Crônica política
Como vender Serra
Um amigo que muito prezo pediu-me que escrevesse sobre como a mídia vende incessantemente o governador José Serra, receitando-o como remédio para, desde unha encravada até mau-olhado. Meu amigo leu um texto do Paulo Henrique Amorim falando do assunto e, pelo que deduzi, quis vê-lo (o assunto) sendo analisado sob a minha ótica.
Respondi que não tenho feito outra coisa além de exemplificar o que a mídia tem sido capaz de fazer para encher a bola do governador paulista, mas meu amigo insistiu e exemplificou o que queria que eu analisasse, especificamente.
Li o texto de Amorim. Ele escreveu que os jornais e tevês de Serra vendem que o Brasil acabou pela crise e que o tucano é que o reconstruirá. Trata-se de um texto divertido, bem ao estilo desse jornalista. Vale a pena ler.
Mas não tenho a veia cômica de Amorim. E, além disso, começo a achar que o mais importante nem é o que Folhas e Globos são capazes de fazer para ajudar o tucano a se eleger presidente em 2010 – e que sabemos que é muito –, mas como esses veículos podem fazer para convencer alguém a seguir seu conselho eleitoral.
Tomo a mim mesmo como exemplo: se alguém me mostrasse alguma evidência de que Serra seria um bom sucessor para Lula, à altura de sua obra – a qual eu, como a maioria absoluta dos brasileiros, considero digna de nota –, certamente que o tucano teria o meu voto.
O grande problema é que a venda incessante de Serra como uma espécie de elixir para a felicidade eterna do eleitorado, até agora, por mais que essa venda diga como ele é competente para resolver isto ou aquilo, não me disse como ele faria melhor do que Lula, por exemplo, para mitigar os males advindos do cataclismo econômico em curso no planeta.
Um bom começo para a mídia parar de anunciar seu produto e tentar fechar a venda – e digo isso como vendedor, só que de autopeças – seria explicar como funciona esse aparato magnífico que seria José Serra. Como ele funcionaria para impedir que empregos escoassem pelo ralo? Será possível que me diriam que ele teria reduzido a Selic antes de Lula?
Há muito que dizer sobre o que a mídia é capaz de fazer para eleger o governador de São Paulo, mas não há nada a dizer sobre o que ela é capaz de mostrar sobre como o tucano poderia melhorar o que Lula fez ou o que faria quem o presidente indicasse para sucedê-lo.
Serra é um produto muito consumido em São Paulo e São Paulo é muito importante, mas o Brasil é bem maior e mais importante do que São Paulo. E em muitas regiões do país, regiões que têm suas vozes sempre abafadas pela barulhenta mídia do eixo São Paulo-Rio, essa tragédia que a mídia diz que está acontecendo por culpa de Lula é vista como uma marolinha, comparada ao que acontece no resto do mundo.
Os meios de comunicação têm sido capazes de fazer praticamente tudo, até o momento, para tentar eleger esse homem. Não têm sido capazes, porém, de fazer o principal: dar um único motivo inteligente e prático para alguém querer votar nele. Um motivo que convença mesmo essas pessoas que a mídia julga idiotas, mas que são muito mais espertas do que ela pensa.
Escrito por Eduardo Guimarães às 00h37
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Análise política internacional
Uma questão de lógica

Creio que o maior enigma que se apresenta hoje é se Barack Obama saberá responder aos desafios espantosamente difíceis que tem pela frente. Há uma piada na praça, inclusive, até meio preconceituosa, que pergunta se “alguém é capaz de adivinhar a quem foram dar o pior emprego do mundo...”.
Creio, porém, que o fato de ter diminuído o volume dos que diziam que Obama seria um terceiro da dinastia Bush já indica que ao menos essa vitória o primeiro presidente negro dos Estados Unidos da América já logrou obter, ou seja, a de conseguir para si unicamente o benefício da dúvida.
Não se exclui a possibilidade de ele, Obama, no entanto, ser apenas mais uma peça do Sistema, e de, assim, estar tentando enganar todo mundo fazendo-se passar por pacifista e conciliador, quando, na verdade, representa a versão mais inteligente de um novo condutor do Império Americano, Império esse que nem sei até que ponto existe ou não.
Permito-me o benefício da dúvida que se dá a qualquer um até que exista algo concreto que faça que o desabone. Pode ser político, jornalista, encanador, pedreiro, o que for: enquanto não tiver uma atitude francamente indefensável sob todos os pontos de vista, para mim sempre poderá provar que fala a verdade.
A atitude acima descrita pode parecer meio ingênua, à primeira vista. Todavia, se não se seguir critérios de conduta nesta vida, passaremos a atravessá-la acima de valores e ideais, o que nos tornará canalhas e cínicos aos nossos próprios olhos, que são sempre os mais severos que podem nos julgar.
Obama começou muito bem. Disse tudo que o executivo mais poderoso do mundo poderia dizer já de cara. Fez tudo que se esperava como mínimo que fizesse. Pôs em xeque as previsões de que não fecharia Guantánamo, não se envolveria pessoalmente com os palestinos, não recriminaria a tortura, não imporia regras ao que Bush desregulou (o mercado financeiro), enfim, uma porção de coisas.
Pode ser que comecem a chover críticas a cada mínimo interesse decenal e até secular que ele vier a contrariar. E não me refiro só a grandes interesses , mas também aos menos poderosos, independentemente da importância de cada um, da justeza de cada um, da urgência de cada um. Refiro-me à impossibilidade constitucional de chefes do poder Executivo mudarem o que quiserem de uma hora para outra, inclusive contrariando o mínimo de estratégia política.
Exigirão, claro, que Obama faça o que jamais um homem público, um líder fez : desprezar a estratégia política. Vendem que estratégia política é criminosa, é imoral, mas, na verdade, sem estratégia política as pessoas teriam que votar através de currículos dos candidatos, o que não me parece bom, porque os mais rematados canalhas podem ter currículos vistosos.
O início de Obama foi bom e acho que o que podemos fazer, se quisermos ser úteis ao mundo, será dar a ele um prazozinho de carência antes de começarmos a bombardeá-lo. Aliás, ele mesmo conseguiu-se esse prazozinho ao começar seu governo como começou. Foi só ver o que estavam falando que ele não faria e que prometeu fazer em sua campanha e efetivamente cumprir a promessa.
Mas, até aí, tudo bem. Seria inexplicável ele fazer o oposto. Isso foi dito aqui várias vezes nos últimos sessenta dias. Era só uma questão de lógica.
Escrito por Eduardo Guimarães às 16h21
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Denúncia
Reduzam a taxa de usura
Quem se lembra de quantas vezes, através dos anos, os banqueiros atribuíram o spread (taxa de risco) exorbitante que cobram nas operações de crédito ao depósito compulsório sobre os depósitos à vista determinado pelo Banco Central?
Como se sabe, de setembro do ano passado para cá o governo federal liberou expressiva parcela do compulsório. Agora, reduziu até a Selic. Contudo, à diferença do que diziam os banqueiros, o spread permaneceu praticamente inalterado.
Está finalmente provado que o spread exorbitante que os bancos cobram não tem fundamento. É prática de usura, vedada pela Constituição. É por isso que o Brasil tem as maiores taxas de juros do mundo.
Os juros brasileiros não são altos devido à taxa Selic, mas devido à taxa de cinismo dos banqueiros, os maiores sanguessugas do planeta, os que impedem este país de se desenvolver plenamente e que precisam ser enquadrados pelo Estado.
Escrito por Eduardo Guimarães às 10h01
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Crônica
Equilíbrio

A busca pelo auto-aprimoramento é ingrata e árdua. Se eu tivesse que defini-la em uma só palavra, no entanto, diria equilíbrio. Só que essa busca pode se converter numa armadilha. Ao tentarmos ser muito equilibrados, corremos o risco de nos tornar titubeantes; a ousadia, por outro lado, anda de mãos dadas com a precipitação.
Quanto mais vivo, mais me dou conta de que nada sei. Às vezes, sinto-me perdido como um menino de quem a mãe se desencontrou na rua. Mas também há vezes em que vejo meninos perdidos em busca de uma mão que os conduza.
Enquanto os anos marcham inexoravelmente, tendo a lamentar oportunidades perdidas, caminhos trilhados ou que deixei de trilhar. Pergunto-me, então, até que ponto sou capaz de enxergar a realidade ao redor, pensando umas vezes que ainda tenho muitos problemas de visão e outras que não enxergo tão mal assim.
Chego perto da conclusão de que a forma como nos vemos depende menos de nós mesmos do que de fatores exógenos, fora de nosso controle. É o mundo que, mutante, teima em nos desorientar.
A velocidade com que a informação nos chega hoje coloca-nos diante de situações cada vez mais inovadoras. Nos dias que correm, “temos” que formar opiniões automáticas sobre temas complexos durante a fração de segundos entre as palavras de uma conversa informal.
Nunca o homem esteve exposto a tanta informação e à cobrança de conhecimento sobre variedade tão amplificada de assuntos. E nunca o conhecimento que se é capaz de ter sobre o mundo ao redor influiu tanto nos rumos de nossas vidas. Há poucas décadas, a vida caminhava em outro ritmo.
A busca sincera pelo próprio aprimoramento intelectual, espiritual, moral nunca foi tão difícil e tão simples ao mesmo tempo. A crença em dogmas que perdurariam por toda uma vida hoje se vê exposta ao contraditório em cada esquina. Houve homens que cresceram, viveram e morreram acreditando em completas mentiras e que hoje teriam chance de descobrir várias vezes durante a vida que suas convicções eram falsas.
Pode ser que, mais tarde, eu venha a mudar de opinião, mas, até o momento, a conduta que me parece mais sensata para me aprimorar num mundo tão novo é a de manter distância de convicções inabaláveis, ainda que sem prejuízo de defender com determinação e coragem os valores que me norteiam. Mas só enquanto for honestamente possível mantê-los, é claro.
Escrito por Eduardo Guimarães às 23h00
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Análise econômica
Desemprego, mitomania,
Obama, Chávez e reação
Atualizado às 17h48 de 22 de janeiro de 2009

A salada de números na economia e a péssima atuação da imprensa no sentido de explicar ao público leigo os movimentos econômicos estão gerando perplexidade das pessoas diante do anúncio do nível de emprego medido pelo IBGE, que seria o mais alto desde 2002. Como isso é possível se há pouco fomos informados de que em dezembro perderam-se mais de seiscentos mil postos de trabalho no país, segundo o Caged?
A explicação é simples. O Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) mede exclusivamente o nível de emprego formal – a diferença entre demitidos e contratados pelas empresas. Em dezembro, pois, houve muito mais demissões formais do que contratações. Já o IBGE, analisa o mercado de trabalho como um todo, incluindo trabalhadores autônomos e informais e faz as necessárias comparações entre o presente e o passado.
Os números tétricos do Caged de dezembro passado mostram dados isolados e não contextualizam em que ambiente ocorreram as demissões, mostrando apenas que houve um desemprego em massa no mês passado. Contudo, o IBGE deixa ver que há muito mais gente empregada no Brasil hoje do que antes de Lula chegar ao poder.
Com a criação de quase oito milhões de empregos formais nos últimos seis anos e de cerca de dois milhões de empregos informais ou para autônomos, portanto, chega-se à situação de menor taxa de desemprego desde 2002, ora anunciada pelo IBGE e, até o momento, repercutida pela mídia.
O grande problema aí, entretanto, não são os números frios, mas a tendência. Nesse ritmo de desemprego que se está vendo, o nível de emprego pode rapidamente deixar de ser tão alto. O Caged mostrou que as empresas passaram dezembro demitindo a todo vapor.
Se isso continuar acontecendo neste mês, os dados do IBGE de janeiro mostrarão quadro bem menos animador, se não for desanimador, pois na surpreendente velocidade com que o desemprego avançou em dezembro, se prosseguir nesse ritmo até março, então poderemos ter recuado até o nível de desemprego da era FHC.
O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, afiançou que em janeiro não estaria ocorrendo o ritmo de demissões de dezembro. Se isso for verdade – e eu, agora, devido ao erro a que fui induzido por uma fonte que se mostrou inconfiável, só acreditarei nos números que eu cheque pessoalmente –, o que aconteceu no mês passado poderá se tornar um problema localizado.
Pode acontecer de o empresariado ter decidido fazer um corte profundo, rápido e definitivo preventivamente. Ou seja: decidiram fazer a maldade toda de uma vez para depois irem administrando pequenas doses de bondade – alô, alô, Maquiavel...
De qualquer maneira, estatisticamente falando, a situação do Brasil de chegar a dezembro com o nível mais baixo de desemprego em seis anos mostra como a economia brasileira é hoje a melhor do mundo, pois em todos os países mais importantes 2008 se tornou um dos piores anos da história para o mercado de trabalho, enquanto que aqui foi um dos melhores.
Não é à toa que no mundo inteiro o Brasil está sendo ovacionado por sua economia, conforme fizeram recentemente o FMI, o Banco Mundial, a OCDE e até o Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça. Esse dado do IBGE mostra total descolamento de nossa economia da ruína que se abateu sobre o mundo, até aqui.
Fica difícil negar, porém, que em dezembro houve forte inflexão nesse descolamento. Resta saber se essa inflexão foi episódica ou se aquela tragédia continua se processando. Os números do Caged de janeiro dirão...
O grande risco que se corre, porém, é de uma eventual diferença positiva entre contratações e demissões provocar a veia conservadora do BC, que estancaria a queda da Selic ou diminuiria drasticamente o ritmo da queda, pois o nível de emprego determina conservadorismo de equipes econômicas como a que gere a política monetária do Brasil.
Mídia mente à toa sobre IBGE
Eu tenho que rir, não tem jeito. Durante o fim da manhã e o começo da tarde desta quinta-feira (22/09), os portais UOL e G1 davam a mesma “explicação” para os números do IBGE supra mencionados.
O mais ridículo é que eles tenham tido que buscar “explicações” estapafúrdias para um bom indicador econômico que inclusive nem é tão bom assim, conforme está explicado acima.
A ridícula manchete do UOL e do G1 – e ainda por cima é incrível como atuam em conjunto - dizia que o desemprego caiu em dezembro por que as pessoas ficaram “desalentadas” e pararam de buscar trabalho.
Pensem bem: por que é que alguém ficaria desanimado de procurar emprego num momento em que o nível de emprego é tão alto? Desânimo deveria haver quando ninguém consegue emprego, não quando todo mundo consegue...
E se alguém ficou desalentado, foi devido ao noticiário, e, segundo o IBGE, essa pessoa que deu ouvidos ao noticiário se deu muito mal, pois quem não deu ouvidos e saiu para procurar emprego apesar do noticiário... conseguiu (!).
Bastaria dizerem a verdade, conforme você pode ler no primeiro bloco deste post, que já deixariam as pessoas preocupadas. Os números do IBGE escondem possível tendência no mercado de trabalho que, inclusive, já pegou muita gente.
Será divertido assistir o Jornal Nacional, hoje à noite. Ver que ginástica retórica farão para dar essa notícia. Por mais que embromem, muita gente ficará indecisa em seu pânico midiático sobre desemprego.
Agora, divertido mesmo é imaginar o que ocorrerá se – ou quando? – a economia começar a se recuperar daqui a dois meses. Fico imaginando editores e puxa-sacos descabelados tentando encontrar um jeito de “explicar” que o fim do mundo não veio.
Obama e Chávez
O problema das previsões é que elas tentam contar o que ainda não aconteceu e que poderá nem acontecer. Quem curte opinar – e eu curto muito – tende a fazer previsões.
Alguns, como eu, ainda têm o cuidado tentar amparar suas previsões em fatos. Outros, porém, tentam ampará-las em preconceitos.
Como fazer previsões é inerente a quem opina, quem toma os cuidados supra mencionados acaba errando menos.
Vejam o caso de Barack Obama. Um grande contingente de pessoas previu que ele não mudaria nada na política americana e outro contingente ainda maior, porém menos barulhento, previu o contrário.
Não dá para saber se os primeiros indícios do governo Obama constituirão tendência de seu governo, mas são ótimos indícios.
Obama, entre outras coisas:
- Suspendeu todas as ordens pendentes de Bush
- Mandou Fechar Guantánamo
- Congelou os salários do governo
- Mandou pôr canga nos lobbyes
- Mandou suspender a tortura
- Ligou para o presidente palestino antes de qualquer outro chefe de Estado
- Fez um discurso de posse difícil de criticar
Para quem acha que estou sendo bondoso com ele, Fidel e Raul Castro o elogiaram depois do discurso de posse - chamaram-no de “bom homem” etc. , etc.
Hugo Chávez, porém, mantendo o estilo “bateu, levou”, atacou duramente Obama por comentário desairoso que ele fez sobre a recusa da Venezuela de adotar medidas antiterrorismo preconizadas por Washington.
Chávez não está indo bem. Seu radicalismo termina por diminuir seus espantosos feitos como governante. Seu personalismo confere à Venezuela um ar de ditadura.
A Venezuela foi o segundo país, depois de Cuba, a acabar com o analfabetismo na América Latina. Foi o país latino-americano que teve o maior crescimento no IDH nos últimos anos. Enfim, Chávez melhorou muito a vida de seu povo.
Contudo, as explosões dele diante de qualquer coisa que o contrarie expõe seu país e seu povo a problemas que poderiam não ter.
Que custaria ter feito ouvidos moucos ao que comentou Obama? Agora, está isolado nas críticas, pois até o regime cubano está animado com Obama.
E seu personalismo tampouco ajuda. Você não anda cem metros em Caracas sem ver o rosto de Chávez em algum lugar. Ele usa o Estado como se fosse seu dono. Usa a tevê pública para fazer política partidária...
Chávez é um bom governante que tem em si seu maior inimigo. Já Obama, começa a parecer que é mesmo tão bom quanto aparentava ser.
Governo joga duro usando economia
Quem esperava que o governo Lula se enforcasse com a mangueira do chuveiro por conta dos números do Caged em dezembro, terá que esperar um pouco mais para abrir seu Romanée-Conti.
Tendo ao fundo números do IBGE sobre desemprego que fazem a crise financeira internacional no Brasil adquirir ares de “marolinha”, o governo Lula despejou uma montanha de dinheiro no BNDES e condicionou empréstimos (a juros de pai para filho) aos empresários que se comprometam a gerar empregos
Detalhe: o compromisso de gerar empregos constará no contrato de empréstimo do BNDES e, como é óbvio, excluirá os que os estiverem extinguindo, e as empresas que andam demitindo são as que vivem batendo às portas do Estado para pedir dinheiro.
José Serra, os Marinho, os Frias, os Mesquita e os Civita perderam uns bons fios de cabelo hoje, por perceberem quão longe ainda está 2010 em termos de governo Lula.
Escrito por Eduardo Guimarães às 12h50
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Análise econômica
Revelações do Copom

A última edição da revista Carta Capital noticiou suposta saída do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. A redução da taxa básica de juros da economia em um ponto percentual se coadunaria com tal informação, se não fosse a negativa de Meirelles de que estaria demissionário.
Desde que assumiu o cargo, o presidente do BC vem sendo acusado de gerir a política monetária de forma exageradamente conservadora – acusação corroborada pelos fatos, sobretudo agora que o Comitê de Política Monetária se viu obrigado a fazer uma queda tão abrupta da taxa Selic.
A última ata do Copom revela muito mais do que parece. Revela, primeiro, um erro monumental de estratégia por parte dos gestores da política monetária.
Quando, na reunião anterior, a taxa foi mantida em estratosféricos 13,75%, o que se pôde depreender é que o Copom não acreditava em uma desaceleração mais intensa da atividade econômica, com seus previsíveis efeitos deletérios sobre o nível de emprego.
A queda, agora, da taxa acima do previsto, mostra o BC tomando de afogadilho a decisão que postergou no mês passado enquanto centenas de milhares de postos de trabalho viravam pó.
A revelação mais vistosa da última reunião do Copom, no entanto, não é a única. Se a manutenção da taxa em 13,75%, no mês passado, mostrava que o BC não acreditava num processo mais intenso de desaceleração da economia, a decisão deste mês mostra preocupação com a gravidade em que mergulhou aquele processo, e isso não é uma boa notícia.
Outra revelação da decisão do Copom é de uma preocupante falta de sintonia do BC com a economia real. Além de chegar a ser surreal que os juros permanecessem em 13,75% num mês em que a economia desempregava em massa (dezembro), espanta ainda mais como votaram os membros do Comitê agora.
Segundo informações do portal G1, cinco dos oito membros votaram pela redução da Selic em 1 p. p., mas outros três votaram por reduzi-la em apenas 0,75%. Ou seja: mesmo diante da catástrofe de dezembro no mercado de trabalho e de vários indicadores estarem mostrando deflação nos preços, tem gente naquele Comitê que parece ver risco de inflação num momento como este.
Por fim, a revelação que mais preocupa é quanto à competência dos gestores da política monetária. A incapacidade dessa gente de ver que estava sabotando a economia ao valorizar uma inflação inexistente depois do estouro da crise em setembro, é assustadora.
Em que planeta esta a cabeça desse pessoal? Que outros erros pode ter cometido na condução da política monetária? Se errou tanto agora, não estariam certos os críticos desse setor da equipe econômica? A economia não poderia estar melhor se a Selic tivesse começado a cair em setembro?
São mais de seiscentos mil empregos que se perderam e que poderiam não ter sido tantos. E ficamos sabendo, agora, que ao menos três membros do Copom são ainda mais cegos do que o Comitê em conjunto demonstrou ser.
A eventual saída de Meirelles pode significar uma importante correção de rota da gestão da economia. Se ele não sair – ou se, saindo, o novo presidente do BC não for alguém de linha menos ortodoxa –, teremos todos os motivos do mundo para ficar preocupados.
Há que reconhecer que o BC andou de fato em mãos incapazes. E a permanência de Meirelles no Banco Central, se acontecer, pode vir a se tornar uma bomba de efeito retardado, pois quem erra tanto quanto ele parece ter errado, não tem por que não errar de novo.
Escrito por Eduardo Guimarães às 23h31
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Análise econômica
O mistério das demissões
Atualizado às 16h26 de 21 de janeiro de 2009
Antes de começar o assunto central do post, quero tecer algumas considerações sobre manifestações de leitores que acharam que eu não deveria ter cedido tão completamente aos fatos e reconhecido a dimensão do processo de demissões no Brasil em dezembro último, e do erro que cometi ao subestimar esse processo.
Assim como aqueles que teimam em não reconhecer os avanços do país nos últimos anos semeiam a própria desmoralização pelos fatos diante da opinião pública, como vem acontecendo há anos com essas pessoas que têm tido que assistir, mês a mês, a popularidade de Lula subir enquanto bradam que ele é o pior presidente da história etc., etc., explico a vocês que descer a esse nível de imbecilidade e de desconexão com a realidade só prejudica quem age assim. Estou fora disso. A gente tem que saber reconhecer o inevitável.
Eu mesmo não pude acreditar nos vaticínios sobre a quantidade de empregos que se perderam em dezembro. Perda de centenas de milhares de postos de trabalho num único mês, e nessa velocidade, aliás, surpreendeu até os torcedores da crise, que não esperavam uma catástrofe dessa dimensão.
Vejam o que escreveu hoje Vinicius Torres Freire, o principal articulista de economia da Folha de São Paulo:
--
(...) Em setembro, o mercado formal de trabalho ainda não acusava efeitos da crise externa. Os dados sobre emprego do IBGE ainda eram positivos. Havia especulações sobre o esgotamento da capacidade das famílias de se endividar, mas a massa salarial crescia e a inadimplência estava mais do que comportada.
Mas, de setembro para outubro, a baixa na oferta de emprego formal foi brusca e generalizada, na indústria, no comércio e nos serviços. A redução na criação de vagas nessa virada de trimestre, típica e que flutuara em torno de 29% desde 2004, foi a 78% em 2008. O que houve?
A taxa real de juros subira, sim. Mas tal fator não tem o poder de arrasar o ânimo empresarial de hora para outra. A catástrofe de setembro na economia dos países ricos pode ter apagado a esperança restante de "descolamento" da crise mundial. O "choque de confiança" foi bruto, mas ainda espanta que tenha ocorrido de maneira tão imediata, na acepção precisa do termo. Fabricantes de alimentos, por exemplo, pararam de contratar de maneira brusca antes que sentissem a deterioração da renda das famílias e do crédito.
(...)
O baque no emprego foi uma epidemia violenta que ainda pede explicação melhor dos economistas. Aconteceu uma surpresa lamentável na economia. E, talvez, medidas de "auxílio" que tratem de cuidar apenas desse ou daquele setor podem não vir a ter lá muito efeito.
--
Havia indícios, e eu não quis ver. Todos vocês sabem que eu vinha em campanha contra o alarmismo, e isso porque me assustou – e até comentei aqui – o que vi acontecer no meu segmento. No fim de novembro, participei de discussões em empresas do meu setor de atividade nas quais empresários com os quais tenho negócios confidenciaram-me intenções de demitir por medo da crise.
Não me ouviram quando disse que poderiam ter que recontratar mais adiante, que dois meses de poucas vendas eram razão insuficiente, pois poderia haver recuperação no início do ano, e que haveria o custo das demissões, e que se todos começassem a fazer aquilo aí, sim, o país entraria em crise... Era por isso, disseram-me, que iriam demitir, porque aquele noticiário aterrador, que dizia que a recuperação talvez demorasse anos, cairia como uma bomba sobre o ânimo empresarial, estupefato com o que via acontecer no mundo.
Como acreditar que não era o Apocalipse se o modelo de capitalismo que o empresário brasileiro, estimulado pela mídia, sempre idealizou, desintegrava-se dia após dia? O Armagedon havia chegado, na forma de um pânico generalizado que levou empresários a demitirem recém-contratados, critério mais usado quando se “passa o facão”, por simples medo do que viria pela frente, ainda que com indícios, no próprio faturamento, de um agravamento mais adiante.
Resultado: um corte rápido e incisivo na economia do país. Sem renda, esses trabalhadores interrompem o consumo. Cai a atividade econômica. Empresas quebram, deixando de pagar dívidas, que criam mais problemas a outros num efeito dominó cuja dimensão que pode vir a adquirir poderá ser catastrófica.
Os cortes de empregos talvez parem em algumas semanas, mas se não forem estimulados. No entanto, o noticiário continua privilegiando fatos negativos, apesar de alguns positivos estarem aparecendo. Com a superação dos fatos negativos nas manchetes e os positivos em cantos de página e de telejornal, o desespero e o medo empresarial podem ganhar fôlego para durar mais do que já duraram.
A GM cancelou férias coletivas, retomando produções. Cresceu 9% a venda de carros em janeiro, em relação a dezembro, que tinha crescido em relação a novembro. Não foi notícia para manchete. Alguns nem noticiaram. As manchetes ficaram por conta de férias coletivas em outras unidades da GM. É simples escolha de notícia. Qual o fato mais relevante, a interrupção dos sinais de desemprego ou sua continuidade? Há que escolher o que dará o "tom" do noticiário. A tendência, entendem?
A situação é grave e aparentemente incontrolável. O governo está contra as cordas, premido pelas centenas de milhares de famílias que viram suas vidas virarem de cabeça para baixo do dia para a noite. O desemprego, o que eu mais temia, é o pior. É ele que leva a todo tipo de desagregação social e afloramento de sentimentos destrutivos, com todos os seus efeitos deletérios conhecidos sobre a vida de uma nação.
Francamente, tento ser honesto aqui com todos, contribuir com o debate público, enfim, quero ajudar de alguma forma. E não espero ser pago por isso, de maneira nenhuma. Vivo do meu trabalho e fazer blog só me serve para melhorar minha visão de mim mesmo, o que não é pouco para alguns que, como eu, acham que quanto mais se vive, mais se é obrigado a melhorar.
Não posso conceber a idéia de espalhar algum tipo de desinformação ou de mentira. De induzir pessoas a erro. É por isso que estou aqui, para me contrapor a quem vejo fazer isso. Assim, prefiro encarar a realidade, principalmente quando ela não favorece meus desejos e aspirações.
E a realidade é a de que o golpe que eu temia, foi dado. A bomba não foi desarmada e explodiu, ameaçando fazer outras explodirem. O que se pode fazer é procurar nos rescaldos da tragédia outras bombas preparadas para explodir, sendo algumas delas bombas-relógio, e então tentar desarmá-las. Resta, porém, descobrir como fazê-lo, como impedir que aumentem uma crise que já se tornou muito mais grave do que poderia ter sido sem alarmismo.
Sobre o Brasil, Fórum de Davos repete OCDE, FMI e Banco Mundial
21/01/2009 - 15h16 - Do Valor On Line
Brasil é menos afetado pela crise, diz fórum de Davos
GENEBRA - O Fórum Mundial de Economia fez uma avaliação positiva sobre a economia brasileira hoje, mas alertou que a crise global vai provocar aumento do desemprego e mais problemas para as empresas.
A avaliação feita por Klaus Schwab, diretor do fórum, foi de que a economia mundial continua "no hospital", precisando de cuidados intensivos, mas que "o Brasil é um dos países com melhor saúde que outros".
Mesmo se o país parece se sair melhor no momento, ele reiterou que o impacto da crise é global e não há como escapar de suas conseqüências, ainda mais no cenário atual de incertezas.
Schwab confirmou que 42 chefes de Estado e de governo irão a Davos, na semana que vem, para discutir a crise global. Mas minimizou a ausência do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva. Disse que Lula está "engajado" com o fórum regional que será organizado em abril no Rio de Janeiro.
Escrito por Eduardo Guimarães às 11h31
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Crônica política
A última batalha de Lula
Nos primórdios da vida, ele enfrentou o que dezenas de milhões de brasileiros continuam enfrentando: fome, privações de todos os tipos, humilhações, pouco caso, injustiças... E venceu, tornando-se o mais importante líder sindical da história brasileira e, depois, o mais importante líder político de nossa história mais recente.
Não havia mais fome e outras privações de necessidades básicas. O trabalho duro, que lhe extirpou uma parte do corpo, garantiu-lhe uma vida digna. E seu sonho de levar o mínimo que alcançou a todos os seus compatriotas, levou-o a liderar a criação daquele que hoje é o mais importante partido de esquerda da América Latina.
Lula enfrentou o mais poderoso de todos os inimigos, o preconceito, e venceu. Mas venceu com força, de forma arrasadora. Hoje, os que insistem em tentativas vãs de humilhá-lo, detratá-lo, ridicularizá-lo, maldizê-lo, caluniá-lo, formam um diminuto contingente social, ainda que rico e influente.
Lula encantou o mundo e fez com que o Brasil se tornasse hoje uma potência ascendente, cujo futuro brilhante é reconhecido e apregoado pelas vozes mais importantes e influentes da atualidade.
Este governo parecia caminhar para um desfecho à altura da história de seu titular. Até há poucos meses, mesmo os inimigos mais implacáveis de Lula reconheciam que seu governo terminaria coroado de êxitos memoráveis, históricos.
Porém, como nada na vida desse homem foi conseguido sem batalhas épicas, o destino pôs um último grande desafio em seu caminho. Um desafio que poderá fazer com que coroe sua vida como homem público, daqui a menos de dois anos, com um êxito que nunca ninguém imaginou que fosse possível.
O agravamento da crise financeira no mundo e no Brasil convoca esse nordestino de origem humilde, esse é que o homem público mais detratado, caluniado e injustiçado que já vi, a travar sua mais grandiosa batalha.
Esta crise econômica que se abateu sobre a humanidade é reconhecida por todos como a pior que o mundo viu em quase um século. Não há paralelo de crise igual nos últimos oitenta anos – desde a Grande Depressão de 1929.
Oportunistas, os inimigos de Lula voltam a desafiá-lo:
“Você só teve os êxitos que teve, até aqui, porque o mundo estava em expansão econômica. Agora, com a crise, ficará claro que você jamais foi responsável pelos êxitos que o país vinha experimentando”.
De novo, eles mentem. O mundo está em crise há mais de um ano. Enquanto todas as nações mais ricas e importantes mergulhavam em profunda recessão ou em grave desaceleração do crescimento, o Brasil só agora começa a sentir os efeitos dessa crise.
Na segunda-feira, foi divulgado relatório da Agência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad), que mostrou que, enquanto o investimento estrangeiro no mundo caiu 21% em 2008, no Brasil aumentou 20,6%.A OCDE, o Banco Mundial e o FMI acabam de divulgar que, entre as 35 maiores economias do mundo, a do Brasil é a melhor preparada para enfrentar a crise.
Sim, o desemprego explodiu em dezembro. Porém, isso ocorreu depois de um ano que poderia ter fechado como sendo o de maior criação de empregos da história, mas que, mesmo assim, ficou muito acima de qualquer outro período em governos anteriores.
Com o mundo afundando, 2008 terminou com um saldo positivo de quase um milhão e meio de empregos formais no Brasil. Para que se possa mensurar adequadamente o que esse número significa, o novo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, está prometendo criar meros três milhões de empregos.
Lula conseguiu tudo isso tendo contra si, durante os últimos seis anos, todos os grandes impérios de comunicação do país, que, trabalhando para seus inimigos políticos, trataram de sabotar seu governo de todas as formas possíveis e imagináveis.
Com o mundo vivendo uma crise de confiança que está paralisando todas as economias de todos os países, o Brasil vê seus meios de comunicação fazerem o oposto do que fazem os de outros países, que tentam acalmar a população e os agentes econômicos.
Evitar que o Brasil sucumba à crise, que percamos tudo o que conseguimos, será a última grande batalha de Lula como homem público. E ele contará com todo o apoio que eu puder lhe dar, ainda que tal apoio venha a lhe ser pouco útil.
E não farei isso apenas pelo meu país, pelo meu povo, mas também por esse homem que tanto admiro, pois fez os brasileiros acreditarem em si mesmos, orgulharem-se de serem quem são, de terem nascido no país em que nasceram.
Defender Lula é defender a todos nós, cidadãos comuns, homens do povo, não agraciados com benesses caídas do céu, com sobrenomes eminentes, com favores da vida. É defender este povo tão humilhado por essa elite mesquinha, covarde e corrupta.
E esses que lançaram o desafio, dizendo que agora o Brasil afundará porque o mundo está afundando, se Lula vencer sua última grande batalha terão que render-lhe homenagens, ainda que seja com o silêncio obsequioso que tanto ansiamos “ouvir” de suas bocas.
Escrito por Eduardo Guimarães às 00h52
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Nota de esclarecimento
A crise e a “barriga”
Não poderia sair de férias por um dia (esta quarta-feira) sem fazer aquilo que espero que a imprensa faça, ainda que ela tenha muito mais obrigação do que eu de fazer, pois não só lucra financeiramente com sua atividade como recebe até dinheiro público para desempenhá-la. Ao menos aqui, dar-se-á ao leitor o benefício de não ser tratado como idiota.
O fato é um só: cometi um erro estúpido que me obriga a vir dar uma satisfação a vocês, a me desculpar e a refletir sobre o que faço aqui.
Vamos aos fatos: eu disse que as 600 mil demissões que a mídia vinha dizendo que eram aumento do desemprego em dezembro, eram apenas o número de demitidos. Não seria, pois, de 600 mil o número de empregos perdidos no mês passado, mas esse número menos o de empregos criados. Errei: esse é o número de empregos efetivamente perdidos.
Deveria ter ido ver os números do Caged. Não fui. Seria básico fazê-lo e não fiz. Então me perguntei: por que? Como é que eu passo para frente uma informação não apurada? Eu nunca fiz isso aqui... Desafio qualquer um a mostrar, em três anos, qualquer coisa igual.
Então descobri o que estou fazendo aqui e por que errei: estou lutando para a mídia não alarmar mais ainda tanto o empresariado quanto o consumidor. Noticiar os dados negativos é sua obrigação; noticiar os positivos, também. A mídia tem feito os dois.
Contudo, tem minimizado largamente o que é bom e alardeado sofregamente o que é ruim. A tentativa é clara: piorar o quadro econômico e gerar insatisfação com o governo Lula para favorecer José Serra.
Esse número expressivo de demissões, inclusive, é objeto não apenas da drástica diminuição da atividade econômica, mas do ânimo dos agentes econômicos, que, agora, pode-se dizer que com certeza está num nível assustadoramente baixo.
Enfim, meus caros, “barriga” (erro jornalístico, no jargão do meio) todos os que lidam com informação, como faço aqui, estão sujeitos a dar. Que atire a primeira pedra quem puder. Poucos, porém, são os que pelo menos dão uma satisfação. Eu não tenho por que me esquivar. Faço o que posso e erro porque faço. Se não fizesse, não teria errado.
E devo lhes dizer uma coisa muito triste: pelo visto, agora é tarde. O país está entrando em pânico. No último domingo, tenham certeza de que o programa Fantástico, da Globo, apavorou dezenas de milhões de brasileiros, consumidores e empresários.
Como se não bastasse a situação por si só grave, temos a mídia desempenhando importante papel na destruição de empregos e de empresas. E o governo Lula, pelo visto, apavorado com a velocidade da crise, reage a tudo com atraso e hesita em agir.
Fica difícil de negar que o governo previu mal o tamanho da paulada que vinha por aí. Como é possível que, com o mercado de trabalho desse jeito, a Selic não tenha sido reduzida já em setembro, pelo menos?
Todo mundo sabe que eu vinha defendendo a política monetária em seu gradualismo e cautela, mas esse número do desemprego mostra que, tendo instrumentos para conter a sangria de vagas, o governo optou por esperar para reduzir a Selic, contribuindo com esse dezembro negro que agora eu também vejo.
Mesmo a despeito de dezembro ser tradicionalmente um mês de alta do desemprego, enquanto não tivermos notícias sobre novos índices podemos especular que o processo de eliminação de postos de trabalho pode estar se processando em ritmo similar.
A situação, pois, já saiu da possibilidade de o pânico poder vir a causar estragos. O pânico já se instalou. Agora, é lidar com ele como se lida com massas humanas em situações de pânico. As medidas têm que ser excepcionais e corajosas.
A queda na Selic, que está sendo previsto que será entre 0,75 e um ponto percentual, não terá absolutamente nenhum efeito prático imediatamente. Demorará meses para a redução se fazer sentir e outras terão que ser feitas. Mas se criará expectativa, sinalizar-se-á disposição decidida do governo de não deixar a economia esfriar mais.
Por outro lado, com Selic e tudo, o abalo na confiança dos agentes econômicos constituirá enorme barreira à retomada da atividade econômica. Lula teria que criar coragem e vir a público se comprometer com o desenvolvimento.
Em 2002, no auge da crise econômica do “corralito” eu estava na Argentina, em Buenos Aires, tentando receber o que me era devido. O país estava se despedaçando. Ninguém tinha mais esperança. À certa altura, li a seguinte frase num muro: “Chega de realidade; queremos promessas”.
Escrito por Eduardo Guimarães às 19h58
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Crônica
O melhor de mim

O trio Cristina, Carla e Gabriela,três das cinco mulheres de minha vida
Francamente, vos digo: só consigo suportar o agigantar incessante da maldade, da mentira, da hipocrisia, do egoísmo, da insensibilidade, da irresponsabilidade, da cobiça e de tudo mais que ofende a natureza humana devido à sustentação que encontro na família – no caso, na minha família.
É a família, essa instituição que alguns dizem moribunda na forma como conhecemos que sustenta ao menos este brasileiro para que tenha ânimo de se desgastar com assuntos que nem lhe dizem respeito particularmente, mas à comunidade a que pertence.
Diante do que tenho visto acontecer neste país nos últimos dias, porém, perdoem-me, mas faço outra breve pausa. De um dia. Começo a tomar asco de tudo ao redor. E a impotência, essa sensação dolorosa, é insuportável. Preciso banhar-me em humanidade, frugalidade, alheamento.
Bem, e como não lhes posso oferecer hoje uma instigante análise política ou algo mais que valha a pena, deixo-vos com o que tenho de mais precioso, com o melhor de mim, que obviamente não sou eu, mas minha família.
Volto na quarta, mas os comentários serão liberados periodicamente, ainda que não necessariamente por mim. Enquanto isso, fiquem com a foto de minhas mulheres, acima, e as da Gabriela na Austrália, logo abaixo.

Gabi, sobre o aborígene: uma opção de vida?

Opera House, em Sydney, embelezado pela Gabi

Andei pensando sobre o Alexandre, noivo da Gabi , e tive uma idéia (abaixo)

Que tal? Simples, eficiente e barato...

Na Austrália, o sonho de Levy Fidelix (o homem do aerotrem)

Com todo respeito aos australianos de Sydney: prefiro as nossas praias.
Escrito por Eduardo Guimarães às 17h27
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Denúncia
Globo ataca Lula e difunde
medo de desemprego
Atualizado às 17h57 de 19 de janeiro de 2009
Serei curto e grosso. O programa Fantástico, da Rede Globo, veiculou, neste último domingo, pouco depois das 22 horas, um quadro sobre “como agir diante do desemprego”, no qual fez dois fortes ataques ao presidente Lula, ainda que dissimulados, e promoveu o maior alarmismo social que já assisti em minha vida numa televisão aberta, e num horário que permitiu àquele absurdo atingir dezenas de milhões de famílias brasileiras.
O quadro começa com a apresentadora do programa dizendo que, “O que era para ser marolinha, virou tsunami”. Em seguida, um “especialista” diz que, “ao contrário do que dizem as autoridades, a crise é nossa, também”, insinuando que haveria culpa do governo Lula pela crise. Além disso, a reportagem mostrou cenas tristes de pessoas demitidas, cenas que mesmo nos momentos de maior euforia econômica de um país, sempre serão tristes.
Bem, não há muito mais o que dizer. À esta altura, dezenas de milhões de famílias estão achando que há uma terrível crise de desemprego em massa no Brasil. O mercado de carros novos será o mais afetado. O fantástico recomendou que esse tipo de compra seja postergada e, como se sabe, o que poderia suspender as demissões na indústria automobilística seria o aumento do consumo que começou a ocorrer depois de medidas do governo como suspensão do IPI dos carros novos.
O Fantástico não deu voz a nenhuma das “autoridades” que criticou e ainda escondeu os relatórios animadores de organismos multilaterais como o FMI, o Banco Mundial ou a OCDE que colocam o Brasil como a economia mais preparada do mundo para enfrentar a crise. Enfim, o objetivo foi sonegar informações ao público, gerar desmoralização do governo Lula e pânico entre a população. Tudo pela menor crise de desemprego da história, que inclusive ocorre no momento em que o nível de emprego no Brasil está em seu patamar mais alto.
Nós mesmos, pouco podemos fazer. Estamos falando de um programa da Globo que é campeão de audiência há quase quarenta anos. Nessa noite desse programa nefasto, dezenas de milhões de brasileiros terão ido dormir ansiosos, preocupados e até desesperados, e por muito pouco.
Só há uma pessoa neste país que pode dar uma resposta a esse verdadeiro ato de terrorismo: Luiz Inácio Lula da Silva.
Se Lula, agora, não tomar uma atitude dura, se não mostrar que pretende enfrentar tentativas, não de sabotagem política, mas de literal sabotagem da economia de todo um país, será cúmplice de todos os danos que esse terrorismo de punhos de renda causar. O presidente Lula tem o dever de falar à nação em rede nacional de rádio e tevê e dizer claramente tudo que eu disse aqui, no mínimo. Se não fizer isso, este país estará frito.
Errei
Erroneamente, informei neste post que os 600 mil empregos a que se referiu essa reportagem do Fantástico não eram o saldo entre admissões e demissões. Errei e peço desculpas aos leitores. Tal erro, porém, a meu ver não invalida minha opinião de que a crise está sendo exponenciada pela mídia, e que mesmo que fosse tão grave o assunto está sendo tratado de forma leviana.
Escrito por Eduardo Guimarães às 23h12
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Análise política internacional
Obama unirá extremos

Se eu disser que o presidente eleito Barack Obama será o Lula dos Estados Unidos, sem nem querer saber por que digo isso extremistas de direita e de esquerda logo virão discordar, o que mostra como é preciso cuidado e mente aberta para analisar o que poderá significar para a mundo a eleição do primeiro negro como presidente da superpotência até então hegemônica. No entanto, por estratégia retórica deixarei para o fim do texto a explicação das semelhanças entre Obama e Lula.
Antes, proponho analisarmos que, quando extremistas se unem em alguma opinião, ou ela é truísta (incontestável, como defender criancinhas) ou um enorme equívoco. Quando tais extremistas são político-ideológicos, esse consenso torna-se ainda mais perigoso, pois são os extremistas políticos os responsáveis por todas as guerras que a humanidade já viu, devido a que o extremismo não aceita o meio termo, exige o tudo ou nada, não arreda o pé e não se importa com as conseqüências de jamais querer negociar de fato, tendo no conflito tanto seu modus vivendi quanto operandi.
Segundo conservadores de direita como os tucanos e pefelistas, Obama é uma fraude. Para eles, Obama não mudará nada porque não há outro caminho, porque a direita domina o mundo. Não quererão admitir perda de poder. Para os esquerdistas radicais, que têm em partidos como o PSOL a face mais vistosa, jamais haverá acordo com nada que não lhes atenda a cada uma das reivindicações. É tudo ou nada. Sempre e sem apelação.
O limite de impasses gerados pelos radicais político-ideológicos, é a guerra. Pode-se ver claramente isso em Gaza. Os israelenses, em grande parte – mas não no todo –, são conservadores de extrema-direita, muitos deles – mas longe de serem todos - extremamente racistas, e a facção política Hamas – mas não os palestinos – é radicalmente de esquerda, fundamentalista ao ponto de expor crianças inocentes a bombas por não querer interromper suas investidas militares.
Notem como Israel, em seu reacionarismo assassino, trucidou centenas de crianças, mulheres e velhos inocentes sem dar ouvido a ninguém, sem atender apelo nenhum, atacando até a ONU e a imprensa internacional em sua fúria belicista que usou até armas proibidas, e como o Hamas, mesmo quando o ensandecido Israel pára de atacar premido pela pressão mundial e pela sucessão nos EUA, atira mais mísseis até os israelenses voltarem a atacar.
Enquanto isso, vejo um filme no site do Luiz Carlos Azenha em que uma menina palestina, em meio a um desfile macabro de outras crianças vitimadas pela guerra, diz que a população "nem sabe por que está sendo atacada” e que essa população “nada tem que ver com isso”, ou seja, com a briga do Hamas com o governo israelense. O que entendo daquele conflito, pois, é que os únicos que estão perdendo são os palestinos, e que o Hamas não é os palestinos e que estes tampouco são ele.
Talvez o único que eu tenha visto entender completamente a eleição de Obama tenha sido o presidente Lula, por razões que ficarão óbvias daqui a pouco.
Desde o começo da ascensão do processo eleitoral americano à atenção pública, em meados do ano passado, Lula disse que, mais do que tudo, o valor da eleição de Obama seria um valor simbólico, e certamente disse isso pensando no significado da própria eleição no Brasil. Ambas as eleições mostram a radicalização da democracia e das possibilidades do homem comum. Se um negro pode chegar ao poder em uma sociedade tida até então como racista, e se um retirante nordestino pode se tornar presidente num país de tanta desigualdade social como este, qualquer um poderia, em tese, conseguir o mesmo que eles, aqui ou lá.
O que iguala Obama e Lula não é a formação escolar. O americano é filho de um negro e de uma branca ambos de elite, instruídos e bem posicionados na vida, enquanto que Lula é oriundo da miséria brasileira, terceiro-mundista. Ninguém lhe pagou, quando jovem, o preparo intelectual que pagaram para Obama, quando também era jovem.
Aí terminam as diferenças entre Lula e Obama, no aspecto da história pessoal. E é onde começam as semelhanças, no que diz respeito ao conteúdo político-ideológico de ambos.
Tanto Lula quanto Obama terão recebido países quebrados das mãos de seus antecessores. Menos cara-de-pau que a direita brasileira, a americana não teve coragem de dizer que a crise econômica que se abate sobre os EUA e que se espalhou sobre o mundo deve-se ao risco-Obama, risco que os republicanos alardearam à farta na campanha eleitoral americana, com argumentos idênticos aos que PSDB e PFL usaram para combater a primeira eleição de Lula. Obama foi chamado até de comunista e terrorista.
Tanto o petista quanto o democrata americano, no entanto, são mais do que símbolos de igualdade de possibilidades, de vitalidade democrática. Como Lula, Obama será o elo entre a elite e a ralé. Terá que equilibrar as tensões sociais e que parar a adulação das elites que havia nas eras FHC e Bush Jr.
Obama, em suma, terá que fazer o papel de pai dos pobres e de mãe dos ricos que Lula faz aqui, enquanto que FHC e Bush foram mães dos ricos e padrastos dos pobres. O povo aceita de bom grado simplesmente um pai legítimo, ainda que envolvido com farras por aí, mas que volte para casa e ponha pão na mesa...
A grande mudança que produzirá o governo Obama será a de devolver aos EUA a capacidade, a possibilidade e a disposição de negociar com o resto do mundo e de governar também para os mais pobres, que quando Bush assumiu eram minoria e hoje caminham para ser maioria entre o povo americano. A administração republicana, que se encerra, havia perdido essa capacidade. Estabeleceu conflitos graves com a América do Sul inteira, com a Ásia, com o Oriente Médio e ultimamente até com a Europa (Rússia), criou duas guerras e soltou a matilha neoliberal e desregulamentadora que gerou a catástrofe econômica que estamos vendo.
Obama terá que criar uma rede de proteção social para seu povo como Lula fez no Brasil, país em que a rede que diziam haver na era tucana não passava de mera farsa na qual eram investidas nada mais do que migalhas. Obama terá que conquistar o respeito do mundo tanto quanto Lula teve que recuperar o do Brasil, pois, quando o petista assumiu, este país não tinha 10% da credibilidade que tem hoje perante o mundo. Obama terá que mostrar que é tolerante com os países mais fracos, como Lula, e altivo com os mais fortes, como Lula. E, tanto quanto Lula, Obama terá que se manter sereno diante dos ataques dos adversários.
Obama é tão possível quanto Lula. A muitos pode parecer pouco, haja vista que esquerdistas dizem que Lula é uma fraude. Contudo, a aprovação dos brasileiros a Lula indica a Obama um caminho.
Quem não enxerga isso agora nos EUA, certamente não enxergará depois, como acontece hoje no Brasil. Mas essas pessoas certamente se tornarão amplamente minoritárias, tanto quanto suas congêneres brasileiras, porque, ainda que os radicais não saibam, o povo não quer radicalismos, mas melhoras visíveis e rápidas como as que os brasileiros obtiveram nos últimos anos e os americanos deverão obter sob o novo governo.
Escrito por Eduardo Guimarães às 10h58
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