Análise política

Plebiscito em 2010

Atualizado às 14h34m de 21 de fevereiro de 2009

 

 

 

 

 

 

 

O discurso conservador vendeu a muita gente a teoria de que PT e PSDB são iguais tanto quando estão no poder quanto quando estão na oposição.  Até 2010, este blog tentará provar que essa premissa é parcialmente falsa, ao menos no que tange o exercício do poder.

Para atingir o imaginário do brasileiro – povo que ainda tem uma mentalidade atrasada sobre a política, pois vota em pessoas em vez de votar em partidos –, podemos, então, usar dois nomes simbólicos dos “trabalhistas” e dos “social-democratas”.

Lula e José Serra representam, respectivamente, as personalidades da esquerda e da direita no imaginário popular, ainda que os conservadores, com seus jornais e tevês, neguem tais identificações, sempre em benefício do representante da direita.

Para os conservadores (PSDB e DEM) tirarem de Lula (PT) o que consideram a posição ideológica mais simpática ao eleitorado, a de político esquerdista, usam a rendição da esquerda aos ditames econômicos liberais, rendição que foi arrancada por meio de uma ordem econômica mundial que penaliza os países infratores das “leis de mercado” com fuga de capitais e de investimentos estrangeiros.

De fato, a interligação entre as economias nacionais, consolidada na década passada como nunca acontecera na história, permitiu que esse ardil ganhasse corpo.

Atualmente – e isso se pode ver em Barack Obama –, ser de esquerda significa agir para minimizar de fato os dramas sociais que o liberalismo compulsório gera.

Um exemplo eloqüente dessa premissa pode ser visto no principal programa social do governo Lula, o Bolsa Família.

De fato, as políticas de transferência de renda, adotadas pela primeira vez no Brasil no governo petista do ex-governador de Brasília Cristovam Buarque, foram adotadas em nível nacional no governo Fernando Henrique Cardoso como forma de reduzir as acusações que aquele governo sofria por ter adotado a versão brasileira do Consenso de Washington, batizada aqui de “Plano Real”.

Eram programas sociais de fachada, nos quais eram investidas migalhas com o propósito de mostrar alguma preocupação do Estado com o desemprego em massa, com o arrocho salarial, com todas as conseqüências nefandas decorrentes das privatizações, do superávit primário e de tudo mais que vitimou o país naquela época triste.

Ao fim dos anos 1990, o Brasil vivia um quadro de depressão econômica, de iniqüidade social estagnada, de aumento da criminalidade e da violência, do desemprego, do achatamento salarial, o que fez os brasileiros “correrem o risco” de eleger o ultra demonizado (pela mídia de direita) Luiz Inácio Lula da Silva, eternamente acusado de pretender instalar uma “ditadura cubana” no país.

Em 2002, o PT, depois de seguidas derrotas em eleições presidenciais, entendeu que, para criar mecanismos para suavizar a ditadura liberal, seria preciso parar de brigar com a realidade de que não havia como desafiar as formas de punição engendradas pelo capital transnacional para obrigar as nações aos ditames do Consenso de Washington.

Foi uma idéia feliz, dentro do contexto, porque, ao mesmo tempo em o governo trabalhista de Lula passou a praticar o superávit primário e a permitir aos bancos os lucros extraordinários que passaram a ter a partir da era FHC, tratou de ir compensando os males causados à população com políticas sociais nas quais investiu pesadamente, convertendo programas sociais paliativos em programas verdadeiramente efetivos.

Um detalhe: nas estimativas mais conservadoras, hoje se investe no social umas dez vezes mais do que na época de FHC.

Apesar da rendição inevitável da esquerda aos ditames liberais e globalizantes, a direita viu os recursos públicos que eram repassados (muitos vezes a fundo perdido) aos grandes empresários serem desviados para investimentos em grandes programas sociais.

Vê-se hoje claramente, portanto, quem é quem. A grande diferença entre Lula e Serra (para usar pessoas em vez de partidos, de forma a agradar à deformidade política que vitima o brasileiro) está no discurso do tucano – e de seus pares nos partidos de direita e na mídia – sobre um Bolsa Família, por exemplo.

Haveria diferença maior entre os partidos de direita e de esquerda do que tucanos e pefelistas considerarem “esmola” o Bolsa Família, a política social mais exitosa em todo mundo atualmente?

Vejam só esse caso da Embraer: enquanto Lula chama a empresa às falas argumentando que ela tem obrigação de ter responsabilidade social devido aos investimentos de dinheiro público que sempre recebeu, Serra inventa um programa paliativo de “requalificação” profissional para os demitidos, como se tivessem sido postos na rua por incompetência.

Os profissionais demitidos pela Embraer são, em maioria, altamente especializados. Não estariam trabalhando numa empresa de ponta como aquela se assim não fosse. Esse programa tucano-paulista de “requalificação” é uma piada, uma enganação que a mídia vende como ação “pró-ativa” do “presidente eleito” José Serra.

Governo de esquerda, hoje, é aquele que se preocupa em minimizar os efeitos danosos da “globalização”, ora ameaçada de morte. É aquele que usa o dinheiro dos impostos dos brasileiros para ajudar não apenas grupelhos de grandes empresários, mas também os trabalhadores e, sobretudo, os desempregados ou subempregados. 

Os programas sociais petistas, que investem extraordinariamente mais do que os programas paliativos que os tucanos costumam formular, contrastam com os discursos conservadores de que esses programas seriam “esmolas”, o que permite supor que um Serra no poder os exterminaria.

Há um vasto cabedal de frases da direita sobre os programas sociais petistas que será usado em 2010, quando Lula e o PT proporão ao país que escolha entre a manutenção do rumo vigente e o retorno àquele no qual o PSDB havia posto o país. A eleição será plebiscitária.

É por isso que a direita, ao custo do faturamento de suas empresas, inclusive de suas empresas de mídia, tenta sabotar o país. Se a crise não nos levar à bancarrota, se não tornar pior a vida dos brasileiros, Serra (PSDB e PFL) não resistirá ao plebiscito de 2010.

 

 

Entenda o Bolsa Família

 

 

Quem quiser entender a dimensão do Bolsa Família e o respeito que o programa ganhou no mundo pode perder horas na internet procurando informações ou então acessar a Wikipedia. Lá constam dados interessantíssimos, como o apoio mundial ao programa brasileiro, percentuais de investimento etc.

Para acessar o verbete da Wikipedia sobre o Bolsa Família, clique aqui



 Escrito por Eduardo Guimarães às 13h25
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Crônica política

Na Suíça, PIG veria sol

nascer quadrado

 

 

 

 

 

Conforme está sendo amplamente noticiado, o jornalista Alex Baur, da revista semanal "Die Weltwoche", está sendo investigado pela Promotoria de Zurique por suposto vazamento de informações sigilosas sobre o depoimento da brasileira Paula Oliveira no dia 13 de fevereiro.

A revista semanal suíça "Die Weltwoche” é ligada ao partido de extrema-direita e ultranacionalista SVP (Partido do Povo Suíço). É uma espécie de Veja suíça, que age por lá também à margem da lei, como a Veja daqui.

De acordo com o comunicado oficial emitido nesta quinta-feira (19), a Promotoria "abriu um procedimento de instrução penal com o foco, entre outros, na questão se houve ruptura do segredo de ofício".

Na Suíça, violação de sigilo de Justiça é crime. Se um meio de comunicação fizesse por lá o que a imprensa golpista daqui faz em casos como o do grampo fantasioso do ministro do Supremo Gilmar Mendes escondendo-se sob o manto da “liberdade de imprensa”, estaria seriamente encrencado.

Quantas vezes você viu os Reinaldos Azevedos, Diogos Mainardis et caterva brandindo “liberdade de imprensa” para justificar violação de sigilo judicial, e ainda acusando de ímpeto censor todo aquele que repudia tal violação?

Só posso supor que os pit bulls midiáticos acima mencionados, bem como outros soldados do golpismo, devem estar julgando a Suíça uma ditadura como a que dizem que há em Cuba ou na Venezuela, porque suíços pelo menos não confundem vigarice com “liberdade de imprensa”.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 18h27
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Análise econômica

O desemprego e a natureza

de escorpião da mídia

 Atualizado às 14h07m de 20 de fevereiro de 2009

 

  

 

 

A fábula é antiga e de uso inflacionado, mas vale a pena rememorá-la. E a razão ficará clara, dentro de alguns parágrafos.

Era uma vez um sapo e um escorpião à beira de um rio. O escorpião pede ao sapo que o ajude a atravessar até a outra margem, mas o anuro, escaldado pela longa história de morticínio de sapos por escorpiões, hesita, ao que o aracnídeo pondera que não haveria por que ele atacar seu benfeitor, pois ambos poderiam se afogar se fizesse aquilo.

Confiante na lógica do escorpião, o sapo permite que ele suba em seu costado e, juntos, começam a atravessar o rio. Durante o percurso, porém, o escorpião dá uma ferroada no sapo, que, perplexo, pergunta ao seu carrasco, enquanto afunda na água, o motivo de atitude tão ilógica, ao que o escorpião responde que fez o que fez porque aquela era sua natureza.

Algumas vezes, a natureza do escorpião fala mais alto até em seres humanos.

Vejam só o caso da mídia: o alarmismo que ela vinha praticando sofrera uma redução drástica depois da queda da venda de espaços publicitários nas Globos, Vejas e Folhas da vida, campeões disparados em alarma social no Brasil.

O empresariado deu o troco à mídia depois de esta passar os últimos quatro meses incentivando os consumidores a não fazerem negócios com ele.

Ontem (quinta-feira) e hoje, porém, a natureza do escorpião da mídia falou mais alto e ela voltou a dar ferroadas nos sapos que a carregam nas costas, ou seja, nos anunciantes.

Simplesmente, os meios de comunicação não resistiram a alarmar um pouco mais o país ao divulgarem os dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) e do IBGE sobre o desemprego e ao não esclarecerem adequadamente o contexto das demissões na Embraer.

Só para constar: o Caged apontou perda de cerca de 100 mil empregos com carteira assinada, o IBGE apontou alta do desemprego ao patamar de 8,2% e a Embraer anunciou cerca de 4 mil demissões

Não irei entediá-los com as tabelas do Caged ou do IBGE que analisei. Farei uma síntese do que descobri, de forma a não obrigá-los a complicados cálculos mentais que vocês não têm obrigação de fazer.

Como eu disse, houve cerca de 100 mil demissões formais em janeiro deste ano. Em relação aos seiscentos e tantos mil empregos perdidos em dezembro, pode-se dizer, categoricamente, que houve uma freada brusca no ímpeto demissionário das empresas.

A perda de empregos em janeiro, portanto, representa uma boa notícia, pois ficou claro que o que aconteceu em dezembro foi uma decisão coletiva do empresariado de alguns setores de demitir preventivamente e numa paulada só, e que as demissões de janeiro constituíram-se em mero resíduo do processo iniciado em dezembro.

Mas não é só isso. Analisando-se os dados do Caged de janeiro deste ano e comparando-os com os de janeiro do ano passado, descobre-se que alguns setores, como a construção civil, tiveram criação de vagas (mais de 11 mil) no mês passado, e que, entre os setores que perderam e criaram vagas, o comércio varejista e a indústria de transformação responderam pela eliminação de cem mil empregos.

No caso do varejo, isso se deve à maior dispensa neste ano de contratados temporários para as festas de fim de ano. Em janeiro de 2008, perderam-se cerca de 14 mil empregos no varejo; neste ano, cerca de 50 mil.

No cômputo geral do mês, porém, em janeiro do ano passado foram criados 140 mil empregos, enquanto que, neste ano, perdemos os tais cem mil, o que perfaz um total de mais de duzentos mil empregos a menos no Brasil em janeiro deste ano.

Pode-se afirmar sem susto, no entanto, que os últimos números do Caged representam forte diminuição no processo de eliminação de empregos que eclodiu em dezembro, o que aconteceu devido à retomada da atividade na construção civil e nos setores automotivo e de eletrodomésticos.

Mas é nos números do IBGE que a natureza de escorpião da mídia mais salta aos olhos. São números para se comemorar, mas a mídia apresenta como negativos.

Para que vocês tenham uma idéia, o IBGE detectou 8,2% de desemprego no Brasil em janeiro, quando, no mesmo mês do ano passado, estava em 8,0%. Ou seja: o emprego, no país, sofreu, no máximo, uma marolinha.

E o que faz a mídia? Diz que essa é a maior alta do desemprego desde 2001. Meia verdade. Dá a impressão que hoje temos um nível de emprego menor do que há oito anos, quando, na verdade, temos um dos menores níveis de desemprego da história.

O que a mídia quis dizer é que, de um mês para outro (de dezembro para janeiro), o salto no nível de desemprego foi o maior desde 2001. Só que ela não explica direito isso. Acontece que, no mês passado, o IBGE, que sempre divulga seus dados com defasagem de tempo, apurou uma das menores taxas de desemprego da história no Brasil: 6,8%. Assim, a subida só poderia ser grande.

O que os números do IBGE sobre desemprego mostraram, na verdade, é que foram criados tantos empregos no ano passado, mas tantos, que nem com os mais de setecentos mil empregos perdidos no Brasil a partir de outubro de 2008 o nível de emprego caiu significativamente, pois estamos no mesmo nível de há um ano.

Já no caso da Embraer, seria bom explicar que as demissões eram previsíveis e que apenas não se sabia em que nível ocorreriam. A empresa fabrica aviões e, como qualquer um minimamente informado sabe, exporta praticamente toda sua produção. Ora, se o mundo está em recessão, só poderia acontecer o que aconteceu.

Contudo, os setores que poderiam gerar saltos no nível de desemprego já quase que esgotaram seu estoque de maldades. No caso da indústria automobilística e na construção civil, os problemas já foram equacionados pelas acertadas medidas do governo e certamente não ocorrerão mais demissões.

Já entre os exportadores, devido à baixa participação deles no PIB as demissões que fizerem não deverão influir muito no nível de emprego, além de esse setor já dever ter feito a maioria das demissões que ainda terá que fazer.

O que poderia agravar o quadro, porém, seria a tal natureza de escorpião da mídia, pois, ao atacar seus anunciantes com um alarmismo que lhes prejudica os negócios, muitos desses veículos poderão entrar em dificuldades por redução na venda de espaços publicitários, o que certamente levaria as empresas de mídia a demitir.

Contudo, nem esse risco o Brasil corre, pois o "papai" (da mídia) José Serra está torrando o dinheiro da paulistada burra com publicidade eleitoreira para seus aliados Globo, Folha, Veja e congêneres. Assim, os paulistas, que gostam tanto da imprensa golpista, estão tendo a chance de ajudá-la com o rico dinheirinho de seus impostos, o que me parece mais do que justo.

 

 

"Ditabranda"

 

 

A esta altura, a maioria de vocês já deve ter tomado conhecimento de que a Folha de São Paulo chamou a ditadura militar no Brasil de "ditabranda" num editorial em que, para variar, atacava o presidente da Venezuela, Hugo Chávez.

Nesse embalo, em reação à chuva de protestos que o jornal recebeu, atacou também o professor Fábio Konder Comparato e a professora Maria Victoria Benevides por terem escrito cartas naquele jornal criticando-o pelo absurdo, chamando-os de "cinícos e mentirosos" por não criticarem, também, a "ditadura" cubana.

Não gastarei muito tempo com isso, até porque outros já fizeram com mais competência do que eu faria. Limito-me, pois, a reproduzir, abaixo, carta que enviei àquele jornal comentando o assunto. 

 

Ao Painel do Leitor:

Interessante a "Nota da Redação" que esse jornal publicou sobre as críticas dos leitores que se revoltaram contra a qualificação que o editorial "Limites a Chávez" (17/02) deu à ditadura militar brasileira, ou seja, "ditabranda". 

Ao chamar de "cínicos e mentirosos" os professores Maria Victória Benevides e Fábio Konder Comparato por suas críticas no Painel do Leitor, alegando que eles "até hoje não expressaram repúdio a ditaduras de esquerda, como a de Cuba", a Folha mostra que não considera o regime cubano uma "ditabranda", ainda que não se tenha notícias de torturadores cubanos que tenham estuprado filhas na frente dos país ou praticado outras sevícias incontestavelmente praticadas pelos militares brasileiros nos anos de chumbo. 

Não há, em Cuba, um movimento de famílias em busca de entes queridos que "evaporaram" da face da Terra por ação do regime. Ainda assim, a "ditadura" cubana é acusada pelo jornal de ser mais dura do que a brasileira. Nada a estranhar, claro. Um jornal que emprestou seus caminhões para os militares assassinos transportarem cadáveres ou semicadáveres oriundos de seus "brandos" métodos de "investigação", provou que seu conceito de brandura ou de dureza das ditaduras varia de acordo com a ideologia delas.

Eduardo Guimarães, São Paulo



 Escrito por Eduardo Guimarães às 13h33
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Esclarecimento

Paula e a crise

 

 

Eremildo, o Idiota, personagem do jornalista Elio Gaspari

 

 

 

Fui cobrado por alguns leitores sobre o caso Paula Oliveira, a brasileira que, ao que tudo indica, forjou um ataque de neonazistas suíços contra si.

Sobre esse assunto, o mais importante que tenho a dizer é que havia uma coisa que, acima de todas as outras que não entendo, eu nunca conseguia a entender; agora, há duas coisas que me soam como mistérios dos mistérios.

A primeira coisa que não entendo é como alguém que não seja ligado ao PSDB e ao PFL pode regozijar-se com a crise econômica e torcer para o Brasil não resistir a ela. A segunda, é como um brasileiro pode regozijar-se por estar se configurando que Paula mentiu.

Mas há quem tenha ficado contente por isso? Sim, há. Começando pelos leitores que cobraram minha posição, pois cobraram como quem diz: “E aí, você não defendeu a Paula? Como é que fica, agora?

Surge, assim, uma questão de fundo: por que essas pessoas ficaram satisfeitas com o desmascaramento de Paula?

O que acontece é que, como o governo Lula exigiu explicações e providências do governo suíço quando a mídia brasileira passou a noticiar o suposto ataque à cidadã brasileira, a reviravolta no caso pareceu servir à mídia e à oposição como o mais novo elemento de desgaste do governo.

O que a mídia não esperava era a reação que teria sua congênere suíça aos indícios da provável mentira de Paula, de acusar, mais do que ao governo, a mídia brasileira por ter alardeado o caso, acusando-a de fazer “acusações falsas” como prática, de “destruir as vidas das pessoas sem provas” e ainda de fazê-lo sempre de forma “prematura”.

Essa, com efeito, é mesmo a mídia brasileira. Mas não nesse caso.

Todos os brasileiros, tanto os contentes quanto os descontentes com o provável desfecho do caso, devem entender que todos estão sujeitos a viajar ao exterior e que a tal mentira que Paula teria contado estimulará os que, tanto na Suíça quanto em vários outros países ricos, atacam de verdade cidadãos de países do Terceiro Mundo, seja por razões racistas ou xenófobas.

As autoridades e a mídia suíças tratam o caso de Paula como se fosse regra quando ele é exceção, pois há mais casos verdadeiros de ataques racistas ou xenófobos na Suíça do que casos forjados dessa natureza.

Nem poderia ser diferente num país em que seu maior e mais votado partido político faz propaganda com uma charge em que ovelhas brancas chutam ovelhas negras para fora do território suíço.

Não tenho muito a dizer sobre o desfecho do caso, a não ser que lamento muito que tudo isso tenha acontecido.

Aliás, nem mesmo o boato de que Paula integra comunidade no Orkut intitulada “Eu odeio o PT” ou o fato de que seu pai trabalha para o PFL fazem com que eu me regozije, pois não sou um idiota como os que ficaram contentes por Paula provavelmente ter mentido porque achavam que com isso desgastariam Lula.

O que aconteceu com Paula, supostamente de direita, poderia acontecer com ela se fosse de esquerda, de centro, corintiana ou palmeirense. Associar as preferências político-ideológicas de alguém a esse alguém ser mentiroso ou psicopata é que, além de mentira, é uma grave psicopatologia.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 14h13
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Crônica política

“Peito de homem”

 

  

 

 

A Folha parece mesmo decidida a dar trabalho ao seu ombudsman, Carlos Eduardo Lins da Silva. E o pior é que, se ele resolver aceitar fazer seu trabalho, a Folha poderá tirá-lo dele, afirmação que faço com base no histórico recente do jornal no trato com o ombudsman anterior.

Em sua última coluna dominical, o ombudsman da vez anotou uma boa série de desvios naquele tal equilíbrio jornalístico que a Folha tanto gosta de alardear que é um de seus paradigmas. A crítica dele não deixa dúvida quanto à opção político-partidária do jornal pela candidatura de José Serra à Presidência.

Na edição de hoje, o massacre opinativo naquele jornal tem ideologia e partido político. Todo mundo acusa Lula de estar fazendo campanha para Dilma Rousseff e, como contraponto, o jornal publica carta de leitor crítica ao veículo, só que sobre outro assunto, deixando ao leitorado só as acusações tucanas ao presidente e à ministra.

Todo o caderno de política de hoje foi voltado a vender a tese de que Lula e Dilma fazem campanha prematura, desdenhando da acusação do presidente de que Serra, como governador de São Paulo e diferentemente das autoridades federais, não tem por que participar de atos políticos em outros Estados e nem por que fazer publicidade oficial neles.

No resto da seção política, é Dilma que “ataca” a oposição enquanto faz campanha “prematura”. O caderno de política vende a acusação tucana em manchetes, mas, sobre a campanha que Serra faz tanto quanto Dilma – e ela faz, claro, como ele –, só se vê umas duas frases perdidas num caderno inteiro.

O atual ombudsman da Folha tem muito a dizer sobre partidarismo jornalístico, mas só se ele quiser e/ou se puder. Seu antecessor, Mário Magalhães, jogou o chapéu quando o jornal acabou com sua coluna diária na internet logo depois de o ex-ombudsman dizer que seu cargo era “Como peito de homem, que não serve para nada”.

 Você, leitor, ficará confuso e se perguntará: “Será que eles acham que só com essa suposta ‘campanha prematura’ irão conseguir o que não conseguiram com todos os ataques ‘jornalísticos’ dos últimos seis anos?”. Engano seu, meu caro: não é isso o que a Folha e o resto da mídia querem.

A questão é o julgamento da ação que a oposição protocolou na Justiça Eleitoral para impedir Dilma de participar de eventos referentes à própria pasta, nos quais ela e o presidente fazem tantos discursos políticos quanto Serra.

Há que notar, porém, que os eventos de que Serra participa guardam uma fundamental diferença com aqueles dos quais participam o presidente e a ministra: o governador paulista não tem razão de Estado para participar deles.

Mas o ideal, sejamos honestos, seria que os dois lados se abstivessem de atividades políticas, já que a legislação não permite. Serra deveria ficar no Estado dele e Lula e Dilma deveriam parar de fazer discursos políticos nos eventos dos quais têm todo direito de participar.

Contudo, OS DOIS LADOS estão abusando do controle que exercem sobre o Estado, o que provavelmente fará a Justiça Eleitoral rejeitar tanto a reclamação do PSDB e do PFL contra Lula e Dilma quanto a que o PT fez contra Serra e que a mídia escondeu nos cantos de página enquanto levava a reclamação tucana às manchetes.

É isso que a mídia não entende. As pessoas estão aprendendo a ver esses detalhes, a raciocinar. A mídia acha, porém, que todos são burros. Ontem à noite, enquanto o Jornal Nacional vendia a acusação de Serra a Lula e a Dilma, nos intervalos uma propaganda do governo paulista, em tom apoteótico, falando de obras etc.

A mídia pensa que todo mundo é retardado. Ninguém nota. Daí vem a pesquisa sobre a popularidade de Lula e ela não entende por que o povo não lhe deu bola. Ficam todos indignados com "esse povo burro” que teima em não comprar o que vendem.

Agora, pessoal, é só esperar o próximo domingo para ver se o caro Carlos Eduardo Lins da Silva irá se comportar como “peito de homem” ou se terá peito, como homem, ao defender o público das manipulações de seu jornal. E não valerá a desculpa de não querer ser pautado, Carlos Eduardo. Trata-se de mero cumprimento do seu dever.

 

 

Ombudsman da Folha - coluna de 15 / 02 / 2009

 

 

CARLOS EDUARDO LINS DA SILVA
ombudsman@uol.com.br



A Folha e os problemas de São Paulo


O jornal deixa muito a desejar em relação ao que se espera do maior diário paulista na cobertura de temas como exame de professores e merenda


A CIDADE e o Estado de São Paulo, onde este jornal tem a maioria absoluta de seus assinantes e leitores, começam 2009 com problemas sérios.

A maneira com que a Folha os vem tratando deixa muito a desejar em relação ao que se pode esperar do maior diário paulista.

Um deles é o exame a que foram submetidos professores temporários da rede estadual de ensino público, no qual número expressivo tirou nota zero e metade não chegou a cinco.

Como na greve da categoria em 2008, o jornal trata do caso superficialmente. Reproduz declarações das autoridades e, em contraponto, ouve mecanicamente o sindicato dos trabalhadores.

O "outro lado" não é o sindicato, mas os professores, cujas histórias não chegam ao público. O jornal não vai fundo nem nas causas de haver tantos professores provisórios no sistema nem nas razões por que muitos se deram mal na prova.

As condições em que o teste foi concebido, formulado e aplicado (há indícios de que estiveram longe do ideal) não foram detalhadas.

O noticiário e opiniões do jornal acabaram passando a ideia de que a "culpa" do mau desempenho é apenas dos professores, mostrados como em geral despreparados. É claro que a explicação é muito mais complexa.

Outra situação é a da merenda escolar no município de São Paulo. Embora em 2007 a Folha tenha levantado o tema que agora está sendo retomado pelo Ministério Público, seu acompanhamento neste ano tem sido pouco arrojado.

O jornal precisa ser mais ativo. Em vez de quase se limitar ao pingue-pongue entre prefeitura e seus acusadores deve tomar a iniciativa de, por exemplo, verificar autonomamente a qualidade da merenda, pesquisar se pais, professores e alunos estão satisfeitos com ela em comparação com a que tinham antes.

O tema merece mais espaço, destaque e investimento do que tem recebido. Houve dia em que o noticiário sobre ele teve o mesmo tamanho de uma foto que mostrava as calças de um calouro estragadas em trote universitário.

Os paulistas, principalmente os paulistanos, estão sofrendo bastante com enchentes. Mas o jornal tem cuidado delas de forma acanhada. Relata os alagamentos que ocorrem, publica fotos de carros boiando nas ruas, conta os quilômetros de congestionamento. É muito pouco

No dia 10, por exemplo, reportagem registrou que a prefeitura "espera o pior fevereiro desde 2004" e fará novo estudo de riscos só depois do período de chuvas.

A placidez com que acata tal declaração só se compara com a aceitação passiva do argumento de que a prefeitura tapa os buracos "sempre que é informada". Ambas são constrangedoras.
Nada de jornalismo preventivo. Nada de acompanhamento sistemático das providências que as autoridades dizem tomar.

Finalmente, a erupção de violência na favela de Paraisópolis, cujo acompanhamento anódino por este jornal já comentei, não o motiva a se aprofundar no exame desta e de outras comunidades em que a expressão "barril de pólvora" se aplica bem, apesar do lugar-comum. Até acontecer a próxima explosão.


Cobertura enviesada é um desserviço a leitor e jornal

 

A cobertura que a Folha fez do encontro de prefeitos em Brasília esta semana foi um desserviço ao leitor e ao jornal.

Textos, fotos e edição tinham todas as características de um trabalho enviesado, distante da imparcialidade que deve nortear o noticiário.

Imagens da ministra Dilma Rousseff com expressão sonolenta e de membro da audiência que cochilava ressaltaram sem motivo jornalístico aceitável situação banal em qualquer reunião desse tipo com o aparente objetivo de desqualificar o evento por razão irrelevante.

Reportagem disse que "pacote de bondades" anunciado pelo presidente Lula frustrou "parte da plateia", seguramente verdade, mas não mencionou se satisfez alguma outra "parte", o que provavelmente também deve ter ocorrido.

Cheios de expressões impróprias em texto informativo, os relatos denotavam inegável predisposição contrária ao discurso do presidente.

Mais grave foi dar inusitado destaque por dois dias seguidos a um lapso corriqueiro de Lula sobre o número de analfabetos em São Paulo como se ele pudesse criar uma crise política, o que nem o possível alvo do suposto ataque, o governador Serra, achou certo valorizar.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 10h51
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Novo link no blog

Divertidíssimo Hari Prado

 

 

  

Alimentação básica, porém de alta qualidade e  valor nutritivo,

que as crianças têm direito graças à terceirização da merenda

escolar em São Paulo.

  

 

Por sugestão do leitor Rodrigo, estudante de Cascavel (PR), visitei um blog político divertidíssimo, do auto-proclamado “professor Hariovaldo Almeida Prado”, que trata com humor, inteligência e ótimo português os assuntos mais quentes da política, o que pode ser verificado numa simples passada de olhos pelo blog.

Mas, cuidado: a ironia do blogueiro é fina, sofisticada e inteligente. Alguns menos sagazes podem levar a sério suas brincadeiras e se expor ao ridículo.

Desfrutem, abaixo, do último post do blog no momento em que inseri seu link na lista de páginas da Web recomendadas pelo Cidadania, que vem enriquecer o que temos aqui nessas indicações em termos de ótimas leituras para todos.

Divirtam-se com Hari Prado e sua ironia cortante e absolutamente hilariante.

 

 

*

 

Sucesso da terceirização da merenda em São Paulo é prato cheio para os ataques caluniosos dos petistas 

  

O cidadão de bem não tem descanso neste País. Pois a malta comunista monitora os passos tanto dos gestores modernos quanto dos inovadores empresários e produtores de riquezas da Nação.

Não bastasse o gerente paulistano Gilberto Kassab estar às voltas com as enchentes e inundações causadas até os dias atuais pela desastrosa administração marxista de  D. Marta do PT, os bolcheviques agora atacam noutra frente: a merenda escolar ( distribuída às esfaimadas crianças da patuléia ignara ), um verdadeiro banquete nutricional, mais do que adequado às classes sociais que sobrevivem à custa da Bolsa-Família do governo Lula - mas bancado pelos extorsivos impostos deste Estado bolchevique ateu - está sendo vilipendiada pela tropa de choque lulista aboletada nas redações da mídia venal.

Analisando atentamente as maquinações, podemos inferir que os ataques à terceirização da distribuição do delicioso antepasto escolar tem por objetivos:

- trata-se de um ignominioso ataque à iniciativa privada e à livre empresa, que tão bem cumpre qualquer função melhor que o estado;

- trata-se de uma manobra claramente político-eleitoreira: para quem é destinado - ou seja, aos milhões de filhos da gentalha morta-de-fome - é um menu verdadeiramente requintado; mas a ´KGB lulista´ trata de insuflar as massas contra o ínclito Kassab ( fazendo com que as hordas pensem possuir o direito de consumir caviar e lagosta ), com o propósito maquiavélico e não-declarado de atingir o vencedor governo de Serra; esta sabotagem tem por objetivo abrir caminho para a vitória eleitoral da guerrilheira terrorista revolucionária Dilma, candidata do satânico sr. Luís Inácio;

- insufla-se as massas afim de criar a anarquia e o caos; com isso, fica mais fácil para o satânico governo ateu do PT alegar que a situação foge ao controle, e que um governo Central forte e impiedoso será necessário; continua-se, assim, a implantar, silenciosamente, as diretrizes do Plano Condor Vermelho;

Em resumo: a Prefeitura de São Paulo dá mais do que é obrigada pelas leis draconianas e comunistas, mas a classe proletária nunca está satisfeita, mostrando que, além do mais, o pecado capital da Gula é mais um de seus horrendos hábitos de vida.

Oremos a São Serapião, para que Kassab siga liderando a oposição paulistana ao malévolo governo ditador e ateu do Sr. Lula e, assim, com a parceria estratégica firmada com o governo estadual, uniremos todos os homens bons da Nação em torno da candidatura salvadora e providencial de José Serra.

Alvíssaras, e bon appetit!



 Escrito por Eduardo Guimarães às 22h02
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Serviço de utilidade pública

Valentões da Net

 

Blogueiros viram saco de pancada

 

Por Juliana Carpanez, no Observatório da Imprensa

 

Reproduzido do portal G1 - 12/2/2009 -

 

O dono do terceiro blog mais lido do mundo cansou. Depois de três anos escrevendo sobre novas empresas e serviços de tecnologia, uma ameaça de morte e uma cuspida na cara, Michael Arrington, co-fundador do TechCrunch, decidiu dar um tempo do site.

"Escrevemos sobre tecnologia e empreendedorismo. São coisas importantes, mas não tão importantes para nos fazerem temer pela nossa segurança e a de nossas famílias", afirmou o blogueiro em nome de todos os contribuintes da página. Apesar de seu afastamento, o TechCrunch continuará sendo atualizado.

O fato de alguém desistir da blogosfera depois de chegar ao topo do Technorati, um site com a lista dos blogs mais acessados, indica que a pressão para quem está lá em cima não é pouca. E, como mostra o desabafo de Arrington, ela vem principalmente dos leitores: pessoas que muitas vezes não economizam na agressividade e apelam até para ameaças quando discordam do blogueiro -- esteja ele envolvido com temas polêmicos ou com amenidades.

Arrington afirmou ter se tornado alvo de empresas iniciantes que não recebem a atenção desejada, além de jornalistas e blogueiros concorrentes que acusam o TechCrunch "das coisas mais ridículas". "Responder a essas acusações não vale nosso tempo: sempre achei que nosso trabalho e integridade iriam dar a resposta para tudo isso. Mas conforme crescemos e conquistamos mais sucesso, os ataques também cresceram", contou.

No início de fevereiro, o autor de novelas Aguinaldo Silva fez um desabafo nesse mesmo tom em seu blog. "Dou aqui o meu melhor. Procuro não apenas agradar a quem me lê, mas dar informações, provocar debates, fazer pensar (...). E o meu modo de pensar, limpo e cristalino, está exposto aqui. Em troca dessa exposição, dessa sinceridade toda, o que recebo? Chutes na bunda. Agressões as mais deslavadas, e o que é pior: de pessoas que nem sequer existem! Pois em geral, todos os que entram aqui com propósitos deletérios tratam antes de resguardar com o maior cuidado suas identidades: são todas falsas."

No post, o coautor de Roque Santeiro, Vale Tudo e autor de Duas Caras afirma ter questionado se valia a pena manter a página, recebendo resposta negativa de seus amigos. Depois, ele concluiu: "Vou desistir do blog? Pra deixar esse bando de zé ruelas feliz da vida? Mas nem morto!"

Ciberbullying

Erick Itakura, pesquisador do Núcleo de Pesquisa da Psicologia em Informática da Pontifícia Universidade Católica (PUC), classifica a agressão na blogosfera como um tipo de ciberbullying – o termo define um comportamento agressivo e repetitivo adotado contra alguém no universo virtual, mesmo sem motivação aparente.

"O blogueiro exerce o direito dele de liberdade de expressão. Mas muitos leitores se incomodam e acabam querendo impor outras verdades", afirmou o especialista, lembrando que a sensação de anonimato existente na internet facilita esse tipo de ação.

Segundo Itakura, as reações extremas na blogosfera acontecem quando alguém tem dificuldades em lidar com os sentimentos provocados pelo conteúdo postado - seja ele raiva, frustração, inveja ou admiração. "A agressão mostra que, de alguma forma, as informações tocaram a pessoa e ela não soube lidar com isso. Às vezes é mais fácil o leitor enxergar um defeito no blogueiro, que se expõe, do que nele mesmo."

Ameaça

Rosana Hermann, 51, passou por uma situação parecida com a relatada pelo co-fundador do TechCrunch. Hoje dona do Querido Leitor, ela já chegou a fechar um blog e sair do país com a família, depois de receber uma ameaça no estilo "sei onde seus filhos estudam".

Em outra ocasião, pagou um advogado até conseguir quebrar na Justiça o sigilo de um leitor definido por ela como "o clássico covarde na vida real, que se torna o bam-bam-bam atrevido sob o manto do anonimato".

No segundo caso, após quebra de sigilo, ela acabou conversando com esse leitor pelo telefone – ao identificar seu perfil, Rosana acabou desistindo do processo. O homem tinha 42 anos, era um administrador de empresas desempregado, morava com os pais, era separado e justificou os meses de perseguição à blogueira dizendo que queria ser como ela.

Depois de quase dez anos na blogosfera, Rosana diz que sua reação à agressão dos leitores depende de seu estado de espírito. "Quando vejo que a pessoa realmente só quer atenção, ignoro. Quando acho que existe alguma chance de trazê-la para a `luz´, comento no blog. Mas aí os outros leitores reclamam, dizendo que só dou atenção para quem me ofende", contou em entrevista ao G1.

Se o comentário feito pelo internauta for mais "pesado, patológico ou perigoso", ela o repassa a seu advogado, para que ele tome medidas legais.

O advogado Marcel Leonardi, especialista em direito digital, não vê problemas quando as críticas feitas em um blog são dirigidas ao conteúdo postado, e não à pessoa – nestes casos, ele diz que o debate é válido e está dentro dos limites da liberdade de manifestação de pensamento. No entanto, quando o leitor passa a ofender o blogueiro pessoalmente e vice-versa, pode-se cogitar os crimes de calúnia, injúria ou difamação.

Se isso acontecer e o blogueiro quiser entrar com uma ação judicial, Leonardi aconselha a não apagar o comentário. A informação preservada permite descobrir, com auxílio da Justiça, o endereço IP de quem publicou o texto. Assim, é possível identificar o responsável pela ofensa e tomar as medidas cabíveis.

Opinião

O jornalista Vitor Birner, 40, diz ser diariamente agredido nos comentários postados no Blog do Birner, uma página para fãs de futebol. "Há várias formar de agressão. O leitor mente a meu respeito, diz que falei o que não falei, fiz o que não fiz, penso o que não penso. E eu aprovo os comentários na gigantesca maiorias das vezes, por achar que as pessoas devem mostrar quem são", contou ao G1. Segundo ele, também há muitas colocações interessantes, de pessoas inteligentes em sua página. "O blog é um local de informação e opinião. Ter de tudo faz parte."

No mesmo endereço virtual desde 2007, Birner geralmente releva as agressões. No entanto, confessa que vez ou outra tem "seus dias" e responde às provocações deixadas na página. "Quando dizem que manipulo as informações, recomendo que não voltem ao meu blog. Se não acreditam no que escrevo, não devem perder seu tempo precioso de vida comigo."

A estratégia de Renê Fraga, 25 anos, é tentar entender os leitores do Google Discovery – mesmo aqueles mais agressivos. Ele diz sempre tentar oferecer um espaço para que o usuário da página expresse suas idéias.

"O trabalho do blogueiro é público e estamos envolvidos com diferentes tipos de pessoas. Por isso, é sempre importante manter uma conversação entre todos os envolvidos na blogosfera, respeitando suas opiniões", defende.

Sem comentários

Já o [blog] "Te Dou Um Dado?", com informações sobre o universo das celebridades, adota a direção oposta. A página criada por três blogueiros em abril de 2007 era aberta para comentários, mas com o tempo eles foram fechados. "Como a voz do povo definitivamente não é a voz de Deus, acabamos com essa história", contou Ana Paula Barbi, a Polly, uma das criadoras do site.

A falta de espaço para comentários não impede, no entanto, que pessoas dispostas a agredir mandem e-mails para os blogueiros, muitas vezes com endereços falsos. "Quando ficaram sabendo que sofri uma parada respiratória, choveram mensagens. Mas o número de e-mails desejando melhoras foi infinitamente maior do que os xingando e celebrando minha quase-morte."

Polly garante nunca se ofender com esse tipo de agressão, alegando que as pessoas não sabem xingar direito. "Elas não são criativas. É sempre aquela história de ‘você é gorda’. Poxa, jura? Valeu o toque, nunca tinha reparado", ironizou a blogueira. "Grande parte desse recalque vem de uma vontade enorme de ser igual a nós. A pessoa queria muito ter um blog legal, mas não consegue e então apela para a agressão", continuou, ecoando a explicação do psicólogo Erick Itakura.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 13h46
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Carta aos jornais

Merenda, um crime

da imprensa

 Atualizado às 13h01m de 18 de fevereiro de 2009 

 

 

Como deveria ser - e não é – a merenda em São Paulo

Merendeiras de escola pública em Moema, bairro nobre paulistano

 

 

Prezados editores da Folha de São Paulo e do Estado de São Paulo,

[ao menos]

finalmente, depois de semanas sem publicar nenhuma notinha escondida nas páginas internas sobre o escândalo da merenda de Kassab, a Folha volta ao assunto, mas para criticar uma entidade particular por não fiscalizar a merenda que o governo Kassab oferece às crianças da rede pública e, de quebra, jogar nas costas do governo Lula uma responsabilidade que é exclusiva do município paulistano.


A reportagem "Órgão que fiscaliza a merenda só checou 3 escolas em 2008" é uma das maiores vergonhas jornalísticas que já vi. E a minúscula nota do mesmo dia "Base de apoio ao prefeito enterra CPI da merenda", é de um cinismo atroz. Se fosse Marta Suplicy a prefeita, a Folha estaria pressionando todos os dias em manchetes espalhafatosas, como fez com a CPI DO LIXO na gestão petista, até que saiu.


Partidarismo e jornalismo definitivamente não combinam, mas hoje temos ao menos uma tevê Record e os blogs denunciando a "competência" de José Serra e seu teleguiado "Geraldo Kassab", que, de quebra, ainda deixam as pessoas verem como a Folha e o Estadão, jornais que deveriam estar na vanguarda das denúncias dessa imundice tucano-pefelenta, não passam de panfletos a serviço de Serra.


Despeço-me com uma pergunta: onde estão os editoriais, artigos, cartas de leitores escandalizados e indignados da época de Marta Suplicy? Onde estão os Clóvis Rossis e Elianes Cantanhêdes, os Elios Gasparis e Janios de Freitas, e suas críticas irônicas? E as manchetes? Só quero saber das manchetes, sobretudo as de primeira página, tão freqüentes no tempo de Marta Suplicy.


A mídia teve que recuar no caso da promoção de pânico no âmbito da crise financeira internacional, que visava alarmar a população e o empresariado, os agentes econômicos, para agravar a crise e pôr a população contra o governo Lula e seu titular. A queda da receita da mídia com publicidade em janeiro correspondeu ao clima que ela gerou entre os agentes econômicos, importando a crise.


Será que dinheiro é a única palavra que o seu patrão entende, caro editor de seção de cartas de leitores?

 

Eduardo Guimarães 

*

 

Órgão que fiscaliza merenda só checou 3 escolas em 2008

Em 2007, foram feitas 92 vistorias e achados até alimentos em decomposição
Membros do conselho que faz visita às escolas dizem que redução ocorre por falta de estrutura e de disponibilidade de tempo
 

ALENCAR IZIDORO

DA REPORTAGEM LOCAL - Folha de São Paulo

O principal órgão independente responsável por fiscalizar a qualidade da merenda escolar na cidade de São Paulo reduziu drasticamente seus trabalhos e realizou somente três vistorias nas escolas municipais no ano passado inteiro.

Em 2007, os integrantes do CAE (Conselho de Alimentação Escolar) fizeram 92 visitas -a rede municipal tem 2.300 unidades- e descobriram uma série de problemas na comida dos estudantes, que se tornou alvo de uma investigação do Ministério Público Estadual.

Por exemplo: alimentos em decomposição, salsicha cortada em três para render mais e prêmio para cozinheiras terceirizadas que economizassem nas porções fornecidas aos alunos.

O CAE é formado por representantes de pais, de professores e funcionários públicos. Tem a tarefa legal de acompanhar a merenda "visando garantir alimentos de boa qualidade e padrões de higiene".

Sem seu trabalho, a merenda fica sem controle social e praticamente sem fiscalização isenta -dependendo só da atividade dos próprios servidores da prefeitura, que também são alvo da investigação e que não conseguiram identificar as deficiências apontadas em 2006 e 2007 tanto pelo CAE como por um relatório da Fipe-USP.

O esvaziamento do trabalho do conselho -que, neste ano, não fez ainda nenhuma vistoria- é atribuído por seus membros à falta de infraestrutura.

Os conselheiros titulares se limitam a sete e são voluntários -não recebem remuneração.
Os que fazem parte do poder público dizem não ter dispensa do serviço para participar das vistorias. Assim, na prática, a atividade do órgão tem sido restrita a uma reunião mensal na qual são discutidos principalmente problemas burocráticos, além da aprovação do uso das verbas pela prefeitura.

A precariedade do CAE também é física. Até hoje ele não tem telefone -nem para receber denúncias. Também não tem sala fixa de reuniões.

As deficiências são reconhecidas pelo órgão, que apresentou ontem um balanço de suas atividades num encontro presenciado pela Folha.

Num relatório, eles citam que a quantidade de vistorias feitas em 2006 e 2007 só foi possível devido à disponibilidade de tempo de alguns membros. Sobre 2008, relatam que a atividade de "auditorias" do CAE nas escolas "falece".

"Antes eu trabalhava por conta própria. Agora sou empregado, não tenho tempo livre", diz José Pereira da Conceição Jr., presidente do órgão e representante dos pais.

"Se continuar assim, ficará só no faz-de-conta. Um faz de conta que fiscaliza e outro faz de conta que é fiscalizado", diz José Ghiotto Neto, braço dos professores no CAE.

Ele atribui responsabilidades tanto ao governo federal (por definir normas frágeis de funcionamento do conselho) como à prefeitura (por não disponibilizar estrutura). Os atuais conselheiros terminarão seu mandato no mês que vem, quando parte será trocada.

A inatividade recente das vistorias do CAE virou até um trunfo para as empresas terceirizadas que fornecem a merenda e que são investigadas. Elas alegam que os problemas revelados recentemente pela Promotoria são antigos -até 2007. Nas três vistorias do conselho em 2008, as falhas verificadas foram na prestação de contas de entidades conveniadas.

 

* 

Base de apoio ao prefeito enterra CPI da Merenda

DA REPORTAGEM LOCAL – Folha de São Paulo

A base do prefeito Gilberto Kassab (DEM) na Câmara enterrou ontem a CPI da Merenda, proposta pela oposição para investigar eventuais fraudes na contratação das seis empresas que prestam serviço na rede municipal de ensino.

Para evitar a interrupção dos trabalhos na Casa, já que o regimento interno exige duas CPIs em andamento, os governistas aprovaram uma comissão para apurar o despejo de esgoto no córrego Jurubatuba e outra para regular a cobrança do IPTU de grandes empreendimentos.

Essa última CPI foi motivada por reportagem da Folha publicada no último dia 6 que mostra que o shopping Bourbon não paga IPTU pelo prédio de 185 mil metros quadrados.

Segundo o líder do PT na Câmara, vereador João Antonio, os apoiadores de Kassab "abafaram" a investigação.

O líder do governo, vereador José Police Neto (PSDB), justificou a opção dos governistas pelas duas outras comissões. "No ano passado, uma subcomissão da Comissão de Finanças apurou o caso das merendas e não há fato novo."

*

CASA DOS ARTISTAS

Mônica Bergamo - Folha de São Paulo

O marido de Ana Maria Braga é o mais novo colaborador da administração de Gilberto Kassab (DEM-SP). Candidato derrotado à Câmara Municipal, Marcelo Frisoni vai assumir um cargo de "coordenação" na Secretaria de Modernização, Gestão e Desburocratização. O convite, diz ele, foi feito pelo secretário Rodrigo Garcia.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 11h44
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Análise política

Para Serra ser presidente  

 

 

 

Tenho uma boa e uma má notícia para o governador José Serra. A boa é que tem gente muito poderosa desesperada para que 2010 chegue logo e o governador paulista vença logo a eleição presidencial. A má, porém, é que quem deseja tanto que isso aconteça não é o povo, é só um punhado de gente que não lota um ginásio de esportes.

Vale notar: os ideólogos da eleição de Serra são alguns partidos de oposição, algumas associações de mega empresários e alguns mega meios de comunicação.

Claro que esses entusiastas da candidatura conservadora à Presidência têm muito poder de influência, mas essa influência já se demonstrou insuficiente para recolocar um conservador de novo na cadeira presidencial.  E por duas vezes.

Aliás, pensando melhor, foram muitas vezes que Lula derrotou a direita desde 2002. Cada uma das campanhas de desmoralização na mídia que o presidente sofreu e que precederam pesquisas sobre sua popularidade foram pequenos processos eleitorais que ele venceu

Aconteceu assim: depois de cada rodada de ataques, uma pesquisa, e em cada pesquisa, uma derrota da oposição.

Assim como nada está ganho para Serra, assim como as pesquisas que mostram o tucano na frente na corrida presidencial não significam nada, pois Lula esteve na frente antes das eleições de 1994 e de 1998 e nas retas finais daqueles anos foi derrotado, nem tudo está perdido.

Serra pode, sim, tornar-se presidente daqui a dois anos. Há uma fórmula única e infalível para ele lograr tal feito. E como hoje acordei generoso, vou oferecê-la de bandeja aos tucanos que freqüentam o Cidadania.

Serra só precisa convencer o povo de que pode fazer mais por ele do que Lula fez e do que fará o candidato que o presidente ungir. Mas deixem-me lhes dar uma explicação: quando uso o verbo “convencer”, na verdade quero dizer provar. E sem tentar enganar.

Destaco meu ponto de vista de forma ainda mais explícita: mentir não deverá adiantar, nem com todas as tevês e jornais do mundo. O povo quererá provas. Não se contentará com promessas, sobretudo de políticos como os tucanos que já governaram o país com os resultados catastróficos conhecidos da maioria.

Não assino incondicionalmente embaixo da teoria de que o povão se tornou totalmente esclarecido, mas ninguém pode negar que parece não estar se deixando enganar no macro da política, ainda que no micro vejamos populações sendo enganadas o tempo todo.

O que pode estar acontecendo, para azar do tucano, é que as pessoas podem até estar brincando em eleições municipais ou estaduais, deixando-se levar por idiossincrasias quanto à simpatia ou antipatia que sentem pelos candidatos, por preconceitos etc., mas, quando se trata do governo do país, depois de tudo que o Brasil já passou todos devem estar refletindo muito mais sobre o voto.

Para convencer os brasileiros, portanto, Serra terá que tentar vender meras promessas contra obras e programas concretos e que estão agradando, o que certamente levará o tucano a persistir no erro que vem cometendo de tentar se apropriar desses ativos políticos. Aquela história de que tudo que dá certo é obra de FHC, que nunca funcionou.

O tucano terá ainda, contra si, o estigma de ter integrado o governo FHC. E, apesar de nenhum conservador aceitar o que direi, atualmente o ex-presidente está completamente desmoralizado entre a grande maioria dos brasileiros. Há fartura de pesquisas de opinião que mostram isso.

Em 2010, mais uma vez o PSDB e o PFL serão colocados diante do dilema de se mostrarem diferentes de FHC ou de tentarem reabilitar a imagem pública do ex-presidente. E isso num contexto de seis anos durante os quais nem os partidos nem sua mídia aceitaram reconhecer que FHC governou mal, o que deixa a eles só a opção da reabilitação, opção que tampouco jamais funcionou.

A cada defesa que fazem do ex-presidente, Serra e a mídia como que prometem que, se voltarem ao poder, repetirão o que ele fez, por mais que digam que a conjuntura hoje é diferente etc. e tal. Essas pessoas simplesmente não querem aceitar o fato de que o povo não gosta de FHC e não quer votar em ninguém ligado a ele.

A confiança da direita no poder da mídia é maior do que a sensatez permitiria. E a mídia estimula essa confiança, obviamente porque o que ela vende à direita é confiança no poder que afirma ter. Ou seja: o PSDB e o PFL têm sido vítimas de propaganda enganosa.

Não será muito difícil Serra se tornar presidente, mas só se ele tiver alguma razão para ser eleito que seja do interesse da maioria. Dizer à população, simplesmente, que tudo de bom que aconteceu no governo Lula é mérito de FHC e tudo o que aconteceu de ruim é demérito de Lula, não colará amanhã tanto quanto não cola hoje e tanto quanto não colou ontem.

Para ser presidente, Serra terá que provar que seu caminho não é o mesmo de Lula, que é um caminho alternativo e que é melhor. Todavia, continuo achando que o cidadão pró-Serra que está lendo isto não se convence quando falo que o candidato tucano terá que provar o que dirá.

A boa notícia final para Serra, enfim, é a de que, se ele conseguisse provar tudo o que enumerei, até eu votaria nele. Já a má notícia, é a de que é quase certo que ele não terá como dar prova alguma, restando-lhe apenas a tática manjada e fracassada do ilusionismo.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 18h48
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Crônica política

Direito ao “Febeapá”

 

 

 Sérgio Porto

 

Como nunca exerci o direito que assiste a todo ser humano de citar o bom e velho “Febeapá” , do bom e morto Sérgio Porto, ao menos uma vez na vida, exerço agora. E prometendo não usar de novo para não inflacionar ainda mais seu tão exacerbado uso.

Vejam só que besteira: a mídia não consegue nem explicar a política brasileira (a cada pesquisa sobre a popularidade de Lula, toma susto) e fica querendo explicar a da Venezuela.

Nessa tentativa vã, os grandes meios de comunicação – que, sobre Chávez, pensam todos da mesma forma - assolam o país com um legítimo Festival de Besteiras.

O Jornal da Globo, por exemplo, como todos os seus congêneres na imprensa televisionada ou escrita, tenta transformar em derrota a recente vitória eleitoral de Chávez dizendo que ele nunca teve tantos eleitores contra si.

Que besteira! Além de o resultado de domingo ter sido igual ao do ano em que Chávez se elegeu pela primeira vez, ele perdeu uma votação com maior abstenção em 2007 e agora ganhou outra com menor abstenção e a Globo tenta fazer crer que ele está perdendo apoio.

Na Folha de São Paulo, tentam fazer crer que Chávez ganhava eleições porque o preço do petróleo era alto, mas agora que está baixo ele finalmente perderia apoio. E só não teria perdido ainda porque fez uma “poupança” quando o preço era alto e agora a estaria usando para “subornar” o eleitorado.

É uma besteira imensa. Chávez está no poder há uma década. Até 2005, o petróleo estava na casa dos US$ 50, e no começo desta década (2000/2001) estava na casa dos US$ 20. Assim mesmo, em 15 eleições em 10 anos na Venezuela, Chávez só perdeu uma.

Os programas sociais? “Assistencialismo, esmolas, populismo...”. Falta combinar com o povo. E não só da Venezuela, mas da Argentina, da Bolívia, do Brasil, do Chile, do Equador, do Paraguai, dos EUA etc...



 Escrito por Eduardo Guimarães às 10h52
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Análise política internacional

Acham ruim com Chávez? 

 Atualizado às 17h47m de 16 de fevereiro de 2009

 

 

 

Serei franco com vocês: tenho mais medo de andar pelas ruas de Caracas, sobretudo à noite, do que pelas de São Paulo ou do Rio. Isso porque não estou falando dos “Barrios” (periferia), como falam na Venezuela, mas do centro da capital daquele país.

Comecei o texto com o período acima porque é nele que se encontra a explicação para o que aconteceu ontem na terra de Hugo Rafael Chávez Frías.

Mesmo quem já esteve na Venezuela várias vezes talvez não tenha percebido, mas a miséria que se aglutinava contra a riqueza por lá até que Chávez chegasse ao poder, devia ser imensa. Muito maior do que hoje, me parece.

As tensões sociais ali são muito maiores porque o país é bem menor do que o nosso e as assimetrias ficam muito mais evidentes, ainda que uma Caracas, por exemplo, reproduza o que se vê no Rio de Janeiro em termos da geografia da exclusão.

Nos morros no entorno de Caracas, constelações de barracos dependurados nas encostas íngremes de uma forma como se estivessem equilibrados no tronco de uma árvore centenária e altíssima, que se projetaria aos céus por dezenas e dezenas de metros.

Quando se está na parte urbanizada e central de Caracas, não se tem a verdadeira dimensão do abraço que aquela região recebe de uma cordilheira que lhe desenha uma letra C ao redor.

Para ter uma idéia dessa e de outras coisas, o sujeito tem que ir a Caracas e fazer o que fiz duas vezes: subir aos morros e conversar com o povo, entrar em suas casas, perguntar como está sua vida. E é perigoso...

A cidade baixa é reduto da elite e da classe média-média que trabalha para essa elite. Hoje, depois de uma década de chavismo, aos poucos os empresários foram expurgando os chavistas de suas empresas, empurrando-os para o colo de Chávez.

Nos morros ao redor de Caracas estão os camelôs, os motoristas de taxi e até trabalhadores de empresas, porque seus trabalhos não são para os “esquálidos” (como Chávez chama seus opositores da elite, mas no sentido de abjetos, não de depauperados, forma como se usa mais o adjetivo por aqui no Brasil) e os empregadores não têm opção além da de aceitarem chavistas mesmo.

Mas a maioria dos habitantes dos “Barrios” é composta pelos que “se viram”, ou seja, pelos que, sem Estado, estariam fritos ou roubando, opção na qual boa parte da população acaba recaindo, até como efeito colateral do clima de ódio que se estabeleceu na Venezuela. Eles têm raiva dos “esquálidos”. E são maioria.

Contei aqui no blog em 2007 que eu mesmo cheguei a ser vítima do ódio entre ricos e pobres. Foi numa lanchonete em que jovens se reuniam perto do hotel em que estava hospedado, no centro de Caracas.

Garotas com camisetas chavistas foram insultadas por umas patricinhas. Para encurtar, os namorados delas acabaram se atracando. E eu, entrei de gaiato. Pelo seguinte: fui tentar pedir calma aos dois lados e acabei sendo golpeado no estômago. Daí, fui engatinhando para longe da confusão. Mais tarde, passando pelo local, os garçons me contaram que aquilo acontecia quase toda semana.

Isso foi em 2007. De lá para cá, em minha opinião, piorou.

O problema, ali, é o seguinte: se não tiver um Chávez vão ter que inventar um, porque o povo está de cabeça quente. Chávez fala grosso porque o povão, aquela imensidão de gente, quer que ele fale grosso.

Tá, Chávez fala grosso, é encrenqueiro, mas ele deu assistência mínima àquela gente. E tem mais: garanto a vocês que os resultados do que ele fala, para aqueles de quem fala, são melhores por ser Chávez quem está falando do que se fosse o pessoal do morro, pois estaria “falando” com “chumbo do bom” em vez de “gás do bom”.

 

 

As coisas mudam

 

 

 

 



 Escrito por Eduardo Guimarães às 16h11
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Pró-memória

Como manter seu discurso

 

 

Se vocês se derem ao trabalho de pesquisar arquivos de grandes jornais ou blogs corporativos, poderão verificar quão poucos são os colunistas e articulistas, sobretudo de política e de economia, que podem manter seus discursos sobre a maior parte do que dizem.

Não quero ser chato, mas acho que tenho dever para comigo de pedir a vocês que se lembrem do que eu pedi aqui muitas vezes que não se esquecessem, ou seja, do que já comecei a dizer sobre a crise econômica a partir de 23 de setembro do ano passado.

Este post fará um apanhado do que escrevi sobre a crise antes de qualquer outro e quando ninguém me levou a sério. Pode parecer pedantismo, mas de que adianta a gente olhar, opinar e acertar se as pessoas não tiverem como saber quem errou e quem acertou?

Errar todo mundo erra e não é crime nem desabona, quando a opinião é honesta, mas acertar em determinadas questões é difícil e tenho que mostrar a vocês para que vejam como eu não digo as coisas por dizer.

Sugiro que vejam as datas dos posts antigos dos quais reproduzirei trechos e verifiquem o que a mídia golpista – e até gente bem intencionada, mas que ficou assustada – dizia sobre a crise econômica internacional.

A seguir, os posts mais relevantes que escrevi sobre o assunto:

23/09/2008 - Bendita Crise

Essa crise (...) pode ter vindo em boa hora (...) Dois problemas sérios da humanidade serão ao menos mais notados (...) graças ao efeito dominó que abala a economia mundial (...).

A forma como estourou a crise econômica e o preço que o contribuinte americano irá pagar pela má gestão republicana da economia mais fácil de ser gerida do mundo – devido ao poder que tem de empurrar seus problemas para os outros –, muito provavelmente elegerá Obama.

Aqui no Brasil, poderemos ter que consumir menos, o crédito poderá escassear, mas isso num contexto em que tudo de que estávamos precisando era reduzir o ritmo da nossa economia, que já começava a invocar os fundamentos da lei da oferta e da procura, gerando inflação (...)

Assumi essa posição diante da crise em 23 de setembro de 2008, poucos dias depois da quebra do banco americano Lehman Brothers, que foi o que agravou a crise internacional que, até então, países como Brasil vinham ignorando, mas que já era sentida em várias partes do mundo.

Foi a partir daquele dia que passei a pedir reiteradamente a vocês que não esquecessem do que eu estava dizendo sobre a crise. Muitos disseram que eu estava louco, que a crise ia pegar o mundo todo de jeito etc. Até blogueiros sérios como um Luis Nassif compraram essa idéia.

Naquele momento, o governo ainda estava calado. Lula ainda não havia falado sobre Marolinha. Sites e blogs, jornais e telejornais, todos mergulharam de cabeça na tese catastrofista.

Eu continuei escrevendo, como vocês verão a seguir:

29/09/2008 – Fiquem frios

Comecei a escrever isto logo depois de sair do meu escritório um sujeito que odeia tanto o Lula, mas tanto, que estava urrando de felicidade porque a bolsa caiu e o dólar subiu (...) “Agora vai!”, regozijava-se o idiota. “E depois o Lula diz que não seremos afetados pela crise”, comemorou.

Na mídia, nos últimos dias, sucederam-se previsões sombrias para o mundo e especulações satisfeitas sobre quanto a crise americana poderia nos afetar. O tom de torcida pelo pior, é gritante. (...)

No momento em que escrevo, a Bovespa cai mais de 9% e o dólar encosta nos 2 reais. O “circuit breaker” da Bolsa foi acionado, ou seja, o pregão foi interrompido por meia hora. O mecanismo costuma ser acionado quando há grandes quedas, para dar tempo aos investidores para que se acalmem (...)

O Brasil está mais preparado para enfrentar a crise do que já esteve em qualquer época. (...) Hoje temos um grosso colchão de divisas para investir. Não é como no tempo de FHC, quando os recursos que tínhamos não nos pertenciam e, assim, deixavam o país em questão de horas (...)

Repito: não se apavorem. A mídia quer apenas criar um clima negativo no país visando influir no processo eleitoral (...)

Claro que o problema é sério, mas, antes de termos razões concretas para desesperar, os americanos já terão dado tiros em suas cacholas. E essa é a boa nova: enquanto eles pegam pneumonia, poderemos, no máximo, pegar uma gripe forte. (...)

Naquele momento, Lula ainda não havia falado em “marolinha”, o que foi fazer só no começo de outubro. Lembro-me de que o Luiz Carlos Azenha inclusive me ligou à época que Lula começou a dizer o que eu dizia. Meu amigo tinha ouvido o presidente falar do assunto num evento na revista Carta Capital e me perguntou se eu andava escrevendo os discursos presidenciais...

Eu continuei escrevendo:

30/09/2008 – Alarmismo eleitoreiro

Há uma crise grave na maior economia do mundo, essa crise tem potencial para se espalhar por esse mundo e disso não há dúvida. Alguns países, porém, serão mais afetados do que outros. (...)

O Brasil tem uma situação privilegiada nessa crise (...) Porém, há aqueles (...) aos quais interessa, novamente, alarmar os brasileiros (...) Eles tentam provocar o efeito da profecia que se auto-realiza.

Por exemplo: um banco está sólido, mas surge um boato de que ele vai quebrar e todos correm para sacar seu dinheiro de lá e o banco acaba quebrando mesmo. (...)

A crise internacional é gravíssima, mas não é hora de sair da bolsa, comprar ou vender dólares apressadamente. O país tem instrumentos para combater a crise e uma quantidade estupidamente grande de dólares (...)

Não vi, então, em nenhuma outra parte  alguém dizendo que a mídia estava querendo alarmar o país e ainda me diziam que eu estava subestimando a crise. Mas continuei escrevendo:

03/10/2009 – A crise é de insensatez

(...) Não posso pedir a ninguém que me dê ouvidos agora. Não sou economista nem jornalista. Sou um comerciante, um vendedor do setor de autopeças voltado para o comércio exterior. Não tenho, pois, credenciais. Mas posso pedir a vocês que não se esqueçam deste meu ponto de vista sobre o que a crise nos EUA poderá gerar a este país. (...)

A intranqüilidade interna, em parte, é composta de desconfiança dos agentes econômicos (...) Em outra parte, é produto da reiterada afirmação da mídia de que o governo estaria “dormindo” enquanto a crise prolifera aqui dentro. E, numa terceira parte, não podemos nos esquecer de um dito popular (...) que me parece extremamente adequado à situação: “Enquanto alguns choram, outros lhes vendem lenços”. Trocando em miúdos: tem gente ganhando com o pânico. (...)

Lula, então, já havia feito a metáfora sobre a “marolinha”, mas a mídia insistia na crise, pois começavam a surgir problemas que eu dizia que seriam conjunturais e que os superaríamos.

 08/10/2008 – Pânico

(...) Depois do pânico midiático, muita gente que papagaia o PIG irá se dar mal por ter tomado decisões precipitadas ao escutá-lo. E, como vários que conheço, depois irá amaldiçoar o momento em que lhe deu ouvidos. Quem ri por último, ri melhor.

Então começaram a aparecer organizações multilaterais dizendo, para minha surpresa, o que eu já vinha lhes dizendo havia umas duas semanas:

09/10/2008 – Quando o FMI fala

(...) "O Brasil tem uma economia em boa forma", afirmou o diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, em entrevista coletiva. (...). Ele prevê que a economia brasileira crescerá 5,2% neste ano e 3,5% em 2009(...)

Será que uma redução dessas no crescimento é motivo para paralisar o país? Claro que menos postos de trabalho serão criados, que a renda do trabalhador irá parar de crescer e que, portanto, o consumo não deverá continuar aumentando tanto quanto vinha aumentando. Mas não era justamente isso, reduzir a atividade econômica, que o governo queria ao aumentar os juros?

Se o que de pior puder nos suceder for crescermos menos, acho que estamos no lucro, pois a previsão para os EUA e para grande parte da Europa e até da Ásia é de que mergulharão em recessão. E nós ainda cresceremos 3,5%? Acho ótimo! (...)

Sei que ninguém está me dando bola (...) Mas, a vocês, peço que me façam justiça (...). Se eu errar e o país mergulhar no caos que o PIG está prevendo, podem me malhar (...), mas, se nada disso acontecer (...), peço que me reconheçam o mérito. (...)

As empresas contabilizarão queda de faturamento (...) porque reduziram atividades, compras e, portanto, vendas – sem comprar, ninguém vende nada. Aí dirão que a “coisa está feia”, que “a crise é brava mesmo”, mas certamente terão que se calar quando descobrirem que aqueles poucos que não pararam de trabalhar por conta do que não aconteceu, ganharam, e que só os paranóicos perderam.

Finalmente, chegamos ao vaticínio que fiz e que até me surpreendeu:

11/10/2008 – Ignore a mídia

(...) A mídia irá se desmoralizar alarmando as pessoas sobre efeitos de uma crise internacional que, apesar de ter se agravado nas últimas semanas, começou já faz um ano. (...) A imprensa (...) atrairá a ira de tantos quantos tomarem decisões empresariais precipitadas, sobretudo os comerciantes que essa mesma imprensa anda dizendo que já andam cancelando pedidos de mercadorias para vender no Natal.

Comerciante que tiver juízo não fará isso (...). Deixará de vender havendo clientes querendo comprar. (...)

O Jornal Nacional deste sábado, por exemplo, passou o tempo todo tentando dissuadir o consumidor de comprar, sobretudo carros e imóveis (...).

De uma coisa eu tenho certeza: quem vive de vendas não deve estar muito satisfeito com a mídia, e quem vive de vender e acreditou nela, ficará ainda menos satisfeito quando verificar quanto deixou de ganhar por ter lhe dado ouvidos.

Finalmente, reproduzo post de ontem de Luis Nassif sobre o mesmo assunto:

15/02/ 2009 - Acabou a brincadeira com a crise

Por Luis Nassif

A brincadeira da aliança neocon, de explorar a crise para enfraquecer o governo, esbarrou em uma dura realidade de mercado: as receitas publicitárias caíram de 30 a 40% em janeiro. E prometem repetir o desempenho em fevereiro.

Deram um tiro no próprio pé, como cansei de alertar em dezembro [ O Eduardo aqui já falava isso em setembro].

Primeiro, como a crise é global não conseguiram colar sua responsabilidade no Lula. Segundo, ao espalhar o medo da crise pelo país, aumentaram os receios dos empresários, que pisaram mais forte no freio. E os primeiros cortes são na publicidade.

Não fosse a enxurrada de verba publicitária injetada pelo governo de São Paulo no mercado, a situação teria sido pior. Agora, é um tal de buscar pontos positivos na crise que dá até medo. Ontem, o Jornal Nacional ressuscitava a velha franquia e o empreendedorismo brasileiro. Hoje, é a vez da Folha. (...).

Minhas opiniões sobre a crise sofreram, sim, o percalço do dezembro negro, no qual umas duas centenas de milhares de empregos foram perdidos (descontado o efeito sazonal). Mas não muito, pois eu dizia que se o alarmismo colasse, aí, sim, poderíamos ter problemas. No geral, acho que acertei muito mais do que errei.

O título deste post é “Como manter seu discurso”. Explico como: usando a lógica. Não havia – como não há – razões para a economia entrar em crise grave e a tentativa da mídia de exacerbá-la era óbvio que desagradaria o empresariado, pois a grande maioria não recebe as verbas publicitárias de Serra.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 12h24
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Denúncia

Um filho de chocadeira

 

 

 

 

Sou casado e tenho quatro filhos, sendo três mulheres. Tenho também uma neta. Além disso, tenho mãe, o que não parece ser o caso desse infeliz desse blog abjeto que aparece na imagem acima, desse empregadinho da mídia golpista, desse sujeitinho à-toa que acha que a escolha dessa manchete para uma matéria relativa a foto mostrando a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e a ex-prefeita Marta Suplicy, é coisa de homem. Eu não acho. Como filho, esposo, pai e avô, tenho, ao todo, seis bons motivos para não descer a esse ponto na guerra política, ao ponto a que desceu esse degenerado sem mãe.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 23h56
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Análise política internacional

A direita contra-ataca

 Atualizado às 21h53m de 15 de fevereiro de 2009

 

 

 

As manchetes em todos os grandes portais de internet brasileiros no fim da tarde do último sábado anunciavam que a mídia e o Estado suíços estavam criticando o governo Lula por ter “se apressado” na defesa da brasileira Paula Oliveira, suposta vítima de ataques neonazistas naquele país.

Lendo a matéria da BBC Brasil que os portais reproduziam, porém, e que continha detalhes dos ataques suíços, verificava-se que tais ataques foram distribuídos igualmente entre o governo e a mídia brasileiros.

O jornal  Neue Zürcher Zeitung, por exemplo, afirmou que a imprensa brasileira “Traz regularmente notícias de fatos totalmente inventados, acusações que já destruíram as vidas de outras pessoas”.

Estaria a mídia suíça se referindo à fama internacional que a imprensa brasileira vem construindo de que alardeia escândalos contra membros do governo Lula por meses e de que estes “escândalos”, depois, dão em nada? Estaria se referindo à Escola Base, por exemplo?

Mas vamos em frente. ..

A mídia brasileira também foi alvo do jornal Tages-Anzeiger na reportagem "Eles expuseram o Brasil ao ridículo". O diário reproduz comentários de leitores brasileiros publicados nos jornais nacionais após a reviravolta do caso Paula Oliveira. Leitores dando razão à Suíça ao criticarem a posição do Brasil e, portanto, a de sua mídia, que, de repente, parece ter se esquecido de que foi ela que passou a explorar o caso Paula antes de o governo dar um pio sequer.

Acusações à mídia brasileira de ter “passado dos limites” estão sendo comuns na mídia suíça, mas o jornalismo brasileiro tenta esconder essas críticas de sua congênere suíça e busca jogar no colo de Lula a culpa por um fiasco que ainda não está comprovado.

Em minha opinião, há uma razão muito séria para que tanto a mídia quanto o governo brasileiros não tenham errado ao exigir esclarecimento do caso Paula pelas autoridades suíças.

Assim como a imprensa suíça mente descaradamente ao sacar do bolso do colete uma estatística da qual nunca ninguém ouviu falar – e que contradiz todo o senso comum que há no mundo sobre o Brasil –, de que 72% dos brasileiros seriam xenófobos ou racistas, o governo suíço, e inclusive a polícia, podem ter promovido uma enorme farsa nos exames a que submeteram a brasileira Paula.

O colunista da Folha Clóvis Rossi, por exemplo, foi feliz ao justificar aqueles que, como ele, acreditaram na versão de Paula,  explicando  que tal versão era altamente verossímil devido à farta ocorrência de casos de racismo e de xenofobia constatáveis em território suíço, casos dos quais o governo local geralmente faz pouco, o que justificaria a pressão inicial da mídia e do governo brasileiros sobre as autoridades suíças.

Concordo, mas discordo do crédito irrestrito que se está dando às autoridades suíças no que dizem sobre a gravidez de Paula, mesmo que esta ainda não tenha vindo a público para dar satisfações sobre a acusação de que não estava grávida quando supostamente foi atacada, o que está permitindo especulações de que o próprio ataque de que a moça se queixa, não tenha existido.

O que estimula minha crença de que não está provado que Paula mentiu são fatores como a forma com que foi tratada pela polícia suíça desde que foi por ela socorrida num momento em que, sem respeitar a possibilidade de ela estar falando a verdade, e sem motivo algum, os policiais (homens, quando deveriam ser mulheres, num caso dessa natureza) passaram a pressioná-la para que confessasse que estava mentindo.

Que forma de tratamento é essa a uma mulher encontrada seminua e toda ferida num banheiro público sob um frio de rachar os ossos? Sem prova nenhuma de que a pessoa mentia, apesar da suspeita, seria lícito, seria um procedimento meramente humano duvidar de que a versão daquela mulher poderia ser verdadeira e de que, portanto, ela poderia estar passando por um choque terrível?

Penso que essa não é atitude que pessoas normais e preparadas para lidar com a população – e com a obrigação de lidar com respeito com essa população – devem ter. Tal atitude, vinda de autoridades, torna-se uma política de Estado, que, por sua vez, torna esse Estado passível de suspeita de que incentiva esse tipo de intimidação para afastar imigrantes do país.

Tudo isso nos remete ao partido de ultra-direita suíço SVP, que, segundo informações preliminares, talvez até integre o governo suíço, e que reportagem do jornal O Estado de São Paulo retratou da seguinte forma:

Segundo organizações de direitos humanos, a Suíça registrou 113 casos de violência relacionadas ao racismo em 2007, 30% a mais que em 2006. Segundo analistas, isso explica o crescimento do ultradireitista Partido do Povo Suíço (SVP), o mais votado nas eleições de 2007, com 29% dos votos.

Na ocasião, o partido propôs expulsar estrangeiros e proibir que meninas muçulmanas usassem véus. Nos últimos anos, o SVP ganhou espaço com propagandas racistas. Em uma delas, ovelhas brancas chutam para fora da Suíça ovelhas negras. Em outra, o partido afirma que o aumento da criminalidade na Suíça ocorreu por causa da imigração.

Em 2007, o partido conseguiu aprovar uma nova lei de naturalização que submete a aprovação da nacionalidade suíça a uma votação secreta feita pela comunidade onde vive o estrangeiro.

É evidente que a vinculação desse partido ao ataque a uma imigrante constitui uma desmoralização inaceitável, sobretudo se for verdade. E ninguém negará que a ultra-direita, no decorrer da história, sempre se mostrou capaz de violência de Estado através, por exemplo, dos regimes militares que implantou pelo mundo, como no Brasil.

Não há regra conhecida que obrigue todos a acreditarem em qualquer governo só porque é governo, pois os Estados nacionais, no decorrer da história, mostraram-se os maiores de todos os criminosos, tanto à esquerda quanto à direita.

Não há por que, pois, dar crédito irrestrito ao governo suíço, com todos os laudos e afirmações que possa apresentar, até porque seu ataque soma-se a outro ataque de uma potência européia de direita que o Brasil recebeu recentemente. Qual seja, o ataque do governo do italiano Silvio Berlusconi.

Matéria publicada neste domingo pelo portal UOL trouxe entrevista com o filósofo italiano Toni Negri, que afirma que a Itália insulta o Brasil no caso Cesare Battisti. A matéria pode ser lida aqui.

O fato, assim, é que a ultra-direita mundial começa a se levantar contra a ascensão da centro-esquerda agora até nos EUA, ainda que a mídia de centro direita latino-americana tente esconder que Barack Obama integra a onda rósea que tingiu as Américas, o que explica as críticas extemporâneas que o presidente americano já recebe dessa mesma mídia latino-americana.

O mundo atravessa uma fase de mutação geopolítico-ideológica e no equilíbrio de poder entre as nações. E é nesse cenário que o Brasil irrompe como potência emergente, ao menos no campo econômico.

Com sua liderança na América do Sul, liderança que ameaça se estender ao resto da América Latina, bem como com sua forte pregação de centro-esquerda, vertida de forma crescente pelo líder Lula, o mesmo que nos últimos anos ganhou respeito em toda parte, bem, tudo isso torna o Brasil uma ameaça a certa ideologia progressivamente decadente, mas que ainda detém o controle de muitas potências econômicas e militares pelo mundo afora.

A direita, como se vê, está apenas contra-atacando. 

 

Ombudsman da Folha 

 

Carlos Eduardo Lins da Silva, ombudsman da Folha de São Paulo, finalmente rompeu a prática de minimizar os absurdos jornalísticos que seu empregador vinha empreendendo e produziu, neste domingo, uma coluna que, na melhor das hipóteses, acusa a Folha de trabalhar para José Serra.

Voltarei ao assunto durante a semana.  

 

Professor da PUC-SP critica autoridades suíças 

 

O professor da PUC-SP Pedro Estevam Serrano disse à Folha Online que o Instituto de Medicina Forense da Universidade de Zurique, na Suíça, foi irresponsável  sobre o caso da brasileira Paula Oliveira. Ele aconselha que as autoridades brasileiras contratem peritos particulares para examinar a pernambucana e garantir equilíbrio e transparência nas investigações. Para o professor da PUC, o instituto suíço cometeu "graves erros". Haveria contradições na conduta das autoridades suíças, que decretaram sigilo no caso e por isso o instituto não poderia tornar públicos os laudos médicos que são parte da investigação.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 13h32
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