Crônica política

Tenham medo de mim

 

 

 

 

 

 

Faz tempo que estou para escrever isto. E, ao começar a escrever, sinto que deveria ter escrito muito antes. Aliás, alguém já escreveu sobre este blogueiro o que ele (eu) mesmo agora escreve e que, ao contrário do que parece, não é um texto personalista, mas previsão de aumento do ritmo da materialização de um fenômeno sociológico inexorável.

O jornalista Luiz Carlos Azenha escreveu faz tempo – e até publicou em seu site – um texto que serve à minha tese de que a mídia e a classe política deveriam ter muito medo de um eminente desconhecido chamado Eduardo Guimarães. Azenha notou o evento sociológico que é o surgimento de um blogueiro que não veio das escolas de Jornalismo, de Sociologia, de Direito, seja do que for em termos de profissões que têm que ver com o jogo do poder, e principalmente das classes política ou sindical.

Vim de um setor de atividade que nada tem que ver com o que comecei a fazer antes mesmo de criar este blog, há muitos anos. E é esta a história que quero lhes contar.

 

Da omissão à participação

 

Sou alguém que começou a ter consciência política em 1989, durante o retorno de fato do Brasil à democracia com a primeira eleição direta para presidente em mais de duas décadas. Eu tinha 30 anos. Até então, sempre me omitira das questões cidadãs. Sobretudo porque o começo de minha vida conjugal foi difícil, pois me casei antes de me estruturar minimamente na vida.

O fato é que, no primeiro turno da eleição presidencial de 1989, votei em Mario Covas. Achava Lula muito “radical” – e achava que Collor era um picareta. Com a derrota de Covas para Lula na passagem para o segundo turno, não me restou opção: fui para o segundo turno com Lula, certo de que a eleição de Collor seria um duro golpe para a democracia que se reinstalava no país.

Foi aí que comecei a achar que Lula era tudo, menos “radical”, porque vi, com estes olhos que a terra há de comer, o que fizeram para impedi-lo de vencer a eleição – e o que fizeram foi coisa de bandidos. Mas Lula não perdeu a linha diante das safadezas que praticavam contra ele. Nunca perdeu a linha.

Já eu que havia formado, através da mídia – e, sobretudo, através do Estadão, jornal que comecei a ler aos 13 anos –, a opinião que me fez votar em Covas no primeiro turno em 1989, a opinião de que Lula era “radical”, percebi então, pela primeira vez, que a mídia mentia.

Vi sabotarem Lula de todas as formas desonestas possíveis e imagináveis. No ápice daquilo tudo, vi a mídia coonestar o ataque sujo de Collor contra o petista usando o nome da filha dele e um depoimento comprado de sua ex-namorada, mãe da garota.

Nos primeiros anos depois daquela campanha eleitoral imunda, percebi que, se fizeram tanto para impedir Lula de vencer a eleição – e se usaram aqueles métodos –, certamente que boa coisa não eram, e certamente que Lula poderia, sim, ter intenção de melhorar a vida dos brasileiros, entre os quais estava eu mesmo.

Durante os cinco anos seguintes, vi que minha percepção sobre Collor era verdadeira e vi o que custou ao Brasil ter seguido a orientação midiática e votado no “Caçador de Marajás”, aquela enorme fraude construída pela Globo, pela Folha, pela Veja e pelo Estadão, entre outros.

Mas foi em 1994, quando Fernando Henrique Cardoso aliou-se ao que então havia de mais podre na política brasileira para vencer Lula (o PFL), e ainda com o mesmo apoio da mesma mídia que elegeu Collor com calúnias e enganações como a de que seria o petista que confiscaria a poupança se se elegesse, foi ali que me dei conta de que a mídia era uma ameaça ao país.

Quando FHC ganhou a eleição de Lula em 1994 valendo-se de uma quase censura da mídia a Lula e aos seus eleitores, decidi que não continuaria calado. Comecei a enviar cartas por fax ao Estadão. Uma por dia.

Eu era um moderado – e cansei de sê-lo, nos anos seguintes. Escrevia textos concisos, educados e forrados de argumentos oriundos da maior boa fé. Talvez por isso o Estadão, apesar de sua linha editorial conservadora, um belo dia publicou uma de minhas cartas, naquele mesmo 1994.

Fiquei maravilhado. Poderia participar do debate público, meu Deus! Havia deixado de ser apenas um inconformado. Se argumentasse corretamente, por escrito, não teria que ver as coisas acontecerem sem poder fazer nada. Havia que aprimorar meus textos e que ser persistente, pois.

Daquele ano em diante, fui me tornando um dos colaboradores mais presentes nas redações de jornais paulistas e cariocas. Cheguei a ter carta publicada até na Veja – apenas uma. E tanto no Estadão quanto na Folha cheguei a estar entre os leitores mais publicados.

Até que um dia, depois de muitos anos, percebi que eu fazia concessões àqueles jornais para ser publicado por eles. Não conseguia ser publicado quando dizia certo tipo de coisas. Em 1998, por exemplo, o Brasil já estava quebrado. Todos sabiam disso. Sobretudo os jornais.

Eu trocava e-mails com colunistas de jornais como José Neumanne Pinto (Estadão) ou Clóvis Rossi (Folha). Todos sabiam que o Brasil estava quebrado e que teria que desvalorizar o real urgentemente, mas a mídia ajudava FHC a mentir dizendo que Lula é que desvalorizaria o real se ganhasse a eleição.

Ao ajudar FHC a postergar a urgentíssima desvalorização do real só para se eleger, a mídia cometeu o primeiro grande crime de lesa-pátria de que havia tomado conhecimento até então. Nos anos seguintes, mergulhando de cabeça nos livros para conhecer a fundo a história política do Brasil, descobri que aquilo acontecia desde muito antes.

 

O advento político da internet

 

A partir do segundo mandato de FHC, fui vendo alguma coisa que eu jamais pensei que existisse. Através das seções de cartas dos jornais, fui descobrindo que eram manipuladas para fazerem vencer pontos de vista dos conservadores.

Descobri, em seguida, que não eram só as minhas cartas que começaram a ser rejeitadas talvez por eu ter passado a escrevê-las mal ou por ter perdido meu poder de argumentação. Percebi que poderiam não publicar a mim por ter escrito mal ou de forma prolixa, mas que deveriam publicar aquele meu ponto de vista através da carta de outro, como representação do necessário contraditório. Mas não publicavam.

A censura da imprensa a certas opiniões foi mitigada com a chegada da internet ao Brasil e com a disseminação de seu uso no fim dos anos 1990. Ali começaram a surgir as listas de e-mails. Era possível atingir centenas, milhares de pessoas enviando a elas textos por correio eletrônico.

Estabeleci um dos primeiros grandes fóruns de debate pela internet em uma lista com centenas e centenas de destinatários de todas as tendências. Ia colhendo e-mails publicados pelos jornais e por outras correntes de e-mail que recebia.

Fazia tudo isso paralelamente à minha atividade de comerciante de autopeças. Era autônomo, desde então, e passei a dedicar uma parcela de meu tempo a essa atividade, que fazia com que me sentisse um verdadeiro cidadão. Eu estava, finalmente, podendo contribuir com o interesse público.

 

Por que temer Eduardo Guimarães

 

Por que a mídia deveria ter medo de mim? Ora, primeiro que não é de mim, especificamente, que a mídia deveria ter medo, mas de todos os Eduardos que deve haver por aí.

Muitos deles – talvez a quase totalidade – provavelmente não escrevem. Todavia, no mínimo todos eles falam, opinam, convencem, sem saber, ainda, que poderiam falar muito mais alto.

São pessoas comuns, sem ligações com o jornalismo, com partidos, com sindicatos ou com a academia. São pessoas que lutam para pagar as contas através de profissões que nada têm que ver com o jogo do poder. São pessoas que fazem o que fazem sem ganhar nada em troca.

A mídia deveria ter medo de Eduardo Guimarães porque ele faz o que faz só porque acha que é sua obrigação fazer. Ele não é candidato a nada, não ganha absolutamente nada para fazer o que faz, sabe que jamais ganhará nada com isso, mas continua fazendo. E, segundo diz muita gente, com boa dose de sucesso.

Em minha opinião, a geração espontânea de Eduardos Guimarães continua acontecendo. Seremos muitos, algum dia, como acontece nos países desenvolvidos, nos quais as pessoas sabem que não podem se omitir e que não devem aceitar informações de um lado só.

Por isso tudo, reitero à mídia o convite para que tenha medo, para que tenha muito medo de mim, pois eu sou o futuro de uma sociedade que um dia entenderá que é possível – e imperativo – que todos participem dos grandes debates nacionais e que denunciem os vigaristas que tentam nos enganar usando carapaças de “jornalistas”.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 14h33
[] [envie esta mensagem]



Reportagem

Paulistas pela Petrobrás

 

  Atualizado às 04h25m de 20 de junho de 2009

 

 

 

 

Fomos cerca de três mil, segundo os organizadores do ato público em defesa da Petrobrás que teve lugar diante da sede da empresa, na avenida Paulista, na manhã desta sexta-feira 19 de junho de 2009.

Cheguei ao local por volta das 11h45m devido a ter tido que levar minha filha pequena ao Hospital das Clínicas. De lá, tomei a Paulista e estacionei a poucos metros do ato que ecoava por quilômetros pela avenida afora.

Não houve obstrução do trânsito. Conforme havia sido combinado durante a reunião preparatória da semana passada, os manifestantes e o caminhão de som chegaram cedo ao local e ocuparam a calçada e o pátio interno diante do edifício da Petrobrás.

Um caminhão de som foi colocado em cima da calçada. No alto, sindicalistas e líderes de movimentos sociais, assim como o deputado federal José Genoino, que, no entanto, deixou o local pouco depois de minha chegada.

Logo comecei a encontrar rostos conhecidos. O Tião, da Executiva da CUT, chamou-me para que subisse ao caminhão de som e, sob anúncio do sindicalista Antonio Carlos Spis, tive acesso ao microfone para fazer um breve discurso em nome do Movimento dos Sem Mídia.

Citei as Organizações Globo, o Grupo Folha, o Grupo Estado e a Editora Abril. Disse, com minha voz agora tonitruante, na avenida mais rica e poderosa do Brasil, que esses meios de comunicação estão a serviço do PSDB e do PFL. Lavei a alma.

E acho que não só a minha, mas de todos vocês, membros do Movimento dos Sem Mídia que estiveram no ato. Lamentavelmente, encontrei apenas uma parte de vocês (cerca de duas dezenas) devido ao meu atraso e a não ter pensado em nos reunirmos antes num local. Mas é que dia de semana, para mim, é complicado.

Ao fim do ato, milhares de vozes entoaram, a plenos pulmões, o Hino Nacional. Um maestro regia aqui, outro acolá! Eu, por meu turno, estufei o peito e cantei meu amor por meu país e meu repúdio aos que querem prejudicá-lo em busca de lucros eleitorais.

 

 

Nova ação jurídica dos Sem Mídia

 

 

Em conversa rápida que tive com o diretor jurídico do Movimento dos Sem Mídia hoje no ato público na avenida Paulista, fui informado por ele de que há possibilidade jurídica de nossa Organização voltar a representar ao Ministério Público Federal. Agora, contra o jornal Folha de São Paulo. Razão: reprodução e difusão de falsificação de documento público com difamação de autoridade constituída. Ou seja: a publicação na primeira página daquele jornal de ficha policial falsa contra a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff.

Em alguns dias, anunciarei aqui a decisão do Movimento dos Sem Mídia sobre fazer ou não a nova representação.

 

 

Globo e Estadão: "Eram 150 pessoas"

 

 

 

 

A leitora Maria, do Rio, foi quem deu a dica. O site G1, da Globo, reproduziu notícia da Agência Estado que vocês vêem acima. Clicando na imagem, você chega à página do G1 que contém a notícia.

Falar mais o quê?

 

 

Folha triplica número, mas também mente

 

 

A Folha de São Paulo ao menos teve o bom senso de inventar um número menos absurdo que o do Estadão para a multidão que protestou ontem diante do prédio da Petrobrás na avenida Paulista. Ainda assim, mentiu. Vejam:

 

 Folha de São Paulo

20/06/09

Sindicalistas e petistas atacam oposição e fazem ato de apoio à Petrobras

DA REPORTAGEM LOCAL

Sindicalistas e políticos do PT realizaram ontem pela manhã, em São Paulo, um ato em "defesa da Petrobras e da soberania nacional". Cerca de 500 pessoas (na estimativa da polícia) se reuniram na avenida Paulista, em frente ao prédio da empresa. O ato foi organizado pela CUT (Central Única dos Trabalhadores), UGT (União Geral dos Trabalhadores) e CGTB (Central Geral dos Trabalhadores do Brasil).

Nos discursos, as palavras de ordem foram de ataques à oposição, especialmente ao PSDB e ao DEM, por conta da CPI da Petrobras, que ainda não foi instalada no Senado. "A Petrobras é nossa" e "Direita entreguista" foram alguns dos gritos de guerra. Os manifestantes fizeram críticas ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e elogiaram a atuação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), fazendo referências à eleição presidencial do ano que vem.

Repetindo uma estratégia já utilizada pela base governista em Brasília, o presidente nacional da CUT, Artur Henrique, disse que a CPI pode prejudicar as ações da empresa no mercado. Henrique declarou também que a CPI foi criada para abrir caminho para uma possível privatização da empresa.

"A CUT é a favor de qualquer CPI, desde que ela seja transparente. O interesse que alguns partidos têm nisso é fazer dela um palanque político para as eleições do ano que vem. E o pior é que podem fazer dela um gancho para uma futura privatização", disse o sindicalista. Segundo ele, a CPI da Petrobras pode atrasar investimentos da estatal e do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).

Adi dos Santos Lima, presidente da CUT-SP, afirmou que os sindicalistas defendem o "patrimônio público". "Não queremos que aconteça o que ocorreu com outras estatais", disse, para completar com críticas a planos de privatização do governador paulista, José Serra (PSDB).

O deputado federal José Genoino (PT-SP) deixou o local sem discursar ou dar entrevistas. Deputados estaduais do PT também estiveram presentes, como Adriano Diogo e Marcos Martins.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 17h53
[] [envie esta mensagem]



Em defesa da Petrobrás

Hoje na Paulista

 

 

 

É hoje, a partir das dez horas da manhã, que as centrais sindicais organizam um ato público em defesa da Petrobrás diante do número 901 da avenida Paulista, onde fica a sede da empresa.

Depois de me reunir, na sede da CUT na semana passada, com os sindicalistas que estão coordenando o ato, tive certeza de que estava tudo em boas mãos. Esse pessoal sabe o que faz quando convoca atos públicos. Tem estrutura e meios de pôr gente na rua.

Isso não exime os integrantes e simpatizantes do Movimento dos Sem Mídia em São Paulo de, tendo possibilidade, saírem um pouco mais cedo para almoçar hoje e chegarem um pouco mais tarde do almoço para apoiarem numericamente o ato público.

Aliás, não exime ninguém que ache que “eles” podem fazer política entre políticos, mas que não podem brincar com o interesse público pondo a maior, mais reconhecida e mais promissora empresa brasileira na berlinda só por seus objetivos político-eleitorais.

Terei grande dificuldade em ir hoje a uma avenida que fica a poucas quadras da minha casa, pois estarei em meu escritório, a alguns quilômetros dali, fazendo preparativos para viagem que farei à África no mês que vem.

Aliás, aproveito para lhes comunicar que, em meados de julho, viajarei a dois países africanos para participar de feiras e promover negócios de meu ramo de atividade. Visitarei Joanesburgo (África do Sul) e Luanda (Angola) num período de 11 dias.

Apesar desses preparativos para empreitada tão complexa, darei um jeito, perderei algumas poucas horas de trabalho remunerado para ser coerente com meus princípios.

Talvez esse tempo possa me faltar mais adiante em meu trabalho, mas conservar o respeito próprio compensará. Em meio a muitos, direi, em alto e bom som, o que tenho tido que me contentar em dizer só aqui...

Pensando bem, será uma pechincha.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 00h02
[] [envie esta mensagem]



Análise política

O jogo do poder

 

 

 

 

 

Se não podemos mudar o jogo do poder que é jogado neste momento no Brasil – ou ao menos influir decisivamente nele –, talvez possamos meramente entendê-lo, de forma que aqueles bem-intencionados que adotam esta ou aquela posição possam fazer seu trabalho de formiguinha com um mínimo de foco.

Sobre este trabalho de formiguinha, vale a pena dizer que não é capaz de influir tão efetiva e rapidamente no jogo em tela, não é capaz de criar crises, de alarmar ou predispor a população de um dia para outro através de uma simples reportagem exibida na tevê em horário nobre.

Quem discorda do uso que se faz dessa arma poderosa que são grandes tevês, rádios, jornais, revistas semanais e portais de internet, exaspera-se. Sobretudo quando descobre que você esperneia, escreve blogs, faz manifestações na rua e esses impérios de comunicação permanecem lá, incólumes, sorridentes, montados em pilhas de dinheiro que estes que discordam, inclusive, são obrigados a financiar com seus impostos.

A mídia tripudia. Recebe dinheiro inclusive de nós que a rejeitamos. O governador de São Paulo, José Serra, por exemplo, faz compras sem licitação de livros da Editora Abril. Livros de baixa qualidade, cheios de erros e outras inadequações ao fim para o qual foram adquiridos. E eu, que abomino a editora, sou obrigado a financiar isso, pois os impostos estaduais que pago (como, por exemplo, o ICMS) vão para os bolsos da família Civita.

O pior que se poderia fazer neste momento seria subestimar essa máquina política que se opõe ao projeto de país apoiado pela quase totalidade dos brasileiros. E vale dizer que, quando me refiro a essa “quase totalidade dos brasileiros”, aludo aos mais de oitenta por cento da população que apóiam a forma como o Brasil é governado.

Porém, a Globo, a Folha e a Veja, entre tantos outros grandes meios de comunicação, discordam do projeto de país vigente e executado pelo governo Lula. Reclamam de muita coisa. O Bolsa Família seria “populista”, as cotas para negros nas universidades seriam “racistas”, a diversificação de mercados para os produtos brasileiros no exterior seria “perda de foco”, pois bom mesmo teria sido continuarmos priorizando os EUA e a Europa.

Há, também, razões particulares dos grandes jornais, tevês, rádios, revistas semanais e portais de internet. Segundo “denúncia” do jornalista Fernando de Barros e Silva, do jornal Folha de São Paulo, o governo Lula criou, também, um “Bolsa Mídia”. Vejam:

 

“(...) Planalto adotou uma política radical e sistemática de pulverização da verba publicitária destinada a promover o governo. Em 2003, a Presidência anunciava em 499 veículos; em 2009, foram 2.597 os contemplados – um aumento de 961%. Discriminada por tipo de mídia, essa explosão capilarizada da propaganda oficial irrigou primeiro as rádios (270 em 2003, 2.597 em 2008), depois os jornais (de 179 para 1.273) e a seguir o que é catalogado como "outras mídias", entre elas a internet, com 1.046 beneficiadas em 2008 (...)”.

 

Como se vê, apesar de estar montado em dinheiro, o aparato midiático da direita está perdendo muito, financeiramente. Como foi amplamente divulgado pela imprensa recentemente, os gastos publicitários do governo Lula somam cerca de um bilhão de reais, mesmo montante do governo FHC.

É muito dinheiro para dividir entre 499 veículos. Na média, estamos falando de dois milhões de reais para cada um, apesar de que uma meia dúzia de meios de comunicação fica, pelo menos, com uns oitenta por cento desse bilhão de reais.

Pulverizar esse dinheiro todo por 2.597 veículos reduz a média por veículo para menos de 400 mil reais. É motivo mais do que suficiente para as famílias Marinho, Civita, Mesquita e Frias, que ficam com a parte do leão da publicidade oficial, não gostarem de Lula.

O dinheiro que a mídia vê escorrer por entre seus dedos, a aliança daquelas famílias com José Serra tenta mitigar. Contudo, os cofres paulistas não têm robustez suficiente para repor adequadamente as perdas. São apenas um paliativo.

Temos que entender o seguinte: esses meios de comunicação ficaram do tamanho que ficaram porque se aliaram a todos os governos antes do governo de Lula. Aliaram-se aos militares, no período pré-golpe de 1964. Para apoiar o golpe e manter a ditadura, foram fornidos com arcas e mais arcas de dinheiro público.

Em 1971, o falecido dono da Folha de São Paulo, Otavio Frias de Oliveira, escreveu o seguinte editorial na Folha da Tarde, outro jornal do já então Grupo Folha:

 

Como o pior cego é o que não quer ver, o pior do terrorismo é não compreender que no Brasil não há lugar para ele. Nunca houve. E de maneira especial não há hoje, quando um governo sério, responsável, respeitável e com indiscutível apoio popular, está levando o Brasil pelos seguros caminhos do desenvolvimento com justiça social - realidade que nenhum brasileiro lúcido pode negar, e que o mundo todo reconhece e proclama. O país, enfim, de onde a subversão - que se alimenta do ódio e cultiva a violência - está sendo definitivamente erradicada, com o decidido apoio do povo e da imprensa, que reflete o sentimento deste." Octávio Frias de Oliveira, 22 de setembro de 1971”.

 

Em 1989, na redemocratização de fato do país, a mídia aliou-se a Collor contra Lula; em 1994, aliou-se a FHC contra Lula. Mesmo tendo que se render ao movimento para derrubar Collor na última hora, quando as denúncias e a opinião pública já não o aceitavam mais, quem elegeu Collor foi a mídia, sobretudo a Globo.

Os governos Sarney e Itamar não foram apoiados tão completamente pela mídia, mas não havia sabotagem de escândalos diários durante esses governos. Pode-se dizer que a mídia tinha uma convivência absolutamente “civilizada” com eles. Claro que, depois da ruína do fim do governo Sarney, com a inflação batendo em 5 mil por cento ao ano, não dava para deixar de criticar. Até porque, Collor vinha com discurso de mudança e era o anti-Lula da vez.

Temos que analisar que Lula, hoje, é o grande articulador político da centro-esquerda no Brasil. Ele tem sabido usar o poder do Estado de forma a resistir a uma máquina imensa, azeitada por dinheiro público durante décadas incontáveis. A Globo, por exemplo, é um dos maiores impérios de comunicação do mundo. Lucra bilhões. E foi construída pelo regime militar.

Ninguém conseguirá hoje montar um poder de comunicação igual. Não há dinheiro para investimento que chegue. Bater de frente publicamente com a Globo, que entra em mais de 90 por cento dos lares brasileiros e que pode calar seus adversários políticos sob o escudo da “liberdade de imprensa”, seria inútil. Até porque, o sistema político brasileiro não oferece armas tão poderosas em termos de comunicação ao gestor da máquina federal.

Há que bater de frente no campo da abertura dos cofres públicos e na promoção de políticas públicas que favoreçam as maiorias. Daí as políticas públicas que incluem dezenas de milhões e que as fazem ficar satisfeitas, em maioria tão expressiva, com a forma como o país é governado. No fim das contas, a mídia debocha, tripudia, insulta, censura aqueles que não se conformam com a sabotagem de um projeto de país que apóiam e com o acobertamento da corrupção praticada pelos que propõem a volta ao projeto anterior.

José Serra é o político com maiores chances estatísticas de governar o país, segundo as pesquisas de opinião. Fosse qualquer outro político, seu governo estaria sendo esquadrinhado pela mídia tanto quanto o governo Lula ou até mais, para compensar os tantos anos que o governo do Estado de São Paulo não é fiscalizado por essa mesma mídia. É fácil entender por que isso não acontece.

A explicação começa a ser encontrada quando se vê a Justiça investigando contratos suspeitos do governo Serra com meios de comunicação, como no caso das compras de livros didáticos da Editora Abril. E as suspeitas crescem quando se sabe que há dezenas e dezenas de pedidos de CPI contra o governo Serra parados na Assembléia Legislativa paulista e a mídia não noticia nada, esconde tudo, à diferença do que faz com o Congresso e com o governo Lula.

É o jogo do poder que é jogado aqui e no resto do mundo. Porque este jogo é jogado em toda América Latina e até nos EUA. Os correspondentes da mídia brasileira estão na Venezuela, na Bolívia, no Equador, na Nicarágua, na Guatemala e até nos EUA, ainda que na superpotência exista maior pluralidade do que em qualquer outro país das Américas, com exceção do Canadá que vive em realidade totalmente diferente da do resto do continente americano.

Órgãos como a Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) abrigam um conchavo continental entre famílias midiáticas das três Américas. Essas famílias atuam em conjunto para favorecerem projetos nacionais que mantenham a desigualdade social que faz do setor social dessas famílias uma casta que atravessa décadas cada vez mais rica e poderosa.

O jogo do poder que se trava nas Américas hoje precisará se manter neste rumo por muitos e muitos anos para que essa concentração de poder econômico nas mãos dos setores sociais que abrigam famílias midiáticas seja dispersada de forma a que as massas também se vejam representadas naquele que é o maior poder contemporâneo, o poder de comunicação.

Mas há um rumo. Todos vimos acompanhando as quedas nas tiragens dos grandes jornais e a perda de audiência progressiva de uma Globo, ainda que esteja sendo para uma Record, emissora que, conjunturalmente e por razões que suspeito não serem as da maioria, tem furado o consenso midiático, em certa medida.

Naquela propaganda da Folha sobre as moscas que invadiu as tevês, vocês viram os peões das famílias midiáticas e da direita brasileira querendo tripudiar daqueles que não têm voz para debater com eles as teses que defendem para seus patrões e para seu grupo político-partidário. São pagos a peso de ouro. Sentem-se as últimas bolachinhas do pacote, claro. Muitos, como um Clóvis Rossi, provavelmente não viverão para ver uma possível derrocada dos barões da mídia. Outros, quando essa derrocada acontecer, já estarão ricos.

O calcanhar de Aquiles do aparato midiático, porém, são os governos estaduais. Minas Gerais, São Paulo, Rio Grande do Sul... Uma parte enorme da arrecadação de impostos do país está sendo usada para vitaminar a máquina midiática, para mantê-la endinheirada de forma a poder falar mais alto do que as massas. Assim, enquanto oitenta por cento do país estão satisfeitos com o governo, a opinião dos seis por cento insatisfeitos é a que predomina na mídia.

Agora, se no ano que vem esses meios de comunicação perdessem um governo de São Paulo, por exemplo, haveria um baque financeiro enorme na máquina midiática. Ao lado desse baque, haveria uma desconcentração de poder da mídia. Aliás, a Conferência Nacional de Comunicação, que ocorrerá em dezembro deste ano, pode ser o primeiro passo para essa desconcentração, sobretudo se os resultados das eleições do ano que vem forem favoráveis à maioria dos brasileiros.

Nosso trabalho, pois, é de formiguinhas. Temos que trabalhar daqui enquanto o grupo político que ora trabalha para desconcentrar poder e riqueza faz a parte dele governando o Brasil. É duro agüentar as bofetadas que o poder midiático vitaminado pelos impostos paulistas, mineiros ou gaúchos desfere em nossos rostos sem parar, mas eles sabem muito bem que seu poder está vazando, mesmo que seja um vazamento ainda bem pequeno...



 Escrito por Eduardo Guimarães às 11h32
[] [envie esta mensagem]



Análise política internacional

Irã

 

 

 

 

 

 

Através da epopéia humana estabeleceu-se no mundo uma crença inconsciente de que se deve reagir automaticamente em relação a certos fatos com base em “regras” não-escritas e de fácil assimilação que os mentores desta ou daquela forma de pensar criam para sustentar esses comportamentos robotizados.

Se a mídia ficar do lado de alguma coisa, devo ser contra. Se Lula ficar a favor de alguma coisa, devo ser contra. Esses são pensamentos que se apossam de segmentos expressivos desta sociedade e que, adaptados a cada realidade de qualquer parte do mundo, reproduzem-se através do mesmo mecanismo irracional.

Acredito que o grande desafio do homem contemporâneo é o de olhar os fatos como eles são e de analisá-los à luz da razão e não dos pré-conceitos que lhe são incutidos por paixões políticas, ideológicas ou religiosas.

Ao olhar o regime iraniano, por exemplo, e os fatos que sucederam as recentes eleições no Irã, tento colocar de lado minhas crenças políticas e ideológicas, porque só poderia usá-las para realidades que conheço e entendo minimamente, o que, aqui, não é o meu caso nem o da quase totalidade de brasileiros que vejo se manifestarem com certezas absolutas sobre assunto que todos desconhecemos de forma tão expressiva.

Independentemente do lado em que estejam Lula, Chávez, a mídia ou José Serra, olhando para o Irã consigo ver fatos que me induzem a uma percepção que não passa disso, de mera percepção, mas que é o que me predomina ao pensar sobre o processo político iraniano.

Democracia, para mim, pressupõe, entre o muito que pressupõe, transparência em processos eleitorais. No Irã, não houve.

De observadores internacionais a órgãos de imprensa, a eleição vencida por Máhmude Ahmadinejad foi um deserto. Um setor expressivo da sociedade rejeita o pleito e é reprimido com violência. Nem que sejam realmente minoritários, a repressão que os opositores do presidente do Irã sofreram do Estado é inaceitável. São centenas de milhares a protestar.

De qualquer maneira, acredito que, neste momento, qualquer tomada de posição mais peremptória sobre esse assunto do processo político iraniano decorre muito mais das idiossincrasias de cada um do que de razões fundamentadas e conhecimento de causa.

Ahmadinejad não deve ser o demônio, nem seus adversários. É mais provável que ninguém esteja totalmente certo naquela sociedade oprimida por uma casta política à qual todos os envolvidos na disputa parecem pertencer. Melhor será observar mais e falar menos. Para, quem sabe, aprendermos um pouco mais.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 23h32
[] [envie esta mensagem]



Análise política

Lula parece ter razão...

 

 

 

Nos primeiros sete dias úteis de junho, a poupança somou média diária de R$ 288,4 milhões em novos depósitos, segundo o Banco Central. O volume é maior que toda a captação líquida de maio, quando os depósitos líquidos somaram R$ 94 milhões diários.

Segundo informações do mesmo Banco Central, naquele mês os saques na poupança superaram os depósitos em 941,55 milhões de reais.

A diferença brusca de comportamento dos poupadores certamente guarda relação com a campanha televisiva do PPS denunciando, por vias tortas, que Lula pretenderia confiscar a poupança “como fez o Collor” , campanha esta endossada pelo PSDB e pelo PFL por conta de declarações de caciques dos partidos.

A volta massiva do poupador às cadernetas de poupança denota o fracasso da estratégia da direita para desacreditar o governo Lula. Aliás, a própria popularidade ascendente dele já denota que aquela estratégia do PPS não surtiu o menor efeito.

O que é digno de nota, porém, é que fica claro que os poupadores – os quais, por terem evidentemente mais recursos financeiros do que a maioria, em grande parte não devem integrar os 80% que apóiam o presidente da República – concluíram que as “denúncias” do PPS, do PSDB e do PFL sobre confisco de poupança eram mentirosas.

Lula disse hoje (quarta-feira) que, de tanto a imprensa publicar campanhas com denúncias e críticas que depois não se confirmam, o povo acaba percebendo e passa a desconfiar também dela, imprensa.

Disseram, por exemplo, que as cotas e o Prouni rebaixariam o “nível acadêmico” das universidades. Entretanto, depois vem a público que os cotistas e bolsistas do Prouni têm apresentado desempenho acadêmico igual ou até superior ao desempenho dos universitários não-cotistas e não-bolsistas.

Disseram, no ano passado, que a inflação iria explodir, mas não explodiu; disseram que haveria epidemia de febre amarela, e não houve; disseram que o desemprego ia explodir por causa da crise, e nos últimos três meses o desemprego vem caindo...

Ao mesmo tempo, comportamentos como esse dos poupadores e as pesquisas sobre a aprovação do presidente da República mostram que ele parece saber o que diz quando afirma que o povo “percebe” e que passa a desconfiar de cada ataque, denúncia ou crítica da imprensa ao seu governo.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 12h38
[] [envie esta mensagem]



Manifesto

Preconceito é crime

 

 

 

 

 

Vejo recrudescer no país uma chaga que pensava que esta sociedade havia curado. Da última edição da Parada Gay paulistana, porém, vão surgindo relatos de violência física contra homossexuais.

Os leitores mais atentos deste blog talvez imaginassem que eu viria tratar deste assunto porque nos comentários de leitores da página têm surgido umas pouquíssimas (mas inaceitáveis) manifestações homofóbicas. Um leitor – o qual não vale a pena nominar porque o importante não é quem escreve, mas o que escreve – tem feito reiteradas observações aqui que tenho publicado porque acredito ser preciso enfrentar diretamente esse tipo de mentalidade que trabalha para “legitimar”violências criminosas contra homossexuais.

Antes de avançar nesse particular, porém, vejamos do que falamos quando tratamos de homofobia.

 

Homofobia

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre

A homofobia (homo= igual, fobia=do Grego φόβος "medo") é um termo utilizado para identificar ódio, aversão ou discriminação de uma pessoa contra homossexuais ou homossexualidade, ou genericamente, de modo pejorativo, qualquer expressão de crítica ou questionamento ao comportamento homossexual.

Origem e significado

O termo é um neologismo criado pelo psicólogo George Weinberg, em 1971, numa obra impressa, combinando as palavra grega phobos ("fobia"), com o prefixo homo-, como remissão à palavra "homossexual".

Phobos (grego) é medo em geral. Fobia seria assim um medo irracional (instintivo) de algo. Porém, "fobia" neste termo é empregado, não só como medo geral (irracional ou não), mas também como aversão ou repulsa em geral, qualquer que seja o motivo.

Etimologicamente, o termo mais aceitável para a idéia expressa seria "Homofilofóbico", que é medo de quem gosta do igual.

Motivos para a homofobia

Alguns estudiosos e indivíduos comuns atribuem a origem da homofobia às mesmas motivações que fundamentam o racismo e qualquer outro preconceito. Nomeadamente, uma oposição instintiva a tudo o que não corresponde à maioria com que o indivíduo se identifica e a normas implícitas e estabelecidas por essa mesma maioria, nomeadamente a necessidade de reafirmação dos papéis tradicionais de género, considerando o indivíduo homossexual alguém que falha no desempenho do papel que lhe corresponde segundo o seu género.

Algumas pessoas consideram que a homofobia é efetivamente uma forma de xenofobia na sua definição mais estrita: medo a tudo o que seja considerado estranho. Esta generalização é criticada porque o medo irracional pelo diferente não é, aparentemente, a única causa para a oposição à homossexualidade, já que esta atitude pode também provir de ensinamentos (religião, formas de governo, etc.), preconceito, informação ou ideologia (como em comunidades machistas), por exemplo.

Perspectiva jurídica Brasil

No Brasil, além da Constituição de 1988 proibir qualquer forma de discriminação de maneira genérica, várias leis estão sendo discutidas a fim de proibirem especificamente a discriminação aos homossexuais.

Manifestações

O insulto homofóbico pode ir do bullying, difamação, injúrias verbais ou gestos e mímicas obscenos mais óbvios até formas mais subtis e disfarçadas, como a falta de cordialidade e a antipatia no convívio social, a insinuação, a ironia ou o sarcasmo, casos em que a vítima tem dificuldade em provar objetivamente que a sua honra ou dignidade foram violentadas.

 Alegadamente, um tipo desses ataques insidiosos mais largamente praticado pelos homófobos (pode dizer-se que a nível mundial, mas com particular incidência nas sociedades mediterrânicas, tradicionalmente machistas) e que funciona como uma espécie de insulto codificado e impune, é o de assobiar, entoar, cantarolar ou bater palmas (alto ou em surdina, dependendo do atrevimento do agressor) quando estão na presença do objecto do seu ataque, muitas vezes perante terceiros.

Esta forma de apupar, humilhar, amesquinhar ou intimidar alguém parece ter raízes muito antigas. A Bíblia refere, a respeito do atribulado Job: "O vento leste (...) bate-lhe palmas desdenhosamente e, assobiando, enxota-o do seu lugar" (Job, 27:23). Na Índia rural, "os hermafroditas ou pessoas sexualmente indefinidas anunciam a sua chegada batendo palmas".

Grupos considerados homofóbicos

Há diversos grupos, políticos ou culturais, que se opõem à homossexualidade. Há também grupos da extrema-esquerda (comunistas ortodoxos e maoístas) e da extrema-direita. Dependendo da forma como aplicam a sua oposição (que varia do "não considerar um comportamento recomendável" até à "pena de morte") pode ser considerados "fundamentalistas" ou não. As manifestações desta oposição podem ter consequências diretas para pessoas não homossexuais.

À luz de todos os fatos acima expostos, reproduzo, abaixo, a argumentação daquela pessoa que citei no início do texto. Trata-se de argumentação que, no fim das contas, está por trás de atos criminosos de agressão física a homossexuais (com detonação de bombas e ataques a socos e pontapés) como os que se viu no último domingo em São Paulo na Parada Gay.

Ser contrário à difusão de práticas perversivas [homossexualismo] não é crime, pelo menos na Constituição brasileira. [...] Este blog, comandado pelo Mestre Eduardo Guimarães, caso o senhor não saiba, chama-se CIDADANIA. Cidadão, na definição do dicionário Aurélio, é todo aquele que, no gozo de seus direitos civis e políticos, luta pelas responsabilidades em defesa da vida com qualidade e do bem-estar geral. Sendo assim, tenho os meus pontos de vista em razão de ideologia por mim adotada, que é a luta por um Brasil Ético, Socialista e Soberano. Não vejo [...] que movimentos hedonistas de cunho permissivo possam contribuir para a Nação por mim almejada. Propagar a difusão de anomalias e tentar impingir ao Povo Brasileiro hábitos que fogem à natureza divina nada mais é que implantar a balbúrdia Ética e Moral de uma Sociedade [...]

É uma pena, porque esse discurso partiu da mente de um jovem. Vejam como ele julga ser seu direito insultar publicamente quem leva a própria vida sexual de forma que ele não quer para si. Acha-se no direito de acusar publicamente pessoas que simplesmente fazem de seus corpos o que querem sem, jamais, obrigar ninguém a fazer consigo o que não quer, com raras exceções que existem tanto entre homossexuais quanto entre heterossexuais.

Infelizmente, meus amigos, esse tipo de mentalidade, quando verbalizada ou escrita publicamente, deveria ser crime, e seu autor deveria, no mínimo, ser punido com pesadas penas pecuniárias, como, inclusive, lei do governador José Serra está propondo que seja feito em São Paulo.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 19h36
[] [envie esta mensagem]



Crônica política

Mudam as moscas, mas...

 

Atualizado às 14h42m de 16 de junho de 2009

 

 

 

 

A nova propaganda da Folha de São Paulo invadiu o horário nobre das tevês enfiando em nossas casas as caras da turma toda.

Clóvis Rossi, Barbara Gância, Gilberto Dimenstein e todo o resto do principal séquito midiático do PSDB paulista.

Todos entoando versos da música do mestre Raul Seixas que aludia a perturbação de alguém por outrem.

O fracasso lhes subiu à cabeça, pelo visto. A direita é assim: mudam as moscas, mas a merda continua a mesma.

Em homenagem ao delírio dos ditabrandos de Serra, aí vai a íntegra da composição de um homem que deve estar dando voltas no túmulo a esta hora:

 

Mosca Na Sopa

 

Raul Seixas

 

Composição: Raul Seixas

Eu sou a mosca
Que pousou em sua sopa
Eu sou a mosca
Que pintou prá lhe abusar...(3x)

Eu sou a mosca
Que perturba o seu sono
Eu sou a mosca
No seu quarto a zumbizar...(2x)

E não adianta
Vir me detetizar
Pois nem o DDT
Pode assim me exterminar
Porque você mata uma
E vem outra em meu lugar...

Eu sou a mosca
Que pousou em sua sopa
Eu sou a mosca
Que pintou prá lhe abusar...(2x)

-"Atenção, eu sou a mosca
A grande mosca
A mosca que perturba o seu sono
Eu sou a mosca no seu quarto
A zum-zum-zumbizar
Observando e abusando
Olha do outro lado agora
Eu tô sempre junto de você
Água mole em pedra dura
Tanto bate até que fura
Quem, quem é?
A mosca, meu irmão!"

Eu sou a mosca
Que posou em sua sopa
Eu sou a mosca
Que pintou prá lhe abusar...(2x)

E não adianta
Vir me detetizar
Pois nem o DDT
Pode assim me exterminar
Porque você mata uma
E vem outra em meu lugar...

Eu sou a mosca
Que pousou em sua sopa
Eu sou a mosca
Que pintou prá lhe abusar...(2x)

Eu sou a mosca
Que perturba o seu sono
Eu sou a mosca
No seu quarto a zumbizar...(2x)

Mas eu sou a mosca
Que pousou em sua sopa
Eu sou a mosca
Que pintou prá lhe abusar...

 

 

As moscas e o Sapo barbudo

 

 

Vamos teorizar um pouco sobre a propaganda da Folha na tevê? Vocês perceberam o sentido dela? Está claro que se trata de chacota.

Mas por que a Folha faria chacota numa peça publicitária? Gastar dinheiro para afrontar adversários políticos? Infantilidade? Tripúdio da impotência deles para falar no mesmo tom que o grupo multimilionário de comunicação?

Acho que um pouco de tudo. De fato, a Folha abusa mesmo. Abusa da paciência das pessoas, não com suas denúncias, mas com tentativas de moldar a sociedade e sua consciência política através até de tentativas de reescrever a história do país.

A Folha, como a mosca de Raul Seixas, de fato abusa...

Dos torturados e dos mortos pelo regime militar, que o jornal serviu com devoção e presteza.

Dos desvalidos desta pátria, dizendo que vivem de “esmolas” arrancadas dos bolsos de seus pares ricos e dela mesma.

Dos sem-terra, dos sem-teto, dos negros que querem ter tantas oportunidades na vida quanto os brancos através do Prouni ou das cotas.

Contudo, a Folha pode abusar da “floresta” inteira, mas há um ser do qual ela não abusa, porque ele engole suas moscas todas, deixando vivo mesmo só o grande monturo de merda que elas vivem rodeando.

A analogia é perfeita: as moscas da Folha abusam de nós, ou melhor, de nossa paciência. Com toda certeza.

Ela vive nos esbofeteando com suas ditabrandas e falsificações publicadas como autenticidades na primeira página. Não temos como contestá-la, enquanto público, porque não temos jornais ou tevês.

As moscas da Folha, porém, só lidam bem com formiguinhas. Quando o animal é outro, como uma Record, por exemplo, as moscas fogem esbaforidas. E quando o animal é um belo e gordo sapo – que, ainda por cima, é barbudo –, as mosquinhas acabam mesmo é engolidas.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 23h35
[] [envie esta mensagem]



Análise política

Por que o PIG encolheu

 

 

 

 

 

 

Suponho que a maioria dos que lêem sobre estes assuntos já sabe de números divulgados recentemente pelo Instituto de Verificação de Circulação (IVC) que revelaram persistente queda na tiragem dos três meios de comunicação que hoje são tidos e havidos como cabeças de um setor da imprensa qualificado até por grande parte da classe jornalística como político-partidarizado e golpista.

Refiro-me, sobretudo, aos três diários de maior tiragem no país, que, pela ordem, ainda são a Folha de São Paulo, O Globo e O Estado de São Paulo, mesmo que a queda, conforme a notícia abaixo, tenha atingido a maioria dos jornais de menor porte que, em boa parte, limita-se a repercutir os grandes jornais, sobretudo em termos de viés político-ideológico.

Vejam a notícia.

 

 

 

Não é difícil entender por que essas quedas vêm ocorrendo. O aumento das tiragens de veículos menores e mais independentes da imprensa escrita revela que o fenômeno de encolhimento dos maiores jornais se deve a que se tornaram conhecidos por atuarem como braços parajornalísticos de partidos políticos.

Recentes pesquisas de opinião (Sensus, Datafolha e ibope) mostraram que o governo Lula e seu titular são aprovados por larga maioria até entre a elite do Sul e Sudeste. E aviso que nem discutirei esse assunto com quem antes não tiver lido essas pesquisas... na íntegra.

Como se não fosse bastante, ainda temos um trabalho que vem minando semanalmente a credibilidade da Folha, do Globo e do Estadão. O ombudsman do primeiro veículo, o jornalista Carlos Eduardo Lins da Silva, vem tendo que se render ao baixo nível de práticas jornalísticas do veículo em que atua.

O nível político-partidarizado da Folha, aliás, nos dois principais “concorrentes” é ainda mais baixo, em alguma medida, por mais que, às vezes, tais conteúdos sejam mais honestos, já que Globo e Estadão se empenham menos em mostrar uma inverossímil “isenção”.

Neste domingo, por exemplo, Lins da Silva teve que se render à gigantesca estupidez que foi a celeuma armada pela mídia em torno da criação do blog da Petrobrás e da prática daquele blog de antecipar na internet entrevistas que a empresa concedesse à imprensa.

O titubeante (por querer fazer omeletes sem quebrar ovos) ombudsman teve que pegar mais pesado desta vez, pois essa histeria toda em torno da conduta da Petrobrás teve uma característica que até agora poucos tinham percebido: a maior parte do conteúdo dos jornais impressos já “vaza” para internet no mínimo um dia antes de sua publicação em papel-jornal.

Abaixo, o que diz o ombudsman em sua última coluna dominical (14/06).

 

MUITO BARULHO POR QUASE NADA

 

Por Carlos Eduardo Lins da Silva

 

 

NINGUÉM precisava ter lido o blog da Petrobras para perceber problemas na reportagem publicada no sábado, dia 6, sobre as relações entre a empresa e a entidade MBC (Movimento Brasil Competitivo).

Expressei assim, na crítica diária que faço das edições deste jornal, minha reação inicial ao deparar-me com a chamada de capa dada a ela: "Francamente, não vejo relevância na informação de que verba da Petrobras foi para ONG que tem seu presidente entre os membros do conselho para que ela esteja na primeira página".

Meu argumento era que em geral a presença de pessoas que ocupam cargos de prestígio em conselhos de organizações como o MBC é apenas simbólica. Como o próprio texto da reportagem informava, o presidente da Petrobras nem participa das reuniões do MBC.

Concluí que "a contratação do MBC pela Petrobras pode merecer críticas, ser denunciada, por diversos motivos. Pelo fato de que Dilma Rousseff e José Sergio Gabrielli participam nominalmente do conselho da ONG, não".

A publicação de cartas do presidente do MBC e da gerente de imprensa da Petrobras no "Painel do Leitor" de segunda-feira confirmou minhas impressões e foi suficiente para eu (e muitos leitores) fechar juízo de valor sobre o caso.

Ao longo da semana, a relação entre a Petrobras e o MBC foi deixada de lado (o que parece confirmar a sua pouca relevância) e o debate, injustificadamente histérico, se concentrou na criação do blog Fatos e Dados pela estatal.

A Petrobras e qualquer entidade ou cidadão têm o direito indiscutível de criar quantos blogs, sites, jornais ou publicações de qualquer espécie que quiserem. Se ela deseja tornar públicas todas as perguntas de jornalistas que receber, também não há nada que a impeça nem legal nem eticamente (em especial se deixar claro a quem se dirigir a ela que vai fazer isso).

Não faz sentido a Petrobras querer editar o conteúdo dos veículos de comunicação. Mas não há problema em ela tornar público material que seja cortado durante o processo de edição feito por esses veículos.

A reação de muitos jornalistas, veículos e entidades à iniciativa foi claramente despropositada. Se alguém pode sair prejudicado pela decisão de revelar as questões de jornalistas antes da publicação das reportagens a que se destinam é a própria empresa, como seu recuo nesse ponto deixou claro: se as pautas exclusivas deixam de ser exclusivas porque a fonte as revela ao público, o mais indicado para quem as produz é não ouvir essa fonte antes de publicar a reportagem.

Do episódio, só há a lamentar que tenha sido mais lenha para atiçar a fogueira do conflito sectário que envenena o ambiente político nacional em prejuízo de todos.

 

Como vocês sabem, no ano passado me reuni algumas vezes com o ombudsman da Folha. Aliás, até hoje costumamos trocar alguns e-mails, ainda que eu tenha optado por não manter relações de amizade com alguém que, por força de minha atividade neste blog, tenho que criticar freqüentemente.

Quando questionei o Carlos Eduardo sobre o partidarismo da Folha, ele me alegou que o “Otavinho” não seria tucano, o que até hoje me faz ter dúvidas sobre a seriedade com que o ombudsman me trata, até porque ele também gosta de pedir atenção ao fato de que a Folha paga alguém (ele, no caso) para criticá-la.

A criação do cargo de ombudsman pertence a outra época da Folha e outros jornais não adotam ombudsman justamente por isso - porque, de uma vez adotado ombudsman,  fica quase impossível descartá-lo sem parecer que se quer esconder alguma coisa. Além do que, se Otavinho edita um jornal que a mera leitura das colunas do ombudsman diz ser partidarizado, Otavinho tem que ter partido.

Se o Carlos Eduardo não sabia, agora sabe por que acho que seu trabalho é titubeante e por que, em certa medida, não me convence.

Mas não posso negar que, se você for lendo coluna por coluna do ombudsman atual da Folha desde que ele assumiu, verá que o conjunto da obra deixa perfeitamente claro o partidarismo daquele jornal e de todos os outros que atuam em linhas até mais radicalizadas politicamente.

Como disse acima, a classe social que mais lê jornal apóia o governo Lula em maioria esmagadora. Apóia mesmo lendo Folha, Globo e Estadão – sem falar no resto do Partido da Imprensa Golpista (PIG). Se mantém e até amplia esse apoio, é porque não acredita na grande imprensa. E, se não acredita, vai deixando de lê-la, como de fato tem feito.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 11h09
[] [envie esta mensagem]



[ ver mensagens anteriores ]


Este blog já foi acessado

vezes


Contador único p/ IP
free webpage hit counter


Outros sites
Agência Carta Maior
Altamiro Borges
André Lux
Azenha
Blog do Planalto
Caros Amigos
Carta Capital
Celso Lungaretti
Clipping jornais
Confecon
Doxa / Iuperj
Estatuto MSM
Fazendo Media
Fórum Cultura Digital
Idelber Avelar
Jornalirismo
Leandro Fortes
Le Monde - BR
Mello
Nassif
Nas Retinas
Observatório da Imprensa
Observatório de Mídia
Óleo do Diabo
Onipresente
Paulo Henrique Amorim
Petrobrás (blog)
PNUD - ONU
Portal da Transparência
Primeiro Filme
Professor Hariovaldo
Protógenes Queiróz
Publicidade MSM
Quanto Tempo Dura?
Revista Fórum
Ricardo Kotscho
Renato Rovai
Rodrigo Vianna
Sivuca
TV Brasil
TWITTER
Vermelho.org



Banner
120x60 fundo branco