A imprensa paulista e o governador José Serra já dão como favas contadas a vitória de Kassab no segundo turno. As pesquisas Datafolha e Ibope publicadas neste domingo mostram uma diferença bem maior a favor do fantoche de Serra na etapa final da eleição.
Os conservadores têm motivos reais para comemorar. Se Kassab vencer, Serra e a mídia terão conseguido a façanha de eleger um poste. E mesmo se não vencer, terão transformado um péssimo prefeito num dos políticos mais fortes de São Paulo.
Entre Serra, sua mídia e seu fantoche, porém, há um fator que pode estragar a festa conservadora: Geraldo Alckmin.
O prejuízo político de Alckmin está sendo estrondoso. Um ex-governador e ex-candidato a presidente que não consegue vencer uma eleição para prefeito transforma-se em um fracasso político de grandes proporções.
Restará a Alckmin tentar uma vaga no Senado em 2010, mas seu histórico autoriza especular que poderá fracassar de novo e, assim, enterrar de vez sua carreira política.
O que deve estar deixando Alckmin mais fulo da vida é Serra ter soltado sua matilha midiática contra ele. O ex-governador foi triturado pela Folha, por exemplo, e a mando de Serra.
Acho difícil que Alckmin tenha estômago para subir no palanque daqueles que o desmoralizaram publicamente. Resta saber, porém, se será suficiente ficar neutro no segundo turno ou se ele e a facção alckmista do PSDB poderiam decidir se vingar apoiando Marta.
Se isso acontecesse, poderia haver intervenção da direção nacional do PSDB em sua filial paulista, o que poderia resultar na saída de Alckmin do partido.
A máquina serrista crê que já elegeu Kassab, mas acho que está contando com o ovo no... na... bem, digamos que “nas entranhas” da galinha. Há mais obstáculos entre Kassab e sua eventual vitória no segundo turno do que supõe a vã filosofia serrista-midiática.
Já declarei em quem pretendo votar para prefeito de minha cidade (São Paulo). Acho que essa é a postura mais honesta para alguém que fala – ou escreve – para muita gente, sobretudo quando o assunto que aborda preferencialmente é a política. Agora, volto a declarar meu voto, mas, desta vez, para os cargos legislativos.
Antes, contudo, quero explicar que minha forma de votar difere da forma majoritária no Brasil, pois voto em partido enquanto que a maioria dos brasileiros vota em pessoas, o que costuma produzir o monumental equívoco dos eleitores que fazem “saladas” eleitorais escolhendo parlamentares de um partido e candidato ao Poder Executivo de outro.
Julgo inexplicável que alguém eleja um candidato para o Poder Executivo e vote em seus adversários para o Poder Legislativo. A “explicação” que essa expressiva maioria que vota assim no Brasil costuma dar para decisão tão ilógica é a de que dessa forma manterá o prefeito, governador ou presidente “sob controle”.
Na verdade, o eleitor que age dessa maneira está enfraquecendo aquele que elegeu para comandar uma cidade, um Estado ou o país, e obriga esse governante a compor acordos para conseguir maioria legislativa que desfiguram a proposta com a qual venceu a eleição. E depois, aquele que elegeu um governante e o enfraqueceu, reclama que ele não cumpriu suas promessas.
Quando seu candidato a cargo no Poder Executivo não se elege, aí é até mais importante que você vote nos candidatos do partido dele para o Legislativo. Assim, você ao menos poderá ser representado para se opor ao candidato no qual não quis votar.
Essa visão política de como escolher representantes é a visão que os povos mais desenvolvidos e civilizados adotam em todo mundo. O voto conflitante (escolher candidatos ao Executivo e ao Legislativo que se opõem uns aos outros) é um equívoco e produto da ainda pequena experiência democrática nesta parte do mundo.
Dito isso, agora passo a explicar por que escolhi o PT em todas as eleições desde 1989.
Um grupo político que chega ao poder municipal, estadual ou federal não deve ser enfraquecido, mas não pode ficar à vontade para fazer o que quiser. Assim, para manter governantes e parlamentares sob fiscalização o melhor instrumento da democracia é a imprensa. É ela que deve – ou que deveria – fiscalizar o poder seja quem for que o ocupe.
Infelizmente, porém, a imprensa brasileira tem lado, é ideológica, de maneira que se abstém de fiscalizar alguns partidos e exagera na fiscalização de outros. Mas toda fiscalização, mesmo exagerada, é boa, assim como a ausência de fiscalização é ruim, sobretudo se for total.
A imprensa brasileira é de direita e hoje os que melhor representam a direita no Brasil são o PSDB e o PFL. Por isso, quando esses partidos estão no poder ficam livres para fazer o que querem.
Um excelente exemplo disso está em São Paulo. Os governos estaduais do PSDB, que se sucedem aqui há 14 anos, fizeram o Estado ter um dos piores ensinos públicos do país, um dos piores sistemas de saúde pública, uma das piores seguranças públicas etc.
Isso ocorre porque a grande imprensa paulista escolheu esse partido como defensor e implementador de políticas conservadoras que visam manter a desigualdade exacerbada que vige no Estado mais rico do país e, por isso, a forma como é governado São Paulo é um mistério para a população. Não há informações na imprensa. Não há críticas ao governo do Estado.
Mas quando o governo é do PT, seja municipal, estadual ou federal, mesmo que as críticas sejam exageradas e até mal-intencionadas, elas mantém esses governos permanentemente atentos e fazem com que se esforcem ao máximo para não errar.
Sempre digo que um dos principais fatores que fazem do governo Lula o sucesso que temos visto é a pressão da imprensa. Lula fala com muita propriedade quando diz que seu governo não pode errar, pois a imprensa critica e distorce até seus acertos.
Vejam só a prova da pressão intransigente que a imprensa exerce sobre governos petistas e a diferença em relação a governos conservadores. Todos, até os que não são paulistas, devem se lembrar das longas e ininterruptas campanhas da imprensa contra o governo Marta Suplicy... Mas quem se lembra de alguma campanha crítica da imprensa contra o governo do Estado ou contra a prefeitura paulistana depois que José Serra se elegeu prefeito?
Os governos do Estado de São Paulo ou da capital paulista parecem ser os melhores governos do mundo, porque não se vê críticas a eles na imprensa. O mesmo acontece com o governo de Minas Gerais e tantos outros governos tucanos ou pefelês. Já nos estados e municípios governados pelo PT, os ataques da imprensa são diários e ininterruptos.
É por isso que voto no PT, porque a imprensa fiscaliza seus governos de forma exagerada e injusta, mas isso obriga esses governos a se superarem. Não se pode dar a governantes a liberdade que a imprensa dá ao PSDB ou ao PFL não só para governarem mal, mas até para roubarem descaradamente.
Já se falou muito sobre o uso irresponsável do direito de votar. Fala-se em compra de votos, por exemplo, como o pior tipo de desprezo pelo mais importante direito em uma democracia, mas, nas últimas semanas, descobri que há uma outra atitude que, olhando-a por certo ângulo, torna-se ainda pior.
Todo cidadão que vende seu voto, é pobre. Já os de classes sociais mais altas, não vendem votos – ou ao menos não vendem os seus.
Pobre vende barato porque acha que aquele pagamento irrisório é o máximo que poderá tirar do direito que tem. Mas e o rico, por que não vende? Será que o dinheiro torna as pessoas mais conscientes?
Minha linha de raciocínio provará que não, que quem tem mais não vende seu voto apenas porque é baixa a cotação individual do direito de escolher representantes.
Sob certa ótica, o pobre que se desfaz do próprio voto ainda consegue auferir alguma vantagem, por diminuta que seja, ao abdicar de fazer uma escolha consciente de seus representantes nos Poderes da República.
Os mais bem aquinhoados podem não vender seus votos por uma laqueadura de trompas, por uma dentadura ou por uns trocados, mas fazem pior: doam-nos. E não é em troca de algum benefício consciente para si ou para a sociedade.
Em São Paulo, por exemplo, conduta irresponsável de uma parte do eleitorado não é melhor do que a do pobre que vende seu voto. E o pior é que tal conduta não se restringe só à capital paulista. Muitos fazem o mesmo pelo país afora.
Como vocês sabem, o atual prefeito paulistano, Gilberto Kassab, virou o jogo em relação ao candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, e assumiu o segundo lugar na corrida eleitoral. Essas pessoas que trocaram de candidato em questão de dias, poderiam tê-lo feito apenas porque descobriram que um é melhor do que o outro, mas, em minha opinião, o motivo foi muito menos racional e responsável.
Bordão repetido incansavelmente tanto por Alckmin quanto por Kassab foi o de que só eles poderiam “derrotar o PT”. Não jogaram, pois, com a racionalidade e com a responsabilidade dessa parte do eleitorado que mudou de opinião. Jogaram com o ódio, com o preconceito e com a desinformação de pessoas que não venderiam seus votos, mas que escolhem qualquer um só para “vencerem” uma disputa que tornaram pessoal.
Se tanto faz que o eleito seja Alckmin ou Kassab contanto que ele possa “derrotar o PT”, essa não me parece uma decisão muito mais consciente e responsável do que a do necessitado que pelo menos extrai algum benefício do mau uso do seu direito constitucional de votar. Quem vota em qualquer um por capricho é tão irresponsável quanto quem vota em qualquer um por necessidade.
A crise americana ainda não nos afetou em nada, mas está pondo em pânico o mercado financeiro e o comércio atacadista no Brasil. Diante disso, do prejuízo que está sendo causado, volto ao assunto.
Não posso pedir a ninguém que me dê ouvidos agora. Não sou economista nem jornalista. Sou um comerciante, um vendedor do setor de autopeças voltado para o comércio exterior. Não tenho, pois, credenciais. Mas posso pedir a vocês que não se esqueçam deste meu ponto de vista sobre o que a crise nos EUA poderá gerar a este país...
Afirmo que a crise que está provocando intranqüilidade aqui, assim como até agora não causou absolutamente nenhum efeito que justifique esse estado de espírito entre nós, ela sumirá quando sumirem as razões da mídia e do mercado financeiro nacionais para venderem impressão de proximidade do caos.
De início, fiquei impressionado com a precipitação dos empresários e do mercado financeiro diante da crise americana, mas depois acabei estabelecendo uma conexão com o que motiva essa insanidade que se apossou de boa parte dos brasileiros. Está acontecendo alguma coisa muito parecida com o que aconteceu em janeiro deste ano, quando a mídia alardeou que haveria uma epidemia de febre amarela no Brasil.
Multidões, de todas as partes do país, acorreram desesperadas a postos de vacinação para se imunizarem contra febre amarela devido a aumento de casos de uma enfermidade que só estava causando vítimas em algumas partes.
Apesar dos alertas do governo de que, para quem não residisse ou fosse viajar a áreas de risco de contrair a doença, seria desnecessário tomar a vacina, esses alertas foram completamente ignorados pela população.
Não importa, agora, que o governo diga que não há, até o momento, absolutamente nenhuma razão racional para pânico diante da crise americana. A mídia, mais uma vez, trata de promover alarmismo, só que agora mais sofisticado, pois está afetando os que têm o que perder numa eventual crise financeira, ou seja, os mais ricos. O povão está alheio.
A intranqüilidade interna, em parte, é composta de desconfiança dos agentes econômicos quanto à afirmativa do governo de que ainda não é caso de tomar medidas extraordinárias, como lançar algum pacote.
Em outra parte, é produto da reiterada afirmação da mídia de que o governo estaria “dormindo” enquanto a crise prolifera aqui dentro.
E, numa terceira parte, não podemos nos esquecer de um dito popular que li de um leitor e que me parece extremamente adequado à situação: “Enquanto alguns choram, outros lhes vendem lenços”. Trocando em miúdos: tem gente ganhando com o pânico.
Penso que iremos conviver com esse pânico por mais algumas semanas, provavelmente até depois do segundo turno das eleições, pois a mídia acha que poderá influir nelas por esse meio e, em minha opinião, acredita até que poderá criar alguma intranqüilidade justificada, pois o pânico, em economia, também pode gerar desastres como uma improvável, porém não impossível, corrida a algum banco.
Estou confiante no país, acredito que eventuais efeitos da crise dos EUA serão totalmente controláveis devido aos instrumentos que temos para driblá-la. Também acho que o pânico não influirá nas eleições.
Há, sim, uma grave crise econômica na maior economia do mundo e isso não é bom para país nenhum, mas a crise no Brasil, até o momento, é de bom senso. Porém, aprendi, durante a vida, que não há falta de bom senso que resista à sensatez que os fatos acabam impondo.
Julgo ser meu dever e meu direito de cidadão, concomitantemente com o encerramento da propaganda eleitoral na televisão e no rádio, declarar formalmente em quem votarei para prefeito de minha São Paulo, cidade de meus pais, avós e que abrigou meus bisavós maternos, que imigraram da França, e paternos, que vieram do interior paulista tentar a sorte na capital do Estado que, no começo do século XX, já caminhava para setornar o mais pujante do país.
Muito embora eu, de vez em quando, refira-me a este Estado e ao seu povo como vítimas da visão de mundo e das ações privilegiadas de uma parcela ínfima de sua população, uma parcela que se apoderou de parte indecentemente grande e desproporcional das riquezas e a usou para dominar corações, mentes e braços, quero declarar minha paixão por esta cidade, que, apesar de seus problemas e dramas imensos, de suas assimetrias sociais dolorosas e tão perniciosas, é a única em que penso em morar até o fim dos meus dias, pois quero morrer onde nasci.
Por amar São Paulo e só querer da eleição de seu próximo prefeito aquilo que todos os paulistanos querem, até os egoístas que vivem aqui em gaiolas douradas, pretendo votar, no próximo domingo, da melhor forma para a cidade inteira.
Como entendo que o melhor para todos os paulistanos é que São Paulo seja mais justa, mais humana, mais solidária com seu mais humilde e fraco cidadão, pois uma cidade que trata a todos com respeito e humanidade é a melhor das cidades, pretendo votar em Marta Suplicy, uma mulher pela qual quero manifestar meu mais profundo respeito e minha grande admiração por sua fibra, por sua tenacidade e coragem de ter se exposto novamente à maledicência, ao preconceito e à intolerância.
Marta, em seus quatro anos à frente da prefeitura paulistana, equilibrou as finanças municipais, finanças que a própria imprensa, que depois negou o que dizia, afirmava que estavam em situação catastrófica depois das passagens de Paulo Maluf e de Celso Pitta pela administração municipal.
Marta inovou em políticas sociais que apoiaram idosos, desempregados, moradores de rua, negros, minorias diversas, e fez o transporte público muito mais humano com o bilhete único e com o enfrentamento corajoso de máfias que controlavam parte significativa do transporte urbano, e, como se não bastasse, pôs fimà grande corrupção que havia na máquina municipal e ainda criou o projeto educacional que mais seria copiado a partir de sua gestão, tendo sido adotado até por seus sucessores, ainda que executado com qualidade inferior, assim como aqueles sucessores fizeram na gestão do transporte público e na dos programas sociais.
Marta não criou taxas abusivas coisa nenhuma. Essa é uma idéia que seus adversários conseguiram vender a grande parte dos paulistanos graças à aliança deles com a grande mídia paulista. Eram taxas irrisórias, que todos podiam pagar para uma cidade economicamente arrasada e que precisava investir, e as taxas que não eram tão irrisórias faziam justiça fiscal, introduzindo a progressividade na cobrança de impostos.
Marta foi injustiçada na campanha eleitoral de 2004, na qual não se elegeu muito mais pelo preconceito que decorreu de seu ato de coragem de romper uma relação matrimonial com um homem bom e respeitado para recomeçar sua vida amorosa com outro, mas da mesma forma como fazem tantos homens que deixam casamentos de décadas para recomeçar suas vidas e que jamais são criticados por isso. Mas ela foi, porque é mulher. E o mais intrigante é que foi criticada talvez mais por mulheres do que por homens, talvez por ser bonita, inteligente e bem sucedida e, assim, despertar inveja.
Enumerei minhas razões para votar em Marta. Fiz isso com serenidade e com espírito público, porque julgo que fazê-lo é meu dever e meu direito de cidadão. E por que, assim, outras pessoas poderão julgar que minhas razões são suficientemente boas para que acompanhem meu voto no próximo domingo.
PS: nesta quinta-feira, 2 de outubro, estarei em transito pelo interior de São Paulo e por isso poderá haver atraso na publicação de comentários.
Passado o choque inicial diante da divulgação pública de opiniões sobre as eleições deste ano e de 2010 por parte de alguém que preside uma instituição que depende da credibilidade de sua isenção na apuração de dados estatísticos de forma a apresentar estudos confiáveis sobre eles, devo a vocês minha análise das previsões do presidente do Ibope, Carlos Augusto Montenegro, sobre vitórias do prefeito Gilberto Kassab neste ano e do governador José Serra daqui a dois anos.
Antes de começar, porém, sugiro refletirmos que fazer uma análise voluntarista, partidarizada dos fatos devido ao agrado ou ao desagrado que as previsões do presidente do Ibope geraram, seria perda de tempo. Não precisamos nos enganar acreditando ou desacreditando no homem por gostarmos ou não do que ele disse. Podemos fazer isso para comemorar ou espernear, mas, no íntimo, saberemos que enganamos a nós mesmos.
Começarei, portanto, pela previsão mais polêmica de Montenegro, sobre a sucessão presidencial em 2010.
Foi dito que em dois anos Serra chegará à Presidência da República contra o apoio de Lula a outro candidato (Dilma, provavelmente), contra o apoio de um presidente que o mais provável é que chegue ao ano da eleição de seu sucessor com uma avaliação de seu governo extremamente favorável. Contudo, Serra teria a seu favor uma maior densidade eleitoral por ter “história” e fama de “competente”, segundo o presidente do Ibope.
Primeiro, precisamos analisar se é real o que Montenegro diz sobre a percepção das pessoas em relação a Serra – e ele fala de percepção, e não que essa percepção é verdadeira. Em minha opinião, boa parte dessa suposta percepção é real. Muita gente acha que Serra é o que a mídia diz que ele é.
Não dá para subestimar o fato de que Serra tem a seu favor toda a grande mídia, que não critica seu governo nem nos pontos mais escandalosos como os baixos salários pagos às polícias, aos professores etc, ou na questão da Segurança, que, ao contrário do que prega a mídia, está em níveis alarmantes em São Paulo. Isso lhe concede ao menos uma trégua, pois sem críticas da mídia os paulistas acabam sem saber a quem atribuir os problemas que tem o Estado, ou até, por orientação dessa mídia, atribuindo ao governo federal o que é de competência do estadual.
Por outro lado, não se pode dizer que o fato de a mídia esconder os defeitos do governo de São Paulo fará com que o conjunto do Brasil aja como os paulistas, e é nesse ponto que a história recente mostra que isso não tem acontecido, pois em 2006 ficou claro como o resto do país diverge de São Paulo, sobretudo da capital paulista, onde o PSDB e o PFL tiveram um de seus melhores resultados contra Lula.
A falta de “história” dos possíveis candidatos do PT à sucessão de Lula, entre os quais Dilma se destaca, ao menos no que tange a ela Montenegro parece influenciado pelo noticiário, acreditando quando a mídia diz que o PAC “não existe”, pois quem lida com fatos sabe que não é assim e que, com ou sem crise, dificilmente o principal programa do governo Lula não será sentido fortemente pela população em 2010.
Ocorre, porém, que o governo Lula não está capitalizando os méritos pelo PAC. Em São Paulo, por exemplo, muitos investimentos do governo federal são apresentados por Serra e por sua mídia como obras do governo do Estado, sem mencionar que, na verdade, são investimentos do governo Lula.
Diante dos fatos, e pesquisando o histórico de outras previsões feitas por Montenegro no passado – aliás, acabei descobrindo que essas suas previsões polêmicas sempre foram feitas e, muitas vezes, a favor do PT - , concluo que não há por que dar maior importância a elas, pois parecem “contaminadas” pelo que os povos hispânicos chamam de “arreglo”, ou seja, não são gratuitas como outras que ele fez, tendo acertado e errado em níveis bastante parecidos.
Quanto à suposta vitória de Kassab sobre Marta, acho que Montenegro tem mais chances de estar certo, mesmo que a vantagem do pefelista sobre a petista no segundo turno seja extremamente pequena. Os paulistanos são extremamente conservadores e só foram para o PT em eleições municipais depois de governos desastrosos como o de Jânio Quadros ou como os de Maluf e Pitta. No caso de Kassab, apesar da mediocridade de seu governo, não houve desastre.
E há um último fator que pode interferir nas duas situações - em São Paulo, neste ano, e no Brasil em 2010: a crise americana. Se suceder um desastre e o crescimento for muito afetado no Brasil, não tenho dúvida de que a mídia conseguirá pôr a culpa em Lula. E, neste ano, bem, neste ano o prejuízo já se materializou. O empresariado paulista está em pânico por conta da crise nos EUA. De uma forma absolutamente irracional e por obra da mídia.
O petista histórico Ricardo Kotscho, que hoje é “repórter” do IG, publicou em seu blog naquele portal relato de conversa que teve com o presidente do Ibope, Carlos Augusto Montenegro, na qual lhe foi dito que o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, conseguirá se reeleger, e que Serra já ganhou em 2010.
Segundo o relato de Kotscho, Montenegro afirma que os brasileiros só irão votar num presidente em 2010 se ele tiver “história” como Lula, e, como o PT não teria um candidato assim, então, para Montenegro, o tucano já estaria eleito, porque teria a tal "história".
Bem, você pode discordar de Montenegro, mas não pode negar que Serra se porta – e é tratado pela mídia – como presidente eleito, que somente espera que passem os dois próximos anos para assumir o cargo.
Sobre a eleição em São Paulo, Montenegro não diz por que acha que Kassab vencerá Marta, apesar de que o texto em tela está linkado em furo que o IG deu no UOL, noticiando antes que o portal e que o jornal da família Frias a nova pesquisa Datafolhaque mostra Kassab vencendo Marta no segundo turno por 49% a 45%.
Fica difícil comentar alguma coisa que valha a pena quando o presidente do maior instituto de pesquisas de opinião da América Latina prevê resultado de uma eleição que só ocorrerá daqui a mais de dois anos e por uma razão no mínimo passível de questionamento.
O que mais me importa, é a ousadia desse movimento da mídia. Sinceramente, esse relato de Kotscho me deixou perplexo. Confesso que nunca vi nada igual partindo de alguém com tanta responsabilidade nas costas. Gostaria, pois, de vossas contribuições, porque nem sei o que dizer... É de cair o queixo.
Há uma crise grave na maior economia do mundo, essa crise tem potencial para se espalhar por esse mundo e disso não há dúvida.
Alguns países, porém, serão mais afetados do que outros. E pouco importa se este ou aquele país têm mais ou menos negócios com os americanos, porque o ambiente de negócios no mundo tende a piorar.
Chega a ser constrangedor ter que dizer isso, porque é óbvio, mas tem gente que quer passar a idéia de que acha que as autoridades brasileiras da área econômica não sabem da gravidade da crise.
Ninguém que tenha um mínimo de sensatez pode acreditar que os que comandam uma economia que vem obtendo tantos sucessos estão alheios aos riscos que a crise americana gera para o mundo.
O Brasil tem uma situação privilegiada nessa crise, como todos os países que nos últimos anos vieram diversificando seus parceiros comerciais pelo mundo. Nesse aspecto, vários países sul-americanos também estão em situação mais cômoda diante do caos ianque.
Porém, há aqueles, aqui no Brasil, aos quais interessa, novamente, alarmar os brasileiros. Digo novamente porque neste ano já houve um processo de difusão de alarmismo. Foi em janeiro, quando a mídia induziu legiões de cidadãos a acreditarem que havia uma epidemia de febre amarela no país, provocando uma corrida em busca de vacina contra a enfermidade.
Não havia epidemia nenhuma e muita gente se vacinou sem necessidade e até tomando overdoses de vacina, o que fez com que dezenas de pessoas adoecessem e fossem hospitalizadas por causa da vacina em vez de pela moléstia que ela combate.
Uma jornalista envolvida com política partidária, mulher do marqueteiro do PSDB e do PFL, que tem usado sua coluna na Folha de São Paulo para fazer o jogo dos que pagam seu marido, durante a promoção de alarma social quanto à febre amarela no início deste ano escreveu um texto que exortava as pessoas a se vacinarem indiscriminadamente.
O interesse da jornalista em questão, bem como de todos os meios de comunicação partidarizados, era o de alarmar a população para desgastar o governo federal.
Assim como provocaram corrida da população em busca de vacina, agora esses veículos de imprensa e seus funcionários fazem o mesmo visando provocar corrida pelo dólar e por outros ativos, de forma a materializarem na marra suas profecias catastrofistas.
Além disso, os alarmistas querem passar a impressão de que as autoridades da área econômica estão perdidas e não sabem o que fazer.
A jornalista que provocou alarma social em janeiro, induzindo as pessoas a acreditarem que haveria uma epidemia de febre amarela no país e que agora volta à carga, chama-se Eliane Cantanhêde.
Em janeiro, ela escreveu o seguinte:
"Vacine-se contra a febre amarela! Não deixe para amanhã, depois, semana que vem (...) Vacine-se logo! Senão, Lula, o aedes aegypti vem, pica e mata sabe-se lá quantos neste ano -- e nos seguintes."
Nenhuma ressalva foi feita, a coluna dessa pessoa conclamou todos a se vacinarem, fossem de onde fossem. Assim, por conta desse tipo de alarmismo, pessoas que viviam em regiões em que nunca houve um único caso de febre amarela vacinaram-se uma, duas, três ou mais vezes seguidas e muitas, por isso, foram parar no hospital. Detalhe: pessoas que se vacinaram dessa maneira acabaram morrendo por conta do que fizeram movidas pelo alarmismo midiático.
Agora, a mesma mídia que no começo do ano provocou esgotamento de vacinas contra a febre amarela no país que é o maior produtor mundial do medicamento, tenta provocar corrida por dólar e para vender ações, fazendo disparar o preço da moeda americana e despencar os das ações, pois o tom de catástrofe iminente está dominando o noticiário.
Além disso, assim como em janeiro a mídia desqualificou pronunciamento do ministro da Saúde quando ele foi à tevê pedir calma a população e garantir que não havia epidemia alguma, apenas um recrudescimento de casos de febre amarela previsível e periódico, agora a mesma Cantanhêde – e congêneres da mídia irresponsável – tenta pintar as autoridades da área econômica e o próprio presidente Lula como irresponsáveis que não sabem o que está acontecendo e que não estão tomando medidas para proteger a economia brasileira.
Vejam a coluna de hoje da tal Cantanhêde na Folha:
ELIANE CANTANHÊDE
O tamanho do aperto
BRASÍLIA - Primeiro, Lula disse que a crise americana era "quase imperceptível no Brasil". Passados uns dias, falou que o Brasil estava "muito tranqüilo para enfrentar a situação". Agora, já muda a agenda e o tom, admitindo "algum aperto", apesar de "muito pequeno".
E ele falou isso antes que a bomba explodisse e os estilhaços chegassem ao Brasil. O Congresso dos EUA deu de ombros ao pacote anticrise de Bush -como, de resto, os congressos costumam desdenhar pacotes, programas ou projetos de presidentes em fim de mandato.
Ainda mais de um como Bush. As Bolsas entraram em queda livre. A de São Paulo se esborrachou, e o dólar deu um salto de 6%. O "aperto" chegou. Não é "imperceptível", certamente não será "muito pequeno", ninguém mais está "tranqüilo". E o que mais assusta é que nem governo, nem empresas, nem economistas de qualquer tendência conseguem projetar o que vem por aí.
Henrique Meirelles, aliás, reagiu menos como presidente do Banco Central e mais como cidadão curioso, perplexo e, sobretudo, impotente. Ao saber das novidades, declarou: "Acabamos de ter mais uma surpresa". E se gabou: "Fizemos bem em não fazer previsões!".
Ficamos assim: o presidente da República não tem dimensão do que está acontecendo, o do BC nem sequer traça cenários, o ministro da Fazenda convoca reuniões para dividir prejuízos e o do Planejamento fala, fala e não diz nada.
Nessa barafunda, o repórter Gustavo Patu, da Folha, tentou tranqüilizar quem aplica em ações: "Quando a Bolsa cai, os imóveis sobem, fica um pelo outro". Quem não tem imóveis? Bem, é arrancar os cabelos e conviver com a ladainha da "paciência, daqui a dois anos fica tudo uma maravilha de novo".
E o pior não é para quem tem (aplicações e imóveis), é para quem não tem. A perspectiva é de menos crescimento, emprego e renda. Um aperto daqueles.
Esse é só um exemplo. A grande mídia está infestada disso aí que vocês leram acima. Lula e a equipe econômica nada sabem, quem sabe é a tal Cantanhêde e os mercenários da imprensa golpista.
Resgatem as previsões dessa gente, inclusive sobre economia, no passado recente e verão o que está acontecendo.
Eles tentam provocar o efeito da profecia que se auto-realiza. Por exemplo: um banco está sólido, mas surge um boato de que ele vai quebrar e todos correm para sacar seu dinheiro de lá e o banco acaba quebrando mesmo. O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, alertou para isso ontem.
O objetivo óbvio é o de criar um clima negativo para diminuir a perspectiva de vitória do governo nas eleições deste ano, pois Folhas, Globos, Vejas etc são aliados do PSDB e do PFL e querem ajudá-los a melhorar suas perspectivas eleitorais.
A crise internacional é gravíssima, mas não é hora de sair da bolsa, comprar ou vender dólares apressadamente. O país tem instrumentos para combater a crise e uma quantidade estupidamente grande de dólares. A precipitação só interessa aos quinta-colunas da mídia, interessados em fazer o país piorar para aumentar as chances dos candidatos conservadores na eleição deste ano.
Não colabore com esses terroristas. Não difunda alarmismo.
Comecei a escrever isto logo depois de sair do meu escritório um sujeito que odeia tanto o Lula, mas tanto, que estava urrando de felicidade porque a bolsa caiu e o dólar subiu, o que aconteceu devido à rejeição do pacote de 700 bilhões de dólares pelo congresso americano. Como é que vocês qualificam alguém com tal mentalidade?
“Agora vai!”, regozijava-se o idiota. “E depois o Lula diz que não seremos afetados pela crise”, comemorou.
Na mídia, nos últimos dias, sucederam-se previsões sombrias para o mundo e especulações satisfeitas sobre quanto a crise americana poderia nos afetar. O tom de torcida pelo pior, é gritante.
“Crescimento cairá a 4%”, diz um comentarista do Estadão; “Cresceremos só 2% no ano que vem”, anseia outro da Folha; “Crise já afeta empresas brasileiras”, compraz-se a Globo.
No momento em que escrevo, a Bovespa cai mais de 9% e o dólar encosta nos 2 reais. O “circuit breaker” da Bolsa foi acionado, ou seja, o pregão foi interrompido por meia hora.O mecanismo costuma ser acionado quando há grandes quedas, para dar tempo aos investidores para que se acalmem, pois esses movimentos bruscos denotam mais o estado de espírito deles do que a realidade.
Imaginem vocês que duas empresas que especularam com câmbio apostando na continuidade da queda da moeda americana, a Sadia e a Aracruz, tiveram perdas com a valorização do dólar.
Foram eventos isolados, mas a mídia, torcendo para o país ter problemas e, assim, diminuírem as perspectivas eleitorais do PT, diagnosticou que os maus negócios especulativos das duas empresas denotavam “tendência”. Mentira. Foram burradas que essas empresas fizeram.
Lembram-se das previsões catastrofistas feitas quando o Brasil recebeu o grau de investimento de agências americanas de classificação de risco? Os mesmos profetas do caos diziam que sofreríamos uma crise cambial em meses, porque o real estava sobrevalorizado.
E agora? O dólar disparou. Isso significa que os problemas de sobrevalorização do real desapareceram? Não, não desapareceram porque o real nunca esteve sobrevalorizado. Sobrevalorização é quando o governo manipula o valor do câmbio, como fazia FHC. Quando é o mercado que regula, o valor é o correto. E, no caso do real, este acompanhava um movimento mundial de valorização diante do dólar. Por que é que, agora, os profetas do Apocalipse estariam certos quanto à chegada do Evento Final?
Querem meu conselho? Não percam o sono por conta de um movimento da economia americana que provocou pânico no mundo inteiro. Até em países paradisíacos do extremo norte europeu, países quase sempre imunes a crises dessa natureza, como uma Bélgica ou uma Islândia, houve convulsões fortes.
O Brasil está mais preparado para enfrentar a crise do que já esteve em qualquer época. Há escassez de crédito internacional para financiar nossas exportações, por exemplo? Há, mas hoje temos um grosso colchão de divisas para investir. Não é como no tempo de FHC, quando os recursos que tínhamos não nos pertenciam e, assim, deixavam o país em questão de horas.
Em 1999, quando o deus mercado decretou a maxidesvalorização do real – que FHC disse que não aconteceria na campanha eleitoral do ano anterior –, em semanas nossas “reservas” derreteram, e estamos falando de uns 30, 40 bilhões de dólares. Só que nem tínhamos reservas, tecnicamente, porque as mantínhamos intocadas ao custo dos dólares que vinham especular no país.
Ninguém tirará os dólares daqui em horas, e, mesmo que tirasse, temos nossas próprias reservas, que nos permitiriam, em tese, atravessar grande período de turbulências.
Repito: não se apavorem. A mídia quer apenas criar um clima negativo no país visando influir no processo eleitoral, como fez em 2006 com a pilha de dinheiro e o delegado Bruno, que levaram a eleição presidencial para o segundo turno.
Claro que o problema é sério, mas, antes de termos razões concretas para desesperar, os americanos já terão dado tiros em suas cacholas. E essa é a boa nova: enquanto eles pegam pneumonia, poderemos, no máximo, pegar uma gripe forte. Alguma vez você imaginou que isso aconteceria no Brasil?
Faz tempo que venho querendo escrever sobre o assunto a fim de estimular as pessoas a se integrarem mais adequadamente ao mundo novo que surgiu com a internet, que se tornou um universo paralelo no qual todos precisarão adentrar cedo ou tarde.
Nos países do Terceiro Mundo, a internet, apesar de avançar a passos enormes, ainda é um privilégio totalmente acessível apenas a parcelas de tais sociedades, e mesmo as pessoas que têm algum acesso à rede esse acesso lhes é possível somente em seus locais de trabalho, pois não têm seus próprios computadores.
Venho constatando quanta gente ainda não tem computador porque nos fins de semana os acessos a este blog chegam a cair mais de 30%. Pode não parecer muito, mas se levarmos em conta que são pessoas que têm grande interesse em blogs como este, a ponto de acessá-los todos os dias úteis, verificaremos quantos ainda não dispõem desse eletrodoméstico cada vez mais imprescindível que é o computador.
As principais razões para que quem tem grande interesse na internet só a use no trabalho são, basicamente, falta de seu próprio computador e o alto custo da banda larga, sem a qual a internet se converte numa tortura.
Nesse sentido, a proposta da candidata a prefeita de São Paulo Marta Suplicy de dotar a cidade inteira de sinal de banda larga por Wi-Fi poderá se converter num passo gigantesco no processo de intensa inclusão digital promovido pelo governo Lula, pois se for feito em São Paulo poderá ser feito em qualquer parte do país.
O cidadão que só consegue acessar a internet do trabalho ou de lan houses é extremamente prejudicado, pois do trabalho não pode explorar todo o potencial que a internet tem, e as lan houses, como obrigam o usuário a pagar e também a sair de casa, não substituem a posse de um computador com acesso à internet por banda larga.
Quando surgiu a televisão, por muito tempo ela foi acessível apenas a algumas camadas sociais. O uso universal da tevê demorou para acontecer. Houve época em que estender a tevê a todas as camadas sociais também era visto como uma idéia extravagante.
Acredito que toda essa gente que nos fins de semana, quando teria tempo para navegar com mais calma, fica excluída da internet, se não tivesse que pagar os preços exorbitantes que empresas cobram pelo acesso de banda larga, certamente compraria seu computador.
Os adversários de Marta Suplicy são contrários à idéia dela e esgrimem com números absurdos sobre quanto custaria oferecer acesso gratuito à internet por banda larga para toda São Paulo porque são representantes da elite que perde com o acesso do conjunto da sociedade a fontes de informação mais diversificadas e plurais, e, claro, porque defendem os interesses das empresas provedoras de acesso à internet, que perderão com a medida proposta por Marta.
Se Marta se eleger e implantar esse projeto numa cidade do porte de São Paulo, o Brasil estará dando um passo gigantesco na inclusão digital. Se não houvesse nenhuma outra razão para votar em Marta – e, a meu ver, há muitas outras –, sua proposta de internet grátis para toda a cidade me seria mais do que suficiente.
Do blog do Favre
No blog do marido de Marta Suplicy, Luis Favre, há um interessante artigo de um técnico que é apresentado como "pai da internet no Brasil", no qual defende a proposta da ex-prefeita de cobrir São Paulo com acesso a banda larga sem fio. Clique aqui para ler
Dois jornalistas dos quais tenho o privilégio de privar da amizade estão desmontando um esquema odioso e desumano que custo a crer que possa existir em pleno século XXI, e que mostra a face mais hedionda do capitalismo.
Refiro-me à jornalista especializada em saúde Conceição Lemes e a Luiz Carlos Azenha, e às denúncias da primeira e ao espaço concedido a ela pelo segundo em seu site, o “Vi o Mundo”, para que denunciasse um esquema incrivelmente maligno em que “especialistas” nacionais e estrangeiros defendem o uso do “amianto branco” (crisotila) nas indústrias.
“As denúncias publicadas pelo Vi o Mundo mudaram a história no Brasil. São um divisor de águas: antes e depois delas”, afirma Fernanda Giannasi, símbolo da luta contra o amianto no País. “Muita gente foi enganada por esses médicos da indústria travestidos de pesquisadores neutros e professores éticos das nossas mais importantes universidades.”
“Os juízes, ao lerem um relatório deles, aceitavam-no como a grande verdade científica. Os trabalhadores acreditavam que estavam sendo encaminhados a médicos ilibados de faculdades da maior credibilidade. Políticos os reverenciavam assim como a imprensa nacional, que, antes de publicar qualquer queixa nossa, ia ouvir essas ‘autoridades médicas’”, ilustra Fernanda Giannasi. “Agora, está provado que nem os médicos nem as pesquisas deles são isentas. Ao contrário: a pesquisa é um relatório feito sob encomenda para a indústria do amianto. Eles macularam a imagem de suas instituições, que acabaram legitimando as teses da segurança do uso da crisotila no país e sua inocuidade à saúde pública.”
A Abrea representa milhares de vítimas do amianto no País, organizadas em seis estados da nossa federação -- São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Paraná, Goiás e, mais recentemente, Minas Gerais.
O Cremesp abriu sindicância, a USP constituiu uma comissão de averiguação. Agora, com esta matéria que entrou ontem no Vi O Mundosob o título Perito 'suíço' em amianto foi pago pela indústria brasileira do amianto, Conceição Lemes e Luiz Carlos Azenha trazem novas revelações sobre o esquema milionário que move o Lobby do amianto no mundo.
Esses dois jornalistas, juntos, desmascararam um lobby nacional, primeiro, e outro internacional, agora. E sabem o que ganharam para fazer esse trabalho? Sabem em troca de quê a Conceição Lemes gastou dias, semanas e meses pesquisando? Foi em troca do prazer de fazer bom jornalismo, de ajudar a interromper a exposição de trabalhadores a uma matéria-prima que os está matando.
Pergunto a vocês: não é um alento saber que existem pessoas como a Conceição e o Azenha?
Assistiram o vídeo acima? Ainda não? Bem, então conto para vocês do que se trata. Mas, se puderem, assistam depois – se não forem fracos do estômago.
Um rapaz do UOL chamado Diogo Pinheiro faz dobradinha com a “menina do Jô Soares” Lucia Hippolito para tratarem de uma tal onda de governos “continuístas” que haveria na América Latina. Referem-se, claro, aos governos de esquerda que se espalharam por toda região.
Esses vigaristas não explicam o que seriam governos “continuístas”, mas eu explico: são aqueles que se mantêm no poder através do voto, da decisão da maioria dos povos que governam, mas o adjetivo “continuísta” induz os desinformados a pensarem que esses governos se mantêm no poder à força.
Mas vamos em frente. Na hora em que comecei a escrever isto, o vídeo estava na primeira página do UOL, em destaque.
O entrevistador Diogo Pinheiro e a “menina” do Jô passaram alguns minutos mentindo compulsivamente para os internautas.
Ficaram dizendo que o presidente do Equador, Rafael Correa, ameaçou “dar calote” no BNDES, que financiou uma hidrelétrica no Equador, por estar em desacordo com a empreiteira brasileira que fez a obra, e ainda exaltaram a “qualidade” das empreiteiras brasileiras.
Vale explicar que Correa nunca disse que daria calote no BNDES. Disse que não pagaria a empreiteira, que foi quem recebeu o dinheiro do BNDES, e a mídia burra veiculou que ele tinha dito que o calote seria na instituição brasileira. A mídia inventou isso e atribuiu a Correa a autoria do engano que cometeu. É mole?
Nem um (o menino) nem a outra (a “menina”) citaram o nome da empreiteira nem a razão pela qual Correa tomou medidas duras como a de congelar os bens da Odebrecht e a de determinar que alguns de seus executivos não pudessem deixar o país.
A esta altura, creio que vocês já sabem que a Odebrecht construiu uma hidrelétrica de baixa qualidade no Equador que está sem funcionar desde junho, mas notem como a “menina” e o tal Pinheiro embromam o internauta e não explicam do que se trata a pendenga.
E o pior é que o vídeo é apresentado com destaque pelo UOL num momento em que a própria Odebrecht decidiu aceitar pagar a indenização exigida por Correa, obviamente porque sabe que sua obra foi mal feita.
Um detalhe: a empreiteira de “qualidade” à qual a “menina” se refere integra o consórcio de empreiteiras responsável pelo buracão do metrô em São Paulo, no qual morreram sete pessoas e que deixou centenas de desabrigados.
Esses mercenários que se dispõem a fazer papéis ridículos como esse que a “menina” e o menino aí em cima fizeram, além de mitômanos são burros. Aparecem mentindo na mesma internet na qual, com um toque de dedo, pode-se descobrir a verdade.
Pode ser inócuo fazer o que esses vigaristas mercenários fazem, mas é revoltante, não?
As eleições municipais se aproximam e a mídia, como sempre, tenta manipular a sociedade na tentativa de fazer prevalecer os candidatos que lhe interessa que vençam.
Além das conhecidas estratégias midiáticas de inflar ou diminuir notícias negativas ou positivas para os candidatos em benefício de alguns deles, pode estar em curso uma estratégia que acho que já foi usada outras vezes pelos panfletos político-ideológicos das famílias Marinho, Civita, Frias, Mesquita e assemelhadas.
Como vocês sabem, os institutos de pesquisa são apêndices da imprensa golpista de direita. Ibope e Datafolha, por exemplo. Não me espanta, pois, o que podem estar fazendo.
Tenho ao menos uma evidência concreta de uso de pesquisas para induzir o eleitorado. No fim de 2005, no auge do “escândalo” do suposto “mensalão”, Ibope e Datafolha falsificaram uma expressiva queda de popularidade de Lula. Cerca de um mês depois, em janeiro de 2006, pesquisa CNT-Sensus mostrou disparada das intenções de voto em Lula.
Durante o período da “queda” de Lula e de sua espetacular “recuperação” só aconteceram as festas de fim de ano. Nada explica, até hoje, aquela “recuperação” espantosa da popularidade do presidente, pois naquele período nada aconteceu.
A partir dali, formei a convicção de que não é só nos países nossos vizinhos que os institutos de pesquisa da direita falsificam resultados para favorecer os candidatos conservadores. Tenho ao menos uma evidência de que, neste ano, a manipulação das pesquisas voltou a ocorrer. Essa evidência está no processo eleitoral de São Paulo.
Por certo há casos por todo o país, mas não tenho como falar sobre outras cidades porque não lhes conheço as realidades. Assim, usarei o exemplo de São Paulo. Além disso, se eu discorresse sobre Recife, por exemplo, desagradaria o leitor de Porto Alegre, e por aí vai.
Aqui em Sampa, descobriu-se que a mídia, mais do que tucana, é serrista. Acredite quem quiser: o governador José Serra, em São Paulo, virou uma instituição. A mídia está atacando até o companheiro de partido dele, Geraldo Alckmin, para privilegiar seu pupilo ultraconservador Gilberto Kassab.
E, desta vez, a manipulação de pesquisas parece ser a estratégia escolhida, em detrimento da estratégia surrada de “desconstrução” dos adversários do político beneficiário das manipulações eleitorais midiáticas.
A uma semana das eleições municipais em primeiro turno, uma análise das pesquisas Ibope e Datafolha, que vêm sendo divulgadas semanalmente já há algum tempo, mostra que as tendências dessas sondagens, tendências insinuadas pelas “margens de erro”, jamais se consolidam.
Ora, se durante três, quatro pesquisas consecutivas a tendência que aparece é de subida ou descida deste ou daquele candidato, teria que haver a materialização dessa tendência em números fora da “margem de erro”, mas os resultados, que favorecem o candidato da mídia, Gilberto Kassab, ficam sempre dentro da tal margem.
Faz cerca de um mês divulguei aqui um alerta sobre pesquisas para a campanha de Marta Suplicy, na esperança de que seu marido, Luis Favre, que deve ler o Cidadania porque já reproduziu textos meus em seu blog, lesse e passasse o texto ao comando da campanha de sua mulher ou a ela mesma.
A tranqüilidade que Marta vem exibindo pode significar que o comando de sua campanha já fazia ou passou a fazer o que recomendei, ou seja, fazer pesquisas paralelas por conta da inconfiabilidade dos números do Datafolha e do Ibope.
Daqui a exatos sete dias, se o que acredito que pode estar acontecendo estiver realmente acontecendo, ou os resultados da eleição em primeiro turno divergirão das projeções do Datafolha ou do Ibope que colocam Kassab à frente de Alckmin e que mostram que Marta perde para ambos no segundo turno “dentro da margem de erro”, ou as pesquisas que antecederão o pleito apresentarão uma alteração dentro dessa “margem” que recolocará as coisas em seu lugar.
Provavelmente o mesmo deve estar acontecendo em várias outras cidades e se alguém tiver conhecimento de casos similares e quiser relatá-los aqui, terá espaço neste post, ou seja, reproduzirei outras denúncias sobre manipulações parecidas.
Não sei até que ponto as manipulações de pesquisas estão ocorrendo, mas acredito que, a partir de determinado nível de manipulação, crimes eleitorais poderão estar sendo cometidos, o que permite que, na condição de presidente da ONG Movimento dos Sem Mídia, eu cogite fazer representação à Justiça Eleitoral para que se investigue.
Fica aberto, pois, o espaço neste blog a quem tiver casos similares de manipulações de pesquisas a relatar.
Dos Leitores
Um fato que me intrigou foi a eleição para governador da Bahia, em 2006. Todos os institutos de lá diziam que Paulo Souto (PFL) venceria no 1° turno e quando abriram as
urnas deu Jacques Wagner (PT) em 1º turno.
Rodolfo Cabral | Recife | professor
Eduardo, isso aconteceu em BH, em 1996. O socialista Célio de Castro tinha 7%, a uma semana do primeiro turno. Quando abriram as urnas, Castro tinha 37%.
Rosan | Belo Horizonte | advogado
Todos se lembram da Proconsult. Era patrocinada pelos Marinho e foi devidamente desmascarada pelo ex-governador Leonel Brizola.
Em Betim está ocorrendo algo muito parecido: o “Vox Populi” dá empate técnico entre Maria do Carmo, do PT, e o candidato da situação - Rômulo, do PV -, que tem como vice Vitório Mediolli, um mega empresário e ex-deputado federal pelo PSDB. Esse empresário é dono do “Data Tempo”, que lhe dá uma vantagem de 8% nas pesquisas com um número expressivo de 15% de indecisos.
Lucas Bolognani | Betim - MG | engenheiro
No Rio de Janeiro e em outras cidades, as pesquisas do Ibope e do Datafolha são diferentes entre si. Já aqui em São Paulo, os números desses institutos são praticamente iguais e até nas pequenas diferenças sugerem uma “combinação”.
Batista Nogueira | São Paulo | prestador de serviço
A situação do Gabeira no Rio também entra nesse grupo. Ele é claramente o candidato da Globo. Qualquer pontinho que suba nas pesquisas é manchete de primeira página. A última pesquisa Datafolha, que mostra uma grande subida dele, destoa completamente das outras.