Assine o Manifesto do MSM contra a "ditabranda" deixando seu comentário neste post

Movimento dos Sem Mídia

 

Pela Justiça e pela Paz no Brasil

 

 

 

           Para ver mais fotos do Ato, clique aqui         

     TV Brasil foi a única emissora a reportar o Ato  

  

A Organização Não Governamental Movimento dos Sem Mídia – MSM, entidade de direito privado constituída juridicamente em 13 de outubro de 2007,  exorta a sociedade brasileira a repudiar a perniciosa e ameaçadora revisão histórica perpetrada recentemente por editorial do jornal Folha de São Paulo, texto que relativizou a gravidade de crimes cometidos pelo Estado brasileiro entre os anos de 1964 e 1985, período durante o qual a Nação brasileira sofreu usurpação de um golpe militar ilegal e inconstitucional que, por seu turno, gerou aos brasileiros conseqüências nefandas tais como censura à liberdade de pensamento e de expressão, prisões arbitrárias e crimes de tortura, de estupro e de morte, atos de terror que destruíram as vidas de milhões de brasileiros, muitos dos quais sobreviveram àquele terror e, assim, carregam até hoje seqüelas daquele período de trevas.

No âmbito desse repúdio, cumpre à nossa entidade tornar públicos os pontos daquele texto jornalístico que julgamos perniciosos e ofensivos às vítimas que tombaram e às que sobreviveram àquele regime de força, que suprimiu os princípios e mecanismos do Estado Democrático de Direito e as garantias, liberdades e direitos individuais e coletivos, somente restituídos ao povo brasileiro com a edição da vigente Constituição Federal de outubro de 1988.

O editorial do jornal Folha de São Paulo intitulado “Limites a Chávez” foi publicado em 17 de fevereiro deste ano. O veículo de comunicação exerceu um direito óbvio e que não se questiona, o direito de opinar. Criticar o resultado do plebiscito recente na Venezuela ou emitir qualquer outra opinião, portanto, jamais estimularia nossa Organização a protestar de forma tão solene e veemente se não fosse a tentativa de revisão histórica que afirmou que o regime dos generais-presidentes teria sido “brando”, pois tal afirmativa constituiu-se em dolorosa bofetada nos rostos dos que sobreviveram, em verdadeiro deboche dessas vítimas expresso por meio do termo jocoso “ditabranda”, corruptela do único termo possível para identificar aquele regime, o termo ditadura.

Em poucas palavras, o editorial da Folha de São Paulo criou teorias novas, como se verá em trecho a seguir. Disse a Folha de São Paulo: “As chamadas "ditabrandas" – caso do Brasil entre 1964 e 1985 – partiam de uma ruptura institucional e depois preservavam ou instituíam formas controladas de disputa política e acesso à Justiça”.

O perigo e a afronta residem no eufemismo. Com efeito, o diabo está nos detalhes. Diga-se essa barbaridade de “acesso controlado à Justiça” aos que ficaram pelo caminho da máquina opressora do Estado brasileiro de então, aos que sofreram tudo que foi acima enumerado. Diga-se a eles que tiveram acesso “controlado” para buscarem reparação pelas violências que sofreram. Achem um só que tenha encontrado guarida e reparação na Justiça, à época, pelas violências que sofreu. E mais: diga-se isso aos que não sobreviveram às ações arbitrárias daquele Estado ditatorial e aos seus famliares.

No conceito de nossa Organização, conceito este amparado no melhor Direito Universal, o que fez o jornal em questão foi dizer “brandos” aqueles crimes, abrindo espaço para a proliferação de mentalidades que ainda defendem publicamente métodos excepcionais de “controle” da Cidadania e das próprias vidas dos cidadãos.

Dizem os defensores da usurpação do Estado Democrático de Direito que ocorreu naquele período obscuro de nossa história que havia então uma “guerra” no Brasil. Uma guerra em que tantos jovens idealistas, muitas vezes pouco mais do que imberbes, sucumbiram defendendo a Constituição, por sua vez violentada pelos desejos de poucos, que estupraram o desejo da maioria que delegou o Poder a um governo constitucional que a ditadura derrubou por meio de golpe de Estado.

O Brasil daquele 1964 tinha um governo eleito pelo voto. Não foi destituído por um processo democrático que se valeu dos mecanismos constitucionais que existiam e que poderiam ser usados se os que se opunham àquele governo acreditassem que tinham representatividade popular para fazer tais mecanismos prevalecerem. Não. Por não estarem amparados pela maioria dos brasileiros, os usurpadores do Poder de Estado legalmente constituído em eleições livres e democráticas trataram de usar a violência, a sedição e a ilegalidade para fazerem prevalecer suas visões, desejos e interesses minoritários, impondo-os sobre uma maioria que mais tarde seria amordaçada e ameaçada, de forma que não pudesse contestar a ruptura do Estado de Direito.

Equiparar o Estado àqueles que os defensores do regime de exceção diziam ser “terroristas”, era, é e sempre será uma aberração jurídica, para economizar palavras. Não cabe no conceito de democracia, de Estado de Direito, a hipótese de agentes do Estado imporem suplícios físicos desumanos e criminosos àqueles dos quais desconfiavam de que não compartilhavam suas idéias totalitárias.

O que torna mais dramática essa revisão afrontosa daquele período da história é que o jornal Folha de São Paulo não se contentou só com ela. Diante dos protestos de dois dos expoentes mais respeitados da intelectualidade brasileira tanto no Brasil quanto no exterior, a professora Maria Victória Benevides e o professor Fábio Konder Comparato, o jornal tratou de insultá-los de forma virulenta, qualificando-os como “cínicos e mentirosos”, claramente tripudiando da indignação dos justos ante absurdo tão rematado quanto o acima descrito.

Nem as poucas opiniões contrárias que o jornal permitiu que fossem vistas em suas páginas opinativas, sempre de forma tão “controlada” quanto afirmou antes que fazia a sua “ditabranda”, puderam minorar a dor dos sobreviventes dos Anos de Chumbo, e tampouco fizeram a justiça necessária à memória das vítimas fatais da ditadura cruel que vigeu naquele período triste da história deste País.

Tanta injustiça, desrespeito, deboche talvez encontre “explicação” quando se analisa o papel exercido pelo jornal contra o qual protestamos durante boa parte do tempo em que a ditadura militar oprimiu esta Nação.

Em obra literária de autoria de um colaborador desse meio de comunicação, do jornalista Elio Gaspari, intitulada “A Ditadura Escancarada”, figura acusação ao jornal Folha de São Paulo que este jamais rebateu de forma adequada e pública, a acusação de que cedeu veículos à sua “ditabranda” para o transporte de presos políticos.

Mas é em editorial desse grupo empresarial publicado em 22 de setembro de 1971, no auge da ditadura, que transparecem as relações de então entre a mídia e o regime. Diz aquele editorial pretérito tão nefasto quanto o editorial mais recente, sendo ambos do grupo empresarial de comunicação da família Frias:

Como o pior cego é o que não quer ver, o pior do terrorismo é não compreender que no Brasil não há lugar para ele. Nunca ouve. E de maneira especial não há hoje, quando um governo sério, responsável, respeitável e com indiscutível apoio popular, está levando o Brasil pelos seguros caminhos do desenvolvimento com justiça social - realidade que nenhum brasileiro lúcido pode negar, e que o mundo todo reconhece e proclama. O país, enfim, de onde a subversão - que se alimenta do ódio e cultiva a violência - está sendo definitivamente erradicada, com o decidido apoio do povo e da imprensa, que reflete o sentimento deste." Octávio Frias de Oliveira, 22 de setembro de 1971”.

Apesar desse documento histórico com dia, mês e ano, e que pode ser encontrado nos arquivos desse grupo empresarial de comunicação, apesar desse documento que mostra faceta do jornal Folha de São Paulo que ele teima em não reconhecer e que certamente não quer ver conhecido por seu público atual talvez por ter vergonha de seu passado, sua alegação contemporânea é a de que “combateu” a ditadura que aquele editorial, assinado por seu proprietário de então, qualificava como “séria, responsável, respeitável e com indiscutível apoio popular”.

Não se consegue entender como a Folha de São Paulo, então, media o “apoio popular” à ditadura, pois não havia eleições livres ou mesmo pesquisas sobre a popularidade dos ditadores. Era, pois, uma invenção a tese de que a ditadura estaria “levando o Brasil pelos seguros caminhos do desenvolvimento com justiça social”,  porque, à luz do conhecimento histórico daquele período, o que se sabe é que o que gerou foi concentração de renda, ou seja, empobrecimento dos mais pobres e enriquecimento dos mais ricos.

No dia em que o editorial profano mais recente foi lido pelos Sem Mídia, o que nos veio às mentes foram as palavras imortais do ativista negro norte-americano doutor Martin Luther King que pregaram, há tantas décadas, a conduta dos democratas diante dos violadores da democracia: “O que preocupa não são os gritos dos maus, mas o silêncio dos bons”. E é por isso que estamos aqui hoje, porque a sociedade civil não aceita e não ficará inerte assistindo a defesa velada de uma ditadura e a tentativa de vender a tese de que ela foi menos do que ilegal, imoral e terrivelmente dura, tendo sido tudo, menos “branda”.

 

São Paulo, 7 de março de 2009

 

Eduardo Guimarães

Presidente

 



 Escrito por Eduardo Guimarães às 02h45
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Convite ao leitor

Com a mente alerta e o

coração tranqüilo

 

 Atualizado às 13h06m de 6 de março de 2009

 

 

 

 

Na véspera do Ato Público que a sociedade fará através do Movimento dos Sem Mídia e de tantas outras pessoas físicas e jurídicas contra revisão histórica do período da ditadura militar pelo jornal Folha de São Paulo, quero deixar uma mensagem a todos aqueles que durante os últimos dias trabalharam sério para difundir a realização daquele Ato e para propor a outros que dele participassem.

Eu me orgulho de ter travado contato com pessoas como vocês. Gostaria de nominar, um a um, todos os que colaboraram com esse ímpeto que surgiu em tantos contra o conceito de “ditabranda” criado pelo diário paulista, mas temo esquecer alguém.

Imagino ser mais importante dizer como eu e os outros que me ajudaram a organizar este Ato Público queremos que todos vão para lá no próximo sábado pela manhã.

Quando abrir os olhos, salte da cama. Nem se espreguice, faça como fez cada vez na sua vida que foi fazer alguma coisa que queria muito fazer, porque nada é melhor do que um povo reafirmar sua liberdade.

Desjejue com prazer. Deixe sua casa com aquele agradável calor no estômago que sucede as boas refeições. Respire fundo quando passar pelo primeiro jardim. Assobie uma música. Lembre-se de momentos que lhe fizeram sentir bem consigo e saiba que aquele será um deles.

Saiba que o lado da verdade é o mais poderoso. Sempre vence. Cedo ou tarde. Essa é uma verdade imutável em qualquer análise histórica.

Dirão, contudo, que freqüentemente a verdade vem muito tarde. Será? O conhecimento da verdade nunca deixará de produzir efeitos. Se não for para aqueles que por ela seriam diretamente afetados, será para os filhos deles ou para os filhos de seus filhos.

O lado da verdade concede tranqüilidade e força. Use-as. Mas mantendo sempre a espinha ereta, a mente alerta e o coração tranqüilo. É assim que você deve se sentir quando for participar do Ato Público contra a “ditabranda” do jornal Folha de São Paulo.

Espero vocês lá.

 

*

 

 

PM elogia MSM em Ato na Globo em 2007

 

 

  

Em  2007, na Folha, sem atrapalhar o trânsito 

 

 

Ensaio sobre a censura

 

Estou pensando seriamente em escrever um livro, daqui a alguns anos. Um das muitas idéias que me ocorreu é a de investigar como o Estado, detentor do poder, e as elites, em muitas partes do mundo controladoras do Estado, lidam com a pluralidade de informações.

Chamou-me atenção, recentemente, a blogueira cubana Yoani Sanchez. Ela vive em Cuba e o governo debate com ela pela internet. Fidel Castro já a criticou várias vezes, mas ela segue livre fazendo seu trabalho. Em janeiro, entrei no blog dela e me espantei.

Como o espanhol é a minha segunda língua, andei entrando no blog dela e travando longos combates com outros cubanos da ilha caribenha e da comunidade anticastrista de Miami. O que me intrigou foi como a blogueira fala o que fala, estando em Cuba, e não é presa nem censurada.

Aliás, o que mais espanta no blog de Yoani são os comentários. Chegam à casa dos milhares a cada post. Cubanos residentes em Cuba e em Miami travam longos debates, o governo assiste tudinho.

Tudo isso vocês poderão constatar acessando o blog de Yoani ao clicarem na imagem dele logo abaixo. Em seguida, reproduzo matéria do jornal Folha de São Paulo do ano passado, em que dá mais detalhes sobre a eterna disputa entre o regime cubano e a blogueira.

 

 

 

Folha cobrirá Ato contra "ditabranda"

 

Fui procurado pelo reporter da Folha de São Paulo Fernando Melo, que me fez perguntas sobre a forma como será realizado o Ato Público contra "editorial" daquele veículo que disse que a ditadura militar teria sido "branda" e me informou de que seu jornal, provavelmente na pessoa dele, cobrirá a manifestação.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 22h43
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Esclarecimento

A lei é para todos

 

 

De acordo com informações que recebemos de autoridades municipais subordinadas ao prefeito Gilberto Kassab, do partido Democratas (ex-PFL), conforme lei e decreto municipal os manifestantes do Ato Público que será realizado no próximo sábado não poderão ocupar a via de trânsito de veículos.

Nesse sentido, o Movimento dos Sem Mídia declara que já informou as autoridades municipais e estaduais competentes de que os manifestantes se manterão estritamente nas calçadas dos dois lados da Alameda Barão de Limeira, onde ocorrerá o Ato Público de Cidadania.

Baseamo-nos no artigo 5º da Constituição Federal, a Lei Maior da Nação, que garante aos cidadãos brasileiros o direito de reunião e manifestação livres e pacificas:

 

ARTIGO 5º DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988

Dos direitos e garantias fundamentais

Inciso XVI

Todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público independentemente de autorização, desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente.

 

No melhor interesse da comunidade, exortamos os manifestantes a terem em mente este pedido para que de maneira alguma invadam a via de trânsito de veículos automotores nem na própria Alameda Barão de Limeira nem nas ruas adjacentes.

O Movimento dos Sem Mídia se pauta exclusivamente pela letra da lei e é por força dela, que é para todos, que garantimos que nossa iniciativa de promover o Ato Público em tela respeitará, sim, mas também cobrará o respeito ao arcabouço legal da Nação.

Nesse aspecto, exortamos a todos os que forem simpáticos à nossa causa, sejam advogados, autoridades, intelectuais, trabalhadores, aposentados, estudantes, mas, principalmente, advogados e autoridades, a que compareçam ao Ato Público do próximo sábado como testemunhas da lisura e da civilidade com que nos portaremos.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 16h12
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Comunicado sobre o Ato Público do próximo sábado

Arquitetura do Protesto

 

 

 

 

 

 

O tempo urge. Providências e comunicações sobre o Ato de sábado contra o neologismo “ditabranda”, sucedem-se. Assim, quero propor publicamente que tal Ato se desenvolva de forma ao menos parecida com a que explicarei a seguir.

O Ato Público contra a “ditabranda” acontecerá no próximo sábado, dia 7 de março, às dez horas da manhã. Se os manifestantes puderem sair com antecedência de suas casas, facilitarão que tudo ocorra no horário programado.

O tempo de duração do ato, para não ser penoso – pois ocorrerá sob o sol excruciante que tem feito em São Paulo –, é bom que não seja exagerado. É possível perfeitamente fazer tudo até o meio dia ou uma hora, no máximo.

É importante também lembrar que há muita gente contrariada com o exercício que faremos de nosso direito constitucional de manifestação.  Apenas lhes digo isso confiando em que, para bom entendedor, meia palavra basta.

O Ato será aberto pelo Movimento dos Sem Mídia, quando serão ditas algumas palavras sobre a iniciativa de exortar a sociedade a não permanecer impassível – ou quase – diante de uma teoria política que afronta a memória de COMPATRIOTAS nossos, muitos dos quais foram nossos pais, mães, irmãos, esposas, esposos e, o que é pior, muitas vezes até nossos filhos.

Depois dessas considerações, proponho que a palavra seja franqueada à professora doutora Maria Victoria Benevides, por razões óbvias. E, em seguida, às vítimas ou aos parentes das vítimas da ditadura.

Como é imprevisível o número de pessoas que comparecerão e que pedirão para se manifestar, peço a todos que quiserem a palavra que combinem antes com o 1º secretário do Movimento dos Sem Mídia, Antonio Arles, que me ajudará na tarefa de tentar conferir um mínimo de organicidade ao que faremos.

Acreditamos, também, que cinco ou dez minutos deveria ser o tempo máximo para cada exposição, a fim de um só não impedir a palavra de muitos.

Após o último pronunciamento de vítimas e parentes de vítimas da ditadura, pronunciamento final que será estabelecido a critério dos organizadores do Ato, será lido o Manifesto do Movimento dos Sem Mídia pela Justiça e pela Paz no Brasil, já publicado aqui neste blog.

Nesse aspecto, lembro a todos que o Movimento dos Sem Mídia assumiu a responsabilidade pela realização daquele Ato Público junto às autoridades competentes e que, por isso, tem a obrigação de fazer tudo o que estiver ao seu alcance para que ele transcorra dentro dos ideais e dos princípios que lhe nortearam a criação.

O Movimento dos Sem Mídia, na qualidade de organizador, repudiará qualquer ato que infrinja as leis, o direito de ir e vir do público, a integridade do patrimônio público e inclusive, e principalmente, do bom senso, da serenidade, da sensatez e da civilidade.

Cumpre-me lembrar que os alvos de nossas queixas têm o maior interesse em que nos desqualifiquemos. Eu, no entanto, confio de tal maneira nas pessoas que lá estarão num sábado de manhã para exercerem sua cidadania que tenho certeza de que nos portaremos como lordes ingleses em cerimônia de honrarias de Estado.

Proponho, finalmente, um Ato solene, compungido, o menos ruidoso possível, que diga ao país, olhando-o nos olhos, que, num passado recente, fizeram nosso povo sofrer durante duas décadas, sobretudo nosso povo mais pobre, atirado na indigência, na ignorância, na carestia e na violência de guetos que formigaram por cada quadrante desta Pátria, e que, assim, a sociedade não pode permitir outra “ditabranda” neste país.

Enfim, era isso.  Só me resta dizer que passarei os próximos dois dias em comunhão ainda mais profunda com a minha fé cristã, que exerço sem intermediários em igrejas e assemelhadas, contra as quais nada tenho contra, mas também nem a favor. É que, com Deus, prefiro entender-me sozinho.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 13h54
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Análise política

Ditabranda

Saudosismo ou projeto?

 

 

No último dia primeiro de março, artigo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso publicado em vários grandes jornais pelo país explicitava uma consciência tardia que acabou se impondo à oposição ao governo Lula: ela não tem discurso, projeto ou estratégia para retomar o controle do Estado.

Fernando Henrique Cardoso, após seis anos de ataques ao governo pela imprensa, ataques feitos sempre por sua ordem, em seu benefício e no de seus herdeiros políticos – leia-se no benefício de José Serra –, depois de ver todo esse esforço malograr-se finalmente percebeu que ainda não é possível visualizar uma vitória do PSDB e de seus aliados numa eleição que ocorrerá em menos de dois anos.

Apesar de a imprensa se iludir com pesquisas de intenção de voto sobre uma eleição que ocorrerá num cenário e num momento político ainda impossível de visualizar, nem aquele que a imprensa diz que já é presidente eleito e que espera só a hora de assumir o cargo de presidente da República acredita no que essa imprensa diz.

Está mal de credibilidade, a imprensa.

É nesse contexto que surge uma teoria política inaudita e grave num momento aparentemente comum, quase dois anos distante das eleições.

Antes dessa teoria, porém, um fato: por mais que este momento político pareça comum e, assim, inexplicável, se olharmos os seis anos anteriores constataremos que o que tem sido comum em qualquer momento desse período foram ânimos políticos exaltados.

A teoria a que me refiro, claro, é a da “ditabranda”, que tenta reescrever a história do nosso país, do país de nossos antepassados e de nossos descendentes, onde tudo que acontece nos afeta diretamente.

Senti um friozinho na espinha quando li aquele editorial da Folha de São Paulo no dia 17 de fevereiro, em que a ditadura militar foi chamada de suave, parcialmente legalista, como se fosse uma mulher parcialmente grávida. Pela repercussão que teve aquele meu “arrepio”, creio que não fui o único a senti-lo.

Todos nos arrepiamos porque faz sentido, ainda que inconscientemente, entender que, quando todas as opções para retomar o poder pelas vias democráticas faltam, esses que já engendraram ditaduras, defenderam-nas e com elas colaboraram, não custa muito para terem novas idéias do tipo.

Quando se fala em imprensa golpista, muitos entendem que é porque ela tentou derrubar Lula com o escândalo do mensalão, mas não é. A razão é bem outra. A razão é a de que essa imprensa já derrubou vários presidentes no decorrer da história, alguns tendo sido “derrubados” naquele sentido que os traficantes de drogas costumam dar ao abate de seus desafetos.

Bem, mas estou aqui porque, hoje, aquele “friozinho na espinha” voltou. Foi quando li artigo do historiador Marco Antonio Villa na Folha de São Paulo, na página A3 do jornal, na seção Tendências / Debates. Ele faz parte de entourage intelectual que rodeia o PSDB. É famoso por seus ataques políticos a Lula e ao PT naquele jornal e em vários outros.

Faço questão de reproduzir, abaixo, o texto do homem:

 

*

 

Ditadura à Brasileira

MARCO ANTONIO VILLA


É rotineira a associação do regime militar brasileiro com as ditaduras do Cone Sul (Argentina, Uruguai, Chile e Paraguai). Nada mais falso




É ROTINEIRA a associação do regime militar brasileiro com as ditaduras do Cone Sul (Argentina, Uruguai, Chile e Paraguai). Nada mais falso. O regime militar brasileiro teve características próprias, independentes até da Guerra Fria.


Fez parte de uma tradição anti- democrática solidamente enraizada e que nasceu com o positivismo, no final do Império. O desprezo pela democracia foi um espectro que rondou o nosso país durante cem anos de república. Tanto os setores conservadores como os chamados progressistas transformaram a democracia em um obstáculo à solução dos grandes problemas nacionais, especialmente nos momentos de crise política.


O regime militar brasileiro não foi uma ditadura de 21 anos. Não é possível chamar de ditadura o período 1964-1968 (até o AI-5), com toda a movimentação político-cultural. Muito menos os anos 1979-1985, com a aprovação da Lei de Anistia e as eleições para os governos estaduais em 1982. Mas as diferenças são maiores.


Enquanto a ditadura argentina fechou cursos universitários, no Brasil ocorreu justamente o contrário. Houve uma expansão do ensino público de terceiro grau por meio das universidades federais, sem esquecer várias universidades públicas estaduais que foram criadas no período, como a Unicamp e a Unesp, em São Paulo.


Ocorreu enorme expansão na pós-graduação por meio da ação do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) e da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), especialmente, e da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), em São Paulo. Ou seja, os governos militares incentivaram a formação de quadros científicos em todas as áreas do conhecimento concedendo bolsas de estudos no Brasil e no exterior. As ditaduras do Cone Sul agiram dessa forma?


A Embrafilme -que teve importante papel no desenvolvimento do cinema nacional- foi criada no auge do regime militar, em 1969. Financiou a fundo perdido centenas de filmes, inclusive de obras críticas ao governo (o ministro Celso Amorim presidiu a Embrafilme durante o regime militar). A Funarte foi criada em 1975 -quem pode negar sua importância no desenvolvimento da música, das artes plásticas e do teatro brasileiros? E seus projetos de grande êxito, como o Pixinguinha, criado em 1977, para difundir a música nacional?


No Brasil, naquele período, circularam jornais independentes -da imprensa alternativa- com críticas ao regime (evidentemente, não deve ser esquecida a ação nefasta da censura contra esses periódicos). Isso ocorreu no Chile de Pinochet? E os festivais de música popular e as canções-protesto? Na Argentina de Videla esse fato se repetiu? E o teatro de protesto? A ditadura argentina privatizou e desindustrializou a economia. Quem não se recorda do ministro Martinez de Hoz? Já o regime militar brasileiro estatizou grande parte da economia.


Somente o presidente Ernesto Geisel criou mais de uma centena de estatais. Os governos militares industrializaram o país, modernizaram a infraestrutura, romperam os pontos de estrangulamento e criaram as condições para o salto recente do Brasil, como por meio das descobertas da Petrobras nas bacias de Santos e de Campos nos anos 1970.


É sabido que o crescimento econômico foi feito sem critérios, concentrou renda, criou privilégios nas empresas estatais (que foram denunciados, ainda em 1976, nas célebres reportagens de Ricardo Kotscho sobre as mordomias) e estabeleceu uma relação nociva com as empreiteiras de obras públicas. Porém, é inegável que se enfrentaram e se venceram vários desafios econômicos e sociais. É curioso o processo de alguns intelectuais de tentarem representar o papel de justiceiros do regime militar.

Acaba sendo uma ópera-bufa. Estranhamente, omitiram-se quando colegas foram aposentados compulsoriamente pelo AI-5, como Florestan Fernandes, Fernando Henrique Cardoso, Emilia Viotti da Costa, entre outros; ou quando colegas foram presos e condenados pela "Justiça Militar", como Caio Prado Júnior.


Muitos fizeram carreira acadêmica aproveitando-se desse vazio e "resistiram" silenciosamente. A história do regime militar ainda está presa numa armadilha. De um lado, pelos seus adversários. Alguns auferem altos dividendos por meio de generosas aposentadorias e necessitam reforçar o caráter retrógrado e repressivo do regime, como meio de justificar as benesses. De outro, por civis (estes, esquecidos nas polêmicas e que alçaram altos voos com a redemocratização) e militares que participaram da repressão e que necessitam ampliar a ação opositora -especialmente dos grupos de luta armada- como justificativa às graves violações dos direitos humanos.

MARCO ANTONIO VILLA, 52, é professor de história do Departamento de Ciências Sociais da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos) e autor, entre outros livros, de "Jango, um Perfil".

 

*

 

Por enquanto, farei uma única pergunta a Villa: como é que um regime que ascendeu tirando o governo eleito do poder à força, sem respeitar o que determinava a Constituição, pode ser considerado, em qualquer ponto de sua vigência, como uma não-ditadura ou, se preferir, uma “ditabranda”?



 Escrito por Eduardo Guimarães às 10h28
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Ato Público de 7 de março de 2009

Vitória da blogosfera

E um Agregador

 

 

 Clique na imagem acima para acessar o Agregador

 

 

 

Quero lembrar uma verdade inescapável: colocar gente na rua sem ser por meio de movimentos sociais ou de sindicatos hoje, no Brasil, não é fácil.  E isso acontece justamente porque o país perdeu boa parte de sua memória sobre por que a sociedade deve se engajar, fundar ONGs, participar de atos públicos, cobrar governantes, fiscalizar a imprensa – atualmente, talvez até mais do que o governo –, enfim, exercer  a cidadania.

Supondo-se que você consiga achar um jeito de instigar as pessoas a tomarem posições verdadeiras – e isso na era da internet, que permite protestar confortavelmente sentado diante de maravilhas tecnológicas que nos dão a impressão de existência de um mundo virtual –, depois de tal feito será preciso enfrentar pressões.

Estamos falando de política, pessoal. Não se trata de disputa de times de futebol, mas pelo poder do Estado. E isso num país onde o controle do Estado permitiu a pequenos grupos de interesse enriquecerem desavergonhadamente durante 500 anos.

A ditadura militar brasileira foi um período de trevas no qual a renda se concentrou, a escola pública começou a ser o que é hoje, a saúde se degradou ainda mais, a favelização abraçou as urbes de uma maneira sufocante, o êxodo rural se acentuou devido ao exponencial crescimento do latifúndio daquele período – que, aliás, foi um dos motivos que levou ao golpe militar.

Todos esses interesses se concentram de uma maneira avassaladora. Não é para qualquer um enfrentar as pressões que se levantam quando a elite fomentadora da ditadura brasileira se sente ameaçada por este ou por aquele.

Vocês notem que a mídia só se mobiliza para atacar quem a incomoda. Enquanto estamos enviando e-mails malcriados ou publicando posts em blogs, a tática é não te dar visibilidade, ignorando-te. Quando você sai do virtual ou nele adquire visibilidade, daí é que te atacam.

O que é preciso fazer, então, é entender que, se você se encolher, se todos se encolherem por medo, daí é que este país volta de uma vez para as mãos desse exíguo grupo social rico, influente e disposto a defender seus privilégios a qualquer custo.

Sei que haverá aqueles que se sentem exatamente como eu sobre essas questões de interesse público. E não me importa quantos serão. Se forem um ou mil, para mim seremos muitos, seremos todos aqueles que delegaram a outros o que também era sua missão.

É lógico que jogos só terminam no último minuto, e o jogo do poder não é diferente. Não dá, portanto, para cantar vitória antes do tempo, a menos que ela já tenha ocorrido. E a boa notícia é a de que alguém já venceu.

O nome desse vitorioso é... blogosfera. Nos últimos dias, provamos que ela pode se transformar num instrumento poderosíssimo de mobilização da sociedade, se soubermos usá-la. E em processos políticos como esse, com todas as suas “conseqüências” para os que os desencadeiam, saber usar o que se tem na mão, não é fácil.

Mas penso que temos sabido lidar com isso. Aliás, nasceu hoje (quarta-feira) uma iniciativa que me encheu de ânimo.

O Emerson Luis, do blog Nas Retinas, teve uma idéia fantástica. Ele tem colaborado muito com a organização do ato do dia 7. Agora, bolou uma matriz para congregar todos os blogs que já divulgaram a manifestação do próximo sábado.

Emerson desenvolveu uma página em que todos os blogs que publicarem alguma coisa sobre a manifestação do próximo sábado serão linkados automaticamente nela.

Clicando na imagem acima, você terá acesso a uma página a partir da qual poderá se informar amplamente sobre a manifestação diante da Folha. Imagens serão geradas, informações serão repassadas a uma rede de blogs que deverá ter um alcance bem acima do que já ocorreu em outros atos públicos dos quais participei.

Acredito, pois, que a manifestação do próximo sábado é o ponto de partida para uma nova etapa da comunicação no Brasil. Já se vê, no fim do túnel, a decadência inexorável do monopólio hegemônico da comunicação neste país. Antes tarde do que nunca.

Hoje, eles gritam, mas sábado será a nossa vez.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 22h56
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Análise política

A falácia dos 100 mil

 

Atualizado às 16h57m de 4 de março de 2009

 

Do blog do Onipresente

 

 

 

Vamos desmontando o discurso dessa turma. Agora é a vez dessa história de que os mortos do regime castrense chegam a mais de cem mil, enquanto os mortos da ditadura brasileira chegariam a números que a mídia estima entre 300 e mais de 400.

É hilariante como os bate-paus dos blogs de Esgoto saem por ai balbuciando que o regime cubano matou 101.893,5 vítimas, 182.449,7 vítimas e outros números tão precisos que de cara se vê que não passam de chutes. A maioria desse pessoal, porém, não sabe de onde veio a informação que propaga.

Graças ao Antonio Arles, companheiro do MSM, descobrimos de onde vêm esses números. Como não poderia deixar de ser, vieram do bom e velho Olavão de Carvalho, um dos mais eminentes intelectuais de direita do país, que está em barco que me parece diferente do daqueles que navegam pelo Esgoto.

Vejamos, então, de onde saíram essas estimativas de mais de cem mil mortos do regime cubano. Segundo Olavo, em texto publicado em 2004, o número preciso é 115.127, e foi apurado pelo “economista Armando M. Lago, presidente da Câmara Ibero-Americana de Comércio e consultor do Stanford Research Institute”.

Conhecem o instituto ou o pesquisador? Nem eu. Pode ser falta de intimidade com o traçado, mas são números no mínimo controversos.

Sempre segundo Olavo de Carvalho, os números abrangem o período de 1959 até hoje e são compostos por vários tipos de mortes supostamente apuradas pelo tal Armando M. Lago. A destrinchar os números, pois:

·         Fuzilados: 5.621.

·         Assassinados extrajudicialmente: 1.163.

·         Presos políticos mortos no cárcere por maus tratos, falta de assistência médica ou causas naturais: 1.081.

·         Guerrilheiros anticastristas mortos em combate: 1.258.

·         Soldados cubanos mortos em missões no exterior: 14.160.

·         Mortos ou desaparecidos em tentativas de fuga do país: 77.824.

·         Civis mortos em ataques químicos em Mavinga, Angola: 5.000.

·         Guerrilheiros da Unita mortos em combate contra tropas cubanas: 9.380.

Total: 115.127 (não inclui mortes causadas por atividades subversivas no exterior).

Muito bem. Agora alguém sabe como é que quantificam os tais 300 ou 400 mortos no Brasil? Vocês acham que somam assassinatos “extrajudiciais”? Será que envolvem até os que morreram de causas naturais? E soldados brasileiros mortos em combate, será que entram nessa estatística de mortos da ditadura brasileira? E soldados mortos em alguma eventual missão no exterior?

Vejam que a maioria dos 115.127 mortos (77.824, ou 68% do total) é pura especulação, porque muitos podem ter morrido por outras razões ou nem morrido. E é óbvio que o número de agentes da repressão não entram na contagem dos mortos da contra-revolução brasileira. Some-se a isso os 29.798 mortos em combates, e chegamos a 107.622, ou a 93% do número de Olavo.

Aqui no Brasil, não estamos falando disso. Falamos daqueles que foram presos para interrogatório pelos agentes da ditadura e que terminaram mortos. Compare-se a documentação produzida no Brasil e no exterior sobre os torturados da ditadura, comparem o volume de material divulgado e vejam quantas acusações minimamente críveis e fundamentadas há sobre tortura em Cuba.

Agora, peguem a evolução dos indicadores sociais em Cuba durante os últimos cinqüenta anos e comparem-nos com o período da ditadura brasileira. Enquanto em Cuba caiu a concentração de renda, melhoraram a Saúde, a Educação, a Habitação etc., no Brasil dos militares a desigualdade aumentou fortemente, a educação pública mergulhou num buraco, a saúde pública idem, as favelas proliferaram pelo país...

Por que não falam das vítimas dos Estados Unidos em ações militares no exterior? Chegariam a milhões. Não, querem falar de Cuba enquanto calam sobre Guantánamo, Abu Ghraib, Pinochet.

Mas nada disso nos interessa de fato. Estamos discutindo o NOSSO país. E essa gente que tenta nos desqualificar mandando-nos embora do Brasil, rumo a Cuba, não tem mais ou menos direito de fazê-lo do que nós mesmos teríamos. Quem são eles para quererem nos expulsar do Brasil e negar-nos direitos de cidadão como o de criticar defesas do regime assassino de 1964?

O Estado brasileiro aceitou inclusive reparar os prejudicados pela ditadura. É a lei reconhecendo que ditadura existiu. Podem não gostar disso, mas é um fato: os que defendem a ditadura militar brasileira atacam a lei do país, que condenou aquela ditadura.

Não há lei no Brasil que seja atacada quando se diz que não dá para comparar a ditadura militar brasileira com o regime cubano vigente há 50 anos. Mas há lei que é atacada quando se diz que um regime que levou o Estado hoje a indenizar vítimas, foi “brando”.

 

Arautos da mentira

 

Reproduzo, abaixo, artigo do senador democrata Demóstenes Torres extraído do blog de Ricardo Noblat

 

No dia 28 de agosto o Brasil vai ser comemorar os 30 anos da edição da Lei de Anistia. Devíamos estar felizes, mas o diploma legal que deu início à pacificação do Brasil está pronto para ser usurpado. Parte minoritária da nação – em especial a patrocinada pelo governo Lula e suas organizações não-governamentais regiamente remuneradas com dinheiro público – quer se desfazer da lei que deu início justamente à redemocratização brasileira.

Para ler mais, clique aqui

 

Blog do Rovai / site da revista Fórum

 

O Renato Rovai, editor da revista Fórum e do blog do Rovai, avisa que o provedor das duas páginas na internet, uma empresa chamada "Rits", os deixou na mão durante os últimos três dias e não há previsão, ainda, de retorno. Qualquer informação, aviso vocês aqui.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 14h59
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Crônica política

Libres del paredón

 

 Atualizado às 11h45m de 4 de março de 2009

 

 

 

 

 

Fico impressionado com a criatividade dos argumentos de alguns de meus compatriotas que tentam determinar quem pode e quem não pode criticar período ditatorial da história de um país no qual todos nascemos sem que cada um tenha antes que dar “explicações” sobre quais as ditaduras que já condenou ou não publicamente.

Ora, sou brasileiro. Cresci num país mergulhado num regime no qual certa vez, quando garotinho, perguntei em voz alta à minha mãe num restaurante o que era “comunista”, e pouco tardou para ela ser convidada a se retirar comigo do estabelecimento.

Esse é o Brasil que não quero mais. Quero o direito de criticar aquele regime no qual apenas cresci, mas no qual brasileiros de todas as idades e classes sociais tiveram dissabores muito maiores do que o de terem que sair de um restaurante por terem assustado as pessoas em volta com uma simples palavra, então proibida. Uma palavra que poderia facilmente condenar qualquer um à morte.

Minha família não tinha nenhum comunista e nem amigos partidários de tal ideologia. Jamais me envolvi com política na juventude, quando a ditadura militar já agonizava. Porém, sempre percebi os sinais da falta de liberdade de pensamento ao meu redor, e era assustador.

Não tenho que responder se critiquei o regime cubano, e isso simplesmente porque não o vivi. Muitos que estiveram em Cuba dizem que o país é uma maravilha humanista e outros que é um inferno de opressão. Os indícios que tenho me dizem que o regime cubano não é nem uma coisa, nem outra.

Quando vejo contarem horrores sobre Cuba e depois verifico seus indicadores sociais superiores, e quando vejo que em cinco décadas o povo cubano não tirou o regime do poder, penso que as críticas e elogios àquele país são produtos muito mais de convicções sobre fatores que não necessariamente o fator Cuba.

Enfim: o regime cubano não é uma unanimidade de críticas como é, por exemplo, o regime do Chile sob Pinochet. E não me venham fazer contabilidades do número de mortos, como se a ditadura que mata menos pudesse ser chamada de “ditabranda”. Tudo depende de quantos se levantaram para lutar, e aqui no Brasil foram menos e em outras partes foram mais.

Seguramente o regime chileno matou mais do que o nosso e ainda influiu em seu congênere brasileiro, pelo menos na retórica, pois a “ditablanda” de Pinochet acabou virando a “ditabranda” da Folha.

Nem por isso todos esses que andam exigindo atestados de “crítico de todas as ditaduras” ostentam críticas à ditadura chilena em suas versões desse “currículo ideológico” inventado pelo jornalão paulista.

Como se vê, trata-se de uma estratégia usada para vedar críticas a um regime que todos vivemos por meio de alusões a regimes que nem a milionésima parte dos brasileiros conhece. É uma estratégia espertalhona que visa turvar o debate sério sobre aquele período sombrio de nossa história recente.

O que me espanta é gente que elogiou e até ajudou a ditadura do país em que vive chamar de cínico e mentiroso quem não criticou a ditadura de um país em que não vive. Os professores Maria Victória Benevides e Fábio Konder Comparato pelo menos não emprestaram seus veículos para Fidel Castro levar prisioneiros ao “Paredón”.

 

 

Reinaldo Azevedo mente

 

 

Leiam comentário velado que o blogueiro da Veja Reinaldo Azevedo fez a respeito de texto que escrevi. Depois comento.

 

* 

 

PETISTA QUE PREGA ATO CONTRA A FOLHA CHAMA

DITADURA CUBANA DE “AMENA E DOCE”

Esta é do balacobaco. Um dos petistas que estão organizando o que pretende ser um ato de protesto contra a Folha por causa do termo “ditabranda” para designar o regime militar brasileiro tem um, digamos assim, blog... É o principal parceiro do Mão Peluda na tentativa de armar uma badernazinha em frente à sede do jornal. Pois bem... Sabem o que o cara escreveu em sua página sobre a ditadura cubana? Isto:

De fato, não se pode dizer que Cuba é uma democracia plena. O leque de opções eleitorais à disposição dos cubanos não lhes permite eleger outro governo para o país. Contudo, se formos analisar outras ditaduras pelo mundo afora, verificaremos que a cubana, se é que se pode chamá-la assim, é bem amena. Sobretudo no que diz respeito à qualidade de vida do povo e à liberdade de expressão, desde sempre as maiores vítimas das ditaduras.


No caso cubano, trata-se de uma “ditadura” até bem doce, na qual a qualidade de vida do povo, a despeito de um embargo econômico da maior potência econômica e militar do planeta, está entre as melhores do mundo. E quanto à liberdade de expressão, apesar da propaganda da direita, que controla os grandes meios de comunicação em quase toda parte, em Cuba não parece ser o que dizem – e o por que de tal afirmação logo ficará claro.

Reparem no humor involuntário: “De fato, não se pode dizer que Cuba é uma democracia plena. O leque de opções eleitorais à disposição dos cubanos não lhes permite eleger outro governo para o país.” Ou seja, o leque não é leque, é um porrete.

Viram só? A ditadura cubana, responsável pela morte de 100 mil pessoas, é “bem amena”, “até bem doce”...

 

 

*

 

 

Certa vez, li Reinaldo Azevedo dizendo que escolhia seus "adversários", apesar de que trata quem diverge dele como inimigo. Por que será que me escolheu, hein? Estou incomodando? Legal, vamos ver até onde isso vai.

 

Só que a guerra de Azevedo é suja, porque ele publica apenas parte do que escrevi no meu artigo que ele cita. Assim, exorto o dito cujo a publicar o resto do artigo. Depois que o fizer, daí continuamos essa discussão, que promete ser divertida.

 

Agora, tem uma coisinha, aqui: quando digo que ele mente, é porque ele diz que eu, o Eduardo, teria alguma parceria com alguém que ele insulta e, covardemente,  não identifica. E não tenho. E diz que sou "petista", e não sou.

Aliás, Azevedo também diz que não é tucano, mas posa para fotos abraçado com José Serra. Se fosse eu abraçado com Lula, vocês sabem o que ele diria?

 

Bem, Azevedo já criticou até meus desenhos... Que esperar do que tem a dizer sobre o meu blog? Preocupado eu ficaria se o blogueiro da Veja gostasse de alguma coisa que faço.

 

"Dulce dictadura"

 

Há muito tempo que venho tentando levantar discussões sobre o regime cubano. Em nenhum debate franco, no qual todos os lados possam se manifestar, será possível provar  que o regime cubano é o que dizem, por piores que tenham sido as execuções no período imediatamente posterior à tomada de Havana por Fidel Castro.

O regime que há hoje em Cuba não pode ser comparado de maneira nenhuma com o que havia aqui entre os anos 1960 e 1980.

Para vocês entenderem melhor o texto em que qualifiquei o regime cubano de "Dulce dictadura", há que lê-lo todo. Os espertalhões que tentaram vender uma tese ligeira sobre meu texto, tomaram o cuidado de divulgar só trechos, porque o todo mostra que usei ironia e licença poética, e explica por que.

Para lerem o texto em questão, cliquem aqui

 

Enquanto isso, no século XXI ...

 

Portal Terra – 4 de março de 2009

Obama espera contar com o Brasil para dialogar com Cuba

O governo Barack Obama está preparando uma ambiciosa iniciativa para colocar fim a 50 anos de enfrentamento com Cuba. Segundo informações publicadas pelo jornal El País, o objetivo é facilitar, a partir de diálogos com as autoridades da ilha, uma via até a democratização do país. Para isso, os Estados Unidos esperam contar com o Brasil. O objetivo americano é ter o governo de Lula, que visita Washington no próximo dia 17, ao seu lado para enfrentar de forma coordenada os principais problemas da América Latina.

Para ler mais, cliquem aqui



 Escrito por Eduardo Guimarães às 22h58
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Comunicado

Direito de manifestação

 Atualizado às 18h48m de 3 de março de 2009 

 

 

 

 

Depois da publicação, no post anterior, do manifesto que será lido no Ato Público do próximo sábado, cumpre-me abordar a questão do Ato em si, da forma como foi organizado e do que ampara sua realização, pois é obrigação de quem propõe o que foi aqui proposto esclarecer motivos e tomar providências para que aquele Ato ocorra dentro do espírito em que foi imaginado.

Não podemos nos esquecer de que este é um ato político em defesa do Estado Democrático de Direito e da plena vigência da liberdade de imprensa e das garantias individuais e coletivas dos cidadãos, e que, portanto, desperta idiossincrasias e tentativas de combatê-lo, pois, apesar de sua inspiração cidadã, atinge um conglomerado de empresas de comunicação que atuam político-partidariamente, de maneira que reações a ele são previsíveis e esperadas.

Não tardou, pois, a ocorrer o primeiro esboço de reação, fato previsível e que poderá parar aí ou ter continuidade,o que de maneira alguma nos surpreende.

Não entendi, apenas,  que essa primeira reação tenha surgido pelo texto de quem eu jamais imaginaria que tivesse procuração para fazer a “defesa” do jornal Folha de São Paulo.

No entanto, a Folha não precisa de advogados, pois o que se questiona é a natureza da difusão de sua tese sobre “ditabranda” e não seu direito de expressão , ainda que seus defensores não-autorizados (?) andem vendendo a teoria de que se pretenderia censurar de alguma maneira aquele jornal.

Chega a ser ridículo dizerem que cidadãos comuns pretendam tolher o ronco de rotativas de um dos maiores e mais ricos grupos empresariais do país simplesmente lendo um documento em praça pública, mas, como se sabe, vivemos a época das teses absurdas, esgrimidas por “jornalistas” que se deixam fotografar abraçados com políticos, o que prova que quem tem as relações das quais acusam cidadãos como estes que irão se manifestar , são os acusadores.

Provocações, pois, são previsíveis, mas também têm que ser aceitáveis. Quando os advogados desnecessários, oficiosos e possivelmente não-autorizados da Folha de São Paulo entram em campo levantando a hipótese de que o Ato Público convocado pelo Movimento dos Sem Mídia poderia “não se realizar”, geram curiosidade sobre de que maneira isso poderia ocorrer, já que a Constituição Federal de 1988 garante aos que se manifestarão o direito de fazê-lo.

Nunca será demais, portanto, lembrar o texto constitucional no que tange os Direitos e as Garantias individuais e coletivas da Cidadania brasileira:

 

ARTIGO 5º DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988

Dos direitos e garantias fundamentais

Inciso XVI

Todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais abertos ao público independentemente de autorização, desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local, sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente.

 

O histórico dos atos públicos convocados e realizados pelo Movimento dos Sem Mídia prova, inclusive por meio de imagens em vídeo amplamente difundidas, o caráter sempre pacífico, legalista, organizado e profundamente ético desses atos que promovemos. Não serão mentiras de vendedores de apoio – provavelmente de apoios não-solicitados – que apagarão nossa conduta conhecida e nossos motivos claros e honestos.

Tampouco ignoramos que insinuações sobre possível não-realização do ato que pretendemos realizar podem trazer em seu bojo previsões de provocações tanto contra como outras  travestidas como se fossem de integrantes de nossa organização ou de quem mais estiver presente ao Ato do próximo sábado. Nunca aconteceu e espera-se que não aconteça.

Todavia, se acontecesse, estaríamos mais do que preparados para provar que dos manifestantes que convocamos para aquele ato solene não terá partido nenhuma ação ilegal, autoritária e menos do que respeitosa ao melhor conceito de democracia.

Cabe lembrar, finalmente, àqueles que criticamos, sempre tão insistentes em suas críticas àqueles que julgam que devem ser criticados, que o direito deles de manifestarem suas teses e críticas em editoriais não é maior do que o dos que se manifestarão em praça pública de acordo com garantias constitucionais pétreas.

 

Cumprindo a lei

 

Cumprindo a lei e suas formalidades no que diz respeito ao exercício do direito de Manifestação, comunico que a Polícia Militar já foi notificada pelo Movimento dos Sem mídia do Ato Público que ocorrerá no próximo sábado, dia 7 de março, às 10 horas da manhã diante da sede do jornal Folha de São Paulo, situada na capital paulista.

Abaixo, o teor da mensagem eletrônica enviada à PM nesse sentido:

 

From: Movimento dos Sem Mídia
To: cpam1p3@polmil.sp.gov.br
Subject: Comunicação de Ato Público dia 07/03/2009, em frente jornal Folha de São Paulo
Date: Tue, 3 Mar 2009 21:21:14 +0000

São Paulo, 03 de Março de 2009.
 
 
 
Ao
Comando da Polícia Militar da Capital/SP.
At. Ilmo. Sr. Comandante
email:
cpam1p3@polmil.sp.gov.br
CPA/M1
 
 
Ref: Comunicação de realização de Ato Público em frente ao Jornal Folha de São Paulo.
 
 
Prezado Senhor
 
 
Venho, através do presente, comunicar  a essa D. Corporação que realizaremos, juntamente com representantes e entidades da sociedade civil brasileira, um Ato Público no próximo dia 07/03/2009 (sábado), a partir das 10,00 horas da manhã, em frente ao jornal Folha de São Paulo, situado na Alameda Barão de Limeira, nº 425, Campos Elíseos, nesta Capital.
 
A manifestação em questão, como outras já feitas por esta entidade na capital, terá  caráter pacífico e será um protesto dos cidadãos brasileiros e entidades, inconformados com o editorial do Jornal Folha de São Paulo de 17/02/2009, que minimizou e relativizou  ações do regime militar brasileiro, que durou de 1964 à 1985, em relação a danos e sofrimentos que provocou em cidadãos e seus familiares.
 
O citado Ato Público também terá caráter de desagravo em relação a Professora  Maria Victória Benevides e ao Jurista Fabio Konder Comparato, notórios defensores de direitos humanos no Brasil e no Exterior,  que foram igualmente ofendidos pelo jornal Folha, em resposta a indignação que ambos manifestaram contra essa revisão histórica  promovida pelo citado jornal.
 
O Ato Público será realizado de maneira a respeitar o direito de ir e vir dos demais cidadãos  paulistanos, procurando não interferir no trânsito da via pública, nem haverá passeata após o término do ato.
 
                                                         Atenciosamente
 
 
                                                        Eduardo Guimarães
                                            ONG MOVIMENTO DOS SEM MÍDIA-MSM
                                                             Presidente



 Escrito por Eduardo Guimarães às 13h50
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Manifesto

 

 

Movimento dos Sem Mídia

 

Pela Justiça e pela Paz no Brasil

 

 

A Organização Não Governamental Movimento dos Sem Mídia – MSM, entidade de direito privado constituída juridicamente em 13 de outubro de 2007,  exorta a sociedade brasileira a repudiar a perniciosa e ameaçadora revisão histórica perpetrada recentemente por editorial do jornal Folha de São Paulo, texto que relativizou a gravidade de crimes cometidos pelo Estado brasileiro entre os anos de 1964 e 1985, período durante o qual a Nação brasileira sofreu usurpação de um golpe militar ilegal e inconstitucional que, por seu turno, gerou aos brasileiros conseqüências nefandas tais como censura à liberdade de pensamento e de expressão, prisões arbitrárias e crimes de tortura, de estupro e de morte, atos de terror que destruíram as vidas de milhões de brasileiros, muitos dos quais sobreviveram àquele terror e, assim, carregam até hoje seqüelas daquele período de trevas.

No âmbito desse repúdio, cumpre à nossa entidade tornar públicos os pontos daquele texto jornalístico que julgamos perniciosos e ofensivos às vítimas que tombaram e às que sobreviveram àquele regime de força, que suprimiu os princípios e mecanismos do Estado Democrático de Direito e as garantias, liberdades e direitos individuais e coletivos, somente restituídos ao povo brasileiro com a edição da vigente Constituição Federal de outubro de 1988.

O editorial do jornal Folha de São Paulo intitulado “Limites a Chávez” foi publicado em 17 de fevereiro deste ano. O veículo de comunicação exerceu um direito óbvio e que não se questiona, o direito de opinar. Criticar o resultado do plebiscito recente na Venezuela ou emitir qualquer outra opinião, portanto, jamais estimularia nossa Organização a protestar de forma tão solene e veemente se não fosse a tentativa de revisão histórica que afirmou que o regime dos generais-presidentes teria sido “brando”, pois tal afirmativa constituiu-se em dolorosa bofetada nos rostos dos que sobreviveram, em verdadeiro deboche dessas vítimas expresso por meio do termo jocoso “ditabranda”, corruptela do único termo possível para identificar aquele regime, o termo ditadura.

Em poucas palavras, o editorial da Folha de São Paulo criou teorias novas, como se verá em trecho a seguir. Disse a Folha de São Paulo: “As chamadas "ditabrandas" – caso do Brasil entre 1964 e 1985 – partiam de uma ruptura institucional e depois preservavam ou instituíam formas controladas de disputa política e acesso à Justiça”.

O perigo e a afronta residem no eufemismo. Com efeito, o diabo está nos detalhes. Diga-se essa barbaridade de “acesso controlado à Justiça” aos que ficaram pelo caminho da máquina opressora do Estado brasileiro de então, aos que sofreram tudo que foi acima enumerado. Diga-se a eles que tiveram acesso “controlado” para buscarem reparação pelas violências que sofreram. Achem um só que tenha encontrado guarida e reparação na Justiça, à época, pelas violências que sofreu. E mais: diga-se isso aos que não sobreviveram às ações arbitrárias daquele Estado ditatorial e aos seus famliares.

No conceito de nossa Organização, conceito este amparado no melhor Direito Universal, o que fez o jornal em questão foi dizer “brandos” aqueles crimes, abrindo espaço para a proliferação de mentalidades que ainda defendem publicamente métodos excepcionais de “controle” da Cidadania e das próprias vidas dos cidadãos.

Dizem os defensores da usurpação do Estado Democrático de Direito que ocorreu naquele período obscuro de nossa história que havia então uma “guerra” no Brasil. Uma guerra em que tantos jovens idealistas, muitas vezes pouco mais do que imberbes, sucumbiram defendendo a Constituição, por sua vez violentada pelos desejos de poucos, que estupraram o desejo da maioria que delegou o Poder a um governo constitucional que a ditadura derrubou por meio de golpe de Estado.

O Brasil daquele 1964 tinha um governo eleito pelo voto. Não foi destituído por um processo democrático que se valeu dos mecanismos constitucionais que existiam e que poderiam ser usados se os que se opunham àquele governo acreditassem que tinham representatividade popular para fazer tais mecanismos prevalecerem. Não. Por não estarem amparados pela maioria dos brasileiros, os usurpadores do Poder de Estado legalmente constituído em eleições livres e democráticas trataram de usar a violência, a sedição e a ilegalidade para fazerem prevalecer suas visões, desejos e interesses minoritários, impondo-os sobre uma maioria que mais tarde seria amordaçada e ameaçada, de forma que não pudesse contestar a ruptura do Estado de Direito.

Equiparar o Estado àqueles que os defensores do regime de exceção diziam ser “terroristas”, era, é e sempre será uma aberração jurídica, para economizar palavras. Não cabe no conceito de democracia, de Estado de Direito, a hipótese de agentes do Estado imporem suplícios físicos desumanos e criminosos àqueles dos quais desconfiavam de que não compartilhavam suas idéias totalitárias.

O que torna mais dramática essa revisão afrontosa daquele período da história é que o jornal Folha de São Paulo não se contentou só com ela. Diante dos protestos de dois dos expoentes mais respeitados da intelectualidade brasileira tanto no Brasil quanto no exterior, a professora Maria Victória Benevides e o professor Fábio Konder Comparato, o jornal tratou de insultá-los de forma virulenta, qualificando-os como “cínicos e mentirosos”, claramente tripudiando da indignação dos justos ante absurdo tão rematado quanto o acima descrito.

Nem as poucas opiniões contrárias que o jornal permitiu que fossem vistas em suas páginas opinativas, sempre de forma tão “controlada” quanto afirmou antes que fazia a sua “ditabranda”, puderam minorar a dor dos sobreviventes dos Anos de Chumbo, e tampouco fizeram a justiça necessária à memória das vítimas fatais da ditadura cruel que vigeu naquele período triste da história deste País.

Tanta injustiça, desrespeito, deboche talvez encontre “explicação” quando se analisa o papel exercido pelo jornal contra o qual protestamos durante boa parte do tempo em que a ditadura militar oprimiu esta Nação.

Em obra literária de autoria de um colaborador desse meio de comunicação, do jornalista Elio Gaspari, intitulada “A Ditadura Escancarada”, figura acusação ao jornal Folha de São Paulo que este jamais rebateu de forma adequada e pública, a acusação de que cedeu veículos à sua “ditabranda” para o transporte de presos políticos.

Mas é em editorial desse grupo empresarial publicado em 22 de setembro de 1971, no auge da ditadura, que transparecem as relações de então entre a mídia e o regime. Diz aquele editorial pretérito tão nefasto quanto o editorial mais recente, sendo ambos do grupo empresarial de comunicação da família Frias:

Como o pior cego é o que não quer ver, o pior do terrorismo é não compreender que no Brasil não há lugar para ele. Nunca ouve. E de maneira especial não há hoje, quando um governo sério, responsável, respeitável e com indiscutível apoio popular, está levando o Brasil pelos seguros caminhos do desenvolvimento com justiça social - realidade que nenhum brasileiro lúcido pode negar, e que o mundo todo reconhece e proclama. O país, enfim, de onde a subversão - que se alimenta do ódio e cultiva a violência - está sendo definitivamente erradicada, com o decidido apoio do povo e da imprensa, que reflete o sentimento deste." Octávio Frias de Oliveira, 22 de setembro de 1971”.

Apesar desse documento histórico com dia, mês e ano, e que pode ser encontrado nos arquivos desse grupo empresarial de comunicação, apesar desse documento que mostra faceta do jornal Folha de São Paulo que ele teima em não reconhecer e que certamente não quer ver conhecido por seu público atual talvez por ter vergonha de seu passado, sua alegação contemporânea é a de que “combateu” a ditadura que aquele editorial, assinado por seu proprietário de então, qualificava como “séria, responsável, respeitável e com indiscutível apoio popular”.

Não se consegue entender como a Folha de São Paulo, então, media o “apoio popular” à ditadura, pois não havia eleições livres ou mesmo pesquisas sobre a popularidade dos ditadores. Era, pois, uma invenção a tese de que a ditadura estaria “levando o Brasil pelos seguros caminhos do desenvolvimento com justiça social”,  porque, à luz do conhecimento histórico daquele período, o que se sabe é que o que gerou foi concentração de renda, ou seja, empobrecimento dos mais pobres e enriquecimento dos mais ricos.

No dia em que o editorial profano mais recente foi lido pelos Sem Mídia, o que nos veio às mentes foram as palavras imortais do ativista negro norte-americano doutor Martin Luther King que pregaram, há tantas décadas, a conduta dos democratas diante dos violadores da democracia: “O que preocupa não são os gritos dos maus, mas o silêncio dos bons”. E é por isso que estamos aqui hoje, porque a sociedade civil não aceita e não ficará inerte assistindo a defesa velada de uma ditadura e a tentativa de vender a tese de que ela foi menos do que ilegal, imoral e terrivelmente dura, tendo sido tudo, menos “branda”.

 

São Paulo, 7 de março de 2009

 

Eduardo Guimarães

Presidente



 Escrito por Eduardo Guimarães às 01h23
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Análise política

Lula é mal-agradecido

 Atualizado às 13h21m de 2 de março de 2009 

 

 

Há um fato inegável que a direita não consegue entender de jeito nenhum: o Brasil tem cerca de 200 milhões de habitantes e as torcidas políticas petista e tucano-pefelista não devem responder nem pela centésima parte da população. Os outros 99% ficam só olhando e procurando onde está a razão, em boa parte achando que ela não está em lado nenhum.

É claro que o percentual acima é um chute, mas estou certo de que tanto direitistas quanto esquerdistas concordam que a grande, que a esmagadora maioria dos brasileiros não está nem aí com a política e não torce para ninguém, e que está preocupada apenas com o que a classe política pode fazer por ela, por mais que, no varejo, essa maioria se engane elegendo verdadeiros meliantes. Mas, no atacado, ou seja, num cargo como o de presidente, a coisa é bem diferente.

O fenômeno Lula, o fenômeno de ele ser o presidente mais popular da história brasileira – e já dou um aviso aos direitistas: nem a mídia nem a oposição tucano-pefelista negam isso –, reside, em grande parte, na boa situação econômica do país, mas, a meu juízo, a direita e seus jornais e tevês ajudam muito o presidente por fazerem dele uma legítima vítima de mentiras e distorções dos fatos que só um cego pelo partidarismo não vê.

O governo Lula está muito longe de ter feito o suficiente pela situação social escabrosa de uma parte enorme da população brasileira e contra os abusos históricos do topo da pirâmide social. Num ambiente de normalidade política, em minha opinião o presidente e seu governo seriam muito mais cobrados do que são. E nem seriam tão populares.

Só para ficarmos em dois exemplos frugais: os banqueiros ganham no Brasil o que não os deixam ganhar em parte nenhuma do mundo. Já uma pesquisa publicada hoje na Folha de São Paulo mostra que a telefonia brasileira é uma das mais caras do mundo mesmo estando longe de ser uma das melhores.

Enfim, há muito que cobrar deste governo.

Para Lula, portanto, o melhor cenário possível é aquele em que ele e seu governo se tornam vítimas de preconceito e de acusações claramente infundadas, porque a quase totalidade dos brasileiros olha a cena política com olhos de ver, ou seja, sem o véu do partidarismo, até porque o brasileiro, para o bem ou para o mal, é um dos povos mais despolitizados do mundo.

Há uma constelação de ataques injustos que a grande mídia e a oposição vêm fazendo a Lula desde que ele entrou na política. No começo, esses ataques colaram. Demorou quase duas décadas para que ficasse completamente claro como a mentira e o preconceito são as principais armas que a direita usa contra o petista.

Em 1989, aquela parcela mais volúvel da opinião pública comprou os ataques que fez na tevê à ex-namorada de Lula Miriam Cordeiro, paga por Fernando Collor para atacar seu ex às vésperas do segundo turno da eleição presidencial. E essa parcela também comprou a teoria collorido-midiática de que Lula confiscaria a poupança se fosse eleito.

Resultado: tornou-se público, depois, que Collor sustentou Miriam vivendo em um hotel por anos a fio em pagamento aos serviços prestados. E quem confiscou a poupança acabou sendo aquele que afirmou que Lula é que faria isso.

Ainda assim, a doutrinação da mídia e as mentiras de mais um adversário de Lula, FHC, aliadas ao Plano Real, derrotaram o petista em 1994 e derrotariam de novo em 1998, quando o tucano, a exemplo de Collor, vendeu à população que se Lula se elegesse ele é que desvalorizaria o real, quando o mundo inteiro sabia que a desvalorização era questão de tempo e tanto Lula quanto FHC teriam que fazê-la se ganhassem a eleição.

O país pagou um preço exorbitante por acreditar novamente na mídia e na direita. Em janeiro de 1999, semanas depois de FHC vencer a eleição presidencial dizendo que Lula desvalorizaria o real, quem o fez foi o tucano, o que pôs o país em grave recessão, gerando desemprego, concentração de renda e endividando o país em 40 bilhões de dólares. E depois ainda veio o Apagão.

Foi a gota d’água para a grande maioria. Estava claro que a mídia não queria Lula na Presidência e que se aliava sempre aos seus adversários. E que, sempre que acreditava na mídia, o brasileiro se dava mal. Foi isso que elegeu Lula em 2002.

Mas foi durante o governo Lula que seu titular se impermeabilizou contra críticas de uma forma que poderia ter feito dele um déspota se não se tratasse de um verdadeiro democrata e se o presidencialismo à brasileira não tornasse frágeis os chefes de Estado e de governo. Tudo aquilo de que acusaram o presidente e seu governo continuou não se confirmando.

Disseram que o Bolsa Família era uma ficção. Passados alguns anos, o programa deu enorme contribuição, entre outros fatores, para o Brasil deixar de ser um país de pobres para se tornar um país em que a maioria ascendeu à classe média, segundo o IBGE.

Disseram que a economia não cresceria e que empregos não seriam gerados, e, pelo menos até uns três meses atrás, o país cresceu e gerou empregos como nunca.

Só para não me alongar demais neste texto, que ainda tenho que escrever o Manifesto do ato público do próximo sábado, economizarei nos exemplos.

Inventaram epidemia de febre amarela e depois se constatou que não existia epidemia nenhuma. Inventaram que a inflação tinha voltado e ela não voltou. Inventaram escândalos como mensalão, dossiês etc, e depois nada disso se confirmou, por mais que a mídia e a oposição tentem transformar em fato o que nunca passou de teoria.

Outro fator que fortaleceu Lula: mídia, PSDB e PFL passaram a insultar a população por não lhes comprar as teorias anti-Lula. Xingaram os beneficiários do Bolsa Família de vagabundos e parasitas para baixo. Xingaram a maioria dos eleitores de Lula de estúpidos e desinformados. E por aí vai.

E as picuinhas midiático-oposicionistas arremataram o descrédito em que a direita mergulhou. As últimas foram desrespeitar a mulher de Lula nos jornais porque ela se misturou com o povo no Sambódromo carioca durante o Carnaval e inventarem que o presidente só não foi vaiado ali porque “se escondeu”, enquanto José Serra e Gilberto Kassab eram copiosamente vaiados no Sambódromo paulistano.

Agora, porém, a mídia e a oposição se enterraram de vez com essa história dos boxeadores cubanos. Divulgaram à exaustão que Lula os tinha deportado para Cuba. Deram crédito à versão deles nesse sentido. Depois, eles voltam atrás e daí a mídia não acredita. Novamente eles retomam a versão da deportação e a mídia a compra e defende. Finalmente, voltam atrás de novo e a mídia volta a não acreditar neles. E acha que ninguém nota.

Freqüentemente, a empulhação tucano-pefelê-midiática mais espantosa de todas, a versão insana de que a mídia é pró-Lula, é usada. Pois saibam que já começo a dar crédito a essa versão, mas não da forma como a direita quer. Não posso negar que quem construiu essa blindagem em torno de Lula e de seu governo, foi a mídia.

E a construção é sólida. Vejam que maluquice: todas as pesquisas de opinião mostram que Lula tem uma popularidade esmagadora em todas as classes sociais, em todos os níveis de instrução, em todas as regiões do país e em todas as faixas etárias. Com pesquisas e tudo, a mídia e a oposição continuam dizendo que só quem apóia Lula são os miseráveis que ele “compra” com o Bolsa Família.

Com uma oposição dessas, até eu me torno quase uma unanimidade. Lula deveria amar a mídia. Quando ele a critica, está sendo muito mal-agradecido a ela e aos seus proprietários tucano-pefelês.

 

Mello criou banner sobre Ato de sábado

 

O proficiente Mello postou em seu blog um banner sobre o Ato Público de sábado em frente à Folha (vide acima). Para acessar o blog do Mello e copiar o código do banner para inserirem em vossos blogs, cliquem aqui.

 

De Lúcia ('menina' do Jô) Hippolito em seu blog

 

Alguns "jornalistas" e comentaristas de blogs estão trabalhando duro para se expor ainda mais ao ridículo no caso dos boxeadores cubanos. Primeiro vieram com a história da "caçada implacável" da PF aos cubanos.

Chega a ser constrangedor ter que explicar a essa gente que, quando alguém desaparece, ainda mais sendo pessoas famosas e estrangeiras, a polícia tem mais é que procurar. Quando o assunto envolve diplomacia internacional, tem que ser a PF.

Pior ainda é ter que explicar o que qualquer um consegue entender, mas que fanáticos da direita não entendem: se houvesse a hipótese de o governo de Cuba ameaçar as famílias dos boxeadores, eles nem teriam fugido de Cuba, pois o governo poderia usar a família deles para obrigá-los a voltar.

Mas o pior mesmo são os que tentam ver na negativa do governo Lula de que o presidente tenha falado com os cubanos uma "prova" de que ele os deportou. Se fosse prova, não seria melhor o governo ficar calado sobre a versão dos cubanos de que falaram com Lula?

Fico me perguntando quanto alguém é capaz de se expor ao ridículo para não dar o braço a torcer...

É por isso que dois dos mais ativos exploradores do caso na mídia, Juca Kfouri e Lucia Hippolito, já se retrataram. Enquanto isso, o alucinado Esgoto e seus mastins continuam com os indicadores enfiados nos ouvidos repetindo mantras sobre o caso.

Leiam, abaixo, o que escreveu Hippolito.

Ocupada com as consequências emocionais -- e práticas -- do falecimento de minha mãe, só agora, alertada por comentaristas aqui no blog, tomei conhecimento da entrevista do boxeador cubano e de suas declarações.

Assisti ao vídeo. Não tenho por que duvidar das palavras do atleta.

Jamais tive compromisso com o erro. Jamais tive problemas em pedir desculpas quando erro. Errei, peço desculpas. Sem problemas.

Assim sendo, quero pedir desculpas de público ao ministro da Justiça Tarso Genro.

Pelas declarações do pugilista, as declarações de sua Excelência de que os cubanos estavam desejosos de retornar a Cuba eram corretas.

O fato de os dois terem fugido de Cuba tempos depois parece ser independente de sua rápida deportação pelas autoridades brasileiras.

Ainda mais porque, segundo declarações do atleta cubano, o próprio presidente da República lhe perguntou ao telefone se ele não gostaria de permanecer no Brasil.

Portanto, mais uma vez com minhas desculpas ao ministro Tarso Genros, considero que o episódio encerrou-se da malhor forma possível. Os dois pugilistas cubanos estão fora de Cuba, competindo e tocando a vida.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 11h03
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Serviço de utilidade pública

Um pedido de ajuda

Chamado de apoio para a manifestação do dia 07/03

 

Charge de Carlos Latuff

01/03/2009

por EMERSON LUIS, do NAS RETINAS



Como já deve ser de conhecimento dos que frequentam este blog, e mais ainda daqueles que acompanham sempre o Cidadania.com do blogueiro independente Eduardo Guimarães, o Movimento dos Sem Mídia em São Paulo, fundado por Eduardo, convocou manifestação diante da sede do jornal Folha de São Paulo no próximo sábado, 07/03. O motivo é preciso sempre ser lembrado: a Folha minimizou a ditadura no Brasil em editorial do dia 17/02, desrespeitando os que morreram durante o regime e os seus familiares, que ainda sentem a dor brutal da perda.

A manifestação ganhou força na rede, uma vez que os veículos conservadores e corporativistas não deram e provavelmente não darão uma linha sobre o assunto. Por isso é preciso que blogueiros independentes formem um rede de colaboração para difundir o ato, convocando as pessoas, e também, no dia do evento, estejam lá para cobrir os fatos, reportando as informações para seus blogs e twitters.

Mas para isso é preciso de ajuda. A idéia é que o evento tenha uma rede wifi para permitir a conexão de todos. Para isso necessitamos que alguém nas imediações da Barão de Limeira, perto da Folha, ceda um ponto de rede para montarmos uma nuvem de conectividade. O ideal seria alguém em frente ao prédio. Alguém se habilita? Teremos técnicos prontos para subir a rede no dia, basta o sinal.

Independentemente disto, as pessoas que quiserem ir para lá com suas conexões móveis 3g poderão simplesmente montar seus notebooks na porta e blogar, e se possível, ceder seu computador para que outras pessoas postem informações também. Lembramos que cada notebook, se configurado corretamente, pode gerar sua própria nuvem de conexão. Os técnicos que estarão lá tb podem fazer isso, se as pessoas permitirem. Imaginem muitos notebooks, com conexão 3g, gerando pequenas nuvens de wifi. Com isto todos poderiam se conectar para enviar textos, fotos, vídeos e áudios para seus blogs.

Este é um chamado de colaboração de muitos que acontecerão durante esta semana. De Brasília saio eu, Emerson Luis do Nas Retinas, os técnicos e blogueiros Guto Carvalho e Fernando Ike, a blogueira Rachel Quintiliano do Mundo da Rua e a cineasta Andréa Vieira, que fará um mini-documentário sobre o ato.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 20h27
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Crônica política

Procuram-se jornalistas

 Atualizado às 18h08m de 1 de março de 2009 

 

 

Dificilmente alguém da imprensa paulista, ao menos, não está sabendo que uma ONG protestará diante do maior jornal do país no próximo sábado.O jornalista Marcelo Coelho, da Folha, por exemplo, afirmou em seu blog, em resposta a um comentarista, que não iria ao protesto porque tem “senso de ridículo”.

Qualquer jornalista teria obrigação de noticiar que o protesto ocorrerá mesmo se fosse de fato ridículo protestar contra um jornal daquela importância por ele ter tentado reescrever a história do país minimizando os crimes de um regime assassino que censurou, torturou, estuprou e matou a tantos durante duas décadas.

Coelho, com o que disse, negou sua profissão, abdicou dela. E o pior é que não está sozinho.

Até este momento, nenhum jornal, nenhuma revista, nenhum veículo de comunicação de relevo se interessou em informar ao seu público quem irá se manifestar, por que irá se manifestar. Quais são os motivos dos manifestantes? Quem são essas pessoas? Quais são seus argumentos? E o “outro lado”, a Folha? O que pensa do protesto que verá acontecer na sua porta?

Com a honrosa exceção de alguns blogs e sites como o blog do Azenha, o site Vermelho e alguns blogs amigos deste, ninguém da imprensa brasileira se interessou pelo assunto.

Quero dizer a vocês que, devido a informações que tenho e que revelarei quando estiverem confirmadas, é bem possível que a manifestação do sábado que vem se torne um evento muito maior do que o esperado.

Seja como for, sendo um protesto grande ou pequeno, não haverá um único órgão de imprensa mais eminente cumprindo seu dever de informar. É possível que a própria Folha, como na manifestação que a ONG que presido realizou em 2007, tampouco cubra o que estará ocorrendo às suas portas.

Até na própria blogosfera a manifestação está sendo ignorada por alguns. Até este momento, nem certos jornalistas que respeito - e que não cito para não gerar polêmicas inúteis - escreveram uma única frase sobre o assunto. Espanta-me isso, porque até o Reinaldo Azevedo comentou sobre o ato do sábado que vem.

Parece-me haver aí um espírito de corpo, ou sei lá como chamar essa conduta.

Este país precisa urgentemente formar mais jornalistas. Pode-se contar nos dedos os que fazem jus aos próprios diplomas universitários.

Foi por isso que convenci minha filha casada, Carla (26), a estudar jornalismo. As aulas dela começam na próxima segunda-feira. No que depender de mim, daqui a quatro anos haverá uma jornalista engrossando o reduzido grupo de jornalistas que tenta fazer seu trabalho. Será que ela conseguirá emprego?


Boxeadores cubanos


Exorto a todos os mentirosos que saíram por aí afirmando que o governo Lula havia “deportado” aqueles boxeadores cubanos durante o PAN, no Rio, e que passaram por aqui para continuar mentindo, que voltem a este blog para se retratarem devido ao que revela o vídeo abaixo. Ao menos esses indivíduos mostrarão que não são canalhas completos, que são “apenas” burros, desinformados e fanáticos.


 

E aí, assistiram o vídeo? Bem, então agora leiam o editorial do Estadão de hoje intitulado "Episódios vergonhosos", que, ao fim da leitura, vocês concluirão que esses "episódios" dizem respeito à conduta daquele jornaleco safado.

 

O Estado de São Paulo

1º de março de 2009

EPISÓDIOS VERGONHOSOS

Durante a realização dos Jogos Pan-Americanos de 2007, no Rio de Janeiro, os pugilistas Erislandy Lara e Guillermo Rigondeaux conseguiram burlar a vigilância dos agentes que acompanham as delegações desportivas e artísticas cubanas nas suas excursões pelo exterior - comissários cuja única missão é assegurar que todos voltem para o paraíso castrista - e foram se esconder em Cabo Frio. A escapada durou cerca de duas semanas. Acionado pelo ministro da Justiça, Tarso Genro - a pedido do governo cubano -, o aparelho policial brasileiro se pôs a campo, localizando e detendo os dois cubanos, que não queriam outra coisa que não fossem oportunidades de viver numa sociedade livre, que lhes permitisse desenvolver seus atributos desportivos e profissionais. Três dias depois de detidos, os dois foram colocados num avião, gentil e especialmente cedido pelo caudilho venezuelano Hugo Chávez, e despachados de volta para Havana.

Lá, não foram presos, torturados ou mortos - como acontecia antes com os cubanos que tentavam fugir da ilha e não conseguiam. Os tempos já eram mais amenos e eles foram apenas proibidos de treinar e lutar, ou seja, de exercer a sua profissão.

Aqui o episódio provocou justa indignação. Afinal, o governo brasileiro, por intermédio de seu ministro da Justiça, não apenas colocara a polícia no encalço de dois atletas que não haviam cometido crime algum - no Brasil ou em Cuba -, como os deportara em prazo recorde, entregando-os a um regime que não tem o mínimo respeito pelos direitos humanos e do qual estavam fugindo.

À onda de protestos que se seguiu, o ministro Tarso Genro respondeu com uma saraivada de argumentos fantasiosos, cada um mais esfarrapado do que o outro. Primeiro, declarou que tudo não passava de uma armação da imprensa, que estava usando o episódio para fazer propaganda contra Cuba. Depois, afirmou que os dois pugilistas não haviam fugido nem pedido asilo e, por isso, se encontravam em situação irregular no País.

Por fim, veio o mais deslavado deles: os pugilistas haviam pedido para voltar a Cuba. Ele, Tarso Genro, como ex-exilado, sabia que isso iria acontecer: "depois da fuga vem a saudade da família e a nostalgia da pátria", disse, esquecendo que antes havia negado que os cubanos haviam fugido e solicitado asilo.

Mas a farsa, como se veria, não prevaleceria como verdade histórica.

O pugilista cubano Erislandy Lara, o primeiro a fugir de Cuba, afirma que nunca quis sair do Brasil. Que não queria ficar em Cuba provou cerca de seis meses depois de para lá ter sido devolvido pelo ministro Tarso Genro, quando fugiu da ilha em uma lancha. Está reiniciando, com sucesso, a sua vida de boxeador nos Estados Unidos. Agora, nesta semana, o pugilista Guillermo Rigondeaux, campeão olímpico e mundial dos pesos galo, fugiu para o México e já está em Miami, onde aguarda a regularização de seus papéis para também voltar às atividades profissionais.

Os dois pugilistas deixaram suas famílias em Cuba. Sentem saudades, mas nem em pensamento lhes ocorre voltar para o paraíso castrista onde, segundo Lara, "não há comida e as pessoas sofrem muito". O que querem, isso sim, é tirar de Cuba suas mulheres e filhos. Outra falha no enredo fabuloso do ministro Tarso Genro.

Menos de dois anos depois do vergonhoso episódio da devolução dos lutadores cubanos ao domínio do ditador Fidel Castro, diante de caso "aparentado", o ministro Tarso Genro teve comportamento totalmente diferente, mas não menos indecente: atropelou uma decisão do Comitê Nacional para os Refugiados, antecipou-se a um julgamento do Supremo Tribunal Federal e concedeu asilo ao terrorista italiano Cesare Battisti. Desta vez, o exilado não sentia saudades da família nem nostalgia da pátria. Também não havia sido, como os dois cubanos, declarado "traidor da pátria" pelo chefe do governo do seu país - uma democracia exemplar. Fora, tão somente, condenado pela Justiça italiana pelo assassinato de quatro pessoas, entre outros crimes - todos cometidos em nome do extremismo de esquerda.

Por que o governo brasileiro concede asilo a um assassino condenado pela justiça de um país democrático e nega-o a dois impolutos fugitivos de uma ditadura decrépita?

O presidente Lula poderia explicar o que seu ministro não explicou?


 Escrito por Eduardo Guimarães às 03h04
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