Análise política

Como PT e PSDB diferem

Nos últimos anos, o Brasil vem tendo que aturar a propagação de uma mentira descarada, mentira que choca mais por ter sido sustentada por tanto tempo a despeito de ser tão claramente evidente. Refiro-me à afirmação de que o governo do PT é mera continuação do governo do PSDB, de que as políticas dos dois partidos são as mesmas.

Há anos que venho apontando as diferenças cruciais que há entre as formas dos dois partidos de governar. Agora, a crise econômica começa a deixar mais claras essas diferenças.

Escrevi várias vezes aqui sobre a política externa, a diplomacia, os investimentos sociais exponencialmente mais robustos do governo petista, mas é a antiqüíssima e histórica pregação do PT de criar um mercado de consumo de massas no Brasil que foi cumprida à risca por este governo enquanto a direita tucano-pefelê-midiática ficava batendo na tecla do continuísmo.

Os investimentos num programa como o Bolsa Família, por exemplo, deram início àquele mercado de massas. Não faltam estudos acadêmicos que mostram como este governo fez dezenas de milhões de brasileiros, que só consumiam alimentos, passarem a consumir de tudo, de roupas a eletrodomésticos.

E não foi necessário quebrar muito a cabeça para criar esse mercado interno que está sustentando o país em meio à quebradeira mundial que tornou o mercado externo muito mais difícil de ser disputado. Bastou transformar os programas sociais cosméticos da era FHC em verdadeiros programas sociais. Como? Simplesmente investindo pesadamente neles.

Mas foi quando o mundo entrou em crise que as diferenças entre as visões petistas e tucanas se tornaram escandalosamente evidentes. Quem de vocês viu, alguma vez, um governo estimular as pessoas a consumirem para “fazer a roda da economia girar”? No passado, quando havia crise, o Estado pregava que o povo não gastasse, que o próprio Estado “economizasse”.

Excluindo o evidente conluio que havia entre o Estado brasileiro e seus credores internos e externos, um arreglo que fazia o primeiro economizar recursos para pagar os segundos, o que gerava a parte honesta daquele ideário era a visão conservadora e neoliberal.

Com o mundo em recessão, os países terão que se voltar para seus mercados internos mais do que nunca. Não é à toa que todas as grandes potências econômicas estão despejando centenas de bilhões de dólares nos seus mercados internos, reduzindo juros, incentivando o consumo. Tardiamente, estão fazendo o que o Brasil já vinha fazendo há anos.

Apesar da conversa fiada de que o governo Lula estimula a ciranda financeira com juros altos, compare-se a taxa de juros média dos anos FHC, Itamar, Collor ou Sarney com a taxa dos anos Lula e veremos que ela nunca foi tão baixa. O governo tucano chegou a elevar a Selic a quase 50% por conta de crises que, perto desta, não passavam de marolinhas.

A aprovação de Lula disparou com a chegada da crise porque o brasileiro está perplexo ao ver até peças publicitárias do governo e o próprio titular desse governo estimulando as pessoas a consumirem, a realizarem sonhos, obviamente que com responsabilidade. Aquela velha pregação dos governos de direita para as pessoas se retraírem diante de crises, deu lugar ao seu oposto.

Essa diferença de visões entre o PT e o PSDB, porém, atingiu ontem (sexta-feira) seu ponto mais visível.

Vários prefeitos conservadores que assumiram ou que reassumiram seus cargos no primeiro dia de 2009, já saíram declarando que, por conta da crise, cortarão investimentos, paralisarão projetos etc. O bibelô número dois da direita (o primeiro, é o governador José Serra), o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, saiu pregando a retração do Estado diante da crise e anunciando “economia”. Aludiu, inclusive, à fábula da cigarra e a formiga.

No âmbito da liderança magnífica que Lula vem exercendo desde que a crise se implantou de vez no mundo e começou a forçar a porta do Brasil, o presidente criticou duramente as declarações dos prefeitos conservadores dizendo que não é hora de economizar, mas de investir mais para o país não parar.

Outra diferença gritante evidenciou-se quando o governo José Serra, em coro com o presidente da Vale do Rio Doce, propôs “suspensão de direitos trabalhistas”. Lula, mais uma vez, criticou os empresários que não dividiram lucros exorbitantes que auferiram até a materialização de uma crise que já vinha minando o mundo há mais de um ano, mas que agora querem dividir prejuízos que nem tiveram só porque estão dizendo que poderão tê-los.

Ora, como eu poderia deixar de comemorar essa mudança escandalosamente evidente de visão do Estado brasileiro? Justo eu, que desde sempre preguei que não seria através da recessão que se consertaria a economia, mas fazendo justamente o contrário...

Quem tiver um pingo de honestidade intelectual, terá que concordar comigo que o governo do PT – ou, pelo menos, ESTE governo do PT – é a antítese de todos os outros governos que este país teve nas últimas quatro décadas. E é por isso, e só por isso, que o país está resistindo à maior crise que o mundo já viu nos últimos oitenta anos.

É preciso que todos saibam que este país não pode, de maneira nenhuma, voltar às mãos da direita neoliberal. Se essa tragédia ocorrer, como diz o presidente Lula o Brasil perderá o bonde da história. Um bonde que poderá demorar décadas a passar de novo.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 03h35
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Crônica política

Dulce “dictadura”

 Atualizado às 11h26 de 2 de janeiro de 2009

 

 

 

Cuba ganhou as manchetes recentemente devido ao cinqüentenário da revolução que implantou o comunismo por lá. Como de costume, jornais, tevês, rádios, revistas semanais e portais de internet dos grandes grupos de mídia mergulharam na costumeira esbórnia de meias verdades e mentiras íntegras que vem sendo imposta ao mundo nas últimas cinco décadas quando o assunto é aquele país.

De fato, não se pode dizer que Cuba é uma democracia plena. O leque de opções eleitorais à disposição dos cubanos não lhes permite eleger outro governo para o país. Contudo, se formos analisar outras ditaduras pelo mundo afora, verificaremos que a cubana, se é que se pode chamá-la assim, é bem amena. Sobretudo no que diz respeito à qualidade de vida do povo e à liberdade de expressão, desde sempre as maiores vítimas das ditaduras.

No caso cubano, trata-se de uma “ditadura” até bem doce, na qual a qualidade de vida do povo, a despeito de um embargo econômico da maior potência econômica e militar do planeta, está entre as melhores do mundo. E quanto à liberdade de expressão, apesar da propaganda da direita, que controla os grandes meios de comunicação em quase toda parte, em Cuba não parece ser o que dizem – e o por que de tal afirmação logo ficará claro.

É preciso desmontar os mitos sobre Cuba, principalmente sobre a pobreza que há no país, que de fato existe – e não poderia ser diferente, sendo Cuba um país sufocado pelo gigante ianque ao seu lado. Qualquer país – incluindo este – que fosse alvo do bloqueio comercial americano, teria graves problemas econômicos.

Como exemplo dos efeitos destruidores desse bloqueio, analisemos uma das leis americanas criadas para sufocar o regime cubano, a lei Helms-Burton, que foi suspensa e não sei se retornou, mas que impunha penalidades econômicas a países e empresas que negociassem com Cuba. Só como exemplo, imagine se você, leitor, tivesse uma empresa e quisesse negociar com Cuba. Será que você trocaria negócios com os americanos para vender à ilha caribenha?

Mas, na verdade, a novidade que este post pode acrescentar ao que todos sabem sobre Cuba – e que alguns teimam em fazer de conta que não sabem – é no âmbito da liberdade de expressão.

Como se sabe, ditaduras não aceitam críticas. Insultos ao ditador, muito menos. Na ditadura militar brasileira, por exemplo, até músicas, poemas ou peças de teatro eram proibidos de divergir do pensamento oficial. E o que dizer de algum panfleto, jornal ou qualquer outro material escrito que contivesse ataques virulentos ao ditador de plantão?

Durante a ditadura militar brasileira, as críticas eram dissimuladas. Peças de teatro, canções, poesias, tudo que criticasse o governo era feito de forma indireta. Ataques frontais, só se fossem anônimos. Era inimaginável alguém fazer ataques à ditadura num panfleto em que o crítico assinasse seu nome verdadeiro.

Pouco antes do Natal, publiquei aqui uma nota sobre post do blog do Luis Nassif que tratou de uma blogueira cubana chamada Yoani Sánchez, eleita pela revista americana Time uma das pessoas mais influentes do mundo. Nassif a qualificava como “corajosa” por “driblar” a “censura” cubana.

Acima, reproduzi a carteira de identidade de Yoani. A reprodução do documento da moça está em seu blog. Eminente, o blog “Generación Y” pode ser lido por qualquer cubano. Inclusive pela “ditadura” do país.

A leitura do “Generación Y” foi-me surpreendente. Os ataques ao regime cubano são virulentos. E nem me refiro ao que escreve a blogueira, que faz críticas em bom nível. O que surpreende são os milhares – sim, milhares – de comentários de leitores que chegam a chamar o regime de “assassino”, no insulto mais brando, revelando uma liberdade de expressão em Cuba impensável numa ditadura como a que se abateu sobre o Brasil.

Ora, onde está essa ditadura feroz que permite que a insultem abertamente?

As críticas de Yoani são bem mais brandas do que as dos leitores de seu blog, mas revelam o que se esconde por trás da dissidência cubana. No comentário sobre este assunto que escrevi antes do Natal, a blogueira reclamava de que a única fotocopiadora que viu no seu país era “do século passado”.

A dissidência cubana, na verdade, quer a sociedade de consumo dos países capitalistas, sociedade na qual todos podem comprar, por exemplo, a parafernália eletrônica, as tevês de alta definição, os celulares, os carrões... contanto que tenham dinheiro. E, como se sabe, em países como este só uma parcela da sociedade consegue consumir plenamente, ainda que tal situação tenha começado a mudar com o governo Lula.

A pessoas como Yoani, pouco importa a saúde ou a educação de primeiro mundo que há em Cuba. Ela mesma, falando da pobreza e dos baixos salários que o regime paga, revela tudo que o estado cubano lhe deu e que ela despreza. Doutora em filologia, dona de uma evidente cultura, crê que seu crescimento intelectual, proporcionado pelo regime que execra, de nada valeu. Porque não pode comprar uma copiadora moderna...

Na divulgação do último ranking de Desenvolvimento Humano (IDH) calculado pela Organização das Nações Unidas, os avanços cubanos na educação ou na saúde saltam aos olhos. País pobre, dependente de atividades agropastoris, Cuba ostenta um magnífico 48º lugar num ranking de quase duas centenas de países, enquanto que o rico Brasil tem que se contentar com um 70º lugar.

Isso significa que desejo viver em Cuba? Eu, não. Como os leitores deste blog, público das classes A, B ou C, posso desfrutar das delícias do capitalismo, ainda que as mazelas capitalistas deste país, tais como a violência e a criminalidade – que são desprezíveis em Cuba –, empanem o brilho das copiadoras, dos celulares e dos carrões que podem ser comprados aqui.

A surrada “argumentação” dos nazistas radicais de direita que infestam a internet certamente será a de me mandar ir viver em Cuba, se gosto tanto de lá. Não sabem dizer outra coisa. Não tendo como desqualificar os argumentos sólidos que uso, apelam para a baixaria. Mas para aquele que quer saber de fatos e não de tentar escondê-los, esse “argumento” é tão vagabundo quanto os que o usam.

Para nós, que temos plano de saúde e que podemos pagar escolas particulares para nossos filhos, que podemos comprar ou alugar vivendas dignas, as conquistas sociais espantosas de um país que vive sob ataque da única superpotência da Terra, não representam nada. Mas para os outros 90% dos brasileiros, o regime cubano seria muito melhor.

A grande maioria dos jovens brasileiros que estuda em escolas públicas, sai delas semi-analfabeta; nos hospitais públicos do país, milhões sofrem nos corredores à espera de atendimento, e arriscam suas vidas com médicos mal pagos, mal treinados e desmotivados; as moradias de um naco enorme das populações são indignas, imundas e perigosas; nas grandes cidades brasileiras, repletas de criminosos, uma vida muitas vezes é trocada por dinheiro que não compra uma refeição.

E cubanos como Yoani, que receberam do Estado a melhor educação possível e imaginável, que se adoecerem serão tratados em hospitais e por médicos de altíssima qualificação, que podem andar tranqüilos por suas ruas, querem trocar tudo isso por badulaques eletrônicos. E ainda podem xingar o governo “ditatorial” de tudo e mais um pouco com a maior tranqüilidade, apesar da censura que não aparece.

Es dulce la dictadura cubana, ¿no les parece?

 

Ode ao socialismo

 

O feito mais eloqüente, que prova que a opção para países pobres deve ser mesmo pelo socialismo, está no fato clamoroso de que os únicos três países latino-americanos a derrotar o analfabetismo, são socialistas.

O país que primeiro extinguiu a chaga do analfabetismo na América Latina, foi a paupérrima Cuba, seguida pela rica Venezuela, à qual acaba de se juntar o país mais pobre da América do Sul, a Bolívia.

O que impressiona é o tempo que Venezuela e Bolívia levaram para exterminar uma chaga social que já durava séculos: dois anos cada país. Isso mostra que a única opção para a América Latina é o socialismo, ao menos neste momento histórico.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 02h45
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Comunicado aos leitores

Acordo ortográfico

 

 

Bem sei que o assunto sobre o acordo ortográfico entre os países de língua portuguesa, que entra em vigor a partir de hoje em todo o mundo, não é popular. Entretanto, um blog como este, no qual o uso mais correto possível do idioma é considerado sua ferramenta principal, não pode ficar alheio ao assunto.

Demorei a formar opinião sobre o acordo ortográfico. À primeira vista, parece um estorvo. Sobretudo para os letrados, que já não pensam em normas básicas do idioma há muito tempo. Contudo, para os iletrados ou para os que estão em processo de aprendizado o acordo ortográfico não deverá trazer maiores problemas.

Minha recomendação aos leitores é a de que busquem adquirir manuais sobre as mudanças. De preferência, o Volp ("Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa"), que sairá no mês que vem. Esse será o tratado definitivo sobre as mudanças.

Quanto ao Cidadania, aqui as mudanças serão adotadas após a publicação do Volp. Até lá, continuarei usando as normas antigas, que inclusive serão aceitas até em vestibulares e concursos públicos até 2012.

Quem lida com comunicação – como um blogueiro - tem que ter responsabilidade. Se mesclar regras novas e antigas, confundirá o público, espalhará ignorância. Será melhor, portanto, assimilar adequadamente as novas regras para só depois começar a usá-las plenamente.

Critico, por exemplo, a decisão de alguns jornais de adotarem as novas regras a partir de hoje (1º de janeiro), num momento em que ainda há dúvidas que só serão dirimidas pelo Volp, como esses veículos admitem. Se daqui a um mês descobrirem que usaram incorretamente esta ou aquela regra, terão passado um mês inteiro difundindo ignorância.

No caso do Cidadania, minha previsão é a de passar a usar as novas regras ortográficas a partir de 1º de março. Assim, haverá tempo de estudá-las em profundidade, inclusive de posse do documento oficial das mudanças (Volp). Até lá, este blog ignorará a reforma ortográfica mundial do português.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 14h01
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Votos de bom ano novo

Hora da virada

 

 

 

A frase que intitula este texto tem ao menos duplo sentido, se não tiver mais de dois sentidos. Hora da virada é como chamam, também, a passagem de ano, mas também pode significar o momento de “virar” o jogo, ou seja, de reagir, e é isso o que venho fazer aqui, propor à humanidade que reaja. No entanto, como não posso fazer isso sozinho (falar para toda a humanidade), apelo a vocês para que me ajudem.

O ano vai terminando de uma forma que nenhuma pessoa de posse de suas faculdades mentais gostaria, ainda que se saiba que existe gente por aí que lucrará com tragédias como a crise financeira internacional ou como a mortandade de inocentes no Oriente Médio.

Os motivos para nos alegrarmos existem, sim. Pelo menos para que nossos bolsos se alegrem por não estarmos sendo massacrados pela crise como outros países...

Mas, sendo menos negativista, considero que talvez depois de a escuridão se impor com tanta intensidade, a luz se fará. Ou que ao menos alumiará ao longe, dando-nos um norte, uma esperança de que terá sido preciso tudo piorar mais rápida e intensamente para que, não tendo mais para onde cair, a humanidade comece a ascender na escala evolutiva.

Mas comecei o texto falando em virada, em reação, e em passagem do ano, como se fossem uma coisa só, porque, apesar do duplo sentido da frase-título, neste momento talvez devamos considerar que a hora da virada de ano é também a da virada da humanidade, de sua reação ao negar-se a permitir que persistam todo esse horror do Oriente Médio ou toda a escandalosa roubalheira do capitalismo contemporâneo, que nos levou a essa crise financeira injusta com o mundo.

Injusta porque um país como o nosso, que fez tantos sacrifícios para sanear-se economicamente, tem que pagar pelos erros das potências mundiais que puseram a todos de joelhos, ainda que até o momento tenhamos apenas baixado um pouco a cabeça.

Mas não foi só para pregar esperança e desejar força a todos vocês neste ano que se avizinha que escrevi este texto. Vim aqui, também, para agradecer a vocês por este ano em que me ensinaram tanto, essas mentes sagazes e informadas da parcela de leitores concordantes e discordantes das minhas idéias que opta por se manifestar, e agradecer também à outra parcela esmagadoramente majoritária de leitores que, no direito à própria reflexão, opta pelo silêncio, porém privando-me de beber de sua sapiência.

Fazer um blog é, antes de tudo, uma experiência de aprendizado. Confesso a vocês que nunca aprendi tanto quanto aprendi depois de criar este blog. Aprendi tantas coisas interessantes e necessárias das quais não tinha conhecimento e aprendi, também, muito sobre a natureza humana, inclusive sobre a minha natureza humana, falível, que pode ter me levado, em certos momentos, a também cometer erros.

Ajoelho-me, pois, diante de minha falibilidade humana, porém ressaltando que erros cometidos foram sempre durante minha busca incessante pelo acerto, por ser útil à minha comunidade e a quem mais puder se beneficiar de tudo de bom que eventualmente eu consiga fazer. É só assim que posso errar, meus amigos, ao tentar acertar.

Nunca, porém, errarei de forma deliberada com vocês ou com qualquer outro semelhante, pois amo meus semelhantes, respeito cada pessoa deste mundo de Deus, confiando nelas sempre, até que me seja possível, e acreditando que nenhum de nós é irrecuperável, é mau ou bom de todo, pois até aqueles que erram propositalmente devem ter sido vítimas de alguma das vicissitudes da vida que se interpõem no caminho do homem desde o início dos tempos.

Verborrágico, como suponho que esperam de mim os que vêm aqui ler o que escrevo, concluo estes votos de bom ano novo a todos vocês, companheiros e companheiras do Cidadania, esta verdadeira família que reuni e que tanto tem me dado, como os amigos Conceição Lemes, Conceição Oliveira, Luiz Carlos Azenha, com os quais jantei no domingo e aos quais não poderia deixar de agradecer por terem aparecido em minha vida.

E são tantos amigos mais que este blog me deu. Os companheiros todos do Movimento dos Sem Mídia, que comigo já foram às ruas, já se expuseram, acreditando em mim, acompanhando-me e me apoiando. O Antonio Arles, o Antonio Donizeti, a Vera Pereira, o Ricardo Veronez e todas as dezenas de “semidianos” de todo Brasil.

Tampouco posso esquecer de você, leitor silencioso, que me faz essa homenagem diária vindo ler o que escrevo, e até daqueles que me criticam, muitas vezes metendo-se comigo em escaramuças retóricas. A esses, devo agradecer por me fazerem pensar, refletir sobre se não têm razão em alguma de suas críticas, impedindo que eu vire as costas para a humildade quando os elogios acariciam-me os ouvidos.

A todos vocês, meus caros amigos, desejo, com sinceridade e devoção, que 2009 lhes seja muito melhor do que 2008 em todos os aspectos, tanto nos aspectos bons quanto nos que foram ruins. Muito obrigado mesmo por tudo que vocês têm feito por este coração e por esta mente já meio cansados de guerra.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 17h11
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Análise política

Oposição “infalível”

 

Este post se dirige ao leitor que não tem certezas políticas absolutas e que, confuso com o debate surdo entre os grandes meios de comunicação e os blogs e sites que os contestam, busca assumir a posição política que mais interessa ao país, à maioria dos brasileiros, e que, portanto, é a posição que mais interessa a ele mesmo.

E nem peço que você, leitor indeciso, acredite em mim, apesar de que se você é meu leitor certamente sabe que sustento minhas afirmações com argumentos, enquanto que a mídia foge do debate com quem discorda dela. Peço apenas que você raciocine.

Ouso dizer, prezado leitor, que nos últimos anos sua vida melhorou consistentemente. Você tem mais dinheiro no bolso, você ou as pessoas que você conhece têm conseguido arrumar emprego e o Brasil, além de estar crescendo como não cresceu nos últimos trinta anos – e, para comprovar isso, basta consultar um IBGE, por exemplo, ou apelar para a sua própria memória –, é hoje o país que, num mundo com cerca de duzentos países, reconhecidamente é o que melhor está enfrentando os efeitos da crise financeira internacional.

Se você concorda com a premissa acima, amparada por números e fatos inquestionáveis, pergunte a você mesmo por que é que em absolutamente todos os debates entre governo e oposição a mídia sempre dá razão a esta. Como é possível que, se o governo Lula está sempre errado e a oposição está sempre certa, o país tenha melhorado tanto?

Veja só, leitor embatucado, essa questão do Fundo Soberano que o governo federal quer criar – e, se você não sabe o que é esse Fundo, explico que se destina a investimentos produtivos e/ou financeiros suprido pelos recursos excedentes da arrecadação fiscal e da balança comercial entre exportações e importações, entre outros excedentes não-incorporados ao Orçamento da União.

A finalidade desse fundo, neste momento de crise internacional, é dar ao governo um instrumento para combater uma recessão que se espalha pelo mundo e que, de forma inédita na história brasileira, não chegou e poderá não chegar ao Brasil devido à sua boa situação econômica.

A oposição ao governo Lula, composta pelo PSDB, pelo PFL (hoje travestido de Democratas) e pelo PPS, quer porque quer impedir a criação do Fundo Soberano, e os argumentos oposicionistas para impedir que esse Fundo seja criado, pela milésima vez desde que Lula chegou ao poder foram encampados pela Globo, pelo SBT, pela Bandeirantes, pela Veja, pelo Estadão, pela Folha de São Paulo, pelo Jornal do Brasil, pelo Correio Brasiliense, pelo Zero Hora etc.

No tempo em que o PT era oposição, porém, a tentativa de impedir a criação de um fundo de investimento para combater uma recessão seria qualificada como uma postura de “quanto pior, melhor”, ou seja, quando o PSDB e o PFL governavam o Brasil, diziam que o PT torcia contra o país. E a mídia concordava. Quando tucanos e pefelês foram colocados na oposição pelos brasileiros, a mídia foi com eles.

Em todos os grandes meios de comunicação, o discurso oposicionista para combater o fundo soberano foi encampado. Segundo esse discurso, “Países com persistentes superávits fiscais (o governo arrecada mais do que gasta) e externos (sobram divisas no balanço das transações comerciais e financeiras com o restante do mundo) reúnem condições ideais para a instituição de fundos soberanos”, mas o Brasil não reuniria tais condições porque “O governo gasta mais que arrecada, e faltam dólares nas transações externas”.

A versão acima do discurso do PSDB e do PFL foi manifestada por editorial do jornal Folha de São Paulo desta terça-feira 30 de dezembro de 2008, e é idêntica à que vi no Jornal Nacional ou no Bom dia Brasil, telejornais da Globo, e poderá ser encontrada em todas os outros grandes meios de comunicação. Mais uma vez, para a mídia o governo Lula está errado e a oposição está certa.

O editorial da Folha termina exortando o STF e o Congresso a rejeitarem “depressa” a medida provisória do governo que previu os recursos para o Fundo Soberano. É enganação. Na verdade, a exortação dirige-se, única e exclusivamente, ao presidente do STF, Gilmar Mendes, que se converteu no braço judiciário da oposição ao governo Lula. O assunto irá parar no Supremo por conta da Adin (Ação Direta de Inconstitucionalidade) protocolada pela oposição no STF.

Mas analisemos as razões da Folha para criticar a criação do Fundo Soberano. O jornal diz que esse Fundo só deve ser criado por países que têm superávits fiscais (excesso de arrecadação) e externos (excesso de dólares) e que o Brasil não tem nenhum dos dois.

É mentira. O Brasil tem superávits fiscais (para comprovar o excesso de arrecadação basta uma busca na internet) e em dólares (temos 209 bilhões de dólares de reservas). Aliás, diferentemente do que diz o jornal do Serra, o governo não gasta mais do que arrecada, até por conta da Lei de Responsabilidade Fiscal, que impede tal prática.

A razão dessa gritaria oposicionista-midiática é a de que esses sabotadores do país querem que a recessão se instale para que Lula chegue desgastado e menos popular a 2010, ano da sucessão presidencial, e, assim, não consiga transferir votos para a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, favorecendo o pré-candidato a presidente da República José Serra.

O país? Dane-se o país. Dane-se você, leitor sem partido, sem tevê, sem jornal e, portanto, sem os mesmos interesses que o PSDB, o PFL, o PPS, o governador de São Paulo e as famílias Marinho (Globo), Frias (Folha), Civita (Veja) etc. Eles querem a crise, a recessão, para colocarem Serra na Presidência da República, a fim de que ele os indenize e os faça lucrar com o dinheiro dos seus impostos, leitor.

E, se você não acredita em mim, fique atento ao noticiário. Procure comprovar se digo a verdade quando afirmo que esses meios de comunicação estão sempre adotando o discurso da oposição. Basta ficar atento às disputas entre o governo e a oposição que constatará que a mídia sempre fica do mesmo lado, o da oposição, seja qual for o assunto.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 11h47
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Crônica política

Quando nenhum dos lados

tem razão

 

Por razões que se tornarão óbvias no decorrer da vossa leitura deste texto, voltou-me à mente um fato do passado que envolveu dois de meus quatro filhos, minha primogênita e meu único filho homem, o terceiro, quando ambos eram pouco mais do que crianças.

Comprei-lhes, então, um console de vídeo-game que para mim, àquela época, era caro, de forma que só pude comprar um para que ambos dividissem. Não demorou e me arrependi do que fiz, porque começaram a brigar pelo brinquedo com crescente virulência.

Minha filha não aceitava que o irmão monopolizasse o vídeo-game na maior parte do tempo. No entanto, o garoto abriu mão do seu presente de aniversário, dali a dois meses, para que eu comprasse o brinquedo caro para ambos. Por outro lado, se o brinquedo pertencia a ambos, havia ali uma questão ética que também favorecia minha filha.

Sendo do sexo masculino, porém, o menino usava de força física para estabelecer seu monopólio, mas a menina, de gênio forte, tentava enfrentá-lo fisicamente e, obviamente, perdia a disputa. E, como não aceitasse perder, atrapalhava o irmão enquanto ele brincava, inclusive dando-lhe beliscões e outros golpes de pouco efeito antes sua maior força física.

A arbitragem minha e de minha mulher não surtia efeito. Bastava que não estivéssemos presentes para que começassem a brigar. E o pior é que minha filha era persistente. Mais fraca do que meu filho, minha primogênita não conseguia tomar dele o brinquedo, mas o infernizava enquanto brincava, inclusive com agressões físicas que, claro, não conseguiam lhe causar maiores dificuldades.

Um belo dia, o garoto se enfureceu e estapeou a irmã de forma absolutamente desproporcional, chegando a lhe provocar um corte nos lábios, tirando-lhe sangue.

Que dilema doloroso para um pai: dois filhos amantíssimos numa situação de conflito que estava fazendo com que se odiassem, praticamente, pois mergulharam numa verdadeira guerra por conta do brinquedo.

Claro que com o tempo e o conseqüente amadurecimento de meus filhos, o conflito entre eles definhou e desapareceu. Todavia, lembro-me de que no dia em que o menino usou sua maior força física para retaliar a irmã, ferindo-a de forma desproporcional aos ataques dela que o fustigavam sem parar, me vi num dilema: qual dos dois tinha razão?

Essa é a questão que lhes deixo. A meu ver, ambos tinham razão e nenhum deles a tinha tampouco, pois deveriam compartilhar o brinquedo, entrar em algum tipo de entendimento. Deveriam negociar de alguma forma, um levando em conta o direito do outro.

Mas e vocês, o que fariam em meu lugar?

Vocês já devem ter percebido aonde quero chegar, e não será difícil descobrirem que decisão salomônica tomei para pôr fim ao conflito. Mas não é isso o que importa e sim que esta metáfora mostra como é possível que a culpa por um conflito sem controle entre duas partes, seja de ambas.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 22h50
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Análise política internacional

Conflito israelo-palestino

 

 

 

 

 

 

A primeira reação de quem não tem vínculos com judeus ou muçulmanos é a de sentir profunda repulsa por Israel devido ao massacre que o país tem promovido na Palestina. Essa repulsa instiga que manifestações anti-semitas, que incorrem no mesmo erro israelense, saiam da toca.

O conflito entre israelenses e palestinos é tão antigo que dá a impressão de que ninguém mais se lembra do por que a briga começou. Nesse contexto, muitos parecem não se lembrar de por que os judeus se transformaram nesse povo belicoso e insensível.

A negação do holocausto promovido pelos nazistas contra os judeus, no qual morreram seis milhões destes, acaba se tornando palatável quando judeus fazem com palestinos o mesmo – ou pior – do que os nazistas fizeram.

O povo sem pátria até a criação do estado de Israel era execrado em várias partes do mundo, sobretudo por conta da crença em que os judeus eram um povo maldito, que teria matado Jesus Cristo, e avaro, ganancioso, que acumulava dinheiro através da exploração e da usura.

Jamais compactuarei com qualquer idéia que pretenda estigmatizar todo um povo, pois nenhum povo é intrinsecamente bom ou mau. Quem faz guerras ou explora os outros são homens, não povos.

O povo judeu re-fundou sua pátria no seio de uma região que acredita que historicamente lhe pertence, ignorando que seu país, nessa região, estaria cercado para sempre por regimes fundamentalistas que odeiam os judeus com força e fé.

Israel optou por se fazer temer em vez de tentar se entender com seus inimigos históricos, no que foi apoiado pela enorme comunidade judaica estadunidense e que foi o que lhe conferiu recursos financeiros infindáveis, recursos que acabaram se transformando em um dos maiores aparatos bélicos do mundo.

Israel é uma potência militar como poucas, possui armas nucleares e convencionais de última geração, e tal arsenal é sempre renovado pelos Estados Unidos. Se os judeus fossem deixados à própria sorte pelos americanos, seriam dizimados. Até pelos crimes que cometeram em nome da própria segurança.

Quanto mais cresce o ódio por Israel, quanto mais se questiona o holocausto, mais os judeus se fecham e radicalizam suas ações. O fundamentalismo, do lado muçulmano, e o medo, do lado israelense, mantêm a violência em pauta. Negociar passa a ser considerado fraqueza. Só demonstração de força importa.

Tento escrever sem tomar partido, ainda que me sinta compelido a execrar Israel como qualquer pessoa normal diante das cenas de horror protagonizadas pelas forças israelenses. Tento lembrar que inocentes judeus também são mortos por ataques terroristas em restaurantes, discotecas ou nas ruas de Israel e até em comunidades israelenses ao redor do mundo.

Todos viram o Brasil e o mundo condenarem a “desproporção” da “reação” israelense, mas sem que se avalie que se é uma reação, é porque houve uma ação que a provocou, ainda que tal ação, por falta de recursos militares dos palestinos, tenha sido pouco efetiva.

Não haverá resolução da ONU ou de qualquer outro organismo multilateral que faça Israel conter qualquer medida que julgue necessária à própria segurança. E segurança é só o que se pode negociar com Israel. Porém, o desejo de vingança daqueles de quem os israelenses tiraram filhos, país, esposos e esposas é o segundo fator que impede a paz no Oriente Médio.

Ainda que me horrorize a crueldade das ações militares israelenses, penso que entender as razões daquele povo é o primeiro passo para encontrar o caminho da paz. E o segundo passo é entender as razões palestinas e, assim, concatenar uma oferta aos dois lados.

Da forma como vejo, tomar partido nessa questão só fará exacerbar o conflito. Quanto mais acuarem Israel, mais os judeus irão radicalizar suas ações. Um povo que passou o que aquele povo passou, cercado por outros povos que querem exterminá-lo, não teme cara feia.

Claro que não se pode deixar de criticar o que os israelenses estão fazendo com os palestinos. Não é só desumano, é loucura. O ódio das vítimas dos israelenses durará gerações. Os dois lados querem vingança.

A solução desse conflito hediondo, porém, pode estar nas mãos de um único homem, um negro de nome muçulmano, Barack Hussein Obama. Só ele pode fazer com que aumente a disposição judaica para o diálogo acenando com o fim dos recursos americanos se Israel não se sentar à mesa de negociação.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 11h54
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Crônica política

O dia em que o Brasil

quebrou

 

 Atualizado às 10h13 de 29 de dezembro de 2008

 

 

 

No último dia 22 de dezembro, o presidente da República, José Serra, comunicou aos brasileiros, em rede nacional de rádio e tevê, a moratória da explosiva dívida externa do Brasil. O discurso presidencial atribuiu nossa péssima situação econômica à crise econômica internacional, claro, mas os críticos do governo federal, entre os quais me incluo, debitam essa situação aos 14 anos em que os tucanos governam o país.

Ganha um picolé de chuchu quem acertar o número de vezes que o PSDB quebrou o Brasil. Na verdade, porém, o dia em que este país quebrou mesmo foi na segunda-feira passada. E de uma forma que tornará hercúlea a tarefa de juntar seus cacos.

O autor dessa proeza é o sucessor do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que em 2002, sob o discurso de “mudança” apesar de também ser tucano como FHC, impôs a Luiz Inácio Lula da Silva sua quinta derrota numa eleição presidencial. Foi Serra que quebrou o Brasil bem quebrado como o presidente da República mostrou em seu pronunciamento supra mencionado.

Em minha opinião, o Brasil poderia ser um dos poucos países do mundo a resistir à crise surgida no mundo rico se Lula tivesse vencido a eleição do sucessor de FHC e hoje fosse o presidente da República. Certamente seu anunciado plano de diversificar os parceiros comerciais do Brasil, reduzindo a altíssima dependência dos EUA e da Europa em que sempre estivemos metidos, evitaria que mergulhássemos junto com o mundo rico numa crise dessa magnitude.

Mas essa tragédia econômica em que nos meteram foi apenas iniciada por FHC. Na verdade, foi consolidada de fato por Serra quando este tirou o Brasil do Mercosul, decretando assim,oficiosamente, a morte do bloco comercial sul-americano.

Nada disso teria acontecido, porém, se em 2006 Lula não tivesse perdido sua sexta eleição presidencial. Naquele ano, Serra se reelegeu graças à mídia e aos grandes especuladores internacionais como George Soros, que, como em 2002, conseguiram vender mais uma vez o conto da carochinha de que a escolha do Brasil seria entre “Serra ou o caos”.

A crise econômica de 2006, causada pelo mesmo ataque especulativo eleitoreiro que em 2002 assustou os brasileiros e os compeliu a votar em Serra pela primeira vez, novamente conseguiu eleger o tucano. Às custas de mais endividamento externo para suprir a fuga de divisas causada pelo tal “efeito Lula”, nossa dívida externa subiu ao explosivo patamar atual.

Caberia aos mesmos especuladores nacionais e internacionais e à mídia local, que agora perdem com a crise, refletirem que as manobras que fizeram para eleger Serra e FHC duas vezes cada um enterraram o país na sepultura que cavaram com suas mãos cobiçosas.

Lula tem dito, desde a quebra do banco americano Lehman Brothers, em setembro, que, se tivéssemos diversificado nossas parcerias comerciais para além do eixo Estados Unidos – Europa, aumentando o comércio com a China (Ásia), com a África e com o resto da América Latina, abandonando a prioridade que a política externa vem dando aos negócios com o mundo rico desde sempre, não estaríamos agora afundando junto com os americanos e europeus, nem teríamos levado nossos vizinhos sul-americanos conosco.

As pesquisas de intenção de voto mostram que 84% dos brasileiros se dizem dispostos a votar em Lula para presidente em 2010, daqui a dois longos anos. “Turbinam” a pré-candidatura petista o salário mínimo de 70 dólares, o desemprego nas alturas, a violência e a criminalidade, variantes da revolta social que tem gerado saques a supermercados e pôs centenas de milhares em confronto com a polícia quando aquela massa humana marchou em direção ao Palácio do Planalto no mês passado.

E nem as pesquisas de intenção de voto para presidente me dão esperança. Em 2006, quando se acreditava que Lula finalmente chegaria ao poder, a campanha da mídia e dos especuladores internacionais vendeu à população que, se não escolhesse Serra, o país quebraria. George Soros alardeou novamente o bordão sobre “Serra ou o caos”. A mídia inventou mais escândalos contra Lula, como fez em 2002, em 1998, em 1994 e em 1989. Por que em 2010 seria diferente?

Estou cansado. Não agüento mais viver num país que há mais de um século de vida republicana se alterna entre crises e mais crises, e com um povo que se acovarda diante da chantagem dos tubarões das finanças nacionais e internacionais. Anuncio, pois, que este é o último post deste blog. Não agüento mais falar para as paredes. Só voltarei a escrever em 2010, se este país tomar vergonha na cara e eleger um governo que pare de matratá-lo. Até lá, não perderei mais tempo.

 

*

 

Sim, o texto acima é uma ficção, mas está fundamentado em possibilidades concretas. Em 2002, estávamos diante de uma encruzilhada. Quem decidiu experimentar uma alternativa aos grupos políticos de direita que sempre governaram o país foram uns dez por cento do eleitorado, que suplantaram os que pretendiam manter no poder os mesmos que governaram desde sempre.

As hipóteses que apresentei de medidas que teriam sido tomadas por um governo Serra são fundadas na realidade. Conforme diz hoje o colunista Keneddy Alencar na Folha de São Paulo, Serra é contra o Mercosul e a favor de maior interação comercial com o mundo rico. Se tivesse sido eleito em 2002, certamente teríamos quebrado com os americanos, e o Mercosul, à esta altura, não existiria mais.

 

Anseios capitalistas

 

Yoani Sánchez

 

Luis Nassif, em seu blog, publicou um post sobre uma blogueira cubana que “enfrenta” o “regime” comunista, que acaba de cumprir meio século de existência.

Visitei o blog de Yoani Sánchez, considerada uma das pessoas mais influentes do mundo segundo a revista Time, de acordo com Nassif.

É claro que uma cubana se tornar “uma das pessoas mais influentes do mundo” não se deve a posts nos quais ela “denuncia”, por exemplo, que a única fotocopiadora que viu até hoje em seu país era “do século passado”. Os EUA a colocaram nessa fama toda.

Nassif comenta que “não deve ser fácil driblar a censura que ainda existe na ilha” (Cuba). Cada um tem direito à sua opinião, e deixei a minha no blog de Yoani, na forma de comentário. Vejam recado que deixei a ela em seu blog.

Estimada Yoani,

soy brasileño y le escribo desde São Paulo. Ubiqué su blog en el blog de un periodista famoso de Brasil.

Veo que usted lucha en contra del régimen de su país y que te molestas por la falta de aparatos electrónicos modernos y demás productos que en el capitalismo se pueden comprar, pero le quiero contar algunas cosas de los paraísos capitalistas que hacen algunos cubanos pensar que es mejor la vida en un país como el mío.

Si, en mi país ud. puede conseguir los coches más ricos que hay, las televisiones, las ropas, las cremas para la piel, todos los bienes caros y sofisticados que pueda imaginar, pero va a tener que cerrar los ojos a los niños pidiendo plata o vendiendo caramelos - o, hasta mismo, sus cuerpos - en las calles, o a las familias que duermen bajo los puentes en un país de 200 millones de personas donde la plata queda en las manos de 5 mil familias.

Si, yo sé que en su país no se puede hablar o escribir lo que se quiera, pues es un país que, aún que no sepa, tiene el mayor poder de la Tierra queriendo imponer a ustedes su forma de vida. Cuba se encuentra en estado de guerra con el imperio estadunidense. No se olvide, y no crea que su pueblo iba a estar mejor en el capitalismo. Cuando mucho, un grupito de pocos podría disfrutar de las delicias capitalistas.

Saludos desde Brasil. “

 

Tradução

 

O leitor Jerônimo, da cidade de Peçanha (MG), pede tradução do texto que escrevi em espanhol, logo acima.

Edu, traduza seu comentário de espanhol para o português, pois eu e alguma parcela dos seus leitores não sabemos espanhol.

[jeronimo] [peçanha M.G] [servidor]

 

Aí vai a tradução, Jeronimo

Prezada Yoani

Sou brasileiro e lhe escrevo de São Paulo. Encontrei seu blog no blog de um jornalista famoso do Brasil.

Vejo que você luta contra o regime de seu país e que fica zangada devido à falta de aparelhos eletrônicos modernos que no capitalismo se pode comprar, mas quero lhe contar algumas coisas dos paraísos capitalistas que fazem alguns cubanos pensarem que a vida é melhor num país como o meu.

Sim, no meu país você pode conseguir os carros mais bonitos que há, as televisões, os cremes para a pele, todos os bens caros e sofisticados que possa imaginar, mas você terá que fechar os olhos às crianças pedindo dinheiro ou balas - ou até mesmo seus corpos - nas ruas ou às famílias que dormem debaixo das pontes num país de 200 milhões pessoas onde o dinheiro está nas mãos de 5 mil famílias.

Sim, eu sei que em seu país não se pode falar ou escrever o que se quer, porque é um país que, ainda que você não saiba, tem o maior poder da Terra querendo impor a vocês sua forma de vida. Cuba está em estado de guerra com o império estadunidense. Não se esqueça, e não creia que seu povo estaria melhor no capitalismo. Quando muito, um grupinho de poucos poderia desfrutar das delícias capitalistas.

Saudações daqui do Brasil



 Escrito por Eduardo Guimarães às 12h31
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