Memória do blog

Quem Obama surpreende 

 

  

 

  

A parceria entre os Estados Unidos da América e o Islã deve ser baseada no que o Islã é e não no que ele não é. E considero parte da minha responsabilidade como presidente dos Estados Unidos a luta contra os estereótipos negativos do Islã, onde quer que eles apareçam. (...) Os israelenses têm que reconhecer que o direito de Israel existir não pode ser negado, mas nem tampouco o direito dos palestinos. Os Estados Unidos não aceitam a legitimidade de contínuos assentamentos israelenses (...) É hora de esses assentamentos serem interrompidos”.

 

O que vocês acabam de ler acima é um trecho do recente discurso de quase uma hora de Barack Obama na Universidade do Cairo, no Egito, onde foi aplaudido efusivamente, deixando o Islã encantado e a direita mundial ensandecida de ódio.

Diogo Mainardi, por exemplo, foi à loucura. Insultou pesadamente o líder norte-americano, que, aliás, vem sendo combatido com fúria incontida por toda a direita mundial.

Quando Obama venceu a eleição, publiquei aqui, num post intitulado “De baixo para cima”, um mapa das três Américas (vide acima) no qual pintei de rosa os países que a centro-esquerda governa. O momento é perfeito para republicar aquele texto.

O que escrevi há sete meses ajudará a entender a pergunta que intitula este post, mostrando que Obama só surpreende hoje àqueles que, por puro antiamericanismo, quiseram ver no líder estadunidense “um novo Bush”.

Como cansei de dizer antes mesmo de Obama ser escolhido candidato dos democratas à presidência de seu país, esse homem é um presente para a humanidade. Poderá mudar o rumo do planeta, caso não acabem com ele antes.

E, para mostrar como era previsível o que agora surpreende a tantos, leiam, a seguir, o post “De baixo para cima”, escrito em 5 de novembro do ano passado. 

 

 

De baixo para cima

 

 

Muitos ainda não se deram conta da real dimensão da vitória de Barack Obama ontem. Para entendê-la em sua completude, portanto, precisaremos rever a Doutrina Bush, seus objetivos políticos e seus retumbantes fracassos.

Além do belicismo e da irresponsabilidade econômica, os conservadores americanos trouxeram de volta à América Latina o golpismo de direita de outrora, o qual ninguém acreditava que voltaria a atuar nesta parte do mundo.

A doutrina Bush não foi marcada só pelas tais guerras “preventivas” de pretenso combate ao “terrorismo”. Havia pretensão de impedir a ascensão de governantes de esquerda na América Latina.

Fracassadas as tentativas de impedir que esses governantes chegassem ao poder – tentativas que se valeram da mídia da região –, voltou a prática americana de tentar desestabilizar e depor governos.

A primeira grande ação desestabilizadora americana do século XXI na América Latina ocorreu na Venezuela em 2002, quando tentativa de golpe de estado, reconhecidamente orquestrada pelo governo Bush, tirou do poder, por dois dias, Hugo Chávez, presidente constitucional daquele país.

Seguiram-se tentativas de desestabilização dos governos do Brasil, em 2005 e 2006 (através de massacrante campanha denuncista da mídia nativa, teleguiada por Bush), e da Bolívia neste ano (através das ações do embaixador americano junto à oposição ao governo Evo Morales).

O que acabou acontecendo, porém, foi que a onda rosa que varre a América do Sul estendeu-se à América Central e, de forma impensável até há pouco tempo, chegou também aos Estados Unidos, até então uma espécie de Disneylândia dos reacionários latino-americanos.

A eleição de Obama é, sim, uma vitória da esquerda possível e viável nos dias de hoje. Aliás, a campanha do republicano John McCain apoiou-se exatamente nessa visão de que o adversário seria “socialista”, na esperança de que ainda fosse possível vender a teoria de que “comunistas comem criancinhas”.

Com a vitória de Obama, acabam os incentivos à mídia latino-americana para atacar governos como o de Lula, Hugo Chávez, Evo Morales, Rafael Correa e outros. Não haverá mais financiamento dos reacionários racistas-midiáticos da “media luna” boliviana ou aos reacionários do mesmo tipo do Sudeste brasileiro.

Projetos de re-endireitar países como o Brasil sofreram duro golpe. Para ficar na política nacional, pode-se dizer que o projeto do PFL e do PSDB de retomar o poder em 2010 sofreu considerável abalo. A mídia, a principal arma da direita de inspiração ianque, perdeu seu maior líder, o governo de ultra-direita de George Bush, governo que teria continuidade através de McCain.

Não se deixem enganar pela rendição da mídia brasileira à vitória brilhante de Obama. Não há alternativa. O mundo está encantado pela vitória do “socialista” americano. A mídia não tem alternativa, a direita brasileira não tem alternativa. Não irão passar recibo da derrota que sofreram.

Mas será maravilhoso ver como os comentários racistas, homofóbicos e ultraconservadores de um Reinaldo Azevedo sairão de moda. O estilo neocon caminha para a mais absoluta decadência. Ser reacionário não será mais ser americanizado.

A vitória de Obama muda todo o quadro geopolítico do continente. A direita das Américas sofreu o golpe mais duro da história. O “liberalismo” americano contaminará o mundo e favorecerá o surgimento de governos “esquerdistas” onde não eram “viáveis” devido à discordância americana.

A tensão belicista da era Bush está moribunda e, em cerca de dois meses, terá sido varrida da face da Terra.

Inicia-se uma nova era de entendimento e distensão, onde os projetos humanistas ganharão novo fôlego. O mundo amanheceu melhor nesta quarta-feira, 5 de novembro de 2008. Graças a Deus.

 

Trabalhar é preciso

 

Às sete horas da manhã deste domingo, depois de receber um cliente no Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP) viajo com ele para visitar uma fábrica no interior de São Paulo. Só retorno à capital paulista na segunda-feira à tarde. Poderá haver atraso na liberação de comentários.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 20h40
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Crônica

O fenômeno chinês

 

 

 

 

 

 

A semana que se encerra, passei num pavilhão de exposições no qual houve uma feira do meu setor de atividade profissional. São poucos os lugares mais capitalistas que uma feira de promoção de negócios, mas o que nunca deixa de me surpreender nesses eventos é que os socialistas vêm provando que exercem o capitalismo com muito maior competência que os capitalistas.

A feira se chama M&T EXP e se refere a máquinas para construção e mineração, e a peças para essas máquinas. O evento enseja negócios de vulto, na casa dos milhões, devido a montadoras como Caterpillar, Komatsu, John Deere, New Holland e tantas outras.

Stands suntuosos oferecem, além da propaganda e dos mostruários dos produtos, atraentes hostess muito jovens trajando uniformes sumariamente reveladores de suas formas adolescentes. Ficam flanando entre senhores de meia idade engravatados, com seus abdomens protuberantes, encharcados de álcool e de canapés enquanto saboreiam sorrisos generosos de meninas com idade para ser suas filhas e até netas.

Ah, para quem não sabe, stands são espaços nos quais os expositores apresentam produtos e recebem clientes.

O que chama a atenção nesse tipo de evento, são os chineses. A China vem sempre com força, montando pavilhões com dezenas e dezenas de pequenos stands espartanos onde não se bebe ou come à farta e nem se vê atrativas hostess jovens e solícitas.

Os orientais tratam negócios com seriedade e sem gastos que consideram inúteis. Enquanto uma empresa ocidental do mesmo porte de outra chinesa monta um stand de 500 metros quadrados, sua concorrente oriental divide a mesma área com dezenas de outros stands. Economiza aí, muitas vezes, um projeto inteiro de desenvolvimento de produto que os ocidentais titubeiam em custear, mas gastam os recursos numa feira.

O negócio dos chineses, é o seguinte: pagamento antecipado e entrega demorada, mas preços que chegam a ser setenta, oitenta por cento menores do que os de seus concorrentes ocidentais.

E não é só a economia de tudo que possa ser supérfluo que torna os chineses tão competitivos. O empresariado chinês trabalha com margens de lucro infinitamente menores, até porque trabalha com inadimplência zero e escalas de vendas vertiginosas por conta de oferecer os preços mais baixos do mundo.

Enquanto se passa pelos stands ocidentais e se vê aquela farra regada a álcool, comida e ninfetas vestindo trajes sumários e insinuantes, os chineses estão lá sentadinhos com clientes fechando negócios, fazendo ali o que foram fazer. São disciplinados, compenetrados e objetivos.

Quem quiser entender o fenômeno chinês, terá antes que entender a mentalidade oriental. Eles pensam os negócios de forma diametralmente oposta da forma ocidental. Na verdade, a conduta deles nessas feiras mostra como pensam o mundo de uma forma que não entendemos. De uma forma que, ao menos nos negócios, parece ser muito mais eficiente, ainda que bem menos divertida.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 00h31
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Debate

Como fortalecer a Blogosfera

 

 

 

 

 

 

Estive, na noite de ontem, em reunião com um reduzido grupo de blogueiros. Não importa quem são, apesar de serem jornalistas de relevo.  O que importa é o que discutimos e que pretendemos que seja o embrião de uma ação que dê maior visibilidade à Blogosfera.

Mas de que Blogosfera estivemos falando, afinal?

Primeiro, vamos definir um aspecto crucial desta questão: estamos falando do jogo do poder. Basicamente, portanto, o foco são os blogs políticos. Mesmo aqueles blogs que discutem política e outros assuntos, no fim das contas seus públicos estão mais interessados é em política mesmo.

Houve um consenso, nessa reunião de que falei, de que esses blogs todos decorreram da falta de espaço jornalístico à esquerda e à centro-esquerda na mídia corporativa. Gente que passou a vida tendo que ouvir a direita falar o que queria e pautar o debate público, com a internet ganhou meio de dizer o que a mídia nunca permitiu que fosse dito, ainda que podendo dizer para poucos.

Esse movimento de insatisfação gerou a Blogosfera, um universo de páginas na Web de autoria de cidadãos de todas as partes do país que querem dizer o que nunca lhes foi permitido.

E é aí que está a questão: como dar visibilidade a tantos blogs? Ninguém nem sabe quantos são... Há blogs regionais e nacionais; há blogs de qualidade jornalística (sobretudo no que tange ao uso da linguagem escrita) e outros absolutamente amadorísticos; há blogs com milhares de leitores e outros que não agregam mais do que algumas dezenas; há blogs de acadêmicos, de jornalistas, de ativistas políticos e de cidadãos absolutamente desvinculados da política que apenas querem participar dos grandes debates.

Com tal diversidade e amplitude numérica de blogs, como falar em uma só blogosfera?

Primeiro, é preciso entender que essa Blogosfera específica de que tratamos não inclui os blogs corporativos, ou seja, bancados por grandes grupos de mídia. E nem são blogs necessariamente alinhados com a opinião midiática, que é uníssona e que predomina nos grandes jornais e tevês.

O IG, por exemplo, oferece diversidade opinativa, o que não se encontra no UOL ou no G1. Há um Luis Nassif no IG, só para economizar nos exemplos. São blogs que já têm espaço e visibilidade garantidas, porque são anunciados por grandes portais e, claro, porque têm qualidade profissional, quase sempre.

Claro que, dos grandes portais, só IG e Terra oferecem maior diversidade opinativa. Mas esses blogs desses portais têm como ganhar maior visibilidade, pois são bancados financeira e logisticamente por grandes grupos de mídia.

A Blogosfera como a defini acima, porém, tem uma característica: é de centro-esquerda. Ninguém conhece um blog não-corporativo de renome que seja de direita. Há uns dois ou três blogs de ultra-direita medianamente conhecidos, mas anônimos e, portanto, sem credibilidade. Além disso, limitam-se a imitar o blog de Reinaldo Azevedo.

Chega-se à segunda conclusão, portanto, de que a Blogosfera é essencialmente de centro-esquerda – a esquerda mais extremada não é vista com tanta facilidade nesse universo de blogs.

Outra conclusão: parte expressiva da Blogosfera é virtualmente invisível. O público ainda restrito dela consegue ler o quê, uns dez ou quinze blogs? E esse público transita de um para o outro.

Ano passado, o prêmio Ibest mostrou tudo que estou dizendo: os blogs de direita ficaram para lá do vigésimo lugar. Por isso, desqualificaram o certame dizendo que foi uma fraude. E penso que, devido à supremacia esmagadora dos blogs de centro-esquerda no Ibest, este ano não houve a premiação.

Este blog, por exemplo, foi alçado ao sexto lugar entre cerca de sessenta blogs. Ganhou uma visibilidade enorme. Praticamente triplicou seu público. Ou seja: o Ibest, do IG, um veículo corporativo, deu visibilidade a quem não interessava.

A Blogosfera tem, pois, um potencial enorme para se transformar numa poderosa fonte de contra-informação contra a mídia corporativa. Por essa razão, ela trata de tentar esconder o fenômeno o mais que pode.

Minha opinião, portanto, é a de que há que difundir o hábito de ler blogs para esse público incomensuravelmente maior que não vai além dos grandes portais de internet. A expressiva maioria dessa massa de pessoas (um UOL chega a atingir o milhão de acessos únicos com facilidade) fica exposta apenas ao discurso midiático.

Para despertar o interesse do grande público da internet pelos blogs, há que aproveitar aqueles com maior evidência como exemplo de que a leitura de blogs deve ser incorporada ao hábito de quem busca se informar pela internet. E lembremo-nos de que estamos falando de um público que já supera o dos meios de comunicação tradicionais como os jornais e as revistas.

É preciso criar fatos de impacto que dariam uma dimensão do que pode ser encontrado na Blogosfera, de maneira que os blogs com maior visibilidade assumiriam o compromisso de, paulatinamente, irem divulgando também blogs de menor expressão que têm inegável bom conteúdo. Claro que sob os critérios de cada blogueiro.

Mas difundir o hábito de confrontar a informação corporativa com a informação alternativa dependerá de se mostrar uma diversidade menor de blogs que serviriam de amostra e chamariz para o público, aí sim, começar a explorar mais profundamente a blogosfera.

Blogs que estão na casa das dezenas de milhares de leitores passariam a ter centenas. Os que estivessem na casa dos milhares passariam a ter dezenas de milhares, e os que têm centenas passariam ao milhar, sem falar no fato de que alguns blogs muito bons, com potencial para ter leitorados muito maiores, poderiam pular de centenas para dezenas e até centenas de milhares de leitores.

Há que combater a baixa qualidade, que desmoraliza a Blogosfera. Um leitor que, pela primeira vez na Blogosfera, caia num daqueles blogs que se limitam a reproduzir notícias que estão em toda parte ou que seja mal escrito, pode desistir de todos os blogs.

Como a criação de blogs é independente e prolifera de forma “anárquica”, fica difícil de impor “regras”. Em boa medida, é salutar que seja assim. Mas, em tão boa medida quanto, esse é um complicador da missão descomunal de fazer da Blogosfera um hábito do consumidor de notícias e opiniões sobre o jogo do poder. E esse é um universo de leitores que, num país tão populoso, chega aos milhões.

Para dar visibilidade a essa “amostra” do que são os blogs, será preciso pensar em ações de impacto - e esta é a segunda parte dessa discussão que iniciei ontem. Há planos sobre como promover tais ações impactantes, planos que ainda se encontram em gestação. Contudo, estou convencido de que este caminho que sinalizei, é viável.

Daqui em diante, exponho esta discussão ao vosso crivo e às vossas contribuições. Obter tais contribuições, aliás, é o objetivo deste post.

 

 

Comentários

 

 

Hoje haverá novos atrasos na liberação de comentários. Contudo, ao fim do dia, todos

eles estarão aqui.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 01h43
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Crônica

Mente em branco

 

 

 

 

 

 

Nesta semana, estou participando de uma feira do meu setor de atividade profissional. O expediente começa às 12h00m e termina nas primeiras horas da madruga devido a jantares e cocktails.

Chego em casa morto de cansaço. São quase três da manhã. Estava com um animado grupo de argentinos e peruanos numa casa noturna. Eles adoram isso – e eu detesto.

Trocaria tudo por ter passado a noite aqui escrevendo para vocês, lendo vossos comentários, indo beijar minhas filha, neta e mulher de quando em quando, alisando os pelos macios de minha poodle de estimação, bebericando um vinho do porto, ouvindo boa música...

Mas estou morto. A cama me convida. A mente não funciona. Não tenho idéia do que escrever. Passei o dia em reuniões de negócios. Esqueci que existe política. A mente está totalmente vazia, sobre essas questões.

Contudo, quando o dia clarear, vocês virão aqui em busca de um post. Assumi esse compromisso com vocês; devo escrever nem que seja qualquer bobagem.

Infelizmente, hoje não posso entregar o prometido. Só pude vir aqui me desculpar, mas, já que não gosto de escrever por escrever, vejamos o que posso fazer pelos amigos...

É fato que não tenho um assunto que valha a pena em mente, por isso achei melhor confessar logo e ir dormir, que, daqui a pouco, terei que estar de pé, pronto a mostrar os dentes aos nuestros hermanos latino-americanos que tiveram o trabalho de vir ao Brasil nos trazer gentilmente seus dólares.

Então, deixo o post livre para que vocês escrevam sobre o que quiserem. Que deixem vossas sugestões de pauta, que façam denúncias, piadas, que dêem umas receitas culinárias ou que me critiquem por ter achado melhor escrever sobre nada do que nada escrever.

Contudo, na noite de hoje terei uma importante reunião que tratará do futuro da blogosfera, ou melhor, de idéias dos que querem contribuir para que ela se torne mais importante, mais abrangente e influente. E ainda terei que driblar os gringos para participar dessa reunião.

Mas, como eu disse, assumi compromissos ao criar este blog e tudo mais que criei. E compromissos são compromissos. Como vocês podem notar, esforcei-me para não deixá-los na mão. Agora é com vocês, pois. Volto hoje no fim da noite, quando prometo escrever sobre alguma coisa.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 03h12
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Manifesto

Todos os nossos semelhantes

 

 

 

Se alguém ainda tinha alguma dúvida de que, no Brasil, há várias classes de cidadãos, o acidente com o avião da Air France acaba de provar que essa é a mais dolorosa de nossas verdades. Uma verdade que muitos de nós se recusam a ver porque nos envergonha.

Escrevo logo depois de ler que o presidente da República em exercício, José Alencar, acaba de decretar luto de três dias pela morte de cerca de cinco dezenas de brasileiros naquele acidente aéreo.

Nos últimos dias, o sumiço do avião sobre o Atlântico, as especulações sobre o que teria acontecido, os dramas pessoais decorrentes da tragédia e, finalmente, a confirmação da morte daqueles cidadãos, tudo isso foi alçado a um patamar que terminou pondo a nação de luto.

Não tenho nada contra o país condoer-se pelas vítimas dessa tragédia, até porque me condôo da mesma forma. São seres humanos, meus semelhantes.

Oponho-me somente a não haver luto oficial ou comoção da mídia quando outras cinco dezenas de brasileiros morrem de forma tão ou mais trágica no Norte e no Nordeste por conta de chuvas e inundações, com o agravante de que a tragédia norte-nordestina é de proporções muito maiores. Famílias inteiras desabrigadas, montanhas de feridos, gente adoecendo gravemente. Foram milhares os atingidos.

Pergunto: por que uma tragédia é menor do que a outra? Se são tragédias no mínimo igualmente trágicas, porque são tratadas pelo Estado e pela mídia de forma tão diversa? O que torna mais importantes os cidadãos que estavam naquele vôo trágico?

A resposta a essas perguntas é dolorosa: cor da pele e classe social. Ponto.

Não há dúvida sobre isso. Há gente que será suficientemente calhorda para negar, mas é lógico que, por haver quase uma totalidade de negros, índios ou seus descendentes entre os mortos do Norte e do Nordeste - e por serem todos pobres -, não merecem tratamento igual ao da esmagadora maioria de brancos de classe média alta que morreram no desastre aéreo.

Não estou contando nenhuma novidade. Todos sabem que é assim no Brasil e em tantas outras partes do mundo, inclusive no mundo rico, e ninguém fala nada. Aceitamos isso assim inclusive porque se trata do nosso grupo social, no caso do acidente aéreo, com variações maiores ou menores de poder econômico.

Eu, pelo menos, não consigo aceitar esse tipo de coisa. Não consigo me conformar. Exijo de mim mesmo ficar indignado. Não posso perder essa capacidade. Não posso achar que seja civilizado, decente, humano tratar seres humanos de forma tão díspar. E muito menos que todos aceitem calados uma barbaridade civilizatória como essa.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 23h50
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Crônica política

Canalhice democrática

 

 

 

 

 

 

A democracia nos obriga a ouvir silenciosamente um tipo de canalhice política que sentimos vontade de calar, de tão nojenta. Não podemos, porém. E não devemos. Por mais que seja difícil de suportar, o melhor é que até sandices como a que escreveu ontem o blogueiro da Globo Ricardo Noblat sejam ditas com toda liberdade.

Não tenho condições psicológicas de escrever o que aquela péssima imitação de jornalista escreveu. Ele fez uma crítica a Lula à qual nem seus pares pistoleiros darão bola, pois é uma crítica muito burra. Por isso, cortei o texto e colo abaixo. Com asco, mas democraticamente.

 

Enviado por Ricardo Noblat - 1.6.2009 | 13h07m

 

Havia 80 brasileiros no vôo da Air France (Cadê Lula?)

 

Dos 228 passageiros do vôo desaparecido da Air France, entre 40 e 60 eram franceses, segundo informações dos principais jornais de Paris. Havia 80 brasileiros a bordo.

Nicolas Sarkozy, presidente da França, está no aeroporto Charles De Gaulle, em Paris, para confortar os parentes das vítimas.

Estão desde cedo no aeroporto os ministros das Relações Exteriores, dos Transportes, e de Energia e Ecologia.

Lula preferiu voar para assistir à posse do presidente de El Salvador. Embarcou informado de que o avião estava desaparecido e de que eram remotas as chances de ele não ter-se acidentado.

Por ora, não há autoridades do primeiro escalão do governo brasileiro no aeroporto do Galeão, de onde o avião decolorou.

Correção - Lula embarcou ontem para El Salvador, ao contrário do que escrevi acima. Nada impede que volte a qualquer momento, caso queira.

 

Enfim, meus amigos, vejam só onde é que isso seria jornalismo...

O sujeito apurou mal uma informação que pretende grave – mas que não seria nem se fosse como o Noblat relatou – e já foi acusando Lula de ter viajado para um compromisso oficial mesmo sabendo do acidente aéreo.

Quando a mortandade acontece com nordestinos pobres, porém, a mídia não dá bola. E se Lula adiasse um compromisso internacional para vê-los mortos ou desaparecidos, seria tachado de irresponsável.

Mas tinha até um “príncipe” no vôo, ora. Há que parar o Brasil para reverenciar-lhe a suposta morte e as dos outros cidadãos importantes como jamais serão os flagelados e mortos pobres do Nordeste.

No fim, o “pistoleiro vaselina” da Globo reconhece o erro, mas não o erro da premissa que poderia tê-lo materializado. Quer que Lula volte do compromisso oficial no exterior para confortar os bacanas que viajavam à Europa, os quais, em grande parte, nem brasileiros eram.

Lula andou pelo Oriente faz pouco tempo e não me lembro de ninguém ter pedido para ele voltar do compromisso internacional para segurar na mãozinha dos nordestinos miseráveis que sofriam não se sabe se mais os que sobreviveram ou os que morreram por conta das águas.

Mas é a democracia, não é? Muito melhor que seja assim. O direito de dizer besteiras e canalhices é constitucional. Até porque, quem decide o que é canalhice e o que é notícia?

Melhor que possa se produzir essa torrente de canalhice e que tentemos pescar algo que preste no meio. Na pior das hipóteses, seremos tão democráticos que até barbaridades como essas serão ouvidas civilizada e democraticamente, ainda que não se aproveite uma vírgula do que foi dito.

 

 

Comentários e postagens

 

 

A partir de hoje às dez da manhã, participo de uma feira do meu segmento de atividade que irá durar até sexta-feira. Até lá, comentários poderão demorar um pouco mais para ser liberados e as postagens serão feitas exclusivamente à noite.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 01h09
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Denúncia

Colunista da Folha insinua 

que Lula suborna blogs

  

Atualizado às 13h18m de 1 de junho de 2009 

 

 

Fernando de Barros e Silva

 

 

 

Em sua coluna de hoje na página A2 da Folha de São Paulo, o colunista Fernando de Barros e Silva deu notícias pouco comentadas e que explicam sobremaneira o mau-humor da grande mídia em relação ao governo Lula.

Mas o colunista do maior jornal vendido em bancas – e a outros compradores cada vez mais óbvios – não ficou só nisso. Ele também afirmou que o governo Lula suborna blogs para que falem bem dele.  Leiam, abaixo, o que o sujeito escreveu, que comento em seguida.

 

FERNANDO DE BARROS E SILVA

O Bolsa-Mídia de Lula

SÃO PAULO - O jornalista Fernando Rodrigues deu uma grande contribuição ao conhecimento da máquina de propaganda do lulismo. A reportagem que publicou ontem na Folha mostra como, na atual gestão, o Planalto adotou uma política radical e sistemática de pulverização da verba publicitária destinada a promover o governo.

Em 2003, a Presidência anunciava em 499 veículos; em 2009, foram 2.597 os contemplados -um aumento de 961%. Discriminada por tipo de mídia, essa explosão capilarizada da propaganda oficial irrigou primeiro as rádios (270 em 2003, 2.597 em 2008), depois os jornais (de 179 para 1.273) e a seguir o que é catalogado como "outras mídias", entre elas a internet, com 1.046 beneficiadas em 2008.

O que isso quer dizer? A língua oficial chama de regionalização da publicidade estatal e a vende como sinal de "democratização". Na prática, significa que o governo promove um arrastão e vai comprando a mídia de segundo e terceiro escalões como nunca antes neste país.

Exagero? Eis o que diz Ricardo Barros (PP-PR), vice-líder do governo e membro da Frente Parlamentar de Mídia Regional: "Cerca de 50% das rádios e dos jornais do interior pertencem ao comunicador. O dono faz o jornal ou o programa de rádio. Se recebe dinheiro, passa a ter mais simpatia e faz uma comunicação mais adequada ao governo. Há uma reciprocidade".

Enquanto, na superfície, Lula trata de fazer a sua guerra retórica contra a "imprensa burguesa", que lhe dá azia, no subsolo do poder a engrenagem montada pelo ministro Franklin Martins se encarrega de alimentar a rede chapa-branca na base de verbas publicitárias. É o Bolsa-Mídia do governo Lula.

Essa mídia de cabresto que se consolidou no segundo mandato ajuda a entender e a difundir a popularidade do presidente. E talvez explique, no novo mundo virtual, o governismo subalterno de certos blogs que o lulismo pariu por aí.

 

Ficamos sabendo muito através dessa coluna, concordam? Sabemos agora que este governo pulverizou as verbas de publicidade que eram doadas só aos grandes veículos à época em que FHC e seus antecessores estavam no poder, o que produziu essa situação de concentração da mídia de hoje, na qual Folhas, Vejas e Globos são grandes porque têm muito dinheiro e têm muito dinheiro porque são grandes.

A tese de Barros e Silva é muito interessante. O governo teria que comprar publicidade só em grandes veículos porque esses, como têm muito dinheiro, não mudam de opinião em favor do governo justamente por serem ricos e por não precisarem do dinheiro que o governo dá. Já os veículos menores...

Qual é a solução? Dar dinheiro só a quem tem muito dinheiro, o que, no Brasil, chega a ser um pleonasmo ideológico.

O colunista da Folha também insinuou que o governo suborna blogs aos quais não deu nomes. Muito ruim, porque não conheço blogs que apóiam o governo – ou que, ao menos, não embarcam na malhação do judas federal que pratica uma Folha – que veiculem publicidade oficial. Então, o dinheiro público seria doado a esses blogs por baixo do pano...

Gostaria de saber por que nunca me ofereceram dinheiro ou publicidade oficial. Este blog tem tido um desempenho muito bom ao mostrar que a Folha, por exemplo, sabota o país ao tentar, reiteradamente, sabotar o governo - em minha opinião, ao menos.

E uma diferença do blog Cidadania para a Folha, entre outras, é que faz acusações de frente, citando nomes, enquanto a Folha põe seu editor de política para fazer acusações irresponsáveis aleatoriamente, comprometendo todos os blogs que não se alinham com a grande mídia tucana.

É por essas e por outras que pretendo fazer uma consulta ao setor jurídico do Movimento dos Sem Mídia para saber se este e outros blogs que apóiam o governo federal ou que não se alinham ao ataque massivo e irresponsável a ele pela grande mídia têm o direito de exigir judicialmente que o colunista diga a que blogs se referiu.

O que é que vocês, leitores, acham da minha idéia? E você, blogueiro independente, o que você acha? Se você não se alinha ao discurso político da Folha, seu blog foi tachado de vendido para falar bem do governo pelo simples fato de você lhe reconhecer méritos ou por não atacá-lo incessantemente como faz a Folha, que ainda se abstém de criticar José Serra.

Aliás, nesse aspecto, seria interessante comentar sobre como o governo paulista age diferente do federal nesse aspecto da publicidade oficial.

Andei ouvindo uns boatos por aí de que durante o caso da “ditabranda” a Folha perdeu cerca de duas mil assinaturas. Disseram-me que os atendentes do setor de assinaturas daquele jornal, quando alguém ligava para cancelar assinatura por conta do editorial que disse que a ditadura militar foi “branda”, tentavam convencer o assinante a mudar de idéia porque o jornal recuara da opinião etc., etc. e tal.

Mas, segundo os boatos, o governador José Serra minimizou o prejuízo da Folha comprando-lhe cinco mil assinaturas para distribuir às escolas públicas junto com os livros didáticos de qualidade equivalente ao desse jornal que esse governo tem distribuído.

Seria uma excelente oportunidade para se abrir também uma CPI em Brasília para examinar a publicidade oficial dos governos Federal, estaduais e municipais. Há alguns anos, ficamos sabendo que o governo Geraldo Alckmin doava muito dinheiro público a veículos que lhe faziam apologia. Há essa denúncia da Folha contra o governo federal e sobre compra oportunista de assinaturas de jornalões por Serra.

Enfim, pelo menos do lado da Blogosfera, penso que os blogueiros que, a exemplo deste, nunca viram um centavo de dinheiro público na frente, deveriam interpelar esse jornalista – e também seu jornal – pedindo esclarecimentos. Assim sendo, a Folha e seu colunista podem ter certeza de que vou tentar levar adiante estas idéias que acabo de expor.

 

Reclame à Folha

 

Reproduzo, abaixo, carta que enviei à Folha de São Paulo hoje por conta da coluna supra mencionada. Recomendo a você que tampouco gostou do texto, que faça o mesmo. Pode enviar a mensagem para leitor@uol.com.br e para ombudsma@uol.com.br. Segue o texto que enviei àquele jornal. 

 

Tenho 49 anos, sou natural de São Paulo, atuo como representante comercial e não sou vinculado a nenhum partido político ou sindicato.

Em 2006, vendo que a mídia pretendia derrubar Lula – e porque aquela minha opinião ceifou meu espaço nas colunas de leitores dos grandes jornais, com alguma exceção na Folha que foi diminuindo até me tornar vetado no Painel do Leitor –, criei um blog para denunciar que a mídia serve à oposição tucano-pefelê.

Lendo a coluna de Fernando Barros e Silva de hoje, vi que ele insinua, por não dar nomes aos bois, que qualquer blog simpático ao governo Lula é subornado por ele, porque o governo Lula não põe publicidade oficial na dita Blogosfera e, assim, se dá dinheiro a blogs depreende-se que seria de forma ilegal.

Tenho feito acusações de partidarismo à mídia dando nomes aos bois. Acho que a Folha é aliada de José Serra e trabalha para elegê-lo em 2010. Não sei se ele dá dinheiro público à Folha por isso, mas, como contribuinte paulista, gostaria de saber.

Por fim, sendo signatário de um blog que apóia o governo Lula como é direito de qualquer um na democracia – e que, jornalisticamente, é uma posição muito mais digna do que daqueles veículos que, como a Folha, apóiam Serra e não assumem –, penso que Barros e Silva deveria dar nomes aos bois.

Tenho certeza de que há muitos blogs que não aderiram ao golpismo midiático e que, por isso, foram acusados injustamente pelo editor do caderno de política da Folha e, assim, querem maiores esclarecimentos sobre sua acusação.

Eduardo Guimarães



 Escrito por Eduardo Guimarães às 10h17
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Análise política

‘Databranda’ e ‘Napoleão’

 

 

 

 

 

 

Pode não ter sido o herdeiro Otavio Frias “Júnior” quem escreveu o editorial da Folha de São Paulo deste domingo que trata da nova pesquisa Datafolha, instituto que um leitor bem-humorado chamou aqui de “Databranda”. Porém, o texto foi escrito sob sua encomenda e refletindo sua visão deturpada dos fatos.

Esse sujeito que ditou os termos do editorial “Assunto encerrado” (31/05), para mim nem é mais mentiroso e mistificador: acho que é maluco mesmo. Sofre daquele problema mental chamado “Complexo de Napoleão”.

Aquele herdeiro do velho Frias acha que seu jornal tem poder para encerrar a discussão sobre um terceiro mandato de Lula. Nesse afã, seu editorial omite e distorce fatos e se esquiva da opinião que o jornal defendeu no passado sobre um governante promover, mandar promover ou permitir que seus aliados promovam mudança na Constituição em benefício próprio.

Além disso, o texto chancelado por Frias faz uma leitura absolutamente despropositada de um dos fatos que visivelmente mais irritaram aquele “Napoleãozinho” da Barão de Limeira*, o fato de Lula ter recuperado (todinha) a pouca popularidade que teria perdido ao fim do primeiro trimestre deste ano por ação óbvia do surto de desemprego ocorrido em dezembro do ano passado.

Comento a seguir, portanto, alguns trechos do editorial em tela.

REFORÇAM-SE mutuamente os números, publicados nesta edição, da pesquisa Datafolha sobre a sucessão presidencial e sobre a tese de um eventual terceiro mandato para o presidente Lula.

Fruto bizarro, ao que tudo indica, dos interesses bajulatórios e do maquiavelismo rústico do baixo clero governista, a proposta da "re-reeleição" para o presidente petista não alcança, pelos dados da pesquisa, densidade suficiente para se impor.

Ao contrário: com 49% dos entrevistados contra a ideia, e 47% a seu favor, comprova-se acima de tudo o quanto haveria de arriscado na manobra.

O editorial contraria a própria pesquisa, que revela que entre o ano passado e este o percentual dos que apóiam a re-reeleição de Lula subiu de 34% para 47%, segundo o “Databranda”. Ou seja: sem campanha pelo terceiro mandato e com o presidente Lula dizendo que não o quer, seus entusiastas aumentaram de forma impressionante.

A possibilidade de instituir-se uma fratura profunda de opiniões, em assunto diretamente ligado à estabilidade institucional, surge com clareza - e, do frio registro dos números às vicissitudes de um entrechoque real no debate público, certamente esse potencial divisivo tenderia a intensificar-se gravemente.

Gozado é que, antes, o jornal não via na mudança das regras do jogo com ele em andamento qualquer ameaça à “estabilidade institucional”, pois em editorial publicado em 5 de janeiro de 1996, cerca de um ano antes de a emenda constitucional que permitiu reeleição de FHC em 1998 ser aprovada, a Folha disse exatamente o contrário, disse que essa mudança de regras “apenas” permitiria que FHC se recandidatasse, pois, segundo escreveu aquele jornal, “Entre a candidatura e a renovação do mandato estará sempre o democrático e o inquestionável veredicto das urnas.

Note-se, aliás, a circunstância positiva de que os índices de popularidade do presidente Lula não se transferem automaticamente para o apoio a uma nova reeleição.

Como não se transferem? Se o apoio ao terceiro mandato subiu tanto do ano passado para cá mesmo com Lula dizendo que em nenhuma hipótese iria se recandidatar, é lógico que, se ele viesse a público dizer que mudou de idéia devido a uma causa compreensível como a de sua candidata se inviabilizar por algum motivo (doença ou sabotagem de sua candidatura), praticamente todos aqueles eleitores fiéis do presidente que hoje dizem não apoiar um terceiro mandato unir-se-iam àqueles que querem esse terceiro mandato desde já.

  

*Barão de Limeira é a rua em São Paulo onde fica a sede da Folha

 

Indústria de crises e duas apostas

 

Apesar de todo esforço que a mídia fez para sabotar o país disseminando pessimismo entre os agentes econômicos e a população para que parassem de investir e de consumir, por ação do Estado os números da economia começaram a se reverter e o Brasil sobrepujou aquela sabotagem.

Sob liderança de Lula, que em nenhum momento deixou cair a peteca do otimismo, seu governo reagiu à crise de forma diametralmente contrária àquela que era adotada por governos passados, ou seja, impondo a ação do Estado para restabelecer o crédito e os investimentos suspensos, e ainda pressionando o empresariado a não demitir.

As popularidades do presidente da República e de seu governo retornaram ao patamar pré-crise porque o povo enxergou a ação do presidente e os benefícios que ela gerou, e enxergou que enquanto mídia e oposição pregavam redução dos gastos públicos Lula adotava caminho inverso, caminho que cada vez mais fica claro que está dando certo.

Por mais que a mídia e a oposição tentem atribuir tudo que persiste de ruim no país a este governo e tudo que vem acontecendo de bom ao governo FHC, por mais que a mídia e a oposição tentem fazer o povo pensar que sua vida está piorando apesar de todos os números da economia mostrarem que ela melhora e que a piora relativa e tênue ocorrida nos dois trimestres anteriores foi superada, essas forças do atraso não desistem.

Diante de uma pesquisa como essa do “Databranda”, a oposição e a mídia deveriam entender que o caminho para recuperarem o poder não está em falar mal de Lula e sim em falarem bem de José Serra, ainda que não exista garantia de que iria colar. É por isso que, neste exato momento, a mídia e a oposição já estão engendrando mais alguma crise.

A verdade, meus caros, é que Lula, de um lado, e mídia e oposição, de outro, fizeram, cada lado, uma aposta diferente da outra.

O consórcio tucano-pefelê-midiático aposta na burrice popular, que lhe permitiria manipular a sociedade de forma a ela achar que sua vida está piorando, apesar de ser o contrário o que está acontecendo.

Já o presidente da República, como já disse repetidas vezes, aposta no contrário. É tão simples a teoria dele e essa gente não enxerga... Ele acha que as pessoas percebem claramente o que está acontecendo: que o país melhora e que a mídia, aliada da oposição, mente.

Lula já se cansou de dizer que “as pessoas notam”, mas mídia e oposição recusam-se a aceitar que a sociedade tenha evoluído a tal ponto. É por isso que fazem o que fazem – e é por isso que não dá certo.

 

Dilma e Serra

 

Outro fato que eles não notam é que Dilma está superando todas as expectativas positivas sobre sua candidatura - ou fazem de conta que não notam, claro.

É inegável. Os números da pesquisa “Databranda” são claros ao mostrar que a ministra está sendo fortemente beneficiada pelo fenômeno da transferência de votos de Lula para si muito antes de a campanha começar.

A maior – e cadente – intenção de voto em Serra é fugaz, pois se deve exclusivamente a “recall” (lembrança de um nome de político pelos eleitorados) e ao fato de que a grande, a esmagadora maioria dos brasileiros nem está pensando em eleição. Como dizem analistas que podem ser lidos na mesma Folha em que a pesquisa é divulgada, a um ano e meio da eleição qualquer pesquisa diz muito pouco.

Já a subida das intenções de voto em Dilma se deve a fenômeno diametralmente oposto. Essas intenções de voto crescentes são sólidas, fruto de opção consciente desse segmento do eleitorado que está comprando, não o que tinha na cabeça, mas, sim, uma idéia nova.  

 

Errei

 

No post anterior, no qual aludi ao Prêmio Nobel, fiz confusão geográfica que precisa ser desfeita. Devido ao fato de que é o rei da Suécia quem faz a entrega anual do Prêmio Nobel em suas variadas versões, acabei escrevendo que Oslo, onde a premiação acontece, fica na Suécia, quando, na verdade, fica na Noruega.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 12h37
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