O prazer mórbido das massas de degustar o sofrimento alheio remonta aos primórdios da história. No Coliseu romano, por exemplo, as turbas sádicas nem precisavam de desculpas para consumir sofrimento com um deleite quase lascivo. Essa necessidade obscura do homem de assistir semelhantes sofrendo era perfeitamente compreendida e aceita na antiguidade. Em Roma, por exemplo, essas turbas sádicas se deleitavam no Coliseu com homens, mulheres, velhos e crianças cristãos sendo estraçalhados por leões famintos.
Com o passar do tempo, porém, o processo civilizatório passou a exigir "motivos" para oferecer sofrimento humano à sanha das turbas. Foi aí que surgiu a idéia de usar criminosos - ou supostos criminosos - para saciarem esse prazer corrupto de ver pessoas sofrendo.
Mas que ninguém se engane: seja nos esportes, seja no noticiário policial, seja na política ou até no conforto de seu lar, o homem contemporâneo ainda desfruta do mesmo prazer, moderado ou imoderado, pelo sofrimento de seus semelhantes. E não só pelo sofrimento físico, mas também pelo sofrimento moral.
As famosas fofoqueiras de bairro deliciam-se com a desconstrução da moral alheia tanto quanto a imprensa deleita extensos grupos sociais com toda sorte de escândalos, desde sexuais até os de "corrupção", existindo ou não. Os moralistas extremados nada mais são do que sádicos extremados numa espécie biológica que tem no sadismo uma das características básicas que a diferem das outras espécies.
A mídia contemporânea, tanto quanto os imperadores romanos, sabe desse lado obscuro da alma humana e o manipula da mesma forma que era manipulado há séculos e séculos. Os imperadores usavam o Circo para distrair as massas da vida dura que levavam; a mídia usa a agonia moral alheia para lucrar, ganhar atenção e, com isso, poder. Exatamente como faziam os Césares romanos.
A audiência dos telejornais cresceu até 46% com o caso Isabella Nardoni. O jornal sensacionalista "Balanço Geral", da Record, cresceu 25%; o "Jornal da Band" cresceu 24% e atingiu sua melhor média no ano, 7,5 pontos percentuais; o Jornal "Nacional" saltou de 31,4 para 34,2 pontos.
A Globo mobilizou 18 repórteres, 8 produtores e 20 cinegrafistas que fazem plantões permanentes, até de madrugada, em casas de parentes de Isabella Nardoni e em delegacias. O "SP TV - 1ª Edição" chegou a dedicar mais de meia hora à história. No "Jornal Nacional", a cobertura chegou a ocupar 15 minutos e 20 segundos na edição da última terça, o equivalente a 37% do telejornal.
A Record informa ter deslocado 30 repórteres e produtores e 20 cinegrafistas. O "Balanço Geral", por exemplo, pôs em seu cenário uma cama, como se fosse a de Isabella. O apresentador manchava roupas com tinta vermelha e depois as lavava, para mostrar como age um produto usado por peritos para descobrir sangue. Já o "Fala que Eu Te Escuto", da Igreja Universal, "reconstituiu" o crime com atores.
Na Band, entre três e dez equipes (repórter mais cinegrafista) cobrem o caso, dependendo do noticiário, além de cinco produtores. Até o SBT priorizou Isabella. Mobilizou quatro repórteres e sete cinegrafistas. Parece pouco, mas é quase metade do time da emissora. O SBT tem apenas nove repórteres em São Paulo.
A imprensa escrita, por sua vez, não deixa passar um único dia sem dar manchetes sensacionalistas de primeira página que fazem crer, a cada dia, que surgiu um fato novo nas investigações, apesar de que, até agora, pouco foi acrescentado ao que já se sabia sobre o caso.
Além de ser impossível afirmar com cem por cento de certeza que o pai e a madrasta de Isabella são culpados da morte da menina, se fôssemos civilizados de verdade deveríamos nos indignar com as agressões que as turbas sádicas têm promovido contra a família de Alexandre Nardoni. As casas dos parentes dele, que não são acusados de crime nenhum, têm sido apedrejadas e pichadas e esses parentes têm sido agredidos de todas as formas, sofrido acusações difusas e sem qualquer lógica. Isso sem falar que perderam o direito de sequer saírem à rua.
O caso Isabella mostra que a humanidade, em termos de ética comportamental, evoluiu muito pouco no decorrer da história. A ética contemporânea é tão flexível, dissimulada e hipócrita quanto era no tempo em que Jesus Cristo caminhou sobre a Terra.
No próximo domingo, quase três milhões de paraguaios serão convocados a escolher o próximo presidente da República. Os candidatos são o ex-bispo católico Fernando Lugo, por uma coalizão que reúne movimentos sociais e grupos de esquerda, o controverso Lino Oviedo, ligado às oligarquias políticas e que tem em seu currículo acusação, exílio no Brasil e prisão por envolvimento no assassinato, em 1999, do então vice-presidente Luíz María Argaña, e Blanca Ovelar, candidata do partido Colorado, o do governo Nicanor Duarte Frutos, que está encastelado no poder há seis décadas, sendo o único partido que apoiou uma ditadura militar sul-americana que ainda está no poder.
Campanha de Fernando Lugo
Campanha de Blanca Ovelar
Campanha de Lino Oviedo
Apesar de não ir ao Paraguai há quase dois anos por força da virtual impossibilidade que há para vender meus produtos num país dominado pelos produtos chineses e argentinos, muito mais baratos que os produtos brasileiros, e isso num país em que até uma pneumonia pode ser vendida desde que seja barata, conheço muitíssimo bem aquele país. Entre 1995 e 2006 estive lá dezenas de vezes.Tenho amigos por lá. Já fui até caçar algumas vezes no Chaco paraguaio.
O Chaco é um pântano que abrange boa parte do país e que é habitado por boa parte da população. É uma região em que as pessoas vivem sem luz ou saneamento básico, muitas vezes sobrevivendo da caça de animais silvestres ou, no máximo, da criação de gado ou da agricultura familiar. Não há, ali, estrutura nenhuma, nem hospitais, e grande parte das escolas são improvisadas. Costuma-se dizer, no Paraguai, que uma crise de apendicite no Chaco pode ser mortal se, por exemplo, estiver chovendo, porque não há praticamente asfalto e as "estradas", que não passam de trilhas, viram um lamaçal que só pode ser transposto com trator.
Chaco paraguaio
A capital paraguaia, Assunção, tem ruas de terra batida contrastando com avenidas arborizadas em que se pode ver mansões cinematográficas. No centro, há até um Cassino no luxuoso Hotel Guarani. As ruas centrais são estreitas, tornando o tráfego infernal, e, beirando o Rio Paraguai, pode-se ver o congresso e até um porto, com navios da "marinha" de um país sem saída para o mar, e, nas redondezas, oficiais dessa "marinha" trajando branco, todos paramentados, circulando.
Centro de Assunção
Em Assunção há ruas de intenso comércio de produtos eletrônicos e artigos de luxo, como a famosa rua Palma. Mas é em Ciudad del Este, na fronteira com o Brasil, que esse comércio, freqüentemente ilegal, se converte em importante setor econômico do país. Ciudad del Este também é por onde entra e sai um dos maiores corredores de contrabando do mundo, por onde entram de drogas a aparelhos eletrônicos, armas e o que mais se puder imaginar. Esse comércio ilegal com Brasil e Argentina só é possível devido à elite conservadora encastelada no poder há décadas e décadas.
Ponte da Amizade - Ciudad del Este
Essa elite corrupta governa o país por meio do partido Colorado, manipulando eleição após eleição e mantendo o Paraguai como um país de pouquíssimos com uma grande maioria vivendo na miséria, sem direitos básicos, sofrendo toda sorte de infortúnios causados por um estado omisso que se dedica exclusivamente a preservar os interesses da classe dominante.
O Paraguai é um país que, se não fossem os carros de alto luxo, grande parte roubados no Brasil, mas que também vêm de todas as partes, sobretudo da Ásia, faria o visitante se sentir como se estivesse na primeira metade do século XX.
A eleição de domingo no Paraguai é a primeira oportunidade que enxergo num país ao qual e pelo qual já viajei muito. Nunca imaginei que seria possível o Paraguai vir eleger um governo popular e descomprometido com a oligarquia corrupta que mantém o país num atraso que chega a impressionar em pleno século XXI. Mas isso mudou graças à candidatura Fernando Lugo.
Apesar da boa notícia que representaria a eleição de Lugo, tenho cá minhas dúvidas sobre a viabilidade de um governo que atacasse o que hoje está integrado à vida do paraguaio, que é a corrupção.
Ao pôr fim ao contrabando, por exemplo, seria posto fim à única forma de sobrevivência de um enorme contingente de paraguaios. Dezenas de milhares de famílias veriam seu ganha-pão acabar. E o mesmo se dá com a corrupção. A máquina corrupta estatal espraia-se por amplos contingentes sociais. Pôr fim a esse status quo poderia gerar uma convulsão social, em tese. Mesmo se Lugo vencer a eleição, moralizar o Paraguai, reduzir as desigualdades, enfim, civilizar o povo, continuará sendo tarefa para gerações. Mas, como dizem, uma viagem de mil quilômetros começa com o primeiro passo.
A subida da taxa Selic decidida ontem pelo Copom (Comitê de Política Monetária) já vinha sendo anunciada pela mídia. Eu mesmo achava inevitável que subisse devido à lógica que orienta a política monetária do país. Até porque, fatores externos e alheios à condução da política econômica contribuíram ao menos para uma subida maior da taxa básica de juros da economia.
Tais fatores externos têm que ver com a célebre máxima sobre a mulher de César, qual seja, a de que à mulher do imperador romano não bastava ser honesta, pois teria que parecer honesta, também.
Trocando minha tese em miúdos, explico que um dos fatores importantes para manter a credibilidade internacional que o Brasil amealhou é o de que o Banco Central precisa sempre se mostrar independente da conjuntura política.
Como a mídia tem bradado contra alta de juros, mas insiste em amplificar o noticiário sobre as pressões inflacionárias a alguns gêneros alimentícios, chegando ao ponto de o Jornal Nacional apresentar reportagem sobre mulher pobre que estaria "comendo menos por causa da inflação", apesar de a realidade hoje no país ser inversa, pois os pobres estão comendo mais, não menos, e como essa mesma mídia vinha exponenciando reações políticas contra a alta da Selic, se não houvesse subida na taxa básica da economia haveria inquietude no mercado financeiro internacional, especulações de que a política estaria interferindo na condução da economia.
Por outro lado, sempre pela lógica que orienta a política econômica vigente, as altas localizadas de preços, que de fato existem e se devem ao notório aumento da demanda gerado pelo forte crescimento da economia, teriam que desembocar em alguma reação do BC à pressão inflacionária.
Contra esse argumento, porém, está o fato de que a valorização do real poderia substituir a alta na Selic, pois dólar mais barato facilita importações inclusive dos produtos com preços ascendentes, o que teria o efeito autônomo de inibir especulação de preços pelos produtores nacionais.
Além disso, como a queda do dólar inibe, de alguma maneira, as exportações, a parcela da produção dedicada ao mercado externo deveria diminuir, sobrando mais produtos no mercado interno e, em conseqüência, barateando os preços. Porém, há que mensurar se o excedente que deixou de ser exportado é considerado suficiente para suprir a inflação de demanda que começa a surgir. As autoridades monetárias parecem entender que não supre.
De qualquer maneira, fica visível como o quadro político e o noticiário politizado acabam influindo na economia, muitas vezes prejudicando o país. Penso que, se a pressão sobre o BC não tivesse sido exponenciada pela mídia ao mesmo tempo em que ela vinha fazendo alarde de altas de preços localizadas, talvez o Copom pudesse ter sido menos conservador em sua decisão de ontem.
Alguns não entenderam ironia que Paulo Henrique Amorim fez em seu site ao comentar sobre quem a Folha de São Paulo escolheu para substituir o jornalista Mário Magalhães, que, disparado, foi o melhor ombudsman que o jornal já teve, apesar de que Marcelo Beraba e Bernardo Ajzemberg também exerceram seus mandatos com dignidade, ainda que com muito maior, digamos assim, "comedimento".
PH referiu-se ao novo ombudsman da Folha como Caio Túlio Costa, apesar de que o nome do sucessor de Magalhães é Carlos Eduardo Lins e Silva, jornalista sobre quem sempre ouvi falar bem, apesar de não ter ouvido falar tanto assim dele. PH acha que o sucessor de Magalhães representará interesses alinhados com os do CEO do IG.
O que posso dizer é que Lins e Silva vinha tendo uma atuação para lá de péssima como mediador do programa Roda Viva. Só para ficar num exemplo recente, no programa que entrevistou o chanceler Celso Amorim o jornalista não coibiu a tentativa de interdição da fala do ministro pelos mesmos entrevistadores da imprensa golpista que sempre estão nesse programa para encurralar adversários do PSDB. E, como se não bastasse, atuou no mesmo sentido de acuar Amorim.
Os augúrios que vêm da indicação de Lins e Silva, não são bons. Provavelmente a Folha terá tido a audácia de colocar um boneco manipulável no lugar de um ombudsman de verdade, que teve em Magalhães como nunca tinha tido desde que instituiu a figura do ombudsman em sua organização.
Aliás, vale a pena rir muito da forma como o jornalão paulista anunciou a escolha do novo ombudsman, "explicando" que o anterior deixou o cargo porque não quis parar de publicar críticas diárias na internet que estavam sendo "instrumentalizadas por jornalistas ligados ao Planalto". Dá vontade de perguntar se as críticas de Magalhães, intrumentalizadas ou não, teriam fundamento, porque, se têm, esses "jornalistas ligados ao Planalto" estariam cobertos de razão.
O PIG puxou mais um tapete dentro de suas fronteiras. Não sei se resta mais algum a ser puxado. Mas o mundo não se limita às fronteiras do PIG, ainda que ele pense o contrário.
Bingo!
Leiam, abaixo, o excelente comentário do leitor e advogado pernambucano João Prota :
"Prezado Eduardo, se o tal ombudsman tiver a pretensão de exercer o cargo com seriedade e independência, deve, em sua primeira crônica, criticar a forma pela qual o jornalista Mário Magalhães foi afastado do cargo que agora ocupa."
Leitores "detonando"
Mais um comentário excelente sobre o assunto deste post. Desta vez, da socióloga carioca professora Vera Pereira.
"A idéia que me parece muito grave é a que está implícita na frase do dono do jornal de que o Ombudsman anterior não quis parar de publicar críticas diárias na internet que estavam sendo 'instrumentalizadas por jornalistas ligados ao Planalto'. Grave tanto pela confissão implícita quanto pela burrice de fazê-la publicamente. Se o jornal publicasse a verdade factual, por que se preocupar se essa verdade favorece ao governo ou à oposição? Salvo se o interesse precípuo for de sempre desfavorecer o governo. A verdade, me parece, deve servir aos cidadãos leitores, não é não? A burrice do proprietário do jornal ao dizer isso de público me parece ainda apoiar a impressão de que o PIG já perdeu há muito a capacidade de autocontrole e ingressou de vez na desfaçatez explícita."
Dito e feito
Novo ombudsman da Folha não esperou nem este post esfriar e já mostrou a que veio. Vejam nota do (sempre ele) Portal da Imprensa sobre o assunto:
"Publicado em: 16/04/2008 14:42
'Publicação de crítica na internet é irrelevante', diz novo ombudsman da Folha
Por Ana Luiza Moulatlet/Redação Portal IMPRENSA
Na próxima terça-feira, 22, Carlos Eduardo Lins da Silva passa a atender os leitores como o novo ombudsman do jornal Folha de S.Paulo.
O jornalista, que estréia sua coluna dominical dia 27, afirmou ao Portal IMPRENSA que vai seguir a linha editorial que o ombudsman deve seguir, 'ouvindo os leitores e utilizando a opinião deles para fazer o melhor para o jornal'.
Ele será o nono profissional a ocupar o cargo, que existe desde 1989. Seu antecessor, Mário Magalhães, divergiu da decisão da Folha de parar de divulgar na internet a crítica diária que o ombudsman produz sobre o jornal. Por causa do impasse, seu mandato não foi renovado, e ele deixou o cargo no dia 4 de abril.
Sobre a discussão se a crítica interna só interessa a quem trabalha no jornal ou deve ser de conhecimento geral, Lins da Silva disse que essa é uma decisão que cabe à Direção, mas que 'a questão de fato é meio irrelevante, porque o que o ombudsman quer escrever, escreve na coluna. Na coluna o ombudsman pode escrever tudo o que quiser'.
Em nota, Otavio Frias Filho, diretor de Redação, afirmou que "era incongruente que a crítica interna fosse de acesso irrestrito, quando as próprias edições da Folha são acessíveis na internet apenas para assinantes".
Ele ainda declarou respeitar a opinião de Mário Magalhães, amplamente expressada em sua coluna dominical. 'Cabe ao ombudsman criticar. E à direção tomar as decisões que considera mais adequadas', disse."
Minha observação: se a crítica do ombudsman na internet é "irrelevante" e se o ombudsman pode escrever (agora, só uma vez por semana, no domingo) na sua coluna na Folha impressa tudo que escrevia nas colunas na internet - e não pode, porque o espaço é 80% menor -, por que a Folha extinguiu a crítica na internet? E se não tem lógica disponibilizar a crítica interna para todos, assinantes e não-assinantes, por que não mantê-la ao menos para assinantes?
Ex-ombudsman e a representação do MSM ao MPF
O diretor jurídico do MSM, Antonio Donizeti, acha que o fato de a ONG ter usado críticas do ex-ombudsman Mário Magalhães na representação que fez ao MPF na questão do alarmismo da mídia sobre epidemia inexistente de febre amarela pode ter sido um das gotas d'água que fizeram a Folha empurrá-lo para a demissão do cargo. Vejam:
"Eduardo, estive pensando no assunto da saída do Mario Magalhães do cargo de Ombudsman da Folha de São Paulo e uma enorme dúvida me passou: será que a atuação do Mario Magalhães no episódio da falsa epidemia de febre amarela, quando apontou a "escalada da mídia" e da própria Folha na questão, sendo aquela atuação relatada na Representação do MSM ao Ministério Público Federal, não terá sido esse outro fator importante para a decisão da Folha de afastá-lo?
Fica claro que a Folha não admite que artigos ou opiniões de seus profissionais destoem de sua pauta política/partidária contra o governo Lula-PT. Acho que a falta de princípios éticos, morais e de compromisso com a verdade e postulados da imprensa livre, que infestam a pauta da grande mídia, pode ser muito maior e mais grave do que imaginamos. Parece configurar-se uma ofensiva do Partido da Imprensa Golpista, o PIG,contra meios de comunicação e profissionais que não comungam com suas calhordices e os denunciam.
Antes de mais nada, diante de dúvidas que me chegaram por comentários neste blog, por e-mail e até por telefone, explico agora a nova fase em que entra a disputa pelo Prêmio Ibest. Mas explico, primeiro, por que essas dúvidas surgiram, apesar de, no site do Ibest, haver farta explicação das regras do jogo.
É que, devido ao fato de que os selos da premiação colocados nos blogs e sites indicados remetem os internautas à página específica de cada uma de suas categorias, muitos desses internautas não acessam a página principal da premiação e sim a da categoria que lhes interessa, por isso não estão entendendo por que agora a ordem dos indicados não é mais a do percentual que cada website tem na votação.
Vejam a explicação do Ibest sobre as mudanças:
"Como vocês já devem ter visto, nós retiramos as porcentagens das categorias nessa fase final do Prêmio iBest. A votação continuará até o dia 30 de abril, normalmente. Para dar um clima de suspense, nós realizamos esse procedimento que já estava previsto em regulamento. Os candidatos estão sendo apresentados em ordem alfabética (podendo ser alterada para o oposto) e assim ficará até o dia 30 desse mês, quando encerraremos a votação e começaremos a apurar os votos. Vale um aviso: nós realizamos mais uma etapa de cortes nos votos, inclusive aqueles dos sites que fizeram promoções oferecendo produtos. Com isso, posso lhes garantir que as listas mudaram consideravelmente, mas o resultado só no dia 20 de maio. Nós avisamos que estávamos de olho. Quem jogou limpo não se arrependerá"
Sobre a parte final do anúncio das regras desta reta final do concurso que o Ibest está fazendo na nota acima, na qual alude a "fraudes", há que explicar que foram detectadas algumas práticas desonestas de indicados ao Ibest. 1 - Donos de sites e blogs estariam subindo na disputa promovendo votações maciças neles mesmos usando estratagemas como uma pessoa votar no mesmo indicado com vários e-mails diferentes; 2 - Blogs e sites oferecendo prêmios para quem votasse neles.
De fato, acompanhando a votação notei que sites e blogs não tão bons ultrapassaram outros melhores inexplicavelmente, se não estivessem subindo através de algum tipo de estratégia ilícita e organizada.
Sobre pedir votos, logo que fui indicado, comecei a pedir. Em cerca de uma semana, no entanto, dei-me conta de que seria absolutamente inútil pedir votos para um blog como se fosse um político em campanha. Explico: não adianta pedir votos para quem não lhe examinou a página na internet, e para quem examinou não adianta pedir à pessoa que diga que gostou do que encontrou, porque não se sabe se ela gostou. Fica uma coisa meio patética ficar implorando votos quando o que conta é o gosto do internauta e, acima de tudo, o mérito do blog ou site, que é o que o concurso mede ao medir a popularidade, que acaba sendo sempre maior se o veículo for realmente bom.
A divulgação dos resultados do Prêmio Ibest será no dia 20 de maio, mas só será possível votar nos indicados até o dia 30 deste mês. Só haverá premiação, no entanto, para o 1º lugar de cada categoria.
Sobre a credibilidade do Ibest
Como vocês sabem, o concurso Ibest andou meio mal visto por alguns blogs e sites políticos - entre os quais, este blog - por conta do episódio da expulsão desrespeitosa (sobretudo com os internautas) e abrupta do site de Paulo Henrique Amorim (Conversa Afiada) do portal IG, ligado ao mesmo Ibest. Além disso, alguns blogs e sites políticos andaram levantando dúvidas sobre a seriedade do concurso, pois estaria sendo manipulado pelo IG, que a direita diz ser favorável à esquerda e que esta, por sua vez, disse ser contra a esquerda devido o episódio Paulo Henrique Amorim, que também dizem ser favorável à esquerda.
Eu andava desanimado com o Ibest, pois achava que tinha "endireitado", apesar das negativas de gente séria como Luis Nassif. E o ideal seria não ter endireitado nem "encanhotado". Cogitei até tirar o selo do Ibest deste blog. Porém, logo percebi que ao menos o Ibest estava sendo acusado pela direita e pela esquerda e, portanto, provavelmente nenhum dos lados deveria ter razão. Pelo que entendo hoje, o mais prudente é dar o benefício da dúvida à premiação e cada um que aceite as regras do jogo e, lógico, o resultado do concurso sem chiar, se esse resultado não for o esperado.
O Júri
Evidentemente que, apesar de ser desejável que os contendores tenham "espírito esportivo", não se pode deixar de olhar atentamente para o desfecho do concurso. Nesse aspecto, é preciso dar uma boa olhada no amplo Júri que terá peso nesse desfecho. Esse Júri, que o Ibest chama de "Academia Ibest", é composto pelas seguintes pessoas:
NOME EMPRESA Adão Casares Lew, Lara TBWA Propaganda Adriel Nunes Basee Design Estúdio Aleksandar Mandic Mandic Ltda. Alex Lins Syrup NY Alexandre Annenberg ABTA Alexandre Gama Neogama Alexandre Inaga kiInterney Blogs / Blog Content Ana Clara CenamoGetty Images Ana Paula Monte Contágio Criação Andre Fiorinii Masters Andre Kischinevsky Instituto Infnet Angelo Franzão Neto McCann-Erickson Brasil Anna Saicali Americanas.com Antônio Rosa Neto Rede TV Antonio Tavares DIALDATA Telecom Bob Wolheim Revista Pix Bruno Parodi WeShow Caio Tulio Costa Internet Group Caique Santana SeveroInternet Group Carlos Merigo Fischer América / Brainstorm#9 Carolina Rocha Internet Group Cleidson Lima Correio do Estado Cristina Dissat Informed Jornalismo Edney Souza Interney Blogs Eduardo Pontes Internet Group Eliane Munhoz Turner Elis Monteiro O Globo Emerson Calegaretti My Space Brasil Fabio Seixas Camiseteria Felipe Santos (PIPO) Mccann Online Fernanda Pellegrini O Globo Online Gaía Passareli RRAURL Gian Filli Internet Group Inácio knapp Revista Digital Jean Boechat RMG Connect João Alceu Julio Ribeiro O Estado do Paraná Leandro Idesis Manager Online Luli Radfahrer ECA/USP Marcello Penna F/Nazca Marcello Póvoa MPP Solutions Marcelo de Salles Gomes Meio e Mensagem Marcelo Sant’Iago Midiaclick Marcelo Tas Marcio Neves Agência Click Mauro Amaral Xuxa Produções Carreira Solo Michel Lentz Schwartzman 10minutos Nalu Saad Pires Hoje em Dia - MG Odécio Grégio Tritone Paula Rizzo Miami AdSchool Pedro Anísio Internet Group Pedro Doria O Estado de São Paulo Phelipe Cruz Papel Pop Ralphe Manzoni Jr. IDG Now Renato Ferraz Correio Braziliense Ricardo Vaz Monteiro Nomer Richard Imgartchen Gr@tis Rodrigo Azevedo Comunique-se Rodrigo David Internet Group Romero Rodrigues Buscapé Sergio Charlab Reader’s Digest Brasil Ltda Sergio Maggi O Globo Silvia BassiI DG Now Silvio Genesini Oracle Silvio Mauro Modesto Monteiro O Povo - CE Tiago BaetaiMasters Tiago Dória Valdick B. Sales Jr. Gazeta de Alagoas Vicente Tardin Webinsider Wilson Zaveri PlayArte
O Ibest também avisa que o concurso está sendo auditado pela Deloitte, uma das maiores empresas do mundo em auditoria e consultoria coorporativa. No Prêmio Ibest, especificamente, a sua função é ajudar a "encontrar votos e casos suspeitos que comprometam a lisura do concurso e garantir que os vencedores sejam, de fato, aqueles que mais votos legítimos receberam"
O mote, turma, é esperar para ver no que vai dar. Mas devo ressaltar que esse Júri é integrado pelo desafeto de Paulo Henrique Amorim Caio Túlio Costa, CEO do IG. Em princípio, porém, há que conceder a ele o benefício da dúvida.
Quanto a este blog, acho que chegou muito mais longe do que eu jamais poderia esperar. Se o concurso for realmente sério, só posso ficar satisfeito, ainda que a chance de vitória do Cidadania seja, a meu juízo, menor do que zero. E até acho justo que seja assim, pois não acho que este blog esteja sequer perto de ser o melhor blog político da internet. Mas se ficar entre os melhores, já será muito mais do que um mero vendedor internacional de autopeças poderia almejar.
Contestação sobre auditora do Ibest
O leitor que Ricardo VCP, de Santa Catarina, ofereceu informações que me parecem relevantes. Por isso, publico-as abaixo
"Procure no Google: Deloitte Parmalat Sobre a falência da Parmalat: A firma de auditoria Deloitte & Touche, cuja operação americana responde a processo que tenta associá-la ao grande escândalo financeiro da gigante italiana Parmalat SpA., descreve-se à corte como uma rede de sociedades nacionais afiliadas, mas legalmente separadas umas das outras — e diz que a Deloitte & Touche SpA, seu braço italiano, é que tem toda a responsabilidade pela auditoria dos balanços da Parmalat..."
Há tantos assuntos importantes a tratar, mas hoje não tenho cabeça para nenhum. Já passa da hora zero da quarta-feira quando começo a escrever isto. Tenho que ir dormir, porque daqui a algumas horas viajarei ao interior de São Paulo. Mas não tenho sono. Poderia, então, tentar escrever sobre alguma coisa que vos interesse, mas tampouco tenho condições de pensar logicamente, da forma que os assuntos que costumo abordar requerem.
Preciso refletir sobre um assunto aparentemente pessoal, mas que deveria interessar a todos os que põem filhos no mundo. E a forma como melhor reflito, é escrevendo.
A foto que vocês vêem acima é da minha filha Gabriela, a segunda. Ela tem 22 anos. Faz alguns minutos que me despedi dela e do noivo na sala, quando me relataram que finalmente fecharam o contrato com uma empresa de intercâmbio estudantil com outros países. Ela e o rapaz vão estudar na Austrália.
Eles são tão jovens, meu Deus. Vocês estão vendo a foto da minha filha? Ela é uma menina, apenas... Eles vão para o outro lado do mundo... Sem eu e a minha mulher para olhar por ela... Sem família nenhuma... Sem serem cidadãos do país em que passarão, pelo menos, um ano... É tanto tempo... Nem sei se estarei vivo quando ela voltar ao Brasil...
É verdade que a Gabriela, a nossa Bi, é uma filha exemplar. Nunca tive problema nenhum com ela. Começou a namorar aos 17 anos. Até então, os estudos eram o mundo dela. E, como a foto bem demonstra, não foi por falta de pretendentes que não começou a namorar antes. É que ela sempre foi muito, mas muito, muito responsável, aplicada, caseira. Aos quinze anos, em vez de ir para a "balada" com os amigos num sábado, dispunha-se a ir ao teatro comigo.
Não tenho por que achar, no entanto, que ela e o noivo não sabem o que estão fazendo. Ele, por sua vez, é um rapaz espetacular. Honesto, trabalhador, inteligentíssimo, com um futuro certamente promissor, e ainda por cima é bonito. Mas, acima de tudo, é apaixonado por ela de uma forma que vocês nem imaginam. Ela e ele, inclusive, têm amigos na Austrália que estão ajeitando as coisas para eles. Viajarão daqui a 9 meses.
O tempo que tenho é o mesmo que a minha menina demorou para vir ao mundo. Depois disso, fico imaginando se viverei até o dia em que ela voltar. E mesmo que eu sobreviva a tão excruciante espera, como tolerá-la? Como conviver com a saudade colossal que se abaterá sobre a mãe dela e eu? Ela é a filha que sempre foi "colada" ao pai e à mãe. Esteja eu onde estiver, no Brasil ou na África, falo com ela todos os dias.
Estou meio mal, meus amigos. Sei que é para o bem dela. Irá aprimorar seu inglês, adquirir fluência, continuará seus estudos normais, porém numa instituição de ensino muito superior àquela em que estuda aqui. Mas eu, neste meu egoísmo paterno, não consigo me conformar. Faltam nove meses para ela ir embora e, enquanto escrevo, já parei para ir olhá-la dormindo umas três vezes.
Ao mesmo tempo, preocupo-me com ela ir para a Austrália como me preocuparia se estivesse indo para o Iraque. Não sei muito sobre aquele país além de que é rico, do Primeiro Mundo, cheio de oportunidades. Mas como irá tratar essa brasileirinha?
Aliás, são três casais. Alugarão uma casa ou apartamento. É uma situação que nunca imaginei que permitiria para uma de minhas filhas. A mais velha, que hoje está casada e já é mãe de uma garota de sete anos, eu não teria permitido que passasse nem uma noite com um namorado, noivo, fosse o que fosse, quanto mais que fosse morar com ele no exterior. Mas as coisas mudaram. Tive que me render à revolução dos costumes que continua em curso no mundo e que não se sabe onde - nem quando - irá parar.
Enfim, peço-lhes um favor. Se alguém tiver informações sobre a Austrália, a partir de agora tudo sobre aquele país me interessa.
Bem, vou dormir - ou tentar. No decorrer do dia, darei um jeito de ir liberando os comentários periodicamente. E peço-lhes desculpas por dividir meus fantasmas com vocês, mas estou certo de que muitos sabem o que sentem os pais quando os filhos se vão.
Quando o mercado acionário europeu abre, ainda estamos dormindo. A diferença de fuso horário do Brasil para aqueles países varia de 4 a 5 horas. Assim, quando, na madrugada de hoje, saíram as edições dos jornalões brasileiros pondo em dúvida a nova descoberta petrolífera do país, alemães, ingleses, franceses, italianos e espanhóis já estavam tomando café da manhã. E, certamente, os investidores em ações europeus procuraram se informar na imprensa brasileira sobre a descoberta petrolífera.
Segundo o UOL, "o índice FTSE-100, da Bolsa de Londres, apontou alta de 1,29%, aos 5.906 pontos. O CAC-40, de Paris, ganhou 0,3%, a 4.780 unidades. Em Frankfurt, o indicador DAX teve alta de 0,47%, a 6.585 pontos. A Bolsa de Milão recuou 0,08%, pelo indicador MIBTel, aos 24.902 pontos. Já o Ibex, de Madri, ganhou 1,59%, para 1.444 unidades. O mercado acionário europeu fechou esta terça-feira em alta.
As ações de empresas petrolíferas européias foram as que tiveram as altas mais vigorosas. A inglesa BG Group e a espanhola Repsol-YPF lideraram essas altas devido às notícias de que foi descoberto um novo megacampo de petróleo no Brasil que pode ser a mais importante descoberta petrolífera dos últimos 30 anos. As duas empresas são sócias na exploração do campo "Carioca" junto com a Petrobras.
A reação do mercado acionário europeu às dúvidas da imprensa golpista tupiniquim foi de absoluto desprezo.
É uma situação esquizofrênica, vocês não acham? Em que país do mundo - sem ser nos países latino-americanos governados pela esquerda - a imprensa ficaria procurando chifre em cabeça de cavalo e tentando cavar um escândalo sobre uma descoberta tão magnífica para o país em vez de comemorar?
O Brasil deixa de ser devedor internacional e passa a credor? A imprensa relativiza. O país sobe para o grupo de países de alto desenvolvimento humano? A imprensa faz pouco. Descobrimos reservas de petróleo que podem tirar dezenas de milhões de brasileiros de uma vida infernal e a imprensa estrebucha e sai procurando uma forma de transformar a descoberta em escândalo...
Você diria que a imprensa golpista torce contra o Brasil?
Manchete secundária de primeira página na Folha de São Paulo de hoje dá pista (por não ser manchete principal) da fragilidade da matéria à qual remete, intitulada "Para PF, Casa Civil montou dossiê sobre FHC". A manchete diz que é da Polícia Federal a afirmação de que a "Casa civil montou dossiê sobre FHC". Contudo, lendo o texto, descobre-se que nem foi o delegado da PF designado para a investigação, dr. Sérgio Menezes, quem fez tal afirmação. O jornal teria descoberto isso através de "interlocutores" do delegado.
A PF (Polícia da Folha) "informa" que o "delegado Sérgio Menezes, que há uma semana investiga o caso, disse a interlocutores que o levantamento feito pela equipe de Dilma constitui um dossiê porque não seguiu o trilho normativo previsto no decreto 4.553, de dezembro de 2002, que dispõe sobre a 'salvaguarda de dados, informações, documentos e materiais sigilosos de interesse da segurança da sociedade e do Estado, no âmbito da administração pública'.".
Pode parecer gozação, mas não é: no parágrafo seguinte, a reportagem diz que "Em primeiro lugar, a PF buscará saber se, como prevê o decreto, a Casa Civil criou uma Comissão Permanente de Avaliação de Documentos Sigilosos, que deve, entre suas atribuições, analisar periodicamente a documentação secreta produzida na repartição, determinar o destino de tais papéis e autorizar o acesso aos documentos reservados".
Para quem reflete sobre o que lê - e o leitor médio da Folha só assimila as manchetes, não reflete sobre nada -, surge a pergunta: se o delegado, segundo o jornal e os tais "interlocutores", disse que a Casa Civil "não seguiu o trilho normativo", como é que a PF (a polícia federal, não a da Folha) ainda buscará saber alguma coisa, conforme diz a reportagem no parágrafo seguinte? O caso não estaria resolvido, então?
Mas a Folha contará com uma ajuda inestimável do governo Lula para fazer valer sua tese. Segundo o jornal, "o Planalto cogita admitir publicamente que fez um dossiê para comparar gastos do casal FHC com os gastos de Lula e Marisa Letícia para se prevenir contra eventuais revelações incômodas da PF". A ajuda do governo será no sentido de ficar quieto vendo a matéria de vento da Folha entranhar-se na mente dos mais dopados pela imprensa.
É evidente que o Planalto não cogita admitir nada e que essa afirmação, como a outra, será atribuída a fontes sigilosas. A reportagem inteira pretende apenas transformar em fatos o que jamais poderia ter sido dito nem pelo delegado Menezes nem pelo "Planalto". No "jornalismo" da imprensa golpista, basta o jornal escrever sua realidade virtual e implantar na cabeça de seu público bovino.
O governo Lula, infelizmente, colabora muito com a Folha e com a PF (Polícia da Folha), entre outros braços do PIG com os quais colabora, pois fica imóvel diante desse tipo de sacanagem e deixa o barco correr numa disputa em que o "timing" das "revelações" é o mais importante. Hoje à noite, o Jornal Nacional irá repercutir a manchete da Folha e ouvirá algum desavisado porta-voz do governo Lula, seja no Congresso, seja no Planalto, que, atônito, dará verossimilidade à manchete sacana do jornalão paulista.
Se o governo Lula não fosse tão lerdo, convocaria hoje mesmo o diretor-geral da PF (Polícia Federal), dr. Luiz Fernando Corrêa, o delegado Sérgio Menezes e, junto de alguém do governo, seria dada uma entrevista coletiva em que seria desmentida qualquer conclusão de uma investigação que deverá durar 30 dias, mas que, para a PF (Polícia da Folha), durou uma única e mísera semana. Tragicamente, porém, o governo Lula é tão lerdo que, se tiver que tomar conta de duas tartarugas, as duas conseguirão fugir.
Em tempo
Luiz Fernando Corrêa e Sérgio Menezes devem uma explicação ao país sobre as afirmações da Folha. Devem confirmá-las ou rejeitá-las de imediato.
clique na imagem acima para visitar o Conversa Afiada
Passado algum tempo do episódio dramático da "demissão" de Paulo Henrique Amorim pelo portal de internet IG, achei que estava me devendo um post sobre um fato que temia que acontecesse e que pode efetivamente estar acontecendo, isto é, que esteja se materializando o objetivo daqueles que tiraram a importante visibilidade que tinha o jornalista naquele portal.
Escrevo, pois, no sentido de lembrar a todos a dívida que temos com PH, gerada pelo trabalho corajoso e incansável que seu "Conversa Afiada" realizou, realiza e, com nosso apoio, estou certo de que continuará realizando.
Dessa maneira, lanço agora um bordão que me aqueceria a alma saber que "pegou", e que, se "pegar", constituir-se-á em importante apoio àquele que precisa ser apoiado num momento em que lhe puxaram o tapete - pelas costas.
Quando comentarem em blogs e sites, sejam quais forem, ou quando escreverem em seus próprios blogs e sites, peço que, no âmbito da campanha e do bordão que estou lançando, que reproduzam a seguinte pergunta aos internautas:
"Já leu o PH hoje?"
Em seguida, no mesmo texto, haverá que ser informado o endereço do novo site Conversa Afiada, qual seja, www.paulohenriqueamorim.com.br
Estou certo de que aqueles que entendem a dimensão e a importância que a blogosfera está ganhando saberão mensurar a importância do PH para aqueles que, como ele, dedicam-se a produzir, com o mesmo ímpeto, a contra-informação à informação enviesada "martelada" ininterruptamente por Vejas, Folhas, Estadões, Globos e IGs da vida.
Na primeira e única vez em que escrevi sobre o caso Isabella Nardoni (no sábado), eu disse que não vinha me interessando sobre o assunto por ele ter se convertido num show midiático, encenado para saciar uma platéia ávida por vingança e permeada, em boa parte, por um prazer mórbido de devassar e massacrar algum bode expiatório.
Essa mesma reflexão, porém, descobri que encerra a razão pela qual devo voltar ao assunto. O que está acontecendo é prova de uma deformidade social, de um tipo de comportamento coletivo que precisa ser combatido em benefício do processo legal e civilizatório, não do Brasil, mas da humanidade, pois o "espetáculo" Isabella emula outros que irrompem também em sociedades ditas "civilizadas".
No Brasil, porém, num país em que crianças são prostituídas, estupradas, mutiladas, assassinadas, exploradas e abandonadas o tempo todo, não se entende que as atenções se voltem para um único caso como acontece em sociedades mais ricas e cultas onde essas barbaridades são muito mais raras.
O caso Isabella Nardoni, porém, não sai da mídia, apesar das idas e vindas dos meios de comunicação, que ora apresentam "provas" da culpa do pai e da madrasta de Isabella e ora pedem "cautela" aos que querem culpá-los previamente, mas esses meios, de uma forma ou de outra, mantêm o escândalo "aceso" ininterruptamente, quando o melhor para todos os envolvidos seria as investigações prosseguirem em sigilo, pois os parentes todos da menina estão sofrendo um assédio infernal da imprensa num momento de dor extremada e esse assédio em nada contribui para esclarecer os fatos.
Não se pode culpar só a mídia, no entanto. Há que responsabilizar também as autoridades por terem contribuído para transformar essa tragédia nesse espetáculo macabro que tem ocupado tanto as atenções do país. E as autoridades às quais me refiro são as autoridades policiais.
Pensem comigo: a polícia, antes de tudo, está OBRIGADA a desvendar crimes. E quando se trata de um crime com esse grau de visibilidade, essa polícia fica contra a parede. Se, até agora, não tivesse suspeito ou suspeitos, os responsáveis por deslindar crimes estariam sendo duramente criticados, por mais difícil que o caso seja. Por isso se vê esse processo investigativo digno de uma Scotland Yard.
Oxalá fosse essa que se vê na tevê e nos jornais a realidade da polícia brasileira. Milhares e milhares de crimes, tão ou mais graves do que o de Isabella, no entanto, ocorrem o tempo todo e não recebem investigações com alta tecnologia, com promotores e delegados indignados e lacrimejantes pelas vítimas. O que criou essa polícia científica e atuante que temos visto no caso Isabella é a condição social da garota e o assédio da mídia.
Nessa roda-viva toda, porém, até agora ninguém fez a pergunta mais elementar em qualquer investigação policial: "Cui Prodest", ou, em bom português, "a quem interessa?". Não se tem, até agora, o motivo pelo qual o casal Nardoni teria matado a pequena Isabella.
Um outro aspecto interessante nessa questão é o da forma como o crime foi cometido. Espancar a vítima e atirá-la pela janela é compatível muito mais com crimes passionais do que com premeditados. A natureza desse crime é muito mais compatível com psicopatia do que com qualquer outra "razão". Porém, a tela que recobria a janela do aposento do qual Isabella foi jogada foi cuidadosamente recortada, de forma a permitir que a menina fosse atirada, o que pode revelar o desejo de expor o crime que tinha acabado de ser cometido.
Se Isabella não fosse jogada pela janela depois de um processo lento de arrombamento da tela que a recobria, poderia demorar horas e horas até que a menina morta fosse descoberta. Talvez não fosse descoberta nem no mesmo dia, o que daria tempo ao criminoso de fugir ou de pensar melhor sobre o que fazer, sobretudo se o crime tiver mesmo sido cometido por Alexandre Nardoni, por Anna Jatobá ou por ambos.
Sem as respostas mais elementares sobre o crime, foi cometido o excesso inaceitável de se prender e expor à execração pública pessoas que, se não forem culpadas, terão pago um preço exorbitante, igualmente inaceitável por um crime que não cometeram.
Não consigo imaginar injustiça maior que se possa cometer. Assumiu-se o risco de gerar até um linchamento de Alexandre e de Anna e isso sob a hipótese absolutamente plausível (por falta de provas) de que sejam inocentes.
O sigilo dessa investigação teria contribuído muito mais do que o alarde que está sendo feito. E se, ao fim de tudo isso, não se provar a culpa do pai e da madrasta da menina, e se, então, a eventual injustiça contra eles não for reparada, esse tipo de barbaridade continuará acontecendo. Além do criminoso que matou Isabella, teremos possíveis criminosos que estraçalharam aqueles que também podem ter sido vítimas da morte trágica dessa pobre criança.
Um amigo meu, por exemplo, passou por um constrangimento terrível não faz muito tempo. A mulher dele é uma pessoa simples e de pouca instrução. Eles têm uma filha da idade de Isabella. A mulher é uma mãe exemplar, amorosa, mas tem mania de gritar com a menina, e, quando está nervosa, às vezes profere palavrões. Vizinhos que não gostam da mulher simples, que vive hoje num condomínio de classe média alta, fizeram denúncia de que ela maltratava a filha, e o casal teve que comparecer diante das autoridades para prestar esclarecimentos.
Esses dias, eu e meu amigo comentávamos o seguinte: se alguma coisa lhe acontecesse com a filha, certamente as investigações revelariam a denúncia de que o casal foi alvo. Pela lógica atual, estariam condenados a todo o inferno que está sofrendo o casal Alexandre e Anna...
Seria muito bom que até os mais ávidos pelo espetáculo midiático-policial em curso refletissem sobre isto: a possibilidade de injustiça contra o pai e a madrasta de Isabella é uma ameaça a qualquer um pelas mais variadas razões, mas, sobretudo, porque, quando a sociedade exige um bode expiatório e as autoridades e a mídia o oferecem, visando, criminosamente, saciar a sede de vingança coletiva, ninguém mais está seguro.
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Reproduzo, abaixo, o trecho final do despacho do desembargador Cangaçu de Almeida, que concedeu a liminar que pôs em liberdade o pai e a madrasta de Isabella Nardoni. Vale a pena ler, porque fica claro que a polícia, até então, não havia oferecido elementos à Justiça que justificassem nem a prisão do casal, nem, muito menos, sua manutenção.
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"(...) qualquer decisão que se profira, não pode vir fundada em simples e falíveis suspeitas, em desconfianças ou deduções cerebrinas, ditadas pela gravidade e clamor decorrentes de um crime.
Os presentes autos retratam uma grande tragédia. Uma tragédia que, talvez, não seja maior do que aquelas outras com que, a cada dia, nos defrontamos, no exercício dessa fascinante tarefa de julgar a que nos propusemos há já tantos anos, mas que prossegue, até aqui, sem esmorecimento e com muito amor. Mas uma tragédia que, como poucas, nos questiona e inquieta a propósito da verdade de tudo aquilo que efetivamente se passou naquela trágica noite dos fatos.
Será que o desamor exagerado desses estranhos tempos que correm terá chegado a um extremo tal que pudesse levar um pai, ou sua companheira, a tão cruelmente eliminar uma graciosa filha de apenas cinco anos e que, certamente, muito os terá amado? Ou será que o estrepitoso evento terá levado às agruras da suspeita e da investigação alguém que as coincidências, algumas vezes imprevisíveis e inevitáveis, do destino, fizeram, em algum momento parecer autor de crime que, quiçá, não deva ser levado à sua conta?
A argúcia e a ciência dos homens, ao menos até o momento em que redigido o presente despacho, não se fizeram capazes de responder a tais e tão inquietantes indagações. Bem por isso, ao juiz, que tem por ideal defender a verdade que conhece e lutar pela Justiça que ama, repugna a idéia de fazer submeter alguém às agruras do cárcere, impondo-lhe o desmoralizador constrangimento de um aprisionamento que, por ora, não atende aos pressupostos que o legitimariam.
Estes autos, por ora, talvez retratem mais uma história daquelas onde quem pudesse merecer reprimenda, acaba favorecido por uma incontrolável e desastrosa vocação do homem para a insinceridade, para a inverdade, para a dissimulação. Queira Deus não venham aumentar a estatística dos feitos onde a Justiça concreta não pôde ser feita e onde o mal terá prevalecido sobre o bem. Mas, de qualquer forma, pelo que puderam oferecer até aqui, não ensejam a preservação da prisão temporária inadequadamente proclamada.
Resta-me, porém, e tão somente, o consolo e a esperança de que algum dia a verdade sobreleve. Ou para apontar o real culpado por tão doloroso procedimento ou para afastar, definitivamente, suspeitas que recaiam sobre quem não as mereça.
Diante de todo o exposto, defiro a medida liminar, a fim de revogar, si et in quantum, a prisão temporária dos pacientes, expedindo-se em favor deles os competentes alvarás de soltura clausulados.
Hoje, pode-se dizer, sem medo de errar, que tanto os que apóiam Lula quanto os que o rejeitam estão angustiados com a sucessão presidencial. De ambos os lados, há um clima de tudo ou nada em relação a 2010.
Essa situação esdrúxula decorre de duas hipóteses político-eleitorais consideradas intoleráveis por governistas e oposicionistas. Essas possibilidades são José Serra, de um lado, e o PSDB não eleger o próximo presidente, do outro.
Para que se tenha uma idéia da inaceitabilidade da hipótese de José Serra suceder Lula, já tem petista aceitando até um não-petista para sucedê-lo, contanto que consiga derrotar o governador paulista. É impressionante o poder desagregador desse homem.
E, para a oposição e para a mídia, é completamente inaceitável que o PSDB não faça o próximo presidente. Claro está que nenhum tipo de radicalização será descartada, contanto que tucanos e pefelês voltem ao poder.
Chega a ser surreal que um país que esperou tanto por uma chance de crescer e de se desenvolver de forma sustentada não consiga se concentrar no momento excepcional por que passa e, em lugar disso, fique discutindo politiquinha de quinta, da mais diminuta que poderia haver.
Enquanto isso, Lula, de olho nos louros da história, não está nem aí nem para um lado, nem para o outro. Ele só pensa no PAC e nos programas sociais, para legar um país economicamente vigoroso e com indicadores sociais que provem a dimensão de sua obra em prol dos mais pobres.
Essa angústia de governistas e oposicionistas, no entanto, encerra um risco enorme para os projetos do presidente. O nível de radicalização da oposição e da imprensa aumenta na mesma medida que a popularidade presidencial. O mesmo acontece com o nível de irritação dos governistas em relação à oposição midiática.
Intuo que mídia e oposição parecem ver um só caminho para retomarem o poder: derrubar Lula via impeachment. A crise fabricada dos cartões corporativos, no fim das contas, tinha como objetivo final encontrar alguma coisa que comprometesse o presidente.
Tenho certeza de que se o cavalo do impeachment passar encilhado e a oposição midiática montar nele, os movimentos sociais - e até cidadãos comuns, sem vinculação partidária - não hesitarão em ir às ruas, em radicalizar tanto quanto os meios de comunicação e a oposição.
A tensão entre o governo e a oposição midiática está muito longe de acabar. E se o país não conseguir uma fórmula para fazer com que estabeleçam um consenso mínimo que lhes permita uma relação menos insana, todos pagaremos um alto preço por essa insanidade em que se converteu a política nacional.
Nem para o PT, nem para o PSDB, no entanto, interessa que o país chegue em chamas a 2010. Se os tucanos e pefelistas acham mesmo que têm perspectiva de retomar o poder, devem conter sua matilha midiática.
Depois da reportagem da Veja "denunciando" que o governo Lula havia feito um "dossiê" contendo dados sigilosos das despesas de custeio da família Fernando Henrique Cardoso quando ele era presidente da República, visando "chantagear" o PSDB para que desistisse de "investigar" as despesas do casal Lula da Silva no âmbito da "crise do cartão corporativo", um a um os artífices do Partido da Imprensa Golpista (Veja, Folha, Globo, Estadão e ramificações) começaram a reverberar a teoria de que "a candidatura à Presidência da República" da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, estaria "morta".
De acordo com pesquisa que fiz e com minha própria memória, essa história de "morte" da (até então) inexistente "candidatura Dilma" ganhou popularidade na imprensa golpista com manchete principal de primeira página do Estadão no fim do mês passado. O mais antigo (em todos os sentidos) jornal paulista transformou em manchete "entrevista" de um dos "cientistas políticos" tucanos que a mídia sempre saca do bolso para comentar cada uma das "crises" do governo Lula que ela mesma produz quinzenalmente, quando muito. Desta vez foi o historiador (assumidamente ligado ao PSDB) Marco Antonio Villa.
A teoria da "morte" da candidatura Dilma decorreria, segundo a imprensa golpista, de "revolta popular" com "a investigação policialesca" do governo Lula contra o "amado" FHC. Essa teoria começou a ser martelada incansavelmente pelo PIG, sobretudo pelo PIG escrito, desde o fim do mês passado.
Antes de prosseguir, devemos atentar para o seguinte: quando algum dos colunistas de Veja, Folha, Globo e Estadão bate numa tecla política, está se manifestando pelos donos desses veículos e, em seguida, os outros colunistas vêm todos atrás. Depois da manchete de primeira página do Estadão, as páginas desses veículos foram invadidas pela teoria da "morte" da candidatura Dilma. Todos trataram do suposto passamento da candidatura da ministra em intermináveis colunas, editoriais e cartas de leitores.
Na Veja, temos os colunistas porta-vozes Diogo Mainardi e Reinaldo Azevedo; na Folha, dois colunistas, casados (literalmente) com tucanos, Eliane Cantanhêde e Clóvis Rossi; no Globo, Merval Pereira e Ali Kamel; no Estadão, sobressai o companheiro de "baladas" dos tucanos, Mauro Chaves, articulista e produtor de editoriais.
Eliane Cantanhêde, por exemplo, na edição da Folha de 10 de abril decretou que "A candidatura Dilma desmoronou". Como ela e os outros coveiros da inexistente candidatura Dilma Rousseff souberam de sua morte? Pesquisa de opinião? Nunca se soube de resultado de sondagem da opinião pública que tenha revelado isso. Os colunistas do PIG simplesmente comunicaram como fato aquilo que eles, ou melhor, que seus patrões gostariam que tivesse acontecido.
Como a ciência tem a mania "inconveniente" de contradizer "profetas", obrigou gente como Eliane Cantanhêde (a eterna musa da Febre Amarela) a desdizer o que havia dito três dias antes. Hoje (13/04), em sua coluna na Folha, ela repercutiu notícia publicada ontem pelo Jornal do Brasil - e comentada aqui -, de que pesquisas feitas pelo PSDB para mensurar que resultado foi obtido com sua tentativa de execração pública de Dilma revelaram que o tiro saiu pela culatra, isto é, que a popularidade de Dilma subiu.
Vejam o que diz Cantanhêde:
"(...) o maior serrista da paróquia, deputado federal Jutahy Jr, (...) dirá que as (...) mesmas pesquisas (...) favoráveis para Serra mostram que Dilma Rousseff, do PT, deixou de ser uma estranha para o eleitorado (...). Já está em terceiro lugar, atrás do deputado Ciro Gomes (PSB), e chega a segundo em alguns municípios. (...) A estratégia de "bater" em Dilma e colocá-la contra as cordas no caso do dossiê FHC (...) só serve para colocá-la em evidência. Quando Dilma teria tanta exposição nas TVs e nos rádios?"
Ora, mas Cantanhêde não tinha dito, na quinta-feira passada, na Folha, que a "candidatura Dilma" tinha "desmoronado"? E que tal a mídia informar que pesquisas são essas que mostram a popularidade de Dilma subindo depois dos ataques da oposição e do PIG? Que mais contêm essas pesquisas? Quais são os institutos que as fizeram? São dados que o PIG sonega ao público porque não gosta deles. É sempre assim...
Esses, porém, são os sinais quase imperceptíveis que o PIG emite compulsivamente, inadvertidamente, e que permitem antever-lhe todos os passos em sua luta ensandecida para emplacar José Serra na Presidência em 2010. Cantanhêde, porém, corroborou uma notícia que diz muito mais do que parece. De fato, conforme disse aquela nota do Jornal do Brasil que publiquei aqui ontem, Dilma parece ter sido "contaminada" pelo "efeito teflon" que beneficia Lula e que faz com que ele se torne mais popular a cada ataque que sofre.
O que mais me impressiona é a total falta de apreço da imprensa golpista pelo que deveria ser o maior bem de um jornalista ou de um meio de comunicação, a credibilidade. As táticas dessa gente chegam a ser pueris. Dizem uma coisa num dia e outra no dia seguinte. Ignoram os fatos com uma naturalidade espantosa, demonstrando o desprezo que têm pela inteligência das pessoas.
Num momento em que as pesquisas (Datafolha e Ibope) mostram que a popularidade de Lula explodiu nos setores mais ricos e escolarizados, superando com larga vantagem aqueles desse segmento social que reprovam o governo, Cantanhêde procura explicar assim o fato de o bombardeio a Dilma ter causado o efeito inverso ao pretendido:
"E [a melhora da popularidade de Dilma] foi em função de algo abstrato como um dossiê que não é bem compreendido [pela maioria da população], não envolve desvio de dinheiro e justificou cenas até de afeto por parte de Lula, o grande eleitor (senão candidato...) de 2010. Para o eleitor comum, a história do dossiê só serviu para vincular a imagem da Dilma à de Lula. Dilma irá esta semana ao Congresso (...) Seu desafio é neutralizar as perdas [de popularidade] entre os mais bem informados".
Alguém poderia me dizer como é que alguém que vive no Brasil poderia escapar da enxurrada de "explicações" detalhadas sobre o caso do "dossiê" que infestam todas as tevês, rádios, jornais e revistas há quase um mês, todo dia, sem parar? O "didatismo" com que Willian Bonner e Fátima Bernardes explicaram a tese do PIG foi digno de um jardim da infância. Só sendo cego, surdo ou retardado para não entender o que a imprensa golpista tentou vender sobre o caso do "dossiê". Essa gente foge do fato de que todo mundo quer que FHC se dane. Alguns podem até ter acreditado que Dilma fez o "dossiê", mas gostaram.
Moral do post : é verdade, o Partido da Imprensa Golpista e a oposição tucano-pefelê bateram com toda força em Dilma e ela... CRESCEU! Vai despontando como forte candidata à sucessão de Lula. Eu mesmo não fazia muita fé nela. O PIG me mostrou que eu estava errado. Obrigado, prezado PIG.