Análise - eleições em São Paulo

A guerra de São Paulo

 

 

 

 

Já reclamaram aqui por eu dar especial importância a São Paulo num blog que tem alcance nacional. De fato, trato com maior atenção a política paulista apesar de bastar ver de onde são os comentaristas do Cidadania para se concluir que o blog atrai leitores de todo o país.

 

É claro que há mais paulistas entre os que me lêem, até por conta da densidade populacional de meu Estado. Mas não é essa a razão principal para focalizá-lo tanto.

 

Vamos aceder à seguinte premissa, porque é indiscutível: o jogo do poder é travado no Estado mais rico e industrializado do país. Não só por ter dado ao Brasil os dois últimos presidentes - com efeito, ao fim do governo Lula o país terá sido governado por paulistas durante dezesseis (!) anos consecutivos. É pela influência exagerada deste Estado nos rumos do país.

 

Por mais que pareça, não falo disso com orgulho nem vejo esse fato como importante para o Estado em que vivo e, portanto, para a minha própria vida. Ouso dizer que São Paulo não ganhou mais do que qualquer outra parte do Brasil nem durante o governo FHC nem durante o governo Lula.

 

Pelo contrário: durante a era FHC, com Mario Covas e Geraldo Alckmin, São Paulo piorou muito. Na questão da violência e da criminalidade, aliás, foi onde piorou mais. E durante o governo Lula, todos sabem que quem mais ganhou foi o Nordeste.

 

E nem acho que o Estado brasileiro deva priorizar mais São Paulo. Isso, porém, ocorreu desde sempre e precisava parar. No governo Lula, começou a parar mais efetivamente.

 

Mas o poder paulista sempre foi hegemônico no Brasil. Aliás, o país deve voltar seus olhos para o Norte e para o Nordeste, pois, desenvolvendo-se como estão, começam a deixar de ser aquele peso morto que foram até a década passada e que no começo desta começaram a deixar de ser.

 

Porém, a luta hoje por um Brasil mais equânime para cidadãos de todos os entes federativos, passa por São Paulo. Para você, nordestino ou nortista, é importante que o PSDB e o PFL não voltem ao poder, pois sobretudo o mais forte da aliança, o PSDB, é quase totalmente controlado por São Paulo e em 2010 terá a missão de trazer de volta para cá os investimentos federais feitos nos últimos anos nas regiões mais pobres do país.

 

Nesse contexto, começa a ser travada em São Paulo uma guerra suja do PSDB, do PFL, da Folha, do Estadão e da Veja, entre outros grandes meios de comunicação paulistas, contra a candidatura Marta Suplicy, representante da corrente política que significa a continuidade da priorização do Norte e do Nordeste na agenda do Estado brasileiro.

 

A tal lista “suja” da AMB foi o primeiro passo do projeto de impedir uma vitória petista que iria desestruturar a aliança tucano-pefelê-midiática. A lista foi encomendada especialmente para prejudicar a candidatura Marta Suplicy ao governo da mais importante capital da América do Sul e uma das mais importantes do mundo.

 

Nota-se como houve o cuidado especial na lista de excluir do rol de candidatos “sujos” o prefeito pefelista de São Paulo e o ex-governador tucano, apesar de Gilberto Kassab e de Geraldo Alckmin terem processos contra si por conta de supostos danos ao erário público tanto quanto Marta ou Serra. – no caso de Alckmin, ele tem muito mais processos, cerca de uma dezena.

 

Esse foi o primeiro passo da guerra que o PSDB, o PFL, a Folha, o Estadão, a Veja e congêneres paulistas moverão contra Marta Suplicy, porque acreditam que esta eleição determinará os rumos de 2010 e ainda manterá o acesso da direita paulista ao terceiro maior orçamento do país.

 

Também é oportuno mencionar que ao menos o Estadão (primeiro) e a Folha (agora) desembarcaram da candidatura de Gilberto Kassab, o que pode significar que José Serra pode estar desembarcando também, pois esses jornais (com destaque para a Folha) são marionetes do atual governador paulista.

 

Não foi por outra razão que a Folha, primeiro no seu portal de internet (UOL) e depois em sua edição impressa, começou a desconstruir Kassab expondo a ausência da ação que pesa contra ele na Justiça na tal lista “suja” da AMB.

 

Nos próximos meses, portanto, São Paulo viverá uma das guerras políticas mais sujas de que se tem notícia. O fato de Marta Suplicy ser mulher, independente, capaz de ter ousado fazer o que fazem tantos homens na maturidade - romper um casamento de décadas para reconstruir sua vida amorosa –, bem como a tática mais vil contra mulheres – aludir à conduta sexual delas –, serão usados novamente contra a ex-prefeita de São Paulo, como em 2004.

 

Devo saudar a coragem de Marta Suplicy por se apresentar para essa luta novamente depois de tudo que já passou. Porém, ela, como eu, sabe da força eleitoral que readquiriu depois da desastrosa administração Kassab, herdada do rompimento pelo governador José Serra da promessa que fez aos paulistanos em 2004, quando assinou documento de fé pública prometendo não deixar o cargo em 2006 para se candidatar a governador.

 

A eleição para prefeito de São Paulo será o grande fato político desta eleição. Não perca.

 

 

 

ENDEREÇO DA POSTAGEM

http://edu.guim.blog.uol.com.br/arch2008-07-20_2008-07-26.html#2008_07-26_13_43_25-3429108-0



 Escrito por Eduardo Guimarães às 12h43
[] [envie esta mensagem]



Denúncia - lista da AMB

Sujos

 

 

 

Manchete do UOL em destaque no portal no momento em que escrevo dá conta de que a tal “lista suja” da Associação dos Magistrados do Brasil (AMB) omitiu o nome do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab.

 

A coordenação da campanha do candidato pefelê a prefeito de São Paulo – que, como se sabe, é teleguiado pelo governador José Serra – argumenta que, como ele ganhou o processo no STJ, apesar de ter sido condenado em primeira e segunda instâncias por usar dinheiro público para se promover, estaria livre do processo até que seja julgado recurso do Ministério Público contra a decisão daquele Tribunal que, ao lado do STF, o banqueiro Daniel Dantas considera “tranquilo”.

 

Se fosse só isso que pesa contra a lista da AMB, que equiparou Marta Suplicy a Paulo Maluf e que, de acordo com o Portal Vermelho, inclui a candidata a vice-prefeita de Belém (PA) apesar de o processo que ela sofre ser por integrar movimento estudantil da Universidade Federal do Pará que visa mudar as regras de eleição da reitoria, não seria nada.

 

O problema apareceu hoje num boato que começou a circular na internet. Trata-se apenas de um boato, mas é bom que seja verificado se é verdadeiro, porque, se for, torna ainda mais graves não só a omissão do nome de Kassab, mas a de dezenas de candidatos a prefeito que não foram incluídos na tal “lista suja” não se sabe por que.

 

Segundo soube, o presidente da Associação dos Magistrados do Brasil, juiz Airton Mozart Valadares Pires, é irmão de um candidato a vereador adivinhem por que partido? Se você disse PSDB, acertou. Se é verdade? Não sei. Algum de vocês sabe?

 

 

ENDEREÇO DA POSTAGEM

http://edu.guim.blog.uol.com.br/arch2008-07-20_2008-07-26.html#2008_07-25_19_55_49-3429108-0



 Escrito por Eduardo Guimarães às 18h55
[] [envie esta mensagem]



Análise política

Paulo Henrique Amorim

 

 

 

 

De uns tempos para cá, o jornalista Paulo Henrique Amorim começou a criticar com vigor o governo Lula e o próprio presidente. O teor das críticas, porém, é complexo e não é disso que quero tratar. Este post trata de liberdade de expressão.

 

Em primeiro lugar, quero deixar claro que não estou plenamente de acordo com as críticas de PH ao governo Lula e ao seu titular, mas não posso deixar de manifestar meu desagrado com o patrulhamento de que o jornalista tem sido alvo.

 

Até onde sei, não há lei que proíba críticas a Lula, a Serra ou a qualquer outro político, partido ou ideologia. Contanto que as críticas não sejam malandras, feitas a uns para prejudicar outros, toda crítica que se fizer àqueles ou àquilo que diga respeito ao interesse público deve ser encarada com serenidade e, sobretudo, ouvida.

 

Acompanhei a trajetória de Paulo Henrique Amorim e nunca vi o jornalista metido em negociatas ou fazendo jogo de grupos políticos. Quando PH criticava com força os que pretendiam sabotar o governo Lula e até derrubá-lo, não vi os que hoje o criticam questionando se ele dizia o que dizia porque, à exemplo de outros colegas de profissão, tinha interesses condizentes com os dos que “defendia” ou conflitantes com os dos que criticava.

 

Para falar a verdade, a postura do PH hoje é uma das que mais se aproximam, em meu conceito, do jornalismo apartidário que eu gostaria de ver no Brasil. Com efeito, a formação do terceiro maior grupo de telefonia deve receber todos os ataques e defesas que se possa fazer, pois diz respeito a cada um de nós. Tragédia seria não sabermos de todos os prós e contras de um negócio envolvendo o interesse de todos os cidadãos.

 

Particularmente, reitero, pela milionézima vez, que apóio o governo Lula. Nunca escondi isso e isso não faz de mim um partidário. Sou um cidadão maior de idade, vacinado e com título de eleitor, o que me habilita a apoiar o grupo político que eu quiser.

 

Dito isso, todas as críticas mais profundas e sem aparente viés político que eu puder conhecer sobre aqueles que apóio, quero conhecer. Até para saber se devo continuar apoiando. O que não gosto no jornalismo da grande mídia são as críticas malandras, superficiais, fáceis, com óbvio viés político, como as que faz a “instituição” que PH batizou como PIG (Partido da Imprensa Golpista).

 

Quero saudar, pois, um jornalista que critica com igual ímpeto o Lula, o Serra, a Heloísa Helena, a esquerda, a direita, enfim, a situação e a oposição. E sabem por que? Porque não são anjos. Todos certamente cometem erros e têm contra si o que criticarmos.

 

Claro que eu tenho me furtado a criticar no governo Lula o que há para criticar porque esse governo passou a sofrer sabotagem da mídia desde o primeiro minuto de sua existência. Assim, penso que criticar o governo num momento em que não querem deixá-lo trabalhar é agir contra meus próprios interesses de cidadão, pois, para mim, se o governo der certo, tanto melhor.

 

Nesse aspecto, penso que PH está contribuindo para um processo espúrio. Contudo, está amparado num direito constitucional, num direito humano, o de livre expressão do pensamento. Não sendo críticas feitas para ajudar este ou aquele lado, mas porque o autor acha que devem ser feitas, exclusivamente em benefício do interesse público, não peço a ninguém para concordar com elas, mas para que as respeitem.

 

Apresente-se argumentos contrários, discorde-se delas o quanto se quiser discordar, mas sem tentar criminalizar ou fazer suposições sobre seu autor sem apresentar motivos claros e insofismáveis.

 

Quando critico a mídia por ela sabotar e caluniar o governo Lula e o próprio, faço isso porque percebo claramente que ela faz o que faz não no interesse da sociedade, mas do PSDB, do PFL, da Fiesp, em suma, da elite que suga o sangue do povo para manter-se gorda como uma baleia, concentrando injustamente muito mais do que o excessivo em detrimento de legiões de brasileiros que tem muito menos do que o insuficiente.

 

Ao contrário do que dizem mercenários espalhados pela internet por grupos políticos, que andaram me contando que são ligados ao PFL – agora travestido como “Democratas” – do ex-senador catarinense Jorge Bornhausen, eu não estou aqui para defender ou criticar incondicionalmente ninguém. Minhas defesas e críticas são em prol de projetos e ações macro.

 

Se o atual governo sair da linha mínima de atuação que dele exijo, vou pra cima dele com minhas críticas, porém sempre cuidando de fundamentá-las com fatos incontestáveis. Se o governo Serra começasse a funcionar direito, se a polícia paulista fosse moralizada, se os investimentos sociais fossem feitos, eu apoiaria Serra nem que ele fosse filho de Pinochet.

 

O que quero pedir aqui, portanto, é que não passemos a demonizar todo aquele que vier a criticar os políticos que apoiamos simplesmente porque está criticando. Há que analisar, antes da propriedade da crítica, se ela é feita com segundas intenções. Não vejo essas intenções nas críticas do PH, por mais que eu não concorde com elas.

 

 

ENDEREÇO DA POSTAGEM

http://edu.guim.blog.uol.com.br/arch2008-07-20_2008-07-26.html#2008_07-25_14_35_41-3429108-0



 Escrito por Eduardo Guimarães às 13h35
[] [envie esta mensagem]



Crônica

Acredite na humanidade

 

 

 

Você anda desanimado com o Brasil? Não posso culpar quem se sente assim, pois freqüentemente sou tomado por esse sentimento. Às vezes sinto-me cansado de ver o mal triunfar, a mentira prevalecer, a injustiça imperar, mas só até me dar conta de que tudo não pode dar certo sempre, e de que as mudanças são lentas, as melhoras demoram a ocorrer, mas ocorrem.

 

O mal vence? Sim, vence. Mas a história não acaba com suas vitórias. Ela prossegue através dos anos, das décadas, dos séculos, e se formos mensurar o quanto o mundo já melhorou desde que a saga humana começou a ser contada, concluiremos que o mal vence só até um dia insuspeito em que, de repente, sofre uma grande derrota.

 

Os poderes discricionários que oprimem a tantos, as canalhices de todos os tipos contrapõem-se a um delegado que recusa um milhão de dólares de propina, a um jornalista que sai da maior empresa de comunicação do país em nome da própria consciência, a um rapaz de uma família pobre que recebe ajuda do governo e que me aparece num telejornal dizendo que quer parar de receber essa ajuda, começando a trabalhar, para dar lugar no programa de ajuda governamental a outra família que precise mais do que a dele...

 

Ninguém é irrecuperável ou intrinsecamente mau. Acredito nisso, que o homem é produto do meio, por mais que alguns julguem o conceito ultrapassado. Penso que a corrupção do ser humano adulto começa na infância e consolida-se na adolescência. Não se pode criar uma criança como se ela fosse o centro do universo e esperar que a maturidade lhe desfaça essa ilusão, ou criá-la sob maus tratos inomináveis e esperar que não cresça revoltada.

 

Não se pode contemporizar com a corrupção que a vida crava nos homens. Há que reagir diante dos atos das almas corrompidas em proteção à sociedade, mas há que se dar aos semelhantes corrompidos as chances todas de se redimirem, mostrando a eles que se crê na possibilidade que eles mesmos não crêem, de virem a melhorar.

 

O homem desiste de si mesmo com muita facilidade; o baixo conceito em que temos nossa espécie é o responsável por isso. Tivéssemos um pouco mais de respeito por nós mesmos, jamais desistiríamos de tentar ajudar os corrompidos, pois estes um dia foram crianças inocentes que chegaram ao ponto em que chegaram devido àqueles que, na infância, deram-lhes ou lhes negaram exageradamente, seja amor ou coisas materiais.

 

Devo confessar que só o que me mantém a força para viver é a esperança em nós, espécie humana, de que encontraremos nosso caminho, de que um dia nos daremos conta de que o interesse da maioria sempre terá que se sobrepor ao de poucos, pois nesse dia agiremos, finalmente, como os seres racionais que Deus pôs no mundo, ainda que com propósitos diametralmente diferentes do resultado que Obteve até aqui.

 

ENDEREÇO DA POSTAGEM

http://edu.guim.blog.uol.com.br/arch2008-07-20_2008-07-26.html#2008_07-25_01_26_25-3429108-0



 Escrito por Eduardo Guimarães às 00h26
[] [envie esta mensagem]



Análise econômica

Quando o 'remédio' não

mata, cura

 

 

Não posso deixar passar em branco notícias para as quais muitos certamente olharam e deram de ombros, mas que mostram que a política econômica continua nos trilhos graças a medidas adequadas que foram tomadas. São dados que certamente provocaram um ininteligível desgosto nas fileiras do oposicionismo assumido e enrustido, um oposicionismo que deixou de ser contra adversários políticos e se voltou contra o país faz tempo. Os dados deverão tranqüilizar quem tem me perguntado sobre a “volta da inflação” alardeada pela mídia ou sobre se a alta dos juros geraria uma reviravolta na economia, interrompendo o crescimento. Confiram:

 

24/07/2008 - 09h20 – Uol – últimas notícias

IPCA-15 desacelera mais que o esperado e sobe 0,63% em julho

 

Reuters

Rodrigo Viga Gaier

No Rio de Janeiro

 

A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) desacelerou mais que o esperado em julho. O indicador registrou alta de 0,63% no mês, abaixo da alta de 0,90% registrada em junho, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira.

 

A taxa de desemprego nacional em junho foi de 7,8%, a menor registrada para esse mês desde 2002, quando foi iniciada uma nova série histórica. Em junho de 2007, a taxa de desempregados era de 9,7%. Os dados foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira.

 

O salário teve alta, segundo dados do IBGE. O rendimento médio mensal do trabalhador entre junho do ano passado e junho deste ano subiu 1,7% e alcançou R$ 1.216,50.

  

O resultado da inversão da trajetória descendente da taxa básica de juros da economia (Selic), adotada há alguns meses, mostra-se satisfatório, pois revela que foi bem feita a sintonia fina que o Banco Central usou para regular a política monetária. Foi o que pedi aqui em 2 de junho deste ano, no post “Inflação, gargalos e remédio”, que reproduzo abaixo.

 

É bom irmos preparando nossos espíritos, porque o país tem um problema sério a resolver e, por conta disso, muita politicagem será feita nas próximas semanas. Há alguns focos inflacionários que começam a se agravar. Notadamente, nos alimentos e nos aluguéis. Isso precisa ser resolvido.

 

Não é um problema exclusivamente brasileiro nem denota má administração da economia. A inflação, basicamente, é um fenômeno que sempre existiu e sempre existirá. E a América Latina, que atravessa uma fase de prosperidade inédita, está submetida a repiques inflacionários.

 

Alguns países latino-americanos, até por injunções políticas, deixaram o crescimento correr solto. Nesses países, o problema é ainda mais grave. Argentina e Venezuela, por exemplo, já têm taxas de inflação na casa dos dois dígitos (acima de 10%) e subindo.

 

O Brasil, com a moderação de suas taxas de crescimento via política monetária (taxa de juros), tem conseguido manter a inflação dentro do teto da meta de inflação. Porém, tudo indica que os aumentos de preços já começam a se aproximar desse teto.

 

Há duas formas para conter inflação de demanda – e é esse o caso da inflação que já começa a se pronunciar no Brasil: usando a política monetária ou aumentando importações.

 

No caso das importações, elas visam combater os aumentos de preços dos produtores nacionais expondo seus produtos à concorrência de produtos externos. Esse “remédio” antiinflacionário já vem sendo usado, até por conta da valorização do real, que barateia as importações.

 

Mas há um limite para o uso da concorrência externa para conter preços internamente. O resultado de médio prazo da exposição da produção nacional à concorrência ilimitada com os importados é o desajuste nas contas externas.

 

O que resta ao Brasil, neste momento, é a política monetária. É preciso conter a inflação. O aquecimento da economia é cada vez maior. O desemprego vem caindo com velocidade cada vez maior.

 

Os gargalos da economia já começam a ficar mais visíveis. Só há, pois, uma forma de diminuir o fluxo de demanda que tenta passar por tais gargalos: é preciso aumentar os juros.

 

Não adianta nos iludirmos. O Brasil vem de décadas de crescimento medíocre e, ainda por cima, intercalado por estagnação e até por recessão. Esse baixo crescimento dos anos 1980 e 1990 fez com que a capacidade de produção nacional ficasse bem aquém da necessidade do país. 

 

Não temos um parque industrial e uma agricultura capazes de prover plenamente o país numa situação de consumo normal, ou seja, em que as pessoas consumam tudo o que precisam.

 

Quanto mais gente consegue emprego, maior é o contingente de consumidores. Aqueles que estavam fora do mercado de consumo, entram. Quem mal comia, passa a comer melhor; quem não comprava roupas novas, começa a comprar, e por aí vai.

 

A solução, se não produzimos tudo o que precisamos, é importar. É a alta do consumo e não o preço do dólar, como dizem, que está provocando redução do saldo em conta corrente (conta de todas as divisas que entram e saem do país) e que ameaça a balança comercial (exportações versus importações). Estamos exportando até mais, porém estamos importando muito mais para atender à demanda interna.

 

Alguns virão com aquela conversa mole sobre os gastos do governo. É balela. Falam de gastos do governo como se o governo estivesse jogando dinheiro fora. Só para vocês terem uma idéia, gastos do governo são Educação, Saúde, Segurança, políticas sociais etc.

 

É preciso moderar o crescimento da economia. E, para tanto, é preciso fazer uma sintonia fina, para que o remédio dos juros não mate o doente. Contudo, não dá para manter o atual nível de crescimento. Podemos crescer, mas temos que crescer mais devagar até que os investimentos em produção comecem a aparecer.

 

Haverá, em contrapartida, uma redução da oferta crescente de emprego. Contudo, é possível manter essa oferta crescendo, porém mais devagar. Se a sintonia fina for bem feita, poderemos manter um crescimento próximo ao do ano passado, mas que não exploda.  Não dá para o Brasil crescer 7, 8 por cento. Ainda.

 



 Escrito por Eduardo Guimarães às 16h50
[] [envie esta mensagem]



Saúde pública

A luta solidária de

Conceição Lemes

 

 

 

Provavelmente você não conhece Conceição Lemes, mas qualquer brasileiro deve muito a essa mulher. Ela trava, em seu cotidiano, uma luta solidária há 25 anos, uma luta pela Saúde dos brasileiros.

 

Antes de prosseguir, quero falar das credenciais dessa minha amiga querida, alguém que já se tornou parte do meu cotidiano e do cotidiano da minha família, sobretudo por parte de minha quarta filha, Victória, de 9 anos, portadora de Síndrome de Rett (Paralisia Cerebral – PC), por quem a Conceição tanto tem lutado, e por parte da Cristina, minha mulher, por quem essa amiga querida tem se interessado num probleminha de saúde que ela também está tendo, e que, se Deus quiser, não será nada.

 

Vejam quem é Conceição Lemes

 

Há 25 anos atua como jornalista especializada em saúde. Já ganhou 22 prêmios por reportagens nessa área. Entre eles, o Esso de Informação Científica e José Reis de Jornalismo Científico, concedido pelo CNPq. Conquistou também vários prêmios Abril de Jornalismo, a maioria por matérias publicadas na revista Saúde!, da qual foi repórter, editora-assistente, editora e redatora-chefe. Em 1995, foi com a reportagem “Aids — A Distância entre Intenção e Gesto”, publicada pela revista Playboy. O projeto que desenvolveu para essa matéria foi selecionado para apresentação oral na 10ª Conferência Internacional de Aids, realizada em 1994 no Japão. Pela primeira vez um jornalista brasileiro teve o seu trabalho aprovado para esse congresso. Concorreu com cerca de 5 mil trabalhos enviados por pesquisadores de todo o mundo. Aproximadamente 300 foram escolhidos para apresentação oral, sendo apenas dez de investigadores brasileiros. Em conseqüência, foi ao Japão como consultora da Organização Mundial de Saúde.

 

Quero lhes explicar que a Conceição não ganha dinheiro tanto com esse trabalho que faz agora para desmontar o lobbye do Amianto no Brasil como no que fez há alguns meses quando me ajudou a embasar com dados corretos a representação que o Movimento dos Sem Mídia interpôs no Ministério Público Federal contra as Organizações Globo, o Grupo Folha, o Grupo Abril, o Grupo Estado e outros grandes meios de comunicação no caso da epidemia imaginária de febre amarela que a mídia criou em janeiro deste ano.

 

Nessas e em outras lutas nas quais a jornalista emprega tanto esforço, sempre para ajudar os mais pobres, pela saúde daqueles para os quais ninguém liga, Conceição faz o que faz por que acha que é seu dever, porque um dia fez um juramento, no dia em que se formou jornalista. E como ela precisa ganhar a vida, comer, escreve livros para médicos que são verdadeiros manuais.

 

Agora, a Conceição está empenhada numa luta contra o lobbye do Amianto. Duas matérias dela foram publicadas pelo Luiz Carlos Azenha em seu Vi o Mundo, site que, aliás, aparece de novo hoje na coluna de Nelson de Sá, na Folha de São Paulo.

 

A primeira matéria a ser lida para se compreender o que está acontecendo foi publicada no site do Azenha em 1º de julho de 2008, sob o título “Aldo Vicentin, mais uma vítima do amianto”, e a segunda, “Médicos disseram que Manoel estava bem de saúde, mas ele tinha câncer no pulmão”, foi publicada no último dia 14.

 

Peço a vocês que leiam as matérias da Conceição e que acompanhem esse caso. Agora a minha amiga me disse que ele está para ter desdobramentos e que, portanto, precisamos difundir essa vergonha, para que as empresas e o Estado tenham um pouco mais de respeito pelos males que afligem esses grupos sociais mais desprotegidos e sem voz que tanto sofrem com o descaso que o patronato e o próprio capitalismo lhes dedicam. É só clicar nos links contidos nos títulos das matérias, acima.

 

ENDEREÇO DA POSTAGEM

http://edu.guim.blog.uol.com.br/arch2008-07-20_2008-07-26.html#2008_07-24_11_42_47-3429108-0



 Escrito por Eduardo Guimarães às 10h42
[] [envie esta mensagem]



Crônica

A vida secreta do

professor Fritz

 

 

 

-- Perdoe-me, querida, mas tenho muito trabalho no computador e minha cabeça não está dando mais para nada.

 

-- A cabeça, é? Sei, sei... Só não sei se é bem a cabeça que não está dando para mais nada.

 

-- Que? Do que você está falando? O que foi que eu fiz?

 

-- Melhor seria falar do que você não fez e não faz.

 

-- Não seja injusta, a semana passada nós...  Bem, agora não dá... Vou lá, tá?

 

-- Divirta-se, querido...

 

Ao fechar a porta do quarto, Fritz fechou a própria conexão com um mundo e adentrou  outro, um mundo em que ele não era mais o professorzinho medíocre de uma universidade pública no Sul do país. Era o “Capitão América”, o valente defensor da Moral e dos Bons Costumes dos Homens de Bem, inimigo implacável das bichonas, dos comunistas e das prostitutas todas, essas mulheres que perderam a vergonha junto com as roupas.

 

A internet tinha vindo para redimir-lhe a vida que lhe havia passado perante os olhos enquanto enfurnado numa Cátedra imbecil, ensinando debilóides e prostituzinhas comunistas e seus namorados bichas, desde sempre limitado pelo mundo físico onde nunca souberam reconhecer-lhe o valor.

 

O computador acendia junto com a libido que havia apagada por trás da porta recém-cerrada, onde uma mulher de carne osso quedara clamando pelo homem que conheceu um dia, mas que se foi junto com o amor próprio dele mesmo, esmagado por uma vida de covardias diante do menor desafio.

 

Todos se perguntavam, pensava ele: “Quem é o famoso Capitão América? Qual é a sua identidade secreta?”. Nunca imaginaria que seus dias de vida dupla estavam chegando ao fim, e que, em breve, teria que encarar o único inimigo que o próprio gladiador em que ele imaginava que se convertia teria medo, pois teria que se defrontar consigo mesmo.

 

ENDEREÇO DA POSTAGEM

http://edu.guim.blog.uol.com.br/arch2008-07-20_2008-07-26.html#2008_07-23_23_34_17-3429108-0



 Escrito por Eduardo Guimarães às 22h34
[] [envie esta mensagem]



Análise sociológica

Discurso surrado e

permissivo

 

 

 

 

Luiz Werneck Vianna, do Iuperj

 

 

 

De tantos riscos ideológicos que se pode correr, um dos piores é o de se dar trela àquele discurso batido que se pretende desprovido de ideologia, mas que, em seu bojo, carrega muita ideologia, e esta, além disso, de um tipo perniciosamente permissivo.

 

Refiro-me a matéria que li na Agência Carta Maior contendo entrevista do professor Luiz Werneck Vianna, do Iuperj, concedida à revista eletrônica IHU On-Line.

 

Vianna é professor pesquisador do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj). Doutor em Sociologia pela Universidade de São Paulo, é autor de, entre outros, A revolução passiva: iberismo e americanismo no Brasil (Rio de Janeiro: Revan, 1997), A judicialização da política e das relações sociais no Brasil (Rio de Janeiro: Revan, 1999) e Democracia e os três poderes no Brasil (Belo Horizonte: UFMG, 2002).

 

Nem todos os títulos do mundo, porém, irão me convencer de que o doutor Vianna está certo ou de que seu discurso não é surrado e permissivo, pois relativiza um processo que já qualifiquei aqui como “didático” num país em que a corrupção das classes superiores sempre foi vista como uma vicissitude da vida.

 

É a velha conversa sobre “Estado policial” etc., para pregar que se deixe um Daniel Dantas da vida agir livremente, de acordo com uma coisa que Vianna diz fazer parte do capitalismo, mas que não faz, pois esse tipo de criminoso corrompe autoridades, interfere na luta pelo poder financiando políticos, difamando outros que não fazem seu jogo, usando a mídia nesse processo.

 

Esse discurso do professor do Iuperj pretende ser a voz da “racionalidade”, quando não passa da voz da permissividade mais deslavada.

 

Falar em “vingança contra a elite branca”, como ele fala, chega a ser piada num país em que essa elite sempre pôde qualquer coisa, desde estuprar pobres a roubar dinheiro público. Com um detalhe: nunca cumprir pena pelos crimes cometidos.

 

O que Vianna atribui a espetaculosidade é, na verdade, didatismo. A lei não deve punir por vingança ou raiva, mas principalmente para ensinar a quem quer delinqüir quais são os resultados de fazê-lo.

 

Para os pobres, mantêm-se prisões que mais parecem masmorras medievais, nas quais torturas inimagináveis são praticadas. Para os ricos no Brasil, não. A eles estão reservadas as prisões especiais quando denunciados e, como dificilmente vão para a cadeia por muito tempo – e aí estão as estatísticas que mostram que rico, no Brasil, não vai para a cadeia -, a distância das prisões dos pobres.

 

Leiam, a seguir, trecho do lamentável discurso do professor do Iuperj e constatem como em sala de aula muitas vezes pode-se ensinar jovens a tolerar – e até a praticar – atos de corrupção ao apresentá-los como parte das regras do jogo capitalista.

 

IHU On-Line - Personagens como Daniel Dantas e Eike Batista avançaram sobre nacos importantes do patrimônio do Estado brasileiro. Quais foram as condições políticas e econômicas que permitiram o surgimento desses personagens?

Luiz Werneck Vianna - O Brasil é um país capitalista. E esses são empresários audaciosos, jovens, e têm encontrado um terreno favorável a tratativas com o executivo no sentido de fazer negócios de interesse comum. E nisso ambos parecem que têm se complicado muito.

 

No entanto, há uma zona de sombra que ainda precisa ser esclarecida. Meu problema em relação a tudo é essa sucessão de intervenções espetaculosas da Polícia Federal, a mobilização da mídia, do Ministério Público, do Judiciário e da opinião pública para esses fatos. As questões centrais não são essas.

Com essa cortina espetacular, o mundo continua como dantes. Nada muda no que se refere à questão agrária, às políticas sociais.

 

A população anda desanimada, desencantada. Além disso, o que aparece aqui, que é muito perigoso, é um espírito salvacionista. Há um "Batman institucional" atuando sobre a nossa realidade. Esse "Batman" é a Polícia Federal associada ao Ministério Público.

 

Há elementos muito perigosos aí, de índole messiânica, salvacionista, apolítica, que podem indicar a emergência de uma cultura política fascista entre nós. Todos esses escândalos e espetáculos atraem a opinião pública como se dependesse da salvação de todos apurar os negócios do Eike Batista e do Daniel Dantas. Não depende, isso é mentira!

Com isso, se mobiliza a classe média para um moralismo que não pára de se manifestar. A política cai fora do espaço de discussão.

 

Enquanto isso, aparecem dois personagens institucionais, ambos vinculados ao Estado: o Ministério Público e a Polícia Federal.

 

Este caminho é perigoso, e a sociedade não reage a ele faz tempo. A cultura do fascismo pode se manifestar com traços mais bem definidos, a partir da idéia de que nosso inimigo é a corrupção, especialmente aquela praticada pelas elites. Então, a sociedade acha que se resolve esse problema colocando a elite branca na cadeia. (...)

 

ENDEREÇO DA POSTAGEM

 



 Escrito por Eduardo Guimarães às 15h23
[] [envie esta mensagem]



Crítica política

Lista ‘suja’ da AMB omite

Kassab; jornais equiparam

Marta a Maluf

 

 

A Justiça eleitoral deve agir imediatamente contra a divulgação, pela Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), de uma “lista suja” de candidatos a prefeito e a vice que têm ações contra si na Justiça.

 

Os indícios de que a lista resulta de tentativa da AMB de prejudicar alguns candidatos e favorecer outros tornaram-se insuportavelmente gritantes.

 

Note-se que ninguém mais, ninguém menos do que a Folha de São Paulo, em sua coluna política “Painel”, publicou hoje a seguinte nota:

 

Diante da inclusão de Marta Suplicy entre os candidatos com "ficha suja", apesar da ausência de condenações à ex-prefeita, petistas perguntam por que a Associação dos Magistrados Brasileiros omitiu Gilberto Kassab (DEM) da lista. Ele é co-réu em processo no qual se acusa Celso Pitta de ter feito propaganda pessoal com dinheiro público.

 

Já na nota que o PT divulgou sobre o assunto, o partido diz que a ação contra Marta foi movida por opositores políticos, não foi sequer apreciada pela Justiça e a ex-prefeita obteve liminar contra ela.

 

A lista poderia ser divulgada contendo nomes de processados que já tenham alguma condenação em primeira instância. Mesmo correndo-se o risco de a condenação ser injusta, quem já sofreu alguma condenação, mesmo que dela tenha o direito de recorrer, teria que aceitar o ônus de ter sido condenado efetivamente pela Justiça.

 

Agora, imaginem: você é candidato a algum cargo eletivo e algum adversário seu move uma ação contra você e, sem que a ação seja julgada, você é apresentado como culpado aos seus eleitores.

 

Se os candidatos prejudicados por essa armação e os partidos deles não fizerem uma grande mobilização contra o assalto político da AMB, ficará tudo por isso mesmo e a sociedade achará que aqueles que constam naquela lista já foram condenados por alguma coisa.

 

No caso da ex-prefeita de São Paulo, a omissão do nome de um de seus principais adversários da tal “lista suja” constitui uma das trapaças políticas mais vis de que se tem notícia. Está claro que os adversários dela estão por trás do que fez a AMB.

 

Infelizmente, o PT parece sempre que está dormindo quando sofre esse tipo de armação. A tendência é a de se acomodar, incentivando novas armações da mídia, que está alardeando em capas de jornais a inclusão de Marta na tal lista sem dar maiores detalhes, que só podem ser encontrados nas páginas internas.

 

A própria Folha e o Estadão puseram em suas primeira páginas a “condenação” de Marta e a equipararam a Maluf, político com uma ficha mais suja do que pau de galinheiro.

 

Equiparar Marta a Maluf é uma trapaça tão sem-vergonha, tão imoral que não dá nem para qualificar. Esses jornais são veículos desonestos, partidarizados e cúmplices de uma trapaça inominável contra a candidata do PT. Alguém tem que fazer alguma coisa.

 

Do blog do Favre

 

Nenhum jornal informou que o processo invocado para justificar a inclusão do nome de Marta Suplicy na lista é o mesmo processo existente contra José Serra, por conta dos contratos de ambos para o serviço 156 da prefeitura.

 

ENDEREÇO DA POSTAGEM

http://edu.guim.blog.uol.com.br/arch2008-07-20_2008-07-26.html#2008_07-23_12_53_11-3429108-0



 Escrito por Eduardo Guimarães às 11h53
[] [envie esta mensagem]



Análise política

O habeas corpus para

Gilmar Mendes

 

 

 

E vocês ainda dizem que a Justiça no Brasil é lenta. Pois ao menos para dois cidadãos ela é vapt-vupt. Para o banqueiro Daniel Dantas e para o presidente do STF, Gilmar Mendes, foi um show de celeridade.

 

Como vocês sabem, o presidente da Suprema Corte acaba de receber uma espécie de habeas corpus do Senado. O pedido de impeachment de Mendes, protocolado naquela Casa na semana passada pela CUT, acaba de ser rejeitado pelo presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), sob a alegação de que não havia fundamentação jurídica para a medida.

 

Os quatrocentos magistrados que se manifestaram na semana retrasada contra Mendes, as dezenas de delegados e procuradores do Ministério Público, os milhares de cidadãos que fizeram petições e manifestações pelo impeachment do presidente do Supremo, todos fizeram papel de bobos.

 

Uma decisão una, autocrática, oriunda da mais completa ausência de sintonia entre o Legislativo e a sociedade é o que foi a decisão do sr. Garibaldi Alves. E a pressa em tomar tal decisão tornou-a ainda mais irreverente para com a sociedade, quando o Estado deveria reverenciá-la.

 

Duvido de que a base eleitoral de Alves apoiaria a decisão dele se dela tomasse conhecimento em sua completude. Cabe ao povo do Rio Grande do Norte, àqueles de lá que tampouco apóiam o habeas corpus de Alves para Mendes, começarem trabalhar pela não-reeleição do cacique político quando ele tiver que dar satisfação aos seus eleitores.

 

É pedir demais? Talvez não. Acredito firmemente em que os cidadãos brasileiros começam a gravar cada vez melhor os atos dos políticos que os afrontam. Este povo está cansado de ser desrespeitado.

 

Há muita gente na mídia que diz que a sociedade está “amortecida” porque não se rebela contra o governo Lula. A mídia está enganada. A não-rebelião contra Lula se deve ao fato de que as pessoas não acreditam no que a mídia diz sobre ele, haja vista nas pesquisas sobre a aprovação do governo federal e de seu titular.

 

É diferente com Mendes e será diferente com Garibaldi Alves. Eles não têm esse apoio da sociedade e se chocaram com o clamor público, que, na política, tem que ser respeitado de uma forma ou de outra, pois quem decide as coisas na política, ainda que muitas vezes não se saiba, é o povo.

 

Garibaldi Alves pagará o preço pelo desprezo que dedicou aos brasileiros em sua decisão de hoje.

 

ENDEREÇO DA POSTAGEM



 Escrito por Eduardo Guimarães às 19h48
[] [envie esta mensagem]



Operação Satiagraha

O presidente e o banqueiro

 

 Atualizado em 22 de julho de 2008 às 14:23 hs.

 

 

 

 

 

A cada dia que passa fico mais surpreso com o pavor que o banqueiro Daniel Dantas infunde nos corações do topo da sociedade brasileira. E não paro de me surpreender com as informações sobre o poder que ele deteve até há poucas semanas, se tanto.

 

Uma matéria jornalística intrigante e instigante, sobre a qual discorrerei daqui a pouco, saiu recentemente e foi solenemente ignorada por toda a mídia grande, faça-se a exceção a Paulo Henrique Amorim e a mais alguns poucos blogueiros mais independentes.

 

Aliás, neste capítulo, devo dizer que o PH hoje, apesar de estar despertando sentimentos pouco amistosos até entre os petistas, por estar questionando Lula pelo poder de mobilidade que Dantas manteve em seu governo, parece ser um dos pouquíssimos jornalistas de renome que não têm o rabo preso com Daniel Dantas de forma nenhuma, pois critica da extrema direita à extrema esquerda, passando pelo centro, com ampla eqüidade.

 

Claro que todos atacam Dantas, mas a inteligência fenomenal do banqueiro já entendeu faz tempo que ninguém em sã consciência hoje teria a coragem de defendê-lo ou de sequer deixar de atacá-lo. Assim, há que dimensionar o viés dos discursos jornalísticos sobre Dantas de acordo com a independência desses discursos em relação a grupos políticos.

 

É neste momento que ressurge a tal reportagem “intrigante e instigante” que já citei aqui. É de Bob Fernandes, no Terra Magazine, publicada sob o sugestivo título “Alvo de Dantas, Lula dizia: é um escroque”.

 

A matéria (que você precisa ler) relata que Dantas deu ordens expressas à diretora jurídica de seu banco para que o escândalo envolvendo o prefeito morto de Santo André Celso Daniel, brutalmente assassinado no começo de 2002, fosse usado contra Lula.

 

A matéria não explica como isso seria feito, mas mostra Dantas dando ordens à tal diretora para que minta e faça sair na mídia que são sete os mortos durante a investigação do assassinato de Daniel, pois como, na verdade, são seis mortos, isso obrigaria Lula a dizer outro número e, assim, admitir a polêmica criada, que, segundo a visão de Dantas, prejudicaria o presidente.

 

Essa é parte da explicação que prometi dar na semana passada sobre esse assunto, e que não havia dado porque fiquei envolvido com os atos públicos que ocorreram em diversas partes do país estes dias.

 

A outra parte refere-se à causa da ordem de pôr Lula na berlinda através do caso Celso Daniel. Não se sabe, porém, como é que se pretendia pôr o presidente pessoalmente no centro do caso, mas percebe-se que o banqueiro achava que levantar o caso na mídia o atingiria (ao presidente).

 

A causa é dialogo reproduzido por Bob Fernandes na matéria do Terra Magazine a que remete link no início deste texto (matéria que se você não leu deve ler, e que se já leu deve reler). Trata-se de reprodução de conversa de Lula com interlocutor não especificado na matéria, na qual o presidente dá ordens para a Polícia Federal ir até o fim na investigação de Daniel Dantas doa a quem doer, mesmo que aliados presidenciais sejam envolvidos.

 

A matéria ainda propõe que Dantas teria sido tragado agora por medidas adotadas por Lula ainda em 2006, numa espécie de guerra que se estabeleceu, desde aquela época, entre o presidente e o banqueiro.

 

A matéria incomoda muito a mídia e por isso foi mergulhada no mais profundo esquecimento. Não se viu absolutamente nada nos grandes meios de comunicação a respeito dessa parte das escutas oficiais de Dantas e de seus empregados, escutas produzidas pela Operação Satiagraha.

 

É absolutamente escandaloso que nenhum telejornal ou grande jornal ou grande revista tenha mencionado gravações que mostram Daniel Dantas mandando pôr em evidência o caso Celso Daniel, pois ele só pode ter pretendido levantar o caso na mídia. Como ele faria isso? A resposta está na parte das investigações da Polícia Federal que trata daqueles meios de comunicação que eu e muitos outros vivemos dizendo que trabalham para desmoralizar Lula.

 

Eu me enganei na conclusão da pré-análise anterior que fiz da matéria de Bob Fernandes. Quando o jornalista aludiu a revanche que estaria vindo, eu disse aqui que seria a prisão de Dantas o começo dessa revanche, quando depois, lendo bem o que Fernandes escreveu, percebi que a revanche seria de Dantas contra Lula.

 

De qualquer forma, a exploração desse assunto mudaria radicalmente o tom do grande noticiário, que procura criar a idéia de que Lula tentou abafar as investigações contra Dantas quando a matéria do Terra mostra que é justamente o contrário o que aconteceu.

 

 

Probleminha

 

 

Pedrinho tem um par de olhos e uma filmadora / câmera fotográfica e precisa filmar / fotografar duzentas pessoas dispostas em círculo.

 

 

Problema 1 – Quando Pedrinho filma / fotografa o círculo de dentro dele, na filmagem / fotografia  só aparece um pedaço da parte interna do círculo, de acordo com seu campo de visão no diagrama abaixo.

 

 

 

Problema 2 – Quando Pedrinho filma / fotografa o círculo por fora, captura apenas a imagem de um lado dele e o resto permanece oculto.

 

 

 

 

Pergunta: como Pedrinho pode enquadrar, em sua filmagem ou fotos, o círculo de maneira que todas as pessoas que formam esse círculo apareçam na filmagem / foto?

 

Alternativa A: sobrevoando o círculo de helicóptero

 

Alternativa B: filmando ou fotografando via satélite

 

Alternativa C: não há como pedrinho pôr numa só filmagem ou foto todas as pessoas que formam o círculo.

 

 

Calúnias

 

 

O setor jurídico do Movimento dos Sem Mídia analisou a página na Web que tem publicado ataques a este blogueiro, ao MSM e àqueles que se manifestaram no sábado no Masp.

 

Tendo confirmado por mim o fato de que quem tem feito esses ataques é um anônimo que usa sua página na internet para atacar, mas não revela seu nome nem divulga sua imagem, o setor jurídico deu parecer no sentido de que o autor das calúnias cometeu crime de injúria, difamação e uso ilegal de imagem dos agredidos.

 

A ação judicial é perfeitamente cabível, porém o autor das calúnias não revela o próprio nome nem mostra o rosto. Assim, a orientação jurídica que recebi foi no sentido de exortar essa pessoa a que se identifique para que tenha a oportunidade de provar na Justiça as acusações que fez.

 

Porém, como o autor das calúnias não quer dizer seu nome nem mostrar sua cara, no fim de prazo estabelecido à conveniência das vítimas será tomada a iniciativa de localizar o anônimo.

 

Quem tiver informação sobre quem se esconde por trás de pseudônimo para fazer ataques a mando não se sabe de quem, pode colocar comentário aqui que não será publicado.

 

 

Medo

 

 

Amigos e familiares têm observado que eu deveria “tomar cuidado” com esses ataques que estão surgindo. Conversava há pouco com o advogado sobre isso. Falávamos que esse medo que muitos têm de mostrar a cara remonta ao regime militar, época na qual era de fato arriscado ter opinião política, pois se poderia morrer. Hoje, não tenho medo mesmo.

 

ENDEREÇO DA POSTAGEM

http://edu.guim.blog.uol.com.br/arch2008-07-20_2008-07-26.html#2008_07-22_13_05_53-3429108-0 



 Escrito por Eduardo Guimarães às 12h05
[] [envie esta mensagem]



Teoria política

Democracia, uma obra

inacabada

 

 

 

Desde a aurora dos tempos até o surgimento da primeira república de que se tem notícia - a romana, fundada no século V a. c. -, a política limitava-se a disputas palacianas pela proximidade com o único poder possível, o do monarca, e a relações de interesses entre reinos e impérios.

 

Com o advento da república e, mais tarde, com o surgimento da democracia representativa, simplificando as coisas pode-se dizer que surge um conceito diferente da democracia direta de Atenas, onde, voltando a simplificar, as decisões eram tomadas diretamente pelo povo.

 

Na democracia representativa delegar-se-á o poder a representantes da população que, em nome dela, governarão.

 

A política, no início, era feita entre monarcas ou nos cantos dos palácios, onde se tramava pela proximidade com o soberano ou por formas de derrubá-lo. Aos povos não era dado o direito de escolher entre este ou aquele candidato a este ou àquele cargo público.

 

Quando a democracia representativa se ergue no mundo, tornando-se o regime mais aceito e preconizado, a guerra vai, cada vez mais, cedendo lugar à política como meio de atingir o poder. Pelo menos é isso o que se pensa.

 

De fato, a política substituiu a guerra que mata por uma guerra que difama. O objetivo dos contendores é o de desacreditar o adversário de forma a convencer os peões desse jogo (os eleitores) a apoiarem um dos contendores.

 

Esse deve ser o maior defeito da democracia, que dizem não ser perfeita, mas que também dizem ser o regime que mais se aproxima da perfeição, por mais que dela persista distante.

 

E que ninguém se engane: a política não é feita só entre partidos, mas entre os próprios peões do jogo. É através dessa disputa de versões que se vê aqui todos os dias que a democracia se processa, com todos os seus méritos e deméritos.

 

Um regime são, lógico, que fosse engendrado para o bem comum e não como produto de um jogo de guerra em que o sangue deixou de ser derramado diretamente cedendo lugar a disputas nas quais vence quem tem maior capacidade de difamação do adversário, ainda não foi criado.

 

Um regime que o homem nunca conseguiu produzir é aquele em que a disputa não seria a de os contendores tentarem fazer prevalecer a idéia de que o adversário é pior do que si, mas um regime em que a disputa fosse entre as propostas dos antagonistas, e que dotasse essa disputa de meios eficazes para desmascarar farsantes.

 

A política partidária, portanto, é o estágio avançado dos embates de versões primários que se processam entre os cidadãos não partidarizados. É por isso que os políticos em campanha se dedicam a produzir, mais do que tudo, argumentos aos seus eleitores mais fiéis, que, apaixonados, engalfinham-se pelos seus líderes.

 

Em tese, a argumentação de cada um tornaria a disputa justa. O cidadão analisaria os argumentos dos antagonistas – ou os ataques aos seus adversários – e decidiria quem são os melhores e os piores postulantes aos cargos eletivos.

 

É nesse ponto que surge a mídia, que evoluiu do boca a boca até chegar à tevê, o meio de comunicação de massas predominante na contemporaneidade. Ela veio para desequilibrar o jogo, para manipular em benefício de uns contra outros, adquirindo um enorme poder de negociação com a classe política. Ou, dizendo de forma mais crua, poder de chantagem.

 

O grande desafio da humanidade é encontrar um substituto para a democracia representativa, ou aperfeiçoá-la de tal maneira que dela sejam extirpados os vícios enumerados. A democracia, por conta disso, ainda é uma obra inacaba. Só será uma obra completa quando for possível escolhermos representantes por suas qualidades.

 

 

ENDEREÇO DA POSTAGEM

http://edu.guim.blog.uol.com.br/arch2008-07-20_2008-07-26.html#2008_07-22_02_33_01-3429108-0 



 Escrito por Eduardo Guimarães às 01h33
[] [envie esta mensagem]



Denúncia

Difamações na internet

 

 Atualizado às 10:10 hs. De 21 de julho de 2008

 

 

Uma das muitas particularidades revolucionárias da internet é a de que, em tese, qualquer informação colocada nela pode nela permanecer para sempre. Páginas de internet jamais caducam, amarelam ou envelhecem. Permanecem incólumes até que aquele que  pôs tais informações lá as retire.  

 

Por conta disso, temos visto até pessoas que tiveram que mudar de cidade ou que abandonar algum grupo social, trabalho e até relacionamentos afetivos perseguidas por filmagens, fotos, em suma, por informações sobre si que as comprometem e que, em grande parte, são forjadas.

 

Há um caso que, se bem me lembro, era assim: uma moça apareceu na internet fazendo sexo com dois rapazes ao mesmo tempo. Ela era menor de idade e esses rapazes colocaram as fotos dela, naquela situação, no Orkut. A moça teve sua vida praticamente destruída. Parece que teve até que mudar de cidade. Depois, conseguiu provar que as fotos eram montadas.

 

Esse é um aspecto da internet que tem ensejado leis de viés draconiano como a proposta pelo senador tucano Eduardo Azeredo: a internet é usada para difamar com total liberdade. Alguém pode inventar o que quiser sobre um de nós, colocar na internet e aquela informação desabonadora ficará acessível para sempre, por exemplo, a um empregador que fizer uma pesquisa sobre a pessoa que lhe pede emprego ou que trabalha para si. 

 

Faltam iniciativas para punir esse tipo de crime. A maior responsável pelo uso e abuso desse tipo de prática criminosa é a impunidade. As pessoas fazem o que querem com as imagens e/ou nomes das outras pessoas. Deturpam, contam fatos inexistentes com riqueza de detalhes, fazem o que querem porque não têm medo de ser punidas.

 

Surgiu uma chance para alguém fazer alguma coisa quanto a isso e cogito usá-la. Pessoas incomodadas com as manifestações que convoquei no último sábado puseram-se a espalhar calúnias.

 

Apesar de por lá haver (muita) polícia (civil e militar), jornalistas e centenas de testemunhas, sem falar em montanhas de fotos e filmagens, esses caluniadores estão espalhando que os que se manifestaram no último sábado no Masp estavam pedindo dinheiro às pessoas. Falaram que estávamos pedindo 10 reais a cada um.

 

E aí? Fica por isso mesmo? Vou encaminhar a questão ao setor jurídico da ONG que presido para estudos. Acredito até que esse caso tem correlação estreita com os objetivos da  organização.

 

Dos fatos: uma pessoa pôs comentário aqui fazendo essa calúnia. Descobri que era a mesma pessoa que reproduziu em página na Web a acusação sobre pedir dinheiro quase simultaneamente à postagem da calúnia aqui. E o nome e e-mail do comentarista são falsos. Porém, tenho o IP dele.

 

Não quero conduzir esse caso apenas como uma disputa entre cidadãos, mas como uma medida profilática para ajudar a tornar “caro” cometer esse tipo de crime. No fim, muitos se beneficiariam. Quando as pessoas que se dedicarem a esse tipo de coisa começarem a pagar por seus crimes, todos ficaremos mais seguros.

 

 

E-mail e nome falsos

 

 

Conforme expliquei acima, a pessoa que pôs o comentário calunioso aqui usou e-mail falso. Certamente o nome também deve ser. Enviei vários e-mails para o endereço dele e em todas as tentativas o e-mail retornou com a mesma mensagem. Vejam ambos (comentário calunioso e mensagem de erro do envio de e-mail que tentei a essa pessoa). O e-mail é falso.

 

Por que, se a pessoa tem alguma denúncia a fazer, usa e-mail falso? A burrice é tanta que se esqueceu de que o IP da máquina de onde foi acessado este blog fica registrado. Através desse IP é possível compará-lo com outras entradas aqui no blog de pessoas com o mesmo código, porém com outros nomes.

 

Bem, vejam, abaixo, como agem os criminosos cibernéticos. Esses crimes vão do estelionato aos crimes contra a honra. Seguramente é preciso lutar contra isso e só o didatismo da punição aos delinqüentes poderá coibir gente que queira resolver suas desavenças por meios criminosos.

 

 

Porque na manifestação do MASP havia uma pessoa recolhendo 10 reais dos passantes?
Max Fonseca | velhomax@zipmail.com.br | São Paulo - SP | Engenheiro |  21/07/2008 12:51

 

This is the Postfix program at host sniper2.uol.com.br.

I'm sorry to have to inform you that your message could not
be delivered to one or more recipients. It's attached below.

For further assistance, please send mail to

If you do so, please include this problem report. You can
delete your own text from the attached returned message.

The Postfix program

: host mxzip.mail.sys.intranet[172.26.14.131] said:
550 : Recipient address rejected: User unknown in
relay recipient table (in reply to RCPT TO command)

 

ENDEREÇO DA POSTAGEM

http://edu.guim.blog.uol.com.br/arch2008-07-20_2008-07-26.html#2008_07-21_20_57_04-3429108-0



 Escrito por Eduardo Guimarães às 19h57
[] [envie esta mensagem]



Crítica à mídia

Ombudsman põe a Folha

em “saia-justa”

 

 

 

 

 

Em sua última coluna dominical na Folha de São Paulo, Carlos Eduardo Lins da Silva, o ombudsman do jornal, comprou uma “briga” com o veículo que será interessante acompanhar, se é que terá desdobramentos.

 

Na verdade, um ponto nevrálgico que a coluna de ontem do ombudsman abordou foi um assunto que já me tinha sido antecipado por ele no almoço que compartilhamos na quinta-feira passada. Ele tratou da supressão pela Folha de boatos de que a filha de José Serra, Verônica Serra, teve relações com a irmã do banqueiro Daniel Dantas, presa recentemente pela Polícia Federal na Operação Satiagraha.

 

Vejam o que o ombudsman escreveu.

 

"(...) O jornal (...) não mostrou ainda com detalhe o grau de enraizamento do grupo de Daniel Dantas na política brasileira. O perfil do financista foi curto e ralo. Não foram exploradas a fundo suas relações com PSDB, DEM, PMDB, além do PT, nem com figuras de frente desses partidos.


Houve omissões importantes e injustificáveis. Nenhuma linha foi publicada sobre a relação de negócios entre a irmã de Dantas e a filha de José Serra, apesar de esta ter até divulgado um comunicado de imprensa para esclarecê-la (...)"

 

Vejam só, dessa eu não sabia. Não vi em lugar nenhum nota de Verônica Serra à imprensa tratando de “relação de negócios” entre ela e a outra Verônica, a Dantas. Mas a filha do governador escreveu hoje na Folha contestando o ombudsman:

 

Em referência à coluna do ombudsman da Folha "O acessório e o essencial" (20/7, pág. A8), quero dizer que nunca tive nenhuma relação com a sra. Verônica Dantas. Não a conheço pessoalmente nem por telefone ou e-mail. As matérias que falaram sobre sociedade são de 2002, durante a campanha presidencial, por razões políticas.

 

Elas tiveram como base o fato de que estivemos em um mesmo conselho de administração de uma empresa de internet, durante 18 meses. Ela nunca compareceu às reuniões e por isso nunca tive nenhum contato com ela. Não mandei nenhum comunicado para a imprensa; apenas esclareci e alertei alguns blogs que recentemente voltaram ao assunto com base nas matérias antigas que distorcem os fatos."

 

VERÔNICA SERRA (São Paulo, SP)

 

Particularmente, acho meio nazista essa coisa de ficar usando a família do adversário para atacá-lo. Com o Lula e seu filho fizeram a mesmíssima coisa. Lulinha recebeu investimentos em sua empresa de uma empresa ligada a Dantas que se financiou com dinheiro público e, por isso, foi feita a suposição de que Lula teria agido em favor da empresa de Dantas para este ajudar seu filho.

 

Jamais se achou o menor indício disso. O filho de Lula poderia usar o mesmíssimo argumento da filha de Serra, de que não teve relações pessoais com Dantas, apesar de este, tanto com o filho de um quanto com a filha de outro ter mantido interesses comuns, no mesmo filão de negócios.

 

A Folha usará esse argumento (correto) de que não havia elementos para acusar a filha de Serra, mas o jornal – e o resto da mídia – não hesitou nem um segundo em dar ENORME repercussão às acusações contra o filho de Lula, igualmente baseadas em boatos.

 

Já que foi assim com o filho de Lula, e já que faltam muitas informações sobre as relações sobre a filha de Serra com a irmã de Dantas, pois não se sabe o nome da empresa da qual as duas Verônicas compartilhavam interesses, e tampouco se fez para a filha de Serra a pergunta que se fez para o filho de Lula, sobre como é que alguém tão jovem consegue chegar ao conselho de administração de uma empresa que, se tem a irmã de Daniel Dantas envolvida, por certo não é pouca coisa.

 

Eu e o ombudsman concluímos juntos que o mais correto teria sido a Folha esclarecer tudo de uma vez, quem é a empresa, quais são as relações, se essa empresa, em 2002 - época que o PSDB governava o Brasil –, tinha recebido dinheiro do governo FHC...

 

A diferença de pesos e medidas é escandalosa. Aliás, só para vocês saberem, a Folha continua só permitindo manifestações de leitores que afirmam que Lula mandou abafar a investigação contra Dantas. Eu mesmo não mandei cartas sobre isso para o jornal porque sei que é perda de tempo, mas vários leitores meus mandaram, porém o jornal bloqueia.

 

Conhecendo o Carlos Eduardo como estou começando a conhecer, duvido de que ele não irá aumentar suas críticas no decorrer do tempo, conforme for constatando as manipulações que a Folha faz. Essa é uma das razões pelas quais aceitei o convite dele para nos reunirmos em almoço pelo menos uma vez por mês, para analisarmos essas questões. A outra é a de que ele é um ótimo sujeito e um excelente papo.

 

ENDEREÇO DA POSTAGEM

http://edu.guim.blog.uol.com.br/arch2008-07-20_2008-07-26.html#2008_07-21_12_44_21-3429108-0



 Escrito por Eduardo Guimarães às 11h44
[] [envie esta mensagem]



Crônica

Coronéis de pijama

 

 

 

Guerra, Sombra e Água Fresca, seriado dos anos 1960

Da esquerda para a direita, Sgto. Chultz, capitão Hogan

e o impagável coronel Klink

 

 

 

A direita, quando há democracia, é diversão garantida – mas só quando há democracia; quando não há, a garantia é de assassínios, torturas, estupros e de ataques com suas armas prediletas, a censura e a mentira.

 

Não costumo dar trela a pinimbas de reacionários doidões de pijama que falam para grupelhos de fanáticos igualmente doidões. E muito menos aos que falam a grupões, estes também cada vez menos “ões” nos dias que correm, mas abrirei uma exceção hoje contando o “milagre” sem, no entanto, contar o santo, pois quem é a tal figura importa tanto quanto o nome de quem inventou a falta do que fazer.

 

Só quero contar para vocês o que o sujeito fez porque é engraçado e estou querendo começar a semana com bom humor. Trata-se de alguém que se intitula “coronel” e que tem um blog cujo signo é nada mais, nada menos do que um... Coturno (?!). É, co-tur-no, aquela bota que soldados usam... Tem algo de freudiano aí, não?

 

Bem, mas vamos à piada: o sujeito tirou duas fotos do começo da manifestação no Masp daqui do blog – que esse sujeito, aliás, freqüenta e, ó dura vida de blogueiro, ainda deixa comentários insultantes - e pôs no blog dele. Daí escreveu que a manifestação no Masp tinha 17 pessoas (eu disse DEZESSETE!), e que, quando eu digo que foram mais de duzentas pessoas, estaria contando os “pipoqueiros” e os transeuntes daquele ponto da avenida Paulista.

 

Vejam só que o sujeito, pelo que posta quando comenta aqui, é de Santa Catarina. Não esteve na Manifestação do Masp, claro. Só olhou para as fotos, bolou a história toda que ia contar para seus três leitores e, creiam-me, contou.

 

O risco que o tal “coronel” corre é o de alguém ler o que escreveu, levar a sério e denunciar soldados da tropa de choque da Polícia Civil para o Kassab, soldados da Polícia Militar para o Serra e alguns funcionários da Globo para a própria Globo, da TV Cultura para a TV Cultura, da TV NGT para a TV NGT e da Agência Brasil para a Agência Brasil.

 

Pelo menos meia dúzia de policiais militares, mais meia dúzia de policiais do “choque” civil e mais uma meia dúzia de funcionários da CET e uma meia dúzia de jornalistas daqueles veículos supra mencionados foram ao Masp e lá permaneceram por quase duas horas por causa de 17 pessoas, vejam só! Em vez de estarem trabalhando, foram todos ao Museu e ficaram lá por duas horas para verem 17 gatos pingados ouvindo um cara com um megafone gritar nas orelhas deles...

 

Ah, as fotos e a lista com 131 assinaturas (pelo menos um terço dos que estavam no Masp não assinaram por causa da fila) também são dos “pipoqueiros” da avenida Paulista; nem eu sabia que tinha tanto pipoqueiro lá... Esse coronel de pijama lá de Santa Cataria sabe mesmo das coisas.

 

Arre...

 

Perdoem-me por esta. Descobri essa coisa procurando repercussão do ato de sábado no Masp no Google e encontrei essa divertida barbaridade e, terminando o domingão, decidi nos divertir escrevendo sobre ela. Mais tarde volto com algum assunto sério. Foi só para alegrar sua segundona, que eu sei que não é mole.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 00h21
[] [envie esta mensagem]



Manifestações e novo visual do Cidadania.com

Manifestações e layout

 

 

 

Porto Alegre, sábado, 19 de Julho, 10 da manhã

 

 

Peço desculpas a vocês pela demora em noticiar e agradecer aos amigos do resto do Brasil.

 

Recebi poucas fotos até agora e relatos do Rio, de Porto Alegre, de Goiânia, de Belo Horizonte e do Recife. Só tenho fotos de Goiânia e de Porto Alegre. Vamos aos relatos.

 

Porto Alegre

 

Tivemos 20 pessoas em POA.  

Hélio Sassem Paz / Porto Alegre / Programador em comunicação

 

Rio de Janeiro

 

Vinte e sete ativos e competentes sem mídia estivemos na Candelária (RJ) com faixas, panfletos e megafone  

Horacio Matela |  Rio de Janeiro | Aposentado | 

 

Eduardo, o pessoal que esteve na Candelária, no Rio, marcou outra manifestação na quarta-feira dia 23/7 ao meio-dia, na frente do Fórum do Rio (encontro diante do prédio do Jóquei clube. Anuncie no blogue, por favor. E, por favor, vê se você consegue me pôr em contato com os organizadores do Rio

Zinda Maria Carvalho de Vasconcellos | Rio de Janeiro  | professora

 

Goiânia

 

 

Goiânia, sábado, 19 de julho, 10 horas da manhã

 

Aqui em Goiânia tivemos a presença de 16 pessoas 

wilson cunha junior | goiânia | representante comercial | 

 

Recife

 

Participei da passeata de Recife e assinei a lista de lá. Foi um sucesso.

Carlos Henrique Simões da Costa | Recife/PE | Funcionário Público 

 

Belo Horizonte

 

SUCESSO! 30 pessoas, 1 megafone, apitos. E 60 adesões entusiasmadas 
Beto Mafra |  orkut | Belo Horizonte | desenhista |

 

Sobre as manifestações no resto do país

 

Quero cumprimentar gaúchos, cariocas, mineiros, goianos, pernambucanos e quem mais tenha feito atos no último sábado. Junto com tantos outros milhares que assinaram a já famosa petição na internet, que uniram-se em comunidades do Orkut, sites, blogs, a todos vocês cumprimento e, em nome do Brasil, agradeço. E, pessoalmente, agradeço pela confiança e apoio que me me outorgaram, o que permitiu coordenar essa demonstração de força diante dos desmandos daqueles que se acham – até com boas razões para isso - os donos do país.

Layout do Blog

 

O novo visual do Cidadania é de autoria do publicitário gaúcho de Caxias do Sul e radicado em São Paulo Luis Fernando Chiapinotto, de 51 anos, meu contemporâneo. Ele é diretor de arte de uma agência de propaganda paulista. Aceitei a oferta do publicitário gaúcho-paulista não só porque achava que já estava na hora de dar uma repaginada no blog, mas porque considero um trabalho excelente o que me ofertou. Obrigado, Luis, em meu nome e no de meus leitores.

 

Números das manifestações

 

Entre Belo Horizonte, Goiânia, Porto Alegre, Rio e São Paulo, já nos aproximamos do número de 300 brasileiros que foram às ruas protestar contra o presidente do STF, Gilmar Mendes.

 

Repercussão dos atos públicos

 

Houve um boicote generalizado da mídia aos atos do último sábado. De pequenos a grandes veículos. A Globo e a TV Cultura, por exemplo, mandaram equipes e, que eu saiba, até agora não veicularam nada. Havia também um repórter do Estadão no ato em São Paulo. Estou duvidando de que vá divulgar alguma coisa. Enfim, meus amigos, fizemos tudo isso sem mídia mesmo e foi um sucesso, sobretudo por conta do que fizeram os paulistas, que deram show, mas com o esforço e a coragem de cariocas, gaúchos, mineiros, goianos e pernambucanos, os atos públicos de sábado ganharam um caráter nacional, de uma forma ou de outra.

 

A escassa repercussão na mídia foi toda baseada na entrevista que fez comigo a repórter da Agência Brasil Elaine Patrícia Cruz, que aparece com o gravador junto ao meu rosto nas fotos da manifestação na Paulista, no post anterior. E, abaixo, os links para a repercussão na internet da manifestação no Masp, todas reproduzindo a matéria da Elaine da Agência Brasil. Se quiser ler a matéria, clique nestes links. IG , Zero Hora , Agência Brasil , UOL

 

ENDEREÇO DA POSTAGEM

http://edu.guim.blog.uol.com.br/arch2008-07-20_2008-07-26.html#2008_07-20_20_34_33-3429108-0



 Escrito por Eduardo Guimarães às 19h34
[] [envie esta mensagem]



[ ver mensagens anteriores ]


Este blog já foi acessado

vezes


Contador único p/ IP
free webpage hit counter


Outros sites
Agência Carta Maior
Altamiro Borges
André Lux
As Últimas - agregador
Azenha
Blog do Planalto
Caros Amigos
Carta Capital
Clipping jornais
Celso Lungaretti
Confecom
Doxa / Iuperj
Estatuto MSM
Fazendo Media
Fórum Cultura Digital
Jornalirismo
Leandro Fortes
Le Monde - BR
Mello
Nassif
Nas Retinas
Observatório da Imprensa
Observatório de Mídia
Óleo do Diabo
Onipresente
Paulo Henrique Amorim
Petrobrás (blog)
PNUD - ONU
Portal da Transparência
Primeiro Filme
Professor Hariovaldo
Protógenes Queiróz
Publicidade MSM
Quanto Tempo Dura?
Revista Fórum
Ricardo Kotscho
Renato Rovai
Rodrigo Vianna
Sivuca
TV Brasil
TWITTER
Vermelho.org



Banner
120x60 fundo branco