Crônica

     Duas meninas    

 

 

 

 

 

 

Essas duas belas garotas da foto acima fazem de mim um pai orgulhoso. Estou certo de que as criei bem. Hoje estou certo. Quando eram pequenas, porém, quando vi a primeira luz refletida em seus olhos recém-nascidos, então eu não sabia se conseguiria.

 

Mas eu e minha mulher conseguimos. Modéstias à parte, fizemos um belo trabalho. Elas se tornaram cidadãs dignas, honestas, bem falantes, educadas, que encantam a todos os que as conhecem.

 

Como o pai, não hesitam, nem por um segundo, em exigir seus direitos e em tomarem atitudes contra o que julgam errado.

 

Aprenderam comigo e com a mãe a respeitarem seus semelhantes e a terem maior deferência com os mais fracos, sobretudo na escala social. E a serem piedosas com quem necessita. Igualmente aprenderam a generosidade e a sinceridade.

 

Cresceram tão rápido, minhas filhas. Aprenderam tudo tão rápido...

 

Essa morena linda, a Carla, minha primogênita, que me deu o presente da paternidade pela primeira vez, até já constituiu sua própria família, com marido, casa, carro e cachorro, e me gerou a primeira neta dos netos que ainda pretendo ter – no que depender de mim, claro, ainda que jamais venha a depender.

 

Já a loirinha dengosa, a Gabriela, esse oceano de dignidade e determinação, em menos de seis meses irá estudar no exterior e seu regresso ainda não está bem definido, ainda que venha a ter que ser por conta de condição que ainda não estabeleci, mas que ainda estabelecerei, apesar de haver a possibilidade de eu não vir a ter tal poder.

 

Um dos predicados das meninas, porém, a sinceridade que o pai e a mãe delas sempre perseguiram e ensinaram, muitas vezes pode se tornar um elemento de complicação nas relações humanas. Sobretudo quando duas jovens de mentes brilhantes e de espírito impulsivo – e aí entram os cromossomos paternos – divergem em alguma coisa.

 

Provavelmente, leitor deste blog, você ainda não captou bem a mensagem. Não o culpo. O que é que você tem que ver com o que relato sobre minhas duas meninas? Por que lhe falo sobre meninas que já estão se tornando mulheres e que você nem conhece?

 

Compreendam-me, minhas amigas e meus amigos leitores: dedico tanto de minha vida a escrever para vocês e a ler alguns de vocês que já os tenho quase que como uma segunda família. Não estranhem quando eu lhes abrir meu coração, pois.

 

A verdade é que ando meio triste porque minhas duas meninas, tão parecidas, tão equiparadas nos predicados, na inteligência, na beleza e, acima de tudo, na integridade, não andam se entendendo como duas irmãs devem se entender. Não estou falando de nenhuma atitude de uma com outra que possa ser classificada de menos do que nobre. Não, falo de uma certa indiferença e de um pouco de falta de paciência de uma com a outra.

 

A natureza as dotou de tantos instrumentos para entenderem a vida e as pessoas, mas elas não andam usando o que Deus lhes deu. É a paixão herdada do pai, por certo, que as faz terem um pouco mais de pressa de viver, tendo ambas suas vidas ainda inteirinhas pela frente.

 

 Este blog tem centenas, milhares de leitores que, como eu, são pais. Muitos de vocês têm mais de um filho e, a todos os que puderem, quero pedir um grande favor, pelo qual sempre lhes serei grato. Seria perfeito se dissessem às minhas meninas o que nós pais sentimos diante de dois filhos que, como irmãos, não estão suficientemente unidos.

 

Minhas meninas já se reconciliaram. Uma procurou a outra e a outra procurou a uma. Mas que não tenha sido para me atenderem e à mãe. Que entendam quanto dói para os pais quando dois ou mais filhos parecem querer pedir que se escolha um deles. É impossível. São todos frutos do mesmo amor, carne da mesma carne, sangue do mesmo sangue, partes da mesma alma forjada pelo amor de um homem e de uma mulher, pelo amor que os gerou.

 

E fiquem com os agradecimentos deste pai, que sempre estará à disposição de vocês para devolver o favor a cada um que se dispuser a me ajudar, a fazer com que cale fundo em minhas meninas qualquer desentendimento futuro entre elas, pois com vossa ajuda saberão quanto sofrimento desentendimentos entre os filhos causam nas almas de nós, pais e mães que dedicamos e que sempre dedicaremos nossas vidas a eles.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 21h49
[] [envie esta mensagem]



Análise política - pesquisa Ibope

Por que Marta sobe

 

 

 

 

 

Uma amiga do Rio, a leitora, socióloga e professora aposentada Vera Pereira, postou aqui ontem um comentário que me estimulou a escrever este post.

 

Enfim uma notícia para amenizar minha “deprê” cívica dos últimos dias: Pesquisa Ibope divulgada nesta sexta (15) mostra a candidata Marta Suplicy  com 41% das intenções de voto (...). Geraldo Alckmin  aparece em segundo com 26%. (...) Pena que eu voto no Rio de Janeiro. Em todo caso, parece que os paulistanos não dão a mínima para a mídia.

 

Mais ou menos, minha cara professora Vera. Eu não diria que os paulistanos “não dão a mínima para a mídia” e sim que boa parte deles descobriu que é melhor não dar bola a ela, ao menos quando o assunto é política.

 

Analisem o gráfico que fiz (acima). Percebe-se que, de uma outra pesquisa Ibope – divulgada exatos 30 dias antes da que foi divulgada ontem – para cá, só Marta Suplicy e Ivan Valente, do PSOL, aumentaram suas intenções de voto - todos os outros caíram e Soninha ficou estagnada. Marta disparou no primeiro turno, conforme o gráfico. E, no segundo, já supera Alckmin, ainda que dentro da margem de erro da pesquisa. Aliás, essa tal margem de erro das pesquisas é um caso à parte sobre o qual ainda escreverei.

 

Hoje, porém, quero oferecer-lhes minha visão sobre por que Marta subiu tanto apesar da revoltante armação que foi a tal “lista suja” da Associação dos Magistrados do Brasil (AMB), explorada de forma desonesta pela mídia e por Gilberto Kassab, que acabou incluído nela quando se descobriu que tinha processo contra si que a AMB, a exemplo do que fez com os processos a que responde Geraldo Alckmin – alguns envolvendo milhões de reais –, desprezou não se sabe por que.

 

Durante o período da arrancada de Marta (entre 16 de julho e 15 de agosto), a mídia martelou incessantemente a inclusão da ex-prefeita na tal “lista suja” e Kassab chegou a espalhar milhares de panfletos por São Paulo associando a adversária a “corrupção”. Justo Kassab, que permitiu o retorno da máfia dos fiscais do comércio ambulante, que surgiu pela primeira vez quando o atual prefeito era secretário do ex-prefeito Celso Pitta, que dispensa apresentações.

 

Há que se dar razão à professora Vera. O que parece é que os paulistanos “não dão a mínima” para a mídia. Enquanto esta tratava de alardear a inclusão de Marta numa lista de candidatos nos quais não se deveria votar, ela disparou na preferência do eleitorado da capital paulista.

 

Porém, como paulistano de cinco gerações posso afirmar que o povo desta cidade sempre deu muita importância à mídia. Esta, só para ficarmos em São Paulo, já elegeu Maluf, Pitta e Serra contra petistas. Porém, à diferença do que aconteceu em 2004, quando Marta, apesar de bem avaliada, perdeu a eleição na cidade, o eleitorado paulistano começa a se definir mais do ponto de vista das classes sociais.

 

Quero aqui fazer um prognóstico: se Marta vencer a eleição, será com apoio muito maior da periferia paulistana, que abriga as classes sociais que mais perderam com a vitória de Serra sobre a petista há quatro anos.

 

Uma das maiores perdas da periferia de São Paulo com o governo Serra / Kassab foi no Transporte. A vantagem dos corredores que estava permitindo aos que tomam ônibus viajarem bem mais rápido do que quem viajava de carro foi anulada em prol deste. Os importantes projetos de Marta no social, que perderam importância durante a administração tucano-pefelista, foram sendo todos transformados em programas de fachada.

 

Pesquisas recentes demonstraram a disparidade de gastos da administração paulistana com os munícipes das regiões “nobres” e com os da periferia. Em alguns casos, gasta-se vinte, trinta vezes mais hoje com os paulistanos dos bairros ricos do que com os dos bairros pobres, isolados, invisíveis, carentes de tudo.

 

Em 2004, eu conversava com as pessoas mais humildes, aquelas dos bairros afastados, que viajavam horas para chegar em casa e que, graças às iniciativas de Marta, tiveram reduzidas essas viagens a minutos. Tentava explicar àqueles que começaram a ter escolas de qualidade para seus filhos (CÉUS) que deveriam apoiar uma administração que tanto estava fazendo por eles. Mas foi em vão: a mídia paulista vendeu aos paulistanos – inclusive aos pobres – que Serra poderia fazer mais “por ter sido ministro” etc.

 

Os paulistanos, sobretudo os mais pobres, sentiram na carne os efeitos do voto errado. Não que votar em Serra ou em Kassab tenha sido errado pura e simplesmente. Foi errado para os mais pobres, para os habitantes da periferia. Para quem vive nos Jardins, foi certo votar na direita tucano-pefelista, se formos analisar o ato de votar apenas do ponto de vista dos interesses diretos e imediatos dos eleitores.

 

O preço pago pelos paulistanos mais pobres ao votarem em José Serra e em Gilberto Kassab em 2004 será cobrado de tucanos e pefelês nesta eleição, pois as pessoas parece que estão entendendo que Alckmin, Serra e Kassab são todos a mesma coisa.

 

É animadora a possibilidade de se punir nas urnas políticos que se elegeram com um discurso social e o abandonaram depois da eleição. São Paulo, a megalópole historicamente conservadora do estado mais conservador da Federação, sempre foi, também, berço de grandes mudanças que ocorreram no país. Seja bem vinda, pois, ao século XXI, São Paulo.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 09h36
[] [envie esta mensagem]



Análise econômica

Pré-sal e o olho grande

da primeira classe

 

 

 

 

 

 

 

Enquanto nos distraem com o foguetório político-partidário da imprensa, a primeira classe do transatlântico Brasil trama para tentar consumar uma das maiores apropriações indébitas das riquezas nacionais por um grupelho de mega acionistas privados da Petrobrás.

 

Não é sem razão que o Jornal da Globo, em sua edição de ontem, escalou o menino de ouro (negro) da era FHC, o ex-primeiro-genro, David Zylbersztajn, ex-presidente da ANP, para, fazendo coro com a gritaria no Congresso e na mídia golpista, defender os interesses daqueles que a privataria tucana brindou com generoso naco das reservas petrolíferas da nação.

 

Por que Lula quer criar uma empresa genuinamente estatal para gerir as reservas petrolíferas que jazem na camada inferior à camada de sal do subsolo do litoral Sudeste brasileiro? Porque são riquezas do país que não entraram em contrato nenhum que já foi feito com uma Petrobrás, que tem até estrangeiros controlando enormes carteiras de suas ações, adquiridas sabe-se lá como.

 

Essa situação me lembra outra que, por coincidência, vi no ano passado no Equador. Lá pelo fim de 2007, o presidente Rafael Correa promoveu uma mudança na participação das multinacionais do petróleo que exploram a prospecção e comercialização da principal riqueza daquele país: reduziu a participação dessas empresas no lucro excedente gerado pela exponencial alta do petróleo que ocorreu posteriormente aos fechamentos dos contratos entre o país e aquelas empresas.

 

É muito simples de entender: quando as multinacionais exploradoras de petróleo fecharam contratos de exploração do ouro negro equatoriano, o dólar estava a cerca de 30 dólares o barril. Hoje, por exemplo, está a mais de cem. Quando o preço do petróleo começou a explodir, o governo equatoriano renegociou com as empresas de forma que o lucro excedente que estava sendo obtido daquela alta de preços ficasse ao menos metade dele com os equatorianos, pois, até então, estava ficando todo com as multinacionais.

 

Quando estive no Equador em novembro de 2007, o presidente Correa decretou que aquele lucro imprevisto e exorbitante teria que ficar no país na proporção de 99% e as multinacionais que ficassem com 1%, e que lambessem, pois jamais contariam, quando os contratos foram fechados, com que o triplo de tudo que o Equador auferia com petróleo passasse a ser lucrado por elas.

 

Os subsolos equatoriano ou brasileiro não pertencem a acionistas privados e sim aos povos equatoriano e brasileiro. No caso da Petrobrás, já que acionistas privados (alguns estrangeiros) detêm quase metade da empresa, o lucro que teriam com as supostamente imensas reservas petrolíferas do litoral brasileiro poderia levar para bolsos privados uma quantidade absurda de riquezas que pertencem apenas ao país.

 

E que não se venha falar em tecnologia para extrair todo esse petróleo, porque muitos países, como o Equador, por exemplo, ou Angola, onde estive no começo deste ano, contratam empresas estrangeiras para extraírem o petróleo, sem, no entanto, poderem lucrar com o produto extraído conforme surgem novas reservas petrolíferas ou quando explode o preço da commodity. As empresas são remuneradas apenas pelo serviço de extração prestado.

 

A empresa estatal que seria criada pelo governo Lula para explorar a camada de pré-sal do litoral brasileiro poderia fazer a mesma coisa que o Equador ou Angola e o ganho para os cofres públicos seria duplicado.

 

O país não pode doar toda essa riqueza ao setor privado, ainda que me venha o âncora engraçadinho do Jornal da Globo dizer da “voracidade” financeira do Estado. Se não formos colocar toda essa riqueza nas mãos do Estado – leia-se do povo brasileiro –, colocaremos nas mãos de quem? Da família Marinho?



 Escrito por Eduardo Guimarães às 01h28
[] [envie esta mensagem]



Piada de brasileiro

Valei-nos, Nossa Senhora

de Achiropita !!

 

 

 

Nossa Senhora de Achiropita

 

 

Aaah, minha Nossa Senhora de Achiropita, essa imprensa golpista não me deixa trabalhar! Agora está transformando Daniel Dantas num misto de vítima e herói, e o delegado Protógenes Queiroz e o Juiz Fausto De Sanctis em vilões.

 

E eu, recebendo e-mails desesperados e lendo blogueiros ensandecidos com tal absurdo, interrompo os preparativos de uma complicada viagem de negócios para vir aqui exercer o meu jus esperneandi (direito de espernear).

 

Mas vocês sabem por que a mídia faz isso? Vocês acham mesmo que o PIG quer convencer alguém de que Dantas é o mocinho da história? É óbvio que não. Nem a maior cavalgadura do mundo iria acreditar que um quadrilheiro desses é vítima das armações obscuras de um juiz, de um delegado ou do chefe da Abin.

 

Luis Nassif, Paulo Henrique Amorim e Luiz Carlos Azenha: vocês, vossos leitores, eu e os leitores destes blog podemos todos espernear à vontade. É isso o que o PIG quer.

 

Explico: é uma demonstração de força. A mídia quer mostrar que pode se dar ao luxo de propor as teorias mais absurdas sem medo de ser feliz e sem sofrer qualquer penalidade – da lei ou de seu público.

 

É para desanimar as pessoas, para mostrar que gente rica e influente como Dantas, como a família Frias, como a família Marinho, como a família Civita e assemelhados podem cometer o que quiserem que jamais serão punidos.

 

Vocês podem ficar sabendo de uma coisa, porém: enquanto não começarem a pôr esses quadrilheiros em cana, vamos ter que continuar nos limitando a espernear. E o pior é que todos esses estão acima da lei, no Brasil.

 

Vamos fazer o seguinte: vocês ficam aqui esperneando que eu vou me escafeder do país por duas semanas. Quem sabe na volta eu consiga me convencer de que não devo ter nojo deste país e de que um governo popular, quando se for, terá mudado alguma coisa.

 

 

Do leitor

 

 

Uma antiga música de Chico Buarque, Acorda Amor, resume o estado de espírito (e as atitudes) da elite do país diante da prisão de Daniel Dantas.

 

Confira abaixo:

 

Acorda amor

Eu tive um pesadelo agora

Sonhei que tinha gente lá fora

Batendo no portão, que aflição

Era a dura, numa muito escura viatura

Minha nossa santa criatura

Chame, chame, chame lá

Chame, chame o ladrão, chame o ladrão

Acorda amor

Não é mais pesadelo nada

Tem gente já no vão de escada

Fazendo confusão, que aflição

São os homens

E eu aqui parado de pijama

Eu não gosto de passar vexame

Chame, chame, chame

Chame o ladrão, chame o ladrão

 

ARMAS ZEN: ESCRITOS AFIADOS

(http://microliteratura.zip.net)
Ivaldo Souza | Aracaju/SE | Funcionário Público 

 



 Escrito por Eduardo Guimarães às 15h41
[] [envie esta mensagem]



Crítica à mídia

 

Nós e a América Latina

 

 

 

Monumento sobre a linha imaginária do

Equador, na cidade equatoriana de

 Mitad del Mundo, próxima a Quito 

 

 

 

A grande imprensa está noticiando timidamente, sem manchetes adequadas, resultados ainda mais surpreendentes dos referendos revogatórios que ocorreram na Bolívia no último domingo. Isso acontece porque esses referendos não produziram o que ela esperava.

 

É ocioso reproduzir os resultados. Vocês já devem ter lido sobre eles nos cantos de página dos jornalões e na internet. Quem se interessou por eles sabe que mostram vitória esmagadora de Evo Morales sobre seus adversários.

 

O presidente boliviano diminuiu de seis para quatro o número de governadores hostis a ele em um total de nove governadores, e aumentou muito sua votação até no bastião oposicionista, Santa Cruz de la Sierra.

 

O mais surpreendente, entretanto, foi o quanto a popularidade do presidente boliviano aumentou de 2005 para cá, ou seja, 14% a mais nesta eleição.

 

Apesar de três dos quatro governadores da Meia Lua boliviana (região oriental da Bolívia, composta por Santa Cruz de la Sierra, Tarija, Beni e Pando) terem mantido os cargos, Morales aumentou muito seu apoio em todos esses estados.

 

Desafio qualquer um a encontrar na grande imprensa brasileira, tanto antes quanto depois da eleição de domingo passado, algum indício de que aconteceria o que aconteceu.

 

Todos, absolutamente todos os grandes meios de comunicação vinham fazendo os brasileiros acreditarem que Evo Morales era um governante decadente, em termos de popularidade.

 

Enquanto a vitória de Morales sobre seus adversários se desenhava, de domingo para cá, a mídia alardeava um “empate” absurdo entre ele e a oposição.

 

Os brasileiros, que como os americanos não dão muita importância a nada que aconteça além de suas fronteiras, não se dão conta da gravidade do fato de terem sido mantidos tão mal informados sobre os países com os quais o nosso país tem fronteiras.

 

Noto, inclusive neste blog, que quando o assunto é América Latina há uma certa frieza em relação a ele, o que demonstra o mal que a grande imprensa faz ao manter o país desinformado sobre a região que o cerca.

 

A integração latino-americana e, sobretudo, a sul-americana têm uma importância enorme para todos os povos da região. Econômica, cultural e estratégica.

 

Num mundo em que os blocos econômicos formados por países vão surgindo e se consolidando incessantemente, temos uma imprensa que trata de desmoralizar o Mercosul e todas as iniciativas correlatas.

 

A serviço de quem a imprensa supostamente nacional age assim? Certamente não é no interesse nem dos brasileiros, nem, muito menos, dos sul-americanos ou dos latino-americanos em geral.

 

Por meio de uma visão estreita, que despreza as conquistas, os avanços políticos, sociais e econômicos latino-americanos só porque os governos da maioria dos países da região são de esquerda, os meios de comunicação brasileiros trabalham contra todos nós.

 

O pior é que esse desprezo pelos nossos vizinhos que a mídia planta desde sempre em nossas mentes, atinge até os que sabem como são ruins nossos meios de comunicação.

 

Na próxima segunda-feira, embarco para o Equador e por lá ficarei durante as próximas duas semanas.

 

É outro país no qual uma importante revolução econômica, política e social está em curso, sob a batuta do presidente Rafael Correa.

 

O Equador é um país sobre o qual os brasileiros sabem ainda menos do que sobre uma Bolívia, apesar de sua importância como produtor de petróleo.

 

O país encravado exatamente na metade do mundo, que tem até uma cidade próxima à capital federal, Quito, chamada Mitad del Mundo, por onde passa a linha do equador, acaba de aprovar uma nova Constituição que, como na Bolívia e em outros países da região, é execrada pela direita.

 

Essas minhas viagens estão fundamentando estudo que venho fazendo sobre a América Latina. Graças ao meu trabalho como representante internacional, penso que tenho muito a dizer sobre esta parte do mundo e um dia quero dizer num livro.  

 

Sugiro aos amigos deste blog que acompanhem com atenção os relatos que farei de lá do Equador. E que se interessem mais pela América Latina. Desprezar a região em que vivemos é fazer o jogo da mídia golpista e subserviente aos interesses americanos.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 11h49
[] [envie esta mensagem]



Dos arquivos do blog - Movimento dos Sem Mídia

Promessa é dívida

 

 

Revirando os arquivos deste blog, encontrei um texto que escrevi em 10 de março de 2007, seis meses antes de ter desencadeado, a partir desta página, uma manifestação diante da Folha de São Paulo em 15 de setembro do mesmo ano, manifestação essa que gerou o surgimento da ONG Movimento dos Sem Mídia.

 

Decidi reproduzir o texto aqui para vocês para que vejam que este blogueiro é um teimoso irrefreável, alguém que costuma cumprir as promessas que faz, sobretudo quando as faz para si mesmo.

 

O título que escolhi para o texto, obviamente, foi “Movimento dos Sem Mídia”. Vejam que interessante:

 

Movimento dos Sem-mídia

 

 10/03/2007

 

 Se tentarmos entender a mídia brasileira quando trata de política, ficaremos loucos. Essa mídia corporativa, reacionária, engajada politicamente até a raiz dos cabelos diz que o governo Lula tem um viés antiamericano e populista, pois o primeiro mandatário teria relações estreitas demais com os ditos populistas Hugo Chávez, Evo Morales, Néstor Kirchner e outros governantes de esquerda que estão ascendendo ao poder na América Latina depois do fracasso retumbante do neoliberalismo tucano-pefelê, oriundo do Consenso de Washington.

 

Quando a política externa de Lula, no entanto, desfaz essa teoria mentirosa e ladina ao entabular diálogo de alto nível com o governo norte-americano, essa mesma mídia esquizofrênica tenta passar, através de fotos, fotinhos, fotões e interpretações manipuladoras dos fatos, a idéia de que Lula se submete aos interesses ianques.

 

  É o samba do crioulo doido. Não há saída para Lula na mídia partidarizada deste país. Nada do que ele faça ou diga receberá uma interpretação minimamente isenta e fidedigna dos fatos. O objetivo diário da mídia é desgastar o governo. Não se pode confiar em nada do que a mídia diz sobre política.

 

  Analisemos o noticiário do maior jornal do país sobre a visita de George Walker Bush ao Brasil. A Folha de São Paulo, no sábado (10/3), estampa, na primeira página, uma foto que insinua submissão de Lula a Bush.

 

O tucanérrimo colunista Clóvis Rossi diz até que Lula "desce do muro, para o lado de Bush". Tudo isso na primeira página do jornal, numa edição dedicada a vender a idéia da submissão do governo brasileiro ao americano.

 

Contudo, a análise dos fatos mostra coisa bem diferente. Houve uma tentativa do governo de negociar com os americanos uma redução das taxas de importação do álcool brasileiro. Não funcionou? Pode ser, ainda que me pareça prematura essa afirmação. Mas houve uma tentativa de diálogo que desmonta totalmente as teorias sobre antiamericanismo do governo petista.

 

 E o pior é que, simultaneamente a esse novo viés do noticiário sobre a política externa do governo Lula, vende-se a idéia de que este também cede demasiadamente aos adversários mais ferrenhos de Bush, como, por exemplo, Evo Morales ou Hugo Chávez.

 

Aliás, criticam Lula por ser próximo deles e por não lhes copiar as políticas econômicas. Vira e mexe, o crescimento econômico da Venezuela é contraposto ao do Brasil, numa insinuação de que a política econômica de Chávez seria melhor do que a de Lula.

 

 Não dá para alguém se informar sobre política hoje no Brasil lendo jornal ou assistindo TV. Tudo é distorcido, manipulado com a conveniência da situação, que é sempre a conveniência de causar o maior prejuízo de imagem possível ao governo de Lula e, sobretudo, ao seu titular.

 

Não se sabe mais o que é verdade e o que é mentira. Não se tem a menor idéia do que a mídia omitiu ou do que ela exagerou. Fica-se sempre em compasso de espera sobre tudo o que dizem os meios de comunicação, à espera de que os fatos confirmem ou desmintam o que deu nos jornais, TVs ou rádios.

 

 Penso, às vezes, em formar um movimento social, o MSM, Movimento dos Sem-Mídia, pois os brasileiros não têm, apesar da profusão de veículos de comunicação que há neste país, meios de se informar corretamente sobre nada, sobretudo sobre política.

 

No limite da indignação, passa-me pela cabeça uma idéia absurda, mas que chega a parecer atraente dado o grau de desonestidade da mídia brasileira. A vontade é a de propor um movimento que, a exemplo do MST (Movimento dos Sem-Terra), começasse a invadir jornais e TVs para fazer um jornalismo popular que servisse a todos e não, tão somente, a meia dúzia de magnatas e a seus braços políticos.

 

Mas esse não passa de um devaneio produzido pelo inconformismo e pela indignação com uma situação imoral de uma sociedade que vê subtraído seu direito de receber informações corretas e livres de manipulações.

 

Estou farto dessa imoralidade que é a mídia brasileira. E estou certo de que milhões de brasileiros também estão. Se esses magnatas da comunicação e seus "tenentes" bajuladores não começarem logo a pensar em respeitar a sociedade, penso que ficará cada vez mais próximo o dia em que alguns menos pacienciosos do que eu encamparão a idéia, a princípio absurda, de um MSM, que teria por finalidade combater a situação não menos absurda de um país não ter meios de comunicação e, sim, partidos políticos travestidos.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 11h33
[] [envie esta mensagem]



Crônica

A prisão sectária

 

 

 

 

 

 

Desde que me conheço por gente, prezo, acima de tudo, para mim e para qualquer um, o bem maior da democracia: liberdade de pensamento e de expressão. E fujo, como o diabo foge da cruz, de ser encerrado na prisão em que os grupos opinativos ameaçam colocar seus integrantes, a prisão dogmática e maniqueísta.

 

Quem de nós se ilude com os aplausos fáceis, incorre no pior dos erros se o fizer, pois a linha que separa o aplauso da vaia é tênue e, quando se trata de se manter dentro das linhas maniqueístas sem se desviar um milímetro, o risco de se ultrapassar essas linhas é exorbitante.

 

Não se iluda: você é bom até deixar de ser. Não importa se você é um artista ou um pensador, por exemplo. O aplauso estará sempre condicionado a que você não se desvie do que querem os grupos sectários. E eles estão presentes em tudo, em toda parte, o que nos coloca sempre dentro de algum deles.

 

De uns tempos para cá, algumas pessoas têm entrado e saído dos “círculos de confiança” em que estavam encerradas. Pessoas como um Paulo Henrique Amorim, por exemplo, que passou de “grande jornalista” a “traidor” porque os créditos que acumulou ao defender o governo Lula foram insuficientes para lhe dar o direito de criticar pontos específicos desse governo.

 

Quando chamou o PIG de PIG, quando denunciou a desonestidade intelectual de uma Miriam Leitão, foi herói; quando manifestou sua opinião de que o governo Lula temeu enfrentar seus detratores – opinião da qual discordo, mas que respeito por vir de quem vem –, tornou-se um “vira-casaca”, um “quinta-coluna”.

 

Não há meio termo. Você pode passar quase duas décadas primeiro enviando cartas por fax aos jornais para criticar a mídia, depois enviar as críticas por e-mail, depois promover manifestações públicas contra a mídia, depois denunciá-la ao Ministério Público Federal e, ainda, dedicar-se com a alma a um blog que critica a mídia. Nada disso te servirá de álibi se um dia você, de alguma maneira, “confraternizar” com o inimigo, mesmo que seja por uma boa razão.

 

Não ouse sair da linha previamente estabelecida. Não ouse divergir dos que, até então, são seus congêneres políticos e ideológicos. Seja você de direita, de esquerda, do PSDB, do PT, corintiano ou palmeirense. Você tem um manual a seguir que não foi escrito por você, mas pelo setor a que você “pertence”. Não infrinja nenhuma de suas regras ou você será arrancado do céu e despejado no inferno.

 

Essa postura não é exclusividade de nenhuma corrente política, ideológica, de nenhuma torcida organizada, enfim. O homem vitima e é vitimado pelo maniqueísmo e pelo sectarismo. Vitima “traidores” enquanto ainda não se deu conta de que está encarcerado numa dessas prisões intelectuais, e é vitimado quando se recusa a ser aprisionado.

 

Fujam da prisão sectária, meus amigos. Fujam sempre. Não se deixem encarcerar, porque, depois de um certo ponto, a prisão sectária torna-se perpétua.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 21h19
[] [envie esta mensagem]



Crítica à mídia

 

 

Idéias antes de pessoas

 

 

 

Ao ler crítica que um leitor da Folha de São Paulo fez hoje ao ombudsman do jornal, Carlos Eduardo Lins da Silva, fui assediado por uma sensação curiosa. Escrevo, pois, para explicá-la, pois julgo ser de interesse do leitorado deste blog.

 

Quem conhece as críticas diárias que faço à mídia desde antes até de a internet chegar ao Brasil, concordará que eu seria a última pessoa a discordar da crítica do tal leitor, de que o ombudsman se omite de criticar a Folha, pela simples razão de que acho que a crítica  diz respeito à condescendência que vê nas críticas do Carlos Eduardo a condutas partidarizadas daquele jornal.

 

Leiam o que escreveu o leitor da Folha:

 

Ombudsman

"Envio meus cumprimentos aos editores da Folha por terem conseguido, finalmente, acabar com a função do ombudsman, criada pioneiramente por esse jornal em outros tempos. O jornalista Mário Magalhães, antecessor de Carlos Eduardo Lins e Silva, ao menos procurava -ainda que timidamente, na minha opinião- apontar as contradições do jornal, principalmente no seu noticiário político.

 

Em carta a ele, certa vez, disse-lhe que a Folha fingia ter um ombudsman e que ele fingia ser um. Com todo o respeito a Carlos E. L. Silva, este nem precisa fingir. O que ele nos apresenta nas colunas de domingo são meras crônicas sobre os problemas da mídia em todo o mundo, incluindo, é claro, os do Brasil e da Folha, com observações quase que supérfluas e marginais sobre o jornal na semana.

 

FLAVIO DO VALLE AMADIO (Lauro de Freitas, BA)

 

Com efeito, os quatro últimos ombudsmans da Folha vêm lhe fazendo críticas que, se forem analisadas em seu conjunto, provarão um ponto muito importante. As visões distintas de Bernardo Ajzemberg, de Marcelo Beraba, de Mário Magalhães e de Carlos Eduardo Lins da Silva afirmaram e afirmam que esse jornal pega pesado com o PT e leve com o PSDB.

 

Não acho que o Carlos Eduardo esteja fazendo menos do que seus antecessores fizeram em relação a essa conduta que todos os quatro ombudsmans viram e vêem na Folha, ainda que jamais aceitem qualificá-la como sistemática também pela pura e simples razão de que, mesmo tendo a função de criticar o jornal, todos trabalham ou trabalharam para ele e, portanto, têm dificuldade de ser tão contundentes.

 

Antes de criticar profissionais que só tentaram e tentam fazer seus trabalhos da melhor forma e com limitações - e conheço pessoalmente o Carlos Eduardo, julgo-me seu amigo e, portanto, sei que ele tenta fazer o correto -, melhor seria pedir à Folha que dê mais atenção ao que dizem seus ombudsmans em várias questões, sobretudo nessa do partidarismo político.

 



 Escrito por Eduardo Guimarães às 10h28
[] [envie esta mensagem]



Análise - pesquisa da UnB

Pelas cotas raciais

 

 

O site “Vermelho”, do PC do B, informa pesquisa da Universidade de Brasília (UnB) que confirma a falsidade da argumentação da grande imprensa contra a política de cotas raciais em várias universidades públicas.

 

Essa argumentação midiática, elitista e fundamentalmente racista, tem prevalecido no debate público graças a um virtual bloqueio do contraditório e das notícias sobre as várias pesquisas que mostram, desde o início da política afirmativa do governo federal, que tal política é justa e benéfica para o país.

 

A política de cotas para negros e índios foi adotada pelo governo Lula a partir de 2003, primeiro ano deste governo, e em 2004 aconteceu o primeiro vestibular em que alunos negros e índios ingressaram no ensino superior graças àquela política afirmativa.

 

Até que a política afirmativa fosse adotada, permanecia intocada uma situação revoltante, na qual a população negra e pobre financiava os estudos universitários de brancos das classes A e B, por conta de que o atual sistema de vestibulares favorece não o estudante mais capacitado, mas aquele que tem dinheiro para pagar escolas que preparam o aluno para os vestibulares e que lhe podem ministrar educação de alto nível.

 

Uma falácia de grande porte foi engendrada pela elite branca do país e reverberada pela mídia de forma a impedir que o ensino superior fosse democratizado no Brasil: a adoção do sistema de cotas provocaria “prejuízo acadêmico” às universidades, ou seja, o estudante negro ou índio seria intelectualmente inferior ao estudante branco de classe média ou alta e, por isso, as universidades formariam profissionais “despreparados”.

 

Segundo informações do “Vermelho”, a primeira turma de cotistas raciais a se formar no país chega ao fim de vários cursos mostrando desempenho bem superior aos alunos não-cotistas, o que prova que, ao contrário do que diz a mídia branca e racista, em vez de “prejuízo acadêmico” a política de cotas, ao menos para a UnB, gerou lucro.

 

Segundo o estudo da UnB, numa escala de 0 a 5, os cotistas alcançaram, em média, um coeficiente de rendimento de 3,9 contra 2,3 dos não-cotistas, e a média de trancamento de matrícula entre os cotistas é de 0,5, contra 1,0 dos não cotistas. Já as reprovações entre os cotistas alcançam 1,5, contra 3,5 dos demais.

 

Você deve estar se perguntando: como é possível que estudantes negros e índios que estudaram em escolas públicas, sabidamente muito inferiores às escolas particulares em que estudaram brancos de classes sociais superiores, puderam superar a estes?

 

Quem tem alguma familiaridade com universidades onde vige a discriminação racial através do injusto sistema de vestibulares, como por exemplo na Universidade de São Paulo (USP), em que a quase totalidade dos alunos são brancos e ricos e estudam financiados pelos impostos da maioria pobre e negra da população, sabe como os jovens dos estratos superiores da pirâmide social não valorizam tanto quanto os de baixo o muito que a sorte de terem nascido com a cor de pele “certa” lhes propiciou.

 

É alto o contingente de alunos das classes sociais superiores que tira vagas de alunos mais pobres no injusto sistema tradicional de vestibulares e depois perde o interesse pelos cursos e, assim, termina por abandonar esses cursos no meio.

 

Além disso, apesar de os negros pobres não terem os mesmos recursos para comprar livros e de não terem tanto tempo para estudar quanto os filhos da elite branca – que não precisam trabalhar e, assim, podem se dedicar apenas aos estudos –, quando você dá uma oportunidade a esses jovens de um setor difamado e discriminado da sociedade eles adotam uma dedicação aos estudos que aqueles que ganharam tudo de “mão beijada” na vida em grande parte não têm.

 

Ainda assim, devido ao grande combate que a imprensa branca e racista tem dado à política de cotas, elas não foram adotadas em todas as universidades, o que seria obrigatório para reverter àquela situação revoltante na qual negro pobre continua financiando estudo gratuito para branco rico.

 

Não é por outra razão que os vários estudos que vêm mostrando, através dos anos, que os cotistas raciais superam os não-cotistas em empenho e no aproveitamento dos cursos, vêm sendo escondidos da população pela grande mídia branca e racista.

 

Contudo, os jovens negros e índios que ingressaram no ensino superior pelo sistema de cotas começam a se formar e logo, logo será possível, numa cidade como São Paulo, onde encontrar um médico negro é quase impossível, ver pelo menos alguns médicos negros, ainda que poucos porque os governos do PSDB impedem a justa política de cotas nas maiores universidades públicas do Estado.

 

Para concluir, vale esclarecer que minhas filhas e filho são brancos, sempre estudaram em caras escolas particulares e, assim, jamais se beneficiariam do sistema de cotas raciais. Além disso, pertenço à classe social beneficiada pela injusta política de ingresso no ensino superior gratuito que infelizmente ainda predomina no Brasil.

 

Se defendo cotas raciais é porque entendo que num país injusto com alguns, todos nós, em algum momento, seremos vítimas de alguma injustiça, ou então da justificada revolta dos estratos inferiores da sociedade nos quais alguns de seus membros acabam optando pelo crime por acharem que não terão chances de vencer honestamente na vida.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 10h54
[] [envie esta mensagem]



Análise política - eleições na Bolívia

Evo Morales desmoraliza

oposição e mídia

 

 

 

 

 

 

Como previ, o presidente da Bolívia, Evo Morales, deu uma verdadeira surra eleitoral em seus adversários e mesmo os governadores de oposição que conseguiram manter seus cargos, tiveram votação bem inferior à vitória que conseguiram nos plebiscitos sobre “autonomia departamental” que ocorreram em maio e junho deste ano.

 

Evo Morales, que se elegeu em 2005 com 53% dos votos, agora obteve 63%

 

O governador oposicionista de Santa Cruz de la Sierra, Rubén Costas, que teria obtido uma vitória em maio por 85% dos votos num pleito sem observação internacional, no referendo de ontem, que teve 300 observadores estrangeiros, da OEA, da União Européia e de vários países, entre os quais o Brasil, obteve 66%.

 

O governador oposicionista de Tarija, Mario Cossio, que em junho teria vencido o referendo pró autonomia com 80% dos votos, obteve agora 64,5%.

 

O governador também oposicionista de Pando, Leopoldo Fernandes, que em junho teria conseguido aprovar sua proposta de “autonomia” por margem de 80%, obteve ontem 56,3% dos votos.

 

Ernesto Suárez, governador de oposição de Beni, que teria obtido 80% em junho, dois meses depois manteve o cargo com apenas 61,2% dos votos.

 

As diferenças entre as vitórias de agora dos governadores de oposição que mantiveram seus mandatos e as vitórias que conseguiram em maio e junho, são enormes e revelam as fraudes escandalosas nos tais plebiscitos autonômicos.

 

Além disso, a oposição perdeu dois governadores.

 

Já Evo Morales provou que, ao contrário do que deram a entender as vitórias oposicionistas em maio e junho, ou seja, que o presidente estaria perdendo apoio popular, mostrou que sua popularidade aumentou de forma expressiva.

 

Governadores de oposição como o de Cochabamba, Manfred Reyes Villa, que defendia o referendo revogatório, agora diz que não aceitará o resultado e que “o povo” irá apóia-lo, o mesmo povo que ontem votou por destituí-lo por mais de 60% dos votos.

 

O referendo revogatório foi um golpe de mestre de Evo Morales. Os plebiscitos pró autonomia que ocorreram recentemente insinuavam uma derrocada da popularidade de Evo quando, na verdade, ele vem ganhando terreno no país.

 

Curiosamente, os governadores de oposição que não foram revogados estão dizendo que o governo Morales teria, ele sim, sido revogado. É como se algum Estado onde Lula perdeu em 2006 achasse que ali o presidente não teria poderes.

 

Como escrevi aqui em maio, quando estive na Bolívia, a oposição direitista e racista do país perdeu totalmente a noção do que é democracia. Vem inventando “regras” de convivência democrática que não existem em parte nenhuma.

 

Contudo, conforme diziam os analistas independentes, uma vitória por mais de 60%, como a que Evo obteve ontem retira o discurso da oposição e revela que, a exemplo de outros países latino-americanos em que governos de esquerda vêm ganhando popularidade, o governo da Bolívia se fortalece a cada dia que passa.

 



 Escrito por Eduardo Guimarães às 11h17
[] [envie esta mensagem]



Crítica à mídia

Folha distorce estudos 

do Ipea e da FGV 

 

Na Folha de São Paulo deste domingo, as colunas de Clóvis Rossi e de Elio Gaspari pareceram querer "responder" à notinha do ombudsman em sua última coluna  no jornal, sobre ele ter dado manchete principal para notícia velha sobre violência em detrimento de estudos científicos do Ipea e da FGV sobre mobilidade social e distribuição de renda.

 

Vejam, abaixo, o que o Carlos Eduardo Lins da Silva escreveu sobre o assunto:

A Folha voltou a errar em escolha de manchete. Na quarta, deu o título principal para reportagem sobre criminalidade em São Paulo, que não revelava nada de novo: há mais assassinatos em bairros pobres e mais roubos em bairros ricos. E deixou como chamada estudos, segundo os quais a classe média virou maioria no Brasil, a porcentagem de miseráveis caiu de 35% para 25% em seis anos, e o ganho de renda dos pobres é mais sólido que antes.

Eu já tinha tratado do assunto aqui no blog naquele dia, como vocês bem se lembram. 

 

Mas sobre as colunas que mencionei, Clóvis Rossi distorceu uma frase do economista Marcelo Neri, da FGV, de maneira que insinuou que um dos autores de estudo que deu conta de importantes mudanças sociais no país teria afirmado que a desigualdade, em vez de cair, aumentou.

 

A frase atribuída a Neri, foi a seguinte: "Fizemos um experimento no Censo e vimos que quem tem três carros (...) tem quatro vezes mais chances de omitir a resposta de renda de quem [sic] não tem carro (...) Neste sentido, a desigualdade brasileira, que já era muito alta, tende a ser mais alta ainda".

 

A tese de Rossi, já amplamente difundida sem que a Folha tenha permitido o contraditório numa questão dessa importância, é a de que a desigualdade é maior do que parece porque os ricos escondem o total de seus ganhos e, assim, eles são ainda mais ricos do que aparece.

 

Nesse contexto, vale comparar a frase atribuida por Rossi a Neri com a que o pesquisador teve publicada na Folha na quarta-feira: "A queda na desigualdade que estamos presenciando agora é espetacular, com uma intensidade comparável à do crescimento da concentração da renda na década de 1960"

 

Rossi despreza o fato de que se a desigualdade é maior do que parece hoje, ela também era maior há cinco ou há dez anos. Porém, ele limita o suposto fenômeno dos ganhos dos ricos no mercado financeiro a "anos", quando esse fenômeno, se é que existe, vige há décadas no país, se não há séculos.

 

O fundamento das ciências estatísticas decorre de comparações ao longo do tempo, ou seja, se os ricos escondem renda hoje, escondiam há dez anos. Assim, se a renda dos pobres aparece maior hoje do que ontem, a desigualdade diminuiu, obviamente.

 

Já no caso de Elio Gaspari, ele desqualifica o estudo do Ipea mas não faz o mesmo em relação ao da FGV, que diz praticamente a mesma coisa.

 

A ausência de contraditório e de debate sobre um tema dessa importância revela intenção da Folha de minimizar êxito internacionalmente reconhecido das políticas sociais deste governo e se choca com o que diz a imprensa internacional e o próprio senso comum sobre estar havendo melhora da vida dos mais pobres no Brasil.  

 

Leiam, abaixo, os textos dos colunistas da Folha supra mencionados.

 

Desigualdade, lenda e fatos

 

Clóvis Rossi

SÃO PAULO - Ressurgiu na semana que acaba a lenda da queda da desigualdade no Brasil, em conseqüência de leitura superficial de um belo trabalho do economista Marcelo Neri (Fundação Getúlio Vargas), talvez o maior especialista brasileiro no assunto.

Neri mediu apenas a desigualdade na renda do trabalho. Não mediu a desigualdade entre o rendimento do trabalho e o rendimento do capital (ou financeiro), que talvez seja mais importante.

Explica o pesquisador: "As pesquisas não captam bem a renda dos ricos e do capital em geral. Por isso não acredito em estimativas de ricos no Brasil a partir de pesquisas domiciliares" (alô, alô, IBGE, não é o caso de fazer idêntica ressalva na Pnad, pesquisa domiciliar?).

Neri conta um dado definitivo a respeito: "Fizemos um experimento no Censo e vimos que quem tem três carros ou mais no domicílio (sinal de riqueza aparente) tem quatro vezes mais chances de omitir a resposta de renda de quem não tem carro no domicílio, situação que corresponde a boa parte da população brasileira".

Conclusão inescapável: "Neste sentido, a desigualdade brasileira, que já era muito alta, tende a ser mais alta ainda".

Neri, de todo modo, diz que a redução da desigualdade (entre salários) "não deve ser menosprezada".

De acordo, mas é óbvio que é importante não menosprezar eventual aumento na desigualdade entre renda do trabalho e do capital.

Só pode ter aumentado. Numa ponta, porque o governo tem remunerado o capital há anos com no mínimo 5% do PIB, via juros sobre papéis da dívida, e doado à baixa renda (ou renda zero) nunca mais que 0,7% do PIB (Bolsa Família).

Na outra ponta, é só perguntar a um bancário se seu salário aumentou mais que o lucro da instituição em que trabalha. Surgirá da resposta, com nitidez, o tamanho da lenda e o tamanho dos fatos.

O comissariado do Ipea volta a atacar

Elio Gaspari

O COMISSARIADO do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, o Ipea, continua dilapidando o patrimônio da instituição. Divulgou um trabalho intitulado "Pobreza e Riqueza no Brasil Metropolitano", sem autor e sem rigor acadêmico. É um texto tosco, do estilo "elevador". Revelou o que se sabe: "A" desceu (o número de pobres nas regiões metropolitanas) e o “B” (os ricos) subiu um tiquinho.

O dados apresentados baseiam-se num cruzamento de dois conjuntos de estatísticas: a Pesquisa Nacional de Amostras de Domicílios de 2006 e a Pesquisa Mensal de Emprego, ambas do IBGE. Esses números só podem ser misturados com ajuda de uma metodologia de "imputação" de renda. Os doutores explicaram que ela está descrita em "Ribas e Machado (2008)", mas se esqueceram de mencionar o título do trabalho.

Divulgar um trabalho que lida com séries estatísticas de 2002 a 2008, quando ainda faltam quatro meses para o ano acabar, é uma ofensa ao calendário gregoriano. O trabalho mostra 27 curvas. Dezoito estão agrupadas em três conjuntos, ilustrando variações ocorridas em cada uma das seis regiões metropolitanas. Verdadeira salada, na qual se misturam escalas diferentes. O curioso vê curvas quase idênticas no percentual de pobres em Salvador e no Rio. Uma foi de 49,9% para 37%, mas a outra oscilou de 28,4% para 22%. Pode ter sido uma trapaça do Excel, capaz de acomodar automaticamente as escalas, mas não é esse o padrão do Ipea.

A certa altura, os doutores falam em "extrato superior da distribuição da renda" (queriam dizer estrato, pois extrato é o de tomate). É um erro bobo, mas revela a falta de atenção de quem o leu. (Este texto, por exemplo, passou por duas piedosas verificações.)

O Ipea tem em casa, encostados, alguns dos melhores estudiosos das questões relacionadas com a distribuição da renda no Brasil. Nenhum deles produziu coisa parecida. Pela tradição, o instituto divulga "Textos para Discussão" que, além de serem debatidos internamente, têm rigor e autoria. A pesquisa tosca posta no ar pertence a uma série denominada "Comunicados da Presidência". Valeria a pena organizar um seminário para explicar o que isso significa, senão um exercício neo-stalinista de atribuição de poderes de comunicação excelsa ao presidente do Ipea.

O doutor Marcio Pochmann precisa sentar com Eduardo Nunes, presidente do IBGE, para saber como se valoriza o trabalho dos pesquisadores sem chamar os holofotes para si. Seu gosto pelas luzes já virou piada. No prédio onde trabalha, conta-se que Pochmann acelera seu carro sempre que vê um pardal. Assim, sai na foto.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 12h37
[] [envie esta mensagem]



[ ver mensagens anteriores ]


Este blog já foi acessado

vezes


Contador único p/ IP
free webpage hit counter


Outros sites
Agência Carta Maior
Altamiro Borges
André Lux
Azenha
Blog do Planalto
Caros Amigos
Carta Capital
Celso Lungaretti
Clipping jornais
Confecon
Doxa / Iuperj
Estatuto MSM
Fazendo Media
Fórum Cultura Digital
Idelber Avelar
Jornalirismo
Leandro Fortes
Le Monde - BR
Mello
Nassif
Nas Retinas
Observatório da Imprensa
Observatório de Mídia
Óleo do Diabo
Onipresente
Paulo Henrique Amorim
Petrobrás (blog)
PNUD - ONU
Portal da Transparência
Primeiro Filme
Professor Hariovaldo
Protógenes Queiróz
Publicidade MSM
Quanto Tempo Dura?
Revista Fórum
Ricardo Kotscho
Renato Rovai
Rodrigo Vianna
Sivuca
TV Brasil
TWITTER
Vermelho.org



Banner
120x60 fundo branco