Cidadania.com
Auto-retrato
por Eduardo Guimarães 

Vamos mostrar a
"eles", Nassif
 
 
 
Luis Nassif comenta, em seu blog, os reparos que fiz à sua visão sobre o grau de investimento. Chamou-me de amigo, apesar de não nos conhecermos pessoalmente. Mas, sim, somos amigos, porém virtuais. Desde a época em que ele estava na Folha, e isso faz anos, sempre trocávamos e-mails.
 
Talvez Nassif se lembre de algumas vezes em que trocamos mensagens até sobre amenidades como, por exemplo, os netos.
 
Aliás, lembro-me de uma vez em que trocamos um monte de e-mails debatendo a questão dos rapazes de Brasília que incendiaram um índio na rua enquanto ele dormia. Nassif defendia, como é seu costume, que não houvesse "linchamento" deles, que prevalecesse o processo legal e que eles pagassem por seus erros dentro dos limites desse processo.
 
Como sou um debatedor meio persistente, num determinado momento o Nassif se irritou e bloqueou meu endereço de e-mail. Enviei-lhe uma mensagem, por outro endereço de e-mail, argumentando que não havia motivo para aquilo, pois debatíamos de forma civilizada. Imediatamente ele me pediu desculpas pela irritação e retirou o bloqueio de meu endereço eletrônico.
 
O fato, Nassif - e quero dizer isso depois de anos -, é que hoje, passado tanto tempo, finalmente entendi o que você queria dizer sobre o erro de se promover linchamentos morais, até porque os literais constituem crime. Você estava certo, hoje percebo.
 
O Nassif também fez considerações sobre o tema econômico que ora nos divide e, sobre isso, escreverei um outro post. Este é sobre outro assunto, sobre como é mais do que possível divergir civilizada e respeitosamente.
 
Alegrei-me com o fato de Nassif ter dito que ser criticado por mim, da forma como o fiz, foi uma alegria para ele. Tive medo de que ele agisse como alguns de seus colegas que acham ultrajante ser criticados por mortais comuns como eu e vocês, leitores. Mas Nassif não é disso. É um cavalheiro, como eu também me julgo, obviamente que dentro de limtes, porque essa história de ficar dando a outra face não é muito comigo, não. Sou civilizado com os civilizados.
 
Mas é uma alegria, para mim também, poder divergir de forma sadia de alguém mentalmente são, mais do que isso, de um homem lúcido, de mente aberta e tão preparado para debater o assunto no qual discordamos. Acredito que desse tipo de discussão só pode mesmo nascer a luz.
 
Que a luz se faça, então. Vamos mostrar a "eles" como é que se diverge, Nassif. Tenho certeza de que poderemos, com honestidade e humildade, com respeito e civilidade, descobrir se a verdade não estaria, por exemplo, no caminho do meio.
 
E em homenagem à postura inteligente do Nassif, reproduzo, abaixo, o que ele escreveu sobre nossa divergencia pontual.
 
 
"Ok, mercado: você venceu!

O amigo Eduardo Guimarães questiona meus posts sobre o grau de investimento em seu Cidadania. Deveria ser regra, mas tornou-se tão raro na blogosfera o questionamento civilizado, sem teorias conspiratórias, que é uma alegria ser criticado com respeito.

A discussão, de qualquer espécie de tema, tem se contaminado com uma visão ideológico-conspiratória muito forte. Até casos como o da Isabella são submetidos a esse viés ideológico - com os de "esquerda" considerando preconceito falar em "clamor das turbas", e os de "direita" considerando que a crítica à cobertura da mídia atenta contra a liberdade de imprensa. É primarismo de qualquer lado que se olhe.

É importante não deixar que, na blogosfera, a discussão seja contaminada pelo mesma parcialidade que se observa em alguns veículos da mídia. A opinião não pode ser contra ou a favor de governo, mas contra ou a favor de atos de governo.

O governo Lula é elogiável no PAC, na Bolsa Família, nas políticas sociais; é criticável na política econômica, em deixar as contas externas se deteriorarem dessa maneira. FHC foi elogiável em muitos aspectos; foi irresponsável no populismo cambial que deixou o país com a maior dívida da sua história.

Governos não são entes homogêneos. Em cada governo existem homens públicos de primeira, iniciativas elogiáveis, e atitudes de terceira. O papel da crítica - da maneira como tento praticar - é a de fortalecer os que fazem um trabalho consistente, contra os que têm essa visão utilitária de política.

No governo FHC, Sérgio Motta demonstrava intenção de transformar o país, assim como o próprio José Serra, José Roberto Mendonça de Barros, Clóvis Carvalho. Mas a cara de FHC era Pedro Malan.

No governo Lula, Dilma, Temporão, Haddad, Sérgio Rezende, Patrus, Amorim exercem esse papel transformador; na Fazenda, se tenta um contraponto à ação do Banco Central. Mas a cara da política econômica é Henrique Meirelles.

PT e PSDB não existem mais, como partido. Existem como agremiações, como estruturas que disputam o poder.

O que escrevi sobre grau de investimento - não fossem as peculiaridades do jogo político - seria tranquilamente subscrito por Guido Mantega, Ciro Gomes, José Serra, Dilma Rousseff, Luciano Coutinho, Bresser Pereira, Paulo Nogueira Baptista Jr, Yoshiaki Nakano, Aluizio Mercadante, pelo Márcio Pochmann e pessoal do IPEA atual.

Não seria pelo Banco Central de hoje, nem pelo BC de FHC, nem por Malan, pelos economistas de mercado, nem pelo antigo grupo de conjuntura do IPEA.

O governo Lula é (assim como o de FHC) o resultado da balança política em torno desses temas. Hoje em dia, a defesa desse tipo de política do BC é bancada pelo conjunto da mídia, pelo tal mercado, por uma ideologia que, plantada por FHC, ficou. Só haverá mudanças quando houver massa critica do outro lado.

No entanto, o que se observa é a instrumentalização do grau de investimento, como se fosse o Santo Graal. Os petistas dizem que é o atestado final do sucesso da política do Lula – e nem olham a deterioração evidente das contas externas. Os anti-petistas dizem que é o resultado do que foi plantado por FHC – como se o maior entrave à obtenção do grau de investimento não tivesse sido a estrondosa dívida pública deixada por ele.

Em qualquer dos ângulos que se olhe, aceita-se passivamente a premissa da “lição de casa”. Não se questiona o fato de que não existe economia do mundo que possa se desenvolver sem um câmbio competitivo e previsível. Não se questiona o fato de que nem tudo o que é ruim para o mercado é ruim para o Brasil; mas nem tudo o que é bom para o mercado é bom para o Brasil.

Hoje em dia, a posição hegemônica é que tudo o que é bom para o mercado é automaticamente bom para o Brasil."

Ok, mercado, você venceu!"



 Escrito por Eduardo Guimarães às 19h13
[] [envie esta mensagem]



Nassif e o setor externo
 
 
 


 
Quero insistir no assunto das posições do jornalista Luis Nassif em relação ao setor externo, ou seja, às exportações e às relações de entrada e saída de dólares do país. E quero, também, analisar um boletim econômico do qual o jornalista divulgou um trecho em seu blog, pois o documento levanta questões interessantes sobre o setor externo.

Antes de prosseguir, porém, devo fazer duas ressalvas.
 
A primeira, é a de que estou me concentrando nas opiniões de Nassif devido à expressiva credibilidade que ele detém. Ele é alguém que merece ser levado a sério e, por isso, quando julgo que sua opinião está na contramão do que penso ser a visão correta dos fatos, fico preocupado com a quantidade de pessoas que poderão se juntar a ele no que me parece um erro, por mais que eu não tenha um milésimo das credenciais que ele tem para falar de economia.

A outra ressalva diz respeito a comentários duros de leitores sobre o Nassif nos posts em que mencionei a opinião dele sobre o grau de investimento. Acho que algumas críticas têm sido injustas. Não dá para compará-lo com uma Miriam Leitão, por exemplo. Ele é um sujeito sério, respeitado, mas que penso que está muito centrado na visão dos exportadores. Sugiro, portanto, maior cautela nas divergências.

Quanto aos exportadores, eles ficaram preocupadíssimos com a apreciação adicional do real que já começa a ocorrer e que deverá (?) prosseguir no curto prazo por conta da nova avaliação de risco do país. Porém, esse alarmismo todo reflete muito mais a preocupação dos exportadores com seu futuro imediato do que com o longo prazo. Para um empresário, o que vale é seu caixa. Essa agenda, entretanto, não pode ser a do país. Empresário não gosta de perder - ou deixar de ganhar - dinheiro, mas isso não significa que essa perda seja o início da derrocada nacional.

Dessa maneira, o que estou fazendo aqui é alimentar um debate saudável e necessário. Tanto o que diz Nassif quanto o que digo eu, tem que ser dito para que discutamos os rumos do país. Se esse debate for conduzido com serenidade e respeito à divergência, acho que poderemos produzir pontos de vista aproveitáveis.

Nassif publicou ontem em seu blog trecho de um boletim chamado "Carta Iedi". O documento fundamentaria seu ponto de vista sobre o setor externo e as conseqüências da política econômica, conseqüências que poderiam empurrar o país talvez até para uma crise cambial nos moldes da de 1999 se as previsões catastrofistas, neste momento de euforia econômica, estivessem certas.

Mas o que é essa Carta Iedi?  Trata-se de um boletim voltado sobretudo ao empresariado e que analisa diversos aspectos, números, indicadores da economia. E o que é o próprio Iedi? A sigla significa Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial.
 
Vejam como a instituição se define: "O IEDI foi criado em 1989 e reúne atualmente 46 empresários representantes de grandes empresas nacionais (...)".

Expus a autodefinição do Iedi para que fique claro que seu boletim expressa preocupações de grandes empresários que, como se pode deduzir, são exportadores e, logicamente, estão insatisfeitos com a baixa remuneração de suas exportações. Portanto, estão prevendo, com razão, que seus lucros mingüarão no curto prazo devido à previsível valorização adicional do real que deverá (?) ocorrer por conta da melhora da avaliação do risco brasileiro pela Standard & Poor's.

Da forma como entendo as coisas, nesse jogo há ganhadores e perdedores. Mas isso num primeiro momento, pois acho que, mais adiante, todos sairão ganhando com uma situação em que o Brasil passa a ter credenciais para receber investimentos produtivos que antes não poderia receber por falta de aval dos classificadores de risco de investimentos. Assim sendo, percebo que os grandes exportadores estão pensando apenas nos seus bolsos e no curtíssimo prazo.
 
Mas vamos ao trecho da Carta Iedi que o Nassif reproduziu em seu blog:

"(...) Com relação ao setor externo, ainda não é possível afirmar se e quando ele voltará a ser fonte de agudos problemas, como os que o país vivenciou em um passado não tão distante, mas não há dúvida de que o setor externo brasileiro mudou. Mudou muito rapidamente e para pior, diga-se de passagem.

Segundo os dados do Banco Central, no acumulado dos meses de janeiro a março o resultado em transações correntes (que registra as contas do comércio de bens, de serviços e os pagamentos de juros e lucros e dividendos) foi negativo em US$ 10.757 milhões, contra um valor positivo de US$ 241 milhões no mesmo período de 2007.

Cumpre notar que, para período comparável (primeiro trimestre de cada ano), a última vez que o Brasil registrou déficit foi em 2002 (US$ 3.248 milhões). Outra observação é que o déficit em transações correntes no primeiro trimestre, como proporção do PIB, foi de 3,2%. Em média, no período de maior vulnerabilidade externa, entre 1995 e 2002, esse déficit foi de 3,3% do PIB
".

Que confusão, não? Essa enxurrada de números e a alusão a "déficits" embaralha a cabeça do público. Estão falando tanto em "déficit" que as pessoas acabam achando que estamos importando mais do que exportamos. Porém, não é disso que se trata. O que a nota do Iedi diz é que a conta sobre a entrada e saída de dólares do país, envolvendo não apenas as importações e exportações, mas, inclusive, remessas de lucros de multinacionais a suas matrizes e pagamento de dívidas com o exterior, ficou negativa em US$ 10 milhões, ao passo que no ano passado, a esta hora, tinha sido positiva em mais de US$ 200 milhões.
 
Essa é uma situação que de fato não ocorria desde 2002, último ano em que tivemos déficit em certas contas externas depois de dois mandatos de FHC nos quais o Brasil exportava muito menos do que importava, gerando déficits na balança comercial, nas transações correntes e onde mais se quiser. Naquele tempo, vendíamos estatais e pedíamos empréstimos para termos dólares para pagar dívidas dos setores público e privado com o exterior.
 
Não nos esqueçamos, no entanto, de que US$ 200 milhões de superávit ou US$ 10 milhões de déficit nada dizem numa economia em que a escala a ser usada está na casa das centenas de bilhões de dólares. Assim, o Iedi alude a uma tendência, a um indicativo de que as contas externas estariam degringolando.
 
Antes de mais nada, porém, é preciso notar que o próprio Iedi confirma as opiniões que eu tenho lhes dado ao dizer que "Com relação ao setor externo, ainda não é possível afirmar se e quando ele voltará a ser fonte de agudos problemas". E "não é possível afirmar" por vários motivos.
 
É preciso notar que não dá para comparar os idos de 2002, quando o Brasil estava literalmente no chão, com os dias de hoje. Diferentemente daquela época, quando não tínhamos praticamente reservas, hoje temos suficientes para pagar todas as dívidas do Brasil com o exterior, o que nos dá todo tempo do mundo para tomar atitudes para impedir que um câmbio desfavorável coloque o país em crise ao gerar déficits na balança comercial.
 
Quem se deu ao trabalho de ir ao site do Iedi e ler a nota inteira, descobriu que o próprio instituto ressalva que o resultado nas contas externas deste início de ano não pode ser levado ao pé da letra devido a vários fatores. Vejam:

"O menor saldo comercial [a diferença entre importações e exportações] que vem sendo obtido é a causa mais destacada [do déficit nas transações correntes, que não envolve só importações e exportações], sendo responsável por 53,5% da piora do resultado em transações correntes entre o primeiro trimestre de 2007 e o primeiro trimestre de 2008. O saldo de comércio de US$ 8.720 milhões [em 2007] recuou para US$ 2.835 milhões no mesmo período de 2008"
 
Notem que a causa maior do déficit nas transações correntes decorre de menos exportações. Mas o Iedi diz que essa redução no saldo comercial "não pode ser considerada". Vejam por que:

"Tamanha redução (equivalente a 67,5%) ainda  [grifo meu] não pode ser considerada como totalmente representativa das novas tendências do comércio exterior
brasileiro, pois itens de muita valorização nos mercados mundiais, dentre eles produtos do agronegócio e da mineração, ainda aparecerão nos valores de exportação e, portanto, de saldo comercial
"
 
Entenderam? Não? Eu explico: a tal conta sobre o saldo comercial está incompleta. Falta lançar nela exportações de grande vulto. Assim sendo, em tese, ao fim da conta o déficit nas transações correntes poderia até desaparecer.
 
Sobre isso, vale a pena reproduzir informação do caderno de economia da Folha de São Paulo de hoje.
 
"A greve dos auditores da Receita Federal não impediu a continuidade das operações de importação e exportação, mas gerou distorção nos números da balança comercial de abril. (...) os embarques de produtos e a chegada de cargas importadas foram realizadas, mas várias dessas operações não foram contabilizadas. No lado das exportações, (...) não foi feita a solicitação de despacho [o registro de exportação (RE)], de US$ 600 milhões da venda de petróleo. Outro US$ 1,2 bilhão em embarques de soja em grão, farelo de soja e de minério de ferro também deixou de ser registrado no mês passado"
 
É aí que entra algum conhecimento meu sobre comércio exterior. Quem discorda de mim, imediatamente dirá que se a greve dos auditores da Receita afetou as exportações certamente também afetou as importações, e, portanto, não dá para usar essa greve como "desculpa".
 
Não é bem assim. Vejam que as exportações estão ficando represadas nas fronteiras brasileiras (marítimas, aérea e terrestres) devido a operações padrão dos auditores, que passam a fiscalizar tudo para atrasar o comércio exterior, ao passo que, nos países de onde saem as importações, não há represamento, e as cargas e documentos dessas importações chegam todos à contabilidade do comércio exterior brasileiro.
 
Já os exportadores, acabam retendo embarques para não jogá-los numa situação atípica na aduana brasileira, que pode resultar em problemas maiores que os atrasos nos embarques. Eu mesmo estou retendo embarques de uma das empresas às quais presto serviço não só de representação comercial como de administração burocrática dos embarques ao exterior, pois, para ficarem parados no porto, prefiro que fiquem no estoque da empresa.
 
Aliás, ninguém disse ainda que a lógica da pressão que os auditores grevistas estão exercendo contra o governo é justamente a de que essa paralização - ou a diminuição do ritmo de trabalho - deles afeta muito mais as exportações do que as importações.

O próprio Iedi, inclusive, não vê inversão na acumulação de saldos comerciais pelo Brasil, ainda que veja diminuição desses saldos. Leiam o que o instituto diz:
 
"É inequívoco que o superávit de comércio em 2008 já será considerado surpreendente se registrar um valor correspondente à metade do saldo do ano passado, que atingiu US$ 40 bilhões".
 
Viram? De acordo com a conjuntura, que não é estática, o Iedi prevê que exportaremos "apenas" US$ 20 bilhões a mais do que importaremos neste ano.

Não contente com esse fato, reproduzo outra informação do instituto que deveria ser levada em conta pelo catastrofismo partidarizado da mídia e pelas preocupações legítimas de um Luis Nassif:
 
"Também pode se esperar que os elevados valores do primeiro trimestre para remessas de lucros e dividendos cedam ao longo do ano"
 
Como se vê, é precipitado esse discurso catastrofista, seja o bem-intencionado ou o mal-intencionado. Isso não significa, é claro, que o debate não deva ser entabulado, mas chegar ao ponto de marcar data para a catástrofe, como fez Nassif diante da notícia da obtenção do grau de investimento pelo Brasil, é um exagero. 


 Escrito por Eduardo Guimarães às 11h57
[] [envie esta mensagem]



O 'caviar dos netinhos'
 
 
 
caviar beluga, US$ 650 o quilo
 
 
 
Como vocês sabem, os "colonistas" (colunistas colonizados) do Partido da Imprensa Golpista (PIG) são todos extremamente "rigorosos" com a ética e altamente coerentes. Inclusive entre si, porque todos têm as mesmas opiniões.

A intransigência piguiana com o que diz ser "falta de ética e de coerência", é extraordinária. Quantas vezes você já leu os "colonistas" de Folhas, Vejas e congêneres exaltados, por exemplo, com as alianças petistas com políticos acusados de corrupção?  

Vejam só como Clóvis Rossi, por exemplo, indignou-se com o PT por ter feito aliança com Orestes Quércia:

"
Folha de São Paulo - 30/03/2002

CLÓVIS ROSSI

Perto do poder, longe da decência

SÃO PAULO - O próximo aliado do PT será Paulo Salim Maluf. Impossível? Inacreditável? Não, se se levar a sério a frase com que Luiz Inácio Lula da Silva justificou a aproximação com Orestes Quércia: 'Acho que todas as denúncias feitas contra qualquer pessoa têm de ser apuradas. Ou a pessoa ganha uma condenação ou um atestado de idoneidade. Até agora, não teve nenhuma acusação concretizada' (...)
"

Legal pra caramba essa postura, né pessoal? A gente lê o que escrevem e logo sente vontade de ficar de pé, pôr a mão no peito e cantar o Hino Nacional.
 
Só é pena que não seja sempre assim, ou melhor, que só seja assim quando cobram "ética" do PT. Mas quando é a "tchurma" deles que faz alianças, vamos dizer, "heterodoxas", daí eles invocam até a Bíblia para justificá-las..

Querem ver? Então leiam, abaixo, coluna da musa da febre amarela, Eliane Cantanhêde. Como ela é "compreensiva", gente... Um "amorzinho" de pessoa.

"Folha Online - 30/04/2008
 
ELIANE CANTANHÊDE
 
Quem atira a primeira pedra?

Os alckministas disputavam Quércia. Os petistas da Marta disputavam Quércia. Os demo do Kassab disputavam Quércia. Mas quem levou foi José Serra. Quércia é, digamos, o mal necessário. (...) Na entrevista que o ex-governador e ex-senador deu para Monica Bergamo na Folha de hoje (30/04), ele foi um primor. Disse boas verdades, insinuou meia verdades e foi provocativo como sempre, ironizando o fato cristalino de que foi alvo de um leilão, até bater o martelo com Serra a favor da candidatura Kassab. Alguém há de desmentir que tentou seu apoio? Alckmin, Marta, Serra? E quem vai atirar a primeira pedra porque Serra venceu essa? (...)
"
 
Ô jornalismo coerente e isento, não? É por isso que a credibilidade dessa gente só faz aumentar (sic) junto com sua capacidade de formar opiniões (sic, sic, sic...)
 
O quê? São uns caras-de-pau? Ora, deixe de ser intransigente. O Clóvis Rossi me explicou uma vez, por e-mail, que ele tem que "garantir o caviar dos netinhos". Já pensaram se os meninos ficarem sem caviar no jantar? Ou seria no café da manhã?


 Escrito por Eduardo Guimarães às 16h38
[] [envie esta mensagem]



O dilema do câmbio 

 

 

Costumo dizer que economia é uma ciência que dá explicações complicadas para coisas simples. Nesse aspecto, há que destacar o economês, linguagem à qual até os brasileiros mais simples tiveram que se acostumar a partir do início dos anos 1980, com a sucessão de crises econômicas que nos vitimou.
 
Os brasileiros, ou melhor, os brasileiros acima dos quarenta anos estão entre os que mais entendem de economia no mundo por força das feitiçarias econômicas que os sucessivos planos de "estabilização" nos impuseram no decorrer das décadas passada e retrasada. Por isso, acho que não deve estar sendo difícil compreender o que tenho escrito, até porque tenho procurado traduzir o economês para uma linguagem de gente.
 
Também penso que não deve ser difícil a qualquer pessoa mais madura se dar conta de que os problemas econômicos da história mais recente deste país sempre estiveram ligados ao câmbio.
 
Só para ficar no exemplo mais recente de grande problema econômico que tivemos por conta da eterna relação de amor e ódio entre as moedas brasileira e americana, podemos nos lembrar da crise cambial de 1999, quando tivemos que nos render ao fato de que uma moeda enfraquecida como o real - que estava nessa situação por ação do mais puro populismo tucano - não poderia permanecer paritária com o dólar.
 
O câmbio sempre esteve e continuará estando na raiz de nossos problemas enquanto tivemos dívidas com o exterior. Afinal, enquanto as trocas mercantis que mantivermos com outros países tiverem obrigatoriamente que gerar dólares para pagar dívidas em dólares, se a balança comercial não pender para o nosso lado (se não exportarmos bem mais do que importarmos) não teremos como honrar compromissos externos.
 
O que todo esse economês que está sendo gasto - e que está levando os menos versados em economia a um estado de depressão moral - não diz, é que fomos reconhecidos como bons pagadores não é por nada, não, mas, também - e principalmente -, porque o Brasil tem hoje reservas suficientes para quitar o total de suas dívidas com o exterior e, portanto, além de estar demonstrando ao mundo que paga o que deve, também tem dinheiro em caixa para pagar.
 
É claro que estou simplificando. A mutabilidade desse quadro que pintei é alta. Há uma infinidade de variáveis, como as diversas relações entre capital, produtos e serviços que trocamos com o exterior que, se forem deficitárias, podem exterminar com nossas reservas e, portanto, com nossa capacidade de honrar compromissos externos - e, conseqüentemente, iria exterminar nossa credibilidade.
 
As explicações em genuíno economês que estão sendo dadas para fazer valer a afirmação óbvia de que a apreciação do dólar dificulta as exportações e lhes diminui a rentabilidade, a meu ver, são inúteis e exemplificam o derrotismo brasileiro, para a constituição do qual, há que reconhecer, não faltaram razões no decorrer da história.
 
Essas visões sobre as contas externas do país, porém, recusam-se a reconhecer que a economia brasileira mudou de patamar, o que não significa que não possa despencar do patamar a que ascendeu.
 
Mas não nego que é preciso atenção quanto às contas externas num momento em que uma das variáveis que permite a um país acumular reserva de moeda conversível, que é a relação cambial, está trabalhando contra esse processo acumulativo.
 
No vídeo acima, você poderá assistir entrevista concedida ontem pelo presidente do BC, Henrique Meirelles, ao Jornal da Globo. Ele respondeu aos temores de gente séria que está preocupada com os efeitos da suposta revalorização do real frente ao dólar que poderá advir da melhora da nota do Brasil que foi dada por uma das três mais importantes agências de classificação de risco do mundo.
 
Meirelles sustenta a capacidade de auto-regulação do modelo econômico vigente. Segundo ele, o câmbio flutuante se autocorrigiria diante de uma inversão nos superávits comerciais externos.
 
A tese que se contrapõe à de Meirelles - e que passará a ganhar grande repercussão nas próximas semanas - baseia-se numa possível fuga dos dólares que estão sendo atraídos para o Brasil devido ao baixo risco e grande remuneração que nossa economia oferece para especuladores virem para cá desfrutar desse atrativo mercado financeiro.
 
Essas análises, no entanto, aludem ao passado, quando o menor sinal de risco internacional fazia os dólares refestelados aqui se escafederem. Isso ocorria porque governos anteriores usavam dólares de passagem pelo país como se fossem nossos.
 
O risco, de fato, existe, mas é um risco calculado. E medidas para moderar a relação cambial precisam ser tomadas.
 
De acordo com o presidente do BC na entrevista do vídeo acima, tais medidas serão tomadas conforme o quadro pós grau de investimento for se definindo. Por isso, marcar dia e hora para uma grave crise cambial não é só prematuro, é ilógico diante de uma condução da economia que vem obtendo êxitos que nunca tinham sido obtidos. A equipe econômica merece o benefício da dúvida.


 Escrito por Eduardo Guimarães às 12h44
[] [envie esta mensagem]



Exportadores chorões
 
 
 
Está surgindo uma visão negativista sobre a nota grau de investimento recém-concedida à economia brasileira que está ganhando expressão. Essa visão, no entanto, não é produto da luta política entre governo e oposição. Ela decorre de interesses contrariados.
 
A teoria ganhou corpo no blog do Luis Nassif. Impressiona ver um jornalista sério e que está entre os que mais entendem de economia no país dizer, com todas as letras, que a melhora na classificação de risco constitui uma ameaça que certamente nos colocará em crise econômica.
 
A teoria, trocando em miúdos, é a seguinte: com o grau de investimento, os títulos brasileiros tornam-se ainda mais atrativos e rentáveis por conta de juros internos incompatíveis com uma economia segura. Vem, então, uma enxurrada de dólares para a ciranda financeira e para investimentos de médio e longo prazos, de maneira que o preço da moeda americana desaba de vez junto com as exportações e termina por gerar uma grave crise cambial.
 
Nassif não faz a previsão nem no condicional. Dá até prazo para a desgraça ocorrer: fim de 2010 ou começo de 2011.
 
Na canoa dele embarcam leitores antipetistas esquizofrênicos que querem ver o país no buraco para verem suas teorias sobre o "mau" governo Lula se concretizarem. Falam como se tivéssemos sido atingidos por uma bomba. Estão todos errados: governo, investidores, agências de classificação de risco... A teoria chega ao ponto de dizer que o grau de investimento faria parte de um plano de especuladores para darem uma bela mordida na economia brasileira e se escafederem.
 
Não questiono os motivos do Nassif. Ele tem batido nessa tecla do câmbio apreciado faz muito tempo. Aliás, nessa questão ele concorda com o PIG, que se já não acreditava em si mesmo no que tange o desastre cambial, agora, com a benção do deus mercado à economia brasileira, terá que se esforçar para afetar um mínimo de convicção.
 
Algumas disparidades nas contas externas são perfeitamente compreensíveis num momento de excepcional aumento do consumo interno e, portanto, das importações. Daí a vislumbrar uma crise cambial em cerca de dois anos, vai uma distância enorme.
 
Esse alarmismo é antigo e sempre foi entoado pelos exportadores desde que me conheço por gente. Cantam essa modinha quando deixam de contar com o artifício do câmbio e têm que investir em tecnologia e produtividade para compensar a diminuição da remuneração cambial.
 
O grau de investimento trará dólares e investimentos estrangeiros em volume, e assim, num primeiro momento, poderá provocar alguma apreciação do real, mas não será o que irá paralisar nossas exportações. Essa cantilena estou ouvindo há anos. Enquanto isso, o Brasil veio acumulando reservas sem parar.
 
Essa teoria do caos parte do princípio de que o governo ficará de braços cruzados assistindo o superávit na balança comercial virar déficit. Ignora que fatalmente terá que haver redução dos juros, ainda que num segundo momento. Essa redução, aliada a medidas como exigência de prazo mínimo de permanência para o capital externo, irá conter a apreciação do real, ainda que dólar cadente seja um problema mundial para o qual país nenhum conseguiu solução que não seja interferir na taxa de câmbio.
 
Não tenho, obviamente, a qualificação de um Nassif para falar de economia, mas, do meu lado, há um expressivo contingente de economistas e instituições de notório gabarito dizendo que os fundamentos da economia permitirão que administremos o problema cambial. Isso sem falar de quase duas centenas de bilhões de dólares de reservas.
 
Vivo de fechar contratos de exportação e sei das dificuldades que o dólar barato gera, mas posso garantir que dá para as exportações agüentarem mesmo que chegue a R$ 1,50. E, se isso acontecer, será temporário  O próprio dólar tenderá a reagir conforme a economia americana começar a melhorar, talvez lá para meados do ano que vem.
 
Claro que, para mim, particularmente, seria bom que o real fosse desvalorizado. Contudo, ainda prefiro abrir mão de lucros imediatos em prol de um país melhor para todos. Pena que meus pares prefiram a choradeira a trabalharem com mais afinco. É sempre mais fácil empurrar a conta para o país.


 Escrito por Eduardo Guimarães às 23h16
[] [envie esta mensagem]



Verdades e mentiras sobre

 o 'grau de investimento'

 
Começo a escrever e percebo que o texto ficará longo. Todavia, se vocês conseguirem ler tudo isto, garanto que entenderão os méritos e deméritos relativos à promoção do Brasil na classificação internacional de risco para investimentos estrangeiros anunciada na última quarta-feira. Antes, porém, serei forçado a recorrer a um preâmbulo de certa monta.
 
Minha proposta, ao criar um blog para promover o exercício da cidadania, foi a de, também, ajudar meus leitores a entenderem os fatos mais relevantes da contemporaneidade usando o conhecimento que extraí de quase quarenta anos de leituras diárias, incessantes e profusas de tudo que interessa ao coletivo.
 
Extraí certos conhecimentos sobre economia do acompanhamento do assunto durante décadas em jornais, livros, no rádio, na televisão e, mais recentemente, na internet. Isso por conta da minha área de atuação, o comércio exterior, que exige, de quem atua nele, maior entendimento de economia, de forma a poder tomar decisões que, nessa área, sempre dependem mais do futuro do que do presente.
 
Por outro lado, ao defender o que é - ou o que acho que é - melhor para todos, tenho sempre que tentar separar meus desejos, interesses e anseios da realidade, abordando-a como é e não como eu gostaria que fosse.
 
Não é fácil fazer essa separação nem quando se quer, quanto mais quando não se quer. A grande mídia, por exemplo, não faz esforço nenhum para separar seus interesses e pontos de vista dos fatos reais, porque o que quer, declaradamente, é influir nas decisões dos cidadãos. Mas não posso agir como ela. E, para não agir assim, tenho que tentar controlar minhas idiossincrasias.
 
Nesse caso da primeira nota de uma das grandes agências internacionais de classificação de risco concedendo ao Brasil um alto grau de segurança para os investimentos externos, o já notório "grau de investimento", há duas atitudes que só servirão para turvar a visão da sociedade quanto à natureza do que está ocorrendo. Ambas precisam ser combatidas.
 
A primeira atitude incorreta, ao contrário do que está sendo dito, em minha opinião é a de evitar politizar o atual sucesso econômico do Brasil com vistas a impedir que quem colaborou para que tal sucesso ocorresse venha a obter lucro político.
 
Digo isso porque é preciso definir quem colaborou mais decisivamente para a adoção do rumo aparentemente acertado que o país tomou, de modo que se possa manter esse grupo político no poder ou substituir o grupo que está no poder por aquele que melhor possa conduzir nossos destinos.
 
A segunda atitude incorreta é a de criar alguns mitos que se julgue de menor importância com o objetivo de fazer prevalecer fatos de suposta maior relevância, pois não há relevância maior do que a da verdade. Quando se conta pequenas mentiras sob o pretexto de fazer prevalecer grandes verdades, comete-se um monumental equívoco.
 
Diante de tais considerações, cumpre àquele que quer colaborar com o interesse de todos desfazer enganos sobre questões importantes como a da ascensão do Brasil ao grau de classificação de risco mais alto, que atingimos na visão de um dos organismos da comunidade financeira internacional que conserva grande influência sobre as decisões dos grandes investidores.
 
É disso que se trata o "grau de investimento", de uma nota ao risco que pode representar ao investidor estrangeiro trazer seu capital ao Brasil, não para especular no mercado financeiro local, mas para investir aqui a médio e longo prazos.
 
Esses investimentos proporcionados pela nota da agência Standard & Poor's farão toda diferença para nós, pois as empresas que ainda não têm renome internacional - que são a maioria - poderão obter empréstimos externos em condições bem mais vantajosas e bem mais empregos serão criados no país pelos projetos de investimentos que agora poderão vir para cá por conta da carta de fiança dos classificadores de risco que estão entre os mais reconhecidos pelo mercado financeiro internacional.
 
Então, quero me concentrar em desfazer mentiras e em afirmar verdades irrefutáveis sobre o assunto, mas tentando impedir com honestidade que minhas idiossincrasias político-ideológicas me influenciem.
 
A imprensa, por exemplo, vem fazendo questão de frisar que o grau de investimento foi obtido graças a "um processo que vem de dez anos para cá" ou que "o processo começou no segundo mandato de FHC". Pergunta: tais afirmações são mentirosas ou verdadeiras?
 
Essa é uma questão complexa. Minha tendência imediata foi a de refutar de pronto a tese do processo iniciado por FHC, por considerar desastrosos seus dois governos. Contudo, refleti que não posso tratar questão dessa importância de forma tão superficial. É preciso atribuir pesos à participação de cada um dos atores políticos na obtenção do "investment grade".
 
A mídia costuma preferir ignorar fatos que a contrariem, achando que ao não tratar daquilo que lhe desautoriza o discurso poderá impedir tal questionamento. Acho um erro. Se eu não puder refutar um argumento do qual divirjo ou que não atenda aos meus pontos de vista, prefiro mudar de opinião. Nem me calar eu admito.
 
É por isso que tenho que abordar a declaração de Lisa Schineller, a analista da Standard & Poor's responsável por ter colocado o Brasil na condição de Investment Grade. Segundo ela afirmou em entrevista à tevê Globo, o processo que culminou (?) no "investment grade" foi iniciado no segundo governo FHC.
 
Quem afirmou isso foi simplesmente a pessoa responsável pela geração do fato que a maioria do país comemora, mas que foi recebido com receio pela grande mídia partidarizada e pelo grupo político que ela apóia, pois temem que a obtenção de tão relevante vantagem para o Brasil, no exato momento em que sua economia vai de vento em popa, possa exterminar com as chances eleitorais da oposição ao governo Lula já a partir deste ano.
 
Mas a afirmação de Schineller é verdadeira ou não, afinal? 
 
Até certo ponto, é. Alguns detalhes de tal afirmação, porém, só poderiam ser obtidos numa entrevista correta da analista da agência S&P. E sabemos que, por definição, mesmo que a entrevista tenha sido correta, só foi divulgada a parte dela que interessa à mídia partidarizada.
 
Schineller cita controle da inflação, independência do Banco Central, o câmbio flutuante (livre) e a responsabilidade fiscal como os fatores oriundos do segundo governo FHC que contribuíram para atingirmos o grau de investimento.
 
Se foi perguntado à analista por que ela afirma que o rumo correto só foi adotado a partir do segundo governo FHC e não a partir do primeiro, isso não foi revelado ao público da Globo. Mas, se vocês quiserem, eu posso explicar por que ela só mencionou o segundo governo tucano.
 
Como sei que se vocês agüentaram me ler até aqui é porque efetivamente querem saber o que tenho a dizer sobre o assunto, explico que Schineller referiu-se apenas ao segundo mandato de FHC porque o primeiro produziu um desastre para o país, desarranjando a economia, endividando o país em dólares (dívida externa) e em reais (dívida interna) e afundando sua credibilidade.
 
A manutenção do câmbio fixo durante todo o primeiro governo FHC impediu o país de exportar e de conseguir divisas para pagar sua dívida externa e o obrigou a tomar dinheiro no setor privado interno para suprir a queda de arrecadação interna decorrente das convulsões econômicas e da alta taxa de juros que objetivava atrair capital especulativo externo para suprir aquela falta de recursos para pagar nossos compromissos externos.
 
Não se pode, porém, ignorar que a responsabilidade fiscal (a penalização em lei ao governo federal e aos estaduais e municipais que gastem além do que arrecadam), a independência do Banco Central para adotar política monetária (de juros) que bem entendesse correta à completa revelia das injunções políticas, tudo isso certamente nasceu no governo tucano e, inclusive, foi combatido pela então oposição petista, que posteriormente se converteu à inevitabilidade de tais premissas.
 
Já o câmbio flutuante, este não foi, de forma alguma, conquista de FHC, mas do PT. Quem pregava que o real precisava ser livre era o PT e não o PSDB e o PFL, pelo menos até janeiro de 1999. Até então, tucanos e pefelês, sabedores de que o câmbio fixo era um ativo eleitoral que reelegeria FHC, acusavam o PT de querer desvalorizar o real, pondo fim, dessa maneira, aos benefícios imediatos, ilusórios e fugazes que uma moeda sobrevalorizada produz. À diferença de agora, quando o real está valorizado por seu vigor e não por artifícios eleitoreiros como o de o governo manipular o valor da moeda americana.
 
Ao dizer que foi em 1999 que começou a ser trilhado o caminho que nos levaria ao grau de investimento, a analista da S&P não disse - ou não nos disseram que ela disse - que o governo tucano mudou de rota na marra na questão crucial do câmbio, e que a responsabilidade fiscal e a independência do BC foram adotadas até por imposição do FMI, de quem batemos às portas depois que o populismo cambial tucano quebrou o país para reeleger FHC.
 
Mas e quanto ao mérito do atual governo no que tange a obtenção do grau de investimento?
 
Esse mérito, a meu ver, é que foi decisivo. De fato, o governo Lula manteve a responsabilidade fiscal, a independência do BC, o câmbio flutuante e, através da política monetária, controlou a inflação, que já vinha desgovernada desde 1999 e antes de 2002, quando explodiu junto com o câmbio por conta do terrorismo promovido pelo PSDB junto à comunidade financeira internacional, ao espalhar que se Lula se elegesse iria transformar o Brasil numa Cuba e dar o calote nas dívidas externa e interna.
 
Em 2002, a inflação, que já vinha ascendendo desde 1999, porém mais lentamente, explodiu de vez graças ao dólar a 4 reais e à fuga de divisas gerada pelo terrorismo do PSDB e da Regina Duarte, que diziam ao Brasil e ao mundo terem "medo" de que um governo Lula trouxesse de volta a inflação, entre outras desgraças.
 
O mérito do governo Lula é muito maior porque ele não se ateve ao que, no início deste século, já havia se transformado em imperativo por conta do Consenso de Washington, que orientou as políticas econômicas do Terceiro Mundo (inclusive a do Brasil) nos anos 1990, obrigando os países emergentes à responsabilidade fiscal, à independência dos bancos centrais, a políticas monetárias duras e a venda de patrimônio público para reduzir o endividamento explosivo que a âncora cambial que preconizava gerou para os países que adotaram esse consenso sem questionamentos.
 
Se o Brasil não tivesse interrompido a dependência praticamente exclusiva dos EUA, da América Latina e da Europa que tinham nossas exportações, hoje estaríamos muito mal das pernas. A crise americana, muito mais grave do que as crises em países que praticavam populismo cambial nos anos 1990, teria nos colhido em cheio.
 
Se o governo Lula não tivesse adotado uma queda continuada dos juros desde 2005 até este mês, o endividamento externo e interno teria se tornado insustentável, e o governo FHC praticava uma política monetária muito mais ortodoxa, na qual, em lugar de reduzir juros, ainda que paulatinamente ele os mantinha em patamares estratosféricos. 
 
Por outro lado, as políticas sociais permitiram uma estabilidade política que nem as crises políticas desencadeadas pela oposição e pela mídia a partir de 2005 conseguiram influenciar a economia. Como a população começou a colher benefícios diretos daquelas políticas, as tentativas da oposição de convulsionar o país e desestabilizar a economia não produziram efeitos, mostrando que o Brasil havia se libertado da influência da política sobre a economia.
 
Esses são os fatos que conduziram o país ao excelente momento econômico pelo qual passa. Em economia, no entanto, não se pode ignorar que o que está bem neste momento pode ir para o buraco no minuto seguinte.
 
Feita a ressalva, seria derrotismo ignorar o fato irrefutável de que mergulhamos num intenso círculo virtuoso. Aliás, se as reservas petrolíferas que parece que temos se confirmarem, penso que até o fim desta década poderemos vir a atravessar o tão almejado portal do Primeiro Mundo.


 Escrito por Eduardo Guimarães às 11h46
[] [envie esta mensagem]



Apesar da elite podre
 
 
A primeira nota Investment Grade do país - e outras virão, mas esta foi concedida pela agência de classificação de risco Standard & Poor's - veio em bom momento não só pelas razões mais óbvias e importantes, mas também pelas subjacentes, entre as quais está a política.
 
O grau de investimento explica e justifica o resultado da última pesquisa de opinião sobre a avaliação do governo Lula e a vontade dos brasileiros de que ele continue no poder por mais tempo.
 
A nova classificação de risco do Brasil terá importantes e benfazejas conseqüências que já se pode prever, como empréstimos internacionais mais baratos e afluxo de capital estrangeiro, não para investir na ciranda financeira, como na época da taxa Selic a 45% (governos Collor e FHC), mas para investir no país, gerando empregos, renda e desenvolvimento.
 
Antigamente, qualquer crisesinha em qualquer escafundó do Judas desta bola de lama dita planeta Terra fazia explodir os juros e nos obrigava a ir de joelhos ao FMI, ao Clube de Paris e ao tesouro americano.
 
Foi assim no início de 1999, quando FHC, num dos maiores estelionatos eleitorais da história, teve que fazer aquilo que disse durante a campanha eleitoral de dois meses antes que Lula faria se fosse eleito, desvalorizar o real. Resultado: exterminou empregos às centenas de milhares e endividou o Brasil em dezenas de bilhões de dólares.
 
Naquele tempo, tínhamos que vender estatais para pagar a dívida externa, pois a manutenção do câmbio fixo por FHC, quando já se sabia que a paridade do real com o dólar era pura ficção, impedia o país de exportar e nos obrigava a ir aumentando as dívidas interna e externa. FHC quebrou o país em 1999, poucos meses depois de se reeleger prometendo o paraíso aos brasileiros.
 
A imprensa, porém, diz que o mérito do magnífico momento que vive o país é de FHC. Diz que o que se colhe hoje é resultado das catástrofes que ele produziu e que mencionei acima.
 
No justo dia em que escrevo isto, li no Partido da Imprensa Golpista (PIG) previsões sombrias para o Brasil por conta da inflação, da queda "vertiginosa" das exportações e do fim do superávit nas contas externas. Daí os chefes de quem disse isso disseram o contrário.
 
O povo não acredita na imprensa golpista. Todas as pesquisas de opinião mostram isso e é isso o que importa. Apesar da elite midiática reacionária que infecta este país, ele está avançando como nunca avançou e o máximo que essa gente pode fazer é exercer seu democrático e republicano Jus Esperneandi.


 Escrito por Eduardo Guimarães às 18h18
[] [envie esta mensagem]



O poder de informar
 
 
Aos poucos, sob os protestos inconformados dos grandes meios de comunicação, vai surgindo um fenômeno que já ameaça se equiparar ao surgimento da imprensa. Trata-se de um fenômeno criado pela internet, que pôs ao alcance de qualquer pessoa um poder historicamente reservado a poucos.
 
Vejam o caso dos blogs, por exemplo. Essas páginas pessoais começaram a ganhar atenção graças aos profissionais da comunicação. Porém, acabaram sendo usados por qualquer um independentemente de essa pessoa ter ou não ter formação jornalística, publicitária e similares. Os blogs já são lidos hoje por contingentes de consumidores de informação comparáveis aos dos grandes veículos.
 
Paulatinamente, os detentores históricos do monopólio da comunicação vão se dando conta de que a internet veio para pôr fim àquele monopólio. E, nesse processo, começam a desencadear uma campanha que visa desmoralizar o jornalismo autônomo.
 
Recentemente, quase morri de rir quando fiquei sabendo que Diogo Mainardi declarou que os blogs políticos não devem ser lidos porque não se sabe a que interesses eles servem, como se as pessoas não soubessem a quem serve quem fez tal declaração.
 
Sobre a produção jornalística autônoma, vejam o caso deste blog e de seu autor. Apesar de eu gostar de escrever e de ser um consumidor voraz de jornalismo há quase quarenta anos, minha formação e atividade profissional nada têm que ver com jornalismo.
 
Sou um comerciante, alguém que não tem a formação supostamente necessária para exercer a atividade jornalística. Ainda assim, na condição de consumidor de jornalismo e me valendo do conhecimento da natureza da demanda nunca atendida pelos profissionais da área, passei a divulgar análises e a garimpar notícias com as mesmas ferramentas que passaram a ser usadas por aqueles profissionais e, assim, criei um legítimo meio de comunicação.
 
Assim como eu, centenas de milhares de pessoas nas mesmas condições que as minhas, aqui e em todas as partes do mundo, também criaram seus blogs tratando dos mais diversos temas, que vão do humor à política, ainda que um e a outra às vezes nos pareçam tão próximos entre si.
 
Foi graças à acomodação dos profissionais da grande mídia, do jornalismo em si, que abandonaram a verdadeira reportagem, a busca in loco da notícia e passaram a trabalhar detrás de suas mesas nas redações, apelando, da mesma forma que os "amadores", para a tecnologia (telefone e internet), que os impérios de comunicação começaram a perder seu monopólio.
 
Caçar notícias pela internet e pelo telefone, como virou regra nas redações, qualquer um pode fazer. Analisar fatos políticos, por exemplo, qualquer um também pode fazer. E se quem fizer for um abservador atento e tiver domínio da linguagem escrita, vira jornalista.
 
É extraordinário um momento da história no qual o poder mais definitivo até hoje conhecido, que é o poder de influenciar as massas falando diretamente a elas, caiu nas mãos de qualquer um. A tecnologia caminha, inexoravelmente, para, cada vez mais, tirar dos poderosos o monopólio da palavra. Essa é uma realidade que, em minha opinião, ainda vai mudar o mundo - e para melhor.


 Escrito por Eduardo Guimarães às 12h14
[] [envie esta mensagem]



Pobre menino rico
 
 Atualizado às 12:41 hs. de 30 de abril de 2008
 
 
 
 
 
 
 
Quanto mais eu vivo, mais me convenço de que o chavão mais verossímil que existe é o de que dinheiro não traz felicidade. E antes que alguém venha com aquela surrada piadinha sugerindo que eu deposite todo meu dinheiro em sua conta, seria bom atentarmos para um caso que mostra que o que acabei de escrever é a mais pura verdade.
 
Vejam só esse caso envolvendo Ronaldo Luis Nazário de Lima, mais conhecido como "Ronaldo Fenômeno", e três travestis, levados todos de um motel para um distrito policial para prestarem depoimento sobre um caso deprimente por qualquer ângulo que se olhe.
 
Como se sabe, os travestis alegaram que Ronaldo os chamou para um "programa", e ele alega que chamou mulheres e não travestis.
 
Pouco importa se esse jovem de origem humilde, que já namorou mulheres lindíssimas e famosas e até se casou com elas, queria travestis ou prostitutas. O que espanta é que, junto da decadência física e técnica do ex-maior jogador de futebol do mundo e um dos atletas mais ricos da história, sobreveio a decadência moral.
 
Quando foi "descoberto", Ronaldo me pareceu um jovem cheio de sonhos, que ansiava, mais do que tudo, por estar com lindas garotas. Para mim, sempre esteve claro que tudo que ele fazia, no fim, era para realizar um sonho que sua condição humilde nunca lhe permitira nos primeiros anos da juventude, o de ter uma linda mulher ao seu lado.
 
Ronaldo eliminou os cabelos rebeldes, colocou a dentição no lugar, fez-se "bonito". Mas foi se valendo de dois atrativos "irresistíveis" que começou a aparecer ao lado de beldades e, em seguida, passou a levá-las ao altar. Que "atrativos"? Prestígio e dinheiro, claro.
 
Depois de mais de uma década de sucesso no esporte mais rico do mundo, depois de uma vida de dissipação ao lado dessas mulheres, apesar de ser capaz de conseguir a mulher que quisesse sem pagar um centavo acabou se propondo a pagar mulheres - ou travestis - para fazerem sexo consigo.
 
Fico imaginando se Ronaldo não vem se perguntando se não teria sido mais feliz se não tivesse sido bafejado pela fama e pela riqueza. Certamente jamais teria conseguido contrair casamentos desastrosos com beldades, mas talvez tivesse conseguido uma mulher que o amasse pelo que ele era.
 
Arnaldo Jabor e a natureza dos travestis
 
Por mais que eu seja contrário às posições político-ideológicas de Arnaldo Jabor, não posso deixar de lhe admirar a inteligência. Aliás, ele é de uma direita inteligente que seria muito melhor para o Brasil do que a direita energúmena representada pelos Reinaldos Azevedos, Diogos Mainardis, Clóvis Rossis etc.
 
Ressalto, antes, que não vai, neste post, nenhum juízo de valor sobre Ronaldo, isto é, se consumiu drogas e se envolveu com travestis ou com prostitutas, pois tanto faz se quem estava com ele no motel eram homens ou mulheres. O que espanta é que um jovem que tem tudo para ser feliz tenha recorrido ao que fazem os mais infelizes, que é pagar por sexo.
 
Isso faz de Ronaldo alguém pior? Claro que não. Apenas ressalto o caso porque ele expõe a incapacidade da riqueza de trazer felicidade.  
 
Leiam, abaixo, a excelente crônica de Jabor, declamada ontem à noite no Jornal da Globo:
 
"Os travestis são centauros urbanos, duas vidas num corpo só. Não confundir o travesti com a caricatura da drag-queen. O travesti tem orgulho de ser quem é. Ele não é uma decaída.
 
Ele é uma afirmação de identidade. Ele não é da área moral, ele é da área artística. Há algo de clone no travesti, pois eles nascem de dentro de si mesmos.Quem está nu ali na esquina, o homem ou a mulher nele?
 
O que oferece o travesti ao homem que o procura? A chance de ser a mulher de uma mulher. 
 
O travesti não é simples e doce, há um lado 'criminal' no travesti. Ele tem coragem de ser duplo, do terror e glória no centro da madrugada.
 
O homem que se casa com a prostituta se acha um 'benfeitor', que humilha a mulher que salvou. O travesti nunca será grato a você. Você é que terá de lhe agradecer. O travesti não dá uma boa esposa, você é que poderá virar esposa dele: "Querida, já lavei sua minissaia de oncinha".
 
O travesti tem algo de caubói, corajoso como um John Wayne de biquíni 'fio dental'. Você passa no carro e o vê, uma Marilyn de botas no meio dos faróis e lá se vai o pai de família perdido de loucura. O travesti nos fascina porque assume a verdade de sua mentira."
 
Comentário de leitora, resposta do blogueiro
 
(...) Dinheiro não traz felicidade? Traz, não, manda buscar. Ronaldo é infeliz? Sei não, rolo com pessoas não é privilégio dele, outros famosos passaram semelhante constrangimento e não me consta que sejam infelizes. O fato de ele pagar para uma pessoa, pra mim é claro: antes assim que sair com uma maria-chuteira, que, no dia seguinte, já estará grávida, com certeza, garantindo seu ganha pão pro resto da vida. Eu não ligo a mínima pra celebridades, muito menos futebolisticas. Odeio futebol.
Isabel | SP | Designer |  30/04/2008 11:31

Resposta:

Isabel, você já notou que essas "felizes" celebridades não conseguem manter casamentos por mais de um ou dois anos, no máximo? Aliás, a regra é durarem meses... E quantos se afundam em drogas? E quantos acabam até se matando? Claro que dinheiro para o essencial para uma vida digna é condição sine qua non para uma pessoa ser feliz. Eu me referi ao excesso de dinheiro. A busca por usar tão cobiçado bem para ser feliz acaba levando quem a empreende a perceber que, depois de comprar o básico, tudo mais que o dinheiro compra é supérfluo. O dinheiro não compra amor, compra sexo; o dinheiro compra remédio, mas não compra saúde; o dinheiro compra a cama, mas não compra o sono... E por aí vai


 Escrito por Eduardo Guimarães às 23h10
[] [envie esta mensagem]



De novo o 3º mandato
 
 
 
O assunto terceiro mandato de Lula, devido à pesquisa CNT/Sensus, volta à baila. Revigorado.
 
Eu não entendia, e continuo não entendendo, a razão pela qual até o maior beneficiário de uma eventual mudança na legislação eleitoral acha que essa mudança  constituiria um "atentado à democracia", mas não posso deixar de considerar que um país que pretende civilizar-se em nível mais profundo não pode depender de um único homem.
 
Recentemente, perguntei aos meus leitores sobre o terceiro mandato de Lula e cerca de uma centena deles me respondeu. A maioria se disse favorável à re-reeleição do atual presidente.
 
Não posso negar que tanto essa maioria quanto eu mesmo defendemos que Lula possa se submeter uma terceira vez ao escrutínio da vontade popular por estarmos tomados pela indignação com a postura da mídia e da oposição de manterem sob ataque permanente qualquer possível candidato que ameace o projeto de José Serra de se eleger presidente em 2010.
 
A paixão é má conselheira, reconheço. E, resignado, sou obrigado a reconhecer que, vez por outra, permito que ela me domine. Porém, com a alma lavada, passada, dobrada e engavetada pela última pesquisa de opinião sobre a popularidade de Lula e sobre como a maioria da população encararia um terceiro mandato dele, sinto-me em condições de voltar ao assunto a salvo da paixão.
 
Um dos motivos pelo qual uma parte dos contrários ao terceiro mandato se posicionou assim, segundo declarou, foi pesquisa Datafolha divulgada em 2 de dezembro do ano passado. Essa pesquisa dizia que 65% dos pesquisados seriam contrários a que Lula se candidatasse a permanecer mais quatro anos no cargo a partir de 2010. O temor dessas pessoas, segundo constatei, era o de que o presidente sofresse desgaste junto ao eleitorado ao agir como FHC, que se empenhou em mudar a Constituição em benefício próprio.
 
Analisando friamente a questão, e agora amparado por fatos e não por suposições, dou-me conta de que o brasileiro não vê qualquer ameaça à democracia em manter no poder governantes com os quais esteja satisfeito. FHC fez, em 1998, exatamente o que seu partido diz hoje que seria "golpismo", e a população o reelegeu alegremente. E no primeiro turno. A pesquisa CNT/Sensus só fez confirmar, portanto, que a probabilidade de prejuízo à imagem de Lula, no caso de ele aceitar se recandidatar, é pequena.
 
Em razão da vida dura que leva o povo brasileiro e da baixa qualidade de seus políticos, este povo tende a querer manter governantes que estejam obtendo sucesso ou nos quais põe suas esperanças. Foi por isso que a maioria dos paulistas aceitou o rompimento da promessa de José Serra de permanecer no cargo de prefeito de São Paulo até o fim de seu mandato, pois achava que ele faria mais por eles num posto mais alto da administração pública, e às favas com a ética.
 
Aliás, sobre a ética da palavra empenhada, a violação da própria palavra de Serra foi muito mais grave do que seria se Lula disputasse o terceiro mandato. O tucano chegou a registrar em cartório o compromisso de permanecer à frente da prefeitura paulistana e não hesitou em jogar esse compromisso no lixo com amplo apoio da mídia, agora cheia de pruridos sobre a re-reeleição de Lula.
 
Essa questão ética sobre um governante mudar as regras do jogo com este em andamento - e em benefício próprio -, não faz sentido se for só para o PT. Se os inimigos do terceiro mandato de Lula não viram problemas no que fizeram FHC e Serra, não têm agora a menor moral para apontar o dedo para Lula se ele fizer o mesmo. E, em política, não dá para dar uma de bom samaritano quando se lida com matilhas de lobos.
 
A questão de fundo, é a seguinte: será que o candidato à sucessão de Lula que for ungido por ele resistirá ao cerco da mídia em 2010? Mesmo com o apoio do presidente, se esse candidato não tiver um forte carisma o povo pode ser convencido de que Serra dará continuidade à obra do petista. Não vejo esse carisma nem em Dilma, nem em Ciro e muito menos em Patrus Ananias.
 
Alguns dirão que, então, seria a vontade popular que prevaleceria e, portanto, seria democrático e legítimo que o tucano se elegesse presidente. Eu digo que ele se eleger com auxílio de uma campanha imoral e mentirosa da mídia, que já se faz anunciar com os ataques descarados a Dilma Rousseff e a Ciro Gomes (através do irmão dele), seria muito mais danoso à democracia do que deixar que o povo decida, em plebiscito, se quer que Lula possa se recandidatar.
 
Aliás, acho que um plebiscito seria a única forma aceitável e incontestável para se mudar a Constituição para que Lula pudesse disputar um terceiro mandato.
 
No mundo ideal, Lula governaria até 2010 e, numa campanha eleitoral limpa, apoiaria o candidato que achasse melhor para continuar sua obra e a oposição apresentaria uma proposta alternativa para o país. A mídia, por sua vez, atuaria como magistrada do processo, tratando de tornar as propostas das duas vertentes políticas o mais inteligíveis que pudesse.
 
Infelizmente, isso não acontecerá. Daqui até o "fechamento" das urnas eletrônicas em 2010, teremos um processo desonesto, com impérios de comunicação distorcendo fatos e tentando enganar o eleitor, como vêm fazendo há décadas. O país vive, pois, uma situação de anormalidade democrática. E, como se sabe, problemas excepcionais requerem soluções excepcionais.


 Escrito por Eduardo Guimarães às 10h57
[] [envie esta mensagem]



JN omite CNT/Sensus

 

 

Imagino que ninguém, em seu juízo perfeito, discordará da premissa de que jornalismo existe para informar. Portanto, você, leitor, seja de que ideologia for, tenha a opinião política que tiver, certamente me apoiará na afirmativa de que não cabe a qualquer meio de comunicação escolher o que seu público deve ou não saber.
 
Se você que me lê, independentemente de concordar comigo, discordar de mim ou não ter opinião formada apóia a premissa que escrevi no parágrafo anterior,  seguramente concordará se eu disser que é uma aberração que a edição do Jornal Nacional do primeiro dia desta semana tenha omitido uma notícia que esteve o dia inteiro em destaque em todos os portais de internet - inclusive no G1, da Globo - e em todos os outros telejornais da noite.
 
A notícia à qual me refiro, como você já deve ter percebido, é a de que a pesquisa de opinião CNT/Sensus detectou que a aprovação popular ao governo Lula e ao titular desse governo acaba de bater novo recorde, e de que a maioria dos brasileiros apóia um terceiro mandato para o presidente da República.
 
O responsável por essa "belezinha" de jornalismo tem nome: Ali Kamel. Ao menos é assim que esse indivíduo aparece nos créditos que voam pela telinha ao fim de cada edição do Jornal Nacional.
 
A decisão de um órgão de imprensa de privar seu público de tão importante informação só porque um de seus manda-chuvas não gosta dela, caro leitor concordante, discordante ou indeciso, parece ter alguma lógica para você?
 
Para mim não tem. Qualquer um que tenha acesso à internet ou que conheça alguém que tem acesso à internet ou que assistiu a algum telejornal na noite da sonegação informativa do JN ficou sabendo não só o que o telejornal omitiu, mas também de sua omissão.
 
Do lado de fora dos círculos de apoiadores ou detratores convictos do governo Lula, as pessoas têm mentes mais aptas a julgar fatos políticos com isenção, pois não são apaixonadas por nenhum dos lados. O que será, então, que esse tipo de cidadão achou de Ali Kamel surrupiar-lhe a informação?
 
Mas se fosse só isso, não seria nada. O ensandecido Ali Kamel achou também que seria uma boa oportunidade para reafirmar que o jornalismo da Globo continuará tentando desmoralizar supostos candidatos à sucessão de Lula que, na visão desse maluco - e de outros como ele -, ameaçam o projeto de José Serra de se eleger presidente em 2010 e, assim, mandou suas marionetes atacarem o irmão de Ciro Gomes e, claro, a mesma Dilma Rousseff que a CNT/Sensus mostrou que, ao invés de "encolher", cresceu.
 
E depois Globo, Folha, Veja e Estadão não entendem por que perderam o poder que tinham de influenciar politicamente a sociedade.


 Escrito por Eduardo Guimarães às 22h48
[] [envie esta mensagem]



 O preço da credibilidade 
 
 Atualizado às 17:59 hs. de 28 de abril de 2008
 
 
 
 

Foi divulgada hoje mais uma pesquisa de opinião mostrando outro aumento da popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Trata-se da série histórica de pesquisas afins que a Confederação Nacional dos Transportes encomenda periodicamente ao instituto Sensus há anos.

À esta altura, quem se informa pela internet já conhece os números e tomou conhecimento das opiniões tanto de que a espantosa aprovação de Lula se deve ao bom governo que está fazendo quanto de que o povo é manipulado pelo presidente da República para pensar que seu governo é bom.

Sobre a segunda teoria, o diretor da CNT, Clésio Andrade, deu a seguinte declaração:

"O bom desempenho do governo Lula pode ser atribuído ao crescimento da economia, geração de empregos e programas sociais implantados pela Presidência da República. [Mas] há também a boa movimentação do presidente, seu discurso popular com a divulgação do PAC. O presidente consegue capitalizar bem suas políticas. Dá a sensação de um governo eficiente (...) Também consegue realizar uma movimentação política positiva em termos da divulgação de suas ações. O seu marketing é bem trabalhado".

A afirmação do diretor da CNT cai como uma luva para os donos de grandes meios de comunicação, pois eles pensam exatamente como Clésio Andrade. Mas a questão é: eles acreditam no que dizem?

Eu gostaria muito de receber comentários de quem pensa como Andrade, como os Frias, como os Mesquita, como os Marinho ou como os Civita, todos congêneres opinativos do diretor da CNT. Gostaria de conversar com quem tenha como defender a teoria de que Lula engana a maioria absoluta de brasileiros de todas as classes sociais, fazendo-os pensar que seu governo é bom quando, na verdade, é um governo ruim e que o pouco que consegue se deve a que funciona no "piloto automático", ou seja, na rota traçada pela oposição tucano-pefelista quando ela estava no poder.

Aliás, quem defende essa teoria perdeu recentemente um de seus principais argumentos, o de que o governo detém tal aprovação graças aos menos instruídos e informados, beneficiários do Bolsa Família. E isso porque todas as pesquisas vêm mostrando que até entre os mais ricos e escolarizados a aprovação ao governo Lula e ao seu titular, além de majoritária, vem aumentando, ou seja, o público da grande imprensa a vem ignorando cada vez mais, ao passo que ela, cada vez mais, vem aumentando seus ataques ao governo Lula. Mas ao menos, diante dos fatos, teve que parar com aquela história de que Lula comprava sua aprovação com o Bolsa Família.

Mas a pesquisa também traz um outro dado, espantoso: a aprovação majoritária de 50,4% da população brasileira a um terceiro mandato para Lula. Esse dado conflita com afirmação de pesquisa Datafolha publicada em 2 de dezembro de 2007 na primeira página do Jornal Folha de São Paulo, de que 65% do eleitorado rejeitava um terceiro mandato para o presidente.
 
Mas me digam: como é possível que, dos exíguos 31% que o Datafolha disse que apoiavam a re-reeleição de Lula, em quatro meses tenham aumentado tanto de número, para mais da metade do eleitorado? O que foi que aconteceu nesses 147 dias que fez tanta gente mudar de opinião? Aliás, por que, apesar de a grande imprensa vir fazendo intensa campanha contra o terceiro mandato, brasileiros de todas as classes sociais caminharam no sentido oposto? E, por último, será que era verdade da Folha que 65% não queriam o terceiro mandato?

Outra "curiosidade" sobre a pesquisa CNT/Sensus diz respeito a Dilma Rousseff. Como vocês sabem, Folhas, Vejas, Globos, Estadões vinham dizendo que a candidatura Dilma à Presidência em 2010 - candidatura essa que, a propósito, nunca existiu - estaria "morta" devido ao caso do fantasioso "dossiê" que esses veículos e a oposição tucano-pefelista disseram que foi feito pela ministra-chefe da Casa Civil. Porém, como vocês constatarão no gráfico abaixo, ao menos segundo o instituto Sensus a candidatura Dilma, em vez de ter "morrido", cresceu, e à revelia dos ataques que recebeu dos meios de comunicação supra mencionados.
 
Estes, abaixo, são os dois cenários mais prováveis para a eleição presidencial de 2010. Comparem a evolução do nome de Dilma de 16 de fevereiro, na penúltima pesquisa CNT/Sensus, para agora.
 
Cenário 1
 
Candidato a           Intenção de voto em      Intenção de voto em
presidente              16 de fevereiro                25 de abril
 
José Serra                 38,2                              36,4
Ciro Gomes             18,5                               16,9
Heloísa Helena        12,8                               11,7
Dilma Rousseff         4,5                                 6,2

Cenário 2
 
Candidato a           Intenção de voto em      Intenção de voto em
presidente              16 de fevereiro                25 de abril

Ciro Gomes             25,8                               23,5 
Heloísa Helena        19,1                               17,5
Aécio Neves            16,6                               16,4
Dilma Rousseff          5,4                                7,0
 
Notem que a única candidatura que cresceu, nos dois cenários mais prováveis sondados pelo instituto Sensus, é aquela que a mídia disse que tinha "encolhido" ou "morrido".

Os fatos, e não eu, também parecem contrariar declaração recente do novo ombudsman da Folha. Ele disse, já por duas vezes no jornal, que a imprensa perdeu influência, mas não perdeu credibilidade. E usou como exemplo de que isso pode ocorrer a hipótese de que os católicos crêem na Igreja Católica, mas não se deixam influenciar por ela.
 
Como assim? Os católicos de verdade deixam-se influenciar, sim, pela igreja a que pertencem. Quem não se deixa influenciar por seus dogmas são os católicos de nascimento, que, como boa parte dos brasileiros, foram criados de acordo com essa religião por escolha de seus pais e não por decisão própria, mas que se mantêm nela meio que compulsoriamente.
 
Credibilidade é o pressuposto da influência. Uma não existe sem a outra. Uma afirmação dessas, portanto, revela uma tentativa ridícula de engabelar, não pessoas sem cultura, desinformadas e paupérrimas, mas pessoas, geralmente, com bastante cultura e instrução, que constituem o público ao qual se dirige a imprensa escrita, onde trabalha o ombudsman da Folha. A declaração dele, portanto, constitui um suicídio da credibilidade do jornal.
 
Minha dúvida sobre por que a grande mídia avilta dessa maneira a própria credibilidade é antiga e já a manifestei reiteradas vezes. Em troca de quê essas empresas jornalísticas hipotecam o bem maior de um meio de comunicação? Que acordo a imprensa fez com o PSDB e com o PFL para atirar sua credibilidade no lixo ao tentar beneficiá-los de forma tão grosseira, tão pouco inteligente? Qual é o preço da credibilidade da mídia?
 
 
"Favoritismo" de Serra
 
Um outro ponto relevante a abordar é maior intenção de votos do governador José Serra diante de possíveis adversários na disputa presidencial de 2010. Amanhã os jornais darão grande destaque a esse dado. Como mostra o gráfico logo acima, o tucano tem grande dianteira estatística sobre seus possíveis adversários.
 
A imbecilidade de se dar muita importância a esse dado é tamanha que, para a divulgação destacada dessa notícia deixar de ser imbecilidade, teria que ser feita pela mídia dentro do contexto que provoca esses números.
 
Serra é governador do Estado mais importante (ao menos economicamente) da Federação. A mídia o retrata sempre de forma positiva e o poupa de críticas. Seus prováveis adversários, no entanto, estão fora dos holofotes, ao menos de forma positiva como ele aparece.
 
Ciro, o que tem maior "recall" (lembrança do eleitorado por ter participado de eleição importante), aparece um pouco mais bem colocado por ter sido candidato a presidente, mas isso faz muito tempo.
 
Heloísa Helena e Aécio Neves têm forte recall devido à eleição de 2006, na qual uma disputou a Presidência e o outro, o governo de Minas. Mas Aécio, por ser um moderado, por não atacar com virulência a Lula e ao PT, é visto com desconfiança pelo eleitorado de direita. E Heloisa Helena, bem, Heloisa Helena é Heloisa Helena.
 
Já Dilma é uma ilustre desconhecida. E a notoriedade recente que ganhou deveu-se a noticiário extremamente negativo, que a pintou como criminosa.
 
Vejam que se Dilma teve aumento de popularidade sofrendo ataques, o que não aconteceria se Lula fosse à tevê declarar que só ela poderá dar continuidade à sua obra?
 
A mídia acha que é preciso bater em Dilma, porque, mesmo ela tendo crescido, se não batesse ela poderia ter crescido mais. Esse é um erro da mídia que mostra que ela talvez acredite mesmo que ainda tem credibilidade.
 
Vamos entender o seguinte: essa legião de brasileiros que apóia Lula, o faz à revelia da mídia. Não acredita nela. Se não acredita nela, acha que ela mente. Se acha que ela mente, quando ela fala mal de Dilma os quase 70% que aprovam Lula pessoalmente tendem a simpatizar com a ministra.
 
O "favoritismo" de Serra a tanto tempo da eleição e contra adversários em franca desvantagem não revela nada. É apenas marketing da mídia em benefício dele. E um remédio para a azia da direita diante da estrondosa popularidade de Lula e de sua previsível capacidade de transferir essa popularidade para o candidato que escolher.
 
 
Terceiro mandato
 
Posso garantir uma coisa a vocês, leitores: a tentação de um terceiro mandato para Lula começa a se tornar insuportável. Se o PIG não começar a se comportar, se não parar de atacar Dilma Rousseff e Ciro Gomes "preventivamente", ou qualquer outro que ameace Serra, ajudará a criar as condições para um plebiscito sobre o terceiro mandato.
 
 
 Os sem-candidato
 
A pesquisa do Sensus também revela um outro dado bem interessante e que deveria conter a euforia depressiva da mídia diante da dianteira de Serra na sondagem da inclinação do eleitorado relativa ao próximo presidente da República: um terço desse eleitorado não tem candidato, e o eleitorado de Dilma e de Ciro certamente estaria unido num segundo turno. Assim, essa massa humana toda pode estar simplesmente esperando a indicação de Lula para escolher seu candidato à Presidência em 2010, se esse candidato não for o próprio Lula, claro.


 Escrito por Eduardo Guimarães às 14h57
[] [envie esta mensagem]



MPF redistribui Representação

do Movimento dos Sem Mídia

 
 
 
 
 
 
Tenho novidades sobre a Representação que a ONG Movimento dos Sem Mídia entregou, por meu intermédio, em 17 de março deste ano, ao Ministério Público Federal do Estado de São Paulo.
 
Para quem não sabe, a ONG que presido representou ao MPF contra vários meios de comunicação que, no seu entender, cometeram crime de alarma social em janeiro deste ano, quando divulgaram - ou fizeram a sociedade entender - que haveria uma epidemia de febre amarela urbana no país.
 
Como resultado desse alarmismo, milhões de brasileiros vacinaram-se contra a febre amarela sem necessidade, o que gerou:
 
A - Esgotamento dos estoques de vacina e falta da mesma para aqueles que realmente precisavam se vacinar
 
B - Interrupção das exportações da vacina, da qual o Brasil é o maior produtor mundial.
 
C - Prejuízos irreparáveis à atividade turística no país, geralmente mais intensa em regiões em que não havia risco de contrair febre amarela por estarem fora da área de risco.
 
D - Despêndio de dinheiro público inutilmente, com aplicação desnecessária de milhões de doses de vacina que custam cerca de R$ 0,90 cada.
 
E - Adoecimento e/ou internação hospitalar de dezenas de pessoas, sendo que, no auge da crise, os casos de adoecimento por superdosagem de vacina ou reação adversa a ela já superavam os casos de febre amarela.
 
F - Morte de ao menos uma pessoa que se vacinou sem necessidade e que tinha organismo incompatível com o medicamento
 
A reclamação do MSM ao Ministério Público Federal concentra-se sobretudo no fato de que os meios de comunicação citados em sua Representação (Organizações Globo, Grupo Folha, Grupo Estado, Editora Abril, Jornal do Brasil, Revista IstoÉ e Correio Brasiliense), ao mesmo tempo em que chegavam a recomendar vacinação em massa e exageravam na gravidade do recrudescimento de casos de febre amarela, não avisaram as pessoas dos riscos de superdosagem da vacina ou de suas reações adversas até que adoecimentos graves por reação adversa ao medicamento começassem a ocorrer.
 
No dia 1º de abril anunciei recebimento de correspondência  do Ministério Público Federal informando de que tinha sido instaurada investigação relativa à Representação do MSM e que seria conduzida pelo procurador da República dr. Adilson Paulo Prudente do Amaral Filho, do 5º Ofício - Banca I. Na última sexta-feira, porém, tive reunião com o advogado do Movimento dos Sem Mídia para saber de andamento que teve o processo e receber fotocópia desse andamento.
 
O que aconteceu foi que o processo tinha sido entregue a um procurador do quinto ofício, que cuida de desvio de dinheiro público na área da saúde e, por isso, foi redistribuido para o quarto ofício, aos cuidados de uma procuradora chamada Eugênia Augusta Gonzaga Fávero.
 
Há que destacar a bela interpretação que o procurador do quinto ofício fez da Representação do MSM e que o processo foi remetido a uma instância que cuida de eventuais abusos da mídia. E também um fato que me foi relatado pelo advogado dos sem-mídia: o analista que o acompanhou durante a confecção de cópias do andamento do processo, disse que havia muito tempo que não via uma representação tão bem fundamentada.  
 
Reproduzo abaixo, finalmente, a fotocópia do andamento que teve a Representação do MSM ao MPF. Leiam e tirem suas conclusões.
 
 
 
 
 
 


 Escrito por Eduardo Guimarães às 19h32
[] [envie esta mensagem]