Terceiro mandato
Atualizado em 5 de abril às 19:17 hs.
A mídia e a oposição tucano-pefelista (como vocês sabem, considero uma heresia chamar o PFL de "democratas") entraram em pânico com recente declaração do vice-presidente da República, José de Alencar, de que muitos brasileiros querem que Lula continue a governar o país depois de 2010. E também fizeram campanha contra a pretensão do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, de aprovar um projeto de reforma constitucional que lhe permitiria candidatar-se outra vez à reeleição.
Em ambos os casos, os grandes meios de comunicação, o PSDB e o PFL, sempre juntos, produziram incontáveis matérias jornalísticas qualificando re-reeleições como "golpismo".
No caso de Lula, a coalizão tucano-pefelê-midiática só se acalmou depois que o presidente produziu veementes discursos contrários à obtenção de um terceiro mandato, mesmo sendo através de plebiscito. No caso de Chávez, a artilharia contra um seu terceiro mandato só amainou depois que o venezuelano foi derrotado no referendo à reforma constitucional em seu país. Eu mesmo, cheguei a considerar que um terceiro mandato para Lula atentaria contra a democracia.
Porém, comecei a ser perseguido por dúvidas nessa questão. O que tem acontecido no país neste ano, com a desvairada ofensiva midiática para ferir de morte a suposta candidatura de Dilma Rousseff à Presidência, tem me mostrado que, em termos de atentado à democracia, os inimigos de um terceiro mandato para o presidente da República na mídia e na oposição podem dar aulas.
Mas não é só essa campanha antidemocrática da mídia e da oposição para difamarem uma mulher como Dilma, só porque acham que ela poderá ser o "poste" que Lula indicará para concorrer à sua sucessão, que me gerou dúvidas quanto a um terceiro mandato para o presidente configurar atentado à democracia.
Não entendo por que essa aversão da mídia e da oposição a mudança das regras do jogo com este em andamento, como seria um presidente permitir que seus aliados no Poder Legislativo propusessem mudança constitucional que lhe facultasse concorrer a outro mandato.
Não entendo isso simplesmente porque, quando Fernando Henrique Cardoso apresentou a emenda da reeleição em 1997, a mídia, os tucanos e os pefelês não falaram em "golpismo". E tampouco estão falando disso num momento em que o partido do presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, apresenta ao TSE colombiano 260.864 assinaturas pedindo que ele possa se candidatar a um terceiro mandato e o beneficiário da iniciativa, aplaude.
A conclusão que inevitavelmente tem-se que extrair da conduta tucano-pefelê-midiática é a de que as regras "democráticas" que querem para Chávez ou Lula não foram as mesmas para FHC, para Alvaro Uribe e - lembro em boa hora - para o ex-presidente e delinqüente de extrema direita peruano Alberto Fujimori, que, no passado, arrancou um terceiro mandato para si sem que a mídia, o PSDB e o PFL dissessem um A.
Obviamente que não depende de minha vontade ou opinião Lula permitir que seus aliados no Congresso proponham reforma da Constituição que lhe permita re-reeleger-se. E o próprio presidente repudiou com veemência essa possibilidade. Porém, a mesma veemência de Lula foi usada pelo governador José Serra, em 2004, quando prometeu que se os paulistanos votassem nele para prefeito ele permaneceria no cargo até o fim de seu mandato. Serra rompeu o compromisso e a mídia, o PSDB e o PFL aceitaram o rompimento com uma docilidade "comovente".
Bem, eu estava hesitando em publicar este post, porque não tinha certeza de que esse seria um bom caminho para o país, mas num momento em que essas forças do atraso que são o PSDB, o PFL, a Veja, a Folha, o Estadão, os Globos e congêneres mostram que tentarão destruir qualquer candidatura que o PT e Lula propuserem, tudo muda de figura. Acho, portanto, que Lula e seus aliados deveriam considerar que, se é para enfrentar a sabotagem da mídia tucano-pefelista a qualquer candidatura petista que ameace se fortalecer, que essa candidatura seja a do presidente.
A partir de agora, portanto, passo a defender que os aliados de Luiz Inácio Lula da Silva no Congresso apresentem ali proposta de um plebiscito no qual os brasileiros decidirão se querem ou não que o presidente possa disputar a própria sucessão em 2010.
Essa é a minha nova opinião sobre esse assunto, mas gostaria de conhecer as opiniões de vocês.
*
Matéria da Folha Online, publicada em 5 de abril:
"Membro do diretório nacional do PT, o prefeito de Recife, João Paulo Lima e Silva, já se anima a dizer em público algo que um número crescente de companheiros de partido sussurram entre quatro paredes: “O terceiro mandato de Lula é o plano A; Dilma é o plano B; e o plano C é quem Lula indicar.” Expressando-se no plural, João Paulo afirma: “Trabalhamos com a perspectiva de que podemos apoiar a proposta de emenda constitucional do terceiro mandato, que será fundamental para o Brasil [...]. Vamos apoiar um terceiro mandato para o presidente Lula, para dar continuidade à grande revolução social que ele está fazendo.”
Em menos de uma semana, o prefeito petista é o quarto personagem a desfraldar, nos arredores de Lula, a bandeira do terceiro mandato. O primeiro foi o vice-presidente José Alencar (PRB). Depois dele, o deputado cassado José Dirceu (PT-SP). Na seqüência, o deputado Devanir Ribeiro (PT-SP) voltou à boca do palco para informar que apresentará, nos próximos dias, a emenda que abre uma janela para a continuidade. João Paulo preside a FNP (Frente Nacional de Prefeitos). Nesta sexta (4), a frente realizou, em Niterói (RJ), sua 52ª Reunião Geral. Foi o repórter Ricardo Miranda, que acompanhava o encontro para o diário Correio Braziliense (só para assinantes) quem ouviu o prefeito petista sobre Lula e 2010. Vai abaixo a entrevista, veiculada neste sábado (5): - O senhor defende o terceiro mandato?
Trabalhamos com a perspectiva de que podemos apoiar a PEC do terceiro mandato, que será fundamental para o Brasil. Acho que foi normal quando se defendeu um segundo mandato para Fernando Henrique Cardoso, por isso vamos apoiar um terceiro mandato para o presidente Lula para dar continuidade à grande revolução social que ele está fazendo.
- A bandeira é luta isolada de algumas poucas pessoas dentro do partido ou já conta com apoios de peso?
Não tratei disso diretamente com o presidente Lula em nossa conversa (semana passada, em Recife). Mas acredito que, pelo momento extraordinário que o Brasil está vivendo, pelo nível de estabilidade, não podemos arriscar perder este momento da história política e econômica do Brasil. Um filho do povo fazendo uma extraordinária gestão, dando estabilidade financeira ao Brasil, gerando empregos, levando o desenvolvimento a patamares que há muito não se via.
- Já combinaram isso com o presidente?
O presidente até hoje tem se colocado como um soldado do partido e tem o sentido de missão. Acredito que ele será sensível ao clamor não apenas do PT, mas dos partidos que essencialmente formam sua frente. Entendemos que a Presidência da República tem um nível de stress muito grande, muita tensão, onde se percebe claramente o que nós chamávamos na ditadura militar de “ódio de classe”, onde se vê setores do DEM e do PSDB com o preconceito estampado em cima do presidente.
- Fala-se que a ministra Dilma seria o nome favorito do partido.
O partido ainda não acumulou uma discussão mais profunda sobre esse tema. Mas o terceiro mandato de Lula é o plano A; Dilma é o plano B; e o plano C é quem Lula indicar.
- Um terceiro mandato agora não seria um golpe?
Golpe “eles” deram na ditadura militar, aquilo era golpe. Se o terceiro mandato fosse um golpe, golpe maior teria sido o segundo mandato de Fernando Henrique. Qual a diferença? Não podemos fazer política com dois pesos e duas medidas.
Escrito por Josias de Souza às 17h46"
Escrito por Eduardo Guimarães às 00h58
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'Nova' denúncia da Folha
A Folha gosta de fazer blogueiros (como este que escreve) perderem tempo. Ao publicar "nova" denúncia "apocalíptica" que referendaria as acusações que o jornal, em sintonia com o PSDB, tem feito contra a ministra Dilma Rousseff, leva a ter que gastar tempo com o assunto quem, como eu, se dispõe a municiar com fatos aqueles que não compram material jornalístico enlatado e o consomem sem verificar a validade.
A rigor, o que é que a espalhafatosa manchete de primeira página do jornalão paulista anuncia de novo? O tom da manchete serve como alento para a parte do público que quer porque quer que seja verdade o que o conluio tucano-pefelê-midiático "denunciou". Essa parcela da sociedade ficou desnorteada com a revelação de que Álvaro Dias é o "senhor X", aquele que municiou a imprensa com o "dossiê" que teria sido feito pelo governo para "chantagear" o PSDB. Precisava de algum paliativo para poder retomar algum discurso, pois já não tinha mais o que falar diante da revelação de que o tal "dossiê" não passa de armação da oposição e de seu braço midiático para demoralizarem aquela que acreditam ser a aposta eleitoral de Lula para 2010.
Contudo, em termos factuais e jornalísticos a "nova" denúncia da Folha não vale este post. Só o escrevo para explicar a vocês do que é que se trata o que foi publicado hoje pelo periódico paulista.
É preciso notar que estou escrevendo com base apenas no que a matéria informa. Li o material da Folha e, como vocês sabem que é meu método, comecei a fazer as perguntas mais óbvias que decorrem daquela leitura e que a matéria não responde. A falta dessas respostas intuo que não se deve a incompetência da Folha para tornar "claros" (espalhafatosos) seus pontos de vista. A falta dessas respostas, a meu ver, decorre de elas não existirem.
Esse PIG só me dá trabalho. Como não sou jornalista e, sim, um mero "mascate" internacional, que se dedica a viajar a outros países para fechar contratos de exportação para indústrias brasileiras, terei que abrir mão de correr atrás do meu ganha-pão para explicar mais essa palhaçada da Folha. Mas, enfim, quem me mandou criar um blog para pregar exercício da cidadania?
Vamos "destrinchar", passo a passo, a última da Folha. Os textos extraídos do jornal estão em azul-tucano.
Folha de São Paulo - 04/04/08 - página 1 - Cópia de arquivo extraído diretamente da rede de computadores da Casa Civil mostra que o dossiê com gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, da sua mulher, Ruth, de ministros tucanos e até da chef de cozinha de FHC saiu pronto do Palácio do Planalto. O documento, a que a Folha teve acesso, afasta a possibilidade de que tenha havido adulteração nos dados arquivados pela Casa Civil que o governo chama de base de dados, feito de forma paralela ao sistema de controle de gastos de suprimento de fundos, o Suprim. (...) Foram agrupadas separadamente, também, as despesas de Ruth Cardoso, da chef de cozinha Roberta Sudbrack e de dois dos ministros mais poderosos do Planalto na época, Eduardo Jorge (Secretaria Geral da Presidência) e Clóvis Carvalho (Casa Civil e Desenvolvimento), além de Arthur Virgílio, senador tucano que exerceu o cargo de secretário-geral da Presidência.
Suponho que a afirmação da Folha de que o arquivo que diz ter sido "extraído diretamente da rede de computadores da Casa Civil" deve estar embasada talvez pelo código-fonte do computador da instituição, mas o jornal não esclarece isso, não diz como pode provar que o arquivo foi "extraído diretamente da rede de computadores da Casa Civil". Mas se essa prova existe, para evitar dúvidas ela não deveria estar na matéria? Foi "cochilo" da Folha ou essa é apenas mais uma de suas afirmações sem provas que ela apresenta como verdadeiras?
Mas o importante não é isso. Para que vocês tenham idéia de como a matéria da Folha é requentada basta que leiam a matéria do último dia 28 de março em que o jornal publica a denúncia de que a assessora de Dilma Erenice Alves Guerra foi quem ordenou a confecção desse maldito "dossiê" do PIG que está me tomando tempo, ou melhor, tomando tempo precioso do país:
Folha de São Paulo - 28/03/08 - página 1 - Partiu da secretária-executiva da Casa Civil, braço direito da ministra Dilma Rousseff, a ordem para a organização de um dossiê com todas as despesas realizadas pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, sua mulher Ruth e ministros da gestão tucana a partir de 1998. O banco de dados montado a pedido de Erenice Alves Guerra é paralelo ao Suprim, o sistema oficial de controle de despesas com suprimentos de fundos do governo (...) Um dos relatórios produzidos na Casa Civil, a que a Folha teve acesso, mostra que os dados foram organizados de forma diversa do Suprim (Sistema de Controle de Suprimento de Fundos), que tem os registros dos gastos do período Lula. (...) o documento registra detalhes, fora da ordem cronológica, de diversos gastos, com ênfase nos feitos pela ex-primeira-dama Ruth e naqueles que envolvem bebidas e itens como lixas de unha.
Em 28 de março, a Folha disse que os dados contidos no dossiê foram produzidos fora do "Suprim", e agora, em tom de novidade, diz de novo. E quanto à "denúncia" de que dados de um relatório de 28 páginas, que tinha sido admitido pela Casa Civil que eram de lá mesmo, foram compilados num "dossiê" de 13 páginas, desde a denúncia da Folha do dia 28 do mês passado a Casa Civil admitiu que os dados do tal "dossiê" eram de lá mesmo. Onde está a novidade? Alguma vez a Casa Civil negou que o "dossiê" contivesse dados oficiais? A Folha só omite, na matéria de hoje, que há dados no tal dossiê que não saíram da Casa Civil, o que mostra que houve, sim, mistura de dados oficiais com dados não-oficiais na composição do tal "dossiê" e que é mentira que o dossiê que foi entregue (por Álvaro Dias?) à Veja é exatamente o mesmo que foi retirado do Palácio do Planalto.
Também a informação sobre a data da composição do banco de dados com informações oficiais e extra-oficiais, dizendo que o lançamento nas planilhas do Excel da Casa Civil foi em 11 de fevereiro, é informação requentada. Vejam:
Folha de São Paulo - 04/04/08 - página A4 - O conjunto das planilhas, com 27 páginas e 532 lançamentos de despesas ao todo, revela que às 15h28 do dia 11 de fevereiro, a Casa Civil começou a lançar nas planilhas dados colhidos de processos de prestações de contas dos gastos de suprimentos de fundos da Presidência entre 1998 e 2002.
Folha de São Paulo - 28/03/08 - página A4 - (...) A seleção e a organização de despesas do governo FHC durou um mês e meio, até os primeiros lançamentos das despesas no Suprim -que seria o destino das informações (...)
Quem tiver paciência e tempo, pode pesquisar que encontrará várias referências anteriores no PIG ao fato de que a planilha da Casa Civil foi feita antes de ser instalada a CPI dos cartões corporativos. O segundo texto da Folha (logo acima, de 28/03) mostra isso. Não há nenhuma novidade também nessa informação. Assim, há que perguntar: o que é, diabos, que a "nova" denúncia da Folha acrescentou ao que já se sabe?
Percebendo a fragilidade da matéria, o jornal tenta dar essa resposta aos seus bate-paus, para enfrentarem o debate em seu nome. Vejam:
Folha de São Paulo - 04/04/08 - página A5:
O QUE É REVELADO HOJE O dossiê não se resume às 13 páginas divulgadas até agora ela imprensa. Ele é maior. A Folha obteve os registros de que eles foram produzidos de um computador da Casa Civil a partir de 11 de fevereiro, com anotações e edição que vão além do mero registro de dados do Suprim. Os dados foram separados em pastas
O interessante é que o jornal diz, na nota acima, que está acrescentando agora o fato de que anotações e edições "vão além do mero registro de dados do Suprim", mas, na mesma página, divulga a nota "O que já se sabia", que diz a mesma coisa. Vejam:
Folha de São Paulo - 04/04/08 - página A5:
O QUE JÁ SE SABIA Foi montado na Casa Civil um dossiê com despesas sigilosas de FHC, da primeira-dama e de ministros. O documento tem características distintas do Suprim, o sistema oficial que o governo disse estar atualizando para atender ao TCU e a eventuais pedidos da CPI
Gente, é o seguinte: a Folha vai me quebrar. Escrevi um post ontem à noite porque tinha muito o que fazer agora de manhã aqui no escritório e não deveria estar escrevendo este post e, sim, cuidando de ganhar meu sustento. Mas não poderia deixar as pessoas pensarem que algo de novo foi acrescentado. A Folha dá um tom "apocalíptico" a uma denúncia que pretende "nova", quando, na verdade, está brincando com as mentes de seus leitores mais suscetíveis, apostando em que já pararam de pensar por si mesmos há muito tempo. E eu é que pago o pato.
Escrito por Eduardo Guimarães às 10h55
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Guerra e trégua têm custos
Apesar de a bancada governista no Congresso estar com a paciência cada dia mais curta com a mídia e a oposição, apesar de a ministra Dilma Rousseff me passar a impressão de que a qualquer momento irá dizer publicamente umas poucas e boas sobre a mídia e a oposição, apesar de a maioria esmagadora da opinião pública (os mais ricos e instruídos, conforme as pesquisas de opinião) estar quase tão ansiosa quanto as classes mais baixas para ver Lula enfrentar a mídia, e apesar de eu mesmo estar pela tampa com essa gente, é preciso refletir com serenidade sobre o que cada uma das opções expostas no título deste texto pode acarretar ao país.
A meu ver, o governo Lula e, sobretudo, seu titular têm apenas duas opções em relação à guerra decretada pela mídia e pela oposição. Há, claro, uma terceira opção além de guerra e trégua, que é o conformismo com o que conluio oposicionista-midiático está fazendo, mas, como será demonstrado mais adiante, essa não é - ou não deveria ser - uma opção a considerar.
Como vocês sabem, gosto de dividir minhas explanações a fim de permitir o melhor uso da lógica, de maneira que começo pela opção mais popular na blogosfera e vista com temor pelo Palácio do Planalto.
Guerra
Estamos todos indignados, revoltados, tomados por uma sensação de impotência cruel, que, para alguns, creio que chega a doer. É banditismo o que a mídia e a oposição fizeram nessa questão do "dossiê" midiático. Fica difícil não suspeitar de que Folha, Veja, o senador tucano Álvaro Dias - e os chefes dele - armaram o caso do "dossiê". E as mentiras? Só para ficar na pior, continuam afirmando que o governo admitiu a autoria do dossiê. Passeiem pelos blogs e sites da mídia e verão gente espalhando isso.
A mídia, por sua vez, faz uma guerra de nervos contra o governo, os partidos aliados e os setores da sociedade indignados consigo. É óbvio que a não-divulgação dos fatos sobre Álvaro Dias nos jornais e telejornais deve-se muito menos a pretensão de esconder tais fatos do que à tática de esbofetear os críticos da coalizão oposicionista-midiática. É uma forma de combater as críticas gerando sensação de impotência nas pessoas. Ou será que a mídia acha que esconderá os fatos sobre o tucano por muito tempo? Na internet não se fala em outra coisa. Em poucos dias, todo mundo estará sabendo. É picuinha mesmo.
Mas o que resultaria de o governo se embrenhar na guerra tucano-midiática? É complicada essa coisa de governos usarem o poder do Estado contra adversários. Assim, o governo, ou melhor, o próprio Lula aceitar o combate teria que ser por meio não de retaliações usando o poder de Estado, mas por meio de combate retórico no qual o presidente, diante de edições e distorções que a mídia faz de suas manifestações, usaria sua prerrogativa de falar em cadeia nacional de rádio e tevê para se defender dos ataques e obviamente fazer os seus.
Com a popularidade que Lula tem e com o virtual fanatismo de alguns de seus seguidores, torna-se preocupante que esse que já se tornou um dos maiores líderes brasileiros exponha seus inimigos na mídia. Eu vi o que aconteceu na Venezuela quando o popular Chávez fez isso e posso lhes garantir que o resultado não seria bom para o Brasil, como não foi para o país vizinho. Por lá, chegaram a praticar atentados contra meios de comunicação, ainda que o governo venezuelano tenha conseguido conter os excessos.
Mas eu lhes digo: a direita brasileira é ínfima. Eles têm um coeficiente de votos considerável, mas não têm militância. Seriam esmagados num confronto que chegasse às ruas. Aí é que entram os militares. Quanto será que ainda mandam os que inventaram e integraram a ditadura? Eles sempre foram os defensores das classes mais abastadas e podem muito bem acabar sendo usados por elas mais uma vez...
Trégua
Primeiro que essa possibilidade não depende só do governo Lula e do próprio. E muito menos da base aliada no Congresso. A mídia e a oposição precisam querer a trégua e acho que não querem. Acreditam que a única forma de voltarem ao poder em 2010 é manterem acesa a crise política até lá. Acreditam que, cedo ou tarde, funcionará.
Até a possibilidade de trégua depende da estratégia da guerra. A única forma de a oposição e a mídia aceitarem uma trégua em prol do país será se concluírem que têm o que perder no curto prazo. Lula e seu governo precisariam de um trunfo para negociar. Sem esse trunfo, não haverá trégua nenhuma.
O trunfo em questão, aliás, está quase se tornando disponível para uso. Bastará que o governo continue investigando que chegará aos mandantes do golpe do dossiê. E aposto um picolé de chuchu como esses mandantes serão encontrados no Alto Comando do PIG e na cúpula do PSDB e do PFL.
Porém, a mídia e a oposição parecem dispostas a qualquer loucura para não serem desmascaradas publicamente. Jamais acreditariam que a investigação dos mandantes do dossiê objetivaria conseguir um trunfo para negociar uma trégua verdadeira. Achariam que tentam destruí-los. Se demorar um pouco mais para concluir a investigação, até lá não se sabe o que pode acontecer neste país.
Conformismo
Outra opção, ou melhor, não-opção seria o governo continuar a fazer o que tem feito, isto é, esperar que mídia e oposição se cansem do embate atual e comecem a preparar o próximo. Essa "tática" costuma permitir algumas janelas de calmaria que acabam permitindo ao país avançar mais um pouco durante algumas semanas, antes que tudo recomece.
Esse caminho tem o custo mais alto de todos. O Brasil já perdeu pelo menos uns quatro anos com a guerra tucano-midiática. Deixou-se de votar temas cruciais no Congresso, o país deixou de debater importantes avanços até na área política, o Congresso brasileiro transformou-se num ringue... O caminho é ruim porque as coisas continuarão desse jeito até que sejam fechadas as urnas em 2010. E se o grupo político que está no poder ganhar a eleição e Lula fizer seu sucessor, o assédio tucano-midiático continuará até 2014.
Se eu disser que já fiz minha escolha, estarei mentindo. Contudo, não escolher entre trégua ou guerra, ficando com o conformismo, em minha opinião seria um crime de lesa-pátria. O que o país perderá se essa tragicomédia prosseguir até 2010, jamais será recuperado. O conformismo do governo Lula e da base aliada em não chegar ao fundo do golpe do dossiê irá estimular a mídia e a oposição a golpes muito mais ousados. Até em benefício da trégua será preciso lutar.
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O gráfico abaixo corresponde ao número diário de visitantes únicos deste blog. Como vocês poderão notar, nos últimos dias houve um aumento expressivo no número de leitores.
O auge deste blog foi quando o Movimento dos Sem Mídia surgiu no cenário nacional, quando fez manifestação diante da Folha. O que explica esse aumento em 15 de setembro do ano passado é que o portal IG publicou em sua página principal matéria de Paulo Henrique Amorim que continha link para o Cidadania.
Conforme o fim do ano passado foi se aproximando, os acessos foram caíndo, despencando no período de festas e, dali em diante, voltaram a crescer. Mas, nos últimos dias, esses acessos extrapolaram.
Gostaria muito de saber alguma coisa sobre esses novos leitores. Nem precisam dizer seus nomes todos, se não quiserem, mas gostaria de saber de que partes do país são e com o que trabalham. Comentários com essas informações serão muito bem vindos.
Quero explicar a essa descomunal maioria de leitores que não costuma se manifestar que aqueles que puderem dizer algo sobre si me ajudarão a tomar providências quanto ao fato de que uma parte enorme desse leitorado não tem maiores conhecimentos sobre o Cidadania e seu signatário.
Escrito por Eduardo Guimarães às 23h23
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Ao senador Álvaro Dias
Na condição de contribuinte e cidadão brasileiro, tenho algumas perguntas para o senhor, senador Álvaro Dias.
Cheguei a trocar e-mails consigo algumas vezes, há alguns anos, no auge da crise do mensalão, e, portanto, sei, de cadeira, que respostas não são o forte do eminente parlamentar. Todavia, farei as perguntas assim mesmo, confiando nos efeitos benéficos do tempo e da experiência...
As perguntas são muito simples, senador Álvaro Dias. Peço respostas objetivas, e acredito que todo o país também as quer dessa forma.
Indo direto ao ponto:
1 - Quem lhe entregou a papelada que Veja, Folha, Estado e Globos chamam de "dossiê" anti-FHC?
2 - O senhor pagou por esses documentos ou lhe foram entregues gratuitamente?
3 - O senhor entregou esses documentos à revista Veja?
4 - Se o senhor se negar a responder as perguntas acima, pode explicar por que se nega?
5 - O senhor afirma que esse dossiê, na forma em que foi passado à Veja, foi feito na Casa Civil. O senhor tem provas de que os dados foram pinçados dentre os milhares de dados que há na Casa Civil e compilados daquela forma a mando do governo?
6 - Se o senhor não tem provas de que foi o governo, o senhor não acha que deveria informar o nome de quem lhe entregou os documentos?
7 - A pessoa que lhe entregou os documentos não pode ter as provas de que foi a ministra Dilma Rousseff, por exemplo, quem ordenou a montagem desse "dossiê" na forma como lhe foi entregue?
8 - Um parlamentar que conhece informações que podem levar a elucidar um crime e não dá essas informações às autoridades policiais, não está acobertando um crime?
9 - O Senado da República prevê alguma penalidade para seus membros que eventualmente acobertem crimes?
10 - Acobertar crimes é "quebra de decoro"?
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Nesta quinta estarei em trânsito pelo Estado de São Paulo. Os comentários serão liberados periodicamente.
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Apesar de que ninguém esperava coisa diferente, reproduzo, abaixo, as primeiras páginas das edições de hoje dos três maiores jornais do país, Folha, O Globo e O Estado de São Paulo. Os dois primeiros não noticiaram em suas primeiras páginas o caso Álvaro Dias. O Estado foi o único que divulgou a notícia na primeira página, mas dizendo que "governistas acusam" Álvaro Dias de ter vazado o dossiê, deixando no leitor duvida sobre se é verdade. O Trio, em uníssono, divulga looongas explicações do tucano e pouquíssimos fatos.
Que tal? O que acharam? Como classificar isso que os jornais fizeram? E duas últimas perguntas, num post de perguntas: até quando a mídia conseguirá esconder que a oposição a Lula é que divulgou o dossiê? E o que a mídia fará se as investigações chegarem àquele (ou àquela) que entregou a Álvaro Dias dados confidenciais guardados na sede do governo brasileiro?
Escrito por Eduardo Guimarães às 00h46
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Hora de calma
Estão todos loucos atrás de informações sobre a descoberta de que quem entregou o dito "dossiê" à Veja foi a oposição (Álvaro Dias - PSDB - PR), mas, agora, é hora de avaliar o quadro, que a situação é grave. Oposicionistas da mídia estão em pânico, fazendo ameaças. Reinaldo Azevedo está postando gritos ameaçando Dilma se as investigações do governo sobre a autoria do Dossiê prosseguirem.
Deixem-nos gritar. Provavelmente mais coisa virá à tona. Notem que quem noticiou que foi o senador tucano Álvaro Dias que entregou o "dossiê" midiático à Veja foi o Noblat. É óbvio que a oposição, vendo que o cerco apertava, achou melhor ela mesma anunciar da forma mais conveniente, em bom tucanês, que foi a oposição que armou o conto do dossiê para enfraquecer Dilma Rousseff.
As investigações devem prosseguir e há que saber se Álvaro Dias pode ser obrigado, pelo Senado, a revelar o autor do crime de entregar a ele documentos sigilosos do governo da República. O resto é o resto.
No momento em que comecei a escrever isto, por volta das 19 horas, o UOL, o IG, o G1 e o Terra ainda não tinham publicado o que já havia sido divulgado horas antes no blog do Noblat e, em seguida, no do Nassif. Na Folha Online havia o link para a notícia, mas não funcionava. A outra menção era no blog do Reinaldo Azevedo. Estava histérico.
Quando terminei de escrever isto, por volta das 20 horas, ao menos no UOL já havia uma manchete distorcida sobre uma matéria extensa que faz o jogo de Dias de dizer que quem lhe passou o papelório foi... Quem? Quem? Hehehe... O PT, claro!
Uma observação: eu não digo que a verdade é uma força da natureza?
Escrito por Eduardo Guimarães às 19h59
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Uma
Teia de Engodos
e o
Leitor do Futuro
Muitos não entenderão o que vou escrever, mas aqueles aos quais me dirijo entenderão. É que acredito que a internet se tornou o registro definitivo da história de uma forma que jamais foi possível ao homem registrá-la. Daqui a cem, duzentos anos nossos descendentes ouvirão as vozes, verão os trejeitos, conhecerão a cultura, cada costume, cada ato edificante ou vil de nossa época como se, para eles, fosse o presente. Poder-se-á, então, mensurar como nunca quem foi quem naquele tempo pretérito.
Pensarão que alucino por dizer que, em momentos como este, falo ao futuro em vez de ao presente. Falo para que entendam como esta época da história humana foi marcada por uma nova forma de opressão das massas. A comunicação foi se tornando alguma coisa que vocês daí do futuro talvez já saibam o que é, possivelmente um monstro terrível que terá transformado o mundo num lugar que, para a quase totalidade dos homens, poderá ser muito pior do que é hoje.
Para ilustrar o conhecimento que transmito ao futuro sobre o que se passou nesta época no maior país tropical do Terceiro Mundo, no início do século XXI, falo dos meios de comunicação de massas, o poder discricionário que o mundo inteiro luta para combater e que temo que possa ter dominado a época para a qual escrevo este texto. Entretanto, se eu estiver enganado, se o grande mal de minha época não tiver vencido, talvez vocês entendam que ele não venceu graças a gente como eu, a gente que ousou se colocar no caminho deles.
Hoje quero falar sobre jornais brasileiros que, em trio, repetem uns aos outros, dia após dia, em coberturas e opiniões idênticas em tudo (com raras exceções). Depois de duas ou três semanas do escândalo da vez, no entanto, acaba esfriando o tom apocalíptico impresso inicialmente nas manchetes de primeira página que o Trio publicou, manchetes que fazem "denúncias do fim do mundo" sempre contra o governo do país ou a políticos do partido do primeiro presidente da República brasileiro oriundo das classes baixas. E contra mais ninguém.
Depois do amainar da última "tempestade", o trio de jornais concede ao país, ao funcionamento do Legislativo, à normalidade democrática uma "trégua" de quinze, vinte dias, quando muito, em que as más notícias sobre o governo federal restringem-se à sua "incompetência" e "preguiça", "pecados" apresentados em tom de "conformismo". Então irrompe outra "denúncia do fim do mundo" e o processo recomeça.
Oposicionistas aparecem no telejornal "Jornal Nacional", da poderosa organização "Globo", indignados, e, em tom panfletário, conclamando "a nação", o Judiciário, a imprensa, enfim, "a sociedade" a se levantarem contra mais aquela "vilania" do governo brasileiro.
Colunistas (espécie de capangas) do Trio de jornais tratam de ir "testando hipóteses" que referendam as denúncias dos seus empregadores. Incumbem-se de ir qualificando qualquer dúvida em relação a essas denúncias como dúvida "chapa-branca", insinuando que quem quer explicações sobre falhas na denúncia da vez age a soldo do alvo dessa denúncia, que é sempre o mesmo. Entretanto, não citam nomes dos que dizem subornados pelo governo para defendê-lo. Assim, podem acusar a todos sem ser questionados judicialmente para que provem a acusação que fizeram.
Assim mesmo, os supostos "chapas-brancas" da mídia, que vão desde partidários evidentes do governo alvo dos ataques do Trio até membros da sociedade civil sem partido, sem motivações políticas e movidos apenas por seu senso de cidadania, não se intimidam e, valendo-se do único meio de comunicação de massas de que dispõem, a internet, tratam de apresentar argumentos e evidencias que, na pior das hipóteses, têm consistência suficiente para obrigar a que as duas correntes de opinião se enfrentem publicamente.
O Trio de jornais - que pauta as tevês, as rádios e os portais de internet dos grandes grupos de comunicação de massas - exime-se de debater. De início, nem toca nos argumentos e evidências daqueles que a ele se opõem.
Vale ressaltar que o Trio dispõe de uma linha auxiliar paralela, que se dispõe a fazer o "trabalho sujo". O Trio terceiriza algumas atitudes porque tenta preservar um ar de "honorabilidade" e de "isenção" que construiu - ou que pensa que construiu. Deixa, pois, para uma revista semanal a tarefa de pôr as mãos na "lama", e digo "lama" para não ser escatológico logo de manhã com você, sensível leitor das épocas vindouras.
De uns poucos anos para cá, no entanto, esse quadro começou a mudar, porque a abrangência da internet vem crescendo exponencialmente. O governo federal, acuado pelo Trio de jornais e seus seguidores, vem distribuindo computadores e telefonia a cada rincão do país, permitindo o acesso à internet de cada vez mais gente.
Com isso, com o que se convencionou chamar de "inclusão digital", em questão de alguns dias uma gritaria "silenciosa" se espalha pelo país de tal forma que logo a dita "opinião pública" já conhece a versão que o Trio tenta ignorar e, aqui e ali, já se começa a pedir tréplica a ele. Então o Trio toca no assunto. Apresenta esse assunto, porém, como o discurso dos acusados e não de segmentos da sociedade. Com isso, tenta arrastar opiniões legítimas para o banco dos réus.
A internet, porém, permite reações, e o debate continua sendo travado meio que "em off", através de e-mails, blogs e sites, dos quais, inclusive, o Trio e seus sequazes participam como protagonistas, em seus portais virtuais, ou por meio de empregados, que mandam tentar constranger as forças de resistência virtuais autodenominadas "Blogosfera" com insultos e até com ameaças de processos judiciais ou de retaliações menos ortodoxas.
A Blogosfera não se intimida e chega a ir ao ataque, levantando dados e evidências que terminam por destruir os argumentos do Trio, que então bate em retirada, deixando a discussão perdida ir morrendo, porém sempre repetindo os mantras que criou para a denúncia contra o governo recém-falecida.
Esse é o início do novo ciclo quinzenal ou mensal de denúncias.
Nos últimos quase cinco anos, não passaram dois meses sem alguma denúncia "apocalíptica" contra o governo. E não passa um dia sem notícias que expõem esse governo e seu titular ao ridículo da "incompetência", da "preguiça", de hábitos "bregas" ou compulsivos como o alcoolismo, ou até de conduta sexual criminosa e heterodoxa, como no caso de um padre ligado ao partido do governo que foi exposto ao país como "homossexual e pedófilo" e depois nada se comprovou contra ele.
O que me preocupa nestes tempos difíceis para a democracia, caro leitor do futuro, é que muitos parecem não ter se dado conta de que a estratégia do Trio extrapola cada denúncia apocalíptica que faz. Cada uma compõe uma espécie de "fio" de uma grande teia. Desfazer um alinhavado maior não significa que a teia não esteja avançando nos menores fios. O Trio tenta costurar a vitória de seus interesses políticos, econômicos e de controle social. A única forma de combater essa costura maligna é enxergando a teia inteira e não, apenas, seus alinhavados mais vistosos.
Escrito por Eduardo Guimarães às 11h33
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MPF instaura investigação
da representação do MSM
Comunico aos leitores deste blog e aos membros do Movimento dos Sem Mídia que foi recebida na sede da ONG carta do Ministério Público Federal conforme a foto acima.
Em contato do setor jurídico da ONG com o MPF, tomamos conhecimento de que foi instaurada investigação dos fatos apontados na Representação que entregamos àquela instituição, que pede que seja apurado se houve crime de alarma social sobre epidemia inexistente de febre amarela urbana, que teria sido praticado por vários grandes jornais, revistas e tevês.
Daqui em diante, ficará a cargo do procurador da República Adilson Paulo Prudente do Amaral Filho, do 5º Ofício - Banca I, a investigação dos fatos constantes da Representação do Movimento dos Sem Mídia àquela instituição.
Gravei uma entrevista sobre o assunto para a Rádio Vi o Mundo, de Luiz Carlos Azenha. Você pode conferir o resultado do papo com o jornalista clicando aqui
Escrito por Eduardo Guimarães às 17h09
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SP rejeita legado de Serra
Melhor parar de falar um pouco do dossiê - até porque, a mídia já vai parando. Esse caso é muito revoltante e tudo que havia para ser dito, já foi dito. Essa discussão começa a fazer se levantar o pior de mim. Só lhes reporto um último fato, no entanto. Já admitem, na Folha, que o "dossiê" foi uma armação contra Dilma, mas dizem que foi armação de outro petista e não dos tucanos. Quem disse? A musa da febre amarela...
Dedicarei este primeiro post de abril a chamar a atenção do eleitorado do Brasil inteiro para um aspecto da sucessão municipal de São Paulo, pois aqui será travada uma batalha que afetará a sucessão presidencial de 2010.
Não vi, até agora, ninguém atentar para um fato extremamente eloqüente no que diz respeito à sucessão na prefeitura da capital paulista. Antes de explicar melhor, porém, quero lembrá-los da razão pela qual a eleição para prefeito de São Paulo tem muita importância.
Ontem, a Folha de São Paulo publicou pesquisa de seu instituto Datafolha que mostrava que se a eleição para presidente da República - que ocorrerá daqui a quase 3 anos - fosse hoje, o governador de São Paulo, José Serra, seria imbatível.
Antes da metade do mandato do atual presidente da República, a Folha já pergunta ao eleitorado em quem votará para sucedê-lo. Lula, porém, tem quase três anos para governar, nada em popularidade, grande parte da população quer que ele continue a governar o Brasil depois de 2010 e a Folha quer saber a quantas anda a chance de Serra de suceder Lula.
O Datafolha não fez àqueles que pesquisou, no entanto, a seguinte pergunta: "você votaria no candidato que Lula indicasse para continuar sua obra?" Se a pesquisa contivesse a opção Serra, entre outras, e a opção "candidato de Lula", a pesquisa seria diametralmente diferente, porque ao apresentar nomes como "Dilma Roussef sem explicar ao pesquisado que ela estaria ali na condição de candidata ungida pelo presidente, a pesquisa furta do entrevistado a possibilidade de escolher a continuidade do atual modelo de país.
Mas e onde entra Serra na eleição municipal diante de tudo que acabo de expor? Ora, acontece que Serra , se tivesse cumprido sua palavra, ou melhor, o documento que assinou reiteradas vezes em 2004 se comprometendo a permanecer no cargo de prefeito de São Paulo até o fim do mandato, seria ele que deveria estar na pesquisa que o mesmo Datafolha publicou no domingo sobre a sucessão à prefeitura paulista.
Serra rompeu o compromisso com São Paulo e deixou a prefeitura paulistana nas mãos de Kassab, que foi quem escolheu para substituí-lo quando decidiu, em 2006, candidatar-se a governador. Assim, a avaliação que a população faz hoje de Kassab reflete diretamente o que está achando de ter votado em Serra para prefeito em 2004. Nesse contexto, vale a pena destacar como a população da maior e mais importante cidade sul-americana está avaliando, muitas vezes sem saber, a decisão eleitoral que tomou naquele ano.
Segundo o Datafolha, apenas 13% dos paulistanos reelegeria aquele que José Serra colocou na cadeira de prefeito de São Paulo. Por esse critério, pode-se dizer que os paulistanos estão fortemente insatisfeitos com a administração de sua cidade que a decisão eleitoral de 2004 lhes gerou. E se levarmos em conta os boatos que dizem que quem administra São Paulo, de fato, é Serra, e que Kassab é um fantoche do tucano, poderíamos dizer que se fosse Serra o prefeito, possivelmente estaria em terceiro lugar na disputa sucessória.
Claro que o eleitorado conservador paulistano está dividido entre o direitinha Geraldo Alckmin e o direitona Kassab, mas qual será o contingente de eleitores que não votará em Kassab e sim em Alckmin porque está insatisfeito com o atual prefeito?
Uma eventual vitória de Alckmin na sucessão municipal de São Paulo enfraqueceria Serra, pois aquele a quem ele entregou a cidade terá sido preterido por alguém que os paulistanos conservadores - e os manobráveis, sem ideologia - consideram mais "competente". Se Marta Suplicy vencer, porém, a derrota de Serra será seriíssima e diminuirá fortemente suas chances em 2010.
Como vocês vêem, a sucessão à prefeitura de São Paulo tem uma importância ímpar para o futuro do Brasil. E é nesse quadro que se destaca uma rejeição considerável à administração que Serra legou a São Paulo há cerca de dois anos.
Escrito por Eduardo Guimarães às 10h16
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Ditadura dos canalhas
Tento, Deus sabe que tento manter a serenidade, ter em mente que toda essa imundice sempre existiu, possivelmente sempre existirá, e que, portanto, não adianta me revoltar, perder a paciência e me exceder, porque para lidar com gente capaz de mentir desavergonhadamente com o mais impoluto dos ares, como fazem esses homens e mulheres que produzem as vergonhas que são uma Folha, um Estadão, uma Veja ou os Globos, é preciso saber com o que se está lidando. Há momentos, porém, em que a racionalidade me escapa pelos dedos e só o que me resta é a indignação.
Quem acompanha este blog há algum tempo sabe o quanto prezo as opiniões divergentes, o contraditório, a transparência e honestidade nos debates. Todos sabem que sempre me pautei pelo uso de argumentos em lugar dos insultos.
Não sou eu quem digo, mas o histórico do que escrevo aqui, que pode ser vasculhado e o que se irá encontrar é o que eu disse que permeia este, digamos, trabalho, este verdadeiro sacerdócio que é como encaro a tarefa que chamei para mim quando criei este blog.
Só que eu sou humano, apenas. E em minhas veias corre sangue e não água. Foi por isso que, ao ler a crítica interna do ombudsman da Folha de São Paulo publicada neste 31 de março, fui tomado pelo desânimo.
Peço que leiam atentamente o que disse Mario Magalhães, um homem de bem, que, por alguma dessas ironias da vida, trabalha, atualmente, para uma máfia, a qual tenta, tenta e tenta, inutilmente, chamar ao bom senso, ignorando o fato de que aqueles que o pagam sabem de tudo que ele escreveu hoje e, se fazem o que fazem, é porque não prestam mesmo e, assim, não cederão nem ao bom senso nem à dignidade e à honestidade. E muito menos ao bom jornalismo.
Abro espaço para o ombudsman do jornal paulista. Enquanto vocês lêem, tratarei de ir reunindo forças para continuar a escrever.
"31/03/2008
Um dossiê e muitas incertezas
MÁRIO MAGALHÃES
Um dossiê (ou relatório ou "fragmentos da base de dados", como prefere a Casa Civil) sobre gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, sua mulher, Ruth, e antigos ministros foi produzido no Palácio do Planalto e vazado de forma ilegal.
Tão escancaradamente ilegal que foi constituída pelo governo uma "comissão de sindicância para apurar o episódio". Oficialmente, busca-se culpado(s).
A origem das informações, processadas na Casa Civil, é inequívoca, reconhecida inclusive pelo governo. A essa altura, mais ninguém questiona a autenticidade das informações sobre gastos contidas nas 13 páginas. No domingo, a Folha demonstrou que "o relatório mostra a seleção de informações bastante diferentes do padrão de dados lançados no Suprim ['sistema de controle de suprimento de fundos da Presidência'] e estranhas a um trabalho definido como um 'instrumento de gestão', sem viés político".
Hoje os jornais reafirmam que, ao contrário do que afirma Dilma, não houve pedido do TCU para produzir o levantamento sobre FHC ou algo que desse base à investigação.
A existência do dossiê/relatório de 13 páginas foi revelada pela revista Veja no fim de semana retrasado. Na sexta passada, a Folha manchetou "Braço direito de Dilma montou dossiê".
O jornal não apresentou provas contra Erenice Alves Guerra, principal assessora da ministra Dilma Rousseff.
Não que a informação, necessariamente, esteja errada. Quem leu a reportagem, contudo, não teve acesso a evidência de que esteja correta a versão do jornal.
A Folha descreveu uma reunião com membros da administração para criar "uma força-tarefa encarregada de desarquivar documentos referentes aos gastos do governo anterior a partir da rubrica suprimento de fundos, que incluiu cartões corporativos e contas 'tipo B'".
Nota oficial da Casa Civil afirma que tal reunião, "para organizar uma força-tarefa para produzir o chamado dossiê", nunca ocorreu.
A Folha também não comprovou a realização da reunião.
O jornal não afirmou que o dossiê foi utilizado para chantagear membros da oposição na CPI dos Cartões Corporativos. Fez bem. Um dos aspectos intrigantes do caso é que o dossiê é incapaz de constranger FHC. Chefe de um governo em que se acumularam escândalos de grande monta, em especial nas privatizações, o ex-presidente não se sai mal das 13 páginas. Se tudo o que os governistas têm contra ele for aquilo...
Ou seja: como fazer chantagem contra alguém e seus aliados com informações que não causam dano ao chantageado?
Alguém foi vítima de chantagem? Quem? Se foi, é informação que o jornalismo deve.
Seria diferente, por exemplo, em uma nação fictícia, situação e oposição promoverem chantagem pesada com informações sobre filhos do atual e do ex-presidente, se os rebentos tivessem amealhado riqueza durante ou em seguida aos mandatos dos pais. Aí, sim: ameaças capazes de fragilizar o mais valente dos investigadores de comissão de inquérito do país da imaginação.
Quem tinha muito a perder, por rigorosamente nada em troca, seria a ministra da Casa Civil. Mais por eventual dolo, menos por incapacidade de gerir com segurança um sistema de dados ou manter aloprados em sua equipe, mas sempre perdendo.
Essa peça, decisiva, não se encaixa no quebra-cabeça. Até agora, pelo menos.
Esta segunda-feira não foi um bom dia para a Folha. O jornal não destaca a defesa de ninguém do governo. E titula na primeira página: "Dossiê é 'covardia institucional', diz ministro do STF". Só no texto se descobre que Gilmar Mendes se refere a dossiês em geral, e não ao dossiê agora revelado.
O "Estado" deu entrevista com o chefe de gabinete de Lula, Gilberto Carvalho. O "Globo" saiu com declarações do ministro José Múcio. Não sei se o que eles dizem é verdadeiro ou falso, mas é direito dos leitores conhecer pontos de vista divergentes.
Hoje a coluna "Perguntar não ofende" (pág. A2) se refere ao "documento de 13 páginas que vazou para a imprensa, cuja autoria o próprio Palácio do Planalto assumiu".
Talvez, em meio a tantas informações, tenha me passado despercebido. Não me lembro, contudo, de ter lido que o Planalto assumiu a confecção das 13 páginas.
Na edição de sábado, a Folha divulgou declaração de Dilma: "Não acho que a Folha e a Veja montaram isso [dossiê]. Outros fizeram este trabalho e vocês [da imprensa] estão divulgando".
Ou seja, a ministra negou a produção das 13 páginas.
Minha impressão é que a Folha produz uma cobertura em tom unilateral que menospreza as incertezas que cercam o caso.
É possível que as coisas tenham ocorrido como o jornal sugere?
Sim. Poder tudo pode.
Mas é possível que haja outros elementos.
Ao contrário do dossiê Cayman/Caribe, as informações são verdadeiras. Ao contrário de outros dossiês, entretanto, elas não intimidam ninguém (a não ser que sugiram o conhecimento de outras despesas, cabeludas).
O vazamento das 13 páginas pode ter sido obra de petistas, aloprados ou não? Pode. Em 2006, com a reeleição de Lula nas mãos, a ambição de ganhar também o pleito paulista produziu o escândalo que contribuiu para empurrar a eleição presidencial ao segundo turno.
As 13 páginas também podem ter sido obra de quem queria desgastar o governo e reanimar a CPI dos Cartões. Ou, mais especificamente, ferir a ministra Dilma, que está longe de ser a candidata preferida do PT e de setores do Planalto para 2010.
Um incômodo da cobertura é que, evidentemente, a Folha sabe mais do que conta aos leitores. Uma coisa é o jornal ter recebido o relatório de alguma fonte do PT. Outra, do PSDB. Outra, ainda, de um funcionário, mais que petista, fiel à ministra.
O jornal deveria pisar no freio e ser mais cético. Um dossiê incapaz de constranger alguém não teria eficiência como instrumento de chantagem. A impressão é que, ao contrário do que a Folha e o jornalismo em geral dão a entender, a verdade sobre o episódio ainda está distante, seja ela qual for.
Por último: o episódio em curso ressalta a tragédia à democracia que é a ausência de transparência sobre o poder público no Brasil. Gastos dessa natureza, seja no governo FHC ou no de Lula, não deveriam estar protegidos por sigilo, e sim ser de conhecimento dos cidadãos."
Leiam o que eu - e tantos como eu - vimos escrevendo nos últimos dias e me respondam se não é exatamente a mesma coisa que vocês acabam de ler.
Se houvesse um mínimo de decência e vergonha na cara na direção da Folha de São Paulo, se não fossem de propósito as malandragens das quais o ombudsman acusa o jornal, tais como acusar sem provas e até mentir deliberadamente aos seus leitores sobre fatos que não aconteceram - está tudo no texto do ombudsman que acabo de reproduzir -, seria dada uma ordem aos jornalistas do veículo para pararem com as práticas condenadas.
Já fazia algumas horas que tinha sido publicada a coluna do ombudsman quando reportagem do UOL reincidiu em tudo aquilo que o ombudsman condenou. Mais algumas horas, e o Jornal Nacional vai pelo mesmo caminho.
É uma ditadura, meus caros, a ditadura da informação. Sem direito dos oprimidos aos fatos. É a ditadura das versões. Só consigo, portanto, chegar a uma conclusão, neste momento, porque a indignação é tanta que mal consigo pensar direito. E essa conclusão é a de que nem todo canalha é um ditador, mas certamente todo ditador é um canalha.
Escrito por Eduardo Guimarães às 21h46
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Folha e Globo mentem
A semana começa com dois dos quatro "cavaleiros do apocalipse" da imprensa escrita (Veja, Folha, Globo e Estado), que também são os veículos que pautam toda a dita "grande" imprensa nacional, pondo de lado qualquer senso de decência. Diante da resistência dos fatos em se mancomunarem com eles, decidiram partir para a divulgação de mentiras escancaradas sobre o que afirmam ser um "dossiê" montado pelo Palácio do Planalto.
Os dois veículos a que me refiro são a Folha de São Paulo e o Globo. O Estado, hoje, teve um comportamento mais cauteloso, evitando bancar o dossiê. Fiquei até surpreso. Mas os outros dois fizeram a vez do periódico da família Mesquita.
Eles tratam o documento divulgado pela Veja como sendo um dossiê indubitavelmente montado dentro do Palácio do Planalto exatamente como foi divulgado. A hipótese, que o jornalista Luis Nassif divulgou em seu blog, de que o documento pode ter sido formatado por tucanos para atingir a ministra Dilma Rousseff, está fazendo subir a temperatura política em Brasília, pois parece haver indícios de que foi isso mesmo que aconteceu. Nenhum dos quatro cavaleiros do apocalipse midiáticos tocou no assunto.
Nova pesquisa nos arquivos da Folha, porém, deu-me, na pior das hipóteses, a convicção de que não há nenhuma base para se afirmar que foi isso ou aquilo que aconteceu.
No dia 11 de fevereiro, a Folha publicou a seguinte notícia na Folha On Line:
Vejam bem, isso aconteceu há quase dois meses. A oposição, depois de ter aceitado que os gastos de FHC fossem investigados, esperaria o quê do governo, se ele teria que enviar à CPI dados sobre as despesas do ex-presidente? Era preciso colher esses dados.
Agora, segundo a própria Folha, FHC também tratou de se mobilizar para fazer uma "varredura" e levantar os dados sobre os próprios gastos quando era presidente. Gostaria muito de saber onde é que o ex-presidente foi fazer a tal "varredura" se os dados a buscar só existem nos arquivos do Palácio do Planalto.
Aliás, essa história de querer pôr a ministra Dilma no enrosco não vem de hoje. A oposição vinha tentando submetê-la a exposição na CPI muito antes de surgir o tal "dossiê" da Veja, conforme se pode notar na notícia abaixo.
É, de fato, a escandalização do nada. Mas o pior de tudo é esses três jornais, a revista Veja e os veículos que atuam como linha auxiliar deles afirmarem que é "dossiê" produzido no Planalto um documento cheio de peculiaridades que mostram que a papelada é uma junção de dados de fontes diversas. É grave bancarem a hipótese de que pode ter havido o que eles dizem que houve, pois há muitas outras possibilidades, como a de os próprios tucanos terem armado esse circo para proteger FHC.
A melhor forma de esconder os gastos de FHC - e a própria Folha disse, primeiro, que ele queria escondê-los - seria fazer com que se tornassem malditos, ou seja, que sobre eles pesasse um consenso midiático de que divulgá-los seria um "crime". Ora, se foi feito um acordo entre governo e oposição para investigarem os gastos do ex-presidente e os do atual, por que o governo, que é o guardião dos dados dos gastos dos dois presidentes, não iria inventariá-los?
Tentarei colocar com muita clareza a gravidade do que esses jornais estão fazendo e o risco que correm todos os brasileiros se essa prática da Veja, da Folha, do Globo e do Estadão não for combatida. Essa tática de difamação das pessoas pode ser usada por qualquer um que tenha o apoio desses jornais e a Veja, que obviamente estão mancomunados entre si, pois dizem, todos, exatamente a mesma coisa.
Cria-se um documento qualquer, um "dossiê" qualquer contra qualquer um e, independentemente de provas, esses veículos saem dizendo que é verdadeiro, como fizeram hoje, entre outros, Fernando de Barros e Silva, na Folha, e Ricardo Noblat, no Globo. Vejam só:
"(...) Chame-se o vira-lata pelo apelido oficial -"banco de dados"-, como quer a ministra Rousseff, ou pelo nome próprio -"dossiê"-, o fato é que ele ameaça morder, pela primeira vez, os calcanhares da todo-poderosa. Mesmo que nada mais lhe aconteça, Dilma já ficou de repente mais parecida com Zé Dirceu. O episódio aproxima sua imagem do lado sombrio da Casa Civil.(...)"
Fernando de Barros e Silva - Folha de São Paulo - 31/03/08 - página A2
"(...) Lula, o problema é o seguinte, meu filho: seu primeiro governo foi salpicado de escândalos. Mal começou o segundo e já tem escândalo novo na praça: o do dossiê montado na Casa Civil da Presidência da República para chantagear a oposição (...)".
Ricardo Noblat - O Globo - 31/03/08 - página 2
Viram só? O Barros e Silva e o Noblat afirmam, peremptoriamente, que é, sim, dossiê. Apóiam integralmente uma hipótese que não passa de hipótese. Com que certeza? Baseados em que? Não dizem. Apenas se escoram em matérias "noticiosas" de seus jornais e da Veja que tratam a documentação divulgada pela revista como "dossiê" e não se fala mais nisso. Prevalece a teoria de interesse do PSDB e pronto, sem explicação do por que.
Essa tática poderá ser usada contra qualquer um neste país. Esses três veículos estão tentando adquirir um poder superior ao de qualquer outra instituição da República, de acusarem sumariamente qualquer um de qualquer coisa, sem provarem a acusação, e ela passa a ser aceita ao menos pela a opinião pública, pautando o Judiciário e o Legislativo.
É demais, não é? Se não descobrirem quem tirou os dados - ou o "dossiê" - de dentro do Palácio do Planalto, haverá condenação tácita do governo e de Dilma e todos estaremos ameaçados por esse tipo de estratégia. Podem divulgar um documento que diga que eu recebo alguma pequena fortuna de dinheiro público para criticar a mídia. O documento poderia ter sido montado por qualquer um, mas eles dizem que foi por A ou por B e passam a tratar o assunto dessa forma e fim de assunto.
Alguém tem que fazer alguma coisa! Não se pode aceitar uma barbaridade dessas assim, sem reagir. Só que nós, cidadãos comuns, nada podemos fazer além de denunciar na internet, o único meio de comunicação em que há de fato liberdade de expressão. É pouco. Não temos acesso à tevê e os grandes jornais impedem discordâncias e escondem fatos. Só o governo pode agir, descobrindo quem tirou os dados do Planalto e investigando o mandante e sua motivação.
Escrito por Eduardo Guimarães às 14h39
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Não é o acórdão, é a CPI

Antes de mais nada, precisamos entender uma coisa: não existe nenhuma, mas absolutamente nenhuma consistência jurídica em se pedir qualquer satisfação ao governo federal ou à Casa Civil ou a Dilma Rousseff ou à "dra. Erenice" por conta do documento de 13 páginas que a revista Veja, a Folha, o Estadão e os Globos estão chamando, reiteradamente - e prematuramente -, de "dossiê".
Vejam o que realmente aconteceu no que diz respeito aos cartões corporativos, e que levou as coisas ao ponto em que estão. Entenda o que a grande imprensa não explica sobre esse caso. E para ilustrar a linha cronológica dos fatos, usarei o jornal do qual tenho acesso aos arquivos, que é a Folha de São Paulo, o jornal mais vendido do país (sem trocadilhos).
Fui pesquisar nos arquivos do jornal e a primeira menção à ministra da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro, em 2008 que encontrei foi em 22 de janeiro, na coluna de Mônica Bergamo, "colunista social" do caderno "Ilustrada". No texto, a jornalista relata "Comentário da ministra Matilde Ribeiro (Igualdade Racial) sobre a ínfima presença de modelos negros na SP Fashion Week".
No dia seguinte (23/01/08), apesar de não ser manchete de primeira página, o jornal publica, em sua página A4, manchete principal - e várias subjacentes - aludindo ao mais novo "escândalo" da era Lula: "Cartões do governo pagam até despesas em joalherias". Nessas matérias, sobressai, de novo, o nome da ministra da Igualdade Racial Matilde Ribeiro, por sua pasta ser a que apresenta gastos mais vultosos com cartão corporativo.
Note-se que essa seria a gênese do "escândalo" do mês do governo Lula se não fosse o fato de que figuras menores do Consórcio formado, sobretudo, por Veja, Folha, Estado, Globo, PSDB e PFL (DEM), como o blogueiro da Veja Reinaldo Azevedo, vinham antecipando que os cartões corporativos iam "feder".
A primeira manchete de primeira página da Folha demora 24 horas para aparecer depois de publicada a primeira denúncia. No dia 24, o jornal destaca que o "TCU identifica fraudes fiscais com cartão corporativo". Nos dias seguintes, agrava-se a situação de Matilde e o ministro dos Esportes, Orlando Silva, é acusado de ter gasto R$ 8,30 numa tapioca com o cartão corporativo.
A ministra acaba caindo, mas Orlando Silva, revoltado, decide devolver aos cofres públicos tudo que gastou com o cartão corporativo até que as investigações estivessem concluídas. A Folha, o Estado e o Globo, no entanto, divulgam que os cerca de R$ 30 mil que o ministro devolveu seriam o valor que estaria sob suspeita de malversação. O ministro protesta, mas os jornais se recusam a dar destaque ao fato de que só o que havia contra ele eram os R$ 8,30 da tapioca, e continuam tratando o caso como se todo o dinheiro devolvido por Silva estivesse sob suspeita de uso irregular. O ombudsman da Folha protesta, mas o jornal ignora.
Colunistas da Veja, da Folha, do Globo e do Estadão - que são os únicos veículos da grande imprensa escrita no Brasil, porque pautam todos os outros considerados "grandes" - passam a repudiar, alguns com virulência, a teoria de que algum "roubo" seria pequeno, e manchetes "noticiosas" passam a descrever em detalhes cada gasto, numa sucessão frenética, que faz cada um parecer mais escandaloso do que o outro. Almoços de centenas e até de milhares de reais em restaurantes chamam atenção, entre outros gastos.
As explicações dos gastos com os cartões começam a aparecer, sempre em menor destaque. Os almoços, por exemplo, seriam de grupos de funcionários do governo federal durante o horário de trabalho, geralmente durante deslocamentos. Mas as manchetes contendo detalhes dos gastos vão ofuscando as explicações.
O clima de linchamento na imprensa ia subindo em progressão geométrica quando uma corrente de blogs e sites políticos passam a reclamar de que o governo do Estado de São Paulo, chefiado por José Serra, também gasta com cartões. Diferentemente dos cartões do governo federal, porém, os cartões paulistas não têm prestação de contas publicada na internet. Membros da bancada de oposição a Serra na Assembléia Legislativa, então, passam ao jornalista Paulo Henrique Amorim documentos que mostram que os gastos do governo de São Paulo com cartões chegam a ser maiores do que os do governo federal. No dia seguinte, Folha e Estado, furados por Amorim, noticiam os gastos paulistas.
Nos dias seguintes, descobre-se que os gastos que eram considerados escandalosos nos cartões do governo Lula são idênticos aos encontrados nos cartões do governo Serra.
As explicações sobre os gastos dos cartões estaduais e federais começam a aparecer nos três jornais e na Veja e uma "diferenciação" entre gastos federais e de São Paulo começa a ser feita por esses veículos: os cartões federais são de "crédito" e os de São Paulo, de "débito". Só o dinheiro para pagá-los é que continua o mesmo, público.
Decide-se criar uma CPI em Brasília para investigar os cartões. O governo federal reluta inicialmente, mas depois toma a iniciativa de pedi-la, e com foco desde os dias de hoje até o segundo governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Enquanto isso, vai-se parando de falar no caso dos cartões paulistas até que o assunto morre definitivamente e a discussão sobre se a CPI deve ou não investigar os gastos de Lula e de FHC ou só de Lula é o que passa permear o noticiário e a pautar as discussões no Congresso, até que se decide, num primeiro momento, por acordo entre governistas e oposicionistas, não investigar os gastos dos dois presidentes.
Surgem reações diversas acusando a oposição de temer que investiguem os gastos tucanos, pois o PSDB, que vinha pedindo com veemência a investigação pela CPI dos cartões dos gastos de Lula, quando se falou em investigar também os de FHC recuou e foi para o acordo. Dentro do próprio PSDB, entretanto, surgem reações no sentido de que estaria "ficando mal" para o partido recuar da proposta de investigar os gastos do atual presidente contanto que o anterior tampouco fosse investigado. Assim, a CPI anuncia que investigará os dois presidentes.
Diante disso, é compreensível que o Palácio do Planalto tenha começado a se organizar para entregar todos os dados, do atual presidente e do anterior. Contudo, como o acórdão do TCU defendeu a informatização dos gastos com cartões e contas B só a partir deste governo, também é óbvio que haveria que retirar os gastos do ex-presidente dos arquivos mortos do Planalto e registrá-los.
Para entender por que, é bom que se entenda o significado da palavra "acórdão". Segundo o dicionário Houaiss, acórdão é: {verbete} Datação sXVI cf. DNLeC
Acepções substantivo masculino Rubrica: termo jurídico. decisão final proferida sobre um processo por tribunal superior, que funciona como paradigma para solucionar casos análogos; aresto
Muito bem, o que significa isso é que o acórdão do TCU defendendo a digitalização dos dados dos gastos com cartões e contas B funciona como uma espécie de jurisprudência que orienta como o servidor público da Casa Civil deveria proceder a fim de ter disponíveis dados que eventualmente seriam requeridos por uma CPI que foi criada segundo anúncio feito inclusive por membros dela que, em coro com a Veja, a Folha, o Estadão e O Globo - que são os únicos veículos da grande imprensa escrita no Brasil, porque pautam todos os outros veículos considerados "grandes" -, anunciaram que tanto os gastos de Lula quanto de FHC seriam investigados.
Alguns desses veículos citados aqui continuam mentindo, dizendo que a "Dra. Erenice" teria "confessado" que o dossiê que a Veja publicou foi produzido no Palácio do planalto. É mentira. Ela não disse isso; o que disse foi que dados, vejam bem, DADOS contidos no tal "dossiê" saíram dos arquivos do Planalto, mas não disse que eles foram agrupados daquela forma, da forma como está no documento de 13 páginas divulgado pela revista Veja.
É preciso que fique claro uma coisa: existe uma única maneira segura de saber se o documento divulgado pela Veja foi produzido pelo Palácio do Planalto ou se foi produzido com dados obtidos dentro da sede do governo brasileiro e agrupados por terceiros da forma que foi divulgado por Veja, Folha, Globo e Estadão, os únicos veículos da grande imprensa escrita no Brasil. É preciso achar quem entregou o "dossiê" à Veja. Essa pessoa dirá se os documentos saíram do planalto da forma como foram publicados ou se sofreram montagem.
Escrito por Eduardo Guimarães às 11h57
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