Análise econômica

A gravidade da crise 

 

 Atualizado às 14h03 de 17 de janeiro de 2009 

 

 

O objetivo deste texto é o de explicar, em termos claros, sem economês, a crise financeira internacional. Nesse aspecto, injunções políticas tornar-se-iam um fator de complicação e poderiam turvar a compreensão dos fatos – segundo o meu ponto de vista, é claro. Assim sendo, abster-me-ei delas, neste post específico.

Antes de tudo, é preciso explicar do que se trata a crise financeira internacional. Tudo começou como uma crise de “subprime”, termo que significa ativos podres, ou seja, títulos de crédito emitidos contra pessoas físicas e jurídicas incapazes de honrá-los.

No entanto, com a decisão do governo Bush de deixar quebrar o banco Lehman Brothers em setembro do ano passado, estabeleceu-se como que um efeito dominó de desconfiança entre os agentes econômicos, pois um não sabia se o outro tinha comprado aqueles títulos podres - e em que medida, que a partir de determinada grandeza poderia levar aquele agente a não ter como honrar seus compromissos.

Estabeleceu-se, pois, uma crise de confiança que paralisou o crédito no mundo rico e em uma parcela do Terceiro Mundo.

A paralisação generalizada do crédito em economias baseadas tão significativamente e justamente em... crédito, como são as economias americana e européia, esse fenômeno empurrou aqueles países a processos de depressão econômica, gerando ondas de demissões e de quebradeiras que, inclusive, continuam se propagando e até aumentando.

A gravidade dessa crise, como eu já disse, é a de que se trata de uma crise de confiança, em boa medida psicológica. Não é por outra razão que os governos das grandes economias já despejaram trilhões de dólares em seus mercados internos: é para tentar retirá-los de um processo literalmente autofágico, inclusive tentando aumentar-lhes o nível de confiança interna.

Esse processo de desconfiança demolidor atingiu o Brasil da seguinte forma: apesar de não termos nosso sistema financeiro metido com títulos podres nem nos EUA nem em lugar nenhum, principalmente aqui, e de atualmente dependermos pouco do comércio com americanos e europeus, havia muitas linhas de crédito em nossa economia baseadas em crédito no exterior, e essa fonte parou de jorrar de repente.

O sistema bancário brasileiro também entrou em pânico e contraiu suas linhas de crédito, sem dizer do fato de que também perdeu acesso a crédito externo.

Entra o governo federal em cena oferecendo dinheiro a rodo, na mesma medida do crédito externo extinto, mas os bancos sentam em cima do dinheiro e não repassam aos tomadores desse crédito, já em fila querendo tomá-lo efetivamente. Estão com problemas psicológicos: medo de a crise aumentar.

O governo federal entra em cena de novo e pressiona o sistema financeiro para que empreste, e o crédito começa a aparecer. Porém, lá se foram dois meses, tempo suficiente para o pânico econômico acirrar a crise, pois medidas como demissões preventivas paralisam o consumidor, que pára de consumir e esvazia a carteira de pedidos do atacado, que, por sua vez, suspende encomendas à indústria.

Mais uma vez o governo federal entra em cena. O presidente da República, em pronunciamento à nação, pede ao brasileiro que compre a fim de “fazer a roda da economia girar”. É dezembro. A população, em grande parte, atende. Mas ainda é insuficiente para apagar os efeitos do auge da crise de confiança importada nos dois meses anteriores e em parte daquele.

O resultado disso tudo ainda será sabido. Posso dizer, no entanto, que, devido à boa arrumação da economia, ao nível de confiança do brasileiro diante da crise (o segundo mais alto do mundo) e à literal montanha de dinheiro e de instrumentos para estimular a economia que o governo tem à disposição, é muito provável que consigamos resistir às ondas que partem do Norte do mundo.

A coisa toda se resume a confiança. Quanto menor ela for entre os agentes econômicos no Brasil, pior para todos. O mesmo efeito dominó que se abateu sobre os EUA, abater-se-ia sobre nós.

Imaginem uma fortaleza muitíssimo bem armada, sólida, mas sendo alvejada incessantemente. É a economia brasileira. Apesar de a OCDE, o FMI, o Banco Mundial, entre outros, dizerem que a nossa economia é a mais sólida do mundo diante da crise, a mais sólida das fortalezas pode cair, em algum momento.

Detalhe: uma peça de artilharia que ataca a fortaleza acima e que está causando grandes estragos, são as más notícias e as más notícias exageradas ou deformadas. Há variedade de casos de agentes econômicos que tomaram decisões pró estagnação econômica com base em notícias, sem realmente necessitarem daquela decisão.

Tanto pior, portanto, se os ocupantes da fortaleza entrarem em pânico e, assim, descuidarem da própria defesa. Como dizem por aí, “Deus ajuda a quem ajuda a si mesmo”.

 

Posso ser “louco”, mas não sou bobo

 

Do portal G1, em São Paulo

Marcelo Cabral

17/01/09 - 10h00

"Em ambiente mundial de recessão, Brasil pode ser ilha [de prosperidade], avaliam OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento), FMI e Banco Mundial"

 

Descaramento italiano

 

Segundo a mídia, "O presidente da Itália, Giorgio Napolitano, enviou uma carta a Luiz Inácio Lula da Silva na qual expressa ao colega brasileiro suas "queixas" e seu "estupor" pela decisão do Ministério da Justiça do Brasil de conceder o status de refugiado político ao ex-terrorista Cesare Battisti"

Além da indignação com uma mídia supostamente brasileira, mas que está sempre do lado dos países ricos e contra o Brasil e outros países pobres, indignação maior sinto em relação ao Estado italiano.

A Itália abrigou o banqueiro criminoso Salvatore Cacciola por cerca de uma década, negando todos os pedidos de extradição e de prisão feitos pelo Brasil, e agora quer que façamos por ela o que nunca fez por nós. É muito descaramento desses italianos.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 01h41
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Denúncia


A mentira das demissões 

 

 

Atualização importante às 16h47 de 16 de janeiro de 2009

  

Pode-se dizer qualquer mentira contando parte da verdade, e é isso o que está fazendo a mídia na questão do nível de emprego no Brasil. Com finalidades políticas, a mídia tenta fazer o consumidor parar de consumir, de forma que, com queda nas vendas, os empresários demitam. E com demissões e quebradeiras, a popularidade de Lula finalmente cairia, beneficiando politicamente os autores dessa insanidade.

Tentou-se, pelas duas vias (empresários e trabalhadores), induzir a crise. Com os empresários, não está funcionando. Eles gostam de dinheiro, não querem crise, menos aqueles grandes empresários que mamam nas tetas do Estado, que Lula não está tratando a pão-de-ló ao exigir deles contrapartidas para receberem dinheiro público, tais como não demitir e investir.

A Globo, a Folha, a Veja, em suma, a quadrilha midiática que prejudica o país, que parou de fazer jornalismo faz tempo, que virou mera máquina de propaganda do governador de São Paulo, José Serra, a fim de elegê-lo presidente em 2010, está difundindo um aumento do desemprego que não está ocorrendo da forma que apresentam.

Este blog pretende explicar os fatos a fim de que seus leitores os difundam o máximo que puderem e enquanto é tempo, porque o noticiário está impressionantemente alarmista e já começa a surtir efeito.

Nos jornais e telejornais surgiram, nos últimos dias, fatos e números que são verdadeiros, mas que contam apenas parte da verdade. A questão foi pouco explicada e não estou vendo ninguém explicar a onda de desemprego que dizem que há. Começarei, pois, pelo mais óbvio até chegar à malandragem mais importante e que ninguém está explicando e que Lula até explicou, mas ninguém percebeu.

Esse noticiário começou acenando com milhares de demissões que estão ocorrendo na indústria automobilística, com destaque para 744 demissões na GM. Mesmo dizendo que os demitidos foram trabalhadores contratados em regime temporário, portanto sob expectativa de que tais contratações seriam só para suprir uma situação de aumento momentâneo da demanda, a relevância desse fato não está sendo bem explicada.

Os demitidos foram contratados em caráter temporário bem antes do agravamento da crise no mundo e no Brasil em setembro do ano passado. Havia a expectativa de não serem mais necessários em algum momento, por isso foram contratados temporariamente, mesmo que houvesse expectativa de manutenção de nível de demanda e, portanto, do emprego. As demissões nas montadoras são bem menos grave do que se pensa.

A indústria automobilística está puxando para cima o número de demissões e de queda na atividade industrial. Isso ocorreu por falta de crédito internacional, que financiava as taxas de juro baixíssimas que eram oferecidas na compra a prazo de carros, que era a maior parte dos negócios.

Com a paralisação dos negócios com carros novos por falta de crédito – e não de ânimo do consumidor –, a produção das montadoras parou e as indústrias de autopeças, que entregam a elas grandes volumes e que estão ajustadas para demanda ininterrupta da linha de produção dessas montadoras, passaram a demitir.

Porém, com medidas do governo para suprir a falta de crédito e com renúncia fiscal favorecendo as montadoras, em dezembro a compra de carros novos subiu fortemente e várias linhas de produção serão retomadas. Há expectativas de aumento das vendas depois do primeiro trimestre, por isso as montadoras querem que os trabalhadores aceitem ganhar menos até que elas voltem a ter lucros estratosféricos, pois demitir as colocaria numa situação como a que narrarei a seguir.

Sou representante de comércio exterior de uma indústria que vende a montadoras. Viajo pela América Latina para fechar contratos de exportação. Em novembro do ano passado, com a paralisação do suprimento da linha de montagem das montadoras, o dono da empresa que represento, assustado, demitiu dez por cento dos seus empregados. Precipitou-se, apesar dos meus avisos.

Na primeira quinzena de janeiro, a demanda explodiu, pois a empresa também vende para o mercado paralelo (para atacadistas de autopeças) e este, que também tinha se retraído em outubro, novembro e dezembro, diante dos muitos negócios que perdeu por falta de mercadorias lotou aquela fábrica com pedidos neste mês.

A fábrica demitiu cerca de 30 trabalhadores da produção. Agora, está tendo que trabalhar três turnos e, assim mesmo, não está suprindo a demanda. Os clientes dos clientes da fábrica estão pressionando seus provedores e acabarão cancelando pedidos e indo comprar da concorrência.

Os empresários que embarcaram no jogo político da crise se deram muito mal. Como não estão demitindo a contento, pois as demissões são em setores localizados com esmagadora liderança do setor automotivo, tenta-se agora sabotar a economia pela via do consumidor alarmando-o com o fantasma do desemprego.

O mais trágico disso tudo é que se o consumidor comprar passagem nesse barco furado, acabará perdendo seu emprego. Caindo a demanda, seu patrão demitirá. Mas o noticiário sobre desemprego assusta, mesmo que esteja sendo distorcido a fim de alarmar.

E agora vou explicar a pior das malandragens: a mídia infestou jornais e telejornais com notícias de que as demissões em dezembro foram as maiores desde 1999. É verdade. A mídia só não diz que as contratações também foram as maiores da história, em 2008, de maneira que os números do IBGE mostrarão, em breve, um resultado melhor do que se pensa, ainda que venham a mostrar certo aumento do desemprego. 

Esta é minha denúncia. Espalhem-na, por favor. A cada dia de alarmismo, mais estragos são causados. O país está sendo sabotado. Não há um grande aumento do desemprego, mas outros empresários poderão fazer o que fez aquele que mencionei acima, que se assustou e demitiu por conta, pagando, em média, 4 meses de salário para cada demitido, e agora terá que recontratá-los, depois de dois meses (!).

Fico meio exasperado porque não tenho como difundir adequadamente esta denúncia. A mídia bloqueia qualquer coisa neste sentido, qualquer coisa que contrarie os prenúncios das desgraças que ela alardeia a fim de que o eleitorado fique insatisfeito com o governo e vote em Serra em 2010.

Minha família e eu dependemos do meu trabalho. As de vocês - e vocês mesmos –, também. A quase totalidade do país trabalha duro para viver, seja como empresário ou como trabalhador. Não receberá os “brindes” que Serra distribuirá à mídia, se for eleito presidente. Não passam de algumas dúzias os que serão beneficiados pela eventual débâcle econômica do país.

Não se omita. Ajude-me a ajudar o país. Difunda este texto como se sua sobrevivência dependesse disso. E que Deus nos ajude, sendo tão ameaçados por essas máfias midiático-oposicionistas.

Como funciona o golpe das demissões

Abaixo, vocês lerão comentário de um leitor que revela como o tom do noticiário e as manchetes têm um efeito catastrófico sobre a mente dessa maioria. Vejam o diálogo extraído da caixa de comentários deste blog:

[Junior] [Campinas - SP] [Esp. TI] - Edu, a informação atual é de que foram demitidos 650 mil trabalhadores no mês passado, contra a média histórica de menos da metade. Qual sua análize frente a esta informação? Como ela poderia ser dada sem alarmismo e sem esconder os números? 

RESPOSTA E. G. : Poderia ter dado o resultado entre contratações e demissões. assim como as dispensas foram as maiores, as contratações foram muito fortes, ainda que tenham caído de ritmo.

[Junior] [Campinas - SP] [Esp. TI] - Edu, espera aí, eu entendi que 650 mil demissões é o saldo final, líquido das admissões. Pelo que você está dizendo, não. Ou seja, se foram admitidos 650 mil trabalhadores em dezembre, então o saldo entre empregados e desempregados é zero. É isso? Se é, então está faltando o número de admissões em dezembro para contrapormos com o de demissões?

RESPOSTA: Exatamente. Foram divulgadas apenas as demissões, que eram de uns 350 mil em dezembro de 2007, e faltou divulgar as admissões.

Essa pessoa, devido ao tom das manchetes ou por ter se informado através de matérias que não contaram a história das demissões direito, ficou achando que o número divulgado de demissões em dezembro era o que seria lógico divulgar, ou seja, o número do saldo final entre demissões e contratações de empregados. Só que não é isso que a mídia escolheu divulgar.

A mídia preferiu divulgar para quanto subiu o número de dispensas num mês de dezembro omitindo ou minimizando o fato de que é um mês de aumento do desemprego, tradicionalmente, e deixando a impressão de que a perda de vagas no mês foi de 600 mil, quando pode ser até que não tenha havido perda. De qualquer maneira, perda, se houver, será de algumas dezenas de milhares de vagas e não centenas de milhares, entenderam?

E só para convencer quem acha que o número de 600 mil vagas extintas divulgado pela mídia é o do saldo entre contratações e demissões, reproduzo, abaixo, trechos de reportagem de hoje da Folha de São Paulo tratando do assunto. O título da matéria é o de que Lula “admite” maior aumento do fechamento de vagas desde 1999. Daí, já se tira uma opinião, entendem? Mas, lendo a matéria, nota-se que, na verdade, o número é das vagas fechadas sem computar as abertas, e de que estas tiveram o maior aumento da história em 2008.

Se falassem de quantas vagas foram realmente pedidas, no saldo final, o impacto seria muitíssimo menor.  Leiam os trechos da matéria da página A4 da Folha de São Paulo de sexta-feira 16 de janeiro de 2009.

Lula admite demissão recorde em dezembro

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva admitiu ontem [...] que o número de demissões em dezembro pode ter batido recorde. [...] Segundo estimativa apontada pelo próprio presidente, "Tivemos uma anormalidade no mês de dezembro, e é importante lembrar que, na série histórica, dezembro é sempre anormal", disse.[...] Embora dezembro seja um mês tradicionalmente marcado pela retração do mercado, os números flutuavam em torno de 300 mil vagas fechadas. Em 2007, o dado ficou negativo em 319.414 postos de trabalho. [...] Segundo Lula,[...]"Chegamos até outubro a 2,1 milhões de trabalhadores contratados e vamos fechar o ano com um saldo positivo de quase 1,5 milhão de empregos novos " [...]



 Escrito por Eduardo Guimarães às 13h18
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Crônica política

A reação é silenciosa

 

 

 

Pela primeira vez, em quase três anos, parei de escrever. E foi por quase três dias inteirinhos. É que não andei bem. E não foi só porque me abateu, como não acontecia há muito tempo, que uma de minhas filhas tenha ido estudar do outro lado do mundo, na Austrália, por um ano. Houve outros fatores que me desanimaram.

Creio que muita gente já notou como, neste mês, recrudesceu a industrialização do alarmismo pela mídia, alarmismo que pretende intimidar a sociedade, trabalhadores e empresários, de forma que consumo e investimentos sejam paralisados, objetivando que a economia seja mais afetada pela crise internacional, pois a situação atual, na qual o Brasil tornou-se a melhor economia do mundo, a que melhor está resistindo à crise, é inaceitável para aqueles que, há mais de seis anos, tentam convencer o povo de que o governo Lula é ruim, visando que o presidente da República não consiga fazer seu sucessor e, assim, que derrote novamente, por interposta figura, o governador de São Paulo, José Serra, o pré- candidato declarado a presidente em 2010, aquele que pretende a retomar o controle do Estado para a direita brasileira.

Num momento em que o Brasil brilha diante do mundo assumindo a honrosa posição de única economia entre as 35 maiores que, de acordo com a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), será muito pouco afetada pela crise internacional em comparação com as tragédias econômicas que estão se abatendo sobre os outros 34 países que integram o organismo multilateral, a mídia tenta roubar dos brasileiros esse momento ímpar em nossa história, minimizando-o enquanto distorce fatos, tentando transformar problemas controlados e localizados na economia em sinais de desastre iminente.

Isso me desanimou. As manipulações da grande imprensa me desanimaram. Quando comecei a ver as tentativas de transformar a modesta turbulência nos índices econômicos em crise generalizada, transformando até as 744 demissões de empregados temporários da GM em indício de surto de desemprego, e sabendo como esse alarmismo pode realmente aprofundar a crise ao assustar empresários e trabalhadores, levando-os, respectivamente, a demitir e a não consumir, paralisando assim a economia, tive vontade de ir para a praça pública com um megafone gritar meu inconformismo, minha revolta.

Em seguida, pego um jornal que estava à mão numa empresa em que estive ontem, o Estadão. Vejo, na capa, chamada para artigo de um tal de Roberto alguma coisa no caderno de variedades do jornal. O título do artigo dizia que o presidente Lula não gosta de ler e, em meia página de jornal, o articulista começou a contar a novidade das novidades, de que a leitura engrandece as pessoas. O indivíduo distorceu criminosamente a declaração de Lula dada à revista Piauí de que não gosta de ler os Estadões da vida porque, como é óbvio, tornaram-se panfletos da oposição que tentam desmoralizá-lo. Novamente quis gritar. Lula diz que não gosta de ler os jornais que lhe fazem oposição e que o insultam e o tal Roberto sei-lá-do-que reduz a frase a “Lula não gosta de ler”.

Fiquei desanimado porque não via como seria possível mudar essa situação. O fato é que ninguém tem como criar um, apenas um mísero jornal, uma única tevê que não faça política, mas jornalismo, que preste um serviço público à sociedade, informando-a corretamente, não mentindo, não distorcendo os fatos, não inventando notícias, não ajudando criminosos como fez a Folha de São Paulo com Daniel Dantas... É preciso dinheiro, muito dinheiro para criar um grande meio de comunicação. Nem o governo federal consegue. A tevê pública é apenas uma sombra e sempre será, pois o povão que assiste o Jornal Nacional não gosta de qualidade, quer lixo como o que uma Globo, um SBT etc., veiculam.

O primeiro ímpeto foi o de correr ao computador para escrever, para denunciar, para exercer, meramente, meu “jus esperneandi” (direito de “espernear”). Contudo, como se não bastasse a tristeza da separação de minha filha, dei-me conta de que eu iria pregar para convertidos, para aqueles que já sabem de tudo que eu diria e que constituem apenas uma parcela (reduzida) da sociedade, pois interessar-se pelas grandes questões contemporâneas ao ponto de ler sobre elas é só para a elite intelectual de um país inculto, em que a maioria só pensa em futebol, carnaval e na própria sobrevivência cotidiana, sem entender que é na política que se traçam os rumos da nação.

Foi então que uma adaga de luz mental cortou a escuridão como faca corta manteiga, revelando-me que, por mais que eu acredite que não há solução para combater eficientemente essas aberrações que são os grandes meios de comunicação, o processo que poderá mudar tudo isso foi desencadeado, sim, a partir deste governo.

A questão toda, é uma só: educação. Só a educação é capaz de conscientizar as pessoas, de mostrar a elas que não “gostar” de política é a atitude mais estúpida que existe. Afinal, a educação permite às pessoas perceberem o que está acontecendo de verdade. Vejam que mesmo esse setor elitista – cada vez menos representativo – que não reconhece o que este governo tem feito, não reconhece por malandragem. Essas pessoas sabem que o país é bem governado hoje, mas não admitem porque acham que os pobres estão sendo muito beneficiados e a elite pode vir a perder com isso. Daí atacam o governo, tentam desmoralizá-lo para que não tenha continuidade, para que Serra desarticule a ascensão intelectual dos mais pobres.

Ora, este governo não pode criar uma Globo ou uma Folha, mas pode promover a revolução na educação que está promovendo, dando acesso à universidade a pobres, investindo no ensino fundamental e médio como nunca, e, mais do que tudo, promovendo a maior inclusão digital do mundo, de forma que cada vez mais brasileiros tenham acesso a informações que os grandes meios de comunicação tradicionais tentam esconder ou mutilar.

Não é à toa que Lula permanece sereno diante do que faz a mídia. Ele está trabalhando para minar-lhe o poder. E jogou isso na cara dos magnatas da informação em sua contundente entrevista concedida à revista Piauí, o que os fez, tomados pela ira dos déspotas, mandarem seus sabujos escreverem artigos como o do tal Roberto não-sei-das-quantas lá do Estadão, por exemplo, que mentiu descaradamente para tentar enervar o presidente, pois a mídia sabe como a inclusão digital e a educação estão destruindo seu monopólio do poder de informar. Só quem parece que não sabe disso somos nós, os que nos deixamos abalar com as bofetadas que a mídia nos desfere até dentro de nossas casas, na tevê.

A reação do governo Lula à mídia, ocorre em silêncio. Ele não xinga, não grita, não perde a compostura. Ele é um homem do povo que chegou aonde chegou e é isso o que faz com que confie nesse povo. Ele sabe que, dando instrumentos aos brasileiros, eles descobrirão tudo o que gostaríamos de dizer em alto e bom som. Descobrirão isso na intimidade de seus lares, sob a luz de seus intelectos cada vez mais aprimorados.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 23h34
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Vídeo

A família de Gabriela

 

 

 

O vídeo acima foi produzido por minha filha Gabriela, de 22 anos, que embarca nesta segunda-feira, 12 de janeiro de 2009, para Sydney, na Austrália, onde permanecerá estudando até o fim deste ano.

Ela fez o vídeo para sua família e ela terem uma recordação nos momentos de saudade mais aguda. O vídeo se tornará um hit em minha vida pelos próximos 12 meses, durante a espera excruciante até que essa filha amada retorne.

Quero compartilhar com vocês esse momento tão especial de minha família, de nosso passado e presente na visão dessa jovem corajosa que é Gabriela Guimarães, de quem tanto me orgulho.

Obs.: minha filha embarca, nesta segunda, às 18 horas. Não esperem muito mais de mim do que liberação de comentários, nos próximos dois ou três dias. Não sei como estará esta cabeça.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 17h25
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Crônica política

Entenda o poder da mídia

 

 

Em meio à carnificina no Oriente Médio, tragédia que deixa impotentes e indignados todos os seres humanos dignos de ser chamados assim, e em meio à ameaça às nossas próprias vidas que é a crise econômica, sobretudo quando temos, entre nós, gente poderosa que torce para que pais de família percam seus empregos e empresas quebrem porque tais desgraças favoreceriam seus interesses políticos, acabamos, os cidadãos comuns, perdendo a serenidade. E justamente no momento em que ela mais precisa ser mantida, pois a política, nos próximos dois anos, ditará o que será do país na próxima década.

Um leitor postou aqui comentário que resume preocupações antigas que me afligem, e das quais, junto com tantas outras, ainda não tratei direito. É que é tanto o que precisa ser dito que muitas vezes nem sei por onde começar, o que fatalmente me faz abordar assuntos menos importantes, como quando trato de picuinhas políticas em prejuízo de assuntos como o que este post começa a abordar nesta frase, ou seja, sobre qual é, realmente, o poder da mídia de influir nas decisões da sociedade, e se esse poder inclui o de induzir as pessoas a votarem desta ou daquela forma.

Para começarmos a entender do que estou falando, reproduzo, abaixo, comentário de um leitor, o qual peço que poupem de respostas à atitude desrespeitosa que teve para com a maioria dos leitores que optam por se manifestar neste blog. Não percam tempo com o leitor em questão porque não é ele que importa e sim o que ele afirma, ou melhor, o que ele recita, que é um verdadeiro mantra que dez entre dez empregados e patrões da grande mídia recitam igual. O leitor usou o “gancho” do post anterior, sobre a entrevista de Lula à revista Piauí, para vender seu peixe, ou melhor, o peixe da mídia, ainda que possa ter feito isso sem se dar conta. Vejam o que diz o leitor em tela:

Por vezes, dirigi-me a este blog reclamando da fixação maluca da esquerda em relação à “mídia”. Já vi, inclusive aqui, demonstrações explícitas de histeria e descontrole com alguma matéria e/ou algum jornalista. Já li, no portal da Hora do Povo, os seus “jornalistas” clamando pelo assassinato do amalucado Mainardi, porque ele ataca Lula.

Do alto de sua genialidade, o “sapo barbudo”, como disse Brizola, colocou, brilhantemente, os pingos nos is. Aprenda de uma vez com Lula, esquerda desorientada, que demonizar a “mídia” é gastar muita vela com defunto ruim. A “mídia” não tem essa importância toda. Não elege presidente, não derruba presidente e não influencia o eleitor.

Tratem a “mídia” como ela merece ser tratada: como um negócio. Se o sanduíche do McDonald’s não lhe agrada, experimente a concorrência. Se a Veja não lhe agrada, assine a Carta Capital. A “mídia” desconstruiu e estraçalhou Lula no “mensalão”; o eleitor reelegeu-o com 60 milhões de votos. É tão difícil de entender?

Esqueçam esse leitor que acha que só quem se queixa da mídia é uma ideologia, que aceita todos os verdadeiros crimes que essa mídia vem cometendo porque, apesar de querer dar a outros lições de comportamento e de clareza de visão não consegue enxergar qual é o real poder que a mídia ainda conserva.

Esta argumentação não se destina a essas pessoas que pregam a dispersão, combatendo o engajamento da sociedade civil, e que trabalham, sabendo ou não, em prol de interesses corporativos dos mais altos estratos da sociedade, àqueles aos quais não interessa qualquer tipo de mobilização popular, sobretudo se for contra o maior poder que o topo da pirâmide sempre controlou, isto é, o poder de fazer suas opiniões repercutirem sempre acima das dos cidadãos comuns. Esta argumentação destina-se àquele que quer se defender do jugo de muitos por poucos que sempre vigeu no Brasil.

Para se defender de alguma coisa, é preciso saber o que ela é. Estamos falando do poder da mídia de moldar comportamentos e decisões, tais como as de consumo ou as escolhas políticas, porque o poder de induzir as decisões das massas vale fortunas incalculáveis. E mais: vale poder político.

Não é por outra razão que os meios de comunicação, como bem disse o leitor, tentaram arrasar Lula não só durante o escândalo do mensalão, mas durante cada dia do seu governo, com milhares de ataques de todos os tipos, que infestaram todo e qualquer meio de comunicação a partir de 2003 de uma forma que eu jamais havia visto. Nenhum tipo de meio de comunicação foi poupado, nenhuma categoria de entretenimento foi poupada. A política anti-Lula da grande mídia tornou-se visível numa revista de fofocas tanto quanto numa novela, num programa humorístico ou num telejornal.

O leitor que menciono neste texto, entretanto, comentou que tudo isso que a mídia faz é à toa, porque ela não teria poder de derrubar ou de eleger presidentes. E diz que nós (?), a “esquerda”, é que não entendemos. Vejam bem, não é quem tenta fazer o que supostamente não pode que é burro, é quem acusa esse alguém de tentar fazer o que não pode que é. Assim, seria melhor deixar a mídia falando sozinha, como se deixa um doido fugido do hospício vagando pelas ruas e falando com seus amigos imaginários.

A mídia adora esse discurso. Venho ouvindo isso de jornalistas do Estadão e da Folha há anos e anos. Mais recentemente, nas quatro vezes em que estive com o atual ombudsman da Folha, Carlos Eduardo Lins da Silva, ele também veio com essa conversa mole de que a mídia não tem poder para influir em escolhas políticas.

A teoria do ombudsman, de seus patrões e dos outros patrões amigos de seus patrões, porém, é mais sofisticada do que a do leitor de Palmas, no Tocantins, que quer nos dar lições. O que mostra que a mídia não está sendo eficiente na difusão de sua teoria, pois a do ombudsman é muito menos irracional do que a do leitor em questão, e é muito mais sofisticada.

Lins da Silva me explicou, em nosso primeiro almoço no restaurante Gato que Ri, no centro velho de São Paulo, que a mídia não tem poder de formar opiniões quanto a valores intrínsecos das pessoas, tais como o time para o qual a pessoa torce ou como a religião que ela abraçou, e a política estaria entre tais “valores”.

O ombudsman acedeu à premissa de que a mídia é capaz de provocar convulsões sociais instigando o medo das pessoas, como na divulgação de que haveria uma epidemia de febre amarela no país. Mas é só assim que ele acha que a mídia provoca movimentos de massa. Nisso ou no consumo, no qual a mídia também teria como influir.

Vou mais longe. Recentemente, a mídia tentou vender que o Brasil estaria vivendo um surto inflacionário. Agora, tenta fazer com que as pessoas parem de consumir, de forma a materializar com mais força a crise no Brasil, o que favoreceria a queda da popularidade imensa de Lula e, conseqüentemente, sua capacidade de transferir votos para seu candidato à própria sucessão, que fatalmente se defrontará com o escolhido da mídia, José Serra, em 2010. E, em alguma medida, estava e está conseguindo, ainda que, graças à reação de Lula e da internet, não está funcionando exatamente como a mídia queria.

Todavia, chega a parecer má fé dizer que a mídia não elege ou derruba presidentes. Só assim se pode desconhecer que a mídia derrubou um Jango Goulart e ajudou a instalar uma ditadura no Brasil, ou que ajudou Fernando Henrique Cardoso a se reeleger em 1998 mantendo os brasileiros sem saber que a crise econômica e a conseqüente desvalorização do real seriam inevitáveis, ajudando a vender a teoria tucana de que seria Lula que desvalorizaria o real se se elegesse naquele ano, apesar de que até as rotativas dos jornalões sabiam que FHC teria que desvalorizar a moeda assim que passassem as eleições.

Aliás, quem é que mantém o PSDB no poder no Estado de São Paulo há uma década e meia? Há que perguntar quem esconde todos os escândalos do governo do Estado, quem não transforma escândalos como o da Alstom ou o do buraco do metrô em campanhas midiáticas como a do mensalão.

Aliás, os números do mensalão são pinto perto dos números da Alstom e este escândalo tem muito mais provas contra os tucanos do que o mensalão jamais ousou ter contra tucanos ou petistas, sendo que só estes foram acusados na mídia pelo mensalão enquanto que os tucanos foram poupados do escândalo, como no caso de Eduardo Azeredo, senador mineiro e ex-presidente do PSDB envolvido com Marcos Valério até a raiz dos cabelos. Azeredo, um corrupto inegável que não ficou mais do que alguns dias no noticiário apesar de todas as provas cabais que havia contra si.

Quem é que não denuncia que os paulistas estão pagando propaganda pró Serra nos outros Estados brasileiros através da Sabesp? Quem é, senão a mídia, que não denuncia que justo agora a Sabesp descobriu que tem que melhorar sua imagem no resto do Brasil, justamente quando Serra já põe o pé na estrada da sucessão presidencial?

Mas, então, como é que a mídia não derrotou Lula em 2006? Ora, eu nunca disse que o poder da mídia de eleger e derrubar governos estava intacto. Vocês podem notar que a primeira grande revolta dos brasileiros contra a pregação política midiática ocorreu em 2002, num momento em que a internet já começava a abalar as estruturas de poder da mídia, ou seja, a capacidade de falar sozinha para muitas pessoas. Além disso, a própria situação no país, no decorrer do segundo mandato de FHC, empurrou os brasileiros para uma tentativa “desesperada”, ou seja, para Lula.

O mesmo aconteceu em São Paulo, na capital. Apesar de ser a cidade mais conservadora do país, depois de eleger facínoras como Jânio Quadros, Paulo Maluf e Celso Pitta, os paulistas sempre recorrem a uma administração petista para consertar os estragos, mas depois devolvem o poder à direita, porque a mídia convenceu o povo deste Estado de que ele tem que votar diferente dos outros para manter-se mais rico e influente. E os paulistas compram essa bobagem como se obtivessem realmente algum benefício desse bairrismo e dessa arrogância, quando, na verdade, têm escolas públicas, hospitais públicos e uma polícia entre os piores do país, apesar de São Paulo ser tão rico.

Agora, uma precaução importante é a de não darmos razão à mídia e a pessoas como esse leitor que escreveu essas baboseiras, buscando pelo em ovo. Eu, por exemplo, só denuncio da mídia o que é literalmente gritante, escandalosamente claro. Vejam só nessa questão da cobertura midiática sobre a crise no Oriente Médio. Disseram que a mídia estaria escondendo o massacre dos palestinos etc.

É uma bobagem. Todos os dias os jornais e telejornais estão mostrando todo o horror que os israelenses estão praticando. Ontem mesmo, conversando com o Luiz Carlos Azenha por telefone, ele mencionou a teoria de ocultação de fatos sobre o conflito no Oriente Médio pela mídia e chegamos juntos à conclusão de que não estaria havendo isso, até porque o jornalista acabara de publicar em seu blog reportagem do The New York Times que tratava justamente do que estava sendo pouco dito sobre aquele assunto e por um prisma totalmente favorável aos palestinos. O fato é um só: a mídia não tem como esconder nada, nessa questão. Imagens e notícias espalham-se pelo mundo como fogo na palha, o que está levando milhões às ruas para execrar Israel.

Quem tenta criar malfeitos da mídia que ela não cometeu, acaba prejudicando quem denuncia o que realmente ela faz de errado. Quem denuncia sem grandes indícios, baseado em meras impressões, atrapalha demais a discussão. O que deve ser denunciado é o que for realmente escandaloso. E há muita matéria-prima disponível para tais denúncias. Fabricá-las estimula pessoas como esse leitor do Tocantins que acusou a esquerda pelos crimes midiáticos da direita.

O poder remanescente da mídia só pode ser combatido se for entendido. É um poder decadente. Deverá diminuir com os anos, com a crescente pluralidade dos meios de informação, mas ainda é muito grande para ser subestimado, para ser tratado como se não existisse, e é insuficiente para desanimar as pessoas de lutar, pois nunca antes na história do mundo o cidadão comum que quis contestar o poder da mídia teve tantas armas à disposição, por mais que ainda sejam armas frágeis diante do poder ainda descomunal dos grandes meios de comunicação, poder que não pode nem deve ser nem sub nem superestimado. Nunca.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 14h38
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