Quem roubou o "dossiê"?
Dê uma passada hoje pelos três maiores jornais do país - que são os únicos, porque, junto com a Veja, pautam toda imprensa - e descubra que são uma coisa só. No caso do que Veja, Folha, Globo e Estado dizem que é um "dossiê montado pelo governo Lula contra FHC", e que esse governo diz que é "banco de dados", os três jornais e a revista dizem exatamente a mesma coisa.
Nesses veículos não há dúvida nenhuma. Produzem um material que induz a crer que ninguém discorda da afirmação deles de que a papelada surrupiada dos computadores do Planalto é um dossiê que teria sido preparado para intimidar o PSDB para que não pedisse a abertura das despesas da família Lula com cartão corporativo. E ao menos Folha e Estado bancam a teoria de que a "candidatura" de Dilma Rousseff à sucessão presidencial estaria "morta".
As cartas dos leitores e os editoriais são idênticos. Há um editorial na Folha, um no Globo e outro no Estadão bancando a versão da Veja, que obteve cópia do suposto dossiê contra FHC de alguma fonte interna do Palácio do Planalto. E as cartas de leitores tratando a hipótese como fato corroboram os editoriais.
O governo diz que não há dossiê e, sim, um banco de dados que estaria sendo preparado para atender a eventuais requisições da CPI dos cartões corporativos. E quer saber quem entregou parte dos dados, que estariam em processo de coleta, à Veja.
É uma pretensão legítima. Qualquer um que for analisar esse caso sob a ótica do interesse público quererá saber, primeiro, o que contém o tal dossiê. FHC diz que não contém nada e que "abre" o próprio "sigilo" sobre os gastos da família presidencial na época em que ele próprio estava no poder, como se os dados sobre esses gastos fossem propriedade dele e não do Estado. Em resumo: FHC não tem o que querer ou não querer, os dados do que ele e sua família gastavam não lhe pertencem, pois eram gastos feitos com dinheiro público.
É exatamente o que diz o governo Lula: ele não pode dispor ou deixar de dispor dos dados sobre seus gastos. Há critérios sobre esses gastos no Brasil ou em qualquer país. Tentem saber onde George Bush compra os alimentos da Casa Branca, por exemplo, ou se compra itens mais caros ou menos caros. Não se pode dar os nomes de fornecedores de itens pessoais de chefes de Estado.
Também seria ridículo o governo atual tentar intimidar a oposição com um dossiê dos gastos dessa oposição quando estava no poder. Na pior das hipóteses, FHC sabe no que gastou e sabe se esses gastos são maiores ou menores do que os do atual ocupante do poder. Bastaria que os governistas, no Congresso, dissessem aos oposicionistas que eles seriam prejudicados com a abertura dos gastos das duas famílias presidenciais (de FHC e de Lula).
Será que ninguém se pergunta o que o governo pretenderia fazer com esse dossiê? Iria divulgá-lo para a mídia? Se for, como fazer para a mídia não acusar esse mesmo governo de estar montando o tal "Estado policial" que ela está dizendo que foi montado? Ou será que o governo iria enviar o dossiê à oposição?
Mas a pergunta crucial é sobre como a Veja conseguiu fragmentos do banco de dados do governo. Esses dados foram entregues por algum abnegado revoltado com o "arbítrio" do governo Lula ou algum servidor público teria sido subornado para furtar dados dos computadores do Planalto? E se houve suborno, quem subornou foi a Veja ou alguém obteve dados através de suborno e os entregou à revista "gratuitamente"?
Os três maiores jornais e a Veja, que são os únicos órgãos de imprensa escrita do país que têm poder de derrubar ministros, tratam como fato que foi montado um dossiê para chantagear FHC e a oposição. Não se sabe como têm certeza disso. Alguém entregou documentos sigilosos furtados da sede do governo à Veja e esses veículos não têm dúvidas de que quem furtou os dados contou toda verdade. Essa pessoa não poderia ter "pinçado" dados dos arquivos do Planalto e montado ela mesma o que pareceria um dossiê justamente para dar discurso à oposição. Os três jornais e a Veja têm certeza de que não foi isso. Mas como?
Aí está uma chance de ouro para o governo Lula reagir. Não deveria ser tão difícil para o Estado brasileiro solucionar um caso de roubo dentro da sede do governo. Estão aí a Abin e a PF que não me deixam mentir.
O governo Lula tem duas alternativas:
1ª) Pode esperar o assunto morrer para não acirrar a luta política num momento em que esse governo nada em popularidade e no qual essa história de estar "morta" uma candidatura que nem existe (a de Dilma) não passa de enorme bobagem. Em algumas semanas, o assunto estará morto e enterrado.
2ª) Pode investir com decisão na investigação sobre quem roubou os dados de dentro do Planalto e descobrir se meios de comunicação não andaram subornando funcionários do governo.
A mídia e a oposição sabem que tudo isso dará em nada. Juridicamente, é impossível alguém provar que documentos que saíram da sede do governo para as mãos de uma revista semanal são aquilo que essa revista e os três jornais, em bloco, dizem que é. Tentarão estender esse assunto por mais algum tempo para "matar" mais um pouco, por via das dúvidas, a candidatura Dilma, que acreditavam tão inevitável que se deram a esse trabalho todo. Mas então, por que fizeram o que fizeram?
Mais do que sabotagem do governo, de tentativa de atrapalhar a governabilidade fazendo o país parar para se debruçar sobre interesses eleitorais enfraquecidos (os da oposição, diante da popularidade de Lula), mídia e oposição mandam um recado ao Planalto: vamos destruir cada candidatura à sucessão de Lula que ameace crescer e, assim, atrapalhar a de José Serra. É a perenidade da estratégia da mídia e da oposição tucano-pefelista, fracassada na esfera federal e vitoriosa na estadual e na municipal.
Minha conclusão é a de que, em âmbito federal, mais especificamente em relação à sucessão de Lula, a estratégia da Veja, da Folha, do Estadão e do Globo não passa de desespero. Nos âmbitos estaduais e municipais, porém, há, sim, uma forte possibilidade de sucesso dessa estratégia. É por isso que o deslinde do roubo de documentos ocorrido dentro do Planalto é imperativo. Pode revelar táticas criminosas de um consórcio formado por meios de comunicação e partidos políticos.
Escrito por Eduardo Guimarães às 11h22
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Nós somos a mudança
Há dias em que preciso escrever e este é um daqueles dias. Estou com esse ímpeto ardendo no peito desde ontem, quando tomei conhecimento da pesquisa do Ibope sobre a avaliação do governo do país.
Esse sentimento que me possui não é aquele que os que vivem tentando simplificar as coisas gostam de dizer que é. Não se trata do júbilo de um torcedor de futebol quando seu time marca um gol. Minha mente compreende a diferença entre o prazer de vencer - pelo simples prazer de vencer - e a necessidade imperiosa de se vencer.
O que me embriaga é a ciência de que este país está em pleno processo de mudança para melhor, para muito melhor, para se tornar um país que já sabe o que quer, que exigirá dos governantes, cada vez mais, que o conduzam para o sucesso prometido sem pedir que antes passe pelo inferno.
Nesse aspecto, o economista de Brasília Pedro Miranda postou um comentário aqui do qual gostei muito. Diz o Pedro:
"(...) São pessoas como você e outros repórteres sérios que através da internet fazem chegar até a sociedade informações precisas, isentas, verdadeiras e democraticamente discutidas. Você é parte importante dessa mudança. Obrigado."
Gostei de o Pedro ter falado de um processo de mudança num país que precisava dela. E gostei de ele dizer que fazemos parte dela. Mas gosto mais ainda da percepção de que essa mudança de fato está ocorrendo.
Até cinco anos atrás havia um consenso de que o país não poderia crescer e diminuir as dívidas que o sufocavam, e vivíamos num eterno dilema entre controle da inflação e crescimento. Tínhamos situação externa frágil, reservas escassas e qualquer ventinho em outro país do Terceiro Mundo nos gerava uma tragédia, com altas desenfreadas dos juros, fuga de divisas etc.
Dizem que tudo que acontece hoje é mérito de quem provocou as catástrofes de ontem. Digam o que quiserem, mas o brasileiro descobriu um caminho para melhorar e parece decidido a persistir nele, apoiando valores e conceitos de governança que os arautos da velha escola dizem inexistir, mas que uma nação inteira está vendo e dizendo reiteradamente que vê. Só não ouve quem não quer.
Então, o meu amigo Pedro Miranda, aí em cima, está um pouco menos perto dos fatos do que parecia, porque não fazemos parte da mudança, haja vista em que a mudança somos nós, os que estamos trabalhando para fazê-la acontecer. Somos seus protagonistas, com muito orgulho.
Escrito por Eduardo Guimarães às 22h52
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Leitores marcianos
Andava querendo saber de onde os três maiores jornais do país tiram seus leitores e a pesquisa CNI/Ibope sobre a avaliação do governo Lula, divulgada ontem, respondeu-me a pergunta.
Minha dúvida residia no fato de que todos os dias os grandes jornais e a grande mídia eletrônica dão espaço para as pessoas dizerem nesses veículos, em maioria ampla e unida, o que disseram os leitores da Folha, do Globo e do Estadão hoje sobre Lula nas colunas a eles destinadas pelos jornais. Isso no dia em que esses jornais estão anunciando, alguns sem destaque, pesquisa sobre a avaliação do presidente e de seu governo pela população.
As cartas revelam um teor "inexplicavelmente" oposto ao que diz a pesquisa.
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Folha
"Chávez, o pacificador; Severino Cavalcanti, o honesto-injustiçado... Lula perdeu a noção. Perdeu o rumo. Perdeu ótimas oportunidades de ficar calado. Na visita a Recife, ele se revela: autoritário, ao mandar que tirem os cavalinhos da chuva, pois ele irá fazer seu sucessor; indiferente à corrupção, ao defender publicamente Severino Cavalcanti; desconhecedor da história da América Latina, ao defender e se aproximar do que temos de pior na política do continente, o ditador Hugo Chávez."
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"Convencido de que não se pode governar o Brasil sem o recurso das medidas provisórias, Lula atropela o Legislativo e reedita o Estado Novo do ditador Getúlio Vargas. São situações semelhantes, apenas com uma roupagem fingidamente democrática. A falta de reação de nossos parlamentares diante da usurpação de suas prerrogativas pelo Executivo, somada aos altos índices da popularidade presidencial, com certeza potencializará um desejo latente de permanência no poder -à custa das liberdades democráticas."
Globo

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Estadão
"Segundo pesquisa divulgada ontem, a avaliação positiva do governo Lula atingiu o maior nível desde 2003: 58%. O próprio presidente teve destacada aprovação: 73%. Nada abala o governo e o governante. Nem o mensalão, nem os cartões corporativos. Se a eleição para presidente fosse em outubro deste ano e Lula pudesse recandidatar-se, seria imbatível. Mas, como só ocorrerá em 2010, coincidindo talvez com o desfecho jurídico do mensalão, pode ser que vejamos o rei nu. E ele não consiga fazer o seu sucessor."
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"Muito preocupante a declaração do “nosso guia” de que fará o próximo presidente. Foi tomado de grande fúria ao saber que FHC liberou a abertura de seus gastos quando presidente. Além de não seguir o exemplo do antecessor e abrir os gastos com seus cartões corporativos, ameaça com um seguidor para que nunca suas falcatruas sejam descobertas. Por que tanto medo, sr. Lulla? Se não deve, não deve temer..."
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"Em determinada ocasião, o presidente Lula, num de seus costumeiros arroubos, declarou: “No Brasil, atualmente, não existe nenhuma pessoa mais ética do que eu.” Então, sr. presidente, por que não prova o que disse, abrindo o sigilo dos seus gastos, como fez o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso? Afinal, quem não deve não teme."
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"Caro presidente Lula, caso algum companheiro não o tenha ainda alertado sobre o que é um governo de fato democrático, desejo informar-lhe que governar democraticamente inclui, entre outros fatores, prestar contas de todos os atos praticados por V. Sa. e seus auxiliares no trato com a coisa pública. A democracia não se exerce pela retórica, é antes de tudo prática cotidiana de cidadania."
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"Nitidamente em campanha, Lula não se acanha, nos seus discursos “palanqueiros”, em acarinhar corruptos comprovados. Assim o fez em Pernambuco, ao se dizer a favor de Severino Cavalcanti e culpando a sua cassação não pelo ato ilícito por ele praticado, mas por ato das elites do Paraná e de São Paulo. Depois dessa, e com a tropa de choque do governo e seus coligados querendo impedir qualquer ato elucidatório, alguém ainda acredita que a CPMI dos Cartões Corporativos apurará algum desvio de dinheiro público? Ou que é meta deste governo o combate à corrupção?"
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Não dá para entender de onde vem essa gente. Aliás, explico que não coloquei o nome de cada um dos leitores que escreveram o que vocês leram acima porque acho que isso não importa e não vale a pena fazer como um certo blogueiro da Veja que expôs nomes de leitores que o criticaram num jornal. O importante é a escolha deles, e não eles.
Não se entende de onde saiu essa gente quando se analisa a pesquisa Ibope divulgada ontem. Segundo ela, o público que deveria ser o dos jornais acha o governo Lula bom ou ótimo, num contigente bem acima, numericamente, daqueles que acham que é um governo regular, e muito, mas muito acima dos que pensam como esses leitores que escreveram essas opiniões que acabo de reproduzir.
Ora, se 62% dos brasileiros com instrução superior ou mais aprovam o governo Lula, como é que pode que nos jornais encontremos exatamente o oposto? Se a taxa de aprovação do governo Lula no Sudeste é de 69%, de onde é, diabos, que vêm esses leitores da Folha, do Globo e do Estadão, se esses jornais ficam no mesmo Sudeste do país?
Será que esse leitorado de jornais em potencial, que ganha acima de dez salários mínimos, tem curso superior, pós graduação, mora onde eles são editados, não escreve para eles opinando sobre política? Por que é que as cartas da ampla minoria dos leitores de jornais do Sudeste do Brasil esmagam as da maioria? Haverá algum tipo de censura às opiniões divergentes das dos donos da Folha, do Globo e do Estadão?
Se você acha que sim, que há manipulação, envie este texto para esses jornais. Se acha que não, envie para eles do mesmo jeito, para verem como é ridícula minha teoria. Os emails deles são:
E, se tiver ficado com raiva, clique sobre os links dos e-mails acima e mande esses veículos catarem coquinhos.
Escrito por Eduardo Guimarães às 19h31
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Pronunciamento de Lula
"Minhas amigas e meus amigos, o presidente da República vem se pronunciar em cadeia nacional de rádio e televisão a fim de cumprir um dever cívico, o de alertar a sociedade para um fato que não pode passar desapercebido, porque interfere na vida institucional da nação. Quero falar da imprensa brasileira.
Antes de ir ao centro da questão, declaro que considero a imprensa uma das mais importantes e necessárias instituições de um país. Liberdade para informar tudo, principalmente sobre os governantes, é condição primeira da democracia, de maneira que sempre fui e sempre serei um defensor intransigente da liberdade de imprensa, da liberdade de informar.
A imprensa brasileira é uma das mais livres do mundo. Aliás, muitos dizem que ela abusa dessa liberdade, mas meu governo - e eu mesmo - jamais consideraremos que liberdade pode ser muita. Quanto mais liberdade, melhor. Contudo, a liberdade de imprensa deve vir sempre acompanhada de responsabilidade e de honestidade.
A imprensa pode ter preferências políticas e ideológicas. Nos Estados Unidos, por exemplo, grande parte dos meios de comunicação fazem opções eleitorais, apóiam este ou aquele candidato, sem problema nenhum. O problema existe quando a imprensa faz escolhas políticas e não diz que fez. Quando isso acontece, ela está enganando seu público.
A imprensa brasileira sempre fez suas escolhas políticas no decorrer da história e essas escolhas mudaram os rumos da nação. Os grandes jornais, tevês e rádios sempre derrubaram e elegeram governos. A revolução de 31 de março de 1964, que desembocou na ditadura militar, foi possível graças à imprensa. O primeiro presidente eleito pelo voto direto depois da ditadura, foi eleito graças ao forte apoio que recebeu da imprensa.
O sentido deste pronunciamento é o de avisar aos brasileiros que a chamada grande imprensa de seu país tem lado na disputa política. A oposição ao governo Lula conta com grande simpatia dessa grande imprensa, da escrita e da eletrônica. Os veículos de imprensa que apóiam o governo ou que não atuam inclinados para algum lado político são todos de menor porte, com menor alcance, e, em geral, estão restritos à internet.
Como presidente da República, julgo que é importante prestar contas dos atos do governo que presido e quero que a imprensa acompanhe e fiscalize a forma como este ou qualquer outro governo está administrando os recursos públicos e sobre como está planejando estrategicamente a condução do país. Contudo, como venho me sentindo prejudicado por uma cobertura jornalística da grande imprensa claramente simpática às teses da oposição ao meu governo, quero exercer um direito inalienável de qualquer brasileiro, o de liberdade de expressão.
Quero recomendar aos brasileiros que prestem muita atenção no que a imprensa diz do governo que presido. Prestem atenção se essa grande imprensa fiscaliza os adversários políticos desse governo onde eles também são governo, nos Estados e Municípios, com o mesmo ímpeto que fiscaliza o governo federal. Não peço, portanto, que o governo que presido não seja investigado, mas que todos os governos, de todas as esferas da administração pública, sejam de que partido forem, sejam investigados da mesma forma.
E, principalmente, se a visão crítica sobre governos - que deve sempre existir na imprensa - é para todos ou somente para alguns, sempre do mesmo partido. Qualquer governante que não tiver ninguém se opondo a ele na imprensa, é porque é amigo dessa imprensa. Imprensa não deve ter amigos no poder, deve olhar o poder de forma crítica sempre, seja quem for que ocupe o poder. Quando a imprensa poupa de críticas e investigações algum governante, é preciso desconfiar.
De resto, peço aos brasileiros e à imprensa que continuem investigando e criticando o governo que presido, mas que a imprensa imite o conjunto da população e seja investigativa e crítica em relação a todos os políticos e não só a alguns. Que ela não recuse investigar denúncias contra uns e se empenhe em só investigar denúncias contra outros.
Muito obrigado."
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Não, caro leitor, infelizmente o pronunciamento acima não foi feito pelo presidente Lula em cadeia de rádio e tevê e nem em qualquer outro fórum. Saiu da minha cabeça. É o que eu gostaria que Lula fizesse. Só que ele não faz. Chega a ser impensável que faça. É uma pena, porque ele deveria fazer. E, em minha opinião, em cadeia nacional de rádio e tevê e no horário "nobre". Vocês não concordam?
Escrito por Eduardo Guimarães às 09h18
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Erro nos comentários
Estou recebendo, por e-mail e até em comentários postados aqui, relatos de comentaristas dizendo que, ao tentarem inserir comentários na janela de cada post, estão recebendo uma mensagem de erro.
Alguns desses comentários que teriam apresentado mensagem de erro ao serem postados, entraram. Outros, tenho confirmações de que não entraram e não foram de uma só pessoa.
Sou meio avesso a essas teorias conspiratórias, mas, da forma como andam as coisas, chega a dar vontade de acreditar nessa, de que o UOL estaria dificultando comentários neste blog especificamente.
O problema é que fiz alguns testes de postagem de comentários de meu computador do escritório e do de casa e não apareceu nenhuma mensagem de erro e os comentários efetivamente "entraram".
Peço a vocês o favor de me relatarem os erros que venham a ocorrer na postagem de comentários. Por exagerado que possa parecer imaginar que o UOL se daria a esse trabalho, já não duvido de mais nada.
Escrito por Eduardo Guimarães às 20h52
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"Suicídio" da mídia tem requintes de crueldade
As manchetes principais de dois dos quatro maiores portais de internet do país às 15 horas desta quinta-feira, 27 de março de 2008, eram as seguintes:
UOL - Avaliação positiva de Lula sobe a 58%, diz CNI/Ibope
Terra - CNI/Ibope: governo Lula tem melhor avaliação em 5 anos
IG - Governo Lula tem sua melhor avaliação, diz Ibope
No G1, da Globo, no entanto, a manchete que aludia ao aumento da aprovação de Lula e de seu governo medida pelo Ibope, era subjacente; quem visitasse a página do portal de internet da família Marinho só descobriria a notícia se resolvesse rolar a página. A manchete, discreta, era :
G1 - Aprovação de Lula vai a 58%, segundo Ibope
Lendo a matéria, encontra-se um elenco de senões e poréns que parecem pretender dizer que, sim, a aprovação ao presidente explodiu, mas que ainda haveria "esperança" de reverter o quadro. "Apesar disso, a percepção dos entrevistados [pela pesquisa] é ruim em relação à taxa de juros", diz o texto.
O espantoso, é que o dado ressaltado como negativo, é positivo, pois só 53% desaprovam a política monetária e 39% aprovam (!!).
É espantoso que tanta gente esteja de acordo com o patamar exorbitante das taxas de juros brasileiras. Isso só é possível num processo em que 68% dos brasileiros dizem confiar em Lula e, assim, entendem que, se ele está adotando essa taxa, ela é a mais correta.
Não vou gastar o meu e o vosso tempo reproduzindo os outros "raios de esperança" do G1, sobre Lula não estar tão forte assim. Vocês podem intuir...
O dado mais evidente, neste momento, é o efeito diametralmente oposto ao pretendido pela mídia que a imagem de Lula apresenta depois de um processo insano de tentativa de desmoralizá-lo, através de factóides como febre amarela, cartão corporativo, PAC eleitoreiro e outros.
Mas é no menos evidente que se escondem os dados mais significativos da pesquisa, que a mídia não relatou - e vamos ver se irá relatar. É o seguinte: dando uma olhadinha na íntegra da pesquisa, descobre-se por que a mídia e a oposição estão indo às raias do desespero.
Vocês notaram como nenhuma dessas matérias aludiu àquela cantilena de que são os menos escolarizados e informados que estão sustentando o governo? Pois bem: o dado crucial é o de que aumentou significativamente a aprovação de Lula e do governo nesses estratos, que são os dos que lêem mais jornais, que se informam mais.
Embora negue, a grande mídia deve estar se dando conta - ou deveria estar se dando conta - de que fatias cada vez maiores do seu público estão dando uma banana para os ataques que faz ao governo Lula.
Apesar disso, a mídia, a cada pesquisa de opinião que mostra sua crescente desmoralização (ao menos para falar de política, de "ética" e de economia), recrudesce os ataques contra o atual governo do país e ao seu titular. Baseia-se numa premissa equivocada, de que seria pior para ela se parasse de atacar, pois aí é que a aprovação do governo petista explodiria de vez.
Por meio desse equívoco, a mídia comete sandices que acabam se voltando contra ela mesma:
1 - diz que há caos aéreo e esse caos aéreo some.
2 - diz que há epidemia de febre amarela e depois o assunto some.
3 - diz que o governo Lula "rouba" por meio de cartões corporativos e depois se descobre que o maior adversário político desse governo "rouba" muito mais.
4 - diz que a economia do país só vai bem porque a do mundo vai bem e, depois, a do mundo entra em crise, por conta dos EUA, e a brasileira segue firme e forte.
5 - diz que o PAC é eleitoreiro, porque gasta em ano eleitoral, e, ao mesmo tempo, diz que o PAC não existe
Assim, em vez de estar impedindo uma "temível" unanimidade em torno do governo Lula, a mídia está conseguindo construir um estereótipo de que o que ela diz que é ou que acontecerá é exatamente o contrário do que realmente é ou do que acaba acontecendo. A mídia está se suicidando com requintes de crueldade.
Escrito por Eduardo Guimarães às 16h30
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'Gini' explica luta
política no Brasil
O Coeficiente de Gini é uma medida desenvolvida pelo estatístico italiano Corrado Gini. Foi publicada, pela primeira vez, no documento "Variabilità e mutabilità" (italiano: "variabilidade e mutabilidade"), em 1912.
O índice é comumente utilizado para calcular a distribuição de renda, mas pode ser usado para medir qualquer distribuição. Consiste em se apurar e classificar qualquer número entre 0 e 1, onde 0 corresponde à completa igualdade e 1 à completa desigualdade. É expresso em pontos percentuais iguais ao coeficiente multiplicado por 100.
Na década passada, o Índice de Gini ganhou grande visibilidade devido à escandalosa posição do Brasil. Quando Fernando Henrique Cardoso assumiu a Presidência, em 1995, o Brasil era o quarto país mais desigual do mundo; quando deixou o cargo, em 2002, éramos o sexto país mais desigual. Só perdíamos em concentração de renda para outros quatro países africanos miseráveis e para a Nicarágua.
Em oito anos de Fernando Henrique Cardoso, o Brasil melhorou duas posições no ranking da desigualdade (do 4º lugar para o 6º lugar). Há cinco anos, quando Lula assumiu, o Brasil era o sexto país mais desigual; hoje, é o décimo.
Em termos matemáticos, pode-se dizer, portanto, que, enquanto caíamos 1/4 de posição no ranking mundial de concentração de renda por ano durante a era FHC, hoje estamos caindo 4/5 de posição anualmente. Em resumo: aumentou 3,2 vezes o ritmo de queda na concentração de renda.
Essa é uma verdade inquestionável, que mostra o efeito impressionante do Bolsa Família sobre o que hoje, em termos mundiais, é a maior chaga social conhecida: a concentração de renda. E isso porque, no mundo, a concentração de renda vem aumentando em vez de cair. Não é à toa que países pobres e até ricos vêm se debruçando sobre a experiência brasileira.
Esse é um dado fundamental que venho apurando e que esperava o momento certo para divulgá-lo. Do que se trata a luta política ensandecida que se vê no país hoje? É uma reação à distribuição de renda. Dados da última PNAD (Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios) revelam que as classes A e B vêm minguando juntamente com as classes D e E. O que cresce hoje no Brasil é a classe C.
Esses dados corroboram o que os números do Gini dizem que está ocorrendo no Brasil, ou seja, o tão temido efeito “Robin Wood”, o que seja, a transferência de riqueza do rico para o pobre.
Embora os ricos estejam enriquecendo, isso se dá num contexto em que o país também está e a renda está sendo distribuída, à diferença da década de 1970, por exemplo, quando o país enriquecia mas a renda se concentrava. A partir da década de 1980, porém, com o fim da ditadura, o Plano Cruzado dava início a um processo de redução da desigualdade acumulada durante os anos de chumbo.
Não se pode, portanto, querer atribuir ao governo Lula a invenção da roda, por assim dizer. A desigualdade continuou caindo como vinha caindo desde o fim do regime militar, mas negar que a velocidade da queda da desigualdade aumentou com as políticas sociais do atual governo é má fé e, pior, é mentira.
Finalmente, é preciso esclarecer que a situação brasileira espraia-se pela América Latina. Da mesma forma que no Brasil, por todo continente vêm ocorrendo processos redistributivos, nos países governados pela esquerda.
Aliás, essa onda rosa que cobriu a América do Sul nos últimos anos advém de um importante processo de compreensão pelos latino-americanos de que era preciso dar uma chance à esquerda num continente até então eternamente governado pela direita.
A guerra política entre esquerda e direita que tomou a América Latina pertence a um processo de resistência dos que têm mais a ceder parte do que têm aos que têm menos.
É apenas disso que se tratam os embates políticos no Brasil, na Venezuela, na Argentina etc. E é por isso que as mídias (que têm lado nessa disputa) desses países tratam de demonizar governantes de esquerda dos outros países, numa tentativa de reação em bloco a um processo político-ideológico que vem ocorrendo também em bloco.
Por trás da reação dos que têm mais estão os EUA, que representam para a América Latina o que, por exemplo, a elite midiática representa para o Brasil.
Os EUA dependem de maior participação na riqueza mundial e, para tanto, sempre contaram com a sucção da riqueza dos países de seu quintal, via uma constelação de formas de dominação cultural, tecnológica, comercial etc.
Sem entender essas premissas, jamais se conseguirá ajustar o foco no que está em jogo na acirrada disputa política brasileira, que, a exemplo da que há em outros países latino-americanos, opõe esquerda e direita.
Por maniqueísta que pareça (eles são do mal e nós, do bem), infelizmente não dá para negar que hoje há uma luta entre quem acredita que a renda precisa ser distribuída para conter as tensões sociais e quem acredita que essas tensões devem ser contidas por meio de manu militari, ou seja, por meio das forças de repressão do Estado.
Escrito por Eduardo Guimarães às 10h26
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Gripe midiática
Acho que peguei a mãe de todas as gripes. Derrubou-me. Vou dar até nome ao mal que me acomete: deve ser a gripe midiática, aquela que te impede até de pensar.
Por conta de meu estado de saúde o post noturno ficou comprometido. O blogueiro espera que, no próximo amanhecer, já esteja em condições de usar o próprio cérebro.
Fui - pra cama. Mas, de vez em quando, entrarei aqui para liberar comentários... Enquanto estiver acordado.
Escrito por Eduardo Guimarães às 19h44
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O MSM e os generais
Hoje, outro colunista da Folha de São Paulo voltou a colocar os ingredientes febre amarela, alarmismo e ditadura no mesmo saco. Trata-se de Clóvis Rossi. Leiam o trecho do que o colunista escreveu que alude ao assunto: "(...) Quando a revista "Veja" publicou a famosa entrevista com Pedro Collor de Mello (...) eu era correspondente desta Folha em Madri. (...) Peguei o primeiro vôo Madri/ Lisboa (...). Mal me ajeitei no assento, notei os folhetos alertando os passageiros sobre os riscos da febre amarela (...) Senti o que os espanhóis chamam de ‘vergüenza ajena’, vergonha pelos outros.(...) Dezesseis anos (...) depois, nem preciso entrar num avião para de novo sentir vergonha. Basta (...) ler o artigo de Cecilia Gianetti, nesta Folha, em que ela (...) reclama: 'Gostaria que estivéssemos num tempo em que alguém pudesse me acusar de alarmista' (...) Lembro que um dos textos meus que a censura cortou falava de um surto de meningite em São Paulo, há quase 40 anos. (...)” A teoria da representação entregue ao Ministério Público Federal na semana passada, pedindo investigação sobre se a mídia provocou alarma social, vocês já conhecem: 1 - A difusão descontrolada, em janeiro, de boato de que teria ressurgido no Brasil uma epidemia de febre amarela urbana, que fora erradicada havia mais de 60 anos, teria feito pessoas que não precisavam se vacinar tomarem a vacina contra a moléstia, muitas vezes em doses duplas ou triplas, e a ignorarem cuidados que se deve ter com o medicamento, pois pode ser mortal para pessoas em determinadas condições de saúde.
2 - Por conta de vacinação desnecessária, dezenas de pessoas adoeceram e ao menos uma já morreu.
3 - A mídia só começou a alertar sobre os riscos da vacinação imotivada depois que pessoas começaram a baixar nos hospitais passando mal por terem se vacinado de forma incorreta e desnecessária. Rossi já é o terceiro jornalista da grande imprensa que vejo misturar ditadura com acusação de alarmismo e febre amarela. Antes dele, li, primeiro, Eliane Cantanhêde dizendo a mesma coisa, e, entre os dois jornalistas da Folha, Reinaldo Azevedo em seu blog. A teoria é a seguinte: nos anos 1970, houve uma epidemia de meningite e os generais proibiram que fosse divulgada sob o argumento de que divulgar a epidemia seria alarmismo, e quem está acusando a mídia disso estaria fazendo a mesma coisa que a ditadura.
Bem, se o critério for esse, teremos que parar de fazer um monte de coisas que no tempo da ditadura não podia e que hoje também não pode e que é bom que não se possa. Antes não se podia promover alarmismo e, com ele, causar comoções sociais de uma maneira que pudesse levar as pessoas a prejudicarem a si mesmas. Hoje deve poder? Por que?
A mídia responde: os generais proibiam que se falasse de epidemias porque não tomavam providências quanto a elas e não queriam que o povo soubesse, e o governo Lula está fazendo a mesma coisa ao colocar gente para tentar intimidar os pobres e indefesos grandes grupos de comunicação alvos da representação ao MPF, tais como Folha, Abril, Globo etc.
Para isso, escolheu uma ONG - que, em seu estatuto, proíbe a si mesma de receber dinheiro público -, presidida por um sujeito sem expressão nenhuma e que difunde sua pregação através de um bloguinho contra a pregação esmagadora de jornalões, revistões e jornalistões peso-pesados.
Perdoem-me se não consigo conter o riso, mas tentarei não gargalhar...
Escrito por Eduardo Guimarães às 10h48
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Idênticas diferenças
O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM-SP), anunciou, durante um debate realizado na Rádio Eldorado, investimento de R$ 75 milhões no projeto de uma nova linha de metrô que deverá ligar as zonas norte e leste da cidade.
O investimento no Metrô foi anunciado num momento em que a prefeitura paulistana também planeja ampliação do bilhete único e um pacote de obras viárias que pretenderiam minimizar os altos índices de congestionamento no trânsito da capital paulista.
Mas não é só: os projetos de Kassab deverão receber cerca de R$ 1 bilhão do governo do Estado, por decisão do governador José Serra, que deverá apoiar o prefeito paulistano em seu projeto de se reeleger neste ano, até porque Kassab é a herança que o tucano nos legou no início de 2006, quando deixou o cargo para se candidatar ao Executivo paulista.
Peço ajuda aos leitores para que me expliquem qual é a diferença entre os gastos do governo federal no PAC, que toda grande imprensa disse "eleitoreiros", e os gastos do governo paulista com a capital do Estado num ano em que todas as cidades brasileiras elegerão novos governos.
Peço ajuda, porque posso estar ficando estúpido ou doido.
É que no dia em que escrevo isto conversei sobre o tema com um sujeito que freqüenta um barzinho onde costumo tomar meus cafezinhos vespertinos. Ele se diz "assessor" da prefeitura paulistana e diz que a diferença é que as obras de Kassab e Serra em ano eleitoral são "necessárias", mas as do PAC não. Segundo ele, são "eleitoreiras".
Perguntado sobre por que e sobre quais são as obras "eleitoreiras" do PAC, não soube mencionar nenhuma. São eleitoreiras e pronto. E muito menos soube me dizer por que é que essas verbas federais "eleitoreiras" estão sendo empregadas também em governos de adversários do governo federal.
Em vista do exposto, peço desculpas ao leitorado deste blog pela minha falta de inteligência, de compreensão dessa diferença que, para os políticos que governam a capital e o Estado de São Paulo, bem como para a grande mídia, é tão evidente.
Escrito por Eduardo Guimarães às 21h07
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Cantanhêde cita, na Folha, representação do MSM ao MPF
Ao menos a Folha de São Paulo já anuncia que tomou conhecimento do aviso que enviei aos meios de comunicação citados na representação do Movimento dos Sem Mídia que entreguei no último dia 17 ao Ministério Público Federal do Estado de São Paulo.
A colunista daquele jornal Eliane Cantanhêde, em sua coluna de hoje, alude à representação, porém sem dar detalhes sobre do que se trata e distorcendo os fatos, como de costume.
Vejam o que ela escreveu na página A2 da Folha neste 25 de março de 2008:
“A mídia teve um papel fundamental ao alertar a população para o aumento da incidência da febre amarela, seus riscos, o combate ao mosquito e a vacinação. Nunca vai se saber quantas centenas de vidas foram salvas neste país pela ação diligente de jornais, rádios, TVs. Apesar disso, a mídia, ao invés de receber só elogios por cumprir seu papel, está ameaçada de processos por ter "gerado pânico" (?!).”
O mais grave nessa afirmação nem é seu conteúdo distorcido, mas a sonegação de informações ao público da Folha. Cantanhêde diz que “a mídia (...) está ameaçada de processos” em vez de dizer que o Ministério Público Federal está analisando a representação que o Movimento dos Sem Mídia lhe entregou pedindo que investigue e julgue se esse “processo” investigativo deve ser aberto, de maneira que a mídia só estará “ameaçada” se tiver culpa no cartório.
E, como não poderia faltar num texto da tal colunista, ela faz afirmações que não se sustentam diante do menor contraditório.
Diz que jornais, rádios e tevês foram “diligentes” e que informaram sobre a “incidência de febre amarela, seus riscos, o combate ao mosquito e a vacinação”. E ainda tem a coragem de dizer que vidas foram salvas devido ao que o jornal para o qual ela escreve considerou, em editorial, que foi exagero, aludindo a uma cobertura “magnificada” do assunto.
Se a mídia informou “diligentemente” sobre vacinação, por exemplo, por que é que milhões – vejam bem, não são milhares, são milhões de pessoas – vacinaram-se contra a febre amarela sem necessidade, muitas vezes tomando superdoses do medicamento, o que provocou dezenas de adoecimentos e até uma morte de gente que não precisava se vacinar porque não viajaria a áreas de risco? E por que, diante de tanta “diligência”, o ministro da Saúde teve que ir à tevê acalmar a população?
A mídia continua decidindo o que o público deve ou não saber. Essa é a questão. No caso da febre amarela, se houve investigação jornalística “diligente” sobre o assunto, então a mídia mentiu deliberadamente, porque não avisou as pessoas de que correriam risco se tomassem a vacina mais de uma vez e/ou sem necessidade.
Mas parece que já há preocupação midiática quanto à representação entregue ao MPF e isso é muito bom, porque poderá fazer com que os meios de comunicação cubram-se de maiores cuidados quando lidarem com assuntos tão importantes e delicados como é a Saúde Pública. Se só isso acontecer, já terá sido um passo de gigante para quem quer uma mídia decente no Brasil.
Escrito por Eduardo Guimarães às 11h59
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Amorim no Roda Viva
Atualizado às 10:56 hs. de 25 de março de 2008
Celso Amorim, ministro das Relações Exteriores
A edição desta semana (de 24/03) do programa Roda Viva, da TV Cultura, recebeu o chanceler Celso Amorim. Para entrevistá-lo, como se poderia esperar de uma tevê supostamente pública, mas que foi transformada em arma política pelos atual governador de São Paulo, foi montada uma bancada de entrevistadores composta pelos mais representativos membros do dito PIG.
A bancada de entrevistadores abrigou a atuação hidrófoba de gente como Eliane Cantanhêde (Folha), Demétrio Magnoli (uma versão "hard" de Ali Kamel) e Lourival Sant'anna (Estadão).
Essas pessoas foram responsáveis por um programa que foi tudo, menos jornalístico. Dedicaram-se a tentar "encurralar" Amorim e, diante da falta de colaboração do entrevistado em se deixar colocar em tal situação, tornaram-se agressivos e passaram a usar a velha tática de fazer acusações e de não deixar o acusado falar.
Por vezes seguidas Amorim pediu a Magnoli (que, de longe, foi o mais mal-educado) que o deixasse falar, porque não deixava. Fazia longas "perguntas" - que, na verdade, eram acusações à política externa do país -, no que era ouvido pacientemente pelo chanceler. Contudo, quando este tentava responder, era reiteradamente interrompido. Os três "jornalistas" supra mencionados usaram essa tática ao longo dos cerca de noventa minutos do programa.
Obviamente que se dedicaram a repetir a cantilena do presidente da Colômbia, Alvaro Uribe, e de George Bush, acusando Hugo Chávez e Rafael Correa de serem culpados da invasão do território equatoriano, porque apoiariam as Farc. Magnoli chegou a citar declarações de Chávez feitas no calor do conflito entre Colômbia e Equador, nas quais criticou duramente Uribe, e queriam porque queriam que Amorim acedesse à premissa de que o venezuelano interveio em questão interna de outro país.
Faltou presença de espírito a Amorim para perguntar aos que já não eram mais entrevistadores, mas debatedores, se as armas americanas usadas pela Colômbia na invasão do Equador e a postura do governo americano de apoiar a violação da fronteira equatoriana também não seriam intervenções em assuntos de outro país...
É compreensível. O chanceler brasileiro mal conseguia pensar. Os três prepostos do PIG usaram uma espécie de tática de bombardeio, por meio da qual desadandavam a falar todos ao mesmo tempo, encobrindo a palavra do entrevistado do programa. Enquanto isso, o mediador não dizia uma palavra. Foi uma vergonha.
Apesar disso, no entanto, Amorim até que se saiu bem, dadas as condições de desigualdade em que foi colocado. O ministro das Relações Exteriores do Brasil não se intimidou e, dentro das possibilidades de que dispunha, enfrentou o massacre com galhardia.
O histórico do Roda Viva está cheio de casos semelhantes. Chega a ser ridículo que, quando o entrevistado é do governo Lula, não exija uma bancada de entrevistadores mais equilibrada e garantia de que seu direito à palavra será respeitado. Por conta disso, o telespectador passou a maior parte do programa ouvindo bate-bocas em vez de uma entrevista.
No caso em tela, Amorim, ao ver os nomes de seus entrevistadores, poderia ter exigido que um representante de uma Carta Capital, por exemplo, integrasse a bancada. E se não fosse atendido, ninguém o criticaria por se recusar a se expor a um bate-boca desigual de três contra um. Cantanhêde, Magnoli e Sant'anna agiram de forma coordenada. E era possível ver como se divertiam com a situação.
O reiterado uso político da TV Cultura pelo governo tucano de São Paulo, é uma afronta. Deve haver alguma lei que garanta que uma tevê pública será usada de acordo com o interesse público e não de acordo com o interesse do grupo político que a controla. Vislumbro aí, na questão da tevê pública paulista, um manancial a ser explorado pelo Movimento dos Sem Mídia.
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Passeata no Rio
O estudante Thiago Vilela me enviou um e-mail pedindo divulgação de manifestação que acontecerá no Rio no próximo dia 28. Leiam, abaixo, o panfleto que está sendo distribuído no Rio e que me foi enviado por Thiago.
“Saudações Eduardo. Bom, vou colocar aqui o texto final que fizemos para Divulgação via folheto e internet. Já estão prontos 10.000 panfletos desses, que já foram e estão sendo distribuidos pelas escolas do rio de janeiro.”
Em 28 de março deste ano faz 40 anos que o estudante Edson Luís foi assassinado pela Ditadura Militar, no restaurante estudantil Calabouço, onde trabalhava, comia e dormia. Tempos em que pessoas foram torturadas e assassinadas por lutarem por um país mais justo. Hoje, o estado brasileiro ainda continua matando e torturando seus cidadãos, somos o país que lidera o ranking mundial de jovens mortos por armas de fogo e se multiplicam denúncias de tortura.
Quem são os culpados? Ao contrário do que vemos na grande mídia, os jovens negros e pobres são os que mais morrem. Nas comunidades e periferias do Rio, as operações da polícia com o Caveirão continuam assassinando a juventude.
Por isso, este ano os movimentos estudantis secundaristas e universitário e o movimento da educação se uniram aos movimentos sociais, para combater essa situação e dizer que tipo de sociedade querem. 28 de março, meio-dia, Candelária. Esse dia é daqueles que entendem essa luta como parte de uma transformação do nosso país, buscando juntos relações mais humanas e dignas para toda a população.
Estão exterminando as futuras gerações! É esse o futuro que queremos?
28 DE MARÇO, CANDELÁRIA, 12HORAS
TODOS PRESENTES NA PASSEATA!
Escrito por Eduardo Guimarães às 01h43
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Veja faz escola
Houve tempo em que a Folha fazia-se seguir em vez de ela própria seguir algum veículo, mas é sintomático desse processo de mimetização em que o jornal vem se embrenhando momentos como o último domingo, quando reproduziu (mais uma) denúncia da Veja, agora acusando o governo Lula de ter montado um dossiê no qual figuram os gastos da Presidência da República à época de Fernando Henrique Cardoso.
O material estaria sendo usado pelo governo Lula para “intimidar” a oposição tucana e teria sido conseguido por esse governo usando-se recursos do Estado, tais como a Abin.
Se você acha ruim a Folha seguir os passos da Veja, acredite-me, ela fez ainda pior: seu portal de internet, o UOL, publicou, na tarde de domingo, uma manchete (principal) e, logo abaixo, em letras miúdas, chamada para uma enquete. A manchete dizia que Lula estaria gastando dinheiro público (do PAC) em “ano eleitoral”, e a enquete perguntava o que o leitor estava achando disso.
Quando vi aquilo eu tinha acabado de ler coluna de Luis Nassif em que ele, que já foi membro do Conselho Editorial da Folha, falava do absurdo que era a reportagem da Veja e, tanto quanto eu, lamentava até onde caiu a Folha.
Só para constar: Nassif demoliu a matéria da Veja em meia dúzia de linhas, perguntando, entre outras coisas, por que Serra e outros governantes tucanos assinaram os acordos do PAC se o programa é eleitoreiro. Quereriam esses governadores e prefeitos tucanos ajudar Lula e o PT a lucrarem eleitoralmente?
Imediatamente acessei a enquete do UOL e colei lá a matéria do Nassif. Resultado: a sondagem, que não fazia nem 5 minutos que estava lá e que não tinha, ainda, nem uns 10 comentários, sumiu em mais uns dez minutos. E não voltou mais.
Já reportagem como a da Veja desta semana, até eu posso fazer. Digo que uma fonte - e não digo qual é, amparado pela lei de imprensa - afirmou qualquer coisa sobre qualquer um e os acusados que se virem para provar que são inocentes. Posso fazer qualquer acusação, se me derem o mesmo direito que a Veja parece achar que tem de acusar sem provas.
Dizem que a Veja está se desmoralizando e eu acredito, mas ela se desmoraliza já não é de hoje. Pior é a Folha mimetizando a Veja e a constatação de que a pior grande publicação brasileira de todos os tempos está se fazendo seguir da mesma forma como a Folha fez um dia, quando praticava um jornalismo independente.
Escrito por Eduardo Guimarães às 19h22
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Abaixo-assinado ao MPF
O expurgo do site Conversa Afiada pelo portal IG, além de todos os males que causou, provocou comoção que postergou a análise que precisa ser feita da entrega ao Ministério Público Federal de representação do Movimento dos Sem Mídia contra os maiores meios de comunicação do país, uma representação que pede que a instituição investigue se esses meios cometeram crime de alarma social na questão da febre amarela.
Antes de prosseguir no assunto principal, quero fazer uma última consideração sobre o caso envolvendo Paulo Henrique Amorim e o portal de internet que o demitiu. Saibam todos que foi extinto o único espaço que os críticos da mídia tinham num meio de comunicação de maior notoriedade. O Conversa Afiada continua, mas sem a visibilidade que tinha na primeira página do terceiro maior portal de internet no país. Claro que o público antigo do PH continuará ao seu lado, mas novos leitores chegarão a ele muito mais lentamente, da forma como chegam a espaços como este. Primeiro expurgaram a Carta Maior do UOL, e agora o Conversa Afiada do IG.
E, para concluir este tópico, manifesto minha percepção de qual pode ter sido a "gota d'água" que fez o IG defenestrar PH. Acho que o que pode ter feito o copo de paciência do IG transbordar foi o jornalista ter dado espaço à entrega da representação do MSM ao MPF, levando atrás de si vários outros veículos da mídia alternativa que, boa parte deles, ficaram cautelosos diante da ação da ONG, e outros da blogosfera não deram uma única linha sobre o assunto. Se não fosse o PH, a entrega da representação poderia ter passado desapercebida. Prova disso é que vários meios de comunicação alternativos reproduziram a matéria do PH sobre a entrega da representação movidos por sua credibilidade.
Aliás, devido à ousadia da ação da ONG, é compreensível que vários veículos da dita mídia alternativa tenham hesitado em me dar cobertura. É bom esclarecer que gente séria como o site Vermelho ou a Agência Carta Maior - e tantos outros - sempre me ajudaram e agradeço a repercussão que deram à matéria do PH. E devo esclarecer que o Vermelho só foi avisado depois, de maneira que não teve como cobrir a entrega da representação.
Entendo que essa cautela da mídia alternativa - e a omissão de parte da blogosfera - decorreu de que o que fiz - ir à Justiça contra impérios como uma Globo - parece mesmo coisa de maluco. Só outros malucos como eu, como um Azenha ou um PH, poderiam acreditar numa ação de tal ousadia, numa ação tão (aparentemente) quixotesca.
Contudo, ainda nos restam esperanças de chamar a atenção da sociedade para as práticas nefandas da grande imprensa, que, entre tudo de perverso que vem provocando, provocou uma hecatombe na saúde pública há menos de três meses. E uma dessas esperanças, talvez a maior delas, reside na representação entregue ao MPF.
É digna de nota a consistência da peça jurídica entregue ao MPF. Uma peça que, apesar da colaboração de outras pessoas, me obrigou a "virar" algumas noites trabalhando nela. São dezenas e dezenas de páginas que mostram, passo a passo e obedecendo a uma linha cronológica dos acontecimentos, que a grande imprensa tratou de disseminar entre a população o medo de que, após mais de sessenta anos, o Brasil estivesse vendo retornar uma epidemia de febre amarela urbana, o que seria uma catástrofe de proporção imensurável.
A representação ao MPF revela, com fartura de provas, que, preocupada em causar danos políticos ao governo do país, a mídia não alertou as pessoas para o risco calculado que a vacina contra febre amarela encerra antes que fosse tarde, antes que cidadãos começassem a adoecer devido ao uso desnecessário do medicamento e aos seus efeitos colaterais, que se tivessem sido informados pessoas não teriam se vacinado duas, três vezes com uma droga capaz de causar danos iguais aos da enfermidade que combate, pois a própria literatura médica sobre a vacina diz que ela gera risco de uma morte para cada milhão de doses aplicadas.
O Movimento dos Sem Mídia, por minha decisão, entregou a representação ao MPF porque confia na instituição, apesar de não ter partido dela a iniciativa de investigar se os fatos que estamos supondo que ocorreram realmente ocorreram. Nesse aspecto, há que considerar que há injunções políticas, geradas pelo poder dos grandes meios de comunicação, que podem ter feito com que o MPF esperasse uma provocação para atuar. O MSM forneceu tal provocação e, agora, aguarda que os procuradores cumpram seu dever.
Inclusive preciso relatar um fato importante a vocês. Quando fui à sede do MPF, na rua Peixoto Gomide, em São Paulo, na terça-feira passada, enquanto aguardava permissão para adentrar as instalações da instituição e me dirigir ao setor de protocolo, esperando junto comigo estavam uma bela loira e um homem. Logo percebi que ela era estrangeira. Seu acompanhante, no entanto, ficou claro que era brasileiro, pois ouvi ele dizer à recepcionista, em português, que eram da imprensa.
Fiquei prestando atenção neles e logo descobri que falavam entre si em alemão. Em dado momento, o homem saiu do prédio sacando um maço de cigarros do bolso. Fui atrás dele. Quando foi acender o cigarro, saquei meu indefectível isqueiro Bic e acendi para ele, perguntando de que veículo eram.
O homem era fotógrafo e tradutor. Sua acompanhante era Barbara Hardinghaus, do jornal alemão Der Spiegel, um dos mais importantes do mundo. Ela estava no Brasil para fazer uma matéria sobre a talidomida, droga que nos anos setenta passou a ser controlada em diversas partes do mundo por provocar má formação de fetos quando tomada por mulheres grávidas, e que, por incrível que pareça, ainda é usada no Brasil sem o devido controle e, assim, continua causando danos.
O fotógrafo-tradutor quis saber o que eu fazia ali e eu, vislumbrando a oportunidade, expliquei-lhe o caso da febre amarela. Ele se impressionou com o fato, comentou que tinha se dado conta do que eu estava relatando e me perguntou se eu poderia dar maiores informações à jornalista alemã. Sob tradução dele, contei a ela todo o caso do alarmismo midiático sobre a febre amarela e a jornalista ficou interessadíssima. Anotou meus telefones, o endereço deste blog e ficamos de manter contato.
Conforme o andar da representação ao MPF, se for aceita pela instituição e a investigação for aberta, as possibilidades de denunciar a mídia brasileira ao mundo aumentarão em progressão geométrica. Pretendo levar a organismos internacionais os malfeitos, os danos enormes que a mídia brasileira está causando ao país a partir do exemplo do alarma social na questão da febre amarela.
Essa será a única forma de se combater a sabotagem que essa meia dúzia de magnatas do setor de comunicações está praticando contra o Brasil. A mídia não se preocupa com perda de credibilidade.
Prova disso é que os absurdos que pratica só fazem aumentar. Vejam o caso daquela novela da Globo, Duas Caras, que esbofeteia o país ao vender a teoria absurda de que aqui, no país virtualmente mais desigual do mundo, sobretudo do ponto de vista racial, brancos ricos e generosos vivem metidos em favelas em busca de favelados negros para com eles se casarem.
Essa afronta é só mais uma prova de que a mídia não teme as denúncias que sofre na internet.
A mídia é eterna, enquanto que todos nós e o governo Lula somos efêmeros. Folha, Estadão, Globo e congêneres atravessam gerações. Estavam aqui antes de nós e estarão aqui depois de nós. São imortais. Um poder dessa magnitude não pode ser enfrentado só com denúncias pela internet.
Cada um de nós é responsável. Temos que lutar para enquadrar esse poder monstruoso às regras pétreas da democracia. Temos que obrigar esses magnatas da comunicação a fazerem uso responsável do poder que detém, um poder que, muitas vezes, é delegado por nós, pois os veículos mais daninhos, como uma Globo, praticam suas vilanias valendo-se de concessões públicas.
Se você consegue entender que um atentado como esse praticado pela mídia no caso da febre amarela poderia ter vitimado alguém que você ama, como quase vitimou o noivo da minha filha, que é diabético, não ia viajar a área de risco de se contrair febre amarela e tomou a vacina contra a doença movido pelo noticiário e, devido ao medicamento, acabou passando mal, pois naquele momento em que se vacinou estava com seu sistema imunológico comprometido por causa de um recrudescimento do diabetes, então você pode ajudar muito, se quiser.
Pretendo promover um abaixo-assinado para ser juntado, via petição, à representação que entreguei ao MPF. A forma de promover esse abaixo-assinado ainda está sendo analisada, mas um bom começo seria receber manifestações de apoio desde já, e que as pessoas se comprometessem a coletar assinaturas. Precisaremos de nome, profissão, cidade e Estado dos signatários do abaixo-assinado. Não pediremos números de RG ou CPF.
Conto com vocês... Ou melhor, o Brasil conta com vocês.
Escrito por Eduardo Guimarães às 11h14
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