Protesto

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De fazer inveja ao Granma

 

 Atualizado às 07h43m de 15 de março de 2009 

 

 

 

 

 

Reproduzo, abaixo, a coluna do ombudsman do jornal Folha de São Paulo extraída, neste sábado 14 de março, de sua edição impressa deste domingo dia 15, coluna que será sucedida por meu comentário sobre ela.

 

*

 

Folha de São Paulo

 

15 de março de 2009

 

De empastelamentos a reconhecimento de erros

 

por Carlos Eduardo Lins da Silva, ombudsman

 

Não faz muito tempo, alguém que discordasse das opiniões expressas por um jornal podia juntar uma turba e destruí-lo fisicamente.

A isso se chamava “empastelamento”. Este jornal, quando era “Folha da Manhã” e “Folha da Noite”, foi vítima de tal agressão em 1930.

No sábado, dia 7 passado, um grupo de 300 pessoas (segundo o jornal) ou pelo menos 450 (de acordo com os organizadores) realizaram [Sic] manifestação em frente à Folha.

Elas se diziam indignadas com editorial publicado em 17 de fevereiro com menção à ditadura brasileira (1964-1985), chamada de “ditabranda”.

O ato, com número de participantes que evidencia tanto o poder de convocação dos promotores do evento quando [Sic] a importância do jornal, foi pacífico. A Folha o noticiou no domingo e deu na íntegra manifesto lido ali.

Faz muito pouco tempo, veículos de comunicação nunca reconheciam seus erros. A Folha foi o primeiro no Brasil a ter seção fixa para eles.

No domingo, pela primeira vez que eu tenha memória, um jornal admitiu erro de opinião. Foi a Folha, neste episódio.

Isso demonstra como avançou a relação entre imprensa e sociedade neste país.

A propósito, leitores registraram que a “Nota da Redação” em resposta a carta de Fábio Konder Comparato em 20 de fevereiro continha erro factual.

É verdade: ela dizia que Comparato não havia “até hoje” manifestado repúdio a ditaduras de esquerda como a de Cuba. Em 1º de junho de 2004, o “Painel do Leitor” publicou carta dele com críticas ao regime cubano.

 

Minha opinião:

 

Para começar, acho lamentável que o Carlos Eduardo Lins da Silva, com quem mantive quatro contatos presenciais, sugira qualquer coisa parecida com “empastelamento” de jornais para aludir ao Ato público solene, pacífico e organizado que o Movimento dos Sem Mídia promoveu no último dia 7.

Até podemos discutir a relevância secundária dada pelo ombudsman a um ato público contra um jornal, ocorrência marcada sobretudo pelo ineditismo.  Prioridade jornalística é algo que se pode argumentar, com certa dificuldade neste caso, que é subjetiva.

Mas o tom misterioso impresso pelo jornalista ao seu comentário sobre o ato do MSM, sobre seus organizadores e sobre as queixas e argumentos dos manifestantes, simplesmente incorre naquilo que a Folha tanto critica em regimes como o cubano: controle da informação.

Aliás, a falta de qualquer imagem da manifestação na reportagem de domingo passado da Folha bem que poderia ter merecido alguma menção, ainda que ao jornal possa parecer que já estou querendo demais.

A verdade é que o jornal e seu ombudsman – o que é mais grave – parecem achar natural o direito que se arrogam de decidirem quanto de informação o leitor deve ter...

Lins da Silva ainda incorreu num erro factual que revela pouco cuidado seu na apuração do fato que comentou, ao dizer que o manifesto do Movimento dos Sem Mídia lido diante da Folha foi reproduzido “na íntegra” pelo jornal.

Para informação do ombudsman, o que foi reproduzido “na íntegra” pela Folha no domingo passado foi o teor do abaixo-assinado na internet contra o editorial daquele veículo que desencadeou tudo.

Vale registrar que Manifesto do MSM lido diante da sede a Folha sábado passado foi absolutamente ignorado por ela, apesar de eu ter dado cópia do documento ao jornalista Fernando Melo, enviado pelo jornal para “cobrir” o evento.

Quanto à opinião de Lins da Silva de que o episódio denotaria algum tipo de “avanço” na relação entre a imprensa e a sociedade, acho que centenas de pessoas terem que promover um ato público em frente a um jornal para conseguirem alguma reação sua, decorre justamente de problemas nessa relação.

Por fim, espanta-me que um jornal noticiar, de forma truncada, com falta de montes de informações, um ato público de centenas de pessoas diante de sua sede seja considerado mais do que mera obrigação de uma empresa que se propõe a informar as pessoas.

 

 

O ombudsman anterior

 

Reproduzo, abaixo, crítica interna do ex-ombudsman da Folha de São Paulo Mário Magalhães, que versou sobre o primeiro Ato que o Movimento dos Sem Mídia fez diante da Folha, em 15 de setembro de 2007.

Vale lembrar que Magalhães foi defenestrado da Folha quando suas críticas começaram a se tornar mais intensas e frequentes. Na verdade, ele pediu demissão, mas foi porque tentaram tolher seu trabalho.

A crítica interna de Magalhães foi publicada em seu extinto site na internet dois dias depois do primeiro ato dos Sem Mídia, em 17 de setembro de 2008

Espero que a postura do corajoso ex-ombudsman sirva de referência ao atual.

 

"Sem-mídia" 

 

por Mário Magalhães, ombudsman da Folha

 

A reportagem "Em São Paulo, protesto contra absolvição de Renan reúne 200" (pág. A6 do domingo) contou no pé, em 15 linhas, que na véspera houve uma manifestação diante da sede da Folha. Promoveu-a o "Movimento dos Sem Mídia".

Foi protocolado na portaria do jornal um manifesto "endossado por cerca de 190 pessoas". Por que a reportagem não informou qual o conteúdo do manifesto?

Quem participa do movimento?

Havia faixas no ato, como na manifestação contra Renan? Se havia, o que diziam?

Em espaço noticioso, não cabe ao jornal ser contra ou a favor da mobilização, mas apenas reportar.

Os leitores precisam de informações para formar opinião.

Na reportagem de domingo, foi isso que faltou: informação.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 21h19
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Crônica política

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Não sabote sua vida  

 

 

Na semana que se encerra, os brasileiros foram surpreendidos por manchetes de primeira página em vários jornais dando conta de que, segundo estudo da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), o Brasil seria o 2º país mais atingido pela crise econômica internacional.

Até então, o que se sabia era o contrário. Segundo montes de estudos de instituições internacionalmente reconhecidas baseados em indicadores oficiais da economia, o Brasil aparece como um dos países menos atingidos pela crise.

Como é possível, então, que tenhamos passado do céu ao inferno em tão pouco tempo? A imprensa não explicou. É sua obrigação explicar, mas fazê-lo representaria o esvaziamento de um discurso que começou a ser reconstruído pela mídia na primeira semana de março, de que o Brasil estaria afundando.

Os mais atentos, diante da notícia insólita, farão algumas perguntas a si mesmos:

1 - Como é possível que sejamos o 2º país mais atingido pela crise se o desemprego, apesar de ter subido em alguns setores, ainda não apresenta, no cômputo geral, nenhum efeito grave decorrente da crise?

2 - Se a última medição do IBGE detectou que o desemprego, em janeiro de 2009, ficou em 8,2%, portanto estável em relação a janeiro de 2008, onde está a segunda pior crise econômica do mundo? Será que esqueceram quantos empregos foram perdidos nos EUA ou na Europa? 

3 - Como é possível que tenhamos uma crise tão grave no Brasil se o consumo varejista cresceu em janeiro e certamente continuou crescendo em fevereiro e em março? Por aqui está ocorrendo o contrário do que está ocorrendo no resto do mundo, que vê as vendas no varejo despencarem mês a mês.

4 - Como podemos ter a segunda pior crise do mundo se este é o único país em que montadoras de automóveis não demitirão e não estão vendo suas vendas caírem pela metade? Aliás, no Brasil as vendas de automóveis já caminham para bater novos recordes.

5 - Como é possível, enfim, que a Fiesp esteja certa ao dizer que o Brasil é o segundo país mais atingido pela crise se o FMI, o Banco Mundial, a OCDE, a ONU, o G20, o G8 etc., dizem o contrário?

6 - Todas essas questões suscitam outra: por que uma entidade empresarial divulgaria dados amparados em premissas falsas e com resultados distorcidos que certamente contribuirão para prejudicar os negócios de seus associados?

Para começarmos a entender o que aconteceu, convido o leitor a me acompanhar até o site do DIAP (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar) a fim de ler a matériaPaulo Skaf articula sua candidatura ao governo de São Paulo. O leitor menos afinado com o jogo do poder – que, é óbvio, passa pelo entendimento dos meandros da economia – poderá estar se perguntando quem diabos é Paulo Skaf. Para quem não sabe, ele é nada mais, nada menos do que o presidente da Fiesp (!).

Tenho muito – eu disse MUITO – contato com empresários associados à FIESP, só que são pequenos e médios empresários. Isso porque sou representante comercial de indústrias paulistas na América Latina e, agora, também na África.

Garanto a vocês que tem muito empresário que odeia Lula que está querendo trucidar Skaf com as mãos nuas.

É voz corrente entre parte do empresariado de pequeno e médio porte que um presidente da Fiesp metido em política só poderia dar nisso, em prejuízo para a classe empresarial através de um estudo, construído com finalidades políticas, que comete o absurdo de dizer que o país que está sofrendo menos com a crise econômica – e que já começa a sair dela, enquanto o resto do mundo nem acabou de entrar – é o segundo mais afetado por ela.

O estudo da Fiesp, anunciado pela mídia com grande alarde, usa de uma malandragem estatística. Ao se concentrar num período excepcional (o quarto trimestre de 2008), no qual houve uma paralisação total do crédito numa economia que vinha crescendo a taxas excepcionais – já próximas à taxa chinesa, pois no terceiro trimestre de 2008 o Brasil cresceu acima de 8% –, o resultado não poderia ser outro.

O absurdo em que consiste a grande publicidade dada a esse estudo da Fiesp é o de que ele não reflete a realidade sobre a economia brasileira. É uma fotografia de um momento que já se encerrou imediatamente depois de começar graças às medidas do governo que trouxeram o crédito a níveis já quase normais.

Querem alarmar a população com objetivos políticos. Isso é claro, cristalino, inegável.

A gana do topo da pirâmide social de retomar o controle do Estado brasileiro é tanta que até empresários com ambições políticas trabalham contra sua categoria e até contra seus próprios interesses empresariais a fim de verem concretizadas aquelas ambições.

É por isso que não vejo sentido em cidadãos dignos, responsáveis e honestos juntarem-se a essa súcia de bandidos que tenta derrubar a economia do país, com todos os efeitos trágicos que o sucesso dessa tentativa pode trazer a todos nós, por quererem ser “isentos” politicamente.

Criticar o governo e ficar se embasbacando publicamente com a virulência da crise econômica internacional, neste momento, é pernicioso ao país, para ser econômico nos adjetivos. É burrice, inclusive.

Tenho uma filha estudando na Austrália há dois meses e que deverá permanecer por lá até o fim deste ano. O país em que ela está sofre os efeitos da crise tanto ou mais do que o nosso. Aliás, como todos os outros países.

Gabriela, minha filha, espantou-se com o noticiário sobre a crise na Austrália. Apesar de a mídia de lá também não gostar do primeiro-ministro do país, o senhor Kevin Rudd, o cidadão comum australiano não é bombardeado ininterruptamente com notícias sobre a crise.

A explicação que se ouve naquele país para um noticiário sobre a crise tão menos alarmista é a de que as pessoas entendem que ela deve ser enfrentada, mas que não pode se transformar num fator de dissuasão de investimentos e de consumo. Por isso, a Austrália, como qualquer outro país civilizado, não masturba a crise como o Brasil.

Mas o que espanta neste país, é o seu vigor. Indicadores econômicos de janeiro já mostram que o Brasil reage à crise. O comércio varejista já se recupera e cresce. A balança comercial reage. O crédito à construção civil aumenta fortemente. O desemprego deve apresentar reversão em março...

Nada disso é notícia. A mídia trabalha a serviço de José Serra e de mega empresários metidos com política para que o país piore, para que não se recupere, visando que a sociedade fique descontente com o governo e queira mudar em 2010.

Há quem diga que a mídia não tem esse poder. É uma rematada bobagem. Parte dos números catastróficos da economia no quarto trimestre de 2008 foram produto do alarmismo que freou o consumo no varejo e até no atacado apesar de os brasileiros, então, estarem com os bolsos recheados e a renda média subindo.

O Dieese, por exemplo, é autor de estudos sobre o efeito do alarmismo midiático no âmbito da crise. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, tem alertado incessantemente para o problema. Até o jornalista econômico Luis Nassif, um dos mais sóbrios críticos da mídia, tem elaborado sobre o tema.

Quem, no afã de ser “isento”, ajuda a malhar o governo neste momento e a referendar o alarmismo sobre a crise, está prejudicando o país e a si mesmo. Por isso, rogo a você, leitor que não quer se partidarizar mas que também não deve querer se prejudicar e ao Brasil, que não sabote a sua própria vida ajudando essa quadrilha politiqueira a fomentar a crise por meio de alarmismo.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 10h53
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Relações públicas

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Admiração mútua

 

Helena Chagas 

 

 

Reproduzo, abaixo, comentário da diretora de Jornalismo da TV Brasil jornalista Helena Chagas, feito na caixa de comentários do penúltimo post deste blog.  

Folgo em saber que a admiração entre nós é mútua e cumprimento a jornalista pelo imprescindível trabalho que vem sendo realizado pela TV Brasil, que mostra que ainda há esperança para o jornalismo brasileiro.

Valeu, Helena. Um grande abraço pra você.

 

Comentário:

 

Eduardo,

É muito boa a sensação de não estar só nessa batalha. Apesar de toda a pancadaria, está valendo a pena tentar botar um jornalismo voltado para o cidadão - e não para o consumidor - no ar.

Sou sua admiradora.

Grande abraço a você e companheiros do blog.

Helena Chagas | Brasília | jornalista | 13/03/2009 11:56



 Escrito por Eduardo Guimarães às 13h11
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Crônica política

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Flores no Esgoto

 Atualizado às 11h45m de 13 de março de 2009

 

 

 

 

Quero fazer uma confissão a vocês.

Eu estava achando muito pequena a repercussão da descoberta espantosa de que, à diferença do que disse a Folha de São Paulo, os professores Maria Victória Benevides e Fábio Konder Comparato criticaram, sim, os excessos do regime cubano - e, ao menos Comparato, nas próprias páginas da Folha.

Então, tive uma idéia. Esses reacionários são previsíveis. E, entre os mais previsíveis, está Reinaldo Azevedo. Ele é pago para arrumar discurso para as barbaridades da quadrilha tucano-pefelê-midiática. Acham que ele é bom em arrumar explicações para o inexplicável.

Minha idéia, então, foi a seguinte: fui ao blog do cara e colei, em sua caixa de comentários, o artigo que escrevi ontem (‘Play it again, direita’) sobre a carta de Comparato publicada pela Folha em 2004 e sobre artigo de Eugênio Bucci no Observatório da Imprensa  repudiando a teoria de que os dois intelectuais se omitiram em relação a excessos do regime cubano.

Quem leu as flores de verdades que saíram (maculadas por mentiras) no Esgoto, vê que ele, como eu, reuniu a carta de Comparato à Folha e o artigo de Eugenio Bucci.

Não deu outra: achando-se na obrigação de arrumar uma “explicação” genial para a bomba que terminou de desmoralizá-lo e à Folha, o blogueiro da Veja publicou um post relatando tudo o que eu achava que estava tendo pouca repercussão, inclusive a carta de Comparato à Folha.

Agora, a tal “explicação genial” do sujeito me saiu melhor do que a encomenda que lhe fiz. Ele levou horas para optar pela estratégia patética de dizer que Comparato criticou pouco o regime cubano, e que os manifestos assinados por ele e pela profa. Benevides contra Cuba, idem.

Primeiro, a acusação era de que os intelectuais não tinham criticado Cuba, e, quando se descobre que criticaram, o cara diz que foi “pouco”... Mas por que a Folha e Azevedo, que tanto a defendeu, não disseram isso desde o início, que os intelectuais criticaram “pouco” Cuba, em lugar de mentirem dizendo que eles não tinham criticado?

Ora, porque não teria impacto. É subjetividade, dizer isso. Dificilmente alguém acharia que por os dois professores não terem ido a Cuba chutar a bunda de Fidel pessoalmente, eles perderiam o direito de criticar uma ditadura que oprimiu seu próprio país.

Mas o mais interessante e revelador do que escreveu o Esgoto, é o seguinte:

“(...) Confesso que ignorava essas manifestações de ambos. Antes, achava que seu apreço pela ditadura cubana era coisa, assim, genérica, preguiçosa, indolente, decorrente do fato de que ambos são de esquerda. Agradeço o serviço prestado pelos obreiros do neopentecostalismo petista (Bucci não está incluído aqui; ele é um formulador). Agora tenho a comprovação de que Konder e Maria Victoria, com efeito, foram histórica e pessoalmente lhanos [amáveis] com a ditadura cubana.”

Ou seja, ele simplesmente comprou, sem questionar e sem checar, a mentira da Folha – talvez até sabendo dela – de que Benevides e Comparato haviam se omitido de criticar as prisões e execuções do regime cubano. E sabem por que? Porque seu trabalho é fazer prevalecer idéias que lhe são determinadas. Azevedo não faz jornalismo, faz política. Só que a soldo.

E se perguntarem a soldo de quem, respondo que é daqueles políticos com os quais aparece abraçado em fotos.

Contudo, ao morder minha isca, o blogueiro da Veja divulgou a mentira da Folha sobre Comparato e Benevides. O que mais ele disse sobre o assunto, pouco importa. Foi claramente produto de má fé e só será levado em consideração pelos fanáticos que o chamam de “rei” e de “mestre”.

 

Ombudsman da Folha 

 

Reproduzo, abaixo, troca de e-mails que mantive hoje (sexta-feira) com o ombudsman do jornal Folha de São Paulo

 

"Caro Carlos Eduardo, 

 

Lendo a  Folha de São Paulo de hoje, vejo que o jornal  não teve coragem de reconhecer que mentiu  ou que, no mínimo, foi leviano ao acusar ao menos o professor  Fábio Comparato de "cínico e mentiroso" por ter criticado a "ditabranda" da Folha sem nunca ter se rebelado contra o regime cubano.

A descoberta de que Comparato não só criticou aquele regime como fez isso na Folha (no Painel do Leitor, em 1º de junho de 2004), em livro de sua autoria e em abaixo-assinados, foi ignorada pelo jornal.

Se eu fosse Comparato, processava a Folha.

Estamos, pois, diante de uma mentira, de uma difamação imoral contra um cidadão correto que tem uma história de vida impecável. É obrigação sua, como ombudsman, denunciar a Folha, Carlos Eduardo.

Sei que você precisa trabalhar etc., mas não é possível que se cale diante de uma imundice dessas, diante da covardia insuperável da Folha, diante da leviandade desse jornal de atacar a honra de alguém sem nem se dar ao trabalho de verificar se sua acusação procedia.

Se você também se omitir, Carlos Eduardo, terá que se olhar no espelho até o fim de seus dias e ver refletido nele um rematado covarde, alguém que vendeu a alma, a honra e a dignidade por um salário. Pelo que conheci de você em nossa breve aproximação, acho que você não fará isso.

 

Um abraço

 

Eduardo Guimarães"

 

Resposta:

 

Caro Eduardo:

 

Estou ciente do fato.  

Agradeço o seu interesse.

Cumprirei meu dever da melhor maneira possível, como sempre fiz em minha vida profissional.

 

Um abraço,

 

Carlos Eduardo Lins da Silva


Ombudsman - Folha de S.Paulo

Al. Barão de Limeira, 425 - 8o. andar

01202-900 - São Paulo – SP

Telefone: 0800 159000

Fax: (11) 3224-3895



 Escrito por Eduardo Guimarães às 10h47
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Interesse público

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Em defesa da TV Brasil

 

 

 

 

Em artigo publicado ontem, surpreendentemente, no jornal O Estado de São Paulo, a diretora de Jornalismo da TV Brasil, Helena Chagas, enceta uma reação cheia de indignação e de justiça contra as críticas irresponsáveis e mentirosas que vêm sendo feitas à tevê pública do governo federal.

A TV Brasil tem se pautado pela ética, pela transparência e por muita competência, tendo já alcançado audiência que impede que se confirmem as previsões da oposição tucano-pefelê e de seus grandes jornais, rádios, tevês, revistas e mega portais de internet de que ela teria "traço" de audiência.

Vale, também, lembrar aqui quem é Helena Chagas.

A jornalista trabalhou aproximadamente 20 anos no jornal O Globo, dois deles como diretora da sucursal do jornal em Brasília. Ela deixou a diretoria de jornalismo do SBT Brasília para ir trabalhar na tevê pública.

Seu artigo é de uma competência que vi poucas vezes. O texto alude, antes de qualquer coisa, à burrice, ao partidarismo levado às últimas conseqüências, à irresponsabilidade de pessoas que só pensam em seus interesses políticos, sendo capazes de pisotear os interesses da nação para materializá-los.

Desfrutem, abaixo, dessa boa leitura, cheia de honestidade e razão.

 

 

*

 

Um convite a quem não viu e não gostou

 

O Estado de São Paulo - 12/03/2009

 

por Helena Chagas, diretora de Jornalismo da TV Brasil

 

O maior fiscal da TV Brasil é a sociedade, a quem ela deve prestar contas de cada ação, cada centavo gasto, cada segundo de programação no ar. A TV pública é uma instituição mantida com recursos públicos e criada para servir ao cidadão e não aos governos, como dizem alguns. Contamos com instrumentos de controle social, como o Conselho Curador e a Ouvidoria, e estamos aprimorando outras ferramentas de interatividade. Críticas sobre conteúdo e forma dos programas são bem-vindas, pois nos ajudam a trilhar o caminho certo a partir dos primeiros passos: levar ao cidadão informação completa, plural e isenta, para que ele possa refletir sobre a realidade e ser o senhor de suas escolhas.

Porém, 15 meses no ar registraram estranho fenômeno. A grande, vasta maioria das críticas e ataques à TV Brasil tem partido de quem claramente não está assistindo à TV Brasil: é a turma do não viu e não gostou. É minoritária (aviso aos navegantes: pelo Ibope, nossa audiência não é traço), mas influente e barulhenta. Esses não-telespectadores têm na TV pública brasileira uma espécie de Geni do controle remoto das televisões abertas.

Explicar por que nos levaria a mais uma enfadonha discussão sobre radicalização política. Mais construtivo é tentar mostrar o que esse pessoal anda perdendo. Por exemplo, o Repórter Brasil (RB), manhã e noite, mostrando gente e lugares que o Brasil que não vai além de São Paulo, Rio e Brasília não tem muita chance de ver. A TV Aldeia, do Acre, deu-nos um furo mundial com os índios que nunca tiveram contato com os brancos. As TVs estrangeiras correram atrás de nossas imagens. A TV Antares, do Piauí, permitiu-nos dar a conhecer as mazelas da população de Alegria, que não tem cemitério e enterra seus mortos no quintal. A Redeminas acompanha para nós, passo a passo, o drama dos demitidos da crise financeira nas grandes empresas no interior. E o pessoal do Acre, do Piauí, do Tocantins (lá estamos em 101 cidades) e outros parecem estar gostando de se ver: o RB é veiculado hoje em rede em 21 Estados, por adesão espontânea de emissoras universitárias e estaduais do campo público. Elas não fazem parte da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), controladora da TV Brasil, mas perceberam que, com todas as precariedades técnicas e de transmissão, há algo de novo no ar.

Quem não viu e não gostou está perdendo os vídeos do Outro Olhar do RB, experiência inédita de jornalismo participativo na TV aberta brasileira. Até agora, 120 produções da população, como a dos moradores da Favela do Vidigal (Rio) sobre sua realidade; a dos pescadores da Paraíba sobre os efeitos do aquecimento global; a dos moradores do único quilombo urbano do Brasil, em Porto Alegre; e as dos índios pataxó e tupinambá, online em suas aldeias. Também não viram matérias em formato de rap sobre o cotidiano dos moradores de rua de São Paulo, que renderam ao jornalismo da TV Brasil seu primeiro prêmio. E perderam explicações úteis e didáticas do Repórter Brasil Explica. O que são commodities? Como funciona essa coisa que chamam de Orçamento da União? O que é nepotismo? E pré-sal?

Quem não sintonizou a TV Brasil também não viu o De lá pra cá, história e cultura em altíssimo astral com os jornalistas Ancelmo Góis e Vera Barroso, com entrevistados que vão de Caetano Veloso e Bibi Ferreira a Ruy Castro. Pena não terem visto também o Caminhos da Reportagem navegar toda a extensão do Rio Amazonas e mostrar como vivem as populações ribeirinhas. E nem ficarem sabendo que fomos a primeira emissora estrangeira a entrar no Tibete após o conflito dos monges. Perderam ainda a cobertura das eleições, das Paraolimpíadas na China, das festas juninas ao vivo. Nem viram os debates do 3 a 1, com participantes de alto nível e tempo para aprofundar assuntos de interesse da sociedade: violência, crise econômica, aborto, célula-tronco, emprego.

Falta espaço para falar do que mais a turma não viu e não gostou. E também para comentar sandices de ex-funcionários demitidos por razões profissionais - um âncora e editor-chefe que se recusava a cumprir jornada maior do que cinco horas diárias e um diretor de programa que não gostou da introdução do cartão de ponto. Buscaram seus minutos de fama jogando mais umas pedrinhas na Geni, surfando na inusitada comoção que provocam demissões na TV Brasil, raramente registrada com outras emissoras.

Mas a verdade se impõe. Da acusação de chapabranquismo, restou pormenorizado estudo aprovado pelo Conselho Curador em 12/8/2008, feito pelos conselheiros Cláudio Lembo, José Paulo Cavalcanti e Ima Vieira, concluindo ser o Repórter Brasil “jornalisticamente correto e politicamente isento”. A ridícula ilação a respeito de supostas relações da diretora de Jornalismo da EBC e do presidente da Associação de Comunicação Educativa Roquette Pinto (Acerp) com empresa de comunicação será demolida em interpelação judicial: tal empresa não tem nenhum contrato, relação profissional ou comercial com a EBC nem com os profissionais citados.

Fizemos, sim, ótima entrevista com o presidente Lula, tão boa e cheia de notícias que toda a mídia usou e repercutiu. Assim como no mesmo espaço do 3 a 1 entrevistamos Fernando Henrique Cardoso, que, elegantemente, inaugurou nosso estúdio em São Paulo. Mantemos também produtiva parceria com a TV Cultura de São Paulo, de quem exibimos o Roda Viva. É que não dividimos o mundo entre tucanos e petistas, chavistas e antichavistas, governistas e oposicionistas. Quem assiste à TV Brasil já percebeu que todos os que têm algo a dizer de interesse do cidadão brasileiro têm espaço nos noticiários e programas, sempre abertos ao confronto equilibrado de ideias. Para quem não viu e não gostou resta o convite: critique à vontade, mas antes veja a TV Brasil.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 09h34
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Crônica

Proposta ao País

 

 

 

 

Venho, por meio desta, da melhor forma protocolar fundada em todas as repartições públicas de todos os tempos desta Nação, fazer uma pequena proposta ao país. Bem pequena, dessas que se pode fazer no âmbito de um blog sem esperar que surta maiores efeitos.

Até porque, este blog não dispõe de leitores suficientes para encher uma Kombi, digamos assim, e, portanto, não tem como fazer o País receber minha proposta.

Mas façamos de conta que vocês oito aí que estão me lendo sejam “o País”...

Eu não sei quem acha que irá ganhar alguma coisa em 2010 fazendo luta política agora, num momento em que a vida das pessoas está ameaçada por uma crise dessas, mas acho que essa pessoa está enganada.

Ao vencedor em 2010 convém receber um país em ordem, progredindo, porque a história recente mostra que presidentes que assumiram em meio a crises terminaram seus mandatos em meio a crises, à exceção incerta de Lula, que ainda não terminou seu mandato.

A oposição achar que o país afundar é o que a elegerá, é uma estratégia besta. Ruim para nós, país, mas ruim também para ela, oposição.

Até 2010, o país terá como manter o patamar de vida num nível aceitável e nem governo nem oposição podem dizer se valerá à pena estar no poder em 2011 se o Brasil, como incontáveis vezes no passado, começar o primeiro ano de um governo mergulhando em grave crise econômica.

Minha proposta, pois, é a seguinte: que é que vocês acham, meus conterrâneos, de pararmos um pouco com essa luta política e nos concentrarmos em impedir que o País se ferre?

Ah, já sei!, a direita dirá que a esquerda está vendo que está derrotada e, assim, começa a pedir “arrego” recorrendo a um poderoso blogueiro, que, modestamente, sou eu, este monumento de riqueza e influência.

Já posso vê-los felizes, debochando de minha ingenuidade, achando-se muito espertos no tombadilho de um Titanic que os amigos deles estão tentando criar no Brasil...

Bem, era só isso, pessoal. Essa idéia besta me veio a cabeça e, como eu não tinha nada mais o que fazer, além de tentar operar o milagre de vender alguma coisa quando as vendas ao exterior estão como estão, decidi vir aqui escrever esta inutilidade.

Ah, e me desculpem por esta. Ponham na conta, por favor.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 16h43
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Crônica política

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Play it again, direita

 

 

 

 

Dizem que a esperteza, quando é muito grande, acaba engolindo o espertalhão. Nesse aspecto, um leitor do jornalista Rodrigo Vianna, vasculhando os arquivos da Folha de São Paulo, localizou uma preciosidade que mostra que o jornal tentou ser esperto defendendo-se da comoção que causou com sua “ditabranda” acusando levianamente dois intelectuais como a professora Maria Victória Benevides e o professor Fábio Comparato, e se deu mal.

O  leitor de Vianna localizou, nos arquivos da Folha na internet, carta de Comparato, publicada em 1º de junho de 2004 no Painel do Leitor daquele jornal, na qual o intelectual crítica Cuba. Vejam, abaixo, a carta de Comparato extraída do blog do jornalista da tevê Record:

 

PAINEL DO LEITOR


Ruptura

"O professor François Chesnais ("Ruptura radical" é a saída para o Brasil, defende professor francês", Entrevista da 2ª, 31/5) tem dado uma excelente contribuição à causa do mundo subdesenvolvido ao mostrar, em seus vários livros, de que forma a globalização capitalista, comandada pelos EUA, aprofunda a divisão entre ricos e pobres até dentro dos países mais ricos do planeta. Mas, ao apontar em sua entrevista a experiência política cubana como exemplo a ser seguido pelos países subdesenvolvidos, especialmente o Brasil, o ilustre professor prestou um desserviço àquela nobre causa. A mundialização humanista, pela qual lutamos, funda-se no respeito integral à democracia e aos direitos humanos, caminho que, infelizmente, não tem sido seguido pelo governo cubano."

Fábio Konder Comparato, professor titular da Faculdade de Direito da USP (São Paulo, SP)

 

Esse achado de Vianna não me surpreendeu.  Artigo de Eugênio Bucci publicado na edição do Observatório da Imprensa da semana passada já dizia que tanto Benevides quanto Comparato têm críticas a Cuba em seus, digamos assim, currículos ideológicos. Vejam:

 

“ (...) não é verdade que Fábio Comparato tenha se calado sobre as brutalidades cometidas pelos regimes de esquerda. Não é verdade. Tenho notícias de que ele e Maria Victória, entre outros, já em 1989, assinaram um documento que foi entregue a Fidel Castro condenando os fuzilamentos de militares cubanos por suposto envolvimento com o narcotráfico.

Eles também se manifestaram contra a política do regime chinês em relação ao Tibet.

Há inúmeros textos de Comparato em que o compromisso com a defesa da vida humana, acima das ideologias, é claro. Mais que isso, ele infundiu essa mentalidade de defesa da vida em mim e em vários outros, melhores do que eu, que hoje atuam nas mais diversas áreas profissionais.

Ele jamais nos ensinou a fechar os olhos para as atrocidades dos regimes de esquerda. Para não falar de modo vago, cito dois trechos de um de seus trabalhos recentes, o livro Ética, publicado em 2006 pela Companhia das Letras, que não deixa dúvida sobre o que ele pensa das tiranias ditas de esquerda.

As duas passagens estão na página 347:

‘Os Estados comunistas descambaram, todos eles, para a institucionalização do abuso de poder, chegando mesmo, alguns deles, ao totalitarismo’

(...)

A questão central da relação de poder, no seio da sociedade, não é a de se saber como suprimi-la, mas sim a outra, muito mais delicada e complexa, de se instituir um eficiente sistema de controle do poder, em todos os setores – econômico, político, religioso, cultural etc. –, por aqueles que devem a ele submeter-se. Mas essa questão, lamentavelmente, não foi enfrentada por Marx.’ (...)

 

Na minha concepção, porém, a questão é mais importante do que isso. E se os dois intelectuais não tivessem críticas a Cuba para ostentar? A Folha não lhes deveria desculpas ou teria o direito de chamá-los de cínicos e mentirosos?

Por essa mentalidade, se eu critiquei Cuba, mas não critiquei a Coréia do Norte ou uma suposta ditadura na Cochinchina, não posso opinar sobre a ditadura do MEU país.

Nem toquei antes no artigo de Bucci por isso. Acho que não devemos referendar essa teoria absurda da Folha entrando em seu jogo de querer obrigar os que repudiam a ditadura brasileira a apresentarem atestados ideológicos contendo críticas a supostas ditaduras que ocorreram em outros países.

E por que digo “supostas”? Ora, porque não podemos criticar regimes que não vivemos e sobre os quais as informações são distorcidas, o que impede que se tenha certeza sobre qualquer coisa do que dizem sobre a situação em tais regimes.

Claro que a opinião da grande mídia sobre Cuba tornou-se, para ela, inquestionável. Até por isso, ela não permite debates aprofundados sobre o país.

Quando foi o último debate aprofundado e sóbrio sobre Cuba que vocês viram nas Folhas, Vejas e Globos? Não viram, porque a mídia impede esse debate, porque sendo travado viriam à tona o IDH ou o índice de GINI da ilha que mostram que, na média, a vida dos cubanos é bem melhor do que a dos brasileiros, o que não combina com o que se tenta vender sobre o regime cubano.

O fato é que fica difícil, para quem não conhece Cuba e não viveu sua história, acreditar em tudo o que diz uma mídia que impede um debate franco entre defensores e críticos do regime cubano.

Conheço gente que esteve na ilha que diz maravilhas de lá e gente que diz horrores.

Eu mesmo, aliás, tenho críticas a Cuba em meu “currículo ideológico”. Foi em 2003, quando o escritor José Saramago rompeu com Fidel no âmbito de execuções “por tráfico de drogas” e prisões arbitrárias ordenadas pelo regime cubano.

Infelizmente, em 2003 eu não tinha um blog, mas apenas listas de e-mails para onde enviava meus textos. Lembro-me de que um jornal publicou carta de minha autoria nesse sentido que enviei a vários jornais. Não me lembro, porém, se foi a Folha, o Estadão, o Jornal do Brasil ou o Globo.

Mas não me importa. Acredite quem quiser e se quiser, porque mesmo que eu ou todos os que criticaram a “ditabranda” da Folha não tivéssemos crítica alguma feita publicamente ao regime cubano, isso jamais nos tiraria o direito de cidadãos brasileiros de criticar a ditadura brasileira.

Todavia, o achado do jornalista Rodrigo Vianna foi excelente para mostrar a leviandade da Folha, para provar como aquele jornal – bem como os demais meios da imprensa golpista que infelicita este país – diz qualquer coisa para se defender, mesmo não tendo a menor idéia sobre se o que diz é verdade ou não.

E onde estarão, a esta altura, todos os sem-vergonhas que vieram com essa história de Cuba para tentarem calar até as vítimas da ditadura militar brasileira? Silêncio total. Dêem uma passadinha pelos blogs de esgoto para ver se pedirão desculpas a Comparato ou a Benevides.

Mas é até bom que seja assim. Essa gente vai se desmoralizando a cada mentira, a cada invenção, a cada sofisma asqueroso que vomita. Seus piores inimigos são suas línguas e teclados de seus computadores.

Jogue de novo, direita. Essa jogada do atestado ideológico, furou.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 11h22
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Esclarecimento

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A política partidária

 

 

 

Ontem publiquei uma crônica que gerou ponderações com os leitores que acredito que devo abordar para que não restem dúvidas quanto à minha posição como pessoa física em relação à política partidária, ou seja, em relação aos partidos políticos.

Já ouvi de muitos petistas de carteirinha que conheço (todos sem mandato eletivo, sendo todos meros militantes) que não entendem como eu não me filiei ainda ao PT sendo um defensor do governo Lula, fato que nunca neguei.

Nos comentários dos leitores à crônica de ontem (Que diabos estou fazendo?), as menções que me honraram sugerindo-me que me filiasse a partidos e até que me candidatasse a alguma coisa chegaram ao ponto de me dizerem que eu teria “obrigação” de fazê-lo.

Minha recusa a entrar na política partidária pode deixar a impressão perigosa de que eu seria contrário aos partidos e aos próprios políticos, o que seria um contra-senso  partindo de qualquer um que se considere um democrata, como eu me considero.

Partidos só são combatidos e execrados nas ditaduras – e, quem sabe, nas “ditabrandas”. Nas democracias, eles são não apenas legítimos, mas vitais. Devemos, cada um de nós, escolher um partido e até políticos e apoiá-los explicitamente, na minha visão.

Eu faço isso há décadas. Faço política, inclusive. Mas de forma independente, o que não me parece adequado a um filiado a algum partido. Um militante filiado que se recusa a aceitar determinações partidárias, mesmo que poucas, deve estar no partido errado.

Não concordo inteiramente com partido nenhum. De A até Z. Se me filiasse a um PT (para ficarmos no partido com o qual tenho menos divergências), brigaria o tempo inteiro.

Não tenho tempo nem vontade para isso. Talvez quando eu era mais jovem... Mas hoje, não. Para a minha natureza, julgo-me já maduro demais para começar numa atividade dessas. E há coisas que os políticos precisam fazer –  como sorrir hoje para aqueles que criticou duramente ontem –, que eu não faria.

Tento ajudar o país, porém, da forma que acho a mais eficiente ao meu alcance, com este blog, com a ONG que fundei, com ações concretas e públicas, com a difusão de idéias honestas e claras... Com efeito, podem me acusar de tudo, menos de omisso.

Peço, pois, que entendam e aceitem minha decisão definitiva, irrefutável, pétrea mesmo de me manter completamente independente de agremiações político-partidárias, por mais que eu as respeite e as julgue absolutamente necessárias em qualquer democracia.

 

 

Jurídico do MSM e a ditabranda

 

 

MOVIMENTO DOS SEM MÍDIA - MSM  

 

 

FOLHA & DITABRANDA

 

O editorial e a resposta da sociedade civil 

 

 

 

O jornal Folha de São Paulo tentou fazer defesa velada de um regime que quebrou a legalidade constitucional da Nação, acabou com garantias individuais e coletivas dos cidadãos, cerceou a liberdade individual suspendendo o instrumento processual do “Habeas Corpus” e transformou o Congresso Nacional em caixa de ressonância das idiossincrasias dos generais-presidentes, culminando com a edição do famigerado AI-5, que consagrou o arbítrio.

A Folha cometeu um "harakiri" ético. 

O golpe de 1964 inaugurou uma noite política que perdurou por longos 21 anos, da qual a Nação e seu povo somente emergiram com a edição da vigente Constituição Federal de Outubro de 1988, que nos restituiu as liberdades e garantias fundamentais individuais e coletivas e o ordenamento jurídico do Estado Democrático de Direito de que hoje desfrutamos.

Nos 18 dias posteriores à publicação do lamentável editorial “Limites a Chávez”, expressivo contingente de brasileiros indignados com o verdadeiro deboche ao sofrimento de seus compatriotas e de seus familiares manifestou sua indignação por e-mails à redação daquele jornal. 

A Folha quedou impassível ao mar de críticas como se sua redação fosse o único lugar do País em que alguém enxergava a realidade. E pior: jornalistas e articulistas daquele veículo, a despeito do erro imenso que sua direção havia cometido, insistiam em publicar matérias que, num sinuoso exercício intelectual, tentavam justificar o desastre ético cometido.

Uma das inverdades disseminadas pela elite dominante afirma que o brasileiro é um povo acomodado que não “perde” tempo com a defesa dos interesses e das questões coletivas por mais que elas digam respeito a cada um, como no caso da defesa dos fundamentos do Estado Democrático de Direito e de uma imprensa livre e plural. O Ato promovido pela nossa Organização e abraçado por tantos, nega tal premissa. 

E, como foi possível verificar, não é a quantidade de propaganda que realmente mobiliza a sociedade civil, mas a verdade, a ética, a transparência e a justiça da causa, e somente isso explica a presença de centenas de brasileiros e dezenas de entidades no ato de cidadania política do sábado passado, ou os milhares que acompanharam aquele ato pela Internet por todo o país. 

Como exemplo de falsas causas que não empolgam a sociedade ou que se extinguem por falta de legitimidade, basta citar o “finado” movimento da elite paulistana, o auto-intitulado “Cansei”. 

Resultado direto da força moral e ética do ato do último sábado e dos apoios que o mesmo teve foi que, de forma inédita na imprensa do país, o próprio jornal noticiou o ato público ocorrido às suas portas e, em nota da redação assinada por seu diretor, Otávio Frias Filho, admitiu que errou ao classificar a ditadura brasileira como  “ditabranda”. 

Os cidadãos brasileiros e suas entidades representativas atingiram um nível de conscientização e zelo pela democracia que os habilita a deixarem de ser objeto da história para serem seu próprio agente através do exercício efetivo da cidadania, como demonstrado no Ato Público de 07 de Março.  

A sociedade estará atenta a qualquer tentativa de reescrever o passado, seja para tentar justificar o presente ou para reeditar aquele passado no futuro.

A ONG Movimento dos Sem Mídia – MSM é uma organização de direito privado da sociedade brasileira que se pauta pela legalidade e pelo exercício pacífico do direito de livre manifestação garantido pela Carta Magna, e defende uma imprensa livre, imparcial, ética e plural. O MSM não pertence a nós que o concebemos e fundamos, mas à sociedade civil da qual fazemos parte.  

Consideramos, finalmente, que a questão não se encerrou, pois a Folha recuou na forma da tese da ditabranda, mas reiterou o conteúdo.

 

                                              São Paulo, 10 de Março de 2009

  

Antonio Donizeti

Diretor Jurídico do Movimento dos Sem Mídia



 Escrito por Eduardo Guimarães às 00h05
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Análise político-econômica

 

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Tombo do PIB é notícia

velha, mas eloqüente

 

 

 

Segue cada vez mais atual a máxima de que é possível mentir descaradamente falando só a verdade. Os dados da economia brasileira sobre a crise comprovam isso. A mídia, o PSDB e o PFL usam dados verdadeiros do passado recentíssimo para “prever” o futuro, apostando no bom e velho alarmismo, que tão bem funcionou no fim do ano passado, para verem materializados seus anseios políticos.

E tais anseios encontram expressão na coluna do jornalista Fernando Rodrigues, da Folha de São Paulo:

“(...) Toda vez que a economia rumou para a estagnação, a popularidade do presidente de turno fez uma curva idêntica nos anos recentes. O PIB em 1988 teve retração de 0,1%. A taxa de ótimo e bom de José Sarney no Datafolha mergulhou para 8% em dezembro daquele ano.


Collor assumiu com aprovação altíssima em março de 1990. Doze meses depois, em 1991, sua taxa bateu em 23%. O PIB havia caído brutais 4,3% em 1990. Em 1991, houve crescimento vegetativo de 1%.
(...)”

Some-se ao trecho revelador do texto acima a manchete principal de primeira página daquele mesmo veículo, que diz que “o Brasil é um dos países que mais está sofrendo com a crise, apesar de Lula dizer o contrário”, e isso a despeito do fato de que quem vinha dizendo da resistência do país à crise, além do presidente, eram o FMI, o Banco Mundial, a OCDE etc.

Mas, afinal, há alguma verdade nessa afirmação supra mencionada, dita em ação coordena pelo Jornal da Globo, pelo Bom dia Brasil e pela Folha, entre outros?

Para ser honesto, há. É a tal história de mentir sem mentir.

De fato, acho que em nenhum outro país o PIB teve uma queda tão brusca, e isso porque no momento imediatamente anterior à quebra do banco americano Lehman Brothers, em setembro passado, a economia, naquele terceiro trimestre do ano, havia atingido um nível espantoso de atividade de 8,3%.

Sim, a crise atingiu o Brasil, mas não como atingiu praticamente todo o resto do mundo. Atingiu na forma de interrupção de linhas de crédito oriundas de fontes de financiamento no exterior, que gerou a derrubada da primeira pedrinha da coluna de dominó que é a cadeia produtiva, interrompendo fluxo de recursos entre pequenas, médias e grandes empresas.

O que gerou essa barbaridade foi a crença, surgida na década passada, de que havia que usar poupança externa para crescer. Não que seja uma premissa falsa, mas é uma premissa a qual se levou demais ao pé da letra.

Some-se a isso o alarmismo da mídia por ver na débâcle da economia o que o tal Fernando Rodrigues, ali em cima, aspirou em seu textinho ridículo, burro, que escancara o que o jornal que o paga – e todo o resto da imprensa golpista e ditatorial – quer que aconteça, como única forma de retomar o controle do Estado.

 

Por outro lado...

 

Porém, como eu já disse aqui sucessivas vezes, tento fazer neste blog alguma coisa diferente, que respeite a inteligência do leitor, que sirva para alguma coisa mais do que fazer simplesmente política partidária, pois esta jamais deve ser objetivo do governo ou da oposição, bem como de seus apoiadores.

Como deixar de reconhecer que o Banco Central cometeu uma enorme barbaridade ao não iniciar um processo gradual de redução da Selic já em setembro do ano passado, na forma mais adequada que seria de ter antevisto a crise? Não viu. Henrique Meirelles muito menos. E o presidente Lula também.

Foi um erro gravíssimo em seis anos de sucessivos acertos razoáveis, mas foi um erro. E nem de economia. Foi um erro político, pois é disso que se trata hoje o nível da taxa Selic num país em que o sistema bancário cobra os spreads mais altos do planeta.

E aí, outro erro de Lula, de Meirelles, enfim, do governo: não ter começado a tomar as medidas que vem tomando para baixar os spreads, lá atrás, quando estávamos tranqüilos, crescendo a taxas imoderadas.

De maneira que surge outra questão, sobre por que medidas para baixar o spread não foram tomadas, como eu disse, “lá atrás”. Foi justamente porque a economia crescia às tais taxas “imoderadas”.

Ora, se o crédito ficasse ainda mais fácil por conta de spreads menores, e isso num cenário em que a inflação ameaçava disparar, o efeito do aumento da Selic que vinha sendo feito e que visava justamente refrear o consumo explosivo, seria anulado.

Daí se pode entender que o governo ficou numa sinuca de bico, mas tudo por causa da mídia, que o acua constantemente. Imagine-se tentando levar todos os pratos, talheres, copos e garrafas ao mesmo tempo para a cozinha de sua casa depois de um lauto jantar com toda a família. Daí vem um engraçadinho e começa a lhe fazer cócegas e você tem que tentar chegar à cozinha derramando pelo caminho o mínimo de coisas que carrega.

 

O lado bom

 

Apesar de termos tido que constatar, no tópico acima, que o Brasil fica no planeta Terra e que este, para nosso azar, está em crise, talvez possamos nos alegrar com um possível lado bom nisso tudo.

É complicado e cansativo explicar, mas é isso que tento oferecer aqui, ou seja, explicações menos superficiais do que a explicação que vocês viram nos jornais e telejornais, de que Lula ter dito que a crise por aqui seria uma “marolinha” foi o que fez o PIB despencar e o desemprego subir etc.

O lado bom disso tudo tem várias faces, porém.

A face de que temos um sistema bancário que é o que mais lucra no mundo e que, por isso, está sólido como pedra enquanto quase todos os outros estão quebrados ou na corda bamba.

A face de que o país tem muito mais dinheiro a receber do que a pagar, montado em duas centenas de bilhões de dólares em caixa.

A face de que, enquanto a produção industrial despencava, o comércio varejista continuava a todo vapor, sem dar a menor bola para a crise, fato este que merece análise específica, que por sua vez gera outras questões e respostas óbvias.

Pergunta 1: Por que empresários varejistas que tinham clientes querendo comprar seus produtos interromperam as compras dos seus fornecedores atacadistas?

Resposta 1: por que tinham estoques altos e ficaram assustados com a dimensão da crise, e os que não se assustaram muitas vezes tiveram dificuldade de abrir ou renovar linhas de crédito para fomentar aquele ritmo de crescimento. É a tal “alavancagem”, pessoal. É assim que são feitos os negócios. Sobretudo os grandes.

Pergunta 2: Por que empresários atacadistas tampouco alimentavam seus fornecedores na indústria com seus pedidos, pondo à metade muitas carteiras de pedidos dessa indústria?

Resposta 2: vide resposta 1.

Enfim, o mundo não acabará. A produção está crescendo e o crédito está voltando. Mas tem um detalhezinho: Lula não pode mais cometer erros políticos como o da Selic. Podendo facilitar o fluxo da economia, há que facilitar. Sobretudo quando o risco de inflação é menor do que zero.

O tombo do PIB, finalmente, é notícia velha. Todos sabiam que o último trimestre de 2008 e o primeiro de 2009 seriam tétricos. Estão anunciando como grande novidade o que já eram favas contadas. Com fins políticos, de alarmar o país. Eita notícia danada de eloqüente, não?

 

Volp

 

Anunciei aqui em janeiro que em fevereiro adotaria as mudanças do acordo ortográfico internacional de língua portuguesa porque naquele mês sairia o Volp (Vocabulário de Língua Portuguesa), tratado definitivo sobre as novas regras do português, pois restavam dúvidas sobre as mudanças e não adiantava adotar uma forma que poderia não ser definitiva.

Acontece que o Volp ainda não saiu, mas sairá nos próximos dias. Assim, em abril o Cidadania será publicado sob as novas regras ortográficas, mesmo que elas ainda não sejam obrigatórias oficialmente.

 

Emerson Luis (Nas Retinas)

 

Edu, acho que você vai gostar desse programa que vamos exibir na TV Brasil amanhã (quinta-feira) à noite, no programa Caminhos da Reportagem. Foi todo realizado pela Carla Maia, jornalista cadeirante que trabalha aqui na TV. O programa está emocionante. Ajude-nos a divulgar, por favor. 

Aqui o link http://www.youtube.com/watch?v=fiFvWeYBo2M



 Escrito por Eduardo Guimarães às 11h15
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Crônica

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Que diabos estou fazendo?

 

 

 

 

 

Já aconteceu com vocês de começarem a escrever um texto sem saber aonde ele vai dar? É como quando a gente está desorientado e sai pelas ruas a esmo, deixando nossas pernas – ou rodas – nos levarem aonde quiserem.

É madrugada de quarta e estou aqui pensando sobre o quixotismo de minhas ações, que no contexto de minha vida beira a irresponsabilidade.

Será que é menos do que maluquice ficar desafiando desse jeito impérios econômicos como esses que pus “no pau” lá no MPF ou comprar uma briga como essa com um dos maiores grupos econômicos do país, gerido por gente que chegou a se acumpliciar com assassinos de farda para torturar e matar até garotos pouco mais do que imberbes?

Será que tenho o direito de expor minha família a esse risco?

Vivo com dificuldade. Sobretudo agora, com uma crise econômica que mais afeta justamente aquilo com que trabalho, ou seja, a exportação. E, como se não bastasse, tenho uma criança gravemente doente em casa, uma menina de dez anos com paralisia cerebral que terei que cuidar até o fim dos meus dias.

E se me acontecer alguma coisa? E se me arrumarem umas denúncias? E se forjarem um assalto e me encherem a cachola de chumbo?

Vejam só aquele gangster do Reinaldo Azevedo: o sujeito reproduz trechos de meus textos ipsis litteris para me insultar e acusar, arriscando-se a um processo sem temer nada, sabendo que a empresa que paga por seus “serviços” tem uma verba milionária só para pagar pelas calúnias que manda seus pistoleiros fazerem.

Como lutar contra um poder desses?

Agora está tudo muito bonito, um monte de gente me apoiando. Mas e daqui a seis meses ou um ano?

Esse tipo de gente acha que a vingança é um prato que se come bem frio. Eles foram se tornando cada vez mais poderosos década após década. E eu achando que posso enfrentá-los...

Será que eu não deveria me dar conta de que posso até lhes causar alguns constrangimentos, mas sou como uma pulga incomodando um elefante?

Alguns dirão que é um desânimo injustificado, mas outros dirão – e talvez estejam certos – que apenas estou tendo um surto de lucidez.

Apesar de a você que lê parecer que este parágrafo sucedeu o anterior no espaço de tempo que leva para pressionar a tecla “enter” do computador, terminei de escrever “lucidez”, no parágrafo acima, e fui tomar água, fumar, andar pela casa enquanto todos dormiam.

Fiquei pensando na alternativa a fazer o que faço, que seria dizer a vocês, agora, que, daqui em diante, este blog se tornaria campo de provas para eu me divertir escrevendo crônicas e contos, apesar de o pistoleiro da Veja ter dito que domino a inculta, mas me falta a bela.

Mas quem se importa com um sujeito que se dispõe a fazer o que aquele criminoso faz por uns trocados a mais, por mais que sejam uns trocadões?

E como eu faria vendo essa elite putrefata esbanjando fortunas roubadas do resto da nação através da espoliação do trabalho quase escravo de mão-de-obra desqualificada ou através do roubo, puro e simples, de dinheiro público através dos políticos com os quais o topo da pirâmide tem alianças, sem fazer nada a respeito?

Que seria da minha vida se me tornasse um covarde? E como conseguiria ver nos olhos dos meus filhos o que vi nos da minha primogênita durante a manifestação diante da Folha, se me acovardasse? Como veria a admiração pelo pai que fazia os olhos da Carla brilharem?

E para que foi que eduquei meus filhos nas melhores escolas, transmiti-lhes cultura, valores, se não for para me substituírem nos cuidados com a irmãzinha doente e com a mãe se um dia eu faltasse?

E, finalmente, que graça teria se a luta não fosse entre um David baixinho, feio e pobre e um monstruoso Golias? Luta fácil não tem graça, e lutar pelos que não têm como lutar faz a gente se sentir bem, de maneira que a resposta à pergunta que intitula este texto é que o que estou fazendo é simplesmente o que devo fazer.

 



 Escrito por Eduardo Guimarães às 01h22
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Nota Oficial do Movimento dos Sem Mídia

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MPF nega arquivamento da

Representação do MSM

 

 Atualizado às 15h19m de 10 de março de 2009

 

 

 

17 de março de 2008 - entrega da Representação do MSM ao MPF

 

 

 

Em 17 de março de 2008, o Movimento dos Sem Mídia ingressou com representação no Ministério Público Federal de São Paulo contra vários meios de comunicação por conta de promoção de “crime de alarma social” relativo a uma epidemia de febre amarela que aqueles meios alardearam, em janeiro daquele ano, que haveria então no Brasil.

Segundo apurou o Movimento dos Sem Mídia, houve um descomunal aumento no número de vacinas contra a febre amarela em relação a surtos anteriores de uma doença que se manifesta com maior intensidade com intervalos regulares de anos.

Houve dezenas de internações hospitalares por reações adversas à vacina e ao menos dois mortos, até a última apuração que o MSM fez – em dezembro de 2008.

Tudo isso aconteceu devido ao alarmismo promovido pela mídia, que em 2000, ano em que José Serra era ministro da Saúde, não houve.

O MSM representou contra os seguintes meios de comunicação:

·         O Estado de São Paulo

·         Folha de São Paulo

·         Rede Globo

·         Revista Veja

·         Revista IstoÉ

·         Jornal do Brasil

·         Correio Brasiliense

·         Jornal O Globo

Em meados do ano passado, Estadão, Folha e Globo pediram ao MPF o arquivamento do processo, que foi negado através da procuradora doutora Eugênia Augusta Gonzaga Fávero, e o MPF também pediu ao Ministério da Saúde dados sobre os surtos de febre amarela nos últimos vinte anos.

No fim do ano, depois de três meses, o Ministério da Saúde enviou os dados ao MPF e este enviou oficio ao Movimento dos Sem Mídia e aos veículos representados pedindo que se manifestassem sobre o caso, querendo.

Em 7 de novembro de 2008, o Movimento dos Sem Mídia atendeu ao convite do MPF e protocolou nova manifestação na instituição dando conta de que os dados enviados pelo MS estavam incompletos e informando a existência de estudo do próprio MS intitulado “Auditoria de Imagem”.

O estudo em questão foi conseguido pela jornalista Conceição Lemes e dava conta exatamente da argumentação que fez o Movimento dos Sem Mídia, de que no surto de febre amarela à época de Serra, quando houve muito mais casos de febre amarela e muito mais mortes pela doença, a mídia não fez nem uma fração do estardalhaço que fez no ano passado, inclusive desautorizando o ministro da Saúde quando este pediu calma à população, que por sua vez entrou em pânico, muitas vezes vacinando-se duas, três vezes, com os resultados catastróficos conhecidos não só para a Saúde Pública, mas também para o Erário Público, pois 20 milhões de doses de vacinas foram aplicadas a mais em 2008, enquanto que em 2000 a vacinação foi muito menor.

Os seguintes meios de comunicação se manifestaram também, no fim do ano passado:

O Estado de São Paulo

Folha de São Paulo

Revista Veja

Rede Globo

Os veículos supra mencionados voltaram a pedir o arquivamento da Representação do Movimento dos Sem Mídia sob as mesmas alegações do pedido anterior, o que novamente foi negado pela procuradora Gonzaga Fávero, que enviou novo ofício ao MS pedindo a confirmação da veracidade do estudo “Auditoria de Imagem” enviado ao MPF pelo MSM.

O ofício do MPF ao MS foi enviado em 15 de janeiro último. Até o Momento, o MS não enviou os dados nem confirmou ao MPF a veracidade do Estudo “Auditoria de Imagem” de sua autoria, que mostra claramente a desproporção do noticiário sobre surto de febre amarela entre a época em que o ministro da Saúde era José Serra e no ano passado, já sob a administração José Gomes Temporão.

Abaixo, reproduzo a determinação da procuradora, o ofício do MPF ao MS e até o protocolo de envio daquele ofício.

 

Determinação do MPF

 

 

Ofício do MPF ao MS

 

 

Protocolo de envio do Ofício

 

 

Entrevista à cineasta Andréia Vieira no Ato do dia 7

 

 



 Escrito por Eduardo Guimarães às 14h17
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Nota de agradecimento - 2

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Tributo à Blogosfera

 

 

Cumpre-me fazer os agradecimentos necessários aos blogs e sites que apoiaram desde o início a iniciativa deste blog de convocar a reação cidadã que foi o Ato Público do último sábado diante da Folha de São Paulo.

O grande problema, porém, é lembrar quem apoiou. Como vocês sabem, não sou jornalista. Tenho um trabalho (representante comercial), ainda que autônomo. Um trabalho que, aliás, ficou parado por uma semana poucos dias antes de viagem de negócios que farei ao Peru neste mês. Terei que visitar Lima, Trujillo, Arequipa e Chiclayo. Em míseros 15 dias.

Não pude, portanto, acompanhar quem divulgou e quem não divulgou. E, sobretudo, quem divulgou para apoiar, porque vários blogues divulgaram para combater o Ato contra a “ditabranda”.

No topo da lista, devo dar destaque especial para o Luiz Carlos Azenha e seu “Vi o Mundo”. Meu amigo contribuiu muito não só para o Ato de sábado, mas para a própria criação do MSM, usando o peso de sua credibilidade para apoiar não só as ações da ONG que presido, mas eu mesmo.

E há, também, além dos blogues e sites, as pessoas que ficaram nos bastidores, que não apareceram, mas que foram decisivas para conseguir o que conseguimos.

E que não foi pouco, tendo repercutido até no exterior. Com efeito, como disse o jornal espanhol “El Mundo”, fizemos o maior jornal pago do país recuar de sua opinião sobre a ditadura militar brasileira ter sido “branda”

Aos agradecimentos, então.

 

• Altamiro Borges – blog do Miro

• André Lux – blog Tudo em Cima

• Andréia Vieira

• Antonio Arles – 1º secretário do Movimento dos Sem Mídia

• Antonio Donizeti – diretor jurídico do Movimento dos Sem Mídia

• Blog Bahia de Fato

• Blog do Haroldo Azevedo

• Blog do Joildo Santos

• Blog do José Dirceu

• Blog do Mello

• Blog do Sergio Telles

• Celso Lungaretti - blog Náufrago da Utopia 

• Conceição Lemes

• Conceição Oliveira – blog Maria Frô

• Daniel Pearl – blog Desabafo Brasil

• Dialógico - blog

• Eduardo Castro – TV Brasil

• Emerson Luis – blog Nas Retinas

• Guerrilheiros Virtuais - blog

• Grupo Corsa - Cidadania, orgulho, respeito, solidariedade e amor

• Guto Carvalho

• Idelber Avelar

• Jornal Brasil de Fato

• Jussara Seixas – blog Por um Novo Brasil

• Luis Carlos Azenha - Vi o Mundo

• Luis Nassif - blog do Nassif

• Miguel do Rosário – blog Óleo do Diabo

• Onipresente

• Paulo Henrique Amorim - Conversa Afiada

• Portal Vermelho

• Pedro Ayres - blog Crônicas e Críticas da América Latina 

• Renato Rovai – blog do Rovai

• Rede Social de Justiça e Direitos Humanos

• Revista Caros Amigos

• Revista Fórum

• Rodrigo Vianna  

• Setor de Direitos Humanos do MST

 

Tenho certeza de que faltam blogs, sites e pessoas, mas peço a estes que compreendam minha situação. Tento conciliar meu trabalho remunerado com este que é um serviço público voluntário que me propus a fazer e que, além de não me render absolutamente nada, ainda reduz minha remuneração profissional, que depende de quanto eu me empenhe em minha profissão.

Devido a experiências anteriores, quero esclarecer algumas coisas mais. Em outros momentos em que me expus na vitrine da blogosfera e até da mídia com meu ativismo político, fofoqueiros de plantão andaram espalhando que eu criei o MSM porque tinha planos político-partidários – espalharam que eu pretendia candidatar-me a deputado.

Declaro, pois, que:

 

1 – Não tenho planos políticos. Nunca me filiei a partidos e nem pretendo me filiar

2 – Não tenho planos jornalísticos, profissionalmente falando. Estes ficarão para minha filha primogênita, que convenci a estudar jornalismo.

3 – Não tenho plano nenhum de ganhar dinheiro com este blog.

4 – O Cidadania e a militância de seu signatário constituem um trabalho voluntário pelo país, em prol da sociedade.

5 – Não espero recompensa nenhuma além de ser respeitado.

6 – Não deixarei essa eminência fugidia deste momento me subir à cabeça, como alguns andam especulando, como não deixei a que consegui em outros momentos fazer isso, pois a memória nacional é fraca e daqui a alguns dias ninguém nem lembrará que existo.

7 – Se defendo o governo Lula é porque acho que está sendo positivo para o Brasil e, enquanto isso, vejo que tentam derrubá-lo.

8 – Não sou de ficar dando a outra face a bofetadas. Não sou Jesus Cristo.

 

Agradeço a todos os que colaboraram com esta iniciativa e que me honram com sua leitura. Os que não foram citados, por favor deixem seus comentários aqui (que não serão publicados) e os incluirei na lista.

Mais uma vez, em nome do país agradeço a todos que me ajudaram a mostrar que um só cidadão pode fazer toda a diferença se tiver coragem, desprendimento e empenho.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 10h40
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Convite

 Twitter - eduguim

Da teoria à prática

 

 

Muito se fala sobre como melhorar a mídia no Brasil. Finalmente, surge uma iniciativa concreta no sentido de passar das teorias e especulações sobre como operar esse milagre, à prática. Trata-se da Conferência Nacional de Comunicação.

A reunião de preparação e organização para a Conferência acontecerá ainda no mês de março. Recebi de Raquel Moreno, da Coordenação da Campanha pela Ética na TV, o convite para o evento e, assim, divulgo aqui e estendo o convite àqueles que julgam que o Brasil precisa de uma mídia mais ética, plural e moderna.

Agradeço a Raquel e a Bia Barbosa, do Intervozes, que, durante o Ato Público do último sábado, convidaram-me, na condição de presidente do Movimento dos Sem Mídia, para integrar as discussões. Desde já confirmo minha presença na Reunião em tela.

Abaixo, reproduzo o convite.

 



 Escrito por Eduardo Guimarães às 09h31
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Cobertura do ato contra a Ditabranda na TV Brasil

 Twitter - eduguim

Uma única TV...

 



 Escrito por Eduardo Guimarães às 17h32
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Crônica política

 Twitter - eduguim

Só no Brasil

 

 

 

 

Pediram-me que escrevesse sobre o caso Protógenes...

Pergunta: que caso Protógenes?

As Vejas da vida podem fazer o barulho que quiserem apoiadas por Globos, Folhas e assemelhadas, mas o cidadão comum, ah!, esse deve estar dizendo para si mesmo:

O Brasil é o único país do mundo em que:

·         Prostituta vai ao clímax com seus clientes

·         Traficantes usam as drogas que vendem

·         Pobres votam nos candidatos dos ricos – sobretudo em São Paulo

·         Bandidos põem a imprensa para investigar a Polícia

De resto, dizer o quê? Isso tudo é ridículo. Daniel Dantas deu golpes trilionários. Há vídeos mostrando que um emissário de Dantas tentou subornar um delegado em nome "dele" e "ele" mesmo, que é bom, não aparece na imprensa.

Como diz aquela propaganda da OI: “Que absurrrdo!!”



 Escrito por Eduardo Guimarães às 16h02
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Denúncia

 Twitter - eduguim

Farsa

 Atualizado às 14h24m de 9 de março de 2009

 

 

Lamentáveis a nota do dono da Folha de São Paulo, Otávio Frias Filho (vide o penúltimo post), intitulada "Folha avalia que errou, mas reitera críticas" (8/3), bem como as cartas de leitores publicadas hoje naquele jornal.

Os textos em questão são absurdos porque dizem que a Folha errou ao qualificar a ditadura militar brasileira de "ditabranda", mas reiteram e endossam a teoria que gerou o neologismo.

O grande equívoco do tratamento que esse jornal deu à questão é a falta de contraditório. A Folha, como o resto da grande mídia, mais uma vez tenta vender a teoria de que todos pensam igual a ela.

Nessa questão das ditaduras, por exemplo, agora as pessoas têm que apresentar atestados ideológicos para poderem se manifestar sobre seu próprio país. Não posso criticar a teoria da "ditabranda" sem antes apresentar um histórico de críticas a Cuba.

De acordo com essa mentalidade, se eu tivesse críticas públicas a Cuba mas não as tivesse sobre todas as outras ditaduras que existem e que já existiram na face da Terra, estaria impedido de criticar o regime militar que atingiu o NOSSO país.

Sou cidadão brasileiro, não cubano, chileno ou da Cochinchina. Essa história de atestado ideológico para poder criticar o que aconteceu no Brasil nos anos de chumbo não passa de um sofisma, do mais puro exercício de malandragem ideológica.

Agora, pior do que tudo mesmo é um meio de comunicação que pediu, que ajudou a implantar e que colaborou com a ditadura brasileira chamar de hipócritas aqueles que jamais colaboraram com a ditadura cubana ou com qualquer outra.

 

Folha de São Paulo - Painel do Leitor – 09/03/09

 

Ditadura

 

"Congratulo-me com a Folha por reconhecer que errou ao empregar, no editorial de 17/2, a expressão "ditabranda". Acho também que a Folha pegou pesado com Maria Victoria Benevides e Fábio Konder Comparato, ao personalizar a sua crítica. Contudo, o mérito da resposta aos referidos professores está corretíssimo! Se o parâmetro fosse de fato a defesa dos direitos humanos, a conclusão lógica seria manifestar a indignação onde quer que ocorresse a sua violação, seja nas ditaduras de esquerda, seja nas de direita. Via de regra os intelectuais de esquerda só manifestam indignação contra as ditaduras de direita, não restando alternativa senão interpretar a sua defesa dos direitos humanos como efetivamente cínica e mentirosa."

RICARDO CELSO ULISSES DE MELO (Aracaju, SE)

 

*

 

"Cerca de 300 pessoas participaram de manifestação contra a Folha (Brasil, 8/3). A Folha avalia que errou. Não errou, não. Na minha opinião a Folha sempre namorou com a esquerda e quando, em editorial de grande lucidez, relembrou os fatos com verdadeira isenção, experimentou a pressão e a ira desse pessoal que não abre mão de locupletar-se das benesses do poder. Espero que esse episódio mexa com os brios e que a Folha se aperfeiçoe na isenção ideológica. O povo bem informado estará sempre ao lado da razão. A Folha está com a verdade quando questiona a falta de isenção ideológica dos intelectuais citados. Aproveito para dar uma opinião pessoal: o sr. Oscar Niemeyer assinou sem ter conhecimento do editorial -da mesma forma que, como marxista convicto, projeta grandiosas obras que nada servem às necessidades populares, e sim a governos que buscam sustentar-se provendo pão e circo."

JOSÉ CLAUDIO DE ALMEIDA BARROS (São Paulo, SP)

 

*

 

"Reconhecer que a Folha errou ao nomear como "ditabranda" o regime militar instaurado no Brasil entre 1964 e 1985 foi um ato de grandeza. Nos últimos anos, não tem sido muito comum que os grandes jornais reconheçam suas falhas. Contudo, gostaria de chamar atenção para outro erro cometido pela Folha desde o fatídico editorial: a comparação entre o regime militar brasileiro e aqueles instaurados na Argentina, no Chile e no Uruguai. Diz a nota que a ditadura brasileira foi menos repressiva do que as congêneres. Pode ser. Mas as consequências de um regime autoritário não se esgotam no seu período de vigência. Se é verdade que a ditadura brasileira foi menos truculenta, também é fato que ela foi mais perene, gerando consequências nefastas até hoje. A Argentina vem abrindo os documentos do regime e continua instaurando processos, julgando e punindo seus torturadores. O general Pinochet foi submetido ao escrutínio universal. O Brasil não abriu seus documentos e deu anistia a torturadores, que permanecem protegidos pela escuridão. À luz desse fato, uma comparação entre as ditaduras brasileira e suas congêneres que seja favorável à primeira é um erro. A consequência é a suavização dos efeitos do nosso regime ditatorial no imaginário brasileiro, de que é prova a criação do neologismo "ditabranda", uma maneira de deseducar as novas gerações no que tange ao nosso passado recente."

LÉO BUENO (Santo André, SP)

 

Debate nos comentários deste post

 

Comentário de leitor

 

Bem, você não pode se incluir entre aqueles que não ajudaram a ditadura cubana, né?

Afinal, fazer propaganda positiva do regime também é ajudar e você já o fez diversas vezes aqui, seja ao defender a melhora social de Cuba (quase me dá vontade de fugir daqui e ir para lá, viu?), criticar a blogueira de oposição, chamar de ditadoce ou até mesmo apoiar a perseguição de fugitivos da ilha.

Ah, isso não é colaborar, né? E não tem sofisma nenhum, é só justo que quem se arvora a exigir democracia, seja um democrata. Imagine o ridículo que é um nazista pedir democracia em Cuba.

Mais ridículo é um comunista pedir democracia em qualquer lugar. Os nazistas pelo menos perseguiam só uma raça do seu povo, os comunistas realmente não discriminavam, perseguiam o povo todo.

Márcio | marciovm@hotmail.com | SP/SP | Economista | 0 | 09/03/2009 10:32

 

Resposta:

Eu nunca pedi ditadura nenhuma em nenhuma parte do mundo nem contribuí com recursos materiais para nenhuma ditadura, como fez a Folha.

Além disso, cadê suas críticas públicas à ditadura? Diga-nos onde foram publicadas, em que dia, em que mês e em que ano.

Estamos ansiosos para lê-las, pois, de acordo com sua teoria, quem não critica TODAS as ditaduras, sejam de esquerda ou de direita, não pode criticar a que aconteceu no país dele.

Estamos, pois, esperando a informação sobre onde e quando foram publicadas suas críticas ao regime militar brasileiro, por exemplo, já que você faz críticas a Cuba e, assim, tem o direito de criticar a ditadura brasileira.

Deve tê-las feito... Ou não? Ou será que se omitiu sobre o que aconteceu em seu próprio país enquanto se concentrava no que acontecia exclusivamente nos países nos quais vigem ditaduras que, à diferença da brasileira, são-lhe antipáticas?

 

Artigo da CUT sobre o Ato do último sábado

 

Clique na imagem abaixo para ler.

 

 

Eu no TWITTER

 

Convencido por esses moços maravilhosos Emerson Luis (Nas Retinas, agora "linkado" no Cidadania), Guto Carvalho e Andréia Vieira, cadastrei-me no Twitter, de onde passarei a disparar o que possa achar urgente para dizer.

Meu login no Twitter é    EDUGUIM 

 

Vídeos do Ato

 

por Andréia Vieira

 

Pe. Júlio Lancelotti - 1

 

 

Pe. Júlio Lancelotti - 2

 



 Escrito por Eduardo Guimarães às 11h10
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Nota de Agradecimento

Aos que não se calaram

 Atualizado às 13h49m de 9 de março de 2009

 

 

O Movimento dos Sem Mídia, por meu intermédio, agradece formalmente o apoio das seguintes pessoas físicas e entidades da sociedade civil ao Ato Público de repúdio contra o jornal Folha de São Paulo que teve lugar no último sábado.

 

Apeoesp

Aton Fon Filho

Articulação Mulher e Mídia

Celso Lungaretti

Central Única dos Trabalhadores - CUT

Centro Acadêmico Benevides Paixão - PUC - SP

Centro Acadêmico de História da Unicastelo - SP

Centro Acadêmico de História da USP

Centro Acadêmico Wladimir Herzog - fac. Casper Líbero

Ciranda em defesa à Educação Infantil

Círculo Bolivariano de SP

Coletivo Estudantil de Direito da PUC - SP

Coletivo Intervozes

Coletivo Socialismo e Liberdade - PSOL

Conselho Indigenista Missionário de SP

Deputado Estadual - SP Carlos Neder

Deputada Federal - SP Luiza Erundina 

Facesp - Federação das Assoc Comunitárias de SP

Fórum em Defesa da Infância

Fórum Permanente ex-presos políticos de São Paulo

Grêmio Libre Estudantil Bertold Brecht - ETESP

Instituto Helena Greco de Direitos Humanos

Ivan Seixas

Jornal Brasil de Fato

Juventude do PT

Luiza Erundina

Marcha Mundial das Mulheres

Ministério da Justiça - Comissão de Anistia

Movimento das Fábricas Ocupadas - Flasko

Movimento do Ministério Público Democrático

Movimento Negro Unificado - MNU 

Movimento pelo Voto Aberto no Congresso Nacional

Padre Júlio Lancelotti

PC do B

Portal Vermelho

Rede Social de Justiça e Direitos Humanos

Revista Caros Amigos

Sindicato dos Bancários

Setor de Direitos Humanos do MST

Sindicato dos Jornalistas de São Paulo

Sindicato dos Metroviários da Capital

Sindicato dos Tralhadores em Editoras de Livros de São Paulo- SEEL

Toshio Kawamura

TV Brasil

UBES - União dos Estudantes Secundaristas

UNE - União Nacional dos Estudantes

União da Mulher de SP

União de Núcleos de Educação popular para Negros

Vereador Francisco Chagas (Câmara Municipal de São Paulo)

 

O Movimento dos Sem Mídia agradece o apoio e cumprimenta as pessoas e entidades supra mencionadas. Pedimos àqueles que porventura não foram citados que deixem aqui seu comentário para incluirmo-los na relação de agradecimentos. Explicamos que nossas anotações, devido ao acúmulo de manifestantes, foram precárias e alguns nomes ficaram ilegíveis.  

 

Minha recompensa

 

Tive vontade de divulgar a lista de presenças assinada pelas centenas de pessoas que se manifestaram diante da Folha, mas não tenho autorização de muitos e a publicação poderia causar problemas a alguém.

Quero fazer alguns registros, porém.

O caso mais impressionante de engajamento foi o do goiano Wilson Cunha Junior, que viajou de ônibus por 14 horas só para participar da manifestação. Que cidadão é esse?

E o padre Júlio Lancelotti? Esse homem... Devo tanto a ele... Já contei a história neste blog quando a mídia tentou destruí-lo, mas volto a contar porque muitos leitores mais chegaram aqui entre aquela época e hoje.

Em 1990, eu, minha mulher e filhos morávamos na Rua Taquari, no bairro paulistano do Belém, a uma quadra da igreja do padre. Tive um acidente de automóvel e fiquei semanas sem poder trabalhar – eu era autônomo.

Padre Júlio não deixou que nada nos faltasse. Até dinheiro nos emprestou. Levou-nos víveres e, mais do que tudo, força moral para enfrentar as dificuldades. Enquanto eu convalescia, dia sim, dia não ele nos visitava.

Minha filha primogênita, então com oito anos de idade, ajudava o padre na sua modesta paróquia, nas missas. E ele batizou meu filho, então com dois anos.

A pessoa que mais se indignou com as calúnias assacadas contra o padre Júlio foi minha filha primogênita. Ela, melhor do que ninguém sabe que ele jamais faria mal a uma criança.

E também temos todos os leitores do blog que vieram de outras cidades ou Estados. Gastaram dinheiro, tempo, trabalhando pelo país, pela memória da nação.

E todos os outros, meus leitores ou não, que foram ao Ato de sábado através de outros blogues, através de convite de outros... Não tenho palavras para cumprimentar a tantos.

Os depoimentos emocionados, a dor presa naquelas gargantas, em alguns casos foram libertados depois de décadas. Que honra poderia ser maior do que ter participado de um movimento que deu voz àqueles injustiçados?

Eu e todos ali fomos às lágrimas várias vezes. A emoção marcou aquele Ato do começo ao fim. Lavamos nossas almas diante de um dos instrumentos da ditadura mais cínicos que há, a Folha, a grande imprensa colaboracionista que pediu e ajudou a implantar a ditadura, depois se arrependeu e hoje quer apagar a história.

Mas peço que me permitam um depoimento particular. Dois dos muitos jovens que ali estavam aproximaram-se timidamente de mim. Queriam minha atenção, que tentei dar ao máximo de pessoas. Ambos tinham idade para ser meus filhos - o rapaz, 21 anos, e sua irmã, pouco mais.

Não revelo o nome deles porque não lhes tenho a autorização, mas preciso compartilhar o presente que me deram.

O rapaz disse que queria me agradecer porque eu havia sido “um pai” para ele. De imediato, não entendi. Sua irmã esclareceu-me que ela e seu irmão são leitores deste blog há três anos e que o que escrevo aqui mudou pelo menos a vida do rapaz.

O jovem revelou que começou a me ler com 18 anos – hoje, como já disse, tem 21. Segundo entendi, parece que ele não estava no melhor dos caminhos, mas, ao ler-me aqui, passou a se interessar pelas atitudes que prego.

Hoje, aquele menino está no bom caminho de estudar com afinco para um dia se tornar um cidadão na plenitude da palavra. Por isso, disse que fui “um pai” para ele.

Criei este blog para estimular as pessoas a exercerem sua cidadania, para tirá-las do sofá, para fazê-las reagirem contra o que está errado. E fiz isso pensando nesses jovens que hoje não se interessam por nada além de como ganhar muito dinheiro um dia.

Incentivar tantos a tomarem uma posição real contra aquela perigosíssima tentativa de revisão histórica da Folha, de forma a dar voz às vítimas da ditadura, foi muito bom. Mas aquele rapaz, que poderia ser meu filho e que se sente como tal, salvou-me o ano, no mínimo.

 

Aos que não puderam ir ao Ato

 

Alguns manifestaram aqui uma certa dor por não terem podido comparecer ao Ato contra a "ditabranda". Não pensem nisso. Quem não foi mas apoiou nossa iniciativa, ajudou à sua maneira. Como sempre disse aqui, cada um faz o que pode e como pode. Só quem deve sentir-se mal são aqueles que, por orgulho ou por comodismo, negaram-se a apoiar o que fizemos no sábado, tanto com presença física como com mero apoio.

 

Outro presente

 

Edu,

sou a "irmã" do rapaz. Não somos irmãos de sangue, mas, sim, de coração.

Fico imensamente feliz de saber que ele salvou no mínimo seu ano. Com esse seu post, voce salvará o ano dele também.

Nunca vou esquecer que você nos pediu pra estudar e não deixar ninguém esquecer da nossa historia. Pode ter certeza que, quando eu tiver um filho, ele será phd em ditadura ( e "vergonhices" do Brasil), e não será mais um cego que só diz amém a essa imprensa sem-vergonha.

Hoje já falei pra minha prima entrar SEMPRE no seu blog, pro meu namorado, pro meu cunhado e pra minha irmã. Ano passado, passei seu endereço pra umas colegas de classe e para um professor.

Edu, eu te agradeço por me dar esperança. Antes, eu era a única a me indignar com coisas do mundo e todos me falavam que não adiantava nada se indignar porque só eu era assim.Você me mostrou que posso e devo me indignar sempre, ir atrás e me mostrar mesmo indignada, porque há ainda muitas pessoas engajadas no Brasil.

Muito obrigada, e um grande abraço!!


Hannah | São Paulo | Estudante 



 Escrito por Eduardo Guimarães às 12h32
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Repercussão do Ato Público contra a ditabranda

Folha diz que errou com

‘ditabranda’ e a reitera

 

 

O jornal Folha de São Paulo noticiou, em sua edição deste domingo, o Ato do Movimento dos Sem Mídia (MSM) que aconteceu ontem diante de sua sede, no centro de São Paulo. Foram dois textos publicados no caderno Brasil.

O jornal reconheceu a impropriedade do termo “ditabranda”, concedeu a autoria da manifestação ao Movimento dos Sem Mídia, que qualificou como “uma idéia” deste blogueiro, e citou que ao Ato compareceram “vítimas da ditadura, estudantes e sindicalistas ligados à CUT”.

A Folha também noticiou e reproduziu, na íntegra, o teor do abaixo-assinado que circulou na internet criticando seu editorial e informou o número aproximado de adesões.

A matéria da Folha omitiu os termos do Manifesto do MSM, todas as acusações que tem recebido sobre seu colaboracionismo com a ditadura, reiterou sua teoria sobre a “suavidade” do regime militar e omitiu várias outras entidades que participaram do Ato.

Em vista de erros de boa e de má fé que foram cometidos no que tange ao número de manifestantes, julgo que a estimativa do jornal de que 300 pessoas participaram do Ato foi um erro menor.

Vale esclarecer que o Movimento dos Sem Mídia dispõe de 345 assinaturas em sua lista de presença à manifestação. Qualquer um que dela participou entendeu que os manifestantes eram mais numerosos do que apenas a lista de assinaturas, pois muitos não assinaram, já que tínhamos apenas duas pessoas colhendo assinaturas.

O ombudsman da Folha, Carlos Eduardo Lins da Silva, não se manifestou sobre o assunto em sua coluna deste domingo. Vale esclarecer que sua coluna dominical é escrita durante a semana. Porém, num caso como esse, não se explica por que não escreveu no dia do Ato, como fez a Redação do jornal.

 

*

 

A matéria do Cidadania.com sobre o Ato Público de sábado foi postergada para veicular a da Folha. Ainda neste domingo, a matéria deste blog será publicada.

 

*

 

Abaixo, os dois textos publicados no caderno Brasil do jornal.

 

*

 

Folha de São Paulo

8 de março de 2009

Caderno Brasil Manifestação contra Folha reúne 300 pessoas em frente ao jornal

Militantes fazem desagravo a professores, que não comparecem a evento

DA REPORTAGEM LOCAL

Cerca de 300 pessoas participaram ontem pela manhã de manifestação contra a Folha em frente à sede do jornal, na região central de São Paulo.

O ato público tinha o duplo objetivo de protestar contra editorial publicado pelo jornal no dia 17 de fevereiro, que usou a expressão "ditabranda" para caracterizar o regime militar brasileiro (1964-1985), e prestar solidariedade aos professores Maria Victoria Benevides e Fábio Konder Comparato. Nenhum dos dois estava presente.

A Folha publicou no "Painel do Leitor" 21 cartas sobre o assunto, 18 delas críticas aos termos do editorial, entre as quais as assinadas por Benevides e Comparato. Segundo escreveu este último, o autor do editorial e o diretor de Redação que o aprovou "deveriam ser condenados a ficar de joelhos em praça pública e pedir perdão ao povo brasileiro".

Em resposta, o jornal classificou a indignação dos professores de "cínica e mentirosa", argumentando que, sendo figuras públicas, não manifestavam o mesmo repúdio a ditaduras de esquerda, como a cubana.

Desde então, além de cartas, o jornal vem publicando artigos a respeito da polêmica, alguns dos quais com críticas ou reparos à própria Folha.

O protesto de ontem foi organizado pelo Movimento dos Sem-Mídia, idealizado pelo blogueiro Eduardo Guimarães. O público era composto na sua maioria por familiares de vítimas da ditadura, estudantes e sindicalistas ligados à CUT.

Abaixo-assinado

Um abaixo-assinado de repúdio ao editorial da Folha e solidariedade a Benevides e Comparato circulou pela internet nas últimas semanas. Entre seus signatários estão o arquiteto Oscar Niemeyer, o compositor e escritor Chico Buarque, o crítico literário Antonio Candido e o jurista Goffredo da Silva Telles Jr.

Niemeyer disse que "o convite para assinar veio de um amigo muito querido, que foi preso e torturado. Fiquei muito chateado, porque gosto do pessoal da Folha. Fiquei constrangido, mas não podia dizer que não". O arquiteto disse não ter lido o editorial. Na sua versão eletrônica, o abaixo-assinado contava com mais de 7.000 adesões, cuja autenticidade, porém, não há como comprovar.

Segue a íntegra do texto:

"Ante a viva lembrança da dura e permanente violência desencadeada pelo regime militar de 1964, os abaixo-assinados manifestam seu mais firme e veemente repúdio à arbitrária e inverídica revisão histórica contida no editorial da Folha de S.Paulo do dia 17 de fevereiro de 2009.

Ao denominar ditabranda o regime político vigente no Brasil de 1964 a 1985, a direção editorial do jornal insulta e avilta a memória dos muitos brasileiros e brasileiras que lutaram pela redemocratização do país. Perseguições, prisões iníquas, torturas, assassinatos, suicídios forjados e execuções sumárias foram crimes corriqueiramente praticados pela ditadura militar no período mais longo e sombrio da história política brasileira. O estelionato semântico manifesto pelo neologismo ditabranda é, a rigor, uma fraudulenta revisão histórica forjada por uma minoria que se beneficiou da suspensão das liberdades e direitos democráticos no pós-1964.

Repudiamos, de forma igualmente firme e contundente, a Nota da Redação, publicada pelo jornal em 20 de fevereiro em resposta às cartas enviadas ao "Painel do Leitor" pelos professores Maria Victoria de Mesquita Benevides e Fábio Konder Comparato.

Sem razões ou argumentos, a Folha de S.Paulo perpetrou ataques ignominiosos, arbitrários e irresponsáveis à atuação desses dois combativos acadêmicos e intelectuais brasileiros. Assim, vimos manifestar-lhes nosso irrestrito apoio e solidariedade ante as insólitas críticas pessoais e políticas contidas na infamante nota da direção editorial do jornal.

Pela luta pertinaz e consequente em defesa dos direitos humanos, Maria Victoria Benevides e Fábio Konder Comparato merecem o reconhecimento e o respeito de todo o povo brasileiro."

*

 

Folha avalia que errou, mas reitera críticas

DA REDAÇÃO

O diretor de Redação da Folha, Otavio Frias Filho, divulgou ontem as seguintes declarações:

"O uso da expressão "ditabranda" em editorial de 17 de fevereiro passado foi um erro. O termo tem uma conotação leviana que não se presta à gravidade do assunto. Todas as ditaduras são igualmente abomináveis.

Do ponto de vista histórico, porém, é um fato que a ditadura militar brasileira, com toda a sua truculência, foi menos repressiva que as congêneres argentina, uruguaia e chilena -ou que a ditadura cubana, de esquerda.

A nota publicada juntamente com as mensagens dos professores Comparato e Benevides na edição de 20 de fevereiro reagiu com rispidez a uma imprecação ríspida: que os responsáveis pelo editorial fossem forçados, "de joelhos", a uma autocrítica em praça pública.

Para se arvorar em tutores do comportamento democrático alheio, falta a esses democratas de fachada mostrar que repudiam, com o mesmo furor inquisitorial, os métodos das ditaduras de esquerda com as quais simpatizam."

Otavio Frias Filho



 Escrito por Eduardo Guimarães às 05h56
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