Artigo

 

O Direito de Saber

 

 

Dedico este texto aos 7% da população brasileira que consideram o governo Lula ruim e péssimo e que, de forma alucinada, irresponsável e até criminosa aprovam que os grandes meios de comunicação cheguem até a censurar notícias das quais não gostam, numa tentativa, a meu ver delirante, de determinar o que seu público deve ou não saber, ou que, sempre através da censura, tentam fazer prevalecer a própria visão de fatos "incômodos" quando se dignam - ou são obrigados - a reportá-los.

Escrevo sabendo que não tenho muitos leitores entre esse setor da população que prefere não ter contato com fatos que o desagradam e que, por isso, apóia que a mídia chegue ao ponto a que chegou a Globo ontem (sexta-feira, 5 de dezembro), ao ponto de esconder de seu público, em seus telejornais noturnos (os mais importantes da emissora), os fatos mais importantes do dia, ou seja, a alta surpreendente e expressiva da aprovação ao governo Lula e a declaração pública de um dos mais importantes organismos internacionais em questões econômicas, a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), que considerou que a economia brasileira será a única entre as grandes economias que será pouco afetada pela crise econômica internacional.

Pergunto-me como é que alguém, em sã consciência, pode apoiar uma coisa dessas. Quem garante a essas pessoas que amanhã não serão elas as vitimas de censura por terem interesses divergentes de magnatas da comunicação como a família Marinho?

A mentalidade dessas pessoas diz a elas que a mídia lhes defende a classe social. Estão erradas, até porque a quase totalidade desses 7% da população não pertence à mesma classe social dos Marinho, dos Frias, dos Civita etc. Imaginar que esses multimilionários pensam na classe média ou em qualquer outro grupo social quando furtam do cidadão informações importantes como as que a Globo escondeu, chega a ser irracional.

Esses 7% dos brasileiros, na contramão do Brasil e do mundo, de um mundo em que Lula se tornou um superstar (ao menos em termos de popularidade), tendo hoje a maior aprovação que um presidente já teve na história do país e sendo o líder mais popular da América Latina entre os povos da região, enfim, esse contingente da sociedade apóia também, por exemplo, que um jornal como a Folha de São Paulo, que publicou na sexta-feira a pesquisa Datafolha sobre a popularidade de Lula, chegue ao cúmulo de não publicar, na edição do dia seguinte, uma única carta de leitor sobre o assunto, publicando sobre ele só textos opinativos que tratam a opinião majoritária do povo como produto de ignorância.

No day after da divulgação da pesquisa, a Folha publicou quatro textos opinativos sobre a popularidade de Lula em seu primeiro caderno. Um foi editorial (a opinião do jornal), o segundo uma coluna de Fernando Rodrigues, o terceiro um artigo de Fernando Canzian (outro jornalista fixo da Folha) e o quarto uma entrevista com os "intelectuais" Boris Fausto e Bolívar Lamounier, que, na verdade, são tucanos históricos ligados ao grupo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Todos os textos supra mencionados dizem exatamente a mesma coisa: que a aprovação de Lula cairá porque a crise chegou ao Brasil, ainda que atrasada, e, assim, provocará aumento do desemprego e outras desgraças, e como a popularidade presidencial seria apenas fruto de uma boa situação econômica do mundo que já não existe mais, o presidente sofrerá desmoralização no ano que vem.

Outro ponto em comum entre os quatro textos é o de que todos revelam um profundo desprezo dos seus autores pela capacidade de discernimento da sociedade brasileira. E da sociedade como um todo, em todos os seus estratos sociais, como bem se pode ver na reprodução de trecho do editorial da Folha supra mencionado, intitulado "Aprovação Recorde", que comenta a disparada da aprovação de Lula também entre os mais ricos e escolarizados.

A popularidade de Lula não apenas parece "descolar-se" da média dos demais presidentes, como também deixa de se vincular a setores sociais determinados. Perde força, na nova pesquisa, a idéia de que o apoio ao governo estava destinado a concentrar-se nas faixas de menor renda e de baixa escolaridade.

Vale dizer que o que "perde força" mesmo é a tese da própria Folha, vertida à exaustão durante anos, de que Lula se mantinha popular graças a pessoas ingênuas, humildes, desinformadas, em suma, graças a pessoas pobres e sem instrução que o presidente subornaria com o Bolsa Família.

Mas a maior contradição não está nos textos que dizem que mesmo sendo rico e formado na universidade o brasileiro está se deixando enganar por Lula. A contradição está em não reconhecer que o descomunal noticiário alarmista, que vem martelando a crise na cabeça do público sem parar há mais de 80 dias, foi sumariamente ignorado pela sociedade.

Até em novelas e em programas humorísticos viu-se indução à crença no desastre da crise que estaria chegando. E os problemas na economia, de redução no crédito e nas vendas de carros novos ou nas demissões que realmente ocorreram, tudo isso já foi até decorado pela sociedade. É impossível escapar do noticiário, a menos que se more numa caverna no meio do mato.

Os brasileiros, ao aprovarem Lula em maioria tão avassaladora, disseram claramente que não acreditam na mídia quando ela diz o tamanho do desastre e que sabem, sim, que problemas há, mas que vamos superá-los. Não há outra interpretação possível, pois informação que supostamente deveria desmoralizar Lula é exatamente o que os meios de comunicação providenciaram que não faltasse.

Uma explicação para a opinião da maioria pode residir em notícia que se viu escondida no meio do caderno de economia da Folha na mesma edição em que os jornalistas e entrevistados daquele veículo disseram que o desastre está chegando para acordar a sociedade imbecilizada, como se tivessem uma bola de cristal, um conhecimento que o resto do mundo não tem. Trata-se daquela notícia sobre a OCDE, organização que diz exatamente o mesmo que Lula, que o Brasil será o único grande país do mundo a se manter acima da depressão mundial.

Mas quem é a OCDE para a Globo citar sua previsão ou para a Folha (ou para seus colunistas e entrevistados escolhidos a dedo) levar em conta suas previsões? Eu digo quem é a organização, segundo a Wikipédia:

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE, ou OECD em inglês) é uma organização internacional dos países comprometidos com os príncipios da democracia representativa e da economia de livre mercado. A sede da organização fica em Paris, na França. Também é chamada de Grupo dos Ricos. Juntos, os 30 países participantes produzem mais da metade de toda a riqueza do mundo.

A previsão da OCDE não é só da OCDE. Há dezenas de organismos importantes que dizem o mesmo. Há dezenas de acadêmicos, economistas, jornalistas, empresários e até a esmagadora maioria da população que acham que o Brasil hoje está forte e pronto para enfrentar a crise e dela sair-se bem.

O Brasil aposentou seu eterno complexo de vira-latas. Estamos acreditando em nós. Não é que as pessoas achem que não haverá problema nenhum aqui. Muito poucos são os cegos e surdos. As pessoas lêem jornais, assistem telejornais e escutam o próprio Lula dizer, não que não existe crise, que ele nunca disse isso, mas que estamos preparados como nunca estivemos para enfrentar problemas graves, previsíveis e periódicos que atingem a economia mundial, intermitentemente, desde o início dos tempos.

A mídia e a oposição tucano-pefelista dizem que Lula se arrisca ao vender uma economia que não existe mais. Mentem. Omitem. Acham que podem furtar da sociedade brasileira um dos direitos humanos mais elementares, um direito que nos dias de hoje é mais imprescindível do que já foi em qualquer outra época, ou seja, o Direito de Saber, o direito à informação de qualidade, veraz, isenta, fidedigna. Enganam-se de novo. Não conseguirão. O país está vacinado contra eles.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 11h49
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Crônica política

 Todos eles "sifu"

  

 Atualizado às 14h39 de 5 de dezembro de 2008

 

 

 

 

Desde o dia 15 de setembro, os brasileiros fomos submetidos a um bombardeio incessante e crescente de más notícias nos jornais, nas revistas, nas tevês, nas rádios, na internet e, em certa medida, até em nosso cotidiano.  Não é por outra razão que pesquisa Datafolha divulgada hoje pelo jornal Folha de São Paulo revelou que 72% da população está ciente da crise econômica internacional.

Desde que a crise se apoderou da mídia, também temos visto duas formas distintas de encará-la. E são essas duas formas o assunto central aqui, pois uma delas derrotou a outra, segundo o Datafolha.

Enquanto que, do lado da mídia e da oposição a Lula, o discurso é o de que a crise mostrará que, ao contrário do que se pensa, o presidente atual é ruim e só conseguiu bons resultados econômicos até aqui porque o mundo vinha em bonança econômica - o que fica cada vez mais claro que era mentira, pois a crise já vem se espalhando pelo mundo há um ano -, do  lado do governo Lula o discurso vinha sendo o de que a crise nos atingirá com muito menos força porque o país está economicamente arrumado.

A pesquisa Datafolha publicada hoje mostra que a popularidade de Lula foi aumentando na medida em que a crise foi se agravando no mundo e, em boa medida, também aqui no Brasil. Mas o que explica esse fenômeno? Não deveria ser o contrário?

A pesquisa em questão deverá servir para acordar a direita brasileira, ainda que no mesmo jornal que divulgou a notícia sobre a aprovação recorde de Lula (70%)  tenha sido divulgado, com destaque, artigo do ex-patrão do mastim da Veja Reinaldo Azevedo, do ex-ministro de FHC  Luiz Carlos "no limite da irresponsabilidade" Mendonça de Barros no qual ele, muito bondosamente,  "aconselha" Lula :

(...)Nestes momentos de insegurança em relação ao futuro, o governo deve liderar, com autoridade e responsabilidade, a sociedade. Tentar enfrentar tempos mais bicudos escondendo da opinião pública a realidade dos fatos sempre acaba muito mal. O presidente Lula e seus ministros estão fazendo uma aposta de alto risco ao vender uma economia que não existe mais.

Quanta bondade do inimigo político de Lula, não? Vocês não ficaram comovidos? Vejam o empenho dele em "ajudar" o presidente...

Aliás, Mendonça de Barros entende muito bem de "Tentar enfrentar tempos mais bicudos escondendo da opinião pública a realidade". Foi seu grupo político que, em 1998, então no poder, vendeu à população a mentira de que não haveria a desvalorização do real que Lula, adversário de FHC na disputa pela Presidência, dizia então que ocorreria de uma forma ou de outra, ainda que depois das eleições. Enfim, foi o PSDB que disse que seria o petista que desvalorizaria a moeda se ele fosse eleito presidente naquele ano.

Lula não está enganando ninguém. Mendonça de Barros sabe disso, FHC sabe disso, a Folha sabe disso, a mídia inteira sabe disso. E a pesquisa Datafolha revela que a parte mentalmente sadia da população também sabe muito bem disso e que essa parte é majoritária no país, respondendo por cerca de 70% do total dos brasileiros.

Ora, mas há, sim, problemas na economia, dirão alguns. E eu responderei que sim, que há problemas sérios, é claro, mas as pessoas têm capacidade de discernimento, pois sabem quanto os problemas que atingem o Brasil são muito mais sérios nos países ricos do que aqui, e sabem como o país está hoje diante de como estão países poderosos e ricos, e sabem, finalmente, que estamos melhor do que a maioria porque o país é bem governado.

Qualquer pessoa mentalmente sadia é capaz de entender que os problemas na economia vêm de fora e que só não são maiores aqui dentro porque o país está bem economicamente. Talvez seja por isso que um dos grupos sociais entre os quais Lula mais melhorou sua avaliação foi entre os mais escolarizados, apesar de que sua aprovação positiva melhorou em todos os setores regionais, por escolaridade, renda, idade e sexo.

E não é só isso: o país também enxerga como a mídia tem que brigar com os fatos para tentar provar que estamos sofrendo e que sofreremos mais do que se pensa.

O país que aprova Lula também demonstra estar politicamente maduro. Vê-se que as pessoas entendem perfeitamente o contexto em que o Brasil está no cenário internacional e sua posição de liderança hoje no mundo.

Todos enxergam mais claramente agora como é ruidoso esse grupo político que se assanhou só porque elegeu um reacionário de direita em São Paulo neste ano, na cidade e no Estado mais reacionários do país. No conjunto da sociedade, porém, essa gente representa pouco. Só fala tão alto porque é dona de meios de comunicação.

Contudo, a maioria esmagadora do país acaba de dar um recado ao Partido da Imprensa Golpista (PIG),  de que não acredita no que ele diz e de que acredita no que diz Lula.

Enfim, para resumir tudo,  usarei agora um dos termos usados ontem por Lula num discurso. São termos que escandalizaram a moça da foto acima e todo o resto da imprensa golpista, sem falar na oposição tucano-pefelenta: toda essa gente "sifu", ou seja, todos eles se deram muito, mas muito mal. O termo "sifu" descreve à perfeição o que aconteceu com esses golpistas canalhas.

 

Mande o PIG "sifu"

 

Será que vocês me aceitam uma sugestão? Mandem o PIG para "aquele" lugar... Copiem o texto abaixo, colem no campo "assunto" de um e-mail e enviem-no aos meios de comunicação clicando no nome de cada um dos veículos grafados em azul abaixo.

 

Lula 70% - PIG "sifu"

 

Folha

Estadão

O Globo

Veja 

Jornal do Brasil

 

Marolinha

 

OCDE: Brasil será menos afetado entre grandes economias 

BBC Brasil

 

 

Daniela Fernandes

O Brasil é a única grande economia analisada no Indicador Composto Avançado (CLI, na sigla em inglês), divulgado nesta sexta-feira pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), que, segundo uma previsão da organização, não terá uma forte desaceleração de sua atividade econômica nos próximos seis meses.

Para ler mais, clique aqui



 Escrito por Eduardo Guimarães às 10h53
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Análise econômica

O maior crime da mídia

 

 

Escolha qual dos crimes que descreverei abaixo você considera o pior:

1 - fazer pessoas se envenenarem com medicamento controlado.

2 - provocar dramas econômicos nas vidas das pessoas.

Fica difícil decidir, não é mesmo? O crime 1 pode matar, mas e o 2?

Acho o segundo tipo de crime pior. Os dramas econômicos provocam muitos outros nas vidas das pessoas. Alguém em situação econômica muito difícil pode cometer crimes. A dificuldade em encontrar trabalho pode levar ao crime. E crimes também geram mortes.

A mídia cometeu e comete os dois crimes supra mencionados.

No início deste ano, a mídia levou milhões de pessoas a se vacinarem sem necessidade contra a febre amarela ao fazer prevalecer a crença em que haveria uma epidemia dessa moléstia no país. Como a vacina contra a doença é perigosa, dezenas de pessoas adoeceram gravemente e pelo menos duas pessoas morreram por tomarem o medicamento sem necessidade depois de terem sido alarmadas pela mídia.

Agora, os grandes meios de comunicação - que todos sabem quais são - tentam provocar uma queda maior da atividade econômica, de forma a impedir que o governo Lula obtenha um ativo eleitoral que inviabilizaria a vitória do grupo político específico ao qual esses meios se aliaram no fim do século passado.

Não estou inventando nada. A própria guerra de previsões sobre a crise que governo e mídia travam mostra que estou certo.

Enquanto os meios de comunicação veiculam previsões pessimistas sobre os efeitos da crise no Brasil como se fossem fatos e transformam qualquer notícia negativa em comprovação tácita de que esse tipo de previsão é o que vai vingando, Lula e sua equipe vão tratando de dizer o contrário e pedindo às pessoas que não parem de consumir. Porém, timidamente.

Os problemas que estão surgindo na economia são todos previsíveis e previstos efetivamente. Todos sabiam que as economias americana e européia já estavam em recessão técnica. Os dados oficiais sobre o recuo dessas economias apenas confirmou o que já se sabia. A crise começou faz mais de um ano.  

Todos sabiam que haveria recuo na atividade industrial por aqui. Houve - e ainda há - um problema de crédito no Brasil por conta da seca nas linhas de crédito no exterior.  E qualquer um que trabalhe em qualquer empresa sabe que houve uma diminuição brusca nos negócios, não por conta de algum fator concreto, mas devido à "cautela" que os agentes econômicos adotaram diante das notícias e dos fatos no mundo rico.

Quando as pessoas físicas e jurídicas já começavam a não ver tanta crise assim e, aqui e ali, já começavam até a desqualificar a gravidade da crise em razão dos números da economia recém-divulgados, números que deram conta de que, ao menos estatisticamente, a crise ainda não teria chegado aqui, a mídia voltou a noticiar o que já se sabia que aconteceria como se fossem fatos novos.

Comparações sem sentido entre hoje e o passado tentam fazer parecer que o país está tão vulnerável hoje quanto estava na última grande crise econômica, a de 1999, quando o governo FHC, depois de passar a campanha eleitoral do ano anterior, na qual se reelegeu, prometendo a manutenção do dólar congelado, teve que promover uma maxidesvalorização do real, do que decorreu uma catastrófica queda da atividade econômica, com desemprego, aumento da pobreza, da desigualdade, da criminalidade e da violência.

Uma estratégia malandra foi vista ontem, quando , no fim da tarde, os grandes portais de internet passaram a divulgar que a Vale demitira 1300 funcionários e a Votorantim duas centenas deles, que depois caíram para uma centena e pouco nos jornais de hoje.

Os telejornais deitaram e rolaram em cima das demissões da Vale. Só para quem se aprofundou na notícia, porém, foi possível saber que as 1300 demissões na empresa foram ao redor do mundo e não apenas no Brasil, ainda que a maior parte dos demitidos seja de brasileiros.

No caso das duas empresas, ambas tiveram redução das atividades por conta de cancelamento de pedidos de grandes clientes no exterior. Ora, quem não sabia que haveria queda de atividade nas empresas que dependem muito de exportações?

A mídia, porém, apresenta as demissões nas duas empresas como se fossem indício de que todas as empresas demitirão, o que desejo afirmar aqui, peremptoriamente, que não acontecerá - e peço que me cobrem se houver alguma alta importante do desemprego nos próximos meses.

O que acontece é que a capacidade da queda da atividade econômica ao redor do mundo de gerar problemas ao Brasil, é bastante limitada. Haja vista que as exportações respondem por apenas 13% do PIB brasileiro.

Por outro lado, a valorização do dólar deverá dar uma forte contribuição a muitos setores da economia que vinham tendo graves problemas para competir com produtos importados.

Vejam só o que estava ocorrendo no segmento em que atuo, o de autopeças. Tomemos como exemplo um produto como pastilhas de freio. As produzidas na China estavam invadindo o país e já começavam a inviabilizar a produção nacional do produto. Agora, todas essas indústrias que vinham tendo queda de vendas por conta dos importados, ganharão fôlego.

Ainda no sentido de ressaltar dados sobre a economia que muitos desconhecem e que, por isso, não entendem por que os problemas que poderemos enfrentar não nos causarão tantos danos quanto no passado, vale reproduzir dados comparativos entre a economia do país na crise de 1999 e nesta.

Em 1999, as exportações brasileiras somavam US$ 50 bilhões. Hoje, são quase quatro vezes maiores, US$ 198 bilhões.

O saldo da balança comercial (diferença entre exportações e importações) era de US$ 6,6 bilhões negativos; hoje, está positivo em US$ 26 bilhões.

O PIB brasileiro, em 1999, era de cerca de US$ 600 bilhões, hoje é de US$ 1,4 trilhão.

A receita da conta-corrente, total de entrada e saída de dólares do país, era de US$ 64 bilhões em 1999, atualmente é de 245 bilhões.

Mas é no déficit em conta-corrente que se vê a grande diferença. Em 1999, havia um déficit de 4,1% do PIB; hoje, o déficit, que há alguns meses não existia, é de 1,8%, mas ocorreu devido a fatores diametralmente diferentes dos de 9 anos atrás.

Naquela época (1999), houve fuga de capital devido à quebra do Brasil, que então batia às portas do FMI e dos EUA para pedir US$ 40 bilhões emprestados, porque, conforme FHC ia queimando nossas reservas para que os Salvatores Cacciolas da vida retirassem seus dólares do país, essas reservas iam derretendo.

Antes do empréstimo do FMI, chegamos a ter apenas 16 bilhões de reservas em dólares, insuficientes para financiar até uns poucos meses de exportações. Hoje, temos US$ 200 bilhões de reservas.

E hoje há uma diferença fundamental para a saída de dólares do país, que a mídia alardeia que bateu nos US$ 7,2 bilhões no mês passado: enquanto ontem os dólares fugiam daqui por medo daqui, hoje eles saem daqui para irem socorrer os investidores estrangeiros nos países nos quais, ao contrário daqui, eles perderam dinheiro.

Contudo, apesar desse aumento das remessas de dólar ao exterior, que inclusive é maior mesmo nos fins de ano, no mês de outubro entraram US$ 3,9 bilhões de investimentos estrangeiros no Brasil, e não em especulação financeira - como era regra em 1999 - mas em setores produtivos.  

Enquanto que em 1999 o percentual da dívida pública versus PIB respondia por cerca de metade das riquezas produzidas no país em um ano, hoje essa relação está em 36%, o menor nível em SESSENTA ANOS (!), e isso porque, tecnicamente, o Brasil não tem mais dívida externa, pois têm mais a receber do exterior do que tem a pagar.

Quando digo que a crise não nos pegará com muita força e que o governo Lula pode se consagrar no ano que vem - e comecei a dizer isso quando todos diziam o contrário, até membros do próprio governo -,  não é sem razão. Tenho fortes motivos de convicção, motivos que não se limitam apenas à teoria mas também à prática de minha atividade profissional, que se encontra num dos setores mais afetados pela crise, o de exportações.

Porém, a estratégia da mídia pode, sim, vir a gerar problemas para o país. As decisões de suspensão de investimentos que empresários alarmados podem tomar certamente teriam efeito sobre a economia. E essa é uma área onde é perigoso brincar, pois o efeito dominó pode acabar transformando um problema perfeitamente contornável numa redução da atividade econômica que pode pôr o país inteiro em dramas econômicos.

É por isso que o governo Lula e seu titular vêm lutando contra o discurso midiático. Não há um dia em que Lula ou seus ministros não contestem as previsões catastrofistas e as tentativas da mídia de transformar problemas localizados em tendências, pois quando diz que "já há demissões" sinaliza que outras virão, ainda que não se tenha a menor indicação de que haverá aumento do desemprego ou que haverá uma queda mais expressiva na atividade econômica.

Está em curso uma guerra de previsões entre o governo e a mídia. Esta, acha que para ajudar o governador José Serra a chegar mais forte a 2010 precisa fazer com que a crise se agrave, pois a popularidade de Lula é que definirá se ele conseguirá transferir votos para a ministra Dilma Roussef e a mídia acredita que se mostrar que o Brasil só vinha bem até aqui porque "não havia" crise, diminuirá a popularidade do presidente.

Minha recomendação às pessoas é a de que combatam o catastrofismo e o pessimismo. Aí, logo acima, estão dados que devem ser divulgados para que as pessoas entendam o contexto do país na crise.

Está em curso o maior crime que a mídia já cometeu contra o país e, assim, cabe a cada um dos cidadãos responsáveis lutar contra ela. Porém, o governo precisa aumentar o tom de seu discurso, pois a gritaria da mídia sobre a crise está cada vez mais ensurdecedora. Estamos fazendo a nossa parte. Eu, pelo menos, estou tentando fazer a minha. Mas Lula tem que nos ajudar.  



 Escrito por Eduardo Guimarães às 11h28
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Comentário político

A nova Justiça

 

 

 

 

A condenação de Daniel Dantas a dez anos de prisão pelo Juiz Fausto De Sancis enseja uma reflexão que pode ser animadora, apesar dos pesares. E estes, os pesares, dizem respeito à velha Justiça corporativista, leniente com poderosos e dura com os humildes, que sempre existiu no país.

A sentença do Juiz De Sanctis mostra que, se hoje as oligarquias ainda contam com um Gilmar Mendes para defender seus interesses políticos e econômicos, mantendo a cúpula do Judiciário brasileiro como a porta por onde corruptos vêm escapando da Justiça há gerações, pode-se esperar que, em alguns anos, comecemos a ver chegar ao topo desse Poder magistrados como De Sanctis.

E essa nova geração de homens públicos, de juízes e de procuradores como o juiz federal supra mencionado ou como o procurador Rodrigo De Grandis, ou de policiais como Protógenes Queiróz, não se restringe a estes. Eles são a ponta mais visível do crescente contingente de idealistas que chegam ao Judiciário com uma visão nova da Justiça e acreditando na igualdade de todos perante a Lei.

Nesse episódio da Operação Satiagraha, que agora culmina com a primeira condenação grave contra Daniel Dantas, tem-se gravações que mostram tentativa clara, cristalina, insofismável, escandalosamente comprovada de que, a mando do condenado, comparsas dele tentaram corromper policiais para que o excluíssem das investigações.

A defesa de Dantas, que está recebendo milhões e milhões de reais, desqualifica e acusa juízes e policiais até de "forjarem provas" contra o banqueiro. Falam com a maior naturalidade do mundo e as gravações explicam por que. Os pretensos corruptores dos policiais, agindo em nome de Dantas - e citando-o nominalmente, inclusive - afirmam que o banqueiro estaria "se lixando" para processos contra si porque seriam barrados ou no STJ ou no STF.

Tais declarações, dadas num contexto que ninguém poderia imaginar que pretendessem prejudicar um Gilmar Mendes, por exemplo, deveriam abalar as estruturas da República. É inadmissível que a cúpula do poder Judiciário, diante de tão grave denúncia, continue agindo como se estivesse acima de qualquer suspeita.

Mas, enfim, estamos no Brasil, onde sempre foi assim, onde todo mundo sempre soube que é assim e onde ninguém admite publicamente que é assim, apesar de que é assim que é.

O Ministério Público Federal e os jovens juízes que vêm chegando ou que vão avançando na carreira da magistratura, estão muito distantes de um Gilmar Mendes. A Procuradoria-Geral da República é uma das mais sérias instituições desse tipo no mundo, atualmente.

Vejam aquela representação que a ONG Movimento dos Sem Mídia protocolou no Ministério Público Federal acusando a mídia de alarmismo durante o surto de febre amarela no início deste ano. Se há dez anos disséssemos que tal denúncia seria seriamente investigada, como está sendo, ninguém acreditaria.

Por mais que Dantas, Mendes, esses partidos políticos e meios de comunicação, todos unidos, tentem desanimar a sociedade, tentem passar à maioria a idéia de que "é assim mesmo", de que "sempre será assim", de que temos que aceitar que haja uma Justiça para pobre e outra para rico no Brasil, a coragem de um De Sanctis, de um Protógenes, de um De Grandis mostra que o futuro será melhor.

Isso acontece porque o setor pensante da sociedade vai entendendo que uma Justiça como a que ainda temos no Brasil constitui sério entrave ao processo civilizatório, à prosperidade e à paz social. Esses processos são lentos, mas inexoráveis. Quem viver, verá.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 15h00
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Crônica

Gente que “rala”

 

 

 

Pergunto-me se sou capaz de escrever alguma coisa que preste depois de ter viajado 1.300 quilômetros pelo interior de São Paulo ontem. No momento, acaba de passar a primeira hora da madrugada desta terça-feira; estou desperto há 20 horas e acabo de chegar ao hotel.

 

Há muitas coisas sobre as quais gostaria de escrever se não estivesse com tanto sono e se não tivesse que voltar ao trabalho daqui a cinco horas. Descontando-se uma hora que levarei para pegar no sono, restar-me-ão quatro horas para dormir.

 

Gostaria de ter escrito sobre a auto-regulamentação da mídia que o Jornal da Globo defendeu. Na verdade, gostaria de propor que me permitissem auto-regulamentar meus ganhos, o local onde estacionar meu carro ou quanto terei que pagar de impostos, mas eu não sou a mídia...

 

Outro assunto bom é Lula, para variar. Mas o homem trabalha, não? O ritmo é impressionante. Imagino o presidente dividindo cada bola até o último dia de seu mandato.

 

E o Obama no PIG? Querem provar que ele não mudará nada porque está cumprindo promessa de campanha de montar um time de notáveis – no que tange a experiência – independentemente de ideologia ou coloração político-partidária. A mudança virá dele, como ele diz.

 

A crise? Agora reduziram a meio por cento o crescimento do Brasil no ano que vem. Anotem o número aí, por favor.  

 

Mas o fato, como vocês viram na pobreza dos comentários acima, é que não consigo defender minhas teses. Estou morto. Por hoje é só, pessoal. Na noite desta terça posto de novo. Ah, e os comentários talvez não sejam liberados com a presteza costumeira.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 01h15
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Análise política internacional

A missão de Obama

 

 

 

 

 

 

Penso que o Brasil e o mundo se encontram numa encruzilhada político-ideológica. O planeta tem, diante de si, uma das maiores possibilidades que já teve de mudar radicalmente de rota, de abandonar de vez o caminho que o trouxe à situação pouco animadora em que se encontra.

 

Vários foram os fatores que vieram conduzindo o mundo ao ponto em que está. O fortalecimento do neoliberalismo na década passada levou essa ideologia à hegemonia plena em todo o planeta, contaminando até a China, e fez chegar ao poder do pais mais poderoso do mundo a expressão política dessa ideologia, o presidente republicano George Walker Bush.

 

A frivolidade do partido Democrata, que na década passada levou duas vezes ao poder um intelectual bon vivant como Bill Clinton, fez os Estados Unidos acabarem dando ouvido aos delírios de poder hegemônico dos republicanos, ou seja, da expressão mais acabada da mentalidade mais intelectualmente atrasada da sociedade estadunidense.

 

A ascensão de Bush ao poder no início desta década representou uma decisão expansionista do povo norte-americano. Os Estados Unidos acreditaram que dominavam o mundo, que podiam submetê-lo aos seus caprichos políticos, que seus interesses poderiam prevalecer onde quisessem.

 

A Doutrina Bush, com suas guerras preventivas no Afeganistão, no Iraque, com sua interferência nos assuntos internos de países de toda parte, desde o Oriente Médio até o quintal dos EUA, na América Latina, tudo se resumiu a um projeto de expansão do poder norte-americano a um ponto em que pudesse pegar o quisesse, em qualquer parte do mundo, e na hora que quisesse.

 

Naquele momento, o que os EUA mais precisavam era de petróleo. Porém, apesar de Bush nos Estados Unidos, a América Latina começou a eleger regimes em franca oposição à superpotência, regimes como o de Hugo Chávez, na Venezuela, precursor de uma extensa fila de governos situados no lado do espectro político diametralmente oposto ao que estava o governo norte-americano, recém-constituído.

 

Veio, então, a reação do Islã – ou de islamitas, para não debitar a uma filosofia de vida, mais do que a uma civilização como a islamita, a responsabilidade pelo desafio aberto ao império ianque.

 

O 11 de setembro não foi nada mais do que grupos políticos de países do Islã fazerem nos Estados Unidos o que estes faziam no Oriente Médio. Vítimas inocentes havia e há dos dois lados. Assim como os EUA matavam mulheres, crianças e velhos no Oriente, grupos orientais vieram fazer o mesmo com seus agressores no país deles.

 

Um comentário: quem é o terrorista nessa história? Para mim, ambos são.

 

Foi aí que o imperialismo ianque entrou em sua decadência inexorável, que, tal qual ocorreu com os regimes do Muro de Berlim, deverá fazer com que os norte-americanos recuem do expansionismo desvairado em que se meteram no início da década. Um expansionismo que não objetivava conquista de territórios, mas o saque de riquezas em terra alheia.

 

Os Estados Unidos foram perdendo poder econômico. Sustentar várias guerras os debilitou na guerra comercial tanto com potências emergentes como a China quanto com a Europa. A China, aliás, assumiu a missão de debilitar economicamente a potência então hegemônica fabricando produtos tecnológicos similares aos norte-americanos por uma fração do preço que praticavam.

 

Enquanto os EUA torravam trilhões de dólares em armas, europeus e asiáticos desenvolveram uma indústria automobilística mais avançada e racional, por exemplo. Os trambolhos norte-americanos, pesados, consumidores de altas quantidades de combustível foram superados pelos veículos leves, modernos e sumamente econômicos e baratos dos asiáticos, que conseguiram invadir até uma das reservas de mercado mais protegidas do mundo rico no setor automobilístico, o mercado brasileiro.

 

Quem derrotou o expansionismo norte-americano e fez a maioria dos estadunidenses reverem a decisão política que adotaram no início da década de colocarem no poder um senhor da guerra para dominar o mundo não foi a boa índole daquele povo, uma boa índole que pode até existir mas que não foi causa de eleger Barack Obama.

 

Os Estados Unidos não têm mais dinheiro para sustentar todas essas guerras, todo esse gasto militar, ao custo de seu povo não ter um sistema de saúde pública, de a pobreza ter aumentado tanto, mas tanto por lá que fez a crise chegar até aos bolsos dos ricos, que, quando perceberam que estavam gastando com o mundo (para atacá-lo) muito mais do que dele estavam saqueando ficaram bonzinhos de repente e elegeram um negro de nome islamita para terminar as guerras que começaram.

 

Contudo, os norte-americanos querem terminar aquelas guerras sem parecer que as perderam, pois um Obama pôr fim a guerras contra povos a que pertenceram seus antepassados faz dele um vitorioso e, assim, todos os norte-americanos acabam compartilhando a vitória de seus inimigos.

 

Obama foi eleito para pôr fim às múltiplas guerras impossíveis de ser vencidas que George Bush começou. Foi eleito para acabar com Guantánamo “por decisão dos americanos”, para se entender com a América Latina de esquerda (com Hugo Chávez, com Fidel Castro ou com Evo Morales), que detêm o apoio político que Bush viu derreter.

 

No mais, Obama deverá governar para melhorar a vida do conjunto da sociedade norte-americana, sobretudo das camadas mais pobres, arrasadas pelos dois governos de ultra-direita de Bush e, anos antes, pelo neoliberalismo da ala mais conservadora do partido Democrata durante a era Clinton. Tudo isso logo depois do surto ultraliberal desencadeado por Ronald Reagan no mundo. É muito para qualquer povo. O resultado está aí, aliás.

 

Mas o que importa, agora, é o mundo entender que Obama não irá resolver problemas de ninguém além dos deles, dos norte-americanos. Se terminar guerras, se pacificar relações políticas com as regiões do mundo com as quais Bush criou beligerância, tudo será em benefício dos norte-americanos. E é bom que seja assim.

 

Obama pode inaugurar uma crença do seu povo em que o mundo não pode ficar mergulhado na miséria e na ignorância, na carestia de tudo, só para sustentar, nem o povo norte-americano como um todo, mas uma elite naquele país.

 

Essa inflexão na mentalidade norte-americana poderá – e deverá – contaminar estratos sociais superiores dos países subdesenvolvidos – ou emergentes, ao gosto do freguês – como a elite brasileira, por exemplo, tão completamente americanizada. Talvez vendo os norte-americanos entenderem que um país em que a pobreza e a desigualdade se espalham é um país que vai se tornando cada vez mais inseguro, nossa elite entenda que o mesmo vale para o Brasil.

 

Os efeitos benfazejos da eleição de Obama para o Terceiro Mundo, como se vê, serão marginais. Mas existirão. Só não será justo, porém, pedir a ele que contrarie os interesses dos americanos para beneficiar outros países. Haverá guerra comercial, haverá tentativas dos Estados Unidos de manter privilégios exatamente como faria qualquer país. Não se pode pedir aos estadunidenses que façam por nós o que muitos de nós recusam-se a fazer por uma Bolívia, por exemplo.

 

E, finalmente, como se não bastasse tudo isso que Obama poderá fazer pelo mundo, sua eleição revela um traço interessante da sociedade norte-americana que, inclusive, explica a supremacia que aquele povo ainda tem no mundo: sua capacidade de se reinventar e de assumir a vanguarda dos grandes movimentos da humanidade.

 

O possível ressurgimento de uma visão mais humanista no comando dos Estados Unidos constituiria talvez a maior vitória do país em toda sua história. Obama tem condições de melhorar o planeta através do diálogo e da negociação. Tem condições de estimular a justiça social em toda parte. Pode passar à história como um dos maiores estadistas de todos os tempos. E o melhor de tudo, no meu entender, é que penso que ele anseia por isso. Que Deus me ouça.

 

 

AVISO: nesta segunda-feira estarei em trânsito pelo interior de

São Paulo  e,  portanto,  poderá haver atraso  na  liberação  de

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 Escrito por Eduardo Guimarães às 13h03
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