Não é à toa que dizem que hoje no Brasil estabeleceu-se um “fla-flu” entre tucanos e petistas. A correlação que há entre a política e o futebol (acima de qualquer outro esporte) se deve à similaridade das paixões descontroladas que as duas atividades despertam
A diferença que haveria entre a paixão política e a futebolística, segundo dizem os que abraçaram a paixão político-partidária, é que a primeira visa o interesse público, mas a segunda não.
A paixão, porém, não pode ser contida dentro de limites racionais como o interesse público ou o como o que seria justo ou injusto, certo ou errado. Não se pedirá a uma mãe que julgue o filho da mesma forma que julgaria o filho de outrem.
O torcedor de um clube de futebol não admite que racionalizem sobre seu time tanto quanto o militante de uma corrente política. O time ou o (s) político (s) que apoiamos são valores como a religião, são valores intrínsecos das pessoas, valores que calam fundo na alma.
Racionalizar sobre política é, ou deveria ser, obrigação, por exemplo, dos jornalistas. Dissecá-la, mostrá-la sem seus efeitos especiais, é tarefa ingrata, porém, quando a paixão político-futebolística entra em jogo.
O torcedor do Flamengo sabe das deficiências de seu time e as discute, mas jamais as admitirá diante de um torcedor do Fluminense. E como no debate público os debatedores se expõem às correntes adversárias, adotam um discurso defensivo que não admite nenhum questionamento àquilo ou àqueles que apóiam.
O partidarismo cabe tranqüilamente no futebol, pois os resultados deste não têm conseqüências no dia a dia das pessoas, além das conseqüências morais, ou seja, do estado de ânimo de cada um, que em muitos se deixa abalar pelo resultado do time do coração.
Cidadãos comuns, mesmo tendo convicções políticas arraigadas, devem tentar se distanciar ao máximo do comportamento dos cabos eleitorais, para os quais inexistem os inevitáveis defeitos daqueles que defendem e vendem como “soluções”.
Lula, por exemplo, é o que chamam de “animal político”. Nesse aspecto, pouco difere de Serra, de FHC etc. Políticos devem continuar jogando “partidas” eleitorais tanto quanto os futebolistas. Não podem parar um jogo no meio para se atracarem com o primeiro que lhes dá uma canelada.
Vivemos hoje no Brasil, ou melhor, na América Latina, uma situação particular em que os juízes das partidas eleitorais, dos processos políticos, que deveriam ser a imprensa, roubam escandalosamente para um dos lados e isso atenua a culpa da torcida petista quando esta se posiciona defensivamente e com tanta paixão.
É preciso entender, no entanto, que os bons analistas políticos são aqueles capazes de ver as coisas como elas são independentemente de partidarismos e paixões. O analista “cirúrgico”, aquele frio, impermeável a paixões e equilibrado para apontar defeitos e qualidades com base apenas nos fatos de que dispõe, não costuma ser popular.
Quando se busca análises políticas sobre fatos sobejamente conhecidos, busca-se muito mais referendar a própria opinião do que informar-se sobre aqueles fatos. Não queremos ouvir ou ler o que não nos corrobora as idiossincrasias. É aí que o analista isento se torna desmancha-prazeres.
Sobre os bons analistas políticos ou futebolísticos, o valor deles está em nos dizer o que está errado no lado que defendemos, nem que seja para fazer com que repensemos nossas posições.
Contudo, como descobrir se o analista é bom, é justo, se ele não se deixa afetar pelas paixões? Não é difícil, para quem quiser mesmo descobrir verdades. E não são todos que querem, porque a verdade nem sempre é romântica como os apaixonados.
Eu, por exemplo, não tenho a menor dúvida de que se a elite midiática paulista aceitasse Lula – e suas idéias – ele gostosamente cairia em seus braços. Lula é um político e sabe muito bem que, para qualquer político, ter a mídia a favor é muito melhor do que tê-la contra.
Político não guarda rancor. Políticos rancorosos, incapazes de superar um insulto recebido ontem em prol de uma aliança política hoje, não chegam a lugar nenhum. Achar que algum político está acima desse tipo de hipocrisia só se explica pela confusão que as pessoas fazem entre a política e o futebol.
Há momentos em que temos que focar a mente no sublime, no belo, nas provas de que a humanidade vale a pena. E elas existem. Provam que, apesar de nossas fraquezas, de nossas tendências destrutivas e autodestrutivas, temos um potencial incomensurável para moldar o belo, criar o sublime e erigir o mundo depois de cada vez que o derrubamos.
O cinema foi lembrança que veio a calhar no âmbito dessa reflexão, e materializou-se em minha mente como uma das mais belas cenas teatrais da contemporaneidade, na atuação extasiante de um desses membros da nossa espécie que ajudam a dar a ela os méritos dos quais eu precisava lembrar-me hoje, Al Pacino, em “Perfume de Mulher”.
Conforme prometi, vou escrever sobre um desses assuntos que rendem uma polêmica que vem dividindo em vez de somar. Mas não falarei da forma que pensei inicialmente. Farei uma abordagem, digamos, mais incisiva.
Creio firmemente no poder do diálogo e da serenidade no trato das polêmicas. E acho que de nada adianta virarmos o rosto a elas, evitarmo-las, porque elas não desaparecem por mais que delas façamos pouco.
Por isso quero esclarecer uma coisa: se tem alguém, neste mundo, que deveria ser execrado pelos grandes meios de comunicação, sou eu. Já fui mal-educado com eles várias vezes, chamei-os de canalhas, revoltei-me com eles até onde pude, de forma a mal caber em mim de indignação.
Não satisfeito com isso, convoquei, através deste blog, uma manifestação em 15 de setembro do ano passado diante da Folha de São Paulo. Escrevi um manifesto de umas dez laudas e li, num megafone que comprei em cotização com o leitorado do Cidadania, diante do jornal, de um seu fotógrafo e de uma sua repórter.
Nos meses seguintes, reuni-me com leitores daqui diante da Globo, fundei uma ONG com esses leitores e, no início deste ano, varei noites escrevendo uma representação criminal contra a Folha e todos os outros, pedindo condenação por terem causado danos à saúde pública e até a morte de ao menos uma pessoa no âmbito do alarmismo midiático sobre uma epidemia imaginária de febre amarela no país.
Estou seguro de quem sou e o que tenho defendido, expondo a mim e à minha família a eventuais extremistas da ideologia à qual me contraponho. Mostro minha cara, digo quem sou e, assim, desafio a quem quer que seja a provar que estou “composto” ou em processo de “composição” com alguém.
Não estou dando a mínima para ilações e suposições. Todos sabem que ralo como um estivador para ganhar minha vida, arrastando malas de madrugada pelos aeroportos da América Latina e, em breve, da África – de novo.
Nem vou mais falar do ombudsman, porque esse papo já perdeu a graça. Vamos ao próximo, então, porque tem muita coisa séria acontecendo por aí e alguns deveriam estar prestando atenção nelas. Trabalharei para que sejamos nós.
Quem não tiver computador com capacidade de processamento suficiente para assistir o vídeo, não se preocupe porque vou transcrever os dois vídeos do papo cidadão. No futuro, conforme começar a elaborar mais os vídeos, cada postagem deles virá já com a transcrição em texto.
Este vídeo foi gravado logo após meu almoço como ombudsman da Folha. Acredito que devo tratar do assunto mais uma vez, e depois penso que o assunto perderá muito porque o que se tem a dizer sobre ele é bem menos do que parece, ainda que deva ser dito.
Segundo notícias da Agência Boliviana de Informações, o presidente Evo Morales denunciou ontem que estaria “em marcha” um golpe de estado a ser praticado por civis e cujo primeiro “capítulo” seria a tomada de próprios públicos por “grupos de choque” comandados por prefeituras controladas pela oposição.
Entrei em contato, agora pela manhã, com um cliente meu na Bolívia, que, apesar de branco e empresário, apóia o governo de Evo Morales. Segundo ele me relatou, o que está acontecendo é que governos municipais e estaduais de oposição a Morales estão promovendo bloqueios de estradas, como a que liga Santa Cruz de La Sierra à Argentina ou à província boliviana de Cochabamba.
Segundo as informações de meu cliente, porém, essas tentativas de golpe estão fadadas ao fracasso por duas razões. A primeira é de que ele descrê de que a oposição de direita esteja se armando porque todas os supostos carregamentos de armas para a oposição que estão chegando à Bolívia estão sendo apreendidos pelo exército do país com grande facilidade. Além disso, os militares bolivianos apóiam o governo em peso, pois as tropas são constituídas por índios que conhecem de perto a mão pesada da elite branca da “media luna” (região oriental do país, reduto da oposição de direita).
Ainda segundo minha fonte, o que está havendo é fechamento de estradas e de pistas de aeroportos em que Morales tem tentado pousar com o avião presidencial sem sucesso. Esses bloqueios estariam sendo feitos por veículos da prefeitura de Santa Cruz de La Sierra e de outras regiões governadas pela oposição. Acredite quem quiser: esses governos estaduais e municipais estão usando a máquina governamental para impedir não só o direito de ir e vir do presidente da República, mas de todos os cidadãos.
Tais atos, segundo me informou a fonte boliviana, devem-se a tentativas de desencadear conflitos físicos, pois sempre que isso ocorre na Bolívia os governos do país acabam caindo.
Minha fonte afirma, no entanto, que mesmo que o governo ceda às provocações e use a força, é muito improvável que esses eventuais enfrentamentos entre opositores e governistas terminem como sempre terminaram confrontos dessa natureza, porque, desta vez, os militares estão em peso com o governo e este, no limite, tem como sufocar a rebelião sem maiores dificuldades. A corda que está sendo dada à oposição seria justamente para que ela se enforcasse adotando condutas que seriam difundidas mundialmente por Morales, de forma que uma reação mais dura do estado ficasse plenamente justificada.
Devo dizer que minha fonte na Bolívia acertou todos os resultados das eleições estaduais recentes no país e quase na mosca a votação obtida por Morales no referendo revogatório do mês passado. Assim, creio que todos os que estão preocupados com a situação na Bolívia podem ficar certos de que não irá prosperar qualquer tentativa de golpe naquele país.
Quero pedir um favor a vocês, mas sem explicar por que: busco um direitista que tenha um blog político de sucesso, que seja bom argumentador e, o que é mais importante, que seja civilizado.
O ideal é que seja jornalista e é imprescindível que escreva e argumente bem.
Não penso nos medalhões do PIG, mas tem que ter um certo nome e ser bom no que faz.
Futuramente vocês entenderão por que da pergunta. No momento, peço vossa ajuda em sugerirem nomes.
A não se desmoralizar, de cima a baixo, a armação imoral da revista Veja contra as instituições ao arvorar para si o “direito” de exercer um poder que só os mais totalitários ditadores detêm, o poder de acusar sem provas, a seu bel prazer, e exigir do acusado que prove a própria inocência, dando conseqüências de culpabilidade a este que terminam por se constituir em penalização antecipada, exposição à execração pública e perda de funções profissionais, tenho o desprazer de comunicar a você e a todos os demais cidadãos brasileiros que, se não integrarem o círculo de confiança desses impérios de comunicação, detentores do poder final ao qual aludi, estarão igualmente expostos a sofrer o mesmo tipo de condenação prévia e as penalidades dela advindas.
E nem tente, nem pense em tentar argumentar com teorias jurídicas ultrapassadas sobre “presunção de inocência”; isso é coisa de comunista e comunista, por aqui, sempre foi e sempre será tratado no porrete.
Você talvez não esteja entendendo, por isso vou colocar de outra forma : se você, por alguma razão, vier a se tornar digno da atenção de um desses conglomerados empresariais do setor de comunicação, ele pode transformá-lo em paçoca antes que você possa dizer PIG. Basta inventar qualquer coisa sobre você... e publicar.
Se for na tevê, então, encomende sua alma a Deus ou ao diabo, à sua preferência, porque estará literalmente frito e bem passado. Se a Globo inventar que você andou, por exemplo, tendo encontros ou falando no telefone com algum “terrorista” – como as Farc, organização preferida de dez entre dez reacionários latino ou norte-americanos –, como é que você vai provar o contrário?
Reze, meu amigo, reze muito para que esse novo “escândalo” seja esclarecido e para que seus autores tenham que enfrentar a conseqüência de seus atos, e para que a eles seja negado o “direito” de acusarem e punirem sem provas, sem julgamento, sem juiz e sem júri, tudo sob autorização prévia da sociedade, porque, do contrário, um dia desses o Deus PIG pode se dar conta de que você existe.
E até que você prove que é inocente, que focinho de porco não é tomada, pelo que ocorre hoje creio que dá para você se tocar de que então será tarde, você terá pago vários preços e o que tiver que pagar, mesmo quando tudo já estiver esclarecido, jamais lhe será devolvido.
O substituto do diretor suspenso da Abin, Paulo Lacerda, chama-se Wilson Trezza.
Segundo informações do blog “Nos bastidores do poder”, de Josias de Souza, no UOL, Trezza já trabalhou para Daniel Dantas e serviu ao governo FHC. Primeiro como secretário de Previdência Complementar do Ministério da Previdência e depois como diretor administrativo do Ministério da Educação, gerido à época pelo hoje deputador federal Paulo Renato (PSDB-SP), além de ser um ex-agente oriundo do SNI, da ditadura militar, que precedeu a atual agência de inteligência brasileira, a Abin.
Onde o jornalista do Grupo Folha e Paulo Henrique Amorim viram capitulação do governo Lula, porém, eu vejo inteligência.
Pensem comigo: com um currículo desses, parece-me que seria absurdo dizer que o diretor interino da Abin manipularia as investigações para proteger Paulo Lacerda ou qualquer outra autoridade do governo Lula, inclusive o próprio, certo? Não é essa a tese da “capitulação”?
Bem, então suponhamos, please, apenas suponhamos que isso não aconteça, ou seja, que, à frente das investigações, mr. Trezza detecte, nada mais, nada menos que o honorável policial Paulo Lacerda não mandou grampear ninguém e que não encontre evidência nenhuma de que a iniciativa teria partido deste governo: como é que ficam os discursos da Veja e do resto do PIG?
Acho que ser crítico em relação ao governo é bom e quando eu tiver que fazê-lo, farei. Há pouco critiquei o governo Lula por não apoiar o presidente da Bolívia, Evo Morales, no processo golpista que enfrenta em seu país.
Não vou ficar desembarcando e reembarcando do apoio cidadão que eu e que a grande maioria dos leitores deste blog emprestamos à atual administração do país por conta dos sucessivos êxitos que tem obtido em todas as áreas, ainda que com atrasos inegáveis, mas que, em boa parte, devem-se à sabotagem da mídia e da oposição (de esquerda e de direita).
Dos leitores
“Saiu assim na Veja:
De acordo com os registros, o senador Demóstenes Torres ligou para o ministro Gilmar Mendes às 18h29 para tratar de um problema relacionado à CPI da Pedofilia. Na ocasião, Mendes não pôde atender porque estava a caminho do Palácio do Planalto para uma audiência com o presidente Lula. Três minutos depois, às 18h32, a secretária retornou a ligação para o gabinete do senador e a transferiu para o celular do ministro.
Agora vejam o que escreveu a Cristiana Lobo:
Central de telefone
Quem telefona para o número central do Senado (61 - 3311.4141) é atendido por um sistema eletrônico que pede o gabinete ou o setor como qual você deseja falar. Você responde e, ao transferir a ligação para aquele ramal, a gravação informa: "para sua segurança, a partir deste instante, sua ligação está sendo gravada".
É daí que alguns suspeitam que tenha saído o grampo no telefone do presidente do STF, Gilmar Mendes.
Ele retornara a ligação do senador Demóstenes Torres (DEM-GO) por meio da secretária - a reportagem da revista Veja não diz se ele retornou para o celular do senador ou para o gabinete.
Por isso o general Jorge Félix teria afirmado que a gravação pode ter partido do Senado. Afinal, todas as conversas pelo telefone de ramal são gravadas ‘para segurança’ do interlocutor.
Agora, para onde vão as milhares de fitas com o conteúdo das conversas, é que é preciso saber. Se dali entra num comércio, como dizem outros.
Como diz o Nassif, o factóide já era. Da maneira mais óbvia. Por que ninguém pensou nisso?”
Se eu ganhasse 1 centavo por cada uma das vezes que muitos leitores deste blog – e, quando digo muitos, falo de centenas – disseram que a mídia não tem mais força, poderia me aposentar e viver o resto dos meus dias como rei.
Essa atitude praticamente pavloviana que os indignados com as Vejas da vida adotam a cada malfeito da mídia, porém, tem muito mais que ver com uma forma de defesa psicológica contra a dolorosa sensação de impotência que lhes causam os grandes meios de comunicação ao sabotarem o país para verem materializados seus interesses político-ideológicos do que com a realidade.
O que alenta e leva as pessoas a subestimarem a mídia e seu impressionante poder de manipular as sociedades, ao menos aqui no Brasil é uma situação conjuntural que precisa ser vista dentro de seu contexto real e que não pode ser tomada como prova de que o que desejamos virou realidade.
Apesar de o poder da mídia de influenciar eleitoralmente a sociedade estar esbarrando na excepcional conjuntura econômica pela qual o país atravessa, o poder impressionante desses impérios de comunicação de criarem crises vai se mostrando absolutamente intacto.
Se eu fosse de tirar o chapéu para criminosos como os que dirigem esses impérios, tiraria agora para a Veja. Com uma pseudo-reportagem inteiramente fantasiosa, construída com base numa “prova” que a revista diz que existe, mas que ninguém viu, ela conseguiu derrubar – ao menos temporariamente – toda a cúpula de um órgão vital para qualquer governo de qualquer país como é a agência de informação brasileira, a Abin.
Ao mesmo tempo, o conjunto de tentáculos dessa monstruosidade incontrolável que paira acima das instituições conseguiu pôr o maior escroque do país, Daniel Dantas, a salvo de questionamentos e impediu que uma barbaridade como a de o presidente da Suprema Corte de Justiça do país libertá-lo à revelia das leis fosse aceita como se fosse a coisa mais normal do mundo.
Não nos enganemos: a mídia só não desmoralizou o governo Lula e não consegue impedir o avanço político do PT porque a economia brasileira vem melhorando ano a ano e diante da Nação se descortina um futuro brilhante, mas não se pode ignorar que qualquer país está sujeito a intempéries no cenário internacional, por melhor governado que seja. Esperem um problema desses surgir para vocês verem o que acontece...
Além disso, pouco se fala do que Lula não conseguiu fazer devido à sabotagem midiático-oposicionista que vem sendo praticada diariamente contra seu governo já faz quase seis anos. Enquanto isso, esses veículos vão adquirindo cada vez mais poder, enriquecendo cada vez mais e, quando menos se espera, conseguem dirigir as massas como se fossem um brinquedo de rádio-controle.
Quem não se lembra da comoção que a mídia gerou no país em janeiro deste ano ao inventar uma epidemia de febre amarela? Pessoas morreram ou foram hospitalizadas por ação de um “noticiário” criminoso, que induziu pessoas que não precisavam se vacinar contra a doença a fazê-lo, injetando no próprio organismo um vírus mortal (ainda que atenuado), o que levou a internamento hospitalar e até à morte pessoas com peculiaridades biológicas que as tornavam incompatíveis com o medicamento.
Com base em fartura de provas do crime que Folhas, Vejas, Estadões, Globos e comparsas cometeram, e com a ajuda de um jurista e da mais premiada jornalista especializada em saúde do país, trabalhando durante noites inteiras escrevi uma representação contra o crime cometido e a encaminhei ao Ministério Público Federal. Isso já faz quase seis meses e, até agora, não aconteceu absolutamente nada.
Está certo que o MPF requisitou ao Ministério da Saúde dados sobre as coberturas dos meios de comunicação nos últimos vinte anos sobre os surtos sazonais que a febre amarela apresenta a intervalos de sete anos para comparar com a forma como esses meios trataram o surto deste ano, mas o MS, passados meses a fio, não respondeu à indagação do MPF e, assim, o tempo vai passando e a impunidade dos bandidos da mídia permanece intacta.
Não podemos nos enganar: o poder da mídia continua enorme, descomunal e, às vezes, parece-me que cresce.
Como cidadão, a cada dia que passa sinto-me mais sem mídia, condição que me fez propor e materializar a criação de uma ONG para tentar fazer alguma coisa, por mais que se trate de uma verdadeira luta de um David amarrado, vendado e amordaçado contra um Golias armado até os dentes.
Que fazer? Desistir? Já pensei nisso. Por que não mandar tudo às favas e ir cuidar da minha sobrevivência? Infelizmente – ou felizmente – eu tenho problemas com esse verbo (desistir). Assim, só me resta buscar orientação jurídica para questionar o Ministério Público Federal e o Ministério da Saúde. Se não forem fazer nada, ao menos têm a obrigação de dizer.
Eu farei barulho, pois. Muito barulho. Prometo a vocês que isso não vai ficar assim.
O medo é uma reação obtida a partir do contato com algum estímulo físico ou mental (...) que gera uma resposta de alerta no organismo. Esta reação inicial dispara uma resposta fisiológica no organismo que libera hormônios do estresse (adrenalina, cortisol) preparando o indivíduo para lutar ou fugir.
A resposta anterior ao medo é conhecida por ansiedade. Na ansiedade, o indivíduo teme antecipadamente o encontro com a situação ou objeto que lhe causa medo. Sendo assim, é possível se traçar uma escala de graus de medo na qual o máximo seria o pavor e o mínimo, uma leve ansiedade.
Fonte: Wikipédia
Muito bem, vamos ao Assunto, mas vamos com cautela. Não devemos, a cada vez que a adrenalina se ascende em nosso organismo desencadeada por reação cerebral de fúria e de indignação diante do cúmulo do abjeto, reagir sem pensar.
Reações passionais derivadas de medo, conforme elaborado no trecho do texto da Wikipédia em epígrafe, decorrem do instinto de preservação inerente aos seres vivos. E é dessas reações que vamos tratar.
O medo serve aos seres vivos como proteção, no mais das vezes. Se não fosse ele, nos atiraríamos de cabeça em situações de risco, freqüentemente sem necessidade.
Já a fúria é a contrapartida irracional do medo. E dificilmente encontra função natural explicável e motivada pela lógica, ainda que o medo, muitas vezes, seja produto de estados temporais de psicose passageiros.
O medo a que me refiro não é o de Lula, apenas, ao fazer o jogo da oposição, de Gilmar Mendes, de Daniel Dantas e da mídia demitindo a cúpula da Abin. Há um outro medo que gera medo em Lula.
Para demonstrar o alcance do medo da classe política diante de uma Abin que grampeia, se é que grampeia, começo ressaltando a posição do ex-ministro José Dirceu sobre o assunto de supostas gravações ilegais da Agência. O discurso de Dirceu sobre o assunto caberia na boca de qualquer oposicionista...
A classe política entrou em pânico. A quantidade de políticos que se apavoram com a possibilidade de terem sido gravados ou de virem a ser pode explicar a seguinte bravata do presidente do PFL, Rodrigo Maia:
Ou o presidente toma uma atitude rápida e aponta os responsáveis pelo grampo, ou, se continuar calado e omisso como está, ficará como responsável perante a sociedade e terá de responder por isto com base na lei do impeachment.
O problema é que Maia talvez não esteja blefando.
Deixem-me lembrar uma coisa: os processos de cassação de mandatos no Congresso brasileiro são políticos. Inclusive processos de impeachment. Ou seja: esses processos não dependem de provas e sim da disposição dos parlamentares.
Numa situação em que os que são chamados a julgar processos políticos de cassação achem que quem anda mandando grampear os outros pode ser Lula, é bom mesmo ele ter medo dessa reação instintiva de criaturas que também enfrentam uma reação bioquímica que pode degenerar em atitudes irracionais de fúria e de ação contra um governo que passariam a ver como ameaçador.
Lula precisou provar que pretende garantir transparência à investigação que mandou iniciar, de forma que não fiquem dúvidas aos políticos, inclusive e até a aliados seus na Casa que julga processos de cassação, quanto à hipótese de o suposto grampo ter mesmo existido e até de ter partido de dentro do Palácio do Planalto.
Nesse aspecto, pode-se dizer, sim, que Lula tem medo... Só que ele tem medo do medo dos políticos do Congresso e do medo de juízes polêmicos que devem ter pavor maior ainda de esclarecimentos, vamos dizer, menos “protocolares” de suas decisões judiciais igualmente polêmicas virem a público, decisões como solturas de banqueiros às duas da madrugada.
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Nesta terça-feira viajarei ao interior de São Paulo. A liberação de comentários poderá sofrer atrasos.
Como vocês podem ver no vídeo acima, começo a aprender a utilizar essas ferramentas extraordinárias que são o You Tube e os programas de edição de filmagens.
Aliás, falando em “extraordinário”, o que impressiona mesmo é a simplicidade com que, hoje, é possível transformar um simples blog num veículo multimídia de altaeficiência.
Esse aprendizado que ora inicio permitir-me-á, daqui em diante, passar a veicular “programas” de periodicidade ainda indefinida, nos quais lhes apresentarei reportagens, análises e comentários também em vídeo, quando houver necessidade ou quando for oportuno.
O leque de possibilidades que se abre é enorme. Sobretudo no que diz respeito a entrevistas, que pretendo passar a produzir eventualmente, respeitadas as limitações de tempo do autor deste blog.
Estou trabalhando, pois, para oferecer ao leitor do Cidadania o máximo que puder em termos de informação confiável e respeitosa à inteligência daquele que, além de leitor, também passa a ser telespectador.