Denúncia

Kassab tentou despejar as

famílias do Jardim Edite

 

 

 

  

Recebi do doutor Antonio Donizeti, diretor jurídico da ONG Movimento dos Sem Mídia, informações sobre o caso da tentativa do prefeito Gilberto Kassab de despejar os moradores do Jardim Edite, em São Paulo.

 

O tema foi abordado por Marta Suplicy durante o debate de sexta-feira na Globo. A ex-prefeita leu a carta-despejo que o prefeito paulistano enviou aos moradores que pretendia despejar. Kassab pôs em dúvida o documento durante o debate. Mas, neste sábado, reconheceu sua autenticidade.

 

Vejam o que escreveu o doutor Donizeti:

 

Conheço bem a questão da favela do Jardim Edite. O bairro está situado num dos locais mais valorizados da capital. O preço do metro quadrado por lá custa cerca de R$ 5 mil reais e aquela área tem cerca 30 mil m2, conforme o presidente da associação de moradores do local. Fica ao lado da Ponte Estaiada, na Av. Roberto Marinho, ao lado da Rede Globo. Os 30 mil m2 valem cerca de R$ 150 milhões!!

 

A prefeitura não moveu nenhuma ação judicial para tirar os moradores de lá. Nem poderia, pois os moradores estão garantidos pelo Plano Diretor vigente, dentro da Operação Urbana Águas Espraiadas, que deu recursos para construir a Ponte Estaiada.  

 

A prefeitura tem R$ 40 milhões em caixa para construir as casas dos moradores no próprio terreno e, nos termos da Operação Urbana, o dinheiro tem que ser aplicado naquele local.

 

Kassab tentou tirar o pessoal de lá com essa carta-despejo e com ameaças constantes contra os moradores, porque parece não querer pobres perto do seu cartão postal (a ponte). E provavelmente também para entregar a área à especulação imobiliária.

 

Já imaginou quantas torres de apartamentos de luxo dá para construir numa área de 30 mil m2, na Av. Roberto Marinho, e quanto seria o preço de cada apartamento ao lado do novo cartão postal da cidade?

 

As ameaças da Prefeitura do Kassab contra os moradores estavam tão graves que a Defensoria Pública do Estado de São Paulo entrou com uma ação civil pública contra a Prefeitura para que parasse com as intimidações e com as ameaças de despejo contra os moradores. O Juíz de Direito deu LIMINAR garantindo a eles o direito de terem suas casas construídas no próprio local e às expensas da Prefeitura.

 

Serão construídas 250 residências no local. Contra a vontade de Kassab. ESSA É A VERDADE! O nº da Ação Civil Pública é 053.2007.138359-0 e corre na 13ª  Vara da Fazenda Pública da Capital.

 

 

Do jornal o Estado de São Paulo

 

 

Reportagem de Diego Zanchetta

 

O juiz da 13ª Vara da Fazenda Pública, Jayme Martins de Oliveira Neto, determinou em liminar a suspensão da remoção das 900 famílias que ocupam a Favela Jardim Edite, vizinha da nova Ponte Estaiada, na Marginal do Pinheiros, na zona sul.

 

O juiz diz que a Prefeitura infringe o Plano Diretor de 2002 ao utilizar o cheque-despejo, no valor de R$ 5 mil, para indenizar os moradores e acata um parecer do Ministério Público Estadual, no qual o governo é acusado de promover remoções “em áreas que no passado não tinham a valorização e o interesse imobiliário que têm hoje”.

 

O pedido de paralisação da intervenção foi feito em dezembro pela Defensoria Pública e pela Associação dos Moradores do Jardim Edite. Nas últimas semanas, os moradores protestaram contra o prazo final, de 31 de abril, para a adesão às opções de indenizações oferecidas - R$ 5 mil, ajuda de R$ 8 mil para a compra de imóvel em área pública ou a mudança para conjunto habitacional.

 

“A ocupação está em Zona de Interesse Social, portanto teria de ser alvo de uma reurbanização. O cheque-despejo não é uma política habitacional adequada”, disse o defensor público Carlos Loureiro. “Acabou o despejo. Ninguém mais deve aceitar a negociação com a Prefeitura. As indenizações nem valor jurídico agora possuem”, comemorou o líder comunitário Gerôncio Henrique Neto.

 

Famílias da ocupação dizem que o governo municipal acelerou a remoção com a iminência da inauguração, prevista para o final deste mês, da Ponte Estaiada, que ligará a Avenida Jornalista Roberto Marinho à Marginal e que a gestão Gilberto Kassab (DEM) planeja mostrar como cartão-postal.

 

A partir de hoje, a multa diária prevista à Prefeitura por descumpriento da liminar é de R$ 10 mil. A Secretaria Municipal de Habitação informou que não se manifestaria. De acordo com a pasta, das 815 famílias cadastradas na ocupação, 230 fizeram a opção pela verba de R$ 5 mil e outras 75 pela mudança para um conjunto da CDHU no Campo Limpo, a 18 quilômetros da favela. Outras 166 famílias optaram pela verba de R$ 8 mil, destinada aos interessados em comprar imóvel em área pública. O governo também nega fazer pressão para a saída dos moradores.

 



 Escrito por Eduardo Guimarães às 19h09
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Análise política

A dama de vermelho

 

 

 

 

 

Foi outra Marta Suplicy que debateu com Gilberto Kassab na Globo na última sexta-feira. Marta voltou a ser Marta. Vestiu vermelho e foi uma guerreira, resgatando o PT dos bons tempos, aquele PT que foi paixão de tantos e que infundia terror nos corações da elite.

 

Kassab, por sua vez, sentiu-se encurralado. Seu nervosismo saltava da telinha. A candidata do PT travou sua derradeira batalha com ele nesta campanha de uma forma que a fez sair daquele debate muito maior do que entrou.

 

Não foi por outra razão que até a Folha publicou texto opinativo de um tipo que não costuma publicar, isento. Foi do colunista Nelson de Sá, possivelmente o único colunista daquele jornal que, desde que começou a guerra do veículo com o PT há mais ou menos uns cinco anos, vem conseguindo se manter acima de paixões políticas e partidarismos.

 

Vejam trechos da avaliação de Nelson de Sá sobre o debate.

 

Marta adota estratégia de bate-estaca

 

NELSON DE SÁ

COLUNISTA DA FOLHA

 

Se Marta Suplicy se deixou abalar no debate anterior, na Record, ontem foi a vez de Gilberto Kassab. Embora tenha começado com agressividade acima do recomendável, sobretudo para quem tem rejeição tão alta, a ex-prefeita se estabilizou e atravessou o programa com aparente firmeza de argumentos. Com um questionamento constante, bate-estaca, mas que não feria o espectador.

 

(...) Talvez pelo impacto da propaganda com o "vagabundo" [a propaganda eleitoral de Marta transmitiu sexta-feira na tevê cenas em que Kassab agride fisicamente e xinga um munícipe que o questionou], Kassab tremeu.

 

Repetia as frases feitas, "cidade quebrada", "cidade falida", "Paris", mas não soava especialmente atento ao que ele mesmo falava. Deixou que Marta tomasse a iniciativa, no primeiro e depois no correr dos outros três blocos. Nem as questões generalistas tiradas do nada pelo âncora conseguiam conter a ex-prefeita, que seguia deixando marcas no adversário.

 

Depois de não pouca confusão, o documento de despejo repisado por ela deixou nele uma imagem de insensibilidade e até desconhecimento. Sobre educação, "Kassab, você nunca entendeu os CEUs". Sobre trânsito, "você não fez um corredor de ônibus". Pior, "quando é que vai começar o pedágio?". Sentia-se tão à vontade que tentou até “esclarecer” os túneis que ela fez.

 

Não faltaram acenos da ex-prefeita ao eleitorado feminino, aproveitando a desatenção kassabista. Ele falou em creches como tema "delicado", ela reagiu que "creche é um assunto concreto para a mulher, isso é que você não entende" (...)

 

Enfim, Marta foi Marta – e foi PT. Seu traje escarlate e seu discurso humanista foram esquerda pura. Seu discurso, diferentemente do que tinha sido no decorrer da campanha, voltou-se para quem vota ou deveria votar sempre na esquerda, para os pobres. Foi altiva sem ser arrogante, indignada sem se descontrolar, precisa e minuciosa sem ser maçante.

 

O nervosismo de Kassab o fez até dizer que ela “esquecia de omitir” alguma coisa. Isso tudo, ao lado do comentário destacado de Nelson de Sá na Folha, não me sugere necessariamente uma virada na eleição, mas talvez uma votação de Marta neste segundo turno que pode se tornar um drama sobretudo para institutos de pesquisa, por mais que um eventual erro grave deles venha a ser censurado no debate pós eleitoral.

 

De qualquer forma, Marta resgatou a dignidade petista no último debate de uma campanha que, até aqui, eu vinha preferindo esquecer pelas razões que vocês já conhecem.

 

Minha candidata, enfim, deixou-me orgulhoso nesta campanha. Conseguiu fazer um adversário com enorme vantagem nas pesquisas - e com o apoio incondicional de toda grande mídia - tremer como uma vara verde diante de si. Nada mal para uma campanha desastrosa, da qual a ex-prefeita poderá – eu disse que apenas po-de-rá – sair bem maior do que pensávamos. 

 

 

Do blog do Favre

 

 

No debate de ontem, Marta perguntou a Kassab qual era a opinião dele sobre o conteúdo da carta que aqui reproduzo. Kassab fingiu que não era com ele e até pôs em dúvida a autenticidade do documento.

 

A carta foi disponibilizada para a mídia, que manifestou o mesmo interesse pela carta que Kassab pelo destino das pessoas que a prefeitura despeja.

 

A Favela Jardim Edite fica ao lado da rede Globo. Ela devia ser substituída por moradia digna para seus habitantes, conforme projeto da Operação urbana deixado por Marta. Kassab completou só a ponte estaiada, com 2 anos de atraso, e procurou expulsar os moradores da favela. O protesto foi reprimido com bala de borracha e gás lacrimogêneo.

 

Mas o Ministério Publico interveio e Kassab foi obrigado a recuar. É bom salientar que, ao mesmo tempo em que Kassab recusa fazer moradias e procura expulsar os moradores da favela, conta com R$500 milhões da Operação urbana que estão no banco.

 

A Folha registrou hoje que, contrariamente à proclamação mentirosa de Kassab, na sua gestão foram feitas muito menos moradias populares do que na gestão da Marta. Segundo a Folha, não são 22 mil, como diz Kassab, e, sim, a promessa de 12 mil até o fim do ano.  

 

 

Veja, abaixo, reprodução da carta-despejo de Kassab

 



 Escrito por Eduardo Guimarães às 10h17
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Crônica política

Novo golpe das pesquisas

 

 

 

Amiúde sou acometido por tempestades cerebrais desencadeadas a partir da comédia contemporânea, tudo por conta de "obras" que nos tiram o fôlego (mais uma vez) quando achávamos que já tínhamos visto de tudo.

 

Vou organizando o que preciso dizer por ordem de importância, de acordo com critérios obviamente próprios.

 

Chegou o momento, entre uma crise e outra, de falar de uma teoria necessária àqueles que, como eu, não confiam em pesquisas eleitorais em razão do expressivo número de manipulações flagrantes dessas sondagens que já se viu. 

 

Deixo bem claro que o que vou escrever é apenas uma teoria. Não espero convencer os que acreditam em pesquisas eleitorais. Mas proponho a discussão aos que duvidam delas como eu, de forma que me ajudem a encontrar indícios de que minha teoria tem maiores fundamentos.

 

Vi pesquisas serem escandalosamente manipuladas na Venezuela, na Bolívia, em vários países sul-americanos e até no Brasil. Diante disso, percebo que essa é uma arma que a oligarquia conservadora-midiática só usa em último caso, mas usa.

 

A eleição em São Paulo é um desses “últimos casos” nos quais a mídia faz qualquer coisa para que vença seu postulante, pois seu projeto político de tomada do poder nacional, por equivocado que possa ser, passa por fazer o prefeito da capital paulista.

 

Deprimir as intenções de votos reveladas nas pesquisas para os políticos dos quais a mídia não gosta não vinha dando certo. A estratégia seria muito grosseira, teriam percebido. Então decidiram sofisticar.

 

Um belo dia, um dos puxa-sacos dos barões da mídia saiu com esta:

 

-- E se aumentássemos a intenção de voto de Marta e a popularidade de Lula, patrão, e reduzíssemos os percentuais de Alckmin e de Kassab?

 

-- Como é que é?

 

-- Isso mesmo, chefinho, vamos falsear (para cima) a popularidade de Marta e de Lula.

 

-- Você está flertando como o perigo, moço...

 

-- Não, meu líder, estou apenas propondo que usemos a cabeça.

 

-- Continue...

 

-- Ora, muitas vezes fizemos o óbvio, pondo os nossos lá em cima (nas pesquisas) e rebaixando o inimigo, e nos demos mal. E se desta vez começássemos mentindo e terminássemos falando a verdade?

 

-- Como assim?

 

-- É simples:  mostramos Marta subindo e seus adversários caindo, mas fazemos o Alckmin cair mais e o Kassab cair menos. E colocamos a popularidade de Lula perto da unanimidade.

 

-- E daí? Pra que isso?

 

-- Veja, depois invertemos a curva e vamos fazendo uns subirem e outros caírem, e o eleitorado perceberá as “tendências”. O conservador verá que o Alckmin perde força e decidirá que o candidato “certo” para enfrentar Marta é o Kassab. Depois de consolidada essa tendência, se o eleitorado reagir acompanhando-a, daí fazemos Marta cair, inaugurando nova tendência... E quando começar o segundo turno, colocamos o Kassab disparado na frente. Se funcionou no primeiro turno, funcionará no segundo, só que ao contrário.

 

-- E Lula? Para que elevar sua popularidade, que já é altíssima?

 

-- Ó sapientíssimo mentor, porque daquele nível de popularidade para frente o único caminho será para baixo. Ao revelarmos, mais adiante, popularidade decrescente de Lula, estaremos nos aproximando da verdade. Entende? E ainda erramos um pouquinho a favor de Marta na reta final.

 

-- Hummm... Faz sentido. Até que você não é totalmente idiota...

 

Não percam tempo dizendo que a teoria é maluca, desqualificando-a. Não vou defendê-la. Apenas pensei nela e decidi compartilhar com vocês.

 

Em tempo, vale refletirmos que, como as últimas pesquisas sobre a eleição em São Paulo não mostraram reação de Marta, a estratégia mais sofisticada de manipulação pode ter funcionado.

 

Contudo, a vontade da mídia de materializar os próprios desejos é que pode ter entrado em campo. A mídia pode ter decidido arriscar tudo. Se isso ocorreu, veremos ao menos um resultado muito melhor para Marta no domingo do que está previsto nas pesquisas.

 

De qualquer forma, acho que uma lição deveria ficar para o PT: não ir para 2010 sem fechar contrato com um excelente instituto de pesquisas, pois parar de depender do Datafolha e do Ibope pode ser a diferença entre perder e ganhar.

 

 

Dos leitores

 

 

Achei 'estranhas' essas viradas repentinas de Pimentel [BH] e de Eduardo Paes [RJ]

 

José Carlos Lima | Goiânia | GO 

 



 Escrito por Eduardo Guimarães às 10h29
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Esclarecimento

O que não farei

 

 

 

No post anterior, perguntei o que querem que eu faça; neste, direi o que não farei. Mas, primeiro, quero recomendar aos navegantes que tenham muito cuidado com as entrelinhas, pois são tortuosas e podem levá-los a maus destinos – e por caminhos errados. Quando tentam ler o que escrevi nas entrelinhas, acabam tirando conclusões sobre o que eu não disse.

 

Nestes anos em que tenho estado blogueiro e, depois, ativista social (através da ONG que fundei com alguns abnegados no fim do ano passado), aprendi que, quando se quer atingir objetivos, agir é bem melhor do que falar (ou escrever). Por isso, tenho pautado minha vida por ações, as quais os mais conscientes sabem que sempre me acompanham as palavras.

 

Não tenho pretensão de ganhar nenhum concurso de quem é mais petista simplesmente porque não sou petista, apesar de que tenho estado muito mais petista do que gostaria.

 

O petismo que exibo aqui deve-se ao fato de que querem destruir a única alternativa viável de esquerda hoje no Brasil, o PT, e com isso eu não concordo. Assim, fico petista para me contrapor à petefobia, a um sentimento que julgo danoso ao país e ao processo civilizatório.

 

Mas não sou petista.

 

Outra coisa que não farei é dizer o que não penso, seja por eleição, por copa do mundo ou coisa que o valha. Meu único compromisso com vocês, aqui, é a sinceridade. Se existir alguma coisa com a qual não consiga concordar, não direi que concordo porque tem uma eleição em andamento.

 

Só que tem muitos desses que disputam concursos de petismo que jamais tomaram nem dez por cento das atitudes contra a direita que eu já tomei, apesar de ser acusado de não ser petista o bastante.

 

Ora, mas se mesmo que tenha me exposto em várias manifestações públicas, dando até explicação pra polícia do Serra depois de gritar ao megafone contra a Globo na frente da sede da Globo, e de ter posto meu nominho embaixo de uma acusação que encaminhei à Justiça contra os maiores impérios de comunicação do país, se tudo isso não for suficiente, paciência.

 

Eu disse aqui várias vezes que devemos assumir nossas responsabilidades e não devemos empurrar tudo para o governo, e até convoquei quem quiser me acompanhar numa manifestação de rua contra a mídia na frente das sedes da mídia. Saibam que mantenho tudo isso. Só não sei se alguém quererá ir comigo, mas essa é outra questão.

 

O que não quer dizer que eu ache certo que enquanto estou me esfalfando para escrever este blog – que dá um trabalho para fazer que pouca gente imagina  –, que enquanto estou pondo meu nome e minha responsabilidade numa acusação na Justiça contra bilionários, o grupo político que acabará se beneficiando de minha militância tenha o direito de fazer tão menos do que eu no debate político quanto tem feito.

 

Enfim, pessoal, não entendam como “desânimo” o que é constatação dos fatos. Fria, pura e simples. Cirúrgica, eu diria. Não gosto de ilusões. Elas têm o péssimo costume de acabar de forma abrupta e dolorosa.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 22h30
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Análise política

O que querem que

eu faça?

 

 

Cobram-me engajamento na campanha de Marta Suplicy. Paralelamente, analiso o quadro político de uma perspectiva mais ampla e ao longo do tempo, e a estratégia do grupo político de Lula para enfrentar o de Serra.

 

Em vez de falar da campanha em São Paulo, prefiro analisar se existe razão para esse otimismo do grupo de Serra em relação a 2010 e se o grupo de Lula tem razão na estratégia que adotou para enfrentar o governador paulista.

 

Primeiro, temos que ter em mente um horizonte mais amplo. Um blog como este não muda nada fazendo campanha. Ainda mais quando se trata de uma campanha cuja estratégia é a de demonização do adversário, por mais que esse adversário esteja ao lado do pior da política brasileira e por representar um previsível fracasso em sua administração da maior cidade sul-americana, atirada num caos urbano que em parte nenhuma do país chega aos pés do caos paulistano.

 

Prefiro discutir se eventuais fracassos do grupo de Lula em Belo Horizonte, Porto Alegre, São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador, no pior cenário que se possa imaginar, configurariam a derrota política expressiva que estão dizendo que seria.

 

Quantitativamente falando, em termos de coeficiente eleitoral, a parcela vitoriosa dos eleitorados dessas cidades menos a parcela derrotada produz um contingente de eleitores que pouco deve passar dos 5 milhões de pessoas num eleitorado que já passa muito da centena de milhão de eleitores.

 

Ao especular sobre o cenário mais sombrio de todos, ainda assim sobram motivos para relativizar uma improvável vitória completa dos conservadores no Nordeste, no Sul e no Sudeste do país. Até porque, seriam vitórias em centros urbanos densamente povoados e o excedente anti-Lula nesses centros, que permitiria tal vitória conservadora, numericamente não chega a ser representativo no conjunto do eleitorado brasileiro.

 

No limite, é bom lembrar que uma capital conservadora como São Paulo está presa num cinturão de grandes cidades limítrofes onde o grupo de Lula está vencendo. Além disso, o PFL e o PSDB sofreram uma expressiva redução no número de prefeituras que governam, enquanto que o PT foi o que mais ganhou. Essa redução das administrações municipais da direita, por paradoxal que seja, praticamente pôs fim ao partido de Gilberto Kassab.

 

A partir do ano que vem, o mal chamado Democratas não governará mais nada relevante – e até irrelevante – politicamente além de São Paulo. Um partido com um número desprezível de prefeituras perde em capilaridade e em capacidade de renovação de sua bancada federal, e isso terá reflexo na eleição do novo Congresso em 2010.

 

Contudo, não se pode subestimar o peso político e econômico dos governos conseguidos pela direita. Ainda mais quando se leva em conta que o grupo político de Serra controla todos os grandes meios de comunicação do país. 

 

A capacidade dessa gente de criar escândalos envolvendo seus adversários agora ganhará o apoio de dezenas de milhões de pessoas, entre as quais estão as mais influentes e poderosas do país, sem falar que os orçamentos dos governos estaduais e municipais do grupo de Serra conferem uma “capacidade de convencimento”  enorme a esse grupo.

 

A mídia se converteu numa arma de permanente bombardeio do grupo político de Lula.  Pode criar escândalos a partir do nada na hora que queira. Inventou um dossiê contra FHC, um grampo contra Gilmar Mendes e, ontem, para desmentir a menina Nayara, o assassino Lindemberg, os vizinhos “de parede” de Eloá e os peritos, todos os que afirmam peremptoriamente que não houve tiro antes da explosão, a mídia pôs no ar imagem de anônimos com rosto e voz distorcidos que dizem que houve o tal tiro.

 

Enquanto isso, o PT preferiu apelar para a principal arma da direita (difamação) em São Paulo, por exemplo, em vez de levantar um debate que esvaziaria o poder da mídia de se apresentar como juíza da partida, ou seja, dizer claramente à sociedade que a mídia é atriz no processo político. Que é jogadora, não juíza.

 

Se fizesse isso, o grupo de Lula anularia um importante ativo da direita. Bastaria ter usado o horário eleitoral em São Paulo para carimbar nas costas da mídia a pecha de partidária da direita no Brasil. Isso se espalharia como fogo, levantaria a militância.

 

Mas como fazer se Lula chega a ir prestigiar eventos da Veja? Como fazer se Marta Suplicy dá de bandeja a seus adversários a oportunidade de inverter os papéis de vítima e feitor do preconceito?

 

Lula continua acreditando que poderá ser aceito pela elite algum dia. E subestima o poder da mídia de fazer a crise internacional entrar mais no Brasil do que deveria, através daquele tipo de profecia auto-realizável na qual infunde-se desânimo e medo nos agentes econômicos, estes se paralisam e aos próprios negócios e, assim, vai se criando, artificialmente, uma situação recessiva que acaba por provocar quebradeira e desemprego...

 

Onde está o presidente Lula, que, até agora, não falou nem uma vez à nação, em cadeia nacional de rádio e tevê, sobre a crise no mundo rico? Por que ele deixa a mídia difundir esse pânico como quer?

 

Assim fica difícil, meus amigos. Não adianta eu exortar vocês para irmos às ruas protestar – e sem que se dê qualquer repercussão ao nosso esforço – enquanto o grupo de Lula contemporiza com a direita e dá à mídia o privilégio de poder se apresentar como juíza do processo político.

 

Corre um boato por aí, um boato que encanta até uma parte da esquerda, de que Lula quer queimar Dilma em 2010 para ele voltar nos braços do povo em 2014. Tenho uma certa dificuldade em aceitar essa hipótese. Será que Lula seria tão burro assim?

 

Serra pegando um país arrumadinho em 2010 – e com blindagem de uma mídia que o próprio PT e Lula sempre prestigiaram e pouparam de críticas –, o capo paulista pode se transformar no dono do país. Faria perseguições políticas usando as instituições do Estado e a mídia, aprovaria mudanças na Constituição que, além de tudo, permitiriam que se eternizasse no poder, e tudo isso, repito, com todos os grandes meios de comunicação apoiando – tevê, rádio, grandes portais de internet, jornais, revistas...

 

Em suma: o que querem que eu faça? Que fique aqui vertendo chavões pró-Marta ou anti-Kassab enquanto a petista e o resto do grupo político de Lula se acovardam diante da mídia? Melhor eu tratar de vender minhas pecinhas, porque os tempos ficarão bicudos se Lula e seu grupo não acordarem e partirem para o enfrentamento político. Se fizerem isso, estarei na linha de frente.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 13h10
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Denúncia

Os pais das meninas

 

 

 

 

 

 

Para os minimamente sensatos, não houve surpresa alguma na declaração pública de Nayara Rodrigues da Silva de que não ouviu tiro algum antes da explosão da bomba do Gate naquela fatídica sexta-feira da semana passada, apesar de que esse mesmo Gate continua desmentindo a menina, dizendo agora que ela “pode ter se confundido” devido à “situação” em que se encontrava.

 

Claro, um tirinho é coisa que a gente nem percebe direito. A gente não se lembra de um maníaco ensandecido atirando instantes antes de nos balear no rosto...

 

Mas o assunto não é esse. Na verdade, quero propor que analisemos um dado curioso sobre a cobertura desse caso pela mídia de José Serra, no que diz respeito aos pais das meninas, ao pai de Nayara e ao de Eloá.

 

Luciano Vieira da Silva é o pai de Nayara. A mídia o fez sumir depois que contou como foi maltratado por uma polícia cujos erros grosseiros nesse caso chamam quase tanta atenção quanto as mentiras escandalosas do coronel Eduardo José Félix, comandante do Gate que insiste na versão de que seu grupo invadiu o cativeiro por ter ouvido um tiro. Só quem fala é a mulher de Luciano, mais comedida ao falar do Gate.

 

Já no caso do pai da maior vítima de tudo isso, a jovem Eloá Cristina Pimentel, o alarde em torno de suspeita que surgiu em relação a ele, de ter participado de um crime de morte em Alagoas anos e anos atrás, revela a intenção de produzir reações que andou-se vendo em blogs e sites de esgoto por aí, atribuindo a tragédia com a menina ao fato de seu pai ser um criminoso, o que ainda carece de confirmação.

 

O mais trágico de tudo isso, é que nunca vi tantos elogios juntos ao Gate desde que foi criado. Há, nas tevês, nas rádios, nos portais de internet da mídia corporativa, nos jornalões e nos revistões a maior campanha publicitária pró-Gate que alguém já viu, junto a acusações reticentes a um grupo policial que cometeu erros nunca vistos em casos desse tipo, como o erro espantoso de devolver uma vítima a um seqüestrador psicótico, armado e irredutível.

 

Luciano, o pai de Nayara, de alguma forma já está sendo até confundido com o pai de Eloá, acusado de crimes, e que pode ser Aldo José da Silva (como se apresenta) ou Everaldo Pereira dos Santos (quem a mídia diz que ele é). Já ouvi gente rebater alusão que fiz ao pai de Nayara ter sido maltratado pela polícia de Serra com o “argumento” de que ele (Luciano) seria “bandido”.

 

A intenção da mídia é essa mesma, confundir, pois o pai de Nayara tem tanto a dizer sobre a forma de atuação do Gate – e de governadores de Estado que defenderam o grupo policial publicamente – quanto a menina ou sua mãe, que andou aparecendo na mídia junto com a filha.

 

De safadeza em safadeza, a mídia vai construindo a blindagem impetrável  da qual dotará aquele que, se se eleger presidente da República em 2010, fará um reinado de mil anos, tornando-se um presidente ao qual voz nenhuma poderá se levantar, cujos adversários serão soterrados por denúncias na mídia, um governante que poderá tocar fogo no país sem questionamento de qualquer espécie.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 00h01
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Comunicado - Saúde Pública

Vacina anti-febre amarela

matou 8 pessoas este ano

 

 

 Atualizado às 17h42 de 22 de outubro de 2008 

 

 

 

 

 

 

Recebi correspondência do Ministério Público Federal informando-me, na condição de presidente do Movimento dos Sem Mídia, do andamento da representação que fizemos naquela instituição denunciando possível crime de alarma social cometido pelas Organizações Globo, pelo Grupo Folha, pelo Grupo Estado, pela Revista Veja, pelo Jornal do Brasil, pela Revista IstoÉ e pelo Jornal Correio Brasiliense em janeiro deste ano.

 

A carta de rosto do MPF (supra reproduzida) veio acompanhada dos dados pedidos por aquele Ministério em julho deste ano ao Ministério da Saúde. Segundo informações do MS – e para meu espanto –, a situação é muito mais grave do que se suspeitava.

 

Vale ressaltar que a mídia, que tanto noticiou o surto previsível e sazonal de febre amarela ocorrido no início deste ano, agora esconde dados que mostram que a campanha midiática denunciando suposta epidemia de febre amarela causou quase tantas mortes e adoecimentos quanto a doença em si, pois aquela campanha estimulou a sociedade a se vacinar indiscriminadamente e disso decorreu que:

 

1 – O Sistema de Vigilância de Eventos Adversos Pós Vacina contra Febre Amarela registrou 53 ocorrências de casos suspeitos (de adoecimento devido à vacina)

 

2 – Destes, 23 pacientes foram hospitalizados por conta da vacina contra a febre amarela

 

3 – Dentre os 23 hospitalizados por causa da vacina, 8 (oito!!) pessoas morreram.

 

4 – Três dessas pessoas morreram por choque anafilático.

 

5 – Dentre os 15 eventos adversos não confirmados, 5 foram descartados e 10 outros estão sob investigação

 

6 – Houve surtos de febre amarela nos anos de 1984, 1993, 1999/2000, 2003, 2007/2008

 

7 – O surto de 2007/2008 foi inferior a todos os outros, apesar de a vacinação ter explodido neste último surto.

 

O material do MS prova cabalmente quanto foi atípico o comportamento da mídia neste ano apesar de que em todos os surtos anteriores houve muito mais casos de morte por febre amarela e muito menos casos de reação adversa à vacina.

 

O Ministério Público federal deu 20 dias úteis para o Movimento dos Sem Mídia se manifestar nos autos.

 

Pretendo começar a trabalhar já na resposta às defesas dos meios de comunicação que se manifestaram no processo e nas considerações que o Ministério Público nos facultou fazer sobre tudo que já se tem disponível em termos de evidências para a instalação de um Inquérito Civil contra os meios de comunicação supra mencionados.

 

Reproduzo, abaixo, o relatório do Ministério da Saúde. Posteriormente publicarei a íntegra do documento.

 

 

 

 

 

 

 

Do blog do Azenha

 

 

O Azenha, de novo, apóia nossa luta por uma mídia ética, plural e apartidária. Para ler o editor do blog Vi o Mundo, clique aqui

 

 

Discurso de Lula na Carta Capital

 

 

Exibo, abaixo, fala do presidente da República, senhor Luiz Inácio Lula da Silva, em evento recente na revista Carta Capital. Diz nosso amigo Azenha que o Lula disse, neste vídeo, o mesmo que venho dizendo aqui sobre os torcedores da crise. Julgue você mesmo assistindo o vídeo abaixo.  



 Escrito por Eduardo Guimarães às 14h48
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Crítica à mídia

‘Politizar’ tragédias

 

   

 

 

Chega às raias do inacreditável o caradurismo da mídia e da oposição tucano-pefelê. Os mesmos que trataram de explorar montes de tragédias para lucrar politicamente, distorcendo fatos, tirando conclusões apressadas e vomitando acusações injustas, agora, diante da incompetência criminosa da polícia paulista, indignam-se com as acusações amplamente fundamentadas ao caos na Segurança Pública de São Paulo, cuja última vítima foi a menina Eloá, que teve a vida ceifada por ação desastrada de uma polícia mal paga e mal treinada.

 

Este blog funciona como um arquivo histórico, agora me dou conta. Permite que, ao menos em questões políticas, voltemos no tempo e resgatemos a história. Foi assim que achei prova da hipocrisia da mídia, da oposição tucano-pefelê e dos indignados de fachada que têm vindo aqui defender a polícia inepta e criminosa de Serra e se “indignar” com a “politização” do episódio trágico que pôs fim à vida de uma menina de 15 anos.

 

Post publicado aqui em 17 de julho de 2007, o trágico dia em que um avião da TAM se estatelou contra um prédio em frente ao aeroporto de Congonhas, em São Paulo, mostra bem a “coerência” dos farsantes que agora “denunciam” o que dizem ser “politização” da tragédia envolvendo as meninas Eloá e Nayara. Eu estava no Peru, quando fiquei sabendo do desastre.

 

Eis o post:

 

Abutres politiqueiros

 

Quando, ao fim de um dia de trabalho aqui em Lima, cheguei ao hotel e liguei o computador em busca de notícias sobre o Brasil e mensagens da família, meu coração quase saltou pela boca ao ver a notícia sobre a tragédia do avião da Tam. Sobretudo ao ver que o avião saiu da pista e invadiu a Avenida Washington Luis, porque eu e minha família moramos a quatro quilômetros do aeroporto de Congonhas. E minha mulher, minha filha e meu genro passam em frente dele todos os dias, entre segunda e sexta-feira. 

 

Desesperado, peguei o telefone e liguei para casa. Minha mulher, calma, atendeu. Perguntei se tinha notícias de nossa filha casada e de meu genro e ela me tranqüilizou dizendo que estavam todos bem.

 

Passado o susto, liguei a tevê e  sintonizei na Globo internacional. Vejo o impassível Willian Bonner começando a apresentar reportagem sobre outros acidentes de aviões que derraparam na pista do aeroporto de Congonhas nos últimos anos.

 

Apesar de aquele aeroporto ter décadas e décadas, o relato dos acidentes partiu de 2003, primeiro ano do governo Lula. Até pareceu que antes daquele ano nunca tinha havido nenhum acidente do tipo naquele aeroporto. Mas no finzinho, bem no finzinho da reportagem, uma breve menção sobre o acidente ocorrido em 1996, quando outro avião da Tam caiu sobre casas após uma decolagem malsucedida.

 

Horrorizado, assisti ao resto do telejornal. Certamente haverá dezenas e dezenas de mortos. Famílias serão destruídas. Pais perderão filhos, filhos perderão pais, mulheres os maridos e maridos suas mulheres... O sofrimento e o desespero das famílias em Porto Alegre (origem do vôo catastrófico), em São Paulo e, certamente, em várias outras partes das quais provinham os passageiros ainda está no auge e já vejo os abutres politiqueiros da mídia tentando faturar politicamente o acidente.

 

Ainda não se sabe direito o que aconteceu. Pode, como estão dizendo os sites da oposição tucano-pefelista  (Noblat, Reinaldo Azevedo, UOL etc), ter sido a pista de Congonhas a causa do acidente. Também pode ter sido algum problema do avião. Há muitas hipóteses e nenhuma certeza.

 

No momento, portanto, o que deveria importar a pessoas decentes, a seres humanos dignos da designação, seriam aqueles que estão desesperados por seus entes queridos, os passageiros do avião e os que estavam no prédio da própria TAM atingido pelo bólido desenfreado. Mas os abutres politiqueiros da mídia só pensam naquilo.

 

Deixemos esses arremedos de ser humano para lá. Façamos uma pausa para orar ou, para quem não tem fé, ao menos para enviarmos vibrações positivas aos atingidos diretamente pela tragédia. Haverá muito tempo para pensarmos no que aconteceu quando a dor das vitimas se acalmar e quando já houver subsidio para se afirmar qualquer coisa sobre o acidente (...).

 

Nas tevês, nos jornais, nas rádios, na internet, em todos os meios de comunicação, enquanto cerca de 200 pessoas ainda queimavam vivas dentro do avião todos os grandes veículos de mídia se dedicavam a decretar a causa do acidente: a pista de Congonhas não tinha “grooving” (ranhuras antiderrapantes em pistas de pouso). Ou seja: a culpa do acidente era de Lula.

 

Dois dias depois do acidente, a Folha de São Paulo publica, em sua primeira página, em destaque, artigo de um obscuro “psicanalista”, colaborador do jornal, acusando o governo Lula de ter assassinado as duzentas vítimas do desastre aéreo.

 

A irresponsabilidade do jornal foi tanta, a pressa em faturar politicamente em cima dos cadáveres ainda fumegantes foi tanta, que o então ombudsman do jornal, Mário Magalhães, publicou a seguinte crítica ao artigo criminoso do tal psicanalista:

 

Com a fumaça ainda enevoando a tragédia, o psicanalista Francisco Daudt, colunista da Revista da Folha, escreveu, fora do seu espaço habitual, um artigo publicado no dia 19 de julho.

Começava assim: "Gostaria imensamente de ter minha dor amenizada por uma manchete que estampasse, em letras garrafais, "GOVERNO ASSASSINA MAIS DE 200 PESSOAS". [...] O que ocorreu não pode ser chamado de acidente, vamos dar o nome certo: crime".

Pelo que se sabe hoje, a gestão aeroportuária não foi determinante para o desastre.


No dia 20, o escritor e piloto Ivan Sant'Anna disse em artigo que o Airbus estava "arremetendo" (tentando levantar vôo) quando bateu. No dia 23, o diretor de teatro Gerald Thomas bancou que o piloto da TAM "tentou arremeter".

Até agora, os fatos divulgados sugerem o contrário.

A Folha ganharia se não restringisse aos seus jornalistas a orientação de não firmar "certezas" técnicas sem comprovação sobre acidentes aeronáuticos. A norma deveria se estender aos articulistas convidados.

 

Magalhães tinha razão. Os laudos técnicos posteriores acabaram mostrando que o avião da TAM apresentou defeito, o que desencadeou a tragédia. Não foi por outra razão que a pretendida queda de popularidade de Lula não aconteceu depois do noticiário massacrante que durante semanas tentou atribuir ao presidente a culpa pelo desastre.

 

Agora, quando se tem certeza absoluta de que houve erros escandalosos de uma polícia despreparada, mal treinada e sem equipamentos, e que esses erros mataram uma criança de 15 anos e feriram outra gravemente, os mesmos veículos tratam o assunto com todo cuidado desde o primeiro minuto e após as evidências escandalosas de erro, chegando ao ponto de censurar o pai de Nayara, tratado a pontapés pela polícia enquanto via sua filha ser recolocada nas mãos do maníaco que atirou nas duas meninas.

 

Mas o mais revoltante é ver pessoas comuns agirem com tanta hipocrisia quanto a mídia. Uma dessas pessoas, comentarista antigo deste blog, escreveu aqui hoje que eu estaria “politizando” a tragédia de Santo André. Vejam o que ele escreveu:

 

Estatística: Desde 1998, nas ocorrências atendidas pelo GATE,  apenas 2 reféns morreram. Houve este caso aí e outro em 2006, do marceneiro que matou a amante sem que a polícia pudesse fazer qualquer coisa. Durante esse mesmo período, no total outros 47 reféns foram libertados ilesos. Agora o sr (e outros de plantão) pegam esse caso ai no auge da comoção popular e vêm aqui utilizá-lo politicamente pra atacar a polícia paulista e por tabela o governo de São Paulo como um monte abutres em cima da carniça. O pior é que os mesmos que fazem esse tipo de joguinho rasteiro se revoltaram ha um tempo atrás quando tentaram imputar a culpa de colocarem aquela menina na mesma cela com homens na governadora petista. Francamente, lastimável. Sebastião | sp | eng | 

 

Agora, leiam o que o mesmo sem-vergonha escreveu enquanto as vítimas ainda morriam queimadas vivas dentro do avião.

 

Justo no governo Lula tivemos, no espaço de menos de um ano, os dois maiores acidentes aéreos de todos os tempos no país, matando centenas de pessoas. Coincidência, não é mesmo? Mas ainda dá tempo de voltar atrás. Retirar todos os incompetentes e corruptos da Infraero, e dos demais órgãos da gestão aérea, feitos por loteamento político, e colocar gente competente, como era anteriormente, para evitar que mais tragédias aconteçam. Se o sr presidente tivesse um mínimo de bom senso, a primeira coisa que ele deveria fazer seria demitir o sr Waldir Pires e toda diretoria da Infraero. Mas, pelo jeito, no final das contas, vão por a culpa no piloto por essa tragédia anunciada. [Sebastião] [sp] [Eng]

 

 

Do blog de Rodrigo Vianna

 

 

 

Do blog Óleo do Diabo

 



 Escrito por Eduardo Guimarães às 11h38
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Crônica

O coração de Eloá 

 

 Atualizado às 19h14 de 20 de outubro de 2008

 

 

 

 

Não consigo entender por que alguém morre aos quinze anos. Deveria haver uma lei da natureza que impedisse um ser humano de partir da vida tão cedo.

 

Aos quinze ainda não estamos definidos como seres completamente desenvolvidos. Temos, dentro de nós, uma luta feroz entre a infância e a maturidade.  Podemos mudar, melhorar como pessoas... Ou piorar, claro. Mas temos uma chance admissível de melhorar.

 

O coração de Eloá tirou-lhe a vida ao florescer para o amor a quem não devia.  Pulmões arfaram e olhos resplandeceram de perplexidade diante da ânsia incontida de viver da caboclinha de sorriso fácil.

 

Daí Eloá foi arrebatada pelo egoísmo e pela loucura de um séquito de homens e de interesses que em nenhum momento a levaram em conta, fazendo dela parte de seus próprios anseios, ambições e delírios, fossem de amor ou de pax política.

 

Ela deixou o mundo antes de usar sua chance. Mas olhos, pulmões e o coração de Eloá continuarão vivos em outros, que agora verão e sentirão a vida de uma forma mais apaixonada, da forma dos que receberam a chance que roubaram da menina.

 

 

*

 

De sexta-feira para cá, desde que aconteceu aquela tragédia com as duas meninas em Santo André, deixei-me chorar duas vezes. A primeira, foi quando as vi saindo de maca do prédio em que foram mantidas cativas, e a segunda, foi hoje falando sobre elas com um amigo ao telefone. Por isso escrevi esta crônica, por Eloá, que poderia ser minha filha.

 

Mídia enterra Eloá para salvar Serra

 

 

Podem procurar nos grandes portais de internet: o caso Santo André saiu totalmente de evidência. Portais como o IG já nem noticiam mais o assunto na primeira página, e desapareceram  as críticas ao trabalho da polícia.

 

Enquanto isso, acumulam-se provas de que Lindemberg só disparou contra as garotas Eloá e Nayara depois que a polícia invadiu o apartamento onde ele as mantinha cativas.

 

1 – vizinha “de parede” de Eloá disse que só ouviu tiros depois que a polícia invadiu o apartamento onde acontecia o seqüestro.

 

2 – Lindemberg confirma essa versão em depoimento.

 

3 – peritos afirmam que não houve tiro nenhum antes de a polícia explodir a porta do apartamento onde ocorria o seqüestro.

 

4 – família de Nayara desmente comandante da PM e nega que pai ou mãe de Nayara tivessem autorizado sua volta ao cativeiro.

 

Se ninguém fizer nada, tudo será abafado. Sobretudo depois que o governador José Serra elogiou a ação da polícia nesse caso.

 



 Escrito por Eduardo Guimarães às 16h34
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Análise econômica

CVM investiga perdas com

dólar das empresas S. A.

 

 

 

 

 

 

Tradução

 

Já abordei o assunto com vocês recentemente. Depois do pico da crise americana, há alguns dias, três grandes empresas anunciaram perdas com operações de derivativos atreladas ao dólar: Aracruz, Sadia e Votorantim.

 

Derivativos são instrumentos financeiros originados de um outro ativo para liquidação em uma data futura. Seus valores e características de negociação estão relacionados a ativos como dólar ou ações. Essas operações não exigem liquidação financeira no momento do fechamento.

 

É um cassino: eu aposto contra o dólar, como fizeram essas empresas, e, se ele cair, eu ganho, e, se subir, terei que pagar a cotação mais alta da moeda americana e, portanto, perco.

 

Eu já tinha dito que a CVM deveria investigar essas operações, porque as empresas que fizeram tal oposta assumiram risco incompatível com os que uma empresa de capital aberto (com ações negociadas em bolsa de valores) pode assumir sem reunião de acionistas com direito a voto.

 

Ou seja: o investidor em papéis preferenciais (sem direito a voto) foi lesado por uma decisão arbitrária da direção da empresa de arriscar o patrimônio de todos numa operação de alto risco.

 

Muitos que dizem que a crise chegou ao Brasil estão usando má gestão de empresas como exemplo.

 

Quero reiterar novamente, para que fique bem clara minha posição, que a economia do Brasil é sólida e que a turbulência externa deverá nos afetar muito menos do que estão dizendo. E o desaquecimento da economia que ocorrerá, será até positivo.

 

O Brasil vinha tomando medidas para conter o aumento exagerado da atividade econômica, que já começava a provocar pressões inflacionárias.

 

Em algumas semanas será resolvida a questão do crédito para a agricultura e para as exportações, entre outros setores afetados pela escassez de crédito decorrente do pânico financeiro nas bolsas mundiais.

 

O desaquecimento econômico previsto só poderá ser avaliado quando os agentes econômicos voltarem a analisar fatos concretos em lugar das previsões alarmistas e do medo do desconhecido. Pode ser que tal desaquecimento seja até insuficiente diante do que se pretendia para conter a inflação.

 

Volto a vaticinar que os precipitados se darão conta do que lhes custou dar ouvidos à mídia e à oposição tucano-pefelê, e ficarão com muita raiva deles. A direita irá quebrar a cara. De novo.

 

 

 



 Escrito por Eduardo Guimarães às 15h18
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Convocação de ato público

Como enfrentar a mídia

 

 

 

No post que publiquei no sábado sob o título “Reajamos, brasileiros!”, prometi-lhes apresentar propostas sobre atos públicos e outras formas de protesto contra o que a mídia está fazendo sobretudo em São Paulo, com vistas a viabilizar a candidatura de José Serra à Presidência da República.

 

Quero esclarecer que não se trata de política, como parece à primeira vista, mas do direito inalienável do cidadão à informação de qualidade, de podermos contar com meios de comunicação – muitos dos quais se financiam também com dinheiro público, apesar de serem privados – para que fiscalizem o poder.

 

Ora, imaginem vocês transportarmos a situação de São Paulo para o plano federal. Imaginem só um governo ao qual a mídia seria submissa, como era no tempo de FHC, e lembrem-se do que já nos custou termos o país governado por alguém que não dava satisfação de seus atos porque tinha todos os grandes meios de comunicação no bolso.

 

Diante disso, vendo como se agrava a blindagem do governo José Serra pela mídia e do que está custando a São Paulo ter o governo do Estado acima de críticas por força da censura dessa mídia a qualquer questionamento ao mandatário, estou propondo manifestações públicas como forma de denunciar à sociedade o comportamento partidarizado de seus meios de comunicação.

 

Fiz a proposta no sábado e muita gente se disse disposta a se engajar nela. O post, até o momento em que escrevo, recebeu 156 comentários.

 

Isso se explica porque muitos estão fartos do jornalismo desonesto e de baixa qualidade que se faz hoje no país e pelo risco que corremos de ver implantada uma ditadura midiática em dois anos e pouco, caso chegue ao poder o candidato daquela mídia.

 

Surgiram muitas idéias. Quero, pois, sugerir que leiam não só o post, mas os comentários dos leitores sobre ele. O texto versou sobre proposta que fiz de tomarmos alguma atitude.

 

Alguns sugeriram que se comece a fazer alguma coisa por São Paulo. Outros, inclusive, dispuseram-se a vir até aqui para protestar. Propuseram fundar jornais, enviar correntes de e-mail, fazer panfletagem, convidaram-me para falar a sindicatos e associações, propuseram-se a falar a estes, enfim, há idéias para todos os gostos e ânimos.

 

Em minha opinião, devemos fazer tudo isso ao mesmo tempo, mas depois. Primeiro, deveríamos discutir uma manifestação em São Paulo diante de um grande meio de comunicação. E sugiro que seja diante da Folha de São Paulo, outra vez – convoquei e aconteceu manifestação ali em setembro do ano passado.

 

De longe, a Folha tem sido o jornal de caráter nacional que mais tem se submetido a manipulação política. O Estadão ou o Globo, os outros dois grandes jornais de alcance nacional, podem ser mais conservadores, mas não são tão vassalos de Serra quanto a Folha.

 

E a questão é justamente essa. Um meio de comunicação ser conservador é direito dele e lê ou assiste esse meio quem quiser, mas pela importância social que têm os grandes veículos e pelo dinheiro público que todos os grandes recebem, devem dar voz a todos e não se submeterem ao poder nem se tornarem instrumentos da oposição ao poder.

 

No caso da Folha, o jornal não se limita a cercear o contraditório e manipular informações por seu conservadorismo, apenas, ou só por suas simpatias políticas. Esse veículo atua como panfleto escrito e controlado pelo governador de São Paulo.

 

Além disso, conforme experiências que já tive em manifestações, é muito importante para que tenham sucesso que os locais escolhidos sejam de fácil acesso numa cidade de difícil locomoção como é São Paulo.

 

Mas aqui está o post, aberto a discussões que devemos travar sobre se queremos mesmo nos manifestar – e acho que deveríamos -, quando queremos nos manifestar, onde queremos nos manifestar e até se essa é a forma pela qual queremos nos manifestar.

 

Minha opinião vocês conhecem e eu sempre estarei disposto a tomar atitudes, até porque acho que se não as tomarmos as coisas irão piorando, as manipulações da mídia irão se tornando mais ousadas e, como está acontecendo em São Paulo, em que pesem as diferenças para outras partes do país, não se pode correr sentado o risco de ver o Brasil se transformar numa ditadura midiocrata gerida por um ditador a quem não será permitido qualquer questionamento, como aconteceria se a mídia colocasse José Serra na Presidência.

 

Então quero fazer um ato bonito em São Paulo, que chegue a outras partes do país, que caia na internet e no boca a boca e que estimule outros de outras partes a se organizarem para protestar. Suponho que é enorme o número de brasileiros descontentes com a mídia, mas estão dispersos. Nosso trabalho será aglutiná-los.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 00h01
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Denúncia

Mídia censura pai

de Nayara 

 

A orquestração dos grandes meios de comunicação para impedir que se conheça os fatos sobre a ação inepta da polícia militar paulista que terminou em tragédia na última sexta-feira chega às raias do inacreditável num país democrático em que a Constituição garante o direito à informação e à liberdade de expressão.

 

Venho a vocês, cidadãos e cidadãs de todas as partes deste país, denunciar um processo claro de violação dos direitos constitucionais de um nosso congênere, o cidadão Luciano Vieira da Silva, pai de Nayara, vítima do seqüestro em Santo André que lhe custou um tiro no rosto.

 

Grandes meios de comunicação como a Rede Globo e o jornal Folha de São Paulo, entre outros, vêm mentindo e censurando o senhor Silva e divulgando flagrante mentira do comandante da operação policial da qual as meninas de Santo André foram vítimas, o coronel Eduardo José Felix, que, por mais de uma vez, afirmou na tevê que recebeu autorização dos pais de Nayara para que ela voltasse ao cativeiro em que Lindemberg Alves, o seqüestrador, mantinha Eloá, sua ex-namorada, que viria a assassinar. 

 

No vídeo acima, você pôde assistir parte da cobertura do mesmo Jornal Nacional no qual o comandante da PM já afirmara que teria recebido autorização dos pais de Nayara para enviá-la para negociar com o seqüestrador, apesar de que tal decisão, por força da lei, não cabia a ninguém – nem aos pais, nem às autoridades –, porque as leis vedam que se exponha menores de idade a risco daquela envergadura.

 

Não se consegue entender como é possível que alguém que tenha tanto a revelar quanto o pai de Nayara não tenha tido espaço na tevê igual ao que foi concedido à PM paulista e ao seu chefe, o governador José Serra, para o pai da moça dizer tudo que havia dito ao jornal O Estado de São Paulo, que furou o resto da grande mídia de Serra e deixou escapar (com mínima visibilidade) matéria na qual ficam claras a ilegalidade da ação da PM e as mentiras contadas por seu comandante.

 

Vejam o que o pai de Nayara havia dito ao Estadão:

 

O Estado de São Paulo

 

Pai de Nayara foi expulso de QG de negociações

 

O pai de Nayara, o metalúrgico Luciano Vieira da Silva, foi expulso na noite de anteontem da Central de Negociações da Polícia Militar, montada em uma escola estadual ao lado do conjunto habitacional onde a jovem Eloá era mantida refém pelo ex-namorado desde segunda-feira. Ele cobrava informações da filha. Estava nervoso. Parecia inconformado com a volta da menina ao cativeiro. Previu o pior. Sua filha foi atingida na operação de resgate, machucou a boca, sangrou, mas passava bem.

Silva chegou ontem ao local do seqüestro por volta do meio-dia. Ainda não havia obtido informações sobre a filha. Nayara foi feita refém por Lindembergue Alves juntamente com Eloá. Depois de 33 horas de terror, foi solta. Anteontem, porém, o Comando da Operação decidiu atender o pedido do seqüestrador e mandou Nayara de volta ao apartamento que servia de cárcere. A manobra foi chamada pela policia de "estratégia de negociação".

A última informação que Luciano Vieira da Silva teve da filha foi dada às 23h30 de anteontem, quando discutiu com policiais militares porque queria conversar com o chefe do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate), que comandava as tratativas com Lindembergue Alves. Diante da recusa, o metalúrgico se revoltou. Disse que iria procurar seus direitos. Ainda segundo ele, um dos policiais do Gate o avisou para parar de reclamar e de gritar. Estava atrapalhando. Todos ficaram nervosos. "Foi quando ele me disse para eu procurar os meus direitos e me mandou embora."

Expulso do local, Luciano Vieira da Silva foi escoltado por homens da Tropa de Choque até o cordão de isolamento. Juntou-se aos comuns. O avô da menina, José Vieira da Silva, de 61 anos, presenciou a história. Vieira chegou a chamar a operação de "palhaçada". "É a primeira vez que eu vejo uma pessoa que foi refém e acabou libertada do seqüestrador voltar ao cativeiro."

POR CONTA PRÓPRIA

Ele garantiu que os negociadores não pediram autorização para mandar sua filha de volta. Soube somente por uma emissora de televisão que a menina retornaria ao apartamento da família de Eloá. O pai foi informado pelo Comando das Operações que Nayara não era considerada refém. O Secretário Geral do Conselho Estadual de Direitos Humanos (Condepe), Ariel de Castro Alves, avisou Vieira da Silva que sua filha não poderia ter voltado nem com sua autorização.

O comandante da operação alegou que Nayara decidiu voltar ao cativeiro por conta própria. A notícia não foi confirmada pelo seu pai, que ontem ainda buscava informações sobre o que ocorreu.

 

A matéria do Estadão se coaduna com outra divulgada pelo Portal Terra que diz o seguinte:

 

Terra

 

Pai de Nayara desmente PM

 

O pai da adolescente Nayara, Luciano Vieira da Silva, afirmou que nem ele nem a mãe da menina autorizaram a entrada dela no apartamento da amiga Eloá, feita refém pelo ex-namorado desde as 13h30 de segunda-feira. A ação ocorre em um conjunto habitacional de Santo André, na região do Grande ABC Paulista.

 

"Isso é uma palhaçada. Eu nunca vi uma coisa dessas", disse Silva. De acordo com ele, Nayara teria entrado no apartamento por sua vontade, além do pedido do próprio suspeito. O pai afirmou que tomará providências junto ao Conselho Tutelar. Silva disse ainda que foi expulso da base da Polícia Militar após pedir satisfações ao comando da corporação sobre a situação da filha. (...)

 

Mais escandalosa, porém, é a “entrevista” com o pai de Nayara publicada neste domingo pela Folha de São Paulo. Em três parágrafos, o jornal reproduziu declarações lacônicas do pai da menina que contrariam a indignação que ele vinha manifestando e que levam a crer em manipulação de tal “entrevista”. Vejam:

 

Folha de São Paulo

 

FOLHA - O sr. já teve contato com sua filha? Como foi?

LUCIANO VIEIRA DA SILVA - Estive no hospital pela madrugada [de ontem] e já até conversei com ela. Graças a Deus, foi um alívio. Conversamos apenas sobre a cirurgia, que correu tudo bem. Ela estava tranqüila, mas sedada. Por isso, não conseguia falar normalmente.

 

FOLHA - O que o sr. achou do fato de ela ter voltado ao apartamento, para ajudar na negociação?

SILVA - Só gostaria de falar disso depois de conversar com ela sobre o assunto. Por enquanto, só falamos sobre a cirurgia.

 

FOLHA - O sr. teve problemas para receber informações de sua filha quando ela voltou ao apartamento onde Eloá era feita refém?

SILVA - O problema foi anteontem [quinta-feira]. Fiquei o dia todo na escola onde a polícia montou sua base, procurando informações. Ninguém me falava nada. Isso aumentava muito a nossa aflição.

 

Como se não bastasse a mentira repetida várias vezes na tevê e nos jornais pelo comandante da PM de que “os pais” de Nayara teriam dado “permissão” para ela ser colocada de novo ao alcance do seqüestrador que a tinha libertado pouco antes, outra afirmação também tem sido repetida incessantemente pelo mesmo comandante: a polícia teria invadido o apartamento porque Lindemberg teria disparado sua arma. Notem, no vídeo abaixo, que a Globo submeteu o vídeo da ação da polícia a peritos que afirmam que Lindemberg só disparou sua arma depois de a polícia ter explodido a porta do apartamento. Porém, a emissora não pede aos peritos que digam se houve mesmo algum disparo antes da invasão, mesmo sendo óbvio que isso não aconteceu.

 



 Escrito por Eduardo Guimarães às 14h59
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