Análise política internacional

Embargo agoniza

 Atualizado às 18h43m de 18 de abril de 2009 

 

 

 

 

 

É triste constatar, mas a mídia está conseguindo manter em banho-maria um evento histórico em curso neste momento. Trata-se de um evento para o qual a sociedade brasileira, sujeitando-se à hierarquização da notícia imposta pelos meios de comunicação, não está dando a menor importância.

A história está sendo feita em Port Of Spain, neste momento, e a mídia põe em nossa ordem do dia, de forma quase exclusiva, a interminável epopéia do delegado Protógenes Queiróz, que, como se sabe, terminará no início de uma longa e promissora carreira política dele e no desvio das atenções sobre as investigações contra Daniel Dantas.

Enquanto isso, enquanto essa bobagem previsível vai ocupando as discussões, a história das Américas acontece no meio do Caribe, na capital de Trinidad e Tobago, ali pertinho da Venezuela, onde Barack Obama aparece no meio de todos os mais importantes líderes deste imenso continente portando-se com camaradagem e se dispondo ao diálogo, secando assim a última gota do soro de ódio, de intolerância e de ignorância que vem mantendo vivo o embargo imposto pelos Estados Unidos a Cuba.

Trata-se de um embargo cruel e injusto imposto a um governo legítimo, apoiado amplamente pelo seu povo, como demonstram fatos inegáveis sobre Cuba que relatarei a seguir e que foram extraídos da cobertura da grande mídia.

Leia, abaixo, trecho da história da independência cubana no fim do século XIX pela ótica das Organizações Globo.    

 

G1 - 18/04/2009 - INDEPENDENTE, PERO NO MUCHO

 

A ilha da América Central ficou independente da colonização espanhola em 1898, após uma sangrenta guerra. No entanto, continuou ocupada pelo EUA (que entraram no final da guerra) até 1902. Os americanos só foram embora depois de conseguirem deixar oficializado seu poder na região. Por meio de uma emenda na nova Constituição cubana, a emenda Platt, eles ficavam autorizados a intervir em qualquer assunto interno da ilha.

Desta maneira, Cuba vivia como um protetorado americano. Seus cassinos e hotéis de luxo abrigavam reuniões da máfia americana e eram destino de luxo de endinheirados. Apoiado pelos americanos, o general Fulgêncio Batista deu um golpe em 1952 e impôs em Cuba um regime repressor e alvo de muitas denúncias de corrupção.

Em 1953, um opositor chamado Fidel Castro organizou um ataque ao quartel Moncada, em Santiago de Cuba. O ato foi frustrado, e seus líderes foram presos. Três anos depois, Fidel liderou uma revolução que marchou da fronteira com o México até a Sierra Maestra, para entrar triunfante em Havana. Em janeiro de 1959, vitorioso, Fidel assustou de verdade os americanos com seu “espírito nacionalista” - em plena Guerra Fria.

A partir daí, tudo mudou na relação com os EUA.

  

Chega a ser meio ridícula a hipótese de algumas centenas de revolucionários armados com rifles “assustarem” a que já era, então, a maior potência econômica e militar do planeta. E o que mudou na relação de Cuba com os EUA? A meu ver, os norte-americanos continuaram agindo em relação à ilha como sempre agiram, ou seja, como se fossem seus donos.

Além disso, como revela a reportagem da Globo, em 1980 o regime cubano permitiu a quem quisesse que deixasse a ilha. Eram os exilados de Miami de hoje já sofismando ao denominarem o êxodo a que se dispuseram como “A Fuga de Mariel” (Do porto de onde saíram rumo aos EUA). Quem ficou na ilha, que foi 99% daquele povo, ficou porque acreditava na Revolução.

Mas vamos em frente que o assunto aqui não é preciosidade histórica, ainda que ela seja sempre um paradigma a ser observado.

O fato é que está caminhando celeremente para o fim uma era de mentiras históricas sobre a Revolução Cubana e sobre o que gerou a situação que hoje todos conhecem. Logo, ficará claro à humanidade que o apoio ao regime dos Castro ainda é estratosfericamente alto na ilha.

E logo ficará claro que o que tem mantido Cuba fechada e governada com mãos duras tem sido o bloqueio imposto ao país pelos Estados Unidos.

Trata-se de um embargo que teria conseqüências duríssimas para qualquer país. Só para ficarmos nas duas leis mais duras das sanções estadunidenses, adotadas, respectivamente, em 1992 e em 1996, a lei Torricelli e a lei Helms-Burton, essas leis previram que o presidente americano em exercício pudesse “punir” até hoje países que tenham negócios com Cuba, e depois que empresas que mantivessem tais negócios também pudessem ser “punidas”.

Planos para assassinar Fidel Castro, intervenções em países sul-americanos como Brasil, Chile, Argentina e Uruguai a fim de implantar ditaduras militares anticomunistas, tudo isso foi efeito do eterno mandonismo norte-americano em relação a Cuba.

Não é por outra razão, portanto, que o encontro de Port Of Spain adquire a importância extraordinária à qual aludo. E é nesse sentido que exorto você, leitor, a se informar como puder sobre o que está acontecendo naquele encontro de 34 chefes de Estado em Trinidad e Tobago, pois nele poderá estar sendo moldada a história das Américas nas próximas décadas e até, talvez, nos próximos séculos.  

 

 

Aquele "clima"

 

 

 

 

 Chávez comenta cumprimento de Obama 

 

 

 

 

O vídeo acima é do momento imediatamente posterior ao cumprimento de Obama a Chávez. Ele comenta o que acabara de acontecer. Traduzi para vocês, abaixo, os comentários do presidente da Venezuela.

 

 

Há uma escala para medir a inteligência. Creio que o presidente anterior, em todos os exames de inteligência, nos testes... Como se chamam...? Psicotécnicos... Creio que o presidente anterior sairia mal desses testes.

Obama, não. Obama é um homem inteligente. É um homem jovem, negro... É um político experiente... Creio que haverá que tomar nota de sua palavra.

Dadas essas diferenças [de seu antecessor], neste momento prefiro abonar [a Obama] minha boa fé e a boa fé de milhões de nós de que se ponha fim à era do império dos Estados Unidos.

Oxalá Obama seja o primeiro presidente de um novo Estados Unidos. E como ele fala da história, do passado, deixemos nesse passado o império dos Estados Unidos e que nasça um novo mundo, multipolar, em respeito à soberania dos povos...

Enfim, é ver para crer [...]

Obama disse que não podemos nos deixar aprisionar pela história. Porém, é relativo. Depende de como você veja a história, de como a conceba. A história é hoje, a história... Não estamos falando de quando Colombo chegou aqui...

Por isso, Daniel [Ortega, presidente da Nicarágua] se antecipou às palavras de Obama quando disse que não estava falando do passado.

Não estamos falando do passado quando falamos de 11 de abril na Venezuela [data da tentativa de golpe de Estado contra Chávez ], não estamos falando do passado quando falamos do bloqueio criminoso a Cuba.

Todo o mundo fala que há que levantá-lo, e [Obama] deve fazê-lo. Não há desculpa se não o fizer. Todo o mundo o apóia para que o faça. Acho que até o povo americano o apóia para que o faça. 

Obama não teria desculpa para não fazê-lo. Ele tem uma grande oportunidade.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 11h38
[] [envie esta mensagem]



Análise política internacional

A chance das Américas

 

Atualizado às 19h40m de 17 de abril de 2009

 

Obama cumprimenta Chávez na V Cúpula das Américas

(vide notícia no fim do post) 

 

 

 

A V Cúpula das Américas se realizará em Trinidad e Tobago de 17 a 19 de abril de 2009. Nessa Cúpula, serão debatidas prosperidade humana, sustentabilidade ambiental e segurança energética por presidentes de países das três Américas (Norte, Sul e Central).

Na véspera do encontro, o presidente americano, Barack Obama, exortou o Brasil a dividir consigo a liderança continental.

O clima político do encontro vem sendo de distensão. O grande temor, porém, são os líderes de países como Venezuela, Bolívia ou Equador, dados a arroubos retóricos.

Por outro lado, Barack Obama vem se movendo com jogo de cintura diante dos olhares feios de um Hugo Chávez ou de um Evo Morales. Sua aproximação com o Brasil tem claras intenções de conseguir um aliado de peso nas discussões, de forma a pegarem leve com ele.

Obama, porém, como Lula, tem tudo para encantar os que estarão reunidos ali valendo-se de sua natural simplicidade, humildade e sinceridade. É um homem de quem se consegue gostar facilmente. Não se colocará diante de Chávez como colonizador e colonizado.

De um encontro de líderes com tais características, só se pode esperar bons resultados.

Como prosperidade humana será um dos temas, como Obama já disse que não terá problemas em discutir o embargo a Cuba, com essa boa vontade esses homens terão a chance de produzir alguma coisa que beneficie a empobrecida América Latina.

É óbvio que Obama também quererá – e terá o direito de querer – conseguir alguma coisa para seu povo. Creio que esse é um pressuposto completamente aceitável e espera-se que Chávez e seus pares de retórica mais incisiva entendam isso.

Uma dupla Lula-Obama – ou Obama-Lula – está entre o que mais a América Latina poderia querer neste momento. Quando há sensatez de lado a lado, tudo é possível. O encontro do próximo fim de semana parece-me bastante promissor.

 

 

O que conseguir dos EUA

 

 

Se houver inteligência dos governos socialistas de Hugo Chávez, Rafael Correa e Evo Morales, a Cúpula das Américas poderia extrair muito de um eventual estabelecimento de relações mais próximas com os EUA de Barack Obama.

Vejam o que se pode esperar conseguir:

1 – O estabelecimento de relações amistosas entre Obama e Chávez, por exemplo, teria o poder de esvaziar o golpismo latente da oposição venezuelana, agora desprovida de importante ponto de sua retórica para deslegitimar o governo constitucional da Venezuela.

2 – Compromisso de Obama de encaminhar ao Congresso de seu país mensagem recomendando estudos para suspensão do embargo a Cuba. Se isso acontecesse, o continente americano, de norte a sul, libertar-se-ia de seu mais importante foco de tensão.

3 – Compromisso de Obama com uma agenda social para a América Latina que se reflita nas negociações comerciais multilaterais como a Rodada Doha.

4 – Compromisso dos latino-americanos com o combate ao narcotráfico e com o estabelecimento de parcerias com os EUA nesse aspecto, porém sem utilização de vieses ideológicos pela direita latina contra a esquerda.

5 – Combate à corrupção em certos países latino-americanos nos quais ela ainda persiste de forma escandalosa, como nas fronteiras de um Paraguai ou de uma Bolívia, pelas quais passa de tudo, de armas a drogas.  

Esses são apenas alguns dos pontos nos quais esses 34 líderes reunidos poderiam concentrar esforços de forma a produzir resultados concretos que tornem essa reunião de cúpula mais do que mera inutilidade.

Os céticos de plantão dirão que estou sonhando. Acredito, porém, que, se não for possível conseguir tudo dessa reunião, algo de concreto poderá advir, o que será melhor do que nada.

 

 

Como contornar crises

 

 

Agora é o setor de eletrodomésticos que está sendo beneficiado por renúncia fiscal do governo federal, tendo que dar a contrapartida de não demitir.

A interrupção da eliminação de empregos nos últimos dois meses deve-se exatamente a políticas como essa do governo, de usar os instrumentos de que dispõe para estender uma ponte entre os setores mais afetados pela crise e o “outro lado”, ou seja, o lado da retomada do crescimento.

No passado, a solução do Estado para crises era aumentar os juros e deixar a população à própria sorte. Perda de empregos nos anos 1990 era “reengenharia”. Acreditava o Estado no fatalismo que seria diminuir o mercado de trabalho.

As medidas do governo Lula estão impedindo o agravamento da crise no Brasil. Aliás, estão tirando o Brasil da crise. Cedo ou tarde isso ficará claro.

 

 

Na Cúpula

 

 

 

 

 

Obama cumprimenta Chávez em Port of Spain

  

 

Nesta sexta-feira, 17 de abril, antes do início da sessão inaugural da V Cúpula das Américas, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, aproximou-se do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, e o cumprimentou.

O presidente Chávez expressou ao presidente Obama seu desejo de que as relações entre suas nações melhorem. “Com esta mesma mão faz oito anos que cumprimentei Bush. Quero ser seu amigo”, disse o presidente venezuelano ao receber o cumprimento do colega norte-americano.

Por sua vez, o presidente Obama expressou seu agradecimento ao líder venezuelano.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 20h48
[] [envie esta mensagem]



Análise política e econômica

Aceitem sair da crise

 

Atualizado às 15h21m de 16 de abril de 2009 

 

 

 

De tudo de estranho que já vi na vida, a postura de um contingente assustadoramente amplo de setores da sociedade parece-me ter potencial de fazer cair o queixo de qualquer cientista social.

A crise se tornou a desculpa nacional para tudo. Maus pagadores agora têm desculpa para pagarem pior e ainda exibirem indignação quando cobrados com maior insistência. Empresários que mal sentiram piora em seus negócios se aproveitam para tentar garfar um ou outro direito trabalhista. Os acomodados, então, chegam ao paraíso.

Se houve freada brusca na economia – e houve –, esta também se deveu ao pânico. Vocês sabem que sou partidário dessa teoria há muito tempo. Jamais encontrei explicação para o que aconteceu em dezembro e em janeiro.

Como foi sempre amplamente previsto por vários – e também aqui –, o primeiro trimestre do ano seria muito ruim, recuperando-se ao fim e dando início a um segundo trimestre já com nível de emprego e de atividade econômica normalizados.

Acho desnecessário repetir indicadores variados anunciados nos últimos dias, os quais mostram o soerguimento da economia brasileira antes de qualquer outra, conforme o previsto.

A deterioração da situação econômica a partir de dezembro, em minha opinião, diz respeito também a alarmismo da mídia, que precipitou demissões e interrupção do consumo pela sociedade civil.

Sempre acreditei nisso e cada vez creio mais. Penso que, em poucos meses, o país poderá estar exibindo números surpreendentes, números que explicarão a muitos os afagos dos chefes de Estado estrangeiros a Lula.

O Brasil, em alguns meses, despontará diante do mundo como potência emergente, que terá se tornado a primeira a exibir números que lhe comprovarão retomada do crescimento econômico e da geração de empregos.

E não é nenhuma previsão ousada, esta que faço. Há ótima sustentação para estas afirmações. Só não enxerga quem parece estar com medo de sair da crise. Por razões inocentes, de alguns, e culpadas, de outros.

 

 

Perdidos no espaço

 

 

 

 

 

O vídeo acima mostra uma Míriam Leitão perdidinha. Vocês poderão notar, ao fim do quadro no Bom dia Brasil de hoje, que Renato Machado lhe corta a prosopopéia que já não levava a lugar nenhum.

Na Folha de hoje, a manchete sobre os números do Caged de março antecipados pelo ministro do Trabalho, Carlos Lupi, é desalentada. Diz que houve “pequeno” aumento do nível de emprego PELO SEGUNDO MÊS CONSECUTIVO – grifo meu.

Com a produção industrial crescendo, o nível de emprego na indústria crescendo de novo junto com os demais setores, com o equilíbrio na balança comercial e com o déficit em conta-corrente sendo revertido, com a inflação sob controle, enfim a mídia já começa a atribuir o bom resultado da nossa economia à “América Latina”.

Não é bem assim. Países como Argentina ou Venezuela estão sentindo fortemente a crise. Bolívia, Paraguai, Uruguai e Equador são outros países que não estão em situação tão boa assim como a nossa. O México está abaladíssimo com a crise americana.

O Brasil desponta no mundo como uma ilha de prosperidade e resistência à crise. Querem negar isso de todas as formas, mas cada vez ficará mais evidente.

Cada vez mais, os brasileiros terão que perder o medo de serem tão bons quanto qualquer outro povo e tão capazes quanto qualquer outro povo de lograrem um feito como saírem da crise antes.

 

 

Nas bancas

 


 


Para não dizerem que não falei de números

 


  

 

O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) de março acaba de ser divulgado.

Os números mostram criação de 34.818 empregos formais no país no mês passado.

É o segundo mês consecutivo de alta no nível formal de emprego. Em fevereiro,  foram criados mais de nove mil empregos no país.

A mídia tenta minimizar, mas o fato é que no resto do mundo os empregos estão sendo dizimados. Aqui, estamos criando empregos.

No resto do mundo, a venda de carros caiu pela metade; no Brasil, estamos batendo recordes de venda de carros.

No resto do mundo, a produção industrial despenca; no Brasil, voltou a crescer.

Da mesma forma que tivemos que agüentar a torrente de números negativos no primeiro trimestre, agora veremos uma torrente em sentido inverso.

Como será o tratamento da mídia agora?

 
 

Twiter

 

 

Dizem que a gente começa a ficar velho quando passa a ter dificuldades em se "compatibilizar" com novas tecnologias. Devo estar ficando velho, pois ainda não entendi qual é a graça do Twiiter.

De uma forma ou de outra, se tem tanta gente gastando tempo nisso, deve ser porque eu é que não estou entendendo a coisa. Assim, deixo-vos meu endereço no Twitter:

 

EDUGUIM

 



 Escrito por Eduardo Guimarães às 21h18
[] [envie esta mensagem]



Análise política

Pacto Republicano

 

 

 

 

 

Li todo tipo de análise sobre o “Pacto Republicano”, assinado recentemente pelos presidentes dos Poderes da República Federativa do Brasil.

A mídia, por exemplo, tratou a assinatura do Pacto como vitória de Gilmar Mendes contra o “Estado policial” blábláblá, blábláblá...  E a Esquerda tratou como rendição de Lula a Mendes.

Não acho que foi nem uma coisa, nem outra.

É inegável a grandiloqüência do termo Pacto Republicano. É inegável que o presidente da República, vejam só, coonestou a Presidência do Poder Judiciário ao assinar com ela um Pacto entre os Poderes dessa República.

O Pacto abrange o tal “Estado policial” e o teatro das CPIs. E diz ao país – e, portanto, ao mundo – que as instituições brasileiras não estão se dissolvendo.

É, também, uma carta de boas intenções. Dizendo o objetivo institucional da República. Não mudará o Brasil. Deve, entretanto, apontar caminhos e a disposição das instituições.

O Pacto Republicano é um documento político. Pretendeu-se, a meu ver, reafirmar a integridade institucional da Nação.

O que tem de questionável, todos sabem. Não é, no entanto, rendição nenhuma de ninguém a ninguém ou vitória pessoal de alguém, como andaram dizendo.

Diz o documento que abusos policiais não serão tolerados, e Lula assinou. As pessoas se chocam... Mas por que? Lula deveria defender os abusos policiais?

Acho que não é bom para o país um certo clima de desarmonia entre os Poderes.

Não por nós mesmos, que sabemos como as coisas são de fato por aqui, mas para os investidores, inclusive os estrangeiros, que não gostam de investir em países politicamente instáveis.

Escrevi sobre esse tal Pacto, não por sua importância, mas pela importância que deram a ele.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 23h31
[] [envie esta mensagem]



Crônica política

Assinamos embaixo,

presidente...

 

 

 

No evento comemorativo dos 110 anos da fábrica de papel Klabin, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez parte um pouco maior de um  discurso que espero ouvir dele há seis anos.

Não disse tudo que devia, mas disse várias coisas. Mostrou que começa a se dispor a falar sobre essa máquina trituradora de sonhos, de esperança e de ânimo para lutar dos brasileiros.

O que Lula diz nesse vídeo aí em cima é parte importante do que dizemos aqui. Ouçamos o presidente, pois.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 17h36
[] [envie esta mensagem]



Análise econômica

Crescimento em 2009

ainda é imprevisível

 

 

 

 

 

Quero deixar claro aos leitores minha posição sobre um assunto que a mídia vem apresentando de forma distorcida, e esse assunto é sobre o que a crise fará com a economia neste ano.

Logo acima, vocês vêem notícia que ainda está no ar no portal de internet UOL no momento em que escrevo. Ela anuncia uma “pesquisa” do boletim Focus, do Banco Central, sobre expectativas de mercado.

Trata-se de um boletim antigo, divulgado mensalmente, que anuncia as expectativas do mercado financeiro relativas a vários indicadores da economia, tais como índices de inflação, taxas de juros, investimento estrangeiro e, claro, o PIB.

Esse boletim anuncia, não a opinião do Banco Central, mas as expectativas do mercado financeiro apuradas pela instituição. O destaque dado a essa pesquisa pelo UOL e o “tom" do noticiário econômico em geral podem dar ao público uma impressão falsa da realidade.

Refiro-me à impressão que a mídia está tentando passar de que a taxa de crescimento da economia em 2009 já está fatalmente condenada a ser negativa ou zero.

Quem se der o trabalho de analisar essas tabelas da pesquisa Focus, verificará que, ao menos no que tange o PIB, ela costuma fazer prognósticos que acabam ficando distantes da realidade. E isso porque a pesquisa traduz apenas as expectativas do mercado, que costumam ser fortemente conservadoras.

Abaixo, a tabela da pesquisa Focus, do Banco Central, que fundamenta a matéria do UOL e que projeta uma redução do PIB de 0,3% em 2009. Haverá que clicar sobre cada imagem de cada tabela abaixo para ver a imagem ampliada. 

 

 

 

Como se pode ver, a perspectiva do mercado – e não do Banco Central – para o crescimento da economia em 2009 é de recessão de 0,3% no Brasil.

A mesma pesquisa, relativa há um ano antes, porém, revela que ela costuma errar, e feio, ainda que já tenha acertado. Nos últimos dois anos, a pesquisa Focus errou, e há três, acertou.

Em 25 de abril de 2008, portanto há cerca de um ano, como eu disse a pesquisa errou feio prevendo  um crescimento de 4% para o PIB naquele ano. Errou porque não havia previsão sobre o tamanho da crise que estouraria cerca de cinco meses depois. Errou ao prever crescimento de 4%, pois, com crise e tudo, o país cresceu 5,1% no ano passado.

Tanto é verdade que a análise das expectativas do mercado pela Focus sobre a economia estava equivocada que, para 2009, previa-se a mesma taxa de crescimento que para 2008, de 4%.

Agora, um ano depois, o mesmo boletim prevê 0,3% de recessão, pois o imponderável se fez presente, como poderá se fazer neste ano tanto negativa quanto, não tenham dúvida, positivamente.

Vejam, abaixo, o gráfico da pesquisa Focus de 25/04/2008 supra mencionado.

 

 

 

Em 27 de abril de 2007, a pesquisa Focus continuou errando. Apontou um crescimento no ano de 4,1% e a economia cresceu 5,4%. Para 2008, previu também 4% e a economia cresceu 5,1%.

Abaixo, o gráfico.

 

 

 

Em 2006, a pesquisa acertou na mosca: 3,7%.

O que dizem esses dados? Que tudo se trata apenas de especulação num momento de grande incerteza. O mundo não sabe até que ponto a crise se prolongará. Toda especulação, neste momento, trata de visões conjunturais. E são do mercado, não do governo e muito menos do Banco Central.

Temos que entender que estatísticas baseadas nos dois últimos trimestres estão contaminadas por um surto de desemprego e de paralisação da atividade industrial e exportadora que veio arrefecendo fortemente.

Em outubro, novembro e dezembro do ano passado, e em janeiro deste ano, houve um surto de desemprego que começou a ser revertido em fevereiro e deve continuar sendo revertido em março.

Nos próximos dias, sairão os dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), que deverão mostrar, segundo informações preliminares do ministro do Trabalho, Carlos Lupi, criação de dezenas de milhares de vagas no país no mês passado.

A reativação da indústria, ainda que incipiente, já se contrapõe à paralisação do último trimestre de 2008 e ao janeiro negro de 2009, que triturou os índices do primeiro trimestre do ano.

Não se descarta que o nível crescente de retomada da atividade econômica venha a produzir completa desmoralização dessas previsões, o que é muito mais comum e freqüente do que se imagina, pois tais previsões analisam conjunturas imediatas, partindo do princípio de que se o “trem” seguir nessa toada do primeiro trimestre do ano, terminaremos 2009 com crescimento negativo.

O próprio senso comum contraria essa hipótese. Todos sabem que os sinais de reativação da economia se espalham, ainda que em muitos setores, como a exportação, de forma muito lenta.

Nesse contexto, quero fornecer um dado aos que não são meus leitores habituais.

Acabo de voltar de uma viagem de negócios ao Peru. Trabalho com representação de industrias brasileiras na América Latina e na África. Setor de autopeças.

Permaneci duas semanas no país andino. Minhas vendas, neste ano, foram cerca de 40% maiores do que as do ano passado.

Isso não significa que não esteja, conjunturalmente, mais difícil de exportar. A crise atingiu um enorme naco dos países que fecham grande contratos de exportação com o Brasil.

No meu segmento, a crise só ajudou porque tornou meus produtos mais baratos (devido à maxi desvalorização do real) e eu não fecho negócios que dependem de financiamento. Meus clientes trabalham com capital próprio e pagam antecipadamente as compras que fazem de minhas representadas.

Nos setores dependentes de financiamento externo, realmente há dificuldades.

Há umas duas ou três edições da revista Carta Capital, Delfim Neto disse a mesma coisa. Essas análises conjunturais estão sendo vendidas como resultado inexorável da economia brasileira neste ano.

A mídia está mentindo. Continua tentando desanimar o país. Denuncie isso, pois. Seus interesses particulares estão sendo ameaçados por essa conduta criminosa da mídia.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 13h31
[] [envie esta mensagem]



Crônica econômica

Um país em crise

 

 

 

 

 

Chego de viagem na quinta-feira à noite, na véspera da Sexta-Feira Santa. Desembarco no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo.

Estou agoniado. Quero pegar logo minha mala na esteira e voar pelo desembarque.

Consigo passar célere pela burocracia.

Louco para fumar, acendo e aspiro profundamente o bastonete duas, três vezes seguidas no espaço de uns cinqüenta metros entre a porta automática do saguão de desembarque e a loja do Airport Service (serviço de ônibus “executivos” que fazem alguns trajetos do aeroporto até as partes centrais da capital) na intenção de me desfazer dele ao chegar à porta da loja para comprar logo a passagem e me mandar dali.

Surpreendo-me com o que jamais tinha visto naquele aeroporto: uma enorme fila para comprar passagem. O Aeroporto fervilha. O ônibus atrasa 25 minutos. Nunca tinha visto.

Chego a Congonhas. Agora, um táxi. Não há. E uma fila de 13 pessoas me precede.

Pego as malas e vou tentar pegar um táxi na Rubem Berta. A mala mais pesada tem 25 quilos, e a mais leve, 8. Só passa táxi lotado. 15 minutos para achar um, e a fila no aeroporto aumenta enquanto os táxis não chegam.

 

*

 

A sexta-feira amanhece modorrenta, com a cidade paralisada. Tenho que comprar alguma coisa para o almoço, que a mulher não teve como sair porque a filha caçula esteve adoentada – nada grave; o de sempre...

Há que encarar um supermercado.

Lotado. É de manhã e não há espaço nem para estacionar. Qualquer peixe. Não há. Bacalhau não daria tempo de preparar, mas se desse tempo bacalhau tampouco há. Nem aquele de R$ 59,90. Do Porto. Só peixes frescos e só os mais caros. E há pouco. Filé de S. Peter, creio. Compro do caro mesmo. R$ 33 o quilo.

Agora para domingo. Um pernil, um tender ou, na pior das hipóteses, um lombinho, um peru, sei lá, qualquer coisa, que já não agüento mais demorar 5 minutos para conseguir andar 1,5 m com o carrinho.

E o pior foi entrar com o carrinho na loja (O Extra da Brigadeiro Luis Antonio). Os ovos de Páscoa ficam na entrada. Uma nuvem de gafanhotos humanos está disputando a tapa os que restam. Passar por ali, só tendo paciência budista.

Pernil, não há; lombinho, não há; tender, não há. Nem peru, nem chester nem coisa nenhuma. Há carne. Filé mignon e contra-filé. Barato. R$ 15 reais o quilo do filé e R$ 13 o do contra. Também há pouco e a turma, avançando. Vejo picanha. Tem menos ainda. Agarro um pedaço olhando feio para o gorducho alto, branco e careca de camiseta sem mangas e sandálias havaianas que põe seu enorme braço na direção do meu pedaço de picanha de 1,7 kg e custando R$ 18,80.

Agora o ovo da Letícia Maria, minha neta. Ela do meu lado. É o ovo da Hannah Montana. Tem dois. A mulher com as duas filhas que está mais próxima deles tem braços cada um da grossura das minhas coxas e cara de poucos amigos. Sugiro à minha neta o ovo de uma marca da qual nunca ouvi falar, mas que, pelo menos, está inteiro e, por ter ainda uns 15, não terei que disputá-lo com lutadoras de sumô.

 

*

 

Chego em casa. Minha filha casada, agora estudante de jornalismo, comprou seu netbook (não é notebook, é net mesmo). Não achava. Achou no Wall Mart da Chácara Flora. Muita gente comprando note e net books. Lindo o dela. Branco e cor-de-rosa. 1 giga de RAM, 170 de HD. Mil e cem reais. Windows Vista. Cabe na bolsa.

Fico aqui me perguntando que raio de crise é essa.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 23h33
[] [envie esta mensagem]



[ ver mensagens anteriores ]


Este blog já foi acessado

vezes


Contador único p/ IP
free webpage hit counter


Outros sites
Agência Carta Maior
Altamiro Borges
André Lux
Azenha
Blog do Planalto
Caros Amigos
Carta Capital
Celso Lungaretti
Clipping jornais
Confecon
Doxa / Iuperj
Estatuto MSM
Fazendo Media
Fórum Cultura Digital
Idelber Avelar
Jornalirismo
Leandro Fortes
Le Monde - BR
Mello
Nassif
Nas Retinas
Observatório da Imprensa
Observatório de Mídia
Óleo do Diabo
Onipresente
Paulo Henrique Amorim
Petrobrás (blog)
PNUD - ONU
Portal da Transparência
Primeiro Filme
Professor Hariovaldo
Protógenes Queiróz
Publicidade MSM
Quanto Tempo Dura?
Revista Fórum
Ricardo Kotscho
Renato Rovai
Rodrigo Vianna
Sivuca
TV Brasil
TWITTER
Vermelho.org



Banner
120x60 fundo branco