Convocação de atos públicos

Reajamos, brasileiros!

 

 Atualizado às 01h42 de 19 de outubro de 2008

 

 

 

Meu nome é Eduardo Guimarães. Tenho 48 anos, sou paulista, paulistano de quatro gerações, tenho quatro filhos (3 mulheres e 1 homem), uma neta de sete anos, trabalho com comércio exterior (sou representante de indústrias brasileiras na América Latina e na África) e jamais, em toda minha vida, tive qualquer relação com partidos políticos, com sindicatos ou com corporações de qualquer espécie.

 

Há, no entanto, uma exceção nessa minha vida desvinculada de associações com grupos de interesses políticos, ideológicos, financeiros, trabalhistas etc.: no ano passado, fundei, com mais algumas dezenas de cidadãos, uma Organização Não Governamental (ONG), o Movimento dos Sem Mídia (MSM).

 

A história do MSM, para quem não conhece, pode ser conhecida facilmente em rápidas pesquisas no Google e/ou no You Tube. A ONG foi criada para lutar por uma mídia ética, plural e apartidária.

 

O MSM, desde sua criação, fez manifestações públicas diante de meios de comunicação (Folha de São Paulo e Tevê Globo) e em praça pública (pelo impeachment de Gilmar Mendes), e tomamos medidas judiciais como a de representar contra esses meios no Ministério Público Federal devido a alarmismo que acreditamos que cometeram ao difundirem que haveria epidemia de febre amarela no país no começo deste ano.

 

Diante do que está acontecendo, com os meios de comunicação estimulando empresas a demitirem e paralisarem seus negócios a fim de tornarem auto-realizáveis prognósticos de graves problemas econômicos para o país, pretendendo, com essas ações, gerar queda de popularidade do governo federal para aumentar as chances do governador de São Paulo, José Serra, de suceder Lula em 2010, e diante das omissões e distorções da mídia diante de atos de incompetência e de corrupção do governo paulista, como na Segurança Pública ou em licitações públicas, como no caso Alstom, no qual o ministério público suíço acusa o grupo político de Serra de receber propina da multinacional, volto a propor uma atitude aos leitores deste blog.

 

Ontem à noite (sexta-feira, 17), fui dormir indignado, inconformado e até amedrontado com o que vejo acontecer em meu país. Cheguei a me lembrar da “licença para matar” do personagem do escritor inglês Iam Fleming, o agente secreto James Bond. Só que essa “licença” da mídia ao grupo de Serra inclui, também, roubar.

 

Vejo os escândalos de distorção dos fatos e de censura pela mídia sucederem-se e aumentarem de gravidade. Recentemente, a imprensa paulista conseguiu influir decisivamente na eleição da capital de seu Estado, fazendo de um péssimo prefeito o vitorioso antecipado da disputa eleitoral, e está conseguindo atribuir a greve da polícia civil ao PT, além de relativizar os erros flagrantes e criminosos da polícia militar no caso do seqüestro trágico das meninas Nayara e Eloá, em Santo André.

 

Nesses casos todos, a imprensa venceu ou está vencendo. E isso porque sua máquina conta com televisões, rádios, jornais, revistas, internet e com a virtual censura de tudo que ela não quer que se diga. A blogosfera não está conseguindo ser ouvida pelo empresariado ou pelas populações de grandes metrópoles como Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre, Curitiba etc.

 

Ontem à noite (sexta-feira), na ação criminosamente desastrada da polícia paulista no seqüestro de Nayara e de Eloá, enquanto aquela ação se desenrolava sobre suas quatro patas era coberta de forma absolutamente acrítica pelas tevês, rádios e portais de internet servis ao governador do Estado. Nos jornais do dia seguinte (sábado), numa Folha de São Paulo, por exemplo, de questionamento ao trabalho da polícia só se viu uma notinha curta num caderno de assuntos locais, em pé de igualdade com defesa daquela ação inepta, irresponsável, criticada por juristas e por policiais, e com a omissão da informação de que policiais experientes também condenaram a ação.

 

A mídia está fazendo o que quer, acobertando os desmandos de seu braço político, influindo nas eleições, prejudicando a economia, acobertando corrupção de seus protegidos, acobertando erros de administração que estão causando danos enormes, como a persistência nos problemas nas obras de uma linha do metrô em São Paulo que ameaça cerca de 300 famílias de ficarem sem suas casas.

 

Pergunta: vamos ficar vendo tudo isso acontecer sem fazer nada?

 

A internet tem limites. As ações da mídia estão se sofisticando. Vejam que o alarmismo quanto à economia está provocando ações precipitadas na indústria, no comércio, no setor bancário e até por parte de investidores internacionais, que estão reiteradamente sendo “avisados” para se afastarem do Brasil porque ele irá mergulhar em crise grave, e quando o governo Lula tenta conter o alarmismo acusam-no de querer esconder os problemas, de ser alienado e irresponsável.

 

Pergunto de novo: é isso que interessa aos brasileiros, que sua imprensa diga ao mundo para não confiar na economia do Brasil?

 

Mencionei a ONG que fundei e que presido, o MSM, porque penso que a única forma de enfrentar a mídia será mobilizando a sociedade para protestar nas ruas, por meio de manifestos e abaixo-assinados, por meio de panfletagem intensa por toda parte, de forma a denunciar os ataques que o país está sofrendo, ataques comandados por meia dúzia de mega empresários de comunicação e por dois partidos políticos (PSDB e PFL).

 

Mais uma vez, proponho-me a fazer deste blog motor de um levante nacional contra a mídia, de um levante pacífico, cidadão, de denunciação pública dos crimes que esses jornais, revistas, tevês, rádios, portais de internet estão cometendo. Mas tudo dependerá de vocês também, de acharem que chegou a hora de reagirmos.

 

Algumas vezes fiz chamamentos aqui que receberam grande adesão. Outras vezes foram ignorados. Nem um bom volume de adesões alguns posts convocatórios tiveram. Por mim, tudo bem. Não estou em busca de trabalho voluntário. Tenho meu próprio trabalho, remunerado. Estou apenas me colocando à disposição para ajudar, com este blog, a promover um levante contra os crimes midiáticos.

 

Se vocês aderirem deixando comentário aqui neste post se dispondo a se mobilizarem, sejam de onde forem, iniciarei um processo de organização de novas manifestações. Sei que em São Paulo, devido ao seu gigantismo, sempre há melhores possibilidades de juntar mais gente. Em outras partes do país, menos populosas, é mais difícil. Mas se envolvermos sindicatos, partidos, movimentos sociais nesta idéia, poderemos conseguir uma reação nacional à mídia. Ou podemos continuar aqui chorando as pitangas.

 

 

* 

 

Mauro Carrara e a midiocracia de Serra

 

 

 

* 

Serra defende ação da polícia em Santo André

 

 

Aviso

 

Na tarde deste domingo, 19 de outubro, publicarei um balanço sobre este post, farei propostas e uma denúncia importante. Conto com vosso acompanhamento deste blog. Começa a caminhada.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 12h57
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Crônica

Podiam ser minhas filhas

 

 

 

 

 

 

Na foto acima, do lado esquerdo, estão duas de minhas três filhas, Carla e Gabriela. Do lado direito, estão Nayara e Eloá, vítimas, antes de tudo, da injustiça social brasileira e, sobretudo, da paulista.

 

O que aconteceu em São Paulo nesta sexta-feira me fez pensar imediatamente nisto: quem garante a qualquer paulista que a insegurança pública que fez proliferar o PCC aqui, a organização criminosa que pôs o Estado de joelhos há dois anos, não poderia afetar qualquer um de nós paulistas?

 

É claro que Eloá e Nayara foram vítimas também de uma condição social “inferior”, criadas que foram num lugar humilde, enquanto que minhas meninas são privilegiadas por viverem num bairro no qual, se acontecesse algo assim, a elite da elite da polícia estaria tomando cada mínimo cuidado para que nada lhes acontecesse.

 

Nas regiões “invisíveis” do iníquo Estado de São Paulo, porém, ocorre a exposição de uma menina ao risco extremo de ser usada na negociação com um psicopata perigoso e armado.

 

Alguém acredita que policiais tão despreparados seriam designados para um caso desses se ele ocorresse nos Jardins? Quando a filha de Silvio Santos e o próprio foram feitos de reféns, há alguns anos, o próprio governador do Estado, que então era Geraldo Alckmin, foi pessoalmente negociar com o seqüestrador.

 

Meu coração sangra por essas meninas. Mesmo que Nayara não sofra seqüelas físicas definitivas e que Eloá sobreviva, nenhuma delas jamais será a mesma de novo. E estou convencido de que o seqüestrador está longe de ser o único culpado por isso.

 

Agora, ao terminar de escrever este texto, a única coisa em que penso é em abraçar minhas meninas. E talvez, junto delas, verter algumas lágrimas. Quem sabe chorar faça com que esta dor diminua um pouco.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 23h51
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Denúncia

100 horas de incompetência

Atualizado às 23h0 de 17 de outubro de 2008 

 

 

Na tarde desta sexta-feira, a polícia invadiu o apartamento onde Lindemberg Fernandes Alves, de 22 anos, mantinha duas reféns havia mais de 100 horas, em Santo André, no ABC paulista. Foi jogada uma bomba pela polícia e ouviram-se muitos tiros.  

 

A ex-namorada de Lindemberg, Eloá, e sua amiga, ambas de 15 anos, saíram de maca e “gravemente feridas”, segundo a tevê Globo. O seqüestrador saiu ileso, caminhando.

 

Na quinta-feira, Nayara, amiga de Eloá, voltou ao cativeiro, com autorização da polícia, depois de ter sido libertada dois dias antes pelo seqüestrador. A desculpa da polícia é a de que a família de Nayara teria “autorizado” a menina a voltar ao cativeiro.

 

O Conselho Tutelar paulista questionou a polícia paulista por permitir a volta de Nayara ao cativeiro, dizendo que nem a família dela poderia ter dado qualquer autorização, pois a decisão seria exclusiva das autoridades e não poderia ter sido essa.

 

Nunca, em minha vida, ouvi falar que a polícia tivesse devolvido uma vítima a um seqüestrador, ainda mais sendo a vítima menor de idade. O desfecho trágico dessa tragédia revela uma estratégia absurda da polícia, uma incompetência total.

 

Ao menos a amiga de Eloá poderia ter sido poupada da violência.

 

O apresentador do SP TV, Carlos Tramontina, que transmitiu os primeiros dados da ação desastrada, não fez absolutamente nenhum questionamento à polícia. Eloá levou dois tiros. Sua amiga, Nayara, levou um tiro na face.

 

Pouco depois das 19 horas, o mesmo Tramontina divulgou que a assessoria do governo José Serra disse que Eloá não resistiu aos ferimentos e faleceu. Minutos depois, o mesmo Tramontina desmentiu a informação e deu justificativas para a ação da polícia.

 

Momentos depois, a morte de Eloá foi confirmada pelo portal UOL, mas a Globo ainda desmentia a informação. Em seguida, o UOL passou a difundir o desmentido do governo paulista.

 

Apesar da dor, o momento é de responsabilizar criminalmente todos os envolvidos nessa operação policial estúpida, independentemente de o desfecho de tudo isso ser mais ou menos trágico, pois o seqüestrador não é mais culpado que a polícia.

 

Já no Jornal Nacional, depois das 20 horas, Fátima Bernardes manteve o tom acrítico e um oficial da PM atribuiu a culpa pela volta da garota Nayara ao cativeiro a ela própria, que teria chegado perto demais da porta do apartamento.

 

A polícia permitiu, autorizou, facilitou a aproximação da garota do cativeiro. E a culpa é de uma menina de 15 anos. Para a Globo e para a polícia de Serra.

 

As vítimas

 

 

Pai de Nayara desmente PM

 

O pai da adolescente Nayara, Luciano Vieira da Silva, afirmou que nem ele nem a mãe da menina autorizaram a entrada dela no apartamento da amiga Eloá, feita refém pelo ex-namorado desde as 13h30 de segunda-feira. A ação ocorre em um conjunto habitacional de Santo André, na região do Grande ABC Paulista.

 

"Isso é uma palhaçada. Eu nunca vi uma coisa dessas", disse Silva. De acordo com ele, Nayara teria entrado no apartamento por sua vontade, além do pedido do próprio suspeito. O pai afirmou que tomará providências junto ao Conselho Tutelar. Silva disse ainda que foi expulso da base da Polícia Militar após pedir satisfações ao comando da corporação sobre a situação da filha.

 

Representantes do Conselho Tutelar e do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe) foram ao local. Segundo o secretário-geral do Condepe, Ariel de Castro Alves, houve uma violação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) na volta de Nayara.

 

Lindemberg chegou ao apartamento, na segunda-feira, quando a ex-namorada estava acompanhada de Nayara e dois colegas de escola. Eles fariam um trabalho para aula. Todos foram rendidos. O suspeito libertou os dois colegas da ex-namorada na segunda-feira e Nayara no dia seguinte. O seqüestro teria sido motivado pela recusa de Eloá de reatar o namoro.

 

Redação do Terra



 Escrito por Eduardo Guimarães às 19h14
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Direitos individuais

‘Indignação’ dos hipócritas

  

 

Como o debate eleitoral em São Paulo desceu à discussão sobre quem é o grupo político mais hipócrita, e como, nessa discussão, um dos lados está sendo apresentado pela mídia como vítima apesar de que só foi pago com a mesma moeda podre da qual tantas vezes fez uso no passado, quero ressaltar o vídeo que o jovem estudante de história Antonio Arles, primeiro-secretário do Movimento dos Sem Mídia, desencavou das entranhas do You Tube e me enviou, bem como ao Luiz Carlos Azenha, ao que ambos correspondemos da mesma forma sem nos comunicar, reproduzindo o material de imediato devido à prova em que se constituiu de como a hipocrisia parece ter virado o instrumento eleitoral mais acreditado hoje no Brasil.

 

A reação indignada da mídia e do grupo político que apóia o candidato a prefeito Gilberto Kassab à peça de campanha da candidata Marta Suplicy que perguntou se o prefeito é casado e tem filhos, numa alusão inegável aos boatos de que o servidor público seria gay, essa reação encontra seu Waterloo no vídeo em questão.

 

O que o vídeo mostra ocorreu há pouco menos de dez anos. O então ministro da Saúde, José Serra, dá uma declaração à tevê Globo criticando a “produção independente” da apresentadora de programas infantis Xuxa Meneghel, ou seja, criticando a moça por ter resolvido engravidar sem se casar com o pai de sua filha Sasha, pois tal iniciativa da artista Global estimularia justamente o próprio público dela, composto por crianças e por adolescentes, talvez por “meninas de doze ou treze anos”. Isso segundo Serra, que, à época, julgava-se no direito de cobrar comportamentos das pessoas em suas vidas íntimas, inclusive de pessoas que, diferentemente dele, ministro, não se sustentavam com dinheiro público.

 

Xuxa teve uma vantagem que lhe permitiu espaço privilegiado no Jornal Nacional para rebater a acusação do ministro da Saúde, chegando a passar-lhe uma descompostura. Ela é famosa, rica e atração da emissora.

 

Alguns dirão até que a acusação de Serra procedia, porque na decisão de Xuxa haveria estímulo a meninas fazerem alguma coisa parecida com o que ela fez ao engravidar sem se casar, devido a ser um ícone que meninas de todas as idades de então imitavam até nas roupas, quanto mais no comportamento.

 

Porém, dirão isso ignorando que a decisão de Xuxa de ter tido uma filha sem se casar é um direito inalienável da pessoa, o direito de decidir sobre a própria vida, sobre o próprio corpo.

 

Uma mulher não pode ser obrigada a se ligar em casamento a um homem que não ama só porque quer ser mãe. A postura de Serra foi hipócrita, autoritária e um ato de demagogia com o claro objetivo de lucrar politicamente às custas da execração pública de alguém que deve muito menos satisfação de seus atos do que um servidor público regiamente pago  com o dinheiro de todos, como é um ministro de Estado.

 

Os fatos provam que o debate político em São Paulo sempre foi mesquinho e burro, ou quase sempre, o que explica a vida difícil de tantos num Estado no qual deveria haver muito maior justiça social e bem estar comum por conta de sua pujança econômica, que supera a de muitos países.

 

No contexto da invasão do direito do outro, porém, devemos ser justos e notar que o que se condena agora na campanha do PT, por condenável que seja, ainda foi praticado com muito maior responsabilidade, cobrando do grupo político que sempre cobrou satisfações de outros por suas vidas íntimas que se disponha a dar o mesmo tipo de satisfação, porém sem acusação peremptória como a que vocês viram no vídeo em tela, ou como na descrição dos fatos que acabo de fazer.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 14h19
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Crônica política

Antes da ‘blindagem’

 

Por Antonio Arles


Achei um vídeo no YouTube de uma época em que o governador José Serra não era "blindado" pela mídia, pelo menos quando se tratava de uma crítica sua a uma das "estrelas" do maior grupo de comunicação do País. O que será que ele fez para não merecer mais esse tipo de resposta que recebeu nesse vídeo?



 Escrito por Eduardo Guimarães às 08h46
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Nota de esclarecimento

E-mails dos leitores

 

 

Normalmente recebo muitos e-mails de leitores, mas quando abordo aqui algum assunto mais polêmico esse número vai às nuvens.

 

Ontem foi um desses dias. Recebi mais de uma centena de mensagens, fora as propagandas e correntes que me enviam todos os dias.

 

Construí uma rede de amigos que me escrevem. A intenção é sempre boa. Ao contrário dos comentários feitos aqui, ninguém me envia e-mail para me atacar.

 

Tenho tido dificuldade de responder a todos, pois além do blog e dos comentários que recebe tenho meus afazeres remunerados. Tenho que trabalhar para pagar minhas contas.

 

Então, quando o número de e-mails de leitores subir muito, responderei aqui aos principais temas abordados.

 

Dois temas recorrentes, na leva de e-mails que recebi ontem, dizem respeito à postagem que fiz sobre o ombudsman da Folha.

 

Recebo sempre conselhos para bloquear críticas e para não ficar admitindo enganos que eventualmente eu cometa.

 

Segundo os leitores que me escreveram, eles vêem as mesmas críticas a mim feitas aqui no blog sendo feitas em outros lugares.

 

Campanhas difamatórias. Já fizeram muitas e farão muitas mais.

 

Sobre fazer mea-culpa, os conselhos são de que “inimigos” virtuais se aproveitam da minha “honestidade” para me atacar.

 

Citaram endereços para que eu verifique. Não verifico. Só leio o que me interessa e os blogs que me indicaram para ler ataques que me foram feitos, não me interessam. Não leio.

 

Ser blogueiro e presidir uma ONG, tudo isso me gerou desafetos à esquerda e à direita. Essa gente acompanha este blog com lupa em busca de matéria-prima para me atacar.

 

Qualquer resposta que eu dê a um leitor na caixa de comentários deixa oportunistas, maledicentes e prestadores de serviço a políticos de cabelos em pé. Dão uma importância ao que digo que nem eu dou.

 

Publico críticas que me fazem, quando têm um nível mínimo, porque, do contrário, fica monótono o debate e parece que só recebo elogios. É desonesto publicar só elogios.

 

Enganos todos cometem. De informação, de postura. Admitir que errou é ser honesto. Quem diz que não erra é farsante. Só Deus é perfeito, para quem acredita Nele.

 

A forma que encontrei para não desperdiçar meu tempo tem sido evitar ler blogs e sites prestadores de serviço a grupos políticos. Não me irrito e, assim, não caio no jogo deles.

 

Agradeço os avisos sobre este ou aquele ataque e os conselhos bem-intencionados, mas creiam-me que o contraditório, aceitar críticas e reconhecer erros só engrandece e torna a pessoa mais sábia. É enxergando os próprios erros que se aprende.

 

Desconfie de quem tem medo de críticas ou diz que é infalível. Não perca tempo lendo briguinhas. Quem gasta um post com futriquinhas não vale sua leitura.

 

Enfim, agradeço os conselhos e avisos. E peço desculpas por não ter respondido e-mails. Recebi mensagens demais. Mas garanto que, com o passar dos dias, acabo lendo tudo que me enviaram.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 08h11
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Crônica política

Fogo no curral  

 Atualizado às 20h33 de 16 de outubro de 2008  

  

 

Paulo Henrique Amorim cunhou uma definição deliciosa sobre em que se converteu São Paulo: “Curral eleitoral do PSDB”.  

 

Nada mais preciso. Curral eleitoral remete a regiões empobrecidas em que vige um tipo de mandonismo político que já se extinguiu em quase todo país, mas que acabou se perpetuando em São Paulo.

 

Currais eleitorais são, portanto, lugares em que um único grupo político tem vitória garantida eleição após eleição, pois o povo vota naquele grupo como se fosse gado.

 

O curral tucano, porém, está pegando fogo. Hoje (quinta), policiais civis em greve e a tropa que faz a segurança do governador José Serra enfrentaram-se numa batalha campal perto do Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista.

 

Serra, entrevistado pelo SP TV, jornal regional da Globo, correu para onde sempre corre quando surge algum problema em seu governo que não dá para esconder: atribuiu o problema ao PT. O fato de a polícia paulista ganhar os piores salários do país não tem nada que ver com isso, claro.

 

Algum dia, São Paulo terá a pujança econômica do Piauí, por exemplo, onde a polícia ganha salários melhores do que a polícia deste estadinho miserável que Serra governa.

 

Aliás, perdoem-me os piauienses, nada que desmereça seu Estado, até por ele estar na mesma situação de todos os outros estados brasileiros, ou seja, bem acima de São Paulo.


Um detalhe: vocês viram como o jornalista Carlos Tramontina foi questionador ao entrevistar Serra sobre o problema? Exatamente como deve ser quando a imprensa  questiona o poder...

 

Ah, mais uma coisinha: para quem não percebeu, informo que estou sendo tremendamente irônico.

 

A Globo da ditadura

 

Lembrei-me da Globo da época da ditadura quando assisti, no Jornal Nacional, a cobertura da greve da polícia paulista.

 

José Serra voltou a fazer acusações de intenções políticas dos grevistas. O telejornal nada disse sobre as razões dos grevistas, suas reivindicações, nada. E muito menos foi dada voz ao “outro lado”.

 

Há censura no Brasil, praticada pela imprensa. Meia dúzia de manda-chuvas donos dos meios de comunicação decidem o que a sociedade deve ou não saber.

 

Não há diferença nenhuma dos anos de chumbo no trabalho da imprensa. Nenhuma.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 19h35
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Nota de esclarecimento

Eu e o ombudsman

 

 

Meus leitores mais antigos sabem que não tenho problemas para reconhecer meus enganos. Pelo contrário: faço questão de reconhecê-los, até para me diferenciar dos jornalistas profissionais que acham que não podem reconhecer nunca seus erros porque acreditam que jornalista que reconhece que erra, perde credibilidade.

 

Essa é uma das maiores bobagens que cometem os profissionais da informação. Perde credibilidade quem quer vender a idéia de que é infalível, pois um curso de jornalismo não coloca ninguém acima das debilidades humanas.

 

A questão na qual me omiti foi a de analisar criticamente o trabalho do atual ombudsman do jornal Folha de São Paulo, Carlos Eduardo Lins da Silva. Misturei a responsabilidade que assumi ao criar este blog com as nuanças emocionais de minha pessoa física.

 

No começo de abril deste ano, a Folha coagiu seu ombudsman de então, o jornalista Mário Magalhães, a deixar o cargo, porque suas críticas ao jornal estavam se tornando cada vez mais contundentes.

 

O escândalo da vez que a mídia usava para tentar desgastar o governo Lula era o do “dossiê” anti-FHC, outro escândalo fabricado tal qual o do grampo do presidente do STF, Gilmar Mendes, e Magalhães pôs o pé na porta criticando a irresponsabilidade do jornal, que apresentava suposições como se fossem fatos.

 

Magalhães, que já vinha se indignando valendo-se de uma coragem surpreendente, publicou uma coluna na internet que foi a gota d’água para a Folha. Dois dias depois, o jornal coagiu Magalhães a se demitir ao extinguir sua “crítica interna” na internet – que representava cerca de 80% de seu trabalho, segundo o próprio ombudsman – sob o argumento de que “políticos estavam usando as críticas do ombudsman contra o jornal”. O jornalista não aceitou ter seu trabalho mutilado e se demitiu.

 

Para o lugar de Magalhães foi escolhido Carlos Eduardo Lins da Silva, de quem eu apenas começava a conhecer o trabalho, pois, havia pouco, ele passara a mediar o programa Roda Viva, da tevê Cultura.

 

É evidente que o público recebeu mal a substituição de Magalhães por Lins da Silva. A própria Folha teve que publicar uma enxurrada de cartas de leitores criticando o verdadeiro estupro jornalístico que o jornal praticou ao empurrar Magalhães para a demissão só porque ele estava levando a sério o cargo para o qual fora escolhido.

 

Coincidentemente, eu havia criticado Lins da Silva com dureza poucos dias antes de ele ser nomeado ombudsman. Critiquei por conta de sua atuação no programa Roda Viva, por ter permitido que o chanceler Celso Amorim fosse desrespeitado por vários entrevistadores, sobretudo por Demétrio Magnoli, que, durante a entrevista, cassou a palavra do entrevistado para atacar a política externa do governo Lula.

 

Lins da Silva assumiu o posto de ombudsman pegando bem leve, materializando o objetivo da Folha ao substituir Magalhães. E eu, claro, estava sendo um dos críticos mais duros do novo ombudsman, dizendo que sua atuação não estava me surpreendendo por conta do que tinha visto dele no Roda Viva.

 

Todavia, Lins da Silva me surpreendeu. Alguns dias depois de assumir o cargo, enviou-me e-mail convidando-me para visitá-lo na Folha a fim de “dirimirmos” minhas “dúvidas” sobre sua atuação no Roda Viva. Ele dizia que as críticas que lhe fiz não procediam e que gostaria de assistir comigo o vídeo da entrevista do chanceler Amorim para “analisarmos juntos” sua mediação do programa.

 

Achei uma excelente oportunidade para ouvir “o outro lado” e manifestar minhas discordâncias de forma clara e civilizada. E lá fui eu à sede da Folha, na mesma alameda Barão de Limeira na qual, meses antes, eu havia promovido manifestação contra a mídia que deu origem ao Movimento dos Sem Mídia.

 

Gravei minha conversa com Lins da Silva e a reproduzi neste blog. E mantive minhas críticas à sua atuação no Roda Viva. Ele discordou. Então, transcrevi os trechos do programa em que ele deveria ter atuado para garantir a palavra ao chanceler brasileiro.

 

Poucos dias depois, Lins da Silva voltou a me surpreender ao me convidar para almoçar. Fui recebido amistosamente. Conversamos durante horas sobre a mídia. Depois disso, almoçamos juntos mais duas vezes e em ambas conversamos também por horas a fio.

 

Quero lhes explicar uma coisa: quando se conhece alguém pessoalmente e se é tratado pela pessoa de forma amistosa, simpática e respeitosa, como Lins da Silva me tratou, fica-se meio “sem jeito” para criticar a pessoa.

 

Lins da Silva é uma pessoa inteligente, simpática e cativante. Por isso, fiquei retraído para criticá-lo. Escrevi outras vezes sobre nossas conversas e, como alguns leitores deste blog fizeram críticas a ele que esbarraram no insulto, fui ficando cada vez mais inibido para criticar sua atuação, pois estava expondo alguém que me tratava com deferência surpreendente. E como começou seu trabalho fazendo algumas críticas justas à Folha, fiz até algumas defesas dele.

 

Ocorre que, nos meses seguintes, apesar de mantermos contatos periódicos e de termos nos encontrado outras vezes, seu trabalho foi se tornando cada vez mais “chapa-branca”. Ele foi mostrando que a Folha pôs um ombudsman totalmente “domesticado” no cargo.

 

Qualquer comparação entre o trabalho de Lins da Silva com os de seus antecessores Bernardo Ajzemberg, Marcelo Beraba e Mário Magalhães revelará como a Folha tornou um cargo que tinha alguma seriedade numa flagrante e escandalosa mentira, pois o novo ombudsman vem se omitindo escandalosamente diante de práticas do jornal que fariam corar qualquer jornalista que honre o juramento que fez ao se formar.

 

Agora, diante dessa questão candente da propaganda burra do PT contra Gilberto Kassab no horário eleitoral, apesar do erro descomunal do partido que já rendeu a ele condenação na Justiça Eleitoral que irá prejudicar sobremaneira Marta Suplicy, a Folha embarcou descaradamente na campanha do candidato do PFL.

 

O jornal se calou vergonhosamente no passado sobre os ataques que o hoje governador José Serra fez a Marta em 2004, durante a disputa anterior da prefeitura de São Paulo, ataques que em nada perdem para o ataque petista à vida íntima de Kassab neste ano e que, inclusive, superam esse ataque de longe. Agora, a Folha desencadeou a maior campanha da imprensa brasileira contra Marta Suplicy, num processo patético de indignação seletiva.

 

A seção de cartas de leitores da Folha tem feito ataques grosseiros, pérfidos, preconceituosos e machistas a Marta. Todas as cartas de leitores, com exceção de duas notinhas isoladas, têm sido no sentido de debochar e de desacatar a ex-prefeita por meio de frases que mandam que ela “relaxe e goze” e aludindo até ao uso de botox por ela.

 

Os colunistas todos atacam a prefeita incessantemente com uma indignação seletiva e inédita, que jamais usaram quando a vida íntima da prefeita foi devassada à exaustão naquele jornal. O noticiário e os textos opinativos tornaram-se uníssonos. Não há espaço para o contraditório. A Folha está massacrando Marta.

 

Diante da omissão escandalosa de Carlos Eduardo Lins da Silva ante o jornalismo vil que a Folha vem praticando, escrevi uma crítica a ele no último domingo, quando ele chegou ao cúmulo de criticar os leitores do jornal por não estarem ajudando, com suas cartas, a criar pânico diante da crise internacional.

 

Não critiquei Lins da Silva porque ele me fez alguma coisa. Aliás, quando publiquei aqui aquele primeiro post contendo crítica dura ao PT pela propaganda equivocada que o partido fez sobre a vida íntima de Kassab, o ombudsman, que a leu aqui no blog, enviou-me e-mail cumprimentando-me pelo texto.

 

Não rompi “amizade” alguma com Lins da Silva, como me disseram leitores em e-mails, até porque não cheguei a me tornar seu amigo de verdade. Amigos são aqueles que têm uma intimidade que, até por falta de tempo, eu e ele jamais desenvolvemos. Somos conhecidos, apenas.

 

Não posso, pois, continuar a me omitir da obrigação que tenho de criticar o trabalho de Lins da Silva. Ele está provando que a Folha escolheu um títere para o lugar do corajoso Mário Magalhães, transformando o cargo de ombudsman numa piada.

 

Quero dizer ao Carlos Eduardo (agora uso seu primeiro nome porque faço uma alusão pessoal a ele, não a institucional que fiz até aqui) que nada tenho contra ele e que espero que entenda que não posso misturar a simpatia que lhe tenho com a obrigação que assumi com meus leitores.

 

Concluo pedindo a vocês que os comentários sobre o assunto sejam de alto nível, evitando que nos caracterizem como pessoas incivilizadas.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 11h04
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Crônica política

Déjà Vu eleitoral

 

Assistia eu, ontem à noite, a um debate eleitoral em que um dos debatedores passou o tempo todo tentando se desvincular de um presidente da república que pertence ao seu partido. O político renegado por seu correligionário governou por oito anos e, durante sua desastrosa passagem pela presidência, fez o país perder credibilidade, arruinou a economia e deixou para seu sucessor uma herança literalmente maldita.

Para ver a foto do presidente que os políticos de seu próprio partido fogem dele como o diabo foge da cruz, clique aqui



 Escrito por Eduardo Guimarães às 00h00
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Exercício da Cidadania

Marta no peito

 

 

 

 

 

Já que não dá para hibernar enquanto é decidido o futuro de cidades inteiras por todo país, como bem me lembraram alguns leitores, acho que chegou a hora de aqueles que têm convicções firmes fazerem sua parte, e fazer a própria parte em qualquer assunto demanda atitude, e se tem coisa que este cidadão nunca hesitou em fazer é tomar atitudes.

 

Abandonemos o debate mesquinho, a tentativa de vencer o preconceito fazendo uso dele, ou de vencer a esperteza usando-a como ferramenta. Nisso – na mentira e na manipulação – “eles” são insuperáveis. Manipular, enxovalhar a honra alheia para colher frutos, essa não é “arma” que já tenha dado lucro a pessoas sérias.

 

Das contribuições dos que vêm aqui se informar, mas que também vêm ensinar (sobretudo àquele que firma este blog), veio a idéia lúcida e corajosa da leitora Neide, advogada de São Paulo. Vejam:

 

Olá Eduardo.

 

Desde segunda-feira tenho andado prá todo lado com um adesivo da Marta na roupa e notei várias coisas.

 

NINGUÉM anda com um adesivo do Kassab.

 

Todo mundo olha para o adesivo; a maioria com cara feia, mas tem uma boa parte que sorri.

 

Só quatro pessoas falaram comigo sobre o adesivo.

 

 Três [pessoas disseram] que vão votar na Marta.

 

Um senhor idoso tentou me convencer a não votar nela. Interrompi-o com gentileza e disse que só discutia eleição com quem estivesse usando um adesivo do Kassab.

 

Aí ele disse: “Adesivo?Assim também já é demais”

 

Perguntei: “mas como assim? O seu voto é envergonhado? Bote um kassabinho no peito e voltaremos a conversar.”

 

Ele não disse mais nada.

 

Sugiro aos eleitores da Marta: adesivo = manifestação silenciosa de voto.

 

Abraços

Neide | São Paulo - SP - Brasil | advogada 

 

Vejam bem, se uma pessoa tem opção política firme e não a manifesta, essa pessoa se esconde justamente quando o que mais está em falta na praça é gente para defender com sinceridade e coragem suas idéias por considerá-las boas para a maioria.

 

Diante disso, lanço aqui a idéia da advogada paulistana Neide, para que todos os que acreditam e defendem a candidatura, a história, a integridade e a comprovada competência de Marta Suplicy, e que temem vitória de um político com história política tão ruim quanto é Kassab, que ponham Marta no peito.

 

Melhor do que falar mal de Kassab será falarmos bem de Marta.

 

Ponhamos Marta no peito, pois, e quando alguém que vocês perceberem que busca votar corretamente – e não fazer fla-flu politiqueiro – quiser saber por que vocês votarão nela, expliquem.

 

Essa é a campanha com a qual eu gostaria de ver minha candidata ganhar ou até perder a eleição. Por isso, a partir de hoje e até o encerramento da votação no próximo domingo andarei com um broche, com um adesivo, com qualquer material da campanha de Marta que possa afixar no meu peito.

 

Sugiro a vocês, que querem defender vossa decisão política, que façam o mesmo. Isso é exercício da Cidadania.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 16h37
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Vídeo - Eduardo Guimarães fala sobre crise econômica e eleições

Papo Cidadão 5

 

Para quem não conhece, o Papo Cidadão é a apresentação de vídeo meu no qual trato dos assuntos que permeiam este blog.

 

Para quem não tem computador com capacidade de processamento para assistir o vídeo, explico que trato dos dois assuntos do momento, a eleição em São Paulo e a crise econômica.

 

Digo que o que vejo nessas questões me dá vontade de entrar num processo de hibernação cívica, até que termine o processo eleitoral no Brasil.

 

Ver brasileiros torcendo para o país ir mal na esperança de que isso diminua a popularidade do governo Lula ou ver as vítimas do preconceito usarem a arma que sempre os feriu, é doloroso.

 

Tenho vontade de adormecer agora e só despertar depois do segundo turno.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 13h09
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Denúncia

Serra pode?

 

 

 

Luis Favre, marido de Marta Suplicy, desencavou reportagem publicada pela Folha de São Paulo em 2004, durante a disputa da prefeitura paulistana entre a ex-prefeita e o atual governador de São Paulo.

 

Favre anotou, com propriedade, a diferença de tratamento que a mídia deu a ataque feito pelo tucano que em nada perde para aquele que a mesma mídia, agora, escandaliza-se ao denunciar que a campanha de Marta fez.

 

Antes da reportagem, deixo uma pergunta: onde é, diabos, que está o marqueteiro de Marta que não leva essa e tantas outras reportagens e artigos para o horário eleitoral na tevê havendo tão pouco tempo para o segundo turno?

 

Vejam, abaixo, toda hipocrisia da mídia, do PSDB e do PFL.

 

A seguir reportagem da Folha de São Paulo de 31 de julho de 2004

 

ELEIÇÕES 2004/CAMPANHA

 

Na internet, partido diz que prefeita tem “dois maridos’; PT reage e distribui cópias do documento a jornalistas em evento oficial

PSDB volta a atacar vida pessoal de Marta

 

CHICO DE GOIS
ANDRÉ NICOLETTI

DA REPORTAGEM LOCAL

 

O PSDB voltou a atacar a vida pessoal da prefeita de São Paulo, Marta Suplicy (PT), vinte dias depois que deputados do partido fizeram insinuações contra ela e seu marido, Luis Favre.

Anteontem, o site do Diretório Nacional do PSDB divulgou uma nota intitulada “Dona Marta e seus “dois maridos’”, na qual fazia referência à participação do senador e ex-marido de Marta, Eduardo Suplicy, na campanha da prefeita à reeleição.

Ontem, os tucanos tiraram o texto do ar. O PT informou que irá entrar na Justiça com uma ação contra o PSDB. A prefeita afirmou que ainda não sabia se ela, pessoalmente, faria o mesmo. E o senador Eduardo Suplicy classificou de “bobagem” as afirmações feitas pelo PSDB. “Sou senador por São Paulo e a prefeita me convidou para visitar uma obra.”

Ontem à noite, o senador acompanhou a prefeita no lançamento de um comitê de campanha de Marta na Penha, zona leste.

Como divulgado anteontem pela Folha na coluna “Toda Mídia”, do jornalista Nelson de Sá, a nota dizia que “a participação do senador na campanha da ex-mulher é uma das estratégias da direção petista para enfrentar o desgaste sofrido por ela por conta da separação dos dois”.

O texto concluía que “dona Marta tem “dois maridos”. Cá entre nós: que papelzinho ridículo o senador Suplicy se prestou ao sair em “campanha” para mitigar a imagem que a sra. Marta construiu para si mesma”.

Cópias da página do PSDB foram distribuídas para os jornalistas na manhã de ontem por assessores da campanha de Marta durante evento para sancionar lei de criação dos conselhos de representantes de subprefeituras.

A assessoria de imprensa do Diretório Nacional do PSDB informou que “a orientação do partido é para não entrar nesse tipo de debate”. A assessoria admitiu que “foi um erro” a edição da nota e informou que, ao perceber o erro, retirou o texto do ar.

Ontem o candidato a prefeito do PSDB, José Serra, afirmou desconhecer a nota, mas disse não apoiar esse tipo de ataque.

De acordo com o coordenador-geral da campanha petista, deputado estadual Ítalo Cardoso, o departamento jurídico do PT entraria com uma ação na Justiça, mas ainda não estava definido se seria apenas civil ou também criminal.

O candidato a vice de Marta, Rui Falcão, disse, no lançamento de um comitê em Aricanduva, zona leste, que “pela segunda vez, adversários que se dizem detentores da ética e do trabalho agridem o PT e a prefeita”. Falcão disse que “não vamos aceitar provocações, mas também não vamos aceitar nenhum tipo de intimidação”.

Ele se referia às afirmações do deputado federal Alberto Goldman e do deputado estadual Celino Cardoso em um comício no dia 11 de julho. Na ocasião, Goldman disse: “Quero saber cadê o dinheiro. De um deles, a gente sabe onde está: na Suíça. E o da Marta? Vamos perguntar para ela ou para o marido dela onde está o dinheiro de São Paulo".



 Escrito por Eduardo Guimarães às 10h01
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Análise política

        Reage, PT !       

 

 

 

Não foi por falta de aviso. Eu disse o erro que o PT estava prestes a cometer ao dar asas à boataria sobre a homossexualidade de Kassab muito antes de o assunto sequer começar a ganhar a dimensão que acabou ganhando.

 

Depois de tantos comentários, de tantas análises ponderadas, acabei entendendo os motivos do comando da campanha de Marta para levantar o assunto. E inclusive quero agradecer aos que souberam dizer esses motivos com propriedade e educação aqui neste blog. Muitos deles são óbvios partidários do PT, mas, salvo uma ou outra exceção, a grande maioria soube expor seus pontos de vista com serenidade e educação.

 

Porém, meus amigos, chega a ser pueril dizerem que a propaganda que o PT levou ao horário eleitoral gratuito não trazia embutida a sugestão de que Kassab seria gay. As pessoas não são bobas. Negar o inegável só desgastou ainda mais essa estratégia desastrada.

 

Agora “Inês é morta”. Já foi. Kassab simplesmente negou que é homossexual e fica o dito pelo não dito. Sairá como vítima e, ao negar, dá condições ao seu eleitorado conservador de dizer que tudo não passou de maledicência.

 

Perdeu a campanha de Marta e perderam os homossexuais, que estão tendo que ver a natureza deles ser negada como se ser homossexual fosse um crime ou um desvio inaceitável.

 

Ninguém imagina que, mesmo que existam provas de que Kassab é gay, elas venham a ser usadas depois de Lula, Eduardo Suplicy e o próprio Luis Favre, marido de Marta,  condenarem a estratégia do marqueteiro João Santana.

 

Como eu disse, meus amigos, não vou ficar aqui mentindo para vocês ou tentando enrolá-los. Não adianta. Tenho que ser honesto e dizer o que penso. Muitos podem não gostar do que vou dizer, mas é a verdade, e o que o Eduardo está dizendo não irá alterar a realidade para melhor ou para pior.

 

É o seguinte: acho que ficou difícil para Marta. Kassab sairá dessa como vítima. E, se não fosse o fato de que seu grupo político usou a mídia até no dia da eleição em primeiro turno para fazer com Marta o que ela faria com ele depois, o prefeito teria até  razão em se dizer vítima.

 

Como não dará para provar para os preconceituosos a eventual homossexualidade de Kassab – da qual parece haver indícios gritantes  – porque pegaria muito mal e também porque seria uma canalhice que faria outras vozes – inclusive a minha – se levantarem de novo, além de Marta sair dessa como preconceituosa – o que é um absurdo –, sairá como caluniadora.

 

Posso estar enganado, mas acho que haverá um considerável prejuízo eleitoral para Marta. Repito: os preconceituosos dirão que não há provas de que Kassab é gay e os não preconceituosos dirão que a estratégia da adversária dele foi preconceituosa e baixa.

 

Outra coisa: dizem que Marta não sabia da estratégia. Acho difícil de acreditar. Sejamos honestos: você acreditaria se Kassab dissesse que não teve nada que ver com os ataques da mídia à vida pessoal de Marta? Claro que não, porque não se imagina uma campanha eleitoral partindo para isso sem que o candidato que essa campanha defende seja informado.

 

Não sei o que vai acontecer, mas suponho que Marta não ganhará um voto, poderá perder alguns e os preconceituosos da direita, que poderiam abandonar Kassab, se darão por satisfeitos com sua negativa sem questionar muito, porque preferem não acreditar que seu bibelô pratica aquilo que repudiam.

 

Então, Marta e o PT deveriam ao menos fazer a mídia calhorda pagar pelo servicinho sujo que fez para Kassab ao estampar na Folha e no Estadão, entre outros, aquelas reportagens explorando a vida íntima da ex-prefeita, inclusive no dia da eleição em primeiro turno, de forma a reavivar todo preconceito contra ela.

 

O jornalista Luiz Carlos Azenha marcou um golaço ao garimpar e expor editorial do jornal O Globo publicado em 1989 que justificou a estratégia imunda de Fernando Collor de usar na tevê acusação da ex-namorada de Lula Miriam Cordeiro de que ele (Lula) havia exigido que ela fizesse um aborto.

 

O jornal Valor Econômico publicou no último sábado excelente reportagem que mostra toda indigência do preconceito contra Marta. Um material que usei aqui e com o qual consegui reverter uns três votos para minha candidata, de pessoas do meu círculo de relações.

 

A Folha de São Paulo, sob o pretexto de analisar a eleição na capital paulista neste ano, publicou, no dia do primeiro turno, artigo de um cientista político – ou coisa que o valha – devassando a vida amorosa da ex-prefeita. O Estadão, em seguida, fez o mesmo.

 

Por que o PT, Marta, seu marqueteiro, sei lá quem, não põem isso na tevê e não denunciam o partidarismo escandaloso da mídia, os ataques vis que a petista recebeu? Mesmo que não reverta a tendência da eleição, pelo menos o PT aproveitaria para denunciar essa mídia imunda para toda São Paulo.

 

Se a peça publicitária for bem feita, tenho certeza de que muita gente de boa índole e com cérebro entenderá o que é essa conjunção carnal pornográfica entre a mídia e a direita paulista. Há tanto material para mostrar, tanta safadeza da mídia para denunciar, tantos ataques preconceituosos, que seria bem possível até que uma surpresa acontecesse.

 

Mas vejam o erro que a campanha de Marta cometeu: em vez de denunciar o preconceito da direita incentivado por Kassab, por Serra e pela mídia submissa a eles, os estrategistas do PT colaram na candidata a pecha de preconceituosa ao usarem as mesmas armas dos sem-vergonhas que a difamam há tantos anos.

 

Infelizmente, em vez de o PT entender que estou tentando mostrar um caminho inteligente e corajoso, intuo que achará que estou “desanimando a militância”. Uma bobagem. Avisei antes de todo mundo no que ia dar aquela estratégia burra e não fui ouvido. Dificilmente serei agora.

 

Do blog do Noblat

 

Padre Paulo Lino, da Paróquia Nossa Senhora das Graças, do Jardim Elba, levantou-se do seu lugar, em meio a uma centena de pessoas que lotavam, esta tarde, o salão do Centro Pastoral São José, na Zona Leste de São Paulo, e disse à Marta Suplicy, candidata do PT a prefeita:

 

- Ao longo de sua vida, você foi vítima de muitos preconceitos. Não poderia concordar com a veiculação de um comercial de televisão que é altamente preconceituoso contra seu adversário. Por isso sugiro que o comercial deixe de ser exibido.

 

Marta falou em seguida dominada por forte emoção. Quase chorou. E disse, a certa altura, que desconhecia o conteúdo do comercial até ele começar a ir ao ar. "Se tivesse conhecido antes não teria autorizado", afirmou.

 



 Escrito por Eduardo Guimarães às 22h31
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Análise econômica (sem economês)

Por que não afundamos

 

 

 

Agora que todo mundo parece já estar meio farto de politicagem barata, que tal falarmos sobre o que interessa?

 

E o que nos interessa, agora, é saber se as previsões catastrofistas que vocês têm visto na mídia, sobretudo na internet, irão se concretizar.

 

As previsões sobre o fim do mundo já começam a perder força, conforme eu vinha dizendo.

 

Ainda haverá espaço para alarmismo enquanto houver instabilidade nos mercados externos, mas a tendência é a de que as pessoas comecem a cair em si.

 

Deve demorar mais algumas semanas. Tempo suficiente para todos perceberem que efeitos práticos este país sofrerá.

 

E quando todos ouvirem os economistas que dizem que no Brasil o que ocorrerá de fato será uma “marolinha” – mesmo que, num “mar” desses, seja uma “marolona” –, daí muitos já terão perdido os tubos.

 

Tenho tentado abreviar o sofrimento das pessoas, a perda de dinheiro para as empresas, mas todos parecem adorar crises. Há espécie de masoquismo que o Brasil desenvolveu quando era governado por irresponsáveis que geriam a economia com os olhos postos no calendário eleitoral.

 

Dá raiva quando vejo até blogueiros que respeito dando corda ao PIG dizendo que este país já está em crise porque três empresas irresponsáveis se deram mal ao especularem que o real continuaria se valorizando, ou porque meia dúzia de bancos relutaram em usar o dinheiro do compulsório que o governo lhes pôs à disposição para suprir a diminuição do crédito no exterior, ou porque umas montadoras foram na onda dos bancos.

 

Daria um ano da minha vida para tirar esse pessoal de suas salas com ar-condicionado e levá-lo para uma incursão pelo Brasil real como a que fiz ontem pela região de Ribeirão Preto, no interior rico de São Paulo, onde visitei empresas que não só continuam investindo como nem pensam em mudar uma vírgula em seus planos, e que agora animaram-se com o novo patamar do dólar.

 

Vejam bem, eu trabalho no setor de autopeças. Nos últimos 15 anos tenho me dedicado a intermediar exportação desses produtos, atuando na parte comercial, no fechamento de contratos de exportação, viajando pela América Latina e até à África.

 

Andem pelo Brasil real, economistas. Visitem as indústrias que estão trazendo centenas de milhões de dólares de máquinas e equipamentos. Vejam os trabalhadores recém-empregados, os que tiveram expressivos aumentos salariais. Vejam o mercado interno fantástico que temos. Vejam a modernização progressiva de nossa economia. Vejam quanto dinheiro o Estado brasileiro tem para segurar a onda.

 

A crise no Brasil é mais caso de psicanalista do que de economista. Não há uma só razão macroeconômica para esse escarcéu todo. A mídia, no entanto, valendo-se de problemas localizados, conseguiu vender até à esquerda essa balela de que alguma tragédia aconteceria aqui.

 

Volto a pedir-lhes que não se esqueçam do que eu disse desde o primeiro minuto dessa pseudo caminhada para o Armagedon que encantou desde os jornalistas vendidos da imprensa golpista até os jornalistas sérios, que precisam desligar seus computadores e aparelhos de ar condicionado, fecharem suas salas acarpetadas e darem uma voltinha pelo setor produtivo do país, para verem como é pujante, como está sendo bem conduzido e como, por isso, a marolinha poderá, no máximo, dar-nos um caldo, mas não passará disso.

 

Só que eu não esquecerei dessa palhaçada toda que fizeram com o país. Ficarei aqui lembrando do exagero desse pessoal todo, dos bem e dos mal intencionados, como tenho feito com a febre amarela, com o surto de inflação e com outras babaquices que a mídia enfiou nas cabeças dos brasileiros.

 

Já tem muito empresário farto desses “entendidos” que ficam aí alarmando pequenos e médios empresários para que deixem seus mercados na mão para ficarem chorando.

 

Esse pessoal que embarcou nessa canoa furada ficará puto da vida quando descobrir quanto dinheiro perdeu por ouvir o blábláblá de quem não quer aceitar que o Brasil passou a ser bem administrado depois que Lula chegou ao poder.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 16h55
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Crônica política

Preconceito à paulistana

 

 

Estou prestes a completar 49 anos e este blog está para completar três. Nos 46 anos anteriores à criação do Cidadania, confesso que não aprendi sobre a natureza humana nem uma fração do que aprendi nestes últimos anos em que me fiz blogueiro.

 

Ontem, peregrinei pela parte mais rica do interior de São Paulo – pela região altamente industrializada de Ribeirão Preto – em atenção à convocação que recebi de empresas que, dando uma banana para o fim do mundo que estão pregando que se aproxima, pediram-me que elabore planos de trabalho para que aproveitem o novo patamar do dólar e comecem a exportar, valendo-se de meus serviços.

 

Durante o dia de ontem, não tive tempo para ler a chuva de comentários que decorreu do expressivo aumento da visitação deste blog que surpreendentemente adveio do post anterior, no qual critiquei a peça de propaganda eleitoral do PT que fez insinuação sobre a vida privada de Gilberto Kassab. Assim sendo, quando cheguei em casa, por volta da meia noite, debrucei-me sobre o que vocês comentaram.

 

Depois, fui assistir ao vídeo da sabatina de Marta Suplicy pela Folha de São Paulo que o UOL divulgou. Em seguida, percorri um pouco mais a internet para ver o que mais saiu sobre a sugestão da propaganda do PT de que o prefeito de São Paulo seria homossexual.

 

Devo confessar que fiquei inseguro quanto à minha opinião. Não só por conta dos argumentos da grande maioria dos leitores, mas pelo que Marta respondeu à Folha, com a firmeza e com a coragem costumeiras, quando cobrada pelos entrevistadores por conta do questionamento de sua propaganda eleitoral sobre a vida íntima do prefeito.

 

Não que eu tenha mudado de opinião sobre misturar a sexualidade ou a vida amorosa de um político com a discussão sobre seus atributos – ou sobre a falta deles – para governar ou legislar. Fiquei inseguro sobre até que ponto seria antiético alguém que teve a vida tão devassada quanto Marta – por seus adversários e pela imprensa – pedir que um dos que estão por trás dessa maledicência dê ele também suas explicações.

 

Marta bem lembrou, em sua sabatina na Folha, o que a imprensa e seus adversários fizeram com ela quando se separou de Eduardo Suplicy. A vida amorosa da ex-prefeita foi e continua sendo devassada pela mídia, tanto é que nas últimas semanas brotaram montes de reportagens em jornais paulistas como Valor Econômico, Folha e Estadão, todos requentando fofocas sobre a vida sentimental e familiar da ex-prefeita petista, ainda que a reportagem do “Valor” tenha sido positiva ao revelar a face mais cruel do preconceito de que ela continua sendo alvo.

 

Até um homossexual veio aqui ao blog dizer que não viu nada demais na questão levantada pela propaganda do PT. E alguém que não posso nominar, porque pediu para não ser identificado, enviou-me e-mail dizendo que mais preconceituoso do que a propaganda de Marta seria o próprio Kassab por não assumir o que essa pessoa disse que é fato mais do que notório, citando até o nome do suposto “companheiro” do prefeito.

 

Não sei se estou certo ou errado. Não sou infalível nem dono da verdade. Sei apenas que estou profundamente envergonhado de São Paulo. O fato de o próprio Kassab e seu partido terem que se esquivar do assunto e de o PT levantá-lo revela quão danoso seria para a campanha do prefeito se este – como fez seu homólogo de Paris, por exemplo – viesse a público declarar a própria homossexualidade.

 

Não deixa de ser provocativo imaginar o que diria aquela mulher da reportagem do Valor Econômico que reproduzi aqui no sábado – aquela que declarou que a família de Marta seria “desregrada” – se soubesse que seu candidato é gay, ou o que aconteceria com o voto maciço dos evangélicos em Kassab se ficassem sabendo de sua suposta preferência sexual...

 

Contudo, devo dar razão à maioria de vocês quando se enoja ao ver a mesma mídia que explorou à exaustão a vida amorosa de Marta Suplicy – inclusive no dia da eleição no primeiro turno – sair em defesa de Kassab por conta da exploração de sua vida privada pela campanha da adversária.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 01h58
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Nota de esclarecimento

Meu dever

 

 

Quando criei este blog, assumi um compromisso comigo antes de com o público ao qual me dirigiria, o compromisso de ser honesto com quem se dispusesse a ler o que escrevo.

 

Apesar de ser um blog que versaria também sobre política, não seria partidário e sim para explicar a política, para dar opiniões honestas sobre o que acontecesse nessa atividade tão importante para as sociedades.

 

Se em algum momento me posiciono contra ou a favor de um grupo político, faço isso de acordo com convicções firmes que tenho, não por interesse partidário ou pessoal, de maneira que não me proponho a endossar atos deste ou daquele grupo político se violarem limites que vejo que não podem ser ultrapassados no embate de idéias.

 

Sendo claro como sempre me propus a ser ao me dirigir a vocês, quero lembrar que na questão da política de minha cidade sempre repudiei os comentários maldosos sobre a vida íntima da ex-prefeita Marta Suplicy, sobre seu marido, sobre seus filhos, sobre a decisão que tomou de refazer sua vida com outro homem.

 

Não tenho, pois, como ficar impassível diante da propaganda eleitoral do PT para o segundo turno, que, durante a recomendação correta que fez para que as pessoas buscassem informações sobre o passado político de Gilberto Kassab, perguntou se ele era casado e se tinha filhos com o óbvio intuito de levar ao conhecimento público os boatos sobre a suposta homossexualidade do prefeito.

 

Para a cidade, se Marta mudou de marido ou se Kassab é ou não é homossexual, não faz diferença. Ao menos na minha opinião. O PT errou, não deveria ter feito isso. Agiu exatamente como a imprensa imoral, como seus adversários reacionários que sempre usaram a vida íntima de Marta para gerar preconceito e, assim, prejudicá-la eleitoralmente.

 

Prevejo que a campanha de Marta será afetada negativamente por essa atitude. E, mesmo que não seja, mesmo que o preconceito prevaleça, como parece ter sido a intenção dos que aludiram à vida íntima de Kassab no horário eleitoral, essa vitória, em minha opinião, não será de Marta, mas do próprio preconceito, o que será lamentável.

 

PS: nesta segunda-feira estarei fora de São Paulo e, por isso, poderá haver atraso na liberação de comentários.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 23h01
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Denúncia

Mídia prega que Lula faça

o que já vem fazendo

 

 

Alguns leitores irritam-se por eu citar a Folha de São Paulo com freqüência. Esse patrulhamento acaba me obrigando a dar explicações sobre o que não deveria ter que ser explicado. Mas, enfim, dancemos conforme a música.

 

Eu não gasto meu dinheiro com a imprensa golpista, por isso não leio nada dela que precise ser pago para ser lido. Até porque, a mídia é toda igual. O que você lê no Estadão ou no Globo ou na Veja, ou seja lá em que grande veículo for, é igual em todos os outros grandes meios de comunicação.

 

O que acontece é que tenho um e-mail do UOL há 10 anos e preciso mantê-lo, porque os blogs “gratuitos” do portal só dão direito a um determinado nível de postagens, nível que já ultrapassei há muito tempo aqui. Por isso continuo pagando uma exorbitância ao grupo Folha, só para manter um email que não tenho como perder e para manter este blog. E como esse e-mail me dá direito a acessar a versão eletrônica da Folha, esse é o único grande meio da imprensa escrita que leio hoje – pela internet.

 

Usarei, pois, exemplo de editorial publicado hoje por aquele jornal para desnudar uma estratégia da mídia que ela deve achar muito esperta, mas que, para qualquer um que tenha cérebro, é de uma estupidez atroz.

 

O editorial “Resposta imediata” (12/10) começa dizendo que a “Rápida deterioração de expectativas no Brasil exige adaptação ampla nas políticas fiscal, monetária e regulatória”, e aí já começa a malandragem, pois, para dizer que há “rápida deterioração de expectativas”, seria preciso que em comparação com expectativas em outras partes as nossas estivessem se deteriorando em velocidade diferente do resto do mundo, o que não existe.

 

Mais adiante, o editorial diz que “A restrição de crédito também atingiu empresas e bancos brasileiros. A incerteza se agravou com a revelação de que operações de alto risco no mercado financeiro resultaram, com a forte alta do dólar, em elevados prejuízos para algumas grandes corporações”, esquecendo de dizer que ao menos duas das únicas três empresas que tiveram problemas dessa natureza até agora acabaram demitindo seus executivos que as jogaram em operações de alto risco que beiraram a ilegalidade.

 

Contudo, mesmo sendo grandes, Aracruz, Sadia e Votorantim, até agora, mostram-se casos isolados.

 

Daí, a opinião do jornal paulista começa a fazer uma espécie de Hedge contra a não ocorrência de catástrofe no Brasil, que irá contrariar a imprensa golpista em algumas semanas, terminado o segundo turno.

 

Diz o texto que “Diante da gravidade da crise global, bem como da rápida deterioração de expectativas no âmbito doméstico, o conjunto das políticas fiscal, monetária e regulatória implementadas pelas autoridades econômicas brasileiras precisa ser rapidamente adaptado”.

 

O jornal, porém, reconhece que “Felizmente, a economia brasileira acumulou recursos durante a bonança, o que permite uma gestão diferenciada dos impactos da crise. Como o setor público tornou-se credor em dólar - as reservas internacionais são bem maiores do que a dívida externa pública-, o estoque da dívida pública se reduz quando a cotação do dólar sobe”.

 

Como vocês vêem, os clones de Reinaldo Azevedo e de outras excrescências da imprensa golpista que vêm aqui vomitar as bobagens que esse e outros degenerados enfiam em suas cacholas vazias tentam ser mais realistas do que o rei, pois negam terminantemente todos os instrumentos que a governança petista deu ao país nos últimos anos.

 

O jornal ainda tem que reconhecer várias outras diferenças que permitirão ao Brasil manter-se flutuando enquanto os países ricos afundam, mas faz isso para, pretensamente, dar a “sua” receita de quais medidas o governo deve tomar – e é aí que reside a malandragem.

 

A Folha diz que o governo deve : “a) liberar parcela significativa dos depósitos compulsórios não-remunerados, que os bancos são obrigados a manter no Banco Central, em contrapartida à retomada de operações de crédito; b) garantir, com reservas de divisas ou outros recursos públicos, a oferta de crédito para as exportações.

 

Como o jornal parece que sabe que nem todo seu público é composto por débeis mentais, reconhece que o governo já vem fazendo isso, mas diz que deve “acelerar” tais medidas, como se o governo que tomou medidas corretas muito antes de ser “receitadas” pela imprensa precisasse, agora, que lhe dissessem quando e quanto devem ser usadas.

 

E tome receituário já adotado: “Outra prioridade é preservar os investimentos em infra-estrutura e deter os gastos de custeio da máquina pública. O contexto justifica ajustes jurídicos emergenciais e transitórios, a fim de acelerar as licitações de obras e desvincular despesas do Orçamento”.

 

Nesse ponto, o jornal inova em alguma coisa. Traduzindo: além de pregar que o governo faça o que já fez, ou seja, dar poderes ao Banco Central para agir e garantir investimentos e obras como as do PAC,  a tal inovação prega que se retire dinheiro dos programas sociais, que, no cômputo geral, não representam quase nada, mas que, eleitoralmente, poderão render frutos ao governo em 2010. A Folha, pretensa juíza da “partida” eleitoral em dois anos, grita “perigo de gol” contra Serra.

 

E o editorial continua preconizando receitas já adotadas: “Um eventual resgate de empresas com recursos públicos precisaria ser criterioso e absolutamente transparente. Só deveria ser feito mediante contrapartida de garantias, que poderiam incluir a transferência de ações e outros ativos dos beneficiados ao Tesouro Nacional”. Só que quem disse que isso deve ser feito, foi o governo.

 

Amanhã, quando as pessoas virem que este país não mergulhou no caos como outros, a imprensa malandra dirá que isso aconteceu porque “seu” receituário – que atribuirá a Serra – foi seguido. E o pior é que, ainda que em minoria, muitos acreditarão em tal balela.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 16h55
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Crítica à imprensa

Mídia se irrita com baixa

adesão a seu alarmismo

 

 

Enquanto o ombudsman da Folha de São Paulo, Carlos Eduardo Lins da Silva, em sua coluna de hoje, reclamou de que o jornal não está sabendo alarmar eficientemente seu leitorado, o colunista Elio Gaspari se entregou, na Folha e no Globo, à falta de educação e de respeito não só para com o presidente Lula, eleito, reeleito e aprovado pela grande maioria dos brasileiros, mas para com todos que o apóiam.

 

Ao “mandar” que o presidente se cale por não disseminar pânico nos mercados e entre os brasileiros, Gaspari me fez lembrar de quando FHC, o fetiche neoliberal da grande mídia, jogou o Brasil em crises muito mais graves devido a conjuntura internacional que só abalou países mal administrados como era este quando o tucano governava.

 

As colunas de Gaspari e de Lins da Silva mostram ambos inconformados pela pouca adesão dos brasileiros ao mais novo processo alarmista que a imprensa golpista, anti-nacional e entreguista desencadeou como se fosse útil para nós que, diante das crises de nervos dos porta-vozes da ideologia que pregava a "desregulamentação" dos mercados, o Brasil, que o mundo inteiro reconhece que é o país melhor preparado para enfrentar a crise gerada justamente por ausência de regulação, mergulhasse no pânico.

 

Claro que há gente paralisando seus negócios por medo do fim do mundo, das teorias alucinadas que disputam entre si qual delas pinta o desastre mais completo. Por mais que os neoliberais tenham errado em tudo, são as teorias catastrofistas deles as mais ouvidas, enquanto que as ressalvas de economistas como Maria da Conceição Tavares, que tantas vezes disse dos riscos da falta de regulamentação, continuam sendo ignoradas.

 

Essa gente não percebe que, depois de a mídia dizer, por exemplo, que o Bolsa Família não distribuiria renda ou que o país não cresceria ou que havia epidemia de febre amarela ou que havia surto de inflação e nada disso ter se confirmado, cada vez menos pessoas dão crédito ao que essa mídia diz.

 

Também quero manifestar minha decepção com o trabalho de Carlos Eduardo Lins da Silva, de quem me aproximei faz alguns meses a convite dele, e que, depois de um início de trabalho apenas razoável, caminha para se tornar o ombudsman mais “chapa-branca” que a Folha já teve. E, como se não bastasse, em sua coluna deste domingo ele insulta o leitorado do jornal dizendo que este é incapaz de entender a gravidade da crise.

 

Leiam, abaixo, os dois textos abjetos, desrespeitosos para com a sociedade brasileira e que mostram como é ruim a imprensa deste país. E como, além de ruim e arrogante, o fracasso de suas teorias econômicas parece ter-lhe subido à cabeça.

 

*

 

CARLOS EDUARDO LINS DA SILVA

 

E o mundo (ainda?) não se acabou

 

APESAR da indiscutível gravidade da situação econômica mundial -que só encontra precedente na hecatombe de 1929 e a conseqüente Grande Depressão-, a correspondência do ombudsman e do "Painel do Leitor" não reflete grande preocupação com o tema por parte do público deste jornal.

As emoções das eleições municipais e do Campeonato Brasileiro de Futebol motivam muito mais gente a se manifestar do que os percalços provocados pelos "senhores do Universo" de Wall Street.

Pode ser que os apreensivos não escrevam para redações. Talvez a ausência, até agora, de efeitos graves no cotidiano dos brasileiros esteja adiando os sobressaltos. Mas também é possível que o jornal esteja falhando na sua missão de aproximar o noticiário do cidadão comum.

Alfred Marshall, o mais influente economista da passagem do século 19 para o 20, definia sua ciência como "o estudo da humanidade nos negócios comuns da vida". O conceito aproxima a economia do jornalismo, que em princípio também cuida dos "negócios comuns da vida".

A Folha tem dedicado apreciável esforço à cobertura da crise global nestas semanas. Os fatos têm sido registrados de maneira correta e abrangente. Artigos e entrevistas de especialistas têm proporcionado ao leitor análises aprofundadas, comparações históricas relevantes e abordagens originais.

Mas acho que tem faltado tratar dos problemas a partir da perspectiva de quem não é versado em economia nem pela teoria nem pela prática de empresário ou executivo.
Pode ser que o jornalismo impresso um dia venha a ser produto consumido só pelos mais ricos e estudados. Mas por enquanto não é -e ele precisa atender bem a todos os tipos de leitores atuais.

Tem faltado dar concretude às questões, desde o significado real das cifras astronômicas que diariamente inundam as páginas até explicar como essa confusão vai afetar o dia-a-dia de cada um de nós. Sem abandonar o comentário mais sofisticado, terreno em que se está indo bem.

Isso poderia ser feito por meio de histórias de personagens que já estejam sofrendo na pele os efeitos desse "crash em câmera lenta", como definiu um jornalista inglês. Ou da antecipação mais detalhada do que nós todos aqui no Brasil poderemos passar nas próximas semanas ou meses.

Diariamente o jornal parece indicar que o mundo vai se acabar, mas ele continua mais ou menos igual no dia seguinte.


Antever como vai ser o mundo depois desta crise ou mostrar como ele ficou depois da de 1929 pode ajudar a atrair o leitor. Se o jornalista conseguir se colocar no lugar da pessoa comum -um esforço de empatia nem tão grande assim-, talvez consiga fazer isso.

 

*

 

ELIO GASPARI

Por qué no te callas, Lula?

 

PARA O BEM DE TODOS , Nosso Guia precisa aprender a ficar calado diante da crise financeira. Suas bobagens comprometem a credibilidade do país. Em setembro, falando nas ONU, ele disse o seguinte:

"Das Nações Unidas, máximo cenário multilateral, deve partir a convocação para uma resposta vigorosa às ameaças que pesam sobre nós".

Quem conhecer uma pessoa capaz de acreditar que a ONU tem capacidade, estrutura e autoridade para tratar desse assunto, ganha uma passagem de ida e volta a Cuba. Quem conhecer duas, ganha só a de ida.

Semanas depois, tratando da capotagem da Sadia e da Aracruz, que torraram R$ 2,7 bilhões em operações cambiais exóticas, Nosso Guia acusou as empresas de estarem apostando contra o real. Falso. Elas perderam dinheiro porque apostaram a favor.

 

Mesmo que estivesse certo, não fica bem para um presidente da República o comportamento que o jornalista americano Murray Kempton atribuiu aos editorialistas: "Depois da batalha eles vão ao campo e matam os feridos."

Admita-se que sua teoria da "marolinha" foi conversa de palanqueiro. Até porque dias depois, tratando do problema, disse que "não sabemos o seu tamanho". Releve-se a sua interpretação da geografia ao dizer que "até agora, graças a Deus, a crise americana não atravessou o Atlântico". Foi a segunda vez que Nosso Guia relacionou a travessia do Atlântico com um percurso Norte-Sul. Em geral, as pessoas associam essa travessia às viagens de Colombo (de barco) e Charles Lindbergh (de avião), no sentido Leste-Oeste (ou o contrário).

Administrando uma crise que botou a Bolsa de joelhos, meia dúzia de bancos no vermelho e o dólar a R$ 2,30, o presidente da República pode fazer tudo, menos tratá-la com olhar de marqueteiro. Foi isso que George Bush fez nos últimos 12 meses. Pagará o preço de uma vergonhosa saída da Casa Branca.

Quem trata a crise como coisa pitoresca, num personagem pitoresco se transforma. Como ele mesmo já disse, a crise exige "juízo e responsabilidade". Sobretudo dele.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 12h00
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