do mundo. Uma caixa de cerveja chegou a custar mil dólares em Angola.

 

Tudo se resume à boa e velha lei da oferta e da procura. Durante as três décadas de luta armada que irmão travou contra irmão nesta terra sofrida, mas que caminha, com velocidade impressionante, para se tornar talvez um dos países mais ricos do mundo em algum dia futuro, tudo que não fosse absolutamente essencial à sobrevivência era artigo de luxo.

 

Luanda à beira-mar

 

Não se sai incólume de uma guerra civil de trinta anos. Muito menos com rapidez, apesar de que Angola está conseguindo essa façanha. Segundo me tem sido relatado, quem tem como comparar o país de hoje com o de cinco anos atrás, no pós-guerra, diz que aqui aconteceu um milagre.

 

Não que tenham desaparecido a terrível pobreza, a criminalidade, a gritante falta de infra-estrutura básica, em suma, todos problemas sociais terríveis inerentes ao Terceiro Mundo e que na África geralmente são piores. Mas é fácil notar como este país está enriquecendo rapidamente.

 

Restaurante na Ilha de Luanda

 

Se eu tivesse que escolher um símbolo da pujança econômica angolana, escolheria os carros de luxo sem pensar. A quantidade de carros caríssimos que se vê nas ruas de Luanda, carros que num país como o Brasil só os muito ricos têm, é espantosa. Na maioria, são camionetes asiáticas novas em folha. E numa profusão que terminou por paralizar o trânsito de uma cidade de cerca de cinco milhões de habitantes. Pode-se demorar três, quatro horas para fazer um percurso de 20 quilômetros na capital angolana. Percursos que a pé podem ser feitos em 15 minutos, de carro podem demorar uma hora e meia ou mais.

 

Padrão dos carros em Luanda

 

O que acontece é que, por conta do petróleo e dos diamantes, empresas transnacionais do mundo inteiro estão vindo para Angola com seus executivos, trabalhadores e suas famílias. A empreiteira brasileira Odebrecht, por exemplo, chegou ao ponto de ter um guichês para check-in nos aeroportos do Galeão, no Rio, e 4 de fevereiro, em Luanda. Condomínios fechados de altíssimo luxo até para o Brasil, como Luanda Sul ou Talatona, foram criados para receber famílias brasileiras, americanas, alemãs etc.

 

Bernardo, meu motorista em Luanda

 

O resultado disso é que não há imóveis para alugar em Luanda. Quando se acha um imóvel modesto, como por exemplo um apartamento do tipo dos da Cohab, este pode custar até 3, 4 mil dólares. Os hotéis só aceitam reservas com meses de antecedência e as diárias chegam a custar 200, 300 dólares num três estrelas. E não há vagas.

 

 

Luanda não anda

 

 

Mas não é só para os estrangeiros que os preços são altos. Em Luanda, o transporte público é dotado de pouquíssimos ônibus. O que transporta os luandenses são as vans, que se espalharam pelo Terceiro Mundo. Preço da passagem: 4 dólares.

 

E não há táxis. A solução, para quem vem de fora e precisa se locomover com rapidez, é alugar carros com motorista. Eu, por exemplo, aluguei uma Pajero com motorista por 100 dólares ao dia.

 

Dificilmente se consegue uma refeição num restaurante por menos de 20, 25 dólares. Mas, às vezes, os preços extrapolam. Hoje pela manhã, como saí muito cedo para trabalhar, tive que desjejuar na rua. Entrei numa cafeteria e pedi uma xícara de café com leite, um suco de laranja e um croissant e paguei 14 dólares.

 

O lado bom disso tudo, é que o angolano que tinha um apartamentozinho modesto, por exemplo, consegue lucrar coisa de cinco mil reais por mês com o aluguel. Outros, vão ao Brasil e a outros países fazer compras. Compram itens básicos como lingerie feminina e, devido à alta procura por tudo, por bens de todos os tipos, conseguem lucrar, muitas vezes, mil por cento.

 

Amanhã publicarei mais um capítulo sobre uma das experiências mais impressionantes de minha vida. Acho que não existe outro país como Angola, com suas contradições e promessas de um futuro glorioso, desde que o Estado e os próprios angolanos tenham a verdadeira dimensão do que está acontecendo.

 



 Escrito por Eduardo Guimarães às 17h12
[] [envie esta mensagem]



Responsabilidade

 

Quem não conhece,  não pode imaginar o que é Angola e, mais do que isso, a África. Apenas começo a conhecer este país, mas não quero escrever sobre ele assim, cansado, depois de um dia de trabalho árduo sob o calor escaldante daqui. Fazê-lo seria irresponsabilidade.

 

Este é um país complexo, com uma realidade diferente de tudo que conhecemos. Tenho miríades de fotos, informações e curiosidades, sobre uma realidade tão diferente da que nós, americanos, conhecemos que vocês não fazem ideia.

 

Porém, retratar o país em que estou tem que ser feito com responsabilidade, para não magoar o povo daqui, de um país em que tanta gente lê o que escrevo.

 

Tenho responsabilidades para com este povo, para com este país que me surpreendeu, e que está me recebendo tão bem não só por encontrar tantos leitores, mas pelo carinho que esses leitores que estou conhecendo têm me dispensado.

 

Por tudo isso, peço vossa paciência, porque no fim de semana escreverei mais tranquilamente. Preciso tentar explicar o que acontece em Angola. Tanto do ponto de vista dos negócios como do ponto de vista humano, sociológico.

 

Até lá, escreverei o que for possível escrever de forma responsável. Cansado como estou, fatigado pelo calor e pelo trânsito mais complicado do mundo, sem exagero, tudo que eu disser a mais será irresponsável . Então peço que aguardem.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 18h08
[] [envie esta mensagem]



Mundo versus PIG

 

Hoje almocei com Márcio  Luiz Jordão Carneiro da Cunha, titular do escritório do Banco do Brasil em Angola. A conversa que tivemos revela bem como é estapafúrdia a situação política criada pela mídia no Brasil.

 

Ele é funcionário de carreira do Banco do Brasil e, assim sendo, vem desempenhando missões no exterior há muito tempo, tendo passado, nessas missões, por vários governos.

 

Começamos a conversar sobre a situação política no Brasil e ele, apesar de ter dito que não votou em Lula, não conseguiu se conformar quando lhe contei as críticas que o presidente sofreu quando fez o Brasil se voltar para a África desde seu primeiro ano de governo.

 

Fui para essa reunião com um comentário de um leitor deste blog postado aqui nos últimos dias em que, a exemplo do que fez a grande mídia durante as viagens de Lula à África ainda em seu primeiro mandato, essa pessoa ridicularizou a importância dada pelo governo brasileiro a Angola e a outros países do continente africano. Claro que apenas repetiu o PIG, como papagaio.

 

Por estar fora do Brasil, o executivo do Banco do Brasil não sabia do que fez a mídia nessa questão dos investimentos na África e mostrou dificuldade em acreditar que, num momento em que todos os países ricos estão se voltando para este continente, tenham condenado Lula por estar dando atenção aos países da região.

 

-- Mas o Brasil está exportando uma enormidade para a África. Hoje, só perdemos para os chineses e estamos à frente dos alemães… O mundo inteiro está correndo para cá…

 

Enquanto isso, vejam a mentalidade de gente que tenta aparentar um monopólio do esclarecimento e da “modernidade”. O que você lerá abaixo foi escrito por um dos anônimos que frequentam este blog, que usa o codinome de José da Silva.

 

Angola! Uma estátua de monumental sucesso socialista! Antes da independência exportava alimentos, hoje é tudo importado, pago pelo petróleo e diamantes (99% das exportações) explorado pelas providenciais multinacionais”

 

Claro que a guerra civil em que o país ficou mergulhado durante 30 anos, para ele é um detalhe. Faz parte da claque midiática que tratou de ridicularizar a incursão brasileira na África. O mundo está errado, e a mídia brasileira, certa. Americanos, europeus, todos “burros” como Lula. Perdendo tempo com a África, que nos paga regiamente, tendo os EUA para venderem nossos produtos de graça.

 

 

Modelos negros

 

 

E, agora, vejam, abaixo, quanto a publicidade brasileira perde por priorizar quase que exclusivamente os modelos loirinhos, branquinhos, de biotipo europeu. Há que mostrar como os negros são modelos tão bons quanto qualquer modelo branco e como estão subaproveitados em nosso país. É bonito ver gente que no Brasil parece não existir para a propaganda dando esse show de beleza.

 

 

 



 Escrito por Eduardo Guimarães às 17h53
[] [envie esta mensagem]



Os lados da moeda

 

 

Qualquer cidadão de qualquer país fica triste quando estrangeiros destacam fatos e imagens ruins da realidade de sua pátria. Europeus, americanos, enfim, gente do primeiro mundo que viaja ao Brasil, muitas vezes destaca o lado menos favorável de sua realidade.

 

Ninguém gosta de ver as mazelas de sua terra relatadas. Eu fico triste quando vejo a imprensa estrangeira mostrar as favelas, a pobreza, a violência que há no Brasil, mas procuro entender que é só através da exposição dos problemas de uma nação que esse seu lado irá mudar.

 

Há dois fatos interessantes que ocorreram no espaço de algumas horas, desde a postagem anterior neste blog. Citei alguns pontos negativos de Angola e descobri que este blog é mais lido no país do que eu pensava. Contudo,  algumas pessoas sentiram-se desconfortáveis com informações e imagens que divulguei do pa+is em que me encontro. Aliás, uma dessas informações estava totalmente errada, porque fui mal informado, e a retirei.

 

Agora, precisamos entender que belas imagens do Brasil, de Angola ou de qualquer parte são fáceis e agradáveis de se conseguir. Posso reproduzir o pôr do sol do Rio de Janeiro em vez de suas favelas? Claro, e é mais agradável. Agora, estarei contribuindo para melhorar a situação social brasileira omitindo os problemas de meu país e destacando suas belezas? Acho que não.

 

Contudo, há, sim, muita coisa bonita para se ver neste país e tentarei equilibrar imagens e informações, de forma a mostrar que este é um país de futuro, que está mudando, mas que precisa mudar mais rápido, como o Brasil, e isso só ocorrerá se suas mazelas forem encaradas.

 



 Escrito por Eduardo Guimarães às 07h44
[] [envie esta mensagem]



 

Planeta África

 

 Atualizado às 11:00 hs. de 18 de fevereiro de 2008

 

 

 

 Escrevo-lhes no momento em que estou vivendo o que talvez seja a experiência mais impressionante de meus 48 anos de vida. Já estive nas três Américas e na Europa central. Conheci países em que a pobreza  e a falta de infra-estrutura dificultam a vida do povo e a dos visitantes, mas Angola, como bem me haviam avisado brasileiros que vivem aqui, difere de tudo que conheço.

 

Vou lhes relatar, ainda “a quente”, como foi a viagem e meu primeiro contato com um dos países africanos que tem a situação social mais difícil. Portanto, peço que relevem algum eventual exagero.

 

Cheguei ao aeroporto internacional do Galeão por volta das 14 horas do último sábado. Como meu vôo para Angola só sairia às 19 horas, imaginei que poderia dedicar as horas que faltavam para a viagem para relaxar, mas estava muito enganado.A fila do check in da companhia aérea angolana Taag já estava formada, à espera dos funcionários da empresa, que tardaram mais algum tempo para começar a receber os passageiros.

 

 

Enquanto a fila aumentava, fui constatando a quantidade impressionante de cidadãos angolanos que voltava para casa, denotando o que depois descobriria, que o Brasil é baratíssimo para as classes mais abastadas de Angola.

 

Depois de quase duas horas, fiz o check in, fui comprar dólares e, aí, começou o segundo calvário, mais uma hora para vencer a fila da emigração. O vôo na empresa angolana Taag já denunciava o que depois eu descobriria sobre a forma de organização social dos angolanos, mas falarei sobre isso mais adiante. Mas como o cansaço já começa a me vencer, não vou descer muito a detalhes, mas relatarei alguma coisa sobre a forma de organização social do país em que me encontro e sobre uma questão bastante difícil, que é a situação dos brasileiros radicados em Angola.

 

 

 

No aeroporto 4 de fevereiro em Luanda, pude constatar a situação difícil de um país em processo de reconstrução e que está a meros 5 anos do fim de uma guerra civil que durou três décadas e que arrasou Angola.

 

 

 

 

Meus amigos, estou cansadíssimo. Os próximos dias serão difíceis. Por isso, serei direto. Angola é um país em reconstrução. A guerra deixou sequelas terríveis. É natural. Portanto, é preciso entendermos o contexto em que se dá a situação que relatarei adiante. Penso que qualquer povo que tivesse sido submetido ao que foi o povo angolano, teria os problemas que há neste país.

 

Inclusive, devo agradecer aos meus amigos Raimundo e Ngouabi Salvador,  que me esperaram pacientemente por quase 4 horas até que eu despontasse na porta do desembarque do aeroporto. Apesar de que pude desfrutar com eles de alguns agradáveis momentos num barzinho a beira-mar, logo tive que deixá-los, porque tinha outros amigos aqui, da embaixada brasileira, que também tinham ido me buscar e também me conseguiram acomodações. Não num hotel – até porque, não há vagas nos hotéis angolanos, que cobram, o mais barato, diárias da ordem de 300 dólares –, mas na casa de um deles.

 

 

 

Ubiraci e Rubens são funcionários da embaixada brasileira em Angola. São amigos de um amigo meu, que lhes pediu apoio para este visitante de um país em que falta de tudo, apesar de o dinheiro do petróleo e dos diamantes estar brotando das paredes aqui. Vale ressaltar que fiz um pedido ao Itamarati para receber apoio da representação diplomática brasileira em Angola e, segundo meus amigos, esse apoio será dado, como é dado a todos os empreendedores brasileiros que se disponham a materializar o processo de estreitamento de relações comerciais com a África que teve curso já a partir do primeiro ano do governo Lula.

  

 

 

Nos próximos dias, terei muito a relatar sobre uma sociedade diferente de todas que já conheci. Começa, amanhã, um dos maiores desafios da minha vida. Aqui neste blog, vocês descobrirão a realidade de um país de um continente que tem os piores indicadores sociais do mundo.

 

Escreverei todos os dias, durante os próximos dez dias. Creio que poderei lhes dar informações que jamais tiveram sobre a realidade desta parte do mundo sobre a qual se sabe tão pouco e onde vige uma realidade que começa a mudar, mas que ainda precisa mudar muito.

 

Tive que retificar informações fornecidas aqui anteriormente, porque é preciso refletir bem sobre como relatar a realidade deste país.  As dificuldades aparentes que tenho encontrado podem decorrer do pouco tempo que estou aqui.

 

Angola é um lindo país, com gente muito boa e que está crescendo muito. Vamos acompanhar esta realidade a fim de evitar pintar uma imagem distorcida. Aguardem mais informações.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 19h03
[] [envie esta mensagem]



[ ver mensagens anteriores ]


Este blog já foi acessado

vezes


Contador único p/ IP
free webpage hit counter


Outros sites
Agência Carta Maior
Altamiro Borges
André Lux
Azenha
Blog do Planalto
Caros Amigos
Carta Capital
Celso Lungaretti
Clipping jornais
Confecon
Doxa / Iuperj
Estatuto MSM
Fazendo Media
Fórum Cultura Digital
Idelber Avelar
Jornalirismo
Leandro Fortes
Le Monde - BR
Mello
Nassif
Nas Retinas
Observatório da Imprensa
Observatório de Mídia
Óleo do Diabo
Onipresente
Paulo Henrique Amorim
Petrobrás (blog)
PNUD - ONU
Portal da Transparência
Primeiro Filme
Professor Hariovaldo
Protógenes Queiróz
Publicidade MSM
Quanto Tempo Dura?
Revista Fórum
Ricardo Kotscho
Renato Rovai
Rodrigo Vianna
Sivuca
TV Brasil
TWITTER
Vermelho.org



Banner
120x60 fundo branco