Se eu fosse o presidente Lula, colocaria as barbas de molho no que tange aos institutos de pesquisa, porque, no ano que vêm, irão desempenhar a missão crucial de transmitir ao eleitorado a quantas anda a corrida eleitoral para os cargos de presidente da República, governador, senador, deputado federal e estadual, e o que relato a seguir mostrará que os institutos “da praça” são suspeitos.
O blogueiro Ricardo Kotscho (linkado aqui neste blog) publicou, na última quarta-feira, detalhes de conversa que teve com Carlos Augusto Montenegro, presidente do Ibope. A reprodução dessa conversa mostra comportamento para lá de partidário de quem dirige aquele instituto.
Notem que os dois maiores institutos de pesquisa do país (o próprio Ibope e o Datafolha, do grupo Folha) estão ligados à candidatura de José Serra à Presidência da República
Para ficarmos só no caso do Ibope, Montenegro, seu presidente, deu declarações absolutamente políticas a Kotscho. Declarações absurdamente facciosas e sem qualquer base científica. Reproduzo, a seguir, o relato do blogueiro sobre as declarações politiqueiras de Montenegro e, depois, teço meus comentários sobre elas.
* Dilma deve, num primeiro momento, manter os mesmos índices anteriores. A transferência de votos do presidente Lula para ela chegará mais adiante a um patamar de 15%. A partir daí, será difícil conquistar cada ponto a mais.
* O mesmo vale para qualquer outro candidato do governo na lista que será pesquisada para saber quem teria mais chances na eleição, caso Dilma seja obrigada a desistir da campanha, e Lula tenha que buscar outro nome. Tarso, Ciro, Palocci, Patrus, Haddad, qualquer um deles receberia o mesmo índice de transferência de votos e teria a mesma dificuldade para crescer a partir daí.
* A campanha de 2010 deverá mesmo ficar polarizada entre o candidato do governo e o candidato da oposição. Sem candidato, mais uma vez, o PMDB se dividiria meio a meio entre os dois lados da disputa. Ciro Gomes só seria candidato, em caso de desistência de Dilma, se for apoiado por Lula. Heloísa Helena e Cristovam Buarque desta vez não teriam espaço para suas candidaturas.
* O candidato da oposição será o tucano José Serra, do PSDB, que mantém seu amplo favoritismo na corrida presidencial e tem chances de vencer já no primeiro turno. As prévias do PSDB cobradas por Aécio Neves devem mesmo ficar para fevereiro, quando as pesquisas já devem apontar uma clara definição no quadro sucessário.
* A análise é a mesma feita antes das eleições municipais de 2008: assim como em 2002 era “a vez de Lula”, em 2010 será “a vez do Serra”, segundo Montenegro, e nada indica uma mudança brusca no cenário.
* Para ele, a “Era do PT” acabou no episódio do mensalão, que engoliu suas principais lideranças, embora o presidente Lula tenha mantido e até ampliado seu prestígio de lá para cá. Por isso, acredita que em 2010 não haverá nenhum nome do partido capaz de impedir a vitória de José Serra. Confrontado com os números das pesquisas em fevereiro de 2010, Aécio poderia escolher entre ser seu vice ou se candidatar ao Senado por Minas.
* Qualquer que seja o resultado da eleição e o efeito da crise econômica mundial no país, ele acredita que Lula deixará o Palácio do Planalto pela porta da frente, festejado pela população. “Ele já entrou para a História como um dos nossos três maiores presidentes da República, ao lado de Getúlio e Juscelino. Ninguém tem uma história igual à dele e a vida da maioria da população melhorou no governo do Lula, o país mudou”.
Até 2002, o Ibope tinha uma outra teoria político-eleitoral, de que Lula teria um “teto” de 30% do eleitorado que o impediria de chegar algum dia à Presidência da República. Essa teoria, veiculada pelo mesmo Montenegro, espalhou-se rapidamente e perdurou até que Lula a desmentisse elegendo-se com votação esmagadora sobre o mesmo José Serra.
Não há nada de científico na tese de Montenegro. Suas declarações são políticas. Está fazendo campanha para Serra valendo-se de profecias. Falta um ano e meio para a eleição presidencial. Tudo pode acontecer até lá. Até porque, a grande maioria do eleitorado ainda não tomou qualquer decisão eleitoral.
Os ataques incessantes da mídia a Lula e a Dilma Rousseff, a provável candidata do presidente à própria sucessão, revelam, inclusive, desespero de causa, com a divulgação de documentos falsos sobre a ministra, o que prova que a “certeza” da vitória do governador facistóide de São Paulo na eleição presidencial está muito longe de ser o o fato consumado que tentam criar.
Dizer que o PT acabou por causa do escândalo do mensalão é uma irresponsabilidade, partindo de alguém de quem se esperaria análise sóbria e científica dos fatos. Aliás, o crescimento do PT nas eleições municipais do ano passado desmoraliza completamente a tese delirante de Montenegro.
O presidente do Ibope se converteu em mero cabo eleitoral. Se fosse jornalista ou cientista político, tudo bem dar declarações como essa, ainda mais num cenário em que a imprensa se tornou um partido político. Só que ele dirige uma instituição da qual se exige total isenção política.
Como se não bastasse o Ibope, o Datafolha pertence à Folha de São Paulo, jornal que dispensa apresentações em termos de facciosismo político e sabugismo relativo a Serra.
Outro instituto de pesquisa de renome, o Sensus, faz pesquisas para a CNT (Confederação Nacional dos Transportes), dirigida por Clésio Andrade, político que já foi vice-governador ao lado do ex-governador tucano Eduardo Azeredo, outro que também dispensa apresentações por ter sido o precursor do uso dos favores de Marcos Valério.
Resta, de instituto de pesquisa renomado, o Vox Populi, que nos últimos anos saiu de cena por razões pouco explicadas.
Se o presidente Lula e seu partido não começarem a se mexer já, as pesquisas de intenção de voto serão usadas para tentar materializar essa absurda situação de fato consumado que Montenegro tenta criar.
Notem que ele antecipar que a divulgação da doença de Dilma Rousseff não mudará nada no cenário eleitoral é conduta de uma irresponsabilidade incompatível com alguém que dirige um instituto de pesquisas científicas. Ela pode, inclusive, ter sido prejudicada pela divulgação de sua doença. Montenegro pode estar certo, mas ele antecipa o que não se sabe cientificamente, ainda.
Mas o que o presidente da República e o PT podem fazer?, perguntarão vocês. É óbvio que podem – e devem – tratar não só de estimular a entrada em cena de algum instituto de pesquisa desvinculado de partidos (o Vox Populi?) como também de denunciar as ligações do Ibope e do Datafolha com o PSDB.
Quero lembrá-los de que, no fim de 2005, as pesquisas Ibope e Datafolha anunciavam sucessivas e pronunciadas quedas da popularidade de Lula “devido ao mensalão”. De repente, na mesma época, sai uma pesquisa CNT/Sensus que desmente os dois institutos e mostra a popularidade do presidente lá nas alturas. Meses depois, Lula se reelege com mais de 60% dos votos.
Contudo, dada a demora de Lula e de seu partido de rebaterem as acusações do PPS de que o governo federal pretenderia confiscar a poupança, vejo com preocupação a entrada explícita do Ibope na campanha eleitoral antecipada de José Serra, campanha que já conta com os maiores jornais, revistas e tevês do país.
Dos leitores
É bom saber que, em 2002, no DF, na véspera da campanha de Joaquim Roriz (PMDB) X Geraldo Magela (PT), o mesmo Montenegro disse que, se o Magela perdesse, o Ibope nunca mais faria pesquisa eleitoral em Brasília. Resultado: Magela perdeu.
Francisco Antonio de Lima | Águas Lindas | GO | 02/05/2009 10h14m
Não é de hoje que o Sr Montenegro é ligado ao pessoal do PSDB. Por coincidência, ontem eu ia mandar este texto. Do livro "A História do Real", de Gilberto Dimenstein e Josias de Souza, pg. 156: “Eleições de 1994 – FHC pediu um encontro reservado com o Sr Montenegro, do Ibope; a imprensa não deveria saber disso de forma alguma. O diretor do Ibope chegou escondido dos jornalistas e conversou durante 2 horas. ‘Dá para ganhar’, disse Montenegro, taxativo. O diretor do Ibope defendeu a tese de que havia uma ‘cratera eleitoral’. Montenegro considerava a popularidade de Lula baixa. Não saíra de 30%. Depois, montou-se uma operação de resgate para tirar o Diretor do Ibope da reunião”.
Ronaldo Sanches | Curitiba-Pr. Brasil | Aposentado | 02/05/2009 10h57m
Twitter
Há uma matéria no Vermelho dizendo que o Twitter está perdendo seguidores. Particularmente, ainda não peguei o ritmo da coisa, mas sou partidário de todas as formas inovadoras de comunicação. Comentários sobre essa forma serão bem vindos, pois quero aprender. Imagino que possa vir a ser uma forma interessante de informação alternativa. O meu Twitter está na lista de sites indicados pelo blog.
Abaixo e acima da linha do Equador, na extrema banda ocidental do globo terrestre, germina um complô político. Foi engendrado por diminutos contingentes de aristocratas descontentes com a aceleração da inclusão social que a cidadania dessas nações elucubrou e logrou transformar em governanças populares.
No transcurso do vigésimo século posterior à chegada de Jesus Cristo à luz do mundo dos homens, enquanto o Velho Mundo civilizava-se estendendo às massas os benefícios tecnológicos acarretados por milênios de evolução humana, os exploradores das legiões que alijaram desses benefícios tiveram que migrar para o Novo Mundo, onde estabeleceram colônias nas quais passaram a campear injustiça e exclusão que na Europa já não se admitia mais.
Os métodos para manter privilégios de castas étnicas foram adotados em sincronia nas Américas, sob a batuta regente das castas norte-americanas.
Durante o século XX, o sangue, o suor e as lágrimas dos povos da América Latina financiaram a farra dessas castas raciais de origem indo-européia. Até que, com o avanço tecnológico que aumentou exponencialmente o acesso das massas à informação, as populações exploradas começaram a fazer valer suas maiorias elegendo governos voltados aos interesses das maiorias.
A democracia ameaça, de maneira progressiva, os projetos das castas raciais das Américas de eternizarem seus privilégios sobre negros, índios e mestiços oriundos das conjunções carnais destes com os brancos, eternamente atraídos pelos encantos físicos das etnias reprimidas e exploradas.
Enfraquecer a democracia é matéria-prima da opressão das massas pelas castas. A democracia viabiliza que filhos das massas ascendam ao poder, daí o apreço de poucos por ditaduras, por regimes nos quais o “perigo” de tais massas escolherem livremente seus representantes decresce na contramão do crescimento da ascensão ao poder de escolhidos por juntas de aristocratas.
A venda da premissa de que todos os políticos são entes vampirescos e monstruosos serve aos saudosistas dos regimes que ascenderam ao poder escoltados por exércitos de militares.
Em seguida, as castas indicam às massas as “exceções” políticas habilitadas a comandar, já que faliu de vez a premissa de que “o povo não sabe votar” e que, por isso, a escolha dos governantes deve caber àquelas castas.
Um mero exemplo desse plano de barrar a consolidação da democracia é acusar a todos os políticos pelos desvios de alguns, de forma que as “exceções” possam ser determinadas pelas castas.
Nesse aspecto, está sendo vista a “descoberta” recente e extemporânea dos meios de comunicação de que políticos que passaram a viver na capital da República têm a prerrogativa de usar aviões para deslocamento deles e de suas famílias até aquela capital para jogarem o jogo democrático da representação parlamentar.
Apesar de ser prática comum em qualquer democracia franquear a parlamentares os meios para se deslocarem de suas regiões à sede nacional do Poder Legislativo, uma prática que existe desde que a nação se tornou republicana, prática que já beira a centena de anos, de uma hora para outra os meios de veiculação dos interesses das castas transformaram essa franquia em novidade e motivo de indignação valendo-se de abusos localizados.
Na internet é possível encontrar facilmente sítios que defendem o baixo custo das ditaduras em contraposição ao custo “exorbitante” da democracia, na qual o povo tem que pagar os gastos de representantes de cada unidade federativa para se reunirem na sede nacional do Poder Legislativo, onde travarão os debates democráticos, farão leis e representarão os diversos estratos sociais, inclusive os estratos das castas.
Só quem ganha com a destruição da classe política são os que sempre lucram com regimes nos quais o tal “povo que não sabe votar” é alijado da escolha de representantes. Quando o povo não acreditar mais na política devido ao seu custo financeiro, deixará de crer também na democracia, o que propiciará regimes falsamente "econômicos", eleitos exclusivamente pelas castas.
Reprodução dos posts deste blog
É livre a reprodução dos posts deste blog, por quem quer que se interesse em reproduzi-los, desde que o devido crédito seja concedido ao autor.
Demorou
Lula chama de insano e mentiroso ataque contra mudança na poupança
30/04/2009 - 16h42
DIANA BRITO
Colaboração para a Folha Online, no Rio da Folha Online, em São Paulo
Atualizado às 17h41.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva engrossou as reclamações contra os críticos da alteração da remuneração da caderneta de poupança, avaliada pela equipe econômica. No Rio, Lula classificou os ataques de insanos, mentirosos e irresponsáveis.
"Fico preocupado quando as pessoas começam a brincar com a economia. Teve um partido que teve uma atitude insana, mentirosa, irresponsabilidade total, de dizer que o governo brasileiro iria mexer na poupança. O que essas pessoas não entendem é que o povo brasileiro me conhece, sabe do meu comportamento, sabe que eu não iria tomar nenhuma medida que prejudicasse", disse Lula.
Lula se referiu a propaganda do PPS. No programa eleitoral, o deputado Raul Jungmann (PPS-PE) critica a intenção do governo Lula de alterar as regras da poupança ao mesmo tempo em que empresta o dinheiro dos brasileiros ao FMI (Fundo Monetário Internacional). 'O governo vai mexer na poupança como fez o governo Collor. O PPS vai lutar para que isso não aconteça', diz o deputado no programa eleitoral.
Lula evitou falar se alguma decisão já foi tomada. "Não discuto essas coisas. A equipe econômica vai discutir no momento que tiver que discutir. Aprendi com Ulysses Guimarães que de economia a gente não fala, porque se a gente falar, atrapalha. Mesmo que seja uma coisa boa."
Por meio de nota, o presidente do PPS, Roberto Freire, disse que "Lula está nervoso porque quer tungar a poupança para atender aos interesses dos bancos". A propaganda política do partido de 10 minutos vai ao ar na noite de hoje (30).
Mais cedo, o ministro Paulo Bernardo (Planejamento) também abordou o assunto. Disse que a mudança na remuneração da poupança "não será feita da noite para o dia" e como já garantido pelo presidente Lula, não prejudicará a população.
A professora mineira Laura Furquim comunica atos públicos em protesto contra o presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, que ocorrerão em Belo Horizonte, São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília.
Um fato da maior importância está passando despercebido àqueles que estão se indignando com as recentes armações contra a ministra Dilma Rousseff.
A fé alardeada pela imprensa oposicionista na vantagem do governador José Serra nas pesquisas de intenção de voto sobre a eleição presidencial de 2010 vem se mostrando legítima como uma nota de três reais.
Na verdade, se formos analisar bem o que estão fazendo contra Dilma, chegaremos à conclusão de que esses grupos políticos estão à beira do desespero.
Ou não é desespero da Folha de São Paulo, por exemplo, publicar um spam que circula há meses na internet – e que é flagrantemente falso – na tentativa de vender à opinião pública a acusação de que Dilma era uma terrorista perigosa que planejava seqüestros?
Outro indício é o boato que a mídia vem alimentando de que a candidata de Lula à própria sucessão teria forjado um câncer para comover o eleitorado ou de que ela estaria tentando explorar a própria doença para angariar simpatias.
Procurei qualquer exemplo de que Dilma estaria “usando” o próprio “câncer” em prol de sua candidatura. Não encontrei.Os que tentam difundir essa barbaridade nem se preocupam em apontar exemplos de que ela seria real.
O máximo que encontrei como exemplo oposicionista-midiático dessa acusação foi a CUT ter levado uma faixa de apoio à ministra por sua doença a um evento qualquer no qual ela teria feito “campanha”.
Esses golpes baixos só fazem provar que a oposição e seus jornais, revistas e tevês estão desesperados. Tão desesperados que já apelam para a menor possibilidade que vêem de prejudicar a imagem de Dilma.
Parece haver uma certeza muito grande dos oposicionistas de que qualquer coisa tem que ser feita rapidamente – e a qualquer custo – para combater um avanço formidável que deixam ver que acham que a candidatura Dilma estaria logrando obter.
Claro que a imprensa e a oposição – assim como o governo Lula – têm acesso a informações que não tenho, tais como pesquisas não divulgadas etc. Contudo, até onde sei, não deveria ser para tanto.
Apesar disso, a direita parece acreditar numa disparada de Dilma quando as cartas estiverem na mesa, lá pelo segundo trimestre de 2010. Há uma certeza fatalista no poder que o presidente da República teria de transferir popularidade à sua candidata.
Publicar na primeira página de um dos maiores jornais do país uma falsificação grosseira como a da ficha criminal de Dilma à época da ditadura ou inventar tentativa dela mesma de explorar politicamente uma doença capaz de levá-la à morte, não é conduta de quem está por cima como a imprensa diz que Serra está.
É inexplicável a insistência da direita numa estratégia que jamais funcionou nos últimos seis anos e tanto. Parece que confundiram a queda tênue da popularidade de Lula – que ocorreu devido ao aumento do desemprego no fim do ano passado – com um inexistente mérito de tal estratégia.
O rápido soerguimento econômico que o Brasil vem exibindo é o que me parece estar assustando a oposição.
Comparo esses ataques tresloucados a Dilma ao comportamento de uma fera acuada, que então se torna mais violenta e feroz. E há que lembrar que, quando o caçador acua a caça, ela já está perdida. Inclusive devido aos erros que o medo a fez cometer.
Ela é uma das oito sócias de uma das empresas que represento. Divide a sociedade com seu pai, irmãs e primas, sendo estas últimas as filhas do irmão falecido de seu pai, que era sócio dele.
Quando adentrei sua sala atendendo ao chamado telefônico que dela recebi quando deixava o pavilhão da Agrishow, em Ribeirão Preto, encontrei a bela filha de italianos com seus olhos azuis oceânicos transbordando um pranto dolorido.
Ela precisava desabafar e o escolhido fui eu. Brigara com o pai. Acreditava numa trama contra si dentro da empresa, urdida por suas irmãs e primas. Achava que só lhe restava o desligamento da sociedade e a abertura de um processo judicial.
Estava enganada, e eu sabia.
Demovê-la de seu intento não seria fácil sendo a mulher geniosa que é, apesar de portar um coração de ouro puro e reluzente dentro do peito.
Ouvi seu relato com atenção e uma expressão condoída no rosto. Em lugar de contrariá-la, disse-me disposto a apoiá-la e a lhe indicar um causídico de confiança para lhe defender as razões.
Acedi às suas razões diante da suposição de que fossem verdadeiras. E comecei a analisar para ela os passos e as conseqüências de suas intenções. Por fim, pedi evidências de que suas desconfianças eram reais a fim de melhor auxiliá-la a formatar a demanda que pretendia desencadear.
A lógica fez o resto, mostrando que as razões que ela pensava ter para demandar a família careciam de fundamentação consistente, estratégia que lhe gerou uma dúvida benigna e lhe proporcionou racionalidade.
Foi simples fazê-la entender que suas suspeitas baseavam-se mais em sentimentos ambíguos do que em fatos. Bastou pedir que buscasse provas racionais de suas acusações.
Ao fim, perguntou-me por que ela acreditara em alguma coisa que, agora, parecia-lhe descabida. Minha resposta foi no sentido de que ela havia valorizado mais os sentimentos do que a racionalidade, induzindo a si mesma a uma ilusão.
Evitei um drama familiar, porém ao custo do meu fim de tarde e da noite inteira de ontem. Só obtive o resultado que pretendia uma hora antes da publicação deste post, já no início da madrugada.
Valeu a pena para nós dois, mas vocês ficaram sem um novo post meu nesta quarta-feira, tendo que se contentar com esta crônica singela e feliz, composta por alguém que acredita que fez o bem.
Vai se agravando a mitomania do PPS na questão da caderneta de poupança. Até aqui, esses malandrões vinham dizendo que o governo Lula pretenderia “mexer na poupança como fez o governo Collor”. E o que foi que Collor fez com a poupança? Confiscou-a, ora. E o pior é que o partido ainda tentou negar que tenha insinuado isso.
Vejam, abaixo, a nova versão da mentira pepessista.
Tendo em vista a repercussão da inserção de rádio e TV do PPS alertando a população sobre o desejo do governo Lula de mexer na poupança, o ativo financeiro mais popular do país, o Partido Popular Socialista reitera que a questão da poupança tem um caráter técnico, mas adquiriu conotações políticas porque tal medida visa apenas atender ao forte lobby do setor financeiro, que tem se beneficiado enormemente da atual gestão econômica.
Essa tentativa de mudança foi inventada pelos bancos – e assumida pela equipe econômica do governo – para manter o lucro do mercado financeiro, que cobra taxas de administração absurdas de até 4% ao ano para gerenciar os fundos de renda fixa, que são basicamente indexados à taxa Selic, enquanto no exterior, devido a uma maior concorrência do setor bancário, a taxa média de administração é de 0,5% ao ano. Quando a Selic era muito alta, tal custo era "diluído". Agora com ela chegando a um dígito, as taxas de administração tornam esses fundos não competitivos em relação à poupança. Este é o primeiro problema a ser enfrentado.
Assim sendo, uma questão aparentemente “técnica” é, na verdade, uma escolha política do governo Lula para tentar manter a equação macroeconômica que tem proporcionado os maiores ganhos da história do sistema financeiro brasileiro.
A verdadeira crise econômico-financeira pela qual o mundo passa, que teve como epicentro a ausência de regulação do sistema financeiro internacional e se reflete de forma intensa no Brasil, coloca para todos nós o retorno da centralidade da ação política como instrumento da cidadania não apenas para o enfrentamento momentâneo da crise mas, sobretudo, para assentar as bases de um novo desenvolvimento econômico, ambientalmente sustentável e socialmente justo.
Esperem aí, malandros pepessistas: vocês não disseram que “O governo Lula pretende mexer na poupança como fez o governo Collor”? Ora, mas o que vocês descreveram nessa nota desonesta não é “o que fez o governo Collor”.
A mentira do PPS é tão grosseira que até o Esgoto da Veja admitiu que o partido mente. Vejam:
O PT e o próprio Lula estão furiosos com o PPS e com o deputado Raul Jungmann (PE) em particular. Por quê? Porque, no horário político gratuito do partido, ele afirmou que o governo pretende seguir os passos de Collor e mexer na poupança. Ok. Vá lá... Collor confiscou a poupança, e o governo Lula a tanto não se atreveria. Mas que se mostra disposto a mexer nas regras do jogo, disso não resta a menor dúvida. Não se trata de uma ilação, mas de uma confissão. “Ah, mas faz todo sentido macroeconômico etc e tal”. Ok. O governo que esclareça o caso à população, não é? Não pode é mentir, como tem mentido (...)
Entenderam? Para o Esgoto, quem mente é Lula e o PT e não o PPS, ainda que este tenha dito que Lula pretendia fazer com a poupança o mesmo que Collor fez.
Explico, de uma vez por todas, o que é que o governo Lula tenta corrigir, que é o que vários governos já fizeram em momentos em que grandes investidores do mercado financeiro tentaram transformar a poupança, uma aplicação popular e de longo prazo, em aplicação de curto prazo e para valores estratosféricos.
Com a queda dos juros básicos (taxa Selic) promovida nos últimos meses, a rentabilidade da poupança tornou-se mais atrativa para os grandes investidores do mercado financeiro.
Em março, por exemplo, a liderança da rentabilidade das aplicações financeiras extra Bovespa foi dos fundos DI e de Renda Fixa, com rentabilidades respectivas de 0,87% e 0,91%. A caderneta de poupança, por sua vez, permitiu um retorno de 0,64%.
Como na poupança não há cobrança nem de Imposto de Renda nem de taxa de administração – cobranças que incidem sobre os fundos –, a rentabilidade líquida dela já supera as das outras aplicações.
Não há nada de confisco ou de favorecimento de Lobby. Outros governos já tomaram medidas similares em momentos análogos a este. O que há é politicagem e tentativa oposicionista de desgastar o governo com mentiras, além de reduzir a arrecadação num momento em que esta cai.
Para as autoridades da área econômica, é facílimo detectarem quem são os grandes aplicadores do mercado financeiro que estão tentando aumentar seus lucros burlando o fisco via caderneta de poupança. O PPS, portanto, além de tudo ainda tenta favorecer o tal “lobby do sistema financeiro”.
Política internacional - reportagem - arquivo do blog
Vitória de Rafael Correa
Atualizado às 21h08m de 26 de abril de 2009
O vídeo acima é de uma manifestação de que participei em Quito, capital do Equador, em 23 de agosto do ano passado. Aquele ato público foi convocado em apoio à nova constituição do país, pouco depois aprovada em plebiscito, numa vitória esmagadora do presidente Rafael Correa.
Conheço bem a realidade equatoriana. Já estive uma dúzia de vezes naquele país, embrenhei-me por ele, subi a encosta do vulcão Pichincha (5 mil metros acima do nível do mar), degustei os cebiches, visitei comunidades carentes e os salões da elite.
Estou devendo uma análise aprofundada do que aconteceu neste domingo naquele país com a vitória do esquerdista Rafael Correa, que, ao lado de Lula, de Hugo Chávez, de Evo Morales, de Cristina De Kirchner, de Tabaré Vasquez, de Daniel Ortega, de Barack Obama e de outros presidentes progressistas está ajudando a mudar a conturbada história política e a trágica realidade social das Américas. Pago a dívida nesta segunda à noite.
Até lá, vejam, no vídeo, de que festa maravilhosa participei nos Andes em meados do ano passado.
Viagem ao interior de São Paulo
Durante a semana que entra, estarei em Ribeirão Preto para participar da Agrishow, tradicional feira de máquinas e peças agrícolas. Ainda não sei se haverá sinal de internet no stand em que ficarei ou no pavilhão da feira. Se não houver, conseguirei ajuda de minha filha Carla na liberação de comentários. Os posts serão produzidos à noite.