No último dia 22, publiquei aqui o post “Devotos de São Pinóquio”, no qual denunciei intenção criminosa do partido comunista arrependido, o PPS – e de seu garoto propaganda, Raul Jungmann, político envolvido em denúncias para lá de cabeludas –, de alarmar a população.
No vídeo acima, Jungmann aparece dizendo que “O governo Lula vai mexer na poupança como fez o governo Collor”, ou seja, que o governo Lula pretenderia confiscar a poupança.
No dia 23, no site dos comunistas arrependidos, foi divulgada uma nota que acusou “irritação” de deputados federais petistas com a acusação descabida, pois a Constituição Federal, emendada depois do confisco collorido (perpetrado em 1990), não permite hoje que o governo confisque coisa alguma, a menos que seja autorizado por emenda constitucional.
Abaixo, reproduzo a mal redigida nota do PPS. Em seguida, continuo comentando o assunto.
Petistas se irritam com inserção do PPS sobre poupança
A inserção partidária do PPS sobre a intenção do governo Lula em mexer na poupança dos brasileiros, como fez o ex-presidente Collor, atingiu em cheio o orgulho petista. Pelo menos dois deputados federais do partido, Fernando Ferro (PE) e Eduardo Valverde (RO), subiram à tribuna da Câmara para "acusar o golpe" e tentar reverter a situação. Não negaram a intenção do governo de mexer na caderneta, mas se apresssaram em dizer que não existe qualquer possibilidade de confisco. Acusaram o PPS de ser irresponsável e de provocar pânico entre a população.
Irresponsável é o presidente Lula e sua equipe econômica que há um mês vêm alardeando que vão mexer na poupança, sem no entanto anunciar de forma clara como isso será feito. Se o fato gerou instabilidade, o reponsável por isso é o próprio governo. Ao PPS coube o papel de informar claramente a população que o governo quer mexer na poupança, e isso o PT não desmente. Em nenhum momento o PPS afirmou que Lula vai confiscar o dinheiro da população.
O PPS, portanto, não "inventou" um fato, como alegam os petistas. Aliás, são os próprios companheiros do presidente Lula que costumam, há muito tempo, inventar histórias sobre seus adversários para espalhar "o terror". Exemplo claro disso foi a "criação do PT", na última eleição presidencial, de que, se eleito, o candidato Geraldo Alckmin (PSDB) iria privatizar a Petrobras. Não havia uma linha sobre isso no programa do tucano. Ele também nunca cogitou a possibilidade em discursos e entrevistas. O PT simplesmente "inventou" e usou a afirmação falsa em seus programas de TV. Até o presidente Lula, nos palanques, usava de tal subterfúgio para atingir seu adversário.
Agora, confrontados com uma intenção manifestada pelo seu próprio governo, os petistas querem mais uma vez subverter a realidade. Não consiguirão. A população está atenta e a postura do PPS vêm recebendo diversos elogios, como pode ser constatado, por exemplo, em mensagem reproduzida abaixo.
As inserções do partido, que foram ao ar em rede nacional de rádio e televisão na última terça-feira (21), voltam a ser exibidas nesta quinta (23) e nos dias 25 e 28 de abril.
Se vocês acham que a redação cheia de erros desse partido é espantosa por se tratar de texto oficial de uma agremiação política que pretende chegar ao poder, não se preocupem com isso. O pior, nesse textinho malandro e incompetente, é seu cinismo inigualável até pelos partidos ao qual o PPS presta vassalagem, o PSDB e o PFL.
A nota diz que “Em nenhum momento o PPS afirmou que Lula vai confiscar o dinheiro da população”. Mentirosos. Claro que afirmaram. Se dizem que “O governo Lula vai mexer na poupança como fez o governo Collor”, é óbvio que tentam passar essa premissa à população, pois o que “fez o governo Collor” com a poupança foi confiscá-la, ora essa.
Depois de ver o PPS insistir em sua mentira na tevê na última quinta-feira, fiquei preocupado. Num momento como este, com a economia do país ameaçada pela crise financeira gerada no Primeiro Mundo, provocar uma corrida da população à poupança poderia afetar dramaticamente o sistema bancário brasileiro, o que jogaria o país numa verdadeira catástrofe.
No dia seguinte (na última sexta-feira), liguei para o gerente do banco em que tenho conta, que é também um amigo. Quis saber dele se as cadernetas de poupança estavam sofrendo muitos saques por conta do alarmismo do PPS.
Esse gerente do banco em que movimento as fortunas que o Lula me paga para dizer o que digo – e por favor, reacionários, notem que estou sendo irônico antes de saírem por aí espalhando que eu “confessei” algum coisa – é um tucano de coração e de alma. Odeia Lula, inclusive. O que ouvi dele me surpreendeu.
Foi-me revelado pelo tal gerente que pequenos poupadores, em geral pessoas simples, de menor instrução, têm procurado bancos para obterem informações sobre o objeto do alarmismo do PPS. E revelou-me, também, que ao sistema bancário só resta dizer aos alarmados que tudo não passa de jogada política desse partido, que não há por que se preocuparem. E ainda me confessou que ficou espantado com uma jogada tão suja, dizendo-se disposto a repensar suas opiniões políticas.
É o que sempre digo a vocês, meus caros: a verdade é uma força da Natureza. É como o vento ou a chuva. Não se pode contê-la indefinidamente. Num dado momento, ela se agiganta e se torna uma tempestade ou um furacão, um prodígio da Natureza que mentiroso nenhum pode superar.
Sobre a doença da ministra Dilma
Repudio não apenas o regozijo de serpentes humanas com a doença de Dilma Rousseff, decorrente da esperança desses meio humanos de que ela não possa ser candidata. Repudio que esse assunto se torne objeto de análises, de notícias, de seja lá o que for.
O câncer, como qualquer mal físico que atinge os seres vivos, não tem ideologia, religião, raça, gênero, ética ou falta de ética. Um ser como Dilma pode ser vitimado tanto quanto outro como Reinaldo Azevedo. Nem a grandeza moral nem a vilania influem em doenças do corpo.
O melhor que se pode fazer pela ministra neste momento, ou até mesmo por aquele ser lamentável que mencionei - pois nem ele deixa de ser um semelhante -, é esquecer esse assunto. E é isso o que farei.
Só quero esclarecer uma última coisa. Gente capaz de atacar um desafeto doente usando a doença de que sofre, há em qualquer ideologia ou facção. Quem atribui esse comportamento degenerado a petistas ou a tucanos, está doente - não do corpo, mas da alma.
Custe o Que Custar
E finalmente, para espantar a tristeza que causa tudo o que acabo de comentar, que tal rirmos um pouco com a garotada do impagável CQC?
Derradeira gargalhada
A internet está cheia de malucos irresponsáveis que inventam suas maluquices e saem espalhando-as por aí. Vejam, a seguir, a última de um deles.
Golpe baixo, Teimosão. Você inventou um nick com nome de Haroldo Cunha para insinuar que o Reinaldo vem aqui sob pseudônimo (...)
Wiliam Beiró | Concordia Sc | Educador Social
Caraca! Eu não existo!? Mas eu penso, logo existo.
Ah, grande Beiró, você é um pândego! Sou nascido e criado aqui no RJ, torço pelo Fluminense (podem me sacanear por isso, eu vou à forra quando puder!), adoro Floripa, tive bons camaradas de trabalho aí ao tempo em que labutava no antigo Bamerindus.
Bem, de resto, peça minha ficha ao SNI. É bem capaz de ter coisas lá dizendo que eu era um "promissor" terrorista.
Haroldo M. Cunha | São Gonçalo / RJ | Gestor Social
O vídeo que vocês acabam de assistir acima tem tudo que ver com este post. Para quem não conseguir fazê-lo rodar em sua máquina, transcrevo, abaixo, os 59 segundos de sua duração. Antes, porém, explico que se trata de uma peça publicitária que o jornal Folha de São Paulo veiculava nas tevês anos e anos atrás.
Vejam a transcrição do vídeo:
Este homem pegou uma nação destruída. Recuperou sua economia e devolveu o orgulho ao seu povo.
Em seus quatro primeiros anos de governo, o número de desempregados caiu de 6 milhões para 900 mil pessoas.
Este homem fez o produto interno bruto crescer cento e dois por cento e a renda per capita dobrar.
Aumentou os lucros das empresas de 175 milhões para cinco bilhões de marcos e reduziu a hiperinflação a, no máximo, 25% ao ano.
Este homem adorava música e pintura e, quando jovem, imaginava seguir a carreira artística.
[Neste ponto, o vídeo que, até então, vinha focalizando a parte ampliada de uma imagem na qual só se via pontos reticulados,conforme a imagem veio se afastando os pontos formaram a imagem de Hitler, culminando com o texto a seguir]
É possível contar um monte de mentiras dizendo só a verdade. Por isso, é preciso tomar muito cuidado com a informação do jornal que você recebe.
Folha de São Paulo: o jornal que mais se compra... E que nunca se vende.
Esse vídeo, nos dias de hoje, tornou-se uma pilhéria, como ficará demonstrado a seguir.
Agora, reproduzo, abaixo, matéria da Folha de São Paulo publicada em 23 de janeiro deste ano, sobre os dados do IBGE relativos ao desemprego no mês anterior, dezembro, quando se sabe que houve uma verdadeira carnificina no mercado de trabalho, com a perda de mais de seiscentos mil empregos naquele mês, segundo o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do Ministério do Trabalho.
Finalmente, vocês vêem, abaixo, a primeira página de hoje (sábado, 25 de abril) da mesma Folha. A chamada espalhafatosa alude à divulgação, na última sexta-feira, dos dados do IBGE sobre o desemprego em março último.
O que há em comum – ou de incomum – nas sondagens do IBGE sobre o nível de emprego em dezembro de 2008 e no mês passado é que seus números, nos dois períodos, vão na contramão dos números do Caged. Enquanto em dezembro o IBGE apurou o menor índice de desemprego desde 2002 apesar de ter aumentado fortemente, em março o número do IBGE piorou apesar de o Caged ter revelado que o emprego formal aumentou em 34.818 novos postos de trabalho naquele mês.
Em janeiro, a Folha – e o resto da mídia – trataram de explicar rapidinho que os números do IBGE deveriam ser relativizados, pois a metodologia do instituto traz sempre uma defasagem sobre o nível de emprego. Assim, quando, em dezembro, o desemprego subia, o IBGE dizia que havia caído; agora, em março, quando o desemprego passou a diminuir, o mesmo IBGE detectou aumento.
Maliciosamente, o pior e mais desonesto jornal do país não deixou escapar a oportunidade de mentir ao seu público – coisa que nenhum outro grande jornal fez, ao menos com o mesmo estardalhaço –, aproveitando-se de um dado conjuntural do IBGE que não traduz a realidade deste momento, mas uma realidade que já foi ultrapassada, pois o desemprego não está aumentando, mas caindo.
Como vocês vêem, a Folha tinha razão naquela sua publicidade da década passada: é possível mesmo “contar um monte de mentiras dizendo só a verdade. Por isso, é preciso tomar muito cuidado com a informação do jornal que você recebe”.
Folha esconde retratação
A Folha publicou, recentemente, com destaque espalhafatoso em sua primeira página, ficha criminal falsa da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, acusando-a de ter planejado seqüestro do ministro da Fazenda Delfim Neto durante o regime militar.
Neste sábado, o jornal publica, escondido em suas páginas internas, reconhecimento de que foi leviano – ou mal-intencionado – ao publicar informações falsas sobre a adversária de seu candidato à Presidência da República em 2010, José Serra.
A repercussão da desinteligência entre os ministros Gilmar Mendes e Joaquim Barbosa na internet converteu-se num massacre do presidente do Supremo Tribunal Federal. Em todos os grandes portais da mídia corporativa que fizeram enquetes sobre o assunto, os comentários chegaram aos milhares e foram quase unânimes em apoiar Barbosa.
Reservo, aqui, um espaço especial ao UOL, que veiculou uma enquete perguntando ao internauta qual dos ministros do STF tinha razão e quebrou a cara de uma tal maneira que simplesmente sumiu com ela pouco depois de publicada, quando o contador de comentários já se aproximava do terceiro milhar e praticamente todos esses comentários eram favoráveis a Barbosa.
Na blogosfera não foi diferente. Os blogs afinados com Gilmar Mendes (Esgoto, Noblat) viram seus posts em defesa do presidente do STF ficarem quase às moscas. No do Josias, ele parece ter optado por não deletar os apoiadores de Barbosa - o número de comentários foi alto (770, na hora em que verifiquei), mas quase todos apoiando Barbosa.
Enquanto isso, os blogs independentes – que apoiaram Barbosa em peso –, tais como o do Azenha, do Nassif, do PHA, do Idelber Avelar e, entre outros, modestamente também este blog, produziram centenas de comentários, com destaque impressionante para o blog do Luis Nassif, onde os comentários chegaram a mais de 700 no momento em que eu escrevia este post – o que pôs o Esgoto em pânico, aliás.
Enfim, estou começando a ficar animado com a “brincadeira”. A internet está começando a mostrar quem é quem politicamente hoje no Brasil. E, a partir disso, tem sido possível até mobilizar centenas, milhares de cidadãos – se se levar em conta os que têm acompanhado e apoiado atos públicos convocados pela Rede como o da ditabranda sem terem tido como participar em pessoa.
A mentalidade política nacional está mudando rapidamente e à revelia do bombardeio político avassalador das redes de televisão e rádio e dos grandes jornais e revistas, todos alinhados ao grupo político-partidário que envolve Fernando Henrique Cardoso, José Serra, Gilmar Mendes e as famílias midiáticas Frias, Marinho, Civita e congêneres.
Confio cada vez mais neste país que irá às urnas em 2010.
Esgoto diz que PT ‘aparelhou’ internet
O blog do Esgoto da Veja saiu-se com uma “explicação” para a erupção impressionante de apoios ao ministro Joaquim Barbosa – e de repúdio a Gilmar Dantas – na internet. No próximo post, comento.
Divirtam-se, abaixo, com o estrebuchar dessa figura patética.
(...) Eu não quero saber da canalha que se dedica a correntes na Internet e a fraudar enquetes. São profissionais do ramo. Aparelham blogs, sites, seções de carta de jornais e revistas, ombudsman, tudo... Monopolizam bate-bocas em áreas de comentários que acabam virando chat. São meia-dúzia, mas parecem ser uma legião, como os demônios. Aqui não entram. A tal lei antifumo proíbe até fumódromo, não é? No meu blog, não permito “petralhódromo” — não que esteja comparando fumantes a petralhas. Os fumantes não merecem. Se, entre os mais de dois mil comentários que recebo por dia, escapa algum, caço e casso.
(...) Folgo ao constatar que li em ambos [em editoriais da Folha e do Estadão de hoje] o que aqui se afirmou desde o primeiro momento daquele embate [entre Gilmar Dantas e Joaquim Barbosa]. Folgo em saber que, como sempre, este blog não caiu no “clamor da Internet” — e rejeita juízes que preferem o “clamor das ruas” à letra da lei. Como sempre, não procurei saber para que lado soprava o vento para, então, sair navegando a favor da corrente. Disse um desses que desprezo: “A Internet inteira de um lado, e você do outro”. Internet inteira? Ainda que fosse verdade, a “Internet inteira” que se danasse. Até porque, como se vê, inteira não seria (...)
Conhecido como Joaquim Barbosa, apenas, ele é ministro do Supremo Tribunal Federal do Brasil desde 25 de junho de 2003, quando nomeado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. É o único negro entre os atuais ministros do STF.
Joaquim Barbosa nasceu no município mineiro de Paracatu em 7 de outubro de 1954 (54 anos), noroeste de Minas Gerais.
É o primogênito de oito filhos.
Pai pedreiro e mãe dona de casa, passou a ser arrimo de família quando estes se separaram.
Aos 16 anos foi sozinho para Brasília, arranjou emprego na gráfica do Correio Braziliense e terminou o segundo grau, sempre estudando em colégio público.
Obteve seu bacharelado em Direito na Universidade de Brasília, onde, em seguida, obteve seu mestrado em Direito do Estado.
Prestou concurso público para Procurador da República e foi aprovado.
Licenciou-se do cargo e foi estudar na França por quatro anos, tendo obtido seu Mestrado em Direito Público pela Universidade de Paris-II (Panthéon-Assas) em 1990 e seu Doutorado em Direito Público pela Universidade de Paris-II (Panthéon-Assas) em 1993.
Retornou ao cargo de procurador no Rio de Janeiro e professor concursado da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.
Foi Visiting Scholar no Human Rights Institute da faculdade de direito da Universidade Columbia em Nova York (1999 a 2000), e Visiting Scholar na Universidade da California, Los Angeles School of Law (2002 a 2003).
Fez estudos complementares de idiomas estrangeiros no Brasil, na Inglaterra, nos Estados Unidos, na Áustria e na Alemanha. É fluente em francês, inglês e alemão.
O currículo do ministro do STF Joaquim Barbosa que vocês acabam de ler foi extraído da Wikipédia, mas pode ser encontrado facilmente nos arquivos dos órgãos oficiais do Estado Brasileiro.
“E o que mostra esse currículo?”, perguntarão vocês. Antes de responder, quero dizer que o histórico de vida de Joaquim Barbosa pesa muito neste caso, porque mostra que ele, à diferença de seus pares, é alguém que chegou aonde chegou lutando contra dificuldades imensas que os outros membros do STF jamais sequer sonharam em enfrentar.
Não se quer aceitar, nesse debate – ou melhor, a mídia, a direita, o PSDB, o PFL, os Frias, os Marinho, os Civita não querem aceitar –, que Joaquim Barbosa é um estranho no ninho racialmente elitista que é o Supremo Tribunal Federal, pois esse negro filho de pedreiro do interior de Minas é apenas o terceiro ministro negro da Corte em 102 anos, conforme a Wikipédia, tendo sido precedido por Pedro Lessa (1907 a 1921) e por Hermenegildo de Barros (1919 a 1937).
E quem é o STF hoje no Brasil? Acabamos de ver recentemente nos casos Daniel Dantas, Eliana Tranchesi etc. É o que sempre foi: a porta por onde os ricos escapam de seus crimes.
Joaquim Barbosa é isolado por seus pares pelo que é: negro de origem pobre numa Corte quase que exclusivamente branca nos últimos mais de cem anos, que julga uma maioria descomunal de causas que beneficiam a elite branca e rica do país.
Sobre o que ele disse ao presidente do STF, Gilmar Mendes, apenas repercutiu o que têm dito, em ampla maioria, juízes, advogados, jornalistas, acadêmicos de toda parte do Brasil e do mundo, que o atual presidente do Supremo, com suas polêmicas midiáticas, com denúncias de grampos ilegais que não se sustentam e que ele até já reconheceu que “podem” não ter existido – depois de toda palhaçada que fez –, desserve à instituição que preside e ao próprio conceito de Justiça.
Gilmar Mendes pareceu-me ter querido “pôr o negrinho em seu lugar”, e este, altivo, enorme, colossal, respondeu-lhe, com todas as letras, que não o confundisse com “um dos capangas” do supremo presidente “em Mato Grosso”.
Falando nisso, a mídia poderia focar nesse ponto, sobre “Mato Grosso”, mas preferiu o silêncio. Esperemos...
Recomendo-lhes que, depois de terminarem de ler este texto, voltem aqui e terminem de ler o currículo de Joaquim Barbosa na Wikipédia, clicando Aqui. Claro que muitos dirão que a Wikipédia é “aparelhada pelo PT”, sem darem maiores explicações sobre como e por que isso acontece. Mas eu concordo com o texto ali postado. A meu ver, está mais do que correto.
Finalmente, esse episódio revelou-se benigno para a nação, a meu juízo, pois mostrou que ainda resta esperança para a Justiça brasileira. Enquanto houver um só que enfrente uma luta aparentemente desigual para si simplesmente para dizer o que falam quase todos, porém sem que os poucos poderosos dêem ouvidos, haverá esperança. Enquanto um resistir, resistiremos todos.
Joaquim Barbosa é um estranho no ninho do STF, entre a elite branca da nação, e está sendo combatido por isso e por simplesmente dizer a verdade em meio a um mar de hipocrisia. O Brasil inteiro sabe disso e essa talvez seja a verdade mais importante, pois dará conseqüência aos fatos, se Deus quiser.
Credibilidade da Justiça
Ainda na noite de quarta-feira, horas depois do confronto entre Gilmar Mendes e Joaquim Barbosa, na emissora de notícias por cabo Globo News o articulista do jornal O Globo Merval Pereira, já engajado na defesa de Mendes, saiu dizendo que a acusação de Barbosa de que o adversário estaria “destruindo a credibilidade da Justiça” não se sustentava por conta de pesquisas que dariam conta da alta credibilidade do poder Judiciário no Brasil.
É marota a opinião desse cavalheiro, pois ele distorce dados de uma pesquisa do IBGE recentemente divulgada pelo site Consultor Jurídico – tão bem conhecido de todos vocês. A pesquisa mostra que Justiça brasileira ocupa o 9º lugar em credibilidade entre as instituições do país. Pereira só não diz que tal confiança é algo mais alta do que as de outras instituições da República por conta, na maior parte, da Justiça do Trabalho e da Justiça Eleitoral.
Pioneiro do Movimento Negro vê racismo no STF
Na década de 40, quando o movimento negro era uma ilha, o dramaturgo Nelson Rodrigues cravava nas gazetas: Abdias do Nascimento é "o único negro do Brasil". E não houve quem o desmentisse. A "flor de obsessão" admirava no ator e ativista negro a "irredutível consciência racial", a coragem de esfregar a "cor na cara de todo o mundo".
Abdias, 95 anos, segue atento às novas gerações do movimento negro. Vibrou com a vitória do presidente Barack Obama, nos Estados Unidos. E hoje, a partir da leitura dos jornais, se "orgulha" da atuação do ministro Joaquim Barbosa no Supremo Tribunal Federal (STF). - "Estou orgulhoso de ter um juiz à altura da situação em que se encontram todos os milhões e milhões afrodescendentes" - declara.
Primeiro negro na suprema corte brasileira, Barbosa fez ontem acusações públicas ao presidente do STF, Gilmar Mendes. "Vossa excelência não está na rua, não. Vossa excelência está na mídia, destruindo a credibilidade do Judiciário brasileiro", atacou. Mendes pediu "respeito". Barbosa ainda prosseguiu: "Vossa excelência quando se dirige a mim não está falando com os seus capangas do Mato Grosso, ministro Gilmar. O senhor respeite."
Com esse revide, a briga tomou uma feição racial. Abdias não foge à pergunta: - Acho que houve, sim, um viés racista naquela maneira que o presidente do Supremo respondeu a ele, logo no começo da discussão.
Após tensa reunião, terminada com menos da metade do quórum inicial por causa da eliminação de vários participantes, o Sindicato dos Pistoleiros e Assemelhados de Diamantino emitiu nota oficial acerca dos recentes acontecimentos envolvendo sua laboriosa categoria. Diz o documento: "Nós, cabras, cabras-de-peia, cacundeiros, curimbabas, espoletas, guarda-costas, jagunços, mumbavas, peitos-largos, pistoleiros, quatro-paus, satélites e sombras deste rincão do Brasil Central, reafirmamos a confiança e o respeito (sic) ao Senhor Nosso Chefe, lamentando o episódio ocorrido na data de ontem".
Por sugestão dos leitores Eli, de Salvador, e Vera Pereira, do Rio, reproduzo, acima, vídeo em que o ministro do STF Joaquim Barbosa passa uma carraspana no Gilmar "Dantas".
Amigos, é de lavar a alma. Agradeço aos leitores a sugestão.
E para quem não tem como assistir o vídeo, reproduzo, abaixo, a parte mais, digamos, "quente" da reprimenda que Barbosa passou em Dantas, digo, em Mendes.
“Vossa excelência está destruindo a Justiça desse país e vem agora dar lição de moral em mim. Saia à rua, ministro Gilmar. Vossa excelência não está na rua, está na mídia, destruindo a credibilidade do Judiciário brasileiro. Vossa excelência, quando se dirige a mim, não está falando com os seus capangas do Mato Grosso, ministro Gilmar.”
PS: Será que sai em algum telejornal?
E Ciro Gomes diz que Globo e Folha mentem
O limite do aceitável
Notícias dos telejornais da noite dão conta de que o ministro Joaquim Barbosa não participa de reunião a portas fechadas em que se encontram todos os demais membros do Supremo Tribunal Federal depois da coça verbal que o ministro deu no presidente daquela Corte.
Espera-se que os ministros tenham a serenidade e a clarividência necessária para não se deixarem empurrar para nenhum tipo de desejo retaliativo em relação a Barbosa. A sociedade não aceitará. Eu mesmo não aceitarei sem antes dar uns brados de protesto ao megafone.
Apóie Barbosa... ou Mendes
Abaixo, os e-mails dos ministros do Supremo. Enviarei e-mail a todos eles apoiando o ministro Joaquim Barbosa. Se você, leitor, concorda comigo ou não, sugiro que exerça sua cidadania e envie também seu e-mail apoiando quem quiser ou ninguém. Só não se omita.
A oposição ao governo Lula – integrada por PSDB, PPS, PFL, Globo, Folha de São Paulo, Estadão e Veja, primordialmente – vem apostando no instituto da mentira desde 2003. É essa a "estratégia" de retomada do controle do Estado brasileiro que esse grupo político engendrou.
A fé oposicionista na mentira é inabalável, mesmo a despeito dos maus resultados colhidos até aqui. E quanto mais mentem, mais procuram mentir.
Algumas dessas mentiras são mais elaboradas, como a que tenta atribuir o sucesso estrondoso da economia brasileira hoje a um governo que quebrou o país (o governo FHC). Outras, porém, são tão grosseiras que deixam claro como essa gente despreza o povo brasileiro.
Dois exemplos recentes da “estratégia” da direita mostram desespero oposicionista diante de um quadro político em que o presidente da República acabou blindado contra mentiras justamente por conta das mentiras grosseiras que a oposição tucano-pefelê-midiática conta diariamente há mais de seis anos.
Quem assistiu ao programa eleitoral gratuito do PFL em março e tem qualquer conhecimento sobre a situação do país, certamente ficou de queixo caído ao ver os pefelês dizerem que o Brasil estava perdendo 600 mil empregos “por mês”.
Mas a mentira oposicionista mais grosseira, mais espantosa, mais criminosa – e já, já vocês entenderão por que uso este terceiro adjetivo – foi veiculada no programa eleitoral do PPS pelo mais do que manjado Raul Jungmann, político metido em escândalos até o pescoço.
É criminosa a mentira de Jungmann de que o governo Lula pretende “mexer” na poupança “como fez o Collor” porque pode desencadear uma debandada de poupadores, afetando a poupança interna do país.
Por via das dúvidas, explico, aos que eventualmente não saibam, que o governo detectou que grandes investidores do mercado financeiro estariam migrando para a caderneta de poupança para fugir de impostos. Dessa maneira, o que se pretende é estabelecer um teto para isenção tributária nesse tipo de aplicação financeira.
Convenhamos: a isenção de impostos da poupança é para o pequeno poupador, para aquele que deposita aquela “merrequinha” todo mês. Gente que faz aplicações de centenas de milhares de reais ou até de milhões, não pode ser isentada de pagar impostos.
Ora, Jungman, para encurtar a história, afirmou, na cara-dura, que Lula pretende confiscar a poupança, pois foi isso que o Collor fez. É demais, não?
O que me preocupa, é essa estratégia do governo Lula de deixar que contem tais mentiras sem responder. Não posso desconhecer que a estratégia tem funcionado. Lula acha, como disse faz algum tempo em entrevista à revista Piauí, que o brasileiro já está apto a detectar mentiras grosseiras.
Até agora, a estratégia lulista tem funcionado. Ou não, porque a resistência da popularidade do presidente pode estar mais ligada à boa situação econômica do país do que à capacidade popular de identificar mentirosos.
PS: alguns me pedirão para falar sobre a Soninha, que afirmou, com a cara mais deslavada, que, enquanto Lula faz campanha para Dilma, Serra apenas “governa”. Esqueçam, portanto. Não comentarei muito mais do que isto. Essa moça é um caso perdido. Soube disso quando descobri que ela usou um assessor parlamentar da Câmara Municipal de São Paulo para praticar pistolagem intelectual na internet. Não gastarei tempo com essa coitada.
Dos leitores - 1
Enquanto isso, a revista estadunidense Newsweek diz que "Lula está construindo um gigante regional único".
Como diz o PHA, vai acabar o estoque de diazepan em Higienópolis.
Roberto Locatelli | São Paulo - SP - Brasil | Empresário
Dos leitores - 2
É bom explicar que, nem que quisesse (e só se tivesse ficado louco ia querer), o Lula NÃO poderia decretar confisco da poupança, porque a Constituição Federal IMPEDE - artigo 62, parágrafo 1, inciso 3:
I – É vedada a edição de medidas provisórias sobre matéria que vise a detenção ou seqüestro de bens, de poupança popular ou qualquer outro ativo financeiro.
Uma coisa dessas (e por que isso interessaria ao Lula?) só por emenda constitucional, com 3/5 de aprovação da Câmara e Senado em dois turnos de votação. Nem que a vaca tussa!
Eu acho que uma frase como a do Raul Jungman constitui crime contra a ordem financeira nacional. A quem caberia processá-lo? Com a palavra os entendidos em direito.
Vera Pereira | Rio de Janeiro, RJ, Brasil | professora aposentada
Previsões do FMI
No momento em que escrevo, os grandes portais de internet estão veiculando em destaque nova previsão do FMI de que a economia brasileira, neste ano, enfrentará uma recessão de 1,3%.Vale analisar, portanto, os números sobre o crescimento brasileiro veiculados pelo Fundo nos anos anteriores.
Abaixo, reproduzo notícia da BBC Brasil de outubro de 2007 contendo estimativas do FMI sobre o crescimento do PIB nacional naquele ano e no ano seguinte (2008). Depois da notícia, faço um breve comentário.
BBC Brasil – 17/10/2007
O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê que a economia brasileira crescerá 4% em 2008. A cifra representa uma revisão para baixo de 0,2 ponto percentual, em relação à estimativa atualizada pelo Fundo em julho deste ano. O Fundo não alterou, porém, a sua projeção de crescimento de 4,4% para o Brasil neste ano. O índice é idêntico ao divulgado em abril. Os dados constam dos capítulos iniciais do relatório Panorama Econômico Mundial, lançado pelo FMI nesta quarta-feira. A estimativa de crescimento para a economia brasileira é uma das baixas entre os países latino-americanos, embora toda a região tenha tido suas projeções de crescimento revistas para baixo.
Alguma coisa deu errado com as previsões do Fundo, naquele ano. A instituição previu que o Brasil cresceria 4,4% em 2007 e o país cresceu 5,7% (29,54% a mais do que o previsto). Em 2008, o FMI previu um crescimento de 4% e o país, com crise e tudo, cresceu 5,1% (27,5% a mais). Se não tivesse havido o imprevisto da crise, o erro do fundo seria gigantesco.
O destaque dado pelos portais de internet a essa notícia besta e a ocultação da notícia sobre as loas que a revista Newsweek teceu sobre o governo Lula, falam por si.
Polícia do Serra
A imagem acima é de agressão covarde praticada por um membro da má afamada polícia tucana. Em discussão com uma torcedora que foi assistir ao jogo entre São Paulo e Corintihans no último domingo, o suposto agente da lei agride uma cidadã que ajuda a lhe pagar o salário com truculência que já seria inadmissível se tivesse sido praticada contra um homem do mesmo tamanho desse covarde.
Em 2009, completam-se 15 anos desde que o mesmo grupo político assumiu e vem mantendo o controle do Estado de São Paulo, o mais rico Estado da Federação brasileira, cujo PIB responde por 33,9% do PIB nacional – sem que, no entanto, o Estado abrigue mais do que 20% da população do país –, o que, em tese, deveria fazer dele um dos melhores Estados brasileiros para se viver devido à suarenda per capita mais alta.
Para explicar por que São Paulo ruiu, por que o Estado se tornou tão inabitável, tão perigoso, tão ruim para pessoas físicas e jurídicas que passou a perder investimentos, participação no PIB e a exibir indicadores sócio-econômicos entre os piores do país, como em qualidade da Educação (pública e privada), da Saúde ou da Segurança Pública, haverá que notar primeiro como se dá a fiscalização do poder público pela sociedade paulista.
A explicação para a grande depressão paulista dos últimos quinze anos reside num processo complexo. E, quando falo em grande depressão paulista, alguns tentarão negá-la – os aliados do grupo político responsável pelo descalabro paulista que teimam em se apresentar como analistas “isentos”, ou seja, a imprensa de São Paulo e grande parte da imprensa brasileira, engajada no projeto político do conclave entre Fernando Henrique Cardoso e José Serra.
Não conseguirão negar, ao menos aqui, pois faço esta argumentação baseado num dado fácil de se verificar, e que, ao ser verificado pelo leitor que realmente busca os fatos, mostrará que tenho razão.
Poderia ficar mostrando estatísticas que comprovam a piora paulista nos últimos quinze anos, como as estatísticas sobre Segurança Pública, as quais, apesar das muitas acusações de manipulação pelo governo de São Paulo, ainda podem ser verificadas com facilidade.
A forma de apuração dos dados sobre Segurança Pública pela Secretaria de Estado responsável pela área, por exemplo, sofreu alguns “ajustes” bem malandros entre 1995 e hoje. Houve separação dos tipos de crimes de forma a apresentar dados fragmentados que impedem a verificação mais ampla da impressionante piora da Segurança neste Estado tão cheio de recursos.
Fiz os ajustes necessários para unir os dados estatísticos sobre os tipos de crimes com base em dados da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo e encontrei o seguinte:
Tipo de crime4º trimestre 19954º trimestre de 2008 variação
Contra a pessoa98.491119.71121,54%
Contra o patrimônio 162.341229.07341,10%
Outros crimes 39.720 107.221 169,94%
Entorpecentes4.004 8.345108,42%
Total de crimes/delitos 304.556464.35052,47%
Vocês acham expressivo o percentual de 52,47% de aumento da criminalidade em São Paulo entre o 4º trimestre de 1995 e o de 2008? Pois eu acho que é ainda maior, pois não faltam acusações de manipulações dos dados da Segurança pelo governo do Estado.
Mas, se ficarmos apenas nas estatísticas oficiais, verificaremos que a criminalidade explodiu no Estado de São Paulo desde que o PSDB chegou ao poder.
O mesmo aconteceu com a Educação e com a Saúde públicas. Apesar de seu poderio econômico, São Paulo paga os piores salários a professores, a médicos, a policiais. Além disso, nas avaliações sobre a qualidade dos serviços de ensino e de assistência médico-hospitalar, os números paulistas são dos mais deprimentes.
Mas talvez o que mais choque em São Paulo seja o absurdo desempenho escolar dos alunos da rede pública de ensino. Ficamos atrás de Estados paupérrimos do Nordeste, em vários casos.
O que acontece com São Paulo é que a sociedade desse Estado não tem como fiscalizar o governo estadual e muito menos como pressioná-lo. A imprensa paulista está todinha comprada desde 1995.
Os sucessivos governos paulistas torram dinheiro público comprando livros escolares de baixíssima qualidade de uma Editora Abril ou torram o dinheiro do contribuinte comprando milhares de assinaturas da Folha de São Paulo ou do Estadão. Enquanto isso, as escolas municipais da coalizão tucano-pefelista economizam criminosamente na merenda escolar.
E onde está a imprensa? Desafio qualquer um a encontrar, neste ano inteiro, uma simples meia dúzia de críticas consistentes e destacadas da imprensa ao governador José Serra. Ninguém encontrará. Os governadores paulistas do PSDB vêm sendo poupados de fiscalização e de críticas da imprensa há quinze anos. A sociedade paulista não tem como fiscalizar e pressionar o Estado.
São Paulo ruiu por culpa da maioria de seu povo, em grande parte cúmplice desse processo ditatorial que vige no Estado, processo no qual o governo regional conta com censura a críticas pela imprensa. O conservadorismo majoritário em São Paulo não é inimigo apenas do resto do país, mas dos próprios paulistas, que pagam caro pela própria burrice preconceituosa e arrogante.
Coisa de criança
O vídeo acima foi extraído do blog do Luis Nassif. Apesar de eu e ele termos leitores comuns, penso que, dada a importância teórica e sociológica do material, deve ser difundido ao máximo.
Alunos de uma escola de ensino médio explicam como a mídia manipula os fatos editando uma entrevista com uma cidadã comum de forma que ela apareça dizendo exatamente o contrário do que disse.
O trabalho dos jovens deixa claro como a mente reacionária é ridícula. Entender as manipulações da mídia, hoje em dia, virou coisa de criança. Só essa gente não é capaz de entender.
Sou dado a misticismos, às vezes. Não daquele tipo de misticismo que leva as pessoas a seitas e cultos – dos quais venho me afastando no decorrer da vida. Refiro-me a um misticismo aleatório, que cria e descarta seus próprios mistérios.
Cultivo certa relação com objetos como uma simples maleta. Também podem ser um relógio, uma caneta, um livro...
Sempre cultivei certo misticismo em relação às minhas ferramentas de trabalho, por exemplo. Uma delas, uma maleta que comprei há cerca de dez anos numa de minhas viagens pela América Latina, era meu talismã mais caro.
Tinha problemas para transportar em uma simples maleta 007 – ou afins – a parafernália volumosa de catálogos que utilizo em minhas visitas aos meus clientes latino-americanos. E o trânsito aeroportuário complicava ainda mais minha vida, pois era arriscado colocar certos documentos na mala despachada, pois, eventualmente, ela poderia ser extraviada pela companhia aérea.
Foi num Dutty Free de algum país que me escapa neste momento que encontrei a solução do problema. Era uma maleta daquelas que as pessoas associam a representantes de fabricantes de medicamentos. Tinha duas das três dimensões de uma maleta 007 normal, a altura e a largura. A espessura, entretanto, era o dobro.
A maleta negra de couro legítimo era cheia de bolsos e compartimentos que me caíam como uma luva, pois quanto mais apetrechos eu usava em meu trabalho mais apetrechos descobria que poderia usar.
Mais tarde, descobri que os clientes também gostavam de minha maleta, da qual viam sair de tudo, até o mais improvável em termos de sua capacidade volumétrica. E todos lhe exaltavam a qualidade, o couro, a resistência. “Essa vai durar uma vida”, asseguravam-me.
Uma vida é muito tempo. E cerca de uma década sendo levada a toda parte – às três Américas, à Europa e à África - deixaram-me a velha amiga um tanto quanto surrada, com o couro envelhecendo e se puindo aqui e ali, com arranhões por todos os lados, com os fechos enferrujando, o que me afetava a imagem de prosperidade que devem ter os vendedores.
Precisava de outra maleta daquela, se possível idêntica, mas não encontrava. E quando encontrava algo parecido, era por preços exorbitantes. Vi uma, certa vez, no Dutty Free de Panama City, mas ao preço de mais de 400 dólares. E não era tão boa quanto a minha.
A maleta envelhecida já se tornara minha marca junto aos clientes. Sentia-me mais seguro em meu trabalho com ela. Dirão que é psicológico – e deve ser mesmo. Fosse o que fosse, porém, eu sempre confiava que aquela maleta tinha poderes mágicos, pois em dez anos portando-a jamais ela retornou comigo de uma viagem sem conter bons resultados comerciais.
No último dia 9, eu voltava do Peru ao Brasil. Aeroporto Jorge Chávez, em Lima. Novamente passo por um Dutty Free e vejo, logo à porta, a “minha” maleta. Semelhança espantosa. Tive que olhar o extremo de meu braço para conferir se a minha velha maleta ainda estava comigo, se alguém não a tinha roubado, reformado e posto à venda naquela loja.
A viagem já terminara, praticamente, e meu dinheiro idem. E ainda precisava comprar o presente de aniversário de minha neta. A maleta deveria ser cara, pelo que sabia. E era. A etiqueta dizia 468 dólares.
E eram idênticas, as danadas. Nos mínimos detalhes. Mesma marca, mesma cor, mesmo couro, mesmos compartimentos e dimensões. Era como ver aquele velho amigo maduro remoçado até a adolescência. Fiquei namorando a maleta.
Já estava para lhe dar adeus quando notei alguma coisa estranha na sua alça de transporte. Estava com a pintura levemente arrancada. E numa das quinas superiores, também. Certamente a tinham deixado cair ou arranhado de alguma maneira no transporte até a loja. Era coisa pouca, facilmente solucionável com uma pincelada de tinta para couro.
Chamei a vendedora e perguntei se havia outra maleta daquela no estoque, pois queria comprar uma. Não havia. A mocinha me diz que é a última, quase confessando que não foi vendida por causa do “defeito”. Foi como eu previra. Daí a conseguir um desconto de 218 dólares, foi moleza. Comprei a maleta.
Contudo, com a mala grande cheia de roupas e catálogos, além de quatro garrafas de pisco presenteadas por um cliente que fabrica a bebida, mais a maleta que já transportava e mais a que acabara de comprar, a viagem se tornaria penosa.
Além disso, alguma coisa me dizia que eu não deveria ficar com as duas maletas. Aí entra em campo meu bom e velho misticismo. Alguma coisa me dizia que deveria passar adiante a velha amiga que tanto sucesso já me proporcionara, e que talvez pudesse servir a alguém como me serviu.
Tentei oferecer a maleta velha aos faxineiros do aeroporto, aos seguranças e até às funcionárias de um fast food. Ninguém quis. Aceitar a maleta de um estranho hoje em dia num aeroporto não é prática das mais recomendáveis.
E se eu a largasse no meio do estacionamento do aeroporto? Alguém a encontraria e faria bom uso dela... Mas e se alguma câmera de vigilância me flagrasse abandonando a maleta e alguém achasse que se tratava de uma bomba ou coisa que o valha? Sabem como é, fora de seu país, num aeroporto, não é recomendável “vacilar” nesses assuntos.
Eu chegara ao aeroporto em Lima vindo de Arequipa. Cheguei seis horas antes do vôo com destino ao Brasil. Tinha muito tempo. Assim, decidi que ficaria à porta do setor de embarque, pois ali fatalmente encontraria alguém que estivesse precisando de uma maleta como a minha.
E o ideal mesmo era que fosse um vendedor. Alguém que pudesse dar à minha maleta o mesmo uso que eu dera a ela por mais de uma década.
As pessoas iam e vinham, porém, e eu não conseguia identificar alguém que quisesse mais uma mala. Até vi uns índios – índios mesmo – cheios de trouxas, mas minha mala não era para levar roupas ou comida, ou sei lá o que levavam em seus sacos plásticos. E, além disso, era muito pequena para o que precisavam transportar.
Decidi sair do aeroporto. Deixei a maleta nova, já com tudo que transportava a antiga, junto com a mala grande no guarda-volumes. Em seguida, atravessei o estacionamento, ganhei a avenida em frente e comecei a procurar alguém a quem pudesse doar minha companheira de tantas aventuras pelo mundo.
Faltavam três horas para o vôo. Dali a uma hora eu teria que fazer o check in e não seria mais recomendável deixar o aeroporto. Estava sentado à porta de um bar imundo a uns mil e quinhentos metros de lá, já decidindo largar a maleta ali no meio da rua, quando ele entrou.
Era eu, só que mais jovem. Terno barato, amarrotado, ele todo suado e carregando catálogos dentro de uma sacola de plástico. Aproximei-me. O rapaz se debruçara sobre o balcão esvaindo-se em suor e pedindo, sôfrego, uma “cola” – nome que dão a refrigerantes nos países andinos.
Disse-lhe que era seu dia de sorte e expliquei-lhe meu dilema. Aceitou a maleta prontamente, mal acreditando na sorte. Tinha que carregar os catálogos em duas sacolas de plástico, porque numa só o peso excederia a resistência do material.
Como disse, sou dado a certos misticismos. Muitos acham bobagem, mas eu não acho. Principalmente depois que vi o que o rapaz levava em suas sacolas. Saiba, leitor, que eram catálogos de autopeças. E, se você não sabia, saiba que é exatamente isso o que vendo.
A grande imprensa tentará enganá-lo quanto ao resultado da V Cúpula das Américas, leitor. Contudo, se você vem a este blog é porque não gosta de ser enganado, porque não abre mão de conhecer os dois lados da moeda.
Então, meu caro ou minha cara, mergulhemos nos fatos. Nademos neles de uma margem a outra. Tenho certeza de que, ao chegarmos ao outro lado, saberemos qual é a verdade mais aparente nesse assunto, porque verdades definitivas nunca se tem sobre nada na vida.
A mídia tenta vender o fracasso da Cúpula na falta da produção de um documento final assinado consensualmente por todos. Trata-se daquela história de tentar escrever previamente a história independentemente de como ela venha a acontecer. Sim, caros e embasbacados leitor ou leitora, é tentativa, agora, de reescrever o futuro.
Voltemos no tempo, porém, há cerca de umas 72 horas – mas, se vocês quiserem, podemos voltar um mês ou dois: enfim, qual era a grande expectativa que cercava a reunião de Cúpula que está chegando ao fim em Port Of Spain, capital de Trinidad e Tobago?
1 - Era a produção de um documento final do encontro assinado consensualmente por todos mesmo sabendo-se que, por questões como a ausência de Cuba, não haveria consenso por parte de Venezuela, Bolívia e outros?
2 - Ou era o desenrolar do primeiro encontro entre um Hugo Chávez e um Evo Morales – os quais, recentemente, expulsaram os embaixadores norte-americanos de seus países – e o novo presidente norte-americano, Barack Obama, bem como a disposição dos dois lados de examinarem o fim do embargo a Cuba?
Nesse aspecto, o encontro foi um sucesso. Hoje, as três Américas (Norte, Sul e Central) podem se dizer mergulhadas num clima de absoluta distensão, com chefes de Estado das nações beligerantes tendo estendido mãos, sorrisos e promessas de dias melhores, como quando Hugo Chávez propôs a Barack Obama nomear um novo embaixador em Washington, e ao americano que ele fizesse o mesmo em Caracas.
Mesmo os mais renitentes, como Evo Morales (Bolívia) ou Daniel Ortega (Nicarágua), acederam ao fato de que Obama não poderia ser responsabilizado por as relações intra-americanas terem se tornado o que se tornaram num período de séculos de desequilíbrios regionais.
E a polêmica sobre os biocombustíveis, tema que separa os países produtores-exportadores de petróleo da região (Venezuela, Bolívia e Equador) dos países mais interessados em comprar e vender biodiesel (Estados Unidos e Brasil), apenas mostra que, quando o assunto é o interesse interno dos países, nem pequenos nem grandes buscam outro resultado que não o melhor para si.
Nesse aspecto, parece-me que o que importava nessa reunião de Cúpula, foi conseguido. Como já disse, hoje as Américas podem comemorar que estão num clima de franca distensão política, com o fim das promoções de golpes de Estado pelos Estados Unidos, por exemplo.
Arquitetos da Realidade
Pior do que essa marmelada na questão da Cúpula no Caribe, então, meus caros leitor e leitora, só a Folha de São Paulo deste domingo. Agora, o jornal tenta fazer da retomada das obras de Angra 3 o mais novo escândalo do PIG contra Lula.
De forma fantástica, o jornal tenta repor no centro da arena política, sem prova alguma, apoiado somente em achismos, ele mesmo, o filho do presidente, o temível “Lulinha”. Para variar, agora ele seria o beneficiário da não-realização de nova concorrência para tocar a Usina Nuclear na costa do Rio de Janeiro.
Enquanto isso, Daniel Dantas, com o apoio da Globo, vai tentando desmontar uma acusação irrefutável contra si tentando desqualificar meramente uma das muitas provas por meio das quais foi condenado a dez anos de prisão. A mídia tenta, pois, criar provas inexistentes e fazer evaporar provas consistentes a partir somente de sua mera palavra.
Convenhamos, pois, leitor ou leitora, que as condutas acima descritas revelam uma grande, uma descomunal, uma gigantesca demonstração de autoconfiança... Ou seria de loucura?