Acho importantíssimo avaliar friamente os números sobre a popularidade de Lula que foram divulgados na última sexta-feira pelos institutos Datafolha e Ibope. Tentarei fazer isso de forma realista e desapaixonada.
Acredito que entender a realidade, seja ela como gostamos ou não, é o melhor que se pode tentar fazer mesmo quando se acredita que essa realidade seria melhor assim ou assado, pois, querendo manter ou mudar as coisas, primeiro se tem é que saber que coisas são essas sobre as quais se quer influir.
Estamos vivendo um processo bastante complicado no Brasil porque o mundo está vivendo esse processo e este país fica nesse mundo. As coisas mais óbvias às vezes têm que ser ditas, sabe-se lá por que.
Minha saudosa vovozinha já dizia que “Em casa que falta pão, todo mundo grita e ninguém tem razão”. Pois é, quando o bolso dói, meus amigos, dá nisso aí.
Mas, no Brasil, a política está virulenta não apenas por causa da crise. Ela já vinha virulenta desde que estávamos nadando em empregos, negócios e aumento de renda, há alguns meses.
Eu fico me perguntando por que a luta pelo poder está tão acirrada se o governo Lula está sendo tão bom para as elites quanto elas dizem que está. Será que a mídia e os banqueiros do PSDB e do PFL acham que Lula é tão bom assim mesmo?
Venha à zona Sul de São Paulo, aos Jardins, a Moema, ao Itaim Bibi, a Higienópolis e diga o nome de Lula. O ódio é tão denso que pode ser pego com as mãos.
Porém, as pesquisas Datafolha e Ibope revelaram dados surpreendentes que não estão sendo levados em conta.
Não passarei agora a reproduzir um monte de tabelas a vocês. Não darei percentuais. Vocês podem ir ao site do Datafolha e checar por vocês mesmos, ainda que o site da CNI e o link da pesquisa que o Ibope lhe fez, não estejam funcionando.
O interessante é que Lula perdeu aprovação entre os mais pobres e incultos e manteve a aprovação inalterada entre os mais ricos e cultos. Coisa de 60% de aprovação. Um espanto.
Estão levantando suspeitas sobre as pesquisas. Eu não teria dificuldade de achar que foram manipuladas, porque, como sabem meus leitores mais antigos, há anos que afirmo que a mídia, que é dona dos institutos todos, já fraudou pesquisas.
Não se descarta a necessidade de o governo Lula encomendar pesquisas paralelas às que foram divulgadas, mas acredito que se fosse necessário fazer uma recomendação dessas ao PT e ao próprio governo, quem apóia esse partido e o presidente Lula estaria frito. Teríamos um governo e um partido do governo compostos por descerebrados que jamais poderiam ter conduzido o país como conduziram até aqui e muito menos teriam conseguido chegar ao poder.
Mas será que eu estarei sendo exageradamente óbvio se disser que, se algum instituto que faça pesquisa para o governo tiver detectado dados diferentes, esses dados precisam ser divulgados logo?
E se alguém tiver notícias sobre uma reunião de caciques tucanos e pefelistas com donos de meios de comunicação e de institutos de pesquisa, essa pessoa deveria denunciar logo isso. Vocês não acham?
No final de 2005, Lula caiu nas pesquisas do Datafolha e do Ibope. Então, em janeiro de 2006, veio o CNT-Sensus e mostrou um quadro totalmente diferente. Lula começava a subir inexplicavelmente...
É história. Não vou discutir com ninguém. Quem achar que não foi assim, que vá verificar.
O fato é que, agora, pode até ter havido uma forçada de mão, mas não acho que tenha sido só isso. Seria uma atitude totalmente alienada achar que as centenas de milhares de demissões que ocorreram não fariam as pessoas demitidas, seus amigos e seus familiares ficarem contra Lula. E esse universo de pessoas chega aos milhões.
A questão é uma só: a economia. Se continuar a recuperação do nível de emprego verificada em fevereiro e que está acontecendo em março, e se a produção industrial e as vendas no varejo continuarem crescendo, em questão de semanas as coisas poderão mudar muito.
Temos o fator mídia. O bombardeio de más notícias econômicas e a ocultação das boas, é incessante. A mídia cria um clima de desânimo no país. Quem poderia começar a consumir ou contratar, fica com medo.
A questão é saber até que ponto. As pesquisas Datafolha e Ibope deram conta de que aumentou o número de assustados, mas também deixou ver que o número de confiantes ainda é alto.
Se todo estrago entre os mais suscetíveis à mídia já tiver sido feito, se o emprego se estabilizar e começar a se recuperar, o país pode dar um salto enorme no cenário internacional e a volta da direita ao poder estará irremediavelmente barrada.
Se o alarmismo começar a ganhar corpo – e de algumas semanas para cá, vinha perdendo consistência –, tudo pode mudar para pior, pois o efeito dominó importará a crise.
Claro que tudo isso só é válido, também, dependendo do cenário externo. Se as coisas continuarem piorando, pode ser que não existam bons fundamentos econômicos que segurem a onda.
Por outro lado, uma eventual recuperação, por tênue que seja, lá fora, fará o Brasil acelerar como um bólido de Fórmula Um. Daí, não haverá alarmismo que dê conta. O Brasil é um cavalo selvagem sempre pronto a disparar. Só se consegue conter o seu ímpeto, dopando-o.
Enfim, era isso aí que eu tinha para lhes dizer, por hora.
Comentários
Mas resta uma coisa. Eu tenho tentado ser democrático aqui neste blog dando voz ao contraditório, a críticas, mas está havendo uma orquestração oriunda de uns blogs de Esgoto que estão fazendo alusões a mim de novo, gerando um grupelho de uns dois ou três que estão vindo aqui a cada hora com um nome diferente fazer ataques e provocações.
Por conta disso, o filtro do blog terá que ser ativado no modo desinfecção. Essas provocações estão impedindo a focalização nos problemas dos quais tratamos e em seu entendimento, que é o nosso objetivo aqui. Por isso, provocadores estão fora, ao menos enquanto durar o ataque.
Premido pelo fastio e pela indignação diante dessa indignidade que é a comédia política nacional, ontem escrevi aqui o que não tinha o direito de escrever.
Se você chegou agora a este blog e não leu o penúltimo post antes deste, terá que ler para entender melhor.
De qualquer forma, eu disse aqui ontem (sexta) que, “Se Lula se omitir [na denunciação da parcialidade política da mídia], para mim será uma senha para fazer o mesmo”.
Retiro o que disse. Não está certo dizer isso. A gente solta uma coisa dessas sem pensar. Quer dizer que se Lula matar alguém será a senha para eu fazer o mesmo?
Calma, petistas de carteirinha, que não estou, agora, acusando Lula de assassino. Não mudei de lado, até porque o meu lado é o lado do Brasil, por mais que eu esteja apoiador deste governo, sim.
Quero pedir desculpas, isso sim, é por me colocar no meio do debate do post sobre os absurdos ataques à Operação Satiagraha, ocultados pelos ataques e perseguições ao delegado Protógenes Queiróz.
Esqueçam de mim. Se em algum momento eu me fartar disto tudo, há ótimos jornalistas por aí com magníficos blogs para escreverem ótimos posts.
E eu nem quis dizer que pararia de escrever, porque adoro escrever. Pararia com o ativismo político independentista que tenho praticado.
Mas essa é outra história. Contem comigo. Não é hora de dar chiliques. Peço desculpas pelo arroubo.
Estava apenas farto, ontem, e aquele vídeo da entrevista dos jornalistas de Carta Capital e do Globo na tevê Câmara, mais a informação de que até censura está sendo praticada no Brasil, tiraram-me do sério.
Também fiquei zangado com a atuação do presidente Lula. Essa história de “Lulinha paz e amor” já foi longe demais.
O homem tem enorme aprovação. Seus adversários, então, cooptam tevês, jornais e revistas de forma a atacarem o presidente, e ele deixa passar. Até aí, ele é quem sabe.
Mas então mídia começa a alarmar as pessoas a fim de que consumidores parem de consumir e de que os empresários parem de investir e até comecem a demitir.
A mídia faz isso num momento em que todas as nações do mundo tentam estimular suas sociedades a fazerem o contrário. Em países em que a recessão já se instalou faz muito mais tempo, países desenvolvidos, a mídia faz muito menos barulho sobre a crise.
Lula tem o direito de não revidar os ataques pessoais a si. Não tem o direito, no entanto, de permitir que a imprensa do Brasil prejudique nosso país. Ele é uma autoridade. É o único que tem voz para denunciar essa sabotagem tucano-pefelê-midiática na hora em que quiser.
Lula não pode se omitir, mas se fizer isso ninguém terá o direito de fazer o mesmo. Nem eu nem ninguém.
Perdoem-me. E compreendam-me: é uma chatice ter que ficar lendo todo tipo de ataque, de um lado e de outro.
E-mails me invadem a caixa-postal sem parar. Vários contendo vírus, outros contendo ataques inimagináveis, e de uns tempos para cá há gente ligando para o meu escritório e desligando. Isso sem falar nos comentários ofensivos e até ameaçadores aqui no blog.
Estou mais tranqüilo, agora. Mais tarde escreverei minha análise sobre as pesquisas divulgadas ontem, pois tenho umas novidades para vocês.
A REDE RECORD, que explora uma concessão pública de TV e pertence ao mesmo proprietário da Igreja Universal do Reino de Deus, vem desfechando ataques contra esta Folha em seus noticiários. Pretende mover algo como uma campanha, pois a mesma mixórdia de reportagem canhestra e investida comercial tem sido repetida à exaustão.
O motivo de tanta ira, agora, é o desagrado diante da independência jornalística da coluna de TV publicada pelo jornal. Assinada pelo repórter Daniel Castro, a coluna pode cometer eventuais falhas, que são retificadas do modo transparente com que este jornal costuma fazê-lo. Mas tem procurado agir com máxima isenção, sobretudo em face do duelo feroz entre a Record e a emissora líder no país, a Rede Globo. Entre ambas, a Folha toma o partido de seu leitor, que deseja ser informado.
O que é prática de jornalismo verdadeiro se torna -na percepção tosca dos atuais dirigentes da Record, acostumados a reduzir qualquer questão a seu aspecto comercial- uma suposta campanha contra a emissora. A mesma percepção levou a Igreja Universal a orquestrar litigância de má-fé na Justiça contra este jornal e a repórter Elvira Lobato, por conta de reportagens sobre subterrâneos financeiros daquele empreendimento religioso.
Negócios e religião não deveriam caminhar juntos. A atividade religiosa é isenta de impostos. Até por esse motivo a sociedade tem todo o direito de conhecer os vasos comunicantes que ligam a Igreja Universal aos tentáculos de seus vários ramos de negócio. A reação destemperada da Record é um mero incentivo para que a Folha insista em esclarecer o que parece tão imprescindível manter oculto.
Jornal da Record
20/março/2009
Editorial da Rede Record
FOLHA DE MENTIRAS
A Folha de S.Paulo publicou hoje um editorial tentando justificar as mentiras repetidas pelo jornal. Calúnias que atingem diretamente a Rede Record e a honra de seus artistas, jornalistas e demais funcionários.
Mais uma vez, o jornal se faz de vítima.
O texto frágil e tortuoso chama de "ataque" o direito de resposta da Record. Direito, aliás, que nem sempre foi respeitado pelo jornal após a publicação de cada notícia mentirosa nos últimos seis meses.
As falsidades chegaram ao limite com a repercussão de uma inexistente doença do proprietário da Rede Record, Edir Macedo, e a distorção dos números de audiência da Record News, desmentidos pelo próprio Ibope.
A assessoria de comunicação da Record pediu retratação sucessivas vezes e o resultado foi sempre o mesmo: omissão. Espaço do leitor, "Erramos", ombudsman e a própria coluna de tv. Todos se calaram. Onde ficou o "outro lado"?
Nesta sexta, a Folha de S.Paulo se superou. A família Frias, dona do Grupo Folha, usou seu espaço mais importante para sustentar a série de mentiras. Página de opinião de que os Frias sempre se orgulharam em utilizar em nome do bom jornalismo.
E a Record não foi a única vítima. Os brasileiros que sofreram durante a ditadura foram agredidos pela família Frias neste mesmo espaço. Há 31 dias, a Folha de S.Paulo chamou de "ditabranda" os anos de chumbo no Brasil.
Estaria a Folha de S.Paulo revivendo sua atuação suspeita nos tempos do regime militar?
Por isso, não é de surpreender o tom raivoso do editoral desta sexta, que chega ao absurdo de ameaçar a Record.
É verdade que o texto quase admitiu o jornalismo tendencioso contra a Record. O editorial diz: "(...) A coluna pode cometer eventuais falhas". Mas foi só. Em seguida afirma que as calúnias foram "retificadas de modo transparente".
Mentira.
Em outro trecho, o jornal reconhece estar no meio de um "duelo feroz" entre a Globo e a Record. Só não revela que é sócia das Organizações Globo em uma de suas publicações.
Por que a Folha de S.Paulo esconde isso de seus leitores?
Isso é "independência jornalística", como cita o editorial?
Isso é "agir com máxima isenção"?
Isso é "prática de jornalismo verdadeiro"?
É possível acreditar que uma empresa será imparcial numa disputa que envolve o seu próprio sócio?
A brutal queda de leitores, que aumenta a cada ano de maneira impressionante, é uma resposta do Brasil à Folha de S.Paulo.
Serei franco com vocês: estou ficando farto dessa pantomima que é o Brasil.
Acima, vocês viram – ou verão – três vídeos reproduzindo um programa que passou na TV Câmara sobre os meandros da Operação Satiagraha e sobre o ataque descomunal que está sendo movido pelos meios de comunicação, pelo PSDB, pelo PFL, por legendas de aluguel e pelo ministro Gilmar Mendes contra o delegado Protógenes Queiróz e contra o Juiz Fausto De Sanctis.
A mídia, a serviço dos interesses políticos do governador José Serra, o bibelô contemporâneo da golpista direita brasileira, trata de sabotar o país através da repetição incessante de notícias desanimadoras sobre a economia, de forma a influir na disposição dos agentes econômicos e, assim, aprofundar e postergar a crise no Brasil
Vivemos hoje uma situação escandalosa na qual os grandes meios de comunicação mentem descaradamente ao público, como no caso da afirmação peremptória e reiterada da mídia de que Gilmar Mendes e um pefelista qualquer foram “grampeados” pelo governo Lula sem que exista um só indício de que esse grampo existiu.
O governo de São Paulo fecha contratos milionários com a Editora Abril para comprar-lhe livros didáticos, descobre-se que esses livros são verdadeiras obras de anti-cultura, compêndios de estupidez cheios de informações erradas, ao ponto absurdo de subverterem o mapa da América do Sul e outras barbaridades e a prefeitura da capital paulista nega ou fornece comida estragada a crianças das escolas municipais. A mídia, além de não investigar tais fatos, oculta-os.
Eu poderia ficar aqui descrevendo os absurdos que estão acontecendo no país por dezenas de laudas, mas o que eu queria, ao começar a escrever este texto, era exemplificar a que ponto de descaramento a direita brasileira chegou.
O êxito da campanha midiática de sabotagem da economia é inegável. Além dos dramas institucionais que a leniência com esse cancro que é a direita brasileira gerou, agora essa direita está conseguindo, nada mais, nada menos do que prejudicar diretamente as vidas de milhões a fim de predispor a sociedade a comprar seu candidato à Presidência da República em 2010, o governador José Serra.
Estou farto de ficar só escrevendo como um alucinado, lendo comentários indignados em miríades de blogs e ver que tudo isso não adianta nada.
O fato é que a leniência do governo Lula com o crime organizado e com seus tentáculos políticos, econômicos, “jornalísticos” e até judiciários, foi longe demais. O governo Lula tem que tomar uma atitude. E a primeira delas é partir para o enfrentamento político. Trocando em miúdos: Lula tem que enfrentar a mídia.
A criminalização do delegado Protógenes Queiróz e do juiz Fausto De Sanctis é uma das maiores indignidades que já vi na minha vida. O mundo deve estar se matando de rir do Brasil, onde o bandido, além de não pagar por seus crimes, consegue pôr a polícia e a Justiça na berlinda, como faz Daniel Dantas sob o olhar estupefato da sociedade.
Estou farto de bancar o palhaço aqui me esgoelando contra essa imundice todo santo dia e, enquanto isso, o governo Lula fica se borrando de medo de enfrentar o que está na raiz de toda essa ópera bufa.
Não dá para fazer uma omelete sem quebrar os ovos. Os avanços sociais profundos por que passam países como Venezuela, Bolívia e Equador, entre outros, só foram possíveis porque esses países são governados por homens que se dispuseram a enfrentar a estrutura corrupta, criminosa e autoritária erguida pelas elites locais para perpetuar o status quo de iniqüidade, racismo e roubalheira do patrimônio público.
Se Lula não começar a reagir, não acredito que valerá a pena eu continuar nesta luta. Tenho aberto mão até de cuidar de meus interesses pessoais para ajudar a travar o debate político. Não sou jornalista, não sou político, não faço o que faço aqui com pretensão nenhuma além da pretensão de ajudar meu país.
Esses jornalistas todos que têm blogs de esquerda ou independentes, estão na deles. Eles vivem de jornalismo, ora bolas. No mínimo, seus blogs os ajudam a construir suas imagens no meio em que atuam profissionalmente. E quero deixar claro que não os estou desmerecendo. Apenas digo que, para eles, faz todo sentido do mundo travarem o bom combate que travam, não só por fazerem o que é certo mas porque é pertinente à profissão que abraçaram.
Não é o meu caso. A cada vez que paro meu trabalho remunerado – que nada tem que ver com jornalismo ou com política – para vir aqui ajudar no debate político, estou me prejudicando. Faço isso com prazer, no entanto. Acho que, sim, mesmo não sendo político, é meu dever também fazer o que faço num país em que cumprir o próprio dever de cidadão é coisa rara.
Devo reconhecer, porém, que começo a desanimar. Já começo a entender os amigos e familiares que me dizem que sou um Don Quixote piorado, que acha que mudará o mundo apesar de que não consegue nem mudar a própria vida. E, sobretudo, porque esta luta é solitária, principalmente para quem não é do meio político ou jornalístico, porque de todo lado tem alguém levantando dúvidas sobre seus “motivos”.
Não dá mais, portanto, para Lula e o PT contemporizarem. O resto da base aliada do governo petista que não é composta por legendas de aluguel, também quer o enfrentamento político com a direita, seja com a direita parlamentar, com a midiática, com a empresarial ou com a judiciária.
Neste momento, como cidadão que pode afirmar que tem feito, sim, sua parte para contribuir com o país, estou cobrando uma atitude pessoal do presidente da República. Ele deve se decidir se irá se contentar com o que já conseguiu na vida ou se trabalhará até o último dia do mandato que lhe foi dado por pessoas como eu para mudar o Brasil. Lula tem que optar por lutar ou por largar mão de tudo e ficar à espera da posse de Serra e da reversão de seus oito anos de governo por um eventual governo tucano.
Chega de dar murro em ponta de faca. Se Lula se omitir, para mim será uma senha para fazer o mesmo. E quando falo na primeira pessoa, não estou falando sobre mim. Estou seguro de que falo por todos os outros Eduardos deste país. Estamos todos para lá de fartos.
Surgiram rumores sobre uma possível queda da aprovação do presidente Lula na pesquisa CNI/Ibope que o colunista da Veja Lauro Jardim dissera que sairia na semana que vem, mas que parece que sairá nesta sexta-feira.
Segundo furo de reportagem da colunista da Folha de São Paulo Monica Bergamo, o presidente do Ibope, Carlos Augusto Montenegro, já teria adiantado essa queda do presidente, uma subida de Dilma Rousseff e a queda de José Serra nas intenções de voto destes dois últimos para a sucessão presidencial do ano que vem.
Se esses dados se confirmarem, haverá certa lógica neles.
No caso do presidente Lula, dois fatores poderão ter contribuído para sua suposta perda de popularidade: a materialização do desemprego e a propaganda recente do PFL, que no rádio chegou a afirmar que o Brasil estaria perdendo 600 mil empregos “a cada mês”.
Quando aludo a “materialização do desemprego”, refiro-me ao “cair da ficha” das 800 mil pessoas que perderam seus empregos desde o fim do ano passado. Essas pessoas talvez ainda acalentassem a idéia de que haveria uma recuperação mais rápida da economia e, assim, até as últimas pesquisas poderiam ter se mantido fiéis à opinião favorável que vinham manifestando sobre o governo, mas com a tomada de consciência de que isso não aconteceria podem ter sido afetadas pela recente propaganda eleitoral pefelista.
Quem acaba de perder o emprego e é lembrado de que o presidente assegurara que a crise não traria maiores conseqüências para sua vida, tende a sentir-se traído. E ouvindo a história da “marolinha”, poderá ter ficado ainda mais irritado com Lula.
É possível até fazer uma especulação estatística sobre o que poderá ocorrer em termos de queda de popularidade de Lula. Bastará lembrarmo-nos de que cada pessoa que perdeu o emprego pode ter em seu entorno, em média, mais quatro familiares, o que elevaria os novos descontentes com o governo para alguma coisa próxima a quatro milhões.
Somemos a isso, digamos, mais umas três pessoas amigas ou colegas de trabalho do demitido que acompanharão seu drama, e chegaremos, facilmente, a cerca de seis milhões de pessoas que teriam mudado de opinião sobre o presidente.
Arredondemos, depois, o contingente de brasileiros projetado pela amostragem das pesquisas para uns 150 milhões e descobriremos que, em tese, poderia haver uma queda de até quatro pontos percentuais.
Isso é o que, em administração, costumam chamar de “conta de português”. O mais espantoso, no entanto, é que esse tipo de conta às vezes funciona...
Finalmente, resta a questão de Dilma Rousseff e José Serra. É evidente que os números para uma candidata de um governo com aprovação ainda tão alta estão bem abaixo do que podem chegar a ser, de maneira que é esperado que conforme Dilma for sendo vista como candidata de Lula à sua sucessão ela aumente seu patrimônio eleitoral.
E como muitos dos que se identificarem com a ministra poderão vir do contingente que ainda não sabia que Lula já tinha candidata, aumenta o universo dos que escolheram algum candidato e, claro, Serra acabaria tendo uma participação percentual menor no bolo de pesquisados.
Não adiantará muito esse prêmio de consolação da subida de Dilma e queda de Serra. Era esperado que isso acontecesse, pois a representação do governo Lula na disputa de 2010 ainda está muito desidratada por desinformação do eleitorado quanto à pré-candidatura da ministra da Casa Civil.
O que de importantíssimo poderá revelar essa pesquisa, se trouxer queda de Lula, é que o caminho para derrotar sua candidata em 2010 será torcer – e até atuar – para que o país piore e mais gente perca o emprego. Terá sido encontrado, pois, o caminho para abalar a fortaleza que vinha sendo a popularidade do presidente. Cairá o mito da invulnerabilidade dessa popularidade.
O resultado mais imediato disso será um forte recrudescimento do alarmismo da mídia no que tange a crise econômica. Todas as fichas da oposição serão apostadas na destruição da economia por meio de influência sobre o moral dos agentes econômicos, e os instrumentos para lograr tal feito serão os grandes meios de comunicação, que por sua vez serão regidos pela batuta do governador paulista.
Não será nada bom se a popularidade de Lula tiver realmente caído. Mesmo que ele se recupere lá na frente, milhões pagarão pela sabotagem da economia que, agora, ganhará enorme impulso. No fim, quem pagará o preço pela luta política serão os mesmos que sempre perdem quando os de cima brigam: o povo.
Direita em festa
Hora de reagir
Lula, até agora, manteve-se acima dos ataques dos inimigos. Isso se deveu ao forte crescimento econômico e aos programas sociais, agora ameaçados pela crise.
Chegou a hora de reagir ou de entregar o Brasil a Serra, que governará com o apoio explícito de toda grande mídia e reverterá cada uma das conquistas sociais que a direita rejeita, ou seja, a maioria dessas conquistas.
E o foco deve ser a mídia. Movimentos sociais devem se mobilizar para denunciar que as famílias Marinho, Frias, Mesquita, Civita etc. são comparsas da direita e querem barrar a ascensão social no Brasil.
Lula deve liderar a reação ao avanço da direita. Com uma palavra, ele pode pôr milhões nas ruas.
Jornal Nacional
Tenho a impressão de que estas novas pesquisas sobre a popularidade de Lula, à diferença da pesquisa CNT/Sensus recentemente divulgada, serão noticiadas pelo Jornal Nacional... E vocês, o que acham?
Eles brigam e você ganha...
...Informação sobre as falcatruas de um e do outro.
Quem briga é a mídia. No caso, a Record e a Folha partiram para uma literal briga de rua. Tomará que mais brigas aconteçam.
Veja, abaixo, o vídeo de um ataque arrasador da Record à Folha de São Paulo
A vigarice e a burrice andam juntas. Todo vigarista conta com a estupidez para aplicar seus golpes.
Todavia, aquele que é considerado por muitos o maior dos presidentes norte-americanos, Abrahan Lincoln, afirmou um dia que “É possível enganar algumas pessoas por muito tempo e muitas pessoas por algum tempo, mas é impossível enganar a todos o tempo inteiro”.
A história prova que é verdade, que “A mentira tem pernas curtas” e que o vigarista é o maior dos estúpidos.
Algumas vigarices são tão burras, mas tão burras que não reflexionam que a ousadia deixa de sê-lo quando aposta contra verdades irrefreáveis, tornando-se mera burrice.
Vejam só, a seguir, a forma como a mídia tratou os dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) divulgados ontem.
Na tarde de quarta-feira, 18 de março, os portais de internet Globo e UOL inverteram a notícia de que o Brasil, contrariando a tendência mundial de eliminação de postos de trabalho, gerou empregos, preferindo destacar que o nível de emprego com carteira assinada cresceu menos no mês passado do que em fevereiro de 2008.
No dia seguinte (hoje), os dois maiores jornais paulistas, em suas primeiras páginas, também maltrataram os fatos. Com requintes de crueldade.
O Estadão optou por “criptografar” a notícia, dizendo que “Indústria ainda demite, mas serviços contratam”. O troféu vigarice, assim, foi para a Folha de São Paulo, que, apostando na burrice que acha que caracteriza seus leitores, afirmou que o “Emprego em fevereiro tem pior resultado desde 1999”.
Pois eu não tenho dúvidas de que a maioria refletirá que, estando o mundo em meio à maior crise econômica dos últimos oitenta anos, o país gerar empregos enquanto no resto do mundo eles se liquefazem, por poucos que sejam esses empregos essa foi uma enorme vitória brasileira.
No mês de março, o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, afirmou, com base em dados preliminares do Caged, que a geração de postos de trabalho com carteira assinada poderá chegar a cem mil, dando início a uma recuperação da economia que já dá sinais não apenas no mercado de trabalho, mas na produção industrial e no comércio varejista.
Eu vos pergunto, então: vale a pena distorcer os fatos, priorizar o pessimismo, num quadro econômico que, na pior das hipóteses, desautoriza essa linha de pensamento?
E fico me perguntando o que fundamenta essa crença da mídia e da oposição em que seria possível deter a recuperação da economia priorizando aspectos negativos de notícias como esse do emprego em fevereiro, apesar de o aspecto positivo ser o mais importante.
Talvez seja aquela história da boca entortada pelo uso continuado do cachimbo. Ou, pura e simplesmente, mitomania.
Apesar de a manipulação da realidade ter funcionado durante séculos no Brasil, de ter funcionado por aqui como em nenhuma outra parte do mundo, os últimos anos têm mostrado que o brasileiro está muito mais atento.
Espalham-se as notícias de empresas que demitiram em dezembro do ano passado e que, menos de dois meses depois, tiveram que recontratar os demitidos. O caso mais flagrante tem sido o das montadoras de veículos.
Essas empresas que demitiram precipitadamente e que estão tendo que recontratar, sofreram forte prejuízo. Numa demissão, paga-se ao demitido o equivalente a quatro, cinco ou mais salários. Assim, se ele tiver que ser recontratado em menos de quatro, cinco ou mais meses, a empresa que o demitiu perdeu dinheiro.
O escarcéu que a mídia fez recentemente por conta do surto de desemprego e paralisação da economia no último trimestre de 2008 foi uma tentativa de perenizar os problemas que a afligiram naquele período. Os fatos mostram que não funcionou.
Houve uma situação atípica e insustentável em outubro, novembro e dezembro do ano passado. O que aconteceu que fez o país perder quase oitocentos mil empregos desde então e paralisar suas indústrias naquele trimestre, foi uma interrupção abrupta do fluxo de crédito na economia.
Com a crescente normalização do crédito numa economia com bons fundamentos como a nossa, era inevitável que ela caminhasse para voltar a crescer e a gerar empregos.
A mídia e a oposição estão entrando em desespero. O Brasil caminha rapidamente para dar um show diante do mundo, saindo da crise enquanto quase todos estão mergulhando mais fundo nela.
Ninguém, além da mídia e da oposição, dimensionou adequadamente o que acontecerá politicamente no Brasil se, enquanto chegam notícias tenebrosas do exterior, por aqui os índices econômicos começarem a se tornar positivos.
Se isso acontecer, podem pintar José Serra de ouro e cravejá-lo de diamantes que ele não se elege. Em seis meses, sua candidatura poderá estar literalmente soterrada por uma aprovação e uma capacidade de transferência de votos de Lula que dificilmente deixará de eleger Dilma Rousseff.
Sair da crise tão cedo será também uma façanha que permitirá ao Brasil ter saído dela muito maior do que entrou, despontando no cenário internacional como um dos “players” globais de maior peso.
Eu digo e repito a vocês, pessoal: a vigarice e a burrice são anãs diante da estatura majestosa da verdade. Cedo ou tarde, acabam sendo esmagadas por ela. Esses vigaristas da mídia não perdem por esperar.
De partida
Estou esquentando os motores para viajar ao Peru no próximo dia 29.
O ativismo político me atrasou a vida, mas foi por uma boa causa. Eu recupero. Agora é trabalhar, sem nunca esquecer meu compromisso diário com este blog.
Ficarei duas semanas naquele país. Visitarei Lima, Arequipa, Chiclayo e Trujillo. Volto no dia 12.
Vocês viajarão comigo, nas imagens e relatos sobre o país que aparecerão por aqui.
Agora, porém, estou mergulhado no trabalho, nos contatos com os clientes que visitarei. Meus ouvidos estão criando calos de tanto eu telefonar.
Duas semanas de solidão. Odeio solidão. Mas a comida peruana é boa...
Bate uma saudade insuportável da filha que está tão longe. Dois meses de separação. Ela na Oceania e eu aqui, do outro lado do mundo.
Direito à nostalgia. Recordo-me da produção da minha filha Gabriela sobre sua família. É a trajetória dessa família em quase vinte anos.
As crianças que aparecem no começo do vídeo, hoje são moças e moço feitos.
Depois, a Gabi partiu para a nova família que se formou, agora com seu noivo, com o marido de sua irmã Carla, com minha quarta filha, Victoria, e com minha neta, Letícia.
Adoro esse vídeo. Divido com os amigos, abaixo. De novo. Dois meses depois da partida dessa filha que tanta falta me faz.
O colunista da Veja Lauro Jardim lembrou ontem que a nova pesquisa trimestral da série CNI/Ibope sobre a popularidade de Lula deverá sair na semana que vem. Haverá muita curiosidade acerca do resultado dessa pesquisa, mas será uma curiosidade injustificada, em certa medida.
Explico:
A última pesquisa CNI/Ibope saiu em dezembro e mostrou forte alta da aprovação presidencial. Lula detinha, então, 84% de aprovação.
Na pesquisa Datafolha, naquele mesmo mês, o presidente apareceu com patamar muito parecido com o da pesquisa CNI/Ibope, com 70%.
Na pesquisa CNT/Sensus também de dezembro, sua popularidade apurada foi de 80%.
Como se vê, os três institutos apuraram mais ou menos o mesmo patamar de popularidade do presidente da República.
No mês passado, pesquisa CNT/Sensus detectou a aprovação presidencial a 84%.
Pensem comigo: as outras pesquisas só têm um caminho: para cima. Entre dezembro e fevereiro, o salto na aprovação de Lula foi, na pesquisa Sensus, de quase 4 pontos percentuais. Deverá, pois, haver uma aproximação do Datafolha e do Ibope com os números do instituto Sensus.
Resta saber, porém, de quanto será essa aproximação nesta nova pesquisa. Uma queda do patamar anterior parece-me muito difícil. Só ocorreria se tivesse havido uma queda gigantesca da popularidade do presidente entre meados de fevereiro e este meio de março.
O xis da questão, portanto, está no quanto Lula terá subido. Se aparecer com percentual igual ou pouco superior, sua popularidade terá subido no começo do ano e despencado agora, nos últimos trinta dias.
A atenção a essa pesquisa será muito grande, sobretudo entre a oposição e sua mídia.
Recentemente, postei aqui coluna do jornalista Fernando Rodrigues, da Folha de São Paulo, na qual ele literalmente manifestava esperança própria e da oposição de que acabaria ocorrendo o que descreve uma teoria que foi muito popular até 2006, a teoria da pedra no lago.
Essa conversa da coalizão tucano-pefelê-midiática começou em 2005 com a eclosão do escândalo do “mensalão”.
A coalizão oposicionista acreditava que as denúncias de corrupção se propagariam como ondas excêntricas, partindo das classes sociais mais altas, que por essa analogia seriam o centro do lago, rumo à sua margem, que representaria a periferia da sociedade.
Como se sabe, não aconteceu isso. Contudo, a teoria que fundamenta o alarmismo sobre a economia hoje é a de que aquela teoria da pedra no lago não funcionou porque se baseava em corrupção e o povo não daria bola para ela. Mas, com a economia, deveria funcionar.
Mídia, PSDB e PFL acreditam que, como a economia mexe mais diretamente com a vida das pessoas, não acontecerá o mesmo que aconteceu com a corrupção, que essas pessoas não percebem tão facilmente o quanto as afeta.
Essa teoria até poderia fazer algum sentido se tudo que a coalizão oposicionista-midiática diz sobre a economia brasileira estivesse mesmo acontecendo. Contudo, a impressão que tenho é a de que não está.
Em mais alguns dias, sairão os dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados). Segundo informações fresquinhas do ministro do Trabalho, Carlos Lupi, o nível de emprego em fevereiro ficou positivo em 20 mil novos postos de trabalho.
À diferença da pesquisa CNT-Sensus divulgada no mês passado – sobre a qual fiz previsão aqui e até acertei, contra as expectativas da maioria –, esta nova pesquisa parece-me bem mais difícil de prever.
Se formos dar crédito à crise virtual da mídia, a notícia requentada por ela há alguns dias sobre a queda da produção industrial no último trimestre de 2008 – que lhe permitiu afirmar, não sem boa dose de malandragem, que o Brasil seria o 2º país mais afetado pela crise – poderia desanimar boa parte dos entusiasmados com o presidente.
Por outro lado, indicadores econômicos solenemente ignorados ou, na melhor das hipóteses, menosprezados pela mídia em suas análises de conjuntura – como a interrupção na queda do nível de emprego e o aumento da produção industrial – mostram que estamos ameaçando sair da crise.
São duas questões: quanto de medo a mídia conseguiu incutir na sociedade a despeito de a realidade mostrar que os motivos para temer vêm diminuindo, e se essa mesma sociedade, por mais apavorada que esteja com a crise, irá associá-la ao presidente.
A recente propaganda eleitoral do PFL tentou fazer esse link entre a crise e o presidente na cabeça das pessoas. Como se vê, houve um método que antecedeu a geração daquela propaganda.
Mais uma vez, a direita volta a crer que, aos poucos, suas opiniões políticas se propagarão do centro da sociedade, no qual ela acha que está, para as margens desse lago social imaginário. A pedra, no centro desse lago, seria a crise, e a impopularidade do presidente estaria se propagando em ondas.
Não duvidem da crença da mídia nessa teoria. É ela que fundamenta todo esse alarmismo sobre a crise. O fracasso de tal estratégia, que viria no âmbito de nova subida de Lula, poderá determinar uma inflexão em seu uso, ainda que seja difícil dizer agora em que medida isso ocorreria.
Portais minimizam aumento do emprego
Os grandes portais de internet Globo e UOL publicam, nesta quarta-feira no começo da tarde, a mesma manchete menosprezando o fato surpreendente de o Brasil ter criado empregos em fevereiro num mundo em que o desemprego não pára de subir.
Os portais preferiram destacar que em fevereiro deste ano foram criados menos empregos do que em fevereiro de 2008. Nenhuma referência ao caso praticamente único do Brasil, que está criando empregos quando o mundo os elimina.
O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, já prevê que em março o aumento do nível de emprego poderá chegar a cem mil vagas.
Hoje já vou começar chutando o pau da barraca, fazendo logo uma afirmação peremptória sobre o que não aconteceu e sobre o que não tenho prova nenhuma de que acontecerá.
E o que é melhor: todos os esquerdistas concordarão comigo e todos os direitistas, discordarão.
Mas o melhor mesmo vem é agora: o meu lado é que estará certo.
Antes de prosseguir, porém, quero dizer uma coisa aos que terão dado um sorrisinho ao ler o que escrevi acima, dizendo a si mesmos que esquerda e direita não existem mais, que a esquerda brasileira não é esquerda coisa nenhuma etc.: não me venham com essa, meninos.
Como é que não existem mais esquerda e direita? Essas pessoas são contra programas sociais, não aceitam negros nas universidades, dizem que programas de transferência de renda são esmolas... E não são de direita?
Tá bom...
Bem, mas retomando. A afirmação peremptória que fiz se deve a um fato óbvio, de que, como está, para as elites não pode ficar.
Vocês viram o que fizemos no caso da ditabranda, da Folha de São Paulo? Será que tantos se deram conta do que a internet é capaz de fazer? Resposta: não. Sobrou gente de esquerda e de direita que menosprezou o que fizemos.
O mais importante, porém, é que a casa caiu, caros reacionários. Hoje, qualquer um pode acordar um dia, decidir criar um blog e encher a paciência de herdeiros ultra-mimados, ultra-ricos e ultra-influentes até eles babarem nas suas horrorosas e ridiculamente caras gravatas Hermès.
Com o avanço da tecnologia, a tendência crescente é a de que acabará sendo possível igualar mega grupos empresariais a uma pequena equipe de Zés Manés como eu, por exemplo, contanto que tenham uns bons computadores e redes.
As elites daslunianas-tucano-pefelês que, com nomes trocados, infectam os quatro cantos da Terra, não irão aceitar isso. Tiveram todo aquele trabalho para se apoderarem da invenção de Johannes Gutemberg justamente porque a capacidade de falar para muitos sempre foi sinônimo de poder. Não farão por menos, agora.
Aliás, acho que foi no site do Luiz Carlos Azenha que li uma excelente matéria sobre especulações acerca de uma possível implementação de “níveis” na internet que diferenciariam um Zé Mané como este de um grupo empresarial como o da família Frias, por exemplo. Só não me lembro como.
Não importa. Os projetos virão. Terão que vir, para as elites mundiais. Sem controlar a internet, o principal poder que as tornou o que são – o poder, repito, de falar sozinhas para muitos –, será pulverizado.
Imaginem uma situação em que uma Folha ou uma Veja dissessem alguma daquelas muitas empulhações que costumam dizer e eu, euzinho, pudesse desmascará-las no mesmo nível de audiência.
Se a internet continuar incluindo cada vez mais gente – e nesse ritmo estonteante –, logo, logo esse sonho que escrevi acima poderá virar realidade.
Alguém acredita que os Jardins ou a Barra da Tijuca permitirão isso?
Resta àqueles que se dedicam a tornar o mundo mais igual preocuparem-se com isso. Um passo nesse sentido, aliás, deverá ser a Conferência Nacional de Comunicação, da qual participarei. As discussões começarão no próximo dia 25 na Câmara Municipal de São Paulo.
Julgo, pois, da maior importância que todos tenham bem claro nas mentes que a tentativa da elite mundial de controlar a internet e de barrar a possibilidade de cidadãos comuns falarem tanto quanto as corporações, é uma inexorabilidade.
A tentativa dos muito ricos de controlarem a internet virá, e forte. Muito forte. Tomara que, quando vier, a humanidade já esteja preparada. Só que o tempo urge.
SIP acusa Lula de criticar a imprensa
A SIP (Sociedade Interamericana de Imprensa) afirmou ontem em relatório público divulgado em reunião da entidade no Paraguai que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva faz "críticas desmedidas" à mídia.
A SIP se diz “uma organização sem fins lucrativos”, mas é formada por empresários e editores de meios de comunicação da América e, como se vê, sua atuação é no sentido de defender os interesses corporativos de seus organizadores.
Vejam a que ponto chegou essa gente. A imprensa golpista venezuelana tentou um golpe de Estado, a da Bolívia também, a do Brasil acusou o presidente da República de ter matado 200 pessoas no desastre do avião da TAM e vive insultando a mulher dele.
Esses maníacos agora querem criminalizar quem os critica. Não duvido que algum de seus tentáculos políticos patrocine uma lei proibindo as pessoas de criticarem a imprensa. Seria assim como a lei que em vários países criminaliza quem nega o Holocausto nazista.
O Palácio do Planalto não comentou essa barbaridade. Na grande mídia, milhões de pessoas tiveram essa notícia. Na blogosfera, a reação será pontual, efêmera e de pouca repercussão.
Quem dirá à SIP que pelo menos a liberdade de expressão do chefe do Poder Executivo tem que ser respeitada, já que a imprensa golpista não respeita a dessa maioria esmagadora de cidadãos comuns que apóia o governo?
Perguntinha básica
A leitora Monica Santana, secretária de Petrolina (PE), informa que deu na coluna de Lauro Jardim, da Veja, que, semana que vem, sairá nova pesquisa CNI-Ibope sobre a popularidade do presidente Lula. E pergunta: "Será que é desta vez que a popularidade do presidente cai? "
Digo a ela que ainda não pensei nisso, que temos que levar em conta a gigantesca publicidade dada à mentira da Fiesp e da mídia de que o Brasil seria o segundo país mais afetado pela crise em todo o mundo.
Mas quero lhes propor uma reflexão. A pesquisa é feita pelo Ibope para a Confederação Nacional da Indústria (CNI). Alguém tem uma explicação coerente para a razão pela qual empresários querem saber a quantas anda a popularidade do presidente de seu país?
Aeroporto internacional Simón Bolívar, Maiquetía, Venezuela
Julho de 2008, aeroporto internacional Simón Bolívar, cidade de Maiquetía, Venezuela. Depois de quase 10 horas de viagem desde São Paulo – viajei por uma companhia aérea panamenha, com escala em Panamá City, onde esperei quatro horas pela conexão para a Venezuela –, espero em pé na fila da imigração por quase uma hora.
Depois de legalizar minha entrada no país, só me resta a tarefa excruciante de passar minha bagagem pelo controle aduaneiro do aeroporto. Excruciante porque viajo sempre com uma bagagem volumosa, pois levo mostruário de meus produtos e catálogos, e o volume e o peso da bagagem sempre despertam atenção nas aduanas dos países que visito.
Algumas pessoas à minha frente na fila separam-me de um homem que cabe perfeitamente no estereótipo do “muambeiro”. Obeso, baixo, com um bigodinho que parece ter sido riscado, entre seu nariz e boca, com um delineador de olhos feminino. Para completar, um Ray-Ban espelhado do modelo “caçador”.
A bagagem do homem condiz com sua aparência – é volumosa e pesada.
Como a fila anda lentamente, tenho tempo de assistir a cena do começo ao fim.
A bagagem do homem passa pela esteira de raio-x do controle aduaneiro do aeroporto e o funcionário faz um sinal para o fiscal da aduana venezuelana, que vem pedir ao “muambeiro” para que abra suas malas.
Para minha sorte, o conteúdo da bagagem do homem chama tanto a atenção que outros fiscais vão ver o que está acontecendo e consigo entrar no país sem passar pela cansativa fiscalização aduaneira, que remexe objetos pessoais, amassa roupas etc.
Quando já me dirijo à saída, passo pelo “muambeiro” e vejo o conteúdo de suas malas – só eletroeletrônicos, obviamente que destinados ao comércio. Deixo a área de desembarque, mas opto por ficar do lado de fora vendo, pelo vidro, o desfecho do caso.
As malas do homem ficam próximas às máquinas de raio-x, sobre uma bancada, e ele acompanha um dos fiscais ao escritório da aduana. Imagino que irão autuá-lo, multá-lo por tentar entrar com mercadorias no país sem pagar impostos. Sei que o procedimento é demorado, porque já fui vítima dele em vários países por conta das bagagens que levo em minhas viagens de negócios.
Decido esperar alguns poucos minutos para saber se o “muambeiro” será autuado ou se dará um “jeitinho”. Como ele não fica nem dez minutos no escritório da autoridade aduaneira, fica claro que ele corrompeu os fiscais. Sobretudo quando vai à bancada onde estão suas malas e as tira de lá, colocando-as no carrinho e saindo tranquilamente pela porta de desembarque que eu acabara de cruzar.
“Pelo menos isso não acontece no Brasil”, penso eu.
Em seguida, vou trocar dólares por bolívares antes de começar minha peregrinação em busca de um táxi confiável – alguns táxis, nos aeroportos venezuelanos, e sobretudo no de Maiquetía, são dirigidos por bandidos que assaltam os passageiros.
Como vocês sabem, na Venezuela há controle do câmbio. As casas de câmbio dos aeroportos ou de qualquer parte só compram dólares, não vendem, porque é preciso autorização do governo para tanto, o que se tornou um pesadelo para a elite venezuelana, que, antes de Chávez, fazia a festa em termos de operações ilegais com remessas de divisas para fora do país.
Para trocar dólares por moeda local num porto ou aeroporto da Venezuela, você tem duas alternativas: trocá-las pelo câmbio oficial nas casas de câmbio autorizadas pelo governo ou com os cambistas, que trabalham em conluio, por exemplo, com as locadoras de veículos. Nos balcões dessas locadoras no aeroporto de Maiquetía, você diz à balconista que quer fazer câmbio e consegue vender a moeda americana pelo câmbio negro, que naquele país é ilegal.
Há uma tremenda corrupção ao menos nos aeroportos venezuelanos. Eu vi, ninguém me contou. Só vi coisa igual em Angola e no Paraguai.
A recente lei aprovada pelo Congresso venezuelano de controle dos portos e aeroportos é mais uma das medidas moralizadoras das instituições venezuelanas que estão por trás da grande grita da elite local contra o governo. Além disso, não me parece que o governo central de um país controlar quem - e, acima de tudo, o quê - entra e sai daquele país, seja algum absurdo.
Absurdo é um governador de Estado dizer que irá resistir a uma lei federal claramente moralizadora de uma situação completamente escabrosa de corrupção escancarada nas fronteiras nacionais. Hugo Chávez está certíssimo ao mandar as forças armadas ocuparem portos e aeroportos e até prenderem governadores que se oponham à lei, pois certamente foram eles que facilitaram tudo que relatei.
Querem saber de uma coisa? Estamos precisando relaxar um pouco, aqui. Fiquem com esta crônica, pois, para começarem ou terminarem bem o dia.
Domingão, um raio de sol danado de forte me apunhala os olhos adormecidos no primeiro rasgar da alvorada.
Faz calor. Estou suando com a janela aberta e tudo. Desconforto. A cara metade, ao lado, dorme profundamente. E sorri, às vezes.
Não posso mais ficar na cama. É sufocante. Corro ao banheiro e me deixo tragar pela torrente quente do chuveiro, pois ao sair dela o choque térmico me dará sensação de frescor.
A cozinha está uma zona. A poodle sapeca revirou o lixo, subiu na mesa, enfim, fez sua festa em busca das guloseimas que lhe negamos para a própria proteção.
Faço o desjejum da família. Mas, primeiro, lavo a louça do jantar e estendo uma toalha limpa na mesa. Em seguida, ajeito nela geléia, manteiga, café, leite, suco de laranja, pão, queijo prato, presunto e gelatina de abacaxi.
Venho à internet. Vou liberar os comentários do blog. Tem uns sujeitos me xingando pesadamente. Vá lá, estou de bom humor hoje. Publico. Xinguem à vontade.
Mas preciso de algo melhor que essa guerra política ridícula neste domingo de manhã. Já reflito sobre que droga é começar o dia sendo xingado...
Ligo o aparelho de som na Alfa FM. Uma balada americana. Alegre.
Já sei o que me fará sentir bem: o Orkut da Gabriela, minha filha que está estudando em Sydney, na Austrália.
Sorrio com a primeira foto. Ela foi a uma parada gay em Sydney. Seu comentário sob a foto: “Tem mais hétero que gay na passeata!”
Desfrutem da beleza da minha filhota Gabi – que já está detonando no inglês – e das fotos bem-humoradas dessa menina maravilhosa, que com seu prazer de viver me purgou as más vibrações.
Grande Marco Aurélio
Você me convenceu, Edu.
Vou adotar uma menininha dentro em breve.
Para a Gabi eu dedico uma música do Renato Russo (A vida é agora), ilustrada por um vídeo belíssimo.
Ainda bem que a Terra se renova, os jovens vêm e as gerações viciadas se vão como as primaveras e verões.
Lá vai,Gabi: Renato Russo - La Vita È Adesso
Marco Aurelio | Teresina,Piauí,Brasil | Engenheiro