Análise política internacional

Obama, o ‘erro’ virtuoso

 

 

 

 

 

Há um fato que me impressiona sobremaneira no processo eleitoral em curso nos Estados Unidos: em qualquer outro país em situação igual, o candidato do partido que estivesse no poder não teria a mínima chance de vitória.

 

George Walker Bush é o presidente mais mal avaliado da história americana. Jogou o país que governa numa guerra que, a exemplo da do Vietnã, não pode ser vencida, e que precisa terminar devido aos custos financeiros e em vidas que está gerando.

 

Hoje, os Estados Unidos são mal vistos no mundo inteiro. Há fartura de dados estatísticos que provam isso. O governo republicano destruiu a imagem do país no mundo.

 

A economia americana é um desastre. A pobreza só tem feito aumentar no país mais rico que há. As empresas estão quebradas. O desemprego explode. Virou rotina perguntar de que adianta ser tão rico e poderoso se não se é capaz nem de dar uma condição mínima de vida ao conjunto de uma sociedade.

 

No entanto, é pequena a vantagem de Barack Obama sobre John McCain nas pesquisas. A pergunta que surge, portanto, é meio evidente: por que? O que explica que praticamente metade do povo americano pretenda manter no poder uma facção política tão incompetente e equivocada?

 

É fato que a campanha de McCain tem tido um sucesso em diferenciar o candidato republicano do governo Bush que só não é mais completo porque há uma pequena diferença pró-Obama nas pesquisas, de maneira que essa vantagem diminuta, por si só, já é uma grande vitória, pois nos debates que assisti entre os candidatos à presidência dos EUA, o continuísmo conservador de McCain ficou claríssimo.

 

É óbvio que o que está impedindo Obama de abrir uma vantagem maior sobre McCain é a cor da pele do candidato democrata. Concordo, pois, com a teoria de que muito mais conservadores americanos poderiam ser convencidos a tentar uma nova estratégia para o país se Obama fosse branco.

 

Toda argumentação sobre um suposto “esquerdismo” de Obama é um biombo para esconder que a questão é puramente racial no país que deve ter o maior contingente de racistas do planeta – numericamente falando, e não proporcionalmente.

 

Olhando por esse prisma, a escolha de Obama, em lugar de Hillary Clinton, foi um erro. Se a candidata do partido democrata fosse uma branca rica, à esta altura a eleição estaria definida.

 

Contudo, a ousadia de lançar Obama candidato à sucessão de Bush, por erro estratégico que possa ser, constituiu-se numa escolha virtuosa, que, se vingar, terá poder de mudar a péssima imagem dos EUA hoje no mundo, tanto pelo simbolismo da imagem de Obama quanto pelas propostas dele de substituir o uso da força pela negociação.

 

Essa má imagem americana, porém, em certa medida é injusta, pois os crimes e trapalhadas dos republicanos são rejeitados por cerca de metade do eleitorado. Disso se depreende que enorme parte daquela sociedade está consciente dos erros que vêm sendo cometidos.  

 

A mídia daqui relata que pode haver um voto “enrustido” dos racistas. Esse voto envergonhado derrotaria Obama.

 

Não duvido. Acho que ninguém duvida disso. E nós, que não somos eleitores naquele país, nada podemos fazer. Só nos resta torcer para que os americanos de mente sadia consigam fazer prevalecer a verdade, a justiça e o senso de humanidade entre a maioria do povo dos Estados Unidos da América.

 Escrito por Eduardo Guimarães às 17h09
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Pedido aos leitores

Aventura na Austrália

 

A garota da foto acima é a minha segunda filha, Gabriela. Parece uma adolescente, não é? Bem, pelo menos é o que eu acho. Mas essa meninina tem 22 anos e em dois meses e pouco deixará o Brasil por pelo menos um ano. Irá estudar na Austrália. Viajará com o namorado e o irmão dele.

O objetivo maior da Gabi é tornar-se fluente em inglês. Para isso, trabalhou os dois últimos anos poupando cada centavo do que ganha como secretária da presidência de uma associação médica. Ela é determinada, corajosa, articulada. É um orgulho, para mim.

Estou falando dela porque estou bem preocupado. Não é porque não confie nela. É coisa de pai babão mesmo. Quando vejo essa mocinha tão frágil embarcando para o outro lado do mundo para ralar de manhã até de noite para se manter num país estranho, famoso por explorar o trabalho de imigrantes do Terceiro Mundo até a última gota de sangue deles, não consigo evitar as preocupações.

Há alguns meses, mencionei a viagem da Gabi aqui no blog e vários brasileiros que moram na Austrália comentaram que poderiam dar dicas à minha menina e aos seus amigos, e que, talvez, poderiam quem sabe colaborar com eles em alguma coisa.

Sei que as comunidades de brasileiros no exterior são muito unidas. E sei, também, o quanto é duro estar numa terra que não é a nossa...

Apesar de já me terem dito que o que não falta na Austrália são empregos subalternos para imigrantes terceiro-mundistas, não custa dizer aqui que o que minha filha e seu grupo mais precisarão por lá, num primeiro momento, serão empregos menos penosos, que não explorem (demais) os empregados.

A Gabi se estabelecerá em Sidney. Se alguém souber de alguma coisa que possa ajudar minha filhinha, ficarei eternamente agradecido. A dor da separação será menor se eu puder ter alguma certeza de que as crianças não correrão risco ou não passarão privações na Austrália, apesar de estarem preparados para a viagem - inclusive financeiramente.

Conto com informações e antecipadamente fico grato a quem puder fornecê-las.   



 Escrito por Eduardo Guimarães às 19h26
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Análise política internacional

Por que apóio Obama

 

 Atualizado às 17h55 de 31 de outubro de 2008

 

 

Como se não bastasse todo o simbolismo contido na aparentemente provável eleição de Barack Obama, e como se não bastasse ele prometer pôr fim a uma das campanhas militares americanas mais estúpidas que já se viu, a do Iraque, agora tive certeza de que a mídia brasileira prefere o republicano John McCain ao candidato democrata à presidência dos EUA.

 

Tomemos como exemplo o Jornal da Globo, apresentado pelo casal Willian Waack e Cristiane Pelajo: não é que vi a parte masculina do casal-âncora torcendo desabridamente contra Obama e fazendo uma declaraçãozinha dissimulada e fugaz de apoio a McCain? Do mesmo Waack que, de longe, é o campeão de caras e bocas do jornalismo global. Ele falava diretamente de Washington, de onde parece que cobrirá o pleito americano.

 

Pelo visto, Pedro Bial, que é quem vinha fazendo aquela cobertura, está por demais imparcial para o gosto do “Ratzinger” global, Ali Kamel.

 

O fato é que o “ancora” reacionário insinuou ontem à noite (quinta-feira) que Obama faz promessas que não pode cumprir, numa alusão velada ao bom e velho “populismo” que a direita usa para rotular os políticos da esquerda. Enquanto isso,Waack dedicava a John McCain uns tais poderes de “mágico”, dizendo que ele pode virar o jogo porque a campanha de Obama teria enveredado pelo “já ganhou”.


O viés anti-Obama na mídia não se restringe a Waack, mesmo que poucos meios de comunicação e "formadores de opinião" ousem assumir o que parece cada vez mais lógico, ou seja, que o estilo neocon americano, importado pela mídia daqui, tem que ver com o partido dos neocons, isto é, com o partido republicano - e, claro, com seu candidato a suceder o presidente George Bush, John McCain.

 

Há verossimilitude em minha teoria. Vejam que a guerra da mídia nacional contra Hugo Chávez e contra todos os outros governantes latino-americanos - ou de qualquer outra parte - que desafiam Bush revela a influência dos falcões de Washington sobre essa mídia.

 

Provavelmente vocês se lembram do comercial da campanha de McCain (acima) que o site do Luiz Carlos Azenha reproduziu faz algum tempo, no qual os republicanos reproduziram discurso do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, em que este expulsou o embaixador dos EUA. Foi logo depois do início dos ataques da oposição boliviana ao presidente Evo Morales, recentemente. O comercial republicano pergunta  ao eleitor americano o que Obama quer falar com Chávez.

 

Ocorre que a proposta de Obama tem sido a de distender as relações tensas dos EUA com o resto do mundo, e considera “um erro” a guerra do governo Bush contra os ditos “populistas” latino-americanos.

 

Aliás, nesse contexto, note-se que o próprio Fidel Castro, o próprio Chávez e até o próprio Lula vêm apoiando e elogiando abertamente Obama, pois sabem que sua eleição pode significar o início de diálogo entre os “populistas” latino-americanos e os EUA, bem como o fim de iniciativas golpistas americanas na América Latina, como essa última que se viu na recente crise na Bolívia.

 

Aliás, eu não me surpreenderia se descobrisse que durante esses anos todos andou vindo algum apoiozinho financeiro do governo Bush para meios de comunicação latino-americanos, para que demonizassem um Chávez, um Morales, um Correa etc.

 

A inflexão político-ideológica latino-americana à esquerda é um problema muito mais dos neocons, que são republicanos, do que dos democratas. Até porque, as divergências do atual governo dos EUA com um Chávez da vida são muito mais ideológicas do que de qualquer outra natureza, pois não se conhece nenhuma medida do governo venezuelano que tenha violado os “sagrados” interesses americanos.

 

É preciso extremo cuidado com o antiamericanismo, pois este é tão ruim quanto o antipetismo, o anti-lulismo, o antiesquerdismo etc. Tudo que é irredutível, insensato, intolerante, é ruim, e o antiamericanismo, em alguma medida, é também tudo isso. É preconceito.

 

O povo americano não é mau, os que são maus são alguns americanos muito poderosos. Já conheci americanos magníficos, de idéias arejadas, humanistas.

 

Mas quem assistiu ao Jornal da Globo de ontem à noite e viu a reportagem sobre a América “empobrecida” sabe que há muitos entre aquele povo que não aprovam o tipo de país que são os EUA, um tipo de país que teve as entranhas injustas abertas à visitação pública diversas vezes por gente como o cineasta Michael Moore, como quando ele desnudou o drama da saúde pública estadunidense ou o recrutamento de jovens pobres, negros ou hispânicos dos EUA para irem morrer no Oriente Médio no lugar da América branca e rica.

 

Muitas pessoas parecem gostar de odiar os americanos tanto quanto outras gostam de odiar o PT, por exemplo. Eu não gosto de odiar ninguém. Odeio odiar. E odeio combater. Só combato o que combato por falta de alternativa, em defesa da sociedade, da maioria. Por isso, prefiro acreditar, ter esperança, porque viver sem esperança não é viver, é vegetar. Ter esperança em que um negro de nome muçulmano use o maior poder do mundo para melhorá-lo, é maravilhoso.

 

 

América empobrecida 

 

 

Lula declara apoio a Obama

 



 Escrito por Eduardo Guimarães às 12h47
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Análise política internacional

A inflexão das Américas

 

 

 

 

 

Por questões ideológicas e em razão da afasia jornalística dos grandes meios de comunicação latino-americanos, esta parte do mundo discute muito pouco um dos fenômenos sócio-políticos continentais mais importantes da história da humanidade.

 

As décadas de 1980 e de 1990 foram marcadas pelo aprofundamento de políticas públicas praticamente genocidas - e desastrosas, do ponto de vista econômico. Pelo liberalismo econômico e pela indiferença das elites indo-européias latino-americanas e estadunidenses diante dos dramas sociais da região, vigentes desde a descoberta do continente americano, as Américas foram transformadas em um inferno.

 

Não foi por outra razão que, da Patagônia ao Alasca, este continente sempre teve na injustiça social sua característica maior, em que pesem as bolhas de um crescimento econômico socialmente excludente que geraram uma desigualdade entre as maiores do planeta nas três Américas, com exceção do Canadá.

 

A eterna iniqüidade institucional das três Américas, de inspiração ianque, evidencia-se só agora que o desastre se abateu sobre os EUA. As mídias continentais sempre trataram de esconder quanto o país mais rico do mundo é socialmente injusto, o que produz o absurdo de tal país abrigar taxas terceiro-mundistas de pobreza.

 

Enquanto distraía o mundo com a “pobreza” cubana, país pobre em que a pobreza é muito menor do que nos EUA, este sempre abrigou legiões de excluídos negros e hispânicos, que vêm vivendo como se estivessem num país periférico.

 

Sempre digo que confio no processo civilizatório, pois a dinâmica da epopéia humana sempre tratou de corrigir desvios e de soterrar os impérios hegemônicos, e isso sempre se deveu à crença irracional das elites de ontem e de hoje em que é possível manter as massas conformadas com a carestia, com a iniqüidade, com a indignidade, com o caos social.

 

A Europa, bem mais antiga e socialmente desenvolvida que o Novo Mundo, entendeu há muito que sociedade nenhuma pode avançar, tornando-se segura e próspera, convivendo com assimetrias sociais que invariavelmente empurram grandes contingentes de cidadãos para dramas  insustentáveis.

 

Porém, tornando-se um oásis num mundo desigual, o Velho Mundo atraiu imigração de todas as partes, fazendo dos estrangeiros que por lá iam tentar a vida a classe excluída que exterminara entre seus nacionais. Ainda assim, a Europa não deixou que o caos social transformasse as nações que a compõem nas verdadeiras zonas de guerra civil não-declarada que há na América Latina, ou no campo minado por guetos em que se transformou o império americano.

 

No limiar do novo milênio, porém, começou pela América do Sul uma inflexão política e, em alguma medida, ideológica no subcontinente. Foi a partir da Venezuela, país rico em petróleo, riqueza que sempre fora usada para o deleite de castas enquanto uma assustadora maioria dos venezuelanos chafurdava na iniqüidade social.

 

O regime do presidente Hugo Chávez começaria a apresentar resultados sociais vistosos, como a eliminação inquestionável do analfabetismo em território venezuelano, feito que inclusive foi reconhecido pela ONU.

 

A partir do esgotamento do modelo ultraliberal implantado pelo consenso americano-britânico em meados da década de 1980, o ex-presidente americano Ronald Reagan e a então premiê do Reino Unido, Margareth Tatcher, impuseram à América Latina um modelo econômico que tratou de aprofundar as assimetrias sociais, que cresceram junto com os desastres econômicos que se abateram sobre países como Brasil e Argentina, entre outros, tudo por conta daquele consenso americano-britânico, implementado na América pobre por políticos como Carlos Saúl Menem, Fernando Henrique Cardoso ou Alberto Fugimori, entre outros.

 

A inflexão político-ideológica das Américas, iniciada a partir da Venezuela, espraiou-se pela América do Sul, inserindo-a num processo de redução da desigualdade e de crescimento econômico que contaminou todos os países da região, com exceção de Peru e Colômbia, onde conjunturas políticas peculiares continuam impedindo a evolução político-ideológica, econômica e social experimentada pelos vizinhos.

 

A despeito da reação das elites regionais e dos dois governos republicanos do demente George Bush, eleito (por pouco) pelos delírios hegemônicos da metade fanatizada da sociedade estadunidense, eclodiram tentativas dos EUA de impor seu poder à força pelo mundo afora, inclusive com tentativas de derrubada dos governos populares eleitos na América Latina, os quais haviam passado a desafiar abertamente Washington.

 

A incursão ditatorial e fascista dos EUA no Oriente Médio, que se deu através da força e foi produto do delírio de Bush, desviou seu governo belicista de importantes assuntos internos, tornando o presidente americano um senhor da guerra que deixou a economia degringolar apostando no controle da humanidade através de seus exércitos.

 

Deu no que deu. A hecatombe econômica se implantou e desastres militares foram produzidos no Iraque e no Afeganistão, nos quais táticas de guerrilha como as vietnamitas barraram de novo a vitória americana, abrindo a potência hegemônica à inflexão político-ideológica latino-americana. Ou seja: em vez de o autoritarismo bushiano barrar a inflexão latino-americana, esse delírio de poder fez com que ela fosse pegar os reacionários republicanos no quartel-general deles. 

 

Barack Obama vem se somar a Hugo Chávez, a Evo Morales, a Rafael Correa, a Michele Bachelet, a Luiz Inácio Lula da Silva, a Cristina de Kirschner, a Tabaré Vazquez, a Fernando Lugo, a Daniel Ortega e a outros líderes de esquerda que vêm subindo ao poder nas três Américas, ainda que muitos reneguem o rótulo de esquerdista ao candidato democrata à presidência dos EUA, ignorando que ele representa a esquerda possível naquele país.

 

A derrota republicana deverá se materializar nos próximos dias e significará, também, a queda da orquestração da reação conservadora que vem tentando derrubar os governos supra mencionados. A eleição de Obama será a pá de cal sobre a direita golpista latino-americana e deixará à própria sorte a mídia que lhe serve de arma e de escudo.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 12h56
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Análise político-econômica

Medo da mídia

 

 

 

Finalmente a mídia conseguiu me intimidar. Não tive medo quando ela pôs em risco as vidas de milhões de paspalhos ao fazê-los marcharem aos postos de saúde para se vacinarem contra a febre amarela sem necessidade, só para desgastar o governo Lula. Pode-se esperar tudo de quem joga um país inteiro numa ditadura de vinte anos.

 

Mas a última crise fabricada pela mídia, sob encomenda da oposição, arrepiou-me os cabelos da nuca. Desta vez, a direita midiática está pondo em risco a única coisa que realmente respeita, ou seja, o vil metal.

 

Primeiro, há que entendermos qual é o poder da mídia, e esse poder é o de gerar comoção social. O alarde pode funcionar contra inimigos ou a favor de amigos; induzir ou inibir comportamentos e decisões; defender ou detratar políticas públicas.

 

Sinto medo. A mídia conseguiu abalar a economia ao inibir os agentes econômicos. Fez consumidores deixarem de consumir, bancos terem medo de emprestar... Em suma: trouxe a crise para dentro do país aproveitando-se de efeitos da escassez internacional de crédito, que poderia ter sido contornada pelas medidas do governo que liberaram dinheiro do compulsório dos bancos para irrigar a economia.

 

Vejam o caso das montadoras de automóveis. Há algumas semanas, antes da quebra do banco americano Lehman Brothers, havia espera de meses para se comprar alguns modelos de veículos. Agora, as montadoras estão concedendo férias coletivas. E por que? Porque os consumidores, assustados pelo noticiário, adiaram ou recuaram em suas decisões de compra de automóveis.

 

Os bancos, por sua vez, não usam o dinheiro do compulsório que o governo liberou. Não porque estão com problemas, mas porque estão com medo. Não estou especulando. Isso foi amplamente noticiado. É um fato.

 

O governo colaborou com a mídia porque também ficou com medo. É incrível como Lula hesita em usar a prerrogativa que tem de falar à nação por meio de rede nacional de rádio e tevê.

 

Sim, o presidente declarou que as pessoas não deveriam parar de consumir, mas isso foi dito informalmente, de maneira que a recomendação não teve peso. Ele deveria ir à tevê insistir que, ao pararem de consumir normalmente, as pessoas estão dando um tiro no pé, pois essa atitude diminui drasticamente o consumo e se as empresas não vendem, daqui a pouco começam a demitir.

 

A crise internacional é, basicamente, uma crise nos países ricos, uma crise de bancos quebrados que paralisou a irrigação de crédito naquelas economias. No Brasil, meros boatos sobre pequenos bancos que teriam problemas paralisaram o sistema financeiro.

 

Insisto na tese da profecia auto-realizável, uma teoria antiga, surrada, que qualquer um que entenda o mínimo de economia conhece. Um banco é sólido. De repente, começam boatos de que esse banco vai quebrar e os correntistas correm para sacar seu dinheiro de lá e o banco sólido acaba quebrando mesmo.

 

A mídia usou o caso da especulação com apostas de algumas empresas na queda da cotação do dólar e cunhou um “logotipo” para sua nova aposta, como tantos outros que criou, tais como “mensalão”, “volta da inflação”, “epidemia de febre amarela”, “dossiê”, “Estado policial” etc. Agora, fala de “subprime brasileiro”, soltando o boato de que as apostas na cotação do dólar generalizaram-se.

 

Não se tem um único dado concreto que prove esse boato. O tamanho do problema – se é que passa de casos isolados – é absolutamente imponderável, mas a boataria bastou para inibir a economia.

 

Além da crise concreta, real – que, por si só, já bastaria –, Lula ainda tem que lutar contra o alarmismo midiático. É enorme a diferença da era FHC, quando alguns países periféricos com economias desarranjadas e mergulhadas no populismo cambial, como era o nosso, sofriam por seus próprios erros, erros que eram ocultados pela mídia, que, por seu turno, vendia que tudo andava às mil maravilhas.

 

Quando a bomba estourava, naquele tempo, pegava todo mundo de surpresa...

 

Ainda precisaremos de semanas, talvez até de meses até que os agentes econômicos percebam que estaremos criando nossa própria crise se não voltarmos a trabalhar.

 

Mas é aquela velha história da profecia auto-realizável: se Lula não encontrar uma forma de inibir o alarmismo midiático, se continuar fazendo o jogo do inimigo, perder a eleição de 2010 será o menor dos seus problemas.

 

Alguns dirão que até a mídia perderá com a crise. Porém, ela conta com a volta de seus políticos ao poder, ou seja, de Serra. Acredita que ele a recompensará regiamente. Com o meu, com o seu, com o nosso suado dinheirinho, claro.

 

É uma aposta alta? Naturalmente. Entretanto, a ousadia que falta a Lula sobra à direita golpista. É por isso que estou com medo da mídia, devido ao medo irracional que tem o único que poderia enfrentá-la e impedi-la de sabotar o país. Fica cada vez mais difícil negar o bordão de Paulo Henrique Amorim, de que Lula é o “presidente que tem medo”.

 



 Escrito por Eduardo Guimarães às 23h47
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Análise política

A ressurreição de Quércia

 

 

 

 

 

 

Era 1974 e eu tinha 14 anos quando Orestes Quércia, do MDB, derrotou Carvalho Pinto, da Arena, na disputa por uma vaga no Senado. O país já mostrava que desejava o fim da ditadura militar e deu ao emedebista uma votação esmagadora sobre o candidato da ditadura.

 

Em 1982, na primeira eleição direta de governadores de Estado depois de 1964, o senador por São Paulo integrou a chapa de Franco Montoro. Elegeram-se com facilidade num país que se contorcia sob as dores de uma crise econômica que levaria à queda da ditadura três anos depois.

 

Em 1986, a carreira política de Quércia era cada vez mais promissora. Ele acabou com Antonio Ermírio de Moraes na disputa pelo governo paulista.

 

A partir daí, começou-se a descobrir quem de fato era aquele político tão popular. A frase atribuída a ele de que quebrou São Paulo mas elegeu Luis Antonio Fleury Filho (1990), não poderia ser mais verdadeira. A passagem de ambos pelo governo paulista destroçou São Paulo.

 

Depois que Fernando Henrique Cardoso, Mário Covas, José Serra e outros emedebistas de grosso calibre deixaram o agora PMDB para fundar o PSDB, Quércia passou a sofrer uma campanha de desmoralização na mídia que o impediu de conseguir qualquer outro cargo eletivo importante.

 

Ele ainda tentou a Presidência da República em 1994 e o governo paulista em 1998, mas teve votações acachapantes. A mídia destruiu Quércia. Ele caiu no mais completo ostracismo político, inclusive tornando-se uma figura menor dentro do próprio PMDB.

 

Tal qual seu partido, porém, Quércia sempre correu de um lado para outro do espectro político, de acordo com a direção em que o vento soprava. Algumas vezes, inclinou-se mais à esquerda, como quando apoiou Marta Suplicy em 2004, e a proximidade dela com ele foi usada para atribuir à petista todas as maldições midiáticas.

 

Sempre que Quércia se aproximou do PT, este foi denunciado pelo crime supremo de estar ao lado de um dos políticos mais demonizados de todos os tempos. Agora, porém, o ex-governador acertou a mão ao apoiar Gilberto Kassab. As críticas que ele e quem dele se aproximasse recebiam da mídia, simplesmente desapareceram.

 

O peemedebista se deu muito bem ao se aproximar do grupo político de Serra. Logo, logo conseguirá uma blindagem midiática que poderá reabilitá-lo politicamente, mas só quando a mídia tiver certeza de que sua aproximação com o PSDB e com o PFL é para valer.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 20h30
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Esclarecimento

Por que escrevo este blog

 

 

 

Visitei hoje dois blogs que não costumo ler. Um de esquerda e o outro de direita. Quis colher impressões para escrever este post. Mergulhei, pois, em textos sofríveis. De um lado pela gramática e de outro pela lógica. Ou seja: um dos blogueiros não sabe escrever e o outro até escreve bem, mas seus textos não resistem 30 segundos ao contraditório.

 

Não darei nomes aos bois porque não quero perder tempo com polêmicas inúteis. O objetivo do que ora escrevo é o de tentar mostrar que a burrice não tem partido ou ideologia, e que o que você ganha lendo esse tipo de coisa é apenas auto-engano.

 

Chega a ser inacreditável como dois blogs escritos por pessoas tão diferentes – não apenas política ou ideologicamente, mas em termos de formação intelectual e até de domínio da linguagem escrita – podem ser tão parecidos.

 

Comparei textos dos dois que aludiram ao resultado das eleições municipais. Ambos trataram de provar a teoria que mais lhes agrada, ou seja, a de que os grupos políticos e as ideologias que defendem venceram de goleada o processo eleitoral deste ano.

 

Enveredei pelas duas páginas aparentemente antagônicas entre si em busca de mais textos que tratassem de assuntos comuns a ambas. Todos os textos encontrados mostraram-se invariavelmente previsíveis. Seja qual for o tema que opõe governo federal e oposição, PT e PSDB, Lula e Serra, eles não falham: defeitos só os adversários têm. Já as qualidades...

 

Esses blogueiros estão em permanente campanha eleitoral, o que significa que ninguém que busque uma análise inteligente e veraz aproveita nada acessando-os. É torcida organizada. As claques que lêem esses blogs não querem saber de contraditório ou de debates, querem apenas ler opiniões que lhes sejam agradáveis, que lhes dêem razão.

 

Percebe-se que estão ali apenas para oferecer argumentos ao seu público, para que dali saia por outras páginas da Web disseminando o que leu.

 

Esses blogueiros não têm vida própria nem estão submetidos a qualquer exigência mínima de qualidade ou de propriedade das análises que fazem. Enquanto se mantiverem bem comportadinhos, dizendo o que o público que os freqüenta quer ler, terão audiência e elogios garantidos.

 

O que fazem esses dois, a exemplo de tantos outros, não é jornalismo, não é informar, não é nada além de masturbarem as idiossincrasias de seus leitores. Ousassem eles proferir opiniões desapaixonadas, apartidárias, equilibradas, não teriam mais público.

 

O blogueiro de direita é famoso e tem grande audiência. Como ele fala muito dessa audiência, percebe-se que acha que ela decorre de seus méritos e não do fato de ter seu blog hospedado num grande portal. Ele se engana dizendo a si mesmo que a audiência enorme que tem deve-se a ele e não à evidência de que desfruta por estar hospedado onde está.

 

Dêem a este blog um dia inteiro aparecendo na primeira página de um IG, de um G1, de um UOL ou de coisa que o valha que multiplico sua audiência por dez.

 

Esses blogueiros se dedicam a pegar qualquer assunto político polêmico e a tentarem moldá-lo de acordo com o desejo de seus públicos, custe o que custar. Muitos fazem isso. Pintam o mundo de preto e branco. Eles representam o bem e o outro lado representa o mal. Você já sabe o que dirão sobre qualquer assunto antes de ler o que escreveram.

 

Políticos dos grupos deles debatem? Danem-se os fatos: dizem que seu protegido venceu e tratam de justificar tal opinião, muitas vezes triturando a lógica, os fatos e o bom senso para chegarem onde querem chegar.

 

O blogueiro de direita é pago para fazer o que faz e o de esquerda acha que dizendo o que diz lucrará com isso em algum momento, quem sabe vendendo seu blog...

 

Estou fora disso. Sei que alguns não gostam quando me coloco acima do partidarismo político e ideológico, mas é porque não percebem que quando escrevo textos aparentemente partidarizados é porque aquela é minha opinião e não porque é a opinião que acho que me proporcionará algum lucro.

 

Prefiro perder todos os leitores que tenho e ficar com este blog às moscas do que me tornar garoto propaganda que exalta as qualidades de qualquer porcaria ou num calhorda que põe defeitos injustos nos outros só para agradar seu público.

 

Se em algum momento perceber que sou lido só porque digo a coisa “certa”, paro com isto aqui e vou cuidar melhor de ganhar meus cobres com meu trabalho remunerado.

 

Escrevo este blog porque acho que estou fazendo alguma coisa que preste, porque acho que estou colaborando com a sociedade, porque acredito que é preciso que alguém diga o que acha que é verdade, mesmo que não seja. Não importa se é verdade ou não, quero apenas ser honesto. Se acho que é verdade, digo. E que me provem que não é verdade que mudo de opinião na hora.

 

Estou certo, porém, de que uma expressiva maioria das pessoas quer apenas se informar corretamente. Quer a verdade mesmo que ela não seja bonita ou agradável, pois enganar a si mesmo para não ter que admitir que aquilo em que acredita não é o “certo” é uma atitude doentia e patética.

 

Estejam certos de uma coisa: denuncio a mídia e a direita porque estas querem destruir a única alternativa viável ao conservadorismo no Brasil, que hoje quem encarna é o PT. Se vivêssemos uma situação normal, na qual a mídia estivesse dividida, na qual fosse possível encontrar um noticiário equilibrado, na qual fosse possível pluralidade opinativa, eu me daria o luxo de não pender para lado nenhum.

 

Contudo, jamais me peçam para defender o indefensável, seja pela causa que for. Posso até me calar, mas nunca me darei ao desfrute de fazer profissões de fé em favor de atos que me agridam a consciência. Não nasci para isso e isso não farei de jeito nenhum.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 19h04
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Análise política

O Brasil pós-eleitoral

 

 

 

O artigo mais escasso da praça, neste momento, é uma única e mísera análise política descontaminada de partidarismos, apesar de o processo eleitoral ter chegado ao fim. A direita está eufórica e se entrega a um joguinho infantil pensando que pode tripudiar sobre a esquerda porque venceu em São Paulo, e a esquerda entrega-se ao auto-engano de menosprezar a vitória conservadora.

 

Se é bobagem dizer que Lula sofreu alguma derrota porque não conseguiu transferir sua popularidade para uma parte dos candidatos que apoiou, também é bobagem negar os ganhos políticos de Serra e da direita brasileira como um todo.

 

A mídia gorda e conservadora trata de ressaltar as derrotas do PT e de minimizar o peso de seu crescimento nestas eleições. Já a mídia esquálida de esquerda, entocada na internet, subestima a vitória eleitoral conservadora e atribui “burrice” aos pobres que votaram em Kassab.

 

Comecei e recomecei a escrever isto várias vezes. Foi porque me desafiei a escrever acima do maldito partidarismo que com freqüência nos domina a todos, e não conseguia. É um desafio mesmo. Tive dificuldade em terminar um único parágrafo sem meter minhas preferências no meio.

 

Foi então que recebi ligação de uma amiga daquelas que fazem você dar valor à amizade. A jornalista Conceição Lemes me ligou porque a segunda-feira já ia pelo fim e eu não havia atualizado o blog. Estava preocupada. Brinquei com ela, então, perguntando se achava que eu havia me suicidado ou adoecido porque Marta perdeu.

 

Foi conversando com a Conceição que achei o tom para escrever. Ela me dizia como lhe doeu ver pobres votando em Kassab, que “sentia muito” por eles, enfim, tudo aquilo que eu também vinha dizendo.

 

Em um certo ponto da conversa, percebi que sofrer ou exultar pelo resultado eleitoral em uma única cidade é absolutamente inútil.

 

Disse à minha amiga que, se o prefeito paulistano fosse tão ruim assim para os pobres, essa boa parte deles que votou nele deveria estar sentindo os efeitos de sua má administração, até porque pobre depende muito mais do Estado.

 

Acontece que o povo brasileiro está tendente a votar pela continuidade de governos. A maioria dos prefeitos que tentou a reeleição se deu bem porque o povão vem vivendo melhor e atribui essa melhora de vida aos que estão no poder. Além disso, a crise ainda não bateu na maioria e ainda há dúvidas sobre se irá bater de forma que seja percebida.

 

Mas quem ganhou e quem perdeu? O PT, por exemplo, cresceu muito, e o PSDB e o PFL minguaram em termos de número de eleitores e de prefeituras. Contudo, as prefeituras conseguidas pelos conservadores são mais representativas política e economicamente.

 

Você diria que, entre Lula e Serra, algum deles ganhou ou perdeu alguma coisa? Eu acho que não, acho que houve empate, um empate que está sendo considerado vitória da oposição porque achava-se que a popularidade do governo Lula faria o PT dobrar o número de municípios que governa hoje.

 

Serra venceu mesmo foi entre seu grupo político. Dificilmente alguém tirará dele a candidatura conservadora à Presidência em 2010. Até porque, Aécio Neves terá que dividir com o PT a eleição do prefeito de Belo Horizonte.

 

Não se pode esquecer, também, que quem perdeu mesmo em São Paulo foi Marta, porque todo mundo deve saber quantos são os que votaram em Lula e que até votariam no PT neste ano se a candidata não fosse ela.

 

O PT, então, errou ao escolher Marta? Difícil dizer. Será que outro petista teria densidade eleitoral em São Paulo para conseguir tantos votos quanto ela conseguiu?

 

Mas Lula perdeu mesmo, porém só em São Paulo, que ignorou seus pedidos para que votasse nos candidatos de seu partido nessas cidades.

 

Entretanto, pessoal, ignorar que o PT é o único partido que a cada ano de eleições municipais aumenta expressivamente o número de cidades e de eleitores que governa, é burrice demais para o meu gosto.

 

E vou mais longe: Lula e seu partido deveriam agradecer pelas derrotas que sofreram. Está provado que, mesmo com a excelente situação econômica do país, a direita ainda seduz enorme parte do eleitorado, e que a rejeição ao PT continua altíssima.

 

Nem fazendo um governo obediente ao deus mercado e deixando os ricos encherem as burras como nunca o PT consegue deixar de ser literalmente odiado por uma parte expressiva da sociedade, ainda que seja uma parte minoritária.

 

Mas Lula tem dois anos de governo pela frente. Uma eternidade. Se a crise não for suficiente para afundar o país como a mídia vendeu que acontecerá, ficará provado para o povo que ela mentiu mais uma vez.

 

Muita gente está tendo prejuízos enormes porque está dando ouvidos ao terrorismo da mídia sobre a situação econômica e sobre os efeitos que a crise internacional provocará no Brasil. Se não acontecer o que a mídia está dizendo, o presidente mostrará que é melhor do que seus antecessores até para enfrentar crises.

 

Ao mesmo tempo em que a mídia fala – e até exagera – sobre a gravidade da crise, reconhecendo quanto ela é maior do que aquelas crises na Cochinchina da época de FHC que invariavelmente afundavam o país, a mesma mídia está dizendo, nas entrelinhas, que se escaparmos da recessão no mundo rico Lula estará consagrado como administrador.

 

Porém, não se pode descartar a hipótese de que a crise nos pegue de jeito. Se isso ocorrer e Lula fizer o que fez FHC ao maquiar os problemas que o país tinha em 1998 só para se reeleger, qualquer que seja o governo que assumir em janeiro de 2011, estará em palpos de aranha.

 

Se quem assumir a Presidência nessa situação for Serra, o país mergulhará em convulsão social, pois debitarão a ele a inversão da trajetória rosada. Se a crise nos pegar e Lula for irresponsável a ponto de manter a economia bombando artificialmente para deixar uma bomba ao sucessor como fez FHC em 1998, pego minha trouxa e me mando do Brasil. Não vou querer estar aqui quando a bomba estourar.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 19h47
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Crônica política

Sobre vitórias e derrotas  

 

 Atualizado às 20h08 de 26 de outubro de 2008  

 

 

 

Cumpre-me informar que ainda irá demorar um tempo razoável para que vocês descubram se ganharam ou se perderam as eleições deste ano. Neste momento, só saberemos quem são os políticos que ajudamos a vencer ou que conseguimos derrotar.

 

Os processos eleitorais - que, no Brasil, infelizmente ainda se assemelham a disputas entre torcidas organizadas - costumam gerar nos eleitores a sensação de terem vencido ou perdido, fazendo com que se confundam com seus candidatos e partidos. 

 

O eleitor, porém, jamais ganha ou perde nada até que seu candidato comece a governar. Aí, depois de algum tempo, ele saberá se com seu voto derrotou alguém ou apenas a si mesmo.

 

Será que o eleitor do presidente George Bush achou que tinha ganhado a eleição quando a vitória de seu candidato foi confirmada? Garanto que o “vitorioso” americano de quatro ou oito anos atrás descobriu agora que comemorou muito cedo.

 

Quantos serão os eleitores de Bush que perderam seus empregos, seus negócios, suas casas, seus carros e até amigos e família? E quantos terão se sentido vitoriosos quando as urnas anunciaram a vitória daquele que já dizem ser o pior presidente americano?

 

Por outro lado, quantos brasileiros que se sentiram derrotados com a vitória de Lula em 2002 ou em 2006 vêm colhendo frutos viçosos e suculentos da “derrota” eleitoral que então acharam que sofreram?

 

O que tento explicar é que, quando a maioria elege um político, ninguém ganha ou perde imediatamente - e não ganha nem perde sozinho. O conjunto da sociedade é que, bem depois da eleição, acaba colhendo os frutos do que plantou.

 

 

Viagem ao interior de São Paulo

 

 

Viajo neste domingo ao interior de São Paulo. Os comentários postados hoje (domingo) à partir das 21 horas serão liberados só na manhã desta segunda-feira.

 

Pelos próximos dois dias e a partir de hoje (domingo), as postagens serão feitas à noite e poderá haver atraso na liberação de comentários.

 



 Escrito por Eduardo Guimarães às 09h43
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