Reproduzo, neste artigo, trechos de matéria de capa da Revista Carta Capital de 13 de agosto de 2008 que mostram um dos muitos avanços que têm sido conseguidos no Brasil nos últimos anos e que explicam de onde tirei a idéia de usar este blog para mobilizar a sociedade civil em questões como essa recente da ditabranda e em outras para as quais promovi o mesmo tipo de mobilização, ainda que nunca antes com sucesso tão efetivo.
Desde setembro de 2007, venho estudando o poder de mobilização da internet propiciado por uma intensa política do governo Lula de incluir digitalmente os brasileiros. De fato, o que me parece é que este governo optou por dar, entre o muito que deu com a inclusão digital impressionante que passou a promover no Brasil, um instrumento aos cidadãos que tampouco aceitam o monopólio da comunicação e o uso desta para supremacia de interesses sectários de pequenos grupos de cidadãos que controlam grandes veículos de mídia.
A matéria abaixo dirá muito. Dirá, desde o que tem fundamentado meu trabalho à frente do Movimento dos Sem Mídia, até de que forma me foi possível colocar centenas de pessoas na rua por três vezes para defenderem o direito de todos os brasileiros a uma mídia confiável, plural e ética.
Boa leitura.
O Brasil cai na rede
FUTURO
Em 2009, metade dos brasileiros terá acesso à internet. O que isso muda?
POR ANA PAULA SOUZA, DANIEL PINHEIRO E PHYDIA DE ATHAÍDE
Paulo Joaquim de Mello júnior, 23 anos, é um típico garoto da periferia paulistana. Filho de um pernambucano de Garanhuns e de uma baiana de Feira de Santana, nasceu e cresceu no Jardim São Luis, zona sul da cidade, tão carente de infra-estrutura quanto de perspectivas. Aos 14 anos, tomou contato com um computador em um cursinho “bem básico” na ONG Casa dos Meninos. Interessou-se por aquilo tudo e, no ano seguinte, ajudava outros garotos a entender a máquina cheia de botões. Sem perceber, fascinou-se pela idéia de compartilhar conhecimento. Decidido a ter um computador só seu, juntou dinheiro com dois amigos e comprou um, usado, a prazo. "Meu pai achava mirabolante", diz, meio tímido. “Mas ele via que eu podia crescer aí”.
Erivaldo Magno da Conceição, de 15 anos, é outro típico garoto da periferia paulistana. Estuda em colégio público à noite e, todos os dias, passa ao menos três horas em uma lan house no Jardim São Luis. Lá, gasta 20 reais mensais, usando as horas de conexão que compra e tambémas de amigos. Sonha com um computador em casa. “Mas, mesmo se eu ganhar, vou continuar vindo aqui”, diz, sem tirar os olhos da tela, onde comanda um carro de corrida no game "Need for speed". Ao redor, adolescentes e crianças ocupam quase todas as máquinas do estabelecimento: dezessete garotos estão em jogos e quatro meninas, no Orkut.
Júnior e Conceição representam duas faces de um fenômeno que se agiganta no Brasil. Especialistas estimam que, na virada do ano, metade da população brasileira, ou mais de 90 milhõesde indivíduos, terão, de alguma maneira, acesso à internet, seja em casa, no trabalho, no celular, seja em locais públicos. Quando se pensa apenas em usuários domésticos, os números são mais modestos. Pesquisa Ibope Monitor, que leva em conta apenas as residências, mediu 22,9 milhões de usuários.
O Brasil, segundo a ONG norte-americana Internet World Stats, mantém um dos ritmos mais fortes em todo o mundo de crescimento do acesso. Entre 2000 e julho de 2008, o número de novos conectados cresceu 900% .
Uma pesquisa recente do Datafolha contabilizou que 47% dos brasileiros já têm acesso à internet. Há outros dados surpreendentes.
Somos o país no qual os usuários passam mais tempo conectados por mês. São mais de 22 horas mensais, ante 20 horas da França e 17,6 na Alemanha.
Brasileiros alavancam febres na internet, como a do Orkut e a do Second Life. Estima-se que 27 milhões de nativos naveguem pelo Orkut, o mais popular site de relacionamentos da rede.
O Brasil chegou aos 50 milhões de computadores no ambiente doméstico e corporativo, segundo a Fundação Getúlio Vargas.
Na Terça-feira (05/08/2008), a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) divulgou a previsão de venda de computadores em 2008: 13 milhões de unidades. Com os atuais 50 milhões de máquinas, o País tem uma média de 26 computadores para 100 habitantes, valor superior à média global de 21 equipamentos para cada centena.
Para compreender o papel da internet no modo de vida dos brasileiros, convém voltar aos garotos do Jardim São Luis. Júnior, a partir do curso de computação, descobriu mundos que não imaginava existirem. Ele e alguns amigos criaram o Mudança com Conhecimento, Cinema e Arte (Mucca), dedicado à exibição e discussão de filmes na periferia.
Por meio da internet, encontram os filmes, fazem contato com as distribuidoras e trazem o projeto para o mundo real. “O que seria da gente sem e-mail? Um e-mail me facilita falar com alguém que nunca me receberia para uma reunião”, diz Júnior. Ao deixar a ONG, em 2007, foi também por meio da rede que encontrou um emprego. Sem sair de casa, contatou amigos, pesquisou cursos, sites especializados e fez-se visível.
Desde março, trabalha no Centro de Referência da Criança e do Adolescente. Uma casa de passagem para menores em situação de rua, e ganha cerca de mil reais por mês.Agora sonha em fazer faculdade de História e pós em Cinema. Não tem dúvidas de que a internet mudou sua vida. Ela pode mudar o mundo? “A internet, não. Mas quem usa pode”, afirma.
(...)
“Temos de fazer uma série de discussões para chegar aos tais 50% dos brasileiros usando a internet, mas chegou a hora de pararmos de pensá-la como fenômeno simplesmente numérico e olhá-la como fenômeno qualitativo e comportamental”, pondera Marcelo Coutinho, diretor de análise de mercado do Ibope Inteligência.
Fruto do barateamento do computador (estimulado pela queda do dólar) e da expansão do acesso, o fenômeno tem contornos sociais ainda não totalmente compreendidos. Trata-se de uma mudança veloz, radical. Cabe lembrar que a tevêlevou cerca de 27 anos para fazer o mesmo, desde o início da operação comercial no Brasil, entre 1950 e 1977. Se as previsões se confirmarem, o acesso à internet atingirá esse porcentual 14 anos depois de sua introdução comercial no Brasil, em 1995. (...)
Depois dessas informações, a matéria da Carta Capital veiculou trecho de entrevista que dei à época à sua repórter Phydia de Athaíde e que vocês lerão a seguir, e que terá o condão de explicar porque não me surpreenderam fatos recentes que mostraram como o poder da internet pode ser usado pela sociedade para se mobilizar de forma a melhor combater o voz tonitruante da mídia.
De novo, desejo-lhes uma ótima leitura e, depois, uma grande Páscoa.
Em qualquer parte do mundo há crime organizado. Nos anos 1920, 1930, nos Estados Unidos, por exemplo, Alphonsus Gabriel Capone aterrorizou aquela sociedade enquanto zombava da lei.
No Brasil do século XXI, porém, vemos um crime que já não é nem mais simplesmente “organizado”. É institucionalizado.
Criminosos poderosos, que roubam bilhões, vêm demonstrando um poder que jamais se viu num país da importância do Brasil. Um poder que só se vê em republiquetas bananeiras. E olhem lá...
O crime hoje controla o Poder Judiciário e enorme parte da grande imprensa. Um mafioso, contra quem há crimes gravíssimos totalmente comprovados, diz claramente que, no Supremo Tribunal Federal, consegue reverter qualquer acusação contra si.
Há provas incontáveis, baseadas em gravações legalmente autorizadas, que mostram que jornalistas famosos de grandes meios de comunicação trabalham para o mafioso ao qual me referi veiculando o que ele quer nesses meios.
O policial que é o nosso Eliot Ness (o policial americano que pôs fim à carreira de Al Capone), à diferença do seu congênere americano é perseguido pela Justiça, pelo Legislativo e pela imprensa sob acusação difusa de ter investigado demais, chegando a correr o risco inacreditável de ser... preso!!?
Só na Operazione Mani Pulite (Operação Mãos Limpas), desencadeada na Itália nos anos 1990, foi vista alguma coisa parecida com a que está acontecendo no Brasil, com a diferença de que, por lá, houve desbaratamento do crime institucionalizado, com o soterramento de partidos políticos e prisão de membros do judiciário.
No Brasil, a Máfia institucionalizada zomba do país, da indignação dos cidadãos, enquanto ameaça com prisão (!!!) aqueles que a investigam, os quais, ao mesmo tempo, são apresentados pela grande imprensa como criminosos.
O governo que desencadeou a operação policial que pretendeu ser a Operazione Mani Pulite brasileira, é acusado pelos criminosos e se torna o objeto da investigação.
Faço-lhe uma pergunta, leitor: se as instituições brasileiras, todas juntas, não conseguem enfrentar um único banqueiro, contra o qual há uma enormidade de provas materiais irrefutáveis de ser um bandido, como desafiar os interesses de toda a banca brasileira reduzindo-lhe os lucros?
Este ano, completo minha quinta década de existência. Eu, que nasci num país conturbado politicamente, injusto, atrasado, que se debatia entre sua vocação para se tornar uma potência e a vontade de uma casta de manter tudo como estava.
Quem tem um mínimo de entendimento da realidade brasileira sabe que o Brasil, através dos séculos, foi moldado de maneira a impedir qualquer tipo de justiça social efetiva, sabe que foi formatado para privilegiar pequenos grupos de interesse.
Até Jango Goulart, todos, absolutamente todos os governantes que tentaram tornar este país verdadeiramente mais justo, que tentaram colocá-lo num caminho no qual os anseios e as necessidades da maioria fossem ao menos encaminhados, falharam.
Espanta-me quando vejo pessoas honestas e inteligentes culparem o governo Lula por não resolver em seis anos os males que afligem nosso país há cinco séculos. Espanta-me ainda mais quando essas pessoas não conseguem ver quanto foi realizado nos últimos seis anos.
Este texto não é para esse pessoal que escreve Lula com três eles (Lulla). Por isso, vão passear, reacionários, e voltem noutra hora. Estou escrevendo para quem quer fatos em lugar de mentiras e para os que não usam malandragem ideológica.
Esta crise que abala o planeta deveria estar mostrando aos intelectualmente honestos e pensantes que este país está sendo bem governado, dentro do possível.
Espanta-me que pessoas decentes não reconheçam que, se estamos sentindo alguns efeitos dessa crise, tais efeitos, por serem infinitamente menores do que os da grande maioria dos países pobres e ricos, deveriam constituir prova de que finalmente o Brasil tem um governo que ao menos tenta incluir os pobres e miseráveis no barco do progresso.
É claro que a elite ainda abocanha a parte do leão. E é claro que se este governo, fazendo o pouco que fez – e que pelo menos fez –, sofre o que está sofrendo nas mãos dessa elite, se fizesse o que pregam os que acham que em seis anos seria possível desmontar uma máquina de concentração de renda construída ao longo dos séculos, seria outro governo derrubado. Em pleno século XXI.
Nenhum ser humano que se eleja presidente do Brasil conseguirá impedir os lucros obscenos dos bancos brasileiros, por exemplo. Pregar tal coisa é loucura, é total desconhecimento do que é este país.
Só quem não é capaz de comparar o Brasil de hoje com o de seis anos atrás, só quem não entende a estrutura de manutenção da injustiça social erigida durante séculos é capaz de achar que dá para um governo fazer mais do que tem feito o governo Lula nesse sentido.
Não vou citar números nem progressos que este país alcançou nos últimos seis anos. Os honestos e mentalmente sadios já os conhecem. E o mundo os reconhece. Por isso é que esse mesmo mundo tem se curvado ao Brasil.
Tem gente tentando vender a história absurda de que os líderes do G20 se desmancharam em elogios a Lula recentemente porque ele lhes entrega o ouro. Lula seria tão entreguista que os líderes mundiais todos o mimam, pois ele permite que os países ricos sangrem esta nação.
Na última década e meia, viajei pela América Latina e até à África. Pude ver, nessas regiões, quanto as missões comerciais do Lula vendedor do Brasil no mundo fizeram por nós. Se não fosse a diversificação dos mercados para nossas exportações promovida por ele, hoje estaríamos perdidos.
Há seis anos, os EUA eram o destino de mais de um terço de nossas exportações. Hoje, não respondem por nem um sexto delas. Essa é uma das grandes obras econômicas deste governo. É o que nos salvou de quebrar como o resto do mundo.
Vocês vêem a guerra que a direita faz porque o governo Lula investiu um pouco mais no social? Esses poucos bilhões a mais que são gastos num Bolsa Família foram tirados da veia da elite. Por isso ela mantém essa agenda fixa de escândalos na mídia e tenta impedir o presidente de governar.
Vejo pregações de que Lula não fez o suficiente para combater a crise, mas quem prega isso não diz o que ele deveria – e poderia – ter feito.
A esta altura, meus caros, imagino que ninguém mais acha que tenho estas opiniões porque sou pago por Lula. Até o Reinaldo Azevedo reconheceu que digo estas coisas “de graça”, porque eu seria “romântico”.
Podem discordar de mim, podem dizer o que quiserem de mim, mas uma acusação que ainda não recebi é a de ser burro. Bem, diante disso eu lhes digo: tenho a mais absoluta convicção de que vivo num país que finalmente está sendo governado, e que, por isso, está logrando avanços que o mundo inteiro reconhece.
Tenho críticas, claro, ao governo Lula. Só um louco diria que esse governo é perfeito. Mas, diante da sabotagem ininterrupta que sofre, acho até que tem feito mais do que seria de esperar.
Quem quiser entregar o Brasil aos tucanos e pefelês em 2010 porque o governo Lula não impediu os banqueiros de lucrar obscenamente num país como este, está no seu direito. Só não me peça para fazer a mesma coisa.
As alternativas todas a este governo e o risco de tais "alternativas" faturarem politicamente em cima de críticas de gente séria a ele devem orientar o debate político.
Por que retirei a piada
Um leitor disse que homossexuais sentiram-se ofendidos por uma piada que havia no fim deste texto. O comentário, depois descobri, era falso. O e-mail que enviei ao autor, voltou
Entretanto, não se pode correr o risco de ferir sensibilidades. O fato de o comentário ter sido inventado por algum desafeto político não invalida a possibilidade de acontecer isso.
Assim, em respeito àqueles que são perseguidos de forma injusta, retirei uma piada que basta a gente ligar a TV para ver em programas humorísticos.
Quem lê este blog há mais tempo sabe que sempre defendi os direitos dos homossexuais. Talvez eu esteja sendo ingênuo, mas não posso correr um risco desses, pois as perseguições injustas que os homossexuais sofrem são algo muito sério.
Vejo-me, pois, obrigado a reconhecer que esse tipo de humor pode não cair bem num blog como este e peço desculpas aos que se sentiram ofendidos.
Além disso, agradeço aos que previram que isso poderia acontecer. Eu não entendi de cara o que quiseram dizer e me irritei injustamente com eles.
A gente vai vivendo e aprendendo. E há que se ter humildade para progredir como pessoa.
Do leitor
Boa prova de respeito e humildade da sua parte. Para quem quiser ter uma noção do quanto os homossexuais sofrem, clique aqui
Foi no vídeo acima que assisti, pela primeira vez, a última reportagem da série da TV Record sobre o escândalo da Ditabranda do Jornal Folha de São Paulo.
Trata-se de um material de inegável valor jonalístico e histórico.
Não sei se as acusações da Folha à Record são verdadeiras. Só sei que, no que tange ao conteúdo dessa reportagem, subscrevo-lhe cada fotograma.
PS: nem por isso, deixem de assistir o video sobre Arequipa no post anterior, que me deu o maior trabalho.
O vídeo acima cumpre a promessa que lhes fiz de captar algumas imagens e fatos interessantes que revelassem alguma coisa, por pouco que seja, de Arequipa, "La Ciudad Blanca".
A designação “cidade branca” deve-se às pedras dessa cor usadas em praticamente todas as construções mais antigas na região central da cidade em que estou no momento em que escrevo.
Além da “Plaza de armas” do centro arequipenho, região central desta que é a segunda maior cidade peruana, o vídeo mostrará o processo de fabricação da bebida nacional, o Pisco.
É que um cliente daqui, além de comercializar as peças para máquinas de construção que vendo, dedica-se à fabricação de uma bebida que é um dos fatores que divide chilenos e peruanos.
O que ocorre é que o Pisco é considerado a bebida nacional dos dois países. Saborosíssima, leve e à qual os dois povos dedicam uma verdadeira paixão, como a que dedicamos à nossa cachaça.
Trata-se de um aguardente de uvas, cujo processo de fabricação o vídeo revelará.
Finalmente, informo que estou voltando antes do previsto ao Brasil. Como o feriado da Semana Santa começa na quinta-feira no Peru, antecipei meu retorno em dois dias.
Primeiro, quero cumprimentá-los pelas opiniões que deixaram no post anterior. Sempre digo que aprendo muito com este blog.
O assunto do qual tratarei neste post, é polêmico e complicado e seu ponto de equilíbrio chega a parecer impossível. Mas é aí que está a “graça” da coisa.
Se eu pretendesse a agradar a todos, não teria tocado no assunto. Eu sabia que as opiniões se dividiriam porque, de uma só vez, toquei em dois dos temas que mais dividem as pessoas. Só faltou falar de futebol.
Religião e política são os dois temas candentes que pus na mesa. Aí a coisa só poderia pegar fogo mesmo.
A questão que discutimos é se a Record tem moral para criticar a Folha. E isso porque a emissora pertence à Igreja Universal do Reino de Deus, criticada e criminalizada de forma contundente há muitos anos. E, convenhamos, por razões que me pareceram boas.
Minha primeira tendência ante alguns dos comentários, porém, foi a de me irritar com os que me criticaram pelo que eu não disse. Mas, por sorte, não escrevi “a quente” e, assim, consegui ponderar melhor sobre o que foi dito.
O comentário que mais me feriu partiu de um leitor que sempre fez ponderações respeitáveis e sensatas aqui. E, com efeito, não me deixo ferir pelos insultos dos energúmenos, mas os insultos dos que respeito me são quase mortais.
Vamos ao comentário:
Eduardo, pode ficar com raiva do que vou dizer agora: mesmo existindo um certo significado na sua atual postura de "relevar" a malandragem da record com relação a sua pessoa, fiquei impressionado com a velocidade da mudança de sua opinião. Numa semana, você bate o pau na Record porque "talvez" tenha te usado para fazer chantagenzinha com a Folha. Agora, já está amiguinho, defendendo. Está usando razão ou emoção? Eu li e parcialmente entendi que a causa maior do MSM e do desmascaramento da Folha justificam tais atitudes, mas fica meio feio perante seus leitores e admiradores, como é meu caso. Louvo o MSM e admiro pra caramba essa atitude. Levanto a bandeira do MSM, mas comparando com a semana passada, essa agora foi uma lambança total. Uma hora esculhamba a Record dizendo que é no mínimo tão ruim quanto as outras, com a diferença do discreto perfume que usa. Na semana seguinte, é tão boa que é possível sentir a quilometros o balsamico eflúvio de seu jardim florido. Estranho...
Gustavus Magni T. Sales | Curitiba | estudante
O leitor parece não ter assistido o vídeo que gravei e publiquei aqui minutos depois que a reportagem do Domingo Espetacular sobre a "ditabranda" foi ao ar. O título do post que contém o vídeo é “Sugestão à Record”. Ele deveria assisti-lo.
Para ser direto, eu disse que fiquei contrariado porque a Record deu a entender que só a Folha apoiou a ditadura. Ou seja: crítiquei a emissora minutos depois de a matéria em que apareci ter ido ao ar.
O Gustavo confunde jornalismo e política com religião. Aliás, vários leitores souberam captar esse meu ponto de vista. Uso o exemplo de outra leitora:
Não acho que a briga entre a Folha e a Record tenha alguma coisa a ver com religião. Não creio que a briga entre a Globo e a Record, menos óbvia, tenha alguma coisa a ver com religião, fé, crenças (...)
Vera | Rio de Janeiro, RJ, Brasil | professora aposentada
Essa é a questão: eu falei justamente que misturar jornalismo e política com religião é puro preconceito. Critiquei a Record porque achei que a emissora havia gravado a entrevista comigo e ameaçado levar ao ar a matéria sobre a "ditabranda" só para intimidar a Folha, para chantageá-la a fim de que o jornal parasse de criticar a Igreja Universal.
A matéria foi ao ar. Não era chantagem. A Record gravou a entrevista comigo e com outras pessoas porque pretendia colocar o material no ar. E colocou. Em suma: enganei-me.
Outros leitores me criticaram porque comparei a Igreja Católica com a Igreja Universal. E me lembraram do papel lamentável que a Record fez no caso do padre Júlio Lancelotti. Contudo, quando foi que eu disse que a Record era perfeita?
Já sobre as igrejas, mantenho o que disse.
Eu, que nasci numa família católica, que fiz quase todo o ensino fundamental e médio em colégios paulistanos católicos como o Liceu Coração de Jesus, o São Luis e o São Bento; que fui batizado e me casei na Igreja Católica; que batizei meus filhos nessa Igreja e que os eduquei também em escolas católicas como o colégio Regina Mundi e o Cristo Rei.
A Igreja Católica tem milhões de pecados. O que não quer dizer que, como em qualquer outra religião, não tenham existido e não existam ótimos sacerdotes. Homens de bem, justos, honestos e abnegados como o padre Julio Lancelotti.
Mas há homens bons nas igrejas, nos sindicatos, nos partidos e até no jornalismo. Esses homens (uso homens porque o gênero masculino predomina no português) não edificam as instituições das quais fazem parte, mas a espécie humana.
A questão é de fé. Dizem que a Igreja Universal engana seus fiéis induzindo-os a contribuírem financeiramente com ela. Bem, aí é questionável. Essa Igreja tem advogados, médicos, engenheiros entre seus fiéis contribuintes. Há muita gente culta e instruída que acredita que doando à Universal está agindo certo.
Dizer que quem acredita na pregação dessa igreja é porque é enganado por ela, é preconceito. Cheguei a essa conclusão. É desqualificar os fiéis.
Eu acho que a Folha de São Paulo engana grande parte de seus leitores, e eles contribuem com ela. Só que, aí, não estamos falando de religião, mas de jornalismo e de política. É outra história.
Se quiserem falar de religião, acho complicado. É como falarem do Corinthians e do Palmeiras. Quem tem razão, entre os torcedores de um e de outro clube? Por que as doações dos fiéis católicos é boa e a dos fiéis da IURD não?
A Record tem feito um jornalismo de boa qualidade, o que não significa que não derrape como no caso do padre Julio Lancelotti.
Há fundamentalismo na IURD? E na Igreja Católica, não há? O Papa pregar contra a camisinha ou um bispo católico defender que uma criança de 9 anos vítima de estupro levasse a gravidez decorrente daquele estupro até o fim, não é fundamentalismo?
Se quiserem falar de jornalismo e de política, falemos de jornalismo e de política. Agora, religião é outra coisa. Desqualificar o jornalismo da Record porque seu dono é de uma religião da qual uma parte da sociedade não gosta, é preconceito.
Não concordo com o fundamentalismo da IURD ou da Igreja Católica. Agora, o jornalismo da Record é melhor, ainda que não seja perfeito.
No domingo eu disse que a Record deveria ampliar suas criticas sobre o apoio de meios de comunicação à ditadura. Disse que, quando a emissora critica só a Folha no caso da ditadura militar, fica parecendo que é por conta da briga dos dois veículos. Disse isso logo depois de a Record exibir minha imagem e minhas palavras.
O leitor Gustavo acha “estranha” minha posição, insinuando que mudei de idéia sobre a Record porque ela me deu espaço. Ele não assistiu o vídeo em que critiquei a Record minutos depois de ela me dar espaço. E, como vários outros, misturou política com religião.
Nos últimos dois anos, construí minha história pública. Dei um “chega-pra-lá” no ombudsman da Folha, que disse que queria ser meu “amigo”. Se eu quisesse auferir algum tipo de vantagem, seria melhor ficar do lado da imprensa golpista. É do lado dela que está o dinheiro e a fama.
Aqueles 30 segundos que a Record me deu, hoje ninguém se lembra mais – três dias depois. E acabou por ali.
Continuo achando que a Record comete um erro ao focalizar suas matérias só na Folha. Está dando argumentos a ela. Mas a Record não está sabotando o país, não alarmou a população no caso da febre amarela, não tentou derrubar o governo Lula.
No mais, continuarei tratando religião como religião e política e jornalismo como política e jornalismo.
Atualizado às 10h21m (hora brasileira) de 7 de abril de 2009
Meu problema – e minha solução – é esta cabeça que não pára de pensar. Tento pegar no sono e não consigo. Então, apesar de morto de cansaço devido a uma segunda-feira desumana, venho aqui deixar uma boa polêmica para vocês.
Leitores me cobraram por ter aceitado o espaço que a Record, emissora de Edir Macedo, abriu ao MSM.
Há sempre uma ironia nas cobranças. A origem disso é que dizem que o que permitiu a Macedo comprar a Record, foi a igreja que fundou. Podem estar certos, mas e daí?
Nasci numa família católica. Fui batizado e me casei na igreja católica. Meus filhos também foram batizados nessa igreja e estudaram em escolas católicas.
De uns dez anos para cá, comecei a me questionar sobre a igreja que permeou minha vida. Os escândalos e a opulência do catolicismo fizeram com que me afastasse dela.
Quando vejo o império católico, além de tudo, cometendo absurdos como a excomunhão de fiéis que impediram que uma criança de nove anos, vítima de estupro, corresse risco de vida, fico me perguntando no que a igreja de meus pais, avós e bisavós difere da Igreja Universal.
Alguém já deu uma boa olhada no Vaticano? O dinheiro para tudo aquilo caiu do céu? E os crimes do catolicismo no decorrer da história?
Mas não quero julgar o catolicismo nem a Igreja Universal. É tudo preconceito.
A emissora de Edir Macedo montou um time de jornalismo muito bom. Está fazendo um trabalho que pode até não ser perfeito, mas peço a alguém que me aponte que meio de comunicação, hoje, está acima de críticas.
Neste momento, a Record é o único grande meio de comunicação que está se contrapondo a essa imprensa golpista, mentirosa, criminosa. Esse é um fato.
Na falta de explicações
A Folha de São Paulo tenta hoje desviar o foco das críticas que tem sofrido por ter colaborado com a ditadura militar no passado e por, recentemente, ter tentando vender ao seu público que o regime que pediu, ajudou a implantar e com o qual colaborou teria sido "brando".
Melhor faria o jornal se explicasse ao seu público sua participação no regime militar. Estou certo de que os pensantes se perguntarão : "Ok, mas é verdade o que apresentou a Record?"
Vejam, abaixo, a matéria burra da Folha:
São Paulo, 7 de abril de 2009
Universal usa Record para fazer novo ataque à Folha
Emissora insiste em tentativa de intimidar jornal
DA REDAÇÃO
A Rede Record, que pertence ao bispo Edir Macedo, dono da Igreja Universal do Reino de Deus, veiculou no domingo à noite no programa "Domingo Espectacular" mais uma sequência de ataques à Folha.
Durante 13 minutos, a emissora de TV usou depoimentos de vítimas da ditadura militar (1964-1985) para repetir críticas ao termo "ditabranda", empregado recentemente em editorial da Folha e que o jornal retificou a seguir.
O programa destacou que a "Folha da Tarde", hoje extinta e que pertenceu ao Grupo Folha, apoiava no início dos anos 1970 a repressão do governo contra a guerrilha esquerdista.
A Record tem insistido em diversos tipos de ataque contra o jornal. Desde 17 de março, os telejornais da emissora afirmam que a Folha estaria em "crise de credibilidade", não seria isenta na publicação de notícias e promoveria uma campanha contra a Record e a Igreja Universal do Reino de Deus.
A emissora alega que as agressões são resposta a notícias divulgadas pela coluna "Outro Canal", publicada pela Ilustrada.
Escrita por Daniel Castro, a coluna tem como foco os bastidores da TV. Em março, Castro divulgou dados de audiência da Record News, canal de notícias da rede, que resultaram favoráveis à concorrência. Sem invalidar a conclusão, parte dos dados continha erro, que foi corrigido em seguida pelo jornal.
Antes de tentar intimidar o jornalista da Folha, a Record quis contratá-lo. No início de fevereiro, por meio de seu vice-presidente comercial, Walter Zagari, a emissora ofereceu ao colunista o cargo de gerente de comunicação, que foi recusado.
Ações judiciais
Desde o ano passado, a Igreja Universal do Reino de Deus busca intimidar a Folha para que deixe de publicar reportagens a respeito de suas atividades empresariais.
Ao longo de 2008, integrantes da Universal ajuizaram 107 ações na Justiça contra a Folha. Todos alegavam ter sofrido danos morais com a reportagem "Universal chega aos 30 anos com império empresarial", publicada pelo jornal em dezembro de 2007.
Para dificultar a defesa do jornal e aumentar os custos com o deslocamento de advogados e testemunhas, as ações foram propostas em cidades que ficam longe de grandes centros e de difícil acesso.
Até agora, houve 74 sentenças, todas favoráveis à Folha. Em 13 casos, os juízes condenaram os autores por litigância de má-fé, que significa que eles fizeram uso indevido da Justiça.
Belo debate
Amigos, o debate deste post está ficando bom. Várias questões bem levantadas. Pena que, agora, esteja com reuniões de trabalho iminentes e, assim, não poderei debater. Mas o post da noite - o que significa que só o lerão no fim desta terça-feira ou amanhã - levantará de novo a questão e contemplará as questões todas de forma transparente e honesta.
Meus amigos, estou morto. Não tenho pique para escrever muito e nem mesmo para gravar vídeo. Mas não deixaria o dia terminar sem lhes dar uma boa notícia.
Recebi hoje (segunda-feira), em meu celular (que funciona aqui no Peru via Roaming Internacional), ligação de uma assistente do Paulo Henrique Amorim convidando-me para participar de um programa desse jornalista que irá ao ar na próxima terça-feira na Record News.
Infelizmente, não pude aceitar porque a gravação será nesta terça-feira nos estúdios da TV Record em São Paulo e não estou no Brasil.
Contudo, não poderia deixar passar essa oportunidade para o Movimento dos Sem Mídia. Assim, indiquei o primeiro-secretário da nossa Organização, o grande Antonio Arles, para me representar no programa.
Na próxima terça-feira, veremos esse jovem que tanto estimo representar o MSM e, por que não?, este blog. Junto ao PH, o Antonio repercutirá o caso da ditabranda. Caso que ainda deverá render muito, para desespero do mauricinho de suspensórios lá da Folha.
Uma notícia boa e má
O blog deve voltar ao normal antes do previsto.
Antecipei minha volta ao Brasil em dois dias, pois havia me esquecido de que estamos na Semana Santa, que, aqui no Peru, vira feriado a partir da quinta feira.
Graças a Deus. Já não aguento mais. E, além disso, estourei a boca do balão nas vendas. Com crise e tudo.
Ah, o título do comentário... Bem, é que esta notícia é boa para alguns e ruim para outros.
Como estou fora do país, não assisti a reportagem do programa Domingo Espetacular, da TV Record, sobre o uso do termo “ditabranda” pelo jornal Folha de São Paulo.
Gravei o vídeo acima para dizer, de forma singela e direta, o que penso do que minha filha me relatou por telefone, daí do Brasil, sobre o que a emissora apresentou.
En la Ciudad Blanca
Estou em Arequipa, no Peru, a chamada “cidade branca”.
A foto que vocês vêem acima, tirei da janela do meu quarto de hotel. Nela, aparece, ao fundo, o vulcão inativo Misty.
Está mal tirada. Eu deveria ter aberto a janela para não aparecer o reflexo. Mas outras fotos virão.
Nesta segunda-feira terei muito trabalho, várias reuniões de negócios. Os comentários serão liberados de forma intermitente.
A edição deste mês da revista Caros Amigos publicará ampla reportagem sobre o caso da ditabranda. Se não me engano, será matéria de capa.
Leitores também me avisaram que a TV Record apresentou chamada para a reportagem sobre o mesmo assunto que será apresentada na noite deste domingo em seu programa Domingo Espetacular.
Leiam, abaixo, matéria da jornalista Thais Sabino publicada no site da revista Caros Amigos.
*
A DURA QUE FOI DITA “BRANDA”
Por Thaís Sabino
O editorial “Limites a Chávez”, do jornal Folha de S. Paulo, no dia 17 de fevereiro gerou uma série de críticas. Feito um resgate infeliz das palavras do militar chileno Augusto Pinochet, o texto usou o termo “ditabranda” para se referir ao regime militar brasileiro.
Desde a publicação, o jornal recebeu dezenas de cartas sobre o assunto, foi alvo de críticas em blogs e comunidades do Orkut e, ainda, o editorial foi assunto de uma entrevista da socióloga Maria Victória Benevides à revista Carta Capital. Na matéria ela questiona a posição do jornal pelo uso do termo e crítica o tratamento da Folha com os que se manifestaram contra a expressão.
A nota da redação do jornal em reposta a uma das cartas, publicada no dia 20 de fevereiro, serviu para aumentar ainda mais a tensão. Abaixo do texto do professor Fábio Konder Comparato que dizia que o autor e diretor do jornal “deveriam ser condenados a ficar de joelhos em praça pública e pedir perdão ao povo”, a nota julgava como cínica e mentirosa a indignação do professor e da socióloga Maria Victória Benevides.
Em entrevista, Comparato diz que considera a defesa do termo “ditabranda” pelo jornal um “tiro no pé”. “Uma história que os Frias queriam manter guardada, agora veio à tona”, explica. A afirmação se refere à suposta ligação do jornal com o regime militar e colaboração com veículos para o transporte dos presos políticos. Ele lembra do editorial publicado em 1971, que declarava apoio do jornal à ditadura:
“... um governo sério, responsável, respeitável e com indiscutível apoio popular, está levando o Brasil pelos seguros caminhos do desenvolvimento com justiça social - realidade que nenhum brasileiro lúcido pode negar, ...”, publicado dia 22 de setembro de 1971.