Utilidade pública

Ignore a mídia

 

 

Quero repetir vaticínio que já fiz aqui: a mídia irá se desmoralizar alarmando as pessoas sobre efeitos de uma crise internacional que, apesar de ter se agravado nas últimas semanas, começou já faz um ano.

 

Mas, como dizia minha santa avozinha, “bom cabrito não berra”. A imprensa golpista, no fim, atrairá a ira de tantos quantos tomarem decisões empresariais precipitadas, sobretudo os comerciantes, que essa mesma imprensa anda dizendo que já andam cancelando pedidos de mercadorias para vender no Natal.

 

Comerciante que tiver juízo não fará isso, pois irá perder muito dinheiro. Deixará de vender havendo clientes querendo comprar. Os que caírem em mais esse conto do vigário aprenderão um pouco mais que a mídia brasileira não pode ser ouvida como se fosse a voz de Deus.

 

Como vocês viram no vídeo acima, nem os paulistanos, que da boca pra fora ficam repetindo a conversa mole da mídia sobre a crise que já chegou ao Brasil, agem de acordo com o que dizem. E olhe que a tal crise, apesar de ter se agravado agora, começou no fim do ano passado.

 

Melhor as pessoas escutarem o presidente Lula, que, no vídeo abaixo, lembra de outros contos do vigário da mídia que brasileiros ouviram e depois não aconteceu nada. Aliás, pena que ele esqueceu de mencionar o conto da inflação, que a mídia disse que iria explodir e depois também não aconteceu nada.

 

 

O Jornal Nacional deste sábado, por exemplo, passou o tempo todo tentando dissuadir o consumidor de comprar, sobretudo carros e imóveis, mas não conseguiu apresentar nenhum resultado prático advindo da crise internacional, nem aumento dos juros, nem queda das vendas.

 

De uma coisa eu tenho certeza, quem vive de vendas não deve estar muito satisfeito com a mídia, e quem vive de vender e acreditou nela, ficará ainda menos satisfeito quando verificar quanto deixou de ganhar por ter lhe dado ouvidos.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 20h48
[] [envie esta mensagem]



Análise política

As ‘Senhoras de Santana’  

e o grande erro de Marta

 

 

 

Ariane Leonardi, herdeira das “Senhoras de Santana”

 

 

 

As  Senhoras de Santana” foram um grupo formado no começo da década de 1980 que protestava contra a televisão e se dizia a favor da censura.O grupo ganhou esse nome por morar e se reunir sempre na Rua Paderewsky, uma luxuosa rua no bairro de Santana, zona Norte de São Paulo.

 

Essas tais “Senhoras de Santana” lutavam contra o que consideravam “imoral” organizando “vigílias de oração” e até protestos na via pública. Um dos seus atos foi acampar na porta da Rede Globo exigindo que fosse tirado do ar o quadro da sexóloga Marta Suplicy no programa TV Mulher, no qual ela falava de sexo abertamente.

 

 

Quadro de Marta Suplicy no programa TV Mulher, no início dos anos 1980

 

 

O grupo logo ganhou má fama e acabou virando alvo de chacota. "Senhora de Santana", em São Paulo, tornou-se sinônimo de pessoa chata e inconveniente.  

 

Uma das organizadoras do movimento era Ercília César Silveira, filha de um general. Como o país vivia sob ditadura militar, isso ajudou a piorar ainda mais a fama do grupo moralista.

 

Reportagem do jornal Valor Econômico que reproduzi aqui ontem revela que, quase trinta anos depois, poucos foram os avanços nos bastiões conservadores paulistanos como é Santana.

 

A reportagem do “Valor” escolheu um jovem pobre da periferia para ilustrar o eleitor de Marta e uma moça de 32 anos do bairro de Santana, a advogada Ariane Leonardi, para representar os anti-Marta do bairro em que a ex-prefeita teve uma de suas piores votações no domingo passado.

 

Reparem na expressão do rosto da moça. Se eu tivesse que escolher uma imagem para a soberba, para a arrogância, escolheria essa jovem. E suas idéias coadunam-se perfeitamente com as idéias das “Senhoras de Santana”, que há quase 30 anos já eram maduras ou até idosas.

 

Segundo Ariane Leonardi, ela repudia Marta porque sua família seria “desregrada”, porque seu filho “Supla” é um “roqueiro louco” e porque a ex-prefeita “não tem marido”, apesar de Marta ter se divorciado e se casado novamente.

 

O tempo parou para grande parte do povo paulistano, que vota em nulidades como Alckmin, Serra ou Kassab porque se enquadram no figurino de “papa-hóstias” que agrada à elite carola paulistana, ainda que a realidade de alguns desses políticos seja bem outra.

 

Do ponto de vista prático, também é compreensível que as pessoas dos bairros mais ricos votem em Kassab. Pesquisa da ONG Nova São Paulo divulgada em janeiro deste ano revela dados estarrecedores sobre a divisão do orçamento da prefeitura paulistana entre as diversas regiões da cidade.

 

A administração de José Serra e de Gilberto Kassab produziu tragédias como a do bairro paupérrimo Capela do Socorro, onde o orçamento anual da prefeitura é de R$ 25.058.714 para uma população de 602.237 habitantes, a maior população de um bairro da cidade. Ali, o orçamento per capita é de R$ 41,61, o menor da cidade.

 

Já na administração regional da Sé, que engloba os bairros mais ricos de São Paulo, o orçamento anual é de R$ 137.877.544, o maior de todas as subprefeituras, para uma população de 381.063 habitantes. O orçamento per capita, de R$ 361,82, é oito vezes maior do que o da Capela do Socorro.

 

Enquanto nos bairros pobres a população sofre por não ter asfalto, saneamento básico, por falta de tudo que se possa imaginar, tendo que se locomover afundando os pés na lama em dias de chuva, a administração Serra / Kassab gasta milhões numa única rua, como a Oscar Freire, na qual estão as mais famosas grifes de alta costura, freqüentada pela elite da elite paulistana.

 

Obras da prefeitura paulistana na rua Oscar Freire

 

 

O grande mistério desta eleição é descobrir por que Marta teve apenas 59% dos votos em Piraporinha, o bairro pobre citado pela reportagem do jornal “Valor”. Apesar de ser a região em que a ex-prefeita teve mais votos, como é possível que mais de 40% da população daquele bairro tenha votado em Kassab, um prefeito que vem usando os recursos da maioria para beneficiar uma exígua minoria dos paulistanos?

 

Eu já disse várias vezes e volto a repetir: não adianta Marta querer se “entender” com gente como a Ariane, filha das “Senhoras de Santana”, uma pobre vítima da soberba de uma elite alucinada que pensa que vive nos anos 1980, ou com grupos religiosos que a repudiam por defender os direitos dos homossexuais.

 

A única possibilidade de Marta virar o jogo em tão pouco tempo é ir falar para as regiões em que as pessoas foram largamente beneficiadas por sua administração. Muitas dessas pessoas estão se deixando enganar por Kassab. Deveriam ser informadas de quanto dinheiro ele tirou dos bairros pobres para investir nos ricos.

 

Marta, porém, como Lula, parece achar que poderá vencer o preconceito algum dia. Deveria se espelhar em países sul-americanos nos quais a esquerda desistiu dessa missão impossível e entendeu que a luta, no Brasil como no resto da América Latina, é de classes, e que, portanto, não dá para fazer um omelete sem quebrar os ovos.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 11h28
[] [envie esta mensagem]



Teoria política

A “pessoa pública”

 

 Atualizado às 15h41 de 10 de outubro de 2008

 

 

 

O post anterior gerou uma interessante discussão, de uma natureza que me conduziu a este post, no qual quero tentar contribuir para a formação da consciência política da sociedade da forma como puder, para que esta aprimore sua visão sobre o que se pode e sobre o que não se pode exigir de uma "pessoa pública".

 

Primeiro, porém, devemos separar o ente “pessoa pública” em duas categorias, a que serve ao público e por ele é remunerada, como são os políticos, e a que entretém esse público, mas é remunerada pelo privado.

 

A “pessoa pública” que nos interessa neste momento é a que é remunerada pelos cofres públicos, ou seja, são os políticos e juristas pagos com o dinheiro de todos nós.

 

Dessa “pessoa pública”, temos o direito de exigir-lhe muita coisa, mas isso não significa que ela não tenha direitos. E estes, os direitos, têm que ser para todas as pessoas dessa categoria de “pessoa pública”, ou seja, não se pode fazer cobranças ou conceder direitos para uns e não para outros porque pertencem ou não a este ou àquele grupo político ou ideológico ou étnico ou religioso ou seja lá o que for.

 

Sobre direitos e deveres

 

O homem público (perdoem-me, mas o idioma manda usar o gênero masculino) é obrigado a prestar contas de seus atos, mas não de todos. Só dos atos que possam ter correlação com a ética, que possam elevar ou rebaixar o nível ético de alguém.

 

Se um governante, parlamentar ou juiz  – ou candidato a esses cargos – bate na mulher, isso diz respeito ao seu caráter, faz dele uma pessoa truculenta, descontrolada e, portanto, inapta para gerir a coisa pública ou para julgar outras pessoas ou mesmo para formular leis.

 

Se uma pessoa pública decide mudar de marido ou se ela gosta de pessoas do mesmo sexo, esse é um dos poucos direitos que quedam à “pessoa pública”, talvez a derradeira prerrogativa que o público poderia conceder ao seus servidores, até porque, em termos de sexo, ouvi dizer que muito poucas pessoas são cem por cento, digamos, “convencionais”, ainda que a grande maioria negue isso até sob tortura.

 

Vamos entender uma coisa: a pessoa gostar de fazer sexo com o mesmo sexo ou com o sexo oposto não faz dela melhor ou pior; a pessoa achar que, "mesmo sendo mulher", tem o direito de mudar de marido depois de décadas casada com alguém, isso não faz dela “promíscua”, “vagabunda” ou coisa parecida.

 

Hipocrisia

 

O pior defeito do ser humano deve ser a hipocrisia. Ela fundamenta os atos mais vis, os delírios ditatoriais todos que vitimaram a humanidade; todo ato imoral, impiedoso, cruel e covarde fundamenta-se na hipocrisia.

 

Achar-se no direito de julgar o comportamento afetivo íntimo de uma pessoa é hipocrisia, pois essa mesma pessoa que quer julgar jamais admitiria que fizessem o mesmo com ela, sem muitas vezes examinar se os dogmas moralistas não reprovariam algum de seus “gostos” particulares.

 

Esclarecer o público

 

As sociedades mais avançadas do planeta já entenderam isso. O comportamento sexual de uma pessoa, contanto que não fira o direito de quem com ela partilha tal comportamento, já não é objeto de atenção pública em parte nenhuma do mundo civilizado, se for para determinar se aquela pessoa é ou não “digna”.

 

O que dá essa vantagem aos povos mais esclarecidos é a ação do Estado e da mídia, onde ambos já entenderam que existem para servir ao público, nunca para servirem-se dele, como é neste país.

 

Por falta de esclarecimento que deveria começar na escola, países como o Brasil ainda estão presos a conceitos e mentalidades arcaicos, superados, que o processo civilizatório já extinguiu, mas que persistem entre nós, tornando-nos incapazes de fazer, ainda, julgamentos políticos mais avançados, focalizados no que realmente interessa sobre a “pessoa pública”.

 

Do blog do Favre

 

Reportagem do jornal Valor Econômico desta sexta feira reproduzida pelo blog do marido de Marta Suplicy, Luis Favre, constitui o melhor trabalho jornalístico de um grande veículo que vi até agora, e que confirma tudo que venho dizendo aqui. Para ler a matéria, clique na imagem abaixo

 

 

 

 



 Escrito por Eduardo Guimarães às 14h39
[] [envie esta mensagem]



Nota de esclarecimento

Lutar com honra

 

 

 

Nos últimos dias, diversos leitores vêm postando comentários que fazem insinuações sobre o prefeito Gilberto Kassab que demonstram quão baixa é a política. Esse tipo de jogo sujo mostra como estou certo em me manter independente de grupos políticos.

 

Acho Kassab um péssimo prefeito. Ele é do partido que representa tudo o que abomino na política. Não votaria nele nem que minha vida dependesse disso.

 

Dito isto, quero pôr os pingos nos is no que diz respeito aos boatos sobre a orientação sexual do prefeito.

 

Tem gente querendo discutir o assunto. É óbvio que a intenção é a de chocar o eleitorado conservador de São Paulo. E o que é pior, com uma mentira, porque ninguém tem prova nenhuma de que o que dizem é verdade.

 

Mesmo que fosse verdade o que estão dizendo sobre Kassab – e são apenas boatos sem qualquer comprovação –, isso não deveria nem ser mencionado por quem tem um mínimo de caráter.

 

Não se mede a competência de um administrador pela sua orientação sexual. E a revelação de uma orientação diferente da majoritária só cabe àquele que tem tal orientação.

 

Repudio com toda força esse vale-tudo, venha do lado que for, inclusive daquele em que estou.

 

Para mim, vitória em qualquer disputa tem que ser limpa para ter “gosto”. Nesse aspecto, prefiro mil vezes perder com honra que vencer com jogo sujo.

 

Peço aos que comungam de minhas idéias políticas que não toquem nessa imundice. Não se igualem àqueles que combatemos.

 

Peço respeito ao prefeito de São Paulo. Não só pelo cargo que ocupa, mas por seus direitos de cidadão. E peço que respeitem este blog, no qual jogo político rasteiro não tem vez.

 



 Escrito por Eduardo Guimarães às 23h50
[] [envie esta mensagem]



Análise econômica

Quando o FMI fala

 

 

 

Dominique Strauss-Kahn, diretor-gerente do FMI

 

 

 

Trouxe-vos a verdade e ela vos libertará!

 

O varejo já pode voltar a comprar do atacado, que pode voltar a comprar da indústria, que pode voltar a comprar matérias-primas, porque, aos bancos, digo que podem voltar a conceder empréstimos em condições mais favoráveis.

 

Por que hão de escutar este pobre caixeiro-viajante? Porque a autoridade máxima da instituição que mais erra em economia no mundo, o FMI, disse que “embora o Brasil tenha bases econômicas muito fortes" não ficará imune à crise financeira, e que, por isso, seu crescimento “diminuirá”.

 

"O Brasil tem uma economia em boa forma", afirmou o diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, em entrevista coletiva. Mas ressaltou que mesmo assim "os efeitos da desaceleração do crescimento mundial terão conseqüências" para o país. Ele prevê que a economia brasileira crescerá 5,2% neste ano e 3,5% em 2009.

 

Será que uma redução dessas no crescimento é motivo para paralisar o país? Claro que menos postos de trabalho serão criados, que a renda do trabalhador irá parar de crescer e que, portanto, o consumo não deverá continuar aumentando tanto quanto vinha aumentando. Mas não era justamente isso, reduzir a atividade econômica, que o governo queria ao aumentar os juros?

 

Se o que de pior puder nos suceder for crescermos menos, acho que estamos no lucro, pois a previsão para os EUA e para grande parte da Europa e até da Ásia é de que mergulharão em recessão. E nós ainda cresceremos 3,5%? Acho ótimo!


Mas como o FMI é famoso por fazer previsões que se realizam ao contrário do que previu, acho que deveríamos começar a comemorar, pois pode ser que nem essa redução de crescimento venha a ocorrer.

 

Lembram-se do apoio que o FMI deu ao Currency Board (paridade cambial) argentino? E do apoio que deu ao dólar mantido valorizado por decreto durante a era FHC?

 

Sei que ninguém está me dando bola. Inclusive boa parte dos leitores que costuma me ouvir. E, sobretudo, a mídia, tanto a corporativa quanto a dita independente. É a velha mania tupiniquim de achar que só títulos e “credenciais” tornam o sujeito digno de ser ouvido, e isso num país em que o melhor presidente dos últimos 50 anos, pelo menos, não tem nem uns, nem outras (títulos e credenciais).

 

Mas, a vocês, peço que me façam justiça daqui a algumas semanas, depois das eleições. Se eu errar e o país mergulhar no caos que o PIG está prevendo, podem me malhar que aceitarei com tranqüilidade, mas se nada disso acontecer, se o mundo continuar girando, se não houver uma pane generalizada na economia, peço que me reconheçam o mérito.

 

De uma forma ou de outra, eu já perdi. Estou adiando uma viagem que faria ao Peru por conta do pânico no país. As empresas estão perdendo faturamento porque ninguém está querendo fazer negócios. A cada novo bombardeio da mídia, os pedidos do atacado, do varejo e da indústria secam mais um pouco. Minhas representadas não querem gastar com minha viagem agora.

 

Hoje, no entanto, um grande atacadista de autopeças que me ouviu e continuou trabalhando normalmente pôde atender um pedido enorme de um cliente que comprou dele inclusive o que vende mais caro, porque boa parte do comércio atacadista do segmento em que atuamos está com estoques furados por ter cancelado pedidos ou postergado reposição desses estoques, com medo da crise.

 

Em algumas semanas, as empresas contabilizarão queda de faturamento. Isso acontecerá porque reduziram atividades, compras e, portanto, vendas – sem comprar, ninguém vende nada. Aí dirão que a “coisa está feia”, que “a crise é brava mesmo”, mas certamente terão que se calar quando descobrirem que aqueles poucos que não pararam de trabalhar por conta do que não aconteceu, ganharam, e que só os paranóicos perderam. Infelizmente, estes, neste momento, são maioria.

 

Essa sandice ainda irá durar umas três ou quatro semanas. Enquanto o Brasil estiver em campanha eleitoral, a mídia passará o tempo todo noticiando que os iluminados por “credenciais” e títulos disseram que o país sentirá, sim, a crise, mas de uma forma que os agentes econômicos entendam que os danos à economia serão muito mais sérios do que realmente serão. População desanimada vota contra o governo...

 

Então vamos lá, não tenho mais pressa. Agora que estou de férias, só me resta repetir quantas vezes puder isto que estou dizendo, para que, lá na frente, alguém se dê conta de que títulos e “credenciais” muitas vezes dificultam o uso da lógica e da sensatez, e de que o aprendizado prático muitas vezes supera o teórico.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 16h42
[] [envie esta mensagem]



Memória - economia

Se Lula escutasse o PIG

 

 

 

 Hoje, pessoal, o mundo está desabando e o país está seguro. Sabem por que? Não estamos mais endividados em dólares até o pescoço, não comerciamos mais com os EUA do que com a Argentina, temos reservas enormes.

 

A oposição tucano-pefelê e sua mídia criticaram muito Lula, no passado, por ter feito tudo isso. Hoje, dizem que tudo isso foi feito graças a FHC.

 

Mas vejam, abaixo, o que eles diziam no passado, quando Lula começou a tomar medidas que hoje nos colocarão fora do Titanic neoliberal que afunda.

 

Achavam bobagem acumular tantas reservas, diziam que era entreguismo pagar a dívida externa, escreviam longas críticas a Lula por estar indo buscar novos mercados na África, na Ásia, fora do eixo EUA – Comunidade Européia.

 

Vejam o que esses irresponsáveis diziam ontem.

 

*

 

Folha de São Paulo, 20 de junho de 2006

 

Pagar dívida com FMI foi "burrice", afirma Alckmin

 

DA REPORTAGEM LOCAL

 

O candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, chamou ontem de "burrice" a decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de pagar a dívida do país com o FMI (Fundo Monetário Internacional).

"Burrice, burrice, burrice", frisou Alckmin, em entrevista à rádio CBN: "Ele está pagando uma dívida que é mais barata e está aumentando a mais cara, que é a dívida interna, que chegou a R$ 1 trilhão. Só para dizer "paguei a dívida externa", mas essa é a mais barata".

Para justificar seu ponto de vista, Alckmin lembrou que a dívida interna, "é referenciada à taxa Selic", hoje em 15,25%.

(...)

 

*

 

Folha de São Paulo 2 fevereiro de 2006

 

O FMI e a festa patética

 

Clóvis Rossi

 

MADRI - Julio María Sanguinetti, duas vezes presidente do Uruguai (1985/90 e 95/2000) ousa desafiar a sabedoria convencional, que vive falando da suposta onda de esquerda na América Latina.

"Na realidade, mais que uma virada à esquerda, o que se vê é a esquerda transitar resignadamente para o centro", escreve para o jornal espanhol "El País".

Para o centro ou para a direita, ao menos no caso do Brasil de Lula e do PT, como dá prova o caso do pagamento antecipado ao FMI (Fundo Monetário Internacional), ironizado por Sanguinetti.

"Depois de anos em que o discurso da esquerda radical foi o de "não pagar a dívida externa com a fome do povo", nos encontramos surpreendentemente com a idéia oposta: pagar tudo e o quanto antes ao Fundo Monetário para livrar-se de seus condicionamentos", lembra.

No caso do Brasil é pior: Lula praticou e pratica, por gosto e/ou por absoluta falta de qualquer outra idéia, o que o FMI teria pudor de recomendar a qualquer país decente. Ou seja, um superávit fiscal obsceno, enquanto estradas caem aos pedaços, a educação pública continua em ruínas, a saúde idem etc. etc.

Sanguinetti ironiza o pagamento ao FMI e a adoção de políticas que "há apenas quatro ou cinco anos teriam sido [classificadas] de direita ortodoxa e hoje se assumem como o contrário, enquanto o Fundo Monetário vive o êxtase nunca sonhado de que aqueles que mais o questionaram pagam tudo adiantado, juros devidos e capital emprestado...".

Ou, posto de outra, a esquerda que deixou de ser esquerda e alguns esquerdistas de cérebro lavado festejam hoje o que, num passado muito próximo, esculhambariam se feito por qualquer outro governo. Patético.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 12h23
[] [envie esta mensagem]



Análise política

DNA paulistano

 

 

 

A provável vitória de Kassab revelada pela pesquisa Datafolha divulgada hoje configura-se tão rósea para a direita local que a Folha publicou a sondagem eleitoral sem destaque, quase que com desprezo.

 

Não vejo nada demais em confessar a vocês que me animei quando Marta crescia nas pesquisas, por isso achei que os preconceitos paulistanos contra a esquerda e contra uma mulher independente como Marta poderiam ter sido mitigados por essa sociedade ter visto como o Brasil melhorou sob Lula. Enganei-me movido por meus desejos como tantos de nós fazemos em questões dessa natureza.

 

Mas a direita é infantil. Os mesmos reacionários que durante a campanha eleitoral de 2006 faziam previsões de como Lula seria derrotado, agora vêm me cobrar por meu auto-engano. Quero me diferenciar dessa gente. Prefiro uma péssima verdade do que uma doce mentira.

 

Kassab já ganhou? Não ganhou nada, ainda, mas a própria estratégia da campanha de Marta está contribuindo para fortalecê-lo. A cada vez que a própria candidata fala em reconquistar as elites que a odeiam de uma forma quase sobrenatural, ela se afasta daqueles que poderiam mudar de voto se lhes fosse explicado que estão votando contra eles mesmos. Diante dessa estratégia, fica (mais) difícil.

 

O DNA paulistano é reacionário. Escrevi isso dias atrás. São Paulo só votou na esquerda depois de verdadeiros tsunamis administrativos como o de Jânio Quadros ou o de Celso Pitta.

 

Quando Jânio Quadros terminou seu mandato, em 1989, São Paulo estava arrasada economicamente. A cidade parou devido a um ataque de corrupção como poucas vezes houve numa administração pública. Erundina era a antítese de Jânio e por isso venceu.

 

Erundina saneou as finanças, acudiu os mais humildes, a periferia, e pagou um preço por isso, porque a maioria dos paulistanos é de classe média e quer apenas tirar os pobres da paisagem, empurrando-os para bairros distantes na esperança de que fiquem por lá matando-se uns aos outros, sem perceber que, como nessas regiões não há nada, nem esperança, uma minoria numerosa dos mais pobres opta pela única solução que se lhes apresenta, a de vir roubar onde há dinheiro, ou seja, nos bairros mais ricos.

 

A maioria esmagadora da classe média paulistana não entende isso. Não foi por outra razão que essa maioria conservadora elegeu outro reacionário de direita (Pitta) depois de Maluf ter passado 4 anos torrando em obras superfaturadas o que Erundina poupou para sanear as contas da cidade.

 

Mais uma vez, uma São Paulo arrasada correu para a racionalidade e elegeu Marta, que saneou o desastre malufista e deixou a máquina paulistana pronta para reerguer a cidade. E novamente os recursos foram mal empregados e, ainda por cima, a Folha e o Estadão, que exercem um poder místico sobre os paulistas, venderam outro reacionário, tanto quanto venderam Maluf e Pitta só para impedirem o PT, que odeiam, de continuar administrando o terceiro orçamento do país.

 

Kassab está assumindo o lugar de Maluf. Para o paulistano, que sempre se deixou seduzir por Maluf e que só se afastou dele em parte depois de vê-lo ir parar atrás das grades, é totalmente lógico votar em alguém oriundo de sua corrente política, em alguém como Kassab, e isso num país que se afasta cada vez mais da direita e que, nestas eleições, praticamente enterrou o PFL, o partido do prefeito de São Paulo.

 

Particularmente, a eventual vitória de Kassab só me afetaria porque sua política administrativa, voltada para as regiões mais ricas, continuará contribuindo para tornar a cidade mais violenta e insegura, pois priorizando os bairros ricos e maquiando programas sociais a necessidade na periferia continuará empurrando jovens pobres para o crime.

 

Contudo, moro num dos bairros mais ricos da cidade. Tenho tudo ao meu alcance. O metrô fica a uma quadra de onde vivo, um edifício cercado por fios elétricos de alta tensão para fritar quem se aventure a tentar invadi-lo. É um edifício cercado por grades, câmeras, por uma parafernália de “segurança” que custa cerca de R$ 600 por mês a cada morador. Paulistano acha excelente viver assim.

 

Na região em que vivo (numa das extremidades da avenida Paulista), há os melhores hospitais e escolas, há shoppings, comércio de todo tipo, tudo que se possa imaginar que seja necessário na vida moderna. Também tenho plano de saúde, meus filhos sempre estudaram em escolas particulares e, finalmente, não tenho nada que ver com partidos políticos.

 

Não tenho, portanto, motivos pessoais para apoiar Marta. Meus motivos são de cidadão que quer ver a cidade se tornar melhor para todos.

 

Por outro lado, para os leitores que não vivem aqui, quero dizer que para o Brasil a eleição em São Paulo tem importância relativa. É claro que infla a bola de Serra, mas ele venceu a eleição municipal de 2004 e em 2006, quando Lula era muito menos popular e o país não estava nem perto da excelente situação econômica e social em que está hoje, a direita tucano-pefelê tomou uma sova nas urnas.

 

Aliás, a maioria do país tem um prazer cada vez maior de contrariar São Paulo.

 

Quero concluir deixando uma sugestão à campanha de Marta e à própria. Será muito difícil virar esse quadro – e difícil não é impossível. Por isso, ela deveria aproveitar as semanas que terá de horário eleitoral gratuito para desmascarar a mídia daqui e desnudar a administração Kassab. O poder da tevê poderá fazer com que, mesmo a petista perdendo a eleição, boa parte dessa maioria alucinada de paulistanos caia na real.

 

Estejam certos de uma coisa: quem arcará com o erro que a capital paulista cometerá tanto quanto cometeu ao eleger Jânio, Maluf, Quércia, Pitta, Fleury, Serra, FHC e outros malefícios menores, será a própria São Paulo. Só.

 

Em 2010, quando a situação insustentável em que está a cidade tiver se agravado, aí será hora de chamar os paulistanos à razão. Como vocês vêem, há até um aspecto positivo nessa tragédia que está por se consumar. Temos que dar tempo ao tempo, pois.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 10h50
[] [envie esta mensagem]



Análise econômica

Pânico!

 

 

 

 

 

 

Acabo de voltar do almoço. Há um restaurante “por quilo” aqui ao lado do escritório gerido com uma competência gastronômica que me faz comer rezando de segunda a sexta. Deve ser por isso que o estabelecimento vive cheio, com espera, às vezes, de até 15 minutos.

 

O dono do “quilo” é um gaúcho de uns 35 anos. Sempre que chego e começo a me servir, ele vem prosear comigo.

 

Hoje, brinquei com ele: “E aí, preocupado com a bolsa?”. Esperava que entrasse na brincadeira e também fizesse alguma piadinha irônica, do tipo que contrapusesse sua condição de dono de pequeno restaurante com a sugestão divertida que fiz de ele preocupar-se como se fosse um grande investidor do mercado financeiro.

 

Com ar grave, franzindo o cenho, o homem respondeu que “se continuar assim, não se sabe aonde vamos parar”. Surpreso, afastei-me do bufet de saladas para me aprofundar nas preocupações do jovem empresário.

 

-- Será que acaba o mundo? – ironizei

 

-- Tô muito preocupado; a coisa tá feia

 

-- Pra você?

 

-- Pra mim também

 

-- Por que?

 

-- Ah, veja o preço da carne...

 

-- O que tem a carne a ver com a bolsa?

 

-- O preço disparou.

 

-- Ué, fiz compras no sábado e paguei R$ 11,90 pelo quilo do coxão mole...

 

-- Está caro, né?

 

-- Mas estava a R$ 16!

 

-- Ah, deveria custar uns R$ 6...

 

Dei de ombros e voltei a me servir no bufet de excelentes saladas que o robusto taberneiro oferece à clientela que com fim do mundo à vista e tudo não deixa de pagar os R$ 18,90 por quilo e se empanturra no restaurante. Afinal, a crise está aí e será preciso energia para enfrentá-la.

 

Os paulistas estão apavorados com a crise. Não sabem por que, não sentiram nenhum efeito dela em suas vidas, mas estão em pânico. Ninguém perdeu o emprego, até agora não houve explosão de preço nenhuma, mas a tevê e as manchetes dos jornais dependurados nas bancas deixam o povo daqui em pânico.

 

Será que em outras partes do país a população está padecendo do mesmo mal?

 

Acho bom explicar meu ponto de vista. A situação é grave, mas dizer coisas como “se continuar assim, não sei aonde vamos parar”, pelo menos por enquanto é uma tremenda de uma bobagem.

 

Se “continuar assim”? Assim como? O que é que está indo tão mal para os brasileiros, até agora, além das perspectivas que o noticiário está criando?  Que efeitos práticos a crise já gerou ou poderá gerar para nós no curto e no médio prazos?

 

Querem minha opinião? Suponho que boa parte dos leitores deste blog quer. Outra parte quer apenas que eu toque nesses assuntos para poder dizer como minha análise é pobre diante do fim do mundo que está chegando.

 

Não posso frustrar os que buscam entender ou os que buscam distorcer. Então, direi, em linguagem de gente – não em economês –, o que acho que pode acontecer com o país por força da crise no sistema financeiro internacional.

 

Os efeitos ruins que a crise irá gerar, serão:

 

1º - Aumento nos preços dos produtos importados, num primeiro momento, por conta do dólar mais caro.

 

2º - Aumento em todos os preços da economia devido à contaminação da cadeia produtiva, que usa insumos importados em praticamente toda ela.

 

3º - Escassez e encarecimento do crédito externo

 

4º - Diminuição dos investimentos estrangeiros e nacionais, com o conseqüente esfriamento da atividade econômica.

 

5º - Estagnação do desemprego em substituição do aumento da oferta de vagas que vinha ocorrendo.

 

Os efeitos inversos que a crise irá gerar no médio prazo, serão os seguintes:

 

1º - Acomodação dos preços em geral devido à baixa do preço das commodities no mercado internacional e ao aumento da oferta de produtos em escala mundial devido ao aumento da concorrência num mercado desaquecido.

 

2º - O governo aumentará a oferta de crédito em dólares e em reais usando as reservas de moeda americana, afrouxando a política monetária e reduzindo o compulsório imposto pelo Banco Central ao sistema bancário brasileiro.

 

3º - Retomada da redução do desemprego após a constatação da limitação dos estragos na economia, em alguns meses.

 

O catastrofismo alardeado pela mídia deverá ceder em algumas semanas, terminado o processo eleitoral. Não valerá a pena mantê-lo, pois eleições de novo só em 2010 e até lá o país estará indo de vento em popa.

 

Vejo como positivo esse alarmismo da mídia. Talvez a direita consiga mais algumas prefeituras, mas a constatação posterior de que tanto quanto não havia epidemia de febre amarela no começo do ano o fim do mundo tampouco está chegando, tal fato irá desmoralizar a mídia de novo.

 

Tenham paciência, meus amigos. Depois do pânico midiático, muita gente que papagaia o PIG irá se dar mal por ter tomado decisões precipitadas ao escutá-lo. E, como vários que conheço, depois irá amaldiçoar o momento em que lhe deu ouvidos. Quem ri por último, ri melhor.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 14h15
[] [envie esta mensagem]



Crônica política

As crises de cada um

 

 

Assistir o telejornalismo da Globo é diversão garantida. O gestual, as caras e bocas do “casal nacional”, Willian Bonner e Fátima Bernardes, ou da dupla de âncoras do Jornal da Globo, Willian Waack e Cristiano Pelajo quando falam do governo Lula ou da grande maioria de governos sul-americanos de esquerda, constituem um show à parte.

 

Na última terça-feira, no Jornal da Globo, por exemplo, o ex-cineasta Arnaldo Jabor fez um comentário que caberia perfeitamente num programa do horário eleitoral do PSDB ou do PFL. Vejam:

 

O governo quer faturar a crise mundial para aumentar seu Ibope. Quer dizer que o governo Lula não tem nada a ver com a crise?

O que espanta no discurso do presidente é ter dito que aqui a crise não chega porque o Brasil fez a lição de casa. Mas não fez, não. O governo nada fez para se prevenir da crise. Diz agora que só podemos gastar o que ganharmos, mas foi contra a responsabilidade fiscal, aumentou muito os gastos públicos e não fez reforma alguma.

Lula chama de inimigos do país os que avisavam do perigo. Ele fala como um pai: “Trabalhadores do Brasil, estamos cuidando de vocês! A gente nem precisa governar, temos é que cuidar do país”.

A verdade é que, até agora, este governo não precisou governar muito. Teve a herança bendita do governo anterior na macroeconomia, manteve técnicos sensatos, como Palocci e Meirelles, mas agora vai ter de governar, sim. Como Lula diz em seu discurso, agora é que a porca torce o rabo.

Presidente, nós lucramos com esta bolha, sim, que nos deu lucro e agora pode cobrar prejuízos. Os 200 bilhões que entraram aqui foram pelo excesso de liquidez do mercado mundial. Somos filhos da bolha, presidente.

 

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse isso, praticamente com as mesmas palavras, faz poucos dias. Jabor apenas “enfeitou” o discurso político do tucano com frases de efeito e com suas caras, bocas, enfim, com seus trejeitos, de forma a dar um tom mais pessoal ao discurso político da oposição ao governo federal.

 

A oposição e seu braço midiático assanharam-se com a crise internacional. E não é para menos. A própria mídia diz que o mundo está vivendo a pior crise econômica em cerca de oitenta anos.

 

Jabor, repetindo os próceres da oposição tucano-pefelê, exalta o governo FHC dizendo que ele teria legado uma herança “bendita” ao governo Lula e que este não teria mérito algum por o Brasil ter pago sua dívida externa pública, por se tornado um país de classe média – deixando de ser um país de pobres –, por ter acumulado a maior quantidade de reservas em dólar de sua história, enfim, por todos os êxitos que o país acumulou nos últimos anos.

 

Vejam bem, a teoria do histriônico cineasta fracassado é apenas a de que tudo aconteceu graças ao governo anterior e de que o único mérito deste governo teria sido não atrapalhar.

 

Para quem não perdeu todos os seus neurônios assistindo o jornalismo partidarizado da Globo ou outros do gênero, bastará lembrar quanto a oposição tucano-pefelê e a mídia criticaram Lula por ele ter pago a dívida externa ou por acumular as reservas que acumulou. Agora, dizem que isso tudo é mérito de FHC. Antes, diziam que eram erros de Lula.

 

Mas vamos em frente. Essa gente é tão burra, mas tão burra, que Jabor diz que “agora” Lula terá que governar, ou seja, ele admite que, se o Brasil não vier a sofrer com uma crise que a própria mídia diz que é a maior desde 1929 o que sofreu nas crises localizadas em países emergentes que permearam a era FHC, Lula poderá, finalmente, receber os méritos pelos resultados da governança do país.

 

No tempo de FHC, as crises atingiam só países que tinham contas externas em estado caótico como era o Brasil naquele tempo, com déficit na balança comercial de dezenas de bilhões de dólares, desemprego explodindo, falências de empresas em profusão, inflação disparando...

 

A crise americana agravou-se agora, mas começou há cerca de um ano. Durante esse período, enquanto os EUA afundavam o Brasil vinha crescendo a todo vapor, a inflação vinha caindo, o desemprego idem. Se fosse no tempo de FHC, quando qualquer crise econômica em qualquer paiseco do Terceiro Mundo caía sobre o Brasil como uma bomba, uma crise como a de agora varreria este país do mapa.

 

A mídia tenta usar a crise americana para diminuir a influência de Lula no segundo turno. Acha que deu uma sorte danada de essa crise ter se agravado agora, pois ela poderá fazer o PSDB e o PFL faturarem algumas prefeituras a mais. E acha que a sorte é ainda maior porque os pleitos em segundo turno ocorrerão em alguns dias, quando ainda não será possível constatar que efeitos sofreremos por conta da crise americana.

 

Pena que o PT seja medroso. Certamente não aproveitará o horário eleitoral gratuito no rádio e na tevê para estampar os editoriais, as reportagens, os artigos publicados pela Folha, pela Veja, pelo Estadão, pelas Globos e pelo resto da grande mídia criticando o pagamento da dívida externa, a acumulação de reservas em dólar ou a busca de novos  mercados para os produtos brasileiros, fugindo dos EUA e da Europa.

 

Mas não importa. De qualquer forma, em alguns meses ficará claro como o Brasil irá resistir à maior crise econômica dos últimos oitenta anos e como na época de FHC não resistíamos a crises que a maior parte do mundo nem sentia. E o melhor de tudo é que acho que a perspectiva do caos não renderá a tucanos e pefelês os resultados eleitorais que eles e sua mídia acham que renderá.  



 Escrito por Eduardo Guimarães às 11h14
[] [envie esta mensagem]



Análise política

A luta é de classes

 

 

 

 

 

 

Preocupo-me toda vez que ouço ou leio candidatos de esquerda em campanha para prefeito dizendo que querem “reconquistar” a classe média. Sobretudo porque a classe média a que se referem não é aquela que o Ipea e o IBGE dizem que emergiu das classes D e E por ação das políticas distributivistas do governo Lula. Falam da classe média mais alta, inconquistável para essa corrente político-ideológica.

 

O melhor exemplo do que quero dizer está em São Paulo. É onde a divisão de classes está mais acentuada, como mostra o mapa do resultado da eleição do último domingo na cidade, acima.

 

Tomemos o exemplo do bairro rico dos Jardins, no qual Marta Suplicy chegou a percentuais baixíssimos, próximos dos dez por cento. Como conquistar alguém desse eleitorado? Essas pessoas não dependem do Estado para nada. Não querem saber de melhores postos de Saúde ou de melhores escolas públicas. Não usam, e querem que quem usa pegue fogo e que os bombeiros entrem em greve.

 

O máximo que Marta poderia oferecer aos bacanas seriam avenidas, pontes e viadutos em seus bairros para eles desfilarem com seus carrões, ou medidas para diminuir o trânsito nas áreas centrais da cidade, como colocar pedágios separando os bairros “nobres” dos bairros “plebeus”.

 

Poder-se-ia oferecer aos ricaços fazer em todos os bairros nobres o que Kassab fez na rua Oscar Freire, por exemplo, na qual estão as lojas das grifes famosas, ou seja, gastar alguns milhões para aterrar os fios de eletricidade e de telefonia para deixar as ruas da elite parecidas com as ruas dos países ricos. Mas, com certeza, esse pessoal não iria acreditar que um governo de esquerda faria tal coisa.

 

Nas regiões de classe média média, como na zona Norte de São Paulo, o discurso mais efetivo poderia ser o de prometer alguma melhora no trânsito... Mas qual?

 

Usei São Paulo como exemplo, mas a receita para os candidatos de esquerda que pretendo dar vale para qualquer cidade em que esses candidatos estiverem disputando o segundo turno.

 

A receita à qual me refiro é a de os partidos de esquerda assumirem que seu eleitorado é o mais pobre, composto pelos cidadãos alijados da cidadania, aquele eleitorado que precisa do Estado, que precisa de Saúde pública, de Educação pública, de Saneamento Básico.

 

Para um Kassab da vida, vale muito a pena arrebanhar votos entre os pobres com seus programas sociais de mentirinha. Muitos eleitores dos bairros que aparecem em vermelho no mapa acima reproduzido certamente votaram no candidato dos ricos enganados por suas promessas, mesmo que tenha sido a minoria.

 

Enquanto Marta estiver tentando conseguir votos em regiões que a detestam e onde já tem todos os eleitores que podem votar nela, Kassab continuará investindo sobre a consciência dos pobres coitados que se deixarão enganar por ele sem tanta dificuldade.

 

Se os candidatos de esquerda buscarem ampliar seus eleitorados nos bairros das periferias, explicando por que não tem sentido quem mora neles votar num candidato como Kassab, que nos últimos dois anos gastou 30 vezes mais nos bairros ricos do que nos bairros das franjas da cidade, nos quais seria preciso investir muito mais, esses bairros sufocarão os bairros mais ricos.

 

A luta, na América Latina, é uma luta de classes. Trata-se de uma das regiões mais desiguais do planeta. Em todas as partes dessa região em que políticos de esquerda trataram de investir na conscientização dos pobres, dos excluídos, obtiveram sucesso. Sempre que perderam tempo tentando despertar a solidariedade dos mais ricos, fracassaram miseravelmente.

 

Marta tenta fazer os mais bem aquinhoados entenderem que melhorando a vida na periferia haverá menos criminalidade nas regiões ricas. Ela perde tempo. A situação de convulsão social no Brasil chegou ao ponto que chegou porque os ricos jamais acreditaram que a pobreza é ruim para eles. A elite acha que pode manter a pobreza conformada. Para sempre.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 16h18
[] [envie esta mensagem]



Crônica política

Hino da classe média

 

 

 

Coadunando-se com a magistral crônica do jornalista Mauro Carrara que circulou ontem na internet e que foi publicada neste e em vários outros blogs, resgato a balada de Max Gonzaga e da Banda Marginal, que fala exatamente sobre esse eleitorado de classe média paulistano, egoísta, alienado, composto por pessoas transformadas em zumbis pela mídia.

 

O mapa da votação em São Paulo, que reproduzo abaixo, mostra como os excluídos das franjas da cidade lutam para eleger uma prefeita que, quando estava no poder, começava a resgatá-los da indignidade até que a elite que vive nos bairros nobres da capital nacional da injustiça social conseguiu eleger a nova direita, os sucessores de Maluf, de forma a interromper aquele processo.

 

 

 

 

 

Em alguns momentos, os humanistas deste país sentem o peso do poder dessa gente maligna, dessa máquina de amplificação do egoísmo e da inconsciência social, mas é preciso ter em mente que as coisas vêm mudando. O Brasil está resgatatando os povos da periferia dos Estados do Sul e do Sudeste, que concentram a renda. O processo de distribuição de renda continua.

 

No cômputo geral, os humanistas estão vencendo.  São Paulo, Curitiba, Rio de Janeiro, entre outros que deram o show de egoísmo  que se viu no último domingo, são  redutos nos quais se refugia a classe média fascista cantada por Max Gonzaga.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 10h44
[] [envie esta mensagem]



Utilidade pública

Prefeitos e munícipes

 

 

 

 

O processo eleitoral em curso exige dos cidadãos que reflitam profundamente sobre a quem entregarão o comando de suas cidades. Diante disso, toda informação que puderem ter sobre os que postulam o comando das administrações municipais, é crucial.

 

Em São Paulo, minha cidade, trava-se uma disputa altamente polêmica. De um lado, Gilberto Kassab, do PFL (agora “Democratas”), e de outro, Marta Suplicy, do PT. São deles as informações que coloco à vossa apreciação.

 

Os vídeos acima são importantíssimos para que os eleitores paulistanos vejam como se portaram os postulantes ao Executivo paulistano quando foram questionados por munícipes.

 

Os paulistanos todos deveriam assistir os dois vídeos. Cidadãos de outras partes do país, também. A diferença entre a conduta de Kassab e a de Marta, a forma como ambos enfrentaram questionamentos, revela qual deles respeita mais aqueles que, no fim das contas, são seus patrões.

 

Penso que as campanhas de Kassab e de Marta deveriam divulgar os dois vídeos na televisão. Porém, ao assistir os vídeos, tenho certeza de que você concluirá que só um deles teria coragem de mostrar o próprio comportamento.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 20h38
[] [envie esta mensagem]



Crônica política

Mentalidade Paulistana

 



 Escrito por Eduardo Guimarães às 16h26
[] [envie esta mensagem]



Jornalismo independente

Blog do Mino Carta

 

 

 

 

 

 

Hoje (2ª feira) à noite entra no ar o novo blog de Mino Carta, editor da revista Carta Capital.

 

Mino é um dos jornalistas mais respeitados e independentes do país. Seu blog retorna à cena num momento crucial, por conta do quê estou “linkando” seu blog aqui no Cidadania.

 

O endereço do novo blog de Mino Carta é http://www.blogdomino.com.br



 Escrito por Eduardo Guimarães às 15h10
[] [envie esta mensagem]



Entrevista - eleição paulistana

‘Razões’ dos anti-Marta

 

 

Como vocês sabem, engajei-me, autonomamente, na campanha de Marta Suplicy e, assim, começo hoje a produzir material que poderá servir a ela para detectar as origens da resistência ao seu nome e, assim, buscar formas de contornar o que dificulta a aceitação de sua candidatura.  

 

Nesse aspecto, vale reproduzir uma entrevista informal que fiz com um vizinho do meu escritório, que, segundo ele mesmo, não votou em Kassab, mas contra Marta. É uma pessoa de meia-idade, de classe média alta, proprietário de vários imóveis e dono de um escritório de contabilidade.

 

Além de pedir para não ser identificado, meu entrevistado rejeita o rótulo de “classe média alta”, pois, apesar de ter várias propriedades e um automóvel com uns dois anos de uso, sua renda, que é variável, fica em torno de uns três mil reais por mês. No entanto, por ser solteiro e não pagar aluguel, suas possibilidades econômicas, com tal rendimento, situam-se no padrão classe média alta.

 

Meu entrevistado dá como principal razão para ser, como ele se define, um “anti-Marta”, o aumento das taxas que a ex-prefeita promoveu durante sua gestão (2001-2004).

 

Segundo essa pessoa me informou, está sendo obrigada a fazer um financiamento para pagar o IPTU atrasado do imóvel em que fica seu escritório, um sobrado amplo, com cerca de 250 m2 de área construída, localizado num bairro nobre de São Paulo.

 

O imposto predial da propriedade, com o aumento que a administração Marta Suplicy decretou para os imóveis maiores em benefício dos menores – que, ou foram isentados da taxa ou tiveram redução –, saltou de R$ 1.920 ao ano para R$ 3.840.

 

Nesse contexto, vale analisar que, para alguém com a renda que tem esse cidadão, e ainda mais que divide as despesas de seu escritório com um sócio, o aumento mensal promovido pela ex-prefeita, num imóvel de alto valor como o dele (avaliado em, mais ou menos, R$  500 mil), equivaleria ao que essa pessoa gasta num único fim de semana com lazer.

 

O aumento do IPTU dos imóveis mais caros promovidos por Marta durante sua gestão fez apenas justiça tributária. O apartamento em que moro, por exemplo, que tem cerca de 100 metros quadrados e que também fica num bairro nobre da capital paulista (numa das extremidades da avenida paulista), não teve aumento ou redução de IPTU mesmo sendo um imóvel que custa em torno de R$ 150 mil.

 

Marta, portanto, mexeu com o bolso da elite da elite paulistana, que tem um grande poder de influenciar as opiniões das classes mais baixas. Em São Paulo, grande parte dos mais humildes acha que pensando como os mais ricos poderá ascender de classe social, ignorando o fato de que a elite paulistana não aceita nem mesmo pobres que enriquecem, sobretudo se não forem brancos “legítimos” e não tiverem sobrenomes europeus.

 

Meu entrevistado argumentou, porém, que muitos dos imóveis de alto valor e de maior dimensão que tiveram aumentos expressivos do IPTU são de aposentados, por exemplo, que não teriam renda para pagar pelos aumentos do imposto de suas propriedades.

 

Penso que, se alguém vive num imóvel de centenas de milhares de reais e acha que não pode pagar mensalmente um aumento equivalente a um jantar para dois num restaurante razoável, essa pessoa deveria se desfazer desse imóvel. Contudo, devo concordar que essa é uma questão polêmica, pois remete a discussão à responsabilidade social e à necessidade de distribuição de renda e de justiça tributária na capital da desigualdade brasileira, São Paulo.

 

Uma outra razão com menor peso na rejeição de meu entrevistado em relação a Marta foi a notícia divulgada pela mídia de Kassab e de José Serra de que a ex-prefeita não teria pago a taxa de lixo que criou, de uma de suas propriedades. A explicação de que o imóvel estaria alugado e de que a ex-prefeita não estaria sabendo que o inquilino não pagara a taxa, não adiantou. Meu interlocutor não quer saber de nada. Acha que ela deveria ter fiscalizado se todos os seus imóveis pagam as taxas que criou.

 

Uma terceira ‘razão’ que meu entrevistado alega para repudiar Marta é a do rompimento de seu casamento com Eduardo Matarazzo Suplicy. Segundo esse cidadão, Marta teria “usado o nome do ex-marido para se eleger” e seria ilícito ela manter o nome do senador com quem foi casada, já que se separou dele.

 

Um comentário: todos, em São Paulo, sabem que essa opinião preconceituosa e machista é adotada até – e sobretudo – por muitas paulistanas. Argumentei que muitos homens fazem a mesma coisa, mas nem fui ouvido. A sociedade paulistana é extremamente moralista e provinciana, a despeito de São Paulo ser uma das maiores e, aparentemente, mais cosmopolitas cidades do mundo.

 

Nesse aspecto, fico imaginando o que aconteceria se boatos sobre a vida íntima de Gilberto Kassab fossem usados por sua adversária – o que julgo que seria uma baixeza tão grande quanto aquela da qual Marta é vítima.

 

Um parênteses: tenho bloqueado vários comentários nesse sentido. Não publicarei nenhum boato maledicente sobre Kassab.

 

Todo paulistano sabe que essas são as razões, não só de ricos, mas de pobres para repudiarem Marta. Já vi gente humilde, que teve redução do IPTU ou até isenção da taxa, reclamar do aumento para os imóveis de alto padrão. E, na questão do machismo, o provincianismo carola do paulistano abrange enorme parte desta sociedade, em todas as classes sociais.

 

É enorme o desafio que se apresenta a Marta Suplicy. Para se eleger, ela terá que vencer o preconceito e o egoísmo da cidade mais preconceituosa, egoísta e politicamente alienada do país. Contudo, a eleição na maior e mais rica cidade brasileira irá expor o que mais precisa ser combatido neste país, para que um dia ele se torne minimamente justo.

 



 Escrito por Eduardo Guimarães às 11h44
[] [envie esta mensagem]



Análise política

As chances de Marta

 

 

A eleição em primeiro turno em São Paulo confirma uma tendência da capital paulista desde a primeira eleição direta para prefeito depois do fim da ditadura, em 1985: a maioria dos paulistanos só vota na esquerda depois de governos catastróficos como o de Jânio Quadros e o de Celso Pitta.

 

A migração do eleitorado conservador paulistano para Kassab surpreendeu a todos e revelou o poder de manipulação que a imprensa paulista ainda exerce sobre esse eleitorado.

 

A imprensa paulista, Folha de São Paulo à frente, promoveu intensa campanha de  desmoralização do ex-governador e ex-candidato à Presidência Geraldo Alckmin e expressiva parte do eleitorado conservador marchou na direção determinada por essa imprensa.

 

O eleitorado paulistano é composto por aproximadamente oito milhões de pessoas. Se a vantagem dos conservadores no segundo turno revelada pelas pesquisas for real, a vantagem pefelista deve estar em torno de 700 a 800 mil votos.

 

Para ter chances de vitória, Marta precisa convencer cerca de 500 mil eleitores a votarem nela. Não parece tanto num eleitorado desse tamanho, desde que a petista consiga detectar quem, dentre o eleitorado de Kassab, pode ser convencido a mudar de opinião.

 

A grande chance de Marta está no eleitorado mais humilde, que se deixou enganar por Kassab e pela mídia. É evidente que ela não reverterá votos nos bairros ricos e de classe média.

 

O que deve animar a ex-prefeita e seus eleitores é o fato de que, excluindo o eleitorado dos bairros ricos e de classe média, que a administração Kassab beneficiou em detrimento da periferia, o eleitorado do prefeito na periferia será mais suscetível a tentativas de convencimento.

 

Será um erro se a campanha de Marta der maior importância à classe média. Entre esse público há pouco o que fazer. Mas ainda há muito chão até o segundo turno e cada um dos eleitores da ex-prefeita deve assumir sua responsabilidade. De minha parte, garanto a vocês que trabalharei por ela até o último milésimo de segundo da campanha.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 23h34
[] [envie esta mensagem]



Análise política

Direita reedita 1985 em SP

 

 

 

Era 1985. O Brasil ainda tinha abertas as feridas provocadas pela ditadura militar, e em São Paulo travava-se uma batalha para convencer a cidade mais conservadora do país a não manter acesa a chama de um autoritarismo que se extinguia em todos os quadrantes da pátria.

 

Jânio Quadros era o candidato dos entusiastas da ditadura a prefeito de São Paulo, e a esquerda dividia-se entre Fernando Henrique Cardoso e Eduardo Matarazzo Suplicy. Naquele ano, optei por FHC.

 

A eleição era disputada palmo a palmo entre a direita e uma esquerda fragmentada. FHC carregava o fardo de ser agnóstico numa cidade carola e de ter confessado que um dia fumou maconha, fatos explorados por Jânio e pelos adeptos da ditadura que agonizava.

 

Pouco antes da eleição, o então peemedebista (FHC), confiante nas pesquisas que lhe davam uma magra vitória sobre Jânio, decidiu posar para foto na cadeira que ocupava Mario Covas, prefeito biônico da capital paulista.

 

A precipitação de FHC, daquele que quase dez anos depois assumiria a liderança da direita nacional, fez dele o símbolo do risco que representa cantar vitória antes da hora.

 

A projeção das pesquisas sobre o segundo turno da eleição paulistana dá uma vitória magra para Gilberto Kassab. A direita da capital paulista está eufórica. Kassab, José Serra (outro bibelô da direita tupiniquim) e a mídia voltam a “sentar na cadeira” precipitadamente.

 

Não existe eleição definida com tanta antecedência. Semanas separam o primeiro turno do segundo.  Os dois candidatos que passarem para a segunda rodada da eleição paulistana terão que se explicar muito ainda para o eleitorado.

 

A diferença entre Marta e Kassab projetada pelas pesquisas para o segundo turno é pequena demais para o pefelista, a mídia e José Serra acharem que já ganharam. Mesmo que as pesquisas sobre o segundo turno sejam verdadeiras – e tenho dúvidas disso –, com uns três ou quatro pontos percentuais o quadro muda diametralmente.

 

Eu, se fosse Marta Suplicy, trataria de pôr em pratos limpos para os paulistanos quem está por trás de Kassab, dando destaque para o partidarismo da mídia. E mostraria aos prejudicados pela administração conservadora de São Paulo quantos recursos a periferia carente perde hoje para os bairros ricos.

 

É até positivo que a direita paulistana “sente na cadeira” antes da hora. Durante boa parte da campanha, o PT se acomodou com o bom posicionamento de Marta nas pesquisas.

 

A campanha do primeiro turno não discutiu a cidade. Foi marcada pela briga entre Kassab e Alckmin. Terminada a desinteligência nas hostes conservadoras, há espaço para que a cidade comece a refletir sobre quanto perdeu nos últimos quatro anos por fazer uma escolha errada.

 

Enquanto a direita corrupta que Kassab representa comemora uma vitória que não aconteceu, os paulistanos racionais devem arregaçar as mangas. Temos argumentos de sobra para fazer acontecer o que interessa a toda população daqui. Esqueçam a mídia e suas pesquisas sob encomenda. Vamos à luta.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 09h21
[] [envie esta mensagem]



[ ver mensagens anteriores ]


Este blog já foi acessado

vezes


Contador único p/ IP
free webpage hit counter


Outros sites
Agência Carta Maior
Altamiro Borges
André Lux
Azenha
Blog do Planalto
Caros Amigos
Carta Capital
Celso Lungaretti
Clipping jornais
Confecon
Doxa / Iuperj
Estatuto MSM
Fazendo Media
Fórum Cultura Digital
Idelber Avelar
Jornalirismo
Leandro Fortes
Le Monde - BR
Mello
Nassif
Nas Retinas
Observatório da Imprensa
Observatório de Mídia
Óleo do Diabo
Onipresente
Paulo Henrique Amorim
Petrobrás (blog)
PNUD - ONU
Portal da Transparência
Primeiro Filme
Professor Hariovaldo
Protógenes Queiróz
Publicidade MSM
Quanto Tempo Dura?
Revista Fórum
Ricardo Kotscho
Renato Rovai
Rodrigo Vianna
Sivuca
TV Brasil
TWITTER
Vermelho.org



Banner
120x60 fundo branco