Acho que está faltando alguém lembrar algumas premissas dos regimes democráticos de forma simples, direta e incontestável. E é possível fazê-lo com facilidade apelando ao senso comum, à lógica mais objetiva, de forma que não restem dúvidas do que é que está em jogo quando se pede que críticas justas a integrantes do Congresso Nacional não se estendam a toda a instituição.
Escrevo logo depois de terminar a leitura de nota do PT divulgada pelo site do PC do B (o portal Vermelho, “linkado” nos sites indicados por este blog), que comunica pedido de “direito de resposta” à tevê Globo feito pelo deputado petista Fernando Ferro (PT-PE) em pronunciamento na tribuna da Câmara dos Deputados nestes dias.
O deputado protestou contra o comediante Jô Soares em seu programa diário no começo das madrugadas, que vai ao ar de segunda a sexta-feira. Nas quartas-feiras, esse programa costuma apresentar um quadro “humorístico” intitulado “as meninas do Jô”, no qual jornalistas do sexo feminino empregadas nos grandes jornais e tevês do eixo São Paulo – Rio, bem como o apresentador do programa, tratam de defender os interesses do PSDB e do PFL.
O programa ao qual se refere o deputado pernambucano foi veiculado no último dia 6. Desta vez, porém, nem PSDB e PFL se salvaram, pois o programa foi inteirinho dedicado a generalizar sobre todo o Congresso por meio das acusações a certos deputados e senadores que têm sido flagrados em atos que vão desde os consentidos durante décadas pelas leis até outros atos claramente inaceitáveis.
Tudo misturado, produziu-se – reproduzindo o que se vê no conjunto da mídia – um verdadeiro massacre do Congresso e, se pensarmos bem, da democracia brasileira, pois a “alternativa” a termos uma Casa na qual representantes eleitos pelo povo o representem é fecharmos a instituição e escolhermos um governante supremo que decidirá tudo de acordo com seus pontos de vista.
Essa “alternativa” começa a emperrar quando se pergunta quem seria o escolhido para receber tal poder...
Logo, virão aqueles que proporão que o escolhido seja Lula ou Dilma Roussef, e outros que desejarão que seja José Serra ou até Fernando Henrique Cardoso. Sem falar dos que se acham aptos naturalmente para o cargo, como Gilmar Mendes, que andou cogitando assumir também o papel de legislador – quando ele mesmo, o super Gilmar, achar que o Congresso “se omitiu”, é claro.
Quem ainda preferir o regime democrático, porém, terá que entender que esse tipo de regime não sai de graça. O conjunto da sociedade tem que custeá-lo. E se funcionar bem, custará bem menos do que os regimes em que ditadores e seus meios de comunicação substituem o sistema natural da democracia, formado por três Poderes autônomos e pelo subsistema de representação popular.
Vamos nos deter, então, no custo da democracia para constatar como ela custa pouco quando seu sistema vital é implantado completamente, como manda o manual democrático – e, sim, existe esse manual, ainda que não tenha sido escrito.
Começamos com o sistema de representação popular. Como não se pode colocar todo mundo para opinar sobre cada assunto, grandes grupos de cidadãos escolhem seus representantes. No melhor dos mundos, eles seriam eleitos por comunidades menores nas quais seriam sobejamente conhecidos, de forma que tenham que viver dando explicações de seus passos – ou seja, teriam que ser eleitos por meio do voto distrital.
Em seguida, temos que entender que os representantes do povo têm que ter independência financeira para exercerem seus mandatos e viver com dignidade como representantes do povo. Claro que isso não inclui fornecer-lhes luxos absurdos, mas se eles quiserem se reunir em Brasília com lideranças da sociedade civil, por exemplo, devem ter como levar ou trazer essas pessoas de suas cidades até lá.
Claro que isso não inclui financiarem viagens de turismo de amigos e parentes nem ao exterior nem a parte alguma, mas não se pode pedir a um deputado ou a um senador que não tenha como trazer a família para junto de si na capital da República sempre que quiser, ou que o Estado não lhe garanta moradia digna – e demais meios de subsistência – no exercício de seu mandato.
Contudo, para chegar lá, ao mandato popular, o que não se pode permitir mesmo é que só chegue quem tem mais dinheiro. Atualmente, são necessárias pequenas – e até grandes – fortunas para alguém se eleger. Esse dinheiro que financia essas campanhas tem que sair de algum lugar. Como funciona hoje, quem doa o grosso dos recursos das campanhas são empresas que alegam que fazem isso sem interesse algum, só pelo bem de todos.
Se algum de vocês acredita nisso, pare de ler o texto por aqui – e, por favor, poupe-nos de sua opinião; há muitos lugares onde ela seria menos ofensiva.
Agora, quem entendeu o que escrevi e é suficientemente honesto para reconhecer que se essas empresas doam dinheiro a políticos é porque pretendem cobrar deles tal doação em algum momento, essa pessoa terá que se dar conta de que quem irá pagar o empréstimo não será o deputado, o senador, o prefeito, o governador ou o presidente, mas ela mesma.
Garanto-lhes, meus caros e minhas caras, que sairá bem mais barato se vocês apoiarem que os políticos só possam fazer campanhas eleitorais com uma verba da Justiça Eleitoral para cada cargo pleiteado pelos partidos deles, os quais terão que prestar contas de cada centavo recebido e serão fiscalizados para que não gastem nem um único centavo a mais do que receberam de verba pública de campanha.
Dessa forma, cumpre-se outro requisito do regime democrático, o de que qualquer um tenha como se eleger independentemente de sua situação financeira, de sua etnia, da região em que vive, da ideologia que abraça etc.
E o mais interessante vem agora: como é que o sistema democrático garante que os partidos não se verão usurpados por algum ou por alguns “donos”? Ora, estabelecendo em lei que as escolhas dos candidatos e do escalão de comando de cada partido sejam feitas por meio de eleições livres dentro dos próprios partidos. Simples assim.
O problema, pessoal, é que, como está hoje, está muito bom, só que para poucos. Os partidos que se propõem a defender interesses de grupos econômicos nacionais e estrangeiros – grupos que sempre congregam pouquíssima gente – estão ganhando, hoje, pois recebem a parte do leão das doações.
Mas e os que se propõem a defender os interesses de todos, será que também recebem financiamento de algum empresário altruísta?
Alto lá você que já quer vir dizer que quem defende os interesses de poucos ou de muitos é este ou aquele partido, porque isso não importa. No sistema de financiamento público, todos deveriam receber o mesmo, desde que atendam a exigências mínimas em termos de representação popular.
Poder-se-ia pensar num sistema em que o tamanho da bancada de um partido garantisse só 50% da verba eleitoral que ele receberia, sendo a outra metade igual para todos os partidos. Mas esse ainda é um detalhe, neste estágio da discussão.
Enfim, como vocês vêem, o Brasil só teria a ganhar se retirássemos da elite econômica o poder de escolher quem terá como ir ao um embate eleitoral que, constitucionalmente, deveria estar ao alcance de qualquer cidadão.
Hoje, não está. Se algum de vocês achar que tem vocação para a política e quiser entrar nela visando se eleger para algum cargo público, primeiro terá que conseguir alguém disposto a gastar fortunas para que se eleja. E, se for honesto, terá que achar alguém que doe essa fortuna sem querer nadica de nada em troca...
Bem sei que muitos dos paradigmas político-ideológicos de certo grupo político são produto de má-fé. Todavia, vez por outra o que essa gente defende em longas e tediosas campanhas pró ou contra isto ou aquilo me parece, também, produto de ignorância, de certa cretinice intelectual.
Quem me lê há mais tempo sabe da posição que anunciarei a seguir sobre a proposta de se instituir o financiamento público de campanhas eleitorais e as listas fechadas partidárias. Para quem não está maiormente informado sobre esses assuntos, darei uma explicação simples, sem enrolar, sobre o que significam lista fechada e financiamento público eleitorais, porque são assuntos muito sérios e precisam ser tratados com grande cuidado pelos brasileiros.
Para não perdermos tempo, explico, a quem porventura não saiba, que financiamento público de campanhas eleitorais é o sistema pelo qual saem dos cofres públicos os recursos financeiros para que os partidos políticos e seus candidatos peçam votos e façam publicidade de suas plataformas de governo ou legislativas com vistas aos processos eleitorais.
Já a lista fechada constitui sistema no qual o eleitor passa a concentrar nos partidos sua preferência eleitoral. Continuar-se-ia votando nos candidatos aos cargos majoritários (prefeito, governador e presidente) e nos senadores. Contudo, deputados e vereadores passariam a ser escolhidos pelos partidos em lista divulgada antes das eleições, uma lista que apresentaria ao eleitor a ordem de candidatos determinada por cada partido.
Voltando ao financiamento público, é um sistema lógico e transparente que colocaria fim ao caixa dois de campanha, à cobrança de favores aos legisladores eleitos pelos que lhes financiaram a eleição. Em resumo, seria o fim do predomínio do poder econômico nos processos eleitorais e da corrupção que se viu em casos como o do “mensalão”.
O sistema, entretanto, é tratado como se fosse “imoral” e “descarado”, como se fosse muito pedir à sociedade que pague completamente pelo sistema político, sendo que hoje paga apenas pela sustentação dos mandatos eletivos.
Fico impressionado com o sucesso que a mídia sempre consegue ao vender as maiores barbaridades como se fossem paradigmas inquestionáveis, truísmos absolutos como o de que depois do dia vem a noite, quando, na verdade, o que ela consegue impor como “consenso” são as maiores vigarices que se possa conceber, pois levam milhões ao erro com base em teses absurdas que não resistem a dez minutos de discussão livre e aberta.
Nesse aspecto, reproduzo, abaixo, trechos de editorial do jornal Folha de São Paulo – que o e-mail que pago para manter no UOL (porque tenho esse endereço eletrônico há 11 anos) me dá o direito de ler “de graça” – da última quinta-feira que resume o que pregam toda a mídia, toda a direita e toda a aristocracia verde-amarelas.
Sob um título (“A lei dos descarados”) que dá vontade na gente de dar uns pescoções no descarado que o elaborou, o editorial trata das articulações em curso no Congresso a fim de aprovar os dois pontos mais acintosos do projeto de reforma política elaborado pelo governo Lula. E continua: Trata-se de impedir que o eleitor escolha nominalmente seus candidatos (...) e ainda exigir que o contribuinte pague pelos gastos da propaganda eleitoral.
A proposta de "lista fechada" nas eleições proporcionais e de financiamento público de campanhas, apresentada pelo ministro da Justiça, Tarso Genro, encontra apoio não só de governistas, mas também de amplos setores da oposição (...)
A pretexto de proibir doações aos candidatos, o projeto destina mais de R$ 900 milhões, no primeiro turno, e outros R$ 260 milhões, no segundo turno, para que o cidadão seja persuadido, com dinheiro retirado de seu próprio bolso (...).
Com a "lista fechada" para cargos proporcionais, o cidadão teria de resignar-se a votar apenas na legenda do partido, cabendo às instâncias partidárias decidir quais os nomes, e em que ordem, serão eleitos. Prevê-se que os atuais deputados, por exemplo, terão lugar já reservado na lista de seus partidos. Pouco importa se acusado de irregularidades e abusos mais evidentes, o candidato à reeleição simplesmente não estará sujeito, individualmente, ao julgamento do eleitor (...)
Até parece, lendo essa baboseira toda, que o sistema atual barra políticos picaretas...
Descarado é esse editorial. Sobretudo porque mente e dissimula. E o pior é que essa posição sobre esses dois temas (financiamento público de campanhas e listas fechadas de candidatos) une toda a direita, toda a mídia e bloqueia a discussão sobre os assuntos há muito tempo, e agora tentará conduzir tal discussão fazendo prevalecer aquela gritaria burra contra “os políticos”.
Analisemos, primeiro, o assunto financiamento público de campanhas. Todo mundo está careca de saber que os blocos políticos no Congresso são formados por bancadas disso ou daquilo. São as bancadas dos ruralistas, dos evangélicos, dos empresários, dos exportadores, dos importadores etc, etc.
A maior parte dos escândalos de corrupção no Brasil gira em torno do caixa 2 eleitoral. Porque interesses constituídos, os mais ricos empresários e grupos econômicos, sempre conseguem controlar o país financiando os candidatos que lhes servirão de despachantes no Poder Legislativo. Controlam dando fortunas que depois os eleitos terão que pagar votando como desejam seus financiadores.
Há alguns anos, no tempo das vacas gordas, eu costumava ir à Europa para participar de uma feira do setor em que atuo que acontece em Frankfurt, na Alemanha, a cada dois anos. Àquela época, pude constatar como o financiamento público de campanhas, que vige em países como Alemanha ou França, reduz a possibilidade de corrupção (que custa muito mais caro à sociedade) e de infestação dos parlamentos por aqueles “despachantes” de grandes interesses aos quais me referi.
O que essa gente defende é a possibilidade de grandes grupos empresariais comprarem parlamentares para defenderem interesses corporativos no Legislativo.
Só para exemplificar o tamanho da vigarice, suponhamos que um sujeito como eu tivesse um acesso de loucura e decidisse se candidatar a alguma coisa. Não conseguiria. A menos que conseguisse fontes enormes de financiamento. Hoje, para se eleger vereador numa cidade como São Paulo, por exemplo, ninguém consegue se não gastar pelo menos uns 200 ou 300 mil reais.
Esse sistema de campanhas eleitorais multimilionárias reduz o espectro social de candidatos àqueles que ou são ricos ou fazem conchavos com grupos econômicos para que os financiem, assumindo compromissos de “devolver” as “doações” durante o exercício do mandato. Isso vale para legisladores e governantes de cidades, Estados e do país.
E o mais absurdo nessa questão dos financiamentos de campanhas eleitorais é que, nos países civilizados, entende-se que o processo eleitoral é tão parte do sistema democrático quanto o exercício dos mandatos. Ora, se os mandatos eletivos são custeados pelo erário público, por que o processo eleitoral não seria? Porque, aí, haveria que se estabelecer critérios para a admissão de candidatos em partidos que hoje abrigam candidaturas absolutamente bizarras só porque o candidato tem recursos para gastar.
No caso das listas fechadas, outra coisa que aprendi na Europa foi que nos países civilizados as pessoas votam em partidos, em visões políticas, em programas partidários que depois, em caso de este ou aquele partido chegar ao poder, transformar-se-ão em políticas de governo.
Hoje, no Brasil, como as pessoas votam em pessoas e não em partidos, acabam votando por simpatia, não no que pensa o eleito.
Quando se vota em partidos, vota-se numa ideologia, num programa que precisa ser analisado, pois pode virar programa de governo. Assim, as democracias mais avançadas chegaram ao estágio de bem estar social a que chegaram porque quando o político comete irregularidades é o partido que paga por ter dado legenda àquele que procedeu mal.
Vejam só o caso do PFL (atualmente travestido como Democratas). É talvez o partido que mais expulsou políticos envolvidos em corrupção. O caso mais recente é daquele seu deputado picareta do Castelo. O PFL admite traficantes de drogas que serram desafetos ao meio como aquele tal de Hildebrando Paschoal e, quando descobrem, o partido os expulsa e fica por isso mesmo.
No sistema de listas, o partido tem que explicar melhor à sociedade por que não examinou melhor a vida daquele que indicou aos seus eleitores como sendo confiável para disputar o mandato que lhe foi outorgado pelas urnas no caso de ele se portar de forma eticamente inadequada.
Como vocês vêem, essa conversa mole desses jornais e tevês sobre os abusos dos parlamentares não passa de onda para posarem de defensores da ética na política, quando, na verdade, são os primeiros a defender a sustentação de sistemas eleitorais indecentes que propiciam que os muito ricos comprem políticos para lhes defender os interesses e a manipularem o jogo político construindo simpatias personalistas em prol de pessoas físicas, de forma a evitar o exame mais profundo dos programas partidários.
Estou aqui pensando sobre como desencadear um movimento para explicar à sociedade por que o financiamento de campanhas deve ser público tanto quanto é público o custeio dos mandatos, pois eleição e exercício do mandato são duas faces da mesma moeda. Financiamento público de campanhas e as listas ‘fechadas’ de candidatos eliminariam os piores vícios de nossa política.
Um contingente enorme de brasileiros ainda não se deu conta de um dos mais importantes direitos dos cidadãos, do direito à informação, um direito que no mundo contemporâneo faz a diferença entre uma pessoa ter como buscar o próprio bem-estar, bem como o de sua família, e de não ter como fazê-lo de forma eficiente por simples falta de conhecimentos.
Informação, dizem, é poder, e não necessariamente um poder opressivo, exercido para dobrar outras vontades e superar os interesses alheios, como costuma ser o poder quando exercido pelos que são poderosos em tempo integral, mas um poder que talvez nem possa ser chamado assim, sendo mais uma faculdade como a fala, a visão e a audição.
Ter negadas informações importantes e necessárias a tomadas de decisão impostergáveis e de cunho estritamente pessoal – como, por exemplo, são as decisões políticas das pessoas nas democracias dignas do nome – equivale a ser vendado para a realidade de forma deliberada e criminosa por parte de pessoas mal-intencionadas que buscam a ignorância alheia como forma de atingir objetivos inconfessáveis.
Venho lutando contra isso há muitos anos, da forma como posso, mas sempre me surpreendo ao ver que a conduta dos detentores quase que do monopólio da informação (por deterem o controle da mídia eletrônica, que é a que faz a diferença atualmente), não muda.
É claro que acabou a época na qual, se a imprensa não noticiasse alguma coisa, ela não existia. Hoje existe a internet, e ela permite que se compartilhe informações de todos os tipos com o mundo inteiro, e de forma tão completa que nunca se imaginou que viria a existir.
O grande problema, atualmente, é o de que, apesar de hoje ser possível burlar a censura que a imprensa sempre impõe a fatos dos quais não gosta, só se pode informar quem estiver disposto a ser informado, e que, dessa maneira, busque informações livres na rede mundial de computadores.
Infelizmente, apesar de a mudança da situação que descreverei estar se processando velozmente aqui e no resto do mundo, as pessoas ainda dependem, quase que em sua totalidade, dos meios eletrônicos de informação, sendo mera fração da sociedade que adotou o hábito de se informar adequadamente sobre o jogo do poder.
O contingente de pessoas que substituíram os meios convencionais de acesso à informação pela internet já é majoritário nos países ricos. Em alguns anos, isso ocorrerá também no Brasil. Todavia, ainda não chegamos nem perto de tal situação, até por conta das deficiências culturais enormes que nos separam dos povos desenvolvidos.
Essa situação é preocupante porque ainda somos um país de vendados políticos que tateia pela escuridão da censura em busca de um caminho que nos conduza à luz do conhecimento e da consciência política.
Vejam esse caso da manifestação contra Gilmar Dantas ontem à noite em Brasília. Hoje cedo, tão pronto cheguei ao escritório, busquei o site do maior jornal da capital federal do Brasil, onde ocorrera o ato público, o Correio Brasiliense, na esperança de encontrar a notícia de que tal manifestação ocorreu.
É óbvio que, tal qual aconteceu em quase todas as tevês abertas (com exceção da Record), nos grandes jornais de toda parte não foi noticiado que centenas de pessoas ocuparam a Praça dos Três Poderes, na capital da República, em frente ao Judiciário, ao Legislativo e ao Executivo, para protestar contra o presidente de um daqueles poderes.
“E por que isso aconteceu?”, perguntamo-nos. A resposta é simples: porque um grupo político que controla a informação no Brasil não gostou da notícia e decidiu que a sonegaria ao conjunto da sociedade, pois esta depende extremamente dos meios eletrônicos de informação e, em medida bem menor – porém importante –, dos grandes jornais.
Não é por outra razão que denominei como “sem-mídia” a mim mesmo e aos que pensam como eu, porque o conceito de mídia, hoje, remete ao monopólio exercido por “meia dúzia” de famílias “tradicionais” espalhadas pelos quatro cantos do país, e estas famílias negam acesso ao império que construíram ao custo de verbas públicas, de benesses do Estado, sobretudo durante a ditadura militar, àqueles que dissentem de suas idiossincrasias políticas e ideológicas.
Como se não bastasse a censura em seus impérios de comunicação, essas oligarquias se valem de “capangas ideológicos” como um Reinaldo Azevedo ou um Ricardo Noblat para darem combate aos que se contrapõem a seus interesses políticos no terreno em que estes têm como lutar, que é na internet.
É uma luta desigual. O próprio Estado, governado pelos inimigos políticos das famílias Marinho, Civita, Frias e Mesquita, se vê acuado pelo poder que elas exercem, um poder que lhes permite criar sucessivas crises institucionais, comoções públicas de conseqüências imprevisíveis (como no caso da febre amarela ou no do alarmismo econômico que piorou gravemente a situação da economia brasileira em dezembro do ano passado) e a defesa efetiva de seus interesses em leis e outras políticas públicas.
Estamos na véspera de um ano no qual o topo da pirâmide social brasileira tentará impedir o estreitamento da base dessa pirâmide, fenômeno que passou a ocorrer a partir do governo Lula como jamais acontecera em mais de cem anos de história republicana. Temos, assim, duas opções: empurrar para o outro a responsabilidade de combater essa ameaça que é a mídia brasileira ou assumirmos, cada um, a parte de responsabilidade que nos cabe.
Eu lhes garanto que já fiz a minha escolha há muito tempo. Que cada um de vocês faça a sua. Pode ser pela poltrona de vossas casas, muitas vezes diante do computador, ou nas ruas, outra arena na qual, a exemplo da internet, “eles” ainda não podem nos impedir de lutar e de dizer a verdade.
Há o Movimento dos Sem Mídia, há o Movimento Saia às Ruas, há outros movimentos sociais de todos os tipos e há até os partidos políticos e os sindicatos, para que todos se integrem a eles e participem da luta pela democratização do Brasil. Mas há, também, o movimento dos acomodados, um movimento que, tragicamente, tem sido o que mais adeptos tem atraído no Brasil. Escolha o seu.
Quando vi essa foto (acima) da manifestação em Brasília contra Gilmar Mendes na Praça dos Três Poderes ontem à noite, experimentei uma sensação que a alguns poderá parecer inusitada, mas que a mim pareceu bastante natural e prazerosa, pois o que senti foi uma espécie de alívio.
Há menos de dois anos, num certo dia decidi tomar uma atitude contra o que me indignava. Foi ao fim de agosto de 2007, e o que me provocou aquela atitude foi o mesmo Poder Judiciário sobre o qual, na noite de ontem, centenas de manifestantes jogaram luz, ainda que luz de velas.
A analogia dos organizadores daquele Ato público foi perfeita: luz de velas para começar a debelar a escuridão em que mergulhou um dos Poderes da República por ação daquele que deveria guardar a imagem do Judiciário em vez de denegri-la como vem fazendo.
Mas o alívio ao qual me referi no início deste texto deveu-se a eu ter sentido, ontem à noite, que aquele ato que muitos viram como sendo de um “louco” em 2007 – o ato de ir com um megafone para diante do maior jornal do país protestar contra a “faca no pescoço” que o ministro do STF Ricardo Lewandowski disse que a mídia pôs naquela instituição – foi o começo de alguma coisa que só faria crescer nos anos seguintes.
De lá para cá, muita gente foi às ruas. O próprio Movimento dos Sem Mídia, nascido naquele 15 de setembro de 2007, bem como vários outros movimentos, levaram cidadãos comuns às ruas. Não foi por outra razão que este novo movimento que levou centenas à Praça dos Três Poderes intitulou-se “Saia às Ruas”, porque é isso o que começou a acontecer no Brasil naquela manhã de sábado, menos de dois anos atrás.
Por isso senti alívio, porque este país não está aceitando mais que oligarcas dos altos estratos sociais do Sudeste brasileiro façam o que quiserem sem que a sociedade se levante e proteste publicamente, em voz alta, de cabeça erguida, exercendo um direito, pondo de lado o medo irracional oriundo dos anos de chumbo que vinha bloqueando tomadas de atitude pelas pessoas.
Ontem à noite, a Cidadania deu um passo enorme em direção a um novo país, a uma nação de cada vez mais cidadãos que cada vez mais sabem que a responsabilidade de barrar aqueles que tentam dividi-los por critérios raciais e econômicos, é de todos. Que qualquer um pode fazer diferença.
Isso tudo não tem volta. São processos históricos que, de uma vez que começam, não podem mais ser detidos. A mudança começou.
Vocês já se perguntaram o que sentem por este país? Quem pode me dizer assim, de bate-pronto, que ama incondicionalmente o Brasil? Em minha opinião, tão poucos quanto os que podem dizer, da mesma forma, que odeiam o país em que nasceram. Isso é porque o amor e o ódio não passam de faces da mesma moeda, como todos sabemos.
O país que odeio é o que amo porque, imerso em um mar de incoerências, esse país nada desesperadamente, mal se mantendo à tona, brandindo o desejo de se tornar uma nação de coerentes, de homens e mulheres que entendam que a única verdade que vale para todos é a de que o interesse destes é o único que a cidadania deve buscar, e a de que é por esse único parâmetro que todos devemos nos pautar em todas as questões.
Odeio o Brasil que deixa suas crianças se arrastarem pelas ruas das grandes cidades todas sujas, drogadas, prostituindo-se, roubando, formando-se numa universidade nefasta do crime, da ausência de valores e até mesmo, muitas vezes, de piedade, o que produz os monstros que vemos cometer monstruosidades democráticas todos os dias, atos de loucura que não escolhem cor, idade, região do país, nível social, escolaridade, nada.
Odeio o Brasil de maioria esmagadoramente negra ou descendente de negro que mal aparece na publicidade, nas novelas, nas universidades, nos postos de relevo da sociedade, em certos bairros quase que só de brancos, em clubes, festas e até praias, em tantos lugares nos quais, se negros e mestiços aparecem, são um para cada dezena de pessoas, quando muito.
Odeio o Brasil da desigualdade de oportunidades, no qual, de antemão, sempre se sabe de onde virão os mais bem sucedidos e de onde virão os que viverão em moradias fétidas em guetos fétidos nos quais imperam a violência, a ignorância, a insalubridade, o abandono.
Poderia dizer muito mais do que odeio no Brasil, porque a lista é longa. Mas não consigo dizer que odeio meu país mesmo odiando tantos de seus aspectos, porque este também é o país de gente que quer mudar tudo isso, de gente que compartilha minha cultura popular, meu idioma, meus anseios, meu orgulho da pujança brasileira, minha esperança nas tantas possibilidades desta nação.
É esta paixão que não me deixa. E não quero que deixe, porque a alternativa a amar o meu país é a de me tornar um pária sem história, sem passado, sem iguais, sem aqueles que gostam das mesmas comidas que eu, da mesma costa marítima que atrai democraticamente os brasileiros de todas as partes no verão, ou sem as tradições e festas populares às quais nos entregamos todos sem distinção de raça, credo, cor, classe social, embalados pelas músicas que nos sacodem a todos por dentro e por fora.
Não posso amar completamente o Brasil, mas não consigo odiar mais do que aspectos dele que podem ser mudados como sempre tentamos mudar aqueles que amamos e que eventualmente nos frustram, mas nos quais nunca perderemos a esperança de que mudem. Com o Brasil é assim, pois é nossa pátria-mãe, aquela que nos gerou e à qual jamais conseguiríamos odiar, mesmo se quiséssemos.
Hoje, 6 de maio, em SP, BH e DF
E como vocês amam o Brasil, compareçam, nesta quarta-feira, aos locais mencionados no banner acima para protestarem contra o Gilmar Mendes, que, hoje, constitui uma ameaça a este país. Eu, pelo menos, garanto que estarei no ato de São Paulo pedindo o impeachment dele.
Vejam só como os assuntos vão surgindo. O post de domingo, “O império contra-ataca”, ganhou importância por fazer brotar uma lista de tentáculos do Partido da Imprensa Golpista (PIG) que, apesar de aparentemente ter se tornado extensa, não deve chegar nem à metade de sua real extensão.
Correndo os olhos por ela, pode escapar ao leitor que a cabeçorra horrenda desse mostrengo é composta por Globo, Folha, Veja e Estadão, e que os demais veículos são seus tentáculos de maior ou menor alcance, que se limitam a agir como membros do corpo guiado por aquele cérebro alucinado.
Leitores partidários do que constitui hoje a mídia no Brasil tentaram ver na lista um absurdo viés “macartista”, como se tivesse o poder de expor de alguma maneira impérios empresariais bilionários ou, na melhor das hipóteses, milionários, que, até pela extensão e abrangência nacional exibidas, praticamente exercem um monopólio antidemocrático, censor, opressor mesmo do contraditório, de idéias divergentes das dos controladores desses impérios.
Mas vi uma observação relevante nas divergências do ponto de vista que expus, de que os critérios mínimos para inclusão na lista de tentáculos do PIG poderiam estar sendo violados por uma inclusão sem checagem sobre se os elementos necessários àquela inclusão estariam presentes neste ou naquele veículos.
Primeiro, devo dizer que me lembro dos nomes de boa parte dos leitores que fizeram sugestões de veículos a serem incluídos na lista e sei que são pessoas que certamente sabem o que disseram, o que todavia não muda a validade da observação sobre inclusão indiscriminada de veículos, não fosse o fato de que conheço ou já tive várias informações sobre a quase totalidade deles, ainda que alguns me escapem.
Essa última possível contradição dissolve-se diante do fato de que qualquer um pode objetar sobre critérios de inclusão de quaisquer veículos que, sendo todos de relevo, oferecem sites na internet que permitem dirimir quaisquer dúvidas.
Mas a questão que surge, é a seguinte: vocês viram a extensão, o alcance, a abrangência da máquina montada para espalhar preferências políticas e ideológicas, apoio ou oposição a políticas públicas, defendendo interesses de poucos sem dar bola aos de muitos?
Trata-se de uma máquina avassaladora de difamação de alguns políticos e bajulação de outros. Na noite desta segunda-feira, assisto, por exemplo, o telejornal da TV Gazeta em que a âncora faz par com um editorialista do Estadão que vive se derretendo por José Serra e atacando Lula fazendo exatamente isso, bajulando; mais tarde, vejo um programa humorístico na TV Bandeirantes, o CQC, criticando duramente o presidente e bajulando o governador de São Paulo.
Antes, já lera montes de artigos e editoriais nos jornais paulistas, nos grandes portais de internet etc.
O grupo político que desfruta de esmagadora aprovação popular, encabeçado pelo presidente Lula, não tem como se defender se não vier fazer o que Serra, por ter prepostos na mídia disfarçados de jornalista, não precisa, ou seja, se expor ao responder críticas ou atacar adversários.
Protestem contra o dinheiro do Irã, também
O presidente iraniano, Mahmud Ahmadinejad, anunciou que não virá mais ao Brasil. Desculpou-se com o governo Lula usando a proximidade das eleições presidenciais em seu país, sem explicar que não ficou sabendo delas agora, sabendo que ocorreriam próximas a visita cancelada quando a marcou.
Entende-se. Por conta da visita do líder iraniano, montou-se, na mídia brasileira, um escarcéu que deu voz a um movimento do mesmo tamanho daquele que se formou diante do jornal Folha de São Paulo no dia sete do mês retrasado para protestar contra a tese do jornal de que a ditadura militar brasileira teria sido “branda”.
Detalhe: aquele protesto só ganhou alguma notoriedade e apareceu na tevê porque uma emissora que tem contencioso com a Folha usou a questão para atacá-la.
Os que acusam o Irã de “racismo” – mas ignoram atos terroristas de Israel que recentemente despedaçaram centenas de crianças vivas – deveriam protestar também contra parte da visita de Ahmadinejad que não foi cancelada, a dos encontros entre empresários brasileiros e iranianos dos quais brotará dinheiro que, creiam-me, não receberá desaforos.
Marolinha
Aos poucos, os que me lêem há mais tempo estão vendo que não fui tão irrealista assim quando disse, já em setembro do ano passado, que, ao fim do primeiro trimestre deste ano ou no máximo em meados do segundo trimestre, a balança comercial brasileira melhoraria drasticamente, o déficit cambial em conta-corrente despencaria, os empregos voltariam a ser criados e a economia recomeçaria a crescer.
Aos que não me lêem desde aquela época, sugiro pesquisarem os arquivos deste blog a partir de meados de setembro do ano passado. Para acessar esses arquivos, vocês podem ir ao fim desta página e clicar em “Ver mensagens anteriores”. Abrir-se-á um índice de datas que abrangem tudo que já publiquei aqui.
A raça das desgraças
Dos leitores:
Quando vejo as manchetes falando em centenas de milhares de brasileiros da região norte e nordeste que estão sem abrigo por causa das enchentes, lembro da intensa mobilização de alguns meses atrás para ajudar outros brasileiros, flagelados em Santa Catarina - foi uma verdadeira comoção aqui no sudeste. No entanto, agora não se vê nem sombra de mobilização pela imprensa.
Será que flagelados loiros de olhos azuis valem mais na cotação da desgraceira nacional? Infelizmente, na cabeça de muita gente, parece que valem sim...
Luis Fernando | São Paulo - SP | publicitário | 04/05/2009 23h26m
Superávit comercial explode; Folha vê “piora”
Mais do que dobrou o superávit na balança comercial (diferença entre importações e exportações) e a Folha de São Paulo me publica manchete principal de primeira página dizendo que piorou a pauta de exportações porque aumentou o peso das commodities (produtos básicos) em detrimento dos produtos industrializados.
Em vez de anotar que, enquanto no resto do mundo tudo piora, no Brasil tudo está melhorando...
Minha filha que está na Austrália desde janeiro – e que deverá ficar até meados do ano que vem por lá – disse que o bicho está pegando naquele país. Aquela montanha de brasileiros que estava trabalhando lá está fazendo as malas e voltando ao Brasil, país que o mundo inteiro está dizendo que está melhor do que os outros.
O mesmo está acontecendo no Japão, nos EUA, na Europa...
Eis por que:
· Superávit comercial aumentando fortemente
· Déficit em conta-corrente despencando
· Pelo terceiro mês, o Brasil está gerando mais empregos do que eliminando
· Produção industrial crescendo
· Vendas no comércio crescendo
· Inflação caindo
A mídia tem correspondentes entre os cidadãos comuns, gente que torce para o país piorar por pura birra, por não querer dar o braço a torcer na questão do acerto do governo Lula na economia – assim como no social, na diplomacia etc.
É espantoso. Não se trata, às vezes, de fantoches do Serra e do FHC. São pessoas que embarcaram na onda do alarmismo e, agora, acham que pagarão mico quando se constata sobre a crise no Brasil o que se constatou sobre a gripe “suína”, que “o bicho não era tão feio assim”, ao menos para nós que somos governados por Lula.
Aliás, sobre o governo Lula, todo aquele que tem a mínima capacidade de enxergar o que está diante das fuças deveria reconhecer que, em comparação com todos os governos que este país já teve nos últimos quase 50 anos, pelo menos, este é, disparado, o melhor - e, inexplicavelmente, é o mais combatido.
Vou dizer uma coisa a vocês: estou ficando de saco cheio. Minha vontade é mandar toda essa gente à puta que pariu e ir cuidar da minha vida.
Perdoem-me, mas, às vezes, só dizendo palavrões mesmo para aliviar o fígado e conseguir trabalhar. Agora, dêem-me licença que vou cuidar de ganhar meu pão de cada dia.
Na próxima semana, a convite do jornalista Élvio Rocha participarei de um Fórum sobre a mídia na cidade de Rio Claro, no interior paulista. Abaixo, reproduzo o release que recebi por e-mail.
I Fórum Vozes do Brasil
Serão debatidas mídia e transparência na gestão pública
Rio Claro, a 170 km de São Paulo, prepara o I Fórum Vozes do Brasil, que será realizado no dia 14 de maio no Centro Cultural Roberto Palmari. O espaço tem capacidade para acomodar cerca de 600 pessoas sentadas.
A Iniciativa é da Prefeitura de Rio Claro, Secretaria Municipal de Governo/Diretoria de Comunicação e Fundação Ulysses Guimarães, com apoio da Rede Claret, Rocha Grês e Café Wenzel.
O evento terá duas partes. A primeira, com abertura programada para as 13h15 do dia 14, tratará do tema “Mídia; a serviço de quem?”, com a participação dos seguintes convidados:
Eduardo Guimarães, empresário, presidente do Movimento dos Sem Mídia e criador do blog Cidadania.com;
Bia Barbosa, jornalista e membro do Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social;
Jerry de Oliveira, membro-fundador da Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária (Abraço);
Paulo Roberto Botão, jornalista, professor e coordenador do Curso de Jornalismo da Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep);
Alcimir Antonio do Carmo, diretor da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e do Sindicato dos Jornalistas no Estado de São Paulo.
O formato do debate prevê que os palestrantes exponham suas posições e, na fase seguinte, possam debater entre si antes que a palavra seja aberta ao público para os questionamentos.
À noite, às 8h, o tema proposto, “Planejamento e transparência na gestão pública; o exemplo que vem do Paraná”, será abordado pelo economista, deputado estadual licenciado (PT) e titular da Secretaria de Estado de Planejamento e Coordenação Geral do Paraná, Enio Verri, que também responderá as questões encaminhadas pelo público.
Os convites são gratuitos e devem ser apresentados na recepção do evento. Estudantes universitários poderão solicitar, no ato de inscrição, o fornecimento do Certificado de Participação.
Informações na Diretoria de Imprensa da Prefeitura Municipal de Rio Claro pelo telefone (19) 3526-7100 ou e-mail: vozesdobrasil@rioclaro.sp.gov.br
Achei uma analogia para a guerra política que vitima o país que me pareceu bastante adequada. Assistia eu a um dos filmes de ficção científica de que mais gosto, o primeiro episódio da eterna trilogia de George Lucas, Guerra nas Estrelas – no qual rebeldes atacam o império maligno capitaneado pelo sombrio Darth Vader –, quando a idéia me ocorreu.
Naquele primeiro episódio da trilogia, as naves dos rebeldes atacaram – e sobrepujaram – a Estrela da Morte, máquina de guerra praticamente inexpugnável construída em forma de... globo.
Preciso dizer mais? Sim, preciso. Então vamos lá.
O segundo episódio da trilogia, intitulado “O império contra-ataca”, narra tentativa do Império opressor de esmagar a rebelião libertária numa ação para a qual foram mobilizadas forças ainda mais esmagadoras do que no primeiro episódio.
A derrota que os rebelados contra a grande mídia impuseram ao Império midiático-reacionário foi em 2006, quando a “Estrela da Morte” global foi derrotada com a reeleição de Lula, e o contra-ataque esmagador, sem dúvida, será na eleição presidencial do ano que vem, para a qual está sendo montada a mais “mortífera” máquina de guerra política já vista neste país.
Esqueçam 2006, 2002, 1998, 1994 e 1989, anos eleitorais em que a mídia, com maior ou menor sucesso, lutou ferozmente para esmagar os rebelados contra a oligarquia reacionária que governou este país por 500 anos. 2010 será o ano em que serão mobilizadas forças jamais vistas a fim de que as elites retomem o controle do Estado, entregando-o a José Serra.
Não custa lembrar, sobretudo ao governo Lula e à fragmentada esquerda brasileira, as dimensões descomunais da máquina de guerra política que Dilma Rousseff e o presidente da República terão que enfrentar.
Vejam – e tremam:
Instituto de pesquisa Datafolha
Instituto de pesquisa Ibope
Jornal A Notícia (do leitor)
Jornal Agora São Paulo
Jornal Aqui (do leitor)
Jornal A Tribuna (do leitor)
Jornal Correio Brasiliense
Jornal Correio da Bahía (do leitor)
Jornal Correio da Manhã (do leitor)
Jornal Correio do Povo (do leitor)
Jornal Correio do Sergipe (do leitor)
Jornal Correio Popular (do leitor)
Jornal Cruzeiro do Sul (do leitor)
Jornal da Cidade (do leitor)
Jornal da Paraíba (do leitor)
Jornal Diário Catarinense (do leitor)
Jornal Diário da Manhã (do leitor)
Jornal Diário do Grande ABC (do leitor)
Jornal Diário de Pernambuco (do leitor)
Jornal Diário de São Paulo
Jornal da Tarde
Jornal do Commércio (do leitor)
Jornal Folha de Londrina (do leitor)
Jornal Folha de Pernambuco (do leitor)
Jornal Folha de São Paulo
Jornal Gazeta do Povo (do leitor)
Jornal O Estado de Minas (do leitor)
Jornal O Estado de São Paulo
Jornal O Estado do Paraná (do leitor)
Jornal O Globo
Jornal O Popular (do leitor)
Jornal O Tempo (BH) (do leitor)
Jornal O Tempo (Betim) (do leitor)
Jornal Super Notícias (do leitor)
Jornal Zero Hora
Portal internet G1
Portal internet IG
Portal internet UOL
Rádio Bandeirantes (do leitor)
Rádio CBN
Rádio Clube (do leitor)
Rádio Eldorado (do leitor)
Rádio Gaúcha (do leitor)
Rádio Itatiaia (do leitor)
Rádio Jornal (do leitor)
Rádio Jovem Pan (do leitor)
Rádio Pampa (do leitor)
Rádio Transamérica (do leitor)
Revista Época
Revista Exame (do leitor)
Revista IstoÉ
Revista Veja
TV Aparecida (do leitor)
TV Gazeta (do leitor)
TV Bandeirantes
TV Canção Nova (do leitor)
TV Cultura – SP
TV Globo - e afiliadas
TV - Rede TV! (do leitor)
TV - SBT
Calma, pessoal, bem sei que faltam veículos. Essa é apenas a parte mais evidente da artilharia que está sendo mobilizada para eleger Serra e para desmontar programas sociais e demais políticas públicas que vêm distribuindo renda e fazendo o país crescer e se desenvolver.
Deixo a vocês, pois, a prerrogativa de irem sugerindo nomes de tentáculos do PIG – os quais irei acrescentando à lista –, pois precisamos identificar as armas do Império que combateremos usando a “Força”, ou seja, a internet – e olhem lá...
Ajudaria, porém, se Lula e seu partido entendessem que, se não aproveitarem enquanto estão no governo para denunciarem à nação a máquina de guerra que se opõe a ela, se o Império eleger Darth Vader (vulgo Serra) será escrito um capítulo dessa guerra análoga que George Lucas jamais escreveu, o da vitória desse Império cruel sobre a cidadania.