Política na novela

 

 

Globo volta a citar ‘dossiê’

na novela das oito

 

 

 

 

 

Finalmente dei conta de uma tarefa ingrata com a qual havia me comprometido, levado por minha renitente teimosia: resolvi dar uma espiada na nova novela das oito da Globo, A Favorita, do novelista João Emanuel Carneiro.

 

 

João Emanuel Carneiro

 

Minha curiosidade deveu-se ao fato de que a novela anterior da Globo, naquele horário, gerou polêmica ao veicular ataques políticos do PSDB e dos meios de comunicação seus aliados (entre os quais figura a Globo) contra o governo Lula.

 

Aliás, quem quiser saber com mais detalhes o que foi a novela Duas Caras, de Aguinaldo Silva, em termos de tentativa de doutrinação política do público, o Azenha postou um artigo muito interessante sobre o assunto em seu site.

 

Voltando à pena que me impus, de assistir a pretensa lavanderia cerebral da Globo funcionar em sua versão novelesca, alguns diriam que tive sorte e outros, que tive azar.

 

O que aconteceu foi o seguinte: a novela anterior foi permeada, de ponta a ponta, por acusações do PSDB ao governo Lula. Uma dessas acusações foi a de que o governo mandou fazer um “dossiê” contra o ex-presidente tucano Fernando Henrique Cardoso.

 

Em Duas Caras, em algum momento alguém faz um desses “dossiês” contra alguém e o entrega a um delegado, que fala das péssimas intenções de quem faz os tais “dossiês”.

 

Bem, mudaram o autor e o título da obra “ficcional”, mas o “dossiê” continua em pauta.

 

Antes de contar onde foi que a Globo mandou o novo autor da nova novela pôr o velho dossiê – porque dizer que apareceu por coincidência, parece-me demais –, conheçam os personagens da cena em que o cavalo de batalha da oposição reapareceu.

 

 

 

 

 

 

E agora, eis a cena:

 

Romildo Rosa, o político negro e corrupto, faz um comício para seu filho, Diduzinho, que será candidato a prefeito nas eleições deste ano. Mas como o filho é um imprestável, vai bêbado ao comício e dá vexame. O herói da trama, o jornalista Zé Bob, que persegue o corrupto Romildo a fim de desmascará-lo, começa a fotografar o vexame. Colérico, o corrupto manda seus capangas fazerem sabem o quê contra o mocinho? Não adivinham? Tcharaaam: um “dossiê”, gente, é claaaro!

 

ENDEREÇO DA POSTAGEM

http://edu.guim.blog.uol.com.br/arch2008-06-15_2008-06-21.html#2008_06-21_00_38_55-3429108-0 



 Escrito por Eduardo Guimarães às 23h38
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Alta da inflação

A volta dos que não foram

 

 

 

A garotada costumava brincar com essa frase quando eu ainda era imberbe, e isso quer dizer que faz muito – muito! – tempo. Era um tipo de pegadinha, quando surgiu.

 

Lembrei-me disso assistindo ao recente programa político-humorístico do PSDB. Mais especificamente, quando uma bela entrevistadora, com os olhos faiscantes de admiração – como será que ela fez aquilo? –, adiantava a bola para José Serra chutar, dizendo que estamos sob risco de “volta da inflação”.

 

Que volta? Desde quando deixamos de ter inflação no Brasil? Mesmo depois que Fernando Henrique Cardoso, alinhado às elucubrações de Ronald Reagan e Margareth Tatcher, em 1994, implementou, na condição de ministro da Fazenda de Itamar Franco, o Plano Real,  a inflação continuou.

 

A partir da implantação, pela terceira ou quarta vez na América Latina, do modelo preconizado pelo Consenso de Washington, que previa âncora cambial e privatizações desabridas, os salários deixaram de ser reajustados sob a argumentação ridícula de que não havia mais inflação no Brasil. Só anos depois voltaram a ser corrigidos. A perda de poder aquisitivo, naquele processo, foi enorme.

 

E se FHC tivesse acabado mesmo com a inflação – e, se tivesse acabado, não teria sido ele a acabar, mas um receituário vindo de fora do país – você estaria pagando hoje pelo preço do chuchu, por exemplo, o mesmo que este custava em 1994.

 

Você não se lembra do preço do chuchu em 1994... Ok, eu também não. Mas você consegue se lembrar de quanto pagava de telefone ou pelo plano de saúde? Ou de quanto gastava no supermercado?

 

Tenho alguns dados sobre isso: em 1994, com 300 reais eu saía do supermercado com dois carrinhos abarrotados. O plano de saúde “top de linha” para a família (eu, minha mulher e três filhos) custava o mesmo que a compra de supermercado. E a conta de telefone, se não fizesse interurbanos era absolutamente desprezível.

 

E tem também a conta de luz e o preço da tapioca...

 

Será que a inflação terá “voltado”, como quer Serra, se a taxa deste ano ficar em 5,5 ou 6,5 por cento? Procurem saber a inflação de 1999, ano em que FHC quebrou o Brasil desvalorizando o real pela metade depois de passar 1998 inteiro dizendo que se Lula vencesse a eleição daquele ano ele é que desvalorizaria o real.

 

A inflação aumentou? Aumentou. E os aumentos nos alimentos não foram só de 5%, mas não é uma alta generalizada pela economia, ela ocorre com força mesmo é nos alimentos, seguindo uma tendência mundial. E ocorre num quadro em que as pessoas passaram a ter mais dinheiro no bolso.

 

Mas o programa do PSDB foi humorístico. Cuida-te “Casseta & Planeta”. Serra disse na tevê o mesmo que dizem Globos, Vejas, Folhas e assemelhados. E o mesmo que dizem FHC e séquito, que tudo de bom que está acontecendo no Brasil, sobretudo na economia, é mérito do ex-presidente, e que tudo de ruim é demérito do atual. Além, é claro, de que a inflação “está voltando”.

 

Eles “descobriram” que inflação em alta coincide com queda de popularidade de governantes. Os jornais do PIG andaram noticiando isso. Esqueceram uma pequena variável: essa estatística não combina com renda em alta, salários subindo e desemprego caindo. Eles estão olhando só para os períodos que se convencionou chamar de “estagflacionários”, nos quais mesclavam-se inflação alta e economia recessiva.

 

Bem, deixemos que eles fiquem eufóricos. De novo. Daqui a pouco voltarão a acabar com os estoques de Lexotan das farmácias. Sobretudo das paulistas. Mais especificamente as do bairro paulistano de Higienópolis.

 

ENDEREÇO DA POSTAGEM

http://edu.guim.blog.uol.com.br/arch2008-06-15_2008-06-21.html#2008_06-20_00_21_57-3429108-0



 Escrito por Eduardo Guimarães às 23h21
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Caso Alstom

Alstom usou intermediário
brasileiro para corromper
políticos paulistas, afirma
Wall Street Journal
 
 


Já que o Pig esconde as notícias sobre o caso Alstom, o jeito é apelar para a imprensa estrangeira, onde o escândalo continua sendo noticiado. Daqui a um mês você lerá a n
otícia abaixo na imprensa paulista.

 

De David Altaner, no Wall Street Journal

 
Junho 19 (Bloomberg) - A promotoria européia que investiga um possível suborno da Alstom SA está focada em um intermediário que pode ter pago políticos brasileiros em troca de contratos públicos, segundo o Wall Street Journal publicou, citando d
ocumentos do caso.

  
Entre 1998 e 2003, a Alstom usou um homem chamado Claudio Mendes para intermediar os subornos suspeitos, disse o jornal, citando investigadores europeus. Mendes não deve ser o nome verdadeiro do intermediário, segundo o jornal.

 
A Alstom deverá ser severamente multada e/ou proibida de fechar contratos públicos c
om países como o Brasil, se a empresa for condenada.

 
Um advogado da Alstom disse que a empresa está cooperando inteiramente com a
Justiça européia, segundo o WSJ.

 
No Brasil, promotores investigam alguns dos 139 contratos que a Alstom assinou com
o governo do Estado de São Paulo, no valor de 4.6 bilhões de dólares.

 

ENDEREÇO DA POSTAGEM

 



 Escrito por Eduardo Guimarães às 10h51
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Representação Febre Amarela

Irá a Justiça ‘amarelar’ no

caso da febre amarela?

 

 

 

 

 

Dois de meus interlocutores mais confiáveis deram-me suas opiniões altamente abalizadas sobre a representação que o Movimento dos Sem Mídia fez no Ministério Público Federal contra o grupo Folha, contra o grupo Estado, contra as Organizações Globo, contra o grupo Abril, contra a revista Isto É, contra o Jornal do Brasil e contra o Correio Brasiliense, dizendo que esses meios provocaram alarme social em janeiro deste ano ao noticiarem uma epidemia inexistente de febre amarela, o que redundou em dezenas de adoecimentos e em ao menos uma morte.

 

Fiquei perturbado pelo que ouvi de duas pessoas que sabem o que dizem e às quais não cito os nomes porque não lhes tenho autorização para reproduzir uma tese que, a meu ver, é bastante polêmica. A tese é a de que a representação em tela terminará... em nada.

 

Como vocês sabem – e, para quem não sabe, basta clicar AQUI para saber -, o MPF requisitou ao Ministério da Saúde dados sobre a febre amarela nos últimos 20 anos e estudo sobre o que noticiou a mídia nesse tempo todo, nos surtos esparsos de febre amarela que acometem o país a cada sete anos. E também notificou aos meios representados que a investigação foi aberta, além de convidá-los a se manifestar sobre o assunto, se quiserem.

 

Segundo meus interlocutores, o Ministério da Saúde irá amarelar e não dará os dados ao MPF como deveria, de forma a mostrar que a tese que o MSM apresentou é válida. E esse mesmo MPF, por sua vez, deixará o dito pelo não dito, pois seria impensável, num país como este, as instituições da República comprarem uma briga dessas com tubarões do porte dos supra mencionados.

 

Apesar de a história e a prática darem razão aos meus interlocutores secretos, continuo querendo crer que o país está mudando, sim. Que é possível um cidadão, num determinado dia, “surtar” de indignação, criar uma ONG e, através desse instrumento jurídico, atuar em defesa do interesse público contra impérios poderosíssimos.

 

O que me dá esperança é a seriedade da queixa proposta ao MPF. Desafio qualquer pessoa a levantar o mais tênue indício de que o que me moveu, ao propor a representação em pauta, foi qualquer tipo de interesse político ou corporativo.

 

Tenho 48 anos. Nunca, desde que me conheço por gente, tive relações de amizade ou de qualquer outra natureza com políticos vivos ou mortos. Não tenho ligações com corporações, com grupos de interesse. Meu objetivo, ao propor a representação, foi o de defender a sociedade de um abuso claro, flagrante, que causou danos da maior gravidade à Saúde Pública e até aos cofres públicos.

 

Diante de vocês está sendo escrita a história deste país e estará sendo mensurado o estágio civilizatório em que se encontra esse país. Se, no Brasil, já for possível reagir contra abusos dessa monta, praticados por poderes tão descomunais como o dos impérios de comunicação citados, poderemos ter certeza de que alguma coisa está mudando por aqui, e mudando muito.

 

Façam suas apostas.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 22h09
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Azenha na Cultura

Azenha na Cultura

 

 

 

 

 

Luiz Carlos Azenha é um jornalista diferenciado numa época em que jornalistas, cada vez mais, para trabalhar têm que vestir um modelito reacionário ao gosto dos patrões conservadores.

 

Antes de tudo, Azenha continua sendo um repórter. Aquele que vai a campo, às vezes arrisca a própria integridade física, viajando pelo mundo em lugares “aprazíveis” como Iraque ou Serra Leoa.

 

Fiquei amigo desse homem, desse ser humano, desse profissional. Mesmo que não o conhecesse, porém, eu estaria aqui divulgando o trabalho dele, porque é muito bom. Aliás, é possível que seja o melhor atualmente.

 

Por isso você não pode perder o documentário que o Azenha veio dos Estados Unidos para fazer para a TV Cultura. É sobre a questão da disputa na reserva indígena Raposa / Serra do Sol.

 

O documentário será apresentado pela TV Cultura no próximo dia 23 às 20:30 hs. Quando estiver mais próximo do dia, volto a avisar vocês, para que não percam.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 11h14
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Lucia Hippolito na CBN

Morte de um paradigma

 

 

 

Até para o cidadão sem convicções políticas e ideológicas arraigadas não faz sentido o polêmico comentário da festejada (pela mídia) Lucia Hippolito na rádio CBN, sobre o “mal” que Lula teria feito ao país ao se eleger presidente da República sem ter ocupado antes outro cargo no Poder Executivo.

 

Suponho que, à esta altura, a grande maioria dos que lêem este blog já tomou conhecimento de que a comentarista política comparou o técnico da Seleção brasileira de futebol, Dunga, com o presidente Lula. Por via das dúvidas, no entanto, esclareço que ela debitou as últimas derrotas da Seleção à inexperiência do técnico, que nunca tinha exercido o cargo antes, e insinuou que o governo do país está sendo um fracasso porque o presidente, como Dunga, não tinha experiência administrativa quando se elegeu para o cargo que ocupa.

 

Por que digo que, para qualquer pessoa que analise o comentário dessa senhora pelo seu conteúdo e não pelas próprias convicções políticas e ideológicas, esse comentário não faz sentido? Ora, porque, que se saiba, o Brasil não foi derrotado como a Seleção. Pelo contrário, o país está vencendo. Nem vou perder o meu e o vosso tempo justificando esta afirmação. Qualquer um que diga que o país piorou sob Lula vive no mundo da Lua, e argumentar com quem se encontra nessa situação mental é pura perda de tempo.

 

A teoria de Hippolito, analisada pelo seu conteúdo literal, é a de que Lula fez “mal” ao país ao mostrar que alguém sem experiência administrativa pode chegar a presidente. Quem concorda com essa afirmação deveria se lembrar de que Fernando Henrique Cardoso tampouco tinha ocupado algum cargo no Poder Executivo antes de se eleger presidente. Será que a comentarista acha que FHC fez mal ao país também? Claro que não, ela trata a chegada de Lula à Presidência como se ele fosse o primeiro presidente a chegar ao poder sem ter sido antes prefeito ou governador.

 

Por que Hippolito não disse que Lula e FHC fizeram mal ao país por terem chegado à Presidência “sem experiência administrativa”, mencionando apenas Lula? Ora, porque FHC tem curso superior e Lula não tem, é óbvio. No fim das contas, é aquele antigo preconceito que sempre foi usado para impedir a eleição do ex-metalúrgico como presidente da República.

 

Em que a falta de curso superior do presidente atrapalhou seu governo? É possível dizer que FHC governou melhor do que Lula? Duvido de que até o mais lulofóbico dos lulofóbicos diga que o governo tucano foi melhor do que está sendo o governo petista. Simplesmente os lulofóbicos dizem que os êxitos de Lula são, na verdade, êxitos de FHC e pronto.

 

Ora, mas se Lula, como querem os críticos de sua Presidência, está apenas mantendo o que fez o antecessor, por que ele fez mal ao país? Se é verdade – e não é verdade - que Lula passou os últimos quase seis anos copiando FHC e, seguindo suas metas, conduziu o país aos êxitos sociais e econômicos reconhecidos no mundo inteiro, sua falta de experiência administrativa anterior e sua falta de curso superior não lhe constituíram obstáculos.

 

Acho difícil que Hippolito não tenha pensado nisso. Suas declarações, portanto, constituem uma espécie de pirraça destinada a agradar aos pirracentos que teimam em negar que Lula governa bem mesmo sem experiência anterior e curso superior.

 

Hippolito é apenas um dos muitos tentáculos da mídia, mas essa sua recente declaração mostrou que ela é um dos tentáculos mais incompetentes. Até para distorcer ela é ruim. Há tantas críticas pertinentes que poderiam ser feitas a este governo sem apelar para o preconceito e essa senhora escolhe a mais surrada e inverossímil de todas. Pessoas sensatas que a ouviram, mesmo as que não gostam de Lula perceberam a estratégia pífia e incompetente da comentarista para fazer luta política na concessão pública da CBN.

 

A pirraça da mídia em relação a Lula ocupará gerações de historiadores. Caracterizará um capítulo da história em que um poderoso paradigma foi completamente destruído, o paradigma que vincula competência a instrução formal.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 15h27
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De volta

 

 

Pessoal, ontem fui ao interior de São Paulo e não tive tempo de atualizar o blog. Ainda hoje volto a postar.  



 Escrito por Eduardo Guimarães às 11h49
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Fórum Mídia Livre 2

Fórum Mídia Livre


 
Reproduzo, a seguir, as informações que recebi do primeiro-conselheiro do Movimento dos Sem Mídia, Antonio Arles, sobre as conclusões do grupo de trabalho de que participou, em nome da ONG, no Fórum Mídia Livre, no Rio, ocorrido no fim de semana.
 
Democratização das verbas publicitárias públicas
 
Eixos encaminhados a partir dos debates do GT 1:
 
1.      Campanha e mobilização social pela democratização das verbas publicitárias públicas, com a realização, entre outras, das seguintes ações:
 
a)     Desenvolvimento, pelo Fórum de Mídia Livre e organizações parceiras, de critérios democráticos e transparentes de distribuição das verbas públicas que visem à democratização da comunicação e que se efetivem como legislação e políticas públicas;
 
b)     Proposta de revisão dos critérios e “parâmetros técnicos de mídia” (tais como custo por mil etc.) utilizados pela administração pública, de forma a combater os critérios exclusivamente mercadológicos e viabilizar o acesso a veículos de menor circulação ou sem verificação;
 
2.      Promover outras políticas públicas de incentivo à pluralidade e à diversidade por meio do fomento à produção e à distribuição;
 
Comissão de estudos e desenvolvimento das propostas (aberto a outros/as interessados/as):
 
Gilberto de Souza, Renato Rovai, Joaquim Palhares, Renata Mieli, Antonio Arles, Rodrigo Guéron, Naira Hofmeister, Maria Elizabeth Molinete, João Brant, Telêmaco Montenegro, Cristiano Navarro.
 
Relatório das idéias surgidas no GT de Democratização da publicidade pública e dos espaços na midia pública
 
Idéias gerais:
 
1.      (GERAL) Estabelecer canais de contato com outras organizações da América Latina que estão trabalhando em pautas similares;
 
2.      (GERAL) Acompanhar o processo de concentração transnacional e de desnacionalização da mídia na América Latina;
 
3.      (GERAL) Discutir a criação de um jornal diário de grande circulação de caráter contra-hegemônico – seguindo os exemplos do La Jornada, do México, e do Página 12, da Argentina – e estudar os modelos de financiamento desses periódicos;
 
4.      (GERAL) lutar pela realização da Conferência Nacional de Comunicação;
 
5.      (GERAL) criar rede para diálogo e organização conjunta do movimento de mídia livre com outros movimentos sociais;
 
6.      (GERAL) Que seja disponibilizado espaço no espectro digital de TV e rádio para canais de veiculação das produções dos movimentos sociais;
 
7.      (GERAL) trabalhar pela desconstrução da idéia de mídia como entretenimento;
 
8.      (GERAL) Marcha a Brasília para reivindicar a democratização das verbas públicas e o fortalecimento da mídia livre.Idéias relacionadas ao tema do GT:
 
9.      Elaborar propostas para incidir não apenas no investimento público, mas também no investimento publicitário privado;
 
10.      Criação de fundo para apoio à diversidade informativa (com investimentos também do setor privado);
 
11.      Propostas de revisão dos “parâmetros técnicos de mídia” (tais como custo por mil etc.) utilizado pelas empresas públicas, de forma a incluir veículos de menor circulação ou sem verificação;

12.      Revisão da legislação que incide sobre a distribuição de verbas publicitárias;
 
13.      democratização das verbas tem que ter como objetivo a democratização da produção;
 
14.      dinheiro público deve ser distribuído por meio de mecanismos democráticos e transparentes, como editais;
 
15.      temos que demonstrar nossa viabilidade, sem responder a eles com os mesmos valores. Os nossos valores centrais são a diversidade e a multiplicidade;
 
16.      estudar possibilidade de criação de sistemas alternativos de financiamento, em modelos similares ao do Google ADs. Dar a esse sistema força de lei para distribuição de verbas públicas;
 
17.      garantir a profissionalização da captação e a organização política dos setores de mídia livre;
 
18.  propor limites à veiculação de propaganda produzida fora do país;
 
19.  garantir a desconcentração na contratação de agências e fornecedores e a descentralização regional na distribuição dos recursos, de forma a impedir a concentração das verbas em determinados veículos;
 
20.  defender que a política de distribuição de recursos publicitários se configure como política pública, para que não dependa das vontades de cada governo;
 
21.  elaborar políticas de fomento à pluralidade e diversidade midiática (tais como fundos de incentivo acessados por editais públicos avaliados por comitês independentes); 
 
22.  distingüir políticas de fomento à pluralidade e diversidade (como fundos de incentivo) das políticas de publicidade estatal;
 
23.  estabelecer restrições à publicidade estatal, limitando-a as políticas de utilidade pública;
 
24.  fortalecer a argumentação da defesa da democratização das verbas públicas relacionando este debate à defesa da pluralidade, da diversidade e da democracia;
 
25.  coordenar as políticas de democratização das verbas publicitárias com políticas de incentivo à pluralidade e diversidade (tais como políticas de subsídio cruzado de distribuição e impressão, fundos públicos de apoio a pequenos veículos, índices de descompensação na distribuição de verbas etc.);
 
26.  debater mecanismos de “responsabilidade” do leitor, que também deveria colaborar mais ativamente com a manutenção dos jornais/meios de comunicação;
 
27.  propor que a sustentabilidade seja possível através dos governos não termina com a pressão exercida sobre os meios de comunicação, grande crítica que pesa sobre anunciantes privados;
 
28.  propor “pacotes” para distribuição de verbas publicitárias, para que se garanta a sustentação dos veículos a médio/longo prazo, sem que se “zere” o processo a cada edição;
 
29.  criação do “selo da empresa amiga da mídia livre/independente”, para buscar a democratização das verbas privadas;
 
30.  mostrar que a democratização das verbas públicas é uma exigência do Estado democrático (Mário Augusto Jakobskind: “sem o Estado, vamos morrer na praia”);
 
31.  questão da distribuição de verbas publicitárias precisa ser trabalhada também nos pequenos municípios, em que as prefeituras mantêm uma relação mais próxima com determinados veículos;
 
32.  lutar pela criação, pelas prefeituras, de fundos de apoio a pequenos veículos;
 
33.  ampliar o debate sobre este e outros temas relacionados à luta pela mídia livre, por meio da democratização da informação e simplificação da linguagem;
 
34.  demandar das diferentes esferas do Estado (União, estados e municípios) a construção de projetos de lei que regulamentem a distribuição das verbas públicas, buscando sua democratização;
 
35.  elaborar uma campanha pela democratização das verbas publicitárias públicas, utilizando nossos próprios veículos;
 
36.  a partir dessa campanha, solicitar audiência ao Ministério da Comunicação Social para debater a questão da distribuição das verbas publicitárias;
 
37.  propor editais para fomento à criação e sustentação de novos meios de comunicação;
 
38.  propor políticas de financiamento e democratização da distribuição dos meios de comunicação, abrangendo tanto a mídia impressa quanto a mídia eletrônica;
 
39.  Limitar verbas estatais destinadas a cada veículo ao máximo de 10%;
 
40.  Não permitir que um único tipo de veículo (TV, rádio, jornal etc.) receba mais de um terço dos recursos;
 
41.  Criar percentual obrigatório das verbas de campanhas públicas para veículos culturais e educativos;
 
42.  Defender percentual mínimo das verbas publicitárias para veículos locais/regionais;
 
43.  Não colocar anúncios públicos em veículos que aceitem publicidade de bebidas alcóolicas e armas;
 
44.  Construir uma política para que empresas privadas e pbulicas possam financiar a aquisição de assinaturas de veículos educativo-culturai;
 
45.  Discutir a criação, pelos Correios, de uma distribuidora nacional para atuar na área de jornais e revistas e na área de livros;
 
46.  Impedir que qualquer órgão público possa investir em veículos que tenham sido condenados em última instância por calúnia, injúria, difamação ou qualquer condenação que configure prática de jornalismo de má fé;
 
47.  Constituição de instituto público para aferição de audiências e tiragens;
 
48.  Que a política de democratização das verbas se dê pela disseminação dos pontos de mídia, para potencialização da produção e distribuição de conteúdo, que sejam incorporados ao plano de desenvolvimento do país;
 
49.  pensar novas formas de organização econômica da produção cultural e de comunicação;
 
50.  Construir propostas para os anunciantes privados que busquem o incentivo à diversidade informativa;
 
51.  Buscar incluir, entre os indicadores de responsabilidade social de empresas (feitos por entidades como Ibase e Ethos), o apoio à mídia livre.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 19h23
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Prêmio Ibest

Somos TOP10 no Ibest

 

 

Finalmente, quase um mês depois da divulgação dos primeiros, segundos e terceiros lugares no Prêmio Ibest, saiu a divulgação dos dez primeiros colocados, o dito “TOP 10”.

 

Este blog, na reta final, retomou a posição que ocupou durante praticamente todo o tempo em que participou da disputa e que perto do encerramento da votação havia perdido para o blog Amigos do Presidente Lula.

 

A explicação do Ibest para mudanças mais significativas de posições foi a de que havia sobreposições de votos, ou seja, uma pessoa votando mais de uma vez no mesmo candidato usando o mesmo computador, porém com outro e-mail.

 

De fato, esta foi uma prática amplamente pregada por algumas pessoas que se engajaram em inflar a votação de seu blog favorito.  Pedi aqui reiteradas vezes que não fosse feito isso em favor deste blog e quem confiar no resultado do Ibest dirá que foi certo agir assim.

 

Igualmente, eu disse que o blogueiro pedir votos ao seu público seria inútil, porque mesmo os blogs que representam uma coletividade e dela receberam apoio, como a votação abrangeu milhares de votos qualquer comunidade acabaria sendo insuficiente em caso de resultados menos apertados. Assim sendo, não fiz campanha para que votassem no Cidadania.

 

Aliás, blogueiros como o Luiz Carlos Azenha e o Renato Rovai chegaram a retirar o selo Ibest de seus blogs, em protesto contra a demissão de Paulo Henrique Amorim do OI. Eu mesmo cogitei imitá-los, mas, em respeito àqueles que tinham votado no Cidadania – e a pedido de várias dessas pessoas -, mantive o selo, apesar de ter criticado dura e amplamente o que o IG fez com o PH.

 

O Cidadania ficou em sexto lugar. Vejam, abaixo, como ficaram as colocações dos “TOP 10” do Prêmio Ibest de melhor blog político.

 

1º lugar – blog do Luis Nassif

 

2º lugar – blog do Mino

 

3º lugar – blog do José Dirceu

 

4º lugar – blog do Reinaldo Azevedo - 2º lugar na escolha do Ibest

 

5º lugar – blog do Azenha - 3º lugar na escolha do Ibest

 

6º lugar – Cidadania.com

 

7º lugar – blog do Mello

 

8º lugar – blog Amigos do Presidente Lula

 

9º lugar – blog Desabafo País

 

10º lugar – blog do Rovai

 

Concluo agradecendo a todos vocês que votaram no Cidadania. A colocação que este blog obteve, perdendo apenas para jornalistas e personalidades de renome numa disputa que abrangeu cerca de 60 blogs, já foi uma vitória para um mero comerciante que um dia decidiu escrever sobre cidadania. E para vocês, que fazem deste blog o que ele é.

 

 

Viagem adiada

 

 

Esqueci de avisar antes: minha viagem à Venezuela foi adiada porque a pessoa que irá comigo não tinha vacina contra a febre amarela. Pena que só soube disso em cima da hora. Se soubesse antes, teria ido ao Rio para o Fórum da Mídia Livre.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 13h27
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Ombudsman da Folha

“Como a mulher de César”

 

 

 

Caio Julio César, o imperador romano, casara com Pompeia. Como mulher do pontifex maximus e uma das mais importantes matronas de Roma, Pompeia era responsável pela organização dos ritos da Bona Dea, que ocorriam em Dezembro e eram exclusivos às mulheres e considerados sagrados. Mas, durante as celebrações, Públio Clódio Pulcro conseguiu entrar na casa disfarçado de mulher. Em resposta a este sacrilégio, do qual Pompeia não foi provavelmente culpada, César pediu o divórcio. Ele admitiu publicamente que não considerava Pompeia responsável pelo malfeito, mas justificou o pedido de divórcio com a célebre máxima “À mulher de César não basta ser honesta, deve parecer honesta”.

 

Essa foi a imagem que o ombudsman da Folha, Carlos Eduardo Lins da Silva, usou em sua coluna na última edição dominical impressa do jornal, ou seja, na edição de hoje, domingo. Essa coluna é produto de várias conversas que vimos tendo nas últimas semanas, razão pela qual o ombudsman me cita no texto.

 

O material que vocês irão ler, devido à tiragem da Folha - que, apesar de não ser grande coisa num país como este, ainda é a maior tiragem de jornal impresso e pago do país-, atingirá muito mais gente e em espaço de tempo muito mais curto do que se saísse em toda a blogosfera por uma semana. Essa coluna está exposta a ser lida por cerca de um milhão de pessoas, à razão de cerca de três pessoas por exemplar do jornal, média considerada aceitável por quem entende do traçado.  

 

Não direi que essa é a única razão que me levou a aceitar a mão estendida de Carlos Eduardo por este insistir num diálogo com quem, como eu, chegou a lhe fazer, frente a frente, olhos nos olhos, a observação de que achava que suas opiniões constituiriam um impedimento à sua atuação como ombudsman.

 

Também fiquei tocado pela civilidade e pela honestidade intelectual do Carlos Eduardo. Por isso, nossas conversas são estimulantes, porque divergimos com respeito. E assim, não nos falta assunto nem vontade de debater.

 

Fiquem com a bela coluna de Carlos Eduardo Lins da Silva na edição impressa da Folha de São Paulo deste domingo, 15 de junho.

 

A questão do apartidarismo

CARLOS EDUARDO LINS DA SILVA

ombudsman@uol.com.br

 

NESTA semana, o ombudsman recebeu 42 mensagens de leitores que se queixavam de falta de apartidarismo da Folha. Destas, 37 diziam que o jornal foi a favor do PSDB em diversos episódios e cinco achavam que ele favoreceu o PT.

É muito para quem tem de responder a todas pessoal e individualmente. Mas não chegam a 20% do total endereçado ao ombudsman e são menos de 10% da correspondência enviada ao jornal e nem 0,01% do total de leitores.

Claro que não é o critério estatístico que determina a representatividade de um grupo de leitores. Os que se dirigem ao jornal, mesmo poucos, são significativos e importantes.

Mesmo o contingente que se manifesta por motivação ideológica ou partidária é representativo e deve ser levado em conta pelo ombudsman, que tem de representar todos os leitores, inclusive aqueles que não se dirigem a ele.

O apartidarismo é um dos pilares do Projeto Folha desde 1984 e continua sendo, segundo manifestação da Secretaria de Redação.

Ele foi elevado a essa condição dentro de uma lógica de mercado, não ética nem política: o público leitor é composto por pessoas que têm diversas visões de mundo e o jornal não pode abrir mão de nenhum desses grupos.

Eduardo Guimarães, um dos mais incisivos críticos da mídia, com quem tenho intensas diferenças de opinião mas por quem tenho respeito intelectual, diz que um jornal que resolvesse alienar uma parcela dos leitores que vota num partido com o desempenho eleitoral tem tido o PT no Brasil estaria dando um tiro no pé.

É verdade. Por que a Folha o faria? Uma hipótese é que estaria apostando que num futuro governo federal tucano, ela teria tantas vantagens que compensaria o prejuízo da alienação de leitores atual.

Aí, entra-se no território das crenças porque é impossível comprovar essa teoria. Eu não acredito nessa possibilidade. Se acreditasse, não teria aceitado o convite para ocupar este cargo e, se um dia vier a crer nela, eu o deixarei.

Três episódios recentes concentraram os ataques contra a Folha por parte de quem a julga tucana: o caso Alstom, a crise gaúcha e a reportagem sobre doações partidárias.

No caso Alstom, o jornal "saiu atrasado", como admite a Secretaria de Redação. Depois do atraso, continuou tímido por semanas. Despertou depois que o concorrente tomou a iniciativa, mas permaneceu mal. Levou um mês para se manifestar em editorial.

Na sexta, afinal, produziu uma reportagem convincente com informações exclusivas e apontou com clareza a ligação dos envolvidos com os governos do PSDB em São Paulo.

Na crise gaúcha, o jornal também fez cobertura modesta até esta semana, quando afinal -na terça e na sexta – o assunto foi para a capa.

O pior caso, para mim, é o das doações partidárias, reportagem publicada com destaque no dia 26 de maio. Dediquei um terço da coluna de 1º de junho ao tema: a reportagem tratava de forma claramente desigual doações legais feitas a PSDB e PT por empresas que depois ganharam contratos dos governos federal e dos Estados de São Paulo e Minas Gerais.

Embora o valor dos contratos em relação às doações fosse muito maior no caso do PSDB,  toda a ênfase foi dada aos do PT.

Pedi que a Secretaria de Redação explicasse o critério e sua resposta não me convenceu: no caso do PT, os pagamentos pelo governo já foram feitos e no do PSDB, eles ainda não foram realizados.Teria sido melhor, a meu ver, reconhecer um erro de avaliação.

Ser apartidário num ambiente de divisão política acirrada é muito difícil. Ser visto como imparcial por todos é impossível. O pior é que não basta ser: é preciso parecer ser. Nestes três casos, a Folha muitas vezes não pareceu ser.

 Escrito por Eduardo Guimarães às 09h53
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