Ao contrário do que pode parecer, o título deste texto não é uma recomendação só aos outros. Vale também para mim.
Quero começar abordando um pouco a forma como encaro a vida e o papel de cada um nela. Julgo que o homem dominou a Terra devido à sua capacidade natural de auto-aprimoramento. Ou seja: somos uma espécie que busca a própria excelência moral e tecnológica.
Alguns aludirão às exceções de seres humanos que excederam a selvageria de qualquer fera irracional e que deram sentido à palavra maldade mais do que seria possível supor antes de nos afrontarem com seus atos de desumanidade e perversidade.
Há que se ter cuidado. Ao resgatarmos tal lembrança, carimbaremos a exceção pela regra. Hitler, Stalin, Pinochet, enfim, todos os déspotas e psicopatas do mundo somados não compõem uma fração infinitesimal da humanidade. Contudo, por seus feitos devastadores que atingiram a milhões, acabamos tendo a impressão de que foram mais do que uma fração dos seres humanos que cometeram tais crimes e criaram tantos horrores.
Somos bons intrinsecamente, então? Talvez não necessariamente bons, mas certamente somos uma espécie racional que tem um objetivo natural inscrito em seu DNA: a dominação do ambiente e a própria preservação como espécie.
O que trabalha pelo êxito do processo civilizatório é essa característica biológica do homem de se perpetuar como espécie dominante. Crescemos exponencialmente acima das outras espécies porque buscamos o bem comum enquanto espécie que somos. E vejam que uma afirmação tão simples reveste-se de caráter polêmico se ouvida sem que uma reflexão sobre o que foi dito preceda sua condenação. Somos uma espécie que tende a buscar o que é melhor para todos e tal afirmação soa polêmica.
Não é. Se fosse assim, não teríamos dominado o mundo e crescido de milhares de humanos para bilhões sobre a Terra. O homem está derrotando o equilíbrio natural quanto ao nível de mortalidade da espécie. Há os que oprimem e maltratam seus iguais, mas para cada genocida há bilhões de opositores. Cedo ou tarde, eles vencem.
Mas o que é que tem todo esse descomunal “nariz-de-cera” que você acaba de ler com a questão que intitula este texto, ou seja, com o fanatismo? Tem tudo que ver. Precisei demonstrar o que fundamenta minha visão de que devemos buscar sempre o auto- aprimoramento, só que por meio da auto-crítica.
Nesse aspecto, noto que corremos o risco de estar beirando o fanatismo na blogosfera. E não falo só de tucanos ou só de petistas, essas duas facções político-ideológicas que dividiram a sociedade de uma forma perniciosa ao extremo porque faz um lado pensar que o outro é a encarnação do mal.
Claro que tenho minha preferência e que acho que idéias que fundamentam o lado ao qual me oponho trabalham para aprofundar o egoísmo, o autoritarismo e a desonestidade. Mas essa não é uma afirmação científica. É preciso que os antagonistas pensem nisso e não tomem suas verdades como verdades universais. Não dá para manter uma pátria sob a crença fundamentalista de que metade ou um terço dela é composta por seres desprezíveis.
É preciso, pois, que aqueles que temos esta ou aquela visão político-ideológica e este ou aquele conceito de organização social entendamos que, ao tratarmos o que pensa diferente como inimigo, trabalhamos por um fenômeno social que contraria a natureza de nossa espécie.
O destempero e os excessos das massas decorrem da sensação de impotência delas diante de decisões e de fatos gerados por poucos. Vejam como milhões de brasileiros digladiam-se pelo futebol, muitas vezes chegando à violência física. Entram em guerra pelo que fazem poucas dezenas de jogadores e um grupelho de cartolas. E na política ou na religião, é igual.
Essas decisões e atuações isoladas de poucos conduzem milhões, bilhões de seres humanos pelo mundo inteiro. Sempre foi assim. É inerente à nossa espécie e ao conflito natural de interesses que há em qualquer espécie. Por isso, mentalidades avançadas, à frente de seu tempo, devem buscar fugir desse processo de irracionalidade social que descrevi, contrário inclusive à natureza humana.
Um bom passo seria que fóruns de reflexão como os que formaram uma blogosfera se dedicassem também ao belo, ao edificante, à arte, à reflexão despida de dogmas e paradigmas. Do contrário, acabaremos virando fanáticos.
Vocês podem notar que os textos políticos são os que geram maior número de comentários em sítios de internet que abordam as grandes questões contemporâneas. Chega-se a misturar política com assuntos que nada têm que ver com ela. É preocupante.
Nos blogs, por exemplo, até em posts que tangeram a morte de Michael Jackson acabou surgindo o embate tucano-petista. Em qualquer página da blogosfera política que tenha post sobre o assunto foram vistos aqueles comentários deslocados dizendo “Sim, claro, Michael Jackson, mas, mudando de assunto...”
Por que não se pode estabelecer debates mais amenos ou de natureza diversa da política sem misturá-la com eles? Por que não temos vontade de debater, de vez em quando, outros assuntos interessantes e importantes? A sensação de impotência que o jogo do poder entre poucos gera a muitos, é uma das respostas. Mas não é a única.
Assim, meu convite é o de que, como pretendo fazer comigo mesmo, acautelemo-nos todos quanto ao fanatismo.
Não falo do leitor petista ou tucano. E quem lê estes blogs tem lado, ainda que alguns afirmem que não têm – refiro-me ao público que se interessa por política em geral. E quem disser que só o outro lado tem essas deficiências comportamentais, seguramente padece delas mais do que qualquer um.
É irresistível a tentação de escrever sobre Michael Jackson. Este será apenas mais um texto entre a avalanche deles que abordará os mais variados aspectos da obra, do sucesso e do ocaso de um artista que marcou o fim do século passado com um estilo tão espetacularmente original e tão inegavelmente inimitável que ouso dizer que revolucionou a música ocidental.
O mundo viu legiões de jovens reproduzirem e literalmente enlouquecerem com o bailado e com os ritmos instigantes de Jackson. Dos EUA ao Japão, vestir-se e dançar como ele virou uma febre nos anos 1980. Na década seguinte, começou a decadência.
No vídeo acima, vocês verão um dos sucessos mais estrondosos de um homem do qual nem o sucesso pôde elidir a infância sofrida de garoto negro, pobre e com um pai que o fez se refugiar na fantasia para fugir daquilo que relatou de terrível que com seus irmãos sofreu nas mãos dele.
Nos anos 1990, o sucesso, a fama e as arcas incontáveis de dinheiro já não atendiam mais à busca por alguma coisa que parecia inalcançável. Era a síndrome da insaciabilidade que muito dinheiro e fama causaram em tantos outros artistas pelo mundo.
Sexo, popularidade, exageros consumistas dos mais inacreditáveis, aos poucos nada mais vai suprindo o drama maior das celebridades: a solidão. Não se acredita mais em amor nenhum. Eles surgem de toda parte, sequiosos por aderir ao sucesso do célebre. Então aparecem as drogas, a bebida ou até as perversões.
De bom garoto pobre que venceu na vida, Michael Jackson entra no século XXI como “bad guy”. Acusado de pedofilia, resolve tudo com dinheiro. Faz um “acordo” financeiro de “indenização” a pais de um garoto do qual extraíram a acusação de ter sido molestado pelo ídolo pop, como se houvesse preço para uma agressão desse jaez contra um filho.
Quantos pais Jackson “reembolsou” por suposto molestamento sexual? Não se sabe ao certo, mas esse processo acusatório, entre indenizações e outras débâcles financeiras, o levou próximo da ruína econômica. E ainda ficou desmoralizado, em larga medida, apesar de a fidelidade dos fãs de fato jamais tê-lo abandonado.
Todos se lembrarão da acusação contra Jackson e muitos farão o possível para se convencer de que era falsa. Todavia, ouvi de um familiar que ele “não virou santo por ter morrido”.Já outro, disse-me que o ídolo de milhões foi chantageado e cedeu a pagamentos de indenizações (divulgados e não-divulgados) por que seria alvo fácil.
Sabe-se de seu apego à juventude. Não só à juventude mental, mas também à física, o que o levou a literalmente desfigurar-se por meio de intervenções estéticas que o transformaram num ser de aparência tão bizarra quanto seus hábitos. A imagem de Jackson era tudo para ele. Faria qualquer coisa para não ser acusado do que foi.
Não sei se ele cometeu os crimes que lhe atribuem, mas tenho uma percepção: acho que, mesmo sendo inocente, ele pagaria qualquer coisa para não ter a imagem maculada. E acho que pais que aceitam dinheiro para compensar um ataque pedófilo a um filho imberbe não são nem pais, nem gente.
O passamento de Jackson terá o condão de retirar dele, em parte, a imagem comprometida que o acompanhou até esse fim patético e solitário. Restará o artista e seu talento revolucionário. E de sua biografia restará um enigma que talvez jamais seja solucionado: quem foi “bad”, ele ou seus acusadores?
Longe de mim querer ajudar o PSDB a encontrar um discurso para enfrentar o PT na eleição presidencial do ano que vem, mas o programa do partido ontem à noite na tevê foi de lascar. Eu esperava muito mais. Uma estratégia inovadora, criativa, uma tentativa real de começar uma virada no jogo.
Gosto de brincar de marqueteiro. Quando assisto a um desses programas partidários tento imaginar o que faria de diferente nele – ou se faria igual – se tivesse sido eu a produzi-lo.
Não peço a um tucano ou assemelhado que acredite no que direi agora porque eu também não acreditaria se ouvisse algum deles criticar o programa do adversário dizendo ser uma crítica isenta. Mas peço a vocês que me acreditem quando digo que, falando honestamente, do programa partidário tucano que vi ontem à noite, não se salvou um único fotograma.
Espantou-me a opção de insistir com os oitenta por cento da população que apóiam o presidente Lula que o governo dele é totalmente incompetente, que por culpa dele persistem problemas históricos de infra-estrutura no país e que o PAC não existe.
Desta vez, deixaram a “ética” de fora. Parece que não acreditam mais na possibilidade de vender o presidente e seu governo como “corruptos”. Preferiram passar o programa quase inteirinho vendendo a tal história de que o PAC “não existe”.
Para amparar a tese, mostraram obras inacabadas e problemas de infra-estrutura como de estradas ou de saneamento básico. Ao fim, disseram-se os pais do controle da inflação, dos genéricos e do “Bolsa Escola”. Um discurso “novinho em folha”.
A parte dessa massa esmagadoramente majoritária de brasileiros que apóia Lula e teve interesse em ver o programa – e que, presumivelmente, é reduzida, mas não porque o programa é do PSDB e sim porque é um programa político –, certamente não entendeu a estratégia tucana.
Vejam bem: o sujeito acha que o governo do país é bom, que a crise não pegou o Brasil de jeito, que ele está mais sólido economicamente, que os programas sociais funcionam bem etc. De repente, alguém diz a ele que é tudo uma droga, que nada presta. Ou seja: que ele é uma besta por acreditar que o governo é bom.
Quando as pessoas compram idéias e depois alguém chega desqualificando-as de cima a baixo sem maiores explicações, elas se sentem ofendidas. A menos que aquela idéia que compraram se mostre prejudicial a elas, claro.
O PSDB continua acreditando, pelo visto, que Lula só é popular porque faz propaganda. Seria como se hipnotizasse o eleitorado. Não reconhece mérito nenhum nele ou em seu governo. Esse pessoal deve estar cheirando ou fumando alguma coisa muito forte...
Os tucanos parecem acreditar, quando fazem críticas que contrariam a maioria esmagadora dos brasileiros e a parte mais relevante da opinião pública internacional, que é possível fazer com que o cidadão esqueça os motivos concretos que o levaram a apoiar Lula. E querem fazer isso com base na lembrança de como estava o país quando eram governo.
Isso acontece no PSDB porque é um partido que está centrado em um único projeto personalista e regional, o projeto de Fernando Henrique Cardoso, que nem é Serra, mas o resgate de sua combalida imagem diante da sociedade brasileira.
Se não fosse o peso de FHC no partido, seria muito mais fácil a missão de retomar o poder. Serra se apresentaria dizendo que seu partido não repetiria o que fez quando foi governo. Não dá para fazer isso tendo que resgatar a imagem do governo de um período de muito sofrimento para o país.
Não se pode negar que o mesmo personalismo acontece no PT, dependente de Lula ao extremo. Mas há uma diferença gritante, aí. Enquanto Lula é um descomunal ativo para o seu partido, FHC é um peso para o dele.
É claro que Serra tem imagem muito melhor do que a de FHC e isso poderia ser explorado, mas o programa tucano de ontem à noite optou por deixar de fora seu candidato inexorável a presidente. Outro erro.
O PSDB não quis falar ao país que São Paulo é essa maravilha toda e exaltar os feitos de seu governador; preferiu falar mal do governo Lula. O PSDB não optou por apresentar sua proposta; achou melhor dizer que a proposta do adversário não funciona a pessoas que, em maioria massacrante, acham que funciona.
O tom do programa foi o de estar pisoteando um cachorro morto (o governo Lula). Era como se a teoria de que esse governo é um desastre fosse facilmente assimilável por qualquer um, apesar de que em todas as pesquisas feitas nos últimos vários anos uma consistente e crescente maioria tem dito exatamente o contrário.
O ataque tucano ainda tratou de tentar criar uma realidade virtual. O país estaria paralisado, e não se recuperando como as pesquisas mostram que as pessoas acham que está. E a crise mostrada pelos tucanos seria do Brasil, não do mundo. O país estaria em crise devido à incompetência do governo.
É aí que a propaganda do PSDB mais trata o eleitor como idiota – e eu sempre digo que essa é a base da estratégia da direita e de seus jornais, revistas e tevês: eles tratam o eleitor como uma ameba intelectual.
Vejam aquele recente programa partidário do PPS na tevê que alardeou que Lula pretenderia confiscar a poupança “como fez o Collor”. Pelo menos o discurso era mais sofisticado, mas partia do mesmo princípio de que a população é composta de panacas.
No fim, mesmo uns poucos que deram ouvidos àquela sandice acabaram percebendo que não haveria confisco nenhum e voltaram à caderneta de poupança. Mesmo tendo sido um golpe melhor engendrado, golpes tendem a ser descobertos.
Querem saber? Eu estava sintonizado no Jornal Nacional quando começou o programa tucano. Quando terminou, entrou o Willian Bonner. Para mim, por sua sempre eloqüente expressão facial, ele não gostou nada, nada do que viu.
O Congresso Nacional está paralisado há meses por “crises” que só ganharam a dimensão que ganharam porque, de forma inédita na história deste país, a mídia resolveu começar a bater todo dia em práticas congressuais que acontecem há décadas e que nunca meio de comunicação nenhum se interessou em investigar.
A prática que gerou recentemente o “escândalo” das passagens aéreas e que paralisou a Câmara dos Deputados atravessou 40 anos sem nunca ter incomodado os meios de comunicação.
Os tais “atos secretos” do Senado acontecem há pelo menos 15 anos e praticamente todos os senadores têm alguma relação com eles. Alguns dos envolvidos, como os pefelistas Heráclito Fortes, Demóstenes Torres e Agripino Maia, aparecem nas tevês dando lições de moral em José Sarney, vejam só.
Nunca antes na história deste país ousaram cobrar do Congresso qualquer das práticas que temos visto. Antonio Carlos Magalhães, que ninguém diria melhor do que Sarney, enquanto foi ministro dele e distribuía favores à Globo e companhia, recebia da mídia tratamento de “estadista”. É só resgatar as edições antigas de jornal para constatar.
E, se você denuncia essa hipocrisia toda, está defendendo Sarney, o indefensável. Para mim, porém, não sei se Sarney é o capeta como estão pintando ou se é apenas mais um oligarca de um tipo que pode ser encontrado à farta no Congresso.
Vejam só o ACM “grampinho” Neto. Herdeiro de uma oligarquia nordestina truculenta, representante de uma casta baiana acusada dos piores crimes que se possa conceber, e ninguém o trata como maldito. Aliás, nem Sarney jamais foi atacado desta forma.
A mídia “descobriu” Sarney porque ele é presidente do Senado e porque é fácil usar tudo que se falou sempre pelos cantos contra ele para tentar diminuir ainda mais a já escassa maioria governista no Senado derrubando-o.
Agora, sair atacando Sarney enquanto se tolera a hipocrisia retórica de um Agripino Maia ou de um “grampinho” ou até de um Demóstenes Torres, envolvido neste escândalo em particular e que fica dando shows de indignação, é de matar.
Isto aqui não é defesa de Sarney coisíssima nenhuma. Querem depor Sarney? Provem as acusações contra ele e deponham-no. Ele é oligarca? Claro que é, como tantos outros que o atacam. Ora, se querem continuar atacando Sarney, ataquem. Mas tenham vergonha na cara e não se esqueçam dos outros.
Aliás, aqui vai um novo bordão quentinho pra vocês: dar ao roto o direito de falar do remendado é no mínimo ser tão “rasgado” quanto qualquer um dos dois.
O bom assédio da mídia
E querem saber? Acho até bom o que está acontecendo com esse assédio da mídia à parte do Congresso que lhe interessa e ao governo Lula. Sempre digo que Lula se supera porque é o mais fiscalizado da história.
Ter o PT no poder é garantia de fiscalização pela imprensa. O que é perigoso é ter o PSDB ou o PFL no poder, como acontece, respectivamente, no Estado de São Paulo e na capital paulista.
Aqui, em minha cidade e em meu Estado, a imprensa simplesmente não fiscaliza nem o governo do Estado nem a administração municipal.
Na última contagem, havia mais de setenta pedidos de CPI contra o governo do Estado na Assembléia Legislativa paulista e nenhum deles foi aprovado por obstrução da bancada governista.
Na cidade de São Paulo, o prefeito, apesar de avisado muito antes, permitiu que empresas que servem merenda escolar às crianças da rede pública fornecessem comida estragada e racionada.
Os escândalos da Alstom ou da compra sem licitação de livros de baixa qualidade da editora Abril simplesmente não aparecem na imprensa paulista. São Paulo é uma caixa-preta. O único Estado e a única grande capital imunes a fiscalização da imprensa.
Do que se conclui que o melhor mesmo é votar no PT, porque os governos petistas são mantidos sob rédea curta, enquanto que seus adversários têm licença para corrupção.
Há pouco tempo recebi uma notícia dolorosa, mas que tem seu lado positivo. Minha segunda filha, de 23 anos, que está estudando em Sydney, na Austrália, e que deveria ficar por lá até o fim do ano, só volta ao Brasil no fim do ano que vem.
Por conta disso, poupou dinheiro para levar para lá a mãe e a irmãzinha de dez anos em outubro, quando completará onze anos. Elas ficarão na Austrália por pelo menos sessenta dias.
Vejam só essa: além da filha número dois, ainda terei que amargar a distância da filha número quatro e da mulher.
Há momentos em que a gente fica meio pra baixo por conta da saudade. Sei que minha filha expatriada irá ganhar muito com essa experiência de viver por dois anos num país desenvolvido mas não sou dono de meu coração, que tem razões que a própria razão desconhece.
Ora, pensei eu, por que não dividir com meus amigos este sentimento? Não lhes peço mais nada, como companheiro diário de reflexões. Peço apenas que compreendam esta necessidade de desabafar que me possuiu.
Ah, o vídeo acima foi feito por Gabriela quando deixou o país em janeiro. É a epopéia dos Guimarães. Boa parte de vocês já assistiu, mas há os que chegaram depois. E, para quem já assistiu, o paizão aqui garante que vale a pena fazê-lo de novo.
Muitos devem estar se perguntando aonde a imprensa quer chegar com os ataques ao Congresso que têm sido vistos nos últimos dois meses, digamos. Primeiro, foi a Câmara dos Deputados, e agora, o Senado.
Para entender o que acontece – e é complicado entender, porque o ataque em curso não é tão escancaradamente partidarizado quanto costuma ser contra o PT –, teremos que lembrar que José Sarney é apenas mais um presidente do Senado e que ele, particularmente, além de ser um eminente desafeto de José Serra – o que, por si só, já seria motivo mais do que suficiente para ser atacado pela imprensa –, é da base do governo e é fiel a Lula.
O que vocês estão assistindo agora em relação ao Senado, apesar de ter boa dose de ligação com o que a imprensa fez há pouco na Câmara com aquela história das passagens aéreas, na verdade distingue-se daquele ataque, em alguma medida, porque a Presidência da Câmara Alta é alvo constante da oposição comandada por Serra e por FHC, os quais detêm o joystick que controla a mídia.
Estou me alongando para destacar que Sarney é Renan Calheiros, apenas. Ou melhor: ele detém a Presidência de uma Casa na qual a oposição não é tão minoritária e, assim, tem chance de não ser “tratorada” pela situação, de maneira que, com ajuda da mídia, essa oposição senatorial pode dificultar mais ainda a vida do governo. Ao enfraquecer o presidente do Senado, os meios de comunicação reduzem ainda mais o poder do governo naquela Casa, equilibrando ali – ou desequilibrando – o jogo político.
O que há, também, é a intenção de criar entre a população uma disposição mudancista. A mídia dá ouvidos a Serra quando ele propõe que se crie essa disposição no eleitorado de forma que tal sentimento acabe induzindo-o a promover uma mudança radical no país, inclusive na Presidência da República, votando no opositor de Lula e da sucessora por ele indicada.
A estratégia de desmoralizar o presidente do Congresso e a própria Casa, só que seletivamente, parece promissora à mídia também porque o Legislativo brasileiro, para ir no popular mesmo que hoje estou meio sem paciência, é realmente uma verdadeira putaria, desde sempre, ainda que seja uma putaria necessária que não pode ser fechada, porque, sem ela, o poder que está lá dentro dividido por representantes do povo acaba ficando nas mãos de um grupelho só e de seus jornais, revistas, tevês, rádios e o diabo que os carregue.
Mas não tem problema não, pessoal. A mídia também acha que dará certo culpar Lula pelos problemas políticos no Irã, pela queda do avião da Air France, pela gripe suína, pelo confisco da poupança, pelos flanelinhas, pelo Speedy, pela cerveja quente e pelo Galvão Bueno.
A melhor coisa que podemos fazer é ir sacaneando esses sacanas sempre que eles derem mole como fez a analista porcina do PIG nesta penúltima terça-feira de junho. Garanto a vocês que, quando os desorientados pelo fla-flu tucano-petista vêem aquilo que mostrei aqui ontem no post anterior a este, começam a entender porque é, diabos, que gasto tanto esforço com esse monstrengo midiático.
No vídeo acima, comentário de Miriam Leitão sobre a criação de 131 mil empregos em maio último – os dados são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). O comentário foi feito na edição desta terça-feira do “Bom Dia Brasil”.
Segundo Leitão, estamos mal. Ela opina que deveríamos ter criado 190 mil empregos no mês passado, segundo a média dos últimos dez anos para o mês de maio. Ou seja, a analista econômica global pega todos os meses de maio de 1999 até hoje e divide por dez.
Faltou informar que, se a média for calculada só durante o governo Lula, será muito maior, e que se for calculada só no segundo mandato de FHC, será muito menor do que 190 mil empregos. Vejam:
FHC
Maio de 1999 – 97.182
Maio de 2000 – 162.837
Maio de 2001 – 161.898
Maio de 2002 – 155.813
LULA
Maio de 2003 – 140.313
Maio de 2004 – 291.822
Maio de 2005 – 212.450
Maio de 2006 – 198.837
Maio de 2007 – 212.217
Maio de 2008 – 202.984
Maio de 2009 – 131.557
Conclui-se, então, o seguinte: a média de empregos criados no mês de maio durante o segundo mandato de FHC, foi de 122.432 empregos, e durante o primeiro mandato de Lula, foi de 210.855 empregos.
Estamos falando quase do dobro de empregos do segundo mandato do tucano para o primeiro mandato do petista. Ou seja: ao misturar o fim do governo FHC com o governo Lula, Leitão faz parecer que a forte criação de empregos que se vê no Brasil desde 2003 começou na era tucana.
Mas a questão nem é essa. O grande problema (para usar um termo leve) da fala de Leitão na tevê é que ela mentiu descaradamente ao dizer o seguinte:
E, ao todo, desde a crise, o Brasil perdeu 800 mil empregos nos primeiros três meses, até janeiro, e criou 180 mil nos últimos quatro meses.
Miriam Leitão mente. Nos últimos quatro meses, o Brasil não criou 180 mil empregos coisa nenhuma. Criou 281.754, ou seja, cerca de cem mil empregos a mais do que disse a analista econômica da Globo. Vejam os números do Caged de fevereiro para cá:
Fevereiro de 2009 – 9.179
Março de 2009 – 34.818
Abril de 2009 – 106.200
Maio de 2009 – 131.557
Leitão mentiu para milhões de telespectadores. Não dá nem para dizer que foi um engano. Eu que não sou nem jornalista, nem economista, nem apresentador de tevê, soube que o número de 180 mil empregos de fevereiro a maio era mentira assim que ela o proferiu.
Como se vê, está valendo até mentir para o público na tentativa estúpida de fazê-lo acreditar que o Brasil não está dando um show de competência diante do mundo em meio à maior crise econômica dos últimos oitenta anos. Para mim, isso é desespero de causa.
Se quiser ir ao blog de Leitão para protestar, clique aqui
Leitão se retrata
Miriam Leitão pôs a seguinte nota em seu blog:
Alguns leitores comentaram que existe um equívoco nos dados de geração de empregos referentes aos últimos quatro meses. E eles têm razão. Foram gerados cerca de 280 mil postos nesse período, e não 180 mil. O número de 180 mil refere-se à geração de empregos nos cinco meses, o que desconta uma queda de 100 mil em janeiro. Fica aqui a correção.
Ela se retratou depois de ter sido desmascarada aqui. Bem, mas e como ficam os milhões de telespectadores que ela desinformou na Globo hoje pela manhã? Será que na próxima edição do “Bom Dia Brasil” ela irá reparar o “engano”? E como é possível uma “sumidade” como Leitão se enganar dessa forma se eu, um simples comerciante, pude detectar a farsa no exato momento em que foi proferida?
Leitão apaga comentários críticos
E, como se não bastasse, os sete comentários criticando o tal "engano" que, às 15h36m de hoje, haviam passado pelo filtro do blog dessa senhora, foram apagados. Nos comentários postados aqui, há relatos de um monte de leitores que tentaram comentar lá no blog dela e não conseguiram. Contudo, nem bem ela apagou esses sete comentários e um outro conseguiu furar o bloqueio. Os comentários parecem estar sendo postados mais rápido do que ela pode apagar. Eles continuam achando que o que não divulgam, não existe. Por isso, o vídeo acima provavelmente pode sumir de uma hora para outra. Assistam enquanto é tempo.
Contrate-me, Globo
Um fato que quase ia me escapando, é o seguinte: a Leitão diz que se "enganou" quanto aos números do Caged, certo? Será que na descomunal Globo não havia ninguém capaz de detectar o erro? Se é assim, a Globo deveria me contratar urgentemente.
Piada pronta
Leitão trabalha no PIG.
O jeito é rir, mesmo
Leiam, abaixo, comentário de leitor que furou a censura do blog da Leitão:
Nome: LUIZ DE GONZAGA CARVALHO - 23/6/2009 - 18:19 Cadê os outros comentários (no mínimo, eram cinco...) que estavam no final do post até o final desta manhã? Será que, apesar de não saber fazer contas de adição dos números do CAGED, a digníssima "colonista" agora só sabe fazer subtração... de comentários?
Como comentei aqui recentemente, mais uma vez deixarei o Brasil numa missão comercial. Viajo em pouco mais de duas semanas. Volto à África um ano e quatro meses depois de ter visitado Angola. Desta vez, além daquele país, visitarei também a África do Sul.
Angola já não me será mais novidade. Além de já ter visitado o país, fiz amigos por lá. Raimundo Salvador, jurista, funcionário público, antenado no mundo e, sobretudo, como todo angolano, no Brasil, e N´Gouabi, seu irmão, tornaram possível eu me mover em Angola em fevereiro do ano passado.
Raimundo e N´Gouabi são leitores deste blog e já eram leitores à época de minha primeira viagem a Angola.
Tendo lido aqui, no ano passado, que eu viajaria ao seu país, Raimundo se prontificou a me ciceronear e a me apoiar no que precisasse num país que está em reconstrução depois de mais de duas décadas de guerra civil, e que, portanto, ainda não tem infra-estrutura suficiente para atender à crescente demanda por estrutura para turismo de negócios.
Digo que aquele é um país que vale a pena conhecer e com o qual vale a pena entabular negócios. Da Alemanha à China, o mundo inteiro corre para Angola para prover com os mais diversos produtos um mercado onde falta de tudo, menos dinheiro.
E para nós, brasileiros, ir a Angola é ainda melhor. Os angolanos adoram os brasileiros. Ouvem nossas músicas, vêem nossas novelas, sintonizam a Globo internacional mais do que suas tevês. Apreciam nossa cultura, enfim.
E que ninguém pense que, por isso, os angolanos estão sujeitos ao massacre intelectual do PIG. Além da Globo, eles estão mais do que antenados na Blogosfera brasileira. Sabem tudo sobre nossa política. Aliás, meu amigo Raimundo me pediu que, ao escrever sobre o PIG, sempre explicasse o que significa a sigla, pois alguns angolanos que estão chegando à Blogosfera agora ainda não sabem.
Aí vai, portanto, meu caro Raimundo, o significado da sigla PIG: é Partido da Imprensa Golpista.
Imprensa Golpista, Raimundo, porque a grande imprensa brasileira esteve metida em todos os golpes de Estado que deram certo e que não deram certo na história deste país. E, ainda hoje, é ela, a grande imprensa, que continua tentando escolher os governantes brasileiros, ainda que com insucesso crescente.
Bem, vai daí que, depois de Angola, viajo à África do Sul, país que está cheio de obras públicas por conta da Copa do Mundo, e que, portanto, é um mercado excelente para quem, como eu, trabalha com partes e peças para máquinas de construção. Além de conhecer lugares maravilhosos, portanto, ainda consigo levantar algum "dindim". E depois me sugerem que vá ser político... Eu, hein! Adoro meu trabalho.
Todavia, na África do Sul visitarei apenas Joanesburgo, eu e meu inglês de aeroporto. Mas, como dizem por aí, a linguagem dos negócios, como a do amor, é universal.
Demais!
Do blog de Paulo Henrique Amorim
Pane no blog
Ao tentar atualizar o blog com novos comentários, perdi uma batelada deles e o último post sumiu. Em contato com o UOL, fui informado de que não sabem o que aconteceu. Por esse motivo, alguns poderão não encontrar seu comentário públicado. Se quiserem postar de novo, publico.
A seguir, ofereço-lhes um texto para que imprimam e distribuam aos que julguem politicamente desatentos e, portanto, mais suscetíveis aos golpes político-partidários de Globos, Folhas, Vejas e Estadões. Em suma: ofereço-lhes material para a boa e velha técnica da panfletagem.
Este blog tem leitores nos quatro cantos do país. Podemos espalhar o texto abaixo por toda parte se cada um se engajar direito na tarefa. Distribuam o texto em seus ambientes de trabalho, nas ruas, por toda parte. Aqui está uma prática que fará muitas pessoas refletirem corretamente.
Boa panfletagem.
*
REGRAS PARA VOTAR BEM
Você sabia que haverá eleição presidencial no ano que vem? Se não sabia, é bom começar a se interessar pelo assunto, sobretudo se você é alguém que acha que sua vida melhorou nos últimos anos, porque a eleição que se aproxima poderá mudar o país – e sua própria vida – para pior.
Os candidatos a presidente da República mais bem posicionados nas pesquisas são o governador de São Paulo, José Serra, ligado ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que governou o país entre 1994 e 2002, e a ministra Dilma Rousseff, candidata do presidente Lula, o presidente que está no governo federal desde 2003 até agora.
Para que você possa fazer uma escolha consciente de quem governará o país de 2011 a 2014, daquele que poderá mudar sua vida para melhor ou para pior, esses candidatos que mencionei (Dilma e Serra) devem ter suas atuações na administração pública fiscalizadas pela imprensa.
Um candidato é governador do Estado de São Paulo e a outra candidata é ministra do governo do Brasil. Tanto Serra quanto Dilma devem ser fiscalizados como nunca, pois um deles pode se eleger presidente e quem se elege presidente pode mudar muito nossas vidas.
Peço a você que lê este texto que reflita sobre quanto de informação você recebe dos jornais, das tevês e das rádios sobre cada candidato. O normal seria que você visse elogios e críticas aos dois candidatos (Dilma e Serra) nos jornais, nas rádios e tevês.
Será que é isso o que está acontecendo?
Algumas perguntas que você deve se fazer:
·O que você se lembra de ter visto sobre Dilma e sobre Serra na imprensa?
·A imprensa está dizendo a você que Dilma é a candidata de Lula e que Serra é o candidato de Fernando Henrique Cardoso?
·Os jornais, rádios e tevês têm feito reportagens sobre as atuações de Dilma no governo Lula e de Serra no governo de São Paulo ou só de um deles?
·Você viu críticas e acusações contra Dilma na imprensa?
·Você viu críticas e acusações contra Serra na Imprensa?
·Você acha que um está sendo mais criticado que o outro ou que algum deles aparece muito pouco na imprensa?
Para que você tome uma decisão correta na eleição do ano que vem, é bom que saiba que é impossível que só um dos candidatos sofra acusações e críticas na imprensa. Acusações, críticas e elogios haverá para os dois lados.
Se você se lembra de ter visto nas tevês, rádios e jornais acusações e críticas só a Dilma ou só a Serra, é porque esses meios de comunicação estão escondendo críticas a um dos candidatos. Se a imprensa traz notícias apenas sobre a atuação de um dos candidatos e não diz nada sobre a atuação de outro, ela está tentando manipular sua opinião.
Não se iluda: a imprensa (os jornais, as rádios, as tevês, as revistas, os portais de internet) têm candidato preferido. Não acredite se disserem que não preferem um dos candidatos. Se disserem ou insinuarem isso, estarão mentindo.
Lembre-se que só há democracia quando os que disputam um cargo público têm as mesmas chances e dificuldades. Quando as tevês, jornais e rádios ficam do lado de um dos candidatos (Serra, por exemplo), é porque têm algum acordo suspeito com ele.
Seja um democrata e exija da imprensa que trate da mesma forma todos os candidatos em eleições. Se há críticas e acusações a um, com certeza há também ao outro. Se estiver lendo ou assistindo críticas só a Dilma ou só a Serra, algo está errado. Se a imprensa só noticia a administração de um deles, algo está errado.
Cuidado para não ser manipulado. O interesse da imprensa nem sempre é o seu. São empresas que visam lucro e que, por terem o poder de influir na sua opinião, freqüentemente recebem “ajuda” de políticos. Muitas vezes, ajuda financeira – e com o dinheiro dos seus impostos.