Roberto Micheletti, presidente "de fato" de Honduras
Da Telesur
Tradução de Eduardo Guimarães
Nas manifestações que aconteceram nesta sexta-feira [10 de julho de 2009] na capital hondurenha, Tegucigalpa, tornou-se pública uma verdade pouco tratada pelos meios de comunicação nacionais e internacionais, porém muito conhecida pela população hondurenha: uma tentativa de Roberto Micheletti de mudar a Constituição de Honduras.
Através de movimentos sociais, organizações populares, professores, líderes sindicais e o povo em geral, depois de exigirem a restituição do presidente legítimo e constitucional de Honduras, Manuel Zelaya, os manifestantes denunciaram publicamente a tentativa ensaiada pelo promotor do golpe de Estado, Roberto Micheletti.
Em 1985, Micheletti tentou converter o Congresso Nacional hondurenho em uma Assembléia Nacional Constituinte para reformar a Carta Magna que atualmente defendem os golpistas.
Enquanto deputados e políticos acusam hoje Manuel Zelaya de tentar consolidar um projeto constinuista ao tentar mudar a Magna Lei hondurenha, quando o que tentou fazer foi uma consulta popular não vinculante, Micheletti, sim, é que tentou fazê-lo 24 anos atrás.
A proposta de Zelaya difere muito do que passou em 1985, quando o então deputado Roberto Micheletti (que é parlamentar há 28 anos) convocou uma Constituinte para estender o mandato do presidente da época, Roberto Suazo Córdoba.
Fundamentalmente, em 24 de outubro de 1985, dois anos depois de aprovada a constituição vigente, vários deputados, liderados por Micheletti, tentaram introduzir a proposta convocando uma Assembléia Nacional Constituinte.
Os parlamentares pediam a suspensão de vários artigos constitucionais, os mesmos que, ironicamente, agora servem às autoridades de fato para dar legitimidade à destituição de Zelaya. Esses artigos são os de número 373, 374 e 375, e se referem aos mecanismos de reforma e defesa da Constituição.
Assim como descreve o enviado especial a Tegucigalpa da Agência Boliviariana de Notícias (ABN), Antonio Núñez Aldazoro, naquela época se apresentou uma representação e foi suspensa a apresentação da proposta, pois, naquele momento, a ação de Micheletti também foi considerada traição à pátria.
Cabe ressaltar que 24 anos atrás ainda sentia-se os efeitos da guerra de baixa intensidade, o escândalo dos chamados “contras”, a doutrina de segurança do presidente norte-americano Ronald Reagan, e Honduras ainda era considerada a base de operações dos EUA na América Central.
D’Escoto diz que regresso de Zelaya está próximo
Miguel D'Escoto, presidente da Assembléia Geral da ONU
O presidente da Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas, Miguel D’Escoto, garantiu nesta sexta-feira [10 de julho de 2009] que “está próximo” de conseguir a restituição do presidente legítimo e constitucional de Honduras, Manuel Zelaya, para que possa completar os meses de mandato que lhe faltam.
“Disseram-me, mas não estou seguro, de que se está próximo da restituição do presidente Zelaya”, declarou numa coletiva de imprensa D’Escoto, que no domingo passado acompanhou o mandatário em sua tentativa fracassada de voltar a Tegucigalpa depois de ter sido seqüestrado e expulso do país em 28 de junho.
O nicaragüense [D’Escoto] garantiu que sua afirmação “não é um pressentimento” e que se baseia em “conversações” que teve com interlocutores que não identificou.
Sob esse prisma, indicou que “há indícios” de que nas negociações entre Zelaya e o regime de fato hondurenho, mediadas pelo presidente da Costa Rica, Óscar Arias, aconteceu alguma coisa que se saberá mais tarde” e que o “leva a pensar que há uma solução”.
“Acredito, particularmente, que logo se alcançará uma solução, reiterou D’Escoto depois de indicas que isso poderia ocorrer “em alguns dias”.
O presidente da Assembléia Geral da ONU insistiu que a resolução da crise hondurenha passa pela restituição de Zelaya com plenos poderes.
Por outro lado, D’Escoto rechaçou as acusações de interferência na crise feitas ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez. “Não acredito que (Chávez) se dedique a matar gente ou a instalar bases permanentes em países estrangeiros. Sinto uma grande admiração pelo que ele representa”.
Juro a vocês que ainda vou entender o objetivo de um jornalista que escreve uma nota como essa acima. Ele pensa que está fazendo o quê? Revelando o caráter de Lula? Provando que o presidente da República é um malandro que engana a todos?
É uma acusação ousada. O sujeito pode inferir até que Lula é marciano, mas que tipo de informação esse sujeito passou? Lula prometeu a Obama a camiseta de algum jogo em especial, de algum período em especial, e não entregou o que prometeu?
Será que o presidente, pessoalmente, cuidou de todos os detalhes da cerimônia em que presenteou Obama com a camiseta da Seleção? É por aí que a mídia pretende continuar a mandar seus mastins avançarem, dentes em riste?
Não me admira que Lula seja aprovado por 80% dos brasileiros. E que Dilma esteja atingindo altos patamares de intenção de voto antes da hora....
Se só o que podem falar de Lula – e de seus quase sete anos de governo, da situação do Brasil quando ele assumiu e da que vige hoje e da moral do presidente – é isso, então está explicado por que não conseguem desmoralizá-lo.
E o que têm para falar de Dilma? Que ela falsificou seu currículo acadêmico? Bem, tentaram com documentos criminalísticos comprovadamente falsos, com acusações sobre dossiês jamais comprovadas e até com a possibilidade de a ministra morrer no meio do mandato se se eleger presidente, e não deu.
Essa estratégia de tentar ir minando o caráter de Dilma e de Lula junto à sociedade com esse tipo de safadeza, para mim já era. Não deu certo com Lula e, graças a Deus, como é só isso o que sabem fazer e o que têm para dizer, não dará com Dilma.
Aliás, vejam só que “interessante”: a estratégia que usaram com Lula todos estes anos deu tão certo, mas tão certo que resolveram usar esse monumento de “competência” difamatória também contra a candidata do presidente à própria sucessão.
O título deste texto é um clichê porque a realidade também é. A vida imita a arte. Nada mais emocionante do que a realidade, hoje em dia.
A nova ordem mundial que se desenha vai pondo fim a séculos de imutabilidade nas relações humanas e de poder. Vivemos a era da liberdade, que aflui de todas as partes, sobretudo do ar, das ondas invisíveis de radiotransmissão que cobrem a Terra como uma teia, de ponta a ponta.
O homem comum adquiriu meios de fazer o que durante milênios só foi permitido aos muito, muito ricos e muito poderosos, a pouquíssimos, os quais, por força do poder de difundir o próprio discurso a muitos, tornaram-se como que donos do planeta.
Hoje, um cidadão qualquer pode aprimorar uma forma de se comunicar, colocá-la na internet e, dali, atrair o interesse e o apoio de milhares e até de milhões.
Desmandos que nunca vieram à luz, hoje podem ser denunciados com considerável eficiência.
Recentemente, em Honduras, vimos um clichê de filme de ação. O presidente de uma pequena república latina tentando pousar um avião numa pista bloqueada às pressas. Ao vivo e à cores, o mundo assistiu à violência dos usurpadores contra uma população indefesa.
Do outro lado do mundo, no Irã, num regime fechado e teocrático, imagens que há nem uma década jamais seriam vistas hoje puderam ser acompanhadas em tempo real. Fatos que mal tinham sucedido por ali já eram comentados nos quatro cantos da Terra.
Até os aparatos de comunicação dos grandes interesses constituídos estão sentindo que não falam mais sozinhos. Freqüentemente, estão tendo que se explicar e justificar, por mais que tentem agir como se desprezassem os novos comunicadores que lhes roubaram o monopólio da comunicação.
E as armações políticas grosseiras? O governador de São Paulo encomenda um prêmio fajuto para receber de uma ONG amiga e enrolada com dinheiro público, mente ao dizer que será premiado pela ONU tentando se contrapor ao seu principal adversário político e a farsa é desmascarada em minutos.
É claro que quem está perdendo poder desdenha da capacidade ainda relativa dos seus opostos de confrontá-lo à altura. Todavia, a mera comparação com o passado recentíssimo mostra quanto poder hegemônico de comunicação foi perdido e em quão pouco tempo.
Se há dez anos dissessem a qualquer um de nós que o Brasil seria governado por Lula e com ele se tornaria uma das economias mais sólidas do mundo, que os Estados Unidos seriam governados por um negro humanista ou que qualquer um poderia desafiar o secular poder da imprensa, o que diríamos?
Sei que o futuro ainda reserva muitas maravilhas ao homem, mas agradeço a Deus por me permitir estar vivendo em uma época na qual, ainda que não se veja a vitória do direito, da verdade e da justiça, ao menos se tem boas razões para ter esperança.
Recebi uma denúncia que precisa ser levada ao conhecimento público. Minha fonte é confiável, mas não posso revelar quem é.
Aí vai:
Dia 8 de junho, a Rede Minas [de tevê] parou de retransmitir o Jornal da Cultura, da TV Cultura de SP, substituindo-o pelo Repórter Brasil, da TV Brasil.
A retransmissão do Repórter Brasil para Minas Gerais não durou uma semana. Três dias depois saiu do ar no Estado.
A pressão política vinda de São Paulo – provavelmente de Serra, do PSDB e da Fundação Padre Anchieta – foi forte e a Rede Minas voltou com o Jornal da Cultura.
Há um movimento interno na Rede Minas para que o Repórter Brasil volte a ser transmitido. Ao que tudo indica, não há resistência de Aécio Neves.
Já a TVE -RS, da governadora Yeda Crusius, recusa-se a enviar matérias locais ao Repórter Brasil, boicotando a rede pública.
Tenho recebido uma quantidade expressiva de e-mails e venho sendo procurado por várias pessoas. Até por telefone, pelo Twitter e nem sei por onde mais. Por todos esses meios, as pessoas vêm me trazendo demandas para que aborde e/ou investigue vários assuntos. Outros pedem que entre com ações, que denuncie, que promova atos públicos.
Tenho que dar uma explicação aqui que talvez já devesse ter dado antes. Sou apenas um cidadão comum. Não tenho poderes especiais de nenhum tipo. Minha influência limita-se a este blog e à ONG que presido.
Gostaria de poder fazer mais. Gente aflita tem me procurado. Uma senhora me mandou e-mail contando um problema com a municipalidade de sua cidade e retaliação que essa administração estaria promovendo contra ela através de uma rádio.
E há tantos outros casos que deixam a gente consternado...
Infelizmente, meus caros, devo dizer que estou no limite do que me é possível fazer. Sei que não é muito. Manter este blog ou tocar a ONG Movimento dos Sem Mídia e suas ações talvez nem consiga mudar nada, mas é o que posso fazer.
Peço desculpas a todos aos quais não tenho podido dar a atenção que merecem. Realmente gostaria de poder ajudar mais. Este trabalho que faço no blog e na ONG, porém, é voluntário. Faço concomitantemente às minhas atividades profissionais.
Agora mesmo, estou para viajar de novo. No próximo domingo, viajo a Joanesburgo, na África do Sul. De lá, viajo a Luanda, em Angola e, depois, volto a Joanesburgo para um último compromisso de trabalho, já no fim do mês.
Em Angola, terei certa dificuldade em postar aqui, porque o hotel que um amigo angolano de fé me conseguiu não deve ter conexão com a internet, de maneira que ficarei dependendo de lan-houses. Além disso, participarei de uma feira durante minha estada naquele país, o que complicará as coisas.
Entre os dias 12 e 20, minha atividade neste blog diminuirá. Até domingo pela manhã, no entanto, estarei por aqui full time, como de costume.
Quanto ao que eventualmente puder ajudar, quero dizer que tenho toda a boa vontade do mundo. Escuto e leio a todos. Escrevo aqui todo dia. Participo de palestras e seminários para os quais me convidam. Promovo ações em nome da ONG.
Garanto a vocês que, enquanto me for humanamente possível, tratarei sempre daquilo em que acredite que posso influir de alguma maneira. Só peço que compreendam meu limite para me doar ao interesse público, que é o limite do possível. Dentro dele, contem comigo.
E não é que os tucanos arrumaram uma premiação de emergência para Globos, Folhas, Vejas e Estadões divulgarem no lugar da premiação que Lula recebeu da Unesco na terça-feira e que os veículos sonegaram ao público!
Leiam, abaixo, notícia que será divertido ver como será tratada pelos jornais e telejornais, inclusive por conta da importância de cada premiação (a de Lula e a de Serra).
Depois da notícia limpa pró-Serra dada pelo Estadão nesta quarta-feira, ou seja, sem ter sido espremida entre notícias “negativas”, como fizeram com a da premiação de Lula, leiam meu comentário final, importante para a compreensão completa desse absurdo.
08/07/09
Serra ganha prêmio internacional por atuação em Saúde
Da Agência Estado
O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), recebeu hoje um prêmio da Organização Mundial da Família (WFO, da sigla em inglês), em Genebra, na Suíça, por seu trabalho a frente do Ministério da Saúde. Serra, virtual candidato tucano à Presidência da República em 2010, foi ministro de 1998 a 2002, no governo do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). A entidade homenageou também a princesa do Kuwait, Sheikha Al-Sabah, e a coordenadora da Fundação Cherie Blair pelas Mulheres, Cherie Blair. A WFO é vinculada à Organização das Nações Unidas (ONU).
Fui pesquisar quem é a World Family Organization (WFO). Nem consta verbete na Wikipédia. Quase não há referências à organização na internet. É apenas uma das milhares de ONGs ligadas à ONU espalhadas pelo planeta.
Apesar de a notícia do Estadão induzir o leitor a acreditar que o governador paulista foi premiado pelas Nações Unidas, não é nada disso. A premiação é de exclusiva responsabilidade da ONG.
Inclusive, pode-se mensurar o quê é o quê comparando quem foram os outros agraciados com o prêmio Prêmio da Paz Felix Houphouët-Boigny, da Unesco, recebido por Lula, e quem foram os agraciados pelo prêmio que Serra recebe sabe-se lá por que critérios...
A galeria de contemplados com o prêmio da paz da Unesco inclui o rei da Espanha, Juan Carlos, o ex-presidente da África do Sul e prêmio Nobel da paz, Nelson Mandela, e o ex-presidente americano Jimmy Carter. Já o prêmio que Serra recebeu, quem ganhou também foi uma aristocrata árabe e a mulher do ex-premiê britânico Tony Blair.
Apesar disso tudo, suspeito de que jornais e telejornais darão a Serra a cobertura jornalistica que só teria cabido a Lula devido à grande importância do prêmio que recebeu – e que um terço dos contemplados com o Nobel da Paz também recebeu – da Unesco e à opacidade desse prêmio desconhecido que Serra está recebendo de uma organização que ninguém conhece.
Leitores denunciam prêmio de Serra
Os leitores, hein... Vejam só, abaixo, o que desencavaram sobre essa história dessa ONG que "premiou" Serra um dia depois de Lula ter sido premiado pela ONU.
A Presidente da WFO é brasileira (Dr. Deisi Noeli Weber Kusztra). O escritório da presidência fica em Curitiba. Quem quiser pode olhar o link.
Em 29 de agosto do ano passado, este espaço denunciou que Deisi Noeli, da OMF [nota do redator: conhecida como WFO] tinha problemas judiciais em Curitiba. Agora, a Controladoria e o MP devem denunciar Deisi porque não aplicou corretamente cerca de R$ 6 milhões do governo do estado na maternidade (...)"
Giovani Avila | Blumenau - SC | Engenheiro
"La Prensa" picareta - como a daqui
Vejam só, abaixo, a safadeza do jornal golpista de Honduras "La Prensa". Mandou bala no Photoshop para tirar a mancha de sangue da camiseta do garoto assassinado pelos golpistas hondurenhos.
A política brasileira está produzindo um fenômeno incomum em democracias dignas do nome. Estamos às portas de uma sucessão presidencial. As forças políticas da nação se movem em direção a pré-candidaturas. Nomes apresentam-se ao escrutínio público.
Nas democracias dignas do nome, a imprensa tem um papel importante nesse processo. Cumpre-lhe a missão oficiosa de expor à sociedade as facetas e – se houver – o desempenho anterior ou vigente de homens públicos como gestores quando estes pleiteiam, por exemplo, aquele que é o mais importante posto da República, o posto de presidente.
Algo está errado com o processo político de um país quando o pré-candidato à Presidência da República melhor cotado entre todos (ao menos nas pesquisas de intenção de voto) não aparece no noticiário, não sendo criticado por ninguém.
Ainda mais quando se trata de um governo sobre o qual pairam suspeitas de corrupção e de malversação de recursos públicos por conta de dezenas de pedidos de CPI no Legislativo estadual, o qual não consegue fiscalizar o governo paulista há cerca de quinze anos, exercendo o “direito das minorias” de que tanto fala o partido do governador paulista no Congresso Nacional, onde exige CPIs ininterruptamente contra o governo federal.
José Serra é um governador invisível e faz um governo invisível porque a imprensa de seu Estado, que deveria investigá-lo como governador, e a imprensa nacional, que deveria investigá-lo como candidato à Presidência, optaram por escondê-lo.
Há prazo para essa situação terminar? Há. Ela dura até o início oficioso da campanha eleitoral no ano que vem, que será no fim do primeiro semestre. Então começará um jogo até em melhores condições para os adversários do governador paulista, pois críticas não mais poderão ser ocultadas estando o país em pleno processo eleitoral.
Até lá, a imprensa ficará produzindo acusações ininterruptamente contra a pré-candidatura que mais ameaça Serra, a da ministra Dilma Rousseff, tornando ainda mais impressionante a invisibilidade do governador paulista.
E de fato é preciso escondê-lo. Sobretudo num momento em que fazem tantas acusações ao governo federal e à candidata de Lula à sua sucessão, pois contra Serra pesam escândalos incontáveis que se transformaram em pedidos de CPI na Assembléia Legislativa. A Saúde, a Educação e a Segurança Pública em São Paulo são das piores do país. Enfim, São Paulo não resiste a dez minutos de crítica.
Internamente, o Estado mais rico da federação é controlado com mão de ferro por meio de legítima censura. É impossível criticar o governador paulista na imprensa de São Paulo. Os grandes grupos de mídia paulista e carioca são todos aliados de Serra, e esses grupos controlam o resto da comunicação no Brasil.
Por mais desalentador que pareça esse quadro, porém, há que lembrar que Serra dispunha de todo esse aparato publicitário – ou anti-publicitário – já em 2002 e depois em 2006, e nem por isso conseguiu, respectivamente, vencer a eleição ou viabilizar-se como candidato.
O fato é que, do outro lado, apesar de não se ter mídia, têm-se a possibilidade de governar de forma a satisfazer anseios da população. De alguma forma, a partidarização da grande imprensa obrigou o partido ao qual ela se opõe – bem como ao seu titular – a se superar. E isso porque críticas, inclusive as injustas, acabam obrigando as pessoas a se questionarem, a buscarem sempre o melhor de si para desqualificarem seus críticos.
Isso tem acontecido no Brasil. E é por isso que não podemos ter governos invisíveis. Políticos que anseiam cargos importantes como o de presidente e que não recebem críticas na imprensa de seus adversários ou dessa própria imprensa, sentem-se à vontade para fazer o que lhes der na telha, pois não têm que prestar contas.
Votar no PT é sempre garantia de fiscalização da mídia. Ao menos enquanto perdurar essa situação no Brasil de a imprensa esconder os governos de políticos aos quais se alia, esses políticos se tornam perigosos para a sociedade, pois, se eleitos, farão o que bem entenderem e ninguém conseguirá cobrar explicações deles.
Não vote em políticos invisíveis. Ainda mais quando fazem governos invisíveis.
Bolão "Alguém acusará Serra?"
Ah, e tem mais esta: estou rifando um tour completo pela tucanidade paulistana, com direito a almoço e jantar no Fasano e shop tour na Oscar Freire acompanhado (a) de um sósia de FHC e outro de José Serra, que abrirão portas na Paulicéia ao vencedor que ele jamais suspeitou que sequer existissem (e falo só das portas, nem do que está por trás delas).
Ganhará quem acertar qual será o primeiro veículo do PIG (Partido da Imprensa Golpista) que ousará fazer uma acusação de verdade a José Serra neste ano. Há que votar no veículo e no nome do crítico, podendo ser veículo e editorial, ou veículo e colunista A, ou veículo e colunista B.
E sabem por que lhes prometo o que não posso entregar se alguém adivinhar quem poderia incomodar a Serra na mídia? Simples, porque quanto mais se aproximarem as eleições do ano que vem mais difícil ficará se contrapor a Serra na mídia, ou seja, o que antes não existia, já vai se tornando... impensável.
A embaixada dos Estados Unidos em Honduras reagiu indignada nesta terça-feira às “declarações desrespeitosas e racistas” contra o presidente Barack Obama feitas pelo chanceler do governo “de fato” hondurenho, Enrique Ortez Colindres, que se desculpou pelo que havia dito.
“Como representante oficial e pessoal do presidente dos Estados Unidos da América, expresso minha profunda indignação em relação aos desafortunados comentários desrespeitosos e racialmente insensíveis do chanceler Enrique Ortez Colindres sobre o presidente Barack Obama”, disse em nota o embaixador de Washington em Tegucigalpa, Hugo Llorens.
O chanceler do governo “de fato” de Roberto Micheletti havia se referido a Obama como “Esse negrinho que nem sabe onde fica Tegucigalpa”.
“Tais comentários são profundamente indignantes para o povo americano e para mim no âmbito pessoal. Estou chocado com esses comentários, que condeno fortemente”, concluiu o embaixador dos EUA em Honduras.
A mídia como um todo deveria extrair uma lição do “furo” que tomou da Globo nesta terça-feira: em jornalismo, ganha quem dá notícias importantes antes que outros dêem ou quando eles não dão.
Foi assim com a notícia de que o presidente Lula foi agraciado em Paris com o Prêmio da Paz da Unesco Felix Houphouët-Boigny. Os jornalões não deram a notícia e, entre os telejornais, só a Globo noticiou corretamente explicando inclusive a importância da premiação, de que foi concedida a todos os que posteriormente ganharam o Nobel da Paz.
Em jornalismo, como no futebol, quem não faz toma. A hidra midiática e colonizada quis adular FHC não divulgando premiação a Lula que o ex-presidente jamais conseguiu. Enquanto ficava louvando Michael Jackson, acabou tomando um gol da Globo entre as pernas.
Clicando aqui vocês descobrirão a história dessa premiação e quem foram os outros agraciados.
PS: este post trata somente da mídia comercial, não incluindo os veículos públicos.
A imprensa nacional noticiou timidamente a viagem que o presidente Lula ora empreende a Paris. A maioria dos meios de comunicação disse que ele viajaria “a descanso”. O real motivo dessa viagem não gerou manchete ou qualquer outra cobertura nos grandes jornais, nas tevês ou nos portais de internet corporativos.
O leitor e sociólogo Clóvis Campos, de Cabedelo, na Paraíba, sugeriu-me que fizesse um post sobre a razão da viagem do presidente Lula à França e a homenagem que ele está recebendo hoje da ONU naquele país.
Trata-se de premiação inédita para um presidente brasileiro e eleva o conceito do nosso país diante do mundo. Lula será agraciado, mais especificamente, pela Unesco, braço das Nações Unidas para a educação, a ciência e a cultura.
O silêncio da mídia brasileira diante de um acontecimento dessa importância revela como o nível de radicalização na política brasileira já beira o nível de radicalização num país conflagrado e ameaçado pelo golpismo e pela opressão como é Honduras neste momento.
É inconcebível que o presidente brasileiro esteja sendo objeto de homenagem tão importante e os brasileiros sejam privados dos detalhes do evento e da repercussão mundial positiva que gera para este país.
Estamos diante de uma crise política de proporções gravíssimas e que constitui ameaça à ordem constitucional, institucional e política nacional.
Reproduzo, abaixo, matéria da Rádio ONU que noticia evento que ocorre hoje em Paris em homenagem a Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República Federativa do Brasil.
Unesco homenageia Lula com prêmio da Paz
07/07/2009
O prêmio da Paz Felix Houphouët-Boigny foi criado em 1989 e todos os anos é entregue a pessoas ou a organizações que promovem a paz.
Marco Alfaro, da Rádio ONU em Nova York.
A Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, Unesco, irá homenagear, nesta terça-feira, em Paris, na França, o presidente Luis Inácio Lula da Silva com a entrega do Prêmio da Paz Felix Houphouët-Boigny.
O prêmio da Unesco, criado em 1989, carrega o nome do primeiro presidente da Cote d'Ivore, antiga Costa do Marfim, e todos os anos é entregue a pessoas ou organizações que promovem a paz.
Presenças Ilustres
A solenidade aconterá na sede da Unesco e contará com a presença do presidente de Cabo Verde, Pedro Pires, do primeiro-ministro de Portugal, José Sócrates, e do ex-secretário de estado americano, Henry Kissinger.
O líder interino do júri da Unesco, o ex-presidente de Portugal, Mario Soares, falou à Rádio ONU sobre o trabalho social de Lula e a busca da paz no Brasil e na América Latina.
"Ele recebeu o prêmio por ser uma pessoa de paz. E por ser uma pessoa que quer o desenvolvimento de seu país e sobretudo assegurar o fim da distância entre os brasileiros ricos e pobres. Ele vem promovendo o equilíbrio social no Brasil, a paz entre as diferentres etnias e tem feito muito pela paz na América Latina" disse.
Agraciados
A galeria de contemplados com o prêmio da paz da Unesco inclui o rei da Espanha, Juan Carlos, o ex-presidente da África do Sul e prêmio Nobel da paz, Nelson Mandela, e o ex-presidente americano Jimmy Carter.
Denúncias da Rádio Globo de Honduras
Segundo a rádio, o governo golpista está obrigando cidadãos a vestirem branco e a participarem de ato público contra o presidente deposto Manuel Zelaya.
Golpistas também pediram à Interpol, na semana passada, que prendesse Zelaya. Hoje, a organização respondeu aos golpistas que não atua politicamente, e questionou por que não deixaram que aquele que pediram para prender voltasse ao país no domingo, se o queriam preso...
Há boatos de que a mídia escondeu que Lula receberia o prêmio da Paz Felix Houphouët-Boignyporque FHC concorreu a ele em mais de uma ocasião e não levou. Alguém pode confirmar se é verdade (que FHC concorreu sem ganhar)?
Surpresa: Globo faz o que ninguém fez
Inacreditável: a Globo foi o único grande meio de comunicação que noticiou a premiação de Lula na França, lembrando que esse prêmio foi ganho por todos os que depois foram contemplados com o Nobel da Paz. A Band noticiou de forma cifrada, a Gazeta não noticiou e a Record não vi seu telejornal até o fim, mas acho que tampouco noticiou. E nenhum jornalão noticiou. Vai entender...
Quem assistiu pela Telesur a cobertura da tentativa do presidente deposto de Honduras Manuel Zelaya de regressar ao seu país no último domingo, em algum momento das inevitáveis reflexões a que se entregou posteriormente deve ter pensado se tudo aquilo não poderia acontecer por aqui.
Antes do golpe em Honduras, vinha conversando com jornalistas, sociólogos, politólogos em geral, e todos foram unânimes em rechaçar hipótese que propus de que no Brasil poderia acontecer o que aconteceu no país centro-americano.
Todos falaram da esmagadora pressão internacional que seria desencadeada. A pergunta é: seria uma pressão maior ou menor do que aquela que a Comunidade Internacional está fazendo sobre o regime golpista de Honduras?
Se for a mesma – e não sei o que mais os organismos multilaterais e a comunidade das nações poderiam fazer para pressionar os golpistas –, pelo menos até o momento acho que quem quiser dar golpe de Estado mantém bons motivos para se animar com a idéia.
Nas próximas semanas veremos quanto a pressão internacional pura e simples pode fazer para induzir os golpistas hondurenhos a desistirem desse projeto insano que desencadearam. Segundo declarações recentes do chanceler Celso Amorim, é questão de semanas para que os golpistas percebam que estão sem saída.
É só o que há para falar desse assunto de Honduras, no momento. O resto é exercício de futurologia.
Sendo assim, concentremo-nos no tema do post, que versa sobre a possibilidade de acontecer no Brasil alguma coisa similar ao que aconteceu em Honduras.
A chave de tudo são as Forças Armadas. Em países nos quais elas são legalistas, a chance de ocorrer quarteladas como a que aconteceu em Honduras, é pequena. São países como Bolívia, Venezuela e Equador. Os países do norte da América do Sul têm forças armadas legalistas.
Mas há países nos quais os militares ainda acalentam o mesmo discurso dos anos 1960 / 1970. Aliás, quase todo 31 de março militares de alta patente proferem discursos agressivos contra Lula, o comandante-em-chefe das Forças Armadas, e nada lhes acontece.
No Congresso, temos um energúmeno chamado Jair Bolsonaro que vive tripudiando da impotência das leis brasileiras de punirem os assassinos do regime militar.
A mídia age como agia há mais de quarenta anos, endossando golpes de Estado contra governantes de esquerda (como fez quando tentaram depor Hugo Chávez) ou atenuando golpes de Estado criminosos contra governantes com tal ideologia como estão fazendo agora em relação a Honduras.
Alguém viu em algum grande jornal, tevê ou portal de internet as imagens que se viu no domingo na Telesur daquela maré humana engolfando as avenidas de Tegucigalpa? Pelo contrário: vê-se apenas as manifestações orquestradas e organizadas pelo regime golpista de Honduras.
A contagem dos mortos pelos soldados golpistas no domingo no aeroporto de Toncontin, em Tegucigalpa, foi transmitida pela mídia de acordo com os números veiculados pelos golpistas. Quando eles só admitiam um morto, a mídia só admitia um. Depois passaram a admitir dois e a mídia subiu o número.
Durante a emboscada dos militares àquela massa humana em Tegucigalpa, os golpistas negaram que houvesse mortos e a mídia também negava. É como no Brasil. A mídia divulga sempre a versão da oposição tucano-pefelista.
Como em Honduras, os militares estão sempre pairando sobre a cabeça de Lula. Ele que ouse não ser conciliador... Cobram dele que reaja à mídia, mas, pelo visto, ele sabe tão bem quanto eu que por aqui tampouco é bom irritar os militares, por mais que sejam subordinados ao presidente da República de turno, a qualquer presidente da República.
Então, meus caros, vocês podem ir pondo as barbas de molho...
A manipulação midiática de imagens e fatos, o discurso de completo apoio às “razões” dos golpistas que se vê em grandes grupos de mídia ou mesmo o apoio envergonhado dessa mídia ao golpe e sua tentativa de justificar os golpistas com a mentira de que Zelaya estava propondo plebiscito que lhe permitiria se reeleger, tudo isso mostra como o golpe em Honduras deu água na boca dessa gente.
A direita brasileira está sempre ameaçando o país com o golpismo. Sempre o mesmo discursinho de este ou aquele presidente estar querendo um novo mandato para justificar discursos golpistas. Mas só condenam um governante que quer esticar seu mandato quando ele é de esquerda.
O presidente conservador da Colômbia, Alvaro Uribe, está tentando fazer o mesmo de que acusam Zelaya de ter feito e não tem Esgoto, Miriam Leitão ou Clóvis Rossi que o condene. Folha, Globo, Veja, Estadão, enfim, todos os membros midiáticos da oposição de direita defenderam que FHC pudesse mudar a Constituição para se reeleger.
Já não é nem questão de saber se conseguirão evitar que Honduras ressuscite o fantasma do golpismo, a questão é que este está sempre na pauta reacionária, na pauta da grande mídia, na pauta dos Jardins e da Barra da Tijuca, porque Honduras também é aqui. A única diferença é que o Brasil é uma república bananeira grande.
Para quem me acha exagerado
Para quem acha que sou exagerado quando digo que a direita brasileira é totalmente entusiasta do golpismo mais deslavado, que leia esta matéria do G1 (Globo) e compare o número de manifestantes que o texto diz que havia ontem em Tegucigalpa com as imagens do vídeo acima.
5 de julho de 2009 entrará para a história. O mundo acompanhou um triller de suspense digno de Hollywood: a tentativa do presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, de pousar no aeroporto da capital de seu país com o avião em que viajava acompanhado, inclusive, do presidente da Assembléia Geral da ONU, Miguel D’Escoto.
Outro destaque do dia foi a cobertura simplesmente espetacular do episódio todo pela tevê pública venezuelana Telesur. Minuto a minuto, cada lance do que já pode ser chamado de Batalha de Tegucigalpa foi visto por milhões nos quatro cantos da Terra.
A emissora venezuelana foi a única a ter um repórter viajando no avião de Zelaya e D’Escoto. Em pleno vôo, o presidente constitucional hondurenho, declarado único e legítimo pela ONU e pela OEA, pôde falar ao povo nas ruas de Tegucigalpa por meio de reprodução em alto-falantes de suas palavras àquela emissora.
A Telesur mostrou imagens e sons da maré humana que convergiu do campo, de Tegucigalpa e de outras cidades para o centro da capital hondurenha, de onde a multidão marchou para o aeroporto. Se não fosse a emissora, não teria sido possível ao mundo saber que os manifestantes foram vítimas de uma emboscada dos soldados do regime golpista.
O exército formava um cordão de isolamento ao redor do aeroporto. Durante algum tempo, os manifestantes foram barrados pelos militares. Quando a multidão já chegava a incontáveis dezenas de milhares, os soldados golpistas deixaram-na passar, cercaram-na e começaram a disparar e a lançar bombas de gás lacrimogêneo. Há notícias de três mortos e dezenas de feridos, até o fim da noite de domingo. Golpistas, até agora, só admitem uma vítima fatal.
A cobertura da Telesur constitui um exemplo de ousadia jornalística que há muito não se via nesta parte do mundo. Ficou absolutamente claro que os enviados da emissora venezuelana correram risco à própria integridade física. Durante o ataque dos soldados golpistas, a equipe perdeu até parte do equipamento e era possível ouvir gritos de desespero, ver sangue no pavimento, fumaça negra rolando pelo céu...
Quando o avião de Zelaya foi visto no horizonte no entardecer deste domingo, a Telesur transmitiu os sons da ovação popular. Pode-se ver o avião sobrevoando o aeroporto em círculos até um momento de extrema tensão em que, ao tentar pousar, os soldados golpistas atravessaram obstáculos na pista para impedir a aterrissagem, obrigando o avião de Zelaya a desistir da manobra.
Estratégia golpista
A estratégia golpista se revelou inexpugnável. A menos que alguma nação banque uma ação militar contra Honduras, os golpistas terão como “legitimar” um processo que, por si só, a comunidade internacional considera inaceitável por constituir precedente que pode abrir caminho para novas aventuras golpistas na América Latina.
As sanções internacionais terão pouco tempo para se fazer sentir em Honduras. Os golpistas poderão, como já prometeram fazer, antecipar as eleições e, depois de concluídas, haverá um novo governo eleito em Honduras. O golpe contra Zelaya terá funcionado. O golpismo terá vencido.
Que fazer?
A única alternativa aceitável para esse caso será a condenação internacional dos golpistas e sua posterior prisão, sobretudo por ameaçarem abater a aeronave em que viajavam o presidente constitucional de Honduras e o presidente da Assembléia Geral da ONU. A comunidade internacional deve discutir até que ponto irá a fim de impedir que se materialize o precedente golpista nas Américas.
EUA
Manoel Zelaya instou o governo Barack Obama a tomar uma atitude. Na verdade, por ter um aparato militar em Honduras, os EUA certamente serão chamados a tomar uma posição, nem que a potência termine por se omitir.
Obama terá que decidir se faz em Honduras o que acusaram seu antecessor de fazer no Iraque, apesar de, no caso hondurenho, haver uma situação muito diferente da que havia no Oriente.
O problema é que qualquer ação militar resultaria em baixas civis e não se imagina que hoje algum governo, inclusive o dos EUA, queira patrocinar algo dessa natureza. Enquanto isso, a cada minuto o golpe vai se consolidando e o precedente antidemocrático vai se materializando.
Uma batalha, mas não a guerra
Resta de consolo ao mundo que essa não foi mais do que uma batalha da guerra desencadeada há cerca de uma semana pelos golpistas hondurenhos. Outras batalhas virão. Espera-se que sejam poucas e que, à diferença desta, não sejam sangrentas. Todavia, confesso que se trata de uma esperança um tanto quanto fugidia.
Cobertura pelo Twitter
Acompanhe pela minha página no Twitter toda cobertura virtual que fiz desde a manhã deste domingo da crise em Honduras, com informações da Telesur. Clique aqui para ler.