Por que SP não melhora 3
 
 
 
 antes                                 agora
 
 
Este blog tem leitores de todas as partes do Brasil, por isso sempre hesito em tratar de temas locais, de minha cidade e de meu Estado, que, como todos sabem, é São Paulo. Contudo, devido à importância da política paulista para o país, tenho abordado o tema mais amiúde, pois é daqui que deverá sair ao menos um dos candidatos à sucessão de Lula, que dificilmente não será José Serra, governador deste Estado.
 
Dada a explicação, informo que Serra permitiu - ou ordenou? - mudança no símbolo do governo do Estado de São Paulo. Na imagem acima, vocês podem comparar como era o símbolo e como ficou.
 
Quando tomei conhecimento desse fato, lembrei-me de episódio parecido em que o presidente Lula, ainda em seu primeiro ano de governo, foi acusado de ter permitido que sua mulher, dona Marisa, "partidarizasse" a aparência de uma propriedade pública, o Palácio da Alvorada, ou melhor, os jardins do Palácio, pois teria mandado plantar ali um canteiro de flores vermelhas em forma de estrela, e, como se sabe, o símbolo do PT é uma estrela vermelha.
 
O mundo veio abaixo. Manchetes indignadas, em jornais e telejornais, cobriram o país . Durante dias, o noticiário não falava de outra coisa. A mídia, tucanos e pefelistas não descansaram até que o tal canteiro da discórdia fosse retirado.
 
Não discuto o mérito daquele levante oposicionista-midiático contra um governo que acabara de ser eleito. Despartidarizar a administração pública, em que pesem os exageros, é medida salutar, democrática e republicana.
 
Já outro tipo de cerco a um governo petista, nunca aprovei. Foi a invasão da vida privada da ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy. As manchetes sensacionalistas em jornais e telejornais dissecavam até as relações afetivas da prefeita.
 
O que eu quero dizer é que o argumento de que governos devem ser fiscalizados pela imprensa parece que só vale mesmo quando o governo é do PT. Nesse caso da estilização da bandeira de São Paulo, da forma que vocês vêem acima, constitui partidarização de um signo público e é mais grave do que o caso do canteiro em forma de estrela, porque envolve generosa porção de dinheiro público.
 
Apesar de a mídia ignorar o caso da estilização da bandeira paulista pelo governo Serra, um vereador paulistano não ignorou. Francisco Chagas é vereador pelo PT na Câmara Municipal de São Paulo e, no último dia 22, protocolou uma representação no Ministério Público do Estado de São Paulo contra as seguintes autoridades:
 
José Serra, governador; Alberto Goldman, vice-governador; Maria Helena Guimarães de Castro, secretária da Educação; Iara Glória Areias Prado, secretária-adjunta da Educação; Fernando Padula, chefe de gabinete da Secretaria da Educação.
 
O motivo da representação ao MP paulista é o de que durante os meses de março e abril deste ano a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo distribuiu a todos os 208.976 professores da rede pública de ensino do Estado exemplares de "Proposta Curricular" e "Caderno do Professor" contendo o símbolo do governo paulista alterado, conforme a imagem acima.
 
 
 
Cartilha distribuída aos professores de SP
 
 
Segundo cópia da representação a que tive acesso, a prática do governo Serra infringiu os artigos 37, da Constituição federal, e 111, da Constituição do Estado de São Paulo, que, em seus parágrafos primeiros, dizem que "A publicidade dos atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos deverão ter caráter educativo, informativo ou de orientação social, dela não podendo constar nomes, símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal de autoridades ou servidores públicos".
 
O vereador representante ao MP acredita que o novo símbolo do governo do Estado de São Paulo representa um tucano, ainda que estilizado. Em minha opinião, não se pode dizer que seja um tucano, mas tampouco se pode negar que o símbolo lembre, escandalosamente, uma ave, uma espécie do reino animal à qual pertence o pássaro tucano, que simboliza o partido do governador de São Paulo, o PSDB.
 
Alguém poderá argumentar que é coincidência... Eu não acho. O governo paulista poderia (?) estilizar a bandeira com o animal que quisesse - elefante, hipopótamo, baleia... -, mas nunca com um pássaro. É um abuso o que fez o governo Serra, e um abuso pelo qual todos os paulistas estão pagando, pois o dinheiro usado para fazer e distribuir as cartilhas contendo a ave tucana na capa é o que é cobrado de nós, contribuintes paulistas, na forma de impostos.
 
Diferentemente do que acontecia com o governo Marta Suplicy ou do que acontece com o governo Lula, porém, a mídia esconde o uso de dinheiro público para promoção do PSDB. No máximo, saiu alguma notinha escondida em algum jornal de que o questionamento está sendo feito. Não se imagina o vereador que impetrou a representação fazendo sua acusação a Serra no Jornal Nacional ou manchete de primeira página num jornalão aludindo ao caso.
 
Esse é mais um dos motivos pelo qual São Paulo, rico como é, não melhora. A Educação Pública de São Paulo, em avaliações recentes como o Enem, ficou entre as últimas colocadas. Se o governo Serra se preocupasse menos com propaganda política e mais com a Educação em si, talvez esse quadro mudasse. Mas isso "não é" notícia para uma imprensa que se converteu em linha auxiliar do PSDB.


 Escrito por Eduardo Guimarães às 10h39
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História e novidades do MSM
 
 
 
 
 
 
Antes de comunicar a vocês uma novidade, quero explicar àqueles que começaram a ler este blog há pouco tempo alguma coisa sobre a ONG Movimento dos Sem Mídia.
 
O Movimento nasceu informalmente neste blog no início de setembro do ano passado. O país vivia um momento de grande tensão. Na semana em que propus aqui um ato público que originaria o MSM, repórteres fotográficos da Globo tinham conseguido perscrutar os lep tops dos ministros do Supremo Tribunal Federal reunidos em sessão no plenário daquela instituição para julgarem os que foram denunciados à Justiça por conta do escândalo do mensalão, entre os quais figurava o ex-ministro José Dirceu.
 
A gota d'água para que eu e os leitores deste blog consensuássemos que alguma coisa precisava ser feita para manifestar publicamente quantos setores da sociedade não suportavam mais a verdadeira chacota que a grande mídia estava fazendo do país, foi a declaração do ministro da Suprema Corte Ricardo Lewandovsky de que a instituição que integrava tinha votado com "faca no pescoço" pela aceitação de boa parte das denúncias do procurador-geral da República.
 
A cada post que eu escrevia, explodia o número de comentários indignados e essa indignação se espalhava pela blogosfera. Foi então que, no dia primeiro de setembro de 2007, escrevi um texto intitulado "Isso tem que parar", e publiquei aqui. O texto exortava os leitores do Cidadania a tomarem uma atitude.
 
Propus que nos cotizássemos para comprar um megafone para irmos para diante de um grande meio de comunicação ler um Manifesto, que me propus a escrever e o qual submeti ao escrutínio dos leitores do Cidadania. E propus que a manifestação fosse no décimo-quinto dia do mês, um sábado, às dez horas da manhã diante da sede do jornal Folha de São Paulo.
 
Enquanto os dias passavam, espalhava-se pela blogosfera a notícia de que um grupo de internautas reunidos em um blog, sob convocação do blogueiro responsável (eu) faria um tipo de ato solene que, até então, não acontecia desde, talvez, o momento imediatamente posterior ao suicídio de Getúlio Vargas, quando a população se revoltou contra meios de comunicação que o fustigaram até o desespero, ao ponto de terem provocado seu suicídio.
 
Nos dois ou três dias anteriores ao ato público, jornalistas como Luis Carlos Azenha (Vi o Mundo), Paulo Henrique Amorim (Conversa Afiada), Renato Rovai (revista Fórum), Ricardo Kauffman (Terra), a revista Caros Amigos, o Jornal Hora do Povo, o Portal Imprensa, o site Vermelho e muitos outros cobriam intensamente cada passo, cada preparativo para o ato diante da Folha.
 
Ao ato propriamente dito acorreram quase duas centenas de pessoas, algumas provenientes de outras cidades e até de outros Estados, como Santa Catarina e Rio de Janeiro. Alguns levaram os filhos pequenos, outros levaram pais idosos, outros mais mandaram fazer camisetas e faixas com bordões previamente acordados aqui no blog. Foi uma manifestação solene e, ao mesmo tempo, alegre. E, sobretudo, civilizada. 
 
À partir das 10 horas daquela manhã ensolarada de sábado, as pessoas foram chegando e se juntando na calçada oposta àquela em que fica a sede da Folha, na Alameda Barão de Limeira, em São Paulo. Quando a larga calçada já não comportava mais gente, anunciei ao megafone que seria lido o Manifesto. Uma jornalista do veículo desceu com um fotógrafo e registraram tudo. A Folha deu uma nota de meia dúzia de linhas ao pé de uma extensa reportagem sobre um outro ato público, só que contra o governo Lula, que aconteceu no mesmo dia e reuniu a mesma quantidade de gente.
 
Os dias foram passando e, diante dos acontecimentos, propus aos leitores deste blog que transformássemos a atitude que tínhamos dado numa ação permanente da sociedade civil criando uma ONG, que chamaríamos de Movimento dos Sem Mídia. E convoquei uma assembléia constitutiva da ONG, que ocorreu em 13 de outubro do ano passado, menos de um mês depois do ato diante da Folha. Naquele dia, a ONG nasceu oficialmente.
 
Ainda fizemos outro ato público diante da sede das Organizações Globo em São Paulo e uma plenária com integrantes da ONG no Rio de Janeiro. E, no mês passado, o MSM protocolou na sede do Ministério Público Federal no Estado de São Paulo Representação contra vários meios de comunicação por terem promovido alarma social no caso da epidemia inexistente de febre amarela que, em janeiro deste ano, aqueles veículos venderam à população que estaria acontecendo no país.
 
Fui informado hoje (sexta-feira) à tarde, pela assessoria jurídica do MSM, de que a Representação ao Ministério Público Federal em 17 de março deste ano teve novo andamento. Receberei na próxima segunda-feira fotocópias do que foi acrescido ao processo investigativo aberto pelo MPF para investigar se Globo, Folha, Estadão, Veja, Isto É, Jornal do Brasil e Correio Brasiliense cometeram crime de alarma social, levando cidadãos a se vacinarem contra a febre amarela sem necessidade, o que provocou adoecimento e internação hospitalar de dezenas de pessoas e ao menos uma morte. Então reproduzirei esses documentos aqui.
 
Também quero anunciar que o site do MSM está em fase de conclusão. Devido às dificuldades financeiras que tem uma ONG ainda nascitura, tive que me virar, por conta de minhas obrigações como presidente, para conseguir fazer o site dentro de nossas limitações orçamentárias. Graças ao diretor da ONG Ricardo Veronez, que é webdesigner, pudemos fazer o site, até agora, sem grandes custos. Até meados de maio, portanto, deverá entrar no ar o site do MSM.
 
Essa é a história que uma entidade da sociedade civil está escrevendo. Essa centena e meia de homens e mulheres de todo pais filiados ao MSM e que contribuem para sua sobrevivência, com sua fé na causa que os convoquei a abraçarmos, honraram-me elegendo-me presidente da organização. Meu mandato terminará em cerca de um ano e meio  e, até lá, quero entregar, pronto e acabado, um instrumento da sociedade civil com site, atos, uma biblioteca própria, uma sede e recursos para que a sociedade possa reagir aos abusos da mídia.  
 
Observação: o marco inicial do MSM, com fotos e detalhes, pode ser encontrado no arquivo deste blog na data 15 de setembro. Para acessar esses arquivos, clique aqui


 Escrito por Eduardo Guimarães às 22h53
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Caso Isabella Nardoni mostra influência seletiva da mídia

 
 
Voluntária ou involuntariamente, a mídia está dando uma nova prova de que está muito longe de ter perdido todo seu poder. A última, tinha dado no começo deste ano.
 
Dizem que os meios de comunicação estão mantendo acesa a catarse em torno do caso Isabella devido a interesses comerciais e econômicos, pois o veículo que não explorar cada detalhe sórdido do caso perderá público.
 
Pode ser, pode não ser... De uma coisa, porém, tenho certeza: esta é a segunda vez neste ano em que a mídia demonstra a capacidade que tem de levar as massas ao paroxismo da comoção.
 
Da primeira vez, o ano mal havia começado. A mídia, então, conseguiu fazer os mais suscetíveis agirem como loucos. Daquela vez, porém, além da intenção política de causar embaraços ao governo federal, meios de comunicação, deliberadamente, tentaram mostrar o poder que ainda tinham de pôr gente exaltada na rua.
 
E mostraram. Jornais, tevês, rádios, portais de internet inventaram que havia uma epidemia de febre amarela no país e, com isso, fizeram gente que não precisava se vacinar contra a doença acorrer desesperada aos postos de saúde para se vacinar, fazendo com que os estoques do medicamento se esgotassem rapidamente e causando um grave problema à Saúde Pública ao encher postos de saúde e de vacinação de gente sadia querendo se proteger contra o que não a ameaçava.
 
Milhões de pessoas, sem refletir um só instante, agiram como autômatos diante da insinuação de epidemia. Por conta disso, em pouco tempo havia mais pessoas doentes por tomar a vacina sem prescrição médica e necessidade concreta de tomá-la do que pela própria febre amarela. E ao menos uma pessoa morreu por causa disso.
 
No caso Isabella, não há viés político. Por mais que os "formadores de opinião" se achem espertos, não conseguiram achar uma forma de vincular o governo Lula ao casal Alexandre Nardoni e Anna Jatobá, supostos assassinos da menina. Contudo, conseguiram uma proeza muito maior, ainda que sem potencial político.
 
Despertar a irracionalidade das massas no caso da febre amarela ainda encerrava uma certa lógica, pois aqueles que se puseram em filas intermináveis para se contaminar com um vírus atenuado desnecessariamente achavam que estavam cuidando da própria saúde ao fazê-lo. No caso Isabella, pessoas de várias partes do país virem para diante das casas dos suspeitos e das famílias dos suspeitos da morte da garota para tentarem agredir a todos, aí já não dá para enxergar um só resquício de lucidez numa atitude dessas.
 
Quem mantém acesa essa comoção é a mídia com suas manchetes espalhafatosas. No entanto, consegue a proeza de, ao mesmo tempo em que gera comoção, criticar os que agem sob seus efeitos sem que algum deles se pergunte por que são criticados se só estão respondendo ao noticiário.
 
Na imprensa escrita, por exemplo, ao mesmo tempo em que se vê a foto do casal Nardoni sobre a frase "Foram eles", pode-se ler indignados colunistas bradando contra a insanidade da turba. Nas tevês, ao mesmo tempo em que se pede cautela à população, são dadas a ela carradas de "razões" para não ter cautela nenhuma.
 
Quando se compara a capacidade da mídia de provocar reações irracionais nas massas com sua absoluta incapacidade de direcionar a vontade política dessas mesmas massas, surge um dilema: por que tanto sucesso numa coisa e fracasso tão retumbante na outra?
 
Com a palavra, os leitores.


 Escrito por Eduardo Guimarães às 22h37
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Por que SP não melhora 2
 
 
 
 
 
 
Recentemente, divulguei dados que mostraram como a segurança pública no Estado de São Paulo mergulhou num poço sem fundo depois que o PSDB assumiu o governo paulista e nunca mais largou o osso. Dados da Secretaria da Segurança Pública mostram que, entre 1995 (primeiro ano de um governo tucano em São Paulo) e 2007, os crimes contra a pessoa (assassinatos e lesões corporais), entre outros, aumentaram 66%, o que condiz perfeitamente com a espantoso cerco de criminosos que ocorreu em 2006, quando o PCC acuou as cidades paulistas e até o governo do Estado, gerando um clima de pânico e desespero entre os paulistas.
 
Também falei da Educação pública em São Paulo, que hoje está entre as piores do país, apesar de o governo paulista ser o que tem maiores recursos na Federação brasileira.
 
Expliquei que o estado calamitoso em que o Estado mais rico e desenvolvido da Federação brasileira mergulhou se deve ao fato de que a imprensa paulista, à diferença do que faz em relação ao governo federal, não fiscaliza ou pressiona o governo de São Paulo. Relutantemente, quando não existe alternativa de esconder as catástrofes geradas pela que talvez seja a pior governança de um Estado brasileiro, a imprensa de meu Estado se vê obrigada a noticiar os desatinos do PSDB. Porém, em questão de dias esses escândalos tucanos são abandonados e, dali em diante, passa a viger o mais deslavado acobertamento.
 
De qualquer forma, apesar da blindagem dos jornais Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo e revista Veja aos tucanos, veículos tão rigorosos com o governo federal, cumpre-me continuar relembrando os escândalos enterrados. Apesar da amnésia renitente da população paulista, enquanto um segmento da sociedade permanecer consciente do descalabro administrativo tucano sempre haverá chance de chamar à razão essa população.
 
Aliás, a incompetência e a corrupção dos governos tucanos que vêm se sucedendo em São Paulo não decorrem de nenhum fator residente no "DNA" do PSDB e, sim, na situação peculiar de esse grupo político ser acobertado pela imprensa com a qual estabeleceu algum tipo de acordo. Sobre esse presumível acordo, aliás, devido ao fato de que os veículos que acobertam os tucanos serem verdadeiros impérios, imagina-se que só poderiam ser subornados com grandes somas que, pelo volume, só podem ser de dinheiro público.
 
Um bom indício de que dinheiro público é usado para calar a imprensa paulista está no escândalo da Nossa Caixa, que eclodiu em março de 2006. Descobriu-se que o governo de Geraldo Alckmin anunciava ilegalmente em meios de comunicação inexpressivos, alguns pertencentes a verdadeiros cabos eleitorais do PSDB, como era o caso da revista Primeira Leitura, fundada pelo tucano Luiz Carlos Mendonça de Barros, ex-ministro de FHC, e, então, gerida pelo hoje blogueiro da Veja Reinaldo Azevedo, que passou a prestar ao PSDB serviços de pistolagem intelectual.
 
Tão dramático quanto, é o desastre na linha 4 do metrô paulista. Em janeiro de 2007, desabou obra de uma das estações entregue pelo PSDB ao Consórcio de empreiteiras Via Amarela. Esse desastre matou sete pessoas e desalojou centenas de suas casas e apartamentos. Uma rua inteira ruiu. Até hoje, cerca de um ano e meio depois, não se sabe absolutamente nada sobre o caso. A imprensa não pressiona as autoridades paulistas e o desastre ficou por isso mesmo. As vítimas, inclusive, não conseguem voz na imprensa de São Paulo para cobrarem o governo do Estado.
 
Mas o maior escândalo de todos, solenemente enterrado pela imprensa, está no caso dos cartões corporativos do governo paulista. Enquanto a mídia bate sem parar na tecla dos cartões do governo federal, acompanhando com enorme afinco as CPIs com finalidade político-eleitoral criadas na Câmara e no Senado, o fato de que os gastos do governo do Estado de São Paulo com esses cartões superam os do governo federal, simplesmente sumiu da imprensa. A bancada governista na Assembléia Legislativa paulista impediu investigação e Folha, Estadão e Veja, veículos paulistas, não dizem um A.
 
Com essa impunidade eterna dos malfeitos do governo de São Paulo, possibilitada pela imprensa paulista, vige em meu Estado uma situação de calamidade, em que o governo faz o que quer sem qualquer fiscalização ou cobrança. Por isso, São Paulo só faz piorar. Por isso, São Paulo, apesar de ser tão rico e desenvolvido, não melhora. Por isso, o povo paulista é tão ignorante politicamente, porque tem uma imprensa corrupta que o mantém alienado.


 Escrito por Eduardo Guimarães às 10h32
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   Eu e a revista Fórum  
 
 
 Atualizado às 13:43 hs. de 23 de abril de 2008
 
 
 
 
 
Na última sexta-feira, participei de reunião na sede da editora Publisher, em São Paulo, com seu editor, Renato Rovai.
 
Conheci o Renato num debate na sede da CUT em São Paulo, para o qual fui convidado depois da manifestação do Movimento dos Sem Mídia diante da Folha, em 15 de setembro do ano passado. Voltei a encontrá-lo durante o Fórum Internacional Mídia Poder e Democracia, que ocorreu em novembro último em Salvador.
 
Tive uma impressão muito boa do editor da revista Fórum. Foi uma impressão que se havia feito preceder pelo trabalho da revista, que, como todos sabem, além de sério é muito competente.
 
Fui à Editora Publisher encontrar o Renato para um bate-papo informal de fim de tarde, onde trataríamos de analisar a conjuntura do país. A editora fica perto do meu escritório, e uma véspera de feriado à tarde seria boa oportunidade de me ilustrar com um dos mais competentes e sérios jornalistas brasileiros.
 
Renato, porém, surpreendeu-me recebendo-me com sua equipe editorial direta e me fazendo um convite, para eu passar a integrar o amplo e eminente Conselho Editorial da Fórum, composto pelos seguintes nomes:
 
Adalberto Wodianer Marcondes (Ag. Envolverde), Alípio Freire (jornalista), Artur Henrique dos Santos (CUT), Candido Castro Machado (Sind. Bancários de Santa Cruz), Cândido Grzybowski (Ibase), Carlos Ramiro (Apeosp), Fausto Wolff (jornalista), Gilberto Alves Giusepone Jr. (Cursinho da Poli), Gustavo Petta (Conselho Nacional de Juventude), João Felício (CUT), Jorge Eduardo Saazedra Durão (Abong), Jorge Nazareno (Sind. Metalúrgicos de Osasco), Kjeld Jackobsen (observatório Social), Lúcia Stumpf (UNE), Luiz Antônio Barbagli (Simpro-SP), Luiz Gonzaga Belluzzo (Economista e professor da Unicamp), Marcio Pochmann (economista e professor da Unicamp), Maria Aparecida Perez (Educadora), Maria da Glória Abdo (Associação dos bancários aposentados) , Moacir Gadotti (Instituto Paulo Freire), Paul Singer (Economista e professor da Usp), Paulo Henrique dos Santos Fonseca (Sind. dos Bancários de BH), Paulo Lima (Rits), Renato Janine Ribeiro (Filósofo e professor da USP), Ricardo Patah (Sind. do Comércio de São Paulo), Roberto Franklin de Leão (CNTE-CUT), Rodrigo Savazoni (Intervozes), Rogério Chaves (Libre), Sérgio Haddad (Ação Educativa), Sueli Carneiro (Geledés), Vagner Freitas de Moraes (Contraf-CUT), Viviane Brochardt (Articulação semi-árido brasileiro-asa), Wladimir Pomar (Instituto de cooperação internacional).
 
Segundo me foi informado por Renato e sua equipe, esse Conselho contribui com pautas e textos exclusivos para a revista. Assim, eu passaria a dar essas contribuições voluntárias a uma publicação que busca o constante aperfeiçoamento e a ampliação de seu espectro intelectual, abrindo-se às mais variadas tendências intelectuais que possam reproduzir o melhor do pensamento progressista contemporâneo.
 
Mas o que é o pensamento progressista contemporâneo, afinal? É preciso explicar que se trata de uma visão de mundo que se contrapõe ao ultraliberalismo e ao conservadorismo nas políticas públicas que, na década passada, foi implementado por toda América Latina sob a égide do famigerado Consenso de Washington.
 
Bem, sobre o convite do Renato, achei por bem aceitar. Do jeito que escrevo e penso compulsivamente, certamente me sobrará tempo para contribuir com a Fórum.
 
Enfim, meus caros leitores, é isso: passo a apoiar essa grande publicação. E aproveito o ensejo para pedir a vocês que façam o mesmo. A imprensa alternativa precisa da força de todos nós para que algum dia possa se contrapor à imprensa corporativa, dos grandes grupos, que, com sua estrutura estupidamente superior e com o afluxo de capitais provenientes de multimilionários e bilionários satisfeitos com o jornalismo que faz, esmaga qualquer tentativa de se produzir um jornalismo diferente no Brasil.
 
Você, leitor, pode ajudar muito a que essa realidade se materialize assinando a revista Fórum. Sempre há matérias do maior interesse para aqueles que se interessam pelo outro lada da notícia hoje no Brasil. Em sua edição deste mês, a publicação traz excelente entrevista com Paulo Henrique Amorim, onde ele aborda tudo o que presumivelmente iria abordar depois de sua saída do IG.
 
Nos próximos dias, colocarei um banner vertical da Fórum neste blog. Ao clicar nele, você será remetido à área de assinaturas da revista. Fazendo a assinatura, também receberá o livro do Renato Rovai Midiático Poder, que constitui um dos mais competentes trabalhos sobre a realidade política venezuelana na era Chávez. E também estará apoiando o projeto de construção de uma imprensa independente dos grandes interesses constituídos.
 
PS: só para esclarecer, informo que não serei remunerado para participar do Conselho Editorial da Fórum ou para escrever na revista. Trata-se de uma colaboração voluntária que darei.
 
 
Convite do ombudsman
 
 
Recebi, hoje à tarde, convite do ombudsman da Folha, Carlos Eduardo Lins da Silva, para discutir com ele críticas que lhe fiz. Leiam, abaixo, a troca de mensagens que mantivemos. 
 
Primeiro o convite do ombudsman:

"Caro Eduardo:

Lamento que não tenha gostado da minha nomeação nem do meu desempenho no Roda Viva. Pelo menos você se livrou de me ver na Cultura...

Sem brincadeira, não acho justo dizer que eu tenha tentado impedir o ministro Amorim, com quem tenho excelente e antigo relacionamento, de concluir seus pensamentos naquela entrevista. Convido-o a assistir comigo aqui na Folha o programa novamente: diversas vezes eu garanti ao ministro a palavra e adverti os jornalistas que o interrompiam para que deixassem de fazê-lo. Tenho grande admiração pelo ministro Amorim e ele sabe disso. Ele foi ao Roda Viva a meu convite, em ato extremamente gentil, já que estava acabando de chegar de Washington e tinha uma agenda muito apertada. Mais ainda: minha mãe assiste a todos os programas e ela me ensinou a sempre deixar os meus interlocutores falarem até o fim. Ela não deixaria de me censurar se eu não o tivesse feito.

Se quiser vir assistir o programa comigo para objetivamente avaliarmos esse ponto, é só dizer.

Um abraço,


Carlos Eduardo Lins da Silva
Ombudsman - Folha de S.Paulo"
 
E, agora, minha resposta:
 
"Prezado Carlos Eduardo,
 
apesar de estar extremamente aborrecido com a Folha de São Paulo devido à conduta jornalísticamente incorreta que vem adotando de alguns anos para cá, e agora por sua conduta altamente duvidosa no caso do ex-ombudsman Mário Magalhães, sou um homem que vê no diálogo sempre o melhor caminho.
 
Sobre a edição do Roda Viva em que o ministro Celso Amorim foi entrevistado, sinceramente não me lembro de você ter advertido os entrevistadores que tentavam cassar a palavra dele. E, ao menos em minha mente, o que ficou foi que você também o pressionou enquanto falava. Além disso, sua entrevista publicada pela Folha no último domingo gerou-me grande discordância.
 
Diante desses fatos, e por prezar o contraditório e repudiar qualquer tipo de injustiça, aceito seu convite, até porque há outros pontos de discordância que gostaria de abordar consigo. Não me negarei, evidentemente, a ver os fatos se eles contrariarem minha visão.
 
Aguardo, pois, que marque dia e hora para essa conversa, com uma antecedência de pelo menos uns 3 ou 4 dias.
 
Cordialmente,
 
Eduardo Guimarães"
 
 
Resposta do ombudsman à minha resposta e minha resposta à resposta dele...
 
 
Primeiro ele:

"Caro Eduardo:
 
Eu também acredito acima de tudo no diálogo respeitoso como forma de as pessoas acertarem suas diferenças de idéias. Terei grande prazer em recebê-lo aqui.
 
Dê-me, por favor alguns dias para eu assentar a poeira. Ainda estou tentando me ajustar à nova rotina. Também estarei recebendo em breve o DVD com a entrevista do ministro Amorim.
Um abraço e obrigado,

Carlos Eduardo Lins da Silva
Ombudsman - Folha de S.Paulo"
 
Depois eu:

"Prezado Carlos Eduardo,
 
fica à sua conveniência, então, esse diálogo. Aguardo sua convocação.
 
Cordialmente,
 
Eduardo Guimarães"


 Escrito por Eduardo Guimarães às 14h40
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   O Estado de Direito  
 
 Atualizado às 9:45 hs. de 22 de abril de 2008  
 
 
 
 
 
Alguns dirão que apelei ao usar a capa da Veja desta semana neste post, outros dirão que estou recaindo no mesmo procedimento imoral que condeno na mídia ao continuar no assunto do assassinato da menina Isabella, mas talvez, ao fim deste post, consiga me fazer entender sobre por que o que está acontecendo neste país por conta desse caso está me causando quase um sentimento de pânico, agravado pelo fato de que pessoas ponderadas, que vejo sempre opinando aqui de forma equilibrada, juntaram-se a uma Veja, a um Reinaldo Azevedo no uso dos mesmos argumentos destes para condenar previamente o casal Nardoni.
 
Os argumentos que tentam justificar atitudes como a que vejo, ou melhor, como a que escuto na tevê enquanto escrevo, de desvairados que fazem plantão em frente ao prédio em que vivem os país de Anna Jatobá e impedem a entrada e saída dos moradores, tentam agredir os pais dos acusados e até o porteiro do prédio, são aterradores. Aliás, uma curiosidade: duas pessoas que estavam ali pedindo "justiça" estavam sendo procuradas pela polícia e acabaram sendo presas...
 
O que espanta nisso tudo é que, excluindo a polícia, todos os que decretaram que o caso está solucionado e que o casal Nardoni é o culpado pela morte de Isabella não têm qualquer conhecimento mais profundo sobre investigação criminal. E sobre essa investigação específica, só sabem alguma coisa superficialmente. Essas pessoas baseiam-se apenas no que tem dito a polícia, que por força de suas atribuições como instituição tem sempre interesse em "solucionar" rapidamente qualquer crime e, portanto, a ela está reservado o papel de denunciar, mas nunca o de julgar e condenar.
 
A expressão Estado Democrático de Direito une dois conceitos distintos e complementares, democracia e direito. O direito, na democracia, remete ao império do arcabouço constitucional, que, no âmbito criminal, prevê a presunção da inocência de todo aquele que for denunciado por prática de crimes até que esteja concluído o processo legal de investigação, denúncia e julgamento.
 
No Brasil de agora, o preceito constitucional da presunção da inocência tem sido relativizado pela grande mídia em suas tentativas de linchamento, não só do casal Nardoni, mas até do presidente da República, de seu partido e de seu governo. Não há diferença alguma do prejulgamento de políticos ligados ao governo Lula e do prejulgamento do casal Nardoni. Procura-se condenar todos "in limine", ou seja, preliminarmente, antes de haver condenação ou provas irrefutáveis.
 
Entrevista concedida por um dos advogados dos Nardoni que acabo de assistir revela fatos até então desconhecidos e que deveriam bastar para fazer com que as pessoas esperassem para decretar a culpa do casal. Segundo o advogado, a Folha de São Paulo publicou reportagem com depoimento de um pedreiro que trabalhava no prédio em que ocorreu o crime, na qual ele relatou que havia sinais de arrombamento nos fundos daquele prédio. Contudo, o mesmo pedreiro mudou tais afirmações quando depôs à polícia.
 
Pode não ser nada, pode ser tudo. Essa dúvida, porém, deveria bastar para despertar cautela nas pessoas.
 
O Estado Democrático de Direito não existe para inocentar criminosos ou para impedir que sejam julgados. Serve para que ninguém seja punido enquanto sua culpa não for irremediavelmente comprovada.
 
Uma pessoa vai a um blog ou sai para tomar um café no bar da esquina e se põe a comentar que "tudo bem, todos são inocentes até prova em contrário, mas...". O problema é esse "mas". Que "mas"? Não tem mas ou não mas, o que tem de justo, constitucional e ético é que quando se "flexibiliza" o preceito constitucional de presunção da inocência, mergulha-se nesse mar de lama promovido pela mídia na política, quando tenta derrubar ministros e até o presidente da República sob o mesmíssimo argumento dos linchadores dos Nardoni, o argumento do "mas".
 
Pessoalmente, não gostei da entrevista dos Nardoni ao Fantástico. Sobretudo da forma como Alexandre se pronunciou. Achei que poderiam esclarecer melhor o que foi que aconteceu. A probabilidade de o casal ser culpado, em meu conceito, aumentou depois da entrevista, ainda que pessoas que até aquele momento tinham achado que a culpa do casal era certa ficaram em dúvida diante da lacrimejante entrevista. Daí a decretar a culpa de Alexandre e Anna, porém, vai uma distância enorme. Não tenho elementos para isso, ninguém tem.
 
É assustador como cada um que se une à turba histérica e sai dizendo que o caso está resolvido, como se fosse uma postura diferenciada e inteligente, quando não passa do mais puro exercício de irresponsabilidade que posso conceber, não percebe que está atentando contra um princípio da civilização que pretende proteger os cidadãos de injustiças, um princípio do qual qualquer um de nós pode precisar um dia.
 
 
*
 
 
Leiam, abaixo, a matéria da Folha de São Paulo relatando o depoimento do pedreiro ao qual o advogado dos Nardoni aludiu na entrevista supra mencionada.
 
"Folha de São Paulo, 10 de abril de 2008
 
Sobrado vizinho foi arrombado no dia do crime, diz operário

Do telhado da churrasqueira do edifício onde Isabella foi morta, é possível acessar sobrado em construção, cuja porta foi arrombada Vizinha da casa disse ter ouvido um barulho dentro da construção horas após o crime; nem ela nem pedreiro foram ouvidos pela polícia

ROGÉRIO PAGNAN
DA REPORTAGEM LOCAL

Um operário que trabalha numa obra vizinha do prédio onde a menina Isabella Nardoni, 5, foi assassinada diz que o portão frontal da casa -que ainda está em construção- foi arrombado na noite do crime.

O sobrado fica nos fundos do Edifício London, de onde Isabella foi jogada do sexto andar. Do telhado da churrasqueira é possível acessar a obra, diz pedreiro que trabalha na obra.

A casa fica num ponto cego da guarita onde o porteiro Valdomiro da Silva Veloso, 28, trabalhava no momento do crime. A cerca elétrica sobre os muros do edifício estava desligada naquela noite, segundo a polícia.

"Cheguei no domingo e disse: entrou ladrão aqui. O portão estava arrombado, mas não levaram nada. Tinha muito azulejo, mas não levaram. Nem meu radinho", disse o pedreiro Gabriel Santos Neto, 46.

Santos Neto disse que trabalha e dorme no local há sete meses. No sábado, quando Isabella foi morta, ele disse ter ido visitar a família em Diadema como faz todos os finais de semana. Voltou no domingo, um dia mais cedo. Afirmou que, desde que trabalha lá, a obra nunca havia sido invadida.

Barulho

A enfermeira Christiane Brito, que mora em uma casa vizinha ao sobrado e que também faz divisa com o prédio onde Isabella foi morta, disse ter ouvido um barulho dentro da construção na madrugada de domingo, cerca de uma hora depois de ouvir gritos vindos do prédio. "No horário [em que a menina caiu], eu escutei uma mulher gritar. Deu para escutar. Daqui, dá para escutar tudo", afirmou ela.

Sobre o barulho que ouviu vindo de dentro da construção, Christiane disse: "Escutei um estrondo mesmo, barulho de coisas sendo derrubadas e uma conversa, pareciam duas pessoas", afirmou. "Não chamei a polícia porque pensei que fossem os meninos da obra."

Santos Neto também disse não ter ligado para a polícia para relatar o arrombamento do portão porque, além de nada ter sido levado, os vizinhos o desaconselharam por acreditar ter sido a própria polícia que invadiu o prédio à procura de suspeitos do assassinato de Isabella. "Mas ninguém viu a polícia", afirmou o pedreiro.

A assessoria da Polícia Militar informou, porém, não ter registro da entrada de seus homens no endereço. Se algum policial entrou nesse local, ainda segundo a PM, provavelmente foi da Polícia Civil.

A Secretaria da Segurança Pública afirmou que, como o inquérito está sob sigilo, não poderia dar detalhes da investigação. A reportagem apurou, porém, que não há informações no inquérito sobre a entrada de policiais civis no endereço.

De acordo com Santos Neto, Christiane e outros dois operários da obra, até ontem nenhum policial esteve no local para realizar perícias ou para falar com os moradores ou trabalhadores sobre o assunto. A perícia já esteve pelo menos sete vezes no prédio dos Nardoni e no edifício em frente a ele.

O promotor Francisco José Cembranelli disse, após visita ao prédio de Isabella na semana passada, que somente "um homem-aranha" seria capaz de escapar pelos fundos do prédio. A visita do promotor foi feita depois de ele afirmar em entrevista que a versão de Alexandre Nardoni e da madrasta -de alguém estar dentro do apartamento- era "fantasiosa".

Para a moradora e os trabalhadores, o acesso ao prédio pelo sobrado seria possível. "Quando a pessoa quer, ela entra em qualquer lugar", disse o pedreiro João Francisco Sales."
 
Tucanos e Kassab usam Isabella para lucro político
 


 Escrito por Eduardo Guimarães às 19h52
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 Contra a paixão do ódio

 

 

Na noite do último domingo, o programa Fantástico, da Globo, apresentou a demorada entrevista com o casal Alexandre Nardoni e Anna Jatobá que vocês acabam de assistir no vídeo acima. Destaco, abaixo, aspectos da entrevista que me chamaram a atenção:

1 - A extrema dificuldade de Alexandre para se expressar devido ao seu português sofrível, que contrasta com sua origem social. Tal dificuldade é  incompatível com o fato de ser filho de um importante advogado, Antonio Nardoni, pessoa extremamente articulada e convincente. A forma como Alexandre se expressa não condiz com sua origem social de classe média alta, podendo revelar um jovem rebelde que não aproveitou as chances que a vida lhe deu;

2 - A evidência gritante de que as respostas que Alexandre e Anna deram foram ensaiadas. Anna, aliás, completava as frases mal construídas de Alexandre o tempo todo, como se soubesse o que ele iria responder a cada pergunta;

3 - A aparente autenticidade da emoção do casal ao lembrar da filha e a firmeza com que reafirma sua inocência;

4 - A ausência, por parte do casal, de uma explicação crível para o que aconteceu e para as perguntas do repórter-entrevistador da Globo sobre os resultados das perícias;

5 - A tolerância do repórter-entrevistador da Globo, que em nenhum momento tentou acuar os entrevistados.

Antes que vejam nos tópicos acima outra "prova" da culpabilidade de Alexandre e de Anna, seria bom entendermos que o fato de as versões terem sido combinadas e ensaiadas não significa nada, pois para dar uma entrevista à maior rede de tevê do país em horário "nobre" é preciso que o entrevistado se prepare para ser eficiente, até para dizer a verdade. Em resumo: o casal pode ter dito a verdade. É compreensível que tenha ensaiado como ela seria dita. 

Foi bom que Alexandre e Anna tenham dado essa entrevista e que não tenham sido pressionados pelo repórter da Globo. Li ontem no blog do Ricardo Noblat cobrança que ele fez ao repórter global por ter "pegado leve" com os Nardoni. Ora, o objetivo da entrevista não deveria ser - e não foi - o de aumentar o clima de linchamento, mas o de dar aos linchados a oportunidade, até aqui negada, de aparecerem como seres humanos e não como monstros, e de evidenciarem como tem sido precipitado o julgamento popular.

Pude avaliar o efeito da manifestação do casal sobre pessoas que já estavam convencidas de sua culpa. Minha mulher, por exemplo, ficou hesitante, apesar de que, até então, não tinha mais dúvidas da culpa do casal. A entrevista permitiu que as pessoas percebessem que os Nardoni são seres humanos e que cogitassem a hipótese de eles serem inocentes e a monstruosidade que seria pessoas inocentes que perderam um ente tão querido estarem passando por tudo isso.

Por mais que a Globo sintetize o que mais desprezo na mídia, tento sempre me manter racional, fora do alcance da paixão insana do ódio, da qual fujo como o diabo foge da cruz. Sei reconhecer um trabalho jornalístico correto, e pôr os linchados Alexandre e Anna na tevê para que as pessoas reflitam sobre a irracionalidade do que estão fazendo com eles foi esse tipo de trabalho jornalístico.

Sadomasoquismo das massas

Ainda está fresco em vossa memória o texto que escrevi no sábado sobre o "circo romano" midiático. Nesse contexto, reproduzo, abaixo, excelente entrevista com o advogado criminalista Paulo Sérgio Leite Fernandes, publicada hoje na Folha de São Paulo. O criminalista endossa minha tese sobre a tara humana pelo sofrimento alheio.

"Reação ao caso Isabella é "sadomasoquista", diz criminalista

Para o advogado Paulo Sérgio Leite Fernandes, ex-defensor do pediatra Eugênio Chipkevitch, casal suspeito do crime foi encurralado pela mídia
 
MARIO CESAR CARVALHO
DA REPORTAGEM LOCAL

Paulo Sérgio Leite Fernandes, 72, já viu tantos casos criminais em seus 51 anos de advocacia nessa área que não vê muita novidade na comoção que o caso Isabella provoca.
 
"O povo é sadomasoquista e gosta de tragédia. Num certo sentido, o homem gosta de ver o sofrimento dos outros e se castiga por isso. A rotina é o sofrimento, é o drama. A comédia é a exceção", diz um dos mais antigos criminalistas de São Paulo ainda em atividade.
 
Fernandes tem experiência em comoções. Em 2002, ele defendeu o pediatra Eugênio Chipkevitch, que foi condenado a 124 anos de prisão por pedofilia quando já não era seu cliente. Na entrevista a seguir, ele diz que falta equilíbrio à imprensa no caso Isabella.   
 
FOLHA - O sr. se lembra de crimes que tenham provocado uma reação popular tão violenta quanto a morte de Isabella?
 
PAULO SÉRGIO LEITE FERNANDES - Eu fui advogado de Eugênio Chipkevitch, médico acusado de pedofilia em 2002. Esse caso provocou uma celeuma igual ou pior do que o homicídio praticado contra essa menina.
 
FOLHA - Houve tentativa de agredir policiais ou suspeitos?
 
FERNANDES - Houve um acoroçoamento [estímulo] popular muito grande contra o Eugênio. Não chegou a agressão física porque a polícia não deixou. Comecei a advogar em 1957 e não me lembro de reações tão violentas quanto essas duas [Isabella e Eugênio]. Antes disso, há casos famosos, como a da Gata Mineira, que foi morta por um homem da alta sociedade. Houve o caso de dois jovens cariocas [Cássio Murilo e Ronaldo] que foram acusados de matar uma menina [Aída Cury, de 18 anos, em 1958, após ter sido estuprada]. Davi Nasser fez uma cobertura longa na revista "O Cruzeiro", a mais importante da época. Todos foram condenados. Houve o caso de Osmany [Ramos, cirurgião plástico, condenado nos anos 80 a 47 anos de prisão por homicídio e tráfico].
 
FOLHA - Por que o caso Isabella provoca tanta comoção?
 
FERNANDES - Em primeiro lugar porque é uma menininha. Em segundo lugar porque a imputação teórica, a suspeita, é contra a madrasta, que normalmente é vista como a rainha má. Você se lembra da Branca de Neve, da maçã envenenada. Isso está no subconsciente popular. Em terceiro lugar porque o pai estaria junto da madrasta [no momento do crime]. Essa combinação provoca uma comoção social enorme a ponto de prejudicar o exame equilibrado dos fatos.
 
FOLHA - O sr. acredita que o direito de defesa do pai e da madrasta estão sendo cerceados?
 
FERNANDES - Acho que no aspecto formal não há cerceamento. Porque eles têm advogados, têm a garantia da proteção da defesa, inclusive física. Mas, no sentido de conseqüências na mídia, isso provoca uma retração muito grande da possibilidade de defesa. Dizem que a voz do povo é a voz de Deus. É errada muitas vezes, mas essa voz funciona como pressão psicológica. Há casos clássicos de pressão popular que geraram injustiças. O caso Dreyfus na França é clássico [o capitão Alfred Dreyfus foi acusado em 1894 por monarquistas de ter vendido segredos militares aos alemães e acabou condenado à prisão perpétua]. Ele foi condenado pela imprensa francesa, foi desvitalizado durante boa parte da vida. Aí um colega seu, o jornalista Émile Zola, saiu em defesa dele.
 
FOLHA - O sr. acha que o casal suspeito no caso Isabella já foi julgado pela mídia como Dreyfus?
 
FERNANDES - Julgado, não, mas o casal está numa situação muito delicada perante a mídia. Creio que foram encurralados. A posição da imprensa em relação a eles não é muito equilibrada. Falta equilíbrio.
 
FOLHA - A imprensa deveria dar as costas para a curiosidade mórbida do público em relação ao caso?
 
FERNANDES - O sr. quer uma resposta franca? Vou lhe dar. O jornal, rede de TV ou rede de rádio que deixar de acompanhar esse caso perde venda, perde Ibope, perde dinheiro, em última instância.
 
FOLHA - Os jornais hoje, diferentemente do que ocorria nos anos 50, vivem de assinaturas. Elas representam 80%, 90% da circulação.
 
FERNANDES - Mas se você mandar um jornal para a minha casa sem notícia da Isabella eu vou procurar o "Estadão". Se ligo a TV e não vejo notícias, vou procurar outra estação. São os fatos da vida.
 
FOLHA - A mídia está errada em tratar o caso com tanta ênfase?
 
FERNANDES - A imprensa não erra no sentido objetivo da coisa. A imprensa existe para que o seu acionista não vá à falência. Nesse sentido, não erra. Mas, no sentido ético, você tem de examinar isso da mesma forma que o indivíduo que é obrigado a se alimentar tomando a comida do outro. Ele não pode morrer de fome porque aí a família dele pode morrer de fome também. Isso é muito complicado. Não há respostas fáceis. Às vezes a imprensa não tem saída.
 
FOLHA - O sr. acha razoável do ponto de vista criminal que a polícia trabalhe com uma única hipótese?
 
FERNANDES - Não acho que a polícia trabalhe com uma única hipótese. Há algumas cartas que estão na manga da polícia, que vocês [da imprensa] não conhecem. Tenho 50 anos de advocacia criminal e creio que há alguma coisa no subterrâneo que vocês ainda não sabem. As notícias que a imprensa consegue colher são parciais. O óbvio não é a verdade. A polícia oferece duas laranjas para a imprensa, mas às vezes a fruta boa é uma maçã. Às vezes o esclarecimento está escondido na gaveta do delegado. Isso vai depender muito da solércia [astúcia] da imprensa.
 
FOLHA - O cerco da mídia hoje é diferente do que ocorria nos anos 50?
 
FERNANDES - Não, é igualzinho. "O Cruzeiro" vivia às custas do sangue dos homicídios. O povo se apaixonava da mesma forma que no caso da Isabella.
 
FOLHA - Por que esse caso provoca tanta paixão?
 
FERNANDES - O povo é sadomasoquista. O ser humano vive permanentemente entre Deus e o demônio. Se você noticiar o nascimento de uma criança, ninguém lê. Mas, se você noticiar o assassinato de uma menina, todo mundo compra o jornal. O povo gosta de tragédia. Você vê criança de oito anos comentando o caso com o pai.
 
FOLHA - Qual seria a raiz desse sadomasoquismo?
 
FERNANDES - O ser humano nasceu assim. Num certo sentido, o homem gosta de ver o sofrimento dos outros e se castiga por isso. A imprensa vive muito de sangue. A rotina é o sofrimento, é o drama. A comédia é a exceção. O homem vive muito mais da dor do que da alegria."
 
Meu comentário final: não é fácil ser lúcido. Para ser, é preciso combater a paixão arrebatadora pelo ódio que este desperta naqueles que possui.


 Escrito por Eduardo Guimarães às 11h21
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Para Lugo governar
 
 
 
 
 
 
A eleição de Fernando Lugo como presidente do Paraguai deve ser comemorada. Terminou o penúltimo feudo da direita na América do Sul. Agora só falta pôr fim ao feudo reacionário colombiano. Contudo, os bons augúrios que advêm da eleição do ex-bispo católico, da chegada, pela primeira vez na história, da esquerda ao poder no Paraguai, ainda não constituem garantia de melhoras efetivas naquele que deve ser hoje o país sul-americano mais atrasado socialmente.
 
Além de ter ficado em desvantagem na conquista de governos dos "departamentos" (estados), a aliança de partidos pela qual Lugo se elegeu ficou subrepresentada no congresso, seguindo a malfadada tradição política latino-americana de se eleger governantes sem se preocupar em dar a eles base política para governar, pois vota-se no político de um partido para o cargo majoritário e em seus adversários para cargos legislativos, achando que, assim, se irá "contrabalançar" o voto dado.
 
Essa mentalidade baseia-se na premissa equivocada de que não se deve dar "poder demais" ao experimento com um governante de esquerda. Aliás, trata-se de efeito colateral das campanhas terroristas que a direita fez nas eleições paraguaias, brasileiras, argentinas, venezuelanas, equatorianas, bolivianas...
 
A situação que abordo se agrava no Paraguai diante da organização muito menor da aliança política de Lugo frente à máquina do partido colorado, enraizado em cada canto do país há décadas. É uma mentalidade absolutamente equivocada, porque as regras democráticas de cada país é que devem servir para impedir eventuais excessos de um governante. Não há nenhuma lógica em eleger um governante enfraquecido, que terá dificuldade de implementar seus projetos.
 
Analisando a divisão de forças que deverá se estabelecer no congresso paraguaio através do site do jornalista Luiz Carlos Azenha (que foi o jornalista que fez, em minha opinião, a cobertura mais completa sobre a eleição no país vizinho), percebe-se que o governo Lugo deverá ter dificuldades para implementar seus projetos. Mas há uma saída.
 
Conhecendo a realidade paraguaia, penso que, para Lugo ter chance de implementar seu projeto, chancelado agora pela maioria do eleitorado que as regras eleitorais daquele país exigem para que um presidente seja eleito, terá que convocar uma assembléia nacional constituinte, como fizeram, por exemplo, os presidentes Hugo Chávez (Venezuela), Evo Morales (Bolívia) e Rafael Correa (Equador).
 
Lugo representa uma enorme possibilidade para o continente americano moralizar um dos países que o integram e que, devido às oligarquias corruptas de direita que sempre o controlaram, é hoje a porta de entrada neste continente para drogas, armas, criminosos e até para terroristas. Para ele governar o Paraguai como precisa ser governado, porém, precisará de mais instrumentos do que sua mera eleição lhe deu.


 Escrito por Eduardo Guimarães às 22h21
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Por que SP não melhora
 
 Atualizado às 11:06 hs. de 20 de abril de 2008
 


 
Para quem raciocina sobre o interesse público como cidadão e não como torcedor de futebol, se essa pessoa também for atenta aos fatos concordará comigo quanto à seguinte premissa: o Estado de São Paulo, por ser uma das maiores potências econômicas do mundo, superando economicamente dezenas e dezenas de países, deveria ser capaz, se não de promover melhora na vida dos seus cidadãos, ao menos de impedir que ela piore. Não é o que acontece.

Durante a década passada, o Estado mais rico da Federação brasileira, responsável por mais de um terço do Produto Interno Bruto do país, viu a vida de seu povo vir se tornando cada vez mais dura. Da Saúde Pública à Educação, com ênfase na Segurança Pública, São Paulo se vê estagnado e, em alguns casos, vai piorando.

Chamam atenção, porém, os quesitos Educação e Segurança. O ente federativo brasileiro que dispõe de mais recursos do que qualquer outro, inclusive percentualmente (o que compensa, com sobra, sua maior densidade demográfica), vem apresentando resultados vergonhosos em avaliações nacionais e internacionais sobre qualidade da educação. A Educação pública paulista perde inclusive para as de Estados muito mais pobres e com muito menos recursos. Mas é na Segurança Pública que São Paulo  consegue ir piorando a passos largos com o passar do tempo. 

Dados extraídos do site da Secretária da Segurança Pública paulista , que recolhi em breve pesquisa que fiz ali, mostram que, a partir de 1997, segundo dos doze anos em que São Paulo vem sendo governado pelo PSDB, aumentou, de forma impressionante, a incidência do pior tipo de crime que pode haver, que é o crime contra a pessoa (assassinatos e lesões corporais). Vejam, abaixo, o gráfico que compus e que mostra como chegamos ao atual nível de insegurança de nossas vidas no Estado que mais recursos tem (proporcionalmente) para investir em Segurança.

Números de casos de crimes contra a pessoa por ano
(comparação de cada ano em relação a 1995)
 
1995 -   98.491                     Gov. Covas    - 1º ano 1º governo FHC
1996 -   99.062  +   0,58%
1997 - 118.307 +  19,84%   Gov. Covas    - Aprovada reeleição FHC
1998 - 130.055 +  32,04%   Gov. Covas    - Eleição presidencial
1999 - 130.134 +  32,13%   Gov. Covas    - Maxidesvalorização real
2000 - 137.331 +  39,43%   Gov. Alckmin - 1º ano - 1º mandato
2001 - 130.207 +  32,20% 
2002 - 150.522 +  52,83%   Gov. Alckmin - Eleição presidencial                   
2003 - 151.389 +  53,71%   Gov. Alckmin - 1º ano -  2º mandato
2004 - 145.511 +  47,74% 
2005 - 160.924 +  63,38% 
2006 - 158.767 +  61,20%   Gov. Lembo - Eleição presidencial
2007 - 163.555 +  66,06%   Gov. Serra - 1º ano - 1º mandato
       

 
Outro fato que mostra a catastrófica situação da Segurança Pública em São Paulo é a eclosão de uma verdadeira guerra no Estado em 2006. Uma situação absolutamente inacreditável num Estado em que a Segurança sempre foi um problema menor do que em Estados como o Rio, por exemplo, mas que foi tomado por criminosos com uma velocidade que jamais se viu em parte nenhuma do Brasil. A matéria jornalística abaixo comprova a perplexidade que tomou conta do mundo naquele ano diante do descalabro da Segurança paulista.

"Imprensa internacional destaca onda de violência em São Paulo

da Folha Online
5/05/2006 - 21h28

A recente onda de ataques à polícia no Estado de São Paulo continua merecendo destaque na imprensa internacional. Leia a seguir trechos de chamadas e reportagens de alguns dos principais meios de comunicação do mundo sobre os ataques. Os números de mortos e reféns se desencontram em alguns casos.

The New York Times' (EUA)
São Paulo vive o quarto dia de violência
O site do jornal destaca o quarto dia de violência na cidade de São Paulo. Reportagem mostra foto em que policiais militares inspecionam caminhões em busca de membros do PCC.

'Uma onda de ataques do crime organizado no Estado de São Paulo, em que pelo menos 81 pessoas foram assassinadas, a maioria delas policiais, levou escolas, lojas e escritórios fecharem mais cedo e interrompeu o transporte público na terceira maior cidade do mundo nesta segunda.'

Financial Times (Reino Unido)
Pelo menos 81 mortos em ataques do crime organizado em São Paulo - Edição norte-americana do site noticia a falta de segurança em São Paulo.

'O presidente Luiz Inácio Lula da Silva encontrou ministros após o quarto dia de ataques do crime organizado a São Paulo, que levaram a vida de pelo menos 81 pessoas, para cobrar uma ação contra o crime organizado e a falta de segurança pública.'

Le Monde (França)
Novos ataques do crime organizado no Estado de São Paulo - Os atentados ao Estado de São Paulo são destaque no noticiário internacional do site do 'Le Monde'.

'Vinte e três pessoas foram mortas na noite de domingo para segunda, e alvos civis foram visados, segundo a imprensa. Entre a noite de sexta e de domingo, as forças da polícia já contabilizavam o número de 115 atentados, que fizeram 55 mortos e 44 feridos.'

El País (Espanha)
A revolta criminal cobra 80 mortos no Brasil - Site do jornal espanhol manteve o assunto em destaque desde o sábado.

'A ofensiva dos criminosos que há três dias desafia o Estado brasileiro de São Paulo deixou 81 mortos, 39 deles membros da segurança pública, segundo o último balanço oficial divulgado nesta segunda. Os ataques são uma represália à transferência de presos de um grupo mafioso a presídios de segurança máxima.'

Clarín (Argentina)
Continua o clima de pânico em São Paulo: há 81 mortos, 68 ônibus incendiados e 13 bancos metralhados - Os ataques em São Paulo foram destaque no site do jornal argentino desde o sábado.

'A onda de violência começou quando foram transferidos criminosos presos, entre eles o chefe do principal cartel do tráfico no Brasil. Hoje o transporte público esteve paralisado. Segundo a Folha, desde a sexta-feira até hoje [segunda], foram comentidos mais de 180 ataques.' "

Os anos vão passando, mas São Paulo não melhora. E não melhora não é só por incompetência das administrações tucanas que vêm sucedendo umas às outras graças a um inexplicável conformismo dos paulistas com a má governança de seu Estado. Não melhora porque, à diferença do que começou a acontecer no plano federal depois que Lula chegou ao poder, a imprensa paulista não fiscaliza e não cobra o governo de seu Estado devido a acordo de natureza desconhecida que se percebe que firmou com o grupo político encastelado no poder local há mais de uma década.

Costumo dizer que um dos fatores que está fazendo com que o governo Lula vá tão bem é, apesar dos pesares, a pressão da imprensa. O governo Lula tem que tomar cuidado até para ela não transformar acertos em erros. Assim, esmera-se ao máximo para não ser exposto à execração pública por uma imprensa totalmente partidarizada. E, apesar de essa pressão midiática por vezes chegar a atrapalhar a administração do país, ela inegavelmente produz um efeito benfazejo: obriga esse governo a trabalhar de verdade.

Quando políticos como Covas, Alckmin e Serra (os três últimos governadores paulistas) contam com o acobertamento e até com a ovação da imprensa, acomodam-se, pois sabem que o que fazem de ruim será ocultado e o que fazem de bom, será exponenciado. É por isso que São Paulo não melhora.
 
Retirada de link desta página
 
Comunico aos leitores que retirei o site do ombudsman da Folha de São Paulo da lista de sites indicados por este blog. Tomei essa decisão depois da leitura da entrevista do novo ombudsman que o jornal publicou em sua edição deste domingo. A entrevista constitui um amontoado de lugares-comuns, de desfaçatez e de bajulação que demonstra que o cargo de ombudsman da Folha deixou de ser sério. Para que se tenha uma idéia, o tal Carlos Eduardo Lins da Silva, no auge de um processo de ataques da grande imprensa aos blogs políticos, diz que blogs são "irrelevantes" sem explicar por que a mídia generaliza sobre todos eles e se empenha tanto em desacreditá-los apesar de "não terem importância".


 Escrito por Eduardo Guimarães às 02h32
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