Bom senso na internet
Faz tempo que venho querendo divulgar uma espécie de "Manual do Bom Senso na Internet" a fim de ajudar alguns internautas a não pagarem micos diversificados e a não dificultarem o uso da rede mundial de computadores. Claro que ninguém tem intenção de ser grosseiro ou de atrapalhar ninguém, mas noto que falta justamente uma difusão mais intensa do que são condutas indesejáveis que vêm dificultando a vida de todo mundo, ainda que muita gente não se dê conta, ou de práticas contraproducentes ao próprio usuário de internet.
A internet é uma ferramenta maravilhosa que está mudando o mundo ao aproximar as pessoas, tornando mais veloz e eficiente a comunicação, permitindo a interatividade entre quem produz conteúdos e quem os consome. Contudo, até por conta da facilidade que gera, um contingente restrito de pessoas, inadvertidamente, acaba causando dificuldades ao uso da rede. Assim, espero, com este post, poder ajudar alguns internautas a maximizarem os benefícios que se pode extrair da internet e ajudar a evitar que algumas pessoas difundam uma imagem errada de si.
Vale esclarecer que a maioria não precisa destas dicas. É uma minoria que às vezes, por falta de um alerta, incorre em práticas contraproducentes, em geral sem intenção de fazê-lo. Essas pessoas precisam de uma mãozinha, que é o que pretendo lhes dar com este post. Mas tenho orgulho de dizer que o leitorado deste blog está entre os melhores que vejo na internet. São muito poucos dos que vêm aqui que estão cometendo alguns dos pecadilhos que descrevo. Por isso, conto com vossa ajuda para difundir este texto a quem achem que precisa dele.
1 - É considerado falta de educação escrever comentários e e-mails em caixa alta (letras maiúsculas). As maiúsculas significam que quem escreve está gritando. Além disso, a caixa alta dificulta a leitura.
2 - O envio reiterado de e-mails ou a inscrição de pessoas que você não conhece em correntes de e-mails são práticas deselegantes que causam grande dissabor a qualquer um, sobretudo num momento em que essas correntes proliferam descontroladamente. A maioria das pessoas não lê praticamente nada das dezenas, centenas de e-mails que recebe diariamente, até porque seria impossível. Se você tem uma corrente de e-mails, procure fazer a seguinte reflexão: quantos será que fazem o mesmo que eu? Se envio 10 e-mails para a mesma pessoa, ou para as mesmas pessoas, e mais dez pessoas fizerem o mesmo, cada destinatário receberá cem e-mails por dia. Quem tem tempo para ler tudo isso? Se você gosta de difundir informações, crie um blog ou site.
3 - Comentários em blogs e sites são sempre bem-vindos. Quem abre espaço para comentários sempre anseia por recebê-los. Contudo, as caixas de comentários tornam a leitura mais difícil e devem ser usadas com sensatez. Textos muito longos e envio de muitos comentários seguidos dificultam a leitura dos outros comentaristas e simples leitores. No fim, comentários sobrepostos são muito pouco lidos. O ideal é tentar escrever de forma concisa e evitar transformar caixas de comentários em sala de bate-papo. Quem está de fora da conversa, na maioria das vezes fica irritado e até abre mão de comentar. Para trocar impressões de forma continuada, use e-mail.
4 - A internet está obrigando a humanidade a usar a linguagem escrita como nunca obrigou. Porém, o internetês (aquelas abreviações ou distorções de palavras) prejudica não só quem escreve, mas também quem lê, pois essa linguagem vicia e deseduca. Também é proveitoso, para quem gosta de escrever e-mails e comentários, tentar evitar os erros, alguns muito constrangedores. Em alguns casos, se a pessoa tem dificuldade com o vernáculo, é inevitável. Mas muita gente erra por não dar importância ao ato de escrever. Uma boa dica para quem tem dificuldade com o idioma é usar os corretores de texto disponíveis. Além de evitar constrangimento, essas ferramentas ensinam. E lembre-se: se desistir de escrever porque não sabe fazê-lo corretamente, jamais aprenderá. Outra boa dica é não tentar escrever "difícil". Os melhores textos são os mais simples.
5 - Não envie e-mails "pesados" (contendo arquivos ou imagens grandes) indiscriminadamente, sobretudo em correntes de e-mails. Muitos destinatários não têm computadores com memória compatível com mensagens pesadas e suas máquinas sofrem travamentos e até danos maiores. Você acaba se tornando um estorvo, se fizer isso. Se tiver que enviar de qualquer maneira um arquivo grande, entre em contato (até por e-mail) com o destinatário perguntando se pode enviá-lo.
6 - Palavrões e expressões chulas devem ser evitados de qualquer maneira. Até quando você faz críticas. Usá-los desqualifica o usuário. Muitas vezes você tem algo importante a dizer, mas ao usar termos pesados acaba gerando desconforto em quem lê o que escreveu e passando uma imagem de si mesmo que não corresponde à realidade. Mesmo quando estiver contrariado e quiser manifestar tal contrariedade, prefira sempre a elegância. Por mais certo que você esteja, procure se controlar. Pense sempre um minuto a mais antes de escrever. Quando você insulta, xinga, em vez de argumentar, o maior prejudicado é você mesmo. Outra: a ironia é válida quando usada com parcimônia. Quem só escreve dessa forma, torna-se um chato.
7 - Pense bem antes de enviar por e-mail notícias, artigos etc. que têm grande visibilidade na rede, como os que figuram nos grandes portais ou em sites e blogs que todo mundo lê. Em geral, seus destinatários acabam recebendo várias vezes o mesmo texto ou imagens etc. É um estorvo.
8 - Comentários em sites e blogs podem ser preciosidades se se refletir bem sobre o que se vai escrever. Mas não escreva à toa. Reflita, veja se você está acrescentando algo ao debate. Se gosta de comentar - e os sites e blogs sempre querem leitores que comentam -, pense um minuto a mais do que costuma pensar. E não escreva direto nas caixas de comentários. Escreva no Word, por exemplo, e sempre, sempre releia o que escreveu. Ficará surpreso com quantos erros vai encontrar, erros que poderia ter evitado. Dica: copie o que escreveu no editor de textos e cole no espaço do site ou blog destinado a comentários.
9 - O e-mail só é útil se você efetivamente usá-lo. Quem verifica suas mensagens uma vez por semana, a cada dois, três dias, não deve ter e-mail. Muitas vezes, com algumas pessoas, é mais fácil enviar-lhes uma carta do que um e-mail. Se você não tem tempo ou paciência de verificar ao menos uma vez por dia suas mensagens, melhor não usar correio eletrônico. Alguém pode precisar lhe enviar algo importante e não terá como acessá-lo. Ao dar seu endereço eletrônico aos outros e não verificar sua caixa de mensagens, você pode ter ou causar prejuízos de todos os tipos.
10 - Evite criar vários e-mails sem necessidade ou mudar constantemente de endereço eletrônico. Você aumenta seu trabalho de verificar suas mensagens e pessoas que tinham o endereço que você deixou de usar não poderão mais entrar em contato consigo.
11 - Ao comentar em blogs e sites, use seu nome todo. Não comente sob pseudônimos ou só com o primeiro nome. Essa conduta tira a credibilidade de quem escreveu. É lenda que alguém irá se dar ao trabalho de persegui-lo pelo comentário que fez, a menos que seja um comentário criminoso, difamador ou do gênero. Não estamos mais na ditadura. Ninguém vai ser preso ou perseguido por manifestar sua opinião.
Escrito por Eduardo Guimarães às 16h21
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PHA fala ao Cremesp
Reproduzo, abaixo, longa entrevista que Paulo Henrique Amorim concedeu à revista do Conselho Regional de Medicina de São Paulo ("Ser Médico"). Essa entrevista revela como vai se enraizando na sociedade o entendimento de quão danosa a imprensa brasileira é ao país e a importância de PH nesse processo de concientização, motivo pelo qual é preciso apoiá-lo, sobretudo neste momento.
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Ser Médico: No blog Conversa Afiada você é um crítico da mídia, outra faceta sua que está mostrando, diferente daquela de âncora de jornal ou de apresentador do Domigo Espetacular, na Rercord. De onde e por que surgiu a idéia do blog? Paulo Henrique Amorim: É uma história antiga. Sempre tive uma preocupação dupla: queria estar perto da tecnologia mais moderna. Como profissional, não queria ficar atrasado tecnologicamente, fazendo linotipia, quando já estávamos na era do computador. Outra preocupação que tive desde cedo na profissão era a de não ficar encurralado, no sentido de não ter opção profissional. Sempre lutei para ser um profissional, até onde é possível no Brasil, independente. Sempre procurei opções, abrir espaços, janelas e portas. E quando vi a internet lá no comecinho, procurei o (portal) Zaz. Na época eu estava na TV Cultura fazendo o Conversa Afiada, programa de meia hora, diário e no horário nobre, que ficou no ar dois anos. Era uma produção independente que deu dinheiro a mim e à Cultura, éramos um sucesso do ponto de vista empresarial. Mas aí procurei o Zaz e ofereci um produto para eles, teoricamente muito bom. No final do mercado financeiro do dia, fechou a Bolsa, eu entrava num chat na internet com um analista financeiro e fazia a análise do dia. E, quem quisesse, entrava para tirar dúvidas etc. Era uma idéia brilhante, mas que foi um fracasso retumbante, porque não conseguimos trazer gente para a sala. Conseguíamos entrevistar muitas pessoas interessantes, mas ainda não havia a tecnologia, o cacoete do chat. Não funcionou, mas por causa disso fui convidado para trabalhar no Uol, numa época em que a bolha da internet estava começando a nascer e me chamaram para fazer a primeira televisão na internet. Nessa época, eu não tinha mais nada, não tinha dinheiro; então, para sobreviver bolei lá no Uol mesmo um produto que era a análise instantânea da notícia. Você ficava colado nas notícias, com as agências ligadas, com a Reuters etc e acontecia algo, caiu a CPMF, eu entrava no ar por telefone, rapidamente… Foi uma “mistificação” que inventei para fornecer ao internauta e, ao mesmo tempo, preservar o meu emprego. Depois eu transferi esse produto para o IG. Com o andar da carruagem e a radicalização do processo político brasileiro, depois da eleição do presidente Lula, meu espaço no IG ficou em parte dedicado à informação e parte à opinião. E foi aí que nasceu esse projeto que está hoje no ar com o nome de Conversa Afiada, que, aliás, registrei e usava para fazer meu programa na TV Cultura. Ser: No seu blog você tem posições muito interessantes em relação à mídia, inclusive tem a questão do PIG… Amorim: …O PIG tem uma questão interessante. A primeira pessoa que me chamou a atenção para a mídia brasileira foi o Mino Carta. Ele falava “olha, a gente fica falando mal da mídia brasileira, que são jornais vagabundos, que é uma imprensa toda partidarizada, mas presta atenção, isso aí é um problema político que está dentro do nervo da democracia brasileira”. Aí, comecei a olhar as coisas dessa perspectiva. Assisti a uma conferência e li um artigo do professor Wanderley Guilherme dos Santos, um cientista político notável do Rio de Janeiro, meu conterrâneo, que chamou minha atenção para dois aspectos: primeiro, que a mídia escrita tinha perdido uma parte de seu poder de persuasão, parte de seu poder político, parte de seu poder econômico, mas tinha mantido um poder muito importante, que era o poder de gerar crise. Ela gerava crise e multiplicava a crise. E, segundo, que ela se comportava como um partido político, acima dos partidos e se antecipando à posição dos partidos. Aí criei um sloganzinho que era: “a mídia conservadora e golpista”. Então o deputado Fernando Ferro, do PT de Pernambuco, me chamou para fazer um depoimento na Comissão de Comunicação da Câmara, à qual compareceram provavelmente três deputados, tal o interesse que a matéria desperta (risos). E o deputado Fernado Ferro criou a expressão PIG: Partido da Imprensa Golpista. Achei que era muito melhor do que mídia conservadora e golpista e fui pro PIG. Agora só chamo de PIG. Ser: O PIG pegou? Amorim: Pegou (risos). Ser: Dando nome aos bois, onde você indentifica esse golpismo? Amorim: É o seguinte, em nenhuma democracia séria do mundo – com exceção provavelmente da Rússia, que não é uma democracia – você tem um país de 180 milhões de habitantes, com diversidade cultural étnica, política. Nós temos oito candidatos à Presidência da República, temos brasileiros que são portugueses, alemães, índios, afro-descendentes, italianos, essa misturança toda. Nós fazemos fronteira com todo mundo, Guiana, Venezuela, Peru, Colômbia, somos meio argentinos… Ser: …do Amazonas ao Rio Grande do Sul a identidade cultural é a mesma… Amorim: …e todo mundo vê a TV Globo no horário das oito! Só têm três jornais no Brasil: O Globo, a Folha e o Estado. A Veja, que é a revista que mais vende, é uma revista fascista! É uma revista fascista! Não tem nenhum compromisso com o Brasil. O Roberto Civita quer que o Brasil se lixe! Ele é americano, ele gosta dos Estados Unidos, se pudesse só falava inglês! Trabalhei com ele. Agora caiu a máscara do Roberto Civita. O Brizola tinha razão quando dizia assim: “qual é a nacionalidade do seu Roberto Civita, ele não é brasileiro!” Ser: Quando fala “caiu a máscara do Roberto Civita” você, que trabalhou com ele na Veja, já percebia “algo” atrás dessa máscara? Amorim: Ele tinha uma inclinação, mas até uma certa altura era mais contido. Acontece que ele herdou a empresa do pai – o irmão caiu fora. Ele ficou sozinho, começou a fazer um conjunto de besteiras, ele tem uma biografia de besteiras e quebrou a empresa – e precisou se safar de tudo quanto era jeito. E achou que o governo ia salvá-lo. E o governo Lula não salvou. Ele imprensou o governo Lula e o governo Lula não o salvou. E, nesse desespero, ele foi para onde sempre quis estar que é ser fascista. Ele é fascista. Ser: E por que é a revista mais vendida do Brasil? Amorim: Porque o Brasil tem um lado fascista. Sobretudo aqui em São Paulo. Eu recomendo a vocês irem no meu site, que tem lá um negócio muito divertido, de um leitor da revista Caros Amigos, sobre a minha entrevista, que é “a última flor do fáscio”, em que o cara fez a paródia de “A última flor do lácio” (poema de Olavo Bilac). Aquilo é uma obra-prima! Ser: Você falou da sua sede por ser um jornalista independente, ao mesmo tempo alguns expoentes do jornalismo – como o Jânio de Freitas por exemplo – também parecem independentes dentro de um jornal conservador. Como isso se dá nos bastidores, isso é possível? Amorim: Eu não conheço a história do Jânio, tenho uma grande admiração por ele. O Jânio foi editor-chefe de um jornal de qual fui editor-chefe, que é o Jornal do Brasil. E foi um grande jornal, entre outros motivos, por causa da passagem do Jânio de Freitas. Então, tenho muito respeito pelo trabalho dele. E espero ter estado à altura do trabalho dele quando fui editor-chefe do Jornal do Brasil. Não sei como é a relação dele com a Folha. Sei que quando ele chegou na Folha já era cobra criada, tinha a reputação dele, já era um profissional pronto e coroado, muito justamente. Então, acho que foi mais fácil para ele negociar um espaço de independência e liberdade… Ser: ...Muita gente assina a Folha por causa dos colunistas... Amorim: Sim, mas na minha modestíssima opinião tem colunista demais, eu preferiria que tivesse mais informação. A Folha e, aliás, a imprensa brasileira em geral têm muita coluna. Preferia que tivessem mais notícias. Ser: Nessa incongruência, um colunista coroado não sente um mal-estar na hora em que vê que o jornal é tendencioso ou desinforma na primeira página ou toma partido político? Amorim: Aí você tem que perguntar para o Jânio, (risos). Ser: Mas, por analogia, vamos falar de você que já trabalhou na Globo, na Veja. Em algum momento… Amorim: …aí você tem de rezar a cartilha. Ou você reza a cartilha ou dança, vai embora. Não tem conversa. Se você aceita trabalhar numa instituição, por suposto aceita as regras do jogo daquela instituição. Você não pode desrespeitar as regras do jogo – você tem um contrato, tem de honrar esse contrato. Quando trabalhei na Globo, fui absolutamente leal e fiel. Duvido que alguém lá na Globo levante um ato, um gesto meu que não tenha sido de fidelidade. Eu me orgulho muito de, em Nova Iorque, ter sido o jornalista que mais botou minutos no ar num ano de produção da Globo. Uma vez estava reivindicando aumento de salário lá, e fiz esse levantamento: botei um número de minutos recorde no ar, maior do que qualquer jornalista da Globo. Trabalhava feito um condenado, parecia que estava na Serra Dourada, entendeu? Agora, também não sou escravo. O regime capitalista estipula o seguinte: você vende a força de trabalho e o patrão compra em forma de salário. Quando se rompe esse vínculo… ele não é meu dono, eu não sou escravo do Roberto Marinho! Como não sou escravo da TV Cultura, do Jornal do Brasil… Eu sou eu, ué! Ser: Nesse momento, como você vive? Amorim: Sou funcionário da TV Record, onde estou muito feliz, tenho muitas oportunidades de trabalho, onde me tratam com muita cortesia e está tudo muito bom. Não tenho nada a reclamar. Ser: Não há conflito? Amorim: Não, até mesmo por não ter, na TV Record, uma atividade que me exponha ao cortejo diário da situação política. Se ficasse numa situação política que considerasse intolerável para mim, teria de ir embora. Não poderia tentar contrabandear uma notícia, não podia tentar trapacear o contrato e botar no ar uma coisa que não fosse do interesse da minha empresa. Rompe o contrato, paga a multa e manda embora; esse é o jogo. Ser: E a sua saída da Globo como foi? Amorim: Minha saída da Globo é o seguinte: se lhe oferecerem ganhar o dobro e voltar para seu país, o que você faz? Aí, virou um “não, você está com ressentimentos”. Ressentimento nenhum, queria era voltar para o Brasil! Não queria virar cidadão americano de quinta categoria. Se fico lá, sou um cidadão americano de quinta categoria, sou um hispano. Eu vou é voltar para meu país, perto dos meus amigos, da cidade que gosto, o Rio de Janeiro onde posso ir com freqüência, onde tenho uma casa maravilhosa, no meio do mato, cheio de passarinhos, de coqueiros… É isso! E vou ganhar o dobro! Ah .. eu não vou voltar? Não tenho nenhum problema com a Globo desse ponto de vista. Ser: Você concorda que a imprensa é formadora de opinião? Amorim: Plenamente, a imprensa forma opinião. No Brasil existe o livro A mídia e a eleição de 2006, do professor Venício Lima, editado pela Fundação Perseu Abramo, para a qual colaboro, em que fica provado cientificamente que o Jornal Nacional e os jornais escritos levaram a eleição para o segundo-turno, na segunda eleição do presidente Lula. Ser: E por que o Lula ganhou então? Amorim: O Lula ganhou por que ele foi para o segundo turno, se expôs e, no confronto direto com o Alckmin, as pessoas resolveram votar nele. O Lula teve na eleição de agora (2006), os mesmos 61% que teve na outra (2002). Ser: Você acha que no caso de Renan Calheiros… Amorim: …Até o momento, no dia 13 de novembro de 2007, às quatro horas da tarde e três minutos nós (data em que concedeu esta entrevista), Renan Calheiros é tão inocente, é tão puro quanto eu e você. Por quê? Porque houve uma acusação contra ele e a maioria dos senadores votou que ele era inocente. Quem condenou Renan Calheiros foi a imprensa. Agora precisa ver o que diz o Jefferson Peres, o que dizem os outros senadores que vão apresentar outros três relatórios sobre ele. Aí, os relatórios vão ser votados na comissão de ética, da comissão de ética vai para o plenário e, aí, o plenário decide. Isso aqui não é uma esculhambação! O Estadão, o Globo e a Folha não são o Judiciário. O Willian Bonner não é o Judiciário. Ser: Mas muitas vezes a imprensa julga, sentencia e executa… Amorim: Mas é claro… neste país a imprensa é irresponsável. A imprensa é inimputável. Ela diz qualquer coisa! Qual foi o crime do Renan Calheiros? Tem de provar. Não quero saber se ele vai ser condenado. Se ele for, ou não, para mim é a mesma coisa que se o Flamengo ir para a Libertadores – aliás, não me interessa, não é um problema que me diga respeito. Não estou interessado nisso. Estou mais preocupado no julgamento de Sócrates do que na condenação de Renan Calheiros… (…) O Renan Calheiros tem dois problemas: primeiro, ele é nordestino e, segundo, é da base do Governo. Se ele fosse catarinense, com aquela mesma carinha dele e de olho azul, com sotaque de alemão, ao invés de nordestino, e fosse de oposição, não tinha problema com o Renan Calheiros. Quantos senadores da república pagam suas contas com dinheiro de empreiteira? Ser: Tem alguma saída para a imprensa brasileira? Amorim: Olha, não sou muito cético. Acho que a internet pode desempenhar um papel no que concerne a dar mais opções. Espero que a concorrência na TV aberta possa contribuir. Ser: Qual a sua opinião sobre a TV pública? Amorim: Acho que é uma batalha razoavelmente perdida. Eu não sou otimista. Acho que o Brasil perdeu uma oportunidade; essa era uma discussão que o país deveria ter travado lá pelos anos 50, 60 ou 70 do século passado. Preferiria que o governo desse o chamado “salto tecnológico qualitativo”… Quando Roosevelt foi eleito pela primeira vez, seis em cada dez jornais eram contra ele. E o que ele fez? “Bom, não adianta porque eu não vou convencer os jornais a ficarem meus amigos, são ultraconservadores e eu, democrata, sou a favor do new deal, quero ajudar o pobre.” Esse era o problema do Roosevelt. Então, ele fez uma aliança estratégica com as rádios. Ele deu um pulo tecnológico, foi lá para frente e ficou amigo das rádios. E por que ficou amigo das rádios? Ele preservou um sistema privado de exploração e isso foi reproduzido no sistema de formação da televisão. Por isso nos EUA tem-se uma televisão comercial e não uma televisão pública como na Inglaterra. Muito bem, o Brasil lamentavelmente recriou fielmente o modelo americano, e deu no que deu – que é a sucessão de um monopólio do Chateaubriant para o monopólio do Roberto Marinho. Muito bem, acho que o governo Lula deveria ter investido tudo no salto tecnológico, em informação na internet, na web, na banda larga – uma disseminação mais rasgada de conteúdo em qualquer mídia que pudesse ser absorvido, sobretudo na web. E botar computador e banda larga na mão das crianças, e tirar do controle dessa mídia lamentável que a gente tem. Além do mais, esses jornais escritos brasileiros… se for à Argentina, você chora! Vai lá compra o La Nación, você chora! A qualidade geral dos jornais argentinos é oitocentas vezes melhor! A imprensa brasileira disse que Cristina (Kirchner) ia perder! A imprensa brasileira diz que quem votou na Cristina foi o pobre. Que absurdo! Foi o pobre que votou na Cristina? Ela teve a maior margem de vitória da história da democracia argentina. É uma coisa… se você for ao Chile, chora lágrimas de sangue! Se for ao México, você chora lágrimas de sangue! Em Portugal, chora! (A brasileira) é uma imprensa lamentável, analfabeta, superficial, medíocre… Ser: A imprensa não é um reflexo da sociedade? Amorim: Não, não. A imprensa brasileira ficou na mão de um grupo reduzido de empresários medíocres. Como empresários, eles são medíocres. São maus empresários. Os filhos do Roberto Marinho são maus empresários. O Roberto Civita não conseguiu acrescentar nem uma centelha de talento e de diversificação ao que o pai lhe deixou. O pai dele era um bom empresário. Agora, o Roberto Civita não fez nada que o “seu” Vitor não tivesse feito. Em todas as tentativas de diversificação, ele deu com os burros n’água. O que tem do Roberto Civita na internet? Nada! Zero! A TV Globo é a mesma de quando o Roberto Marinho e o Boni estavam lá! Eles não conseguem! E é por isso que eles vão tomar um ferro da Record, porque eles perderam a capacidade de inovar! Não tem uma idéia nova na Globo há muito tempo. Eles deixaram o Tom Cavalcanti sair e o Tom está dando uma surra no Faustão. Ser: Com o advento da internet, a democratização da imprensa ficou maior. Se um jornal não publica uma coisa, a internet vai publicar… Amorim: Eu não tenho dúvidas. O ACM disse: “se o Jornal Nacional não deu, não aconteceu!”. Mentira! Quando o Jornal Nacional vai pro ar, já está tudo na internet! O Jornal Nacional é uma cozinha do que já foi pro ar. Ser: Então a saída seria popularizar a internet? Amorim: Essa é a minha opinião. Mas pode ser que eu esteja errado.
Escrito por Eduardo Guimarães às 13h55
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Editorial do iG
Atualizado às 10:39 hs de 22 de março de 2008
Finalmente o iG deu - ou pretendeu dar - satisfação ao seu público sobre o expurgo do Conversa Afiada e de Paulo Henrique Amorim. Optou por publicar um editorial (clique aqui para ler) assinado pelo seu presidente, Caio Túlio Costa, em que trata a decisão de tirar o jornalista do ar como mero produto de necessidade empresarial de manter o iG "equilibrado e saudável", como se fosse crível que a saúde comercial do veículo pudesse ser afetada por um único conteúdo entre o mar de conteúdos que abriga.
É evidente que o iG agiu fora de hora e sob pressão, mas agiu. E agiu porque se convenceu de que não foram só reações políticas que decorreram da demissão intempestiva de PH. À esta altura, parece claro que a atitude truculenta do veículo produziu o verdadeiro milagre de fazer até quem praticamente odeia o jornalista solidarizar-se com ele.
Surpreende, no entanto, que o experiente jornalista Caio Túlio Costa não tenha entendido do que é que se trata a reação do público que sucedeu a demissão de Paulo Henrique Amorim, feita a toque de caixa e de forma praticamente subterrânea. Se tivesse entendido, não buscaria se escudar - ou ao iG - na suposta atitude do demitido e de seus colaboradores de não terem retirado o que lhes pertencia (material e intelectualmente) das instalações físicas e virtuais do portal de internet apesar de a empresa ter lhes facultado isso, e optando por recorrer à Justiça para tomar posse daqueles pertences.
Ao afirmar que PH e sua equipe poderiam ter copiado os arquivos do Conversa Afiada hospedados no IG, bem como retirar outros pertences que se encontravam nas instalações físicas do portal, Costa remete o leitor de seu editorial à hipótese de que o jornalista defenestrado teria buscado revestir de teatralidade a decisão de que foi objeto.
Não sei se é verdade que o iG facultou ao PH e à sua equipe retirarem suas propriedades intelectuais e materiais de suas instalações físicas e virtuais. Se facultou mesmo, o jornalista expurgado não fez nada mais, em termos de teatralidade, do que fez o iG ao demití-lo de forma tão intempestiva.
O que se esperaria do iG, na pessoa do responsável oficial pela decisão de pôr fim ao contrato com PH, era que agisse de forma elegante e honesta não só com o demitido, mas com seu público, anunciando previamente o fim da relação entre empresa e profissional e dando a este a oportunidade de se despedir de seu público naquele espaço, e de indicar onde deveriam procurá-lo. Como já foi dito por várias pessoas, agindo como agiu o iG parece ter pretendido causar danos à imagem do jornalista, dizendo que ele "dava prejuízo por falta de audiência", teoria que não resiste às manifestações de apoio que PH vem recebendo e da própria necessidade do portal de se manifestar com (grande) atraso para explicar sua decisão.
Acho que a emenda saiu pior do que o soneto. A mera hipótese de PH ter procurado revestir de teatralidade a tomada de posse de suas propriedades físicas e intelectuais no iG em nada diminui o jornalista, pois ele teria mesmo que recorrer a alguma estratégia para evidenciar a forma totalmente irregular com que o contrato consigo foi rompido.
Pessoalmente, acho verossímil que o recurso à Justiça de PH para tomar posse de seus bens no iG foi uma forma que encontrou para chamar a atenção do público para a forma, digamos, pouco ortodoxa escolhida pela empresa para romper consigo. Nesse contexto, vale a pena reproduzir considerações que recebi de uma contemporânea de PH na PUC-RJ. Apesar de essa pessoa ter dito que "adora" o jornalista, preferiu não se identificar. Ela me fez tais considerações por e-mail e, com sua permissão, reproduzo, abaixo, o que me foi dito.
"O PHA não é novato em Internet e em jornalismo político. Ele devia saber muito bem que suas opiniões e reportagens (a incrível revelação dos cartões corporativos de Serra, por exemplo, ou o desvendamento dos interesses no que ele chama de BrOi e a probabilidade de um favorecimento e, mais do que isso, de uma escada para o controle do Daniel Dantas na nova empresa, ou a insinuação de que esse negócio interessa a autoridades do governo) provocariam, mais dia, menos dia reações dos grupos e pessoas envolvidas, e deveria saber também, por experiência própria, que essa gente não respeita limite algum. E muito menos teme a indignação dos leitores do IG. (...) Como é que PH não fez backups do seu site?
Será que uma empresa do porte do IG não sabia que reter o conteúdo da página dos últimos quatro anos é crime contra a propriedade intelectual? Será que só descobriram isso depois que o advogado do PHA entrou com uma óbvia ação e ganhou uma óbvia liminar?
É claro que a situação toda é de provocar indignação, a demonstração da falta de respeito e escrúpulos de um portal que, antes de ser de imprensa, é de empresa e se subordina aos interesses dos seus donos ou aliados comerciais e políticos. É uma situação emblemática, que nos deve levar a refletir sobre a entrada dos grandes grupos empresariais no espaço dos blogs, com seu poder econômico e seus recursos tecnológicos.
Como já disse, não confio no Prêmio Ibest, como não confio em premiação alguma que não tenha critérios rigorosos de avaliação e votação. A do Ibest mais parece a do BBB. A fixação em porcentagens, considerando a fragilidade do controle de quem vota, é ridícula, coisa de escola de samba e seus "Nota Dez".
Na minha modesta opinião, um blog ou um site político vale pela qualidade dos assuntos que debate, pela qualidade dos comentários que suscita, pela relevância dos temas que aborda, pela honestidade do tratamento desses temas. Mas o prêmio dá, sim, visibilidade aos que produzem na imprensa e na internet, portanto parece ter alguma legitimidade, dado que tanta gente boa se inscreve ou aceita ser inscrito por outrem e escancara a candidatura, estimula-a, alguns pedem pelo amor de Deus para que votem em si.
Não acho nenhum dilema você ter sido inscrito, não retirar sua candidatura, manter a declaração de que está lá concorrendo e, se ganhar, avaliar como deve se comportar. As porcentagens e a colocação que seu blog vem obtendo lhe foram atribuídas pelos seus leitores, inclusive eu, que assim acharam conveniente. Acho que esses votos já dados são tanto propriedade de seu blog quanto dos que nele votaram. Enquanto não houver uma denúncia comprovada de que o Ibest é manipulado pelo seu patrocinador Oi, creio que o concurso mantém a relevância que tantos lhe atribuem.
E o selo do Ibest, quer dizer o quê? Que seu blog está inscrito no concurso, não para que os donos do IG votem em você, mas para que os seus leitores, que assim o desejarem, votem no blog.
E mais: na realidade, acho que o meu amigo e ex-colega PHA, vítima sem dúvida da truculência dos inimigos que criou em sua página, não está contando a história toda. Sei lá por quê. E creio que a discussão do acontecido deve ser tratada politicamente, e não pessoalmente"
Reproduzi o que a leitora escreveu porque é uma pessoa com quem já mantenho contato há bastante tempo, uma pessoa que conheço pessoalmente e de quem posso atestar a idoneidade. Infelizmente, ela não quer se expor e, portanto, não posso citar-lhe o nome. Mas acho suas ponderações muito pertinentes e eu mesmo já havia pensado nelas.
Acredito, portanto, que o iG jogou fora uma oportunidade de ouro de se recuperar do grave abalo que se abateu sobre sua imagem por conta da atitude inexplicável que tomou. Agora, depois de publicar esse editorial que trata dos assuntos pela metade e que tenta criminalizar uma possível estratégia do PH para chamar a atenção das pessoas para o claro ataque de que foi vítima, pelo protocolo empresarial das grandes empresas de mídia terá dificuldade em voltar ao assunto, perpetuando o dano à própria imagem.
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Recebi de meliantes o ridículo e-mail reproduzido abaixo, contendo vírus nos links em que a mensagem pede que eu clique para obter "informações" sobre "procedimento investigatório" contra mim no mesmo MPF no qual fiz, em nome da ONG Movimento dos Sem Mídia, representação contra meios de comunicação por conta de alarmismo referente à febre amarela.
Os meliantes são tão estúpidos que acreditam que todos são estúpidos como eles. Só alguém muito desinformado é capaz de acreditar que o MPF intimaria alguém por e-mail na madrugada de um sábado. E só alguém com culpa no cartório iria se preocupar com investigação contra si, o que não é meu caso.
Sugiro àquele ou àqueles que cometeram esse crime que ponham as barbas de molho, porque abrirei investigação junto às autoridades competentes a fim de investigarem e descobrirem o autor do golpe. E se pensam que vão me assustar, estão malucos. Não tenho medo. Sobretudo de gente burra assim.
Vale comentar que já recebi esse tipo de mensagem "contaminada" várias vezes, porém elas sempre param no antispam do meu e-mail. A que reproduzo abaixo, porém, veio direto à minha caixa de entrada, ou seja, quem enviou o e-mail fez o teste do antispam do UOL para colocar a mensagem diretamente na caixa de entrada, o que significa que não foi um envio massivo e sim direcionado especificamente a mim.
PROCEDIMENTO INVESTIGATÓRIO N.º 1580/2008
Prezado, (aqui colocaram meu e-mail, em lugar do meu nome - burros, mil vezes burros!!)
Assunto: INTIMAÇÃO PARA COMPARECIMENTO EM AUDIÊNCIA, relativa ao procedimento investigatório em epígrafe número 5NTAUVKiwpR9ce0 a partir de 19/03/2008, em tramitação nesta Regional, conforme despacho em anexo.
Caso queria consultar on line, clique aqui e siga as intruções no SAC.
Observação: O não comparecimento poderá resultar na condução do intimado, sem prejuízo do mesmo responder pelo crime de DESOBEDIÊNCIA previsto no Art. 330 do Código Penal e cujas penas vão de 15 dias a 6 meses de detenção e multa.
Cumpra-se: Dado e lavrado nesta de cidade, na sede dete Ministerio Publico Federal em 15/03/2008.
ANEXO INTIMAÇÃO_PDF.ZIP(16k)
Escrito por Eduardo Guimarães às 23h40
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A polêmica IG
Em qualquer análise, julgo que os princípios da lógica e da ética devem ordená-la e pautá-la. Para ordenar esta análise - que, na verdade, é bem mais do que uma análise, é uma tomada de decisão - tenho que começar pelo fato que gerou tal polêmica, que é a demissão de Paulo Henrique Amorim pelo Portal IG. Diante dessa premissa, vamos fazer algumas perguntas:
1. Em que nos afeta a demissão político-ideológica - e de supostos interesses outros - que sofreu Paulo Henrique Amorim?
2. Por que estamos considerando esse fato um atentado à liberdade de expressão? Há motivo para tanta indignação ou foi uma decisão meramente empresarial?
3. E o IG, sob Caio Túlio Costa, tornou-se reacionário?
4. E o prêmio Ibest? Manter o selo no próprio blog ou site e aceitar votos no concurso é compactuar com o ato discricionário do IG?
E, depois, vamos respondê-las:
Nós e a demissão de PH
O que afeta a todos os brasileiros, independentemente de opção político-ideológica, não é a demissão de PH, mas o que ela representa. A demissão dele significa que quem tem que buscar trabalho de jornalista terá que faze-lo só em veículos que tenham a mesma opinião que a sua, ou terá que mudar de opinião. E como o grosso dos empregos está nos veículos conservadores, quem quiser achar emprego mais facilmente terá que ir tratando de se adaptar à opinião deles.
Dirão que esses veículos detém essa parte do leão do mercado porque são mais “competentes” Contudo, não são. Tudo se trata de dinheiro. Os maiores capitais direcionam-se a esses veículos porque eles compartilham suas opiniões.
E não é só isso. Este blog, por exemplo, está ameaçado pelo que aconteceu com o PH. Está hospedado no UOL. E se ele decidir que não me quer mais como cliente?
O IG agrediu a liberdade de expressão?
Resta, ainda, a questão da falta de explicação do IG àqueles que liam o PH. O ombudsman do portal está se limitando a dar sua opinião sobre a saída de PH, mas, até pela característica de sua função, que é a de olhar as críticas pelo ângulo do leitor, ele não poderia ser o porta-voz da explicação oficiosa do IG.
Há quem defenda a tese de que tudo não passou de mera decisão empresarial do IG. Não é. O carimbo “decisão empresarial” não pode ser uma espécie de salvo-conduto para praticar qualquer ato. Um portal de internet que subtrai de seu público um conteúdo tão popular como até o Ibest, do próprio IG, diz que é o site do PH e não comunica nada a esse público, decididamente está faltando com o respeito a ele.
O que penso do IG
Sobre o portal e seu presidente, o jornalista Caio Túlio Costa, o que parece ter se estabelecido como fato inquestionável é que se venderam ao que o PH chama de PIG. Paralelamente, no entanto, o Nassif disse algo sobre o IG que, devido ao respeito que tenho pelo jornalista, não posso simplesmente descartar. Vejam:
“1. Há dois meses estou enfrentando o esquema mais barra-pesada que já atuou na imprensa brasileira. Nesse período todo, não houve nenhuma pressão da parte do iG. Em nenhum momento sofri qualquer espécie de veto ou restrição.
2. Houve um rompimento unilateral do contrato do iG com o Paulo Henrique. As duas partes têm sua dose de razão nas reclamações recíprocas, embora a forma como se deu o rompimento tenha sido desastrosa e deselegante.
3. Desejo todo sucesso do mundo ao Paulo Henrique – que, aliás, me ligou hoje de manhã agradecendo a nota que coloquei sobre sua saída, assim como a menção ao novo endereço do seu site. Da parte do iG, recebi ligação também informando que nada muda na liberdade com que o Blog tem atuado.
4. De modo algum o episódio pode ser interpretado como vitória do jornalismo de esgoto ou perda de espaço da blogosfera independente. O iG continua um espaço democrático. E Paulo Henrique sai bastante fortalecido com o episódio e as demonstrações de solidariedade e apoio que recebeu.
5. Aos leitores fiéis peço paciência e esforço para baixar a fervura.”
O último tópico da manifestação de Nassif alude aos seus “leitores fiéis”. O que significa isso? Significa o mesmo que eu disse no post anterior, que não se pode desqualificar nada ou ninguém a toque de caixa e na primeira vez em que tivermos alguma discordância.
Isso não quer dizer que não tenha minhas dúvidas de que o IG deixou de ser um espaço democrático. Porém, no mesmo IG ainda perduram o próprio Nassif e ninguém mais, ninguém menos do que o ex-ministro José Dirceu. Ambos incomodam aos mesmos que PH incomoda.
Minha opinião, portanto, é a seguinte: acho que o IG deve a todos nós uma resposta que contemple as evidências de que o motivo que alegou para extinguir o contrato do PH é um motivo fraco diante de outras evidências, como a produzida pelo fato de que sites com audiência bem menor do que a do mesmo PH permanecem no IG, de maneira que enquanto o portal não resolver oferecer explicação melhor a afirmação de Nassif sobre ele continuar sendo democrático, fica em xeque.
Este blog no Ibest
Primeiro, quero esclarecer um ponto que acho que todos conhecem, mas que, pelo sim, pelo não deve ser repetido: o blog Cidadania não postulou candidatura ao prêmio Ibest de melhor blog político pelo simples fato de que jamais cheguei a imaginar que pudesse ao menos ser aceito na premiação.
Muitos que visitam o Cidadania pensam que sou jornalista. Não sou. Ganho a vida viajando a outros países para fechar contratos de exportação de autopeças para indústrias brasileiras. No decorrer dos anos, amealhei alguma habilidade jornalística porque acho o jornalismo vital para uma nação.
Dito isso, vamos nos ater ao seguinte: fui obrigado a tomar uma atitude diante do caso IG. PH mandou suas equipes de reportagem cobrirem todas as ações do Movimento dos Sem-Mídia, como a manifestação diante da Folha, a manifestação diante da Globo, a Assembléia constitutiva da ONG e a entrega de representação ao Ministério Público no caso da febre amarela.
Eu jamais faria pouco caso dos leitores que votaram no Cidadania no Ibest. Se alguém que votou neste blog e não gostou de ver eu dizer que retiraria o selo do concurso daqui sentiu-se assim, peço que entenda que eu não retirei candidatura nem pedi para não votarem no Cidadania. Diante desse dilema, decidi consultar os leitores.Devo explicar que editei os comentários. Vejam:
Jairo Fernando - BH - MG - autônomo Eduardo, acredito que devemos respeitar as decisões dos demais blogueiros. No entanto, não concordo com a retirada dos blogs que concorrem ao prêmio Ibest. Votei no seu blog e agora meu voto é inútil? Se ganhar o prêmio, vá lá, pegue o prêmio e, nos minutinhos de discurso, dê algumas palavras de apoio ao PHA * Marco Aurelio - Teresina - Piauí - Engenheiro Retirar o candidatura, eu acho, é impedir que outras pessoas tomem conhecimento do que você escreve. * Jacimar Bom Fim - Vila Velha - ES - Estudante Não concordo com o método utilizado pelos blogs de mostrar sua solidariedade a PHA se retirando do concurso do Ibest. * Romério Rômulo - Ouro Preto - MG - Professor Universitário Eduardo: nunca me interessei por prêmios, já que tudo vira um grande negócio. Nessa coisa de Ibest, não fui lá votar, apesar de ter minha predileção. * Vera Pereira - Rio de Janeiro - RJ - Professora Aposentada
Não creio que o fato de o Ibest pertencer ao IG desabona necessariamente a votação. Por outro lado, não acho relevante essa premiação, cujo método de votação me parece irregular, em princípio. Em resumo: pra mim tanto faz que você retire ou mantenha sua candidatura. Não mudará em nada minha opinião sobre seu blog. * Angelus - Campos - RJ - Professor Caro Eduardo, escrevi para o portal Ibest pedindo para retirar os votos quer dei em vários blogs, inclusive no seu. Não mereci resposta até o momento. * Edmar Silva - São Paulo - SP - Representante Comercial Edu, desculpe, mas não dá pra compartilhar essa decisão. Você é que tem que tomá-la Eu manteria o selo, mas isso sou eu. * Carlos - São Paulo - SP - Autônomo (...) Premio ibest? Votei, mas não vejo o que isso muda alguma coisa. * Osvaldo - Belo Horizonte - MG - Empregado Público Prezado Eduardo, em minha modesta opinião seu blog deve permanecer na disputa. * Barbara Melo - Curitiba - PR - Industriária Edu, retirar a candidatura deste Blog ao premio IBEST, não acho bom. Creio que a premiação, para um Blog como o Cidadania e/ou o do PHA, dará força e maior solidez nos enfrentamentos. * Carlos Henrique Simões da Costa - Recife - PE - Funcionário Público Eduardo, entendo perfeitamente a atitude de alguns "blogs" de esquerda que resolveram retirar suas candidaturas do Prêmio Ibest. Todavia, desde que o concurso seja realmenre sério acho melhor que os "blogs" de esquerda lá continuem. * Ricardo - São Paulo - SP - Comerciante Eduardo, não concordo com a retirada do selo. * Jurema - São Paulo - SP - Aposentada Boa noite Edu, minha opinião é a de que deve continuar com o selo em respeito aos que votaram no seu blog, eu inclusive.
Não é fácil a vida de blogueiro. PH levantou dúvidas sobre o Ibest. O Azenha, não, mas retirou o selo e pediu para não votarem nele. O Mino Carta saiu do IG. Por outro lado, site respeitável como o Vermelho ou o Nassif irão se manter no Concurso. Penso, portanto, que é melhor esperar. Mas ao manter ou retirar o selo não estarei pedindo para votarem ou não no Cidadania.
Escrito por Eduardo Guimarães às 23h23
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O livre pensar
Atualizado às 11:05 hs. de 20 de março de 2008
"Se se quiser pôr à prova o caráter de um homem, dêem-lhe o poder."
Abrahan Lincoln
Um criminoso, quando mata, estupra ou comete qualquer atrocidade, se se conseguisse extrair dele a verdadeira razão pela qual cometeu o crime ele diria que fez o que fez simplesmente porque podia fazer. É disso que se trata essa questão envolvendo o Paulo Henrique Amorim e o IG.
À esta altura, acho difícil alguém acreditar na justificativa que o IG (não) deu (diretamente) para defenestrar o jornalista. Trata-se de uma atitude fria, protocolar, profundamente desrespeitosa com a parte do público do portal que gostava do que PH fazia.
Quem tirou o Conversa Afiada do ar no IG, fez isso porque tinha poder de fazer. Não se importou com o precedente que é para uma nação os mais poderosos começarem a calar os mais fracos por esses métodos. Isso acontecia no regime militar com aqueles que incomodavam a ditadura - sem grande ousadia, porque os que incomodavam mais eram calados definitivamente.
Não sei se foi o Daniel Dantas, o Citibank, a Veja ou o José Serra que tirou PH do ar, mas sei a quem ele incomodava.
Diante disso, entende-se o ânimo exaltado das pessoas. O que parece ter entrado em jogo é a liberdade de expressão, que tentam cercear nos jornalistas que não rezem pela cartilha dos grandes meios de comunicação.
É preciso, no entanto, usar a cabeça e, passado o choque da constatação de que as coisas estão indo muito mal neste país do ponto de vista político, pensarmos no que podemos fazer de verdadeiramente efetivo. Aliás, é o que eu venho pregando aqui, fazer mais e falar menos.
Em primeiríssimo lugar, fiquei surpreso com uma informação contida no site do ombudsman do IG, Mario Vitor Santos, de que tinha recebido, primeiro, 54 mensagens protestando contra a expulsão de Paulo Henrique Amorim do IG, e, depois, mais 54 mensagens, até a hora em que escrevo.
Basta olhar para a quantidade de comentários postada nos principais blogs e sites de esquerda para se notar que está faltando uma mobilização maior em protesto contra essa verdadeira ameaça à liberdade de opinião e de expressão. Tenho certeza de que podemos fazer muito mais do que isso...
Apesar de eu não gostar muito de manifestações virtuais, pois prefiro mostrar cara, voz, idéias e atitudes, acho que, antes de mais nada, é preciso um protesto maciço via e-mail. Só que não adianta o destempero, os maus modos, os insultos e as ofensas. Argumentem com serenidade e solenidade, é o meu conselho.
Quem quiser segui-lo, o endereço do ombudsman do IG é : ombudsman@ig.com.br
Novos passos precisarão ser muito bem refletidos.
Um outro assunto a tratar é o prêmio Ibest. Sei que gente respeitável da blogosfera, como meu amigo Luiz Carlos Azenha, retirou sua candidatura, apesar de bem colocado.
Antes de fazerem isso, vi comentário de que todos os blogueiros independentes estariam intimados a retirarem suas candidaturas ao prêmio sob pena de "cumplicidade". Vi também criticarem àqueles que não se solidarizaram com o PH ou que não o fizeram "suficientemente". Sendo explícito, como gosto de ser, referiram-se a Luis Nassif.
Eu, particularmente, digamos que "brochei" com o prêmio Ibest, por isso pedi ao meu genro, que é quem entende dessas coisas, para retirar o selo do concurso deste blog assim que puder. Não posso retirar a candidatura do Cidadania ao prêmio porque este blog não se candidatou, foi inscrito.
É uma pena, porque o Ibest teve o mérito de provar uma teoria que eu já tinha veiculado aqui, a de que a blogosfera de esquerda - ou ao menos a que não é esquerdofóbica - é muito maior do que a blogosfera da direita. Vejam que só dá blogs de esquerda no Ibest. E não pensem que o IG tem - ou tinha - tantos blogs não-alinhados à grande mídia à toa. É que esses são os blogs mais populares e com maior audiência.
Só para lembrar: eu publiquei aqui, faz algum tempo, uma análise da última pesquisa Datafolha sobre a popularidade do governo Lula que mostrava que aqueles que o apóiam e que têm curso superior - e que, portanto, supostamente seriam os que lêem mais, informam-se mais - são exatamente o dobro dos que o rejeitam.
A teoria de que o IG estava manipulando a votação no Ibest em favor dos blogs de esquerda porque era "petista", porém, desmoronou como um castelo de areia tolhido pelas ondas do mar. O expurgo do Paulo Henrique Amorim do IG prova isso. Extinguir o único blog assumidamente pró governo que há num grande portal de internet, só sendo muito cínico para dizer que não é a maior prova de que nunca houve manipulação pró esquerda coisa nenhuma.
Agora, pela teoria Reinaldo Azevediana, como o IG, supostamente, tornou-se simpático à direita por ter defenestrado o PH, certamente que os blogs de esquerda, por tal teoria, deveriam minguar na votação.
Quero dizer, também, que lamento muito o que aconteceu com o IG, porque é presidido por Caio Túlio Costa, a quem sempre respeitei por conta do belíssimo trabalho que fez como o primeiro ombudsman da Folha e do país, enfim, por suas posições sempre corretas. Custo a acreditar que ele faz parte de um ato tão vil, não contra PH, contra Lula ou contra a esquerda, mas contra a liberdade de expressão no Brasil.
No entanto, cumpre-me dizer que acho açodamento, patrulhamento e efeito manada alguém querer impor este ou aquele comportamento a qualquer um. Se o Nassif não se pronunciou "suficientemente" contra o que fizeram com o PH, não sei mensurar. Mas acho que é preciso haver mais respeito pela individualidade de cada um.
Eu, por exemplo, não poderia deixar de tirar deste blog o selo do Ibest. É a única forma que encontro para protestar contra a atitude descabida e desrespeitosa do IG contra alguém que me deu apoio em todas as vezes que precisei dele.
Contudo, não acho justo começar essa boataria contra o Nassif. Para mim, ele não precisa provar mais nada. Seu trabalho, sua vida profissional falam por ele. É bom pensarmos nisso, ou acabaremos nos igualando àqueles que criticamos.
*
Leitores que votaram neste blog como candidato ao prêmio Ibest de melhor blog político estão manifestando descontentamento com o anúncio que fiz ontem de retirada do selo do concurso daqui, leitores como Jairo Fernando, de BH, conforme sua manifestação abaixo.
“Eduardo, concordo com suas argumentações e acredito que devemos respeitar as decisões dos demais blogueiros a respeito da demissão do PHA. No entanto, não concordo com a retirada dos blogs que concorrem ao prêmio Ibest. Estarão fazendo justamente o jogo dos adversários, que serão os únicos a receber os prêmios. Votei no seu blog e agora meu voto é inútil porque o PHA foi demitido? Se ganhar o prêmio, vá lá, pegue o prêmio e, nos minutinhos de discurso, dê algumas palavras de apoio ao PHA e de desagravo ao IG”.
Vejam bem: eu não tenho como retirar a candidatura deste blog ao Ibest, porque não apresentei sua candidatura. Alguém inscreveu o Cidadania no concurso e o blog não sairá de lá só porque eu tirei o selo. Assim, quem votou no Cidadania não perderá seu voto.
Talvez a melhor forma de resolver isso seja pedir vossa opinião. Apesar de este ser um blog, um diário pessoal na internet, não posso deixar de levar em conta o fato de que seu leitorado tem todo direito de opinar. Trata-se do mesmo respeito ao leitor que cobro do IG. Assim, quem puder que por favor opine sobre o que acha da retirada ou não do selo.
Escrito por Eduardo Guimarães às 22h07
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Demissão de PHA
Atualizado às 7:35 hs. de 19 de março de 2008

Paulo Henrique Amorim Caio Túlio Costa
O site de Luiz Carlos Azenha informa que Paulo Henrique Amorim foi demitido do IG nesta terça-feira. Por fax. O que chama a atenção, de cara, é a intempestividade da medida do portal de internet. Se não fosse o Azenha, estaríamos acessando o site do PH sem conseguir, e sem saber por que. Há boatos (na internet) de que Daniel Dantas estaria por trás da demissão do jornalista. PH, no entanto, tem desafetos bem mais influentes do que Dantas, figura obscura, polêmica e avessa a declarações públicas, até por conta de seu envolvimento em escândalos. PH cunhou o termo PIG (Partido da Imprensa Golpista) para se referir aos maiores meios de comunicação do país, tais como Globo, Folha, Veja etc. O jornalista demitido também tem sido um crítico mordaz e constante do PSDB e do Democratas, notadamente de José Serra e de Fernando Henrique Cardoso. O IG, por sua vez, é controlado pelo Internet Group do Brasil S.A., empresa de capital privado responsável pela operação dos portais IBest e BrTurbo.
O Internet Group do Brasil S.A. tem sua composição societária dividida da seguinte forma:
A presidência da direção executiva do IG é exercida pelo jornalista Caio Túlio Costa, que trabalhou durante 21 anos na Folha de S. Paulo, onde foi editor, secretário de redação e o primeiro ombudsman da imprensa brasileira. O IG também abriga várias páginas de internet de linha incômoda para figuras como Dantas, Serra, FHC, as famílias midiáticas, o PSDB e o DEM. Estão hospedados no IG os sites de Mino Carta, José Dirceu, Luis Nassif e outros. Considero uma enorme falta de respeito do IG para com seu público tirar o site do Paulo Henrique do ar assim, sem mais nem menos. Fica praticamente impossível deixar de especular sobre as possíveis injunções políticas do fato. Aguarda-se uma explicação do IG. Enquanto não vem, permite especulações e preocupação de que pode estar começando uma caça às bruxas jornalística, promovida sob as ordens de grandes empresas de mídia e de políticos que todos sabem quem são e que têm ascendência sobre tais empresas.
*
O Azenha informa o novo endereço do PH na internet :
O link nos sites indicados por este blog já está devidamente atualizado.
*
O ombudsman do IG, Mario Vitor Santos, comentou a recisão do contrato com Paulo Henrique Amorim:
"O leitor do iG foi surpreendido hoje, entre 16h15 e 16h30, com a retirada do ar do site “Conversa Afiada”, de Paulo Henrique Amorim. Oficialmente, a assessoria de imprensa do iG informa que “o contrato foi rescindido pelo iG e que todas as cláusulas rescisórias foram atendidas”.
Diz o iG que vem fazendo uma reestruturação do portal, o que inclui 'a rescisão de contratos desvantajosos para a empresa'. Era o caso do site de Paulo Henrique Amorim, o qual, segundo o iG, não trazia 'receita nem audiência'. Essa é, em essência, a manifestação oficial do iG.
Este ombudsman já criticou e elogiou o trabalho de Paulo Henrique Amorim no iG. O estranho é testemunhar a ruptura súbita, sem aviso anterior ou posterior aos leitores, afetando um site notoriamente controvertido.
Mensagens de internautas surpresos e confusos cobram maiores explicações do iG.
O leitor José Lima faz a pergunta óbvia:
'O Paulo Henrique Amorim não escreve mais no IG? Não encontrei o blog dele hoje no site. Se isso é verdade, não deveria ter sido comunicado pelo IG aos leitores?'
A leitora Rosemeire Lima mostra-se surpresa:
'Levei um tremendo susto quando acessei o iG hoje e não achei o "Conversa Afiada". o que aconteceu? Vocês o tiraram do ar? O PHA parou com o iG? Espero que estejam passando somente um problema técnico e amanhã já se resolva, mas mesmo isso deveria ter sido comunicado pelo iG. O Conversa Afiada é um dos poucos espaços da mídia brasileira em que se pode ler notícias e opiniões que não foram manipuladas pela grande máquina que algema e amordaça os meios de comunicação brasileiros. O Brasil precisa de democracia e isso só se faz com Imprensa realmente Livre e não com papagaios e macaquinhos prontos para repetir baboseiras e bater palmas para toda a besteira que um grupo de pessoas que dominam os meios de comunicação quer. Democracia é liberdade de opinião, é direito a discordar, é o sagrado direito do povo de cobrar dos que estão no poder honestidade e seriedade. O iG com seus Blogs, (Mino Carta, PHA, e Luís Nassif) é um dos poucos espaços onde ainda se respira democracia. Por favor, não cortem mais esse espaço, pois do jeito que estamos vamos chegar ao triste momento em que teremos que começar a ler os jornais internacionais para saber o que se passa pelo Brasil.'
Ou ainda o leitor Roberto Monico Júnior, que diz:
'O que o IG fez com o Conversa Afiada? Você consegue explicar (com a mágica retórica dos assessores de imprensa) sem queimar o site? O iG agora está fazendo parte do PIG?'
A favor de Amorim há o fato de ele defender opiniões únicas no panorama da grande mídia nacional. Contra ele há o fato de que essas opiniões às vezes vinham acompanhadas de ataques pessoais desnecessários.
Não se discutem opções empresariais que fazem parte das atividades de qualquer empresa. Caberia, porém, um esclarecimento público e voluntário do portal sobre a ruptura com Amorim e sobre sua relação com temas sensíveis, como o processo de compra, pela Oi, da Brasil Telecom, proprietária deste iG. Amorim é crítico radical desta compra e tem atacado os que a defendem.
De qualquer forma, o iG e, de resto, todos os grandes veículos brasileiros, devem informar sobre si próprios com a transparência que cobram das outras instituições, e como fazem os melhores veículos da mídia internacional.
Em tempo: este ombudsman solicitou contato com Paulo Henrique Amorim, para colher sua opinião.
Ainda em tempo: o iG informa que a saída do ar do Blog do Nassif hoje no início da noite deveu-se a trabalhos de manutenção anunciados pelo próprio blog."
Comentário: Seria interessante saber qual é a "receita" que dão os outros sites e blogs políticos do IG que o do PH não vinha dando. Aliás, como é que o IG obtém essa "receita"? Publicidade? E a audiência? Será que os outros blogs e sites políticos que continuam no IG são tão superiores, em termos de audiência, que ficarão lá enquanto o do PH sai? O Ibest revela que o Conversa Afiada era popularíssimo...
Está difícil de engolir essa explicação do IG. Ela parece pior do que a não-explicação. Talvez por isso o IG não seu manifestou.
*
Piada pronta: Reinaldo Azevedo está pedindo que seus leitores façam comentários "elevados" sobre a demissão de PH.
*
Hoje (quarta-feira) farei uma viagem rápida ao interior de São Paulo e, portanto, não haverá novo post, mas darei um jeito de liberar comentários.
No entanto, o assunto da demissão do Paulo Henrique Amorim pelo IG está longe de se esgotar. No fim do dia, voltarei ao assunto.
Enquanto isso não acontece, peço a vocês que continuem fazendo considerações sobre o caso e, quem puder, que coloque informações aqui.
Até mais tarde.
Escrito por Eduardo Guimarães às 19h36
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Só o necessário
Vivemos uma época em que freqüentemente somos colocados diante de escolhas graves. O mundo, no entanto, já foi mais simples. Antigamente as coisas demoravam mais para acontecer. Até porque, ao menos neste país, acho que nunca se desfrutou de tanta liberdade e democracia, por insuficientes que ainda sejam.
Li alguns de vossos comentários e notei que algumas pessoas consideraram-me corajoso simplesmente por ter exercido um direito de qualquer cidadão, um direito inscrito na Carta Magna e que, inclusive, pode não ter conseqüência nenhuma além da de fazer com que aconteça absolutamente nada.
Vi muitas pessoas entusiasmadas por alguém ter tomado uma atitude contra uma prática da tão odiada mídia que causou reconhecidos danos ao país, ainda que alguns achem possível negar que a mídia fez milhões de cidadãos de palhaços ao instigá-los a tomarem um medicamento controlado com finalidade nenhuma além da de se submeterem aos interesses políticos de quem os manipulou. Não é possível negar isso. Quem tem olhos - e cérebro -, viu o que aconteceu em janeiro deste ano.
Contudo, essas pessoas que se entusiasmaram têm boas razões para tanto. Porém, isso só será verdade dependendo do ângulo do qual olharmos a questão. A possibilidade que foi criada por uma ação bem-intencionada, séria, que não irá impor ônus nenhum aos que o MSM representou a menos que a instituição incumbida de investigá-los entenda que esse ônus tem razão para lhes ser imposto, constitui uma inovação neste país. Queiram ou não.
Por outro lado, sabe-se que vivemos num país em que o conceito Republicano de igualdade de todos perante as leis ainda é uma balela. O sujeito que é dono de um megaconglomerado empresarial, como acontece com o dono de uma Globo, por exemplo, tem muito mais direitos do que um cidadão "comum" como eu, na prática.
O que importa, no fim das contas, é que nos mexemos. Fizemos, simplesmente, o necessário. Não tínhamos saída. Não se pode dar esse poder a "eles", ou seja, o poder de acordarem de manhã e dizerem: "Vou movimentar uns milhões de panacas hoje e isso me permitirá atingir meus objetivos político-ideológicos. Se algum deles se der mal, problema dele”.
Então vamos em frente, pessoal. E obrigado pelos elogios. Mas guardem-nos para quando soubermos o resultado da atitude que tomamos.
De qualquer forma, parabéns a todos.
Escrito por Eduardo Guimarães às 15h15
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Representação ao MPF

Não escrevi nada antes sobre o assunto que vou tratar agora porque, como vinha anunciando desde janeiro que o Movimento dos Sem-Mídia iria representar contra meios de comunicação ao Ministério Público por conta do alarmismo na questão da febre amarela e estava demorando em concretizar a denúncia, achei melhor parar de falar até que pudesse dizer que estava feito.
Esse passo que o Movimento dos Sem-Mídia disse que daria, demorou a ser dado porque reunir as evidências da representação que protocolei no MPF foi extremamente trabalhoso.
Contudo, hoje, 17 de março de 2008, às 15 horas, protocolei, no Ministério Público Federal, em São Paulo, uma representação da ONG Movimento dos Sem-Mídia que pede à instituição que investigue se os meios de comunicação promoveram alarmismo durante o mês de janeiro disseminando a hipótese de que haveria uma epidemia de febre amarela urbana no Brasil.
O número do protocolo da representação entregue ao MPF é:
PR/SP-SEPJ-001848/2008.
Os veículos citados inicialmente são: Grupo Folha, Grupo Estado, Grupo Abril, Organizações Globo, Jornal do Brasil, jornal Correio Brasiliense, revista Veja e revista Isto.
Quem quiser ler a íntegra da representação, o Luiz Carlos Azenha publicou o material na íntegra (clique aqui para ler). E para ouvir o áudio da entrevista que dei ao Conversa Afiada, clique aqui.
Só peço ao Azenha e ao Paulo Henrique Amorim que não divulguem o Anexo I da representação, pois contém os elementos probatórios apresentados ao MPF e não quero facilitar a vida dos meios representados. Eles que vão ao MPf verificar os termos da nossa representação...
Também quero agradecer e cumprimentar as pessoas que ajudaram a tornar possível essa atitude da sociedade civil que poderá ser o começo de um processo que culmine com a adoção pela mídia da necessária responsabilidade que devem ter aqueles que lidam com uma matéria tão delicada quanto é a informação.
Cumprimento :
· Conceição Lemes, jornalista especializada em Saúde, que orientou o MSM, passo a passo, em todas as questões técnicas, a fim de que a peça jurídica que compusemos fosse absolutamente fiel aos fatos.
· Antonio Donizeti da Costa, diretor jurídico do MSM, que deu forma legal ao documento.
· Antonio Arles, 1º secretário do MSM, em sua busca exaustiva para reunir o material probatório da teoria proposta ao MP.
Agradeço:
· Luiz Carlos Azenha
· Paulo Henrique Amorim
· Renato Rovai
· Vermelho.org
O apoio desses jornalistas e do site Vermelho foi e será importantíssimo para que a representação seja divulgada e efetivamente “ande”, pois é interesse de toda sociedade que o tipo de conduta da grande mídia que redundou na perda de ao menos uma vida humana e na doença de várias pessoas, não se repita.
Abaixo, reproduzo a primeira página da representação, devidamente protocolada pelo MP.

Escrito por Eduardo Guimarães às 17h00
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Liberdade para todos
Persisto no assunto liberdade de imprensa. Esse conceito precisa ser muito discutido, pois crimes vêm sendo cometidos em seu nome desde que a imprensa surgiu e, de novidade, converteu-se num dos pilares das sociedades modernas e democráticas.
Não se pode conceber uma sociedade sem uma imprensa atuante, influente e que tenha meios de contestar os poderes constituídos, eventualmente se convertendo em porta-voz dos setores que não teriam meios de levantar suas vozes contra os setores mais poderosos e influentes. Ao longo da história, porém, a imprensa foi se convertendo, em grande parte, em porta-voz de grupos sociais bem específicos, sempre negando esse papel e alardeando suas atuações em momentos em que teve que se unir ao mesmo interesse comum que antes violara.
Nesse aspecto, vale revermos manifestação de um comentarista deste blog que vem se manifestando com freqüência, mas que, à diferença de vários dos que vêm aqui protestar contra a linha editorial do Cidadania, divergiu de maneira civilizada, ainda que o conteúdo dessas manifestações venha eivado de meias-verdades. Leiam abaixo, portanto, comentário do leitor Antonio Thadaz, de Curitiba:
"(...) você diz aos jovens que no seu tempo (nosso) as esquerdas tinham que se manter caladas. E caladas elas roubavam bancos, seqüestravam embaixadores, explodiam bombas, mutilando inocentes, e faziam guerrilha no Araguaia. Hoje, esse pessoal recebe gordas pensões do governo, inclusive o Lula.
Como sei tudo isso ? Imprensa. Nos tempos duros, o JB, censurado, publicava receita de bolo no lugar da notícia. Otávio Frias tem uma longa história de resistência ao regime de exceção, Boris Casoy que o diga. O Mesquita abrigou, em sua redação, jornalistas perseguidos.
Dos grandes jornais, O Globo foi o único que teceu louvaminhas aos militares. Ou seja, a maioria da tal família midiática tem história na luta pela liberdade, liberdade essa que oportunizou [sic] ao Lula fundar e difundir seu partido.
Afirmar que a mídia de hoje paralisa o congresso [sic], atrasa projetos e provoca catarses coletivas é conferir à imprensa um poder que ela não tem. Orson Welles morreu e não deixou herdeiros."
Pelo que o leitor escreveu, ele deve ser da minha geração. Estranho, no entanto, que não saiba que quem viabilizou a ditadura militar de mais de 20 anos no Brasil foram exatamente os Mesquita, Frias e Marinho, com seus jornais, tevês e revistas acossando o governo legalmente constituído de Jango Goulart.
Parece-me raro, ainda, que o mesmo leitor não recorde do Riocentro, onde, nos estertores da ditadura militar, a ditadura colocou uma bomba, na tentativa de forjar que tinha sido colocada por aqueles que caçava, prendia, torturava e matava.
Mas o leitor em questão levanta, ou melhor, torna mais evidente o tema liberdade de imprensa. Essa liberdade de um meio de comunicação - ou de vários - difundir informações e opiniões tem que ser acompanhada da pluralidade opinativa mais ampla, geral e irrestrita. Liberdade para informar sempre deverá pressupor liberdade de contestar o que foi informado. Quando a imprensa informa só o que quer, seja em termos de notícia ou de opinião, e não admite que se conteste o que divulgou, não há liberdade de imprensa nenhuma.
Liberdade de imprensa sempre será um bom conceito, desde que seja para todos os que fazem jornalismo. A liberdade de imprensa que os grandes jornais, tevês e assemelhados pedem, no entanto, é para poucos (só para eles mesmos). Ao mesmo tempo em que pedem liberdade de expressão para si, combatem a de quem não for ungido por eles.
Têm sido freqüentes, na grande mídia, ataques à maior inovação ocorrida no jornalismo desde seu surgimento, o fenômeno dos blogs. Hoje mesmo (domingo), na Folha de São Paulo, o escritor e jornalista Carlos Heitor Cony classifica de "chatos" os que fazem uso da tecnologia para participarem dos grandes debates nacionais. Lamenta que a internet tenha viabilizado para qualquer um a liberdade de difundir opiniões e informações em larga escala. Quer que a liberdade de imprensa seja só para os ungidos pelo grande jornalismo.
Diante de tais premissas, pode-se formular algumas questões:
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Quando essa "liberdade de imprensa" é usada para insuflar militares para que dêem um golpe de Estado, a fim de depor um governo que desagradava aos multimilionários donos de grandes cadeias de rádio, tevê, jornais e revistas, que liberdade é essa?
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Quando os meios de comunicação divulgam que há uma epidemia de febre amarela no país e, com isso, alarmam a sociedade, de forma que pessoas que não tinham risco de contrair a doença tomam, aleatoriamente, um medicamento controlado que pode lhes causar danos, que liberdade é essa?
Liberdade só é liberdade se todos puderem desfrutar dela. Quando a liberdade que se pede é igual a essa que os magnatas da comunicação pedem, que é só para eles, suas empresas e seus prepostos ditos jornalistas, mas que viola, cotidianamente, todos os princípios jornalísticos que remetem à pluralidade de idéias e opiniões, o que se vê é justamente o contrário de liberdade.
Há pouco, a grande mídia brasileira foi à OEA denunciar que está sofrendo processos na Justiça e que esses processos pretenderiam cercear sua liberdade de imprensa, ou seja, de fazerem acusações gravíssimas a quem quiserem sem prova nenhuma. Mas quando essa imprensa é acusada de práticas tão graves quanto aquelas que denuncia, vai à Justiça até contra jornalistas saídos de suas fileiras por divergirem de sua linha de atuação. Vide o caso Luis Nassif versus Veja.
Que tal se Nassif (ex-Folha de São Paulo) ou Rodrigo Vianna e Luiz Carlos Azenha (ex-Globo) fossem à OEA denunciar que, por não aceitarem ver seus trabalhos jornalísticos deturpados ou bloqueados por seus empregadores, foram levados a abrir mão de seus empregos, tanto por iniciativa própria quanto daqueles empregadores? E por que a Veja pode processar Nassif, que é jornalista, mas quando alguém a processa diz que estão lhe ameaçando a "liberdade de imprensa"?
O pior de tudo, é que quando quem critica a grande imprensa tenta debater com ela suas críticas, ela se nega a debater, chegando a insultar os que a questionam, chamando-os de "descerebrados", "hidrófobos", "chatos" etc. Processa quem a critica, mas não admite ser processada por fazer o mesmo ou, pior, por disseminar campanhas contra isso ou a favor daquilo ou de que isso existe e aquilo não existe, o que às vezes redunda em desastres como as mortes e adoecimentos causados por vacinação indevida contra a febre amarela.
Liberdade de expressão ou de recorrer à Justiça tem de ser para todos. E só será se aqueles que os grandes grupos econômicos que exploram a comunicação de massas tentam cercear persistirem no exercício do direito de manifestação e, ainda mais, no de buscarem a Justiça para questionar esses grupos.
No que diz respeito ao direto de manifestação do pensamento, acho que o Brasil e o mundo vão muito bem, obrigado. O fenômeno dos blogs e das correntes de e-mail - e me atenho a eles porque são os meios mais acessíveis para qualquer pessoa se manifestar em larga escala - vai se intensificando em progressão geométrica. No questionamento judicial de práticas jornalísticas claramente danosas, no entanto, o país ainda está engatinhando. À diferença do que acontece no mundo desenvolvido, denunciar meios de comunicação à Justiça ainda é um tabu por aqui.
Denunciar, processar ou criticar não é mais prerrogativa exclusiva da mídia. Liberdade, tampouco. E pretendo provar isso. Essa é a parte que nos cabe, aos cidadãos comuns, neste latifúndio, neste mundo injusto, desigual, hipócrita, do qual meia dúzia de magnatas das comunicações querem aprofundar o "modelo". Por conta disso, como cidadão, como detentor dos mesmos direitos que têm os Marinho, os Frias ou os Mesquita, não hesitarei em tomar atitudes, amparado por dezenas e dezenas de brasileiros de todas as partes do país que se uniram à ONG que propus que fosse fundada, o Movimento dos Sem-Mídia.
PS: ao fim da segunda-feira, 17 de março de 2008, este blog fará um anúncio muito importante, que deverá interessar sobremaneira a todos os que vêm aqui diariamente.
Escrito por Eduardo Guimarães às 11h08
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