Proposta à sociedade

Uma Escolha a fazer

 

 

 

Acredito que chegamos ao fundo do poço da atuação da mídia brasileira, a menos que alguém sugira que ela pode fazer por aqui o que fez sua congênere venezuelana em 2002, o que, por enquanto, ainda me parece improvável, porque um golpe de Estado não se faz só com jornais e televisões e a oposição de direita ainda parece achar que pode retomar o poder pelo voto, por mais que essa disposição pareça estar diminuindo.

Mas, de uma coisa, ninguém duvida: a direita está radicalizando sua oposição ao governo Lula com vistas a retomar o poder em 2010, e a estratégia insana escolhida por Fernando Henrique Cardoso, José Serra e as famílias Marinho, Civita, Frias e Mesquita parece ter sido a de um bombardeio de saturação daquele tipo que promovem os exércitos norte-americanos em guerras como a do Iraque, nas quais despedaçar mulheres e crianças é considerado “efeito colateral”.

Como numa guerra, vale tudo. Parece que não há mais custo a ser considerado inaceitável pela oposição político-midiática. Nem para o país, nem para a ética, nem para o futuro. Vale sabotar a economia – no momento em que ela enfrenta a maior ameaça externa em um século –, as instituições, a Saúde Pública ou a ordem econômica, tudo isso visando tirar a esperança dos brasileiros numa melhora do país, a fim de que mudem o comando do Estado no ano que vem.

Há um prêmio que tornou ainda mais desejável o controle do Estado brasileiro e que poderá construir fortunas impressionantes à custa do roubo daquele prêmio por um eventual novo governo do PSDB, o qual entregará o produto do roubo a grupos empresariais nacionais e estrangeiros ligados às empresas de comunicação das famílias supra mencionadas.

Para quem não adivinhou ainda, refiro-me ao pré-sal. Esse é o objetivo da luta virulenta a que se entregou a oposição político-midiática. Com as novas e vastas reservas de petróleo do país se farão fortunas, caso o PSDB e o PFL consigam retomar o controle do Estado. Farão a privataria da era FHC parecer pinto. Entregarão tudo a preço de banana e aumentarão o próprio poder econômico de maneira inimaginável.

Isso sem falar do “arroz com feijão” que poderão “privatizar” governando um país como o Brasil, pois é para isso que estão na política, para ajudar o estreito setor da sociedade que concentra quase toda a renda no Brasil a manter o que concentrou e a ampliar essa concentração de renda, invertendo o processo de distribuição ora em curso.

Eu e vocês, leitores, não perderemos muito com isso. A maioria de nós já se estabilizou na vida – uns mais, outros menos. Pode-se dizer, assim, que todos os que aqui estamos temos conseguido sobreviver com dignidade e com mais ou menos conforto, de maneira que muitos estarão tentados a empurrar com a barriga essa situação e a se conformarem se ela agraciar com a vitória esses pretensos saqueadores do Brasil que tentarão governá-lo a partir de 2011.

Não direi que não sofro essa tentação de me acomodar. Tem sido muito desgastante viver esse embate contra um poder imenso diante do qual um mero cidadão sente-se muito mais do que impotente, chegando a sentir-se insano por desafiar uma máquina que é preciso muito mais do que palavras para desarticular.

A gente tem que conviver o tempo todo com elogios agradáveis, mas também com ataques terríveis. A caixa de comentários deste blog, em sua gaveta de comentários bloqueados, constitui material para um livro que aos poucos vou escrevendo e que pretendo publicar um dia, que em certo capítulo abordará o lado negro, imoral, impiedoso, mesquinho e até assustador do ser humano.

Só os insultos já fariam qualquer um desistir, mas há ameaças também. Há gente escrevendo aqui que “pagarei” em algum lugar “no futuro” pela luta que tenho travado contra esse poder discricionário. Está tudo registrado. Se algum dia me acontecer alguma coisa, todos saberão onde procurar os culpados. Seus comentários estão registrados aqui com número de IP, dia, hora e tudo mais.

A vontade de desistir, portanto, é atraente – e quase compulsória. Os elogios são bons, claro, mas os ataques são ferinos e assustadores. Com efeito, uma carícia produz muito menos efeito do que uma facada.

Minha mulher, por exemplo, é contrária ao meu ativismo político e ao jornalismo cidadão no qual invisto meu tempo. E posso entender seus motivos. Temos a questão da criança dependente da qual teremos que cuidar e sustentar para o resto de nossas vidas e ganhar a vida anda dificílimo, sobretudo num momento de crise.

Por outro lado, temos a situação política no Brasil que descrevi acima. O país está sob uma ameaça poucas vezes vista em mais de cem anos de história republicana. Está, pois, em nossas mãos ajudar este país a dar um salto imenso e a se tornar uma potência, um país de Primeiro Mundo em não mais do que uma década, se nos dispusermos a enfrentar aquele setor minúsculo da sociedade que impediu até hoje que esta pátria fosse o que já deveria ser há muito tempo.

Eu e vocês temos que fazer uma escolha. Todos os cidadãos responsáveis e lúcidos deste país têm que fazer essa mesma escolha. Estão dispensados apenas os que usufruem deste status quo iníquo, imoral, cruel que vige no Brasil, pois não se pedirá ao câncer que se auto-extirpe. E a escolha é entre nossas questões pessoais e mundanas e o interesse maior da nação.

De minha parte, sinto-me sempre inclinado a lutar pelo que é mais alto e relevante para todos, pois, em meu ideário de vida, o benefício generalizado é o melhor e mais justo para o interesse individual, pois quando se pensa na coletividade o lucro individual é generalizado, extensível a todos, sem deixar ninguém de fora. Já o interesse individual, trabalha para retirar de seu principal interessado o benefício que viria para todos.

Contudo, minha escolha individual dependerá das escolhas de todos aqueles para os quais faço esta pregação diária independentemente de ser fim de semana, feriado e de ser horário comercial ou não, sempre de forma absolutamente voluntária e sem qualquer interesse econômico ou profissional.

Estou engendrando um plano de ação. Eles radicalizaram, então nós também temos que radicalizar. E, mais uma vez, estou disposto a assumir os riscos de promover uma ação concreta e de visibilidade contra essa hidra político-midiática que ameaça o Brasil. Só que terá que ser uma ação inédita, a maior de todas, não importando quanto tempo leve para ser organizada, mas que chame com força a atenção da sociedade para o plano da direita golpista de saquear as riquezas nacionais.

Ainda não tenho o plano engendrado, ainda que tenha um embrião de idéia em gestação. Em algumas semanas deverei fazer um comunicado aqui que irá surpreendê-los, e isto é só o que posso lhes dizer neste momento. Mas também estou refletindo e analisando outras opções. Quem quiser fazer sugestões corajosas, ponderadas e sobretudo viáveis, contará com meu agradecimento e minha admiração.

Mas o fato é um só: todos os que têm um mínimo de amor por este país temos uma escolha muito séria a fazer – eu, inclusive. Ou lutamos com a mesma disposição dos saqueadores privatistas ou nos convertemos em cínicos que só trabalham com a retórica ao exigirem de outros o que não se dispõem a fazer. As reações que se vier a colher às propostas que serão feitas aqui proximamente determinarão se agiremos ou se penduraremos nossas chuteiras cívicas.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 12h12
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Opinião

Como Lula deveria reagir

 

 

 

Uma coisa sou obrigado a reconhecer: criticar Lula hoje provoca em alguns de seus apoiadores reações quase tão insensatas quanto criticar a oposição também provoca entre os que da mesma maneira a apóiam.

Só não são tão insensatas as reações de alguns apoiadores de Lula quanto são as daquela turminha que escreve com dois eles o nome dele porque aquelas reações são honestas – mesmo erradas, pensam estar acertando –  e estas são, em geral, mal-intencionadas.

As boas intenções dos pró-Lula, porém, não omitem um fato inquestionável: é verdade que os que defendem o presidente por razões justas ficam na defensiva de uma tal maneira que acabam se negando a ver o que é inegável.

Vejam que reclamei da pouca contundência e da demora de Lula ao reagir e de como ele acusou de forma muito branda a conduta da oposição e já foram logo me perguntando o que mais que eu queria que o presidente fizesse.

Ironizaram se eu queria que ele convocasse uma rede nacional de rádio e tevê “de três minutos” ou se talvez eu quisesse que ele “fechasse o Congresso”.

Perdôo os insultos de quem disse isso só porque alguns estão de tal maneira traumatizados e dopados pelos ataques incessantes e injustos que o presidente recebe que acabam abrindo mão até das críticas mais necessárias e construtivas nos momentos mais cruciais.

Essas pessoas não estão enxergando o que a oposição pretende, aquilo que ela tem tido até relativo sucesso em conseguir e que até o próprio Lula já disse que aconteceu, mesmo que por interpostas palavras.

Já há várias semanas que o presidente disse que o alarmismo da mídia fez a economia desandar mais em dezembro do ano passado do que deveria ter desandado por conta da crise, e que isso exacerbou as demissões no Brasil produzindo aquele número tétrico de 600 mil desempregados que o PIG explorou com tanto prazer.

Vocês que apóiam Lula com toda essa paixão – e eu também o apóio, sim, mas com o cérebro, pois coração não pode entrar no apoio a um político –, respondam-me: precipitar uma crise econômica no Brasil e provocar desemprego em massa por acaso não seriam crimes?

E provocar uma corrida aos bancos para sacar depósitos nas cadernetas de poupança, não é crime?

E enfraquecer a maior empresa brasileira num momento em que ela está numa negociação crucial para levantar recursos a fim de explorar o eldorado brasileiro, o pré-sal, por acaso não seria um monstruoso crime de lesa-pátria?

E o que é que se faz com criminosos? Mostra-se o beicinho a eles ou deve-se acusá-los com gravidade, pompa, circunstância e todas as demais formalidades bem diante da nação, inclusive denunciando-os à Justiça?

Para mim, essa gente está delinqüindo faz muito tempo. E não estou me referindo ao fato metaforicamente, mas textualmente: acho que mídia e oposição já cometeram C-R-I-M-E-S em demasia.

Mataram gente por conta do alarmismo na questão da febre amarela (a oposição tucano-pefelê e a mídia, para mim, são a mesma coisa), aprofundaram a crise econômica no país em dezembro e provocaram tumulto na ordem econômica na questão da poupança.

Para mim, basta. É motivo para uma atitude muito mais séria: denunciar os criminosos ao país em rede nacional e formalmente à Justiça.

Querem as luvas de pelica de Lula porque só estão se preocupando com as eleições do ano que vem. Eu, porém, estou preocupado com o que esses bandidos estão fazendo com o país neste exato momento. É preciso reagir contra essa sabotagem.

Repito: Lula deveria ir à televisão dizer que uma aliança entre a mídia e a oposição está causando este e aquele prejuízos enormes ao país e que por isso está encaminhando ao Ministério Público denúncia formal contra eles. Esta é a minha opinião.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 00h00
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Crônica política

‘Paz e amor’ custam caro 

 

 

 

 

 

 

Pedem-me que comente a criação da CPI da Petrobrás. Pois bem, já que pedem, comento.

O personagem “Lulinha paz e amor” foi construído e incorporado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2002 e continua incorporado até hoje. Aliás, o presidente até se gaba disso. Em relação à criação da CPI da Petrobrás pelo PSDB, ele disse, sorrindo, que a oposição está “muito nervosa” e que nervosismo foi o que o impediu de ganhar eleições no passado.

Acho que Lula até pode estar certo. Como estratégia política, manter-se um “Lulinha paz e amor” estes anos todos certamente contribuiu para sua boa avaliação pelo povo e possivelmente lhe permitirá eleger seu sucessor – ou sua sucessora.

Como estratégia para o país, entretanto, a fantasia de paz e amor que o presidente veste começa a ter um custo exorbitante.

Acabamos de ver um violento atentado contra a ordem econômica praticado pelo oposicionista PPS através do deputado Raul Jungmann. Quem perdeu com esse atentado não foi o governo, porém.

Politicamente, o conto pepessista da poupança lesou apenas pessoas humildes, ingênuas, que devem ter, em grande parte, sacado suas economias de suas cadernetas de poupança antes do aniversário delas e, assim, devem ter perdido um bom dinheiro.

A própria caderneta perdeu quase um bilhão de reais por meio de saques gerados pelo alarmismo do PPS. O governo perdeu? Não perdeu. Ele vinha vendo a poupança crescer além do desejado – e, inclusive, foi por isso que alterou suas regras.

Quem perdeu foi a população. Lula não perdeu nada. Muito menos eleitoralmente. Menos de 1% das cadernetas serão afetadas pela “mexida” que ele deu nas regras. A quantidade de eleitores que acreditou no PPS não deve dar para eleger um vereador em São Paulo.

Agora, às vésperas da assinatura de contratos internacionais de financiamento da exploração do pré-sal, a oposição, visando dificultar os interesses do país por medo de que seu condutor marque um grande tento antes das eleições do ano que vem, decidiu partir para mais um ato de sabotagem.

A mídia, eterna aliada do PSDB, ajudará a repercutir internacionalmente suspeitas “gravíssimas” sobre a Petrobrás de forma que os financiamentos internacionais não saiam. Perde o país, acima de tudo. E o PSDB, não é que ganha, mas retira mais um dos muitos trunfos eleitorais que Lula vem acumulando um após o outro.

O presidente não briga, porém. Politicamente, como ele afirmou, não é recomendável. O país perde, claro, mas não foi ele que o sabotou. Foram os tucanos, ora. Foi Serra, no fim das contas.

Cedo ou tarde as pessoas saberão. A blogosfera irá difundir a teoria fácil de assimilar de que Serra manda sabotar o país – mesmo que Lula diga que foi Arthur Virgílio – para lucrar eleitoralmente e, no fim, o feitiço acabará virando mais uma vez contra o feiticeiro.

Contudo, o país perde. E é uma depois da outra. Temos que pagar pela irresponsabilidade da oposição, mas também pela do governo. Aquela porque sabota o país e este porque não a denuncia, não reage à altura, não briga por nós, pois sabe que perderia eleitoralmente.

Lula não perderá nada. Ele acha que não deixaríamos os sabotadores do país vencerem só porque não reage. Acha que essa não é uma opção para nós e que, portanto, não poderemos adotá-la, pois prejuízo maior seria deixarmos se elegerem esses que, quando estão no poder, costumam pôr o país em liquidação.

Como se vê, é realmente exorbitante o preço da paz e do amor que integram o cerne da estratégia lulista de não partir para cima desses desgraçados só para “não assustar o eleitorado”, o qual eles é que está assustando ao ficarem “nervosos” e partirem para essas loucuras que prejudicam tanto o eleitorado oposicionista quanto o situacionista.

Só não sei até que ponto continuarei me dispondo a compactuar com esse preço que o país está pagando pelas estratégias políticas do presidente Lula. De repente, acabo me convencendo de que ele tem tanta culpa pela sabotagem do país quanto têm os sabotadores de fato, e mando tudo isto pro inferno.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 18h30
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Denúncia

Devotos de São Pinóquio 2

 

 

 

Parece que, mais uma vez, começa a se materializar no debate público alguma coisa que vocês leram primeiro aqui.

No dia 22 do mês passado, no post “Devotos de São Pinóquio”, comecei uma série de denúncias sobre a campanha mentirosa que estava sendo desencadeada pelo PPS visando, de forma criminosa e dissimulada, confundir a população ao afirmar que o governo Lula pretenderia, no fim das contas, confiscar a poupança dos brasileiros.

Só quase duas semanas depois o presidente Lula fez o que se pregava aqui e finalmente reagiu, ainda que tardiamente, afirmando, em entrevista informal a redes de tevê, que o PPS era mesmo um mentiroso. Deveria ter convocado rede nacional de rádio e televisão, pois a poupança sofreu saques e quem perdeu nem foi o Estado, mas aqueles que, muitas vezes, sacaram seus recursos e perderam rendimento.

Lula agiu tarde, mas pelo menos disse alguma coisa. Contudo, só agora, à luz das alterações na poupança que o governo propôs ao Congresso para que analise e vote é que as pessoas começaram a se dar conta daquela pregação que andei fazendo no deserto em sucessivos posts.

Hoje (sexta-feira), a mídia finalmente começa a ceder ao ato escandaloso do PPS e reconhece que ele fez o que eu, naquele 22 de abril, disse que ele tinha feito. Contudo, para não perder a forma, aquele antro de víboras mentiu ainda mais do que Jungmann e seu partido.

Leiam, abaixo, esse texto que se equilibra entre verdades e mentiras com a finalidade de fazer com que esta última vença no final.

 

Folha de São Paulo

 

15 de maio de 2009

 

Editorial

 

Poupança confusa

 

Com improviso e subsídio aos mais ricos, governo Lula tenta adiar tarefa, necessária, de reduzir a renda da caderneta

 

SE DEPENDER do governo Lula, a caderneta de poupança deixará de ser a aplicação mais simples do Brasil em 1º de janeiro de 2010. Nessa data, um emaranhado de regulamentações tributárias está programado para despejar-se sobre a tradicional aplicação.


A "solução" do Planalto atinge seu objetivo político. Evita mudanças no rendimento de 99% dos titulares da caderneta, com saldo inferior a R$ 50 mil. Acossado por críticas irresponsáveis da oposição -que disseminou temores acerca de uma repetição do confisco de 1990- e inseguro quanto à sua competência para enfrentar uma batalha de comunicação, o governo Lula desistiu de alterações ambiciosas.

Em vez de propor mudanças simples e eficazes, tomou o caminho oposto: complicou as regras da poupança para produzir um resultado, na mais otimista das hipóteses, modesto.

As medidas anunciadas não bastam para atacar o efeito colateral mais imediato da contínua redução da taxa básica de juros, agora em 10,25% ao ano. Com a queda no rendimento, teme-se a fuga de aplicações alocadas na dívida pública rumo à caderneta, cuja remuneração -em torno de 7% ao ano e isenta de impostos- não pode acompanhar aquela redução, pois está fixada em lei.

Taxar as grandes aplicações na caderneta só a partir de 2010, com base em medida provisória sujeita a turbulência no Congresso, é um meio incerto de inibir esse movimento de aplicadores. Resta ao governo aliviar a tributação dos grandes investidores, reduzindo o Imposto de Renda sobre fundos de investimento, CDBs etc.

Assim, no intuito de evitar prejuízos ao pequeno poupador, Lula dispõe-se a oferecer um subsídio fiscal diretamente aos mais ricos. A oposição, que tanto alarido fez sobre confisco, não parece preocupada com essa notória incongruência do Planalto.
Incongruente também é passar ao largo de uma mudança capaz de reduzir os juros do empréstimo imobiliário, quando a habitação é a maior peça de propaganda do governo.

De cada R$ 100 aplicados na caderneta, R$ 65 têm de ser destinados pelos bancos à compra da casa própria. Sem diminuir os juros da poupança, é impossível baixar o custo desses empréstimos e retirar o crédito imobiliário do nível irrisório em que se encontra no país.

O juro básico elevado constitui uma das últimas anomalias macroeconômicas do país, herança, de certo modo, de um ambiente de inflação alta e economia fechada. À medida que a distorção saia de cena -o que cedo ou tarde ocorrerá-, outros anacronismos, mais específicos, se farão sentir e terão de ser enfrentados.

A forma de remuneração da caderneta de poupança é um desses anacronismos. Não é preciso extinguir a fixação em lei de seu rendimento e expor milhões de brasileiros a um choque desnecessário. No entanto, reduzir aos poucos o seu rendimento, para que se harmonize com as novas e melhores condições financeiras do país, é uma necessidade.

Com manobras improvisadas, Lula tenta apenas empurrar para o próximo governo a tarefa de enfrentar essa agenda crucial.

 

Aí está. Mentirosos. Enganadores. Mistificadores. Bando de canalhas, vocês não perdem mesmo a mania de mentir, de tentar enganar a população, seus velhacos. Que improviso e subsídio aos mais ricos, seus miseráveis? Subsídio são vocês que dão à mentira, à safadeza.

Não há subsídio nem improviso algum. O governo já estuda essas medidas faz muito tempo. Por que esse panfleto sem-vergonha não denunciou Jungmann na primeira página quando ele começou a mentir, há quase um mês?

Pelo mesmo motivo que esses criminosos da imprensa golpista só foram se preocupar com as passagens aéreas de deputados e senadores depois de 40 anos de farra. Só por isso.

E tudo porque eles esperam momentos que achem da própria conveniência para “acordarem” para safadezas de todos os tipos e que toleram ou deixam de tolerar seletivamente, protegendo uns e expondo outros, tentando manipular a sociedade.

Agora, o pior mesmo é dizer que o governo não manteve seus planos porque não confiava na própria capacidade de comunicação. Ele não confiava é na imprensa, pois sabia que ela ajudaria o PPS a mentir se fosse para cima dele.

Eles querem enganar, ludibriar, fazer você de tonto, leitor. Mas não conseguirão. No que depender de mim, ao menos. Cada vez mais buscarei formas de desmascará-los.

Já pus centenas de pessoas na rua contra eles várias vezes. Já representei contra eles no Ministério Público Federal. E continuarei lutando, pois luto pela verdade, pela decência, e eles, pela safadeza, pela mentira, pelo logro e por todos os grandes males que afligem a sociedade brasileira.

Ou o Brasil responsabiliza essa gente por seus crimes ou ela acaba com o país.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 12h40
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Análise política

1%

 

 

 

Há semanas que a mídia vem enchendo a paciência do país com uma discussão inútil e politicamente burra sobre um assunto que interessa a um grupo de pessoas em número insuficiente para lotar um estádio de futebol. Refiro-me à questão da tributação da caderneta de poupança.

A discussão é inútil porque o governo federal fez apenas o que tinha que fazer ao tributar as cadernetas de poupança nas aplicações superiores a 50 mil reais, ou seja, propôs que o Congresso aprove uma lei que impeça que grandes aplicadores do mercado financeiro soneguem legalmente imposto de renda ao transferirem para a poupança o dinheiro que estava aplicado em outros papéis que, com a queda da taxa Selic, começam a perder rentabilidade.

E essa gritaria toda é politicamente burra porque a tributação da caderneta de poupança, se aprovada pelo Legislativo, atingirá apenas 0,99% dos que investem nesse tipo de aplicação – sim, vocês leram direito, atingirá menos de 1%  das cadernetas. Os dados foram divulgados na última quarta-feira pelo Ministério da Fazenda e pelo Banco Central e se referem a dezembro de 2008.

O que mais impressiona é que, apesar desse número ridiculamente pequeno de poupadores ter movimentado todos os grandes meios de comunicação e feito até o PPS ir à tevê mentir sobre a medida que o governo federal adotaria, esse conjunto de poupadores “prejudicados” detém 40,8% de todos os depósitos das cadernetas.

Conforme os dados apresentados pelo MF e pelo BC, as contas com saldo entre R$ 50 mil e R$ 100 mil somam 600 mil contas e correspondem a 0,66% do total. Nessa categoria, estão depositados 15,1% de todo o dinheiro da poupança, o equivalente a R$ 40,8 bilhões.

Com saldo total entre R$ 100 mil e R$ 1 milhão, estão outras 290 mil cadernetas ou 0,33% de todas as contas existentes. Esse grupo de poupadores mantinha, em dezembro de 2008, R$ 54,6 bilhões nas contas ou 20,2% dos depósitos.

Por fim, os poupadores com mais de R$ 1 milhão. Estes, não passam de 3.822 pessoas físicas. Esse grupo representa 0,01% de todos os poupadores. Apesar da participação inexpressiva, porém, o grupo é dono de R$ 14,9 bilhões, o equivalente a 5,5% de todos os depósitos.

Notem bem que não estamos falando de 1% de brasileiros que serão atingidos pela medida do governo, mas daqueles que têm dinheiro poupado no banco, o que torna esse grupo quase invisível entre o conjunto da população do país, estatisticamente falando.

Os dados acima revelam ainda mais. Mostram o nível de desigualdade que há neste país. Um por cento, meus amigos. Unzinho por cento dos poupadores detém 40% de todo o dinheiro aplicado em cadernetas de poupança. Essa é a medida da desigualdade de renda no Brasil. E é por esse um por cento que os comunistas arrependidos Roberto Freire e Raul Jungman mentiram daquele jeito.

Provavelmente, nem esses meliantes sabiam desses dados quando inventaram a mentira de que Lula iria confiscar a poupança – e foi isso que disseram ao alardearem que o presidente iria “mexer na poupança como fez o Collor”. Se soubessem que o prejuízo eleitoral que queriam causar ao governo teria alcance tão pequeno, se desse certo, não teriam se dado ao trabalho – e à vergonha – de contarem mentira tão descarada.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 22h36
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Agradecimento

Rio Claro no coração

 

 

 

 

 

Acabo de sair do I Fórum Vozes do Brasil, que teve lugar nesta quinta-feira na cidade de Rio Claro, no interior de São Paulo.

Mais de uma centena de pessoas assistiram ao evento promovido pela administração municipal da cidade.

Viajei à aconchegante Rio Claro na agradável companhia da jornalista Bia Barbosa, coordenadora do Coletivo Intervozes.  Essa moça me enche de esperança na juventude.

Fizemos parte da mesa de palestrantes que discutiu o tema “Mídia, a serviço de quem?”.

Os palestrantes – eu incluído –, além de suas exposições, foram sabatinados pelo público presente.

A imprensa local boicotou o evento.

Agradável mesmo, porém, foi descobrir quantos leitores tenho em Rio Claro. Fui recebido como um velho amigo. Fizeram com que me sentisse em casa.

De hoje em diante, Rio Claro passa a ter um lugarzinho especial no meu coração.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 19h25
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Crônica política

Direita agoniza

 

Atualizado às 18h48m de 14 de maio de 2009 

 

 

 

 

 

O jornal espanhol El País informou ontem que a Unesco agraciou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva com seu Prêmio de Fomento da Paz Félix Houphouet-Boigny.

Na noite de quarta-feira, quando a notícia já rodava pela blogosfera havia horas, nenhum dos quatro grandes portais de internet (UOL, G1, IG e Terra) a tinha dado em destaque. Tampouco vi qualquer coisa no Jornal Nacional ou no Jornal da Globo. Nos outros telejornais, vocês é que vão me dizer.

A notícia de que o presidente da República Federativa do Brasil foi indicado ao Prêmio da Paz de uma das organizações mais respeitadas do mundo não foi considerada importante pela mídia. Pelo contrário, foi escondida.

Segundo o comunicado da Unesco, Lula foi o escolhido pelo júri "por suas ações em busca da paz, diálogo, democracia, justiça social, igualdade de direitos, assim como por sua contribuição para a erradicação da pobreza e proteção das minorias".

O prêmio foi criado em 1989 e recebeu o nome de Félix Houphouët-Boigny em homenagem ao primeiro presidente da Costa do Marfim.

Entre os integrantes do júri que elege os premiados estão o ex-presidente de Portugal Mario Soares, o ex-secretário de Estado dos Estados Unidos Henry Kissinger e o argentino Adolfo Pérez Esquivel, vencedor do Prêmio Nobel da Paz em 1980.

Segundo a Unesco, o prêmio é concedido "a pessoas, organizações e instituições que contribuíram de modo significativo para a promoção, preservação ou manutenção da paz".

Entre os vencedores de outras edições estão Nelson Mandela, Yitzhak Rabin, Shimon Peres, Yasser Arafat, o rei Juan Carlos da Espanha e o ex-presidente dos EUA Jimmy Carter e da Finlândia Martti Ahtisaari. Muitos dos premiados pela Unesco receberam, posteriormente, o Prêmio Nobel da Paz.

A entrega do prêmio deve acontecer em julho.

Mais adiante, o mesmo jornal publica matéria que afirma que a oposição brasileira “se rendeu aos programas sociais” do presidente. Lembrou que essa mesma oposição, há pouco tempo, dizia que os programas dele seriam “assistencialistas”, mas recentemente mudou de discurso.

Enquanto isso, enquanto o Brasil brilha diante do mundo, a imprensa brasileira se concentra na picuinha contra o deputado que “se lixa” e em descer a lenha na medida justa do governo federal em relação à poupança. É patético.

Piores ainda são os velhacos penas-pagas que passaram a dizer que a ONU é uma excrescência etc. Será engraçado ver a mídia brasileira tentando descontruir a ONU. Todavia, por outro lado, será bom esses meliantes fazerem esse papel diante do mundo.

A direita midiática brasileira tem passado os dias agonizando em praça pública. E o que é mais impressionante:  por obra e graça das próprias mãos. 

Folha "noticia" premiação... na página A8

Vejam a nota que a Folha deu para a notícia sobre a premiação de Lula pela Unesco.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 00h30
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Comunicado

O voluntariado

 

 

 

Fundei este blog em fevereiro de 2006 para estimular a sociedade a fazer o que venho fazendo desde então, que é doar parte de meu tempo à coletividade. E, quando digo doar, quero dizer doar mesmo, ou seja, trabalhar pelo interesse de todos sem ganhar nada, sem lucrar de maneira alguma e, muitas vezes, até perdendo dinheiro por abrir mão de atividade remunerada em prol da atividade voluntária que abracei.

É o que venho fazendo neste blog e fora dele há mais de três anos. Todo santo dia. Sem lucrar nada, perdendo dinheiro e, como se não bastasse, sendo acusado por inimigos políticos que nem mesmo conheço.

E, acredite quem quiser, até por gente que não tem nem razão político-ideológica para me atacar em meu ativismo político, sobretudo sendo pelas costas, mas ataca porque, apesar de eu não lucrar nada com tudo isto que faço, tem quem ache que andei adquirindo muita notoriedade, uma notoriedade que muitos buscam na internet e que poucos conseguem.

Notoriedade não acrescenta um único grama aos meus interesses comerciais ou profissionais. Acrescenta ao ego, de certa maneira, pois ver que se foi capaz de fazer alguma coisa relevante em três anos, e por uma boa causa coletiva, faz a gente sentir que ao menos se é teimoso suficiente para perseguir os próprios ideais.

E, ainda mais, sendo você um outsider, ou seja, um não-jornalista, um não-intelectual, sendo só um mero caixeiro-viajante, na acepção do termo.

Enfim, digo tudo isto como um certo desabafo que, aliás, não tem nada que ver, sendo apenas o exercício de um dos poucos direitos que me arrogo no exercício desta atividade totalmente voluntária e em prol do bem comum, o direito de dizer aqui tudo o que me vier na telha contanto que não constitua prejuízo à coletividade ou injustiça de qualquer espécie, pois o que prego e busco – sobretudo em causa própria – é liberdade de expressão.

De maneira que, nesta quinta-feira, 14 de maio, na cidade de Rio Claro, no interior paulista, debaterei o assunto que tem dado caminho ao voluntariado que abracei. Mais uma vez, discutirei mídia e democracia num evento cujo release publiquei aqui na semana passada e que agora volto publicar, logo abaixo.

Volto na sexta-feira.

 

 

I Fórum Vozes do Brasil

 

Temas: mídia e transparência na gestão pública

 

Rio Claro, a 170 km de São Paulo, prepara o I Fórum Vozes do Brasil, que será realizado no dia 14 de maio no Centro Cultural Roberto Palmari. O espaço tem capacidade para acomodar cerca de 600 pessoas sentadas.

 

A Iniciativa é da Prefeitura de Rio Claro, Secretaria Municipal de Governo/Diretoria de Comunicação e Fundação Ulysses Guimarães, com apoio da Rede Claret, Rocha Grês e Café Wenzel.

 

O evento terá duas partes. A primeira, com abertura programada para as 13h15 do dia 14, tratará do tema “Mídia; a serviço de quem?, com a participação dos seguintes convidados:

 

 

  • Eduardo Guimarães, empresário, presidente do Movimento dos Sem Mídia e criador do blog Cidadania.com;
  • Bia Barbosa, jornalista e membro do Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social;
  • Jerry de Oliveira, membro-fundador da Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária (Abraço);
  • Paulo Roberto Botão, jornalista, professor e coordenador do Curso de Jornalismo da Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep);
  • Alcimir Antonio do Carmo, diretor da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e do Sindicato dos Jornalistas no Estado de São Paulo.

 

 

O formato do debate prevê que os palestrantes exponham suas posições e, na fase seguinte, possam debater entre si antes que a palavra seja aberta ao público para os questionamentos.

 

À noite, às 8h, o tema proposto, “Planejamento e transparência na gestão pública; o exemplo que vem do Paraná”, será abordado pelo economista, deputado estadual licenciado (PT) e titular da Secretaria de Estado de Planejamento e Coordenação Geral do Paraná, Enio Verri, que também responderá as questões encaminhadas pelo público.

 

Os convites são gratuitos e devem ser apresentados na recepção do evento. Estudantes universitários poderão solicitar, no ato de inscrição, o fornecimento do Certificado de Participação.

 

Informações na Diretoria de Imprensa da Prefeitura Municipal de Rio Claro pelo telefone (19) 3526-7100 ou e-mail: vozesdobrasil@rioclaro.sp.gov.br



 Escrito por Eduardo Guimarães às 21h13
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Crônica política

A um passo da luz

 

 

 

 

 

 

No post anterior, disse a vocês que me preocupava com a boa saúde do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela boa e única razão de que é ele que hoje separa o Brasil da escuridão.

Só Lula pode impedir a volta ao poder daqueles que defendem que a ditadura brasileira foi “branda”, dos que diziam que o Bolsa Família era “esmola” – e que agora negam o que disseram – e daqueles que queriam que o Brasil ficasse atrelado ao comércio internacional com os EUA e com a Europa rica.

Ontem (segunda), disse que voltaria aqui hoje (terça) à noite para dizer o resultado da reflexão que faria sobre o quadro político brasileiro. Conversei, nesta terça-feira à noite, com algumas pessoas bastante versadas em política e elas não hesitaram em dizer que estou certo, que o país realmente depende de Lula.

E isso é muito grave. Não poderia ser assim e isso tem que mudar. Este país precisa construir novas lideranças e há que travar uma batalha contra a mídia, pois ela destruiu todas as lideranças petistas durante o escândalo do mensalão.

José Dirceu seria o candidato natural à sucessão de Lula e foi anulado politicamente. O resto todo das lideranças petistas caíram em seguida. Palocci, Mercadante, e Suplicy manteve-se vivo por se mostrar inofensivo e ingênuo, sendo verdade ou não.

Enfim, o PT tornou-se quase um PMDB, neste momento ao menos. Precisa se erguer, mas não se entende e não luta. Seus membros se encolhem diante da mídia. Falta garra. Deveriam estar convocando atos públicos para protestar, mas não convocam. Se convocassem, eu iria.

É, também, o peso de ser governo. Se o PT fizer isso, a oposição paralisa os trabalhos no Congresso, a mídia começa a criar ainda mais escândalos, simplesmente passa a publicar montes de documentos falsos na primeira página da Folha ou do Globo e as vítimas que vão reclamar ao bispo... 

Mas nada disso é desculpa.Tenho feito o possível, vocês também. Muitos estão fazendo o que podem. Agora, os partidos devem fazer a parte deles, devem se unir, devem pôr gente na rua, iniciar movimentos – como o movimento que eu, sem recursos, iniciei.

Se fizerem isso, comprometo-me a ajudar como puder, divulgando, convocando, enfim, tomando uma posição, fazendo a minha parte. Mas, se continuarem assim, como mortos, não tenho o que fazer mais.

O PT é responsável por eleger o presidente da República e propor um projeto político ao país. O PT é muito maior do que isso em que se converteu, mas suas lideranças atuais não me parecem à altura do que o momento político delas exige. Se o PT pretender continuar a ser o que foi até aqui, deve se mexer. E rápido.

Esta é uma conclusão inescapável que forjei na madrugada de segunda para terça-feira, num acesso de insônia reflexiva. Podem dizer o que quiserem dela, mas não digam que não é honesta, pois exprime exatamente o que concluí de forma muito refletida.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 23h23
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Crônica política

A um passo da escuridão

 

Atualizado às 16h33m de 12 de maio de 2009

 

 

 

 

 

 

Sou uma daquelas pessoas que preferem uma conclusão terrível a uma dúvida sem fim. Trocando em miúdos: não consigo me enganar. E o auto-engano, às vezes, tem lá suas vantagens, sobretudo quando você não pode mudar uma situação que pede que engane a si mesmo.

Uma situação como a política no Brasil, por exemplo. Sabem, andei tendo uns pensamentos tenebrosos. Voltaram-me à mente algumas coisas que andei conversando com gente talvez mais preparada do que eu para entender a realidade do país hoje. E essa lembrança me foi aterradora.

Quanto significa termos colocado 3 ou 4 centenas de pessoas diante da Folha de São Paulo em 7 de março último, ou 4 ou 5 centenas na Praça dos Três Poderes na semana passada, se o Brasil está dependendo de que não se eleja presidente da República o candidato tucano-pefelê-midiático?

E o que é pior: lembrem-se de que, se José Serra se eleger presidente da República daqui a um ano e meio, é quase certo que ele e seu grupo político ainda por cima também governem São Paulo.

Acabou, pessoal. Esqueçam do Brasil. Eles venderão até o sal do pré-sal, a Petrobrás, o Banco do Brasil e, muito provavelmente, em dois ou três anos acabarão com todo e qualquer direito trabalhista em prol do “livre mercado”, da “livre negociação entre patrões e empregados” etc.

Ou não foi isso que vocês ouviram essa gente dizer na Folha, no Estadão, na Globo, na Veja e no resto todo durante todos esses anos?

Então...

Sabem quem nos separa disso tudo? Um homem. Um único homem. Ele não tem instrução formal. Fala errado. Já é um sessentão. É gorducho. Tem o perfil exato para sofrer um enfarto. E é ele que nos separa da escuridão no Brasil. Se morre, estamos fritos. O país todo.

Ele pode manter as feras do lado de lá das grades... Talvez. E só talvez, creiam-me. Pode ser que nem ele. Mas, com ele, temos uma chance.

Lula pode eleger Dilma Rousseff? Pode - e talvez não possa... Mas pode, tem chance. Só que é muito pouco. Nós não podemos... Um país não pode depender de um único homem. Algo está errado. Toda esta luta, e se Lula batesse com as dez estaríamos fritos. A mídia tornaria José Serra a reencarnação dele na Terra. Daqui a um ano e meio.

Não? Será? Vocês vêem as teses que eles sustentam? Não colam? Colaram em São Paulo e em todas as grandes capitais no ano passado. Com Lula e tudo. Se não tivesse Lula... Não seria no Brasil inteiro?

Não me olhem assim; foi uma pergunta. Eu mesmo não sei. Pode ser que não, mas eu temo que sim. Não tenho certeza, mas temo.

Um país neste estágio de desenvolvimento não pode estar separado por um único homem desse bando de gangsters que estão falsificando documentos contra pessoas, publicando em capas de jornais e nada lhes acontece, ou desses que violam todos os trâmites jurídicos e põem um bandido na rua na cara de todo mundo e dizem que não dão ouvidos ao “sujeito da esquina”.

Outro que a mídia quer destruir disse que estava se lixando para a “opinião pública” e ela o transformou no maior criminoso da história. O homem que ela tem para chamar de seu diz que não dá bola ao “sujeito da esquina” e é “diferente” porque ele não tem que dar bola a ninguém por ser juiz. Não é um funcionário público, é um deus, entendem?

Então, estamos ferrados. Eles já fazem praticamente tudo que lhes dá na telha com Lula e tudo – e ele sendo aprovado por setenta, oitenta por cento da população. Sem Lula...

Repeti a tese, aí em cima, porque ela me parece absurda. Inconcebível. Em contrapartida, não gosto de me enganar, tive que olhar o precipício, ele está perto, fiquei desesperado e morrendo de medo e não tenho a menor idéia do que fazer para mudar isso. Essa é a minha situação. Sinceramente falando.

Não temo por mim, mas pelos filhos dos meus filhos, que ainda não aprenderam a se defender como ensinei seus pais. O futuro deles está ameaçado, e só o que me parece poder defendê-los é impedir que essa gente venda tudo que o Brasil amealhou nestes anos todos. E eles venderão, se chegarem lá. Já fizeram uma vez e estão babando para fazer de novo.

Então, sei lá... Acho que vou dormir e ter um pesadelo, acordar suando e levantar puto da vida nesta terça-feira. A menos que a insônia venha e, no meio dela, alguma coisa me ocorra. Torçam por mim.

 

PS: no fim do dia volto aqui para dizer o que deu... 

 

 

A burrice - e a amnésia - do Esgoto

 

  

O Esgoto da Veja vem atacando Carlos Minc porque ele participou da marcha pró-descriminalização da maconha no Rio. E pergunta por que a oposição não ataca Minc por conta de sua opinião, sobretudo agora que ele disse que Tarso Genro e José Gomes Temporão pensam como ele. 

A burrice desse homem chega a ser sobrenatural. E, ainda por cima, esse sujeitinho é desmemoriado. Assim sendo, refresco a memória dele e explico a vocês por que a oposição tucano-pefelê não critica Minc por querer descriminalizar a maconha. Para descobrirem por que, cliquem aqui



 Escrito por Eduardo Guimarães às 23h27
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Denúncia

A farsa de Yoani 

 

 

 

 

 

 

O leitor Antonio Carlos, engenheiro de Curitiba, foi quem deu a dica. Saiu no site venezuelano Aporrea.org matéria denunciando a farsa encenada pela blogueira cubana Yoani Sánchez, a musa dos reacionários daqui e de toda parte.

Ela vinha afirmando que o governo cubano proibira a população autóctone de usar redes de internet sem fio dos hotéis, os quais, para os denunciantes do regime cubano incrustados na mídia, estariam “fora de alcance” dos cubanos “comuns”, como a blogueira alega ser.

A denuncia do site venezuelano desmonta a farsa de Yoani.

Traduzi a matéria para vocês.

 

Blogueira cubana financiada por neonazistas europeus é

vista escrevendo seus artigos usando Wi-Fi de hotel

 

      

      

Por: Guillermo Nova, para Prensa Web YVKE

 

10 de maio de 2009 – A blogueira cubana Yoani Sánchez (conhecida por ter recebido o prêmio Ortega y Gasset, outorgado pelo grupo Prisa, bem remunerado e que costuma ser dado a jornalistas com maior currículo profissional) costuma denunciar em seus artigos a falta de acesso à internet em Cuba, e inclusive afirma que são amigos no exterior que conseguem mandar seus artigos pela rede.

Qual não foi a surpresa quando na quarta-feira 6 de maio a imprensa internacional credenciada na feira internacional de turismo de Cuba (Fitcuba 09) encontrou com a blogueira durante almoço no hotel NH Parque Central de Havana.

Com total tranqüilidade, estava sentada na recepção com seu lap top e conectada à rede Wi-Fi do hotel, que cobra em moeda estrangeira [dólares].

Ela se expôs ante os mais de 180 jornalistas credenciados para o evento sem ser incomodada pelos agentes do Estado cubano ou sofrendo algum ato de repúdio por parte da população cubana, algo que ela denuncia em seus artigos que sofre continuamente.

A surpresa e a desilusão foram grandes entre profissionais de jornais estrangeiros que pagam à blogueira por sua colaboração escrita. Os jornalistas disseram sentir-se enganados pelas queixas e lamentos da blogueira quanto à dificuldade de acesso à internet em Cuba, chegando a questionar a veracidade de seus textos.

Yoani escreve em uma página que se chama “desdecuba.net”, que não esta hospedada em Cuba. O servidor é da Alemanha e a página esta registrada em nome de Josef Biechele. O  provedor de Yoani é a "Cronos AG Regensburg", que também hospeda páginas de ultradireita e neonazistas e foi denunciado recentemente pelo partido Verde alemão.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 23h46
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Análise política

Como eleger Dilma

 

Atualizado às 20h16m de 10 de maio de 2009

 

 

 

 

 

Lula e o PT podem conseguir a façanha de não elegerem sua candidata a presidente da República no ano que vem porque poderão hesitar em usar o vasto arsenal eleitoral de que dispõem, capaz de provar que o PSDB no poder significará o fim da distribuição de renda e das políticas públicas todas que têm tornado o Brasil cada vez mais igualitário enquanto cresce e ganha importância no mundo.

Não pretendo ensinar profissionais a fazerem política, mas tenho dúvidas de que o PT seja profissional como um PSDB ou um PFL. Esses, sim, são batutas na arte da política. Usam as armas que têm e as que não têm, enquanto o PT e Lula ficam pensando se devem ou não usar qualquer arma mais pesada.

Em 2006, quando a eleição presidencial foi para o segundo turno por conta da montanha de dinheiro dos aloprados que a Globo pôs no ar durante o Jornal Nacional (e deixando de lado o desastre com o avião da Gol), o PT deixou de usar uma propaganda que acusava o golpismo da imprensa desde a época de Getúlio Vargas, passando por Juscelino Kubitscheck e por Jango Goulart.

Por que? Ora, porque Lula, desde a primeira pesquisa no segundo-turno, mostrou que daria uma surra em Geraldo Alckmin.

Era o caso de o PT aproveitar a situação de alto apoio de que desfrutava para esfacelar o PIG e vinculá-lo ao PSDB e ao PFL, mas preferiu se contentar com a reeleição de Lula. Dessa maneira, deixou vivo o golpismo oposicionista-midiático, que se tornou ainda mais forte no segundo mandato.

Agora, vejo gente preocupada com o que não passa de recall (lembrança, pelo eleitorado, de um político famoso) de que desfruta o governador José Serra, o inequívoco candidato da direita à sucessão de Lula, e com a possibilidade do presidente de transferir votos à sua candidata.

Vejam bem, meus amigos: José Serra milita na política há mais de quarenta anos. Vem se candidatando a cargos majoritários desde a redemocratização. Disputou o cargo de prefeito de São Paulo com Maluf e Erundina em 1985 e depois não parou mais. Foi candidato a presidente, a governador, a prefeito, a senador e a deputado federal, além de ter sido ministro da Saúde.

Serra é um dos políticos brasileiros mais conhecidos. Colocá-lo em disputa em pesquisas com os candidatos com os quais tem sido colocado só poderia lhe dar uma enorme vantagem. É uma trapaça a mídia dar importância a essas pesquisas agora, fora do ambiente eleitoral que se estabelecerá a partir do segundo semestre do ano que vem.

Muitos estão preocupados ou esperançosos com as eleições de seus candidatos a presidente por conta de uma dúvida absolutamente descabida quanto à capacidade que Lula terá de transferir seus votos para uma candidata absolutamente desconhecida do eleitorado.

Os oposicionistas mais ousados (na mídia e nos partidos) dizem que o presidente não teria conseguido transferir votos nas eleições municipais do ano passado e que isso demonstraria que o mesmo pode acontecer na eleição presidencial.

Lula não conseguiu transferir votos no ano passado?! Como assim?! Gente, o PT foi o segundo partido que mais cresceu no ano passado, depois do PMDB, enquanto o PFL diminuiu e o PSDB ficou estagnado. O PPS, terceiro tentáculo desse Frankenstein oposicionista formado pela ultra-direita e por pseudo “sociais-democratas” e por “comunistas”, praticamente desapareceu.

Tentam confundir as pessoas com o mau resultado do PT em algumas capitais importantes como São Paulo, cidade que já elegeu Maluf, Quércia etc. São Paulo, que só elegeu Marta Suplicy e Luiza Erundina quando a direita quebrou bem quebrada a cidade, mas que tem fetiche por reacionários.

No ano passado, Lula transferiu votos como nunca. O problema é que na última eleição todo mundo era “candidato de Lula”. Até Kassab se apresentou como “parceiro” do presidente. O PMDB, aliás, como aliado de Lula, faturou sua proximidade com ele até mais do que o próprio PT.

Por que vocês acham que a mídia está descendo a lenha em Dilma e em Lula desse jeito? Se essa história absurda que até o presidente do Ibope andou espalhando de que Serra já estaria eleito tivesse o mínimo de nexo, vocês acham que eles fariam uma campanha dessas contra o presidente e sua candidata? Até falsificação de documentos fizeram contra Dilma, gente, e publicaram na capa do maior jornal do país!

E a conjuntura econômica só favorece a candidatura petista a presidente. O Brasil está criando empregos e crescendo enquanto o mundo afunda. Todas as más notícias que vocês têm lido referem-se ao passado. Eles estão aproveitando maus indicadores econômicos enquanto podem, porque logo terão que parar de divulgá-los, pois mostrarão recuperação do Brasil.

Eleger Dilma será um passeio, desde que o PT e Lula tenham coragem de enfrentar a briga. Terão que dizer claramente – e provar com facilidade, pois os reacionários escreveram as provas em jornais, na internet e as gravaram em vídeos – que o PSDB, o PFL e a mídia são contra o Bolsa Família, as cotas nas universidades, o Prouni, o aumento do salário mínimo etc.

Como já disse, bastará o PT usar o que a mídia, o PSDB e o PFL – e Serra – disseram nestes anos todos. Semana passada, se não me engano, Serra publicou um artigo em seu panfleto, a Folha de São Paulo, descendo a lenha nas cotas para negros nas universidades. Não passou semana, nos últimos anos, sem que ele ou FHC dissessem que o Bolsa Família era “esmola”.

Tudo o que tivemos que aturar a direita esfregar em nossos rostos através da mídia nos últimos seis anos e pouco, deveria integrar a campanha petista de 2010. Mas, para isso, seria preciso enfrentar a mídia, partir para o debate político franco, aberto e destemido. Lula e o PT, porém, têm demonstrado medo de travar esse debate.

Enquanto Lula era o candidato, era fácil. Ele foi blindado pela própria direita midiática durante 20 anos, durante os quais o demonizaram diariamente na esperança de impedi-lo de chegar um dia aonde chegou. Em 2002, com o país destruído por FHC e pela mídia (a qual continuava a exaltar o tucano como “estadista” e protegê-lo nos escândalos em que se metia), ninguém deu bola aos ataques que fizeram a Lula.

Agora, porém, a situação é outra. Lula transferir seus votos não é a mesma coisa que pedi-los para si. É óbvio que, apesar de ser factível, não é a mesma coisa. E a máquina propagandística que está sendo montada para eleger Serra será a maior já vista. Ele terá todas as tevês, as grandes rádios, os grandes jornais e os grandes portais de internet a seu favor.

Se Lula e o PT quiserem disputar a eleição presidencial de 2010 com luvas de pelica, correrão o risco de perder uma eleição ganha. A coalizão governista terá que pôr a faca entre os dentes e ir para a guerra. E é disso que tenho medo. O presidente e seu partido parecem ter perdido a “ferocidade” necessária para tanto – ou será que essa “ferocidade” está apenas adormecida?

 

 

O maldito prof. Hariovaldo me desmascarou!

 

 

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 Escrito por Eduardo Guimarães às 12h22
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