Crônica

Lima para gringo ver

 

 

 

 

Na tarde deste sábado, filmei o bairro em que estrangeiros como eu, no mais das vezes, hospedam-se em Lima. Não traduz o que é a capital peruana, mas, durante a semana que termina, não tive tempo nem cabeça para filmar ou fotografar a Lima real, de forma a revelar a verdadeira cidade.

Vejam o resultado no vídeo acima.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 22h20
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Análise política

Descrever culpados é racismo?

 

 

 

 

A imprensa começou a divulgar alegremente, na última sexta-feira, que um “jornalista” loiro e de olhos verdes representou contra Lula no STF por ele ter dito que “a crise econômica mundial é obra de gente branca e de olhos azuis”.

Aí o mais novo factóide com o qual, pela putilionézima vez desde 2003, os panfletos impressos e eletrônicos de FHC e de José Serra tentarão desmoralizar Lula. Quem sabe até estejam almejando um impeachment – dessa gente, espero qualquer maluquice.

Não consigo, no entanto, ver qualquer futuro para a demanda judicial do tal de Clóvis Victorio Mezzomo. Se ele consultou um advogado antes de fazer o que fez, certamente deve ter sido advertido sobre isso.

Lula não disse que gente branca e de olhos azuis produz crises econômicas mundiais. Não disse que produção de crises dessa natureza são inerentes a quem desfruta (sim, o verbo é esse) da etnia caucasiana. O que Lula fez foi descrever os autores dessa crise de forma figurada.

Se eu disser que brancos criaram o nazismo, não estarei dizendo que todos os brancos são nazistas. Apenas estarei descrevendo os psicopatas que criaram essa ideologia monstruosa.

Nesse aspecto, atentem, logo abaixo, para um exemplo prosaico que pode ser encontrado aos montes na mídia. É uma reportagem que extraí dos arquivos da Folha de São Paulo na internet.

 

São Paulo, terça-feira, 14 de março de 2006  

Estudante é estuprada em campus da USP

GILMAR PENTEADO
FÁBIO TAKAHASHI
DA REPORTAGEM LOCAL

Após uma série de ataques a mulheres ocorridos em 2002, o campus da USP (Universidade de São Paulo) no Butantã, zona oeste da capital, voltou a registrar o estupro de uma estudante. Uma jovem de 22 anos foi atacada, no último dia 3, uma sexta, enquanto caminhava à noite pelo campus.

No final de 2002, sete mulheres foram violentadas dentro do campus e nas proximidades dos portões de acesso, de acordo com os registros policiais.

Segundo o boletim de ocorrência registrado no 93º DP (Jaguaré), a estudante passava pelo Cepeusp (Centro de Práticas Esportivas da USP), às 22h55 do último dia 3, quando foi abordada por um homem negro, de aproximadamente 1,75 metro de altura, com idade entre 25 e 30 anos (...).

 

Ora, a Folha terá dito que todos os negros são estupradores? Claro que não. O jornal apenas descreveu o autor de um crime.

A lei brasileira contra o racismo, que penaliza quem o pratique, não foi criada para os brancos, apesar de, em tese, valer para todos os brasileiros ou estrangeiros que estejam neste país.

Essa lei foi criada para proteger as etnias que são vítimas de racismo. Os que são impedidos de freqüentar certos ambientes, os que não conseguem trabalho pela cor da pele ou por seus traços físicos, os que são insultados por sua aparência.

Brancos de olhos azuis não sofrem com esse problema. Ao menos no Brasil. Pelo contrário: os que mais praticam racismo, são os brancos.

Alguma dúvida quanto a isso?

Lula descreveu, segundo sua visão e de forma metafórica, quem foram os autores da crise econômica mundial.

E concordo com ele. Os autores da crise econômica mundial são de países em que a etnia predominante é essa que o presidente descreveu. Os negros, mestiços ou indígenas que trabalhem no mercado financeiro são minoria da minoria da minoria.

Trata-se de uma crise de origem essencialmente nórdica. Ponto. O tal de Mezzomo fez o que fez mesmo sabendo que sua ação está fadada ao nada. Seu advogado deve tê-lo orientado. Seus motivos, portanto, são politiqueiros. Vale verificar quem está puxando seus cordões...



 Escrito por Eduardo Guimarães às 14h39
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Vídeo-crônica

Um dedo de prosa





Termina uma semana exaustiva. Com a mente e o corpo dissociados por essa exaustão, não queria deixar de cumprir a obrigação que assumi de atualizar este blog todos os dias.

É noite de sexta-feira. A mente funciona mal. Não concateno direito as idéias. Sem condições de escrever, gravei o vídeo acima, no qual digo meia dúzia de coisas que me vieram à mente aos saltos.

Aos que não têm banda larga para assistir o vídeo, peço desculpas. E recomendo que adquiram essa modernidade, pois, atualmente, sem ela não se pode extrair da internet tudo o que ela pode oferecer.

Neste sábado, há mais trabalho a fazer. No fim da tarde ou começo da noite provavelmente estarei livre e voltarei a postar.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 23h15
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Crônica política

Ridículo degenerativo

 

Atualizado às 16:18 hs de 3 de abril de 2009

 

 

 

Hoje, lendo as “explicações” dos sequazes da mídia para os elogios que Lula recebeu em Londres durante a reunião do G20, fiquei me perguntando se esses tipos acreditam em alguma coisa do que dizem.

Estavam embatucados, sem saber como distorcer o fato, quando foram “salvos” pelo blogueiro global Ricardo Noblat. Afinal, por mais idiota que fosse sua teoria, ao menos era uma teoria para os que estavam num deserto de teorias explicativas.

Dêem uma espiada:

Faz tempo que não implico com Lula. Dirão que voltei a implicar. Mas desconfio que debocharam com classe dele em Londres, ontem e hoje”.

Por que Barack Obama e Kevin Rudd estariam debochando de Lula ao dizerem que ele é o político mais popular do mundo? Porque ele é impopular? Porque, num mundo em que a popularidade de todos os governantes está despencando, a de Lula deu uma caidinha, apesar de que permanece estrepitosamente alta?

Não, não. A teoria é a de que os elogios dos dois chefes de Estado saxões ao colega latino seriam deboche porque o político mais popular do mundo seria Obama. O fato de ele governar há um par de meses e Lula há mais de seis anos – e de Kevin Rudd ter lembrado isso –, não importa.

O ridículo a que essa gente se expõe, é degenerativo. Essa de hoje do Noblat parece-lhes o auge? Que nada... Logo eles arrumam outra.

Quem é capaz de dizer que o Brasil está como está – emprestando dinheiro para o FMI, batendo recorde de vendas de carros e invertendo a curva do nível de emprego –  graças FHC e que Lula não tem nada que ver com isso, por que não inventar que dois chefes de Estado debocharam de um terceiro como se estivessem todos num boteco enchendo a cara e contando piadas sujas?

Eles afirmam, sem medo do ridículo, que o Brasil vem sendo governado por inércia há mais de seis anos. E que o governante que deixou o cargo como um dos mais impopulares da história, é merecedor do crédito pela boa situação do país. Situação que, distraidamente, na maior parte do tempo dizem que está uma droga.

Esse, um dia, pareceu o auge do ridículo, como pareceu o auge quando disseram que Lula era popular porque comprava mais da metade dos brasileiros – cerca de cem milhões de pessoas – com o Bolsa Família.

Eles sempre conseguem se superar. Com esse ridículo degenerativo, conseguiram a façanha revelada pelas últimas pesquisas sobre a popularidade presidencial, a façanha de Lula ter perdido apoio apenas entre os mais pobres e incultos, mantendo intocada sua popularidade esmagadora entre os mais ricos e escolarizados.

Vocês ficaram irritados com a tese do Noblat? Deveriam ficar é contentes com essas patacoadas que eles dizem. É graças a elas que não conseguem influir na opinião de mais ninguém.

 

 

Errar e acertar

 

 

Outro dia, um leitor disse que eu quero estar sempre certo. Que injustiça, gente! Eu não reconheci que errei ao subestimar a crise? Eu não reconheci que fui precipitado no caso da Record e sua reportagem sobre a ditabranda?

Errei e reconheci. Porque sou humano. Não tenho vergonha de errar. Quem tem vergonha de errar é jornalista. Como não sou jornalista...

Agora, quando acerto, vocês não acham natural que eu queira o crédito?

É claro que os erros da gente têm muito mais peso do que os acertos. Todos se lembram dos nossos erros. Já dos acertos...

Vocês se lembram do meu entusiasmo com Obama logo que se configurou que seria ele o candidato democrata? Lembram-se de que, na maioria dos blogs e sites e entre a maioria dos internautas comentaristas, diziam, até os primeiros dias posteriores à posse do americano, que ele seria "mais do mesmo"?

E já notaram como agora todos sempre souberam que Obama não seria “mais do mesmo”?

O mundo, meus amigos, tem dez engenheiros de obras feitas para cada engenheiro de obras por fazer.

Todo mundo erra. Eu erro e todos vocês também erram. E até aqueles jornalistas que fogem de admitir erros como o diabo foge da cruz, erram. A diferença é que eu trato erros e acertos da mesma forma, sobretudo quando são os meus.

Graças a essa prática, já detectei uma característica de meus erros e acertos. Erro quando me deixo levar pela emoção e acerto quando uso a lógica friamente – e aprendi, sim, a usá-la.

Nesse caso do Obama em particular, resgatem os arquivos dos blogs e sites e vejam quem disse o quê. E notem como hoje tem muito mais gente dizendo o que eu dizia sobre presidente americano. Sobretudo na esquerda, porque a direita acertou junto comigo ao tachar Obama de “socialista”.

 

 

Desta vez "eles" se matam...

 

  

Informação em "off" que obtive aqui em Lima: sobre o boato de que o presidente Luis Inácio Lula da Silva estaria entre os candidatos ao Prêmio Nobel da Paz, o diretor do Instituto Internacional para a Investigação da Paz teria confirmado a indicação.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 23h50
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Diversos

Carrera de taxi 

Atualizado às 15h39m de 2 de abril de 2009

 

 

 

 

 

Lima é enorme, populosa (9 milhões), com vias expressas modernas completamente paralisadas por um tráfego insano. É uma cidade de contrastes acerbos, como a maioria das cidades latino-americanas.

Modernidade arquitetônica e prédios históricos contrastam com casas e pequenos prédios sujos e caindo aos pedaços. A população, majoritariamente indígena ou descendente de indígenas, contrasta com uma publicidade na qual só os brancos aparecem.

Fiz o vídeo acima no fim da tarde desta quarta-feira, quando já encerrava meu “expediente” de vendedor e voltava de taxi para o hotel.

Coisa sem importância, mas que lhes permitirá ver alguma coisa dessa cidade caótica, injusta e que cresce talvez muito mais desordenadamente do que qualquer outra na América do Sul.

Aos que não conseguirem assistir o vídeo por falta de conexão rápida de internet, relato que se trata apenas da boa e velha conversa fiada que se leva com taxistas em qualquer parte do mundo.

 

 

Cony, um mentiroso

 

 

Coluna assinada por Carlos Heitor Cony e publicada hoje na Folha de São Paulo mostra quanto alguém é capaz de dobrar a espinha por dinheiro.

Cony diz que o golpe militar de 1964 teve apoio “da mídia e da sociedade”. Mentiroso. Como ele se arvora em porta-voz da sociedade naquela época? Havia pesquisas de opinião Ibope ou Datafolha a confirmarem esse apoio popular ao golpe?

O que havia era repressão. Era intimidação. Era medo dos ricos latifundiários e empresários preocupados com uma suposta “comunização” do Brasil nos moldes da de Cuba.

Isso, vindo de alguém que recebe indenização do Estado por ter sido perseguido, é uma safadeza. É claro que, por linhas tortas, a Folha tenta responder à Record e aos blogs e sites que têm denunciado o golpismo da imprensa de então – que, aliás, perdura até hoje.

E ele diz que o apoio “da mídia e da sociedade” foi “no começo” da ditadura. Outra mentira. A mídia só começou a repudiar os militares na segunda década do regime, quando este começou a incomodá-la.

Só peço a Deus que a Record leve até o fim suas reportagens e que mostre como as famílias Frias, Civita, Mesquita, Marinho etc. se locupletaram com o sangue dos inocentes que tombaram sob as sevícias dos ditadores.

 

 

A pedidos

 

 

 

 

Adoro essa crise

 

 

Infelizmente, com tanta coisa acontecendo, não estou podendo dar minha maior atenção, tecer os melhores comentários possíveis devido a ter que vir aqui, do outro lado do continente, buscar o leitinho das crianças.

Mas aproveito a incrivelmente demorada “siesta” peruana para deixar uma reflexão com vocês.

Estou começando a gostar dessa crise. Para quem for progressista, então, está sendo mel na chupeta.

Virão os babacas da ultra direita, seguidores do Esgoto, deitar falação sobre os 800 mil empregos perdidos. Idiotas. Esses empregos são nada perto do que aconteceu no resto do mundo e, ao fim de março, terão virado 700 mil e, depois, irão minguando.

O mundo rico já está chegando ao fundo do poço, de onde só há caminho para cima. E o Brasil, em uns dois ou três meses, será talvez o primeiro a se recuperar.

A balança comercial e a conta corrente cambial deverão ficar positivas. A Globalização foi pro espaço. A América Latina está sendo muito pouco afetada, à exceção de alguns países mais dependentes do comércio exterior.

Aqui no Peru, a crise é uma piada, como no Brasil. Algum desemprego que já começa a ser revertido, como em nosso país. Nunca vendi tanto aqui neste país. O real mais barato encherá de dólares as arcas tupiniquins.

Paradigmas neoliberais estão virando pó em velocidade vertiginosa. A direita mundial não tem mais líder, com a derrocada dos neocons americanos.

Barack Obama é o primeiro ser humano de verdade a governar os EUA. Como cansei de dizer aqui, ele está sendo o que se esperava que fosse. E ainda fala gírias, brinca com Lula, elogia o brasileiro, eles se abraçam e se tornam íntimos.

Sem a crise, teríamos aquele tarado do John MacCain governando os EUA, os paradigmas neoliberais não teriam sido desmoralizados, o Brasil deixaria de demonstrar ao mundo que é bem governado...

Que crise! Está mudando o mundo para melhor. Valerá a pena ter ocorrido. Aliás, quem, sendo normal da cabeça, não sabia que a era reacionária, com seu deus mercado, daria no que deu? Demorou, mas aconteceu. Pena que demorou tanto.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 23h32
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Análise cômico-econômica

 A crise no Peru

 

 

 

 

 

Não resisto: para resolver crises no Peru, a solução está na farmácia mais próxima...

Entenderam? Crise, peru, farmácia...

Bem, deixemos pra lá. Foi infame, esta.

A piadinha foi porque estou contente.  Mas vocês só saberão por que, se lerem o próximo... parágrafo.

Estava morrendo de medo de esta empreitada comercial, por conta da crise, vir a ser um fracasso, o que me faria atirar pela janela cerca de cinco mil reais – o custo da viagem.

Qual nada. Estou vendendo, e bem.

Mas não há crise, aqui no Peru? Claro que há. Já se aproxima de 100 mil o número de demitidos desde setembro do ano passado. Para uma população de cerca de 30 milhões, dá praticamente a mesma proporção que os 800 mil demitidos no Brasil.

Aqui onde estou hospedado, no elegante bairro de Miraflores – inacreditavelmente parecido com Miami, ainda que fique num país em que você tropeça na miséria quando sai das poucas partes nobres da cidade –, região de caríssimos restaurantes e hotéis, é gritante a diminuição dos preços e da freqüência dos estabelecimentos.

O hotel em que estou hospedado e no qual sempre me hospedei aqui em Lima, cobrava diária de 70 dólares; agora, cobra 40. E o café da manhã melhorou muito...

Meu restaurante favorito nesta cidade, vivia lotado. Hoje, para comemorar minhas vendas resolvi me presentear com um solitário jantar por lá. De clientes, só eu e um casal. Os preços, porém, continuam caros para os padrões peruanos (gastei 30 dólares, com direito a um maravilhoso “pisco sauer”)

Mas a situação da economia por aqui, no Peru, é muito parecida com a situação por aí, no Brasil. O país apresenta as mesmas contradições entre recessão e crescimento.

Porém, estou vendendo mais nesta viagem a este país do que na que fiz no ano passado, quando o Peru estava crescendo a taxas chinesas – essa coisa de peru crescendo me provoca frouxos de riso.

O que está acontecendo é que, por aqui, não houve maxidesvalorização como no Brasil. Aliás, na maioria dos países não houve uma desvalorização tão grande quanto a que sofreu a nossa moeda. A desvalorização do real, no fim do ano passado, foi a maior do mundo.

Como isso poderia ser bom para o Brasil? Ora, o real, antes de a crise estourar em setembro do ano passado, era a moeda que mais se valorizara em relação ao dólar. Assim, foi a que mais se desvalorizou.

Essa desvalorização do real tornou nossos produtos muito mais competitivos. Em relação aos preços dos produtos que são o terror do comércio internacional (os produtos chineses e asiáticos em geral, sem falar dos turcos e indianos), nossos preços, que chegaram a ser 100% mais caros, agora não chegam nem a 50%.

Como a qualidade dos produtos brasileiros (ao menos das autopeças), via de regra, é bem superior à daqueles países que mencionei, praticamente desapareceu um naco enorme do problema que estávamos tendo para exportar.

Como vocês podem ver, talvez esta crise possa ter vindo para ajudar o Brasil num problema que já ameaçava se tornar equivalente ao que FHC criou na época do populismo cambial. Certamente o Brasil sairá da crise maior do que entrou. Agora tenho certeza.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 00h03
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Esclarecimento

Errei?

 

 

 

Segundo informações dos leitores, na edição desta terça-feira do Jornal da Record começaram a ser feitas chamadas sobre uma série de reportagens que versará sobre a “ditabranda” da Folha de São Paulo.

Terá havido precipitação da nossa parte?

Vejamos: dois jornalistas da Record – a que me pediu entrevista e aquele que efetivamente me entrevistou – afiançaram-me que a matéria iria ao ar no último programa Domingo Espetacular.

Tendo concedido entrevista à emissora e reportado a vocês quando a reportagem da “ditabranda” seria transmitida, o que fiz de acordo com informações prestadas pelos funcionários da emissora, e conhecendo a mídia como conhecemos, acho que nossa reação foi natural.

Eu disse que nós erramos? Não, se alguém errou fui eu. Talvez eu devesse ter esperado... Mas, se errei, se a Record não fez a reportagem só para chantagear a Folha sem intenção de transmiti-la, foi porque me deixei levar pela vossa justa decepção.

Se vocês se decepcionaram, a culpa não é minha e, sim, da Record. E da resposta lacônica da jornalista da emissora a quem pedi explicações sobre por que a reportagem prometida não tinha ido ao ar.

Se errei, não terá sido nem a primeira nem a última vez. Os posts saem sem planejamento, a quente. É um risco que assumo e que não temo. E se errei, não errei sozinho – a Record errou comigo ao me dar informação incorreta.

Penso que o correto seria terem me dito que ainda não havia previsão para veicularem a matéria. Ao me assegurarem que sairia no último domingo, fizeram-me escrever texto que ecoou por toda a blogosfera, gerando enorme expectativa e posterior frustração.

De qualquer forma, acho que talvez minha reação, ao descobrir que a Record me fez pagar mico, foi mais pessoal do que proporcional. Por isso, sim, creio que errei. E peço desculpas a todos – a vocês e, em certa medida, à Record.

Ficaremos todos muito felizes ao ver que ao menos um ente da grande mídia agiu direito. Deus queira que isso aconteça.

No fim das contas, o importante é que o país saiba de tudo o que aconteceu naqueles anos terríveis. Meu prazer será ler vocês me contarem que o que tentei fazer aqui ao convocar aquele ato público contra a Folha, efetivamente consegui fazer. O resto é o resto.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 21h41
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Protesto

Um pior que o outro

 

Atualizado às 11h37m de 31 de março de 2009

 

 

 

Confesso a vocês que a mídia sempre consegue me surpreender, por mais que eu saiba do quanto ela é capaz de fazer em termos das piores malandragens que se possa imaginar.

Mas essa da Record tornou-se hors-concours. Se arrependimento matasse, eu já estaria morto por ter concordado em dar aquela entrevista, em abrir a minha casa para a emissora me usar como elemento de chantagem contra a Folha.

Aliás, isso ficou tão claro que vários leitores já mataram a charada.

E eu caí como um patinho.

Na verdade, quando alguns leitores simpáticos à direita tucano-pefelê midiática acusaram-me de estar me deixando usar pela Record para esta atacar a Folha, eu havia dito que isso não aconteceria, porque, ao falar, eu deixaria bem claro que ninguém se salva na grande mídia.

A cara do repórter que me entrevistou para a Record em minha casa quando eu lhe disse isso, já deveria ter me dito que a entrevista que dei jamais iria ao ar. Talvez se eu tivesse me concentrado em atacar a Folha, exibissem trechos de minha argumentação.

A “explicação” da jornalista que me pediu a entrevista (vide post anterior) para a tal “queda” da matéria que seu empregador gravou comigo, é ridícula. Vejam que barbaridade:

“(...) No jornalismo é assim, às vezes as matérias que estavam programadas 'caem' (...)”

Que jornalismo? Isso é jornalismo? Usar pessoas de boa fé para fazerem chantagem é jornalismo onde? Em que parte do mundo isso pode ser chamado de jornalismo?

É como se alguma força da natureza fizesse matérias “caírem” o tempo todo. Como é, diabos, que uma emissora envia CINCO pessoas e um monte de equipamentos até alguém para produzir uma entrevista e três dias depois o resultado daquele trabalho “cai”?

Querem saber de uma coisa? A Folha, por pior que seja, nunca fez uma indignidade dessas. Ela nos ignora, dissimula, mente, mas, pelo menos, não age de uma forma absurda como essa. Pelo menos mantém a pose de séria.

Espero que a Record não use esse material. Morrerei de raiva se aparecer na emissora, não para falar a verdade, mas para colaborar, ainda que involuntariamente, com essa guerra entre os elementos antagonistas dessa mídia suja, imunda, sem caráter.

Essa gente faz mau juízo de todo mundo. Devem ter achado que eu faria qualquer coisa para aparecer na TV, incluindo me concentrar em descer o sarrafo só na Folha. Eu jamais resumiria minhas críticas só ao jornal. Seria uma canalhice da minha parte.

Tudo bem que quebrei a cara acreditando que a Record estava tentando fazer o que era certo. Sou mesmo um ingênuo. Mas, pelo menos, não me deixei usar como bucha de canhão. Querem me dar espaço? Só se for para eu dizer TUDO o que penso.

Não preciso disso. Tenho minha profissão, que me gratifica. Hoje, em meio à maior crise mundial dos últimos oitenta anos, fechei negócios, ajudei meu país, que precisa de gente que faça o que estou fazendo aqui no Peru.

Só me dói que tenham achado que eu era um oportunista capaz de fazer qualquer coisa para aparecer. Eles julgam a todos tomando a si mesmos como medida.

 

 

Comentário falso em nome de PH 

 

 

Devido a comentário em nome de Paulo Henrique Amorim postado aqui e reproduzido abaixo, liguei para o celular do jornalista, pois o e-mail informado no comentário retornou e logo percebi que era falso. PHA informou que não postou o comentário e que está na Itália há dez dias.

É inacreditável tudo o que está acontecendo. Equipes de TV fazendo reportagens que não vão ao ar, comentário falso em nome de outrem... Pelo menos tudo isso vai expondo o que é a mídia latino-americana, uma máfia assustadora, capaz de qualquer coisa.

Vide, abaixo, o comentário falso.

 

Caro Eduardo:

Estou estupefato. Mais não posso dizer.

Por favor, na sua volta precisamos conversar.

Um abraço,


Paulo Henrique Amorim | São Paulo | Jornalista 

 

E-mails à jornalista da Record

 

 

Entendo a indignação dos amigos com a não apresentação da matéria pela Record, mas a jornalista Thais Olenk é apenas uma funcionária. Não adianta enviar e-mails a ela.

 



 Escrito por Eduardo Guimarães às 21h28
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Esclarecimento

Por que, Record?

 

 

Atualizado às 15h57m de 30 de março de 2009

 

 

 

Na última quarta-feira, dia 26 de março, recebi em meu escritório ligação de alguém que se identificou como Thais Olenk, dizendo-se jornalista da TV Record e pedindo uma entrevista comigo na qual seria abordado o tema da “Ditabranda” do jornal Folha de São Paulo.

Perguntei àquela pessoa se queria me entrevistar por telefone mesmo e ela me disse que não, que seria uma entrevista gravada em vídeo para ser apresentada no próximo programa Domingo Espetacular, daquela emissora.

No quinta-feira, dia 27 de março, às 19h, recebi em minha residência uma equipe de 5 pessoas da TV Record. Vieram com uma grande parafernália de equipamentos. A sala de meu apartamento transformou-se num estúdio de televisão, com refletores, câmeras enormes... Fizeram-me até “vestir” um daqueles microfones sem fio que prendem na cintura das pessoas.

Falei ao repórter da Record por cerca de 30 minutos, o que em vídeo é uma eternidade.

Na sexta-feira, mantive contato com Thais Olenx, da Record, e ela me afiançou que a matéria sobre a “ditabranda” seria apresentada neste domingo no programa supra mencionado.

Segundo informações dos leitores, o programa Domingo Espetacular não apresentou a reportagem. Também disseram que Paulo Henrique Amorim não apareceu no programa, como de costume...

Não gostaria de me precipitar. Pode ser que tenha ocorrido algum imprevisto e não tenha dado tempo de a matéria ir ao ar. E não tenho como tirar isso a limpo agora, porque nem estou no Brasil. Mas que é estranho, muito estranho, é.

Como eu já lhes disse, tudo pode acontecer quando se lida com a mídia...

Apesar de não ser culpado por a Record não ter apresentado a reportagem que fez comigo – ao menos no dia em que disse que apresentaria –, sinto-me responsável pelo dissabor de todos aqueles que perderam seu tempo esperando pela reportagem.

Mesmo que tenha havido um contratempo, que a Record não tenha conseguido preparar a matéria a tempo e que ainda venha a transmiti-la, parece-me uma extrema grosseria e falta de consideração que alguém não tenha pelo menos me comunicado por e-mail o adiamento ou até o recuo na apresentação da matéria.

Mas, de uma coisa, vocês podem ter certeza: tirarei isso a limpo. Se não for agora, será quando eu voltar ao Brasil. Mesmo que a Record venha a apresentar a matéria posteriormente, acho que a atenção que dispensei aos seus jornalistas me dá o direito de cobrar o mesmo da emissora.

De qualquer forma, aceitem minhas desculpas pelo que fez a TV Record.

 

 

Comentários e postagens

 

 

Os próximos 13 dias serão de trabalho duro para mim. Irei liberando os comentários conforme me for possível. As postagens serão feitas sempre à noite.

 

 

Dos leitores

 

 

Já assisti a outros programas Domingo Espetacular e este de hoje seguiu outra linha, de forma que a temática mídia, MSM, de fato não se encaixaria no programa apresentado.

A impressão que tive foi a de que mudou a direção do Domingo Espetacular. A direção e os apresentadores...


José Carlos Lima | Goiânia | GO 

 

 

Pedido de explicações

 

 

De        :Eduardo Guimarães  

Para     : tolenk@sp.rederecord.com.br   

Assunto: Domingo Espetacular

Data      :30/03/2009 00:32


Prezada Thais Olenk,

eu e o leitorado do blog Cidadania, do qual sou signatário, ficamos surpresos por a matéria não ter ido ao ar.

Agradeceria uma explicação.

Atenciosamente,

Eduardo Guimarãe
s

 

 

Record explica

 

 

A jornalista Thais Olenk, da Record, respondeu o e-mail que lhe enviei pedindo explicação sobre por que a matéria que a emissora gravou comigo não foi ao ar.

Leiam a resposta em questão. Neste momento, são 14 horas no Peru e tenho visitas a fazer. No próximo post, à noite, comento.

De       : Thais Helena Eggert Olenk

Para     : Eduardo Guimarães

Assunto: RES: Domingo Espetacular

Data     :30/03/2009 11:45

Oi Eduardo,

realmente a matéria não foi ao ar. No jornalismo é assim, às vezes as matérias que estavam programadas 'caem', como costumamos dizer.

Mas quem sabe entra na próxima semana. Se estiver programada, eu te aviso.

Abs,

Thais Olenk

Produção Domingo Espetacular - TV Record

Tel. (11) 2184-5105

Fax. (11) 2184-5142

E-mail: tolenk@sp.rederecord.com.br



 Escrito por Eduardo Guimarães às 23h27
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Análise política

Soltura da dona da Daslu

 

 

 

 

 

 

O país ficou chocado com a libertação da dona da Daslu, Eliana Tranchesi, pela Justiça. Mas, pelo que tenho lido e ouvido, foi pelos motivos errados.

Você, leitor, conhecendo-me, poderá ficar chocado com o que vou dizer agora. Mas tenha paciência, que, ao fim deste texto, se você também se chocou por a Justiça ter libertado alguém que, sendo franco, não passa de uma contrabandista, acabará me dando razão.

Antes de explicar aonde quero chegar com isto, atentemos para as exemplificações óbvias de como a Justiça chega a prender gente pobre e tão ou mais doente que Tranchesi sem que a imprensa faça esse carnaval que está fazendo porque uma ricaça picareta foi presa.

Não faltarão exemplos de pobres que vão presos e ficam aleijados, inválidos e até adoecem e morrem na cadeia porque roubaram um vidro de xampu ou coisa que o valha.

Como o país não se chocaria quando uma mulher que pode até estar doente, mas que certamente está em muito melhores condições físicas do que muito pobre “sadio” que é arrastado às nossas masmorras superlotadas, vira o dodói da imprensa mesmo tendo roubado uma quantidade fantástica de impostos?

Onde está o erro, aí? Está na concessão de habeas-corpus a Tranchesi por ela nunca ter sido condenada antes e por caber apelação de sua sentença de um século de prisão ou está no tratamento errado que a Justiça brasileira dá aos criminosos pobres?

No fim das contas, meus caros, a tese dos indignados é a seguinte: já que a Justiça é injusta com os pobres, tem que ser injusta também com os ricos.

Questione-se a lei brasileira. A possibilidade de infinitas apelações, aliada à morosidade da Justiça, é caminho certo para a impunidade daqueles que podem pagar advogados.

Mas se a lei é essa, se ela possibilita a libertação de quem não foi condenado em última instância, há que aplicá-la ou mudá-la.

A lei não muda porque a imprensa, o Judiciário e as classes média e alta, que são os que têm como se fazer ouvir, acham que assim está muito bom.

O bandido pobre, querem que apanhe, que seja torturado, esculachado de todas as formas e, para isso, contam com a falta de condições dele de conseguir o que conseguem os bandidos ricos, ou seja, o benefício da lei.

É claro que estou indignado tanto quanto vocês, mas é por outras razões. Além de Tranchesi ser rica e poder pagar bons advogados, ela tem relações íntimas com políticos. Emprega filhas de políticos em cargos de diretoria. Mocinhas que mal saíram da puberdade.

A filha do ex-governador Geraldo Alckmin é a garantia de Tranchesi de que terá a imprensa e a Justiça ao seu lado, pois a filha de alguém tão importante não pode ficar caracterizado que trabalha numa organização criminosa.

A dona da Daslu tinha direito ao habeas-corpus, pela lei. O problema, pois, não foi libertá-la, mas não libertarem os bandidos pobres que também poderiam ser libertados.

“Ah, mas os bandidos pobres, postos em liberdade, ameaçariam a sociedade”, dirão. Mas e a bandida rica, também não ameaça? Ela não continuou delinqüindo mesmo depois de ter sido indiciada?

Sobre nosso sistema penal, eu digo o mesmo que digo da escola pública: ambos só irão melhorar quando ricos e pobres tiverem que freqüentá-los.

Se eu pudesse mudar as leis, acabaria com a escola e com a assistência jurídica privadas e com a prisão "especial". Vocês veriam como tanto a escola pública quanto as prisões e a defensoria pública se tornariam de Primeiro Mundo em questão de meses.

 



 Escrito por Eduardo Guimarães às 17h05
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