Retórica antipobre
 
 
 
 
Temos que acabar com essa história de ficar dando dinheiro a pobre. Sobretudo em ano eleitoral. Em ano eleitoral não pode. Na verdade, não pode nunca, mas em ano eleitoral há que suspender qualquer ajuda a pobre que não puder ser evitada.
 
Mas o ideal é evitar que o dinheiro público seja usado em prol dos pobres. Eles se acomodam. Tem que ensinar a pescar em vez de dar o peixe. Dar o peixe? Nunca. Se peixe houver, há que dá-lo aos que produzem riqueza e trabalham, que é o setor produtivo, que gera empregos para que o pobre não precise receber esmola. Dinheiro para pobre termina em cachaça. E não vão agora os ricos financiarem a cachaça do boa-vida.
 
Agora vejam essa história do Lula de dar dinheiro a pobre. E colocá-los na universidade junto com quem estudou mais e por isso logrou passar no vestibular. Eles vêm com aquela história de que não estudaram em escolas tão boas. Ah, paciência. Fazer o quê? Ninguém tem culpa de que não puderam estudar em escolas boas. Tem que pressionar o governo por escolas boas. Não vamos nós que geramos riqueza agora pagar a escola do filho do pobre. O Estado é que tem que pôr dinheiro público na escola pública, mas com responsabilidade, porque o setor produtivo também precisa de recursos.
 
Ano eleitoral e Lula quer dar dinheiro a municípios falidos devido à roubalheira dos políticos. Se estão falidos, por que dar mais dinheiro a eles? É para ganhar votos. Eles ficam dizendo que o dinheiro dos impostos, que deveria ir para o setor produtivo, vai permitir aos municípios melhorarem saúde, educação etc. Ora, então eu vou daqui do Brasil civilizado financiar com meus impostos a educação dos baianos e paraíbas? O posto de saúde de mulheres que se enchem de filhos irresponsavelmente? Eles que se danem. Dinheiro público tem que financiar o desenvolvimento do país; tem que ser dado ao setor produtivo.
 
Mas se quiserem fazer essa demagogia de dar dinheiro a pobre e a prefeituras falidas, ou ficar levando garotos despreparados para a universidade, que façam isso por esses desocupados e preguiçosos no ano que vem. Eles que esperem. Essa história de que não podem esperar mais um ano para gastarem mais dinheiro com cachaça, por exemplo, é papo furado. Podem esperar sim. Não esperaram tanto tempo para aparecer um populista como o Lula para enganar todo mundo, vencer eleição e forrar-lhes os bolsos? Um aninho não vai fazer diferença...
 
PS: é óbvio que não concordo com uma palavra do que escrevi acima. Estou reproduzindo o discurso de quem quer que parem os investimentos sociais do Estado.


 Escrito por Eduardo Guimarães às 10h55
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Com vocês, Marco Aurélio

 

 

 

Num momento como este, o currículo do juiz da Suprema Corte Marco Aurélio de Mello disponível na internet para quem quiser conferir relaciona fatos incontestáveis sobre sua atuação na mais alta instância do Poder Judiciário. Lendo como tem conduzido sua carreira, e sabendo-se por que presidente foi indicado para o cargo público vitalício que ocupa, entende-se perfeitamente alguns pontos de seu questionamento pelo presidente Lula.

A carreira de Marco Aurélio não deixa dúvidas de que tem se pautado pela concessão de decisões favoráveis a criminosos notórios e comprovadamente culpados. Tomar decisões favoráveis a interesses restritos em detrimento do interesse público (de todos) tornou-se uma marca do primo do ex-presidente Fernando Collor de Mello, por este indicado para o STF.

Para quem já usou o Poder Judiciário para facilitar fugas de corruptos bilionários ou pôr notórios chefes do crime organizado em liberdade, partidarizar o Supremo Tribunal Federal em favor da oposição ao governo federal não foge da linha de atuação do polêmico juiz.

A. Wikipédia traz um aviso em sua página sobre Marco Aurélio que coloca sempre que trata de pessoas notórias e polêmicas, dizendo que houve acusações de "inconsistências" naquela biografia ali postada, mas a mera análise do que diz sobre o juiz em questão permite a quem a analisar com distanciamento ver que não contém nenhuma invenção. Tudo que diz sobre ele é de conhecimento público.

Confiram, abaixo, o currículo do "ministro" Marco Aurélio de Mello.

 

Wikipédia

 

"Marco Aurélio Mendes de Farias Mello (Rio de Janeiro, 12 de julho de 1946) é um dos onze ministros do Supremo Tribunal Federal.

Foi nomeado pelo presidente Fernando Collor de Mello, seu primo, em maio de 1990 para a vaga decorrente da aposentadoria do Ministro Carlos Madeira, tomando posse em 13 de junho de 1990.

Sua trajetória profissional tem origem no serviço público, onde atuou na Justiça do Trabalho como Procurador do Trabalho (1ª Região) e Juiz do Tribunal Regional do Trabalho. Foi também Corregedor-geral da Justiça do Trabalho e Ministro do Tribunal Superior do Trabalho.

É especializado em Direito Constitucional e tem mestrado em Direito Privado pela UFRJ, concluído em 1982, tendo se graduado em Ciências Jurídicas e Sociais pela mesma instituição em 1973. Na iniciativa privada, atuou como advogado da Federação dos Agentes Autônomos do Comércio do Antigo Estado da Guanabara e Chefe do Departamento de Assistência Jurídica e Judiciária do Conselho Federal dos Representantes Comerciais. Hoje atua no Magistério do Centro Universitário de Brasília e na Faculdade de Estudos Sociais Aplicados da Universidade de Brasília. Tem ainda extensa listagem de obras produzidas.

É conhecido como “Voto Vencido”, pela freqüência de vezes em que fica isolado nas decisões do tribunal. Também é conhecido por seus votos controversos. "Primeiro idealizo a solução mais justa, só depois vou buscar apoio na lei."

Nos anos de 1996 a 1997 assumiu pela primeira vez a presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), onde participou do processo de informatização das eleições brasileiras. Em abril de 2006 assumiu novamente ao cargo de presidente do TSE, que desde janeiro de 2006 era ocupado por Gilmar Mendes, que substituiu o ex-presidente Carlos Velloso.

Em Julho de 2000 concedeu habeas corpus a Salvatore Alberto Cacciola, proprietário do falido Banco Marka e supostamente responsável por um prejuízo estimado em 1,5 bilhão de reais aos cofres públicos. Cacciola viajou para a Itália logo em seguida e lá viveu foragido até setembro de 2007 quando foi preso em Mônaco (em abril de 2005, a Justiça Federal do Rio de Janeiro condenou Cacciola a treze anos de prisão por peculato e gestão fraudulenta). Comentando este episódio sobre a nova prisão de Cacciola, Marco Aurélio de Mello disse que repetiria a concessão de hábeas corpus, segundo matéria publicada na Agência Estado de 17 de Setembro de 2007.

Em outra atitude considerada polêmica, Marco Aurélio de Mello foi o único ministro a votar a favor de conceder ordem de hábeas corpus a Suzane Louise von Richthofen, jovem de classe média-alta paulista que foi julgada e considerada culpada pelas mortes dos próprios pais em primeiro grau.

Suas últimas decisões de grande repercussão ocorreram em 2007 quando foi responsável por conceder dois habeas corpus a Antônio Petrus Kalil - o Turcão - acusado de explorar caça-níqueis. O mesmo havia sido preso pela Polícia Federal por duas vezes. Turcão foi preso pela terceira vez em 29 de novembro de 2007 pelo mesmo delito."



 Escrito por Eduardo Guimarães às 08h34
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O pomo da discórdia
 
 
Pomo, em um seu significado mais comum em nosso idioma, remete a semente, cerne, que se traduz da linguagem metafórica para a literal como razão central, objeto final das disputas.
 
Há uma disputa em curso hoje, não só no Brasil, mas no Terceiro Mundo. Caracterizado por uma desigualdade atroz, aberratória, muito acima da que há no dito mundo desenvolvido, no hemisfério Norte, o quintal do planeta começa a questionar seus desníveis sociais.
 
O processo que produz esse fenômeno de países pobres remeterem recursos aos ricos, recursos que são desesperadoramente necessários àqueles povos flagelados pela omissão do Estado no combate às mazelas sociais inclementes, produtoras de tanta dor, mortes, fome, indignidade, ignorância, violência, criminalidade, num processo ininterrupto de ruptura do tecido social, só ocorre porque muitos ficam sem nada ou quase sem nada - ou com muito pouco - para que poucos tenham muito, mais do que o mínimo, bem acima do excessivo.
 
Venho escrevendo isso há quase quinze anos, apesar de que sei disso há quase vinte anos. Desde então, venho colecionando lembranças e conhecimentos que vi passar diante dos meus olhos ano após ano, num eterno corroborar de uma tese, que foi se transformando em realidade, em meio no qual se tem que sobreviver, o meio sendo o ambiente social em que um único poder enraizou-se na sociedade de forma que sempre conseguiu moldá-la de acordo com os interesses das camadas superiores da pirâmide social.
 
O que esse sistema de manutenção de um status quo iníquo e inegável como o que descrevi não pode aceitar é que, de repente, essas sociedades terceiro-mundistas, sobretudo as latino-americanas, coloquem no poder políticos decididos a redistribuir renda, porque alguém terá que perder para muitos ganharem.
 
Os "perdedores" desse processo redistributivo, no entanto, não deveriam se preocupar tanto. Poderiam perder até deixar todos os pobres em boas condições e não reduziriam nada seu padrão de vida. Mas aqui na América Latina partiram para a guerra há muito tempo. Não querem saber de nada. 
 
Na Venezuela, na Argentina, na Bolívia, no Equador, no Uruguai, na Nicarágua e em muitas outras partes desta parte do mundo, já aconteceu. E parece ser questão de tempo até que governantes "inaceitáveis" para os beneficiários da iniqüidade ascendam ao poder onde ainda não ascenderam.
 
No caso do Brasil, por exemplo, vê-se a explicação sobre como o topo da pirâmide se manteve por tanto tempo como se fosse uma casta de reis, e se constata como resiste furiosamente a que se adote políticas públicas promotoras da distribuição das riquezas que sempre banharam poucos brasileiros e seus correspondentes do mundo desenvolvido, eterno vampiro que tem mantido exangues suas vítimas terceiro-mundistas.
 
O pomo da discórdia entre governo e oposição é entre políticas que distribuam renda e gerem oportunidades aos que nunca as tiveram e os que se beneficiaram sempre da renda concentrada e das oportunidades para poucos.
 
Assim, universidade para pobres, grandes quantidades de dinheiro público sendo entregues a quem mal tem o que comer, investimentos em obras públicas e em administrações municipais falidas, como os investimentos do programa "Territórios", e até mesmo o salário mínimo a US$ 245, são a única semente que alimenta os embates políticos sem trégua que temos visto.
 
Apesar de que sempre julguei inevitável o processo de conscientização da sociedade de que pobre tem que votar em quem faça coisas pelos pobres, sem negar o direito de que ricos votem em quem melhor os atende, não estou certo de que essa conscientização já exista de forma adequada e explícita, mas consigo enxergar claramente o desenvolvimento de um embrião da consciência social de que este país precisa, que deve levar o pobre a votar em causa própria, abandonando o procedimento histórico de votar em causa de quem o oprime.
 
A reação de Lula foi necessária. Marco Aurélio de Mello e setores do Supremo têm participado do debate político e decidido sobre recursos àquela Corte fora das instâncias e dos momentos apropriadamente constitucionais. A forma de atuação de setores da Suprema Corte revela a influência que a ocupação do poder por períodos mais longos confere aos grupos políticos.
 
Cada grupo político que passa pelo poder federal deixa sua marca, seus juízes indicados, seu enraizamento neste ou naquele setor. Trata-se de um enraizamento que perdura por décadas. Isso a exemplo do enraizamento social da mídia. Essa capilaridade do poder dela pelos desvãos dos interesses constituídos integra e prepondera na formatação social brasileira, latino-americana e até terceiro-mundista.
 
Nos países ricos, a mídia já tinha perdido havia muito tempo aquela bola toda. Exemplo de opções políticas da sociedade à revelia das "orientações" midiáticas são comuns nas sociedades mais desenvolvidas, mas constituíam uma quase impossibilidade no Terceiro Mundo.
 
De alguns anos para cá, isso começou a mudar, talvez porque, ainda que intuitivamente, as sociedades menos desenvolvidas começam a tomar decisões políticas como a de colocar no poder quem efetivamente as beneficie por ações concretas e imediatas, rompendo a eterna lenga-lenga sobre fazer primeiro o bolo crescer para depois ser dividido.
 
Até onde foi possível, foi bom o presidente contemporizar, mas montado numa situação econômica invejável, num apoio popular maciço e numa aprovação esmagadora da sociedade, o presidente deve continuar reagindo de forma a tornar claro aos que beneficia que só poderá ajudá-los se eles o ajudarem não dando ouvidos para a cada vez mais previsível cantilena politizada que pede ao pobre - que é maioria tão ampla - que rejeite políticas públicas que o beneficiam.
 
Querem saber o que eu penso? Acho que essas tentativas de fazer pobre continuar apoiando os interesses dos ricos não vão funcionar. Acho que o Brasil e o mundo encontrarão um caminho para se tornarem menos injustos. E encontrarão esse caminho na democracia, sistema no qual quem tem mais votos, governa.


 Escrito por Eduardo Guimarães às 22h05
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Campanha começando
 
 
O debate político-eleitoral começa a esquentar. A mídia paulista já está fabricando "escândalos" referentes à gestão Marta Suplicy, encerrada há quatro anos, visando enfraquecer a ex-prefeita na disputa pela prefeitura de São Paulo
 
A eleição em São Paulo é vital para o consórcio midiático-oposicionista. A reeleição ou a derrota eleitoral do prefeito paulistano, Gilberto Kassab, afetará diretamente José Serra, que o legou aos paulistanos. 
 
Kassab se elegeu vice-prefeito de São Paulo em 2004, na chapa do atual governador paulista, e ocupou o comando da maior cidade do país porque Serra, quebrando promessa de permanecer no cargo de prefeito até o fim de seu mandato, deixou o cargo e se candidatou ao governo do Estado.
 
A vida de Serra e de Kassab, porém, está sendo complicada pelo próprio PSDB, que pretende lançar Geraldo Alckmin como candidato do partido a prefeito de São Paulo.
 
Por enquanto, os ataques à gestão Marta Suplicy estão sendo pontuais e não estão recebendo grande destaque na imprensa paulista.
 
A imprensa mostra que acredita que Marta sairá candidata. Assim, já desencavou caso supostamente nebuloso de um vereador petista que foi ligado ao governo da ex-prefeita.
 
Enquanto isso, as dezenas de denúncias da oposição na Câmara Municipal de São Paulo permanecem ignoradas pela mesma imprensa.
 
Freqüentemente, a mídia reverbera que a bancada federal do PT não quer investigar quem está no comando do país e, por isso, pede investigação de governos passados. Simultaneamente, porém, faz a mesma coisa: ignora o atual governo paulistano e investiga o governo anterior.
 
 
Argumentação política
 
 
Ano eleitoral é ano de os cidadãos politizados afinarem discurso político e argumentos.
 
Eu, por exemplo, desde já quero deixar bem claro que já tenho candidato e partido para votar nas próximas eleições municipais. Votarei no PT, seja quem for o candidato a prefeito de minha cidade, porque voto em partidos e não em pessoas, que é o que se faz nas democracias maduras.
 
Diante disso, começo a oferecer-lhes tópicos do discurso que quem votará como eu deve ter preparado para enfrentar o discurso que a mídia está construindo para favorecer o PSDB.
 
O tópico de hoje é a herança maldita da era FHC. O tema não é municipal, mas não se esqueçam de que os temas federais serão usados pela mídia paulista, toda tucana.
 
Sempre que se menciona o desastroso governo FHC, seus admiradores vêm brandir a privatização da telefonia, lembrando que ela barateou o preço das linhas telefônicas.
 
Porém, antes da privatização, usar telefone custava uma fração do que custa atualmente. Eu, por exemplo, gastava cerca de 50 dólares por mês com a conta residencial; hoje, gasto quase o triplo. Estou comprando um telefone por ano simplesmente pagando contas.
 
Mas a herança maldita de FHC não está só nas privatizações. Ele quebrou o país em 1999, pois manteve o câmbio engessado a fim de se reeleger em 1998. Naquele ano, segundo notícias da própria Folha, FHC acusou Lula de pretender desvalorizar o real se chegasse ao poder.

Semanas depois de se eleger mentindo, o tucano desvalorizou o real, o que obrigou o país a se endividar em 40 bilhões de dólares, aumentou o desemprego, a pobreza, a concentração de renda, estagnou o país e aumentou a inflação.

Essa foi a herança maldita da era tucana.


 Escrito por Eduardo Guimarães às 08h21
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Peneira ética
 
 
 
 
A expressão "peneira ética" é uma metáfora. O termo "peneira" alude a seletividade. No caso, seletividade ética.
 
É comum as pessoas serem seletivas. Em termos amorosos-sexuais, as mulheres são mais do que os homens. Muito mais. Elas selecionam seus parceiros por critérios como excelência genética, capaz de proporcionar proles mais bonitas e saudáveis - é a mãe natureza selecionando, como acontece com qualquer espécie. A fêmea seleciona quem a ajudará a melhor perpetuar a espécie.
 
Há também um critério mais contemporâneo da seletividade feminina quanto a parceiros sexuais, que é o critério econômico...
 
Selecionam-se tomates nas feiras livres. Escolhemos os que nos agradam mais e descartamos os menos viçosos.
 
Selecionamos filmes, amizades, uma infinidade de itens.
 
A seletividade pode ser boa, geralmente é boa, mas eventualmente é inaceitável. Seletividade racial ou religiosa costuma terminar em racismo ou preconceito. Já a seletividade ética redunda em falta de ética. Escandalizar-se com hipotéticos abusos de uso de dinheiro público por um governante e fazer de conta que não se vê o mesmo tipo de abuso de outro, que gasta tanto ou mais que o primeiro, é falta de ética.
 
A mídia começa a preparar o esquecimento das investigações sobre o uso de cartões corporativos pelo governo federal, pois em São Paulo há gastos mais inexplicáveis desses cartões do que em Brasília. O governo Serra, que administra uma única unidade da federação, tem gastos iguais ou maiores do que os do governo federal, e alguns desses gastos são mais inexplicáveis.
 
Como escrevi faz algum tempo, começa a despontar nos jornais e tevês do PSDB (Globo, Veja, Folha etc) a novíssima aposta oposicionista-midiática, a aposta na investigação de ONGs. A oposição e a mídia vêem maior dificuldade de se achar casos estranhos com ONGs favorecidas por governos tucanos, porque favorecer essas organizações, para o bem ou para o mal, seria mais característico de governos petistas.
 
E assim vai sendo enterrado o assunto dos cartões corporativos, pois seja em nível federal, seja em nível estadual, o PSDB terá problemas para acusar alguém.
 
Nós que vivemos cobrando o PT por não reagir contra as investidas da mídia tucana, deveríamos ver que o partido fez sua parte, ao menos o PT paulista, que se manifestou ontem (27/2) diante da Assembléia Legislativa, pedindo CPIs no parlamento estadual, CPIs que o governador Serra impede que aconteçam.
 
A mídia corporativa ignorou a manifestação. O que ela divulga sobre política passa por uma peneira. Escândalos, por exemplo, passam por uma peneira ética. O que é do PSDB, não passa - só passa o que é do PT.
 
Pena que eu tenha chegado ontem ao Brasil, esgotado, e não soubesse da manifestação diante da AL paulista. Descobri agorinha mesmo, através do site do Paulo Henrique Amorim.
 
A AL de São Paulo fica a poucos quarteirões de minha casa. Eu teria ido lá protestar. E teria levado o megafone do Movimento dos Sem-Mídia.


 Escrito por Eduardo Guimarães às 16h53
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Tempos bicudos
 
 
Até que fazer o check-in e passar à sala de embarque do aeroporto 4 de fevereiro, em Luanda, não foi mais difícil do que fazê-lo em qualquer outro aeroporto atualmente. E tampouco o atraso de três horas e meia no vôo (da uma da manhã de 27 de fevereiro até às quatro horas) pode ser considerado fora do normal. O problema foi chegar até o aeroporto, bem como a antecedência com que foi preciso chegar a fim de não ser surpreendido por qualquer das surpresas, digamos, emocionantes que a capital angolana reserva aos que a visitam.
 
Não nos damos conta do que são os confortos da vida moderna em sociedades estáveis social e institucionalmente. Reclamamos da pobreza daqui, da infra-estrutura, que dizemos precária, mas só indo a um país nas condições de reconstrução daquele a que fui para se entender e passar a dar valor ao que se tem onde há processo normal de desenvolvimento, em países que não sofreram rupturas do contrato social e da existência de tudo que é básico, elementar, em termos de infra-estrutura, ainda destruída por conta de um processo de intolerância extremada que acometeu àquela sociedade, e que, por obra e graça divinas, teve fim.
 
O que vi em Angola, entretanto, não difere do que se vê em alguns rincões do Brasil. Só que naquele país ainda há caos de infra-estrutura e, em boa medida, um certo caos institucional, apesar de ser tratado com naturalidade na capital daquela República, e ainda que se reconheça a existência de causas justificáveis a tal situação.
 
Um dos principais problemas que encontrei em Angola foi a falta de previsibilidade mínima necessária para uma nação funcionar normalmente. Você não tem as garantias de conseguir tudo que é básico e ter seus direitos respeitados como tem por aqui.
 
Fazer o que se pode fazer com facilidade num país como este, como obter água potável em qualquer parte, até nas torneiras, é difícil. Não dá nem para relaxar, porque o sujeito tem que se proteger de moléstias endêmicas como malária, doença do sono, cólera etc., transmissíveis pelos infernais mosquitos que estão em toda parte, em cada canto da cidade.
 
A viagem de volta ao Brasil coroou o processo de entendimento de como um país se contorce para tentar superar o grave problema de total falta de regras claras, de um contrato social confiável, de uma segurança jurídica mínima, de infra-estrutura básica.
 
No aeroporto de Luanda, na chegada, o cidadão enfrenta um caos, como o de meramente ter que literalmente lutar para recuperar sua bagagem, extraída da barriga do avião por um único trator de bagagens, que vai de avião pousado em avião pousado recolhendo-as, antes de, morosa e desesperadoramente, ir depositando-as na esteira que as leva aos passageiros, a esta altura já em processo de franca crise nervosa.
 
Quando se sai da área de desembarque não há forma de se comunicar com a cidade, a não ser que se disponha de um celular local, pois não há telefones públicos, e celulares habilitados, para estrangeiros que acabam de chegar, nem sempre é possível obtê-los. Já a fila da imigração tem a lógica do caos e toda improvável ordem que possa haver nele. Sem falar que não há táxis ou qualquer outra forma de transporte disponível, sendo obrigado, o individuo que chega ali, a ter alguém a esperá-lo, de preferência com carro.
 
Já na saída do país, se for pelo mesmo aeroporto, enfrenta-se um total descaso da única companhia aérea que faz a rota Brasil-Angola. A sorte é que a brasileira Ocean Air está para entrar no mercado de viagens entre os dois países, o que deverá obrigar a TAAG a tratar com mais respeito os muitos angolanos e brasileiros que viajam entre este e aquele país sob seus cuidados.
 
Meu vôo tinha sido marcado para as 11 horas do dia 26, depois foi adiado para a uma hora do dia 27, mas acabou decolando às quatro horas e trinta minutos desse dia.
 
A área de pré-embarque do aeroporto, apesar de aparentemente estar no padrão internacional, apresenta problemas surpreendentes, como o de só estar funcionando um único banheiro, que tinha que ser usado tanto por homens quanto por mulheres, mas mais surpreendente ainda foi a imposição aos passageiros para identificarem suas bagagens espalhadas pela pista do aeroporto antes de entrarem no ônibus que os levaria até o avião, e mostrarem-nas a um funcionário para que as colocasse no trator das bagagens.
 
Porém, pior do que isso é quando se vê gente de povos supostamente civilizados fazendo baderna, em horda, na área de pré-embarque do aeroporto Quatro de Fevereiro, gritando e embriagando-se, atirando copos ao chão, quebrando-os, derramando bebida por toda parte, bem como pontas de cigarro e outros detritos. Eram ingleses em êxtase etílico, uma praga da era contemporânea.
 
Coincidentemente, um jovem engenheiro e físico carioca de trinta e um anos, o Fabricio, que fica três meses em Angola e 15 dias no Brasil, indignou-se tanto quanto eu com a baderna do grupo de ingleses e, quase que simultaneamente a mim, pôs-se a vociferar queixas em português e em voz alta para que os funcionários do aeroporto de Luanda tomassem providências, pois estrangeiros lhes estavam emporcalhando e tumultuando o aeroporto, mas nada aconteceu.
 
Cheguei ao Rio mais de sete horas depois e tive que morder a língua sobre o aeroporto angolano, porque minha bagagem. demorou quase uma hora para dar as caras na esteira número oito do decadente Galeão, que me surpreendeu justamente por isso, pois esperava encontrá-lo em melhor estado, o aeroporto da cidade que mais recebe turistas no país - ou não?
 
Viajar de avião hoje em dia virou sinônimo de se converter, compulsoriamente, em cobaia do sadismo mais deslavado e inclemente, que faz imaginar que é o mesmo usado pela Inquisição ou por todos os malucos e tarados que se divertem com o sofrimento alheio, pois perco a conexão para São Paulo pela Gol graças ao atraso da TAAG, e a companhia brasileira agora quer receber mais R$ 225 por eu não ter comparecido ao aeroporto no dia anterior, data da conexão que eu pegaria se a companhia angolana não me tivesse deixado de castigo no aeroporto de Luanda.
 
Comecei a escrever isto por volta das 23 horas do dia 27 de fevereiro. Estou desperto desde as duas da manhã de 26 de fevereiro - em Angola, eram 6 da manhã. De maneira que estou sem dormir há 45 horas, até agora.
 
Claro que eu poderia ter ido dormir quando cheguei, por volta da hora do almoço, mas preciso colocar meu relógio biológico em ordem para amanhã pegar no batente às 8, porque peão não tem essa de tirar um dia inteiro no meio da semana para cuidadinhos com a saúde como o de acertar o próprio relógio biológico; em peão, é no lombo mesmo. Fazer o que, não é? Melhor que não ter o que fazer para ganhar a vida em tempos bicudos como estes.


 Escrito por Eduardo Guimarães às 23h21
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Entrevista

 

 

Embaixador Afonso Cardoso

 

 

O blog Cidadania, na pessoa de seu signatário, entrevistou, nesta terça-feira, o embaixador do Brasil em Angola, Afonso Cardoso, e o 2º secretário da Embaixada, Daniel Nogueira Leitão. A entrevista foi conduzida de maneira informal, como um bate-papo. Primeiramente, conversei com o 2º secretário e, depois, com o embaixador.

 

Antes de reproduzir o que conversei com os diplomatas, cumpre-me oferecer meu testemunho do trabalho desses servidores públicos e de toda equipe da representação brasileira em Angola.

 

Falo, não como jornalista - que nem sou -, mas como o comerciante que está entre aqueles que atenderam à exortação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quando voltou o Brasil para a África a partir do primeiro ano do seu primeiro mandato, para que viessem aqui fazer exatamente o que eu vim fazer, isto é, ajudar a incrementar o comércio com uma região do mundo que cresce como nenhuma outra e na qual as oportunidades abundam.

 

 

2º Secretário Daniel Leitão

 

Em primeiro lugar, quero testemunhar que fiquei satisfeito por ver como os recursos públicos são bem empregados pela Embaixada brasileira em Angola e por ter sido recebido nela com grande consideração, bem como por dela ter recebido um apoio sem o qual não teria sido possível obter o sucesso inegável que obtive em minha missão comercial no país africano.

 

Sobre o uso dos recursos públicos pela representação brasileira em Angola, num país em que a iniciativa privada de incontáveis países oferece aos seus executivos a possibilidade de viverem em ilhas de bem estar, separadas da falta de infra-estrutura de uma cidade complicada como Luanda, em que há grande escassez de imóveis que ofereçam razoável nível de conforto, foi bonito ver a forma espartana como diplomatas e funcionários do Itamarati vivem.

 

 

Vista parcial da Embaixada

 

Eu diria até que a situação deles está ruim, mas essa é apenas a minha opinião; ninguém reclamou de nada. Contudo, o fato é que eles padecem com os constantes apagões de energia elétrica, com falta de água e outros problemas que penalizam a Luanda Norte e que não atingem as ilhas de conforto (os caríssimos condomínios fechados) da Luanda Sul.

 

Sobre o apoio que recebi da Embaixada do Brasil em Angola, ele me foi vital numa cidade que ainda não oferece aos estrangeiros transporte público ou até táxis, telefonia pública, rede de hotéis com capacidade suficiente para abrigar a demanda etc.

 

 

Vista parcial da Embaixada

 

A seguir, reproduzo alguns trechos da conversa informal com o embaixador e com o 2º secretário brasileiros em Angola.

 

Cidadania - Além da diplomacia propriamente dita, que outras atividades o sr. entende que uma embaixada pode desempenhar em benefício do País e dos brasileiros no exterior?

Daniel Leitão - São funções de toda embaixada realizar atividades de promoção cultural e comercial, dar apoio a programas de cooperação técnica e científica, bem como divulgar as oportunidades de investimento tanto no Brasil quanto no país em que a representação diplomática está sediada.

Cidadania - O sr. acredita que em países como Angola, nos quais a infra-estrutura e a qualidade de vida geral dessa sociedade são, digamos, difíceis, a representação brasileira (entre diplomatas e funcionários do Ministério das Relações exteriores) recebe atenção do Estado de forma a se manter motivada e atuante para além do senso de dever?

Daniel Leitão - O Ministério das Relações Exteriores do Brasil classifica os Postos em A, B, C e D, de acordo com uma série de fatores, entre eles o nível de conforto que a cidade sede do posto proporciona. Os Postos A são aqueles que menos benefícios administrativos proporcionam aos seus funcionários. Os Postos D, os que mais benefícios administrativos proporcionam. A classificação não reflete a prioridade conferida ao Posto na Política Externa brasileira. É tão-somente uma forma de recompensar os funcionários que se dispõem a servir em lugares onde a vida é mais difícil.

Luanda tem merecido uma atenção especial da Administração do Serviço Exterior, não só por causa das rápidas transformações por que tem passado a cidade, mas também porque as relações bilaterais com Angola se têm intensificado muito nos últimos anos, o que exige maior número de funcionários e correspondente aumento da infra-estrutura de apoio.

Cidadania - Qual é o apoio que uma embaixada pode oferecer aos empresários brasileiros que viajam em busca de negócios que gerem divisas e que ainda não o encontram em todas as embaixadas? A decisão sobre esse maior apoio é de cada embaixada ou depende de instâncias superiores?

Afonso Cardoso - A orientação de dar todo apoio ao empresariado brasileiro que decidir prospectar negócios em Angola foi dada pelo presidente da República. Fui autorizado a tomar providências para a criação de um Setor Comercial na embaixada, a fim de oferecermos a todos os negociantes brasileiros que queiram vir para cá apoio que viabilize seu trabalho de prospecção.

Cidadania - O sr. acredita que a grave divisão política que manteve Angola em guerra durante tanto tempo está superada a ponto de os empresários brasileiros poderem investir com segurança nesse país? E há segurança jurídica para estrangeiros em Angola?

Daniel Leitão - A situação política é estável. Investimentos devem ser planejados com cuidado, preferencialmente em parceria com angolanos.

Cidadania - A embaixada brasileira em Angola dispõe dos recursos (sobretudo de pessoal) que lhe permitam desempenhar suas funções a contento, sobretudo no que concerne ao apoio aos brasileiros que estão nesse país ou na prospecção de possíveis parceiros comerciais angolanos?

Afonso Cardoso - Estamos trabalhando dentro das possibilidades do Estado brasileiro neste momento, mas, como você pôde constatar, temos toda boa vontade de fazer o melhor possível através dos recursos disponíveis.

Cidadania - Embaixador, o sr. deseja transmitir algum recado aos empresários brasileiros ou a qualquer um no Brasil?

Afonso Cardoso - Quero dizer aos empresários brasileiros que venham a Angola, que atendam à convocação do presidente Lula, porque este é um país de oportunidades, que está crescendo aceleradamente e, no que depender de nós, tudo será feito para facilitar a vida de quem queira atender a essa convocação

Cidadania - Embaixador, quero agradecer o apoio e o carinho que recebi da representação brasileira em Angola e cumprimentá-la toda por sua abnegação, empenho e seriedade na defesa dos interesses nacionais.

Afonso Cardoso - Estamos apenas cumprindo nossa obrigação.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 07h43
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Arrogância e poder

 

 

Vocês podem entender a dificuldade que é escrever sobre o Brasil estando tão distante. A gente perde o foco, perde a sintonia.

 

Contudo, a coluna do ombudsman da Folha de São Paulo de ontem, em que ele chega muito próximo de chutar o balde com o jornal perguntando a ele – e se perguntando – para que serve seu cargo, e revoltando-se com a conduta criminosa do veículo no caso do Padre Júlio Lancelotti e em outras questões, mostra que a imprensa brasileira chegou a um ponto de virtual embriaguez.

 

Só neste ano, a imprensa criou uma epidemia imaginária de febre amarela com gravíssimas consequências para a Saúde Pública, criou um apagão virtual de energia elétrica do qual não há uma só indicação de que venha a se materializar, criou uma hecatombe econômica por causa da crise americana com hipotéticas fugas de divisas que jamais se materializaram e as quais não dão o menor indício de que irão se materializar…

 

Barbitúricos e uísque, leite com manga, são só exemplos, real e fictício, de misturas mortais, mas nenhuma combinação, real ou imaginária, compara-se ao efeito tóxico que advém da combinação de arrogância com poder.

 

A conduta da mídia e da oposição - à qual essa mídia serve – já deixou de ter lógica há muito tempo. Se fosse possível observar algum resultado dessas campanhas alucinadas da mídia no que concerne aos seus interesses políticos, entender-se-ia o que ela tem feito. Mas, então, pega-se a última pesquisa sobre a avaliação do governo Lula e descobre-se que toda essa loucura não serviu para absolutamente nada.

 

Pelo contrário: se depois de todas essas armações, mentiras e até atentados contra o país a aprovação do governo federal e de seu titular batem recorde – e em todas as classes sociais e regiões do país -, isso significa o que? Não seria que ninguém mais acredita na mesma Folha que indigna seu ombudsman ou em qualquer outro órgão de imprensa que integra esse bando de meios drogados pelo coquetel de arrogância e poder?

 

E a oposição? Vocês viram o que tucanos e demos disseram diante da pesquisa que mostrou popularidade recorde da situação? Xingaram o povo, dizendo que é incapaz de perceber que, apesar de esse governo estar fazendo tudo errado, o país está indo bem porque quando eles estavam no poder fizeram tudo certo… O que é que essa gente anda ingerindo?

 

O coquetel tóxico da oposição não é o mesmo que anda tomando a mídia. A oposição não tem poder como o da mídia, tem só sua arrogância. Para ficar doidona assim, mistura tal ingrediente com a burrice mais pura. Tenta convencer a sociedade de que o mérito pelo momento magnífico por que passa o país, é seu.

 

Claro que ninguém pede que a oposição deixe de se opor ou que a mídia mude de lado. Mas a oposição deveria dizer exatamente a que se opõe – e não diz – e a mídia deveria confessar que tem lado.

 

O oposicionista mais dopado irá me perguntar se quero que ele acredite que quero ajudá-lo com tais conselhos. Claro que não. Eu me oponho a essa gente. Só que a situação dessas forças políticas é tão ruim que gera um problema para a democracia, pois um país precisa de situação e de oposição. Precisa de propostas alternativas. E precisa de imprensa – investigativa, séria, apartidária, que, quando fizer uma denúncia, seja possível ao menos analisá-la.

 

Hoje, a imprensa pode denunciar o que for; ninguém leva a sério, a não ser os papagaios malucos e barulhentos da elitezinha branca do sul maravilha.

 

Aliás, depois do golpe da febre amarela, acho que a sociedade aprendeu mais um pouco a desconfiar da mídia.

 

Parece que estou tripudiando, mas não estou. Devo lhes dizer, com toda convicção e sinceridade, que preferiria que a oposição apresentasse um projeto alternativo para o país e que a mídia ficasse do lado desse projeto, mas assumindo tal preferência. Seria coisa de país civilizado. Além disso, eventualmente haveria opção política. Neste momento, não há. O Brasil está totalmente dependente do presidente Lula.

 

Esse é o verdadeiro problema que a mídia e a oposição estão criando para o país. Estão se enfraquecendo demais por se drogarem demais. Por conta disso, o poder exacerbado do grupo político que ora o ocupa tende a crescer desmedidamente, e poder desmedido gera arrogância, que se mistura com o poder, podendo vitimar esse grupo como vitimou o que a ele se opõe.

 

Será que me fiz entender?



 Escrito por Eduardo Guimarães às 09h00
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Angola ama o Brasil

 

 

 

 

 

O que mais tem me agradado nesta viagem, depois dos bons negócios que tenho fechado – pois fechar negócios é a razão de eu ter viajado -, tem sido constatar a impressionante influência da cultura brasileira neste país.

 

Há que se reconhecer que o que tem espalhado nossa cultura pelo mundo – e, sobretudo, em Angola – tem sido as novelas da Globo, ainda que a realidade que retratam não seja precisamente a verdadeira, como se sabe.

 

Embaixada do Brasil em Angola

 

Há, aqui, o maior mercado de pulgas do mundo, onde se vende tudo que se possa imaginar, de alimentos a eletrodomésticos. Disseram-me que até armas podem ser encontradas numa feira que leva o nome de uma novela brasileira que encantou os angolanos anos e anos atrás: Roque Santeiro.

 

 

O Brasil é considerado um país irmão pelos angolanos. Mas eles são apaixonados por nossos costumes. As moças daqui copiam a forma de se vestir das nossas. As pessoas copiam o palavreado, as gírias e, no que chamam  aqui de “discoteca”, ou seja, na noite angolana, a música brasileira predomina.

 

 

Aliás, meus principais amigos aqui, o Raimundo Salvador e seu irmão Ngouabi, disseram-me que o tratameto que recebi naquela questão do veículo com motorista que aluguei e cujo aluguel era muito mais alto do que eu pensava (350 dólares por dia em vez de cem), deveu-se ao carinho e à admiração que os angolanos nutrem pelos brasileiros. Se fosse um português, por exemplo, em vez de um brasileiro, disseram-me que o tratamento seria bem diferente.

 

 

 

É uma pena que um povo que nos aprecia tanto seja tão ignorado por nós. Não sabemos praticamente nada sobre Angola. Sabemos tudo sobre os americanos – e muitos deles mal sabem onde fica o Brasil -, mas sobre um povo que nos idolatra e à nossa cultura, um povo que é ancestral de tantos brasileiros, não sabemos praticamente nada.

 

 

Cozinha angolana

 

 

Leitores pediram-me detalhes sobre a cozinha angolana e imagens de um restaurante daqui. Já fui a muitos, mas foi num caro restaurante português que provei uma iguaria angolana, o Calulu.

 

 

 

 

O vinho verde, que tomei em doses generosas enquanto degustava o prato, me fez esquecer os detalhes sobre ele, mas sei que é à base de peixe e vegetais, banhado por um caldo espesso e saboroso.

 

 

 

Agora, como dizem que uma imagem vale mais do que mil palavras, vejam se decifram melhor do que eu o calulu e o local onde o comi.

 

 

 

Contra-informação atinge o mundo

 

 

Tenho uma excelente notícia para quem tem se sentido impotente diante dos malfeitos da mídia.

 

Não pára de crescer o número de angolanos que tenho descoberto que lêem este blog e outros, como o do Luis Nassif ou do Luiz Carlos Azenha.

 

Há até gente do governo angolano que lê este blog e outros.

 

Disseram-me que, apesar das notícias manipuladas de uma Globo Internacional, os sites e blogs brasileiros têm servido para mostrar que o que a mais poderosa empresa de comunicação do nosso país difunde deve ser relativizado. Tudo devido a veículos como este.

 

Impressiona, aliás, como vários angolanos conhecem a política brasileira. Sabem tudo que sabemos.

 

A mídia corporativa tupiniquim deveria se preocupar. Não bastando o descrédito em que está caindo no Brasil, está sendo desmoralizada perante o mundo.

 



 Escrito por Eduardo Guimarães às 08h37
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