Esclarecimento

Como vejo a crise

 

Atualizado às 19h17 de 27 de dezembro de 2008 

 

Desde que a crise internacional se instalou na mídia – e, em certa medida, no país –, tenho dado prioridade a denunciar a conduta da oposição ao governo federal, tanto a oposição assumida (os partidos) quanto a dissimulada (a mídia). Refiro-me à conduta de torcer – e até de agir – para que os efeitos dessa crise sejam mais intensos por aqui.

Em virtude dessa minha preocupação em avisar as pessoas para que não embarquem na sabotagem da mídia contra o país ajudando-a a disseminar o pânico entre os agentes econômicos justamente num momento em que precisamos de toda serenidade que pudermos conseguir, talvez eu não tenha explicado claramente minha opinião sobre a intensidade com que a crise nos atingirá.

O Luiz Carlos Azenha escreveu ontem em seu site que acha que subestimo a crise. Ele diz isso sabendo exatamente minha posição, pois conversamos longamente sobre o assunto. Mas vocês não devem saber tanto quanto ele sobre como acho que a crise nos atingirá.

Em primeiro lugar, quero esclarecer que tenho total consciência da gravidade da crise no mundo. Aliás, acho impossível que alguém não saiba dessa gravidade, pois tenho 49 anos e nunca vi todos os países mais ricos e industrializados mergulharem na recessão e no desemprego ao mesmo tempo e tão profundamente.

Dito isso, volto aos efeitos da crise no Brasil. Desde que escrevi o primeiro texto sobre o assunto, ainda em setembro, disse claramente que não desconheço que problemas localizados ocorrerão na economia nos setores ligados aos negócios internacionais. E assim foi com as vendas de automóveis e de imóveis, fortemente dependentes de crédito internacional.

Tenho total consciência dos efeitos da crise no país, como a quase paralisação dos negócios em setores como aquele em que atuo (de exportação de manufaturados). Porém, tenho consciência, também, de que tais problemas foram episódicos e localizados, e de que a economia tem outros pilares de sustentação muito mais importantes do que os setores automotivo ou de imóveis, entre outros afetados pela crise.

Minha opinião clara é a de que os indicadores econômicos, que até agora não permitem que se diga que houve mais do que uma marolinha no Brasil, deverão ser bem menos afetados do que está sendo dito.

Não acredito numa freada brusca da economia brasileira no primeiro trimestre de 2009 ao ponto que a mídia disse, ponto que ficou entre a estagnação e a recessão. Acho que será um crescimento menor, mas ainda assim haverá crescimento num mundo em franca recessão já há meses.

Tampouco creio numa onda de demissões no primeiro trimestre do ano e muito menos num aumento do desemprego. Haverá, no máximo, redução da criação de vagas. Ou seja: o mercado de trabalho não diminuirá, simplesmente crescerá menos do que estava crescendo, e sem esse mercado diminuir não haverá como reduzir muito o ritmo da economia.

Em poucas palavras, creio que esclareci bem meu ponto de vista. Daqui a uns dois meses já teremos números suficientes da economia para sabermos se perdi ou venci a aposta que fiz com o meu bom amigo Luiz Carlos Azenha sobre este assunto. Trata-se de uma aposta, aliás, que estou certo de que ele está doido para perder.

 

Tsunami ou marolinha?

 

Cada vez mais jornalistas e analistas vão desembarcando das teorias catastrofistas para o país. Ontem, postei aqui matéria da revista Época Negócios, da editora Globo, que já reconhecia que Lula estava certo quando falou sobre marolinha. Agora, ninguém mais, ninguém menos do que Clóvis Rossi, da Folha, já corre para o mesmo canto do ringue em que permaneci desde o primeiro segundo da explosão midiática da crise. Ele é esperto. Conheço o cara. Tínhamos contato por e-mail e até pessoalmente. Sei o quanto é esperto. Já viu que o novo plano “infalível” da mídia vai fracassar. Vejam, abaixo, o que ele diz, e lembrem-se de quem disse lá atrás o que vai se materializando aqui na frente. Afinal, desde setembro venho pedindo que guardem minhas palavras.

 

CLÓVIS ROSSI - 27/12:08

Feliz 2008. Ou 2011?

SÃO PAULO - Roubei parte do título acima de um artigo de Carlos Eduardo Gonçalves, professor do Departamento de Economia da FEA-USP (e aposto que você não percebeu o 2008, em vez de 2009).

No fundo, o texto de Gonçalves tem o mesmo sentido do belo trabalho de Valdo Cruz, publicado quinta-feira por esta Folha, no qual ele diz que Natal tão bom como o deste ano, só no próximo governo, seja qual for o governo.

O professor da USP lembra, primeiro, todos os luminosos dados da economia brasileira até setembro, para acrescentar: "De outubro para frente, temos um outro Brasil. Produção industrial em queda, vendas de automóveis caindo mais de 20%, anúncios de férias coletivas e promessas de demissões, cortes de projetos de investimento, "spreads" bancários em forte alta, saída maciça de recursos, Bolsas em queda livre etc. Tudo de ruim, em poucas palavras".

Não tenho um mísero argumento para contestar Valdo Cruz ou Carlos Eduardo Gonçalves. Só diria que Valdo foi econômico ao falar apenas em um Natal belíssimo em 2008. O pós-Natal também parece luminoso, ao menos no "meu" shopping, no qual o movimento ontem era parecido com o das vésperas natalinas: uma massa de gente com sacolas e pacotes nas mãos.

Torço para que estivessem apenas trocando presentes de que não gostaram ou não serviram. Se estavam comprando, os fundamentalistas do BC duplicarão os juros na primeira oportunidade.

Não só no meu "shopping": as vendas em todos os 644 similares do Brasil cresceram 3,5% em dezembro, na comparação com 2007.

Os lojistas esperavam crescimento entre 8% e 10%. Mas, caramba, 3,5% após dois meses de uma crise tão forte é fantástico. É óbvio que 2009 será pior que 2008. Mas, pelo menos no meu microhorizonte visual, não é o caso ainda de desejar feliz 2011.

 

“Lembrancinhas” de Natal

 

 

 

 

Lembrei-me de que a mídia andou dizendo que neste ano as pessoas estavam comprando só “lembrancinhas” de Natal, que estavam mais econômicas por causa da crise. 

A moça bonita da foto chama-se Cristiane. Trabalha na cafeteria aprazível de uma das lojas “premium” do grupo Pão de Açúcar próxima de minha casa, onde se pode degustar um expresso ao som de violino (tocado ao vivo, obviamente que por uma violinista) numa manhã de sábado.

Ela se aproximou de mim para servir-me o café na mesinha enquanto eu navegava na internet com meu nootebook. Tímida, perguntou-me se poderia lhe dar uma informação, ao que acedi imediata e solicitamente.

A moça perguntou-me como faria para ter acesso à internet. Ela precisava de um nootebook porque entrou na universidade neste ano, graças ao Prouni, e, como Lula lhe disse que se não estivesse endividada deveria realizar seu sonho, deu a si mesma a máquina (valor da “lembrancinha” : R$ 1.100) no Natal. Comprou em dez vezes no cartão.

Cristiane ganha cerca de R$ 700 por mês. Conseguiu seu primeiro emprego há um ano. Nunca pensou que um dia, além de entrar na universidade, compraria um nootebook.

Essas são as pessoas que farão diferença na crise, os 85% do PIB do país que querem continuar vivendo, que não querem caos, depressão, tragédia, sofrimento só para José Serra realizar seu sonho de virar presidente da República.

 

A ordem é comprar

 

Acabo de ver na Band News que as ruas de comércio do país lotaram-se de COMPRADORES depois do Natal, ontem e hoje (sábado). As pessoas entrevistadas disseram-se surpresas por ver as ruas e lojas cheias. Muitos foram às compras pensando encontrar não só as ofertas pós-natalinas - que efetivamente encontraram -, mas as ruas e lojas mais vazias. Encontraram o contrário. O povão continua comprando, para dezembro não ser ruim como querem José Serra, os Frias, os Marinho, os Civita e congêneres.

 

O negócio é ler o Pravda

 

Pesquei esta no site do Luiz Carlos Azenha. Um leitor de lá mostrou como, para ter boas notícias sobre o Brasil, há que ler a imprensa estrangeira. Vejam:

 

 

Para ler a íntegra da matéria do Pravda, clique aqui

 

Será?

 

Comentário de leitor:

Eduardo, mais um subsídio à sua tese, e dos bons.

Tenho um primo em Londrina, professor da UEL, e, para orgulho próprio, ex-aluno meu, do tempo em que permanecia professor. Maurício, o meu primo, também tem uma loja de roupas e materiais esportivos num shopping no centro da cidade.

Pois bem, estive em Londrina pelo Natal. Em conversa com ele, contou-me que um desses empresários encorpados recebeu uma ligação do contato da Globo local. A intenção dele era a renovação de contrato de publicidade. Seguro, o contato propõe a renovação. Para surpresa do vendedor global, ouve do empresário:

"Vamos esperar o Jornal Nacional de hoje. Vou ficar atento. A cada notícia de crise que sair no jornal, reduzo 10% no valor do contrato com a Globo".

José Melquíades Ursi | Curitiba - PR | Programador Visual



 Escrito por Eduardo Guimarães às 03h19
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Denúncia

Vampiros da crise

  

 Atualizado às 20h02 de 26 de dezembro de 2008

 

 

 

Sei que muitos de vocês estão bravos porque a mídia transformou em má notícia a boa notícia de que enquanto no resto do mundo o Natal deste ano foi o pior em muito tempo – algumas vezes, em décadas –, no Brasil as vendas do comércio foram ainda melhores do que as do ano passado, com crise e tudo. Sim, a mídia fez a demonstração de vigor econômico do Brasil diante da crise virar “crescimento menor” das vendas. Em nenhum momento o fato de que o resto do mundo teve um dos piores Natais da história pesou na composição das manchetes, ok, mas tem coisa muito pior acontecendo.

Dei-me conta disso ao ler nos portais da grande mídia na internet que os empresários do setor de shoppings centers estão pedindo “flexibilização” dos direitos dos seus empregados justamente no momento em que se sabe que venderam 3,5% neste ano a mais do que no ano passado. Ou seja: eles não perderam, eles ganharam e querem ser indenizados por isso, pelos que trabalharam para eles e os fizeram ganhar mais. E como são pagos esses trabalhadores? Ora, com propostas de que aceitem ganhar menos ou serão demitidos.

O objetivo da mídia, como se vê, não é só político. Que o diga o tal presidente da Vale do Rio Doce, o tal de Roger Agnelli, que, mesmo depois de lucrar como nunca durante tantos anos e tendo direito de exploração ao infinito de enormes riquezas no subsolo brasileiro, assim que ouve falar de crise já quer tirar direitos daqueles que o ajudaram a lucrar – e que não partilharam do lucro – e que, agora, terão que pagar com seus direitos trabalhistas por um prejuízo que, inclusive, ainda não houve, ao menos no Brasil.

E vão se sucedendo esses grandes picaretas, tomando recursos em bancos oficiais a juros subsidiados, conseguindo favores do Estado geração após geração enquanto que o pequeno e médio empresário, como aqueles com os quais trabalho, mesmo com retração nas vendas continuam acreditando no país, mantendo o quadro de empregados e planejando estratégias para o ano que entra, entre as quais não está lucrar às custas do erário público ou daqueles que há questão de meses os ajudaram a lucrar como nunca.

O Brasil que temos que fazer crescer, pois, é o desses empreendedores que não vivem à sombra dos cofres públicos mendigando benesses sem justificativa, por pura ganância e falta de amor ao país e ao nosso povo. Chega de dar moleza a esses empresários que não reconhecem suas responsabilidades sociais advindas de todas as isenções e incentivos, de todos os financiamentos com dinheiro público, de todas as renúncias fiscais que já receberam e que pesaram sobre as costas do contribuinte.

Olho para essa gente e enxergo verdadeiros chacais, abutres disputando a carniça da nação. Eles me causam repulsa. Não têm moral. Nem parecem ter família ou amigos. Parecem seres de pedra ou de gelo. Oportunistas! Sem-vergonhas! Safados! Sanguessugas! Vampiros da crise!!

 

Época diz que Lula está certo sobre crise

 

Reproduzo reportagem divulgada no site da revista Época Negócios desta semana, que, contrariando o noticiário alarmista, reconhece, com todas as letras, que “o cenário [econômico] previsto para 2009 não está muito longe de comprovar a tese do presidente” Lula. A mídia já prepara um plano B, visando a hipótese de ter que desembarcar de seu último plano “infalível”. Leia, abaixo, a íntegra da matéria.

No final do ano, após o anúncio de mais resultados positivos da economia, o presidente Lula afirmou: "quem torcer para esse país não dar certo vai simplesmente quebrar a cara." No ano seguinte ao estouro da crise americana, a afirmação soa ousada, mas o cenário previsto para 2009 não está muito longe de comprovar a tese do presidente.

A onda de fusões e aquisições que ocorreu em meio à turbulenta crise financeira mundial deve continuar no próximo ano. Segundo o economista Luiz Alberto Rabi Jr, da MCM Consultores, esse processo é recorrente na economia e foi muito intenso nos primeiros anos do Plano Real, na década de 90. "Acredito que essa onda de fusão continuará por algum período, mas com menos intensidade. Provavelmente, bancos estrangeiros que enfrentam problemas lá fora devem vender suas operações no Brasil", diz o economista.

Outro ciclo que deve ter uma mudança no ano que vem é o da produção de petróleo, principalmente os investimentos no pré-sal. Com a queda brusca no preço da commodity, toda a euforia para apressar a extração nos promissores campos em alto-mar ficou para trás. Como o cenário global é ainda incerto para grandes investimentos, novas perfurações nestes campos serão uma preocupação menor do governo. Para Zeina Latif, economista-chefe do grupo ING no Brasil, a discussão do pré-sal já morreu. "Os patamares de preço do petróleo atualmente inviabilizam novos investimentos."

Para Luiz Otávio de Souza Leal, economista-chefe do Banco ABC Brasil, o país vai passar por um período de indefinição em 2009. "Deveremos passar por um marasmo em relação a investimentos no setor de petróleo e novas descobertas, como tivemos em 2008. O mercado vai ficar mais seletivo a notícias deste tipo", afirma. O economista também acredita que a produção dos combustíveis alternativos também será afetada, como o biodiesel. "Essa visão de que o Brasil poderia ser um provedor mundial de combustíveis alternativos depende muito do nível do preço do petróleo."

Desaceleração geral

A indústria dos combustíveis não será a única afetada. A previsão para o último trimestre deste ano e o início do ano que vem é que diminua o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). O desemprego deve aumentar, mas com um impacto bem menor do previsto para os países mais afetados pela crise global. O economista-chefe do Banco ABC Brasil lembra que muitas empresas brasileiras estão utilizando driblando as demissões em massa com mecanismos alternativos, como férias coletivas. Essa manobra “dá resistência ao mercado de trabalho”. "Um ponto importante é que boa parte das vagas criadas é formalizada, ou seja, o trabalhador teve a carteira assinada. Por si só, isso inibe o empregador a dispensar seus funcionários", diz Souza Leal.

Alexandre Mathias, economista-chefe da Unibanco, concorda e prevê um cenário otimista com baixo nível de desemprego. "A contração será breve e, no segundo semestre, começa a recuperação. Em 2010, já podemos falar de um crescimento mais relevante. Nenhum empresário demite de forma maciça ao perceber a recuperação no médio prázo", afirma Mathias.

Brasil protegido

Enquanto os países que estavam no centro da crise financeira devem lutar contra a recessão em 2009, o Brasil se protegeu o suficiente para evitar este cenário num futuro próximo. Mas esta blindagem não deve evitar que o país passe pela desaceleração da economia. Para o economista da MCM Consultores, o Brasil será um dos menos afetados pela crise. "Nossa previsão é crescimento próximo de zero em quase todo o mundo, menos no Brasil, que deverá ver o PIB de 2% a 3% maior no final de 2009."

O retorno a patamares mais ambiciosos de crescimento econômico será mais rápido para o Brasil, segundo os economistas. "Ao contrário dos Estados Unidos, o Brasil possui um setor bancário solvente e está preparado para o retorno à normalidade da economia mundial", diz Roberto Padovani, estrategista-sênior para América Latina do Banco West LB.

Ao comparar o Brasil de hoje ao Brasil que enfrentou as crises do final dos anos 90, as diferenças são visivelmente grandes. "Nas últimas crises, sempre acontecia alguma coisa no país, fatores domésticos que aumentavam a duração da turbulência, como o racionamento de energia, crises políticas. Hoje não. Temos fundamentos muito mais sólidos. O cenário que eu imagino é que o Brasil vai ter um desempenho melhor que os seus pares." O tom das previsões dos economistas difere bastante do de Lula, mas as perspectivas são uma só: o Brasil em 2009 terá um desempenho muito melhor que boa parte dos países ricos do, até pouco tempo atrás, chamado Primeiro Mundo.

 

*

 

Um comentário: a parte da reportagem acima que fala de adiamento da exploração do pré-sal merece um post exclusivo diante da importância do assunto e do tratamento absolutamente ridículo que a matéria deu a ele. Os investimentos na exploração de petróleo no litoral Sudeste do Brasil são investimentos de longo prazo. O preço baixo do petróleo é episódico. Se todos os investimentos forem feitos agora, se o ritmo desses investimentos continuar o mesmo ou mesmo se aumentar, quando formos colher o resultado a realidade no Brasil e no mundo será bem outra, num mundo em que o petróleo está acabando e que, portanto, será um mercado estupendo para quem tiver o ouro negro. Chega a ser inacreditável a irresponsabilidade dessa gente.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 18h12
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Análise político-econômica

Cartas na mesa

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Comecei a escrever este texto ainda na noite de 25 de dezembro, em pleno Natal. Estava - e continuo - perturbado, e tal sentimento se origina da ameaça que estou vendo se agigantar contra o país. Trocando em miúdos: estou assustado com o que a mídia e a oposição estão fazendo – e não estou brincando, nem sendo irônico.

Estou assustado com a persistência da natureza alarmista do noticiário sobre a crise, essa tragédia que não deu descanso às pessoas nem durante a maior festa do mundo ocidental, e que recrudesceu a partir do pronunciamento de Lula na televisão na última segunda-feira, quando o presidente pediu ao país que continue consumindo normalmente os produtos de que precisa.

Adianto a vocês, consternado, que a tempestade de “más notícias” deverá crescer exponencialmente nas próximas semanas e deverá permanecer no mesmo nível até que saiam os primeiros números da economia em 2009, o que começará a acontecer logo depois do Carnaval. A partir daí, poderá haver desistência de mais essa campanha política dos meios de comunicação.

Durante esse período, a mídia lutará para transformar em materialização do caos os piores números da economia que conseguir colher e até para transformar números positivos em negativos, como fizeram recentemente com os dados sobre o desemprego, que mostraram que a crise afetou pouco o mercado de trabalho no Brasil, ou com a conta-corrente cambial – de entrada e saída de dólares no país – em dezembro, que teve déficit bem inferior ao de novembro (US$ 4 bi neste mês contra mais de US$ 10 bi no mês passado).

Também será tentado manter o país sob bombardeio de todo tipo de má notícia que for possível, mesmo sem ter relação com a economia. A finalidade é a de criar um clima de aflição generalizado.

E para quem acha que estou subestimando a crise por não ter credenciais efetivas que me facultem falar com autoridade sobre economia, quero informá-los sobre a opinião de alguém a quem certamente será dado crédito ao dizer o mesmo que tenho dito reiteradamente neste blog.

Segundo o chefe do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getulio Vargas, Marcelo Neri, o mercado de trabalho brasileiro, sobretudo o mercado formal, que se mostrava aquecido até setembro deste ano, batendo recorde de geração de emprego, deverá passar por uma desaceleração devido à crise internacional.

Até agosto, o emprego no país estava 24,7% acima do nível de 12 meses do ano passado, que foi o recorde anterior da série, disse Neri, em entrevista à Agência Brasil. Isso correspondeu à abertura de 1,88 milhão de postos de trabalho formais (com carteira assinada) no Brasil no período de 12 meses encerrado em agosto.

Neri considerou esse resultado surpreendente, pois a crise internacional havia sido anunciada há um ano e várias economias desenvolvidas já enfrentavam recessão, com extinção de inúmeros postos de trabalho.

Segundo Neri, “Até o último PIB o quadro era surpreendente: apesar da crise, anunciada há mais de um ano lá fora, muitos países desenvolvidos estão com crescimento negativo e com destruição de postos de trabalho, e o Brasil, até pouco tempo, batia recorde de geração de emprego formal.” 

O trecho em itálico que você acaba de ler pertence a uma reportagem publicada pelo site do PC do B (Vermelho.org).

Quem lê de fato este blog sabe há quanto tempo venho dizendo que a crise só começou em setembro para aqueles que se deixam mal informar pela grande imprensa brasileira. Os excelentes números sobre o PIB do terceiro trimestre deste ano (6,8%), publicados recentemente, ocorreram enquanto o resto do mundo continuava a submersão prolongada em que está metido há mais de um ano.

A despeito disso, até por uma reação autêntica de inconformismo com os fatos e no âmbito de um mergulho num processo de auto-engano, de negação da verdade, a mídia e a oposição não apenas acreditam que seremos vitimados pela tragédia econômica como acha que lucrará ao prever sua chegada com maior alarido às vésperas de sua materialização no país.

Nesse contexto, a aposta conservadora ficou bem clara na coluna do jornalista Fernando Rodrigues publicada na última quarta-feira pelo jornal Folha de São Paulo. O texto é precioso para a compreensão do que eles acham exatamente que irá acontecer. Depurei-o dos “enfeites” retóricos e o que lhes apresento, abaixo, é a sua essência. Vejam:

Não existe o menor consenso no governo sobre como será exatamente o impacto da desaceleração econômica. Daí a razão de o presidente se esfalfar diariamente para tentar manter um certo otimismo no país. O pior cenário para Lula parece ser também o mais provável. A carnificina ocorre no primeiro semestre de 2009. Demissões, queda nas vendas e nos níveis salariais. O restante do ano se arrasta. O Natal vem sem brilho. Por fim, 2010 começa com os eleitores querendo mudanças, favorecendo a oposição.

Viram? É bem simples. E eles farão tudo o que vocês possam – e o que ainda não podem – imaginar para que esse quadro se materialize.

Claro que há perguntas a fazer sobre o assunto a Fernando Rodrigues, aquele que Serra mandou a Folha pôr na geladeira por mais de um ano por ter estragado o discurso da mídia serrista ao publicar em seu blog que o acidente com o avião da TAM havia sido causado ou por falha do piloto ou do equipamento, pois uma de suas “manetes” havia permanecido em posição incorreta durante o pouso malsucedido.

Um parênteses: o colunista voltou com a corda toda, disposto a provar sua lealdade ao governador José Serra, como vem demonstrando diariamente na coluna que retomou na Folha ou na sua atuação lamentável durante o programa Roda Viva, na última segunda-feira, quando tentou desmoralizar o delegado Protógenes Queiroz.

Mas vamos às perguntas sobre a previsão absurdamente convicta de Fernando Rodrigues. Poderíamos perguntar se, mesmo com o caos econômico se consolidando, as pessoas achariam que o país precisaria de mudança ou se entenderiam que a piora da economia se deveria a fatores fora de controle de qualquer país, pois não existe ninguém, nem na direita nem na esquerda, que até agora tenha tido coragem de afirmar que o Brasil, se entrar em crise, terá sido por culpa de Lula.

A pregação do agravamento da crise, até aqui tida como inevitável pela mídia, porém, tem mostrado à sociedade uma coisa só, que não há consenso de que tal crise tenha se instalado na medida em que pregam que se instalará por aqui. E essa percepção, por si só, foi o que fez subir a popularidade do presidente da República.

Os dados todos da economia, até aqui, mostraram apenas que os efeitos da crise internacional no Brasil foram bem menores do que o previsto. E nem mantenho que seria “só até o momento”, porque apenas a resistência do país até aqui apresentada já prova que daqui em diante continuaremos resistindo mais do que o previsto, pois os fatores que julgo que nos fortaleceram continuam presentes na equação.

Mas, então, de onde vem a perturbação, o medo que me afligiu na noite de ontem, perguntará você. Explico: está no comprovado poder da mídia de causar pânico, demonstrado nas epidemias falsas, nos falsos surtos de inflação. E a instalação de pânico entre os agentes econômicos, num momento como este, é o que de pior poderia nos acontecer...

Menos mal que o avanço consumista da população, dado em resposta à pregação de Lula, tenha impedido que perdêssemos a chance de manter a economia aquecida em dezembro, com o melhor resultado da história para o comércio no país que certamente se materializará quando forem apurados os números de dezembro, pois já é aceito por todos que o consumo cresceu neste Natal em relação ao Natal passado, que então bateu recorde.

A verdade, porém, é que estou muito triste com tudo isso. Mesmo que o golpe contra o país não funcione, não posso entender como podem fazer uma coisa dessas. Será que essa gente não tem um pingo de respeito pela espécie a que pertence? Se são capazes disso, do que mais são capazes? Vocês viram, em post anterior, o vídeo sobre o que esse tipo de gente fez na Venezuela?

As cartas estão na mesa. Já sabemos o que pretendem, como pretendem e quando pretendem. E sabemos que têm poder ao menos para influir no ânimo do país. Hoje, porém, estão desacreditados como nunca estiveram. Se Lula não deixá-los falarem sem contestação, darão com os burros n’água. Mas é justamente esse “se” que me assusta tanto...

 

Educação midiática

 

Este blog tem sido vítima de pessoas que o criticam por criticar a mídia. Segundo esses cidadãos, toda a enorme rede de críticas que vem surgindo contra a partidarização dos grandes meios de comunicação não passa de produto de alucinação. A mídia, as Globos, Folhas, Vejas, seriam instituições benemerentes que só falam a verdade e são caluniadas por "petistas".

Má notícia para essas pessoas. O Parlamento Europeu propôs esta semana que, no currículo escolar em todos os níveis, a partir de agora se inclua uma nova matéria: a Educação Midiática. A União Européia pretende que os alunos compreendam e avaliem criticamente os diversos aspectos dos diferentes meios de comunicação social, coneguindo filtrar corretamente as informações recebidas através da torrente de dados e imagens.

A Europa também virou "petista". Vejam só. Agora acha que é preciso encarar com ceticismo e cuidado a mídia e até passou a ensinar os cidadãos do futuro a lidarem com a informação. Enquanto isso, no Brasil, vemos os tais 6% "não-petistas"da população, esses que não enxergam os avanços do país, pregando que se acredite cegamente na mídia.

 

Rir é o melhor remédio

 

A Folha de São Paulo deveria mudar de nome, para Notícias Frias.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 00h07
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Crônica

Sob a árvore de Natal 

 Atualizado às 19h56 de 25 de dezembro de 2008

 

 

 

É só uma entre as bilhões de famílias em todo mundo que se reuniram para aguardar a hora mágica em que taças e brindes se erguem e todos se abraçam, tudo para comemorar o aniversário do homem que mudou para sempre a humanidade, mesmo com todos os poderes discricionários que contra ele se alevantaram, alevantam-se e que assim persistirão até o fim dos dias.

Sentado e meditabundo, contemplo, em minha sala de estar, uma cena que é talvez o mais lindo, terno e surrado clichê da história, a cena da família sentada sob a árvore de Natal ajeitando presentes na base enquanto pais, filhos, avós e netos trocam sorrisos e olhares ternos.

As músicas natalinas no aparelho de som – saudade do tempo em que se dizia simplesmente vitrola –, o aroma instigante de peru assando, minha mulher cercada pela ninhada (filhas, filho e neta) sob a árvore, pedindo que a deixem voltar ao preparo da ceia e sendo barrada por beijos e abraços.

Enquanto isso, meus genros conversando comigo sobre “a” crise e eu fingindo que escuto, quando, na verdade, estou refletindo sobre por que o Natal vale a pena mesmo para quem não acredita na vida e na obra do revolucionário Jesus Cristo.

E vou enveredando pela reflexão de que só numa festa de Natal é possível dispor as pessoas daquela forma, com bons sentimentos à flor da pele, com disposição para reconciliarem-se, para perdoarem e para serem perdoadas, e para cogitarem o que não devem mais fazer e sobre o que devem continuar fazendo...

Sob a árvore de Natal, na sala de estar da minha casa, assisto ao espetáculo do amor, vendo-o brotar dos corações e se espalhar pelo ambiente em tal profusão que parece que dá até para tocar. Presencio um milagre. Há um aroma de rosas no ar, é como se eu estivesse num sonho ou sob o efeito de alucinação, pois cada um desses seres amados parece-me emanar uma luminosidade mística.

A meia noite vem chegando. Faltam 5 minutos. Empurram-me para fora do apartamento com vários presentes e um sinete daqueles que se pendura no pescoço do gado, que meu sogro presenteou-nos um dia como peça decorativa.

A senha para que eu atue é o primeiro acorde de Jingle Bells. A parte que me cabe é dar pisadas fortes no chão, produzindo estrondo, enquanto balanço à vontade o sinete e profiro minha elogiada imitação de Papai Noel, encenação cujo destino é minha neta, a Letícia Maria:

-- Ho, ho, ho!!! Ho, ho, ho!!!

E saio correndo, escadaria abaixo, deixando os presentes à porta do apartamento, porque, em segundos, a criança passará por eles em direção às escadas, na tentativa de flagrar o “bom velhinho” em fuga, sem questionar, ao menos por enquanto – enquanto for pequena –, por que Papai Noel nunca aparece para as crianças quando lhes deixa os presentes.

Com efeito, Papai Noel é o primeiro grande auto-engano de nossas vidas...

Depois de desfrutarmos da alegria da criança ao devassar os embrulhos dos presentes, em silêncio, emocionados, abraçamo-nos e nos beijamos, proferindo, como se uma prece fosse, um simples “feliz Natal”. Nada mais é preciso dizer com a boca, palavras são sobrepujadas pela eloqüência de nossos olhares.

A Gabriela, filha que viajará no próximo dia 12 para a Austrália, onde permanecerá por um ano, aproxima-se de mim - vagarosamente. Demoro para me dar conta de que me traz um presente. Vejo-a vindo em câmera lenta. Ela me estende o presente. É uma camiseta.

Abraçamo-nos. Levanto-me, pedindo a ela que espere. Vou ao meu quarto buscar a corrente e o crucifixo que comprei para ela, para protegê-la enquanto estiver longe de sua família, do outro lado do mundo. Volto preparado para dizer-lhe as palavras que ensaiei, que seriam dadas junto com o presente, mas a voz embargada não consegue e acabamos limitados e libertados por um abraço e por lágrimas que nossos olhos não mais logram conter.

Permanecemos abraçados não sei por quanto tempo. Choramos de alegria e de dor. Alegramo-nos por sentir dor, pois só por nos amar tanto é que podemos sofrer com a separação, e é melhor sofrer por amor do que não amar.

A ceia não me apetece. Dou algumas garfadas, belisco daqui e dali, mas não sinto fome. Na verdade, a impressão que tenho é a de que nunca mais precisarei comer, pois estarei alimentado para sempre pelo amor da minha família, que vi adquirir substância sob a árvore de Natal de minha sala de estar, tornando-me ciente de quanto sou rico e de que há, sim, um poder acima do homem, do universo, o poder de Deus.

 

*

 

Nos últimos dias, as apostas políticas nos efeitos da crise financeira internacional intensificaram-se sobremaneira. Há muito que denunciar e esclarecer, mas não julguei o dia de Natal apropriado para levantar esse debate. Não apenas por ser um dia que deveríamos dedicar aos assuntos do espírito, mas porque o assunto deve vir à pauta num dia em que a internet tenha maior audiência.

O próximo post tratará do plano de vôo político dos conservadores, plano que já está sendo dado ao conhecimento público abertamente. Preciso tratar dele, pois é ruim para o país. Este alheamento espiritual é balsâmico, mas, lamentavelmente, há tempo de amar e de sonhar e há tempo de lutar, e este já nos bate às portas. Cedo ou tarde teremos que abri-las. Melhor que seja cedo.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 14h24
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Crônica

Olho da alma  

 

 

Suponho que o assalto crescente e freqüente de surtos reflexivos deve ser sintoma do mergulho que todos terão que dar um dia na maturidade e que o autor destas mal traçadas até já deu, no limiar que está de cinco décadas de permanência nesta obra de ficção que é o mundo.

Quando se troca o consumismo natalino pela reflexão, as necessidades materiais por aquelas necessidades espirituais que supostamente deveriam prevalecer numa festa religiosa, isso é sinal de que ou você está ficando mais sábio ou, o que é mais provável, de que você está ficando apenas velho mesmo.

Seja lá como for, os últimos natais têm provocado em mim sentimentos politicamente corretos – ou religiosamente corretos – sem que eu tenha que me esforçar para tê-los. Ao envelhecer, pode ser que eu esteja progredindo...

Não dou mais a mínima para os presentes ou comidas. Dou lembrancinhas de presente, se é que dou, e sou possuído por sensação indefinida – e desagradável – quando presenteado com mais do que isso.

Espanto-me com a ceia lauta, a meu ver exagerada, contra a qual não prego para não desmanchar prazeres, mas que desprezo, o que me provoca sentimento de culpa ante os que rezaram sem sucesso para ter uma fartura que já não me comove.

No entanto, apesar de minha fé num Deus de amor, não são apenas a comunhão e a generosidade que almejo nesta época. Tenho sede de consciência, de lucidez, de enxergar o que talvez ainda não tenha visto, isto é, quem sou, para que sou e por que sou.

Imagino que esse seja o prenúncio do conflito com o mundo que vai se apossando dos que amadurecem, ainda que tais mudanças não se processem necessariamente iguais em todos, pois em alguns a maturidade gera endurecimento diante das coisas do espírito. Porém, para o bem ou para o mal, o Natal vai mudando para cada um no decorrer da vida.

Hoje, sinto que posso vender o Natal até a quem não tem fé religiosa. Ao gosto do freguês, posso considerar para os descrentes que esta é uma época de pararmos para nos avaliar de forma corajosa, avaliar a vida que levamos, aquilo que representamos.

Se pudesse, remeteria estes sentimentos a mim mesmo na época em que eu achava que “ter Natal” era ter muitos presentes, muita comida, muita festa. Sobretudo ao tempo em que pensava que precisava dessas coisas e não as tinha. E remeteria àqueles que não podem ter nada disso e que pensam que é isso é o que lhes falta.

A maturidade tem suas vantagens, quando se sabe aproveitá-las. E uma delas, talvez a principal, é a de se começar a enxergar com um olho que até então permanecia fechado, o da alma.

Um feliz Natal a todos, com o olho da alma bem aberto.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 02h13
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Análise política

Liderança de Lula reduz

efeitos da crise no Brasil  

 

 

 

Em 29 de novembro deste ano, no post ” Lula subestima a mídia”, escrevi o seguinte:

Penso que Lula – e só ele – deveria reagir. Neste momento, ele deveria mandar um recado claro à sociedade de que tem gente torcendo pela crise e de que os avisos da mídia para que as pessoas parem de consumir poderão prejudicar o país.

Naquele momento, já estava a todo vapor uma campanha da mídia para pôr o Brasil em recessão junto com o resto do mundo ao estimular as pessoas a fazerem o contrário do que economistas e países do mundo inteiro estão pregando, que os povos deste planeta consumam, comprem, para evitar uma depressão mundial. E via-se, na mesma mídia, uma tentativa de responsabilizar o presidente da República pela catástrofe em Santa Catarina.

Ontem, o presidente finalmente fez o que eu vinha pregando faz tempo: usou sua prerrogativa de convocar rede nacional de rádio e tevê para dizer exatamente o oposto do que diz a mídia, ou seja, que não entraremos em recessão, que cresceremos 4% (pelo menos) no ano que vem, e não se limitou a afirmar que somos talvez o país que melhor resistirá à crise e a mostrar os excelentes números da economia: pediu às pessoas que não parem de consumir “com responsabilidade”, pois, se não consumirem, elas mesmas ajudarão o país a entrar em recessão.

A liderança indiscutível de Lula, sua agenda estonteantemente cheia, seu protagonismo como líder da nação ao tranqüilizar a sociedade e ao propor caminhos e medidas corajosas (governo federal já investiu mais de 300 bilhões de reais) contra a crise é o que está fazendo a sociedade, sentindo-se amparada pelo presidente, por larga maioria recusar-se a parar de consumir, lotando ruas de comércio e shoppings, esgotando desde os produtos mais baratos até os mais caros.

Foi oportuno, eu diria mesmo que foi providencial o pronunciamento de Lula. A campanha da mídia contra o que dez entre dez economistas pregam, que as pessoas não parem de consumir, está, como eu já disse, a todo vapor. As tevês e jornais não param de noticiar desgraças e previsões pessimistas, e escolhendo estatísticas que lhes interessam, as que desanimam e assustam as pessoas.

Não foi por outra razão que o Jornal da Globo não noticiou o pronunciamento do chefe da nação ou que a Folha de São Paulo tenha dado manchete só para os números do Caged sobre o desemprego, números que levaram em conta só o emprego formal e que mostraram criação menor de vagas em novembro, e escondido os números do Dieese, que mostraram o menor desemprego em uma década no Brasil.

A mídia se dedica o tempo inteiro até a tentar transformar a explosão do consumo de Natal neste fim de ano em notícia negativa. A colunista da Folha Eliane Cantanhêde, por exemplo, diz hoje em sua coluna que, apesar das cenas impressionantes das multidões que estão indo as compras, “as sacolas [de compras] estão mais vazias”. Realmente o método da jornalista para aferir o humor do consumidor é bem “científico”, vocês não acham?

Bem, mas tudo isso, esse comportamento absurdo da mídia, tem uma “razão” de ser: o consumo neste mês será primordial para determinar o crescimento da economia no quarto trimestre de 2008. Como a imprensa golpista vem privilegiando previsões de que esse crescimento cairá fortemente neste fim de ano, trabalha diuturnamente para assustar a população a fim de que ela não compre.

O que acontece, é o seguinte: se o quarto trimestre de 2008 não tiver recessão, ficará mais distante a ambição da oposição e da mídia de poderem proclamar, ao fim do primeiro trimestre do ano que entra, que o Brasil estará em recessão, caso esse primeiro trimestre também seja de queda do ritmo da economia.

O que se espera, no entanto, é que o presidente, tanto quanto a mídia, não pare de pregar sobre a crise, só que em sentido oposto, pois é no monumental mercado interno brasileiro que se encontra a salvação da lavoura nacional. O fato de este país ter pouco comércio exterior e muito mercado interno explica por que não entramos em crise como o resto do mundo.

Estamos numa encruzilhada. O que acontecer no Brasil neste momento determinará o que acontecerá por aqui no ano que vem. Contudo, o que as últimas pesquisas de opinião sobre a popularidade de Lula e sobre as expectativas da sociedade revelam é que os brasileiros estão dando um voto de confiança ao presidente da República, até por suas promessas terem sido cumpridas até aqui.

Contudo, Lula precisa entender que não pode parar de falar contra a crise um só minuto, pois a mídia não pára de falar a favor dela. Mas agora estou mais confiante em que o presidente sabe disso, que ele entende que precisa travar o debate político e sinalizar à sociedade como ela pode colaborar consigo mesma. Se o presidente se mantiver nesse rumo, o Brasil derrotará de novo os facínoras da imprensa golpista.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 12h45
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Crônica política

A bomba Protógenes

Atualizado às 09h14 de 23 de dezembro de 2008   

 

Meninos, eu vi. O delegado Protógenes Queiroz pôs todo mundo em pânico (literalmente) no Roda Viva. Lillian Witte Fibe, mediadora do programa, alternava expressões de dor, espanto, perplexidade e... medo, no que era imitada por Ricardo Noblat (O Globo), Renato Lombardi (Jornal da Cultura), Fernando Rodrigues (Folha de São Paulo) e pelo mumificado Fausto Macedo (Estadão).

Protógenes disse, claramente, que a Veja fabricou o grampo sobre Gilmar Mendes e o demista Demóstenes Torres. E deixou no ar a insinuação de que ambos estiveram de conluio com a revista.

Disse que tem provas documentais contra Daniel Dantas. Vastas provas. Chamou-o de bandido. Todos os... jornalistas... se levantaram em defesa de Dantas, acusando Protógenes de prejulgar o banqueiro – ou bandido, como prefere Protógenes – e até lhe fizeram acusações de ter cometido “crimes”. Tudo em defesa de Dantas.

Protógenes foi inabalável. Disse que vários jornalistas do Globo ou da Folha ou do Estadão (os quais absolveu como instituições) estiveram mancomunados com Dantas. Não se abalou quando o representante da Folha praticamente o chamou de corrupto, mas dissimulando sob a estratégia de estar falando em tese.

O delegado é uma fortaleza. Saiu-se das armadilhas com uma facilidade que dava pena dos seus pretensos captores. Desdenhava das insinuações, dos ataques e daquelas frases que eram proferidas como bombas, mas que ficavam esmagadas ao se chocarem com o impassível policial, revelando-se meros traques.

Bomba mesmo era o Protógenes. E inclusive porque deu vários “recados”, que deixaram a bancada de entrevistadores pálida e fizeram o programa terminar antes da hora.

Em suma: eu a-do-rei.

 

Pânico na tevê

 

Um dos indicativos mais convincentes de que os jornalistas que entrevistaram o delegado Protógenes no programa Roda Viva da última segunda-feira entraram em pânico com as revelações dele, com revelações que, inclusive, já molham os pés da imprensa golpista e ameaçam envolver jornalistas famosos no escândalo foi o ato falho do colunista de O Globo Ricardo Noblat, que, a certa altura - e ele não estava brincando ou sendo irônico - chamou o presidente do Supremo Tribunal Federal de nada mais, nada menos do que... GILMAR DANTAS, provocando gargalhadas de todos os presentes e, claro, deste feliz espectador.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 23h50
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Memória latino-americana

Um capítulo da história  

 

Bem, meus caros, o ano vai terminando e, mais uma vez, os povos da América Latina se vêem ameaçados por facínoras sociopatas dispostos a violentar a massa empobrecida e arrasada por essas elites brancas com seus olhos azuis gelados, americanizadas e anti-populares.

Para quem não acredita quando digo do que essa gente é capaz de fazer para tomar ou retomar o poder, sandices como, por exemplo, sabotar os países da única região do mundo que está resistindo relativamente bem à crise econômica internacional – sob a liderança do país que melhor está resistindo, o Brasil – unicamente com fins políticos, reproduzirei hoje para vocês o documentário em vídeo de uma equipe de tevê irlandesa que estava na Venezuela em 2002 quando o braço venezuelano da oposição sul-americana de direita aos governos de esquerda do subcontinente, comandada então e até hoje por Washington, tentou dar um golpe de Estado seqüestrando o presidente constitucional do país, Hugo Chávez.

Tive essa idéia de reproduzir neste momento um vídeo que muitos e muitos já viram, mas que muitos mais nunca viram e precisam ver, porque é preciso mostrar até que ponto são capazes de ir esses que, seja na Venezuela ou no Brasil, são os mesmos, e quais são as suas intenções ao quererem de volta o poder. Dei-me conta disso porque hoje, na casa em que fica meu escritório aqui em São Paulo, uma casa que abriga também um outro escritório (de contabilidade), mostrei ao meu vizinho, o contador, um amigo ultra conservador que tenho, as dez partes do vídeo sobre a tentativa de golpe de Estado em 2002 na Venezuela.

O Altair ficou surpreso, percebi. Ele, que vive repetindo os chavões do PIG, não imaginava que tinha sido assim aquele episódio, pois o que viu nos jornais e tevês o induziu a pensar coisa muito diferente. Ele não imaginava, por exemplo, que foi o povo que exigiu que Chávez fosse recolocado na presidência da Venezuela e muito menos que ele havia sido seqüestrado pela oposição. Tampouco sabia que o presidente da Fedecámaras (a Fiesp venezuelana) tinha sido colocado no lugar do presidente constitucional do país.

Percebi que o bem produzido documentário irlandês teve um efeito profundo sobre uma pessoa que adota o mesmíssimo comportamento padrão dos hipnotizados pela imprensa golpista. Eleitor de FHC, Kassab, Serra, Alckmin, Maluf etc, no que tange a Chávez meu amigo Altair sempre adotou o discurso da Folha, da Globo, da Veja etc. Mal acreditou nos seus olhos ao assistir The Revolution Will Not Be Televised. O material e a pergunta que lhe fiz sobre que direito a mídia tinha de lhe roubar aquelas informações, mexeram muito com ele. Visivelmente.

Dessa maneira, ofereço-lhes o material em questão para que, talvez, consigam pôr mais alguma vítima do PIG diante da realidade. Portanto, em dez partes, abaixo, fiquem com...

 

“A Revolução Não Será Televisionada”

 

Parte 1/10

 

 

Parte 2/10

 

 

Parte 3/10  

 

 

Parte 4/10

 

 

Parte 5/10

 

 

Parte 6/10

 

 

Parte 7/10

 

 

Parte 8/10

 

 

Parte 9/10

 

 

Parte 10/10

 

 



 Escrito por Eduardo Guimarães às 13h07
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Crônica política

Acreditem no Brasil  

 

 

 

O ano de 2008 vai terminando para o Brasil de uma forma que não me lembro de ter visto igual em meus 49 bem vividos anos. Este foi um ano de êxitos para o país como nunca vi desde que me conheço por gente. Já faz alguns anos, aliás, que vimos logrando feitos inéditos em nossa história. Mas foi em 2008, porém, que tais êxitos se consolidaram e que o nosso país passou a despontar no mundo como uma potência de fato e de direito, tanto econômica, quanto cultural e tecnologicamente.

No campo social, reduzimos a pobreza, tornamo-nos um país de classe média (fato amparado por estatísticas múltiplas e pelo mesmo critério de classificação como classe média vigente há muito tempo), diminuímos a concentração de renda, colocamos negros no ensino superior como jamais aconteceu num país em que eles já são maioria da população, enfim, nos últimos anos viemos logrando avanços das classes mais baixas – e, agora, até das mais altas – tão inéditos quanto inegáveis.

Economicamente, enquanto o mundo vinha mergulhando em uma recessão que, depois de mais de um ano de crise, já desponta no noticiário internacional, o Brasil veio crescendo a taxas continuadas de uma forma inédita ao menos nos últimos quase trinta anos, e com a única taxa de inflação entre os países com metas inflacionárias que não extrapolou a sua meta em 2008. Com isso, conseguimos reconhecimento da comunidade financeira internacional e hoje, em meio ao caos em todo o mundo, este país é visto como uma ilha de prosperidade e de promessas.

Vocês escutarão e lerão afirmações pessimistas, derrotistas, amparadas em nada mais do que previsões sem base em fatos concretos. Até aqui, o que se ouve ou lê de qualquer um que se dedique a analisar sem viés político a situação das economias dos países é que o Brasil tem talvez a melhor situação do mundo no âmbito da crise financeira internacional.

É verdade que não se encontra facilmente essas boas notícias sobre o país se não se integrar o grupo ainda restrito de cidadãos que se aprofunda realmente nos assuntos de forma a garimpar fatos fundamentados sobre eles, mas a população, em seu conjunto, percebe , em grande parte – acredito que em parte majoritária –, a verdade sobre o Brasil de hoje, suas conquistas, seus avanços e seu destino cada vez mais brilhante.

Mas como se reverteram as expectativas da nação e sua imagem diante do mundo em tão poucos anos? Até o começo da década, éramos um país fragilizado por crises sucessivas, estagnado, com a violência e a criminalidade explodindo, com massas de desempregados perambulando pelas metrópoles, sem credibilidade alguma diante do mundo, e hoje, poucos anos depois, tornamo-nos o que nos tornamos e sentimo-nos como nos sentimos...

Tudo isso de fantástico que conseguimos não se deveu ao governo do Brasil, como alguns poderão pensar que insinuo, e sim aos brasileiros, que deram um basta às tentativas de suas classes dirigentes – as mais ricas e brancas – de nos dizerem em quem deveríamos ou não votar, e escolhemos para governar o país exatamente aquele que o topo da pirâmide social dizia que não deveríamos eleger.

Com o país indo tão bem (apesar da vontade dos mais ricos e brancos), ficou provado que certas decisões não podem ser delegadas a poucos, mesmo que tenham meios de comunicação que lhes permitam falar mais alto e reduzirem a voz dos que deles discordam, até porque a tecnologia diminui-lhes o poder exclusivo de propagar idéias.

Mas, agora, vocês estão diante, novamente, de previsões sombrias daqueles mesmos que sempre lhes disseram para votar neste e não naquele, que deveriam agir assim ou assado, e que são aqueles que vocês contrariaram num passado recente, o que acabou sendo a sorte do Brasil, pois, se tivéssemos acreditado naqueles que nos mantinham dependentes dos Estados Unidos, agora estaríamos ferrados. Hoje, graças a Deus, o Brasil tem menos negócios com os americanos do que com os argentinos.

Essas previsões sombrias dos que torcem contra o país que estamos nos tornando não deverão se consolidar, mas vocês têm que fazer vossa parte para que seja assim. Não importa se vocês gostam ou não do Lula. Não serão estúpidos de ajudar o país a ir mal só para dizerem que o Lula é mau governante. De que adianta o Serra ser eleito em 2010 se tiverem perdido empregos ou tudo mais que todos podem perder com o país indo mal?

É hora de acreditar no país. É hora, não de gastar irresponsavelmente, mas de continuar agindo como vocês vinham agindo, pois certamente não estavam sendo irresponsáveis ao consumirem os produtos e serviços que vinham consumindo. E como o país precisa de atividade econômica num mundo que mergulha em recessão, se continuarem levando vossas vidas normalmente, com certeza a situação do país continuará boa.

Porém, vocês só poderão fazer o que é preciso se acreditarem no Brasil. Se acharem que estamos mesmo prestes a dar um salto de qualidade com nossa economia diversificada e vigorosa, com nossas indústrias de ponta, com nossas novas e incomensuráveis reservas de petróleo – uma riqueza que, por mais que falem do preço cadente neste momento, está acabando no mundo inteiro e nós temos reservas de sobra, agora se sabe –, e ainda, como se fosse pouco, com nossa população estudando e se aprimorando intelectualmente, mais e mais.

Acreditemos em nosso país. Temos que defendê-lo dos que não se importam em prejudicá-lo por míseras questões políticas, na intenção de enriquecerem mais do que já enriqueceram no passado e recuperando eventuais prejuízos que possam ter com a sabotagem que estão praticando assim que seus prepostos políticos puserem as mãos nos cofres públicos federais... de novo. Não deixem. Não entreguem o país, não hipotequem o futuro de vossos filhos e netos. Não permitam que interrompam a ascensão espetacular que o Brasil vem tendo.

E um último detalhe: se acreditam mesmo no Brasil, passem este texto para frente. Não só pela internet. Imprimam e distribuam cópias por aí. Seus filhos e netos agradecerão, um dia.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 15h39
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