Análise política

O PMDB de cada um

 

Atualizado às 16h52m de 5 de julho de 2009 

 

 

 

 

 

Imagino que quase todo mundo saiba que atualmente há dois PMDBs. O partido está divido (em partes desiguais) entre o grupo político do ex-governador Orestes Quércia (SP) e do senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), aliado ao governador de São Paulo e pré-candidato a presidente em 2010, José Serra, e o grupo de José Sarney e Michel Temer, aliado de Lula.

Para quem não sabia da aliança entre o governador paulista e Quércia, basta clicar na imagem acima para acessar a íntegra de uma das poucas matérias da grande imprensa dando conta dessa aliança, feita em meados do ano passado. A matéria é do jornal Valor Econômico e foi reproduzida pelo UOL.

Vale notar que a mídia tem evitado ao máximo tratar da aliança entre Serra e Quércia, pois se ela ganhasse publicidade certamente desmoralizaria as críticas dessa mesma mídia à aliança entre Lula e o PMDB de Sarney e Temer.

O PMDB de Sarney e Temer é majoritário e o grupo de Quércia está isolado em São Paulo, basicamente, mas tem considerável peso no partido.

A aliança entre Serra e Quércia será um tema proibido na mídia daqui até o fim do ano que vem.  O PSDB existe porque Serra e Fernando Henrique Cardoso, entre outros, deixaram o PMDB em junho de 1988 e criaram o Partido da Social Democracia Brasileira justamente por conta da ascensão de Quércia no partido.

Lembram-se de Quércia? É o ex-governador peemedebista que “quebrou São Paulo mas fez seu sucessor (Fleury Filho – 1991/1994)”. Fica difícil explicar a aliança entre esse pessoal. Sobretudo para a mídia paulista, que triturou Quércia na década passada. Seria curioso pedir a um Estadão, por exemplo, que explicasse Serra e Quércia juntos depois de tudo que o jornal disse do peemedebista nos anos 1990.

E assim vamos caminhando para 2010, com montes de temas proibidos na mídia porque sua discussão prejudicaria os interesses políticos de Serra. Só quero ver como essa mesma mídia fará quando, durante o horário eleitoral, toda essa avalanche de informações vier à tona nos programas eleitorais do PT...

Claro que sempre se poderá contar com a cada vez maior covardia petista em enfrentar a mídia, que se não for denunciada como integrante de um dos lados na disputa presidencial será uma ameaça muito maior a Dilma, mas as críticas paulatinamente crescentes de Lula aos grandes meios de comunicação prenunciam disposição do presidente e de seu partido de enfrentarem essa questão no ano que vem.

Esta análise deverá servir para mostrar aos de boa fé – e mal-informados sobre política – como é hipócrita esse discurso indignado da mídia, do PSDB e do PFL contra a aliança do governo Lula com o PMDB de Sarney, pois tucanos e pefelês estão aliados ao PMDB de Quércia e a mídia esconde essa aliança.

 

 

O desafio de Zelaya

 

 

Personagem interessante esse Manoel Zelaya, o presidente de Honduras deposto há poucos dias por um golpe de estado. Como todos os bem-informados já devem saber a esta altura, ele promete voltar ao país neste domingo, desafiando a ordem de prisão que o governo dos golpistas disse que o estará esperando assim que pisar em solo hondurenho.

Alguns fatos dignos de nota:

1 - Se cumprir a promessa, Zelaya vira uma espécie de herói mundial, sobretudo se for realmente preso

2 - Se for acompanhado de outros presidentes (como disse que será) e se eles ficarem do seu lado fisicamente e tentarem impedir sua prisão, prendê-lo poderá criar um incidente internacional e até pretexto para uma ação militar contra Honduras.

3 - Será difícil aos golpistas explicarem à comunidade internacional por que querem prender Zelaya agora se o deportaram em vez de prenderem, logo depois de derrubá-lo.

 

 

Neste domingo, somos todos hondurenhos 

 

 

Estou no Twitter e em páginas noticiosas do exterior acompanhando o desenrolar dos acontecimentos em Tegucigalpa, onde o presidente constitucional de Honduras, Manoel Zelaya, deve chegar em algumas horas acompanhado de vários chefes de Estado e de autoridades de organismos multilaterais como OEA e ONU.

O exército hondurenho, até o momento leal aos golpistas, ocupou desde ontem o aeroporto de Tegucigalpa. Há franco-atiradores postados por todo telhado do aeroporto. Os vôos comerciais estão suspensos. Os golpistas pretendem prender Zelaya e os presidentes do Equador, da Argentina e do Paraguai, ao menos, prometem impedir. Pode haver um grave incidente internacional.

Convido-os a ficarem de olho também no Twitter . Quem não tiver perfil lá, está na hora de criar e, de preferência, começar a seguir o meu perfil - eduguim

  

 

Último vídeo da situação em Honduras 

 

 

 

Milhares engolfam aeroporto de Tegucigalpa; avião de Zelaya se aproxima

 

 

Acompanhe aqui



 Escrito por Eduardo Guimarães às 14h42
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Denúncia

Ambos devem explicações,

mas mídia só cobra de um

 

Atualizado às 00h09m de 4 de julho de 2009 

 

 

 

 

Está assando um novo factóide nos jornais, revistas e tevês de José Serra. Folha, Estadão, Veja, Globo e assemelhados estão partindo de novo para cima de Dilma Rousseff. Desta vez, por uma aparente inconsistência em seu currículo, como vocês verão a seguir em nota publicada pela Folha de São Paulo nesta sexta-feira.

 

FOLHA DE S. PAULO

 

03/07/2009

Dilma deve uma explicação

De Renata Lo Prete:

Reportagem na próxima [edição da revista] "Piauí" questiona o currículo de Dilma divulgado pelo site da Casa Civil. Ali se informa que ela é mestre em teoria econômica e doutoranda em economia monetária e financeira pela Unicamp. A universidade disse à revista que não há registro de matrícula no mestrado e que o doutorado foi abandonado.

 

 Realmente Dilma Rousseff deve explicar isso. Estranho, no entanto, é que a mídia tenha publicado de imediato um questionamento que surgiu agora à pré-candidata petista à Presidência mas não se interessou por denúncia do mesmo tipo que surgiu há meses, só que contra o provável adversário de Dilma naquela eleição, José Serra. Por isso, reproduzo, abaixo, denúncia que, como vocês verão, é bem... Interessante.

 

CONVERSA AFIADA

 

17/02/2009

Zé Pedágio não tem o direito de se dizer economista

De Paulo Henrique Amorim

O Conversa Afiada já disse que o PiG(**) de São Paulo, entre os muitos blefes que criou e sustenta, propaga que Zé Pedágio é um “economista competente”: não é uma coisa nem outra.

Porém, como Pedágio não tem escrúpulos – e passaria com um trator por cima da mãe, como previu Ciro Gomes, em sabatina na Folha, – Pedágio, sem nenhum escrúpulo se diz “economista” (o “competente” fica implícito).

Zé Pedágio fez uns cursos de meia tigela no Chile e nos Estados Unidos e não se graduou no Brasil.

Das duas, uma: ou ele revalida os “diplomas” de meia tigela que trouxe do Chile e dos Estados Unidos ou volta aos bancos escolares e se forma em economia no Brasil.

Só com um diploma revalidado ou com uma graduação no Brasil ele tem direito a se chamar de “economista” (o “competente” o PIG deixa implícito).

O Renato Machado, por exemplo, que nos enriquece todas as manhãs com seus argutos comentários sobre a economia brasileira, mundial e planetária, por exemplo, tem tanto direito a se dizer economista quanto o Zé Pedágio.

“Serra, aos 18 anos, ingressou no curso de Engenharia Civil da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, o qual nunca concluiu.

Com o golpe militar de 1964, ele exilou-se na Bolívia, no Uruguai e, em seguida, no Chile, onde fez o “Curso de economia” da Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe), de 1965 a 1966, especializando-se em planejamento industrial.

Apenas 2 (dois) anos de curso! Quer dizer, não é um curso superior formal.

Depois disso, fez mestrado em Economia pela Universidade do Chile (1968), da qual foi professor entre 1968 e 1973. Em 1974, fez Mestrado e Doutorado em Ciências Econômicas na Universidade Cornell, nos Estados Unidos, sem nunca ter concluído uma faculdade.

Como foi possível isso? No Chile e nos EUA não é exigido curso superior para fazer pós-graduação, o que não é permitido aqui no Brasil.

Além disso, os cursos de pós-graduação que Serra cursou na Cornell (com que dinheiro não sei, porque são caríssimos) não são “strictu senso“ mas “lato senso“ como os fornecidos pela rede privada aqui no Brasil.

Em suma: não valem nada em termos acadêmicos.

O pior disso tudo é que ele usou toda esta papelada aqui no Brasil para ser professor na UNICAMP.

Como? Não sei, mas seria uma pauta interessante para o jornalismo investigativo”

 

 

Dos leitores

 

 

Site da Unicamp:

A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, é uma entre os ex-alunos do Instituto de Economia (IE) da Unicamp a participar do Ciclo de Seminários ‘Transformações Estruturais, Crise Mundial e o Brasil’.

Na palestra inaugural ‘Um projeto para o Brasil’, a ser realizada nesta sexta-feira às 9h30m no auditório do IE, Dilma fala sobre os problemas do desenvolvimento econômico brasileiro, bem como os projetos e as perspectivas do desenvolvimento nos próximos anos.

‘Convidamos a Dilma porque, além de ter sido aluna de mestrado e doutorado do IE, ela é gestora do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC)’, diz o professor Luiz Gonzaga de Mello Beluzzo, coordenador do evento.

 

IE é Instituto de Economia da Unicamp. Ao que eu saiba, é (era) preciso ter mestrado para se inscrever em doutorado.

 

Currículo Lattes de Dilma Rousseff (última atualização em 2000).

 

“Dilma Vana Rousseff possui graduação em Ciências Econômicas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1977) e mestrado em Ciência Econômica pela Universidade Estadual de Campinas (1979).

Atualmente, é Secretária de Estado da Secretaria de Energia Minas e Comunicações.

1998 – Doutorado em Ciências Sociais. Universidade Estadual de Campinas, UNICAMP, Brasil;

1978 – 1979 Mestrado em Ciência Econômica. Universidade Estadual de Campinas, UNICAMP, Brasil.

Evidente que ela não completou a tese de doutorado. Mas cursou as disciplinas. Que calhordas!!


Vera Pereira | Rio de Janeiro, RJ, Brasil | professora aposentada 



 Escrito por Eduardo Guimarães às 22h46
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Crônica política

Os crimes de José Sarney 

 

Atualizado às 18h37m de 3 de julho de 2009

 

  

 

 

De uns tempos para cá, surgiu mais um supervilão temporário no Brasil. A simples menção de seu nome passou a significar corrupção e todos os outros pecados da classe política desde que os portugueses vieram dar aqui. Pelo menos é isso que se depreende da leitura dos grandes jornais, portais de internet ou ouvindo as grandes rádios ou assistindo a todas as tevês comerciais.

O noticiário é pasteurizado. No começo da noite, escolha o canal de televisão que quiser e lá estará o rosto sulcado pelos anos do ex-presidente da República, com seu bigode sorrindo amarelo diante de um rosário de execrações eletrônicas.

Então me pergunto, para previsível horror de alguns, quais foram os crimes que aquele velhinho simpático cometeu. Puxo pela memória... O que é que sei de José Sarney?

Bem, lembro-me de que ele era do PDS (Arena), o partido da ditadura militar. E sei que integrou a Frente Liberal, dissidência pedessista que aderiu à campanha de Tancredo Neves, do PMDB, à Presidência, motivo pelo qual Sarney entrou no PMDB –  para poder disputar a eleição presidencial de 1985 no Colégio Eleitoral pelo outro partido do bipartidarismo da ditadura.

Aliás, relembrar aquela disputa pode nos aclarar a memória.

Tancredo disputaria com o pedessista Paulo Salim Maluf, que disputou com o ex-ministro e coronel Mário Andreazza a candidatura do partido dos generais à Presidência em 1985. Maluf venceu a convenção do PDS torrando dinheiro público em comendas de flores para esposas de congressistas do partido, segundo dizia a imprensa na época.

Com a morte de Tancredo, Sarney se tornou a esperança do Brasil. O país acreditou nele porque queria ser livre. Acreditava que a democracia resolveria todos os seus problemas, o que obviamente nunca aconteceu. E nem poderia, pois só depois de mais de duas décadas os brasileiros entenderam qual era o caminho para melhorarem de vida...

Antes que a digressão se agrave, volto a Sarney. O que mais sei dele?

Seu governo nos trouxe, logo em seu limiar, o Plano Cruzado. O Brasil sofria com uma inflação ascendente e fora de controle. O salário nominal no início do ano, sem reajuste não valeria nem um terço no fim. Havia uma queda de braço entre salários e preços na economia.

Sarney fez a nação se levantar para seguir um sonho. Surgiram os fiscais do Sarney. Fecharam supermercados, gritaram sua cidadania aos quatro cantos do país denunciando burlas do congelamento de preços que o presidente oriundo do partido de ultra-direita implantou sob a batuta de uma economista tida como “de esquerda” como Maria da Conceição Tavares.

O sonho, porém, virou pesadelo. Após alguns meses de preços congelados, o comércio e a indústria se recusaram a continuar trabalhando sem a mágica da indexação que no processo inflacionário lhes produzia ganhos financeiros imensos.

Não havia como sustentar mais o congelamento. Locaute, ágio, desabastecimento... Segundo me dizia a imprensa numa época em que eu tinha menos condição de entender sozinho o que estava acontecendo em meu país, o congelamento foi postergado porque Sarney cedeu ao seu partido e promoveu o que ficou conhecido como o maior estelionato eleitoral da história.

Era 1986 e de fato o PMDB ganhou quase todos os governos estaduais. E o Brasil, por sua vez, quebrou de novo poucos meses depois, com preços disparando mais do que antes do congelamento.

Só não consigo entender qual é a diferença entre aquele estelionato eleitoral e o estelionato praticado por Fernando Henrique Cardoso em 1998, quando, por conta da eleição daquele ano, segurou a desvalorização do real da mesmíssima forma que José Sarney segurou o congelamento de preços em 1986.

O que mais sei de José Sarney?

Ah, sim, ele de fato é um oligarca. Sua família manda no Maranhão e ninguém duvida disso. Aliás, muitos da mesma origem política que ele estão hoje aparecendo na tevê denunciando o ex-companheiro. Como Agripino Maia, por exemplo, que floresceu politicamente no mesmo partido que Sarney e que em seu Estado não pode ser chamado exatamente de um, digamos, “não-coronel”.

Mas Sarney é do PMDB, ora. Esteve ao lado de Fernando Henrique Cardoso e está ao lado de Lula, pois Sarney é do PMDB e este, desde 1986, sempre é governo.

O que parece chocar os coronéis do Dem e do PSDB, a Agripino Maia, ao Grampinho (ACM Junior) ou ao coronelão Tasso Jereissati, é que Sarney também é coronel. Só que, como é mais velho, é mais coronel do que eles, pois começou antes.

De resto, não sei o que mais pesa contra Sarney. Deveria haver mais, pelo que falam dele. É um oligarca. Foi favorecido pela ditadura. Disso não tenho dúvidas. Mas ser oligarca é suficiente para ser apresentado como o grande pai da corrupção nacional? Não, mas as posições políticas atuais de Sarney são mais do que suficientes, é óbvio.

Ou talvez alguém saiba de algum crime de Sarney que esqueci de mencionar. Seria interessante enumerarem aqui os outros crimes do ex-presidente para mensurarmos se é possível atribuir a ele mais do que aos seus pares todos, sobretudo àqueles que o acusam.

 

Mídia vai se fazendo conhecer

 

Hoje (sexta) surgiu outro factóide contra Sarney. Divulgaram que ele não declarou uma casa ao imposto de renda em 2006. Declarou de 1999 a 2007, mas em 2006 não declarou. Contudo, retificou a não-declaração. E, de 2007 para frente, a casa voltou a ser declarada.

É impensável que um homem rico como aquele omita propositalmente uma simples casa em sua declaração de imposto de renda, e ainda por um único ano em oito anos. Além do que, depois ele retificou o erro na declaração.

Por que Sarney faria isso propositalmente? O imóvel não deve representar nem uma fração de seu patrimônio. Foi um erro sem intenção, claramente. Podem condená-lo pelo que quiserem, mas os jornais não esperaram nem sequer que o ex-presidente apurasse o engano - foram dando manchetes.

O caso não significou nada, não passou de um factóide, mas, no imaginário popular, ficará a imagem do senador e ex-presidente que sonega informação de bens ao imposto de renda. O mal está feito, ajuda na imagem de grande ladrão da República que se quer colar no presidente do Senado.

O assassinato de reputações, a geração de crises políticas e a disseminação de pânico entre a população – por causas que vão da saúde pública (febre amarela) à ordem econômica (poupança) –, tudo isso integra a estratégia da oposição de sabotar o governo Lula ininterruptamente desde 2003.

Apesar dessa aliança do PSDB e do PFL com grupos de mídia, apesar de até aqui não ter sido possível impedir a popularidade crescente do presidente da República cria-se embaraços à governança e amarra-se o desenvolvimento do país.

Não fosse a constante disseminação de pânico e desânimo pela imprensa e pela oposição, talvez até já tivéssemos saído da crise econômica.

É impressionante que o presidente Lula tenha popularidade tão alta com tantos ataques que os grandes meios de comunicação lhe fazem todos os dias. Não há um só dia em que esses veículos não publiquem montanhas de acusações, ridicularizações e até insultos contra o presidente da República.

Será possível que o povo é cego e surdo e não toma conhecimento do que os jornais, os telejornais, os programas humorísticos, as novelas, os programas de auditório, as rádios, os portais de internet e os blogs corporativos dizem sobre o presidente?

Vejam as pesquisas de opinião. Mais de 80% de apoio. E não é só entre os pobres. Lula é aprovado em maioria até pelos mais escolarizados, do sudeste e com renda alta.

Só há uma explicação possível para esse fenômeno: a população, do mais rico ao mais pobre, do mais ignorante ao mais culto, do nordestino ao gaúcho, em maioria não acredita nos ataques da mídia e da oposição ao presidente Lula.

Os meios de comunicação insinuam que só quem apóia Lula são os miseráveis que recebem Bolsa Família, mas só insinuam. Dizem isso com o cuidado de impedir contestação, porque basta pegar qualquer pesquisa de opinião para verificar que mesmo entre os mais ricos, que obviamente não recebem Bolsa Família, a popularidade do presidente é majoritária.

Agora vocês se perguntarão por que misturei o caso de Sarney com o de Lula. É porque é graças a esses factóides com horas de duração que o denuncismo não funciona mais. Banalizaram de tal maneira as acusações a políticos que ninguém mais dá bola.

Aliás, essa novela no Senado não se destina à população. Mídia e oposição sabem que o povo não está dando a menor bola para o assunto. O objetivo é dificultar a governança do país, a aprovação de assuntos do interesse do governo no Legislativo e, ao fim, afastar o PMDB do PT.

Se o PMDB, Geni da mídia há meses – primeiro, na Câmara, e agora, no Senado –, entrasse nessa, estaria sendo muito burro. Até entre a oposição já há gente com medo da máquina de moer reputações construída por FHC, José Serra, Folha, Estadão, Veja e Globo, entre outros.

Muitos políticos que um dia se aproveitaram do apoio da mídia para descer a lenha no PT e em Lula, hoje estão do outro lado da mesa apanhando sem parar. A classe política já reflete como um todo sobre a mídia. Está aprendendo que a injustiça que se faz a um é a ameaça que se faz a todos.

 

Os dois PMDBs

 

José Serra solta seus cachorros midiáticos (Globo, Folha, Estadão, Veja e congêneres) em cima de Lula por estar ao lado de Sarney, mas, em São Paulo, Serra é aliado de Orestes Quércia e ninguém diz um A. Quércia vê na aliança com Serra a oportunidade de fazer as pazes com a mesma mídia que o destruiu politicamente na década passada, e esta esquece do que disse sobre o peemedebista. É o PMDB de Sarney que interessa pôr na berlinda. Isso merece um post, aliás.

 

Que país é este?

 

Será que vivo no mesmo país em que Luciana Cardoso, filha de Fernando Henrique Cardoso, foi flagrada faz semanas recebendo contracheque do Senado por estar lotada no gabinete do senador Heráclito Fortes (DEM-PI) sem aparecer por lá para trabalhar?



 Escrito por Eduardo Guimarães às 22h44
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Análise política internacional

A Nova Ordem mundial

 

 

 

Democratas de todas as partes deveriam estar exultantes. A grande imprensa e os políticos de direita das Américas, que são uma coisa só, sofreram uma enorme derrota nos últimos dias na questão do golpe de Estado em Honduras.

Fiquemos com a imprensa corporativa brasileira como exemplo, que já estava pronta a fazer o que sempre faz quando a direita daqui ou de qualquer parte dá golpes de Estado – ou seja, apoiá-los.

Ensaiaram esse apoio. Começaram a vender a justificativa dos golpistas hondurenhos para o golpe daquele jeitinho que a ditadura militar vendeu a morte de Wladimir Herzog, tratando como verossímil uma imagem descabida do que disseram ter ocorrido, e ainda dando a ela uma explicação obviamente falsa.

No caso de Herzog, encontraram-no “enforcado” com o próprio cinto com este preso à grade de uma janela que ficava a uma altura do chão bem inferior à altura do enforcado.

No caso recente da deposição do presidente de Honduras, tirado da cama de madrugada sob a mira de armas, levado ao aeroporto com a família e deportado sumariamente, a imagem destes fatos equivale à de Herzog durante a ditadura militar.

Certamente que os golpistas confiaram que poderiam ter sucesso. Nem eles, nem a mídia latino-americana pareceram sequer suspeitar de que haveria a reação de governos e de instituições multilaterais que se viu.

A pergunta que se tem que fazer, pois, é sobre por que acharam que poderiam fazer uma coisa daquelas e se dar bem. A resposta é simples: porque fizeram a mesma coisa noutras vezes e se deram mais do que bem.

E por que se deram bem antes e agora não tiveram sucesso? Esta é a outra questão crucial a esclarecer.

A resposta também é simples: antes, os Estados Unidos apoiavam golpes de Estado em qualquer parte contanto que a ideologia do golpista coincidisse conjunturalmente com a sua como foi no caso de Saddam Hussein, apoiado e armado por Bush pai e depois derrubado e executado por Bush filho.

Lembrem-se de que Bush deu apoio a golpistas quando fizeram contra Hugo Chávez o mesmo que agora a Manuel Zelaya e a grande imprensa daqui, da Venezuela, dos EUA, enfim, a das três Américas – com a provável exceção da imprensa do Canadá –, comemorou e apoiou.

Poucos já entenderam, no Brasil, aquilo que os chefes de Estado que foram duros com os golpistas hondurenhos e todos os presidentes de organismos multilaterais e de blocos econômicos já entenderam: o golpismo não se sustenta mais na nova ordem mundial que está nascendo.

No século XXI, todos os excessos de governos autoritários ou de oposicionistas golpistas foram condenados com grande decisão pela Comunidade Internacional, mas foi na América Latina que essas condenações têm tido sucesso em reverter ações golpistas.

Alguns virão entoar o discurso que está sendo esmagado, de que Zelaya e Chávez é que são golpistas porque “pretendiam” fazer isto ou aquilo. Como falam sobre o que não fizeram e eles são apoiados por eleições legítimas, não há o que fazer.

A direita – rica, influente, mas mergulhada numa espécie de transe autoritário e elitista – não quer entender o que o mundo cada vez mais demonstra que já entendeu, que o voto tem que ser respeitado com jornais e tevês gostando ou não do resultado das eleições.

A começar pela Venezuela, com a tentativa do governo Bush de derrubar Hugo Chávez, depois com Evo Morales e a recente tentativa de golpe no ano passado, e depois a tentativa de invadir o território equatoriano usando tropas colombianas que os EUA financiaram, treinaram e armaram, golpes não prosperam mais nas Américas.

Todas essas tentativas recentes de retomar prática tão exitosa na América Latina no século passado, a de derrubar sem justificativa governos de esquerda, fracassaram miseravelmente na América Latina no século XXI. Pelo menos por aqui a democracia vai se impondo.

Essa reação da humanidade ao mandonismo americano em seu “quintal” e nos “quintais” de aliados obrigou a aliança da opressão a gastos militares incompatíveis com a boa governança macroeconômica, tendo que manter esforços de guerra monumentais tentando coexistir com políticas saudáveis de fomento paralelo do desenvolvimento pelo Estado.

Aliás, são tais políticas que, adotadas com maior êxito hoje no mundo pelos Bric’s (Brasil, Rússia, Índia e China), têm mantido o grupo em posição econômica e estratégica muito superior à dos países ricos, o que está deslocando o eixo do poder no mundo e significa, ainda que poucos entendam ou queiram entender, que o Brasil é hoje um player global, sim.

É inegável que o consenso entre a comunidade internacional passou a ser o de que o golpismo é incontrolável – e, portanto, ruim para todos –, e esse consenso está levando ao mundo um recado: todo golpismo será condenado e punido pela Comunidade Internacional, ou seja, pelos organismos multilaterais e pelos governos legitimamente eleitos.

Ao menos na América Latina, já se vê que financiamentos a países vítimas de golpe de Estado serão suspensos, como no caso do Banco Mundial, que suspendeu todos os empréstimos a Honduras; haverá fechamento de fronteiras dos países limítrofes, retirada de embaixadores, isolamento do mundo.

Apesar de a grande imprensa brasileira estar escondendo que as manifestações contra os golpistas se espalham por Honduras, que Manuel Zelaya não propôs emenda da reeleição e sim uma pergunta ao povo sobre se deveria ser convocada uma Assembléia Nacional Constituinte, e apesar de as seções de cartas de leitores dos jornais apoiarem os golpistas, jornais e tevês divulgaram editoriais protocolares e discretos condenando o golpe.

Foram pouquíssimos, na grande imprensa das Américas, que ousaram apoiar explicitamente os golpistas de Tegucigalpa. Nesse aspecto, faça-se justiça ao blogueiro da Veja Reinaldo Azevedo, que disse abertamente a verdadeira opinião de seu patrão, dos amigos dele na mídia transnacional e entre os partidos de direita espalhados pelo continente.

Esse grupo político e social apóia a velha prática golpista de chutar para fora do cargo governantes de esquerda pouco importando o que pensa a maioria naquelas sociedades, pois maiorias são tidas por esses grupos políticos de direita como incapazes de tomar decisões sobre o rumo de uma nação.

Aliás, o blogueiro ao qual me referi fala sempre sobre por que se deveria evitar chamar as maiorias a decidirem qualquer coisa. Muitas vezes, não lhes reconhece direito nem a escolher governantes.

De qualquer forma, não haveria por onde a grande imprensa internacional – e, sobretudo, por onde a golpista imprensa latino-americana – manter apoio a um golpe de Estado num momento em que em nenhum continente foi possível encontrar apoio mais do que envergonhado ao golpe em Honduras.

Vejo aí um fato político e institucional da maior relevância. A imprensa golpista latino-americana foi literalmente obrigada a condenar o que estava doidinha para apoiar. Não é pouco, convenhamos. Não me lembro de outra vez em que isso aconteceu...



 Escrito por Eduardo Guimarães às 12h11
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Crônica

Todo santo 1º de julho

 

 

 

 

 

 

Todo santo ano é a mesma aporrinhação, nos jornais, nas rádios e na televisão

Você, desmemoriado, não se lembra, não, mas, antigamente, havia inflação

Como se alguém pudesse não se lembrar com a mídia todo ano a nos chacoalhar

1º de julho, se você ligar a televisão, lá estará o maldito bordão do príncipe que matou o dragão

E nem pegue o jornal que não adianta, pois também ali é o real que canta

Também pode esquecer a internet, nem adianta ler as entrelinhas, porque é lá que o real apaga as velinhas

Unidade monetária que faz aniversário não era só o que faltava no seu anedotário?

Não embarque nessa, meu irmão, vê se te atina, pois inflação havia em toda a América Latina

Da Argentina ao Azerbaijão, em todo o Terceiro Mundo havia inflação

Para todos o plano era total, havia que implantar a âncora cambial

Foi em Washington que eles deliberaram, mas foi aqui que todos se ferraram

Uma “dama de ferro” e um cara-de-pau, fizeram o mundo se dar muito mal

E, mesmo assim, todo santo ano continua essa aporrinhação, nos jornais, nas rádios e na televisão



 Escrito por Eduardo Guimarães às 22h49
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Análise política internacional

Os passos de Obama

 

 

 

 

 

 

Barack Obama adota a estratégia de governança do “step by step”, do passo a passo para inserir no século XXI a mentalidade dessa hiperpotência econômica, militar e cultural que são os Estados Unidos da América.

No Brasil, em minha opinião muito pouca gente entendeu a proposta de Obama. Quando ele falava em “mudança” e dizia que sim, que eles (os americanos) poderiam mudar, estava falando sério. Até porque, falava para um público suficientemente qualificado, em termos de democracia, para não se deixar enganar tão facilmente por uma mera ilusão demagógica. Os EUA são a maior democracia do planeta... Certo?

Obama mostrou aos americanos o erro da rota em que tinham se metido. A arrogância e a loucura da Doutrina Bush e suas guerras “preventivas”, semeaduras de golpes de Estado no Terceiro Mundo, ausência de políticas sociais internamente, favorecimento da ciranda financeira, irresponsabilidade no ordenamento dos negócios internamente e com o mundo, tudo isso afundou a América. Bush, como um certo ex-presidente muito amigo da mídia fez por aqui, quebrou seu país financeiramente, só que com um esforço bélico insano e inexeqüível.

Os passos de Obama vêm sendo no sentido de desmontar a crença em que ele seria um novo Bush. Pedem que ele saia da retórica, e ele sai. As tropas americanas começam a deixar o Iraque, como ele disse que faria. Já começou a desativar Guantánamo. Não hesitou um segundo em ficar do lado certo na questão de Honduras. Adotou uma postura equilibrada e cuidadosa em relação ao Irã. Criticou decididamente as ações israelenses na Palestina. Desmontou a má vontade de Hugo Chávez consigo e está muito perto de consegui-lo com Evo Morales e com Rafael Correa...

Obama vai atraindo a simpatia do mundo e se comportando como um humanista e um democrata. A cada passo que dá vai desmontando más vontades, por mais que persistam resistências a si como possível condutor da alteração drástica de rota do mundo em direção a uma nova ordem de maior tolerância e sensibilidade social.

Não é por outra razão que, por aqui e no resto do mundo, Obama esteja deixando a esquerda perplexa e a direita indignada, como fez alguém no Brasil há muitos anos. Nos blogs de política de direita brasileiros ou americanos, ou entre os comentaristas de direita em qualquer blog de política, pode-se ver como tratam o presidente dos Estados Unidos. Chamam-no de “Lula americano”, de “comunista”, de “populista”, de “Sassá Mutema ianque” etc.

Disse aqui antes e reitero: Obama é o que de melhor poderia ter acontecido à humanidade, ao menos neste século. Sua eleição superou minhas expectativas mais otimistas de mudança para melhor das coisas neste planetóide da Via Láctea. Terá poder para tornar o mundo menos insano e para deter, por menos que seja, a opressão social da era neoliberal que estava levando quase todos os povos a convulsões sociais.

Claro que Obama não é Deus e, como Lula, Hugo Chávez ou Manuel Zelaya, tem uma direita feroz tentando puxar-lhe o tapete o tempo todo. Vejam só como a mídia daqui está tendo que engolir a posição oficial dos EUA (a quem sempre obedeceu) na questão de Honduras. Os reacionários daqui e de lá estão babando de raiva. O Esgoto da Veja é um retrato vivo do que possui a direita mundial. Ela está xingando Obama até de santo. Tais reações são a comprovação de como o mundo mudou com ele no poder.

E este caso de Honduras, por mais que esteja inconcluso vai confirmando que o golpismo sofreu um duro golpe na América Latina. No século XXI, nenhum golpe de Estado prosperou nesta parte do mundo. Fracassou na Venezuela, na Bolívia, fracassou quando a Colômbia tentou invadir o Equador e parece que agora fracassará de novo em Honduras. E, como se não bastasse, o século XXI ainda nos trouxe mudança de mentalidade no eterno bastião da injustiça e do imperialismo mundial.

Os passos de Obama são também passos da humanidade.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 10h30
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Comunicado

ONU condena golpe de

Estado ‘por aclamação’

 

 

Atualizado às 16h40m de 30 de junho de 2009 

 

 

ATENÇÃO: O ORGANISMO DO VÍDEO É A OEA, NÃO A ONU


TeleSUR

 

Tradução de Eduardo Guimarães

 


A Assembléia Geral das Nações Unidas (ONU) aprovou nesta terça-feira por aclamação o projeto de Resolução através do qual condenou o golpe de estado que interrompeu a ordem democrática do país e o legítimo exercício do poder.

O texto de resolução também pede a imediata e incondicional restauração do governo legítimo e constitucional do presidente Manoel Zelaya e a autoridade legal estabelecida em Honduras.

A proposta apresentada em nome de Honduras [por Zelaya, reconhecido pela ONU como o único autorizado a falar por seu país neste momento] pede à ONU que não reconheça nenhum outro governo no país que não seja o do presidente constitucional, Manuel Zelaya.

Da mesma forma, solicita ao secretário-geral [da ONU] que informe oportunamente sobre o desenvolvimento dos acontecimentos no país.

Através da leitura do texto, feita pelo representante de Honduras, Jorge Arturo Reina, o presidente da Assembléia Geral da ONU, Miguel D’Escoto, anunciou que fora aprovada por aclamação a Resolução.

No início da sessão extraordinária da ONU, o presidente anunciou que os países co-patrocinadores da proposta de Resolução foram os seguintes:

Antigua y Barbuda

Argentina

Belice

Bolívia

Brasil

Chile

Costa Rica

Cuba

Dominica

Equador

El Salvador

Guatemala

México

Nicarágua

Paraguai

Peru

República Dominicana

São Vicente e Granadinas

Síria

Uruguai

Venezuela

Mais adiante, foi informado que Estados Unidos, Canadá, Colômbia, Cabo Verde, Barbados, Guiana e Boznia Herzegovina se juntaram ao grupo de co-patrocinadores da Resolução.



Zelaya nega na ONU que pretendia novo mandato



Do portal G1, com agências internacionais

 

O presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, negou nesta terça-feira (30) diante da Assembleia Geral da ONU que pretenda tentar um segundo mandato à frente do país centro-americano. A tentativa do segundo mandato foi o argumento usado pelos militares por congressistas para derrubar Zelaya, em um golpe de estado ocorrido no último domingo. O poder foi assumido interinamente pelo presidente do Congresso, Roberto Micheletti, que prometeu eleições para novembro. Mas a comunidade internacional não aceitou o novo governo e exige a volta imediata de Zelaya.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 16h10
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Análise política

Prendam os banqueiros 

 

Atualizado às 15h39m de 30 de junho de 2009

 

 

 

 

Surgiu mais um “argumento” para, contrapondo-se ao mundo, legitimar o golpe de Estado em Honduras. E, como não poderia deixar de ser, a “fonte” dessa “informação” foi a mesma. Bebendo dessa “fonte”, gente que defendeu – e que defende até hoje – a ditadura militar no Brasil – e que insinua que, sob certas condições, essa ditadura poderia voltar, começando pela derrubada do presidente da República – correu para o último “refúgio” que podia.

Quando criticam os líderes de nações que condenaram os golpistas hondurenhos, esses entusiastas das ditaduras, dizendo-se “democratas”, apelam ao dispositivo do texto constitucional hondurenho que prevê perda de mandato para governantes que tentem se reeleger, ou seja, citam a base sobre a qual os golpistas se apoiaram para golpear a democracia não só em Honduras, mas em toda América Latina, vítima do golpismo durante décadas e décadas.

O dispositivo constitucional hondurenho que prevê a perda de mandato para chefes do poder executivo é o de nº 239 da Carta Magna do país. Diz o seguinte: 

O cidadão que tenha desempenhado a titularidade do Poder Executivo não poderá ser presidente ou indicado. Quem transgredir essa disposição ou propuser a sua reforma, assim como aqueles que o apoiarem direta ou indiretamente, perderão imediatamente seus respectivos cargos e ficarão inabilitados por dez anos para o exercício de qualquer função pública

Quem está alardeando esse artigo da constituição hondurenha como justificativa para o golpe de Estado certamente acha que descobriu a América. Acredita que não sabem dele o presidente dos EUA, sua secretária de Estado, o presidente do Brasil e o Itamarati, o presidente da Venezuela, o da Bolivia, o do Equador, as presidentes do Chile e da Argentina, a OEA, a ONU, a União Européia e todos mais que condenaram o golpe hondurenho e que exigem a volta ao poder do presidente de fato e de direito de Honduras.

Só aquele que acha que descobriu a justificativa dada pelos golpistas hondurenhos para darem o golpe que deram não percebeu por que não se aceita tal justificativa. Terei que explicar ainda mais claramente ao menos para manter ocupados a “fonte” dessa baboseira e seus mastins amestrados, para que continuem procurando alguma forma de legitimar o próprio discurso.

Se adotássemos essa lógica canhestra, teríamos que mandar o Exército prender nossos banqueiros no meio da noite, surpreendendo-os vestidos de pijamas, deitados em suas camas, para, junto de suas famílias, serem conduzidos ao aeroporto e deportados do Brasil. E isso entre o momento em que vocês lêem isto e a madrugada de amanhã.

Por que? Ora, a Constituição brasileira determinava que os juros teriam que ser de no máximo 12% ao ano. Se bem me lembro, essa parte da nossa Carta Magna foi alterada, mas vigeu por anos a fio e jamais nenhum banqueiro foi preso por cobrar juros dez, vinte vezes maiores .

Sabem por que nunca prenderam um só banqueiro por usura (cobrar juros excessivamente altos)? Porque o artigo constitucional dos 12% nunca foi regulamentado.

Não há regulamentação na constituição hondurenha que determine que o exército vá de madrugada à residência oficial do presidente da República, aponte armas para ele enquanto está deitado com sua mulher na cama, arraste-o de pijama para o aeroporto, expulse-o – e à família – do país e, horas depois, um colegiado, formado pelos que deram o golpe, eleja novo presidente.

Sim, em tese a constituição hondurenha poderia dar margem a uma votação no parlamento do país para iniciar um processo de deposição do presidente da República. Haveria que regulamentar todo o processo e dar amplo direito de defesa a ele.

Certamente Manuel Zelaya tem sua versão para tal acusação. Vocês a conhecem? Quem defendeu a aplicação sumária a ele de uma pena sem base legal conhece sua argumentação defensiva? Haveria que desencadear, por ordem do judiciário, um processo de cassação do presidente da República. Ele se defenderia e poderia ser condenado ou absolvido.

País democrático nenhum aceitaria que alguém investido no cargo de presidente por uma eleição limpa, vencida por margem suficiente de votos, fosse deposto dessa forma. E é por isso que o MUNDO não a aceita, com exceção de meia dúzia de reacionários alucinados que se portam como crianças birrentas que, ao serem contrariadas, enfiam os indicadores nas orelhas e se põem a cantarolar. 

 

Folha diz que não há reação popular em Honduras

 

Folha de São Paulo, segunda-feira, 29 de junho de 2009
 
Deposição provoca reação popular tímida  
 
DO ENVIADO A TEGUCIGALPA
 
A deposição do presidente Manuel Zelaya provocou apenas pequenas manifestações pelo país, sem registro de incidentes graves. Na capital, a maior parte das ruas ficou vazia e com pouca presença militar, e o comércio não abriu as portas.
 
Desde o início do golpe, os meios de comunicação pró-governo, como a Rádio Nacional de Honduras, foram ocupados militarmente e retirados do ar. Nos canais que continuaram transmitindo, todos críticos a Zelaya, as notícias foram substituídas por filmes e programas de entretenimento.
 
Em algumas partes da capital, o fornecimento de energia foi suspenso por várias horas.
 
Os militares bloquearam as rodovias de acesso a Tegucigalpa para evitar a chegada de simpatizantes de Zelaya -mais popular no interior que na capital.
 
A maior manifestação pró-Zelaya ocorreu nos arredores da Casa Presidencial, sede do governo hondurenho. Aos gritos de "queremos saber", algumas centenas de simpatizantes do presidente deposto queimaram pneus e madeira, bloqueando a entrada.
 
Os militares, postados apenas dentro da Casa, se limitaram a proteger o perímetro interno. Durante o tempo em que a Folha esteve lá, houve só dois disparos de festim reagindo a uma pequena tentativa de derrubar parte da cerca do palácio.

 

Globo diz que há reação popular em Honduras

 

 

 

Zelaya ao vivo na ONU

 

 

Clique aqui para assistir

 



 Escrito por Eduardo Guimarães às 11h03
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Análise política

Democracia e militares

 

 

 

 

 

 

Os assuntos vão me surgindo na mente de uma forma quase autônoma. É como se fosse um filme que já tivesse visto. Novamente há que escrever.

Fatos desta segunda-feira me deixaram ainda mais estarrecido com o ressurgimento de um movimento político na América Latina que foi característico nesta parte do mundo até pelo menos o fim do século passado. Autoritarismo, censura, ataques explícitos à democracia no exterior e em forma de conceitos antidemocráticos no Brasil, tudo isso não quer me sair da cabeça.

Falo sério com vocês: estou preocupado. Nos últimos dias, freqüentei os blogs do Ricardo Noblat e do Reinaldo Azevedo, preocupado com a relativização que fizeram de um ataque virulento à democracia em Honduras que, como disseram de Barack Obama a Hugo Chávez, ameaça criar um precedente antidemocrático nesta parte do mundo, tendo potencial para gerar fatos semelhantes em outros países.

Apesar de a Globo ter se diferenciado da Folha, do Estadão e Cia. e da maioria das tevês comerciais, passando a tratar o golpe de Tegucigalpa pelo que ele é (golpe) e a denunciar violações de direitos, censura e violência contra cidadãos por parte dos militares golpistas, é pela batuta daquele que fundamenta o discurso de todo direitista na blogosfera, o Azevedo, que os comentaristas do blog dele e do blog do Noblat, mimetizando o blogueiro da Veja, desandaram a verter as frases dele ipsis litteris.

O problema é a idéia que essas frases de Azevedo encerram. Há que lê-las e notar o que de assustador centenas de comentaristas dele estão espalhando pela blogosfera, pelo Orkut, por comunidades virtuais de todos os tipos, por sites e, claro, por aí, no mundo real.

Vamos ao discurso de Azevedo, logo abaixo. Quem o diz tem relações próximas com o PSDB, com o PFL – e, portanto, com os militares – e talvez com “aquela” parte da Cúpula do Judiciário. O sujeito não fala às coisas à toa. Deixa até a impressão que fala por interpostas autoridades e políticos ligados (formal ou informalmente) a esses partidos.

 

O Brasil e os militares. Ou “Honduras como metáfora”

 

(...) Vou evocar o artigo 142 da Constituição [brasileira] com a maior serenidade, sem sofrimento, sem hesitação, em nome da civilidade. E recomendo a esses mequetrefes que o leiam. E lá está escrito para quem sabe ler, no “CAPÍTULO II – DAS FORÇAS ARMADAS”:

Art. 142. As Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da República, e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem.

É preciso que eu explique o que quer dizer “POR INICIATIVA DE QUALQUER DESTES”? É? Então explico.

Por iniciativa também do Legislativo e do Judiciário, as Forças Armadas podem ser chamadas a garantir “a lei e a ordem” se elas estiverem sendo violadas — e ninguém pode violá-las, nem o presidente da República.

O presidente é o comandante-em-chefe das Forças Armadas NA GARANTIA DA CONSTITUIÇÃO, NÃO CONTRA ELA.

Acreditem: assim é em todas as democracias do mundo.

(...)

Honduras não é metáfora sobre o Brasil. Se fosse, conviria ler a Constituição.

 

Muito bem, esse discurso já foi usado no Brasil no golpe de 1964. Há até comentaristas-clones do Azevedo dizendo isso abertamente pela blogosfera e recomendando a Lula – e à esquerda, claro – que “se comporte”. Há uma ameaça, pois.

Discursos de chefes militares de alto escalão vão no mesmo sentido desafiador e ameaçador a cada data por eles considerada “apropriada”, como, por exemplo, nos 31 de março de 1964 de cada ano, e isso vem de décadas, desde o fim do regime militar. E não parou até hoje.

A fundamentação das ameaças à democracia feitas freqüentemente por chefes militares é a mesma que diz Azevedo. Louve-se que o esteja fazendo, pois, dando aos democratas o meio de ver até onde isso é bravata e até onde é ameaça.

Agora com os EUA nas mãos de alguém mentalmente são e com a união mundial pela democracia que está se formando contra o golpe em Honduras, acho que é o momento perfeito para que o mundo discuta países nos quais esse discurso de Azevedo é cultivado por influentes setores da sociedade.

A idéia de que cabe às Forças Armadas destituírem presidentes desarmados no meio da noite em suas camas com tanques e centenas ou milhares de soldados é defendida devido ao artigo constitucional que confere às forças armadas o dever de “manter a ordem pública”, o que foi pensado para o caso de distúrbios sociais violentos e não para derrubar governos.

Para os governos, a Carta Magna designa o Congresso Nacional e o Judiciário, para que votem impedimento de um governante. Impedido pela lei, o governante que tiver perdido o cargo sai naturalmente.

Tudo isso demanda um processo legal. Não é automático, há que dar àquele que se quer impedir o mais amplo direito de defesa etc. Um processo desses leva meses e não horas, como foi em Honduras.

Está mais do que na hora de o Brasil enfrentar essa questão. Não se pode mais permitir que essa ameaça militar paire sobre o país e a democracia. Há uma ameaça clara, defendida abertamente, de ruptura da ordem institucional e constitucional. As instituições brasileiras devem se mobilizar para resolver essa questão. Já.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 22h31
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Política internacional

Lula fala grosso contra

golpistas hondurenhos

 

 

Atualizado às 19h44m de 29 de junho de 2009

 

 

 

 

Do portal G1

29/06/09 - 17h21 - Atualizado em 29/06/09 - 18h01

 

Itamaraty ordena que embaixador brasileiro em Honduras fique no Brasil

Brian Michael Fraser Neele estava de férias quando ocorreu golpe militar.

Ministro Celso Amorim determinou que ele não retorne agora a Honduras.

 

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, determinou ao embaixador brasileiro em Honduras, Brian Michael Fraser Neele, que não retorne ao país da América Central, até uma nova ordem. Neele estava de férias quando ocorreu o golpe militar naquele país contra o presidente Manuel Zelaya. A assessoria de imprensa do Itamaraty não informou desde quando o embaixador estava de férias nem em que local.

 A crise política em Honduras que levou à detenção e ao exílio do presidente Manuel Zelaya pelo Exército do país, neste domingo, teve origem num enfrentamento do mandatário com os outros poderes estabelecidos do país: o Congresso, o Exército e o Judiciário.

 A decisão do governo brasileiro é mais um passo para isolar politicamente o novo governo golpista de Honduras. O presidente Lula disse nesta segunda-feira (29) que o golpe é  "inaceitável". Segundo ele, é preciso manter o país isolado até que o governo democraticamente eleito retorne ao poder.

A decisão do governo brasileiro se soma à pressão exercida por outros países contra o golpe militar. Países latino-americanos que integram o grupo de esquerda Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América (Alba) anunciaram nesta segunda-feira (29) que também vão retirar seus embaixadores de Honduras.

 

 

"Democracia de uniforme"

 

 

Do blog de Reinaldo Azevedo:

 

Democracia não é atalho para ditadura

segunda-feira, 29 de junho de 2009 | 15:31

 

Venezuela, Bolívia, Equador, Nicarágua… Qual é o problema central desses países? A democracia se tornou apenas um atalho para a ditadura. Honduras estava nesse caminho. Recorre-se a processos constituintes para matar a democracia representativa, instituindo, em seu lugar, formas pilantras de “democracia direta”, que nada mais são do que uma pantomima plebiscitária, manipulada por grupo de pressão. O modelo é tão “popular e democrático”, que acaba erigindo “guias geniais”, “condutores do povo”. Vale dizer: a democracia direta dos bolivarianos precisa de ditadores que se eternizem no poder.

Ignorar o método dessa gente é coisa típica de vigaristas. Golpista, em Honduras, era Zelaya. Até agora, o que aconteceu lá obedece ao mais estrito rigor constitucional, pouco importa se houve renúncia, como parece ter havido, ou deposição. Se o novo governo, caso sobreviva, e os militares  não obedecerem ao calendário eleitoral e criarem dificuldades para a oposição democrática, aí, então, a coisa muda de figura. 

 

 

"Democracia de uniforme" 2

 

 

Do portal G1

 

 

Militares golpistas cortam sinal de rádios e TVs em Honduras

Medida é criticada por entidades internacionais pró-liberdade de expressão.

Presidente do país, Manuel Zelaya, foi deposto e expulso no domingo

Estações de rádio e de TV de Honduras foram fechadas entre domingo e segunda-feira (29), depois do golpe militar do fim de semana, que derrubou o presidente Manuel Zelaya. Entidades internacionais de defesa da liberdade de imprensa condenaram a medida.

Pouco depois de militares hondurenhos terem detido o presidente Zelaya e o obrigado a partir para a Costa Rica no domingo, soldados invadiram uma popular estação de rádio e fecharam as redes internacionais de TV CNN em Espanhol e Telesur, emissora venezuelana que tem o patrocínio de governos esquerdistas da América Latina.

Um canal pró-governo também foi fechado. As poucas emissoras de rádio e TV operando colocaram no ar nesta segunda-feira música, novelas e programas de culinária.

Elas quase não se referiram a manifestações ou condenações internacionais ao golpe, apesar de centenas de pessoas protestarem em frente do palácio presidencial, na capital, para exigir o retorno de Zelaya e o fim do blecaute imposto à mídia.

"Este governo espúrio está violando nosso direito à informação ao bloquear os sinais de canais como a CNN", disse um dos líderes dos protestos, Juan Varaona, diante de uma barricada. Pneus em chamas lançavam grossas nuvens de fumaça no céu da cidade.

Outros manifestantes xingavam os dois principais jornais hondurenhos e diziam que eles ainda continuam com suas edições online somente porque apoiaram o golpe.

"'El Heraldo' e 'El Tribuno' são dois jornais que fazem parte do esquema golpista, como também alguns canais de TV controlados pela oposição ao governo", disse Erin Matute, de 27 anos, funcionário do setor estatal de saúde. "Esta manhã somente eles tinham sinal. Os outros estavam fechados", afirmou Matute, que estava numa barricada em uma rua da capital.

Alguns manifestantes queimaram e esmagaram os estandes onde são colocados esses jornais e os usaram na montagem das barricadas para bloquear as ruas ao redor do palácio presidencial.

A entidade Repórteres Sem Fronteiras, ONG com sede em Paris, atuante na defesa da liberdade de imprensa, condenou o cerceamento à mídia.

"A suspensão ou fechamento de órgãos de mídia local ou internacional indica que os líderes do golpe querem esconder o que está acontecendo", afirmou o grupo em um comunicado. "A Organização dos Estados Americanos e a comunidade internacional têm de insistir que seja levantado o blecaute de notícias", diz o texto.

O golpe militar - desencadeado por uma disputa sobre a iniciativa de Zelaya de tentar aprovar a reeleição presidencial no país - é a maior crise política na América Central nos últimos anos.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 18h22
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Denúncia

Ameaça

 

 

 

Demorou, mas aconteceu. O blog Cidadania.com tem mais de três anos. Durante todo esse tempo, por conta de minha intensa atividade política eu sempre soube que tentariam me intimidar. Achei até que demorou...

O que aconteceu foi o seguinte: dia 24, escrevi uma crônica sobre minha filha que está na Austrália. Revelei que (é quase certo que) a mãe dela viajará àquele país com minha quarta filha, Victoria, para matarem as saudades de mãe e filha.

Entre os comentários do post, logo apareceu alguém assinando o comentário como Hilton Lumes de Souza se dizendo “auditor da Secretaria da Receita Federal” e questionando como foi que consegui condições financeiras para enviar minha segunda filha à Austrália e agora minha mulher e a quarta filha. Ameaçou-me, inclusive, de “auditoria”.

Até aí, tudo “bem”. Não foi a primeira vez. Contudo, nesta segunda-feira o sujeito voltou ao mesmo post e escreveu lá dados meus que nunca revelei, o que mostra que estou sendo investigado, sim, mas não pela Receita, mas por inimigos políticos.

O sujeito aludiu à minha situação financeira de uns anos para cá, que não é das melhores. Falou de problemas financeiros que tive que ninguém sabe, ao menos na blogosfera.

Se fosse realmente um auditor da Receita, estaria ferrado. Alguém com esse cargo usá-lo para ameaçar a outrem para que pare de fazer o que faço aqui neste blog, seria crime. Um auditor jamais poderia usar seu cargo para tanto. Seria sumariamente demitido e processado criminalmente.

Enviei um e-mail para o sujeito, ao endereço eletrônico que ele postou no comentário (lumes.souza@uol.com.br). O e-mail retornou. Certamente é falso. Suspeito de que nem existe alguém chamado Hilton Lumes de Souza.

A verdade é que se trata claramente de uma tentativa de intimidação. Querem que eu pare de fazer o que faço aqui. Como se diz em “juridiquês”: “Cui prodest” (a quem interessa?). Quem é que eu incomodo? Vocês que respondam...

De qualquer forma, quero dizer àqueles que acham que vou me intimidar, que não tenho medo.

Minha filha foi estudar na Austrália graças a três anos trabalhando duro para poupar dinheiro para a viagem, e como por lá está ganhando um bom dinheirinho trabalhando como garçonete e como diarista (fazendo faxina), juntou recursos para levar a mãe para perto de si por algumas semanas.

De resto, vou sobrevivendo como posso. Minha filha caçula (dez anos) que viajará com minha mulher tem paralisia cerebral e eu mal posso pagar parte de suas terapias. Luto para sobreviver. Com muita dificuldade, pois o que gasto com a criança é mais do que poderia.

Agora, garanto a essas pessoas que vou até o inferno para descobrir quem andou me investigando. Posso não ter dinheiro, mas sei exatamente como descobrir quem fez o que fez. O assunto ainda renderá posts bem interessantes. Não percam.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 16h13
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Crônica política

A mente golpista 

 

 

 

 

 

Há quem não entenda por que o golpe em Honduras ganhou as manchetes de primeira página dos principais jornais do país e uniu o mundo – com a previsível exceção da imprensa golpista brasileira – contra os golpistas hondurenhos. Um leitor do blog, daqueles poucos que vêm aqui e que não conseguem se manter equilibrados sobre as patas traseiras por mais do que alguns segundos, escreveu esta "pérola" nos comentários do post anterior. Editei o comentário para se tornar inteligível:

“(...) Eles [os hondurenhos] que se resolvam. COM CERTEZA, lá não tem santo. É TUDO MALANDRO. Aposto que o presidente deles não falou que queria isso [mudar a constituição hondurenha] antes de se eleger (...)”

Vive no século passado, o sujeito. Acha que o que acontece na América Latina não tem nada que ver com o Brasil. Acha que Honduras é uma republiqueta e que o que acontece numa republiqueta não interessa a um país rico e influente como o nosso.Mas pior mesmo é ele achar que a possibilidade de um presidente não ter dito antes de se eleger que iria convocar um plebiscito sobre mudanças na constituição de seu país é motivo para militares roubarem o voto da população e deporem o governo que ela elegeu.

E o indivíduo não está sozinho. Na verdade, apesar de a golpista imprensa nacional ter sido surpreendida e intimidada pelo esmagador repúdio mundial – e, sobretudo, latino-americano – ao golpe em Honduras, ela tenta vender a tese que o comentarista supra mencionado oferece de graça por aí.

A reação mundial – e inclusive, em particular, a do presidente Lula, que, a exemplo da maioria dos governantes latino-americanos, não pretende reconhecer o “governo” dos golpistas hondurenhos – foi assim intensa devido ao precedente de o golpe em Honduras ter sido o primeiro golpe de Estado na América Latina desde a Guerra Fria.

Aceitar esse golpe é aceitar que outros ocorram. É preciso esmagar os golpistas e obrigá-los a devolver o poder para desestimular ações similares em outros países, inclusive no nosso, onde as teorias que sustentaram a ditadura militar de 1964 já se fazem ver e ouvir.

E é por isso que pus aqui a hedionda foto que vocês foram obrigados a ver acima. Porque o sujeito que está à esquerda de Serra – literalmente – construiu um discurso para legitimar o golpe em Tegucigalpa.

Como o Esgoto da Veja gosta de fazer – e em homenagem ao serviço que ele prestou à sociedade ao tirar sua máscara de democrata e a de seus aliados ao defender um golpe de Estado –, escreverei aqui o que ele chama de “vermelho e azul”, ou seja, reproduzirei um post seu em azul-tucano e comentarei cada parágrafo - só que em preto, pois, como Barack Obama, a OEA, a União Européia, a ONU etc., não digo o que digo por conta de minha ideologia, mas pelo mesmo apreço à democracia que me levou recentemente a condenar o regime iraniano. Então, mãos à obra:

Quem é golpista em Honduras? Os militares? Por enquanto, não! Por enquanto, eles estão cumprindo sua função constitucional. Constatar o que digo é fácil: basta saber ler. Manuel Zelaya, presidente que foi levado à Costa Rica pelos militares, é um palhaço chavista, teleguiado por Caracas. Tentou reproduzir em Honduras o modelo de instalação de ditaduras posto em prática na Venezuela, na Bolívia e no Equador. O Beiçola de Caracas lidera uma fila de delinqüentes que decidem recorrer à democracia para implementar regimes de força.

Quer dizer que o fato de não se gostar da ideologia de Hugo Chávez, Evo Morales e Rafael Correa é motivo para estuprar a vontade popular manifestada nas urnas? Quer dizer que são “ditadores” os governantes eleitos pela vontade majoritária e inquestionável (pois se elegeram em eleições auditadas e avalizadas por centenas de observadores internacionais) de venezuelanos, bolivianos e equatorianos e os que deram golpe de Estado e violaram a vontade da maioria dos hondurenhos, são "democratas"?

Zelaya queria fazer um referendo que foi declarado ilegal pelo Congresso, pela Promotoria e pelo Poder Judiciário. Nada menos. No seu próprio partido, o apoio não foi unânime. Deu ordens aos militares consideradas inconstitucionais pela Justiça. Nesses casos, fazer o quê? Boa questão, não é mesmo? É preciso chamar a democracia de uniforme se todo o resto vai para  o brejo.

"Democracia de uniforme" é ótimo. Aliás, democracia não comporta adjetivos. Não existe democracia de uniforme. Existem violadores da democracia, que muitas vezes usam uniformes. E ele pergunta o que fazer se o presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, deu ordens aos militares consideradas inconstitucionais pela Justiça. Eu digo o que fazer: que se faça um processo legal, com amplo direito de defesa, que destitua o governo, como fizemos aqui com Fernando Collor de Mello, por exemplo. Se alguém comete um crime, não se deve linchá-lo. Há que prendê-lo e julgá-lo.

Leiam, em espanhol claríssimo, os artigos 184, 185 e 186 da Carta:

ARTICULO 184.- Las Leyes podrán ser declaradas inconstitucionales por razón de forma o de contenido. A la Corte Suprema de Justicia le compete el conocimiento y la resolución originaria y exclusiva en la materia y deberá pronunciarse con los requisitos de las sentencias definitivas. Até aí, nada a comentar. É um dispositivo padrão em qualquer texto constitucional. Leis podem ser consideradas inconstitucionais em qualquer parte do mundo, o que não autoriza que se usurpe a vontade do povo que elege governantes retirando-os do poder sem o devido processo legal.

ARTICULO 185.- La declaración de inconstitucionalidad de una ley y su inaplicabilidad, podrá solicitarse, por quien se considere lesionado en su interés directo, personal y legítimo:

1. Por vía de acción que deberá entablar ante la Corte Suprema de Justicia; 2. Por vía de excepción, que podrá oponer en cualquier procedimiento judicial; y 3. También el Juez o Tribunal que conozca en cualquier procedimiento judicial, podrá solicitar de oficio la declaración de inconstitucionalidad de una ley y su inaplicabilidad antes de dictar resolución. En este caso y en el previsto por el numeral anterior, se suspenderán los procedimiento elevándose las actuaciones a la Corte Suprema de Justicia.

ARTICULO 186.- Ningún poder ni autoridad puede avocarse causas pendientes ni abrir juicios fenecidos, salvo en causas juzgadas en materia penal y civil que pueden ser revisadas en toda época en favor de los condenados, a pedimento de éstos, de cualquier persona, del ministerio público o de oficio. Este recurso se interpondrá ante la Corte Suprema de Justicia. La ley reglamentará los casos y la forma de revisión.

Finalmente, nada. Nenhuma linha das partes da constituição hondurenha reproduzidos pelo Esgoto diz que um presidente pode ser deposto sem processo legal e de forma intempestiva e violenta. Infelizmente, porém, ainda não acabou. Ele insiste mais um pouco nessa teoria maluca.

Está claro, não? O presidente da República não tem autoridade para desrespeitar uma decisão da Justiça — e Honduras vive uma democracia depois de um triste passado de golpes militares. Mas e se o chefe do Executivo insiste? E se usa seu poder para fraudar a Constituição que lhe confere legitimidade? Voltemos à Constituição, artigo 272:

ARTICULO 272.- Las Fuerzas Armadas de Honduras, son una Institución Nacional de carácter permanente, esencialmente profesional, apolítica, obediente y no deliberante. Se constituyen para defender la integridad territorial y la soberanía de la República, mantener la paz, el orden público y el imperio de la Constitución, los principios de libre sufragio y la alternabilidad en el ejercicio de la Presidencia de la República.

Está claro que o Esgoto, além de tudo, é um ignorante. O mesmo texto, com variações mínimas, está inscrito na Constituição brasileira. O que está no artigo 272 da constituição hondurenha, bem como na Constituição brasileira, não autoriza militares a invadirem o Palácio da Alvorada num domingo de manhã, por exemplo, e seqüestrarem Lula e dona Marisa, expulsando-os do país na seqüência.

Leram? Cumpre às Forças Armadas a garantia do cumprimento da Constituição quando todo o resto, como foi o caso, falha. E só falhou porque havia uma vagabundo empenhado em jogar a Constituição democrática no lixo. Quem explicou direito a atuação de Zelaya foi Evo Morales, o índio de araque que governa a Bolívia: “É uma outra forma de governar, subordinada ao povo”. Traduzindo em linguagem civilizada, quer dizer que é uma forma de governar que manda a Constituição às favas e opta pela ditadura na base de sucessivas “consultas populares”.

É piada. “Ditadura” de consultas populares e “democracia” de baionetas. É disso que essa turma da foto acima gosta. O Esgoto diz que deram golpe de Estado porque “todo o resto” falhou. Que “todo o resto” é esse? O que deveriam ter feito era encaminhar um processo de impedimento do presidente ao Congresso ou fazer como fazem alguns estados americanos nos quais existe a lei do “recall”, que submete a plebiscito a continuidade ou não de um governante.

Bem, a ditadura dessa esquerda proxeneta, Honduras parece ter rejeitado. Tomara que rejeite qualquer outra. Por enquanto, as Forças Armadas exercem o seu papel constitucional e tiram Honduras da rota da bagunça bolivariana. Que as Forças Armadas dêem seqüência a seu papel institucional e declarem o triunfo da Constituição, uma vez que um civil tentou golpeá-la. Honduras não rejeitou coisa nenhuma.

Como esse sujeito se atreve a dizer que “Honduras” rejeitou Zelaya? Ele fez alguma pesquisa de opinião para saber a opinião do povo? Bem, para quem acha que o povo se manifestar num plebiscito é “ditadura” e um grupelho de políticos usar soldados para derrubar um governo eleito legitimamente é “democrático”, nada a espantar.

Mas bom mesmo é ver com quem o governador José Serra anda, não é mesmo? O Esgoto diz que suas idéias e a do tucano “batem”. Aliás, o golpismo midiático engendrado por Serra contra Lula é apenas uma fase do processo “democrático” no qual parece que o tucano acredita exatamente como seu amiguinho da Veja, com quem curte andar abraçadinho por aí.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 11h41
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Política internacional

Golpistas apóiam golpes

 

 

 

Hondurenhos protestam contra golpe de Estado. Manifestante exibe título de eleitor

 

 

 

Noite de domingo. Mais uma vez, o fantasma dos golpes de Estado paira sobre a América Latina. É a vez de Honduras. Num primeiro momento, pela internet é possível ver de que lado ficaram os governos, os organismos multilaterais e a mídia.

 

Aqui vai a lista de apenas alguns dos que condenaram o golpe de Estado em Honduras:

 

Barack Obama

Hillary Clinton

Bill Clinton

Hugo Chávez

Evo Morales

Lula

Cristina de Kirchner

Rafael Correa

Michelle Bachelet

OEA

ONU

União Européia

 

Agora, a lista (eloqüente) de alguns dos que apoiaram ou trataram como “legal” o golpe de Estado hondurenho:

 

Portal G1 (Globo)

UOL (Folha)

Estadão.com.br

IG

Terra

Ricardo Noblat

Reinaldo Azevedo

 

A justificativa do golpe por este segundo grupo é a mesma dos golpistas hondurenhos, de que a convocação de um referendo pelo presidente Manuel Zelaya à revelia da Suprema Corte e do Parlamento justificaria a ruptura institucional no país.

Já pensaram se a moda começa a pegar de novo aqui na América Latina? O povo elege e, se meia dúzia de golpistas influentes não gostar do eleito, inventa alguma coisa e derruba

Nem direi que caiu a máscara desses falsos democratas, desses golpistas que condenam suspeita de fraude eleitoral no Irã e apóiam o insuspeito golpe de Estado hondurenho.

Dos que ficaram do lado dos golpistas, só o Esgoto da Veja teve coragem de usar a conversa mole dos golpistas para justificar o golpe. Os outros se limitaram a divulgar que Honduras “elegeu” um novo presidente e a difundir acriticamente a justificativa dos golpistas.

Alguma surpresa? Nenhuma, ora. Golpistas apóiam golpes e é por isso que a imprensa golpista latino-americana aderiu rapidamente ao golpe hondurenho.

Talvez recuem daqui a pouco devido ao consenso da opinião pública internacional contra o golpe, mas o que importa é a reação deles no primeiro momento, que lhes tira as máscaras. Pena que seja só para aqueles que sabem que eles usam máscaras.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 21h08
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Comunicado

MSM representará ao MPF

contra Folha de São Paulo

 

 

 

 

 

 

O jornal Folha de São Paulo deste domingo traz manchete de primeira página que ressuscita o caso da ficha policial da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, publicada pelo jornal em 5 de abril deste ano também em sua primeira página. A ficha acusava a ministra de vários crimes supostamente cometidos durante a ditadura militar, e a reportagem a acusou de ter tramado com seus companheiros de resistência o seqüestro do então ministro Delfim Neto.

O título da matéria é “Laudos pagos por Dilma dizem que ficha é fabricada”. Os laudos foram produzido pelos professores do Instituto de Computação da Unicamp (Universidade de Campinas) Siome Klein Goldenstein e Anderson Rocha, e pelo perito Antonio Nuno de Castro Santa Rosa, da Finatec (Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos), ligada à UnB (Universidade de Brasília).

Segundo a Folha, as conclusões dos laudos sobre a ficha de Dilma dizem que “foi digitalmente fabricada”, que “A foto foi recortada e colada de uma outra fonte”, que o texto foi posteriormente adicionado digitalmente” e que “É improvável que qualquer objeto tenha sido escaneado no Arquivo Público de São Paulo antes das manipulações digitais".

Os laudos deveriam ser suficientes para ao menos pôr fim a especulações contra Dilma, que desmentiu peremptoriamente a participação em qualquer plano para seqüestrar Delfim Neto ou em qualquer outro ato de violência. A ministra já fora muito prejudicada pela Folha por ela ter dado crédito a um documento apócrifo enviado por e-mail sem ao menos submetê-lo a qualquer laudo pericial que indicasse sua autenticidade.

Contudo, a Folha opta por dar sobrevida àquela falsificação grosseira afirmando, no final da matéria, que “Tem procurado checar a autenticidade da ficha” e que “Foram contatados [por ela] três peritos de larga experiência na análise de documentos e um especialista em imagens digitais” e  “Todos disseram que teriam dificuldades em emitir um laudo, pois necessitavam do original da ficha, que nunca esteve em poder da reportagem” .

Os tais peritos que a Folha “contatou” e que não diz quem são também teriam afirmado que “a análise de uma imagem contida num e-mail não seria suficiente para identificar uma eventual fraude”, apesar de o jornal ter achado que o material que recebera de fonte incerta era suficiente para acusar uma autoridade de Estado em sua primeira página.

 

 

Injustiça que ameaça a todos

 

 

Há uma frase que ouvi de um professor na adolescência que me marcou para o resto da vida. É de autoria de Charles-Louis de Secondat, o barão de Montesquieu, político, filósofo e escritor francês autor da Teoria da Separação dos Poderes de Estado. A frase em questão, é a seguinte:

 “A injustiça que se faz a um é uma ameaça que se faz a todos”.

Foi esse o pensamento que nos anos seguintes faria com que eu construísse crença que persiste até hoje em meu ideário de vida, a crença de que quando permitimos que injustiças prosperem estamos nos expondo a ameaça de amanhã virmos a ser os próximos injustiçados.

Se uma ministra de Estado pode ser vítima de uma armação dessa natureza, se o jornal mais vendido do país (inclusive em bancas de jornal e através de assinaturas) recebe um e-mail de fonte duvidosa contendo acusações graves a uma ministra de Estado e simplesmente o estampa em sua primeira página, o que essa gente pode fazer contra um cidadão comum?

Todos os brasileiros estão ameaçados por essa prática irresponsável e criminosa e pela omissão daquele jornal de investigar e denunciar os autores de um documento falso que circulava pela internet em correntes de e-mail e blogs de extrema direita.

Esse crime foi agravado pela reportagem de hoje da Folha que volta a coonestá-lo ao dizer não ser possível comprovar que a ficha é uma fraude, quando o que deveria pautar a publicação de um material daquela natureza seria primeiro a comprovação de sua veracidade.

 

 

O silêncio dos bons...

 

 

Outra frase célebre permeia minha visão de mundo. É de Mahatma Gandhi e diz o seguinte:

"Se ages contra a justiça e eu te deixo agir, então a injustiça é minha".

É por essa razão que, nesta segunda-feira, proporei ao setor jurídico da ONG Movimento dos Sem Mídia, a qual presido, que nossa organização volte a representar ao Ministério Público Federal contra um meio de comunicação. Desta vez, será pedindo para que investigue esse caso nebuloso.

A base da ação será a de que é crime a falsificação de documento público, e a ficha falsificada que a Folha publicou é um documento público.

O MSM quer saber várias coisas e pedirá ao MPF que descubra. Por exemplo:

1 - Quem forjou a ficha policial de Dilma e por que o jornal a publicou sem verificar sua autenticidade?

2 – Quem enviou a ficha ao jornal?

3 – Por que, até hoje, a Folha não denunciou o autor da falsificação contra uma autoridade de Estado?

4 - Quem são os peritos que a Folha diz terem afirmado que não é possível comprovar que a ficha é fraudulenta.

5 – Por que a Folha publicou a acusação a Dilma em sua primeira página em 5 de abril deste ano e a retratação só foi publicada, com ressalvas, nas páginas internas do jornal vinte longos dias depois?

6 – A Folha mantém alguma relação com os falsificadores da ficha falsa contra Dilma?

7 – Entre os blogs e correntes de e-mail que vinham espalhando a ficha contra Dilma na internet não estarão os autores da falsificação?

Segundo parecer prévio que recebi na sexta-feira retrasada de Antonio Donizeti, diretor jurídico do Movimento dos Sem Mídia, há fundamentação mais do que suficiente para a representação que, como presidente da ONG, decidi fazer ao Ministério Público Federal para que as perguntas supra mencionadas sejam respondidas.



 Escrito por Eduardo Guimarães às 10h41
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