Carta aberta ao presidente da República

Até quando, presidente?  

Deputado italiano diz que 'Brasil é conhecido

por suas dançarinas, não por seus juristas'

 

 

Escrevo na intenção de fazer o presidente Lula entender que o poder que se alevanta contra o Brasil é muito maior e mais eficiente do que pode supor nossas vãs filosofias. Vossa Excelência não está entendendo. Só no último mês, desprezando o histórico dos outros 72 meses anteriores, o poder da mídia conseguiu agravar significativamente a crise econômica mundial por aqui e dar fôlego a uma crise diplomática internacional.

 

Dirão que, assim mesmo, a popularidade de Vossa Excelência não irá cair, que elegerá Dilma Rousseff como sua sucessora etc. Bom para V. Excia., e talvez para o Brasil (futuramente), mas e para quem perdeu o emprego ou está em vias de perder, de que adianta?

 

O Brasil tem a possibilidade concreta – e inédita na história – de sair desta crise muito maior do que entrou. Ver que isso está sendo impedido pelos interesses políticos de um grupelho de empresários e de políticos, é doloroso.

 

Este país está sendo desrespeitado por uma potência estrangeira rica e decadente, a Itália. Essa potência conta com forte propaganda interna aqui no Brasil para defender sua arrogância, enquanto que o nosso país não tem como sequer fazer-se ouvir no território italiano, pois ao tempo em que nossos meios de comunicação ecoam a voz italiana e calam a dos brasileiros, os meios daquele país são os primeiros a nos atacar, chamando-nos de “republiqueta” ou publicando imagens desabonadoras de nossas mulheres e de nossas instituições.

 

O martelar incessante de previsões econômicas sombrias pela mídia conseguiu definitivamente alarmar o consumidor. O consumo retraiu-se gravemente no país por falta de crédito, sim, mas também por medo de consumir por parte de quem tem crédito.

 

Alarmando o consumidor, a mídia alarma o empresário, o empregador, que, vendo o consumidor de seus produtos alarmado e retraído, desespera-se e começa a demitir, iniciando o círculo vicioso que a canalha reacionária quer.

 

E não é que esse círculo vicioso vá acontecer: já está acontecendo - mas pode piorar.

 

Enquanto isso, a auto-estima do brasileiro vai sendo minada pela avalanche midiática, que nos retrata como um país de ignorantes que vota num despreparado que faz o país passar vexame internacional. A mídia faz isso dando razão à arrogância do Itália, ao menosprezo que aquele país tem dedicado ao nosso, à crença da potência estrangeira de que pode nos dar ordens.

 

Não deveria ser necessário dizer quanto é vã essa crença injustificada de alguns em que a mídia está acabada e em que ela não prevalecerá logrando eleger o governo do país a partir de 2011, porque é uma crença fundada muito mais em desejos do que em fatos.

 

Não reconhecer a vitória que a direita brasileira obteve ao agravar a crise econômica é desprezar os que terão suas vidas atingidas pelos efeitos devastadores do desemprego. Para essas pessoas, a mídia já venceu. E para as outras que serão devastadas nos próximos meses, idem.

 

O governo Lula se encolhe diante dos indicadores econômicos negativos e do agigantar da crise internacional. Brota a crença de que ela se agravará além do previsto e, sem saber o que vem por aí, o governo permite que o alarmismo siga sem contestação. A mídia, por seu turno, continua incentivando o consumidor a se retrair e já passa à parte “prática” do plano, que é reduzir direitos trabalhistas oportunistamente.

 

Há quem dê crédito à mídia quando ela diz que não pode pregar a crise porque seria atingida, perderia dinheiro. Ora, a retomada do Estado pela direita é o objetivo de tudo isso. São algumas dezenas de empresas de comunicação. Há dinheiro de sobra, nos cofres federais, para “consertar”, lá na frente, prejuízos com a crise que esses grupos específicos possam ter agora por estarem fazendo o país piorar.

 

Grandes empresários, partidos políticos, corporações nacionais e estrangeiras parecem ter se engajado na “nobre” causa de perder algum dinheiro agora para conseguir, no ano que vem, recuperar o controle do Estado, ou seja, dos cofres públicos, elegendo o governador José Serra presidente da República.

 

A reversão da mobilidade social e do processo de redistribuição de renda em curso é o objetivo final desse pequeno grande “movimento cívico” que se aglutina ao redor daquele político paulista, porque essa “ousadia” das massas “incivilizadas” de “quererem se igualar” à “nata da sociedade” precisa ser interrompida “antes que seja tarde”.

 

Poucos já se deram conta do que significa para o processo de soerguimento latino-americano a retomada do controle do Brasil pela direita. Significaria, talvez, a reversão do quadro político em todo o continente, ou, na pior das hipóteses, o esmagamento dos vizinhos sul-americanos, ora em franca imersão no “socialismo do século XXI”.

 

A crença na inevitabilidade da derrota política das forças conservadoras anestesia a consciência nacional quanto ao preço social que já começa a ser pago pela importação da crise internacional por tais forças.

 

Aproxima-se a hora do confronto ou da derrota fragorosa. Por mais de seis anos, os políticos e partidos que temos para representar os interesses populares contra os interesses aristocráticos optaram pela contemporização, pela convivência com as práticas que reiteradamente denuncio há anos. A crise internacional, porém, agora obrigará aqueles que detêm o poder do Estado a pararem de fugir do bom combate.

 

Há milhões de brasileiros de todas as classes sociais, de todas as regiões do país, de todas as idades que estão dispostos a ser liderados na reação, no grito que deve ser dado de que não aceitamos mais ser usados para que o cume da pirâmide social atinja seus objetivos político-econômicos.

 

Quem irá nos liderar? Quem nos convocará? Quem me dará coragem de novamente propor aos leitores do meu blog que saiam comigo às ruas para protestar contra a sabotagem do país? Quem dirá que o rei está nu, ou seja, que esses que querem retomar o poder já conseguiram, sim, com suas rádios, televisões e com seus jornais, prejudicar a economia do país e, conseqüentemente, as vidas de todos os brasileiros?

 

Só quem pode reagir é aquele que tem todos os poderes necessários para tanto: o presidente Lula. Contudo, sua reação tem que ser muito mais firme. Não desconsidero que ele tem aumentado o tom, mas é pouco. Deixar que a mídia decida que parte de suas perorações deve vir a público confiando apenas no discernimento da população, já não funciona mais. É preciso que o presidente Lula reaja à altura.

 

Já vi como se faz isso. Nos últimos dez anos, viajei mais de uma centena de vezes pela América Latina. Vi governos que decidiram lutar com as mesmas armas da mídia, que usaram a prerrogativa constitucional de falar à nação em cadeias de rádio e tevê para combater a apropriação do debate por seus adversários, que se valem, principalmente, de concessões públicas como a televisão e o rádio. E vi, claro, a capacidade desses governos de mobilizar os setores da sociedade que os apóiam de forma a que se manifestem publicamente.

 

Em minha opinião, essa é uma medida extrema e, assim, só deve ser usada em situações extremas, pois, como se viu recentemente em países como Venezuela ou Bolívia, os exíguos e poderosos setores da sociedade que controlam a comunicação nesses países são capazes de chegar a qualquer ponto na luta pelos privilégios da elite racial e econômica que ainda manda muito na América Latina.

 

Uma pergunta: será que o país estar importando uma crise que poderia ser evitada ou seriamente mitigada, mas que se agrava por ação de partidos políticos e de meios de comunicação, não constitui essa tal de “situação extrema”? Até quando, presidente Lula, Vossa Excelência agüentará calado ver a nação sendo esbofeteada, pisada e sabotada?



 Escrito por Eduardo Guimarães às 11h23
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Protesto

Que tal a gente começar

a EXIGIR respeito?

 

 

 

 Atualizado às 13h47m de 31 de janeiro de 2009 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Agressão italiana também ao Judiciário brasileiro

 

 

 

 

 

Da Folha de São Paulo - edição de 31 de janeiro de 2009

 

 

"(...) Um deputado italiano conservador ironizou ontem o trabalho de juristas brasileiros. "Não me parece que o Brasil seja conhecido por seus juristas, mas sim por suas dançarinas."



 Escrito por Eduardo Guimarães às 00h31
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Teoria política

Mídia brasileira pode ser a

mais alarmista do mundo

   

 Atualizado às 12h21m de 30 de janeiro de 2009

 

 

 

 

 

Tudo que direi aqui decorre de “pesquisa” empírica que fiz sobre o noticiário internacional relativo à crise. Várias pessoas (incluindo leitores) no exterior – sobretudo minha filha Gabriela, que está na Austrália há 18 dias – têm sentido substancial diferença do comportamento das mídias de outros países em relação à crise, comportamento que difere flagrantemente do que se vê na mídia do Brasil.

 

Segundo a Gabriela me disse ontem (quinta-feira) à noite em vídeo-conferência via Skype, nesse tempo em que está na Austrália ela já pôde perceber – um tanto quanto surpresa – o que eu vinha dizendo antes de deixar o Brasil, ou seja, que a mídia brasileira tem sido anomalamente alarmista em relação à crise.

 

A Austrália, país continental de extensão territorial parecida com a do Brasil, é um país muito rico por várias razões, mas, sobretudo, por conta de seu modesto contingente populacional (cerca de 21 milhões de habitantes), que é quase a décima parte do daqui. Trata-se, pois, de uma população que é a metade da do Estado de São Paulo num país tão grande e cheio de recursos naturais quanto o nosso.

 

Naquele país, a crise econômica internacional está mais ou menos como a daqui, segundo a imprensa local e mundial. Segundo minha filha, a grande diferença na Austrália é que a imprensa de lá não dá à crise dez por cento do espaço que a nossa imprensa dá, apesar de por lá já ter havido cerca de uma centena de milhar de demissões, só que para uma população que é um décimo da nossa, o que torna o número até mais preocupante.

 

Também andei trocando e-mails com amigos, clientes e leitores que vivem nos EUA, na Alemanha, em Portugal, na Espanha, na França, no Japão, na Argentina, no Equador, no Peru, na Venezuela e na Bolívia. De todos esses países, só os “americanos” me relataram um nível de exposição da crise na mídia parecido com o que há no Brasil.

 

Problemas econômicos locais só ganham tanto destaque no Brasil, nos EUA, na Argentina, na Bolívia, na Venezuela e no Equador. Nos outros países mencionados, parece haver uma parcimônia em noticiar os efeitos da crise. Os campeões de masturbação com a crise são os EUA, por razões óbvias, e o Brasil, por razões anômalas.

 

Essa postura dos países mais civilizados decorre do entendimento de que o alarmismo, o martelar incessante da crise, a exposição desmesurada dos problemas locais trabalham contra os interesses nacionais. Só nos EUA (por razões reais e evidentes) e em países do Terceiro Mundo nos quais a mídia também é contrária ao governo é que a crise está ganhando exposição midiática tão avassaladora.

 

Como eu disse no início deste texto, é claro que a minha “pesquisa” não é científica, sendo absolutamente empírica. Contudo, o senso comum me parece que está do meu lado.

 

Minha filha Gabriela só foi me dar razão sobre o alarmismo da mídia brasileira agora que está na Austrália, e meus outros contatos no exterior me relataram o mesmo que ela. Todas essas impressões me fizeram crer que, proporcionalmente, em nenhum outro lugar do mundo se vê bombardeio de más notícias nos meios de comunicação igual ao que há neste país.

 

 

 

 

"La Repubblica" diz que Brasil é "republiqueta"

 

 

 

 

Diogo Mainardi, da revista Veja (um dos jornalistas do PIG investigados pela Polícia Federal na Operação Satiagraha), disse que o diário italiano "La Repubblica" opinou o seguinte sobre o Brasil:

 

 

No país do samba, há uma espécie de cumplicidade ideal com todos os Battisti do mundo, com os terroristas, com os justiceiros. Lula deve ter pensado que a Itália é uma republiqueta como a sua. (Ele, Lula) acredita que o mundo inteiro é formado por paisecos no limite entre o populismo e a ditadura militar”.

 

 

E vocês, quinta-colunas da mídia e da sua claque, também acham que o Brasil é uma "republiqueta" ou acham que ele está uma por causa de Lula?

 

 

A minha opinião é a de que a Itália exige que o Brasil ceda porque, aí sim, julga que nosso país é uma "republiqueta".

 

 

Contudo, prefiro ser cidadão de uma "republiqueta" de 200 milhões de habitantes e a décima economia do mundo, e portanto ascendente, do que ser de uma república decadente como a italiana, que elege mafiosos como Silvio Berlusconi.

 

 

Boa pergunta, Lula

 

 



 Escrito por Eduardo Guimarães às 00h23
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Crônica política

¿Por qué no te callas,

 

George Soros?

 

 

 Atualizado às 17h09m de 29 de janeiro de 2009 

 

 

 

 

Reproduzo, abaixo, coluna de hoje de Clóvis Rossi, da Folha de São Paulo, a qual comento logo em seguida.

 

*

 

CLÓVIS ROSSI

O capitalista e o comunista

DAVOS - Pode-se acusar George Soros de tudo ou de quase tudo, menos de não saber ganhar dinheiro.

Mesmo sabendo, é o único grande capitalista que tem feito críticas sólidas ao capitalismo.

Sua análise sobre a presente crise é irrebatível nesse aspecto. Começa por dizer que a decantada eficiência do mercado "foi desmentida", assim como foi desmentida a tese de que os mercados, deixados por sua conta, "tendem ao equilíbrio". Na verdade, Soros usou o verbo "desproved", que, em português, seria "não provado/a", mas fica esquisito, não é?

O megainvestidor lembra, de novo com toda a razão, que não foi um "choque exógeno" que levou aos "distúrbios" no sistema financeiro.

Ou seja, os "distúrbios" nasceram no próprio sistema financeiro e acabaram por levá-lo ao "colapso", sempre na análise de Soros.

Ele se recusa a fazer previsões sobre o tamanho e o tempo de duração da recessão provocada pelos "distúrbios" (ou "colapso", você escolhe). Diz que não é importante.

Ou que de fato importante seria reconstruir o sistema que entrou em colapso, o que exige uma fantástica, quase incalculável, injeção de dinheiro para capitalizar os bancos em coma.

De onde virá o dinheiro? Óbvio: de papai-Estado, o único que tem recursos para fazê-lo, nem que seja preciso imprimi-lo.

Soros também defende o que a maioria de seus pares rejeita: a regulação do sistema financeiro. Não que acredite na capacidade de o Estado fazer direito as coisas. Mas "tem que fazê-lo, mesmo que tenda ao erro, porque, se errar, o mercado reage e permite corrigir o erro", que no caso seria de calibragem da regulação.

Prefiro Soros a um suposto comunista, o premiê chinês Wen Jiabao, que só ontem se lembrou de que, ao reler os dois clássicos de Adam Smith, encontrara apenas uma única menção à justiça social.

crossi@uol.com.br

 

* 

 

Comento:  Se eu fosse o Clóvis Rossi ("O capitalista e o comunista", 29/01) não daria muita bola para o que diz George Soros. Sua última opinião eminente divulgada no Brasil, de que se o país não elegesse José Serra em 2002 o "caos" se abateria sobre nós, não se confirmou.

Pelo contrário: o Brasil experimentou, sob o governo Lula, o maior crescimento continuado dos últimos trinta anos. A economia do país, inclusive, cresceu acima da média mundial nos últimos anos e tende a continuar crescendo acima do resto do mundo neste ano, enquanto esse resto do mundo entra em recessão, o que tem feito organismos multilaterais como o FMI, o Banco Mundial e a OCDE dizerem que é o país mais preparado para enfrentar a crise de hoje entre as 35 maiores economias do mundo.

No caos estávamos sob o governo do PSDB, do qual Serra fez parte.

O estranho é ver o colunista da Folha criticando regimes que têm dado certo em benefício de um Soros, que esteve entre os que disseram tantas bobagens por tanto tempo e continuam se apresentando como os últimos sabichões do universo.

 

Mais Folha de São Paulo

 

Quem quiser entender no que consiste a mídia brasileira atualmente, o resumo da ópera está nos dois editoriais da Folha de hoje (“Asilo companheiro” e “Divisão Boliviana”, 29/01)

Um editorial prega que o Brasil abaixe a cabeça para a Itália contrariando sua legislação nacional, apoiada até em resoluções da ONU, e ignorando que dois dos crimes dos quais o “terrorista” Cesare Battisti é acusado ocorreram no mesmo dia a seiscentos quilômetros um do outro e sem que se tenha o contraditório na mídia das acusações que esta, papagaiando o regime berlusconiano, faz ao governo brasileiro, sendo que, se quisesse um debate sério do assunto, deveria entrevistar o ministro da Justiça para que ele possa contra-argumentar de forma que não ficasse o dito pelo não-dito.

Outro editorial trata de assuntos internos da Bolívia, país que está no grupo daqueles países aos quais a mídia “brasileira” nunca dá razão, o grupo dos países pobres. O editorial critica um governo que teve seguidas vitórias incontestáveis, ousa dar algum crédito à acusação torpe da oposição de que o referendo teria sofrido “fraudes”, apesar de centenas de observadores internacionais terem descartado esta acusação como descartaram todas as outras que os oposicionistas criminosos da “Media Luna” vêm fazendo aos processos eleitorais que perdem nos intervalos entre uma tentativa de golpe e outra.

 

Correspondente na Austrália

 

 

Direto da Austrália, nossa correspondente "teen" (ela vai me matar), Gabriela Guimarães, envia imagens da brasileiríssima Sydney, onde ela não pára de encontrar ex-colegas de escola e até vizinhos.

Ai vão as fotos:

Base de operações: Manly Beach

 

Vista de Sydney do alto da Sydney Tower

 

Entrosamento com os habitantes

 

Correspondente "teen" (hehehe) diz que o amigo abaixo é pago pra dormir

 

Aviso: correspondente correrá risco de vida se voltar com o tal coala (abaixo)

 

Correspondente "teen" visita Aquário de Sydney

 

Túnel submarino no fundo do Aquário de Sydney (fantástico)

 

Novo papel de parede do meu notebook

 

Mais perto, querido genro, mais perto!

 

Gabi, vi seu noivo numa situação meio inexplicável

 

Isso, com batatas ao vapor e alcaparras, fica uma "dilícia"...

 

Esse túnel turístico-subaquático é mesmo muito legal

 

Tira-a-mão-daí, menina!!

 

Anjinha ou diabinha?

 

Beleza de cidade!



 Escrito por Eduardo Guimarães às 11h36
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Análise política

Popularidade de Lula

 

 

 

 

 

 

 

Janeiro vai terminando e nada de pesquisas sobre a popularidade de Lula. Após o dezembro negro, no qual seiscentos mil empregos foram perdidos, se houvesse alguma queda na popularidade do presidente ela já teria sido divulgada, pois é claro como o Sol que ao menos o jornal controlado por José Serra, que é dono do instituto Datafolha, mede essa popularidade o tempo todo.

Particularmente, depois da carnificina empregatícia de dezembro, eu esperava que, por estes dias, aparecesse alguma pesquisa dando conta da materialização do tão acalentado sonho midiático – de a popularidade do presidente cair, por pouco que fosse .

Claro que posso queimar a língua, mas, em minha opinião, se houvesse o troféu da queda da popularidade de Lula para exibir, esse troféu já deveria ter sido exibido em triunfo. Ou será que, desde o fim de novembro e início de dezembro, a mídia não se interessou em monitorar se seu trabalhinho sujo, que agravou as demissões,teria surtido efeito?

Como se sabe, governo e oposição monitoram a popularidade presidencial quase diariamente, seja através de “tracking” (pesquisas por telefone) ou até por pesquisas de campo. A mídia, ator ativo do jogo político, idem.

Más notícias sobre a própria popularidade costumam se refletir até no semblante do presidente e ele não me parece preocupado ultimamente, mas também é sabido que o governo não tem acesso às pesquisas mais apuradas, dos grandes institutos, o que pode significar que Lula pode estar sangrando popularidade sem saber.

De qualquer maneira, após um auge de demissões em dezembro e de quase quatro meses de agravamento progressivo do desemprego ou de ameaça de desemprego via férias coletivas, já deveria dar para a mídia exibir o troféu da desmoralização presidencial.

O acirramento progressivo do ímpeto alarmista pode significar, também, que está sendo considerado “necessário” colocar mais medo do desemprego nas pessoas para que elas finalmente se revoltem com o governo, principalmente porque o uso reiterado da frase de Lula sobre a “marolinha” soaria como humor negro para quem acaba de perder o emprego.

Outro fator que pode influir na popularidade de Lula é o intenso noticiário dando conta da calamidade de desemprego no resto do mundo. Seria uma influência positiva, pois justificaria, para aqueles que apoiavam o presidente tão intensamente no mês passado, o que está acontecendo no Brasil.

A lógica aponta para queda na popularidade de Lula. Centenas de milhares de empregos perdidos afetam milhões de pessoas, pois cada trabalhador dispensado arrasta a família, em alguma medida, para seu problema, mesmo não sendo arrimo de família. Se isso não acontecer, mídia e oposição entrarão num pânico que pode levá-las às raias da loucura.

Eu não me espantaria se a popularidade de Lula caísse. Isso não significaria muita coisa num momento como este, e, dependendo do tamanho da queda, poder-se-ia tranquilamente acreditar em recuperação em pouco tempo, se fosse uma queda pequena.

Agora, o que desafia a imaginação é a popularidade do presidente não cair. Alguém consegue imaginar o que isso significaria? Seria preciso um nível de consciência da sociedade extremante alto para entender que, além de estarmos sendo menos atingidos pela crise, se estamos sendo atingidos é por fatores alheios à responsabilidade do governo.  

Os relatórios de organismos multilaterais dando conta da maior resistência do Brasil à crise, são para poucos. A mídia quase não divulga que FMI, Banco Mundial, OCDE e outros colocam o Brasil como o país mais resistente aos problemas econômicos que afligem o mundo.  

Se o conjunto da sociedade entender isso apesar dos meios de comunicação, o quadro político para 2010 sofrerá uma mudança radical. Serra e seus jornais e tevês podem retomar as propostas golpistas de 2005/2006.

Para o país, uma queda da popularidade de Lula pode não ser tão má. Tornaria a oposição e a mídia menos desesperadas e não seria nada irreversível. Chego a ter medo do que farão se o presidente não cair nas pesquisas...



 Escrito por Eduardo Guimarães às 02h38
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Análise política

A versão de Battisti

 

Esse caso do italiano Cesare Battisti me fez chegar a uma conclusão: pode-se fazer a acusação ou a defesa política que se quiser a governos e a políticos que as pessoas acreditarão naquilo que quiserem acreditar, não no que parecer estar mais perto da verdade. E esta premissa vale para tudo mais nesta vida.

De toda essa gritaria ítalo-tucano-pefelê-midiática contra a concessão de asilo político a Battisti, o que mais me impressionou foi ver gente que se dedica a descer a lenha em alguém como Mino Carta o tempo todo usando agora o jornalista como “prova” de que Battisti seria o pai e a mãe de todos os bichos-papões.

Não questiono Mino Carta. Ele é italiano e deve ter lá suas razões para desgostar de Battisti. Pelo visto, esse indivíduo desperta paixões e ódios na mesma medida. Mas tenho certeza de que a Carta Capital contemplará todos os lados da questão, sem sonegar informações ao leitor, permitindo que todas as correntes se manifestem. Espero.

Contudo, alguma coisa muito estranha acontece nesse caso. O “currículo” de Battisti, que Mino Carta publicou em seu blog, dá conta de um pervertido, um criminoso contumaz que começou jovem sua vida de crimes.

Por outro lado, esse homem desperta paixões de montes de pessoas respeitáveis, de idealistas e inclusive do governo Lula, sempre avesso a confrontos e que comprou esse numa boa, o que me faz pensar que deve ter um motivo muito forte para fazê-lo.

Confesso que não sei o suficiente sobre Battisti para atestar-lhe culpa ou inocência. Tudo que se fala sobre seu julgamento vem meio truncado. Uns dizem que foi condenado por um tribunal de exceção, ou seja, criado exclusivamente para condená-lo; outros, juram que o regime que o condenou era tão de esquerda quanto ele e que sua condenação é incontestável.

A folha corrida de Battisti, divulgada por Mino Carta, deixou-me na mesma. Será, então, que de Lula a centenas de intelectuais e políticos da maior importância, todos os que apóiam Battisti são degenerados que apóiam um maníaco sexual, ladrão e que assassinou pessoas sem os alegados motivos políticos só porque ele é de esquerda?

É óbvio que se quer desmoralizar os apoiadores de Battisti. Passar ao mundo a idéia de que a esquerda é tão degenerada que apóia um verme, estuprador, ladrão e assassino só porque ele é de esquerda, o que tornaria todos esses que apóiam o italiano quase tão ruins quanto ele seria...

Quem é de esquerda, não quer acreditar nas acusações ao asilado/prisioneiro italiano, e quem é de direita, quer.

Mas, além da questão da soberania nacional e da lei brasileira, historicamente favorável à concessão de asilo político a estrangeiros, fato que reforça a concessão do asilo ao italiano, há mais questões a analisar.

Particularmente, não tenho elementos para afirmar a culpa ou a inocência de Battisti. Ele pode até ser culpado, mas a forma como foi condenado à prisão perpétua por quatro assassinatos, parece-me no mínimo estranha.

Nesse emaranhado de acusações tortuosas que não se aprofundam nos fatos da condenação, encontro artigo da editora de Opinião do jornal Valor Econômico (de propriedade das “ultra-esquerdistas” Globo e Folha de São Paulo) publicado no último dia 22. O texto revela o que foi muito pouco divulgado até agora, a versão do acusado.

Leiam, abaixo, a análise menos apaixonada e mais sensata que vi até agora sobre esse caso, nas palavras da insuspeita Maria Inês Nassif.

 

*

 

Um bode expiatório conveniente à Itália *

 

Maria Inês Nassif **

 

A história que resultou na condenação de Cesare Battisti à prisão perpétua pela justiça italiana em 1993 poderia ser o roteiro de um de seus romances policiais, se não tivesse transformado o próprio escritor num cavaleiro errante. Pelos fatos que levaram à sua condenação, o ministro da Justiça, Tarso Genro, certamente não cometeu nenhuma heresia ao conceder a Battisti o status de refugiado político. “Um dos fundamentos muito próximos do diferimento do refúgio político é de que se o condenado teve direito à defesa. O Estado italiano alega que sim. Na avaliação que nós fizemos do processo, ele não teve direito à ampla defesa”, afirmou o ministro, justificando a sua decisão.

A autobiografia de Battisti, “Minha fuga sem fim”, traz fatos em favor da convicção do ministro. Se o escritor for extraditado para a Itália, cumprirá prisão perpétua sem ter passado por um tribunal e pagará por quatro assassinatos que o bom senso não permite que sejam relacionados a ele. Nunca esteve num tribunal para defender-se dessas acusações - e, de volta à Itália, não será ouvido por nenhum juiz. A condenação foi feita com base na acusação de um ex-militante da mesma organização, um "arrependido" que negociou anos a menos na sua pena (muitos anos, aliás) em troca de incriminar outras pessoas. Não foi apresentada nenhuma prova, testemunha ou um único indício. Dois dos homicídios foram cometidos no mesmo 16 de fevereiro de 1979, a 500 km de distância um do outro. O outro foi o de um comandante de uma prisão, em junho de 1978. E, por fim, teria assassinado o policial Andrea Campagna, acusado de torturas. Nesse último caso, a testemunha ocular descreveu o agressor como um barbudo louro, medindo 1,90 m. Battisti é moreno e tem 1,70 m. Foram encontradas armas no apartamento onde o escritor vivia com outros italianos clandestinos, mas a própria polícia constatou que elas nunca haviam sido disparadas.

Segundo o livro de Battisti, a organização da qual fazia parte, o grupo dos PAC (Proletários Armados para o Comunismo), organizara-se no período de crítica ao stalinismo, era totalmente descentralizado e nada impedia que um punhado deles, em determinada região do país, fizesse ações e se assumisse como parte do grupo. Seria difícil, assim, que todos os que militavam nos grupos dispersos pela Itália se conhecessem.

Após maio de 1978, quando as Brigadas Vermelhas executaram Aldo Moro - relata - as organizações de esquerda (em geral) se apavoraram e mergulharam na discussão sobre a continuidade da luta armada. Os PAC refluíram para um princípio que já era um pé fora da luta armada (até então, diz Battisti, pelo menos no grupo que militava, as ações se resumiram a "apropriações" para manter os clandestinos; somente os quatro assassinatos que lhe foram imputados pela Justiça italiana foram atribuídos aos PAC). Mas, excessivamente descentralizado, um dos núcleos do grupo reivindicou o assassinato do comandante da prisão, no verão de 1978. Foi quando Battisti rompeu com o grupo. "Juntamente com parte dos militantes de primeira hora, naquele momento decidi virar a página e renunciar definitivamente à luta armada", diz, no livro. Isso quer dizer que, quando ocorreram os outros três assassinatos dos quais é acusado, ele sequer era militante do PAC.

O escritor foi preso na violenta repressão que sucedeu a morte do democrata-cristão Aldo Moro. No processo criminal, ninguém atribuiu a ele qualquer relação com a morte do comandante da prisão. Foi testemunha, todavia, de métodos pouco convencionais de interrogatório. Foi dessa época também a lei de delação premiada, que fez proliferar "arrependidos". Battisti conseguiu fugir com a ajuda daquele que, "arrependido" no futuro, jogaria sobre ele todas as culpas. Era Pietro Mutti.

Fora da prisão, Battisti recusou a proposta de aliança feita por Mutti, que comandava um tanto de jovens num grupo chamado Colp, que não se sabe o que significa. Mutti foi detido em 1982 - Battisti já estava longe, em Paris, depois de uma passagem pelo México. Nos "tribunais de exceção" italianos criados à época por leis especiais, Mutti, ameaçado de prisão perpétua, foi farto em acusar ex-companheiros de crimes. Especialmente Battisti. O escritor beneficiado pelo ministro Tarso Genro também foi acusado por outros integrantes do PAC, de tal forma que, de todos os envolvidos com o grupo, apenas ele foi condenado à prisão perpétua. Foram tantas as contradições resultantes desse jogo de se safar jogando a culpa no outro que o próprio tribunal de Milão, em decreto de 31 de março de 1993, reconheceu: "Esse arrependido (Mutti) é afeito a ‘jogos de prestidigitação’ entre seus diferentes cúmplices, como quando introduz Battisti no assalto de Viale Fulvio Testi a fim de salvar Falcone, ou Battisti e Sebastiano Masala no lugar de Bitti e Marco Masala no assalto ao arsenal Tuttosport, ou ainda Lavazza ou Bergamin no lugar de Marco Masala nos dois assaltos veroneses" - segundo trecho citado pela escritora Fred Vargas no posfácio do livro.

Diante de tantas contradições e de tantos fatos mal explicados, inclusive um asilo revogado na França (depois de um atuante trabalho de lobby italiano), fica a dúvida de por que interessa tanto ao governo italiano coroar Cesare Battisti como o bode expiatório de um período negro na Itália, onde não apenas a luta armada enevoou o país, mas as instituições se ajustaram a uma guerra contra o terror usando métodos pouco afeitos à ordem democrática. Talvez reconhecer erros no processo que levou à condenação de Battisti tenha o poder de expor a falta de legitimidade de ações policiais e judiciais desse período difícil da Itália.

 

* Matéria publicada no "Valor Econômico", dia 22/01/2009

** Maria Inês Nassif é editora de Opinião. Escreve às quintas-feiras



 Escrito por Eduardo Guimarães às 00h34
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Denúncia

Mentiras no caso Battisti

 Atualizado às 17h35 de 27 de janeiro de 2009

 

 

 

A direita brasileira, eternamente quinta-coluna em embates entre países ricos e o Brasil, e que só se dói pelos “interesses” nacionais quando o embate é com países pobres, vem usando seus jornais e tevês para enganar incautos, para erigir uma descomunal mentira político-ideológica sobre o caso do escritor italiano Cesare Battisti, condenado à prisão perpétua na Itália à revelia e com base em provas circunstanciais, oriundas de depoimentos de pessoas claramente interessadas em jogar sobre ele a culpa que as ameaçava, tudo no âmbito de um regime de força que esmagava os opositores na Itália àquela época.

A verdade tem sido a maior vítima do noticiário sobre o assunto. Toda vez que um grande jornal ou tevê trata do assunto, limita-se a dizer que Battisti foi “condenado pelo assassinato de quatro pessoas”.  Nunca diz, como costuma dizer em casos desse tipo, que o acusado nega as acusações, e nem explica em que circunstâncias teriam ocorrido esses “assassinatos”.

Para manter uma mentira, a grande mídia, essencialmente de direita, levanta outra, de que o Brasil não extradita Battisti, mas extraditou os boxeadores cubanos durante os Jogos Panamericanos, outra rematada mentira, negada até pelos próprios boxeadores, que disseram que não pediram asilo ao Brasil e manifestaram o desejo de retornar a Cuba, porque foram enganados por um pretenso “empresário” inescrupuloso que os fez desertar da delegação esportiva cubana com promessas de várias benesses e depois os deixou na mão, fazendo com que mudassem de idéia e decidissem voltar a Cuba.

Um detalhe importante: à época dos Jogos Panamericanos, vários outros cubanos pediram asilo político ao Brasil, e foram contemplados.

Pela internet, em blogs e sites, vejo comentaristas alinhados aos interesses político-ideológicos no caso Battisti contando as mentiras que acabam se sobrepondo aos fatos.  

Usam, despudoradamente, o caso dos boxeadores cubanos e supostas falhas jurídicas na decisão do ministro da Justiça, Tarso Genro, de conceder asilo a Battisti, o que é um absurdo porque até o procurador-geral da República anuiu ante a perfeição jurídica do ato de Genro. Todavia, o PGR só serve à direita quando condena gente da esquerda, como no caso do inquérito do mensalão; quando suas decisões não contemplam essa direita, ela se põe a acusá-lo de estar agindo politicamente.

A decisão de Genro é perfeita e as previsões são as de que o Supremo Tribunal Federal deve acatá-la, no âmbito do parecer do procurador-geral da República. Além disso, a decisão sobre concessão do asilo, pelas leis brasileiras, é de estrita competência do Poder Executivo, ou seja, do ministro da Justiça e do presidente da República.

Claro que a quase totalidade dos brasileiros está pouco se lixando para esse caso. O objetivo do noticiário enviesado e antinacional sobre o assunto é passar ao país a idéia de que este governo apóia assassinos. O Jornal Nacional, da Globo, por exemplo, limita-se a falar em “quatro assassinatos” de Battisti, sem cumprir seu papel de formador de opinião apresentando os argumentos do acusado e do governo.

Nas poucas vezes que se ouve o “outro lado”, suas versões são editadas, o que impede a argumentação do governo de ser plenamente conhecida.  Toda essa celeuma se sustenta exclusivamente na sonegação de informações ao público. A mídia literalmente censura a argumentação explicativa do assunto pela ótica de Battisti e do governo, dando continuidade ao processo de sabotagem do país pela direita e seus meios de comunicação, sabotagem esta que já abrange todas as áreas da vida nacional, seja a área econômica, social, jurídica ou o que mais se possa imaginar.

 

Obama elogia referendo na Bolivia

 

 

Comentário: foi previsto aqui neste blog, várias vezes, que Obama se afastaria da promoção de golpismo em países latino-americanos, prática adotada reiteradamente por Bush, ao ponto de este ter insuflado tentativas de golpes de Estado na Bolívia e na Venezuela, ao menos, nos últimos anos.

 

Boxeadores cubanos não quiseram ficar no Brasil

 

 

Crime sem motivo

 

E o pior de tudo, é que falam que os tais assassinatos que Battisti teria cometido não foram por motivos políticos, mas não dizem por quais motivos ele teria matado as pessoas.

Foi para roubar?

Para que ele matou?

Silêncio sepulcral.

E mesmo que tivesse matado no âmbito de uma revolução, de uma guerrilha, seja lá por que for, o crime terá sido político.

Mas quando se fala de punir torturadores no Brasil, argumentam que houve violência dos dois lados. Será que na guerra italiana só o lado de Battisti matava?

Pergunta: se ele não matou - e ele nega que matou - por razões políticas, quais foram as verdadeiras razões?

 

Para encerrar a questão

 

Vamos entender uma coisa: essa questão da extradição de Cesare Battisti ou de Salvatore Cacciola é só questão apenas de legislação. Se amanhã uma maioria política vencer eleições na Itália e decidir que cidadãos que têm dupla nacionalidade (no caso, italiana e brasileira, como Cacciola) podem ser extraditados para o país em que escolheram viver, eles terão que ser extraditados.

A Itália não tem acordo de extradição com o Brasil, e se essa legislação não existe para Cacciola, não existe para Battisti. Este cometeu crime comum? Ok, mas Cacciola também cometeu. Então, são dois casos de crimes comuns, de cidadãos que, devido à legislação do país onde se exilaram, não têm porque ser extraditados.

É simples, gente. Só está complicado porque a mídia resolveu fazer luta política, para tentar fazer crer aos brasileiros que o governo Lula gosta de "assassinos", se forem de esquerda.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 11h37
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Proposta cidadã

O estado da União

 

 Atualizado às 6h10 de 26 de janeiro de 2009 

 

Este texto traz uma idéia que tive e que pretendo apresentar ao debate público de uma maneira que eventualmente possa vir a interessar a quem de direito, ou seja, ao Estado e à sociedade, para que, em comum acordo, talvez a abracem.

Trata-se da idéia de o governo federal – provavelmente a partir dos próximos governos – apresentar ao país, periodicamente, ao fim de cada exercício fiscal, um relatório sobre o “Estado da União”, ou seja, sobre o conjunto dos indicadores macroeconômicos e sociais do país, permitindo ver se está melhorando ou piorando.

É certo que perguntarão como misturar indicadores sociais com indicadores econômicos, ao que responderei dizendo que faço tal proposta porque os indicadores econômicos só serão bons se influírem positivamente nos indicadores sociais.

Num relatório anual, abrangendo um período de doze meses, poder-se-á ver efetivamente – e com a freqüência apropriada – se as políticas públicas da União estão atingindo seus objetivos, que em qualquer democracia serão sempre a melhora da vida da população.

Seria alguma coisa como a que explicarei a seguir, mas evidentemente bem mais aprimorada por técnicos das áreas do governo envolvidas com cada um dos índices que se propõe inicialmente que sejam reunidos e analisados, produzindo conclusão final sobre esse estado em que se encontra a União, o país.

 

Indicadores econômicos

 

Reunir-se-iam o resultado do PIB, o das contas externas (balança comercial e resultado final do fluxo cambial no exercício), o do nível de emprego, o do nível de investimento privado e estatal, o do nível de investimento externo e interno e o do nível de vulnerabilidade externa – este, baseado em indicadores de organismos multilaterais e até de agências de classificação de risco, para que o Relatório do "Estado da União" atraia interesse dos investidores privados nacionais e estrangeiros.

 

Indicadores sociais

 

Reunir-se-iam os resultados da mortalidade infantil, do índice de analfabetismo, da expectativa de vida, do saneamento básico, da Educação, da Saúde, da violência e da criminalidade.

Especificamente em áreas como Saúde Pública, o resultado que se quererá saber será o índice de satisfação do usuário do sistema.

Em áreas como Educação, simplesmente serão divulgadas as notas médias dos diversos níveis de ensino e o acesso ao ensino superior, inclusive dando conta da distribuição do percentual de ingressantes por estrato social, etnia e região do país.

Finalmente, seria confrontado o percentual de ingresso de cada grupo social no ensino superior e verificada a equidade da distribuição de vagas, identificando quais grupos sociais estão perdendo.

Já quanto à violência e à criminalidade, também seria requerido produzir um índice único, apurando-se crimes de morte, de estelionato, de todos os tipos, chegando ao ponto de produzir um indicador individual de melhora, piora ou estagnação desse e dos outros indicadores supra mencionados.

 

Conclusões

 

Todos esses indicadores (econômicos e sociais) teriam que ser compilados a fim de produzir uma nota anual e outra quadrienal média (coincidente com mandatos eletivos) sobre o "Estado da União", de forma que se possa dizer se o país melhorou ou piorou naquele ano, individualmente, e em cada mandato presidencial.

A idéia talvez não seja atraente para governantes que não estiverem obtendo êxito em suas administrações, mas será altamente interessante para governos que estiverem obtendo resultados positivos, pois a nota dirá se a governança melhorou ou piorou em relação ao passado recente, seja em cada ano ou em cada governo.

Se o governo A obtiver, por exemplo, nota 5 em seu mandato e seu sucessor obtiver notas melhores ou piores, ter-se-á um parâmetro para discutir política, até porque proponho que a conclusão final sobre o "Estado da União" em cada mandato eletivo mensure, via um último índice, a ocorrência de fatores exógenos que podem ter influído naquela nota média final do mandato.

Funcionaria assim: se a nota sobre a conjuntura internacional for x neste governo e seu desempenho receber nota y, em caso de o governo posterior vir a ter uma nota de conjuntura internacional mais baixa e obtiver uma nota de desempenho igualmente menor, haverá uma justificativa política a apresentar.

Trata-se de um projeto de envergadura, do ponto de vista da ciência estatística e do entendimento político, mas pode ser feito e é de sumo interesse da sociedade, pois conferiria transparência absoluta para que a população tome decisões eleitorais sem ser influenciada por meios de comunicação ou outros grupos de interesse capazes de induzir a erro as pessoas.

Havendo acordo entre a classe política sobre esse "Relatório do Estado da União", ficaria mais difícil para a mídia desqualificá-lo. E, sendo o Relatório respeitado, os que costumam tentar enganar o eleitorado, sejam políticos ou meios de comunicação, terão suas ações coibidas.

Se você, leitor, acha que tudo isto não passa de um devaneio, é porque não está levando em conta quantos avanços a democracia já produziu. Houve época em que voto era privilégio somente de quem era homem, branco e rico. Houve época em que não se estabeleciam controles sobre os processos eleitorais, que produziam monstruosas fraudes.

A ambição democrática deve – ou deveria – ser um valor máximo dos povos. Qualquer contestação dessa ambição, qualificando-a como maior do que pode ser, deve ser encarada como ato contrário à democracia, que tem na busca do próprio aperfeiçoamento sua razão de ser.

 

* 

 

Manchetismo

 

Se você leu as manchetes que figuravam nos portais IG e UOL à hora da atualização deste post (vide acima, com letras amarelas sobre fundo negro) e fez como faz a maioria esmagadora das pessoas, só leu a manchete e não a reportagem a que ela remete, deve ter ficado assustado. Veja as "fotos" que captei dos dois portais na hora supra mencionada. Depois dos portais, continuo comentando.

 

 

Se você não conseguiu ler as manchetes circuladas em vermelho, reproduzo os textos:

IG  : "50 mil demissões"

UOL: "Caterpillar anuncia que cortará 20 mil empregos"

Uma tragédia, não. Ficou preocupado? Você tem razão de se preocupar. Os tempos andam bicudos. Em dezembro passado, perderam-se 600 mil empregos no Brasil. Contudo, não custava nada terem esclarecido, nessas manchetes, que essas demissões foram nos Estados Unidos ou no resto do mundo, não no Brasil.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 13h18
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Crônica política

“Escândalo” do gato

 

 

 

Acho que já vi quase de tudo no Brasil. Desde criancinha, vejo o INSS sendo fraudado de todas as formas; o empresariado brasileiro deve ser o que mais sonega impostos no mundo; a Polícia paulista está entre as mais corruptas do mundo...

Tudo isso existiu sempre, inclusive na época em que os jornais e tevês diziam - e continuam dizendo - que o Brasil era perfeito, quando era governado pelo PSDB, pelo "estadista" Fernando Henrique Cardoso.

Agora, porém, vejo um “escândalo” com dinheiro público ganhar os jornais e as tevês - a mídia, enfim - como se tivesse abalado as estruturas da República.

O que acontece, é o seguinte: um pobre coitado de algum grotão do país, para lucrar fraudulentamente a fortuna de R$ 20 por mês, registrou seu gato no programa Bolsa Família como se o bichano fosse uma pessoa.

Vendo as manchetes garrafais dos jornais, a impressão que se tem é a de que o governo federal organizou um grande esquema de corrupção baseado no cadastramento de animais no Bolsa Família.

A R$ 20 por gato - e não se sabe se cães ou porquinhos-da -índia permitem fraudes maiores ou menores -, bastaria cadastrarem alguns milhões de animais no programa. Que potencial de corrupção tem esse grande, esse monumental “esquema”, não?

Enquanto isso, o sujeito que governa o Estado de São Paulo – e que quer governar o país – faz publicidade oficial pelo Brasil inteiro para se promover eleitoralmente e não se vê nenhum meio de comunicação se indignar.

Os meios de comunicação não têm como cobrir esse uso indevido de alguns poucos milhões de reais tendo que cobrir o “escândalo” do gato, que, até agora, já deve ter lesado o Tesouro em algumas centenas de reais.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 10h46
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Teoria política

Revolução nas Américas

 

 Atualizado às 13h51 de 25 de janeiro de 2009

 

 

 

Talvez hoje a região mais conflagrada do mundo, ideologicamente, seja a América – as três Américas, agora que os Estados Unidos entraram em campo com Barack Obama e suas promessas de mudança na filosofia ultra-imperialista da superpotência até aqui hegemônica.

Claro que os esquerdistas radicais arrepiar-se-ão diante da afirmação de que Obama tenha qualquer inclinação “de esquerda”, assim como negam que um só dos presidentes latino-americanos seja realmente “progressista”. Para a ultra-esquerda, Lula é de direita, Hugo Chávez é de direita etc. Por essa visão canhestra, Obama, então, nem se fala.

Quando Chávez fala em “socialismo do século XXI”, no que é acompanhado por Evo Morales, Rafael Correa, Fernando Lugo e outros – e até por Lula, em alguma medida –, ele se refere ao socialismo possível atualmente, pois, a rigor, o único regime realmente socialista que há no mundo, é o de Cuba.

Nas Américas, o “socialismo do século XXI” converteu-se em uma bomba. Esta região atravessou o século XX como a de maior concentração de renda entre todas, o que fez surgirem os movimentos libertários que, a partir do fim do último século, finalmente chegaram ao poder.

A conflagração entre esquerda e direita, era inevitável. A desigualdade nas Américas foi construída durante séculos, adotando, a partir do século XX, o modelo norte-americano de segregação social, de fundo estritamente racial.

Com a redemocratização latino-americana avançando em bloco no fim da segunda metade do século passado, sucedendo as ditaduras militares de direita que em meados do século se espraiaram pelo subcontinente, de repente as elites locais, que arquitetaram os golpes militares que impediram a esquerda de tentar diminuir a desigualdade social e racial inspirada pelos Estados Unidos, perceberam que não conseguiriam mais impedir o processo pela força.

A mídia passou a ser a fórmula e o instrumento do topo da pirâmide social para impedir que a renda e as oportunidades fossem redistribuídas nas Américas. Inventaram, assim, um conceito de “modernidade” fundado no fracasso do modelo soviético no fim dos anos 1980.

O jugo secular da aristocracia nas Américas implantou profundamente no subconsciente popular teorias político-ideológicas favoráveis aos brancos ricos de descendência européia. E a mídia tratava de revestir essas teorias de ares de modernidade. Jornais, tevês, rádios foram distribuídos a representantes da burguesia a fim de moldarem a vontade popular de acordo com a vontade aristocrática.

O que acho que pôs fim ao longo ciclo de governos das elites apoiados pela ralé foi o advento da internet, que permitiu a ruptura da hegemonia propagandística dos políticos de direita através dos quais aquelas elites se mantiveram no poder desde sempre.

O debate ideológico, antes restrito à intelectualidade, aos filhos da elite que manteriam o status quo e aos que, romanticamente, queriam rompê-lo em favor do humanismo, popularizou-se.

Atualmente – e neste blog há provas do que vou dizer –, pessoas simples, de pouca instrução e das regiões mais pobres do país começaram a se interessar por assuntos como os que trato aqui tanto quanto idealistas oriundos dos mais altos estratos sociais.

Não que os humildes não tenham sempre tido representantes nos movimentos libertários das Américas, muito pelo contrário. O que mudou com a internet foi a difusão das idéias iluministas de igualdade, liberdade e fraternidade.

Grandes contingentes, até então mantidos na miséria e na ignorância, passaram a tomar contato com idéias de justiça social que, até então, viam como nocivas porque assim lhes eram apresentadas pelos meios de comunicação controlados pelas elites.

Dar meios a negros de cursarem o ensino superior e se tornarem doutores, até há poucos anos seria impensável. Distribuir grandes quantidades de dinheiro público para que pobres pudessem comer melhor, era impensável.

Os “programas sociais” eram cosméticos. Os Estados nacionais das Américas investiam migalhas nesses programas a fim de enganar as massas miseráveis.

A informação, a cultura, o avanço intelectual da humanidade e, acima de tudo, a eclosão lenta e contínua de verdadeiras guerras civis não-declaradas – ditas pelas elites simplesmente “criminalidade”, mas que tinham e têm origem na desigualdade – nos países mais socialmente injustos, fizeram considerável parte da elite intelectual, racial e econômica entender que a miséria não interessava a ninguém.

Esse movimento intelectual – mais do que ideológico e político – foi se espraiando pelas Américas com uma força e velocidade impressionantes a partir do momento em que a censura ideológica imposta pelas elites aos grandes meios de comunicação foi rompida pela internet no fim dos anos 1990.

Neste momento histórico, as elites, que sonham com a volta ao status quo anterior, envelhecem fisicamente, ainda que parte da juventude ainda acalente idéias segregacionistas.

A academia, porém, vai concluindo, cada vez mais, que o nível de desigualdade que vige na América Latina não pode mais continuar, que a continuidade da segregação social e racial, da carestia extrema, da desigualdade aviltante está conduzindo esta parte do mundo a uma guerra civil.

Vejo, no Brasil, a elite racial, social, econômica sonhar com a volta ao passado. Vejo essa elite estrebuchar através dos meios de comunicação que alguns aristocratas pensaram que substituiriam seus exércitos, o aparato repressor do Estado que sustentou a desigualdade aviltante durante séculos.

Só há um fato: a América Latina, vanguardista, levou até os Estados Unidos, matriz ideológica da desigualdade, a mudar de rumo, a questionar os velhos métodos, a velha organização excludente do Estado e das sociedades apostando no outsider Barack Obama.

Faz muito tempo que acalento estas idéias. Passei anos a fio achando que um dia aconteceria o que está acontecendo. Estudando o processo civilizatório da humanidade, concluí que a Revolução em curso nas Américas era inevitável. Aí reside a razão de meu otimismo quanto ao futuro.

 

Novo link neste blog

 

Estou "linkando" no Cidadania o blog do articulista e membro do Conselho Editorial da Folha de São Paulo Marcelo Coelho. A mera leitura de seus últimos posts deixará clara minha razão para tanto. Não percam.

 

Quando esquerda e direita se dão as mãos

 

Luiz Carlos Azenha reproduziu em seu blog artigo publicado no caderno Ilustrada da Folha de São Paulo de sábado que resume tudo que tenho dito aqui sobre o que une hoje a esquerda e a direita, deixando todo mundo preocupado. Clique aqui para ler.

 

Referendo na Bolívia

 

Acompanhe as notícias sobre o referendo popular à nova Constituição da Bolívia clicando aqui - em espanhol

 

UOL desinforma

 

O portal UOL divulgou neste domingo, em sua seção de política, que "Ajuda de R$ 100 bi ao BNDES aumentará dívida bruta do governo". Escrevi o seguinte, na janela de comentários de leitores que o portal disponibiliza para comunicação de "erros" nas matérias:

O governo federal não está "ajudando" o BNDES, mas fazendo um aporte no banco para que ele, sim, ajude o Brasil a resistir à crise. O uso da palavra "ajuda" é um erro, porque induz o leitor a achar que o BNDES precisa de ajuda, que o dinheiro servirá para tapar buracos, desinformando o leitor e contrariando o papel da imprensa, que é informar, não desinformar. Eduardo Guimarães



 Escrito por Eduardo Guimarães às 09h57
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